Mostrando postagens com marcador Editora Bertrand Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Editora Bertrand Brasil. Mostrar todas as postagens

10 de janeiro de 2020

O Velho e o Mar - Ernest Hemingway

Título Original: The Old Man and the Sea
Tradutor: Fernando de Castro Ferro
Editora: Bertrand Brasil
Edição de: 2013
Páginas: 126
Prêmio Pulitzer / Prêmio Nobel de Literatura

2ª leitura de 2020

Sinopse: Best-seller em todo o mundo e também no Brasil, O velho e o mar conta a história de um pescador que, depois de 84 dias sem apanhar um só peixe, acaba fisgando um de tamanho descomunal, que lhe oferece inusitada resistência e contra cuja força tem de opor a de seus braços, a de seu corpo, e, mais do que tudo, a de seu espírito. 
Um homem só, no mar alto, com seus sonhos e pensamentos, suas fundas tristezas e ingênuas alegrias, amando com certa ternura o peixe com que trava ingente luta até levá-lo a uma derrota leal e honesta.
Uma obra-prima da literatura contemporânea, dotada de profunda mensagem de fé no homem e em sua capacidade de superar as limitações a que a vida o submete. 



Eu já tinha ouvido falar bastante deste livro, embora não soubesse de fato o que se passava na história. Sabia apenas que era a história de um pescador e que todo mundo que lia se emocionava. Somente quando li consegui compreender por que se tornou um dos grandes clássicos da literatura, por que atinge tantos corações até hoje. 

"Tudo o que nele existia era velho, com exceção dos olhos que eram da cor do mar, alegres e indomáveis."

Esta é a história de Santiago, um homem bem idoso e muito pobre, que não possui ninguém no mundo, exceto um garoto que o admira e o trata como seu mestre. Era aquele garoto quem, todos os dias, arranjava algo para ele comer e beber e fazia de tudo para suprir um pouco as suas necessidades e lhe dar ânimo. Tempos antes, Manolin (o garoto) trabalhara ao lado de Santiago, como seu ajudante, e com ele aprendera tudo o que sabia sobre a pesca. Todavia, quando uma fase muito ruim veio para o senhor, a família do menino não quis mais que ele perdesse seu tempo com um "azarado" e o colocaram para trabalhar com outro pescador. Assim, Santiago ia diariamente pescar sozinho e já faziam 84 dias que não conseguia apanhar nenhum peixe. O que, de modo algum, o faria desistir. 

"Embrulhou-se na manta e deitou-se sobre o colchão, que consistia quase exclusivamente de velhos jornais ressequidos pelo tempo."

Num determinado dia bem cedo, após tomar café graças ao zelo do menino que era a única pessoa ali que realmente se preocupava em cuidar dele, Santiago foi outra vez para o mar. Tinha esperanças. Achava que sua fase ruim chegaria ao final, que naquele dia apanharia um peixe dos grandes, como nos seus velhos tempos. 

Perdido em pensamentos e recordações, e cada vez mais distante da região onde morava e de qualquer outra praia, foi surpreendido ao sentir que fisgara um peixe. Empolgado, percebeu que era um peixe bem grande, embora ainda não tivesse tido a oportunidade de vê-lo. Mas o que era para ser motivo de pura e simples felicidade, se transforma numa grande batalha, pois o peixe não tinha a menor intenção de ser morto e lutaria até suas últimas forças para vencer Santiago. 

"O homem não vale lá muito comparado aos grandes pássaros e animais. Eu por mim gostaria muito mais de ser aquele peixe lá embaixo na escuridão do mar."

Eu nunca poderia imaginar que este livro me faria chorar. Que eu me emocionaria tanto com Santiago, Manolin e até mesmo com aquele grande peixe. Esta é uma história simples, mas que nos toca justamente com sua simplicidade, com a sabedoria de um senhor tão sozinho na vida, cheio de motivos para desistir, mas que mesmo assim mantém a esperança e luta dia após dia. Que tem sempre uma palavra gentil, que não reclama e nem maldiz a própria sorte. Santiago é um exemplo para mim. Com ele aprendi muito sobre persistência, sobre não desistir dos meus sonhos, daquilo que desejo para minha vida. A questão para ele não era nem conseguir atingir o seu objetivo no fim (apanhar o peixe), mas sim não desistir, ter esperanças, lutar até suas últimas forças. Não importava o que acontecesse, ele manteria a fé. Porque poderia dizer para si mesmo depois que tentara, que fizera o seu máximo. 

"É uma estupidez não ter esperanças", pensou. "Além disso acho que é um pecado perder a esperança."

Quando ele fisgou aquele peixe, eu fiquei tão feliz, pensando que a sorte finalmente sorrira para ele, que ele conseguiria vendê-lo e ter dinheiro para se alimentar direito, para dormir numa cama de verdade e ter dias mais tranquilos. Mas aí tudo começou a dar terrivelmente errado. O peixe era grande demais e exigia de Santiago uma força que ele não tinha, por ser já tão idoso e não se alimentar bem. Eu comecei a chorar e me desesperar com a história, passando a ter medo de chegar no fim e me deparar com um desfecho que não aguentaria.

Era horrível ver o Santiago lutar tanto. O dia virava noite, tornava a ser dia e noite novamente, e ele no meio do mar, sozinho, lutando contra um peixe que poderia acabar com o que restava de sua vida. Cada vez que as mãos dele sangravam era um golpe no meu coração. Eu desejava gritar: "Deixe esse peixe para lá! Volte para casa, você vai acabar morrendo!" Senti muito desespero, uma angústia enorme durante a leitura, temendo muito pela vida do Santiago, desejando que ele tivesse um final feliz, pois merecia demais. E a vida não tinha sido nada justa com ele.

"Tenho esperanças de não ser obrigado a lutar outra vez", pensou o velho. "Tenho tantas esperanças de não ter de voltar a lutar."

De todos os trechos que marquei, este acima foi o que mais me tocou. Lembro de ter pensado, com tristeza: "Eu também, Santiago. Também tenho esperanças de você não precisar mais lutar. De que de alguma forma consiga ter uma vida melhor, que seus últimos anos sejam mais fáceis." Era de partir o coração vê-lo mentindo para o Manolin, dizendo que tinha uma panela de arroz com peixe para comer, quando o menino bem sabia que aquilo não era verdade, que ele não tinha absolutamente nada em casa. Que se o menino não levasse, ele passaria o dia inteiro com fome e sem dizer nada para ninguém. Me comoveu muitíssimo ver o carinho enorme que o Manolin tinha pelo Santiago, a forma como o respeitava e animava, como cuidava dele... Não tinha a menor obrigação e fazia simplesmente por amor. Era como um anjo, uma dessas raras pessoas que nem parecem humanas de tão boas que são. Manolin conquistou um lugar especial em meu coração. E quando ele chorou eu desejei pegá-lo no colo e dizer que tudo ficaria bem.

"Além disso", pensou, "tudo mata tudo de uma maneira ou de outra. Pescar mata-me tal como me faz viver. O garoto é que me mantém na vida", pensou. [...]"

É um livro que recomendo para todos! A história nos emociona desde as primeiras páginas. Até mesmo a batalha entre Santiago e o peixe bagunça nossos sentimentos, pois ele passa a nutrir uma espécie de afeto pelo peixe e isso nos contagia, ainda que desejemos com todo o nosso coração que o Santiago consiga vencê-lo. Ele tem um respeito enorme pela natureza e pelos animais, reconhecendo o quanto somos pequenos diante da imensidão do mundo e do poder da natureza. Sua luta contra o peixe é honesta, ele jamais se sentiu superior ou quis maltratá-lo, mas precisava dele como alimento, ainda mais vivendo numa região onde aquele era o principal alimento (quase o único), bem como a fonte de renda, pois os pescadores também viviam do dinheiro que conseguiam da pesca, para comprar o que precisavam para sobreviver. 

Posso dizer, com certeza, que comecei 2020 com ótimas leituras e que O Velho e o Mar já tem lugar entre os melhores livros que li na vida.


-> DLL 20: Um livro de capa branca


28 de janeiro de 2019

Revelações - Linda Howard

(Título Original: Kill and Tell
Tradutora: Carolina Caires Coelho
Editora: Bertrand Brasil
Edição de: 2008)

Série John Medina - Livro 1

Alguns segredos precisam ser revelados, doam a quem doer... 

Ainda abalada com a morte recente da mãe, Karen Whitlaw é surpreendida ao receber pelo correio uma caixa contendo um caderno misterioso, enviado por seu pai, com quem mantinha pouco contato desde que ele retornara da Guerra do Vietnã, décadas atrás. Logo depois, uma notícia a deixa chocada: o assassinato de seu pai nas ruas de Nova Orleans.

Mesmo que essas revelações levem a um terrível assassinato. 

Para o detetive Marc Chastain, o assassinato de um morador de rua não fazia sentido - principalmente depois de ter conhecido a filha da vítima. Longe de ser a mulher fria que ele esperava encontrar, Karen Whitlaw mostrava-se simpática e sensível. Ela também está correndo grande perigo. Uma série de "acidentes" mexeu profundamente com Karen, atraindo para ela a proteção do charmoso detetive, a quem, inicialmente, tentou resistir. Juntos, eles desvendam uma história perturbadora que envolve política, poder e morte - e enfrentam um assassino que não vai parar enquanto não tiver em suas mãos os segredos do pai de Karen.



Palavras de uma leitora...


- Eu comecei a ler este livro em 01/10/2018. O que significa que deveria ter concluído a leitura faz tempo, pero... abandonei tudo ao chegar na metade do livro. Simplesmente percebi que não importava o quanto eu insistisse a leitura não tomaria um rumo diferente. A história realmente estava sendo mal conduzida e não havia chance de a autora conseguir salvá-la a partir dali. Por isso, deixei o livro de lado e fui ler outras coisas. 

Foi graças à categoria de janeiro do Desafio 12 Meses Literários que criei coragem para voltar para o tédio que era o livro e terminá-lo. E li a metade que restava em apenas um dia. Por que o livro passou a fluir naturalmente? Claro que não. Simplesmente porque quase me agredi (risos) para concluir a leitura. Tive sérias discussões comigo mesma para poder me forçar a acabar de uma vez com este martírio. 

O pior é que conheço as obras da Linda Howard há anos. E, regra geral, são ótimas apostas, tanto no gênero de romance água com açúcar quanto em suspenses românticos. Me apaixonei pelo livro Reencontros, que conta a história de uma mãe que teve o filho sequestrado ainda bebê e luta não só para recuperá-lo, mas para entender o que motivou o crime, já que não parecia um mero acaso: foi tudo planejado. Sem sombra de dúvidas é um livro que carrego com carinho em minhas lembranças, que me fez chorar muito e em momento algum me causou tédio. Portanto, Revelações foi uma grande e péssima surpresa. 

- O livro já começa mostrando que não vai dar certo. Um mistério mal escrito já na primeira página, pois acompanhamos o desenrolar dos acontecimentos de forma autômata, sem emoções. E conforme avançamos na leitura percebemos que aquilo não iria melhorar, que não conseguiríamos nos conectar à história e aos personagens. Não importando o quanto tentássemos

A sinopse é bem completa ao mostrar que a história gira em torno de Karen Whitlaw, jovem enfermeira que ainda lidava com a morte repentina da mãe quando recebeu a notícia de que o pai que ela não via há muitos anos havia sido assassinado. Em choque, ela viaja até a cidade do crime para fazer o reconhecimento e planejar o enterro, sequer imaginando que tal assassinato poderia ter algo a ver com uma caixa que o pai enviara para a mãe dela pouco tempo antes. É quando ela conhece o detetive Marc Chastain, o responsável pelas investigações do ocorrido e quem se torna um porto seguro para ela ao longo dos próximos três dias. 

Se sentindo sozinha e perdida, Karen acaba se deixando levar pela química que surge entre ela e o detetive, por mais inapropriado que aquilo fosse. Todavia, após as coisas atingirem um ponto sem volta, ela foge, voltando para sua vida de antes, disposta a esquecer tudo o que tinha acontecido. Mas tudo toma um novo rumo quando duas tentativas de assassinato seguidas a fazem perceber que realmente estava em perigo, que fosse qual fosse o motivo alguém desejava vê-la morta. 

Não podendo confiar em outra pessoa além de Marc, ela se une a ele na tentativa de encontrar respostas e manter ambos vivos. 

- É uma história que tinha até potencial para ser boa e isso sempre me irrita num livro. Quando ele poderia ser bom, mas o autor faz um monte de besteiras. A Linda não conseguiu fazer o mesmo que em Reencontros: não conseguiu equilibrar romance e suspense. Na tentativa de produzir cenas eletrizantes de perseguição e mortes "abortou" diversas cenas. Ela não parecia saber quando parar ou quando continuar, saía abortando tudo e tornando uma cena pior que a outra. Eu chegava a fechar os olhos e respirar fundo, pois em nada esta narrativa se parecia com os outros livros que li da autora. Não sei o que se passou. O livro inteiro foi desenvolvido de forma péssima, tornando a leitura extremamente maçante. 

E, consequentemente, o romance entre o casal não "colou". Não foi convincente. Tudo aconteceu rápido demais. Num momento ela estava no enterro do pai, depois estava na cama com ele, depois estava fugindo, depois estava voltando e percebendo que o amava e o sentimento era recíproco. Tudo em menos de uma semana. Não tive tempo nem de perceber a química quanto mais o amor! E se tem um casal que não combinava era este. E não estou falando de aspectos físicos não. Estou falando de envolvimento. Não "batia", sabe? O que a autora escrevia não batia com o que deveríamos sentir pelo casal ou o que eles próprios deveriam sentir um pelo outro. Acho que nem eles acreditavam que se amavam.kkkkkkk... 

- O suspense não se manteve. A autora segurou o grande segredo até o final, mas era algo muito previsível. Além disso, nem as cenas de perseguição provocaram alguma emoção, pois como eu disse tais cenas eram interrompidas bruscamente. E nem tiveram tantas cenas assim. A autora não harmonizou as coisas, assim não conseguiu construir o típico suspense romântico. Ora ela se concentrava no suspense e esquecia o casal, ora se concentrava no casal e esquecia que era para ter um suspense ali, com perguntas que precisavam ser respondidas e um assassino supostamente no encalço deles. Não tem uma só cena que salve esta história, nem mesmo a cena final. Enfim... 

- É isto. Infelizmente, esta não foi uma boa leitura. Mas, como eu disse, a Linda Howard é uma ótima autora, eu conheço outros livros dela e amo! Não desisti de suas histórias. Simplesmente, como acontece com qualquer autora amada, existe livro que não funciona comigo. O que não significa que será uma leitura ruim para você também. Pode acontecer de você ler e amar! E torço para que isso aconteça! :) 


29 de junho de 2018

Um Reino de Sonhos - Judith McNaught (segunda resenha)

(Título Original: A Kingdom of Dreams
Tradutora: Valéria Lamim
Editora: Bertrand Brasil
Edição de: 2018)

1º Livro da Dinastia Westmoreland


Levada à força de um convento, Jennifer Merrick não se rende tão facilmente a Royce Westmoreland, o Duque de Claymore. Conhecido como "Lobo Negro", seu nome desperta terror no coração de seus inimigos. Mas a orgulhosa Jennifer não se deixa abalar pela fama do homem belo e rebelde que a atormenta com sua arrogância. Ela se mantém fiel ao seu propósito... mas só até a noite em que ele a envolve em um poderoso abraço, despertando nela um desejo incontrolável. 



Palavras de uma leitora...



- Nem sei por onde começar... Quem acompanha o blog há mais tempo sabe que a Judith McNaught é uma das minhas autoras preferidas da vida. Tenho muitas autoras queridas, mas existem aquelas que estão no topo, sabe? Ela foi uma das primeiras a me apresentar os romances de época, quando eu torcia o nariz para esse gênero, pois na verdade tinha muitos receios. Ela entrou na minha vida logo depois da Candace Camp e veio para ficar. Tudo o que eu podia ler dela estava lendo, tivesse ou não sido publicado no Brasil. E foi o que se passou com Um Reino de Sonhos, romance arrebatador que li pela primeira vez em 2011, cerca de sete anos antes da Bertrand Brasil finalmente ouvir os nossos pedidos (já furiosos) de trazer a história para cá. Nós fãs chegamos a fazer abaixo assinado e a editora só sabia prometer. E confesso que cheguei ao ponto de me irritar tanto que não suportava nem mais ouvir falar dessa editora. Somente agora que criou juízo e trouxe os livros da JM novamente é que voltei a olhar com bons olhos para a Bertrand. Até adquiri outros títulos da editora de tão boazinha que fiquei!rs

Lembro com um sorriso no rosto da primeira vez que li a história de Jennifer e Royce e como no final eu era só lágrimas.kkkkkkkk... Foi um dos livros que mais me emocionaram na época. Porque enquanto em outros romances muitas das provas de amor, da intensidade dos sentimentos que envolviam os personagens eram demonstradas com palavras, em Um Reino de Sonhos temos a verdade deles nas ações. É em suas atitudes que vemos a beleza do amor que foi capaz de superar tudo o que podia separá-los. De um amor que surgiu do ódio, do medo, da inimizade. Um amor que eles não queriam. Que não esperavam. Mas precisavam. E como! Sabe quando você conhece dois personagens e tem certeza que nasceram um para o outro, por mais clichê que isso possa parecer? É bem assim. Parece que a vida inteira o Royce esperou pela Jennifer sem nem saber... sem nem imaginar. Ele acordava todos os dias, lutava contra seus adversários, sitiava propriedades, matava inimigos no campo de batalha e em todo o tempo não sabia que seu coração esperava pelo dia em que uma jovem ruiva com os olhos cheios de ódio seria jogada bem aos seus pés e que juntos passariam pelos tormentos do inferno antes de poderem ser realmente felizes. 

- Prometo que não falarei muito, pois já tem uma resenha bem completa sobre o livro no blog, que fiz na época que o li pela primeira vez. Mas agora que revivi todas as emoções, que estive no livro outra vez... vivendo cada instante com o Royce e a Jennifer, rindo e chorando com eles, não poderia de modo algum deixar de falar um pouquinho. Só um pouco, juro!rsrs

Tudo o que ela queria era um reino de sonhos... 

Aos dezessete anos de idade, rodeada pelos muros do convento no qual vivia há cerca de dois anos, Jennifer já sabia o que era sofrimento. O que era sentir na pele o desprezo daqueles a quem mais amava. Pessoas que um dia riram com ela, que a ensinaram a pescar e foram suas cúmplices nas brincadeiras, hoje lhe viravam as costas, não suportando sequer encará-la. E tudo por causa das mentiras de uma mente astuta que desejava vê-la fora de seu caminho. 

Rejeitada pelo próprio pai, que enxergava nela apenas uma fonte de decepções, ela foi trancada no convento, sem saber se um dia sairia dali. Embora fosse duro sentir-se sozinha no mundo, no fundo acreditava que conseguiria transformar-se no orgulho do pai, que seu povo voltaria a amá-la e encontraria um homem capaz de aceitá-la como era e compreendê-la. Alguém que a trataria com gentileza e carinho. E foi num dos seus passeios com a irmã, fora dos terrenos da abadia, após receber uma notícia perturbadora, que sua vida mudou para sempre. Sequestrada em plena luz do dia pelos homens do Lobo Negro, o guerreiro mais temido e odiado em toda a Escócia, ficou dividida entre o medo e o ódio. Se todas as lendas que cercavam aquele nome fossem verdadeiras sua vida seria muito breve. Mas se tinha uma coisa que ela não faria seria desistir sem lutar. 

Após enfurecer seus sequestradores e ser jogada aos pés do seu maior inimigo, Jennifer não pensou e nem esperou antes de deixar claro todo o seu desprezo. E nem considerou a tentativa de suicídio que representava o seu ataque a alguém temido até por seus próprios homens e que era bem mais forte que ela. Sua intenção não era vencê-lo, mas sim perder lutando. E entre mordidas, chutes, tapas e nada de beijos, Royce se viu chocado e profundamente irritado com a única pessoa capaz de se atrever a enfrentá-lo. Não sabia o que diabos seu irmão tinha em mente ao sequestrar aquela bruxa de olhar assassino. Ainda que ela fosse um meio para determinado fim, ele não sabia se realmente valeria a pena tê-la como refém ou se não acabaria era pagando por todos os pecados cometidos naquela e em outras vidas. 

O ódio era mútuo. E nas mãos um do outro eles ainda sentiriam o gosto da dor. Mas o amor não é um sentimento que pede licença. Que se intimida. Ele acontece quando e onde deseja. E não demora a invadir o coração de um guerreiro aparentemente insensível e uma jovem machucada pela vida, mas que não tinha perdido a capacidade de sonhar. 

"Ela havia encontrado outra coisa ali, algo proibido e perigoso para ela, um sentimento que não devia nem podia existir."

- A história começa pelas cenas que antecedem o final. Logo nas primeiras páginas sabemos que um casamento está para acontecer e que a noiva está implorando a Deus para livrá-la daquele destino tão cruel.kkkkkkkk... É uma das cenas mais divertidas para mim. A Jennifer tenta negociar com Deus, pois só um milagre mesmo seria capaz de interromper seu casamento indesejado com o Lobo Negro, nosso querido Royce. Ela estava verdadeiramente apavorada e pelas suas lembranças somos levados de volta ao passado, sete semanas antes, quando tudo começou. E é aí que somos arrebatados por uma das histórias mais belas que já li. 

- Em muitos livros conhecemos personagens que eram supostamente inimigos e que se apaixonaram de maneira inesperada. Mas em Um Reino de Sonhos as coisas não são assim. Aqui não temos uma inimizade boba. Algo fácil de ser superado. Não. Royce é um lorde, mas também o guerreiro mais valioso do rei Henrique, o soberano da Inglaterra, que estava em sérios conflitos com a Escócia, país natal da nossa mocinha. O clã Merrick era fortemente leal ao rei Tiago o que direcionava o ataque do monarca adversário para eles. Em batalhas contra o exército de Henrique, a família de Jennifer já tinha perdido entes queridos e toda a Escócia amaria ver o sangue de Royce escorrer, pois eram pelas mãos dele que seus familiares morriam, não importando para ninguém o fato de ele estar seguindo ordens e de se tratar de uma guerra. 

"E, nesse momento impensável, enquanto segurava a adaga no alto, pronta para atacá-lo, Royce Westmoreland pensou que ela era a criatura mais magnífica que já havia visto; um anjo selvagem, belo e enfurecido, sedento por vingança, com o peito subindo e descendo de fúria enquanto confrontava corajosamente um inimigo mais forte."

- Embora estivesse longe de ser tudo o que seus inimigos diziam sobre ele, Royce não se apaixona pela Jennifer à primeira vista. O que ele sente é muita raiva, pois ela acaba com a paciência dele nos primeiros segundos em que se conhecem.rs As coisas são muito desagradáveis para os dois no princípio e rola agressão, não vou negar. Mas no livro estamos no século XV e Jennifer é prisioneira dele, vinda de uma família inimiga. Outro no lugar do Royce, por mais que nos custe admitir já que estamos no século XXI, teria feito mais que dar um tapa na Jennifer depois da maneira como ela o atacou. E isso para não soltar spoilers e dizer tudo o que ela faz ao longo do tempo em que é mantida como refém dele. Duas dessas coisas poderiam ter decretado a sentença de morte da nossa corajosa mocinha, se seu "algoz" não fosse o temido Lobo Negro. Ela arranca o sangue dele, gente. E de uma forma letal, mas pararei de falar disso senão soltarei um monte de spoilers.kkkkkk... A questão é que em matéria de agressão a Jennifer ganha, sinceramente. Porque em muitos momentos o Royce respirou fundo e se controlou. Tentando entender que ela, como prisioneira, tinha o direito de tentar escapar e, de quebra, querer matá-lo.rs

A relação dos dois é muito tumultuada, mas também é linda. :) De uma forma que nos faz suspirar. Nada é fácil, mas é justamente isso que os faz valorizar ainda mais o sentimento que se constrói. Que os une. Os dois carregam marcas do passado, decepções e ilusões. Têm sonhos que acreditam que não vão realizar. Ambos querem ser amados, querem uma chance de ser felizes. Mas, por causa de dois reis que não estavam nem aí para eles, eram inimigos. Suas famílias se odiavam. Seus povos se desprezavam. E quando percebe que está se apaixonando por ele, Jennifer enfrenta um tipo diferente de dor, algo que ainda não conhecia... porque sabe que precisará escolher entre o homem que ama e sua lealdade para com sua família. Ela não poderia ter os dois. Não mesmo. 

"- Acho - sussurrou ela, com o rosto voltado para ele - que a lenda a seu respeito é falsa. Todas as coisas que dizem que você fez... não são verdadeiras - sussurrou, enquanto seus belos olhos sondavam o rosto do conde como se pudessem ver a alma dele."

- Quando comecei a reler esta história nem tive medo de não amar tanto como na primeira vez. Não existia tal possibilidade.rs E toda admiração e o orgulho que sentia da Jennifer se mantiveram. Sei que existem pessoas que a criticam, que acham que ela foi infantil, teimosa, impulsiva. E eu penso bem diferente dessas pessoas, pois o absurdo, na minha opinião, seria ela ceder e aceitar passivamente tudo o que aconteceu. Ela foi sequestrada. Tinha sim o direito de lutar contra o Royce o quanto suas forças permitissem e de tentar fugir de todas as formas possíveis. Era seu direito e o fato de ela exercê-lo não a desmerece aos meus olhos. Muito pelo contrário! É uma mocinha guerreira, pela qual sinto muito carinho. Jennifer era uma mistura fascinante de sensibilidade, romantismo, força, coragem e determinação. Ela podia ser tão delicada quanto uma flor, que não conseguia se proteger das feridas causadas pela família que não sabia amá-la, mas também era pura força e não estava nem aí se seu oponente era maior e mais experiente. Não era escocesa por acaso.rs 

Não que ela não erre. Na verdade, ela comete um erro terrível na reta final da história. A única de suas atitudes que realmente me feriu profundamente, pois atingiu em cheio o nosso mocinho, destroçando-o. E mesmo assim... magoado por ela, se manteve fiel à sua palavra. Disposto... disposto a perder tudo por amá-la. Sim, estou chorando.rs Nenhuma novidade

"Com a voz suave tremendo de emoção, perguntou:
- Jura que nunca levantará a mão contra a minha família?
A resposta do duque foi um sussurro dolorido:
- Sim."

- O Royce para mim é um dos melhores mocinhos da Literatura. Não é do tipo que tem palavras bonitas na ponta da língua ou perde tempo com romantismo. Como ele mesmo disse, é um guerreiro, um soldado. Não um poeta. Não entende dessas coisas, não sabe ficar fazendo elogios e dizendo as coisas belas que as mulheres gostam de ouvir. E isso aumenta o nosso amor por ele, pois suas atitudes com a Jennifer são instintivas. Ele responde ao sentimento sem perceber. Se ela estivesse triste, seu gesto de carinho vinha em resposta. Não podia vê-la magoada. Sabia que ela gostava de vestidos bonitos, então a presenteou com eles. Se ela estava com frio ele a cobria. Se precisava dos seus braços para sentir-se protegida, ali ela poderia estar, ainda que ele estivesse com raiva. Mesmo que o enganassem e o fizessem pensar mal dela, ele não necessitava de provas para perceber que estava errado... que as coisas não eram como pareciam. E quando a possuiu pela primeira vez, quando ainda eram inimigos, não foi com ódio, para humilhá-la ou se vingar. E foi uma das cenas mais lindas do livro. O Royce é incrível. Não dá para desprezá-lo. E ele sequer nos dá motivos para isso. 

- Sei que eu disse que a resenha seria curta, mas... Suspiros!rs Se pudesse ficaria falando deste livro por horas. É minha paixão. Uma história que me fez rir e chorar. E o final... É um dos mais emocionantes, gente! Sempre penso nele como a declaração de amor mais linda. Jennifer se redime do seu erro de uma forma... Nossa! E o que o Royce faz por ela... Só lendo vocês poderão entender. Amo demais estes dois! Eles têm um lugar todo deles no meu coração. 

- Existem resenhas de toda a Dinastia Westmoreland no blog. Não farei uma segunda resenha dos demais livros, que serão relançados pela Bertrand Brasil. Na verdade, Whitney, Meu Amor já foi relançado neste mês de junho e o último livro da série deve chegar nas livrarias nos próximos meses. Um Reino de Sonhos merecia uma segunda resenha não só por ser o meu preferido da trilogia, mas também porque é inédito no Brasil. Sim, a editora nunca antes se deu ao trabalho de publicar a série completa. Veremos se agora passará a fazer isso...

Dinastia Westmoreland

Um Reino de Sonhos (escrito depois de Whitney, Meu Amor, mas a história se passa séculos antes)
Whitney, Meu Amor (o livro mais polêmico da série)
Milagres (conto)

Observação importante: Como não farei outra resenha de Whitney, Meu amor, acho importante mencionar que existem duas versões desse livro e que, pelo que uma menina que já leu a versão publicada em 2018 disse, vocês terão acesso à versão "modificada", a menos polêmica, por assim dizer.rsrs Se minha memória não estiver falhando terrivelmente, o livro de Clayton e Whitney foi o primeiro a ser escrito pela autora e nele existiam duas cenas pesadas e inaceitáveis. O livro foi publicado contendo tais cenas e quem leu a versão mais antiga as enfrentou. Anos mais tarde a autora modificou por completo a primeira cena pesada e alterou o sentido da segunda. Além de ter acrescentado mais capítulos. Lembro que uma vez uma leitora me criticou ao ler minha resenha do livro, dizendo que eu estava meio que mentindo para os leitores ao mencionar cenas que não existiam.rs Porque ela tinha lido a versão de bolso, publicada alguns anos atrás, já contendo as alterações. Enfim... O Clayton que eu conheço é o da versão original. O fato da autora tê-lo "suavizado" depois não muda em nada o que ele fez e o torna o mocinho mais complexo e abusivo dela. Eu vou comprar a versão nova, isso é claro. Porque sou fã incondicional da autora. Mas não irei reler. Eu amo Whitney, Meu Amor. Não estou dizendo o contrário. E perdoei o Clayton, pois ele sofre como um condenado por tudo de mal que faz contra a Whitney, mas não tenho emocional para encarar esse mocinho de novo, gente!kkkkkk... Não agora. Daqui a alguns anos, talvez.rs

8 de setembro de 2015

Reencontros - Linda Howard


Em uma manhã ensolarada no México, Milla Edge vê sua maior paixão desaparecer num piscar de olhos: seu bebê recém-nascido é literalmente arrancado de seus braços, num rapto violento e inexplicável. Carregando a angústia de não saber o paradeiro de seu filho, Milla funda uma organização especializada em encontrar crianças desaparecidas. Dez anos mais tarde, apesar de ter ajudado várias famílias desesperadas, ela continua sem ter qualquer pista sobre o crime que a marcou profundamente. Desde então, sua vida pessoal desmoronou e sua sanidade por pouco não foi afetada. Mas as coisas começam a mudar de figura quando Milla recebe um telefonema anônimo... A partir de então, a cada passo ela parece estar mais perto de seu filho - e também mais próxima da morte. 


Palavras de uma leitora... 


"Ela queria ir para algum lugar e morrer, porque não suportaria viver com essa dor."

- Como seguir em frente sem seu filho? Como deixar o passado para trás como se ele nunca tivesse existido? Como se, numa manhã aparentemente normal, ele não tivesse sido arrancado de seus braços enquanto as pessoas observavam sem se atreverem a ajudá-la? Naquele dia, após receber uma facada que a deixara entre a vida e a morte no hospital, Milla Edge morreu. Em seu lugar surgiu uma outra mulher... alguém mais forte, com um vazio e uma dor enormes que a empurravam para a frente enquanto seu único objetivo, sua razão para ainda respirar, era encontrar seu filho. Se aquela tivesse que ser uma batalha que precisaria lutar sozinha, ela assim o faria. Mas não poderia escutar os outros e fingir que seu bebê não estivera durante nove meses em seu ventre.... não poderia fingir que não lhe dera à luz, alimentara e protegê-la. Não poderia abandoná-lo. 

"— Dez anos já se passaram. 
— Não me importo se fizer vinte. [...] Não me importo se durar o resto de minha vida."

- Não creio que isso venha a se chamar uma resenha. Há anos venho fugindo desta história. E qualquer pessoa que já a tenha lido pode entender meus motivos. Quando ouvi falar deste livro estava ainda no início do blog, então, já faz mais ou menos uns 5 anos e só agora me considerei capaz de lê-la. O que não sei bem se foi uma boa ideia, para ser sincera. Meus olhos ainda estão inchados de tanto chorar e sinto uma revolta tão grande dentro de mim e admiro o fato de estar conseguindo escrever. Não sei explicar o que sinto. Não é só em relação a tudo que acontece no livro e todas as tragédias que a Milla teve que suportar... todos os anos sem saber se seu filho estava vivo ou morto. E se, estando vivo, estava bem ou nas mãos de um doente que o estivesse torturando. Ela não tinha nada. Não podia permitir-se ter muitas esperanças, mas sequer tinha um caixão no qual chorar. E é aí que o livro me atingiu tanto. Porque é a realidade de tantas e tantas famílias... Quantas pessoas tiveram seus filhos sequestrados? Quantas crianças estão perdidas por aí, passando por coisas que não podemos sequer imaginar (ou não queremos imaginar)? Quantas mães e pais estão destruídos, esperando que algum dia apareça uma notícia, alguma pista? Ou que seu filho bata à porta e entre como se toda a dor não tivesse passado de um pesadelo? É algo real demais. Algo que vemos na TV, que escutamos nas rádios, que vemos quando olhamos alguma notícia na internet. Ou quando vamos a postos de saúde, hospitais e até escolas que têm um cartaz com fotos de crianças e adolescentes desaparecidos. O que aconteceu com eles? Será que estão vivos? Recentemente mesmo eu vi cartazes de uma menina desaparecida. Parei para olhar, mas segui com meu caminho depois, assistindo minhas aulas, lendo, seguindo com minha rotina. Mas aquela família, daquela menina, com certeza não consegue fazer isso. Devem passar noites em claro, imaginando onde ela estará. Devem ter pesadelos e crises de choro e pânico. E ao pensar em todas essas coisas enquanto lia a história da Milla, eu não pude me controlar. Senti uma revolta imensa, um desespero, uma impotência. Como podemos viver num mundo tão cruel? Como podem existir pessoas tão más, capazes de destruir assim a vida de outras pessoas como se não fosse nada? Como alguém pode ficar com a consciência tranquila após arrancar o filho dos braços de uma mãe? Às vezes, ao pensar em coisas assim, ao ler livros que me fazem encarar essa realidade tão desumana, eu sinto vontade de apenas ficar no quarto por muito tempo. De dormir e esquecer o mundo. 

"A vida dela tinha sido tão destruída que o depois não lembrava em nada o antes."

- Um dia ela tinha desejado salvar o mundo. Fora uma jovem sonhadora e idealista, que adorava as crianças e queria lecionar, como sua mãe. Fizera imensos planos para sua vida, mas tudo mudou depois que ela conheceu o David. O homem por quem se apaixonara e que mudara sua vida. Com o qual ela se casou e teve seu pequeno milagre. Ao ter Justin nos braços pela primeira vez, ela não desistiu de seus outros sonhos, mas soube, naquele instante, que ser mãe era a sua prioridade. Fazer aquele pequeno ser feliz, seria seu maior objetivo. E então ele se foi... Apenas seis semanas depois de nascer. E sua vida se foi com ele. 

Agora, dez anos mais tarde, ela mantinha a fundação que criara para procurar por crianças e outras pessoas desaparecidas. E embora existissem casos que terminavam da pior maneira, ela também ajudara muitas famílias a recuperar seus filhos. Presenciara o alívio, a alegria de pais que acreditavam que nunca mais veriam seus filhos e os reencontraram com sua ajuda. Mas em todos aqueles anos não existira uma só pista que a levasse até seu próprio filho. Até que uma ligação anônima a colocou no caminho de Díaz. Um homem misterioso que, de alguma maneira, poderia ter as respostas para antigas perguntas. Que poderia desvendar aquele mistério. Quem levara o seu filho? Por que a tinham escolhido? O que havia sido dele? Talvez todas as perguntas estivessem prestes a ser respondidas... Mas qual seria o preço a pagar? 

"Ela estava no caminho certo. Sabia disso. E seguir por esse caminho poderia resultar em sua morte."

- Acompanhar todo o sofrimento da Milla, todos os anos de busca, sem que ela pudesse seguir em frente, sem que ela realmente vivesse, não foi nada fácil. Foi uma experiência desgastante, que abalou os meus nervos e minhas emoções. E junto a tudo isso estava o choque e a mágoa por ver que ela estava fazendo tudo aquilo sozinha. Que seu marido, o homem que ela tanto tinha amado, se divorciou dela um ano após o desaparecimento do filho e construiu uma nova família. Se casou, teve outros filhos e seguiu em frente. Que os pais e os irmãos da Milla acreditavam que aquela era uma causa perdida e em vez de apoiá-la, de ajudá-la em algo, se sentiam revoltados porque achavam que ela tinha que deixar tudo aquilo para trás e recomeçar. Que achavam que ela tinha que deixar seu filho para trás. E eu, apesar de não ter filhos, consigo compreender a Milla. Entender porque ela se afastou de todos eles e por que não se considerava capaz de perdoá-los. Por que como sua própria família pode dizer que você deve esquecer seu filho? Como alguém pode deixar um filho para trás, sem lutar para salvá-lo, para recuperá-lo? Eu admiro demais a Milla. Ela é uma mocinha de verdade. Uma guerreira, uma mãe dos pés à cabeça, que somente a morte poderia parar. Eu torci muito por ela. E mesmo sem poder dizer se ela tem ou não um final feliz... posso dizer o que todos nós já sabemos: a vida não é justa. O mundo não é cor-de-rosa. Muitas coisas ruins acontecem na vida de pessoas que não merecem. Muita coisa ruim aconteceu na vida da Milla e acho que nunca conseguirei superar isso. Nunca conseguirei esquecer a cena em que seu filho é arrancado de seus braços... não conseguirei esquecer os sonhos que ela teve e foram desfeitos, destruídos de forma tão cruel. Sua juventude, seu casamento, sua alegria. Ela perdeu demais. E nada que a autora tivesse feito depois, ao longo da história, poderia mudar ou compensar tudo isso. O que foi perdido simplesmente foi perdido. A Milla nunca mais seria a mesma... nada voltaria a ser como antes. 

"Não poderia se permitir olhar para qualquer outra coisa, pensar em qualquer outra coisa; no momento estava apática, mas a dor esperava à beira de sua consciência, pronta para consumi-la outra vez."

- Não me atrevo a recomendar este livro. Para mim, ele é totalmente digno de 5 estrelas e passagem para os favoritos. É um dos livros da minha vida, aquele tipo de história que nem se eu vivesse cem anos conseguiria esquecer. O tipo de história que marca e fica. Mas acaba com nossos nervos, nos leva às lágrimas vezes sem conta e deixa uma dor em nosso coração. Não é uma leitura fácil de modo algum. É angustiante, desesperadora em vários momentos e no final nos faz chorar até que não tenhamos mais forças. Em resumo: é uma história real. Por mais que seja ficção, por mais que não tenha ocorrido de verdade, é real, entendem? É uma história crua, que mostra a realidade de muitas pessoas. A dor de muitas pessoas. 

"Às vezes levantava o rosto para o sol do inverno à procura de seu fraco calor, e sabia que tinha sobrevivido."

- A história entre a Milla e um outro personagem do livro me fez lembrar de uma música muito triste principalmente este trecho:

"Dá-me força. Eu quero amar. Leva-me... longe. Para sonhar. Dá-me teu amor... Uma vez mais. Quero em teus braços recomeçar..." [Dame Fuerza - Estela Díaz]

25 de agosto de 2015

Todo Ar que Respiras - Judith McNaught


4º Livro da Série Segundas Oportunidades

Eles se conheceram num paraíso: Kate Donovan, a bela dona de um restaurante em Chicago que venceu pelos próprios esforços, e Mitchell Wyatt, empresário implacável, herdeiro da fabulosa fortuna da família Wyatt - e, como logo Kate fica sabendo, um homem que não aceita um não como resposta. Durante o idílio dos dois na ilha tropical de Anguilla, Kate e Mitchell baixam a guarda e entregam-se, deixando de lado suas inibições - lentamente, a princípio, e depois num turbilhão de emoções novas e mágicas, diferente de tudo que já haviam vivenciado. 

Mas esse momento tão feliz e encantado chega ao fim quando a família de Wyatt intima Mitchell a comparecer ao interrogatório sobre o desaparecimento do irmão. Em meio ao estardalhaço da mídia, ele busca proteção no mundo de privilégios e poder a que pertence, levando Kate, que está insegura, a questionar tudo que sabe sobre seu arredio e misterioso amante: ele é realmente o culpado nesse escândalo de tamanha repercussão? Que segredos o seu passado esconde? O que lhe reserva o futuro... e quais os planos dele em relação a ela?

Enquanto Kate lutra contra suas dúvidas - e tenta ignorar certas evidências - para confiar no homem fascinante que talvez também seja seu mais temível inimigo, a rede de intrigas torna-se cada vez mais intrincada...




Palavras de uma leitora... 


"E nesse momento, de repente, entendeu. Entendeu tudo, com a mesma certeza de que seu pai também estivesse sentado ali ao lado na espreguiçadeira vendo Mitchell e sorrindo.
Aquilo era destino; eles se destinavam um ao outro. [...] Os dois estavam destinados a conhecer-se e apaixonar-se"

Tudo que ela mais queria na vida era um pouco de magia... E acabara perdendo para sempre o coração. 

Abalada pela morte recente do pai, a única família que ela possuía, e a incrível sensação de vazio que sentia, ela se deixou envolver por um belo, misterioso e irresistível desconhecido que em questão de minutos a fez tomar a decisão de vê-lo outra vez... embora não soubesse absolutamente nada a seu respeito e existisse a inegável possibilidade de ele ser um estuprador ou assassino em série, que ia de ilha em ilha seduzindo e assassinando mulheres, para depois enterrá-las na praia. Mas nem mesmo a chance de acabar assassinada ao final daquela noite a fez tomar a sensata decisão de permanecer confortavelmente em seu quarto de hotel, na paradisíaca ilha para a qual o namorado a levara, antes de voltar à Chicago para um compromisso urgente e deixá-la sozinha. Kate sabia que estava louca, mas às vezes é preciso simplesmente se entregar à loucura para permitir-se amar... E, nem que fosse uma vez na vida, ela queria fazer mais do que sonhar...

"De todos os lugares no mundo próprios para construir uma casa, ele escolhera num capricho uma minúscula ilha no Caribe, onde uma ruiva de reluzentes olhos verdes e de um sorriso estonteante iria encharcá-lo com um drinque, entorpecer todos os seus sentidos, aquecer seu coração e depois roubá-lo."

Ao vê-la pela primeira vez, depois de ela derrubar uma bebida em sua camisa e piorar tudo no intuito de limpá-la, Mitchell soube com toda a certeza que necessitava encontrá-la outra vez. E nem mesmo o fato de descobrir que ela estava comprometida o impediria de tentar roubar aquela mulher para si, ainda que não acreditasse em amor ou na magia que ela insistia existir entre eles. Sabia que estava brincando com fogo... arriscando pela primeira vez seu coração, mas estava mais do que disposto a queimar em seus braços e a fazer parte da sua vida. 

Mas o que aconteceria quando aqueles poucos dias de amor chegassem ao fim e eles tivessem que voltar à realidade? Quando não mais estivessem rodeados por um cenário romântico, capaz de despertar sonhos ainda não sonhados, teriam eles forças para permanecerem juntos? Seria aquele amor real ou pura fantasia? Isso... só o tempo seria capaz de responder... 

"Me abrace e nos envolva em magia. Não posso criar isso sem você."

- Sabe quando um livro te faz deixar tudo para trás e concentrar-se apenas nele, como se todo o mundo se resumisse a ele?rsrsrs... Comecei a leitura na semana passada e em meio às obrigações do dia a dia acabei por não ter muito tempo para a história da Kate e do Mitchell, algo que me irritava profundamente porque eu já estava envolvida por eles, ansiando por conhecer mais e mais a história de amor deles. Então hoje, ao me levantar de madrugada, me arrumar e sair para ir à aula, eu decidi que encontraria tempo nos intervalos da explicação do professor para passar alguns momentos com eles, mas assim que comecei a ler, o mundo simplesmente deixou de existir.kkkkkkkkk... Somente meu corpo estava presente naquela sala, porque minha mente viajava para um mundo de sonho, amor e magia e eu não conseguia esconder o sorriso encantado diante das emoções maravilhosas que a Kate e o Mitchell provocavam em mim. Até que eu tomei a inteligente decisão de pegar minhas coisas e me retirar da sala, voltando para casa, disposta a finalmente fazer o que eu queria: mandar tudo o mais ao inferno e me dedicar de corpo e alma ao livro. E fazia tempo que eu não me sentia tão bem após tomar uma decisão. :D Foi uma das melhores coisas que já fiz na vida.

"— Kate — disse — , eu estou apaixonado por você.
Em resposta, ela ergueu a mão dele e apertou seus esfolados dedos contra a face."

- Não dá para colocar em palavras o enorme carinho que sinto por esse casal, todo o amor que eles despertaram em mim e como eu me envolvi pelos sentimentos deles, desejando poder impedir que eles sofressem, desejando consertar as coisas que certos vermes provocaram e que acabaram por partir o coração deles dois, mergulhando eles (e eu aqui) num período de dor. Mas como sei que a JM é brilhante, quase sempre escrevendo histórias que me roubam o fôlego, eu tinha certeza de que o melhor estava por vir e não me enganei. É uma história linda do começo ao fim, com dois protagonistas cativantes e que nos apaixonam desde o princípio por mais reservas que a gente tenha antes de iniciar a leitura. Confesso que eu tinha algumas reservas sobretudo em relação à Kate. Afinal de contas, além de algo que não posso mencionar, ela estava comprometida com outra pessoa quando conheceu o Mitchell. Tinha ido para aquela ilha justamente com o namorado, com quem ela mantinha um relacionamento há quatro anos e traição não é um tema do qual eu goste muito. Na verdade, não gosto nada. No entanto, eu estava disposta a me permitir conhecê-la e não me arrependi. A Kate é uma pessoa maravilhosa e amar... não pode ser pecado. Ela nunca teve intenção de trair o namorado (por mais que ele merecesse). Nunca tinha feito algo assim em sua vida, mas olhar para o Mitchell pela primeira vez a fez esquecer princípios, riscos ou qualquer outra coisa. Ela só queria amar. Só queria ser feliz e acreditou que o pai, onde quer que estivesse, estava lhe dando aquela oportunidade. E ela não poderia deixá-la escapar de modo algum, ainda que seu coração pudesse sair ferido no final. 

"Ele deslizou os braços em torno dela e enterrou o rosto nos cabelos molhados.
— Senti tanta saudade de você — sussurrou. — Senti saudade de sua magia."

- O Mitchell... Nem sei como falar dele. Ele é um menino machucado pela vida, pelas escolhas dos pais que preferiram abandoná-lo, se livrar dele como se ele fosse um objeto que de repente não quisessem mais. Um menino que cresceu em completa solidão e jamais soube o que era ter uma família. Que nunca teve para quem escrever cartas e com quem comemorar suas conquistas, mas que mesmo assim tinha o amor guardado em um lugar secreto do seu coração... esperando o momento em que alguém estaria disposto a amá-lo. Mas é também um homem que não acredita no amor e que construiu muros ao seu redor para não se ferir, para jamais permitir que o magoassem outra vez. Alguém que se escondia por trás de uma aparente indiferença e insensibilidade, mas que ainda assim deixou a Kate entrar em sua vida e desarmá-lo como ninguém foi capaz. Ele é um dos meus mocinhos mais queridos. Um sonho, alguém feito especialmente para a nossa mocinha. 

- Mais que recomendo esta história! :D Além de nos apaixonarmos pelos protagonistas, ainda temos a oportunidade de reencontrar Matt e Meredith, casal de Em Busca do Paraíso e o meu querido Zack de Tudo por Amor. Tudo teria sido ainda melhor se a Julie tivesse me feito o favor de não aparecer. Porque cada vez que ela aparecia eu sentia um enorme desejo de esganá-la. 


Segundas Oportunidades:

4º- Todo Ar que Respiras

21 de setembro de 2013

Dois Pesos, Duas Medidas - Judith McNaught

(Título Original: Double Standards
Tradutora: Alda Porto
Editora: Bertrand Brasil
Edição de: 2010)


Homem de viril beleza, Nick Sinclair, presidente da Global Industries, comanda os negócios da mesma forma como o faz com suas mulheres - com charme, ousadia e implacável autocontrole. Acostumado ao que há de melhor, ele contratou Lauren Danner e supôs que a orgulhosa beldade logo seria mais uma conquista fácil. No entanto, a brilhante inteligência e a rara energia da jovem o deslumbram. Aos poucos, contra sua vontade, ele se vê intrigado, desafiado e... apaixonado.

Entretanto, Lauren vive uma mentira, uma farsa que se torna mais perigosa a cada momento. Seu segredo pode destruir a frágil confiança de Nick - e a promessa de um futuro com o homem mais irresistível que ela já conheceu...


Palavras de uma leitora...


 "... Nick segurou o pé dela com a mão esquerda e estendeu a outra para pegar a sandália. Quando já ia calçá-la, ergueu o olhar e deu um sorriso preguiçoso, que fez o pulso de Lauren disparar, ao perguntar:
- Não há um conto de fadas sobre um homem que busca uma mulher cujo pé se encaixa num sapatinho de cristal?
Ela fez que sim com a cabeça.
- Cinderela.
- Que me acontece se esta sandália se encaixar?
- Eu o transformo num belo sapo - ela disse, irônica.
Ele riu, emitindo um som profundo e maravilhoso, quando os olhares se encontraram e ela viu alguma coisa reluzir das profundezas prateadas daqueles olhos misteriosos [...]"

- Eu já mencionei que amo contos de fadas? Sim?! Por um acaso também disse que a história da Cinderela é a minha preferida? :D

Lauren Danner não gostava de ir contra os seus "sentidos". Por mais que a necessidade dissesse que ela seria uma idiota ao rejeitar a proposta de Philip, um parente distante que no passado a tratou como se ela valesse menos que lixo, a consciência lhe dizia que ela estava se metendo num jogo perigoso, no qual só os melhores eram capazes de vencer e ela sequer conhecia as regras ou os adversários. A consciência a atormentava, mas a imagem do pai, deprimido e fraco, prestes a sofrer um segundo ataque cardíaco, foi o impulso necessário para fazê-la ir em frente e dizer sim para Philip. 

Tudo que Lauren precisaria fazer para conseguir o dinheiro necessário para pagar as despesas e o hospital no qual o pai se tratava, seria conseguir um emprego como secretária na Sinco e assim conseguir para Philip o nome do homem que estava traindo sua empresa e passando informações valiosas para a Sinco. Fácil, não?! Se isso não significasse espionagem e fosse um crime que poderia fazê-la passar um bom tempo na prisão.

Mesmo com todo o seu ser gritando desesperadamente "não", Lauren foi até a Sinco disposta a conseguir o tal emprego como espiã, digo, secretária.rsrs... Só que ao chegar lá sua inteligência falou mais alto e ela fez todo o possível para NÃO ser contratada. 

"Enquanto preenchia os intermináveis formulários e questionários exigidos pela Sinco, ocorreu-lhe que a melhor maneira de sair do apuro seria honrar a promessa candidatando-se a uma vaga - e depois ter certeza absoluta de que não lhe ofereceriam uma. Portanto, errou de propósito na ortografia, datilografia e estenografia, e deixou de incluir o diploma universitário. Mas o feito que coroou tudo foi como respondeu à última pergunta no formulário para candidatar-se ao emprego. As instruções mandavam relacionar, em ordem de preferência, três cargos para os quais se sentia qualificada na empresa. Lauren escrevera 'presidente' como primeira escolha, 'gerente de pessoal' como segunda e 'secretária' como terceira."

Sentindo-se muito satisfeita por não ter conseguido o emprego, Lauren saiu do prédio da Sinco imaginando que mentira descarada contaria para Philip, mas logo a noite escura e chuvosa tirou de sua mente qualquer pensamento sensato.

A chuva aumentava, deixando-a totalmente ensopada e para chegar ao carro o mais rápido possível, Lauren teve a brilhante ideia de cortar caminho através de uma área onde se lia "Acesso Proibido". O resultado de sua ousadia foi uma queda feia e o encontro com o homem mais lindo e irresistível que ela já tinha visto na vida. No final das contas, sua ideia foi realmente brilhante.rsrs...

"Lauren tropeçou e foi lançada no ar, com a boca aberta num grito silencioso; debatendo-se para equilibrar-se, pousou esparramada, com o rosto voltado para baixo, no chão aos pés dos homens.
- Sua desastrada! - disse um deles com a voz arrastada marcada por uma furiosa preocupação quando os dois se agacharam e examinaram-na ansiosos. - Que diabos você acha que está fazendo?
Apoiando-se no antebraço, Lauren ergueu um olhar magoado que foi dos sapatos para o rosto do homem.
- Teste para o circo - respondeu, secamente. - E para o bis, em geral, caio de uma ponte.
Uma sonora risadinha veio do outro sujeito, que a pegou com firmeza pelos ombros e ajudou-a a levantar-se.
- Como se chama? - perguntou. E quando ela disse o nome, ele acrescentou preocupado: - Consegue andar?
- Por quilômetros - garantiu-lhe Lauren, insegura."

Enquanto para Lauren ele era um pedaço de mau caminho, capaz de fazê-la esquecer-se de tudo, até mesmo do próprio nome, para Nick, ela não passava de uma divertida adolescente, com a cara cheia de lama. Mas a opinião dele muda completamente quando Lauren retira a sujeira (provocada pela queda) do rosto e ele vê diante de si uma linda mulher, capaz de despertar nele coisas que de modo algum ele queria sentir. Ou acreditava não querer sentir.


"Lauren sentiu um absurdo orgulho dele, e não fez qualquer tentativa de escondê-lo quando ele parou, afinal, à sua frente. 
- Alguém já lhe disse como você é lindo? - perguntou baixinho.
Um vagaroso sorriso infantil espalhou-se pelas feições dele.
- Que acharia se eu lhe dissesse que não?"

Depois desse primeiro encontro e do desejo que Lauren despertou em Nick, ele não pretendia voltar a vê-la. Ela era inocente e ingênua demais para participar dos jogos dele e Nick não queria magoá-la. Porém, Lauren não parava de pensar nele e resolveu que queria e iria ser seduzida por ele. E que o deixaria totalmente louco por ela. Quer ele quisesse, quer não. 


"No tocante às mulheres, Lauren duvidava que restasse uma única fibra de inocência naquele corpo de agressiva virilidade. Mesmo assim, teve a sensação de que Nick não ia querer seduzir uma virgem e levá-la para a cama. Claro, essa virgem específica queria muito ser 'seduzida' por ele, mas não tão cedo, e tampouco com quase nenhum esforço. Deveria fazê-lo esperar até gostar mesmo dela. Deveria, mas não tinha certeza de que o faria."

Ao fazer seus planos, Lauren não sabia quem Nick verdadeiramente era. Um empresário multimilionário, dono da empresa para a qual ela estava trabalhando e espionando. Ela acreditava, ao conhecê-lo e se envolver com ele, que Nick era apenas um engenheiro que possuía o sonho de um dia vir a ter sua própria empresa. Ela também não conhecia o passado que o tornara um homem cínico e desconfiado, alguém que não acreditava no amor e desprezava os padrões morais dela. Alguém que não se deixaria ser feito de bobo por um sentimento idiota e que tantos anos antes o tinha fragilizado e também, tinha que confessar, fortalecido com igual intensidade, pois o fez perceber que só poderia contar consigo mesmo. Que era um erro confiar e tornar-se dependente de alguém. 

Ele achava Lauren atraente e existia algo nela que o fazia querê-la com um desespero que lhe era desconhecido. Mas não queria nem poderia lhe oferecer nada além de um caso de final de semana. Breve e sem laços emocionais. Mas ao se envolver com ela, suas determinações e pré-conceitos começam a sofrer rachaduras e fica difícil continuar sendo o mesmo homem que tinha se esforçado para ser até então. 


"- Lauren? - ele chamou com a voz seca.
 - Hummm? - fez ela, os olhos cravados na lua.
Nick curvou-se, tomou-lhe o queixo e girou o rosto para o dele. Notou os olhos marejados, em aturdida descrença.
- Você está chorando! - comentou incrédulo.
Lauren acenou-lhe com a mão fazendo pouco caso do fato.
- Não ligue para isso... Também choro em filmes.
Nick desatou a rir e puxou-a para o colo. Ela teve um estranho sentimento materno ao passar o braço em volta dele e afagar-lhe de modo confortador os volumosos cabelos escuros."


- Nenhum relacionamento pode manter-se baseado em mentiras e segredos, verdade? Porém, a verdade pode ser tão nociva quanto a mentira... Sendo assim, qual a melhor opção? Manter uma mentira que pode ser descoberta a qualquer momento ou contar uma verdade que poderá acabar de vez com essa relação?

"- Lauren pegou-o, como uma autômata, e saiu correndo. Ela achou que ia desatar de novo em prantos ao entrar no carro, mas isso não aconteceu. Tampouco chorou durante as três horas que passou lendo o arquivo. Não haviam restado mais lágrimas."


- Fazia muito tempo que eu não lia alguma história da minha querida JM. E confesso que sentia muitas saudades. Me pegava várias vezes lembrando do Jason e da Victoria, do Ian e da Elizabeth, da Whtiney e do seu Clayton para lá de complexo.rsrsrs.... Do meu querido Royce e da minha querida Jennifer. Eu queria, necessitava (com desespero até.rsrsrs...) ler uma nova história da minha autora. Mas acontece que passo o dia inteiro fora e não tenho muitos livros dela em papel (somente dois. Agora e Sempre. E Sussurros na Noite. Por enquanto. Pretendo conseguir todos os livros da autora! É uma promessa que me faço!kkkk...). Quando chego em casa não tenho a menor condição de ler uma história dela no computador. Meus olhos não suportam. E ler uma história da autora aos pingos não é nada agradável. Quando pego um livro de uma autora querida para ler, tem que ser sem ficar interrompendo a leitura por dias. Tem que ser de uma vez. Tenho que ter tempo disponível para me dedicar de corpo e alma ao livro. Sendo assim, cheguei a acreditar que demoraria ainda mais tempo para voltar a ler algo da minha autora. :( E isso me deixava triste, pois uma das minhas metas de leitura deste ano era ler vários livros da JM. Mas enfim... Só que aconteceu algo sensacional e que me fez dar gritos e pulos de alegria.rsrs... Encontrei uma biblioteca recheada de ótimos livros, lançamentos um tanto recentes até. E lá, para minha completa felicidade, existem livros da JM. Sendo assim, agora tenho oportunidade para ler novas histórias da minha autora, no papel, algo que não prejudica muito os meus olhos. Foi justamente lá que encontrei Dois Pesos, Duas Medidas. Eu não tinha a menor esperança de encontrar algo da JM naquela biblioteca e ainda não consigo crer que encontrei.rsrs... No dia que devolvi Dois Pesos, Duas Medidas, já tratei de pegar Em Busca do Paraíso emprestado. :D Mas enfim... Que tal continuarmos falando de Dois Pesos, Duas Medidas?rsrs...

"Ouviu atrás de si um sussurro quando a porta deslizante se abriu e fechou, e resignou-se à perda da solidão de que tanto necessitava. Jim viera juntar-se a ela.
- Como estou me saindo até agora? - perguntou, forçando uma alegre leveza na voz.
- Está se saindo muito bem - escarneceu a voz indolente de Nick. - Já quase me convenci de que sou invisível.
Lauren sentiu a a mão tremer com tanta violência que os cubos de gelo tilintaram."

"- Sentiu minha falta?
Ela arregalou os olhos com simulada inocência.
- Andei muito ocupada."
[...]
- Então - perguntou com um sorriso -, não sentiu nem um pouco minha falta?"

- Quem resiste a esse homem?!kkkkkk... Ele até pode ser um cretino (com certeza, é!kkkk...), mas é um cretino adorável que nos faz rir até mesmo quando desejamos matá-lo. E com esse sorriso ele consegue derreter nosso coração e até mesmo nos faz esquecer por que ele merecia uma surra momentos antes.rsrsrs... 

Nick é um mocinho fácil de amar. Um mocinho que começa a arrumar um espaço exclusivo no nosso coração assim que o conhecemos. Ele possui um charme, um sorriso, um jeito de falar que nos atrai, mesmo quando descobrimos o quanto ele é um canalha. E o pior de tudo: um canalha que admite ser um canalha, gosta de ser um canalha e despreza qualquer princípio moral, quando o assunto é sexo e sentimentos alheios. Egoísta, fez de tudo para levar a Lauren para a cama, sabendo desde o princípio que aquele tipo de relacionamento, casual, não era para ela. E que vulnerável, ela poderia sair muito machucada daquela relação. O que importou para ele naquele momento foi seu próprio desejo. Foi conseguir o que queria. E o mais incrível é que depois ele acha que tudo que fez era certo e que Lauren não tinha o menor direito de reclamar. Princípios morais eram tolice. Ser canalha, era a coisa mais sensata e correta do mundo. Tanto que ele a aconselha a ser como ele. Algo que ele vai pagar caro por sugerir.kkkkkkk...

"Os olhos de Nick varreram-na de forma insolente de cima a baixo. 
- Antes de eu ir, quero lhe dar um pequeno conselho: - avisou-a gélido - cresça!
Ela sentiu como se Nick a tivesse estapeado.
Enfurecida além da razão, revidou-lhe o golpe no ego:
- Você tem absoluta razão! - exaltou-se. - É o que devo fazer. A partir de hoje, vou crescer e começar a praticar o que você prega! Vou dormir com qualquer homem que me atraia. Mas não com você, pois é velho e cínico demais para meu gosto. Agora, dê o fora daqui!"

- Sabe quando você diz algo que não desejava dizer (ou não sabia que não desejava dizer?!kkkk...)? Quando fala sem pensar e depois deseja com todo o seu coração voltar no tempo e se impedir de dizer tal coisa? O Nick sabe.kkkkkkkkk... E como sabe! É muito divertido ver o tormento que ele passa depois de aconselhar a Lauren a ter relacionamentos casuais. Ao dizer tal coisa, ele estava furioso com ela e com ele próprio, pois estava sentindo coisas que não desejava sentir. Pois estava se apaixonando por ela e isso o deixava apavorado. Um dia tinha sido inocente o suficiente para amar. E a dor que aquele sentimento lhe provocou lhe deixou marcas profundas. Machucou. E mesmo quando a dor se tornou suportável, a cicatriz o fazia lembrar-se daquele momento, tão doloroso, como se tudo tivesse acontecido no dia anterior. Por isso não desejava mais amar. Não podia. E por isso estava tão confuso e atormentado: porque seu coração não o ouvia. Não queria ouvir seus motivos. Simplesmente queria abrir-se para o amor. Queria Lauren.

"- Eu preciso de você, doçura. Sabe que desde que cheguei...
- Não ouse me chamar de doçura! - ela explodiu, vacilante com indesejável alegria diante daquela ternura casual.
- Por que não? - bajulou-a, e um sorriso iluminou-lhe o rosto. - Você é doce.
- Vai mudar de ideia se tornar a me chamar de doçura - prometeu ela."


- Infelizmente, nem sempre querer é poder, verdade?!kkkkkkkk... Apesar de inocente e muito vulnerável, Lauren também é forte. E tem uma língua muito afiada.kkkk... E seus punhos são capazes de provocar grandes danos.kkkkkkkk... Ela nunca deixava passar em branco uma só coisa que o Nick fizesse. Cada ação dele provocava uma reação nada agradável para o nosso querido cretino, digo, mocinho.rsrs... E quanto mais ele tenta fugir dos sentimentos que ela lhe desperta, mais prisioneiro ele se torna. 

" - Você tem os olhos azuis mais incrivelmente lindos que já vi. Quando se enfurece eles...
- Poupe-me! - sibilou Lauren, sacudindo com violência o pulso.
- Já poupei - provocou-a com ar sugestivo.
- Não fale comigo assim... não quero parte alguma de você.
- Sua pequena mentirosa. Você quer cada pedacinho de mim."

- Sim, ela quer!kkkkkkk... Mas negaria isso mesmo sob tortura!rsrsrs... Em resumo posso dizer, queridos, que entre tapas, beijos, socos e pontapés (todos os tapas, socos e pontapés vindos da Lauren, claro. Ela não tem paciência para falar o tempo todo.rsrs...) esse casal nos diverte muito e nos faz amá-los sem medidas. Eles conquistaram totalmente o meu coração e me fizeram rir muito e chorar bastante também, no final. Me emocionaram, pois pude enxergar o amor deles. Sentir. É um amor muito lindo, capaz de perdoar e superar qualquer coisa. Até mesmo um passado traumatizante e segredos para lá de venenosos. 


"- Lauren - disse Nick numa voz de advertência - quero que você me conheça. Também sei que está furiosa comigo por iniciá-la sexualmente, e depois...
- Ah, mas não estou! - ela protestou com enganosa doçura. - Não trocaria aquela noite por nada no mundo. - Recuando um passo cauteloso, acrescentou com leviandade: - Na verdade, já decidi que quando eu tiver uma filha e ela tiver a minha idade, eu darei um telefonema a você. Se ainda estiver 'ativo', gostaria que a iniciasse...

Um passo não bastou. Ele arrancou para frente, agarrou-lhe os pulsos e prendeu-a entre as coxas, os olhos faiscando com uma perigosa combinação de raiva e desejo.

- Sua linda, atrevida... - precipitou a boca, tomando-lhe os lábios com bruta e devastadora fome e implacável insistência."

- Não é necessário eu dizer se recomendo essa história, verdade????!!! :D


"Nick sorriu com um ar melancólico.
- Eu quero pertencer a você... de todas as maneiras."
Topo