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28 de maio de 2021

Cinzas na Neve - Ruta Sepetys



Literatura norte-americana
Título Original: Between shades of gray 
Tradutora: Fernanda Abreu
Editora: Arqueiro
Edição de: 2019
Páginas: 240
Ficção Histórica

15ª leitura de 2021 (14ª resenha do ano)
 
Sinopse: Quando a voz de uma garota quebra o silêncio da história

Lina Vilkas é uma lituana de 15 anos cheia de sonhos. Dotada de um incrível talento artístico, ela se prepara para estudar artes na capital. No entanto, a noite de 14 de junho de 1941 muda seus planos para sempre.

Por toda a região do Báltico, a polícia secreta soviética está invadindo casas e deportando pessoas. Junto com a mãe e o irmão de 10 anos, Lina é jogada num trem, em condições desumanas, e levada para um gulag, na Sibéria.

Lá, os deportados sofrem maus-tratos e trabalham arduamente para garantir uma ração ínfima de pão. Nada mais lhes resta, exceto o apoio mútuo e a esperança. E é isso que faz com que Lina insista em sua arte, usando seus desenhos para enviar mensagens codificadas ao pai, preso pelos soviéticos.

Cinzas na neve conta a história de um povo que perdeu tudo, menos a dignidade, a esperança e o amor. Para construir os personagens de seu romance, Ruta Sepetys foi à Lituânia a fim de ouvir o relato de sobreviventes dos gulags durante o reinado de horror de Stalin.




Quando você vê a imagem na capa já te bate uma tristeza e a certeza de que a história te fará chorar... O título te dá mais uma dica e a frase: "Quando a voz de uma garota quebra o silêncio da história" te provoca uma certa angústia. Pelo menos, foi isso que se passou comigo. Mas tudo foi intensificado por eu já ter lido e ficado em prantos com O Sal das Lágrimas, que é a sequência de Cinzas na Neve, embora eu tenha lido fora da ordem. Todavia, na verdade não há uma ordem a ser seguida, pois são histórias que podem ser lidas de maneira independente, vez que a única coisa que as liga é o parentesco entre a protagonista de Cinzas na Neve (Lina) e uma das protagonistas de O Sal das Lágrimas (Joana). Além, é claro, das duas histórias se passarem durante o reinado do demônio do Stálin e do outro demônio (Hitler). 

Eu não paro de pensar nesta história desde que terminei de lê-la. Sonhei com o livro mais de uma vez. Revejo as cenas em minha mente e fico refletindo sobre tantas coisas ao mesmo tempo... Eu gostaria de não escrever esta resenha de tão abalada que ainda me sinto. Gostaria de pular para outra história, falar de narrativas mais leves, de um romance água com açúcar daquele tipo que tanto amo e vocês sabem... Até mesmo falar de um suspense daqueles psicológicos e de dá calafrios seria mais fácil no momento. Tudo seria mais fácil do que falar de Cinzas na Neve. Do que revisitar toda aquela crueldade enquanto escrevo a resenha. 

Me vendo tão angustiada o dia inteiro ontem, minha mãe voltou a me fazer uma pergunta que ela já me fez várias vezes: "Por que leio este tipo de história se fico tão mal?" Porque preciso. Porque me obrigo a enfrentar as realidades das quais muitas vezes fugimos. Porque não quero esquecer. Nenhum ser humano deveria esquecer o que já aconteceu. A História existe não só para entendermos o presente, mas para que monstruosidades "perdidas" no passado não voltem a acontecer. 

4 de outubro de 2019

O Sal das Lágrimas - Ruta Sepetys

Literatura norte-americana
Título Original: Salt to the sea
Tradutora: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Edição de: 2019
Páginas: 320
Ficção histórica/Romance histórico

Sinopse: Inverno de 1945, Segunda Guerra Mundial. Quatro refugiados, quatro histórias. Joana, Emilia, Florian, Alfred. Cada um de um país diferente. Cada um caçado e assombrado pela tragédia, pelas mentiras e pela guerra. Enquanto milhares fogem do avanço do exército soviético na costa da Prússia, os caminhos desses quatro jovens se cruzam pouco antes de embarcarem em um navio que promete segurança e liberdade. Mas nem sempre as promessas podem ser cumpridas... Profundamente comovente, O sal das lágrimas se baseia em um acontecimento real. O navio alemão Wilhelm Gustloff foi afundado pelos russos no início de 1945, tirando a vida de mais de 9 mil refugiados civis, entre eles milhares de crianças. É o pior desastre marítimo da história, com seis vezes mais mortos que o Titanic. Ruta Sepetys, a premiada autora de Cinzas na neve (publicado anteriormente como A vida em tons de cinza), reconta brilhantemente essa passagem por meio de personagens complexos e inesquecíveis.



Estou aqui tentando recuperar o controle, tentando falar deste livro extremamente marcante sem desmoronar, sem cair em prantos outra vez. Mas toda vez que lembro de tudo o que li em O sal das lágrimas, o nó na garganta volta e as lágrimas também. Esta história me marcou demais. Se cravou no meu coração e ao mesmo tempo arrancou um pedaço dele. Nunca poderei esquecê-la.

Em 30 de janeiro de 1945, o navio alemão Wilhelm Gustloff tentava levar em segurança, para longe das tropas e fúria soviéticas, milhares de refugiados civis, entre eles, estima-se que haviam cerca de 5 mil crianças. Na noite do mesmo dia, três torpedos, lançados de um submarino soviético, atingiram o navio. Em menos de duas horas, mais de 9 mil pessoas perderam suas vidas. O navio tinha capacidade para transportar cerca de 1.800 pessoas, mas estava levando mais de dez mil. É considerado o pior desastre marítimo da História. Muito pior que o do Titanic. Todavia, até ler este livro eu NUNCA sequer tinha ouvido falar sobre ele. Nem mesmo nos livros acadêmicos que li sobre a Segunda Guerra Mundial.

Não dá para colocar em palavras o quanto este livro me abalou. Como me apeguei aos personagens que a autora criou para contar esta história baseada em acontecimentos reais. Como os amei mesmo sabendo que poderiam não chegar vivos ao final da história, que poderiam fazer parte das mais de 9 mil pessoas que afundaram junto com o navio.

19 de fevereiro de 2019

O Amor nos Tempos do Ouro - Marina Carvalho

(Editora: Globo Alt
Edição de: 2016)

O Amor nos Tempos do Ouro - Livro 1


Sabes que nunca me apaixonei, maman, mas se porventura o tivesse feito, seria por alguém como ele?

Cécile Lavigne perdeu todos os que amava e agora está sozinha no mundo. Ela, uma franco-portuguesa que ainda não completou vinte anos, está sendo trazida ao Brasil pelo único parente que lhe restou, o ambicioso tio Euzébio, para casar-se com o mais poderoso dono de terras de Minas Gerais, homem por quem Cécile sente profundo desprezo.

Após desembarcar no Rio de Janeiro, Cécile ainda precisará fazer mais uma difícil viagem. O trajeto até Minas Gerais lhe reserva provações e surpresas que ela jamais imaginaria. O explorador Fernão, contratado por seu futuro marido para guiá-la na jornada, despertará nela sentimentos contraditórios de repulsa e de desejo. 

Antes de enfim consolidar o temido casamento, Cécile descobrirá todos os encantos e perigos que existem nessa nova terra, assim como os que habitam o coração de todos nós. Com o passar dos dias, crescerá dentro dela a coragem para confrontar todas as imposições da sociedade e também o seu próprio destino. 



Palavras de uma leitora...


- Assim que ouvi falar deste livro pela primeira vez, que realmente parei para ler a resenha de uma blogueira sobre ele, desejei tê-lo em minhas mãos para iniciar o mais rápido possível a leitura. E olha que a resenha nem tinha sido tão positiva!rsrs Mas eu o quis. Desesperadamente. 

E numa maré de sorte acabei por não necessitar esperar muitos meses. A Nobel fez uma promoção relâmpago e entre os livros com um desconto incrível estava O Amor nos Tempos do Ouro. Paguei menos da metade do preço de capa e feliz é um eufemismo para expressar como eu me senti.rsrs 

31 de dezembro de 2017

O Resgate no Mar (Parte 2) - Diana Gabaldon

(Título Original: Voyager
Tradutora: Geni Hirata
Editora: Saída de Emergência
Edição de: 2015)


3º Livro da Série Outlander


Claire Randall finalmente conseguiu voltar no tempo e reencontrar Jamie Fraser na Escócia do século XVIII, mas sua história está longe do final feliz. O casal terá que superar muitos obstáculos, de fantasmas a perseguições marítimas, mas o principal deles são os vinte anos que se passaram em suas respectivas épocas desde a última vez que se viram. 

Se a intensa paixão e o desejo entre eles não parecem ter diminuído nem um pouco, o mesmo não se pode dizer sobre a confiança. Jamie agora é um homem endurecido pelo que aconteceu após a Batalha de Culloden. Claire, por sua vez, precisa lidar com o segundo casamento de seu amado e suportar a saudade de Brianna, que ficou sozinha no ano de 1968. 

A união dos dois será posta à prova quando o sobrinho de Jamie for sequestrado. Juntos, eles precisarão singrar pelos mares e cruzar as Índias Ocidentais para resgatá-lo, provando mais uma vez que nada é capaz de deter uma história de amor que vence as fronteiras do tempo e do espaço.



Palavras de uma leitora...


- Às vezes eu desejo esganar alguns autores. É um sentimento comum, creio. Inúmeras vezes fervi de raiva da minha autora preferida (Florencia Bonelli), mas penso que nenhuma autora nunca me provocou tanta revolta quanto a Diana Gabaldon. Se a FB é sádica não sei nem como chamar a DG. 

"- Sabe o que é viver vinte anos sem coração? Ser apenas parcialmente humano e acostumar-se a viver com o que restou, preenchendo os buracos com qualquer coisa à mão?"

- Nada acaba fácil na primeira parte de O Resgate no Mar. Após serem vítimas de uma emboscada, é hora de Claire e Jamie tomarem a esperançosa e ao mesmo tempo difícil decisão de voltar para casa. Para Lallybroch, a terra em que Jamie cresceu e amava com todo seu coração, mas foi obrigado a transferir para seu sobrinho, nos tempos mais difíceis anteriores à Batalha de Culloden. Sabia que se mantivesse as terras para si, elas seriam tomadas pelos ingleses. Sem opção, a manteve na família da única maneira possível e não se arrependia. Mas retornar... como sonhara com este momento! 

Todavia, voltar para casa não era uma tarefa tão simples quanto parecia. Embora Lallybroch fosse um refúgio era também um local que guardava sérios segredos, de um passado de separação e recomeços. Como contar para a Claire toda a verdade? Como encarar a possibilidade de perdê-la outra vez? Não estava pronto. Talvez não estivesse nunca. 

"Eu teria dado a minha vida, por ela e por você. Se preciso, meu coração e minha alma, também..."

- Embora tenha incentivado a Claire a voltar para seu tempo, vinte anos atrás, Jamie nunca conseguiu se livrar da dor que parecia rasgar seu coração. Fizera o melhor por ela e pela filha que ela esperava. Mas como não sentir raiva, ciúmes, mágoa por ter sido outro a criar sua filha? Por ter sido outro a acordar dia após dia ao lado de sua mulher? Ninguém podia culpá-lo por odiá-la, mesmo que a amasse mais que a sua própria vida. Ninguém também poderia condená-lo por casar-se outra vez, quando acreditara que só voltaria a ver a Claire após sua morte. O fato dela reaparecer não mudava as coisas. Não alterava a passagem do tempo e tudo o que aconteceu naqueles vinte anos. Não era possível apagar o passado, muito menos voltar atrás. 

"Estávamos fazendo o melhor possível para nos matar, alimentados pela raiva de anos separados - a minha por ele ter me mandado embora, a dele por eu ter ido, a minha por Laoghaire, a dele por Frank."

- Claire não sabia o que esperar ao chegar a Lallybroch, mas certamente não era a recepção dúbia de Jenny, sua cunhada, alguém que tinha sido uma grande amiga num passado distante. De quem ela sentira imensa falta e desejava intensamente rever. Mas toda a amizade parecia ter se rompido com os anos, pois a Jenny que a recebeu não parecia querê-la por perto. Não parecia considerá-la mais nada. E tudo piora quando um segredo chocante é revelado de uma maneira inesperada, fazendo-a perceber que talvez já não conhecesse o homem por quem tinha voltado. Por quem, mais uma vez, ela largou tudo. Onde tinha ido parar a promessa de nunca mentirem um para o outro? Quem era o estranho que fizera amor com ela, mas guardara para si algo que os afetava diretamente, algo que ela não poderia perdoar?

Transtornada após descobrir que Jamie casara outra vez, que estava casado naquele momento e era pai de duas meninas, ela mal conseguia pensar. Estava preparada para aquela possibilidade. Antes de voltar, sabia o que poderia encontrar. Não era isso o que mais doía. Além da mentira, o que era insuportável era saber que ele reconstruíra sua vida ao lado de Laoghaire. De todas as mulheres que ele poderia ter escolhido, foi justamente ela. Aquela responsável por um dos piores momentos de Claire, quando ela foi acusada de bruxaria, julgada e quase condenada à morte na fogueira. Por culpa daquela mulher, de Laoghaire. Não! Ela poderia perdoar qualquer coisa, menos aquilo. 

"- Durante tantos anos - disse ele - por tanto tempo, eu fui tantas coisas, tantos homens diferentes. [...] Mas aqui - disse ele, tão baixinho que mal podia ouvi-lo -, aqui no escuro, com você... eu não tenho nenhum nome."

- Disposta a ir embora outra vez, para longe de toda dor que a atingia sempre que estava perto de Jamie, ela foge de Lallybroch. Mas existem decisões que não podem ser tomadas. Escolhas que a vida não nos permite fazer. Como se afastar novamente? Como deixar outra vez o único homem que seu corpo desejava, que seu coração amava e que ela recordava mesmo dormindo, mesmo inconsciente? Se existia destino, o seu, sem sombra de dúvidas, era ao lado dele. 

Ainda magoada por suas mentiras e pressentindo que ele ainda ocultava outros segredos, Claire fica. Mesmo sabendo que dificilmente teria paz ao seu lado. Podia recordar a tranquilidade da vida em sua época, o chuveiro elétrico, os confortos de um tempo avançado. Não era uma vida desagradável, mas era uma vida sem amor. Uma vida em que Jamie não existia. 

"- Eu o amo - disse, e não precisava dizer-lhe que eu realmente falava do fundo do coração."

O retorno de Claire ao século XVIII, ao lado de Jamie, não é pacífico. É tumultuado, recheado de saudades e revolta, amor e ódio, paixão e ciúmes... de sentimentos fortes e confusos. Mas nada se comparava ao que eles, juntos, ainda enfrentariam. O mesmo destino que os uniu, os separou por vinte longos anos. E ainda não estava satisfeito. Porque um amor como o deles parecia possuir a necessidade de sempre ser posto à prova.

- Imagino que a Claire e o Jamie não tenham problema de coração. Senão, com certeza, já estariam mortos há muito tempo. Não sei qual é o problema da Diana Gabaldon com eles. Caramba, será que nunca bastará para ela?! Os dois já comeram o pão que o diabo amassou e dançou em cima, mas a autora não parece satisfeita. Vocês que acompanham a série sabem tudo o que eles enfrentaram. Todo o sangue literalmente derramado, todos os momentos de agonia física e emocional, todos os fantasmas que nunca os abandonarão, as lembranças... e a separação. Mas vem a autora com mais problemas, mais dor! Tem hora que dá vontade de gritar de raiva. Não suporto mais ver meu casal sofrendo! Não aguento mais tantas reviravoltas! 

" - Deus sabe que há um feitiço em sua vida, Jamie, ou já teria morrido uma dúzia de vezes."

- Sem sombra de dúvidas! Foram tantas as vezes em que o Jamie esteve perto da morte que nem dá para contar. Sem mencionar a Claire que também escapou por bem pouco vezes sem conta. Mas em O Resgate no Mar é tiro, facada, sequestro, tentativa de estupro, epidemias, ameaça de execução por enforcamento, outra separação, quase afogamento no mar (uma, duas, três, quatro... vezes!). Fiquei me perguntando se o casal realmente passou mais tempo junto ou separado neste livro. Sério! E se eles são imortais. Porque nenhum ser humano normal escapa tantas vezes da morte. Nem mesmo possuindo uma tremenda sorte!rs

- No entanto, apesar de eu ter me irritado muito com a autora ao longo da leitura e todas as "aventuras" que o casal é obrigado a enfrentar (se tivessem escolha eles viveriam uma vida bem tranquila numa casinha de campo, criando seus filhos e esquecendo-se do mundo), este é o meu livro preferido da série.kkkkk... Verdade que acontecem coisas demais, ao ponto de tornarem-se um tanto quanto inverossímeis, impossíveis de acreditar. A autora exagerou. Mesmo assim, foi o livro que mais apreciei, a leitura que me tocou de um jeito especial. Os outros dois livros foram maravilhosos, mas O Resgate no Mar tem um lugar de destaque no meu coração. Talvez porque as emoções estavam mais fortes, talvez porque também vivi com eles a separação de vinte anos e os vi mudar, serem atingidos pelo passar do tempo. Depois de tudo o que vivemos juntos, é normal que a leitura do terceiro livro tenha sido mais forte, mais impactante. 

"- Amar você me levou ao inferno mais de uma vez, Sassenach; mas eu correria o risco outra vez, se necessário."

- O que sempre me faz voltar para Outlander? O que me prende tanto à série? Fácil de descobrir: o amor que uniu e separou Claire e Jamie. O amor que a fez atravessar dois séculos... mais de uma vez. O amor que os obrigou a sacrifícios dolorosos demais de recordar, que os fez desejar e aceitar a morte... se com isso pudessem salvar o outro. É um amor inexplicável, incondicional. Um amor que nada poderia matar. Eu mudo cada vez que leio a história deles. Cresço mais, me torno alguém melhor e com mais esperança. Os únicos personagens que já viveram coisas semelhantes ao que Claire e Jamie viveram e me tocaram tanto como eles foram aqueles construídos pela Florencia Bonelli. Nunca pensei que sentiria algo parecido com o que senti com Isaura e Roger, Micaela e Carlo, Rafaela e Artémio, Eliah e Mat... mas aí conheci Outlander... 

"Pensei rapidamente naquela lápide na Escócia, com seu nome gravado, e reconfortei-me com sua distância. Fosse quando fosse, nossa separação não aconteceria em breve. E mesmo quando e onde acontecesse - ainda deixaríamos Brianna."

- Quem nunca leu esta série realmente não faz ideia do que está perdendo. Existem livros que não fazem a menor diferença em nossa vida se não lemos. Livros que podemos passar pela vida sem conhecer. Mas existem outros... que não ler é como passar pela vida sem realmente viver. E não brinco quando digo isso. Existem histórias que necessitamos conhecer. Que nos transformam, que nos marcam profundamente. Carrego comigo cicatrizes de histórias que li. De histórias que se tornaram parte do que sou, que construíram a pessoa que sou hoje. Não me envergonho dessas marcas. As carrego com orgulho em meu coração. 

"- Então me beije, Claire - sussurrou ele. - E saiba que você significa mais para mim do que a própria vida e que não me arrependo de nada."

E assim termino o ano de 2017. :D Existe maneira melhor?! Faltando poucas horas para o final de um ano que foi difícil, desafiador e ao mesmo tempo maravilhoso em seus devidos momentos (risos), eu escolhi como último post do ano a resenha de O Resgate no Mar. Minha família me disse que sou louca, que necessito de tratamento, mas não me importei e larguei tudo que precisava fazer para sentar na frente do computador e falar do meu casal querido. E, como o Jamie não se arrepende de nada, eu também não me arrependo. :)

Adeus 2017!!!! Feliz Ano Novo, queridos!

16 de setembro de 2017

O Resgate no Mar (Parte 1) - Diana Gabaldon

(Título Original: Voyager
Tradutora: Geni Hirata
Editora: Saída de Emergência
Edição de: 2015)

3º Livro da Série Outlander 

Há vinte anos Claire Randall voltou no tempo e encontrou o amor de sua vida – Jamie Fraser, um escocês do século XVIII. Mas, desde que retornou à sua própria época, ela sempre pensou que ele tinha sido morto na Batalha de Culloden. 

Agora, em 1968, Claire descobre, com a ajuda de Roger Wakefield, evidências de que seu amado pode estar vivo. A lembrança do guerreiro escocês não a abandona… seu corpo e sua alma clamam por ele em seus sonhos. Claire terá que fazer uma escolha: voltar para Jamie ou ficar com Brianna, a filha dos dois. 

Jamie, por sua vez, está perdido. Os ingleses se recusaram a matá-lo depois de sufocarem a revolta de que ele fazia parte. Longe de sua amada e em meio a um país devastado pela guerra e pela fome, o rapaz precisa retomar sua vida. 

As intrigas ficam cada vez mais perigosas e, à medida que tempo e espaço se misturam, Claire e Jamie têm que encontrar a força e a coragem necessárias para enfrentar o desconhecido. Nesta viagem audaciosa, será que eles vão conseguir se reencontrar?



Palavras de uma leitora...


- Sei que demorei muito para ler a continuação da série. Mas vocês precisam entender que não sou a pessoa mais corajosa do mundo.rs Como disse no post Outlander - Série de Livros e de TV, estava com medo. Muito, na verdade. Tanta coisa aconteceu em A Libélula no Âmbar e saber que o casal passaria boa parte do livro três separado me fez adiar a leitura por tempo indeterminado.kkkkkk... Eu já tinha sofrido tanto... Só de pensar na dor que a Claire e o Jamie estariam sentindo... Foi demais para mim. 

E se vocês acham que adiei por muito tempo a leitura (um pouco mais de dois anos) o que diriam do que tenho feito com a Mat e o Eliah?!rs Li o primeiro e segundo livro da Trilogia Cavalo de Fogo em 2013. Até hoje não criei coragem para ler o último livro.kkkkk Penso bastante no meu casal querido. Este ano, então! Todavia, sigo não estando preparada para as torturas que sei que fazem parte do último livro. Ainda mais depois que li a história do Artémio e da Rafaela. Amo a Florencia Bonelli assim como também sou louca pelos livros da Diana Gabaldon, mas meu coração aguenta doses pequenas de sadismo por ano.rs E ver meus casais amados sofrendo, sendo feridos de maneiras insuportáveis não é algo que eu aprecie. 

"Claire. O nome cortou seu coração como uma faca, provocando uma dor mais torturante do que qualquer sofrimento que seu corpo já havia suportado."

Em A Viajante do Tempo, após passarem anos separados por conta da guerra, Claire e Frank resolvem viver a tão sonhada lua de mel. Assim, saem da Inglaterra para passar algum tempo na Escócia, conhecendo os mistérios e belezas daquela terra tão bonita que guardava os segredos de épocas devastadoras... A primeira e a Segunda Guerras Mundiais haviam passado, mas a Escócia, cerca de dois séculos antes, tinha vivido a sua própria destruição. 

Ao chegar à Escócia, em vez de recuperar o tempo perdido e finalmente conhecer de verdade a esposa, Frank decide aproveitar a viagem para aprofundar-se mais em seus estudos sobre os jacobitas, seus antepassados e a Batalha de Culloden, sem saber que estava prestes a perder a mulher que amava... e, talvez, para sempre.

Curiosa após ver um estranho ritual enquanto passeava com o marido, Claire não conseguiu tirar o lugar de sua cabeça. Algo a atraía, como se a chamasse. Não parando muito para pensar, retorna ao círculo de pedras na manhã seguinte, atravessando dois séculos antes que pudesse ter noção do que lhe acontecia. 

Agora na Escócia do século XVIII, perdida e confusa, seu caminho se cruza com o de Jamie Fraser... mudando para sempre a vida dos dois. Não queria estar ali. Queria voltar para casa, para o marido que deveria estar desesperado à sua procura. Aquele não era o seu lugar. Mas, conforme o tempo passa e ela vai conhecendo melhor o homem com o qual teria que se casar para salvar a própria vida, seu coração começa a não desejar o mesmo que sua mente. Como deixá-lo se bastava um toque para que ela esquecesse o mundo? Como pensar numa outra vida se ao estar em seus braços sentia que era aquilo que esperara por tanto tempo? Amava-o com seu sangue, seus ossos, todo seu corpo e alma. Não quisera amá-lo e se tivesse que pagar o preço por trair aquele que talvez ainda esperasse por ela... o pagaria com alegria, pois nada no mundo a faria deixar Jamie Fraser para trás... Nada. 

" - Eu vou protegê-la. Dele e de qualquer outra pessoa. Até a última gota do meu sangue [...]" 
[A Viajante do Tempo] 

Mas em A Libélula no Âmbar tudo foge ao controle de Claire e Jamie. Com a revolta jacobita estourando, segredos, intrigas, mentiras e assassinatos por toda parte, o destino interfere separando os dois. Eles fizeram tudo o que puderam para impedir aquela guerra. Traíram amigos, correram riscos numa tentativa desesperada de mudar a história. Como permitir que uma guerra que destruiria tantas vidas acontecesse? Como não fazer nada diante da certeza de que tantas pessoas queridas ficariam pelo caminho e que os que sobrevivessem desejariam estar mortos? Não podiam permitir, mas o tempo trataria de provar que a história não poderia ser mudada e que o que tivesse que acontecer... aconteceria.

Ainda tentando recuperar-se do pesadelo que viveram na França, enquanto lutavam para impedir a Batalha de Culloden, Claire e Jamie retornam à Escócia. Parte deles ficaria para sempre naquele país... como o bebê que morreu ali. Eram muitas as lembranças, mas recomeçar era necessário. E enquanto tivessem um ao outro suportariam o que fosse. 

Todavia, após Dougal Mackenzie, tio de Jamie, ouvir uma conversa reveladora entre os dois, tudo caminha rapidamente para a mais dolorosa separação. Forçado a matar o tio para salvá-la, Jamie sabia o que precisaria fazer em seguida. Destroçado, leva Claire até onde tudo começou... Ela precisaria ir embora. Salvar o filho que esperava. Porque o destino dele já estava selado. Morreria em Culloden, cumprindo a história. Mas ela precisaria salvar o bebê, para que tudo valesse a pena. Para que sua morte não fosse em vão. 

Ninguém um dia poderia entender ou sentir a dor que a sufocou ao atravessar aquelas pedras outra vez... De volta ao seu mundo. Ao seu marido. Sabendo que Jamie não sobreviveria. Sabendo que ele estava disposto a morrer na guerra. Como imaginar uma vida sem ele? Como seguir em frente se as lembranças não a deixavam? Seu corpo ansiava pelo dele, seu coração gritava seu nome. Queria só mais uma chance. Uma oportunidade de voltar para ele. Para reviver o que um dia os uniu. 

E assim... Vinte longos e insuportáveis anos se passam. Cumprindo a promessa que lhe fez, Claire cria a filha dos dois ao lado de Frank. Com o tempo habituara-se à dor e conseguira seguir em frente. Mesmo que o visse em todas as partes. Mesmo que nunca o tenha esquecido. 

Porém, quando Frank morre e ela decide retornar à Escócia para que Brianna conheça a sua história, revelações chocantes a fazem perceber que talvez Jamie não tenha morrido em Culloden... que talvez ainda fosse possível encontrá-lo. Teria coragem? Conseguiria deixar a filha dos dois e ir ao seu encontro? 

"Permaneci imóvel, a visão embaciada, e naquele instante ouvi meu coração se partir. Foi um pequeno som, nítido, como o estalido da quebra do caule de uma flor."
[A Libélula no Âmbar]


No final do segundo livro, Claire descobre que Jamie realmente não morreu na guerra. Dividida entre a dor por tantos anos de separação e a esperança de ainda poder vê-lo, começa uma busca frenética na História, numa tentativa de rastrear seu paradeiro e então tomar a mais difícil decisão de sua vida. Porque a esperança também era acompanhada pela angústia de ter que escolher entre ir ao seu encontro, se ele de fato ainda estivesse vivo, e ficar com Brianna, a filha que teria que deixar para trás se atravessasse as pedras outra vez. Como escolher? 

"- Jamie - disse em voz alta. Meu coração batia com força no meu peito. - Jamie - disse outra vez, mais serenamente."

- Quem leu o primeiro livro da série sabe que as coisas terminaram bem entre nosso casal. O que contribuiu para o choque enorme que levamos assim que iniciamos a leitura do segundo livro. Porque A Libélula no Âmbar já começa em 1968, vinte anos após a separação entre Claire e Jamie. Uma separação que não esperávamos, algo que não entendíamos e nos angustiava. Como assim? Vinte anos? O que diabos aconteceu? Perdi alguma coisa? Então, depois de nos mostrar um pouco da vida da Claire no presente, com a filha já adulta numa viagem pela Escócia com ela, retornamos ao passado... e então tudo faz sentido... 

Acaba que o casal não fica separado de verdade no livro 2. Sabemos que estão, mas a autora passa o livro quase todo mostrando o passado e isso nos dá a maravilhosa sensação de que estão juntos ainda, que tudo não passou de um pesadelo. Apenas no final do livro voltamos novamente para o presente... e aí a ficha cai. De uma maneira bem dolorosa. 

"A memória voltou de repente e ele soltou um urro. Estava enganado. Aquilo era o inferno. Mas James Fraser, afinal de contas, não estava morto."

Quando O Resgate no Mar começa, nos vemos novamente levados ao passado. Só que enquanto no segundo livro fomos ao período anterior à separação, aqui conhecemos o que se passou depois. E, acreditem, foi muita coisa. Muita. :( Conseguem imaginar o que é estar longe de quem amam? Não ouvir sua voz, não sentir o toque da sua pele, ver seu sorriso, suas manias, sentir sua presença? Querer chorar em seus braços e não poder? Viver durante anos sem saber o que aconteceu, contando apenas com possibilidades e fé. Se conseguem imaginar, então podem ter uma ideia do que Claire e Jamie passaram. Mas foi além disso. Porque a Batalha de Culloden aconteceu, deixando cinzas e dor por toda a parte. 

Ele ainda não sabia por que não tinha morrido. Confuso após despertar, sem saber se estava no inferno ou não, mas imaginando que estava morto, Jamie demorou um pouco para perceber que estava deitado ao lado dos corpos daqueles que perderam tudo naquela guerra. Amigos, inimigos... Os sangues se misturavam e eles pareciam ainda estar ali... A alma relutando em entender, em partir... Começando a sentir frio, é então atingido pela dor dilacerante. Todo seu corpo doía, mas sua perna queimava com a ferida que não demoraria a matá-lo se não recebesse ajuda. 

Não queria que o salvassem. Tudo o que desejava era que a morte chegasse logo. Porque a consciência também trouxe de volta as recordações... e a perda. Claire. Ela não estava mais ali. Não poderia encontrá-la. Nunca mais a veria. Cego pelo sofrimento, sem mais forças para continuar, deixou-se morrer. Mas o destino, fazendo novamente suas próprias escolhas, interferiu, fazendo com que ele vivesse... contra sua vontade. Será que não entendiam que ele queria partir? Que não existia vida sem ela? 

"As lágrimas escorreram lentamente por baixo de suas pálpebras cerradas e ele virou-se dolorosamente de lado, para escondê-las dos outros.
Deus, que ela esteja a salvo, rezou. Ela e a criança."

Uma antiga dívida de honra faz com que Jamie não seja executado pelos ingleses. Do seu canto no chão, com uma infecção que não demoraria muito tempo para matá-lo, Jamie foi obrigado a escutar os disparos que tiraram a vida daqueles que como ele tinham sobrevivido à batalha. As ordens da Coroa eram fuzilar todos os soldados inimigos que tinham sobrevivido, ou seja, os escoceses. Sem piedade, os soldados executaram um por um e Jamie só desejava que sua vez chegasse logo, mas ao ser reconhecido pelo homem encarregado pelos fuzilamentos, uma estranha ironia do destino faz com que ele seja poupado e levado clandestinamente até sua casa, para os braços de sua irmã. 

Quando fica bom o suficiente para entender que não morreria como desejava, pode então perceber... Aquele era o início... de uma vida sem ela. Claire. Conseguiria? Teria forças para seguir em frente, para continuar sem a mulher que jamais deixaria de amar? 

"- Ele deu você para mim - disse ela, tão baixo que eu mal conseguia ouvi-la. - Agora eu tenho que devolvê-la a ele, mamãe."

Um dia, mais de vinte anos atrás, ela atravessou aquelas mesmas pedras, quando não sabia o que fazia ou o que encontraria do outro lado. Conheceu uma nova vida e o homem que sentia que era parte de seu próprio corpo. Que nunca estaria completa sem ele. Mas... três anos depois, sentindo-se sangrar por dentro, as circunstâncias a levaram embora. Agora... estaria preparada para atravessá-las pela terceira vez? Encontraria a felicidade como da primeira vez ou o desespero que a atingiu na segunda? Não sabia. E tinha medo. Mas precisava ir... Precisava estar ao seu lado. Queria voltar a respirar. A sentir-se viva outra vez. 

"Não sei quanto temo ficamos ali sentados no chão, chorando nos braços um do outro com a saudade de vinte anos derramando-se pelos nossos rostos."

- Não dá, gente. Não dá para colocar em palavras tudo o que senti durante esta leitura. A forma como me envolvi com cada acontecimento, com as pequenas alegrias e as terríveis dores dos personagens. Meu Jamie sofreu tanto! :( Não sei bem se a autora o ama ou odeia, tendo a acreditar na segunda hipótese. Porque ele sofreu os tormentos do inferno antes da Claire, quando o Black Jack apareceu em sua vida provocando destruições que me dói só de lembrar. E aí ele conheceu a nossa mocinha e mais uma vez foi golpeado pela vida, indo parar nas mãos do mesmo monstro num pesadelo que sinto náuseas quando recordo, que ainda me provoca arrepios e desespero. Ao lado dela não vive só a dor e humilhação que o Black Jack lhe causa. Claro que não! A autora queria mais e então vem a França! Enfim... A Diana deve mesmo odiá-lo! Porque ele sobreviveu à Culloden, mas pagou um preço muito alto. Durante vários anos...

Todavia, mesmo revoltada com a autora por separar o casal por tantos anos e provocar todos os sofrimentos que marcaram a vida dos dois, este é o meu livro preferido da série até agora. :) Não sei explicar. Me envolvi tanto... Acompanhei cada momento como se estivesse dentro da história, como se pudesse realmente ver o que acontecia. Também vivi algo semelhante durante a leitura dos outros dois, mas tem algo especial neste aqui. Algo que me tocou de uma maneira diferente, que o tornou único. Que me fez desejar recomeçar a leitura imediatamente após terminá-la. Existem coisas impossíveis de explicar. Coisas que apenas sentimos. Essa é uma delas...

"- Culloden - disse ele, a palavra sussurrada uma evocação de tragédia. Morte. Vazio. A terrível separação que me tirara dele.
- Eu nunca mais o deixarei - murmurei. - Nunca mais."

- Quando o reencontro finalmente aconteceu... Eu não sabia se ria ou se chorava. Para piorar minha situação o Jamie desmaiou.kkkkkkkkk... Aí fiquei igual uma doida rindo e chorando ao mesmo tempo.rsrs Jamie nunca deixará de ser esse escocês deliciosamente irresistível. Um guerreiro corajoso, implacável quando necessário, mas fiel à Claire de uma maneira tão bonita que nos emociona até as lágrimas. Que lutava o máximo que conseguia contra as necessidades do corpo, pois quando precisava deitar-se com uma mulher sentia que a traía, mesmo que a esperança de voltar a vê-la nesta vida não existisse. Um homem que seria capaz de ir ao inferno para salvá-la, mas que vomitava ao atravessar o mar e desmaiava ao rever fantasmas.rs Um assassino quando necessário, um contrabandista, um rebelde, mas também alguém que "adotou" um pequeno chinês encrenqueiro, que criou um pequeno batedor de carteiras como seu próprio filho, que colocava as necessidades dos outros acima das suas, se hospedava num bordel e jamais se deitava com as prostitutas, pois as respeitava como pessoas, como seres humanos e tinha princípios arraigados. Este é o meu Jamie. Nunca mudaria. Acontecesse o que acontecesse, em sua essência ele sempre seria o mesmo. 

" - Não sinto medo há muito tempo, Sassenach - sussurrou ele. - Mas agora acho que estou sentindo. Porque agora eu tenho algo a perder."

- Paro por aqui, queridos. A resenha já ficou longa demais.kkkkkkk... Continuarei a falar deste livro na resenha da segunda parte. Como vocês sabem, o terceiro livro da série foi dividido em dois livros, Parte 1 e 2. Este volume de 567 páginas (estou contando com a numeração da última página da história e não do livro em si) é apenas a primeira parte.rsrs 

Infelizmente, não poderei começar a Parte 2 hoje e nem nos próximos dias. :( Algo que me deixa um tanto irritada. É que preciso ler o livro escolhido para o tema deste mês do Desafio 12 Meses Literários. Mas assim que terminar retorno para Claire e Jamie. :D

28 de julho de 2017

Querida Sue - Jessica Brockmole

(Título Original: Letters from Skye
Tradutora: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Edição de: 2014)

Uma carta dá início a uma história de amor que nem duas guerras poderão apagar

Março de 1912: Elspeth Dunn, uma poetisa de 24 anos, nunca viu o mundo além de sua casa na remota Ilha de Skye, na Escócia. Por isso fica empolgada ao receber a primeira carta de um fã, David Graham, um estudante universitário da distante América. Os dois começam a trocar correspondências - compartilhando os segredos mais íntimos, os maiores desejos e os livros favoritos - e fazem florescer uma amizade que, com o passar do tempo, se torna amor. Porém a Primeira Guerra Mundial toma a Europa e David se oferece como voluntário, deixando Elspeth em Skye com nada além de esperanças de que ele sobreviva.

Junho de 1940: É o início da Segunda Guerra Mundial e Margaret, filha de Elspeth, está apaixonada por um piloto da Força Aérea Real. A mãe a adverte sobre os perigos de se entregar ao amor em tempos de guerra, mas a jovem não entende por quê. Então, durante um bombardeio, uma parede de sua casa é destruída e, de dentro dela, surgem cartas amareladas pelo tempo. No dia seguinte, Elspeth parte, deixando para trás apenas uma carta datada de 1915. Com essa única pista em mãos, a jovem decide ir em busca da mãe e, nessa trajetória, também precisará descobrir o que aconteceu à família muitos anos antes. 

Querida Sue é uma história envolvente contada em cartas. Com uma escrita sensível e cheia de detalhes de épocas que já se foram, Jessica Brockmole se revela uma nova e impressionante voz no mundo literário. 



Palavras de uma leitora... 


- Creio que é a primeira vez que começo a escrever a resenha aqui no blog sem antes colocar a sinopse. Claro que quando vocês lerem este post tudo já estará arrumadinho, formatado, com a sinopse em seu devido lugar antes do "Palavras de uma leitora..."rsrs Acontece que só tenho cerca de uma hora e trinta minutos para tentar colocar em palavras tudo o que sinto por esta história. Depois terei que me arrumar correndo para ir trabalhar. Por isso, comecei pela resenha em si. 

Sabe quando a intuição te leva a ler um livro especial? E não apenas uma história especial, mas uma das mais preciosas da sua vida. Aquela que você quer guardar num cantinho único e folhear todos os dias, se possível. Aquela que te arrancou lágrimas diretamente da alma, te preencheu de sentimentos lindos e ao mesmo tempo deixou um vazio que não poderá ser ocupado nunca. Foi exatamente o que aconteceu comigo ao ler Querida Sue. Ah, gente! Nunca mais serei a mesma. Livros realmente transformam pessoas. Sem sombra de dúvidas! Livros são capazes de nos marcar, de cravar-se como cicatrizes dentro de nós. O que seria da minha vida sem os livros? Acho que não existiria uma vida. 

- Foi num dia como outro qualquer. Eu estava fazendo minha costumeira visita às Lojas Americanas (meu lugar preferido para comprar livros, seguido de perto pela Saraiva, é óbvio!) quando vi alguns livros em promoção. Daquelas promoções de verdade, sabe? Peguei alguns livros, li suas sinopses e fiquei com vontade de trazer vários, mas quando bati os olhos em Querida Sue, senti uma coisa diferente. Não sei explicar. Eu o peguei nos braços (sim, foi bem assim mesmo!) e antes mesmo de ler a sinopse o quis demais. Como eu queria aquela história! Pensei comigo mesma: "Com tantos livros dos quais já ouvi falar para comprar por que escolher justamente um do qual você nunca ouviu nada?" O que era Querida Sue? Não fazia a menor ideia. Embora leia muitas resenhas na blogosfera literária, nunca tinha esbarrado numa resenha sobre essa história. Mesmo assim, soube que precisava desse livro. E não sairia de lá sem comprá-lo. 

Minha pilha de leituras nunca diminui, como vocês já sabem, por isso fui adiando a leitura dele. Mas o comprei ano passado, gente! E não pensei duas vezes ao colocá-lo na meta literária deste ano. :) Sim, ele saiu passando na frente de diversos livros.rsrs E o li num dos momentos que mais necessitava. Estou aqui chorando outra vez!kkkkkkk Sinceramente, não sei como ainda tenho lágrimas! A Jessica Brockmole fez de tudo para me desidratar durante esta leitura. 

- Existem escritores maravilhosos espalhados por este mundo. Sei disso! Muitos eu sequer terei a oportunidade de conhecer um dia, infelizmente. Outros já tive o privilégio de ler. Mas entre todos esses escritores talentosos e que nos fazem sentir um milhão de coisas, existe aquela parcela especial. Existem aqueles que possuem mais que talento... Que nasceram para escrever, que vieram com algo além desde o nascimento, entende? Para mim, a autora de Querida Sue tem esse algo especial. Eu mais do que viajei durante a leitura, queridos! Realmente  me senti dentro da história, sentindo absolutamente tudo com os personagens. E não queria que acabasse. Adoraria fazer parte da vida deles para sempre. 

Ainda não consegui parar de chorar. Mas não me sinto triste. Estou muito feliz por ter conhecido esta história. É um privilégio e tanto! Por favor, me digam que a Jessica escreveu mais histórias como esta e que elas também foram publicadas no Brasil! Eu necessito ler tudo o que ela tiver escrito. E o que ainda venha a escrever. Já foi direto para minha lista de autoras mais que queridas. 

"Eu devia ter lhe contado. Devia tê-la ensinado a proteger seu coração. Ensinado que uma carta nem sempre é apenas uma carta. As palavras na folha são capazes de inundar a alma. Ah, se você soubesse..."

- Não sei por onde começar. Como a Sue, me sinto sem palavras. Como colocar no papel tudo o que sentimos, tudo o que uma história nos provocou? Meus pensamentos estão desorganizados e minhas emoções, então! Queria não ter que trabalhar hoje. Queria poder ir para a Ilha de Skye, onde tudo começou entre eles, e visitar o lugar em que a Elspeth viveu e onde recebeu as cartas que mudariam toda sua vida. Mais do que isso, queria voltar no tempo, a um ano em que eu nem sonhava em existir... 1912. Março de 1912. Quando a vida da nossa protagonista realmente começou. 

É possível se apaixonar por alguém que você nunca viu em sua vida? Por uma pessoa com a qual você apenas trocava cartas? Pode o amor invadir as palavras escritas e atingir seu coração antes mesmo que se possa perceber? Embora fosse uma poetisa sonhadora, que vivia afastada do mundo "real", Elspeth não teria acreditado em algo assim... antes de receber a primeira carta. 

- Embora fosse uma escritora muito querida por todos os que tiveram a oportunidade de ler seus poemas, ela jamais tinha recebido a carta de um fã. Por isso, qual não foi seu choque quando aquele americano atrevido lhe escreveu. Ele tinha ganhado o livro de presente de um amigo, pois suas histórias ainda não tinham sido publicadas nos EUA. E ficara tão encantado por toda emoção que transparecia daqueles versos, que tivera a ousadia de lhe enviar uma carta, mesmo acreditando que ela se perderia numa pilha de outras enviadas por fãs. E com isso, deu início a tudo... A uma história de amor que tempo e guerra alguma seria capaz de destruir. 

"Uma vez, faz muito tempo, eu me apaixonei. Um amor inesperado, estonteante. Que eu não quis deixar partir."

O que era para ser apenas uma inocente troca de cartas entre uma escritora e seu fã, não demorou nada para tornar-se algo mais profundo, algo que não queriam perceber. Ela era uma jovem mulher casada, que não conhecia outra vida que não fosse aquela. Jamais saíra de sua pequena ilha, pois tinha tanto medo do mar que se transformara em prisioneira de seu mundo, sem jamais ter coragem de conhecer todos os lugares que sonhava em ir. Ele era um estudante universitário que não sabia bem o que desejava da vida, apenas que não era cursar medicina como seu pai impusera. Ele queria viver. Sentir. Se apaixonar. E nos versos de sua querida poetisa, encontrava a paz que não conseguia enxergar no vazio que eram seus dias naquele campus. Amá-la foi natural. Ninguém era capaz de entendê-lo melhor que ela. Quanto mais lhe escrevia mais desejava largar tudo e conhecê-la. Mesmo que ela fosse casada. Ainda que fosse um pecado desejar tê-la ao seu lado. Quem pode mandar no coração? Quem é capaz de controlá-lo? 

"Mas então veio a comoção da guerra, e não era hora nem lugar para um novo amor. Numa guerra, as emoções podem ficar confusas, as pessoas podem desaparecer, as opiniões podem mudar. Talvez tenha sido um erro eu me apaixonar tão de repente."

Por anos eles se corresponderam. Cada carta era esperada ansiosamente, pois ambos sentiam que viviam por aqueles momentos, mesmo que tentassem controlar tudo o que sentiam. Não podiam se amar. Era errado. Por isso, nunca se atreviam a colocar em palavras o amor que aquelas cartas despertaram. Ela continuava com sua vida ao lado de um homem distante e ele decidira ficar noivo, prestes a começar seu próprio caminho. Então, por que não conseguiam parar de escrever? Por que ele não era capaz de sentir nada pela noiva? Eram os lábios de sua querida Sue que ele desejava. Era o toque de sua pele na dele. Então, a 1ª Guerra Mundial começara... e diante da possibilidade de uma perda definitiva finalmente tiveram coragem para viver aquele amor. No momento equivocado. Porque cada instante juntos era seguido de meses de separação. E sempre pairava sobre eles o adeus... aquele que não seriam capazes de enfrentar... 

"Não me deixe partir para o front sem tê-la tocado pela primeira vez, sem ter ouvido a sua voz dizer meu nome. Não me deixe partir para o front sem levar uma lembrança sua no coração."

Ano de 1940. Em plena 2ª Guerra Mundial, Margaret apaixona-se perdidamente por um piloto da Força Aérea Real. Jamais entregara seu coração antes, mas quando estava com ele, esquecia-se do mundo. De tudo. Sabia que poderia perdê-lo, que naquela guerra nada era garantido. Um dia simplesmente poderia receber uma carta informando sua morte. Mas não queria deixar de viver, de amá-lo. Nem mesmo a oposição de sua mãe a impediriam de seguir em frente com aquele romance. Mas quando uma bomba cai em sua rua e as paredes de sua casa revelam cartas amareladas pelo tempo, todo o mundo de Margaret sofre um tremendo abalo. Conseguindo esconder apenas uma carta datada de 1915, antes que sua mãe recolhesse e guardasse todas as outras, ela não consegue entender quem poderia ser Sue e por que sua mãe ficara tão transtornada ao olhar para aquelas cartas. Como se não bastasse isso, ela desaparece logo em seguida e Margaret não faz ideia de para onde possa ter ido. Teriam aquelas cartas alguma coisa a ver com o desaparecimento de Elspeth? O que se esconderia no passado de sua mãe? Num passado do qual a vida inteira ela se negou a falar... 

"Afora eu, minha mãe passou as duas últimas décadas sozinha. Até vê-la naquela noite de bombardeio, na noite em que a guerra lhe rasgou o coração, eu nunca saberia. Nunca teria visto quanto ela era solitária. Nunca teria descoberto o que ela perdeu."

- Querida Sue intercala presente e passado de uma maneira cuidadosa e fascinante. Ora acompanhamos os acontecimentos do ano de 1940 ora voltamos para 1912 e todos os outros anos que seguiram antes do abrupto fim. E uma coisa que vocês talvez não saibam é que essa história não possui um narrador imparcial, uma terceira pessoa que nada tem a ver com o livro e apenas nos conta como tudo aconteceu. Não tem nada disso. Nem mesmo um narrador-personagem contando toda a história. Não tem nada daquilo com o que estamos acostumados. A história nos é mostrada TODA por cartas. Não existe um só capítulo, uma só página que seja diferente. O livro é escrito em cartas, gente! Algo que eu nunca tinha visto antes. 

Os trechos que coloquei nesta resenha são trechos das cartas trocadas entre os personagens. Tudo o que conhecemos vem das palavras que escreveram. Achei que não daria certo, que em algum momento a autora precisaria narrar algo, mas não. A história flui naturalmente dessa maneira peculiar e quanto mais lemos as cartas mais desejamos conhecer todas as outras. Nós invadimos a vida dos personagens, conhecendo seus segredos mais profundos, tristezas, alegrias, amores, medos, perdas... Entendem agora por que me sinto tão perto deles? 

"Penso nisso muitas vezes, Sue. Aqui estou. Não importa onde eu esteja no mundo, 'aqui estou'."

- Esta é uma das histórias que mais me emocionaram nesta vida. Como era possível eu viver num mundo em que não tivesse lido este livro?! Sinto algo muito forte e lindo por ter tido a chance de ler as cartas de Elsepth e David. Por ter conhecido a Margaret e seu querido Paul... Por ter sentido tudo com eles. Como esquecê-los? Nem nascendo de novo. 

"Certa vez você me falou, há muito tempo, que era muito clichê dizer que se podia amar alguém para sempre. Existe alguma palavra que signifique 'por mais tempo do que para sempre'? É por esse tempo que eu a amarei. 
Agora, para sempre, e depois. Amo você."

- Me dói ter que me separar do livro. Sei que preciso conhecer outras histórias que também me apaixonarão. Mas mesmo enquanto eu as ler, seguirei pensando em Querida Sue e dormirei com o livro sob o meu travesseiro. Por algum tempo... 

Esta foi minha sexta leitura para a Maratona Literária de Inverno 2017. A história de Elspeth e David preenche o Desafio 7: ler um livro que se passe em um período histórico importante. O livro se passa durante as 1ª e 2ª Guerras Mundiais. Restam só 3 livros agora! Será que conseguirei cumprir todos os desafios até o dia 30?! Veremos!rsrs 

"A guerra é impulsiva, ela me disse, e o que nos resta não passa de fantasmas."

Obs.: Quer um conselho? Se encontrar esta história numa livraria, supermercado, sebo ou qualquer outro lugar no qual esteja à venda, compre-a!!! Não desperdice a oportunidade! Porque dei uma olhada no site da Saraiva hoje e o livro aparecia como indisponível. Não tive tempo de conferir outros sites ainda, mas suspeito que vai ser difícil para as pessoas encontrarem este livro. :( O que aparecia para venda na Saraiva era apenas o ebook. Graças a Deus, não desperdicei minha chance em 2016 e tenho o meu exemplar de Querida Sue ao meu lado. Amo demais esta história! Muito mais do que podem imaginar. 

20 de outubro de 2015

Bodas de Ódio - Florencia Bonelli


Uma história de paixão e intriga na época de Juan Manuel de Rosas...

Ano de 1840, Buenos Aires

Com sua beleza ruiva, sua obstinação e seu espírito impulsivo, a jovem Fiona Malone faz jus à sua origem irlandesa. Nega-se a seguir os costumes portenhos da época, pois está decidida a casar-se por amor. Por isso, se desespera quando seu pai acerta seu casamento com Don Juan Cruz de Silva, protegido do tirano Juan Manuel de Rosas.

De Silva, apelidado o Diabo, tem um obscuro passado e deve sua riqueza tanto a sua inteligência, valor e frieza como ao afeto que Rosas sente por ele. Para consolidar sua posição deve casar-se com uma jovem de boa família e a beleza de Fiona o conquistou. 

Porém, o casamento começará marcado pelo ódio. Juan Cruz e Fiona só serão felizes se souberem ceder à imensa força do desejo... e do amor. 


Palavras de uma leitora...


"Para mim, o amor já não existe. É um sonho que jamais será realidade."

- Fiona Malone é uma jovem de personalidade forte, que sabe exatamente o que quer da vida. Sonha em casar-se por amor, viver o romance que só encontrava nos livros e parecia cada vez mais inalcançável. Nenhum dos pretendentes que conhecia, naquela sociedade fútil que ela tanto desprezava, mexia com seus sentimentos ou despertava qualquer interesse... até que ela o viu pela primeira vez. Existia naquele homem algo que a impedia de desviar o olhar, que a fazia desejar conhecê-lo mais, porém tudo termina antes mesmo de começar... E todos os sonhos que ela alimentava em seu interior são desfeitos...

" - Espero que o cavalheiro morra de amor por você. E você por ele. 
   - Jamais! Jamais morrerei de amor por alguém que me comprou como a uma vaca na feira. Me entende, Maria? Jamais!"

- Depois de levar a família à ruína, o pai de Fiona, que se negava a reconhecer sua existência até então, decide que a única maneira de salvá-los (ou a si mesmo) seria entregando-a em casamento a quem pudesse quitar todas suas dívidas. E claro que não perderia o tempo perguntando o que ela achava disso antes de acertar tudo com Juan Cruz. E usando das mais baixas chantagens, ele comunica sua decisão à Fiona, jogando em seus ombros a responsabilidade não só de salvá-los financeiramente, mas sobretudo de impedir que o avô que a criara como um verdadeiro pai e estava seriamente doente, morresse ao se inteirar das enormes dívidas que o filho contraíra e que ameaçava tudo que ele tinha lutado para manter por toda sua vida. Sem opção, Fiona aceita casar-se com Juan Cruz, jurando em seu coração que faria da vida dele um verdadeiro inferno. 

Mas o tempo fará os dois perceberem que o coração não liga à mínima para as nossas vontades... e que não podemos escolher a quem vamos ou não amar...

"- Te odeio, maldito De Silva! Te odeio com toda minha alma! E você sim deve ser o próprio diabo como dizem porque isto se converteu para mim no inferno!"

- Por onde começar?rsrs... Quem acompanha meu blog sabe bem que a Florencia Bonelli não é só uma das minhas autoras preferidas. Ela é especial, está acima de todas as outras escritoras para mim. Por mais queridas que as outras sejam, a FB é a que eu mais amo, suas histórias sempre me levam ao céu e ao inferno e bagunçam por completo minhas emoções. Me fazem chorar de soluçar, me fazem ri e me emocionar de um jeito totalmente distinto das outras histórias. Nunca consigo explicar exatamente o que suas histórias provocam dentro de mim, o quanto elas atingem meu coração. São coisas que simplesmente sentimos, que não é possível colocar em palavras. Porém... pela primeira vez na minha vida... uma história da FB não atingiu meu coração. Não me fez sentir a "magia" que inunda as páginas de seus romances... não me fez sentir a paixão, a intensidade que une sempre os seus personagens. Não me fez sentir aquele amor que os faria dar a vida um pelo outro se fosse preciso. Aquele amor que os tornava vulneráveis e fortes ao mesmo tempo, como o que se passou com todos os outros mocinhos e mocinhas que conheci da autora. Nada disso se passa em Bodas de Odio. E vocês não sabem o quanto é difícil para mim dizer isso. 

"- O que você está fazendo comigo, Fiona? O que você fez de mim que se não te tenho sinto que morro?"

- No início, a história me prendeu. Eu estava adorando cada momento, embora não simpatizasse muito com o mocinho. Porém, tinha a esperança de que ele fosse se tornar mais humano com o passar do tempo, que seria menos cruel e egoísta, que aprenderia a levar os sentimentos da Fiona em conta. E por mais que eu acredite que ele tenha aprendido a amá-la, não senti esse amor. Não me comoveu, não me provocou nada. Porque o Juan Cruz fez tantas coisas erradas, foi tão insensível e canalha com a mocinha, que eu já não me importava com o que ele sentia ou deixava de sentir. Eu peguei uma enorme antipatia por ele, um desprezo, e nada que ele tenha feito depois conseguiu mudar isso. E quando a Fiona, que era a única personagem que valia a pena nesta história, se tornou tão submissa às vontades dele, preferindo obedecê-lo e não mais enfrentá-lo como tinha todo o direito de fazer, eu perdi todo o interesse no livro e fui arrastando a leitura desde então. Desejando que a história terminasse logo para que eu pudesse me livrar dela. Esquecer que a tinha lido. E isso me encheu de tristeza porque eu jamais imaginei que chegaria o dia em que eu desprezaria um mocinho da FB, que desejaria esquecer que tinha lido uma história dela. Mas infelizmente foi o que se passou. 

"Agora está você. Minha vida é você. É minha paz, minha felicidade, tudo. Nunca me abandone, Fiona, meu amor, nunca me deixe! Isso sim eu não poderia suportar. Já não me odeie tanto, por favor... Por favor... Não me odeie mais."

- O único momento em que o livro conseguiu me tocar e até encher meus olhos de lágrimas foi no final. A lenda que contam para a Fiona é tão triste e tão emocionante, impossível ficar indiferente. E além disso aquelas cenas finais... Por causa dessas cenas não conseguirei esquecer esta história. 

"Desde o dia em que te conheci, Fiona Malone, não faço mais que amar-te com loucura."

- Recomendo a história?! Sim!rsrs... Por que acham que eu escolhi alguns trechos lindos para colocar nesta resenha? :) Eu posso não ter amado este livro, posso ter desprezado profundamente o mocinho e desejado esquecer a existência desta história.rs Mas isso não significa que a história é ruim ou que vocês sentirão o mesmo que eu senti. Existe muita gente que amou esta história, que a considera uma das suas preferidas e o livro é muito bem escrito e pode ser bem envolvente. Recomendo que deem uma chance ao livro. Podem acabar por amá-lo. :) E eu espero realmente que isso aconteça. 

"- Fiona, minha pequena e doce Fiona. Quanto te fiz sofrer! Poderá me perdoar algum dia?"


- O final da história me fez lembrar de uma música muito linda...

2 de abril de 2015

Me Llaman Artemio Furia - Florencia Bonelli


Buenos Aires, 1810

Artémio Fúria não é um homem comum. É um gaúcho cujo nome se pronuncia com respeito e temor em todas as esferas da sociedade. Entre 1806 e 1807, seus centauros e ele serviram nos exércitos de Juan José de Pueyrredón para expulsar os ingleses. Sua influência entre os paisanos é decisiva. Quando iniciam-se os preparativos para a Revolução de Maio de 1810, a facção patriota, que deseja a independência do Rio da Prata, o convoca para lutar pela liberdade. Contar com os homens do gaúcho Fúria pode significar a vitória. 

Em meio às intrigas políticas que podem acabar com sua vida, o passado sombrio e trágico de Artémio Fúria se faz presente. Ainda que desejasse esquecê-lo, a honra o obriga a buscar vingança. Nessa outra batalha, Artémio Fúria poderá perder algo mais que sua vida... 



Palavras de uma leitora... 


"- Quero arrancá-la dos meus pensamentos. Quero que seu nome não se repita em minha mente. Quero que desapareça. Quero esquecê-la. Está me enlouquecendo - sua voz rouca perdeu firmeza - Depois de tantos anos, ainda me enlouquece."


Um amor que nem a morte seria capaz de destruir. Muito menos o ódio e a vingança...

Junho de 1790. De pé, meio escondido, o menino observava enquanto seus pais eram assassinados e sua irmã era levada embora por seus assassinos. As lágrimas escorriam silenciosas por seu rosto, enquanto ele tentava compreender o que se passava. Por mais que soubesse que seus pais estavam mortos, seguia num estupor, querendo acreditar que tudo não passava de um pesadelo. Lhe doía não poder salvá-los. Lhe angustiada saber que a partir daquele momento estaria sozinho, que seus pais jamais voltariam a colocá-lo na cama e ensinar-lhe coisas novas. Sua mãe já não iria mais sorrir para ele... nunca mais sentiria o seu abraço ou poderia buscar refúgio neles. Estava só. Sua família havia partido para sempre. 

Ele estava junto aos corpos dos pais quando um padre o encontrou e salvou sua vida. Ao lado daquele homem, voltou a se sentir querido e através dele conheceu seu melhor amigo. Mas o passar dos anos e o lugar que encontrou junto à família de seu amigo não foram suficientes para preencher o vazio. E nem diminuir seu desejo por vingança. Um dia derramaria o sangue daqueles que destruíram a sua vida. E só então poderia encontrar a paz. Não antes. E nada no mundo poderia fazê-lo desistir de sua vingança... Absolutamente nada...

"[...] Porque você me livra do frio da morte. Porque se a olho, aquelas imagens aberrantes que me atormentaram dia a dia durante vinte anos se desvanecem. Porque se seus olhos verdes e bondosos me contemplam com amor, então, minha vida cobra sentido."

- Nada... nem sequer sua Rafaela das Flores? Nem mesmo ela seria capaz de fazê-lo abrir mão do ódio e da vingança que o mantiveram vivo durante todos aqueles anos? Na vida... Artemio terá que aprender que não se pode ter as duas coisas... Se quisesse ter ao seu lado a única mulher que conseguira invadir um coração que ele já nem sabia que possuía... teria que abrir mão de algo. Porque a vingança... pode ter um gosto muito amargo e... lhe roubar o que lhe é mais precioso...

Ela apareceu em sua vida suave e bruscamente. Era o sol e a tempestade. Aquela que o tranquilizava, mas também mexia com todas as suas emoções. Apesar dos anos, ele ainda era capaz de recordar a primeira vez que a viu e a ânsia que sentiu por saber mais dela... por segui-la, por entrar em sua vida e se tornar o dono do seu coração. Não pôde tirá-la da cabeça e quando a oportunidade de trabalhar em sua propriedade, ajudando-a pôr em ordem o caos que reinava no lugar, apareceu, ele nem sequer hesitou. Iria estar perto dela e ao menos isso lhe bastaria... por um tempo. 

" - Você, Rafaela, é a única que não me faz perder por completo a fé neste mundo. Por você seria capaz de viver outra vez tudo o que vivi. Por você, Rafaela. Só por você, minha Rafaela. 

- E eu, por você, senhor Fúria, daria minha vida. Te amo, senhor Fúria, como jamais amei ninguém. Como nunca amarei ninguém. Eu sei. Sei que você está gravado a fogo em meu coração e que já ninguém será capaz de arrancá-lo dali. 

- Que ninguém me arranque de seu coração - suplicou ele, com feroz ansiedade - Que ninguém se atreva a arrancar-me de seu coração."

- A história começa no ano de 1790, e nos leva a conhecer a infância traumática do nosso mocinho. A morte dos pais, o sofrimento e vazio que tomou conta dos seus dias, a dor e as cenas que ele jamais conseguiria esquecer. Que tempo algum seria capaz de apagar. E aí, a história dá um salto de 30 anos, nos levando à Irlanda de 1820 e nos fazendo conhecer um Artémio diferente, que convive com as lembranças de uma mulher que ele amou e com a qual viveu uma linda e trágica história de amor nove anos antes. 

"Que bem há em viver sem você?"

Prestes a anunciar seu noivado com Elisabetta, uma mulher maravilhosa, mas pela qual ele sentia apenas afeto e que sabia que jamais viria a amar... as imagens de Rafaela inundavam sua mente com ainda mais intensidade. Ela foi sua vida. E sem ela... ele não era mais nada. Por mais que respirasse, sabia que sua vida havia se perdido no dia em que Rafaela morreu, vítima de um ataque cruel. Durante muito tempo Artémio desejara morrer e era um desejo do qual ele ainda não se livrara... Que sentido tinha a vida se ela já não estava? Ela o salvou. De todas as formas possíveis. Cicatrizou um coração que doía a cada batida, um coração que sangrava pela dor que a vida lhe causara... por toda injustiça... pelas lembranças de sua família destruída. Ela o reconciliara com Deus e com o mundo... e então foi embora. Provocando uma ferida ainda mais profunda do que a anterior, fazendo com que o simples ato de respirar fosse um tormento. 

"Sua mente e seu coração se encontravam num solitário confinamento, que o protegia das perguntas - dos outros e dele -, que o protegia da sinceridade, que o resguardava de admitir que havia morrido nove anos atrás no Rio da Prata, porque ainda que conversasse com amigos e familiares, ainda que atendesse seus negócios, comesse e bebesse, tivesse sexo e ainda risse, tudo isso ele fazia com uma alma morta, fria e inerte."

- Sabia que tinha que seguir em frente... esquecê-la. Muitos anos tinham se passado e era hora de voltar a pensar em construir uma família, mas o simples fato de pensar nisso trazia de volta toda a dor. Como ele poderia viver sem seu coração? Como seguiria em frente com alguém que não fosse ela? 

"Não me esqueça, senhor Fúria. Por favor, não me esqueça."

- Em meio ao seu noivado e às lembranças ainda mais intensas de Rafaela, surge para Artémio a oportunidade de voltar a Buenos Aires... ir de encontro mais uma vez com os seus fantasmas, com tudo de bom e ruim que ele tinha vivido naquele lugar. Ela estava ali. Sua Rafaela. Suas lembranças... os lugares pelos quais eles tinham passado, cada local em que se amaram, em que prometeram que estariam sempre juntos. Ali também estava o seu corpo... e o seu assassino. Sim. Era hora de voltar... Por ela. 

"[...] Pensei que morria quando não a encontrei. Acreditei que você tinha ido embora. 

- Ir embora? Sem você, senhor Fúria? Eu já não poderia viver sem você."

- Elisabetta o amava... Tudo nele. Seu sorriso, seu corpo, seu caráter, o carinho com o qual ele tratava as crianças e os animais, a forma como ele se importava com aqueles aos quais todos ignoravam... mas se sentia impotente diante da distância que havia entre os dois. Era como se houvesse uma barreira, algo que o impedisse de se entregar por completo a ela. E Elisabetta queria saber... O que havia no passado do homem que em breve seria seu marido? Quem era Rafaela e por que ele sonhara com ela? É através de uma conversa entre Elisabetta e o melhor amigo do Artémio que somos levados mais uma vez ao passado... Ao ano de 1810. Para conhecermos uma história. Para conhecer a história de um amor que sobreviveu ao mais duro passado, à vingança, ao ódio, ao inferno no qual Artémio e Rafaela foram lançados. Um amor que reconstruiu não só a vida de Artémio, mas também a vida de sua Rafaela. Que os salvou, que os fez perceber que existia um sentido neste mundo... um motivo para existirem. Para terem sobrevivido quando tudo estava contra eles. Conheceremos a história de um amor que nos marcará por toda a vida. Que jamais sairá de nossa mente e... coração. 

"Esqueça-a. Deixe-a ir. 'Só mais uma vez', prometeu a si mesmo. 'Quero vê-la uma vez mais. Depois, a deixarei ir."

Será que tudo realmente se perdeu? Será que uma história de amor como a que eles viveram pode terminar como terminou? De uma maneira tão cruel, destruindo mais uma vez alguém que já tinha sido tão golpeado pela vida? Será que já não bastava ver a morte dos pais, observar enquanto eles gritavam e nada poder fazer? Será que não era suficiente ver sua irmã ser levada por aqueles homens e durante toda uma vida não saber o que acontecera com ela, sequer saber se ela estava viva ou morta? A vida realmente a tinha levado? Sua Rafaela estava realmente morta? Ou a esperança que ele escondia dentro de si fazia sentido? De volta a Buenos Aires... muita coisa pode acontecer... Às vezes o passado não pode ser enterrado. Muito menos se dentro dele está uma história de amor que terminou da maneira errada... 

"- Rafaela. Minha Rafaela. Não me deixe. Pelo amor de Deus, não me deixe."

- Bem... Por onde começar? Apenas pensar na Rafaela e no Artémio já me faz chorar. Não consigo. Simplesmente não consigo evitar a emoção. São tantas coisas que eu gostaria de dizer, de desabafar... tantos sentimentos... e me encontro sem palavras. Não sei como expressar o que sinto por eles. Creio que não exista sequer uma palavra que possa explicar como eles mexeram comigo, como invadiram minha vida e e construíram um espaço só deles em meu coração. Eu sabia que iria amá-los. Por mais que tenha fugido dessa história por anos, sempre soube que no dia em que me permitisse conhecê-la seria cativada de uma maneira inexplicável, incondicional. Mas nunca imaginei que seria tanto... nunca passou pela minha cabeça que esse casal conseguiria tocar meu coração de uma maneira tão linda e dolorosa ao mesmo tempo. Chorar não diminui a dor que ainda sinto. Sabe quando você ama tanto uma história que chega a doer? Sabe quando um livro mexe tanto com as suas emoções que te leva ao céu e ao inferno? Esta história faz exatamente isso com a gente. Não dá para ficar indiferente. Não dá para escapar. 

" - Te amo, senhorita Rafaela. Te amo com todo o meu coração, com toda alma. Para sempre, ouviu? Para sempre."

- Quem é Artémio Fúria para mim? Alguém que a vida não conseguiu destruir. Uma pessoa que passou por um inferno que eu sequer sou capaz de imaginar...  que sofreu o que ninguém merecia sofrer... Que mesmo tendo todos os motivos para desistir e para ser alguém cruel, amargo, incapaz de sentir compaixão por qualquer pessoa, escolheu ser alguém diferente. Não abriu mão de sua alma. Os homens que mataram seus pais e levaram sua irmã não puderam destruir sua essência. Artémio para mim é um homem que sabe ser implacável com seus inimigos, mas também sorrir e consolar uma criança. Alguém que mataria sem hesitar qualquer um que entrasse em seu caminho e testasse o seu temperamento (não era chamado de Artémio "Fúria" à toa), mas era também o homem que salvou um animal selvagem e fez dele o seu amigo. Alguém que deixava a máscara cair sempre que se via diante de uma criança ou animal. Que era capaz de ajudar, sem esperar nada em troca, aqueles que ninguém ajudava. Mas sobretudo é o homem que entregou seu coração, ainda que ferido, para a Rafaela e permitiu que ela o curasse, que derrubasse suas defesas e fizesse parte de sua vida. Era alguém que não se julgava capaz de amar, mas que amava a Rafaela de uma maneira intensa, possessiva, terna, apaixonante, incondicional... com toda a sua alma. Ele a tornou o centro da sua vida... a tornou, na verdade, sua própria vida. Vivia e respirava por ela. E cada vez que eles estavam juntos, mesmo trocando um simples olhar, eu sentia uma emoção muito forte. O que existiu entre eles foi verdadeiro, forte, inesquecível. E nunca poderia ser destruído. Nem mesmo pela morte. 

"- Shhh. Não chore, meu amor. Não chore. Estou aqui para você e jamais voltarei a sair do seu lado."

- Rafaela havia sido feita sob medida para o nosso mocinho. Não existiria no mundo alguém tão perfeito para ele como ela. Antes de se conhecerem estavam incompletos porque era o destino deles se conhecerem... se amarem. Eles tinham sido feitos um para o outro e nem mesmo um segredo terrível, com um grande poder de destruição seria capaz de separá-los. Nada. Nem o tempo ou qualquer outra coisa. Logo que conheci a Rafaela, percebi que iria gostar muito dela, que acabaria adotando-a e querendo protegê-la de tudo. Uma mocinha que me lembrou uma outra mocinha maravilhosa que tive a oportunidade de conhecer. Mas ao longo da história, ela me mostrou que deveria ser querida por si mesma, que era muito mais do que eu imaginava que ela fosse. Uma jovem guerreira, humana, que não enxergava a bondade, a força e a coragem que possuía dentro dela. Alguém que durante toda a vida viveu sob a autoridade do pai, temendo até mesmo abrir a boca para dizer o que realmente sentia ou pensava, com medo de decepcioná-lo. Mas que lutou com unhas e dentes pela vida de uma criança inocente, que fazia parte de sua família, mas que eles queriam abandonar para esconder seus pecados. E que rejeitaram por não ter nascido perfeita. Ao amar essa criança, ao lutar por ela, Rafaela nos mostrou qualidades que ela não era capaz de enxergar. E o mesmo se passa quando ela conhece o Artémio. Quando amava... ela se entregava por inteiro. E era capaz de qualquer coisa para defender esse amor. Era jamais desistiu dele, nem mesmo quando ele fez em pedaços seu coração. Ela sempre acreditou. Sempre confiou no seu Artémio Fúria, no único homem ao qual havia pertencido e sempre pertenceria. Artémio não era o único cujo amor era sem limites, sem regras e arrebatador como poucos... Rafaela amava do mesmo jeito. E é impossível não amá-la. Ela não era perfeita, assim como ele também nunca foi. Eram duas pessoas humanas, que descobriram juntas o amor. Duas pessoas que se amavam com loucura e que não eram capazes de viver sem o outro. Respirar... não significa viver. 

"- Promete-me que morreremos juntos.
- Eu prometo."

- Não consigo falar mais nada. Na verdade, chego a me surpreender por ter conseguido escrever o pouco que escrevi. Sei que não é suficiente. Sei que minhas palavras não são dignas desta história. Que o Artémio e a Rafaela merecem muito mais. Só que por mais que escrevesse, seguiria não sendo suficiente. O que sinto por eles não pode ser colocado em palavras. É impossível. Só posso dizer que amo esse casal. Com todo o meu coração, com toda minha alma. E que não importa quantos anos se passem e quantas histórias eu venha a conhecer, nunca, nunca mesmo, poderei esquecê-los. 

"Se quer saber a minha identidade, pensa em mim como o homem da Rafaela das Flores. Esse sou eu, porque sem você, Rafaela, não sou nada."

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