24 de março de 2017

Lançamentos Harlequin - Março e Abril!



Olá, queridos!

Venham comigo conhecer os meus mais queridos lançamentos da Harlequin Books Brasil de março e abril! :) 



EM MARÇO...



TODOS OS SONHOS DELE - Shannon Stacey
Harlequin Rainhas do Romance 123

O despertar do amor!

A bela Katie Davis cresceu com os Kowalski e sempre foi considerada “um dos rapazes”. Porém, seus sentimentos por Josh Kowalski não são nada fraternais. E ele também parece estar começando a enxergar a mulher que Katie se tornou. Ela esperou muitos anos para que Josh a notasse, mas talvez seja tarde demais. Entregar seu coração para um homem que quer deixar a cidade o mais rápido possível é um jeito fácil de se decepcionar. Contudo, Josh continua inventando motivos para ficar… E ele logo perceberá que tudo o que precisa para realizar seus sonhos é ficar ao lado de Katie.




DOCE AMOR - Carole Mortimer
Harlequin Paixão Glamour 016

Encantada pelo chefe!

Hebe mal pôde acreditar que foi para a cama com seu sensual chefe, mas Nick Cavendish só precisava de alguém com quem passar a noite do aniversário da morte de seu filho. Na manhã seguinte, ele tentou descartá-la como fizera com todas as outras amantes. Contudo, livrar-se de Hebe não seria tão fácil. Afinal, ela está sentindo enjoos matinais… Nick fica feliz por ter uma segunda chance de ser pai. Porém, Hebe está com o coração partido. Ela não quer se casar apenas por obrigação. Será que Nick conseguirá convencê-la de que realmente deseja um futuro a seu lado?



JURAS DE VINGANÇA - Cathy Williams
Harlequin Paixão 484

O sabor da inocência…

Quando Sophie Griffin-Watt saiu da vida do magnata Javier Vasquez e decidiu casar-se com outro homem, esse poderoso milionário jurou encontrar uma maneira de se vingar! E ao descobrir que Sophie está desesperada para salvar sua família, ele oferece ajuda. Porém, tudo tem um preço. Em troca do que ela precisa, Javier deseja possuí-la. Esse acordo sensual parecia a única forma de finalmente conseguir esquecê-la. Contudo, ao descobrir a inocência de Sophie, Javier será incapaz de seguir as próprias regras.




DESEJO & CONQUISTA
Harlequin Jessica 279

TEMPESTADE DE PAIXÃO - Kate Hewitt
Uma esposa temporária?
Hannah Stewart fica surpresa quando seu chefe exige que ela o acompanhe em uma importante viagem de negócios… até Luca Moretti apresentá-la como sua noiva! Ele não permitirá que nada, nem mesmo sua adorada vida de solteiro, fique no caminho de seu sucesso. Por isso, expandir temporariamente as funções de Hannah era a solução perfeita. Contudo, ele não esperava que o charme da assistente testaria tanto seu notório autocontrole. A paixão proibida que existe entre eles é intensa demais para ser ignorada. Mas o que acontecerá quando a viagem terminar?

TEIA DE ATRAÇÃO - Michelle Conder
Inimiga ou amante?
Dare James está furioso. Uma mulher conseguiu colocar as garras em seu avô! Dominado pela raiva, ele retorna à propriedade da família pronto para resolver o problema… apenas para se ver completamente encantado pela garota que planejava despejar. Carly Evans fica horrorizada ao descobrir o que Dare pensa. Afinal, ela é médica, não uma interesseira. Tudo o que Carly quer é apagar o sorriso pretensioso do rosto de Dare. Porém, antes que percebesse, ela estava presa a uma inescapável teia de atração. E, de repente, desafiar esse poderoso bilionário era a última coisa que Carly desejava fazer.



EM ABRIL...



DESAFIADOS PELA EMOÇÃO
Harlequin Desejo 253

BUSCA PELA FELICIDADE - Maureen Child
Uma segunda chance?
Depois de dois longos anos, Sam Wyatt está de volta à cidade, trazendo grandes planos para os negócios da família. Mas, antes, ele precisa encarar as pessoas que deixou para trás.... incluindo a mulher que nunca conseguiu esquecer. Lacy Sills ainda não havia superado o abandono do marido, e fica chocada ao descobrir que ele será seu novo chefe! Ela sabe que trabalhar ao lado de Sam significa se entregar aos seus encantos. Mas ao descobrir os motivos que o levaram a reatar o relacionamento ela entende que jamais poderá perdoá-lo. E nem mesmo uma reviravolta do destino a faria mudar de ideia...

PROMESSAS POR UMA NOITE - Elizabeth Bevarly
Um desafio inigualável!
Encantamento não era algo que o bilionário Marcus Fallon estava acostumado a sentir. Porém, quando seus olhos cruzaram com os de Della Hannan, ele sabia que precisava tê-la. Quando um beijo abre caminho para a rendição, Marcus percebe que uma noite não seria suficiente. O problema é que Della não queria um relacionamento sério! E, pela primeira vez na vida, esse infame playboy percebe que o jogo virou: a única mulher que ele realmente deseja não tem intenção alguma de ficar ao seu lado.




HARLEQUIN COLEÇÃO NOIVAS REBELDES 005

SHEIK INDOMADO - Lynne Graham
Shahir, o príncipe do deserto, tinha três simples regras: nunca dormir com uma virgem, nunca se envolver com uma funcionária e nada de casamentos. Porém, regras são feitas para serem quebradas. A jovem e inocente Kirsten é mais do que uma tentação. Incapaz de resistir aos encantos dela, Shahir usará todas as suas armas para seduzi-la. E ele não descansará até que Kirsten aceite se tornar sua esposa!

NOIVA COMPRADA - Susan Stephens 
Miranda Weston estava se recuperando dos ferimentos que destruíram sua carreira. Por isso, fica chocada ao perceber que o bilionário grego Theo Savakis está interessado nela. O que um dos solteiros mais cobiçados do mundo poderia querer com uma mulher como ela? Theo precisa de uma esposa, e rápido, ou perderá sua herança. E vê na bela Miranda a candidata perfeita. Contudo, ele não esperava sentir um desejo tão avassalador por sua noiva de conveniência... E também não contava que Miranda descobriria os motivos escondidos por trás de seu pedido de casamento!




UMA NOITE NO DESERTO - Kate Hardy 
Harlequin Paixão Glamour 017

Dominada pelo sheik

Assim que Karim al-Hassan vê a sensual Lily Finch, ele decide conquistá-la. E o beijo escaldante que trocaram despertou em Karim um desejo que precisa ser saciado. Bem-sucedida e focada na carreira, Lily não pretendia misturar negócios com prazer... até a sedução implacável de Karim estraçalhar sua resistência. Ele só estava interessado em um caso passageiro, mas não demora para Karim começar a querer tê-la sempre em sua cama.




UM AMOR INESPERADO - Shannon Stacey 
Harlequin Rainhas do Romance 124

Feitos um para o outro?

Liz Kowalski não pretendia se envolver com o melhor amigo de seu irmão, mas também não imaginava que seria tão difícil resistir a Drew! Ele, por sua vez, está cansado de romances passageiros. E por mais que seu encontro com Liz tenha sido maravilhoso, Drew sabe que eles não têm futuro. Tudo muda durante o acampamento anual dos Kowalski. Em meio à família, amigos e muita lama, Drew e Liz tentam lutar com o sentimento que cresce entre eles. Passar um tempo a sós sob as estrelas pode ser exatamente a solução para juntar duas pessoas determinadas a não se apaixonarem... 



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22 de março de 2017

O Cavaleiro de Bronze (Parte 1) - Paullina Simons

(Título Original: The Bronze Horseman
Tradutor: Wladir Dupont 
Editora: Novo Século
Edição de: 2014)

Trilogia O Cavaleiro de Bronze - Livro 1.1

A história de dois amantes, em uma guerra que mudará para sempre o mundo e suas vidas.

A Segunda Guerra Mundial ainda não havia alcançado a cidade de Leningrado, onde as duas irmãs Tatiana e Dasha Metanova viviam, dividindo um pequeno cômodo com seu irmão, seus pais e avós.

Tudo muda quando as tropas de Hitler atacam a União Soviética e ameaçam invadir a grande e decadente cidade. Fome, desespero e medo tomam conta de Leningrado durante o terrível inverno no qual a cidade foi submetida ao cerco alemão.

No entanto, a luz do amor é sempre capaz de iluminar a mais profunda escuridão. Tatiana conhece Alexander, um jovem e corajoso oficial do Exército Vermelho. O rapaz forte e confiante guarda um passado misterioso e problemático. Ele sente-se atraído por Tatiana - e ela por ele.

O amor impossível de Tatiana e Alexander ameaça agora dividir a família Metanova. E que segredo é esse que se esconde no passado do soldado, tão devastador quanto a própria guerra?



Palavras de uma leitora...



"- Esta é a melhor hora, Tatiana. - Alexander disse. - Quer saber por quê?
 - Por favor, não me diga.
 - Não haverá outro momento como este. Tão simples, tão descomplicado."

E ele estava certo. Realmente não houve. Nada nunca mais foi igual. Era o ano de 1941. 22 de junho. Na União Soviética atacada por Hitler, após o descumprimento do pacto de não agressão. Era o início do fim para milhões de pessoas. 

Ainda estou tentando me recuperar. Faz poucas horas que terminei a leitura e embora as lágrimas já tenham secado, todos os sentimentos continuam aqui. Uma confusão deles. Não sei por onde começar, não sei o que escrever... só sei sentir. E me perguntar que espécie de mundo é este no qual vivemos. 

As chances de que esta resenha tenha spoiler são enormes. Por isso, se ainda não leu o livro e não quer saber nada de importante sobre ele antes da leitura, pare imediatamente de ler este post!

" - Tania, é meio-dia. Levante-se. Ou vai haver problema. Preciso de você vestida em dois minutos.
  - Fácil - Tatiana respondeu, pulando na cama e mostrando à família que ainda vestia a blusa e a saia do dia anterior."

Era para ser um dia como outro qualquer. Tatiana lutaria para não levantar da cama, Dasha compartilharia segredos e implicaria com ela como a irmã que sempre tinha sido e ela não ouviria uma palavra do que o pai lhe dissesse, o que, consequentemente, resultaria na compra de todos os produtos que ele não pedira e nenhum dos que de fato pedira. Mas, naquele dia, dois acontecimentos importantes mudariam para sempre a sua vida. 

Enquanto a família se preocupava com o ataque de Hitler ao país, Tatiana pensava apenas em seus livros e tentava recordar o que deveria trazer do mercado enquanto percorria as ruas da cidade. Mas ao parar para tomar um sorvete no ponto de ônibus, tudo começou a acontecer. Ela o conheceu. O homem que despertaria seu coração para o amor apenas para fazê-lo em pedaços em seguida. 

"Tatiana o teria olhado de relance ao longo da rua e continuado em frente, só que esse soldado estava do outro lado, olhando-a com uma expressão que ela nunca vira antes."

Era a primeira vez que ela sentia algo por alguém. Em seus 16 anos jamais tinha se apaixonado e não saberia explicar o que sentia naquele momento. O mundo parara. Tudo de repente ficou distante e ela só conseguia pensar nele, ouvir sua voz e desejar que aqueles minutos se prolongassem. Que ele não fosse embora. Mas tudo desmorona pouco tempo depois quando ela descobre que o Alexander, o seu Alexander, era o namorado de sua irmã. Que destino era aquele que colocava em seu caminho justamente a única pessoa que ela não poderia amar? Como conviver com o que sentia e vê-lo, dia após dias, sabendo que era outra quem o tocava, sabendo que seus próprios pensamentos eram uma traição àquela que sempre estivera ao seu lado, a irmã que ela amava mais que tudo...

Determinada a esquecê-lo, Tatiana tenta se manter distante, esquecer-se de sentir, apagar seu nome e seu rosto de seu coração, mas quanto mais longe tentava ficar mais ele se aproximava, tornando impossível para ela viver consigo mesma. 

"Às vezes as coisas não funcionam como esperamos, não é mesmo? Não importa o quanto planejamos, o quanto queremos. Não é verdade?"

- Se existia um céu, um inferno e um Deus, ela sabia que já estava condenada. Todos os dias em sua mente, traía a irmã. Todos os dias, quando o Alexander insistia em aparecer no seu trabalho e caminhar com ela antes de levá-la até perto de casa, ela traía a Dasha. E enquanto sua mente lhe dizia que aquilo tinha que parar, que ela precisava convencer o Alexander a esquecê-la e deixá-la em paz, seu coração batia mais forte quando ele aparecia. E ela se sentia viva como jamais se sentiu antes. 

"Ao olhar para Alexander, Tatiana condenava-se, mas não olhar, igualmente a traía, talvez até mais..."

- Dividida entre o amor que sente por Alexander e o forte laço que a une à irmã, mais forte até que qualquer laço de sangue, Tatiana escolhe deixar de lado seu próprio coração, sabendo que nunca conseguiria esquecê-lo, que enquanto vivesse recordaria os breves olhares que trocaram, as conversas, a caminhada lado a lado, os sorrisos que involuntariamente trocavam. Sabia que morreria a cada dia, vendo a irmã beijá-lo e estar em seus braços, enquanto seu coração gritava que era ela quem ali deveria estar. Sabia de tudo isso. Mas não suportaria destruir a felicidade da irmã. Seu coração era um preço pequeno a pagar. Era ela quem tinha aparecido depois. Era ela quem estava sobrando ali. Dasha merecia ser feliz ao lado do Alexander. E ao tentar fazê-lo entender isso, ele rompe com a Dasha, provocando em Tatiana uma mistura de culpa e alívio. Seria isso o que o amor fazia com as pessoas? Seria isso... amar?

"- Você e eu... - então interrompeu sacudindo a cabeça. - Não é a hora certa para nós.
Ela ficou de costas outra vez, colocando o braço sob o rosto.
A hora, o lugar, a vida."

- Ao tirá-lo de sua vida, Tatiana também o arrancara da vida da irmã, embora tivesse tentado justamente o contrário. Mas... as reviravoltas de um país em plena guerra farão com que seus caminhos se cruzem outra vez. 

O inverno estava cada vez mais próximo. A comida ficava mais e mais escassa nas lojas da cidade e a guerra que ela acreditava que não duraria já começara a destruir vidas por toda parte. Mães perdiam seus filhos, irmãs perdiam os seus irmãos... e a sua cidade estava prestes a ser bombardeada. Uma cidade da qual ela não conseguiria sair. 

Em meio a perdas, fome, frio e dor duas irmãs seguirão apaixonadas pelo mesmo homem, numa história de amor, guerra e traições. Até o inevitável final.

"É a perda mais triste de todas, ir em frente por algumas semanas, poucos dias, uma noite, um minuto, e achar que tudo está bem quando já ruiu a estrutura das nossas vidas."

- Faz anos que evito esta história. Que venho passando mais e mais livros na sua frente. Mas coloquei na cabeça que iria parar com isso, que finalmente pararia de adiar a leitura. E, nas últimas semanas, enquanto pensava no que iria ler, peguei o livro na estante. Foi o início de dias e mais dias de lágrimas, revolta, amor, risos, mais lágrimas, ódio, lágrimas de novo... e de novo... e de novo.

"[...] nem bombas, nem meu coração partido podem tirar da minha lembrança o caminhar ao seu lado, descalça, naquele junho perfumado de jasmin, através do Campo de Marte."

Recordo o tempo em que nada no mundo me fazia ler romances que se passavam em períodos de guerra. Eu fugia de históricos como o diabo foge da cruz. Era alguém que sempre tinha amado as aulas de História, mas que não suportaria ver personagens passando pelos períodos que eu conhecia, que eu estudara. Não queria guardar aquilo na minha mente. Mas aqui estou eu... lendo mais um livro que se passa num dos períodos mais tristes e terríveis da História do mundo. E é a 2ª Guerra, gente. Preciso falar mais alguma coisa? :( Quem tem a ilusão de que vai encontrar apenas um romance maravilhoso com a guerra como fundo, está bem enganado e vai se decepcionar bastante ao ler a história. Há romance? Claro. Embora... Não. Sobre isso eu falo depois. Mas como eu estava dizendo, tem sim romance, mas não é cor-de-rosa, a autora não coloriu nada. Pelo contrário, ela teve todo o cuidado de retratar da maneira mais crua e realista o que as pessoas que viveram naquela época enfrentaram. 

É preciso estômago para ler este livro. As imagens não vão sair da sua mente por um longo tempo. E você vai se revoltar. Vai passar por cenas de pessoas caindo pelas ruas, mortas. Não só por causa dos bombardeios, mas sobretudo pela fome. Chegará o momento no livro em que não haverá comida. Em que nenhum dinheiro conseguirá ser capaz de colocar comida na mesa das pessoas. Sabem o que é isso? Ler algo assim? Ver pessoas morrendo enquanto falavam, enquanto dormiam, enquanto sonhavam com o momento em que a guerra terminaria e tudo então poderia ser como antes? Sabem o que é ver os sonhos dessas pessoas se esvair com suas vidas? Vê-las definhando dia após dias, indo para o trabalho ansiando pelo momento em que poderiam tomar uma sopa que não passava de água quente sem nenhum nutriente. Pessoas se atacando nas ruas por um pouco de pão que não seria suficiente para salvar o corpo que estava matando-as, se destruindo por dentro. Pessoas morrendo na entrada dos Correios, subindo as escadas para casa, no sofá, no meio da rua, em camas de hospitais que nada podiam fazer por elas. Não é suportável. São cenas que vão me perseguir para sempre. 

"Alexander pegou a mão de Tatiana e disse suavemente, dando palmadas em seu próprio peito:
 - Vem aqui.
 Ela ficou ali um bom tempo, com o rosto pressionado contra o peito de Alexander, cujos braços estavam a seu redor, e chorou."

E no meio do terror que todos viviam naquela época, temos Alexander, Tatiana e... Dasha. Num triângulo de amor que machuca tanto quanto a guerra que presenciamos no livro. 

- Acredito que todos aqui sabem que não gosto de histórias sobre traição. Não é um tema fácil para mim. Não sou a pessoa mais tolerante do mundo com traições. Na verdade, considero algo imperdoável. Mas... também sou uma leitora que tem a mente muito aberta e quando inicia uma leitura prefere não condenar a história antes de lê-la e conhecer profundamente os personagens. Sou capaz de me colocar no lugar de cada um deles e compreender os dois lados. É por isso que Ráfaga (A Carícia do Vento), Clayton (Whitney, Meu Amor), Conn (A Conquistadora) e muitos outros escaparam à minha fúria.rs Bem... Eu até fiquei extremamente furiosa com eles, mas no fim encontrei motivos na história e no meu coração para perdoá-los. Então... Quando não perdoo um mocinho ou mocinha, não é porque sou radical com um determinado tema e não quero nem saber dos motivos dos personagens. Não. Quando não perdoo um personagem é porque ele não me deu motivos para fazê-lo. E, infelizmente, este é o caso do Alexander. 

Não houve um só momento em que ele tenha me provocado nem sequer o mais superficial amor. Durante quase todo o tempo eu o desprezei. E odiei. E desejei que ele desaparecesse da história e deixasse a Dasha e a Tatiana em paz. Por que quem ele pensava que era para se meter entre as duas irmãs daquele jeito? Brincar com as duas daquele jeito, por que era covarde demais para tomar uma decisão? Não. Não o culpo por ter se apaixonado pela Tatiana. Ninguém manda no coração. Não escolhemos quem vamos amar. E eu seria a última pessoa a condená-lo por simplesmente amar alguém com todo o seu coração. Não é isso que me revoltou e decepcionou demais no Alexander. Foi a sua covardia. Sua total incapacidade de lutar pelo que sentia pela Tatiana. Foi o fato dele não dar a mínima para o que a Dasha sentia por ele e enganá-la todos os dias, sabendo que quanto mais tempo passava com ela mais envolvida ela ficava. Foi o fato dele terminar com a Dasha apenas como uma vingança infantil quando a Tatiana o proibiu de continuar esperando-a na saída do trabalho, quando mandou ele deixá-la em paz de uma vez por todas. Foi o fato dele voltar com a Dasha, assim do nada, e em seguida tentar fazer amor com a Tatiana, sendo impedido por uma enfermeira. Foi o fato dele decidir se casar com a Dasha e assim ter mais acesso a Tatiana. Foi o fato de estando noivo da Dasha, ele querer que a Tatiana se encontrasse com ele para tocá-la às escondidas, enquanto na frente da família tocava a Dasha, dizia que amava a Dasha. Foram suas mentiras e mais mentiras. Suas traições seguidas de mais traições. Sua incapacidade de ser um homem de verdade. Ou, pelo menos, sua incapacidade de saber amar. Ele amava sim, mas não sabia como fazê-lo. Seu amor era egoísta. Seu amor apenas machucava. 

"No meio da noite, Dasha levantou-se para ir ao banheiro. Tatiana achou que Alexander dormia, mas ele se virou e encarou-a. No escuro, ela vislumbrou seus olhos líquidos. Debaixo do cobertor a perna dele mexeu de lado e tocou a dela; ela usava meias e um pijama de flanela. Quando ela ouviu Dasha no hall externo, fechou os olhos. Alexander tirou a perna."

- A cena acima se passa numa noite em que o Alexander dorme no apartamento comunitário em que elas viviam. Tatiana e Dasha dormiam na mesma cama, junto com uma prima. E a Dasha, ao implorar para que o Alexander pudesse passar a noite lá, não se importou que os três (ela, o Alexander e a Tatiana) dividissem a mesma cama. Estava completamente cega. Não conseguia ver que ele devorava a irmã dela com os olhos e que a Tatiana olhava para ele com o próprio coração no lugar dos olhos. Ela não via nada. E foi só ela levantar para ir ao banheiro para que o Alexander desse um jeito de tocar na Tatiana. Mesmo por cima das roupas. Na mesma cama em que sua noiva estava deitada instantes antes. 

"- Tania! - ela o ouviu gritar.
 Em questões de segundos, ele estava diante dela. Tatiana foi para trás e levantou os braços.
 - Me deixe em paz - ela disse numa voz fraca. - Só me deixe em paz."

- Talvez vocês estejam se perguntando por que desprezo apenas o Alexander. Por que é ele quem odeio e não a Tatiana ou os dois? É completamente impossível odiar esta mocinha. Não existiu sequer um momento em que eu tenha sentido raiva dela por amar o Alexander. Ao iniciar a leitura e conhecê-la vocês vão entender meus motivos. 

"A emoção fazia forte pressão em seu peito, dificultando a sua respiração. Eu não preciso respirar agora, ela pensou. Tenho respirado toda a minha vida."

Tatiana não passava de uma menina completamente inocente quando conheceu o Alexander. Mesmo aos 16 anos, ela mal tinha noção da existência do sexo oposto. Ela brincava com os garotos como uma pequena travessa, incapaz de notar os olhares que despertava, os sentimentos que despertava. Era muito menina e tratada como criança pela família, sobretudo a Dasha, que apesar de dividir com ela seus segredos, a protegia e seguia vendo-a como a irmãzinha pequena que nada conhecia do mundo. 

Quando ela encontra o Alexander naquele ponto de ônibus, ela está mais do que concentrada em apreciar o prazer de tomar seu sorvete preferido, como se seu mundo se resumisse ao sorvete.rs É quando ela nota o olhar dele. E ao encará-lo pela primeira vez.... o que acontece com ela é natural. Forte e inevitável. Não existia malícia, sedução, nada. Era uma menina se apaixonando pela primeira vez. Atravessando a porta que a separaria da infância. Ela o olhou com verdade. Foi sincera em cada troca de olhar, nos sentimentos que ficaram tão transparentes em seu rosto. E ela não fazia a menor ideia que ele era o namorado de sua irmã. Não existia maneira dela saber, pois nunca o tinha visto. 

E é ela quem luta para se livrar do que sente por ele. Seu coração fica despedaçado quando ela descobre que ele é o homem pelo qual sua irmã está tão interessada. Ela tenta ficar fora do caminho. E é ele... é o cretino egoísta que fica atrás dela em toda parte, fazendo ela sofrer, pois seu coração quer que ela fique ao seu lado, que se entregue por inteiro ao que sente... e esse mesmo coração lhe grita que ela não pode ferir dessa maneira sua própria irmã. Ele a coloca numa situação insuportável. E as coisas só pioram quando ele termina e volta com a Dasha de novo. Se antes ele ainda se continha um pouco, quando retorna com a Dasha e fica ainda mais próximo da Tatiana, a traição chega a um ponto sem volta. 

" - Por favor, por favor, vá embora.
  - Tania - Alexander disse quase inaudível. - Como posso não vir e ver você?"

Enquanto estava com a Dasha, ele frequentava mais e mais a casa delas apenas para ter mais acesso à Tatiana. E a cada oportunidade, esbarrava nela, a tocava e ainda achava que ela tinha que aceitar tudo numa boa. Que ele tocasse na irmã dela à vista de todos e a tocasse às escondidas, como se desempenhar o papel de amante do noivo da irmã fosse a coisa mais normal do mundo. E não. Eles não chegam a fazer amor. Por muito pouco. 

Lembro de cor o trecho em que ele diz: "Não fuja de mim quando eu toco você." Noivo da irmã dela!!! E seduzindo a Tatiana, perseguindo-a e achando que ela tem que aceitar ser a outra. Cada toque, cada carícia proibida. Por que ela é dele, certo? Porque ele a ama. Me pergunto que tipo de amor é esse...

Tatiana... Se eu fosse falar de todo o carinho que sinto por ela e de todos os motivos que tenho para protegê-la e desejar que ela encontre alguém que realmente seja digno de seu amor, passarei horas e horas escrevendo. Ela é alguém como poucos. Uma personagem que conquista nosso coração sem nem tentar, pois é incapaz de enxergar o próprio valor. Alguém que dividia até mesmo o nada que tinha. Que era capaz de tirar o pão da própria boca para alimentar alguém que passava fome como ela. Que se comovia com a dor dos outros e preferia sofrer a ver alguém que amasse sofrendo. Que mesmo com o coração todo ferido pelo Alexander ainda se importava com ele e queria sua felicidade. Queria que ele vivesse mesmo que não fosse com ela. Que o perdoou inúmeras vezes quando ele não merecia o seu perdão. Alguém que não merecia todas as dores e perdas que a vida lhe trouxe. 

"Precisava deitar-se e nunca mais ter um dia como este. Ou como o último. Ou como o anterior."

- Eu falei que o amor do Alexander é egoísta e talvez alguém que tenha lido o livro esteja desejando me esganar e gritar todas as coisas boas que ele fez pela Tatiana e pela família dela. Todas as vezes que ele a protegeu e impediu que sua própria família a agredisse. Todas as vezes que ele pegou a própria comida, que também não era muita, e dividiu com todos eles. E quando ele levou uma comida que já não se encontrava em parte alguma apenas para a Tatiana, vendo-a comer e mandando ela comer tudo quando ele próprio também sentia fome e desejava um pouco. Ele se importava com ela. Ele cuidava dela, você não enxerga, Luna?! Enxergo sim. Vi cada um desses momentos e chorei com eles. Me emocionei. Mas não o amei. Minha raiva por ele não diminuiu. Porque não era porque a alimentava e impedia que os outros a ferissem que ele tinha o direito de traí-la, trair a irmã dela e levá-la a também trair a própria irmã. Não era porque a protegia dos outros que ele tinha o direito de feri-la. 

O Alexander não é um homem ruim. E nunca disse que ele não amava a Tatiana. Mas seu amor era complicado e fazia mais mal ao seu coração do que bem. Ele fez todas as escolhas erradas desde o início e levou os dois ao inferno por isso. Com suas escolhas ele só os fez sofrer. E a Dasha também. Não é o fato dela ser uma personagem secundária que a torna alguém insignificante. Ninguém merece ser traído assim, gente. O que ele fazia com ela não tem desculpa. Nada justifica isso. 

- Acho que já falei demais.rsrs E não disse nem metade do que precisava ou queria dizer. Este livro mexeu demais com as minhas emoções, com o meu controle. Parece que há uma bagunça dentro de mim. Não sei bem o que sinto no momento. Mas uma coisa é certa: jamais serei capaz de esquecer esta história. Nem se tentasse. 

Sabe o que é mais incrível? Toda essa confusão de emoções e li apenas a primeira parte do livro até agora.rs Isso porque a "querida" Novo Século fez o favor de dividir o primeiro livro em duas partes. Assim, este livro que estou resenhando não é o primeiro livro da série, mas sim a primeira metade dele. Preciso preparar meu coração para o que lerei na segunda parte...

"- Me prometa - Alexander disse, pegando a mão de Tatiana e trazendo-a para perto dele - que você vai fazer todo o possível para sobreviver."

- Este livro foi uma indicação da minha querida amiga Carlita. E ela já sabe o que sinto pelo Alexander.kkkkkkk Ela acredita que ainda irei amá-lo, que ele conquistará meu coração ao longo da série. Não penso como ela. Mas... quem sabe? Tudo pode acontecer. Se ele me der motivos... posso amá-lo. Vai depender totalmente dele. :) 

Se alguém mais me indicou este livro, eu não consigo recordar, gente. Meu computador já deu inúmeros problemas ao longo dos anos e as listas que eu tinha de indicações se perderam há tempos. Estou refazendo a lista, mas nunca conseguirei recordar todas. :( 

"Ele queria só uma coisa.
 Queria que ela vivesse.
 Isso lhe trouxe um pouco de alívio.
 Um pouco de conforto.
 Isso teria que ser suficiente."

15 de março de 2017

Escrevendo sem Medo - Março



Um Pássaro Engaiolado ganhando a Liberdade


Ela veio como sempre... cantarolando uma canção que eu aprendera a amar. Meus olhos ainda estavam fechados e, por algum tempo, fiquei apenas ouvindo-a. Sabia que ela falaria comigo logo. Daquele jeito doce e amoroso, como se eu, de fato, pudesse entendê-la. E eu realmente entendia.

Ela falaria de amor... do quanto lhe era querido. E eu responderia com meu próprio canto, com a melodia que sempre fazia seus olhos encherem-se de lágrimas. Nunca compreendi bem por que ela chorava. Eu amava minha música. E nunca senti vontade de chorar ouvindo-a. Mas há tempos aprendera que as pessoas são esquisitas. Mesmo aquela que eu amava. Talvez ela ainda mais.



Porém, desta vez, ela não falou. Parou de cantar e abasteceu os meus potinhos com comida e água. Decidi então abrir os olhos. Ela não retribuiu o meu olhar. Partiu em silêncio, deixando-me desconcertado e com um sentimento que não saberia explicar. Era tão... não sei. Mas parecia com dor, embora eu nunca antes tenha sentido isso. 

Não senti vontade de comer. Queria ver minha dona de novo... queria que ela voltasse e conversasse comigo, como sempre. Por que naquele dia foi diferente? Será que fiz algo de errado? Mas então, quando eu menos esperava, ela retornou. Para minha surpresa, pegou a gaiola na qual passara toda a minha vida e nos carregou até a porta. Seu comportamento se tornava mais e mais incompreensível a cada instante. Talvez ela tivesse enlouquecido.

- Voe! - ela disse, enquanto eu observava a portinha, que me mantivera dentro de minha casa durante todos aqueles meses, se abrir. No início, não entendi o que dizia. Era uma palavra nova. Ela nunca tinha me pedido para voar. Olhei seu rosto, tentando fazer com que meus olhos falassem o que meu coração gritava: por quê? Sim, por mais incrível que possa parecer, tenho um coração. E naquele momento entendi o que realmente era aquela coisa chamada de dor.

Não saí. Fechei novamente os meus olhos, acreditando que fosse um sonho ruim. Mas ela me colocou sobre sua mão e, acariciando minha cabeça pela última vez, me soltou. Por instinto, voei. Parei na árvore que ficava em frente a casa dela e esperei. Ela logo viria me buscar. Não me deixaria ali sozinho. Mas ela fechou a porta da casa. E também as janelas. E as cortinas. Só aí pude entender a mensagem. Ela não me queria mais. 



Algo escorreu dos meus olhos. Seriam lágrimas? Não sei. Só sentia meu coração pesado enquanto, pela segunda vez na vida, voava. Não fazia ideia de para onde estava indo. Todo o mundo que conhecia se resumia à casa dela... e a árvore que eu observava da janela, nos dias felizes que agora pareciam distantes. Como sobreviveria num mundo desconhecido? Como me alimentaria? Quem falaria comigo? Quem... me amaria? Não conseguia recordar um momento que não tenha estado no meu lindo cativeiro. Não era tolo, sabia que estava preso. Que não poderia simplesmente abrir a portinha e voar. Mas aquela era a minha vida. E embora eu visse muitos pássaros livres, alcançando alturas que não poderia sequer imaginar, jamais desejei ser como eles. Ou não tive a chance de desejar...

Voei pelo que me pareceram horas. Começava a sentir fome, mas me recusei a comer com os outros pássaros que, mesmo sem serem convidados, resolveram me fazer companhia. Não importava para onde fosse, aqueles inconvenientes vinham juntos. Não pareciam compreender os olhares furiosos que lançava em suas direções. A minha dona me entenderia. Ela sempre parecia saber o que eu precisava.

Anoitecia quando retomei o voo... Os outros pássaros finalmente tinham me deixado e eu estava outra vez sozinho. Não sabia para onde ir... só voava. Comecei a cantar. Desta vez, minha música me fez chorar. Eu cantava saudade.





Quando parei, em cima de uma árvore, reconheci onde estava. Dali, pude enxergar alguém à janela. Era ela. Como eu, também chorava. Porém, assim que me viu, seus olhos se iluminaram e ela sorriu. Chamou meu nome. E eu voei... para dentro de casa. Para o meu mundo. 



- Sou apaixonada por animais e adoro aves. Todavia... não sou muito a favor de manter qualquer tipo de ave em cativeiro, dentro de gaiolas. Nunca tive um passarinho, apesar de amá-los. E foi justamente por isso... porque eles têm que ser livres para voar, em minha opinião. Porém, também penso que quando alguém cria passarinhos em gaiolas não pode um dia simplesmente abri-las e lançá-los ao mundo. As pessoas precisam entender que seus animais de estimação não são descartáveis. Eles sentem, têm coração. 

- Este é meu terceiro texto para o Projeto Escrevendo Sem Medo. Não fazia ideia nem de como começar este post.rs Mas hoje procurei por fotos de pássaros como inspiração e quando encontrei essa coisinha gostosa acima, chamado de pisco-de-peito-ruivo, comecei a escrever... com a história simplesmente se construindo como se sempre tivesse estado ali. Mais uma vez foi uma experiência mágica. Amei cada momento!

Este projeto foi criado pela Thamiris do blog Historiar. Clique aqui para conhecê-lo melhor.  




*Imagens do passarinho encontradas no Google Imagens

6 de março de 2017

As Areias do Tempo - Sidney Sheldon (Desafio 12 Meses Literários - Março)

(Título Original: The Sands Of Time
Tradutor: A. B. Pinheiro de Lemos
Editora: Record)

A Espanha, com suas paixões ardentes, ainda dilacerada pelos ódios da sangrenta Guerra Civil, é o cenário deste novo e inesquecível romance de Sidney Sheldon, o autor mais lido do mundo. A história se passa depois da morte de Francisco Franco, o ditador que governou o país com mão de ferro por quase quarenta anos.

Em 1976, o carismático e idealista líder do proscrito movimento separatista basco, Jaime Miró, liberta da cadeia em Pamplona dois companheiros condenados à morte e foge, perseguido pela polícia e pelo exército.

O cruel e vingativo coronel Ramón Acoca, no comando da implacável perseguição, desconfia de que os bascos estão refugiados num convento cisterciense nos arredores de Ávila e resolve invadi-lo. Essa decisão desencadeia acontecimentos que vão repercutir  e emocionar as pessoas no mundo inteiro, que por duas semanas acompanharão atentas uma terrível caçada humana.

Na pungente beleza da região rural espanhola, o convento cisterciense repousa, em eterna devoção a Deus. Mas mesmo aí os conflitos do mundo eclodem. As freiras desta ordem, uma das mais rigorosas do mundo, obrigadas ao silêncio e à reclusão absoluta, subitamente expulsas do ambiente aconchegante e seguro do convento, são brutalizadas e levadas para Madri, presas. Mas quatro conseguem escapar e, arremessadas no perigo e na aventura, vêem-se presas de paixões proibidas a que não podem ceder, mas que não ousam negar.

Irmã Teresa, irmã Lucia, irmã Graciela, irmã Megan são as principais figuras desta aventura inesquecível, que combina ação constante e atrações irresistíveis, com um suspense excepcional, as descobertas se sucedendo a todo instante, no ritmo vertiginoso e fascinante que só um autor extraordinário como Sidney Sheldon é capaz de oferecer.



Palavras de uma leitora...



- Esta resenha é tudo o que eu não deveria estar fazendo agora. Era para eu estar sentada estudando. Como prometi a mim mesma que faria. Acontece que nem sempre cumpro minhas promessas...rs

Era para eu passar bem longe dos meus amados livros nesta semana. Estou em contagem regressiva para uma prova muito importante que quero fazer e venho estudando há tempos, mas estabeleci que nos últimos dias apenas estudaria. Nada de livros de romance, suspense e todos os outros que me fascinam. Nem uma página sequer. Nada! Porque eu aproveitaria a semana de folga do trabalho e da faculdade para me dedicar completamente aos estudos para a prova. Resisti com sofrimento nos quatro primeiros dias, estressada pela abstinência literária, mas mantendo minha promessa. Ocorre que ontem... eu olhei para o livro por longos momentos, o livro também olhou para mim ... tivemos uma conversa silenciosa e quando eu vi já estava completamente envolvida pela história e mandando minhas próprias regras para o inferno. E não me arrependi. A vida é curta demais para me privar de um dos maiores prazeres da minha existência. :)

- São pouquíssimos os livros do SS que ainda não tive a oportunidade de ler. Bem poucos mesmo. O que não me dá uma sensação de alegria, por incrível que possa parecer. É que, para quem ainda não sabe, o meu autor querido faleceu em 2007 e quando eu ler todos os livros que ele escreveu, não terei absolutamente mais nada dele para ler. E nenhuma esperança de novos livros. O que a Tilly faz não conta. Ela é um assunto que não gosto de mencionar, pois sempre fico com o sangue fervendo. Todos os palavrões que conheço passam por minha cabeça quando o nome dessa mulher me vem à mente. Sobretudo depois do que ela fez com a Tracy e o Jeff... Enfim... 

Voltando ao livro... Há séculos eu desejava muito ler As Areias do Tempo. O título já me chamava muito a atenção e tinha uma capa em particular que eu achava lindíssima e acreditava que jamais teria um exemplar com a tal capa, pois era uma edição antiga. E quando participei de um desafio num grupo do facebook que adoro e passei por essa história na hora de fazer a pesquisa para responder uma pergunta sobre os livros do autor, desejei loucamente lê-lo naquele instante. Mas não tinha o livro. Não físico. E em ebook eu não aceitava. É o SS, gente. Eu precisava do livro em minhas mãos e se fosse a versão tão sonhada, melhor. 

E este ano... quando eu passava por uma feira de livros na cidade em que trabalho... o livro estava lá. Apenas um exemplar. Perfeito. Como se o tempo apenas o tivesse deixado mais maravilhoso. Nenhum amassado, nenhuma orelha... me perguntei se aquele exemplar havia sido lido por alguém e se sim, agradeci que tivesse cuidado tão bem dele antes dele vir para minhas mãos. Parecia um sonho, sabe.kkkkkkk... Era a capa que eu queria. Que eu tanto tinha desejado. E quando coloquei o livro na minha meta de leituras deste ano, acreditei que teria que comprar a edição mais nova da história, que é linda, mas não era a que meu coração desejava. Quem sabe, de algum lugar no universo, alguém não tenha dado um jeitinho do livro aparecer na minha frente? :) 

"As vidas de todos os grandes homens lembram
 Que podemos tornar nossas vidas sublimes,
 E ao partirmos, deixar para trás
 Pegadas nas Areias do Tempo" 
 [Henry Wadsworth Longfellow - Um Salmo da Vida]

- O livro começa com esta citação reflexiva, que ficou na minha mente enquanto eu iniciava a leitura e até agora não saiu. Me fez pensar muito em tantas e tantas vidas que passaram por este mundo e marcaram de uma forma ou de outra. Seja pro bem ou pro mal. E também pensei nas pegadas que o próprio SS deixou... pegadas, sem sombra de dúvidas, muito positivas. Pegadas que nunca se apagarão. Ele marcou pessoas que existiram antes de mim, pessoas que já partiram, outras que estão aqui... e marcará muitas outras que ainda nascerão. É um autor que criou história. Que deixou uma marca que ninguém jamais poderia destruir. Nem o tempo. Sempre me sinto mais viva quando leio seus livros. Mesmo quando os finais me deixam destroçada, com uma enorme sensação de injusta (ou de uma justiça que eu não queria que ocorresse na história), como foi o de A Ira dos Anjos, ainda assim me sinto renovada quando leio algo dele. Suas histórias são fantásticas, muito diferentes umas das outras e ainda assim bem parecidas, com mocinhos e mocinhas que amamos ou desprezamos intensamente (e, não raramente, as duas coisas), tramas muito bem elaboradas, suspense que se mantém até a reta final da história, reviravoltas que nos tiram o fôlego... Ainda não conheci um autor como ele.

- Não há a menor necessidade de fazer um resumo pessoal sobre esta história, uma vez que a sinopse é completa, tocando nos pontos centrais do livro. Não quero repetir o que a sinopse já contou.rs

Quando iniciei a leitura, eu não tinha uma real ideia do que me aguardava. Sabia que teria suspense, ação, perseguições, assassinatos e possíveis cenas de estupro. Tudo o que a sinopse já mencionava. E estava com aquele medo que antecede este tipo de livro. Mas quando passei pela primeira página e pela segunda, terceira... o medo foi para o espaço e eu só queria devorar as folhas e descobrir como tudo se resolveria, como as freiras entrariam naquela confusão, que papel elas teriam e quem era o homem fascinante que invadira a prisão e libertara dois presos com a maior facilidade do mundo, bem debaixo dos narizes das autoridades do país. Ele me deixou bem admirada com a maneira inteligente como agiu... e eu tenho um fraco por mocinhos politicamente incorretos, aqueles que são rebeldes e acreditam em suas próprias causas, arriscando a vida por isso e sendo tudo o que as mocinhas precisam manter bem longe de si mesmas. Fugir como o diabo da cruz, sabe. Sempre lembro do Ráfaga, de A Carícia do Vento, quando encontro mocinhos assim. Ele era tudo o que a Sheila não deveria querer. Mas, no final das contas, era o que ela precisava. Sim, sou uma romântica incurável. E sabe? Acredito que o SS também era. Seus livros são uma prova disso. 

- Quem não se lembra de Franco da Espanha? Minhas aulas preferidas e mais revoltantes na época da escola eram as de História, sobretudo no que se referia a guerras mundiais, guerras civis e ditaduras. E nomes como Hitler, Stalin, Mussolini, Franco... acabam por ficar em nossas mentes. Saber que a história se passaria após a morte do ditador Francisco Franco, numa Espanha ainda dividida e em guerra por causa de ideologias em conflito, que seguiam provocando a morte e violação dos direitos humanos de muitas pessoas, aumentou ainda mais o meu interesse por este livro. O autor, em uma nota no início da história, esclarece que esta é uma obra de ficção, porém... Não dá para negar que eram coisas que se passavam no país naquele momento. 

Após entrar audaciosamente numa prisão e resgatar seus homens, Jaime Miró, líder dos rebeldes bascos que lutavam pelos direitos do seu povo, provoca a fúria das autoridades locais e, em especial, de seu inimigo declarado, o coronel Ramón Acoca, um homem frio e sem compaixão, que faria o que fosse necessário para colocar as mãos em Jaime... até mesmo invadir um convento, aterrorizando e violentando as freiras que ali viviam, numa ação que provoca uma comoção internacional, mas que não é suficiente para detê-lo. Abusando do poder e influência que possuía, aprisiona diversas freiras, sob falsas acusações e as leva para Madri, não sem antes iniciar uma busca frenética pelas quatro que conseguiram escapar e que poderiam falar demais. 

"O coronel Ramón Acoca possuía os instintos de um caçador. Adorava a perseguição, mas era o ato de matar que lhe proporcionava uma satisfação visceral."

Era evidente a falta de respeito dele pelos direitos das pessoas, pela Igreja e qualquer coisa que não fosse sua ambição e sede de vingança. Ao longo da leitura, eu senti pavor e um forte desprezo por esse traste disfarçado de ser humano. Ele tinha lábia, sabia como convencer os outros de suas verdades, mas não passava de um animal capaz das mais absurdas crueldades. Ele é o monstro por trás de uma das cenas mais chocantes e repulsivas do livro... uma cena que não conseguirei esquecer e que me deixou nauseada, querendo uma justiça que jamais aconteceria. Não era justo. Simplesmente eu não podia acreditar que tudo terminaria daquela maneira para uma personagem que tocou tanto meu coração e fez eu torcer para que ela tivesse seu final feliz. Eu desejei que aquele coronel filho de todas as p.... tivesse um final bem merecido. Mas nada seria suficiente. Nem a morte mais cruel bastaria. Ele era um verme vindo das profundezas do inferno. Tinha o seu passado. Seus traumas. Mas nada no mundo justificava tamanha crueldade. Ele era podre por dentro. Não foi a dor que o transformou naquilo. Ele simplesmente era ruim mesmo.

"Era sempre um sonho diferente.
 Era sempre o mesmo sonho."

- Na fuga do convento e dos homens do coronel demônio-Ramón-maldito-Acoca, as quatro freiras, Teresa, Lucia, Graciela e Megan acabam, por ironia do destino, indo parar no caminho do homem que elas haviam sido acusadas injustamente de proteger: Jaime Miró. A partir daí, todas viverão aventuras que marcarão e poderão destruir para sempre suas vidas... E sentimentos proibidos poderão ameaçar algo ainda mais precioso: a certeza que tinham do caminho que escolheram. Teriam realmente tomado a decisão certa? Passar o resto de suas vidas trancadas em silêncio absoluto no convento era o que realmente desejavam? 

"[...] Fui para o convento por todos os motivos errados. Não estava correndo para Deus, mas fugindo do mundo. [...] E agora, abruptamente, fora lançada de volta ao mundo do qual fugira. E sua mente lhe pregava estranhas peças. O que Deus planejou para mim?"

- Não posso falar muito sobre as protagonistas da história, pois acabaria revelando coisas que é melhor descobrir lendo. O passado das quatro freiras é totalmente desconhecido por nós ao longo de boa parte da história. Tudo vai se revelando aos poucos... e vamos conhecendo uma por uma... percebendo que todas tinham entrado para o convento na intenção de escapar de algo. De uma vida de dor, de um vazio insuportável, das traições que são capazes de roubar tudo de uma pessoa... Cada uma tinha sua própria história, mas a da irmã Teresa... Nossa! É incrível o poder que o ser humano tem de destruir outra pessoa. Sobretudo alguém que lhe ama. Não é ficção que muita gente se aproveita dos sentimentos dos outros para fazer mal, para ferir e destruir. Tudo o que a Teresa passou... Não sei o que eu teria feito no lugar dela. Eu poderia entender seus motivos para ter fugido. Para ter buscado refúgio nas paredes daquele convento. E ela estava muito feliz ali. Era feliz com o silêncio, com a Disciplina, com o prazer que não poderia sentir por nada, com a vida de privações e trabalhos e orações que se impôs. Ela era realmente feliz. Porque tinha encontrado paz. Porque estava longe daqueles que tanto a tinham ferido. E então... o animal do coronel invadiu o convento e a obrigou a fugir... A partir daí... seu futuro se torna muito incerto e todos os fantasmas do passado retornam com força. Ela é, sem dúvidas, a personagem que mais me marcou. 

Mas também amei a Graciela e a Megan e tive sentimentos complicados em relação à Lucia. Graciela também entrou para o convento porque precisava fugir da vida e de todas as dores que conhecia desde criança. Ela me comoveu e torci tanto, mas tanto para que ela fosse feliz... As reviravoltas que ocorrem em relação a esta personagem são surpreendentes e nem sempre de uma maneira agradável. Ainda não sei se aceito o destino dela nesta história.rs 

"Estou calma e cheia de paz.
 Ela não estava calma nem cheia de paz."

- Megan é a protagonista mais divertida desta história. Ela é meio louquinha e até suas orações me faziam rir. Viajar ao lado de Jaime foi uma aventura e tanto para ela e o que lhe provocava mais culpa era o fato de estar gostando... e não só da aventura. Ela tem um papel muito importante no livro... e meu coração se acelerava com as cenas que ela protagonizava. Amei tudo o que ela fez! Sua inteligência era tão impressionante quanto a de Jaime e sua aparente fragilidade era uma excelente arma para livrá-la de grandes encrencas. Ela era um tanto ingênua, mas inteligente como poucos. Realmente uma personagem brilhante! Se Teresa foi a que mais me comoveu e partiu meu coração, Megan foi a que me fez rir e deixou a história mais leve. Uma mocinha que merecia muito ser feliz. 

- A personagem que me provocou sentimentos confusos foi Lucia. Seu passado é bem diferente do das outras freiras.rs É alguém fácil de desprezarmos e muito difícil de amarmos.kkkkkk... Mas ao longo da história eu não sabia ao certo o que sentia por ela. Ficava furiosa com seu comportamento em alguns momentos, mas em outros ela mostrava um lado humano e tão menos egoísta... que me causava grande confusão. Até agora não sei ao certo o que sinto por ela. Acho que nunca irei saber.kkkkkkkkk...





As Areias do Tempo foi minhas escolha para o mês de março do Desafio 12 Meses Literários. Neste mês o tema era um romance escrito por homem. Claro que nem hesitei ao escolher. Só poderia ser Sidney Sheldon. Fazia muito tempo que não lia nada do meu autor e a saudade era enorme. De modo algum ele ficaria de fora deste desafio. :)


Enquanto escrevo esta resenha é sábado, mas quando ela for publicada já não será.rsrs Não sou muito de programar posts, mas terminei a leitura do livro hoje e quis fazer imediatamente a resenha. Só que não poderei publicá-la antes de um outro post que preciso preparar (do resumo do mês de fevereiro). 

5 de março de 2017

Em fevereiro...



Titanic dispensa comentários, não é mesmo?rsrsrs... Já perdi a conta de quantas vezes assisti este filme e falei dele aqui.kkkkkk... Mas não importa! Toda vez que o filme passa eu preciso ver. E sempre me emociono como se fosse a primeira vez. É minha história preferida apesar do final que nunca aceitarei. Uma história de amor que o tempo não pode apagar. E aquela cena da Rose indo ao encontro do Jack, tantos e tantos anos depois... Como não chorar, gente? Já estou querendo ver o filme de novo.rs

A Culpa é das Estrelas é outra história que me faz cair em prantos sempre que vejo e mesmo assim sigo vendo. Hazel e Gus conquistaram um lugar exclusivo no meu coração e nunca serei capaz de esquecê-los ou me cansar de assistir sua história. Um amor tão lindo que nem uma doença cruel ou a morte seria capaz de destruir. Eles se amaram como poucos têm o privilégio de amar nesta vida. E viveram esse amor pelo pequeno infinito de números que tiveram... porque, infelizmente, o infinito deles foi menor do que o de outros. :( 

La La Land é um filme que foi fortemente indicado pela minha amiga Carlita e por uma querida colega de trabalho que também assistiu o filme e amou. Eu já estava louca para vê-lo e quando finalmente consegui assistir pude entender por que elas o amam tanto. A história é simplesmente perfeita, com fotografia e melodia que nos arrancam suspiros e atores para lá de sensacionais! O filme não me "pegou" no início, com a música e dança iniciais, mas sim com a história que começou a se desenvolver em seguida, quando os protagonistas se conheceram. A partir daí... eu estava presa. Viajei para o mundo deles, me emocionando com a canção da cidade de estrelas, com o Sebastian ao piano... e a música que ele tocou no final e me arrancou lágrimas de tristeza e raiva pelas escolhas estúpidas que eles fizeram. Não quero dar spoiler, mas nunca vou aceitar aquele final. Amei demais este filme, mas o final deixou meu coração em pedaços. 




São tantas as reviravoltas que Ezel dá que eu não sei quando voltarei a respirar normalmente enquanto assisto esta novela.rs

A vida de vários personagens já está sendo afetada por uma história de traição que se iniciou mais de doze anos antes. Todos sabem que nosso protagonista, Omer (agora conhecido como Ezel) foi traído por seus dois melhores amigos e sua noiva e, consequentemente, condenado à prisão perpétua por um crime que não cometeu. Um crime que os três traidores sim cometeram: o assalto a um cassino e o assassinato brutal do segurança do lugar, que deixou dois filhos e uma esposa sozinhos. Anos mais tarde o filho deste homem acaba também sendo assassinado quando descobre quem realmente tinha matado seu pai. A cena é uma das piores da novela. Uma cena que me deixou destroçada. 

Após um incêndio na prisão em que era constantemente torturado, Omer consegue escapar, com a ajuda de seu protetor Ramiz. Depois de várias cirurgias e alguns anos de preparação, retorna ao lugar em que tudo começou... onde cresceu ao lado do Cengiz, aprendeu muitas coisas com o Ali e conheceu a mulher de sua vida, sua querida e traidora Eysan. Ele retorna... mas obviamente não para dar o perdão aos que destruíram toda sua vida. Não. Ele retorna por vingança. E nas últimas semanas é que tudo realmente começou... Derrubando o Cengiz, contando a verdade para o Ali e envolvendo a Eysan até tirar tudo o que ela tanto ama. E que não é o filho dela, claro. Nada me convence de que essa mulher ama realmente tanto assim o filho.

Vocês sabem como esta novela me provoca sentimentos confusos. Ao mesmo tempo em que a amo e a considero maravilhosa, com atores perfeitos... também detesto a novela, por sua história de vingança... um jogo no qual será impossível ter vencedores. Reconheço que o Ezel tinha todo o direito de se vingar. Mas conhecendo o final desta novela... me pergunto se tudo realmente valeu a pena. Se não teria sido melhor ele ter reconstruído sua vida e deixado que o destino se encarregasse daqueles três...

Os próximos capítulos serão de roubar o fôlego! Me preparando emocionalmente...rsrs





Foi com muita alegria que eu lhes dei a notícia de que o Sbt tinha começado a exibir minha novela amada em 30 de janeiro deste ano. Na resenha que fiz sobre a novela vocês podem ter uma ideia de como ela é especial para mim. Inesquecível. Única. Uma das melhores que tive o privilégio de assistir. E eu queria MUITO, MUITO, MUITO MESMO que o Sbt a exibisse, para que todos tivessem a oportunidade de conhecê-la. Mas... no mês passado alguns comentários que vi na internet me deixaram não só revoltada, mas também com um sentimento de "é por isso que o mundo está como está". 

Ao falar da novela na minha resenha, eu evitei dar muitos spoilers e por isso não falei tudo o que o Alejandro (Alessandro já que o Sbt traduziu o nome) faz contra a Montserrat ao longo dos capítulos. Porém, uma vez que a novela já está sendo exibida aqui e tal cena já passou, posso comentar agora. 

Algumas semanas atrás foi ao ar a polêmica cena em que o Alejandro estupra a mocinha, afirmando que ele tinha cumprido sua parte no acordo e que ela deveria fazer o mesmo. A Montserrat diz "NÃO", manda ele soltá-la e quando mesmo assim ele a beija, ela não reage, permanecendo fria e numa clara rejeição. O Alejandro a solta, se senta, revoltado com a atitude dela, mas logo em seguida vai para cima dela de novo e dessa vez vai em frente, sabendo que ela NÃO QUERIA, que o desprezava. E ele chega a dizer que o ódio que ela sente por ele pelo menos é uma emoção e que tal sentimento é recíproco. Ele a estupra. ESTUPRA, ENTENDERAM?????!!! Não existe interpretação para tal cena. É ESTUPRO, inferno! Se uma mulher não quer ter relação com um homem e mesmo assim ele vai em frente, ainda que não haja violência, é estupro. Porque o próprio estupro em si é uma violência contra a mulher. Não venham romantizar as coisas, dizendo que ele a amava, que a Montserrat queria sim. O Alejandro até poderia amá-la (nunca neguei isso), mesmo assim ele cometeu um crime. E a Montserrat NÃO QUERIA. A cena deixa isso muito claro para qualquer pessoa entender.

Mas... pouco antes da cena ir ao ar, em minhas pesquisas sobre a maneira como a novela estava sendo aceita aqui no Brasil, os comentários num post na internet me deixaram completamente chocada. Eu não acreditei no que estava lendo, na quantidade de absurdos que várias pessoas, INCLUINDO MULHERES, estavam fazendo sobre a cena. As pessoas defendiam a atitude do Alejandro, afirmavam que não houve estupro, que se ela não reagiu era porque queria, que ele tinha direito, que ele era marido dela, entre vários outros absurdos. Sinceramente, eu me arrependi amargamente de ter lido aqueles comentários. Se pudesse, teria voltado atrás e me impedido de lê-los. E saber que mulheres também estavam fazendo tais comentários me deixou muito triste. Por que reclamamos da realidade de nosso mundo?! O mundo está como está por nossa própria culpa. "Luna, não leve tão a sério. Foram apenas comentários." Foram sim. Mas são comentários que refletem a maneira como muita gente pensa. 

Em todos os momentos em que defendi minha novela querida, NUNCA fui cega para as atitudes do Alejandro. Nunca disse que ele agiu de maneira correta. Fui clara sobre como via as coisas que ele tinha feito, como ele tinha ultrapassado qualquer limite. O meu amor pelo personagem não fez com que eu visse tudo de maneira cor-de-rosa ou aceitasse a cena de estupro. 

Não critico quem ama o personagem. Eu própria o amo demais. Mas não dá para aceitar o que ele fez contra a mocinha. Não é possível que alguém consiga dizer que aquilo não foi um crime. E todo o resto, gente! Ele a prende na fazenda! A Montserrat não pode sair, tanto que ela tenta fugir! Se uma pessoa tenta fugir de um lugar é porque ela está presa ali, certo? Ela era vigiada, só podendo ir aos lugares que ele quisesse. Ele diz que ela vai ficar com ele até o resto de sua vida, e ele não quer saber se ela quer isso ou não. Ele simplesmente decidiu. Ah, mas ele é rico, certo? Podre de rico, lindo de morrer, então pode tudo e deve ser desculpado, certo? ERRADO! Mas o incrível é que muita gente o desculpa justamente por isso. Se ele fosse como o Belchior de A Escrava Isaura (o Belchior da novela que mencionei não estupra ninguém, mas estou usando a aparência dele como exemplo), todos teriam visto a Montserrat como vítima e caído em cima do Alejandro. Mas como ele é lindo e o gostoso protagonista da novela, vamos perdoar, não é? Não é estupro neste caso (se pudesse colocar a carinha de fúria do WhatsApp aqui!!!!). As pessoas estão precisando colocar algo bem claro em suas mentes: TODA VEZ QUE UMA MULHER OU QUALQUER OUTRA PESSOA NÃO DESEJA FAZER SEXO E É FORÇADA A ISSO, É ESTUPRO! Seja na vida real, em novelas, filmes, livros ou qualquer outra coisa. Seja o estuprador pobre, rico, lindo ou feio, protagonista ou personagem secundário. Não importa, é estupro. 

Desculpa, gente. Mas eu estava precisando desabafar. 


- Em fevereiro não assisti nenhuma série e nem Carinha de Anjo. Pretendo corrigir isso nas próximas semanas. :)




E os livros que li foram...



Como eu disse, gostei muito da segunda história. E teria amado se somente ela fizesse parte do livro. A primeira história nada me acrescentou, apenas me deu nos nervos e me fez desperdiçar mais de duas semanas de leitura.


"- Me escolha. [...]
 -  Não me pertença, me escolha. Me deixa ficar do seu lado."


A Lynne Graham é uma das minhas autoras preferidas, mas isso não me torna cega. Não é por amá-la que vou dizer que uma história é maravilhosa quando não é. Noiva Inadequada passa bem longe disso. Jamais seria entediante, pois os livros dela nunca são, mas é impossível não ter desejado que o livro terminasse logo para que eu me visse livre deste casal tão insuportavelmente desprezível.





*Imagens encontradas no Google Imagens
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