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24 de janeiro de 2020

O Sorriso da Hiena - Gustavo Ávila

Literatura Brasileira
Editora: Verus
Edição de: 2017
Páginas: 266

5ª leitura de 2020

Sinopse: É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?
Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitado psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém a proposta, feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é um homem cruel por ter testemunhado o brutal assassinato de seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a sua, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma no crescimento delas. Mas até onde William será capaz de ir para atingir seus objetivos? Em O sorriso da hiena, Gustavo Ávila cria uma trama complexa de suspense e jogos psicológicos, em uma história que vai manter o leitor fisgado até a última página enquanto acompanha o detetive Artur Veiga nas investigações para desvendar essa série de crimes que está aterrorizando a cidade.



Quando comecei a leitura deste livro não sabia bem o que esperar. Sabia, é claro, que se tratava de um suspense psicológico e este foi o meu principal motivo para apostar nele. Todavia, não sabia muito mais do que o que estava escrito na sinopse. Não imaginava que seria um livro tão brutal, que já começa com uma cena apavorante, que me fez perder o fôlego, em choque. 

"Era impossível distinguir o motivo do brilho nos olhos atrás da máscara. Havia, ao mesmo tempo, algo de vivo e de morto em seu jeito de olhar."

Um assassino extremamente sádico está destruindo famílias e traumatizando profundamente crianças de apenas oito anos, mas para ele tudo faz parte de um viciante jogo. Ele tem um plano. Nada foi feito por acaso e para conseguir atingir o seu objetivo final só precisaria de cinco crianças com o coração e a mente destroçados e um psicólogo disposto a fazer qualquer coisa "por um bem maior", até mesmo tornar-se cúmplice de um psicopata... ou não?

Marcelo, a primeira vítima, era apenas um menino de oito anos que tinha uma infância complicada por conta do pai agressivo e da mãe negligente, mas nunca imaginou passar por um pesadelo tão grande como o de estar amarrado e amordaçado enquanto um monstro mascarado cometia as piores crueldades contra as duas pessoas que ele mais amava na vida. E então o homem mau se foi... levando tudo... Deixando apenas o silêncio e uma dor confusa, pois não conseguia entender como podia existir pessoas tão malvadas, capazes de machucar quem não lhes tinha feito mal algum. Então, a polícia, que não fazia ideia de onde o assassino escondera os corpos dos pais do menino, decidiu que precisava que o menino traumatizado falasse e para isso nada melhor que encaminhá-lo para a terapia com o brilhante psicólogo infantil William, tão famoso no meio acadêmico, cujo maior sonho na vida é conseguir realmente ser capaz de ajudar os outros, mesmo que para isso precise seguir caminhos um tanto tortuosos. 

"Basta a vida tocar no lugar certo para despertar o pior em qualquer pessoa."

Ao receber o primeiro e-mail do assassino, ele sentiu como se alguém no mundo finalmente o entendesse e isso era assustador. Pior que isso era considerar a proposta do psicopata... O que ele se tornaria se aceitasse aquele acordo? Fosse qual fosse sua resposta, o monstro por traz daqueles e-mails seguiria matando. Mas se William aceitasse a proposta poderia tirar algum bem de todo aquele mal, como seu antigo professor dizia: "Não é errado usar uma coisa ruim pra fazer algo bom." Mas seriam os seus motivos tão altruístas assim, ou no fundo era mais parecido com o assassino do que suportaria admitir? 

Em meio aos assassinatos brutais cometidos por David e os dilemas morais de William, o detetive Artur Veiga tenta montar esse complexo quebra-cabeça e capturar o assassino que parece estar sempre um passo a frente da polícia.

"Um monstro assim pode estar em qualquer lugar."

Este é um livro que me causou grande angústia, pois, embora eu seja fã de suspenses psicológicos, não gosto quando há crianças no meio (motivo pelo qual até hoje não consegui ler o famoso "Quarto", mesmo tendo o livro há algum tempo). Se é difícil quando as vítimas são pessoas adultas, é insuportável quando elas são crianças. E aqui neste livro são meninos e meninas de apenas oito anos, que veem seus pais serem brutalmente assassinados e depois ainda precisam suportar assistir o assassino levar seus corpos para longe, enquanto ficam largados na cena do crime, esperando que alguém perceba que há algo errado e chame ajuda. São crianças que ficam quebradas pelo resto da vida, cuja lembrança daqueles momentos de horror nunca irá se apagar. Eu literalmente tremia só de imaginar o pesadelo que elas viveram, a dor insuportável de ver a vida se esvair do corpo daqueles que elas mais amavam: seus pais, seu porto seguro. Uma pessoa capaz de fazer isso com uma criança merece uma morte lenta e dolorosa... depois de passar muitos e muitos anos apodrecendo na cadeia!

"Você consegue entender por que eu estou fazendo isso? [...] Alguém entenderia?"

O psicopata desta história, como a sinopse bem diz, um dia foi uma vítima. Nós já começamos a leitura com a cena da morte terrível dos pais dele, executados diante dos seus olhos. É uma cena muito dolorosa e é preciso fechar o livro por alguns instantes e respirar fundo antes de continuar. Eu entendo que ele passou por uma dor insuportável, não consigo nem imaginar como foi difícil para ele crescer e seguir em frente. Um pesadelo como esse é impossível de superar, claro que entendo isso e sinto muitíssimo pela criança que ele foi, por tudo o que aquele monstro arrancou dele. Mas nada no mundo justifica o que ele fez com aquelas famílias inocentes... repetindo com outros o que fizeram com ele. Simplesmente se tornou tão demoníaco quanto o monstro que matou seus pais. Na verdade, se tornou alguém pior que ele... e David (o assassino) bem sabia disso. Mas precisava matar... não sentia prazer, mas necessidade. Principalmente depois que descobriu que poderia testar sua teoria. Queria descobrir se era um assassino por causa do trauma que sofreu ou se já nascera um monstro, se sua maldade era de nascença ou resultado da crueldade de outra pessoa. E nada melhor que observar o efeito da sua maldade naquelas crianças... enquanto acompanhasse o crescimento delas, depois da perda brutal dos pais. Não há dúvidas de que David não era apenas um ser humano profundamente cruel, incapaz de empatia, de sentir piedade. Ele também era muito doente, de uma forma assustadora. E conseguia se passar pela pessoa mais normal do mundo, o que acaba nos fazendo olhar ao nosso redor com mais atenção e... medo. 

"- Ainda há um coração batendo aí, sr. William. Não deixe ele endurecer, senão o senhor não vai poder ajudar ninguém."

Não há muito o que eu possa falar sobre o William sem dar spoilers. Apenas que meu sangue ferve quando penso neste personagem e a vontade de... Respira fundo, Luna! Paro por aqui, pois realmente correria o risco de dar muitos spoilers se falasse mais alguma coisa sobre o indivíduo. 

Já o detetive Artur Veiga... Ele é um homem que tem síndrome de Asperger e por conta disso possui dificuldades para interagir com outras pessoas, ser "sociável". Assim, é uma pessoa muito sincera (o que não é sempre uma boa coisa.rs), que fala o que pensa e entende tudo de maneira literal, para irritação de alguns de seus colegas, que são obrigados a suportar seu jeito duro e direto, já que ele é um dos melhores detetives do local. Embora seja brilhante, não é bom em lidar com as vítimas, preferindo se concentrar em solucionar os homicídios, já que para os sobreviventes traumatizados existiam os médicos. Seu papel, portanto, era pegar os criminosos. Não valia a pena esperar sensibilidade da parte dele, mesmo quando os sobreviventes eram crianças. Confesso que o jeito insensível dele me incomodou durante algum tempo, já que eu própria sou sensível, emotiva e não lido bem com pessoas frias. Mas ao longo da leitura eu passei a sentir uma espécie de carinho pelo personagem, pois sua inteligência, sua atenção aos detalhes e dedicação para solucionar o caso me impressionaram. Percebi que mais que demonstrar sentimentos, o importante para ele era parar o assassino antes que mais vítimas fossem feitas. E ao ver outras pessoas supostamente "sensíveis" provocarem mais estragos do que a insensibilidade dele seria capaz de causar, ele acabou se tornando o meu personagem preferido da história. Às vezes as pessoas que demonstram menos sentimentos são as que mais se importam, não é verdade? E aquelas que parecem tão boas... são verdadeiros demônios em pele de cordeiro. Não é algo que acontece só nos livros, infelizmente. 

"A vida simplesmente acertou o martelo no nervo certo, e o chute pegou o que estava pela frente."

Nem sei dizer o que neste livro causa mais frustração e sofrimento, se o fato do assassino parecer estar sempre em vantagem, conseguindo o que quer, ou a maneira como essas crianças e outras pessoas na história foram traídas. Como eu disse, é difícil falar de certas coisas sem dar spoiler e não quero estragar a leitura de ninguém. Por isso, não dá para explicar como certas cenas me revoltaram, como eu quis acabar pessoalmente com a vida de certos personagens. Enfim... Esta história mexeu muito comigo. Principalmente porque monstros como os presentes neste livro existem aos montes por aí. 

Gostei muito da escrita do autor e a maneira como ele explorou o psicológico de seus personagens, nos fazendo refletir sobre certas coisas e como todos nós somos capazes de tudo. A linha entre o certo e o errado nem sempre é tão óbvia e às vezes acaba sendo bem frágil, quase inexistente. A mente humana é complexa e pessoas boas podem sim se transformar naquilo que elas mais temem ou desprezam. 

O final deste livro foi simplesmente... Nossa! Vi poucos livros com um final tão perfeito, tão fechado e inesperado. Realmente não imaginava que fosse terminar assim! 

Quero ler outros livros do autor, mas precisarei de um tempo. Meu emocional não aguenta ler com frequência livros tão pesados assim. 



-> DLL 20: Um livro de autor brasileiro


5 de julho de 2019

O Amante da Princesa - Larissa Siriani

Literatura Nacional
Editora: Verus
Edição de: 2018
Páginas: 224
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Maria Amélia de Bragança é princesa do Brasil, prometida a Maximiliano Habsburgo, arquiduque da Áustria. Mas não há nada que ela deseje menos do que esse casamento: como alguém pode querer que ela se case com um homem que nem sequer conhece? O que Amélia não esperava é que seu noivo chegasse ao Palácio das Janelas Verdes, em Lisboa, acompanhado do amigo Klaus Brachmann, um homem charmoso e experiente que se sente compelido a seduzir a princesa apenas pelo prazer da conquista. Uma viagem inesperada que Maximiliano precisa fazer se mostra a oportunidade perfeita para que Klaus ensine uma coisinha ou outra a Amélia entre quatro paredes... E, conforme o jogo avança, a possibilidade de casamento se torna cada vez mais remota para a princesa, que agora precisa proteger seu coração a todo custo.

É madrugada do dia 03/07 e mesmo sabendo que só irei publicar esta resenha no dia 05, resolvi começá-la no papel mesmo, pois não estava com vontade de ligar o computador.rs

O Amante da Princesa foi minha última leitura do mês passado e eu estava decidindo ainda se faria esta resenha ou não. Originalmente, dei 2 estrelas ao livro. Todavia, isto não é definitivo. Como assim, Luna? Quem me conhece sabe que organizo meus sentimentos por uma história no momento em que faço a resenha. E já aconteceu de eu reavaliar um livro após concluir a resenha.kkkkk... Sim, sou doida a este ponto. 

No grupo Literatura de Época (no Facebook), bem como num grupo no WhatsApp, eu partilhei meus receios e falei da minha antipatia pelo livro (antes de ler). Tinha implicância sim, admito. Muita. Porque sou apaixonada por História e quando percebi que a autora teve a "ousadia" de pegar a trágica história de amor da princesa Maria Amélia e seu noivo Maximiliano, para transformar em algo bem diferente, eu senti muita raiva. Com tantos nobres por aí que realmente se casaram por conveniência e tiveram amantes, por que mexer justamente na história dessa menina que, contra os costumes da época, amava o homem com o qual iria se casar? Por que perturbar a história de amor deles quando a vida já tinha tratado de condená-los? Eu fiquei realmente muito aborrecida e mais do que disposta a detestar o livro. A história de Maria Amélia e Maximiliano era bonita e trágica e ninguém deveria pegá-la para desconstruir tudo como a autora se atrevera a fazer. 

21 de outubro de 2018

Senhorita Aurora - Babi A. Sette

(Editora: Verus
Edição de: 2018)

Nicole é uma jovem bailarina e está prestes a realizar seu sonho: estrear no papel principal em uma peça na Companhia de Ballet de Londres. Tudo estaria perfeito se não fosse pela presença de um dos seus diretores, o temido Daniel Hunter, um maestro prodígio de temperamento difícil, com um humor sombrio e que desperta em Nicole sentimentos contraditórios. 

Quando uma tempestade de neve isola os dois em uma mansão centenária, Nicole e Daniel serão obrigados a encarar não apenas os segredos que atormentam o maestro, mas também uma paixão proibida - e avassaladora - que nasce entre eles. 

Entre a tão sonhada carreira na dança, um amor intenso como ela nunca sentiu e a própria segurança, Nicole se verá diante de escolhas que parecem impossíveis. E caberá a ela resgatar Daniel de seu próprio passado...

Senhorita Aurora é um romance poderoso, tocante e perturbador, que mostra que todos merecem uma segunda chance, até mesmo alguém com fama de monstro.



Palavras de uma leitora...



- Querem a verdade? Pois a verdade é que acho que não conseguirei escrever esta resenha. Ainda estou chorando. Meus olhos estão embaçados e mal dá para enxergar o que escrevo. 

Vocês sabem que odiei profundamente A Promessa da Rosa (e, gente, isso não é spoiler!) e que amei com todo o meu coração O Despertar do Lírio. Assim era minha relação com as histórias da Babi: ódio por uma, amor intenso por outra. E várias pessoas recomendaram que eu lesse Senhorita Aurora. Que era uma história muito diferente das outras duas. Mas aquelas que me recomendaram de maneira mais significativa foram a Flaveth (quem me deu spoiler do segredo do Daniel após eu implorar!kkkkkkkk...) e a Vanessa, que já tinha me recomendado as outras duas histórias que li da autora. E elas me convenceram.kkkkkk... Eu comprei o livro cheia de expectativas e medo também, confesso. E agradeço tanto! Elas me proporcionaram uma leitura maravilhosa, daquele tipo que nos arrebata, que nos envolve por inteiro e nos faz viver com os personagens, sentir absolutamente tudo como se fosse conosco. Em nossa carne, em nosso coração. Meninas, não poderia deixar de lhes agradecer por uma recomendação tão importante! Este livro me transformou. Mudou a forma como eu via muitas coisas. E assim vai ser realmente bem difícil escrever, pois não paro de chorar.kkkkkk Não são lágrimas de tristeza. São daquela emoção boa, sabe? Quando um livro toca um ponto dentro de nós que não sabemos nos expressar de outra forma que não seja através das lágrimas... que tanto falam, que tanto revelam.

- Não pretendo escrever muito para que possam ler a resenha até o fim.rs Quero que vocês sintam a vontade de apostar nesta história. Quero que desejem largar tudo e mergulhar nela. 

Ouço as músicas na minha mente. Vejo os passos de dança, vejo os sorrisos, as lágrimas deles, os abraços nos momentos que mais necessitavam sentir um ao outro, saber que poderiam enfrentar qualquer coisa juntos. Vejo o Daniel sentado em frente ao piano, tocando... e consigo ouvir. E relembrar o quanto aquele momento foi significativo para os dois. Não consigo não me emocionar. 

"Enquanto eu danço, estou em um mundo onde não existem problemas."

Nicole era uma jovem de vinte anos que lutou muito para chegar onde estava: como parte do corpo de balé da Companhia de Ballet de Londres. Quem não conhecesse sua história poderia pensar que foi fácil, que ela provavelmente contara com privilégios, com todo o dinheiro e as oportunidades necessárias. Mas não. Nada foi assim. Sua mãe teve que passar muitas noites em claro, costurando para fora, para que sua filha pudesse realizar aquele sonho. Para que pudesse estudar balé e ultrapassar os obstáculos que insistiram em aparecer. Ser uma das poucas selecionadas foi uma vitória não só para ela, mas também para sua mãe, que jamais tinha deixado de acreditar. Então, pela primeira vez, ela saiu do Brasil para conquistar um mundo de possibilidades que se apresentava. Para ser a protagonista de sua própria história. E nem mesmo o medo do desconhecido a fez hesitar. Conseguiria. Ela só precisava manter a força e a esperança que a impulsionaram ao longo de todos aqueles anos. 

Embora já fosse parte do grupo profissional há dois anos, a maior oportunidade de sua vida surgia com os testes para o papel de Aurora no balé A Bela Adormecida. Seria uma apresentação incrível, de comemoração pelo aniversário do teatro e ela desejava aquele papel mais do que qualquer coisa. Muitas pessoas têm sonhos, uns maiores que outros. Nicole tinha apenas um: dançar sempre. Ser a bailarina que sempre desejou, o anjo da sua mãe. O balé não era simplesmente uma profissão, era toda sua vida. Quando dançava... tudo deixava de existir. Sobre o palco desnudava sua alma. 

"Você dança com o coração e a alma. Isso nenhuma escola, por melhor que seja, pode ensinar. Você nasceu bailarina."

Todavia, ao caminhar para a etapa final que decidiria quem ficaria com o papel de Aurora ela não poderia imaginar como sua vida se transformaria nos próximos meses. Tudo o que se passaria... E como um homem aparentemente insensível e distante a faria compreender que o balé poderia ser parte de sua vida, mas que seu coração queria mais. Queria amar

Seu caminho havia se cruzado com o dele três anos antes, dentro do avião que a levava para longe de casa. Como saber? Que aquele homem arrogante, o mais grosseiro que já conhecera, apareceria novamente em sua vida? Não só como o maestro que regeria o balé para o qual se preparava, mas sobretudo como aquele que a faria descobrir o amor. Daniel era um enigma. Seu comportamento era como muros de defesa contra os outros. Fazendo com que as pessoas o desprezassem. E embora em vários momentos ela até tenha desejado matá-lo algo acontecia quando estavam no mesmo ambiente. Algo que não saberia explicar. E tudo muda e atinge um ponto sem retorno quando ela o escuta... naquele dia... na frente do piano. Ali... naquele instante... ela soube que não voltaria atrás. 

"Alguns segundos mudam o rumo de uma existência inteira."

- Será que existe alguma coerência nesta resenha? Não sei. Estou tentando, gente. Tentando muito colocar em palavras o que sinto. Mas está tão difícil! Eu não consigo controlar a emoção. Simplesmente não posso. Desculpe. 

Bem... Conforme fui conhecendo a Nicole fui ficando um pouco desanimada. A achei imatura para sua idade e comecei a construir "reservas". Só pensava: Cresça, Nicole! Me faça simpatizar com você, algo que ainda não aconteceu. O resultado? Eu me arrependi. Muito. Me arrependi profundamente do quanto desejei que ela crescesse. Porque não parei para pensar que amadurecemos conforme a vida vai nos dando umas quantas porradas. Nada nunca é fácil neste mundo. E o processo de crescimento também não é. Quando aprendi a amar a Nicole aprendi a sofrer com ela também. Cada lágrima que ela derramou eu chorei junto. E eu me apeguei tanto a ela que desejei que ela não tivesse amadurecido. Quis voltar no tempo e impedi-la de sofrer. Mas a verdade é que o mundo não é um conto de fadas, nem mesmo em um livro inspirado por um (A Bela e a Fera). 

- Nicole é uma protagonista que no início não nos diz muito apenas para nos surpreender depois. Não vou negar que no começo vocês talvez não gostem muito dela, mas aguardem... porque depois vão se perguntar como puderam não enxergar tudo o que ela tinha em seu interior. Toda aquela força, a garra que impulsiona a história e transforma a realidade de muitos, principalmente do Daniel. Ela se tornou uma querida para mim. Uma personagem que nunca poderei esquecer. Nem as lições que ela me ensinou. 

"Eu queria ajudá-lo a desenterrar seu coração, que, eu sabia, estava sufocado debaixo daquela culpa. Se fosse preciso cavar com minhas próprias mãos e resgatá-lo, eu faria isso."

Daniel... O que falar dele? Nossa! Se a Nicole me conquistou, ele simplesmente levou meu coração com ele. Não dá para expressar tudo o que sinto por este personagem. Tudo o que provocou dentro de mim. É mais que especial. Ele... me mostrou o quanto não enxergo muita coisa nesta vida. Como existem realidades tão distintas. Pessoas passando por problemas que tornariam todos os meus insignificantes. Ele, como a Nicole, também me ensinou muito. Sobre a vida, sobre eu mesma... sobre o amor. Quando se ama de verdade alguém se faz coisas como o que estes dois fizeram. Você não abandona. Não desiste. Nem mesmo quando o outro faz de tudo para te manter longe. Você não consegue desistir porque sabe que precisam enfrentar aqueles momentos juntos, que não se ama só nos momentos bons. Sabe aquelas promessas: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença? Não são clichês. São a pura realidade. Se pergunte e responda (com sinceridade) se você estaria com alguém em tais situações. Se seu amor suportaria os momentos difíceis e aí saberá se realmente é amor. Senhorita Aurora transborda tal sentimento. Conforme viramos as páginas... nos transformamos. Não temos a menor chance contra esta história.rs Eu me rendi. Nem tentei lutar. Deixei que o livro me levasse até onde desejasse. Me entreguei por completo. E foi uma das melhores experiências de leitura da minha vida. 

"Este é apenas um capítulo triste da nossa história... Eu nunca vou desistir de tentar fazer você virar essa página."

- Não revelarei nenhum segredo do livro. E nem pensem que os personagens só sofrem. Nada disso. O livro é muito bem equilibrado. Existem momentos que nos fazem gargalhar e os personagens sabem fazer piada de seus próprios problemas, o que nos proporciona cenas bem divertidas. Sem mencionar a Natalie, a melhor amiga da protagonista. Ela sempre conseguia me fazer rir.kkkkkk O livro não é recheado de tristezas, ele é cheio de amor isso sim. Mas é uma história próxima da realidade. E a vida não é fácil e ponto. Para ninguém. Temos que superar cada desafio, cada queda, cada momento em que pensamos em desistir. Num dia choramos e no outro sorrimos. Uma hora perdemos e noutra conquistamos. O livro nos mostra isso. Nos dá uns quantos socos no estômago e também nos faz suspirar e sonhar acordados com o amor dos protagonistas. :) Sonho e realidade tudo junto e misturado.rsrs Mas não. O amor não é uma utopia. Ele existe sim... se a espécie humana ainda não conseguiu o grande feito de se destruir é porque ainda existe amor neste mundo. E eu acredito realmente nisso. 

Acho que esta resenha ficou bem confusa e incoerente. Mas só o que gostaria de lhes dizer é que se querem ler um romance daqueles capazes de lhes arrebatar, de fazer com que vocês esqueçam o mundo e vivam a história dos personagens devem apostar neste livro. Nele encontramos de tudo: sonhos, esperanças, perdas, conquistas, amor, paixão, lágrimas e sorrisos... Não posso falar certas coisas para não dar spoilers, mas lhes digo que inclusive encontrarão um tema quase nunca mencionado em livro algum. Eu jamais tinha lido um romance que falasse sobre isso. Preparem seus corações! :) Mas garanto que vão amar! Não consigo imaginar alguém lendo este livro e não se apaixonando perdidamente por ele. É uma história inesquecível. Daquelas joias raras que encontramos quando mais necessitamos. 

"Talvez o segredo não esteja em esquecer uma desilusão, uma perda, um "não" da vida, algo que traz dor, e sim em colocar esperança nos espaços vazios deixados pelo que se foi e, quem sabe, dar outro significado às perdas."

- Embora a autora tenha dito que o livro é uma releitura de A Bela e a Fera, o Daniel, com toda a sua personalidade complexa e sua história de vida, me lembrou muito o meu querido Erik de O Fantasma da Ópera (o filme interpretado pelo Gerard Butler. O clássico que inspirou o filme eu ainda não li). Além disso, ele é um "anjo da música". É um maestro e a música está muito presente no livro. Em várias ocasiões me vi transportada para o filme, embora as histórias sejam realmente bem diferentes. Penso que foi todo o clima, as músicas lindas, as danças e a personalidade difícil do mocinho que me lembraram o filme. 

Por falar em música, cada capítulo é aberto pelo trecho de uma música. Não consegui ouvir todas enquanto lia, mas as que me permiti escutar foram simplesmente belíssimas. Eu me apaixonei por elas. 

"Sabia que nossa história, assim como qualquer outra, não seria sempre perfeita, que ainda existiriam desafios a ser superados, momentos tristes com os quais teríamos de aprender a lidar e lições a serem absorvidas, mas que, no fim, nós faríamos tudo valer a pena. Sim, eu tinha absoluta certeza de que faríamos."

Não li este livro sozinha. O momento perfeito para lê-lo surgiu quando a Vanessa me contou que a autora estava organizando uma leitura coletiva dele no WhatsApp. Vocês sabem que amo isso de ler em grupo, por isso nem pensei duas vezes. A leitura começou no dia 08/10, mas eu só pude iniciar no dia 12/10. E ela se encerra amanhã, dia 22/10, com o último debate. Eu preferi fazer a resenha hoje mesmo, pouco depois de terminar de lê-lo. Mas vou participar do debate amanhã, é claro. :D Foi lindo poder conversar com tantas pessoas ao longo da leitura. Simplesmente maravilhoso! 

É isso, queridos. Peço perdão por não ter conseguido escrever uma resenha digna do livro, mas fiz o que podia. O que a emoção permitiu que eu escrevesse. Vocês só terão uma real noção do quanto este livro é especial quando o lerem. Só lendo poderão compreender. 

19 de fevereiro de 2017

No Mundo da Luna - Carina Rissi (Desafio 12 Meses Literários - Fevereiro)

(Título Original: No Mundo da Luna
Editora: Verus
Edição de: 2015)

A vida de Luna está uma bagunça! O namorado a traiu com a vizinha, seu carro passa mais tempo na oficina do que com ela e seu chefe vive trocando seu nome.

Recém-formada em jornalismo, ela trabalha como recepcionista na renomada Fatos&Furos. Mas, em tempos de internet e notícias instantâneas, a revista enfrenta problemas e o quadro de jornalistas diminuiu drasticamente. É assim que a coluna do horóscopo semanal cai no colo dela. Embora não tenha a menor ideia de como fazer um mapa astral e não acredite em nenhum tipo de magia, Luna aceita o desafio sem pestanejar. Afinal, quão complicado pode ser criar um texto em que ninguém presta atenção?

Mas a garota nem desconfia dos perigos que a aguardam e, entre muitas confusões, surge uma indesejada, porém irresistível paixão que vai abalar o seu mundo. O romance perfeito - não fosse com o homem errado. Sem saída, Luna terá que lutar com todas as forças contra a magia mais poderosa de todas, que até então ela desconhecia: o amor.

Com seu estilo ágil e fluido, Carina Rissi criou em No mundo da Luna uma leitura viciante, permeada de humor, magia e paixão, que vai conquistar você do início ao fim.




Palavras de uma leitora... 


- Imagino que isso deva surpreender um pouco vocês. Uma leitura nacional. Quando foi a última vez que li algo de um escritor brasileiro? Acredito que já faça anos e a culpa não é tão minha assim.rs Só que faz um tempo que venho desejando mudar isso. Apostar mais em escritores do quais ouço tanto falar e que estão tão pertinhos de mim (aqui no Brasil, sabe) e nunca dei uma chance. E adquirir este livro da Carina Rissi foi o primeiro passo... embora eu tenha levado um pouco mais de um ano para finalmente lê-lo. :)

Já tinha escutado muitos elogios aos livros desta autora, mas nunca aparecia uma oportunidade para lê-los. E então, no site da Saraiva, acabei "esbarrando" nele e decidindo que o queria. De repente, eu simplesmente o queria demais. Não no dia seguinte ou um mês depois. Queria o livro naquele momento. Aquelas coisas que acontecem comigo de vez e sempre, quando uma história me diz que eu preciso dela, entende? Quando ele chegou, namorei sua capa, sinopse e páginas iniciais durante um tempo, imaginado quando iria lê-lo... quando seria o momento certo. Outras de minhas manias que vocês já conhecem. Sempre aguardo o momento de ler cada livro, ainda que esteja muito louca por ele. Eu espero. Talvez por ter um lado masoquista, quem sabe.

Mas não dá para negar que eu também tinha medo. Não sei explicar muito bem o receio que tenho da literatura brasileira. Não que não tenha tido boas experiências. Adoro o José de Alencar, o Dan Albuk (cuja continuação de Lerulian eu sigo aguardando há séculos), e a Lu Aluada, que me encantou com o romance Para Todo Sempre. Porém, como podem ver, dá para contar nos dedos de uma mão os autores brasileiros que conheço e dos quais gosto demais. Acho que está mais do que na hora de perder o medo e dar uma chance aos outros, certo? Só que é tão mais fácil falar.rs

"Meu chefe, também conhecido como demônio nerd, cão chupando manga e babaca sem noção - e isso tudo nos dias bons -,entrou na redação e lançou seu tradicional:
- Bom dia, Clara. 
[...] Eu odiava a minha vida. Odiava ainda mais meu chefe idiota que nem sabia meu nome."

Ao se formar na faculdade, Luna teve a oportunidade de realizar um dos seus maiores sonhos: trabalhar na famosa Fatos&Furos ao lado de um chefe que durante um longo tempo foi mais que um ídolo, quase um deus. Mas nada foi como ela sonhou. Longe disso. Ela até foi contratada, mas para ser recepcionista e observar, dia após dia, e mês após mês, outros terem suas colunas publicadas enquanto ela atendia ao telefone e anotava recados. E se isso não fosse suficiente para fazê-la lançar olhares assassinos ao seu chefe, pois ele deveria ter enxergado todo seu potencial ainda na entrevista para recepcionista e lhe dado de cara a coluna ideal, o cretino não conseguia acertar o seu nome. Uma só vez. E com o passar do tempo, ela quase se convenceu de que realmente se chamava Clara.

Mas é quando ela está enfrentando a pior fase de sua vida, após ser traída pelo namorado com quem desperdiçara dois anos e que parecia acreditar que traição não era algo tão relevante assim, que a sua grande chance aparece. Embora não fosse exatamente o que ela esperava. Mas qualquer coisa era melhor do que ficar presa àquela recepção, rasgando seu diploma em pedacinhos. Ainda que qualquer coisa fosse ser a menina do horóscopo... Escrever sobre algo que não fazia parte de sua formação como jornalista e em que ela não acreditava. Não sabia nem como começar. Mas é claro que o demônio do seu chefe não precisava saber disso. Ela daria um jeito. Ou não.

E o que era para ser apenas uma janela para o sonho que ela nunca deixou de nutrir, o de ser a grande colunista que era capaz, acaba se transformando numa grande confusão, pois não demora para que mais e mais pessoas sejam atraídas por suas previsões e tenham suas vidas transformadas por elas... ou acreditem ter. E se isso resumisse todos os problemas que invadem seus dias, tudo bem. Mas nada em sua vida era tão simples assim... Como se não bastasse escrever sobre algo que odiava (embora já não atendesse o telefone), de repente se via numa montanha-russa com o homem que mais detestava no mundo e não sabia como diabos tinha conseguido se meter naquela situação. Como podia se sentir atraída por alguém que desejava matar durante todas as vinte e quatro horas do dia? E por que ele vivia cruzando o seu caminho se ela tinha certeza que estava interessada por outra pessoa? Não queria se apaixonar pelo Dante-filho-de-todas-as-pontualidades. E não iria. Ou não se chamaria Luna. 

"As desgraças sempre vêm aos pares, é o que dizem por aí."

- Eu apostaria em Clara, só para constar.rs No Mundo da Luna é uma comédia romântica realmente divertida, que me fez gargalhar muitas vezes durante a leitura, mas que também me causou um aperto no coração em algumas cenas. Está aí uma mocinha que sabe ferrar com a própria vida. Não necessita da ajuda de ninguém para isso.rs Ela me lembrou demais as mocinhas dos livros da Linsay Sands. E isso é algo extremamente positivo, pois sempre adorei as mocinhas dessa autora. Mas confesso que a Luna quase fez meu coração sair pela boca em alguns momentos. Embora também me tenha feito chorar de tanto rir em seguida. Fazia um tempo que não me divertia tanto. 

"Será que alguma vez na vida eu teria minhas preces atendidas?"

Luna é uma jovem jornalista de vinte e quatro anos, que não se sente jornalista e odeia tudo em sua vida, menos a melhor amiga, a avó, o irmão (esse ela odeia só de vez e quando e isso porque não o vê sempre) e chocolate... ou qualquer outro tipo de comida. Mas se ela fosse fazer uma lista das coisas que mais odiava na vida, não há dúvidas do que, ou quem, encabeçaria a tal lista... e não é no ex-namorado traidor que ela pensaria. Mas no chefe infernal que ela um dia foi louca demais para admirar. Mal suportava respirar o mesmo ar que ele e só estava naquela revista porque era teimosa demais para desistir. E, no fundo, tinha a esperança de que ele trocasse de óculos e conseguisse enxergá-la, mesmo que de longe... o suficiente para lhe dar uma coluna. A chance de mostrar que era boa e que não tinha estudado tanto para ser ignorada. E ter seu nome trocado, não se pode esquecer. Mas quando suas preces finalmente são atendidas... ela troca o telefone pelas cartas de um baralho velho que a vendedora jurou que tinha poderes mágicos. E, da noite para o dia, coisas estranhas começam a acontecer... como seu chefe passar a chamá-la de Luna. 

E quando acorda ao lado dele numa cama desconhecida, sem lembranças do que aconteceu após os dois terem enchido a cara tentando curar um coração partido, ela não percebe tudo o que o destino lhe reserva... e que, talvez, apenas talvez, estivesse procurando nos lugares errados aquilo que seu coração realmente sonhava. 

"O Dante é o cara perfeito pra você, de um jeito errado."

Disposta a não dar ouvidos ao que os outros, e seu próprio coração, têm a dizer, ela se empenha em afastá-lo cada vez mais de sua vida. E como o destino conspirava ao seu desfavor, ele sempre estava por perto quando ela mais precisava, fosse para beber, gritar ou beijar... fosse para o ódio ou para a paixão. E tirá-lo de seu caminho já não parecia tão fácil como no início. Sobretudo quando começa a conhecê-lo de verdade, enxergar o homem por trás do chefe que adorava dar ordens aos berros e do nerd de cabelos bagunçados e óculos tortos... quando finalmente começa a ver o homem que ele realmente era e... que existia algo em seus olhos que a atraía como nada na vida fora capaz. Não queria amá-lo. Não podia. Mas seu coração já tinha seus próprios planos...

"- Me escolha. [...]
 -  Não me pertença, me escolha. Me deixa ficar do seu lado."

- É muito fácil nos apaixonarmos pelo Dante e pela Luna. São dois loucos que roubam nosso coração antes mesmo que a gente perceba, que nos fazem rir e também nos deixam em agonia quando insistem em ser imbecis e fazerem coisas que apenas ferem os dois. Eu suspirava aqui cada vez que eles estavam juntos sem se matarem, quando esqueciam o mundo e o suposto desprezo mútuo que nutriam e só pensavam nos beijos e em tirar a roupa um do outro. Eram tão fofos nesses momentos!kkkkkkkk... Eu adorava quando eles paravam de idiotices e não conseguiam se afastar, sabe. Nada entre eles era realmente só sexo e só os estúpidos não percebiam isso. Quando se tocavam havia magia. Porque havia amor, embora eles demorem toda uma vida para se darem conta. Eles se amavam enquanto se odiavam e gritavam coisas que não sentiam. Se amavam mesmo quando estavam com outras pessoas. Quando juravam que não queriam se ver e se amaldiçoavam por terem ido pra cama de novo. Eles se amavam em cada um desses momentos. Porque aquele era o destino deles. Porque tinham nascido um para outro. E embora o que eu diga possa parecer extremamente piegas, é a mais pura verdade. Esses dois nasceram para se amarem. Para construir uma vida juntos. E nem eles próprios seriam capazes de estragar isso. E não é por falta de tentativa. Porque eles tentam! E como tentam estragar a própria vida!rsrs

"Quero que me queira do mesmo jeito doente e louco que eu quero você. E, ah, Luna, acredite, eu quero você."

- O Dante é um daqueles mocinhos que nos roubam o fôlego com o amor que sentem pela mocinha. Com um amor que está em cada atitude que eles tomam, até nos mais simples gestos. Um amor que simplesmente parece transbordar das páginas, de cada palavra que lemos. Um amor cheio de ternura, mas que os fazem enlouquecer quando estão com ciúmes. Algo doce e selvagem ao mesmo tempo, um amor que simplesmente sentimos, mas que não conseguimos explicar. Eles fazem com que a gente sinta tudo com eles. Nos empurram para sua loucura e fazem com que também esqueçamos o mundo enquanto viajamos com eles pelas páginas da história.

Mas isso não significa que eu não quis matar o Dante e a Luna em nenhum momento. Muito pelo contrário! Da mesma forma que me divertiam e me encantavam, eles me faziam passar tanta raiva e desejar quebrar algo na cabeça deles. Sobretudo o Dante. A Luna podia ser uma tremenda estúpida em certos momentos, mas ele era especialista em usar as palavras certas para magoar, quando desejava. E toda vez que ele fazia isso com ela, eu queria entrar na história e ensinar-lhe umas lições que ele jamais esqueceria. Era nesses momentos que eu queria que a mocinha desse atenção à personalidade do seu signo e desse a ele o que o cretino merecia. Ela até poderia perdoá-lo depois (não aceitaria outra coisa), mas que deveria fazê-lo comer o pão que o diabo amassou, isso deveria! 

E o momento em que mais desejei esganar esse mocinho foi na reta final. Naquela hora eu quase esqueci que o amava e desejava que ele ficasse com a mocinha. O chamei de todos os nomes que conseguia me lembrar e imaginei diversas formas de esfolá-lo e fazê-lo se arrepender amargamente do dia em que nasceu (ou foi criado pela autora). E a Luna me frustrou muito por perdoá-lo sem fazê-lo rastejar implorando pelo seu perdão. Cadê o lado vingativo dessa criatura? Ela nem parece do signo de escorpião.kkkkkk... O amor dela pelo Dante a transformou em alguém do meu signo. E isso não foi nada bom.kkkkkkk... Não para o meu lado vingativo, pelo menos. 

- Eu amei todo o livro, do começo ao fim. Os momentos divertidos, as cenas em que chorei de angústia, me perguntando como eles consertariam o novo estrago, mas claro que existiram aqueles momentos especiais. Como a cena em que o Dante estava doente e nossa mocinha cuidou dele... ou a do buquê de flores que fez a Luna chorar por causa da alergia e o Dante correu para ela, sem se importar com quem estava observando, e a envolveu em seus braços, atormentado pela possibilidade de alguém tê-la feito chorar. A cena em que ela recebeu uma ligação terrível e ele ficou ao seu lado, lhe sustentando e sendo tudo o que ela necessitava... e até mesmo aquela na qual ele foi extremamente nojento e me deixou em choque.kkkkkkkk... Essa cena marcou o livro. Deus do céu!kkkkkkk... Alguém precisa lembrá-lo que é preciso manter o romantismo. E roubar a escova de dentes da Luna não foi romântico. Muito menos o que ele fez antes.rs 

- Esta história me surpreendeu bastante. E de uma maneira bem positiva. Eu esperava muito dela, mas ela conseguiu superar minhas expectativas. Eu devorava as páginas, me acabando de rir nos piores momentos possíveis e tendo que colocar a mão na boca para tentar me conter. Também me fez chorar quando eu não queria e sonhar acordada quando deveria prestar atenção na rua. Enfim... Foi uma leitura deliciosa e cada personagem conseguiu ter seu próprio espaço, sua própria personalidade, o que tornou o livro ainda melhor. A vó Cecília, o Raul e sua relação com a Luna, que sempre será a irmã que ele adora infernizar... A Sabrina, que em muitos momentos não parecia ser do meu signo... isso antes dela se apaixonar pelo Lúcio e protagonizar uma das cenas mais divertidas do livro. Ali ela realmente se pareceu comigo, quando lançou sobre a Luna um monte de acusações sem sentido, tomada pela raiva. Adorei demais aquela cena!kkkkkkkkk... A Júlia, o Murilo, a Beatriz, o Fernando e suas experiências desastrosas na cozinha e, claro, a Madona, uma cadelinha atentada que quase fez o Dante sofrer um infarto quando resolveu fingir que comeu a tampa da caneta dele.rsrsrs... Todos eles contribuem para tornar o livro especial.

"- Você não tem ideia do poder que tem sobre mim, Luna. Você pode não ser minha, mas eu já sou seu, todo seu. Eu escolhi você."





Este livro foi o meu escolhido para o Desafio 12 Meses Literários. Neste mês de fevereiro deveríamos ler um autor nacional e nem pensei muito antes de fazer a minha escolha. Eu queria ler a Carina Rissi já há bastante tempo e o livro dela fazia parte da minha meta de leitura deste ano, então achei melhor incluí-lo no desafio para poder lê-lo mais rápido. :D E foi uma excelente escolha, pois ela conseguiu me ganhar como fã com sua escrita tão leve, divertida e com romantismo e drama na medida certa. Ela tem um jeito de escrever bem único e natural e quero muito conhecer suas outras histórias. :)

Não há dúvidas de que recomendo e muito o livro! Dei 5 estrelas e passagem para os favoritos sem pensar duas vezes! :D

7 de dezembro de 2013

Belo Desastre - Jamie McGuire


Abby Abernathy é uma boa garota. Ela não bebe nem fala palavrão, e tem a quantidade apropriada de cardigãs no guarda-roupa. Abby acredita que seu passado sombrio está bem distante, mas, quando se muda para uma nova cidade com America, sua melhor amiga, para cursar a faculdade, seu recomeço é rapidamente ameaçado pelo bad boy da universidade.

 Travis Maddox, com seu abdômen definido e seus braços tatuados, é exatamente o que Abby precisa – e deseja – evitar. Ele passa as noites ganhando dinheiro em um clube da luta e os dias seduzindo as garotas da faculdade. Intrigado com a resistência de Abby ao seu charme, Travis a atrai com uma aposta. Se ele perder, terá que ficar sem sexo por um mês. Se ela perder, deverá morar no apartamento dele pelo mesmo período. Qualquer que seja o resultado da aposta, Travis nem imagina que finalmente encontrou uma adversária à altura. E é então que eles se envolvem em uma relação intensa e conturbada, que pode acabar levando-os à loucura.



Palavras de uma leitora...



"Ele ergueu meu queixo para que eu o encarasse.

— Eu sei que você merece alguém melhor do que eu. Você acha que eu não sei disso? Mas se existe alguma mulher feita para mim... essa mulher é você. Eu faço o que for preciso, Flor. Está me ouvindo? Eu faço qualquer coisa."


- Sim. Eu sei. Estou desaparecida. Mas é que a minha vida está toda enrolada (que novidade!rsrs...) e realmente não tem sido possível me dedicar tanto à leitura e ao blog como antigamente. :( Isso me deixa muito triste, mas a vida é assim mesmo, não é? Mas nem por isso irei abandoná-los, ok? E nem aos meus amados romances. Apenas não leio ou apareço mais como antigamente. Mas sempre estarei aqui. E sempre serei uma apaixonada por romances. :)

- Apesar de minha última resenha ter sido publicada há exatamente um mês, não fiquei sem ler. Apenas demorei demais para terminar de ler os livros que estava lendo. Antes de Belo Desastre eu li Eu, Alex Cross e nem me dei ao trabalho de fazer resenha sobre a história. Não valia a pena. Sinceramente, é uma história que apenas conseguiu me estressar e fazer eu me perguntar (de forma bastante ignorante) por que diabos resolvi ler aquilo quando tinha vários livros especiais aguardando para serem lidos. Realmente devo ser uma idiota, pois sequer estava nos meus planos ler aquela coisa. Quando terminei a leitura senti como se estivesse me libertando de um castigo, de um tormento que eu acreditava que não teria fim.rsrsrs... Agora quero distância de qualquer história sobre esse detetive imbecil chamado Alex Cross. Só o suportei em O Beijo da Morte porque a história era maravilhosa, apesar da presença dele. Mas para mim chega. Nada mais de Alex Cross. Só se eu perder de vez o juízo. O inferno que vivi com aquela história eu não desejo viver novamente. É um livro que dá vontade de jogar pela janela, com bastante força para bater e arrebentar em algum canto. Só não fiz isso porque o livro não era meu.rsrsrs... Um dos livros que mais odiei este ano, sem sombra de dúvidas. Mas esta resenha não é sobre Eu Alex Cross, verdade? Então que tal eu começar a falar de Belo Desastre?! Sabe... Eu estava aqui pensando e realmente o título combina bastante com o livro. :D É sem sombra de dúvidas um "belo" desastre. Um desastre completo.rsrsrs... Bem desastroso. Mesmo. E nem sei do que me chamar por ter lido esse livro. Não estou lá muito contente comigo mesma. 

"Uma expressão aflita obscureceu sua face.

— Sabe por que eu te quero? Eu não sabia que estava perdido até que você me encontrou. Não sabia que estava sozinho até a primeira noite em que passei na minha cama sem você. Você é a única coisa certa na minha vida. Você é o que eu sempre esperei, Beija-Flor."

- Abby Abernathy estava em fuga. De todo o seu passado. De toda a vida que tivera antes de entrar naquela faculdade, antes de se mudar para sua nova cidade. Ela queria apagar seu passado, matar qualquer lembrança e a dor que as palavras e as atitudes de quem deveria amá-la, protegê-la, provocavam. Ela queria um recomeço. Longe de qualquer coisa que pudesse lembrá-la ou fazê-la viver o que suportara no passado. Ela queria libertar-se. E, se ouvisse seu coração, se fizesse o que ele queria, jamais iria conseguir isso. Ela não iria amar Travis Maddox. Não podia amá-lo. Porque ele era tudo que ela queria evitar. Era tudo que ela necessitava manter longe. Mesmo que isso lhe machucasse. Aquela dor não era nada comparada com a dor que envolver-se com Travis provocaria. Não só nela. Mas nele próprio. Embora ele ainda não compreendesse, ela era um veneno. Uma droga que acabaria por destruí-lo. Mais cedo ou mais tarde. 

- Travis Maddox era um mulherengo. Alguém que amava viver no limite (ou ultrapassá-lo), que gostava de aventuras, dirigir em alta velocidade, beber até perder as lembranças e o controle sobre si mesmo, transar sempre que tivesse vontade e de preferência com uma mulher diferente. Afinal de contas, figurinha repetida não completa nenhum álbum. Muito menos o dele. Ele não respeitava mulher alguma. Para ele, elas serviam apenas para curtos momentos de prazer e deveriam ser esquecidas logo depois. Nunca ligava para elas após uma aventura. E, em sua defesa, jamais fazia falsas promessas. Sua vida era assim. E ele gostava dela assim. Pelo menos, até conhecer Abby. E ter seu coração roubado por ela. Algo que poderia levá-lo ao céu, mas somente para lançá-lo ao inferno depois. Abby era tóxica. Um veneno para ele, mas um veneno que, ironicamente, ele precisava para viver. Precisava com desespero. Como jamais havia precisado de nada em sua vida. Não era algo que tivesse explicação. Era algo que ele apenas sentiu logo após notá-la. Era algo que ele não queria, que ele gostaria de jamais ter sentido. Era algo que machucava, sobretudo porque a única mulher que ele havia amado em sua vida, insistia em usar tal sentimento contra ele. Machucava demais... porque ela queria machucá-lo. E mesmo assim ele não conseguia manter-se longe. Não podia. Não conseguia. Ela era o seu sonho. A sua vida. Sem ela, ele não podia sequer respirar. Sem ela, ele já não sabia viver.

"Ele juntou as sobrancelhas.
— Você é a minha casa."

- O primeiro encontro entre Abby e Travis foi, no mínimo, peculiar.rsrs... Travis era um lutador. Lutava para ter dinheiro suficiente para manter-se na faculdade e ainda assim ter um teto em sua cabeça e comida na mesa. Essa era sua única fonte de renda. E era algo que ele amava fazer. Quando se enfrentava com o adversário, ele tinha a chance de libertar tudo aquilo que não podia libertar fora dali. Todos os sentimentos intensos e complexos dos quais ele não conseguia  livrar-se. Toda a raiva do passado e da vida. Toda a frustração. Toda a dor. Foi assim que Abby o conheceu. Num momento em que ele encontrava-se sem defesas. Vulnerável. 

Aquele não era o seu ambiente. Pelo menos, não mais. Ela não deveria estar ali, mas fazer o que não deveria, já havia se tornado um hábito. Também não deveria ter sentido aquela conexão estranha ao observar Travis enquanto ele lutava e muito menos deveria ter se aproximado, como se o mundo deixasse de existir e só estivessem os dois ali. Como se alguma coisa a puxasse e aproximasse dele. Como se já não tivesse mais vontade própria. 

Após vê-la pela primeira vez, Travis soube que não poderia tirá-la da sua cabeça. Ele jamais tinha sentido algo tão estranho e tão intenso por mulher alguma e embora fosse uma sensação desconcertante, ele não conseguia evitá-la. Porque era algo que ele queria. Mesmo sem saber. Mesmo sem perceber. Era o que ele sempre necessitara. Era o que ele pedia aos gritos à vida, toda vez que fazia algo arriscado. Era o que ele precisava para preencher o vazio que há anos o machucava. E ele não estava disposto a deixar sua única chance de ser amado escapar. Ele precisava daquela mulher. Precisava do seu amor. E não importava quanto sofrimento ele precisaria suportar para tê-la. Suportaria qualquer coisa. Menos perdê-la. Menos sentir que não fez o suficiente para mantê-la em sua vida. Para ser merecedor do seu amor. Por ela, ele era capaz de fazer qualquer coisa. Abrir mão do que quer que fosse. De qualquer sonho, de qualquer objetivo. Por ela, ele estava disposto a mudar. A ser alguém diferente. Tudo que ele lhe pedia era uma chance. Uma chance de mostrar que podia ser diferente. Que podia ser o que ela precisava para ser feliz. Que ela não precisava procurar em outros lugares o que ele estava disposto a lhe dar. O que ele lhe oferecia pedindo em troca apenas um pouco de amor. 

"— Você sabe o que é codependência, Abby? Seu namorado é um excelente exemplo disso, o que é bizarro, considerando que ele passou de não ter respeito algum pelas mulheres a achar que precisa de você até para respirar.
— Talvez ele precise mesmo — falei, recusando-me a deixar que ela estragasse meu bom humor.
— Você não se pergunta por que isso? Tipo... ele já transou com metade das garotas da faculdade. Por que você?
— Ele diz que sou diferente.
— Claro que ele diz. Mas por quê?
— O que te interessa isso? — retruquei.
— É perigoso precisar tanto assim de alguém. Você está tentando salvar o Travis, e ele espera que você consiga. Vocês dois são um desastre."


- O que posso dizer sobre esta história? O que seria apropriado dizer?!rsrsrs... Quem me conhece, quem acompanha minhas resenhas, sabe: eu não tenho muito estômago para mentir sobre o que sinto por um livro. Até porque, não vejo o menor sentido em faze tal coisa. Prefiro sempre dizer a verdade. E às vezes, eu sei, faço isso com uma carga exagerada de emoção.rsrs... Sobretudo quando odeio demais uma história, verdade?rsrs... Por isso, peço: se você é fã desta história, não leia esta resenha. E se mesmo após eu dar este conselho, desejar seguir com a leitura peço que então respeite a minha opinião, assim como respeito a opinião de todo mundo. Não sou obrigada a gostar de uma história só porque todo mundo gosta. Eu não sou assim. 

- Pouco depois de começar a leitura desta história eu percebi três coisas. Primeiro: a história me lembrava demais Crepúsculo. Até a forma de escrever da autora (E não. Não estou criticando. Decidi não fazer tal coisa. Foi uma escolha minha. O que não significa que eu tenha ficado muito feliz com a semelhança. Não sou obrigada a gostar de tal coisa). Segundo: o Travis era um pedaço de mau caminho que eu sabia que terminaria a leitura amando. E terceiro: Abby era tudo que eu não suporto em uma mocinha. Era tudo que me irritava demais em qualquer mocinha. E mesmo assim, eu segui com a leitura. Pelo Travis. Porque ele havia me conquistado logo no início. Porque eu não podia simplesmente abandoná-lo, embora a Abby estivesse me fazendo sentir vontade de esganá-la. Eu não podia culpá-lo pelos erros dela e desejava saber como terminaria a história dele. Queria saber se ele seria pelo menos um pouco feliz ao lado daquela idiota. Mas, quando fui me aproximando mais do fim da história, comecei a me arrepender profundamente. Percebi que era uma história que seria preferível eu jamais ler. Como a Moniquita costuma dizer: não me acrescenta nada. No geral, só me trouxe aborrecimentos. O Travis é um fofo, um mocinho que conseguiu um lugar no meu coração e que jamais esquecerei, mas nem mesmo ele pode fazer essa história valer a pena. Infelizmente, sozinho, ele não pode tal coisa. Não quando a Abby, como protagonista da história, insiste em destruir todo o livro. Insiste em transformar a leitura em um tormento. Se eu pudesse, eu mesma a eliminaria da história. A mandaria com passagem só de ida para o inferno. E de modo algum permitiria que ela carregasse o Travis com ela. Ela jamais será digna dele. Sequer chega aos pés dele. Não passa de uma qualquer, na minha opinião. Uma cínica, hipócrita, que brinca com os sentimentos dos outros sem piedade. Que fica fazendo joguinhos e pisando nos sentimentos do Travis, fazendo-o se humilhar e segui-la como um cachorrinho. A Abby me dá nojo. É algo que não posso deixar de dizer. É algo que estava entalado na minha garganta. Ela me dá náuseas. 

"— Dança comigo. — Travis estava parado a menos de um metro de mim, com a mão estendida.
América, Shepley e Finch olhavam fixamente para mim, esperando minha resposta com tanta ansiedade quanto Travis.
— Me deixa em paz, Travis — falei, cruzando os braços.
— É a nossa música, Flor.
—Nós não temos uma música.
— Beija-Flor...
— Não.
Olhei para Brad e forcei um sorriso.
— Eu adoraria dançar, Brad.
As sardas dele se esticaram pelo rosto quando ele sorriu, fazendo um gesto para que eu fosse à frente pelas escadas.
Travis cambaleou para trás, exibindo uma evidente tristeza nos olhos.
— Um brinde! — ele gritou.
Eu hesitei, me virando bem a tempo de vê-lo subir em uma cadeira e roubar a cerveja de um cara da Sig Tau que estava perto dele. Olhei de relance para América, que observava Travis com uma expressão aflita.
— Aos babacas — ele exclamou, fazendo um gesto em direção a Brad.
— E às garotas que partem o coração da gente — ele curvou a cabeça para mim. Seus olhos tinham perdido o foco. — E ao horror de perder sua melhor amiga porque você foi idiota o bastante para se apaixonar por ela."

- Eu disse que ela era uma ordinária, não disse? Aquela era a música deles e tudo que o Travis estava lhe pedindo era que ela dançasse com ele. Só daquela vez. Só a música deles. Mas, na frente dos outros, ela se recusou e não somente isso, fez questão de dançar justamente aquela música com outra pessoa. Naquele instante, deliberadamente, ela arrancou mais um pedaço do coração dele. Porque se achava no direito de fazer isso. Porque gostava de fazer isso. Pelo menos, na minha opinião. Foi difícil enxergar sentimento da parte da Abby pelo Travis. Foi difícil acreditar no amor dela. O que ela chamaria de amor, eu chamaria de desejo. Nos sentimentos dele, sim, eu acreditei. Pude ver claramente que o que ele sentia por ela era profundo, verdadeiro. Diferente de tudo que ele tinha sentido por qualquer outra mulher. Ele a amava, até mesmo quando tal sentimento quase lhe destruía a vida. A amava mesmo quando ela mostrava não merecer tal amor. A amava incondicionalmente. E era isso que mais me revoltava. Saber que ele a amava tanto que estava disposto a suportar todas as patadas dela, todo o desprezo e todos os jogos. Me irritava profundamente ver a Abby fazer o que bem queria com ele, vê-la se aproveitando tão descaradamente do que ele sentia por ela. Nesses momentos eu sentia vontade de acabar com a raça dela e a xingava de todos os nomes que achava apropriados para ela. 

Eu compreendia os motivos da Abby para não querer ter um relacionamento com o Travis. Apesar de achar que ela estava exagerando demais (pois eu não conseguia enxergar todas as semelhanças que ela parecia ver), eu a compreendia. Mas, se ela não o queria, se estava disposta a lutar contra os sentimentos que dizia sentir por ele, o mínimo que ela poderia fazer era manter-se longe. Mas, ao invés disso, ela se mudou para a casa dele. Passou a dormir na cama dele, vestir as roupas dele, se "pegar" com ele. Não me parece a forma mais adequada de manter-se longe. Talvez na cabeça dela seja, mas na minha não é. E assim, ela fazia o que bem entendia com os sentimentos dele. Jogando. Querendo-o em um momento e se agarrando com outro no momento seguinte. Tornando-o mais e mais dependente dela. Quase enlouquecendo-o. E exigindo dele uma perfeição que ela própria estava longe de possuir. Não tinha a menor moral para exigir perfeição de ninguém. Não tinha o direito de apontar os defeitos dele, quando era quem mais errava. Até mesmo a melhor amiga dela já estava cansada de vê-la agindo como uma qualquer (é a melhor palavra que posso usar ao falar dessa garota), já era vista como uma rameira pelos colegas de faculdade. Como ser bem vista quando dormia na casa de um (e na cama dele, abraçada a ele) e se "pegava" com outro? Impossível!

- Se eu fosse parar para falar tudo que sinto por essa história e, sobretudo, pela Abby, não terminaria esta resenha hoje.rsrs... A Abby é uma das mocinhas que mais detestei até hoje. Ela tinha potencial para ser uma ótima mocinha, mas preferiu ser essa "coisa" que é. E essa história, então, poderia ser fantástica. Realmente eu acredito que a história poderia ser maravilhosa, mas só se a Abby não existisse, não fizesse parte da história e a autora não colocasse tanto exagero no livro e certas cenas para lá de dispensáveis. A única coisa que realmente vale a pena nesta história é o Travis. Ele é maravilhoso, um mocinho que penetra no nosso coração sem pedir licença, sem que a gente sequer perceba. Não digo que ele é capaz de despertar amor em todas as pessoas. É complexo, agressivo, intenso, possessivo, ciumento... Sabe perder o controle e fazer coisas idiotas e isso pode despertar o desprezo das pessoas. Algo que eu compreendo. Ele é do tipo que você ama ou odeia. Jamais as duas coisas. Mas quando a gente o ama... é completamente. Mesmo quando ele desperta a nossa raiva. Ele tem um charme que nos atrai. Tem um sorriso que nos faz querer sorrir também e quando ele está triste, isso dói na gente. Ele é carente e isso desperta o nosso lado maternal. Em vários momentos eu desejei protegê-lo dos golpes da vida, da dor que amar a Abby lhe provocava. Só por ele eu dei três estrelas ao livro. Por ele, não tive a coragem de dar menos estrelas à esta história. Porque ele não merecia isso. Se fosse somente pela história, eu teria dado uma estrela. Mas pelo Travis, não fiz isso. E, sabe, somente depois de ter lido essa história, que é escrita através da visão da Abby, eu descobri que existe a história (a mesma história) através da visão do Travis.kkkkkkkk... Sim. Isso me deixou para lá de irritada comigo mesma. Se eu tivesse feito pelo menos uma simples pesquisa antes de ler esta história, teria evitado grandes aborrecimentos. Porque a história pela visão do Travis com certeza é mil vezes melhor. Acredito completamente nisso. Mas agora que suportei o tormento de ler a história pela visão da Abby, não tenho ânimo para ler a história toda de novo. Mesmo que seja pela visão do Travis. :( 

Enfim... É isso. Como podem perceber, não sou nada fã desta história.rsrs... Mas respeito aqueles que a amam. Não é porque eu odiei uma história, que essa história não valha realmente a pena. Ela não vale a pena para mim. Mas pode valer para outra pessoa. Pode ser mágica para outra pessoa, assim como certos livros são especiais, mágicos para mim. Por isso mesmo eu pedi que quem é fã dessa história, não lesse esta resenha. Sei que é horrível quando lemos algo negativo sobre um livro que nós amamos. Eu sei, pois já passei por isso e não gostei nada.rsrs... Mas esta é minha opinião, gente. Não posso fingir que gostei da história. Eu não gostei.

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