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12 de fevereiro de 2026

A Filha do Conde - Lorraine Heath



Literatura Inglesa
Título Original: The Scoundrel in Her Bed
Tradutora: Daniela Rigon
Editora: Harlequin 
Edição de: 2020
Páginas: 304
Série Sins for all Seasons / Irmãos Trewlove - Livro 3

4ª leitura de 2026

Sinopse: FINN TREWLOVE cresceu como um bastardo, nunca tendo conhecido sua mãe ou tido qualquer contato com o pai. Quando viu Lady Lavínia pela primeira vez, se encantou pela dama. Ele sabia, porém, que era um território proibido - afinal, ela era a filha de um conde, e ele não passava de um plebeu. Entretanto, contrariando todas as expectativas, o casal vive uma linda história de amor durante a juventude. Mas as circunstâncias do destino acabam os separando, deixando Finn e Lavínia desolados e revoltados um com o outro por não saberem os reais motivos do triste fim. Oito anos depois, eles se reencontram e descobrem a verdade sobre o que os separou. E agora querem reconquistar o tempo perdido.



Depois de tanto tempo sem ler meus queridos romances de época, já deu para perceber que estou numa fase voltada para eles. É o quarto romance de época que leio este ano e ainda estamos em fevereiro.rsrs

Lorraine Heath, sem sombra de dúvidas, é uma grande escritora. Li o primeiro livro desta série em 2018 e o segundo em 2020. E algo que nunca esqueci foi o quanto o tema abordado pela autora mexeu comigo naquela época e continuava mexendo sempre que eu lembrava da série: a entrega de crianças para serem "esquecidas". Quando uso a palavra "esquecida", estou usando uma palavra menos forte para falar do que realmente acontecia. No final do primeiro livro, a autora fala claramente sobre a prática criminosa, hedionda, que era muito conhecida e utilizada para que pessoas se livrassem dos filhos não desejados. O romance do primeiro livro se constrói em torno desse tema, o segundo livro também... mas o terceiro nos atinge mais forte. 

Lavínia tinha apenas 15 anos quando o conheceu... Deveria tê-lo odiado, pois ele estava lhe tirando sua égua preciosa, sua Sophie, conforme as ordens do pai dela. E, de fato, o detestara no início. Mas ele demonstrou que não era o tipo de pessoa que ela pensava. Que existia dentro do seu peito um coração sensível... que se importava. 

Finn tinha 21 anos. Seis anos mais velho que Lavínia e embora tenha ficado fascinado por ela ao conhecê-la, não foi mais que um amigo ao longo dos dois anos que se seguiram. Ao atingir os 17 anos, ela estava com idade suficiente para ser apresentada à sociedade e se casar, como era o costume de sua época. E Lavínia estava prometida, desde o seu nascimento, a um homem que era onze anos mais velho que ela. Mas ela nunca reclamara e aceitava o seu destino, traçado sem que lhe tivessem perguntado nada e sem que se importassem com a sua vontade. Pelo menos seu futuro marido era jovem ainda e muito bonito, também parecia gentil... Mas... a amava?! Claro que não. Quase não a viu ao longo dos anos que se passaram até que ela atingisse os dezessete anos. Não seria um casamento por amor. Seria o cumprimento de um acordo feito por sua família, ao decidir o destino dela. 

Ela acreditava que estava conformada com a vida que levava, prisioneira de uma realidade que não escolhera. Com cada decisão sendo tomada sem considerar sua opinião. Mas os dois anos de amizade com Finn mudaram algo em seu interior. Ele era diferente dos jovens de seu convívio. Não parecia vê-la como um troféu ou a "dama perfeita" para um casamento de conveniência, no qual sentimentos não eram levados em conta. Finn a enxergava, a ouvia e respeitava. Ao estar com ele, conversar com ele, ouvir seus sonhos e planos para o futuro, compartilhar seus próprios sonhos, Lavínia se sentia livre, como jamais tinha sido. 

Foi mágico quando a amizade se transformou em amor. Quando viveram a primeira noite... que era a primeira vez para os dois, descobrindo juntos a paixão e acreditando que seriam fortes o suficiente para lutar contra o mundo, se necessário. Mas o conto de fadas teve um final terrível... 

Oito anos depois, não eram nem sombra dos jovens apaixonados de outrora. Ambos carregavam marcas profundas daquele término e de tudo o que se seguiu. Foram oito anos de ressentimentos, um acreditando que tinha sido abandonado pelo outro... Mas quando a verdade vier à tona, talvez ela não signifique uma libertação... ou uma segunda chance. Talvez reabra feridas ainda não cicatrizadas. 

Ao ler A Filha do Conde, tive poucos momentos de alegria. Foram poucos os momentos de leveza para o meu coração, em que pude sorrir com o casal. O livro já começa com uma cena bem forte e cruel. Só que demorei algum tempo para compreender de que personagem se tratava. Imaginei que fosse outra personagem e não aquela. E quando percebi, quis acreditar que estava enganada, que a autora demonstraria que eu tinha errado... Eu estava certa. E chorei bastante com esta história. 

Não consigo falar do livro sem sentir todo o peso que ele provocou em mim. Não é um daqueles livros para passar o tempo sorrindo e se encantando. O casal tem momentos de felicidade, são dois personagens envolventes. Mas tudo o que lhes aconteceu foi terrível. Eles passaram por muitas coisas e a pior delas não teve volta. O coração dos dois nunca estaria inteiramente curado porque o tempo não retornaria para devolver algo precioso que foi perdido. E isso dilacerou o meu coração. A reta final da história me deixou arrasada. Sei que eles encontraram um caminho para a felicidade. Para o seu "E viveram felizes para sempre", mas... Não dá, queridos. Eu não consigo superar o que lhes foi roubado e a forma como tiveram que tomar a decisão menos injusta por amor. Uma decisão que deixava uma ferida aberta no peito. 

Meu sangue ferveu tanto com o que fizeram com esse casal! No lugar da Lavínia, eu provavelmente faria bem pior do que ela fez. Ainda sinto muita revolta. E isso não vai passar. Sempre que eu lembrar dessa história sentirei o mesmo. A sensação de extrema injustiça, de vida despedaçada, de oportunidade perdida... A sensação de que foi roubado do casal algo que nunca poderia se recuperado.


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro lançado até 2020


Série Sins for all Seasons / Irmãos Trewlove

3. A Filha do Conde
4. A Sedução da Duquesa
5. Fascínio da Nobreza
6. A Tentação do Bastardo



4 de dezembro de 2020

A Soma de Todos os Beijos - Julia Quinn


Literatura norte-americana
Título Original: The Sum of All Kisses
Tradutoras: Ana Rodrigues e Maria Clara de Biase
Editora: Arqueiro
Edição de: 2017
Páginas: 272
Quarteto Smythe-Smith - Livro 3

68ª leitura de 2020 (59ª resenha do ano)

Sinopse: Um brilhante matemático pode controlar tudo… A não ser que um dia exagere na bebida a ponto de desafiar o amigo para um duelo. Desde que quebrou essa regra de ouro, Hugh Prentice vive com as consequências daquela noite: uma perna aleijada e os olhares de reprovação de toda a sociedade. Não que ele se importe com o que pensam dele. Ou pelo menos com o que a maioria pensa, porque a bela Sarah Pleinsworth está começando a incomodá-lo. 


Lady Sarah nunca foi descrita como uma pessoa contida… Na verdade, a palavra que mais usam em relação a ela é “dramática” – seguida de perto por “teimosa”. Mas Sarah faz tudo guiada pelo bom coração. Até mesmo deixar bem claro para Hugh Prentice que ele quase destruiu sua família naquele bendito duelo e que ela jamais poderá perdoá-lo. 


Mas, ao serem forçados a passar uma semana na companhia um do outro, eles percebem que nem sempre convém confiar em primeiras impressões. E, quando um beijo leva a outro, e mais outro, e ainda outro, o matemático pode perder a conta e a donzela pode, pela primeira vez, ficar sem palavras. 

 


Mais de um ano se passou desde que li o segundo livro desta série. Com tantos livros para ler e tantos desafios dos quais resolvi participar (risos), algumas séries acabaram ficando incompletas e estou considerando ter como meta principal finalizá-las nos próximos meses. Vamos ver se consigo!rsrs

Em Uma Noite Como Esta, segundo livro do Quarteto Smythe-Smith, conhecemos a apaixonante história de Anne e Daniel e até agora segue sendo minha história preferida da série! Nela ficamos sabendo da grande besteira que Daniel e seu amigo Hugh fizeram, ao brigarem durante um jogo (quando ambos tinham bebido demais) e resolvido duelar. Nenhum dos dois tinha intenção de realmente atirar no outro, mas Hugh se distraiu e a arma disparou, atingindo o ombro de Daniel. Este, por sua vez, em choque, também deixou a arma disparar, mas o resultado foi mais dramático: o tiro atingiu a perna de Hugh, deixando-o à beira da morte por hemorragia e danificando para sempre a perna lesionada. 

Como Daniel teve o azar do pai do Hugh ser um homem completamente desequilibrado, teve que fugir do país, pois o indivíduo jurou que não descansaria enquanto não o matasse. Mesmo longe da Inglaterra e de sua família amada, Daniel vivia constantemente em perigo, pois o pai de Hugh era tão louco que mandou assassinos atrás dele. Sim, o mocinho da história anterior viveu grandes aventuras.rs

Uma Noite como Esta inicia com o retorno de Daniel, depois que Hugh vai atrás dele e diz que já não há necessidade para ele seguir fugindo, que conseguiu convencer o pai a parar com a perseguição. É quando ele conhece Anne, que também possuía seu próprio passado dramático e também estava fugindo. O amor surge de forma intensa e incontrolável. Só sabiam que precisavam ficar juntos, não importando diferença de classe social (Anne era governanta das primas de Daniel) ou os perigos que os ameaçavam. A história é linda, linda, linda! Minha preferida sem pensar duas vezes!

Então... Em A Soma de Todos os Beijos, conhecemos mais profundamente o Hugh, que marcou presença no livro anterior, e Sarah, prima de Daniel e de Honoria (esta aqui é a protagonista do primeiro livro). Os acontecimentos da outra história repercutem nesta, pois o pai do protagonista segue vivo e sendo louco, bem como Hugh ainda não conseguiu se perdoar por ter dado início a toda essa perturbação na vida do amigo... Do mesmo modo, Sarah, que é muito próxima dos primos e também foi atingida pelas consequências do duelo, não está disposta a facilitar a vida dele, pois jurou que jamais o perdoaria e faria questão de fazê-lo sentir todo o remorso merecido pela m*rda que vez. 

Sabe aquela coisa de inimigos que se apaixonam?!rsrs Sarah e Hugh não são exatamente inimigos, mas quase isso.kkkkk... Dramática como as mocinhas das minhas amadas novelas mexicanas (eu ri tanto com ela!), no seu primeiro encontro com o Hugh após o duelo, ela deixou mais do que claro o quanto a existência dele era um prejuízo para todo ser humano. E como ele tinha destruído a vida dela. É um encontro muito engraçado e depois disso, ambos chegaram à conclusão de que se odiavam profundamente. E preferiam ignorar a existência um do outro. 

Ocorre que com a volta de Daniel e seu iminente casamento com Anne, Sarah é obrigada a estabelecer uma relação "agradável" (ou fingir) com Hugh, pois seu primo e ele recuperaram a amizade perdida e todos querem que o mocinho se sinta bem durante os eventos que antecedem o casamento dos protagonistas do segundo livro. Honoria, então, encarrega Sarah de fazer companhia para o Hugh.kkkkkkkkkk Claro que ela não sabia que os dois quase tinham se matado meses antes, mas... Enfim...rs É óbvio que isso não dará muito certo.... Os dois correrão sérios riscos de se apaixonar! :D

Eu confesso que estava com muitas saudades das histórias da Julia Quinn! Porque mesmo contendo alguns dramas, são histórias leves, divertidas, do tipo que nos deixam sorrindo. Eu estava irritada com o fato da Arqueiro publicar um livro da autora atrás do outro (ainda estou irritada), pois isso acaba provocando uma overdose de histórias dela, o que pode fazer o leitor enjoar e isso não é desejado. Mas o que decidi é que eu própria vou controlar as doses que leio dos livros dela.kkkkkkkk... Depois deste aqui vou ler o quarto (e último) da série, mas darei um intervalo de alguns meses antes de finalizar a leitura de uma outra série dela que está em aberto no blog: a série Os Rokesbys (li os dois primeiros e preciso ler os demais). Justamente porque amo a autora e não quero de modo algum enjoar dos livros dela. Por isso, é saudável dar um tempo entre as histórias. 

Mas voltemos à Sarah e ao Hugh, os inimigos que irão se apaixonar.rs Eu me diverti muito com esses dois, em alguns momentos chegava a gargalhar e isso me fez bem. Todavia, nem tudo são rosas... existem os espinhos, claro. Que se manifestam na culpa que o Hugh sente, a tristeza por não ser mais o mesmo homem de antes (não pode andar normalmente e sim mancando, não pode dançar, cavalgar, carregar uma mulher no colo etc) e ainda o psicopata do pai dele, que deveria estar na prisão e não circulando normalmente entre as pessoas. 

O casal terá que enfrentar alguns problemas para ficarem juntos, mas queridos, este é um livro da Julia Quinn! Final feliz garantido! Não importa o que aconteça, o casal sempre é feliz no final. A autora ama os seus leitores.rs Não quer que fiquemos em lágrimas ao fechar um livro dela. 

Eu não tenho nada a criticar no livro. Mas existiu sim uma coisa que me impediu de dar cinco estrelas e favoritá-lo. Achei que demorou muito para o casal ter uma conexão maior, que a história ficou tempo demais girando em torno do passado e das reservas deles e foram poucas páginas de real aproximação. O final é maravilhoso, mas o fato de tantas páginas terem sido perdidas na história sem que fossem dedicadas a momentos deles dois juntos, me fez tirar uma estrela. :( O que de modo algum torna a história ruim. É linda e divertida. Sarah e Hugh nos conquistam por completo e torcemos muito pelos dois. 

Foi muito bom reencontrar a Honoria e o Marcus, bem como meu casal querido: Anne e Daniel. Esta série é preciosa e já sinto uma certa tristeza, pois o próximo livro é o último.


-> DLL 20: Um livro de capa azul


Quarteto Smythe-Smith

1- Simplesmente o Paraíso (Honoria e Marcus)
2- Uma Noite como Esta (Anne e Daniel)
3- A Soma de Todos os Beijos (Sarah e Hugh)
4- Os Mistérios de Sir Richard (Iris e Richard)


9 de setembro de 2020

A Abadia de Northanger - Jane Austen


Literatura Inglesa
Título Original: Northanger Abbey
Tradutor: Rodrigo Breunig
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2011
Páginas: 272

49ª leitura de 2020 (46ª resenha do ano)

Sinopse: Catherine Morland, dezessete anos, coração puro, é uma mocinha ingênua, viciada em livros repletos de desventuras horripilantes e amores trágicos. Sabendo sobre a vida apenas o que leu nos romances, ela sai de seu obscuro vilarejo natal para passar uma temporada em Bath, estação balneária frequentada pela aristocracia inglesa, onde conhece bailes excitantes, uma amiga amabilíssima, um cavalheiro encantador e outro insuportável. E sai de Bath para ser hóspede, como num sonho, de uma abadia. A antiga construção, porém, revelará sinais misteriosos, indícios de que foi cenário, no passado, de um crime medonho. Exatamente como ela lera nos livros...



Estou passando por dias um tanto ruins na minha vida e confesso que não me sinto capaz de escrever esta resenha. Mas este é um livro que me encantou tanto que eu resolvi pelo menos tentar falar sobre ele. 

Persuasão era até agora o meu livro preferido da Jane Austen. Todavia, depois da maravilhosa experiência de ler A Abadia de Northanger, eu já não sei mais o que fazer.rsrs Acho que vou deixar os dois ocuparem o primeiro lugar entre os mais amados da autora...

Quando iniciei esta leitura eu não sabia bem o que esperar. Não é um dos romances mais famosos dela, poucas vezes li resenhas sobre ele (na verdade, no momento, sequer consigo lembrar de nenhuma resenha que tenha lido!) e, no fundo, acreditava que não chegaria aos pés das outras histórias. Só que logo no início, a ironia da autora, bem mais explícita neste romance do que em qualquer outra história que já li dela, já me fascinou e eu ria tanto com a maneira como ela debochava dos costumes e das relações de "amizade" existentes entre alguns personagens, que consegui perceber que este livro me preparava grandes surpresas...

Nele temos uma heroína que não possui muitas características dignas de uma heroína (segundo a autora, que o tempo inteiro "se mete" na história.rsrsrs), que tudo o que conhece da vida é o que leu em seus amados livros (vários deles de terror) e a pouca experiência que tinha em se relacionar com outras pessoas, vez que vivia num vilarejo de onde jamais tinha saído. Ela tinha apenas dezessete anos e era bastante ingênua, inclusive para a idade. 

Um dia, o senhor e a senhora Allen, que não tinham filhos e viam em Catherine sua protegida, resolveram levá-la para uma temporada em Bath, algo que a empolgou bastante. Era sua primeira chance de conhecer outros lugares, outros tipos de pessoas e possivelmente um "mocinho" adequado. Lá, Catherine acaba desenvolvendo amizade com Isabella Thorpe, que lhe jura fidelidade eterna e não consegue passar sequer um dia longe de sua "amada amiga". Isabella possuía um irmão, John Thorpe, que por coincidência era o melhor amigo do irmão da nossa mocinha. 

Além desses personagens, que serão significativos na vida de nossa heroína, ela também conhece Henry Tilney, por quem sente uma "inexplicável" atração. Só com ele queria realmente dançar. Só com ele era interessante conversar e o mais fascinante é que Henry não via os romances com desprezo, como outras pessoas, e não é nada mau se interessar por alguém que aprecia os livros, certo? Só que existia John Thorpe, o desagradável e "chiclete" irmão de sua amiga. Alguém que amava muitíssimo a si mesmo (e ninguém mais) e estava determinado a conquistar Catherine e atrapalhar sua amizade com os Tilney.

E como se não bastasse os grandes desafios que Catherine terá que enfrentar ao lidar pela primeira vez com a hipocrisia de outras pessoas, sua imaginação tão fértil conseguirá colocá-la numa certa confusão... em uma determinada abadia.  

Mas se tem uma coisa garantida nesta divertida e envolvente história é o final feliz! Dele, Jane Austen não abre mão. Para a alegria de nós leitores, claro!

" - A pessoa que não sente prazer com um bom romance, seja cavalheiro ou dama, só pode ser intoleravelmente estúpida."

Eu amei cada momento da leitura e só queria devorar as páginas para saber como terminava. É uma história na qual a autora usa e abusa da ironia como nunca a vi fazer (geralmente nos outros livros, ela é mais implícita) e isso foi o que mais me agradou. Me proporcionou muitas risadas e a maneira como ela se metia na história, conversando com nós leitores, também foi um espetáculo. Era como se ela realmente estivesse falando diretamente com a gente e isso foi incrível. Amei demais este livro! 

Impossível não mencionar o talento da autora para expor certas amizades falsas escondidas sob um verniz de grande carinho, bem como a hipocrisia daqueles que só se aproximam de outros por interesse e os tratam como os mais "preciosos do mundo", de acordo com o status e a riqueza deles. Vários personagens eram tratados de acordo com sua fortuna, as pessoas valiam apenas o que tinham... algo não muito diferente do que ainda acontece nos dias de hoje. 

Além disso, de maneira um tanto mais implícita, ela também menciona a realidade de filhos submetidos a pais controladores e abusivos, que precisam "pisar em ovos" todos os dias para lidar com alguém de quem não podiam se libertar pelos laços de sangue e de afeto. Uma das coisas que mais me enfurecia neste aspecto, era a maneira como aquele pai sempre falava pela filha, anulando suas vontades, anulando sua voz. E como, inclusive, a envergonhava na frente de outras pessoas. O tempo inteiro ela tinha que agir com cautela, tentando lidar com uma situação com a qual não teve outra escolha senão se acostumar... até ter a oportunidade de escapar daquilo pelo casamento. Tudo isso é mostrado de forma mais implícita, como eu disse, mas está ali para o leitor perceber. 

A relação entre Catherine e Henry é bem fofa, mas até nisso a autora teve que ser única.rsrs Só lendo para vocês entenderem. Gostei demais dos dois juntos e torci muito por seu final feliz. 

A história de alguns personagens não "fechou" como eu gostaria, mas a autora fez de propósito para que nossa imaginação fizesse sua parte. E como não falar da paixão da protagonista pelos livros???? É tão maravilhoso encontrar um personagem que seja leitor! Infelizmente, não aprecio o mesmo gênero literário que ela, mas só o fato de ela ser leitora já me deixou com um sorriso no rosto. E era bem divertido ler sobre as loucuras que a mente dela aprontava influenciada pelos livros lidos.kkkkkk... Ela é bem doidinha!

Enfim... É isto, queridos! Sei que esta resenha não é digna da história, mas fico feliz por passar pelo menos um pouquinho do meu amor pelo livro. Espero que tenham gostado! :)


-> DLL 20: Um livro lançado antes de 2016



14 de abril de 2020

Beleza Impura - Sharon Kendrick

Literatura Inglesa
Título Original: A Tainted Beauty
Tradutora: Angela Monteverde
Editora: Harlequin
Edição de: 2013
Páginas: 183
Série O Dinheiro não Compra Amor - 2/2

19ª leitura de 2020

Sinopse: Ciro D' Angelo queria uma esposa pura como a neve. Ao conhecer Lily Scott, tinha certeza de que ela era a mulher ideal! Porém surpresas surgem na noite de núpcias...


Não sei como começar a falar de tudo o que me tirou do sério neste livro. Ainda não consigo acreditar que realmente li uma "coisa" assim. E nem é possível dizer que o livro é tão "absurdo", com um protagonista extremamente machista, que nos dá asco, por ter sido escrito no século XX ou algum período anterior. Não. O livro é do século XXI. Originalmente publicado em 2012. E tem um dos mocinhos mais escrotos que tive o desprazer de conhecer. E uma mocinha tapada, que ainda considera merecer o tratamento desprezível que recebe dele!!! Faz mais de 24 horas que concluí a leitura, mas sigo furiosa com esta história. Não tem um só personagem que salve este livro! 

Lily é uma jovem de vinte e poucos anos, que pertence à uma família aparentemente com bons recursos financeiros, mas por motivos não totalmente explicados no livro, ela não pôde fazer faculdade e nem teve uma boa educação, se vestindo sempre de maneira bem humilde e um tanto antiquada. Trabalhava desde a adolescência como garçonete (mesmo pertencendo à uma família com dinheiro e certo status) e com o tempo passou a se dedicar a preparar bolos, que eram vendidos no estabelecimento de sua patroa. 

Com a morte de sua mãe, o pai dela (que tudo indica que era amoroso com os dois filhos) voltou a se casar. A madrasta era alguém mais jovem que ele e fazia o tipo "madrasta da Cinderela". Acontece que o pai de Lily faleceu pouco tempo depois do casamento e, ACREDITEM SE QUISEREM, não deixou nada para os dois filhos (????!!!). Tudo foi herdado pela madrasta má: a mansão, todos os objetos de valor (inclusive o colar da mãe da Lily, que valia uma fortuna), ações... Absolutamente tudo. Ele amava os dois filhos, mas inexplicavelmente (isso não é explicado em nenhum momento da história) não se preocupou em deixar nada para eles, considerando a madrasta a única merecedora de herdar os bens. Sendo que o irmão da Lily, ainda por cima, era menor de idade. 

Assim, a pobre Cinderela tem que trabalhar ainda mais para manter o irmão num bom colégio e, de repente, se vê diante da notícia de que sua madrasta má vendeu a mansão de sua família e ela não tem mais onde morar. 

No meio de todos os seus dramas, a mocinha descobre que o comprador é um italiano cheio de si, que ficou "encantado" por ela na primeira vez que a viu e que após convidá-la para jantar acredita que já terá, de primeira, direito ao seu corpo. Sim. Ele a convida para jantar no hotel onde está hospedado, pois queria que ela fosse para a cama com ele logo em seguida. É bem assim mesmo. Não estou inventando. 

Só que Lily não aceita ir para a cama com ele no primeiro encontro e isso é suficiente para Ciro colocar na cabeça que ela era virgem. Sim!!! Só sendo virgem para se recusar a ir para a cama com alguém que ela praticamente não conhecia!!!

Então, ele passa a ver a mocinha como a personificação da "pureza" (ela nunca disse que era virgem. Nunca!) e decide que vai se casar com ela o mais rápido possível, pois não quer que ninguém tire dele o privilégio de ser o primeiro. E aí ele cria todo um ideal em torno da garota. Pensa que ela será a sua esposa "perfeita", tradicional, "do lar", que não trabalhará fora, que será inocente na cama e fora dela, que sempre irá obedecê-lo e, claro, que nunca poderá cortar os cabelos. Ele chega ao cúmulo de fazê-la prometer que jamais cortaria os cabelos, pois não queria que ela fizesse isso. 

E aí temos o casamento relâmpago e a tão desejada noite de núpcias, quando ele percebe que ela não é virgem e faz um show. Fazia tempo que eu não desejava tanto agredir um personagem...

O pior de tudo é a mocinha se sentir culpada por não ser virgem, se sentir culpada por ter frustrado as expectativas dele e aceitar toda a grosseria, os maus-tratos, a canalhice desse verme. Ele chega ao ponto de dizer que ela se vestia como se vestia para enganá-lo (sendo que ela usava aquelas roupas MUITO antes de ele surgir na vida dela) e que "sem roupa" ele a via como ela realmente era. Como assim?!!! De onde esse lixo de personagem saiu?! E mais: diz que depois disso vai se divorciar dela, mas que ela terá que "fingir" um casamento perfeito por seis meses, pois ficaria péssimo para a IMAGEM DELE que o divórcio acontecesse logo depois do casamento. 

E a forma como a Lily tolera tantos absurdos, como fica defendendo as atitudes dele, como o vê como o certo e joga toda a culpa para cima de si mesma... Isso não dá para suportar! Eu senti asco dos dois! 

Quando ela finalmente "acorda" não é convincente e o mocinho não sofre nada por tudo o que fez com ela. O final feliz deles é uma piada. 

Não recomendo! Me arrependi amargamente de ler essa história. 


-> DLL 20: Um livro que comece com a 1ª letra do seu nome 
(meu nome é Bruna, apenas meu pseudônimo é Luna)


10 de fevereiro de 2020

O Amor de Um Duque - Lorraine Heath

Literatura Inglesa
Título Original: When a Duke Loves a Woman
Tradutora: Daniela Rigon
Editora: Harlequin
Edição de: 2019
Páginas: 320
8ª leitura de 2020

Série Sins for all Seasons / Irmãos Trewlove - Livro 2
Sinopse: Gillie Trewlove sabe o valor da bondade de desconhecidos, já que foi abandonada ainda bebê na porta da mulher que a criou. Quando se depara com um homem sendo agredido em sua própria porta — ou melhor, no beco próximo da sua taverna —, ela não hesita em ajudá-lo. Porém, o homem é tão bonito que não pode pertencer a um lugar como Whitechapel, muito menos à cama de Gillie, na qual ele precisa ficar para se recuperar.
O duque de Thornley está tendo um péssimo dia. Ser abandonado no altar é humilhante, ser salvo de bandidos por uma mulher — ainda que uma mulher linda e corajosa — é mais ainda. Após ajudá-lo a se recuperar, Gillie concorda em acompanhá-lo pelas ruas sombrias de Londres em busca da noiva.
No entanto, cada momento juntos os leva ao limite do desejo, e faz o duque repensar sua escolha a respeito do casamento. Gillie sabe que a aristocracia nunca iria aceitar uma duquesa como ela, mas Thorne está disposto a provar que nenhum obstáculo é insuperável diante do amor de um duque.



Vocês também sentem que fevereiro está passando rápido demais?! Hoje já é dia 10 e este é o primeiro livro que consigo terminar de ler no mês. Neste ritmo não vou conseguir ler nem metade do que desejo!rs

"Inclinando-se perto do ouvido dele, ordenou:
- Não se atreva a morrer em meus braços."

Neste segundo volume da série Sins for all Seasons, temos como protagonistas Gillie e Thorne, duas pessoas que não poderiam ser mais diferentes. Abandonada na porta de sua mãe adotiva, conhecida na região por "cuidar" das crianças "rejeitadas" por pais nobres (em outras palavras: crianças bastardas), ela foi criada ao lado de quatro irmãos que possuíam origens tão obscuras quanto as dela e que tiveram que aprender a se defender sozinhos da intolerância e desdém de pessoas que os julgavam por seu nascimento, como se o erro de seus pais na verdade fosse deles, das crianças nascidas de relacionamentos proibidos.

Para agravar a situação, Gillie era mulher, o que representaria um risco para ela naquela região tão pobre e violenta. Por este motivo, sua mãe adotiva sempre a vestiu como menino, escondendo de todos sua condição de menina e ensinando à filha, conforme ela crescia, maneiras de esconder suas curvas e seus seios. Assim, ela se acostumou a sempre estar com os meninos, participando das mesmas brincadeiras e travessuras, bem como fazendo os mesmos trabalhos para ganhar uns trocados. Já adulta, com a ajuda de um de seus irmãos, que tinha conseguido vencer na vida, ela abriu uma taverna e a transformou em muito mais do que isso... Embora seu coração ansiasse por ter filhos um dia, ela sabia que nunca conseguiria confiar o suficiente num homem para isso. Sabia quais eram as consequências de acreditar em promessas. Todos os seus irmãos eram resultados de promessas quebradas. Não podia confiar. Não podia ser mais uma vítima da sedução de um homem. Não se casaria. Não teria filhos. Estava satisfeita com sua decisão. Afinal de contas, nunca se apaixonara. Deste mal ela não sofreria... Ou será que sim?!

27 de setembro de 2019

Um Marido de Faz de Conta - Julia Quinn

Literatura norte-americana
Título Original: The Girl with the Make-Believe Husband
Editora: Arqueiro
Edição de: 2019
Páginas: 304
Série Os Rokesbys - Livro 2

Sinopse: Enquanto você dormia… Depois de perder o pai e ficar sabendo que o irmão Thomas foi ferido durante uma batalha, Cecilia Harcourt tem duas opções: se mudar para a casa de uma tia ou se casar com um vigarista. Para fugir desses destinos, ela cruza o Atlântico, determinada a cuidar do irmão. Após uma semana sem conseguir localizá-lo, ela encontra o melhor amigo dele, Edward Rokesby, inconsciente e precisando desesperadamente de cuidados. Mas, para permanecer a seu lado, Cecilia precisa contar uma pequena mentira... Eu disse a todos que era sua esposa. Quando Edward recobra a consciência, não entende nada. A pancada na cabeça o fez esquecer tudo que aconteceu nos últimos três meses, mas ele certamente se lembraria de ter se casado. Apesar de saber que Cecilia é irmã de Thomas, eles nunca foram apresentados. Mas, já que todo mundo a trata como esposa dele, deve ser verdade. Quem dera fosse verdade… Cecilia coloca o próprio futuro em risco ao se entregar ao homem que ama. Mas, quando a verdade vem à tona, Edward também pode ter algumas surpresas guardadas para a nova Sra. Rokesby.




De agosto para cá eu concluí a leitura de dez livros, mas apenas dois deles foram romances (Volte para Mim, da Paola Aleksandra, e O Conquistador, da Shannon Drake), por isso estava sentindo uma falta enorme das histórias de amor, que sempre marcaram presença nas minhas leituras. Fiquei em dúvida se pegaria uma história mais densa e cheia de altos e baixos ou algo mais suave, do tipo que deixa o nosso coração leve, leve, de bem com o mundo.rs Claro que acabei escolhendo a segunda opção e fui logo na Julia Quinn! Afinal de contas, depois de ter lido um livro de terror eu necessitava com DESESPERO ler algo que me fizesse sorrir e sonhar acordada. 

"E então, bem no meio daquele corredor, ele a tomou nos braços e a beijou." 

Sabe aquela história simples, cheia de clichês, mas que toca seu coração? Este livro é bem assim. Eu chorei. Realmente chorei com as cenas finais, sobretudo após a revelação de um certo segredo. É um livro que demorei para ler, pois estava lendo outros livros simultaneamente, mas mesmo assim a história se cravou em mim e provocou aquela tranquilidade, aquele alívio entre livros que eram mais pesados e me desgastavam. 

Nele temos a história de amor entre Cecilia e Edward, um casal que se conhecia antes mesmo de finalmente se ver pela primeira vez. Por conta da amizade entre Edward e Thomas, irmão da nossa mocinha, e da proximidade entre os dois irmãos, nossos protagonistas passam a trocar cartas, ao longo de vários meses. Não que pudessem escrever diretamente um para o outro, vez que as regras da sociedade precisavam ser seguidas e seria "escandaloso" um homem se corresponder com uma moça que não fosse sua parente. Por este motivo, tudo o que tinha a dizer para Edward, Cecilia escrevia na carta que enviaria para seu irmão e vice-versa. E assim foram se conhecendo... sem imaginar que o que começara como um afeto sem pretensões se transformaria em algo mais... 

15 de maio de 2019

Pecados no Inverno - Lisa Kleypas

Título Original: Devil in Winter
Tradutora: Maria Clara de Biase
Editora: Arqueiro
Edição de: 2016
Páginas: 256
Série As Quatro Estações do Amor - Livro 3
Onde comprar: Amazon


Sinopse: Do quarteto de amigas, Evangeline Jenner é certamente a mais tímida. E se tornará a mais rica quando receber a herança do pai, acamado com tuberculose. Mas Evie não se importa com o dinheiro: tudo o que deseja é estar ao lado do pai nos últimos dias dele. Porém isso só será possível se puder escapar dos tios que a criaram. E, para conseguir a liberdade, sua única alternativa é casar-se - e rápido. Assim, ela foge para a residência do devasso lorde St. Vincent e lhe propõe casamento. Para um aristocrata sem posses, essa é uma excelente proposta. Afinal, é difícil conquistar uma moça rica quando se tem a reputação de Sebastian - trinta segundos a sós com ele arruinariam o bom nome de qualquer donzela. No entanto, há uma condição na proposta de Evie: uma vez consumado o casamento, eles nunca mais dormirão juntos. Ela não será mais uma mulher descartada por ele com o coração partido. Se Sebastian realmente a deseja em sua cama, terá que se esforçar mais na sedução... ou entregar o coração pela primeira vez na vida. Neste terceiro livro da série As Quatro Estações do Amor, Lisa Kleypas nos apresenta o relacionamento de duas pessoas muito diferentes, mas igualmente obstinadas. E dessa relação tão peculiar pode nascer um desejo impossível de conter e um sentimento forte demais para esconder. Quem disse que os cafajestes não podem amar?



Quem acompanha o blog talvez consiga recordar que ao fazer a resenha de Era Uma Vez no Outono eu fui muito clara ao dizer que não tenho tolerância com traição e que, por isso, a leitura dos próximos livros da série seria difícil. Segue abaixo o trecho da minha resenha:

E falando novamente na traição... Quem me conhece sabe: não tenho tolerância alguma com traição. Não perdoo. O que determinado personagem fez ao se unir com certa víbora para prejudicar a Lillian foi demais. Inaceitável. Ele conseguiu me fazer odiá-lo. Porque foi grave. Muito grave. Algo que... [...] será bem difícil para mim. Porque não estou disposta a perdoar o personagem. 

Pois bem. Houve um falecimento na minha família e os últimos dias têm sido bem difíceis, muito tristes. Além disso, existem outras pessoas na minha família que também estão com problemas de saúde, o que tem abalado muito o meu emocional. Portanto, ao pegar para ler Pecados no Inverno eu não tinha nenhuma expectativa e escolhi a história justamente porque não queria que meu estado emocional prejudicasse um livro que fosse bom. Como eu já tinha implicância com esta história, por conta do ocorrido no segundo livro, pouco me importei em odiar o livro. Na verdade, eu queria odiá-lo. Queria vir aqui e falar tudo de ruim sobre o Sebastian, sobre este personagem tão vil e traidor, capaz de fazer o que fez no livro anterior. Eu queria descer a mão nele mesmo.rs Queria acabar com ele na resenha, pois ficaria satisfeita com isso. Mas aí vem a autora e acaba com a minha graça! 

1 de maio de 2019

O Destino Quis Assim - Rosemary Rogers (relido)


Título Original: A Reckless Encounter
Editora: Nova Cultural
Edição de: 2003
Páginas: 315

Sinopse: Célia Sinclair alimentou uma obsessão desde os doze anos: arruinar Lorde Northington, o homem responsável pela morte de sua mãe. Tornou-se uma beldade e, aos vinte e dois anos, auto-suficiente, deixou a América e partiu para Londres, determinada a vingar o ato de violência que destruira sua vida. No entanto, Célia ficou aturdida ao conhecer o homem de quem pretendia vingar-se. Não esperava que fosse o cavalheiro atraente chamado Colter. Ao descobrir que ele era o novo lorde Northington, filho do assassino, ela arquitetou um plano audacioso: vingar-se do pai através do filho. Mas Célia não contava com as forças poderosas do coração...



Quando você não consegue esquecer um livro...

Li esta história pela primeira vez em 2010 e mesmo com o passar dos anos e as centenas de leituras que fiz, não fui capaz de esquecer tudo o que se passou na vida da Célia e sua história com o lorde Northington, filho do homem que destruiu aqueles a quem ela amava... O início do livro é tão forte que é justamente nisso que penso primeiro quando lembro da história. Penso nesse início doloroso e extremamente cruel...

Não será spoiler algum revelar o que se passa nas primeiras páginas do livro, pois é a partir disso que a história realmente começa, tendo o mote/tema a vingança que Célia quer satisfazer contra o homem que lhe tirou tudo, inclusive a inocência da infância, porque depois daquele dia a menina de doze anos que desconhecia por completo a maldade do mundo... nunca mais foi a mesma.

12 de março de 2019

Um Amor Conquistado - Silvia Spadoni

Literatura Nacional
Editora: Pedrazul
Edição de: 2014
Páginas: 208
Trilogia Amores - Livro 1
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Ainda criança, Sophia foi levada para a Inglaterra para fugir da perseguição e do terror impostos pela Revolução Francesa. Com medo de ser descoberta, nunca revelou sua origem nobre, mas manteve viva a esperança de reencontrar sua família. Após o falecimento da madrinha, Sophia se vê obrigada a buscar trabalho para sobreviver e, por isso, se candidata à vaga de preceptora de Louise, a sobrinha órfã do conde de Buckington, um nobre conhecido pela sua frieza e arrogância. Uma brincadeira do acaso e ela se vê diante da possibilidade de voltar à França sob a proteção do nobre inglês e de descobrir o que aconteceu com seus pais. Mesmo avisada sobre os riscos, ela decide seguir em frente, ainda que isso signifique fingir ser a noiva do conde de gelo. Edward é um homem frio e arrogante, disposto a qualquer coisa para vingar-se do francês que destruiu seu irmão, até mesmo embarcar para a França em companhia de uma desconhecida apresentando-a como sua noiva. Ele conhece os riscos da empreitada, só não está preparado para os sentimentos contraditórios que invadem seu coração.



Foram várias as pessoas que me recomendaram esta história. E, durante algum tempo, eu considerei lê-la, colocá-la em minha meta de leitura, mas sem saber ao certo se arriscaria a leitura ou não. Até que, finalmente, criei coragem para começar, ainda mais tendo em vista que é uma história curtinha e, sobretudo, um romance de época, gênero que tanto amo. Todavia, embora tenha apreciado o livro, ele não chegou a me arrebatar. Não me apaixonou. Não mexeu com minhas emoções.

10 de fevereiro de 2019

Uma Dama fora dos Padrões - Julia Quinn

(Título Original: Because of Miss Bridgerton
Tradutora: Viviane Diniz
Editora: Arqueiro
Edição de: 2018)

Os Rokesbys - Livro 1


Às vezes você encontra o amor nos lugares mais inesperados...

Esta não é uma dessas vezes.

Todos esperam que Billie Bridgerton se case com um dos irmãos Rokesbys. As duas famílias são vizinhas há séculos e, quando criança, a levada Billie adorava brincar com Edward e Andrew. Qualquer um deles seria um marido perfeito... algum dia.

Às vezes você se apaixona exatamente pela pessoa que acha que deveria...

Ou não.

Há apenas um irmão Rokesby que Billie simplesmente não suporta: George. Ele até pode ser o mais velho e herdeiro do condado, mas é arrogante e irritante. Billie tem certeza de que ele também não gosta nem um pouco dela, o que é perfeitamente conveniente.

Mas às vezes o destino tem um senso de humor perverso...

Porque quando Billie e George são obrigados a ficar juntos num lugar inusitado, um novo tipo de centelha começa a surgir. E no momento em que esses adversários da vida inteira finalmente se beijam, descobrem que a pessoa que detestam talvez seja a mesma sem a qual não conseguem viver.



Palavras de uma leitora...


- Era para eu ter feito a resenha deste livro, no máximo, na quarta-feira passada. Todavia, meu olho esquerdo resolveu ficar seriamente doente o que tornou impossível concluir a leitura. Entre antibiótico, anti-inflamatório, analgésico e compressas de água morna acabei levando seis dias para ler um livro que teria lido em dois. Sou ou não sou muito sortuda?!rsrs Até infecção no olho consegue surgir em mim! Tudo para atrapalhar minha leitura. Deve ser algum carma.rs

14 de janeiro de 2019

Uma Noite como Esta - Julia Quinn


Anne Wynter pode não ser quem diz que é...

Mas está se saindo muito bem como governanta de três jovenzinhas bem-nascidas. Seu trabalho é bastante desafiador: em uma única semana ela precisa se esconder em um depósito de instrumentos musicais, interpretar uma rainha má em uma peça que pode ser uma tragédia ou, talvez, uma comédia - ninguém sabe ao certo - e cuidar dos ferimentos do irresistível conde de Winstead. Após anos se esquivando de avanços masculinos indesejados, ele é o primeiro homem que a deixa verdadeiramente tentada, e está cada vez mais difícil para ela lembrar que uma governanta não tem o direito de flertar com um nobre. 

Daniel Smythe-Smith pode estar em perigo...

Mas isso não impede o jovem conde de se apaixonar. Quando ele vê uma misteriosa mulher no concerto anual na casa de sua família, promete fazer de tudo para conhecê-la melhor, mesmo que isso signifique passar os dias na companhia de uma menina de 10 anos que pensa que é um unicórnio. 

O problema é que Daniel tem um inimigo que prometeu matá-lo. Mesmo assim, no momento em que vê Anne ser ameaçada, ele não mede esforços para salvá-la e garantir seu final feliz com ela. 



Palavras de uma leitora...


- Eu estou tão encantada com esta história... tão perdidamente apaixonada por tudo no livro que nem sei se conseguirei controlar minhas emoções para escrever uma resenha, no mínimo, coerente.rs Estou muito feliz por ter feito uma aposta tão perfeita. 

Era para estar lendo Vox e O Menino do Pijama Listrado, duas leituras fortes que resolvi enfrentar este mês. E realmente estava lendo ambos os livros, sendo que o segundo já estou quase terminando. Todavia, são leituras que me deixam tão angustiada e à beira das lágrimas o tempo todo que decidi aliviar um pouco as coisas intercalando com um romance de época. A cada capítulo lido dos livros citados eu leria dois capítulos de Uma Noite como Esta.kkkkkk... Acontece que nada saiu como o planejado e no momento em que iniciei a leitura deste livro foi impossível largá-lo.rsrs

"[...] Daniel a fitou do outro lado da mesa e não foi sua beleza que viu. Foi seu coração. Sua alma. E teve a profunda sensação de que sua vida nunca mais seria a mesma."

Era muito bom estar de volta ao seu lar. Por conta de um desafio proposto numa noite de bebedeira e estupidez, Daniel quase assassinara um homem (pior ainda, um amigo), mesmo que tudo não tivesse passado de um acidente. Todavia, era fato que se não estivesse participando de um duelo nada daquilo teria acontecido. Embora Hugh assumisse sua parcela de culpa e não quisesse a cabeça de Daniel como vingança, o mesmo não se poderia dizer de seu pai, que jurara que o mataria, não importava o quanto ele fugisse e se escondesse. Porque o tiro que quase tirou a vida de Hugh o deixou com a perna seriamente lesionada e com dores que provavelmente o acompanhariam pelo resto da vida. Sem outra alternativa para se livrar dos homens contratados pelo pai de seu amigo para matá-lo, Daniel foi embora do país. E viveu por três longos anos fugindo, nunca podendo permanecer por muito tempo em um lugar, pois a sede de vingança daquele homem não tinha fim. Até que, inesperadamente, o amigo foi ao seu encontro, e jurou que ele poderia regressar. Que seu pai desistira da vingança. Poderia ser uma armadilha, é claro, mas Daniel desejava tanto rever sua família, até mesmo suas barulhentas primas, que não parou para pensar em nada. 

Regressou justamente na noite de apresentação do quarteto Smythe-Smith, formado por quatro de suas primas solteiras, mas casadouras, condenadas a se apresentarem (ainda que sem talento) até que se casassem ou morressem, o que viesse primeiro. Mas algo definitivamente estava errado, pois ele tinha certeza que a jovem sentada ao piano não possuía laços de sangue com ele. E graças a Deus por isso, pois no momento em que olhou para ela soube que estava perdido. 

"[...] Esse beijo... Eu o desejo com um fervor que abala a minha alma. Não tenho ideia de por que o desejo, mas foi o que senti no instante em que a vi ao piano, e isso só aumentou desde então."

Ele sabia que seus mundos eram diferentes. Que não deveria ir atrás dela. Que o correto seria deixá-la em paz. Ainda que ela talvez pertencesse a uma boa família era governanta na casa de sua tia, enquanto ele era um conde, destinado a fazer um bom casamento. Mas que importância tudo aquilo poderia ter diante dos sentimentos que o invadiam quando a olhava, quando escutava o seu riso, quando sentia a sua respiração? A queria mais que tudo. Não importava o destino, o futuro, nem o que se escondia no passado dela... que Anne lutava com tanto afinco para manter oculto. Fosse o que fosse... eles poderiam superar. Ou não?

"Mas ele a conhecia. Não conhecia o passado dela, nem seus segredos, mas a conhecia."

- Eu optei por não revelar nada sobre o passado da Anne, pois me pareceu que seria spoiler, já que a autora demora um certo tempo para soltar todas as informações. Então, era para fazer suspense e não posso estragar isso.rs Mas posso dizer que esta leitura não foi tão leve quanto eu imaginava que seria, já que o que se esconde no passado da nossa querida mocinha é algo capaz de nos provocar revolta e vontade de matar certas personagens. Só que como temos um mocinho tão apaixonante e disposto a tudo pela mulher amada acabamos por perceber que o passado não importava mais, por mais doloroso que tenha sido, e que o destino, de uma forma ou de outra, a tinha empurrado na direção dele. Do meu amado Daniel. 

"Mas ela balançou a cabeça quase violentamente e um estranho choro engasgado escapou de sua garganta. 
E quase partiu o coração de Daniel ao meio."

- Daniel e Anne me conquistaram desde o início, com seu humor tão natural, com os olhares que trocavam, por mais que ela fizesse um enorme esforço para recordar todos os motivos pelos quais não poderia se envolver com ele. A ternura e a cumplicidade que havia entre os dois, os momentos em que brincavam com as crianças das quais a Anne cuidava (e eram primas dele), como se eles próprios voltassem a ser crianças nesses momentos... os beijos tão apaixonantes e que pareciam dizer mais do que as palavras conseguiriam. A forma como ele nunca se sentiu superior ou quis se aproveitar da condição dela. Como a protegia e provocava... Como a amava antes mesmo de descobrir que o que sentia era amor. Tudo foi gradual e ao mesmo tempo intenso. Não amá-los era impossível. Os dois roubaram o meu coração. 

"Era aquilo que significava o amor? Sofrer mais pela dor de outra pessoa do que pela nossa?"

- A participação de personagens secundários também foi importante na história, principalmente do Hugh e das crianças. O Hugh me encantou com sua personalidade um tanto reservada e louca (sim, as duas coisas) e fiquei torcendo para que ele tivesse sua própria história na série, por isso saí correndo para olhar a estante e ver se o personagem aparecia como mocinho no livro três. Dito e certo! :D Ele é o protagonista de A Soma de Todos os Beijos e estou mais do ansiosa para mergulhar em sua história. Ele será o par romântico da Sarah, prima do Daniel, e até sinto um pouco de pena dele.kkkkk... É que acho a Sarah um tanto fria e penso que o Hugh terá muitos problemas com ela.rs Será que ele sobreviverá?!rs

Já entre as crianças eu preciso destacar as participações de Harriet e Frances. A primeira é uma menina que decidiu que seria dramaturga e escreve histórias hilárias.rsrs Foram muitos momentos de riso com as histórias dela.rs Já a pequena Frances conquistou por completo o meu coração com seu amor pela Anne. E ela vai ser essencial neste livro. Sem ela as coisas seriam muito mais complicadas. A autora bem que poderia escrever a sua história. :)

"Ela estava com a respiração ofegante, obviamente assustada, mas ainda assim, quando os olhares dos dois se encontraram...
Eu amo você.
Foi como se ela tivesse dito as palavras em voz alta."

- Este livro é perfeito para os apaixonados por uma bela história de amor. No momento que começamos a lê-lo é impossível parar. Esquecemos de comer, de dormir, de fazer qualquer outra coisa que não seja mergulhar por completo na história. O teto poderia desabar sobre nossas cabeças que nem perceberíamos.rsrs Recomendo MUITO! Não irão se arrepender. 


Quarteto Smythe-Smith

2- Uma Noite como Esta
3- A Soma de todos os Beijos
4- Os Mistérios de Sir Richard



Esta foi minha escolha para a categoria ler um romance de época de um autor best-seller, do Desafio Romance de Época, criado pela blogueira do Livros Encantos. 

29 de dezembro de 2018

Mais Forte que o Sol - Julia Quinn

(Título Original: Brighter than the sun
Tradutora: Viviane Diniz
Editora: Arqueiro
Edição de: 2018)


Irmãs Lyndon - Livro 2


Quando Charles Wycombe, o irresistível conde de Billington, cai de uma árvore – literalmente aos pés de Elllie Lyndon –, nenhum dos dois suspeita que esse encontro atrapalhado possa acabar em casamento.

Mas o conde precisa se casar antes de completar 30 anos, do contrário perderá sua fortuna. Ellie, por sua vez, tem que arranjar um marido ou a noiva intrometida e detestável de seu pai escolherá qualquer um para ela. Por isso o moço alto, bonito e galanteador que surge aparentemente do nada em sua vida parece ter caído do céu.

Charles e Ellie se entregam, então, a um casamento de conveniência, ela determinada a manter a independência e ele a continuar, na prática, como um homem solteiro.

No entanto, a química entre os dois é avassaladora e, enquanto um beijo leva a outro, a dupla improvável descobre que seu casamento não foi tão inconveniente assim, afinal...




Palavras de uma leitora...



- Este foi o mês dos romances de época aqui no blog.rsrs E não foi intencional. Era livro de parceria, livro atrasado do desafio de novembro, livro escolhido para um desafio de dezembro... Enfim... Não tinha como evitar. Mas é óbvio que fiquei bem feliz, certo?rs É um dos meus gêneros preferidos. 

E depois de me encantar tanto com as histórias da Deborah Simmons bateu uma vontade louca de ler outro romance de época. Isso quando eu estava lendo A Utopia, de Thomas More (um clássico com linguagem um tanto difícil) e Harry Potter e o Cálice de Fogo (envolvente, mas longe de ser uma história de amor romântico, claro. É um infantojuvenil). Cheguei a comentar com as meninas no grupo de leitura que eu estava planejando largar tudo e ler o livro que eu queria ler. E foi exatamente o que fiz. :)

- Se você acompanha o blog certamente sabe que em março eu publiquei a resenha de Mais Lindo que a Lua, livro da minha diva Julia Quinn que passou na frente de várias de suas outras histórias, pois o povo estava massacrando tanto o livro (era uma chuva de resenhas negativas) que me vi na obrigação de ler a história e saber que diabos acontecia de tão ruim para o livro ser tão desprezado. Eu terminei a leitura me sentindo no paraíso.kkkkkk... A história é maravilhosa e o casal muito envolvente, ao ponto de se tornar uma das minhas histórias preferidas da autora (em pé de igualdade com Um Perfeito Cavalheiro) e uma das melhores leituras deste ano. Não fui capaz de enxergar o que tinha de tão errado no protagonista para despertar tanto enojo. Tentei encontrar o motivo, mas não foi possível.rs E só em mencionar o livro já morro de vontade de relê-lo. Uma delícia de história! 

E aí o que me aconteceu?! Mais Forte que o Sol foi lançado! Eu pensei: quero, quero, QUERO! Necessito. Desesperadamente. E ganhei de presente. Só que veio o balde de água fria: resenhas extremamente positivas, comparando ambos os livros e colocando o outro (que eu amei) num patamar tal de inferioridade que eu senti tanta, mas tanta raiva que tive vontade de arremessar Mais Forte que o Sol pela janela, pois voltei toda minha revolta contra o livro.kkkkkkk.. E decidi que seria impossível lê-lo naquele momento, quando minha raiva ainda era tão forte. Seria necessário deixar o tempo passar e resolver todas as coisas no meu interior.kkkkkkkkkk... Sim, sou exagerada assim!rs

- A história entre o casal se inicia de uma forma um tanto inusitada. Afinal de contas, tudo o que Ellie menos esperava era que um homem caísse do céu, ou mais precisamente de uma árvore, em cima do seu pé. Coisas assim não aconteciam todos os dias (felizmente) e ela não estava lá com muita paciência para cuidar de um desconhecido ferido e visivelmente bêbado. Sobretudo porque o arrogante, mesmo naquelas condições, insistia em tirá-la do sério e testar seu potencial de boa samaritana. 

"- Suas presas estão à mostra, Srta. Lyndon.
- Estão? [...] Tenho que me lembrar de escondê-las."

Após a troca esperada de farpas, Ellie decide conduzir Charles em segurança até a cidade, mas acaba ficando em choque quando, além de tentar beijá-la, o embriagado decide pedi-la em casamento. O que parecia uma brincadeira de mau gosto se mostra um pedido real e descabido quando Charles lhe confessa seus motivos para estar naquelas condições e desejar tanto uma esposa. O pai, com o qual ele não se dava bem, decidiu que se ele não se casasse até os 30 anos (e permanecesse casado) perderia toda sua herança. Ficaria apenas com o título de conde e a propriedade vinculada ao título. O dinheiro todo ficaria para seu primo, o que o deixaria na completa miséria. E seu trigésimo aniversário aconteceria dali a quinze dias. 

" - É estranho, mas sinto um desejo avassalador de beijá-la. 
Pela primeira vez desde a queda do conde, Ellie ficou sem fala. 
Charles mordia, pensativo, o lábio inferior. 
- Acho que é o que vou fazer."

Desnorteada com o rumo que as coisas tomaram, Ellie pede a ele um tempo para pensar, já adiantando que a possibilidade de que a resposta fosse "não" era grande. Não o conhecia. E nada no mundo poderia fazê-la se casar com alguém com quem tinha trocado apenas poucas palavras (a maioria aos berros)... a não ser sua nova e insuportável madrasta. 

Desde que a irmã saíra de casa, oito anos antes (após os acontecimentos do primeiro livro), Ellie ficara responsável pelos afazeres domésticos e o cuidado com o pai. Além disso, também ajudava na limpeza da Igreja e acreditava que assim estava pagando pelo seu sustento. Só que a noiva de seu pai pensava de maneira diferente e deixara mais do que claro que a situação de Ellie seria insuportável naquele lugar se ela não tomasse juízo e se casasse, com quem quer que fosse, e saísse dali. Após uma discussão exaltada com a mulher, ela percebeu que realmente não era possível mais continuar naquela casa. E o que faria sem emprego ou qualquer perspectiva? Se casar com algum dos escolhidos pela madrasta estava fora de questão. É claro que ela tinha uma saída temporária... poderia resgatar o dinheiro que juntara no banco e se manter por alguns meses até sua irmã Victoria voltar de viagem e ajudá-la a conseguir um emprego, usando de sua influência como condessa. Acontece que todo o dinheiro que guardara o fizera em nome do pai e agora só poderia tê-lo de volta se o mesmo assinasse um documento com a autorização, com a assinatura também de uma testemunha. Algo impossível. 

Assim, sem alternativa, ela vai até a residência do Charles disposta a considerar sua proposta, desde que fosse conforme os seus próprios termos. Poucos dias depois, ela já não era mais a senhorita Lyndon, mas sim a condessa Eleanor Wycombe. Esposa de Charles. Um desconhecido. Alguém que a irritava e divertia na mesma medida. Alguém cujos beijos a faziam perder a noção de tudo, mas para quem ainda não se atrevia a se entregar. Era sua esposa no papel. E em todos os outros aspectos, menos na cama. 

Com a convivência eles teriam a oportunidade de se conhecer e construir um relacionamento se não baseado no amor, pelo menos na amizade. Todavia, incêndios, envenenamentos e tentativas de assassinato podem tornar as coisas um tanto... complicadas. 

"- Você não sabe ser uma esposa. 
- Sou esposa há apenas um dia - resmungou ela. - O que esperava?"

- Ao iniciar a leitura deste livro eu já estava em paz com ele. E foi uma leitura tão prazerosa que em menos de vinte e quatro eu já tinha terminado, com um sorriso bobo no rosto e suspirando aqui encantada com o romance leve e divertido que se desenvolve entre o casal. É realmente um livro muito fofo, mais voltado para uma comédia romântica, que nos faz gargalhar em alguns momentos e sorrir até o final da história. Todavia, ele é apenas isso. Um romance divertido. Então, já adianto que não existiria maneira de eu considerar Mais Forte que o Sol superior ao primeiro livro da duologia. Sem chance. Ainda mais porque ele não consegue ser superior a nenhum outro livro que li da autora. O que não significa que ele é ruim. Nada disso. É apaixonante! Só não tem o "algo a mais". Quando percebi isso confesso que o ressentimento voltou. Não por conta do livro, mas por colocarem uma história que tinha tantas coisas superiores a esta numa posição inferior. Isso me dá um nervoso, não adianta eu negar.rs Eu sei que gosto é algo muito pessoal, mas meu coração não entende muito de razão.rs

Mas se é para comparar, então que tal compararmos?rs Começando pela questão da profundidade. Cada diálogo trocado entre o casal deste livro aqui é baseado na comédia. Eles não sabem conversar de maneira séria sobre nada. Tudo é piada. O que é realmente divertido, pois são diálogos inteligentes, mas carentes de profundidade. Enquanto isso no primeiro livro da duologia muitos dos assuntos tratados e das brigas eram sérias. Se eles pretendiam tratar com ironia era daquela forma ferina, capaz realmente de atingir. Não ficavam levando tudo na brincadeira. 

Segundo ponto: o casal deste livro aqui tem a mania de gritar o tempo todo. Sim. É o tempo inteiro vendo motivos para gritar. E isso me cansava um pouco, confesso. Não estraga a leitura. Não mesmo! Mas quando você nota que tudo é motivo de grito fica com vontade de sacudi-los para ver se se comportam como adultos. 

Terceiro ponto: casamento por conveniência é um dos meus temas preferidos e foi delicioso ler isto neste livro. Mas se estou comparando as duas histórias não posso deixar de pensar numa grande injustiça. Ellie se casou com Charles, um desconhecido, numa questão de poucos dias. E ninguém questionou isso. A madrasta dela ficou feliz (afinal era um conde) e o pai dela ficou emocionado, querendo até fazer o casamento dos dois. Ressalto: Charles era um desconhecido. Sabiam quem ele era de nome? Claro! Mas nunca o caminho deles tinha se cruzado. Bem diferente do que se passa no primeiro livro já que Robert além de também ser conde era conhecido no local. E seu relacionamento com a Victoria já levava meses. Mesmo assim o pai dela ficou furioso, se negou a autorizar o envolvimento dela com ele e chegou a agredi-la e amarrá-la para impedi-la de ir ao encontro do Robert. Não é desproporcional? A Victoria comeu o pão que o diabo amassou, foi embora de casa e se sujeitou a trabalhos humilhantes porque seu pai a impediu de casar com o homem que ela amava e tanto tentou que os separou, fazendo com que o Robert a odiasse. Mas Ellie se casar com um desconhecido era perfeitamente aceitável e bastou UMA conversa com o homem para ele perceber que era a pessoa ideal para sua filha, que tinham mesmo que se casar tão rápido assim. Isso fez eu perceber a diferença no tratamento dado às duas filhas. E não cola a desculpa dele de que o que fez com a Victoria o fez aprender alguma coisa. Porque Ellie se casou numa questão de dias! Parece que todas as exigências do pai só eram voltadas para a Victoria. Isso só fez meu coração doer mais pela minha querida mocinha. O tanto que ela sofreu por causa do desgraçado do pai! 

- No entanto, nenhum dos pontos que ressaltei impedem Mais Forte que o Sol de ser um livro lindo. Só fiz a comparação porque depois de tantas comparações negativas feitas em outras resenhas, Mais Lindo que a Lua merecia que eu deixasse claro meus motivos para saber que ele é superior ao segundo livro da série. E isso porque nem mencionei que Ellie não tinha reais motivos para mergulhar naquele casamento tão repentino. Victoria voltaria de viagem em poucos meses. E tudo se resolveria para ela. Não precisava ficar presa a vida inteira a um casamento "indesejado" se a sua irmã estava prestes a voltar e seus problemas poderiam ser resolvidos em pouquíssimos meses. 

"- Amo você. 
- Também amo você. Agora saia antes que eu atire algo na sua cabeça."

- Dei 4 estrelas ao livro porque ele realmente me encantou. Foi uma leitura deliciosa, que me proporcionou a tranquilidade que eu precisava. E posso dizer sim que amei. E que a Ellie e o Charles formam um casal lindo juntos e o epílogo nos deixa com aquele gostinho de quero mais. Sem mencionar a participação especial da pequena Judith, prima de seis aninhos do Charles, que mora na mesma casa (juntamente com a mãe e a irmã mais velha, que foram acolhidas pelo mocinho quando estavam desamparadas) e é responsável por cenas cheias de ternura. Ela é muito fofa! Dava vontade de entrar no livro e abraçá-la! Gostaria muito de ler a história dela. Que a autora mantivesse a essência da personagem e criasse um livro todo seu. Ela roubou meu coração. :)
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