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9 de setembro de 2020

A Abadia de Northanger - Jane Austen


Literatura Inglesa
Título Original: Northanger Abbey
Tradutor: Rodrigo Breunig
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2011
Páginas: 272

49ª leitura de 2020 (46ª resenha do ano)

Sinopse: Catherine Morland, dezessete anos, coração puro, é uma mocinha ingênua, viciada em livros repletos de desventuras horripilantes e amores trágicos. Sabendo sobre a vida apenas o que leu nos romances, ela sai de seu obscuro vilarejo natal para passar uma temporada em Bath, estação balneária frequentada pela aristocracia inglesa, onde conhece bailes excitantes, uma amiga amabilíssima, um cavalheiro encantador e outro insuportável. E sai de Bath para ser hóspede, como num sonho, de uma abadia. A antiga construção, porém, revelará sinais misteriosos, indícios de que foi cenário, no passado, de um crime medonho. Exatamente como ela lera nos livros...



Estou passando por dias um tanto ruins na minha vida e confesso que não me sinto capaz de escrever esta resenha. Mas este é um livro que me encantou tanto que eu resolvi pelo menos tentar falar sobre ele. 

Persuasão era até agora o meu livro preferido da Jane Austen. Todavia, depois da maravilhosa experiência de ler A Abadia de Northanger, eu já não sei mais o que fazer.rsrs Acho que vou deixar os dois ocuparem o primeiro lugar entre os mais amados da autora...

Quando iniciei esta leitura eu não sabia bem o que esperar. Não é um dos romances mais famosos dela, poucas vezes li resenhas sobre ele (na verdade, no momento, sequer consigo lembrar de nenhuma resenha que tenha lido!) e, no fundo, acreditava que não chegaria aos pés das outras histórias. Só que logo no início, a ironia da autora, bem mais explícita neste romance do que em qualquer outra história que já li dela, já me fascinou e eu ria tanto com a maneira como ela debochava dos costumes e das relações de "amizade" existentes entre alguns personagens, que consegui perceber que este livro me preparava grandes surpresas...

Nele temos uma heroína que não possui muitas características dignas de uma heroína (segundo a autora, que o tempo inteiro "se mete" na história.rsrsrs), que tudo o que conhece da vida é o que leu em seus amados livros (vários deles de terror) e a pouca experiência que tinha em se relacionar com outras pessoas, vez que vivia num vilarejo de onde jamais tinha saído. Ela tinha apenas dezessete anos e era bastante ingênua, inclusive para a idade. 

Um dia, o senhor e a senhora Allen, que não tinham filhos e viam em Catherine sua protegida, resolveram levá-la para uma temporada em Bath, algo que a empolgou bastante. Era sua primeira chance de conhecer outros lugares, outros tipos de pessoas e possivelmente um "mocinho" adequado. Lá, Catherine acaba desenvolvendo amizade com Isabella Thorpe, que lhe jura fidelidade eterna e não consegue passar sequer um dia longe de sua "amada amiga". Isabella possuía um irmão, John Thorpe, que por coincidência era o melhor amigo do irmão da nossa mocinha. 

Além desses personagens, que serão significativos na vida de nossa heroína, ela também conhece Henry Tilney, por quem sente uma "inexplicável" atração. Só com ele queria realmente dançar. Só com ele era interessante conversar e o mais fascinante é que Henry não via os romances com desprezo, como outras pessoas, e não é nada mau se interessar por alguém que aprecia os livros, certo? Só que existia John Thorpe, o desagradável e "chiclete" irmão de sua amiga. Alguém que amava muitíssimo a si mesmo (e ninguém mais) e estava determinado a conquistar Catherine e atrapalhar sua amizade com os Tilney.

E como se não bastasse os grandes desafios que Catherine terá que enfrentar ao lidar pela primeira vez com a hipocrisia de outras pessoas, sua imaginação tão fértil conseguirá colocá-la numa certa confusão... em uma determinada abadia.  

Mas se tem uma coisa garantida nesta divertida e envolvente história é o final feliz! Dele, Jane Austen não abre mão. Para a alegria de nós leitores, claro!

" - A pessoa que não sente prazer com um bom romance, seja cavalheiro ou dama, só pode ser intoleravelmente estúpida."

Eu amei cada momento da leitura e só queria devorar as páginas para saber como terminava. É uma história na qual a autora usa e abusa da ironia como nunca a vi fazer (geralmente nos outros livros, ela é mais implícita) e isso foi o que mais me agradou. Me proporcionou muitas risadas e a maneira como ela se metia na história, conversando com nós leitores, também foi um espetáculo. Era como se ela realmente estivesse falando diretamente com a gente e isso foi incrível. Amei demais este livro! 

Impossível não mencionar o talento da autora para expor certas amizades falsas escondidas sob um verniz de grande carinho, bem como a hipocrisia daqueles que só se aproximam de outros por interesse e os tratam como os mais "preciosos do mundo", de acordo com o status e a riqueza deles. Vários personagens eram tratados de acordo com sua fortuna, as pessoas valiam apenas o que tinham... algo não muito diferente do que ainda acontece nos dias de hoje. 

Além disso, de maneira um tanto mais implícita, ela também menciona a realidade de filhos submetidos a pais controladores e abusivos, que precisam "pisar em ovos" todos os dias para lidar com alguém de quem não podiam se libertar pelos laços de sangue e de afeto. Uma das coisas que mais me enfurecia neste aspecto, era a maneira como aquele pai sempre falava pela filha, anulando suas vontades, anulando sua voz. E como, inclusive, a envergonhava na frente de outras pessoas. O tempo inteiro ela tinha que agir com cautela, tentando lidar com uma situação com a qual não teve outra escolha senão se acostumar... até ter a oportunidade de escapar daquilo pelo casamento. Tudo isso é mostrado de forma mais implícita, como eu disse, mas está ali para o leitor perceber. 

A relação entre Catherine e Henry é bem fofa, mas até nisso a autora teve que ser única.rsrs Só lendo para vocês entenderem. Gostei demais dos dois juntos e torci muito por seu final feliz. 

A história de alguns personagens não "fechou" como eu gostaria, mas a autora fez de propósito para que nossa imaginação fizesse sua parte. E como não falar da paixão da protagonista pelos livros???? É tão maravilhoso encontrar um personagem que seja leitor! Infelizmente, não aprecio o mesmo gênero literário que ela, mas só o fato de ela ser leitora já me deixou com um sorriso no rosto. E era bem divertido ler sobre as loucuras que a mente dela aprontava influenciada pelos livros lidos.kkkkkk... Ela é bem doidinha!

Enfim... É isto, queridos! Sei que esta resenha não é digna da história, mas fico feliz por passar pelo menos um pouquinho do meu amor pelo livro. Espero que tenham gostado! :)


-> DLL 20: Um livro lançado antes de 2016



14 de janeiro de 2019

Uma Noite como Esta - Julia Quinn


Anne Wynter pode não ser quem diz que é...

Mas está se saindo muito bem como governanta de três jovenzinhas bem-nascidas. Seu trabalho é bastante desafiador: em uma única semana ela precisa se esconder em um depósito de instrumentos musicais, interpretar uma rainha má em uma peça que pode ser uma tragédia ou, talvez, uma comédia - ninguém sabe ao certo - e cuidar dos ferimentos do irresistível conde de Winstead. Após anos se esquivando de avanços masculinos indesejados, ele é o primeiro homem que a deixa verdadeiramente tentada, e está cada vez mais difícil para ela lembrar que uma governanta não tem o direito de flertar com um nobre. 

Daniel Smythe-Smith pode estar em perigo...

Mas isso não impede o jovem conde de se apaixonar. Quando ele vê uma misteriosa mulher no concerto anual na casa de sua família, promete fazer de tudo para conhecê-la melhor, mesmo que isso signifique passar os dias na companhia de uma menina de 10 anos que pensa que é um unicórnio. 

O problema é que Daniel tem um inimigo que prometeu matá-lo. Mesmo assim, no momento em que vê Anne ser ameaçada, ele não mede esforços para salvá-la e garantir seu final feliz com ela. 



Palavras de uma leitora...


- Eu estou tão encantada com esta história... tão perdidamente apaixonada por tudo no livro que nem sei se conseguirei controlar minhas emoções para escrever uma resenha, no mínimo, coerente.rs Estou muito feliz por ter feito uma aposta tão perfeita. 

Era para estar lendo Vox e O Menino do Pijama Listrado, duas leituras fortes que resolvi enfrentar este mês. E realmente estava lendo ambos os livros, sendo que o segundo já estou quase terminando. Todavia, são leituras que me deixam tão angustiada e à beira das lágrimas o tempo todo que decidi aliviar um pouco as coisas intercalando com um romance de época. A cada capítulo lido dos livros citados eu leria dois capítulos de Uma Noite como Esta.kkkkkk... Acontece que nada saiu como o planejado e no momento em que iniciei a leitura deste livro foi impossível largá-lo.rsrs

"[...] Daniel a fitou do outro lado da mesa e não foi sua beleza que viu. Foi seu coração. Sua alma. E teve a profunda sensação de que sua vida nunca mais seria a mesma."

Era muito bom estar de volta ao seu lar. Por conta de um desafio proposto numa noite de bebedeira e estupidez, Daniel quase assassinara um homem (pior ainda, um amigo), mesmo que tudo não tivesse passado de um acidente. Todavia, era fato que se não estivesse participando de um duelo nada daquilo teria acontecido. Embora Hugh assumisse sua parcela de culpa e não quisesse a cabeça de Daniel como vingança, o mesmo não se poderia dizer de seu pai, que jurara que o mataria, não importava o quanto ele fugisse e se escondesse. Porque o tiro que quase tirou a vida de Hugh o deixou com a perna seriamente lesionada e com dores que provavelmente o acompanhariam pelo resto da vida. Sem outra alternativa para se livrar dos homens contratados pelo pai de seu amigo para matá-lo, Daniel foi embora do país. E viveu por três longos anos fugindo, nunca podendo permanecer por muito tempo em um lugar, pois a sede de vingança daquele homem não tinha fim. Até que, inesperadamente, o amigo foi ao seu encontro, e jurou que ele poderia regressar. Que seu pai desistira da vingança. Poderia ser uma armadilha, é claro, mas Daniel desejava tanto rever sua família, até mesmo suas barulhentas primas, que não parou para pensar em nada. 

Regressou justamente na noite de apresentação do quarteto Smythe-Smith, formado por quatro de suas primas solteiras, mas casadouras, condenadas a se apresentarem (ainda que sem talento) até que se casassem ou morressem, o que viesse primeiro. Mas algo definitivamente estava errado, pois ele tinha certeza que a jovem sentada ao piano não possuía laços de sangue com ele. E graças a Deus por isso, pois no momento em que olhou para ela soube que estava perdido. 

"[...] Esse beijo... Eu o desejo com um fervor que abala a minha alma. Não tenho ideia de por que o desejo, mas foi o que senti no instante em que a vi ao piano, e isso só aumentou desde então."

Ele sabia que seus mundos eram diferentes. Que não deveria ir atrás dela. Que o correto seria deixá-la em paz. Ainda que ela talvez pertencesse a uma boa família era governanta na casa de sua tia, enquanto ele era um conde, destinado a fazer um bom casamento. Mas que importância tudo aquilo poderia ter diante dos sentimentos que o invadiam quando a olhava, quando escutava o seu riso, quando sentia a sua respiração? A queria mais que tudo. Não importava o destino, o futuro, nem o que se escondia no passado dela... que Anne lutava com tanto afinco para manter oculto. Fosse o que fosse... eles poderiam superar. Ou não?

"Mas ele a conhecia. Não conhecia o passado dela, nem seus segredos, mas a conhecia."

- Eu optei por não revelar nada sobre o passado da Anne, pois me pareceu que seria spoiler, já que a autora demora um certo tempo para soltar todas as informações. Então, era para fazer suspense e não posso estragar isso.rs Mas posso dizer que esta leitura não foi tão leve quanto eu imaginava que seria, já que o que se esconde no passado da nossa querida mocinha é algo capaz de nos provocar revolta e vontade de matar certas personagens. Só que como temos um mocinho tão apaixonante e disposto a tudo pela mulher amada acabamos por perceber que o passado não importava mais, por mais doloroso que tenha sido, e que o destino, de uma forma ou de outra, a tinha empurrado na direção dele. Do meu amado Daniel. 

"Mas ela balançou a cabeça quase violentamente e um estranho choro engasgado escapou de sua garganta. 
E quase partiu o coração de Daniel ao meio."

- Daniel e Anne me conquistaram desde o início, com seu humor tão natural, com os olhares que trocavam, por mais que ela fizesse um enorme esforço para recordar todos os motivos pelos quais não poderia se envolver com ele. A ternura e a cumplicidade que havia entre os dois, os momentos em que brincavam com as crianças das quais a Anne cuidava (e eram primas dele), como se eles próprios voltassem a ser crianças nesses momentos... os beijos tão apaixonantes e que pareciam dizer mais do que as palavras conseguiriam. A forma como ele nunca se sentiu superior ou quis se aproveitar da condição dela. Como a protegia e provocava... Como a amava antes mesmo de descobrir que o que sentia era amor. Tudo foi gradual e ao mesmo tempo intenso. Não amá-los era impossível. Os dois roubaram o meu coração. 

"Era aquilo que significava o amor? Sofrer mais pela dor de outra pessoa do que pela nossa?"

- A participação de personagens secundários também foi importante na história, principalmente do Hugh e das crianças. O Hugh me encantou com sua personalidade um tanto reservada e louca (sim, as duas coisas) e fiquei torcendo para que ele tivesse sua própria história na série, por isso saí correndo para olhar a estante e ver se o personagem aparecia como mocinho no livro três. Dito e certo! :D Ele é o protagonista de A Soma de Todos os Beijos e estou mais do ansiosa para mergulhar em sua história. Ele será o par romântico da Sarah, prima do Daniel, e até sinto um pouco de pena dele.kkkkk... É que acho a Sarah um tanto fria e penso que o Hugh terá muitos problemas com ela.rs Será que ele sobreviverá?!rs

Já entre as crianças eu preciso destacar as participações de Harriet e Frances. A primeira é uma menina que decidiu que seria dramaturga e escreve histórias hilárias.rsrs Foram muitos momentos de riso com as histórias dela.rs Já a pequena Frances conquistou por completo o meu coração com seu amor pela Anne. E ela vai ser essencial neste livro. Sem ela as coisas seriam muito mais complicadas. A autora bem que poderia escrever a sua história. :)

"Ela estava com a respiração ofegante, obviamente assustada, mas ainda assim, quando os olhares dos dois se encontraram...
Eu amo você.
Foi como se ela tivesse dito as palavras em voz alta."

- Este livro é perfeito para os apaixonados por uma bela história de amor. No momento que começamos a lê-lo é impossível parar. Esquecemos de comer, de dormir, de fazer qualquer outra coisa que não seja mergulhar por completo na história. O teto poderia desabar sobre nossas cabeças que nem perceberíamos.rsrs Recomendo MUITO! Não irão se arrepender. 


Quarteto Smythe-Smith

2- Uma Noite como Esta
3- A Soma de todos os Beijos
4- Os Mistérios de Sir Richard



Esta foi minha escolha para a categoria ler um romance de época de um autor best-seller, do Desafio Romance de Época, criado pela blogueira do Livros Encantos. 

21 de outubro de 2018

Senhorita Aurora - Babi A. Sette

(Editora: Verus
Edição de: 2018)

Nicole é uma jovem bailarina e está prestes a realizar seu sonho: estrear no papel principal em uma peça na Companhia de Ballet de Londres. Tudo estaria perfeito se não fosse pela presença de um dos seus diretores, o temido Daniel Hunter, um maestro prodígio de temperamento difícil, com um humor sombrio e que desperta em Nicole sentimentos contraditórios. 

Quando uma tempestade de neve isola os dois em uma mansão centenária, Nicole e Daniel serão obrigados a encarar não apenas os segredos que atormentam o maestro, mas também uma paixão proibida - e avassaladora - que nasce entre eles. 

Entre a tão sonhada carreira na dança, um amor intenso como ela nunca sentiu e a própria segurança, Nicole se verá diante de escolhas que parecem impossíveis. E caberá a ela resgatar Daniel de seu próprio passado...

Senhorita Aurora é um romance poderoso, tocante e perturbador, que mostra que todos merecem uma segunda chance, até mesmo alguém com fama de monstro.



Palavras de uma leitora...



- Querem a verdade? Pois a verdade é que acho que não conseguirei escrever esta resenha. Ainda estou chorando. Meus olhos estão embaçados e mal dá para enxergar o que escrevo. 

Vocês sabem que odiei profundamente A Promessa da Rosa (e, gente, isso não é spoiler!) e que amei com todo o meu coração O Despertar do Lírio. Assim era minha relação com as histórias da Babi: ódio por uma, amor intenso por outra. E várias pessoas recomendaram que eu lesse Senhorita Aurora. Que era uma história muito diferente das outras duas. Mas aquelas que me recomendaram de maneira mais significativa foram a Flaveth (quem me deu spoiler do segredo do Daniel após eu implorar!kkkkkkkk...) e a Vanessa, que já tinha me recomendado as outras duas histórias que li da autora. E elas me convenceram.kkkkkk... Eu comprei o livro cheia de expectativas e medo também, confesso. E agradeço tanto! Elas me proporcionaram uma leitura maravilhosa, daquele tipo que nos arrebata, que nos envolve por inteiro e nos faz viver com os personagens, sentir absolutamente tudo como se fosse conosco. Em nossa carne, em nosso coração. Meninas, não poderia deixar de lhes agradecer por uma recomendação tão importante! Este livro me transformou. Mudou a forma como eu via muitas coisas. E assim vai ser realmente bem difícil escrever, pois não paro de chorar.kkkkkk Não são lágrimas de tristeza. São daquela emoção boa, sabe? Quando um livro toca um ponto dentro de nós que não sabemos nos expressar de outra forma que não seja através das lágrimas... que tanto falam, que tanto revelam.

- Não pretendo escrever muito para que possam ler a resenha até o fim.rs Quero que vocês sintam a vontade de apostar nesta história. Quero que desejem largar tudo e mergulhar nela. 

Ouço as músicas na minha mente. Vejo os passos de dança, vejo os sorrisos, as lágrimas deles, os abraços nos momentos que mais necessitavam sentir um ao outro, saber que poderiam enfrentar qualquer coisa juntos. Vejo o Daniel sentado em frente ao piano, tocando... e consigo ouvir. E relembrar o quanto aquele momento foi significativo para os dois. Não consigo não me emocionar. 

"Enquanto eu danço, estou em um mundo onde não existem problemas."

Nicole era uma jovem de vinte anos que lutou muito para chegar onde estava: como parte do corpo de balé da Companhia de Ballet de Londres. Quem não conhecesse sua história poderia pensar que foi fácil, que ela provavelmente contara com privilégios, com todo o dinheiro e as oportunidades necessárias. Mas não. Nada foi assim. Sua mãe teve que passar muitas noites em claro, costurando para fora, para que sua filha pudesse realizar aquele sonho. Para que pudesse estudar balé e ultrapassar os obstáculos que insistiram em aparecer. Ser uma das poucas selecionadas foi uma vitória não só para ela, mas também para sua mãe, que jamais tinha deixado de acreditar. Então, pela primeira vez, ela saiu do Brasil para conquistar um mundo de possibilidades que se apresentava. Para ser a protagonista de sua própria história. E nem mesmo o medo do desconhecido a fez hesitar. Conseguiria. Ela só precisava manter a força e a esperança que a impulsionaram ao longo de todos aqueles anos. 

Embora já fosse parte do grupo profissional há dois anos, a maior oportunidade de sua vida surgia com os testes para o papel de Aurora no balé A Bela Adormecida. Seria uma apresentação incrível, de comemoração pelo aniversário do teatro e ela desejava aquele papel mais do que qualquer coisa. Muitas pessoas têm sonhos, uns maiores que outros. Nicole tinha apenas um: dançar sempre. Ser a bailarina que sempre desejou, o anjo da sua mãe. O balé não era simplesmente uma profissão, era toda sua vida. Quando dançava... tudo deixava de existir. Sobre o palco desnudava sua alma. 

"Você dança com o coração e a alma. Isso nenhuma escola, por melhor que seja, pode ensinar. Você nasceu bailarina."

Todavia, ao caminhar para a etapa final que decidiria quem ficaria com o papel de Aurora ela não poderia imaginar como sua vida se transformaria nos próximos meses. Tudo o que se passaria... E como um homem aparentemente insensível e distante a faria compreender que o balé poderia ser parte de sua vida, mas que seu coração queria mais. Queria amar. 

Seu caminho havia se cruzado com o dele três anos antes, dentro do avião que a levava para longe de casa. Como saber? Que aquele homem arrogante, o mais grosseiro que já conhecera, apareceria novamente em sua vida? Não só como o maestro que regeria o balé para o qual se preparava, mas sobretudo como aquele que a faria descobrir o amor. Daniel era um enigma. Seu comportamento era como muros de defesa contra os outros. Fazendo com que as pessoas o desprezassem. E embora em vários momentos ela até tenha desejado matá-lo algo acontecia quando estavam no mesmo ambiente. Algo que não saberia explicar. E tudo muda e atinge um ponto sem retorno quando ela o escuta... naquele dia... na frente do piano. Ali... naquele instante... ela soube que não voltaria atrás. 

"Alguns segundos mudam o rumo de uma existência inteira."

- Será que existe alguma coerência nesta resenha? Não sei. Estou tentando, gente. Tentando muito colocar em palavras o que sinto. Mas está tão difícil! Eu não consigo controlar a emoção. Simplesmente não posso. Desculpe. 

Bem... Conforme fui conhecendo a Nicole fui ficando um pouco desanimada. A achei imatura para sua idade e comecei a construir "reservas". Só pensava: Cresça, Nicole! Me faça simpatizar com você, algo que ainda não aconteceu. O resultado? Eu me arrependi. Muito. Me arrependi profundamente do quanto desejei que ela crescesse. Porque não parei para pensar que amadurecemos conforme a vida vai nos dando umas quantas porradas. Nada nunca é fácil neste mundo. E o processo de crescimento também não é. Quando aprendi a amar a Nicole aprendi a sofrer com ela também. Cada lágrima que ela derramou eu chorei junto. E eu me apeguei tanto a ela que desejei que ela não tivesse amadurecido. Quis voltar no tempo e impedi-la de sofrer. Mas a verdade é que o mundo não é um conto de fadas, nem mesmo em um livro inspirado por um (A Bela e a Fera). 

- Nicole é uma protagonista que no início não nos diz muito apenas para nos surpreender depois. Não vou negar que no começo vocês talvez não gostem muito dela, mas aguardem... porque depois vão se perguntar como puderam não enxergar tudo o que ela tinha em seu interior. Toda aquela força, a garra que impulsiona a história e transforma a realidade de muitos, principalmente do Daniel. Ela se tornou uma querida para mim. Uma personagem que nunca poderei esquecer. Nem as lições que ela me ensinou. 

"Eu queria ajudá-lo a desenterrar seu coração, que, eu sabia, estava sufocado debaixo daquela culpa. Se fosse preciso cavar com minhas próprias mãos e resgatá-lo, eu faria isso."

Daniel... O que falar dele? Nossa! Se a Nicole me conquistou, ele simplesmente levou meu coração com ele. Não dá para expressar tudo o que sinto por este personagem. Tudo o que provocou dentro de mim. É mais que especial. Ele... me mostrou o quanto não enxergo muita coisa nesta vida. Como existem realidades tão distintas. Pessoas passando por problemas que tornariam todos os meus insignificantes. Ele, como a Nicole, também me ensinou muito. Sobre a vida, sobre eu mesma... sobre o amor. Quando se ama de verdade alguém se faz coisas como o que estes dois fizeram. Você não abandona. Não desiste. Nem mesmo quando o outro faz de tudo para te manter longe. Você não consegue desistir porque sabe que precisam enfrentar aqueles momentos juntos, que não se ama só nos momentos bons. Sabe aquelas promessas: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença? Não são clichês. São a pura realidade. Se pergunte e responda (com sinceridade) se você estaria com alguém em tais situações. Se seu amor suportaria os momentos difíceis e aí saberá se realmente é amor. Senhorita Aurora transborda tal sentimento. Conforme viramos as páginas... nos transformamos. Não temos a menor chance contra esta história.rs Eu me rendi. Nem tentei lutar. Deixei que o livro me levasse até onde desejasse. Me entreguei por completo. E foi uma das melhores experiências de leitura da minha vida. 

"Este é apenas um capítulo triste da nossa história... Eu nunca vou desistir de tentar fazer você virar essa página."

- Não revelarei nenhum segredo do livro. E nem pensem que os personagens só sofrem. Nada disso. O livro é muito bem equilibrado. Existem momentos que nos fazem gargalhar e os personagens sabem fazer piada de seus próprios problemas, o que nos proporciona cenas bem divertidas. Sem mencionar a Natalie, a melhor amiga da protagonista. Ela sempre conseguia me fazer rir.kkkkkk O livro não é recheado de tristezas, ele é cheio de amor isso sim. Mas é uma história próxima da realidade. E a vida não é fácil e ponto. Para ninguém. Temos que superar cada desafio, cada queda, cada momento em que pensamos em desistir. Num dia choramos e no outro sorrimos. Uma hora perdemos e noutra conquistamos. O livro nos mostra isso. Nos dá uns quantos socos no estômago e também nos faz suspirar e sonhar acordados com o amor dos protagonistas. :) Sonho e realidade tudo junto e misturado.rsrs Mas não. O amor não é uma utopia. Ele existe sim... se a espécie humana ainda não conseguiu o grande feito de se destruir é porque ainda existe amor neste mundo. E eu acredito realmente nisso. 

Acho que esta resenha ficou bem confusa e incoerente. Mas só o que gostaria de lhes dizer é que se querem ler um romance daqueles capazes de lhes arrebatar, de fazer com que vocês esqueçam o mundo e vivam a história dos personagens devem apostar neste livro. Nele encontramos de tudo: sonhos, esperanças, perdas, conquistas, amor, paixão, lágrimas e sorrisos... Não posso falar certas coisas para não dar spoilers, mas lhes digo que inclusive encontrarão um tema quase nunca mencionado em livro algum. Eu jamais tinha lido um romance que falasse sobre isso. Preparem seus corações! :) Mas garanto que vão amar! Não consigo imaginar alguém lendo este livro e não se apaixonando perdidamente por ele. É uma história inesquecível. Daquelas joias raras que encontramos quando mais necessitamos. 

"Talvez o segredo não esteja em esquecer uma desilusão, uma perda, um "não" da vida, algo que traz dor, e sim em colocar esperança nos espaços vazios deixados pelo que se foi e, quem sabe, dar outro significado às perdas."

- Embora a autora tenha dito que o livro é uma releitura de A Bela e a Fera, o Daniel, com toda a sua personalidade complexa e sua história de vida, me lembrou muito o meu querido Erik de O Fantasma da Ópera (o filme interpretado pelo Gerard Butler. O clássico que inspirou o filme eu ainda não li). Além disso, ele é um "anjo da música". É um maestro e a música está muito presente no livro. Em várias ocasiões me vi transportada para o filme, embora as histórias sejam realmente bem diferentes. Penso que foi todo o clima, as músicas lindas, as danças e a personalidade difícil do mocinho que me lembraram o filme. 

Por falar em música, cada capítulo é aberto pelo trecho de uma música. Não consegui ouvir todas enquanto lia, mas as que me permiti escutar foram simplesmente belíssimas. Eu me apaixonei por elas. 

"Sabia que nossa história, assim como qualquer outra, não seria sempre perfeita, que ainda existiriam desafios a ser superados, momentos tristes com os quais teríamos de aprender a lidar e lições a serem absorvidas, mas que, no fim, nós faríamos tudo valer a pena. Sim, eu tinha absoluta certeza de que faríamos."

Não li este livro sozinha. O momento perfeito para lê-lo surgiu quando a Vanessa me contou que a autora estava organizando uma leitura coletiva dele no WhatsApp. Vocês sabem que amo isso de ler em grupo, por isso nem pensei duas vezes. A leitura começou no dia 08/10, mas eu só pude iniciar no dia 12/10. E ela se encerra amanhã, dia 22/10, com o último debate. Eu preferi fazer a resenha hoje mesmo, pouco depois de terminar de lê-lo. Mas vou participar do debate amanhã, é claro. :D Foi lindo poder conversar com tantas pessoas ao longo da leitura. Simplesmente maravilhoso! 

É isso, queridos. Peço perdão por não ter conseguido escrever uma resenha digna do livro, mas fiz o que podia. O que a emoção permitiu que eu escrevesse. Vocês só terão uma real noção do quanto este livro é especial quando o lerem. Só lendo poderão compreender. 

8 de outubro de 2018

Persuasão - Jane Austen


Persuasão foi o último trabalho completo de Jane Austen. O livro conta a história de Anne Elliot, uma moça que "fora obrigada a ser prudente na juventude, e aprendera o romantismo à medida que envelhecia: a sequela natural de um começo antinatural". Anne é uma das heroínas mais tranquilas e reservadas de Austen, mas, ao mesmo tempo, é uma das mais fortes e abertas às mudanças. O livro enaltece a constância do amor numa época turbulenta na história da Inglaterra: as guerras napoleônicas. Escrito nesse período, o romance descreve como uma mulher pode permanecer fiel ao seu passado e, ainda assim, pensar em um futuro feliz. Austen expõe de maneira sutil como uma mulher pode passar por cima das convenções sociais e das restrições femininas em busca da felicidade.




Palavras de uma leitora...



- A capa acima não é da edição que li, mas sim da que desejo com todo o meu coração.rs Eu a namoro sempre que a vejo nas livrarias, mas sempre acabo tendo que comprar outros livros. :( Faço isso porque tenho vários livros na lista de prioridades e essa edição de Persuasão acaba não sendo por eu já ter o livro em outra edição (que é aquela rosa linda que vem com três histórias). A sinopse acima também não é da que li. 

De qualquer forma, a tradução é a mesma e ambas as edições são da Martin Claret. Amo todos os detalhes da minha rosa, é realmente linda. Ocorre que é pesada e um tanto desconfortável para a leitura (letras muito juntas, apertadas ao ponto de você misturar as linhas e ter que voltar a leitura). Tive que ler o livro só quando estava em casa, pois era impossível carregar por aí.rsrs Por isso que quando li Razão e Sensibilidade foi numa edição de bolso. Eu tenho a edição azul de luxo também, contendo outras três histórias da autora, mas não há a menor possibilidade de lê-las nela. Terei que comprar livrinhos de bolso ou ler em e-book. É uma edição que serve para colecionar, mas dificulta muito ler. Enfim...

- Vocês sabem que me apaixonei perdidamente por Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade. E que coloquei como meta ler todos os livros que a autora escreveu. Todavia, mesmo guardando com carinho essas duas histórias no coração, Persuasão conseguiu um canto exclusivo, especial. A construção dos personagens foi perfeita e a ambientação como sempre nos faz desejar estar nos lugares mencionados, sentimos até que estamos realmente lá, acompanhando o desenrolar dos acontecimentos. E das protagonistas que conheço a Anne consegue se destacar, mesmo com seu jeito reservado e tímido, mesmo tendo cometido o grave erro de se deixar persuadir pelos outros. De abrir mão do homem que amava porque seus familiares e sua amiga não o aceitavam, não o consideravam digno dela. O preço que pagou foi alto, sem dúvidas. E ter a noção disso tornava tudo pior. 

"Passaram-se poucos meses entre o começo e o fim daquele relacionamento; mas alguns meses não foram suficientes para pôr um fim nos sofrimentos que ele provocara em Anne."

Talvez jamais o revisse na vida. Ou, quem sabe, seus caminhos poderiam voltar a se cruzar quando ele já estivesse casado e pai dos filhos que deveriam ser deles. Nem sempre o destino nos permite consertar os erros do passado, as escolhas que tomamos podem alterar todo o nosso futuro, com consequências que nos marcam de uma forma ou de outra. E ao longo dos oito anos que se passaram desde que Frederick partiu, após o rompimento do relacionamento, Anne nunca conseguiu deixar de pensar nele. Mas tentava. Dia após dia levava a vida a qual se condenou, não aceitando nenhum outro homem, nenhuma outra proposta de casamento, porque sabia que não poderia ser feliz com alguém que não fosse ele. Vivendo numa casa com familiares que sabia que não faziam a menor questão de sua companhia ou se importavam se ela estava bem ou não. Foi a essas pessoas que ela deu ouvidos anos antes. E mesmo que sua amiga sim tivesse boas intenções, ao contrário de seu pai e irmã, a verdade é que nunca deveria ter rejeitado aquele que seu coração desejava. 

Agora aos vinte e sete anos e prestes a ter que abandonar o lar no qual crescera para ir viver em Bath com o pai e a irmã, Anne não sabia bem o que sentia. Sobretudo porque os inquilinos de seu pai, que passariam a viver em seu antigo lar, eram parentes dele, do homem que não esquecera. E não demora nada para que Frederick retorne à sua vida, mas não para reatar qualquer laço rompido. Não retorna por ela, mas para estar próximo de seus entes queridos e encontrar uma noiva adequada para finalmente estabelecer-se. Assim, obrigada a vê-lo por conta dos conhecidos em comum Anne acaba acompanhando dolorosamente de perto o progresso de sua relação com Louisa, a mocinha aparentemente perfeita e dona dos afetos dele. Alguém que não se deixaria persuadir, que não teria o defeito que para Frederick era o pior de todos. Que era imperdoável. 

"Ele a amara ardentemente e nunca amara outra mulher tanto quanto a ela; mas, a não ser por um natural sentimento de curiosidade, não tinha nenhum desejo de tornar a encontrá-la. O poder dela sobre ele acabara para sempre."

Mas teria o amor do passado morrido com a dor e a distância? Seria Frederick realmente indiferente à Anne do presente? Seria incapaz de perdoar os seus erros e recomeçar? O tempo... ele pode destruir muitas coisas, mas nunca um amor verdadeiro...

- Eu me emocionei muito com a história deste casal. É a primeira vez que os casais formados pela autora me causam tal impacto e olha que o Frederick durante o livro quase todo não recebe tanto destaque assim, sendo a história concentrada mais na Anne. Mesmo assim eu senti muito por eles. Por tantos anos perdidos, por tudo o que poderiam ter vivido. Não posso culpar o mocinho pelo fim do relacionamento. Sei que foi a Anne a errar, mas tenho que considerar que ela tinha apenas dezenove anos na época e nada conhecia do mundo, deixando que os "adultos" decidissem o que era adequado ou não e fortemente influenciada pela amizade com Lady Russell, cujos conselhos lhe eram tão importantes. Fez o que os outros queriam, mas enquanto sua família e sua amiga tão bem seguiram com suas próprias vidas foi ela a sofrer. Foi ela quem perdeu. E passou tantos anos sem realmente viver, estando à sombra da irmã, sendo praticamente invisível em sua casa. Ela era quem tinha ficado vazia. 

"Antes, eram tudo um para o outro! Agora, nada!"

- Não suportei nem por um instante a família da Anne. Que gente mais insuportável! Pessoas hipócritas, superficiais, que só se importavam com posição social e assuntos fúteis. Ao que parece a Anne tinha puxado à falecida mãe, mas acho que sua personalidade forte e sua inteligência eram muito próprias. Ela era uma mulher incrível, capaz de causar admiração em muitos dos personagens, mas insignificante para a própria família. A insensibilidade deles, o desprezo latente com o qual a tratavam me causou muita revolta. Eu sentia vontade de esganá-los, sobretudo por ver a maneira como a Anne estava acostumada com aquele tratamento, em sempre ser anulada, menosprezada pelas pessoas que deveriam amá-la, mas que só se lembravam de sua existência quando queriam usá-la. Eu só queria que ela acordasse e fosse embora. Que os mandasse para o inferno! 

- Outra questão é a tal da lady Russell. Mesmo sendo uma mulher boa e quase uma mãe para a Anne também era cheia de preconceitos e se acreditando no direito de se meter na vida da mocinha. Não consegui gostar dessa mulher. A verdade dela não tinha que ser a verdade da Anne e foram os seus preconceitos e malditas boas intenções que tanto influenciaram a mocinha, por causa dos laços de afetos que as uniam. Eu não consegui suportá-la. Gente intrometida assim só causa problemas para aqueles que julgam amar. E não posso perdoá-la por preferir a posição social que a felicidade daquela que tanto protegia. 

- Foi um livro que me provocou muitos sentimentos confusos. Revolta, amor, tristeza, alívio, medo... eu sentia muito medo do casal não ficar junto. Temia que tudo estivesse perdido, que não existisse retorno. Não vou dizer se o final é feliz ou não, mas posso afirmar que foi o livro da Jane Austen que mais me provocou angústia. Quando eu via o Frederick e a Louisa juntos eu é que sentia vontade de chorar. 

"Anne não desejava mais aqueles olhares e palavras. A fria polidez e a cerimoniosa graça demonstradas por ele eram piores do que tudo."

Enquanto a Anne estava lá forte e com aquela tranquilidade exterior que escondia seus sentimentos dos olhares das outras pessoas. Ela estava conformada. E eu querendo que ela fosse até ele e o obrigasse a escutá-la! Mas as coisas vão dar uma baita reviravolta, lhes garanto!rsrs E provocar sentimentos ainda mais intensos em nós leitores. É simplesmente a melhor história da autora para mim. E não sei se conseguirei amar mais algum outro livro dela do que esse. Se sentirei o mesmo, se eles conseguirão chegar aos pés deste livro. 

- Acredito que uma lição ensinada por esta história é não deixarmos que os outros tomem decisões por nós, não importa o quão bem intencionadas elas sejam. Temos o direito de fazermos nossas próprias escolhas e suportarmos as consequências delas. E nunca deixarmos de fazer algo, de seguir um sonho porque nossa família ou nossas amizades não acham que aquilo é bom para nós. Ouvir conselhos é importante, mas sermos incapazes de pensarmos e decidirmos por nós mesmos é muito grave. :( Anne aprendeu isso de maneira dolorosa e muitas eram as chances de nunca mais recuperar o que tinha perdido. A vida não é piedosa. Ela não vai ficar nos dando várias oportunidades de consertar nossos erros. E o tempo definitivamente não para. Ele passa... e como passa!

"[...] ele não conseguia vê-la sofrer sem desejar reconfortá-la."

- Este livro foi minha última leitura do mês de setembro e nem sabia se conseguiria fazer a resenha. Não encontrava as palavras, não sabia nem por onde começar. Só me pegava pensando... refletindo... e analisando minhas próprias escolhas.rs Sim, a história realmente mexeu muito comigo. Demais. 

27 de julho de 2018

O que Dizem seus Olhos - Florencia Bonelli

(Título Original: Lo que Dicen tus Ojos
Tradutora: Sandra Martha Dolinsky
Editora: Planeta, selo Essência
Edição de: 2018)

Livro que antecede a Trilogia Cavalo de Fogo

Córdoba (Argentina) 1961. Apesar de suas origens humildes, Francesca De Gecco conseguiu ter uma sólida educação. Sua carreira começou no jornal dirigido por seu rico padrinho e mentor, mas seus planos de se tornar uma jornalista de sucesso foram interrompidos pela história de um amor impossível.

Após sofrer uma terrível desilusão que só o tempo e a distância poderiam curar, seu tio consegue um emprego para a jovem em uma embaixada distante, e Francesca se muda para Genebra. No entanto, essa cidade será apenas a primeira parada de uma viagem muito mais longa. Ao redor do mundo, nos palácios mais deslumbrantes dos desertos do Oriente Médio, Francesca terá uma segunda chance de ser feliz.



Palavras de uma leitora...


"Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e sons,
Tem certas coisas que eu não sei dizer..."
[Certas Coisas - Lulu Santos]

- Não poderia deixar de mencionar esta música tão linda. Ela se encaixa perfeitamente na história... Muitas vezes o Kamal, meu amado protagonista, me fazia recordar esta canção. Com sua reserva, seus silêncios que pareciam gritar sentimentos que ele não sabia colocar em palavras. Com seu amor que era muito mais atitudes que palavras, que frases feitas e que repetimos porque elas nos servem como formas de expressar o que levamos dentro e não sabemos como demonstrar ao outro. Dizemos "eu te amo", mas esta simples frase, tão cheia de significados e por vezes utilizada de forma banal, não é capaz de traduzir a essência do sentimento. 

Palavras... vejo magia nelas.Todavia, quando encontro nos livros declarações de amor como as do Kamal, ditas sem dizer... traduzidas em lágrimas, em renúncia, num olhar que parece conter toda a dor do mundo... penso que as palavras não são nem sequer um reflexo do que sentimos. 

"Sempre amarei este lugar, mesmo que se passem anos, mesmo que nunca mais torne a vê-lo."

Embora não fosse a primeira vez que passava as férias na fazenda Arroyo Seco, algo estava diferente. Francesca nunca tinha sido uma pessoa supersticiosa, mas sentia que alguma coisa estava para mudar... Sentia saudades do que ainda não tinha perdido. Sentia que, talvez, nunca mais retornasse. Que aquela seria a última vez. Era absurdo, claro. Sua mãe estava ali, sua melhor amiga Sofía e ainda tinha Rex, seu cavalo amado, que jamais deixaria para trás. Mas ainda assim a sensação não a abandonava. 

Ela tinha apenas seis anos de idade quando perdeu o pai. Sua mãe e ele tinham fugido da Sicília para a Argentina, na esperança de ter uma vida melhor. Longe dos parentes que não aceitavam seu amor, que queriam vê-los separados. Antonina estava grávida quando partiram e os primeiros anos, por mais difíceis que tenham sido, foram felizes. Mas então veio a perda... e com ela se foram os sorrisos. Sem estudos e tendo uma filha pequena para criar, conseguiu emprego como cozinheira dos Martínez Olazábal, uma das famílias mais influentes de Córdoba, com suas próprias tragédias e segredos. 

Francesca cresceu ali, sendo vista pelos patrões de sua mãe como nada além da filha da cozinheira, por mais que tenha recebido uma excelente educação, estudado nos mesmos colégios que a filha mais nova deles e fosse tão ou mais culta que eles. Afilhada de um homem importante, ela tinha um futuro cheio de possibilidades pela frente... o que poderia ser destruído pela chegada de Aldo, filho dos Martínez Olazábal, que durante dez anos esteve longe. 

Não era sua intenção olhá-lo. Desejar o que não poderia ter. Mas quando, naquela noite, ele se aproximou dela... algo em seu interior se alterou. Era a primeira vez que se apaixonava. Foi impossível não aguardar com ansiedade a próxima vez que ele lhe dirigiria a palavra, que trocaria confidências, que a beijaria como se ela fosse única... como se a amasse. 

Ela acreditou nele. Em sua palavra. Em seu amor. E de que valeu? No fim, Aldo optou pelo caminho mais fácil... casou-se com alguém de sua posição social. Fez o que sua família desejava. Porque Francesca não tinha o necessário para ser sua esposa. 

Destroçada pela traição do homem em quem confiou, ela tentou seguir com sua vida. Tinha apenas vinte e anos e superaria. Sobreviveria àquela decepção. Mas Aldo não a deixou em paz. Porque não bastava ter destruído seus sonhos, a magoado como ninguém... ele ainda precisava insistir. Querer fazer dela sua amante. Humilhá-la mais do que já tinha feito. 

Ainda amando-o mesmo sabendo que ele não a merecia, Francesca só desejava ir para bem longe... Esquecer toda aquela dor. E quando seu padrinho conseguiu uma oportunidade para ela na embaixada em Genebra, não hesitou. Agarrou sua chance com todas as suas forças. Sim, seria duro partir. Tudo o que ela tinha vivido... tudo o que contribuíra para torná-la o que era ficaria para trás. Mas, talvez, apenas talvez, seu futuro estivesse em outro lugar. 

"Conhecer-te foi um disparo ao coração
Me atacaste com um beijo a sangue frio
E eu sabia
Que era tão letal a ferida que causou
Que este louco aventureiro morria
E esse dia começou
Com teu amor com um disparo ao coração

Não entendi como aconteceu 
Com a destreza de um bom franco-atirador
Cada uma de tuas balas na alma me acertou"
[Tradução livre da música Disparo al Corazón, de Ricky Martin]

- Publicado originalmente em 2006, Lo que Dicen tus Ojos foi o primeiro livro escrito pela minha querida autora Florencia Bonelli, embora não tenha sido o primeiro a ser publicado. Ela lançou Bodas de Odio, Marlene e Indias Blancas antes de finalmente nos presentear com a história que a tornou escritora. Que a fez perceber que amava a escrita, que criar personagens e histórias complexas e arrebatadoras era o seu sonho. 

A inspiração para escrever este livro surgiu depois de ela ler El Árabe, romance de Edith Hull (que ainda não tive a oportunidade de conhecer) e um dos seus livros preferidos da vida (juntamente com O Cavaleiro de Bronze que já foi resenhado aqui). Ela seguia uma carreira totalmente diferente (em Economia) e quando descobriu seu dom para a escrita, sua verdadeira paixão, decidiu dedicar-se de corpo e alma e hoje é uma escritora de sucesso, cada vez mais conhecida dentro e fora da Argentina. 

- Lembro como se fosse hoje da primeira vez que li uma história dela. Minha amiga Carla (que chamo carinhosamente de Carlita) me falava maravilhas de O Quarto Arcano. Ela era tão apaixonada pela história que eu desejava com desespero conhecer os personagens que tanto a tinham encantado. Foi um dos mais lindos presentes receber a duologia dela. A FB nem sonhava em ser publicada aqui no Brasil e a Carlita, que é portuguesa, me enviou a versão lá de Portugal. Eu sorrio como boba sempre que recordo o momento em que abri a caixa e vi "meus filhos". Foram muitos gritos de felicidade!kkkkkk... E não demorei a largar tudo e mergulhar na história. Ali aconteceu: me tornei fã incondicional da FB. Do tipo que não consegue amar nenhuma autora como ela. Tenho sim autoras especiais, muito queridas. Mas me diga para mencionar apenas uma escritora amada e direi o nome dela. O Quarto Arcano é meu livro, meu número perfeito.rs Uma história incomparável, com personagens que se cravam dentro de nós de uma forma... As lágrimas vêm... porque não dá para recordar a quantidade de coisas que vivi com essa duologia sem chorar. Roger e Isaura. Meu casal querido. Que tanta coisa me ensinou.... Como sinto falta deles dois! 

A Carlita também me deu de presente outros livros da autora: Marlene, Cavalo de Fogo - Paris, Cavalo de Fogo - Congo (que ela e a Moniquita me deram). E a Moniquita me presenteou com Lo que Dicen tus Ojos, que é um dos livros favoritos dela. Todos eles possuem resenhas no blog. Sim, não é a primeira vez que falo de O que Dizem seus Olhos aqui.kkkkkk

- Ao longo destes mais de seis anos que conheço a Florencia Bonelli sonhei com o dia em que uma editora brasileira abriria os olhos, criaria juízo e traria seus livros para cá. Recebi tantas negativas ao entrar em contato com as editoras que com o passar dos anos acabei desanimando, acreditando que nunca apostariam nela, que muitos leitores brasileiros jamais teriam a chance de mergulhar em suas histórias, de entender por que a amo tanto. E, então, vocês podem imaginar como surtei aqui em casa quando vi a notícia de que a editora Planeta publicaria este livro. Foram gritos de assustar qualquer pessoa (risos), danças, pulos e mais gritos. Meu coração batia tão forte que eu chegava a ter medo de ele não suportar e parar.kkkkkkkkkkk...

Por isso, por amar tanto a FB, não poderia deixar de correr para a livraria e adquirir meu exemplar quando o livro foi lançado em maio deste ano. Eu tinha que ter o meu "bebê" na estante, pertinho da sua versão em espanhol, que foi a primeira que li e me apaixonou. Era minha chance de voltar ao livro. De reviver cada momento... mesmo aqueles que me machucaram, que partiram meu coração em vários pedaços. Porque se você ainda não conhece a FB vou te contar um segredo: existe muito amor em seus livros, mas também muito sofrimento. Tem que ler com o coração preparado. O que Dizem seus Olhos é mais leve que os outros, confesso. Você não chegará a ficar encolhido no chão, em prantos, como se cada golpe tivesse sido em seu corpo e coração. Todavia, ainda assim, vai te atingir. Ela é especialista em livros arrebatadores. Lindos... e dolorosos. A chamo carinhosamente de sádica. :D

"Feridas ainda abertas sangraram de novo. As velhas dores misturaram-se às novas e assolaram sua alma."

- Genebra é apenas um lugar de passagem na vida de Francesca. A verdadeira história da nossa protagonista, que tinha entregado seu coração apenas para vê-lo ser destruído pelo egoísmo de um homem que nunca a mereceu, começa na Arábia Saudita, um país do outro lado do mundo, tão belo e ameaçador. Após passar alguns meses trabalhando como secretária do embaixador em Genebra, ela foi repentinamente transferida para ser assistente de outro embaixador na Arábia Saudita. Sem entender o que motivara a solicitação de transferência, Francesca se viu novamente tendo que abandonar algo que conhecia por conta da vontade dos outros. Não queria ir. A ideia que tinha dos árabes era a pior possível e temia o que poderia se passar se colocasse os pés naquele lugar. 

"Arriscando-se, descobriu o rosto para observar mais claramente, entre a filigrana de uma janela, o brilho de uns olhos que a contemplavam com tristeza, cheios de lágrimas. [...] A tristeza daquele olhar impressionou Francesca. Sem dúvida, era o olhar de uma mulher, de uma mulher sofrida que queria gritar aos quatro ventos sua dor, mas que só podia desabafar olhando pela intrincada grade de uma janelinha."

Logo que chega ao seu novo destino, Francesca encara uma realidade muito diferente da sua. Uma cultura complexa, que limitava e oprimia as mulheres. Seu livro de Artes foi apreendido, por ser considerado proibido pelo Alcorão, e os olhares hostis dos homens locais pareciam perfurá-la, julgando-a por suas roupas, por seu comportamento, por sua religião... por ser uma mulher ocidental e cristã. O motorista designado para levá-la até a embaixada a enxergava como uma prostituta, uma mulherzinha qualquer indigna de pisar o solo sagrado de sua terra. Não foi um bom começo. 

Mas segura entre as paredes da embaixada, ela não demora a se adaptar ao novo trabalho. Seu chefe era uma pessoa incrível e os outros funcionários, com exceção do motorista que a olhava com ódio, eram gentis e atenciosos, dispostos a recebê-la como parte da equipe. E é lá que seu caminho se cruza com o de Kamal Al-Saud... pela primeira vez? 

"Nada é por acaso", dissera certa vez seu tio Fredo. "Cada um de nós é uma parte minúscula de um plano enorme e infinito, onde nossos fios se cruzam ou não, segundo a vontade do Arquiteto que o traçou."

- Ele fazia parte da família que governava o país, era um príncipe, muito mais inalcançável que o homem que a tinha feito conhecer o amor e a dor. E, de início, Francesca o rejeita. Tudo o que ele era e representava a repelia. Não suportava aquele país, o comportamento bárbaro, a violência... e um árabe era tudo o que ela não gostaria de ter em sua vida. Mas Kamal, pouco a pouco, começa a invadir seu espaço. Ele era um homem que ela não conseguia compreender. Distante, reservado, dado a silêncios que ninguém se atrevia a quebrar, mas que de repente se aproximava e a olhava com uma intensidade que a desconcertava e tornava impossível esquecê-lo. Quem ele era, afinal? O que se escondia por trás do homem fechado, o que existia em seu interior? 

- A história entre Francesca e Kamal é uma das mais belas que já li. Nada acontece rapidamente. O relacionamento se constrói aos poucos, mas quando finalmente se entregam aos sentimentos que já não conseguiam negar, é tudo muito intenso. Dá para notarmos, antes mesmo que coloquem em palavras, o que sentem. Sabemos que se amam. E que tal sentimento pode feri-los profundamente. Não porque não estejam dispostos a ficar juntos. Mas sim porque a Arábia Saudita estava vivendo uma crise séria e a família de Kamal se encontrava dividida. Tudo era arriscado... e podia ser letal. Além disso, Francesca era uma moça do Ocidente, tinha sido criada na religião católica e o povo árabe nunca a aceitaria. Não só isso. Tentaria tirá-la do caminho. Por bem... ou por mal. 

"Eu a protegerei e não permitirei que nada nem ninguém lhe faça mal."

- Enquanto relia o livro e me aproximava de determinadas cenas chorava com antecedência.kkkkkkkk... Eu sabia o que iria acontecer. Não importava o quanto desejasse modificar as páginas, mudar o rumo das coisas, ainda assim tudo iria ocorrer como da primeira vez que li. E, impotente, eu veria o meu casal amado ir ao inferno e voltar destroçado. Foram cenas que me marcaram quando li em 2013 e que tornaram a me ferir agora. Não posso dizer o que acontece, claro. Mas é forte. E acaba com a gente. 

"Existiria algo bonito e bom que durasse para sempre?"

Quando concluímos esta leitura podemos responder facilmente a pergunta acima. Com a certeza que sim, existe algo lindo e bom que dura para sempre. Que não se extingue nem com a morte. O amor. Não o que muitos consideram amor, mas é fugaz e superficial. Mas sim aquele amor de verdade. Que vai além do desejo, da paixão... o sentimento que resiste à passagem dos anos e à dor. O sentimento que é transferido para os filhos e que se prolonga nas gerações seguintes. Mas ainda que se limitasse ao próprio casal, ainda que não existisse descendência, seguiria sendo algo que sobreviveria à morte. Porque eu acredito que existem amores que nada, absolutamente nada, destrói.

Recomendo este livro? Nem precisam perguntar!kkkkkk... Deixarei logo abaixo o link de todos os livros da autora que já li e resenhei aqui. Foram dez até agora.rsrs Está nos meus planos ler Indias Blancas e depois o último livro da trilogia Cavalo de Fogo. E por falar nessa trilogia... 

- Esqueçam a ideia de prequel!!! Detesto quando utilizam esta palavra para se referir ao livro O que Dizem seus Olhos. Porque dá uma ideia de que a história não é principal. E, como eu disse, este livro foi o primeiro escrito pela autora. Muito, muito, MUITO antes de ela decidir escrever a trilogia Cavalo de Fogo. 

E o que é a trilogia? A segunda geração.rs Nesta trilogia temos como protagonistas Eliah Al-Saud, (filho de Francesca e Kamal) e Matilde Martínez (filha de Aldo, o primeiro amor de Francesca e sua grande decepção). Nos dois temos a continuação da história de seus pais. Diferente do livro do qual a trilogia derivou, a história de Eliah e Matilde ocorre ao longo de três volumes, divididos em: Paris, Congo e Gaza. E, acreditem, são livros que meu Deus do céu! É impossível ficar imune. Impossível não se envolver com a quantidade de história, de riqueza, de beleza e crueldade que existem nesses livros. Eles nos mudam. Nos tornam pessoas melhores. Nos fazem conhecer realidades muito distintas da nossa... principalmente Congo (digo isso porque Gaza eu ainda não li), que só pelo nome dá para ter uma ideia dos assuntos que serão abordados. É romance? Claro! Mas é muito mais que isso. Os livros da FB sempre vão além do simples romance. Eles têm História. 

É isso, queridos! Espero que deem uma chance ao livro! E que se apaixonem!

Resenhas publicadas no blog

O Anjo Negro (O Quarto Arcano 1)
O Porto das Tormentas (O Quarto Arcano 2)
Marlene
Lo que Dicen tus Ojos (primeira resenha)
Lo que Dicen tus Ojos (resenha da Carla)
Lo que Dicen tus Ojos (resenha da Mónica)
Cavalo de Fogo - Paris
Cavalo de Fogo - Congo
Me Llaman Artemio Furia
Bodas de Ódio
Nascida sob o Signo de Touro (Série Nascidas 1)
Nascida sob o Sol de Aquário (Série Nascidas 2)


Todos os livros da Florencia Bonelli 

Livros independentes
Bodas de Odio (Bodas de Ódio)
Marlene
Me llaman Artemio Furia (Me Chamam Artémio Fúria)

Duologia Indias Blancas
Indias Blancas (Índias Brancas)
Indias Blancas. La vuelta del Ranquel (Índias Brancas, a volta do Ranquel)

Duologia O Quarto Arcano
O Anjo Negro - O Quarto Arcano 1
O Porto das Tormentas - O Quarto Arcano 2

Trilogia Cavalo de Fogo
O que Dizem seus Olhos (antecede a trilogia)
Cavalo de Fogo - Paris
Cavalo de Fogo - Congo
Cavalo de Fogo - Gaza

Trilogia do Perdão
Jasy
Almanegra  
La Tierra sin Mal 

Série Nascidas
Nacida bajo el signo del Toro (Nascida sob o Signo de Touro)
Nacida bajo el sol de Acuario (Nascida sob o Sol de Aquário)
Nacida bajo el fuego de Aries (Nascida sob o Fogo de Áries)

Observação: em breve a autora irá publicar a história de la Diana, personagem importante na trilogia Cavalo de Fogo que ganhou nosso coração e nos fez desejar ler sua própria história. Ela merece, gente! 

29 de junho de 2018

Um Reino de Sonhos - Judith McNaught (segunda resenha)

(Título Original: A Kingdom of Dreams
Tradutora: Valéria Lamim
Editora: Bertrand Brasil
Edição de: 2018)

1º Livro da Dinastia Westmoreland


Levada à força de um convento, Jennifer Merrick não se rende tão facilmente a Royce Westmoreland, o Duque de Claymore. Conhecido como "Lobo Negro", seu nome desperta terror no coração de seus inimigos. Mas a orgulhosa Jennifer não se deixa abalar pela fama do homem belo e rebelde que a atormenta com sua arrogância. Ela se mantém fiel ao seu propósito... mas só até a noite em que ele a envolve em um poderoso abraço, despertando nela um desejo incontrolável. 



Palavras de uma leitora...



- Nem sei por onde começar... Quem acompanha o blog há mais tempo sabe que a Judith McNaught é uma das minhas autoras preferidas da vida. Tenho muitas autoras queridas, mas existem aquelas que estão no topo, sabe? Ela foi uma das primeiras a me apresentar os romances de época, quando eu torcia o nariz para esse gênero, pois na verdade tinha muitos receios. Ela entrou na minha vida logo depois da Candace Camp e veio para ficar. Tudo o que eu podia ler dela estava lendo, tivesse ou não sido publicado no Brasil. E foi o que se passou com Um Reino de Sonhos, romance arrebatador que li pela primeira vez em 2011, cerca de sete anos antes da Bertrand Brasil finalmente ouvir os nossos pedidos (já furiosos) de trazer a história para cá. Nós fãs chegamos a fazer abaixo assinado e a editora só sabia prometer. E confesso que cheguei ao ponto de me irritar tanto que não suportava nem mais ouvir falar dessa editora. Somente agora que criou juízo e trouxe os livros da JM novamente é que voltei a olhar com bons olhos para a Bertrand. Até adquiri outros títulos da editora de tão boazinha que fiquei!rs

Lembro com um sorriso no rosto da primeira vez que li a história de Jennifer e Royce e como no final eu era só lágrimas.kkkkkkkk... Foi um dos livros que mais me emocionaram na época. Porque enquanto em outros romances muitas das provas de amor, da intensidade dos sentimentos que envolviam os personagens eram demonstradas com palavras, em Um Reino de Sonhos temos a verdade deles nas ações. É em suas atitudes que vemos a beleza do amor que foi capaz de superar tudo o que podia separá-los. De um amor que surgiu do ódio, do medo, da inimizade. Um amor que eles não queriam. Que não esperavam. Mas precisavam. E como! Sabe quando você conhece dois personagens e tem certeza que nasceram um para o outro, por mais clichê que isso possa parecer? É bem assim. Parece que a vida inteira o Royce esperou pela Jennifer sem nem saber... sem nem imaginar. Ele acordava todos os dias, lutava contra seus adversários, sitiava propriedades, matava inimigos no campo de batalha e em todo o tempo não sabia que seu coração esperava pelo dia em que uma jovem ruiva com os olhos cheios de ódio seria jogada bem aos seus pés e que juntos passariam pelos tormentos do inferno antes de poderem ser realmente felizes. 

- Prometo que não falarei muito, pois já tem uma resenha bem completa sobre o livro no blog, que fiz na época que o li pela primeira vez. Mas agora que revivi todas as emoções, que estive no livro outra vez... vivendo cada instante com o Royce e a Jennifer, rindo e chorando com eles, não poderia de modo algum deixar de falar um pouquinho. Só um pouco, juro!rsrs

Tudo o que ela queria era um reino de sonhos... 

Aos dezessete anos de idade, rodeada pelos muros do convento no qual vivia há cerca de dois anos, Jennifer já sabia o que era sofrimento. O que era sentir na pele o desprezo daqueles a quem mais amava. Pessoas que um dia riram com ela, que a ensinaram a pescar e foram suas cúmplices nas brincadeiras, hoje lhe viravam as costas, não suportando sequer encará-la. E tudo por causa das mentiras de uma mente astuta que desejava vê-la fora de seu caminho. 

Rejeitada pelo próprio pai, que enxergava nela apenas uma fonte de decepções, ela foi trancada no convento, sem saber se um dia sairia dali. Embora fosse duro sentir-se sozinha no mundo, no fundo acreditava que conseguiria transformar-se no orgulho do pai, que seu povo voltaria a amá-la e encontraria um homem capaz de aceitá-la como era e compreendê-la. Alguém que a trataria com gentileza e carinho. E foi num dos seus passeios com a irmã, fora dos terrenos da abadia, após receber uma notícia perturbadora, que sua vida mudou para sempre. Sequestrada em plena luz do dia pelos homens do Lobo Negro, o guerreiro mais temido e odiado em toda a Escócia, ficou dividida entre o medo e o ódio. Se todas as lendas que cercavam aquele nome fossem verdadeiras sua vida seria muito breve. Mas se tinha uma coisa que ela não faria seria desistir sem lutar. 

Após enfurecer seus sequestradores e ser jogada aos pés do seu maior inimigo, Jennifer não pensou e nem esperou antes de deixar claro todo o seu desprezo. E nem considerou a tentativa de suicídio que representava o seu ataque a alguém temido até por seus próprios homens e que era bem mais forte que ela. Sua intenção não era vencê-lo, mas sim perder lutando. E entre mordidas, chutes, tapas e nada de beijos, Royce se viu chocado e profundamente irritado com a única pessoa capaz de se atrever a enfrentá-lo. Não sabia o que diabos seu irmão tinha em mente ao sequestrar aquela bruxa de olhar assassino. Ainda que ela fosse um meio para determinado fim, ele não sabia se realmente valeria a pena tê-la como refém ou se não acabaria era pagando por todos os pecados cometidos naquela e em outras vidas. 

O ódio era mútuo. E nas mãos um do outro eles ainda sentiriam o gosto da dor. Mas o amor não é um sentimento que pede licença. Que se intimida. Ele acontece quando e onde deseja. E não demora a invadir o coração de um guerreiro aparentemente insensível e uma jovem machucada pela vida, mas que não tinha perdido a capacidade de sonhar. 

"Ela havia encontrado outra coisa ali, algo proibido e perigoso para ela, um sentimento que não devia nem podia existir."

- A história começa pelas cenas que antecedem o final. Logo nas primeiras páginas sabemos que um casamento está para acontecer e que a noiva está implorando a Deus para livrá-la daquele destino tão cruel.kkkkkkkk... É uma das cenas mais divertidas para mim. A Jennifer tenta negociar com Deus, pois só um milagre mesmo seria capaz de interromper seu casamento indesejado com o Lobo Negro, nosso querido Royce. Ela estava verdadeiramente apavorada e pelas suas lembranças somos levados de volta ao passado, sete semanas antes, quando tudo começou. E é aí que somos arrebatados por uma das histórias mais belas que já li. 

- Em muitos livros conhecemos personagens que eram supostamente inimigos e que se apaixonaram de maneira inesperada. Mas em Um Reino de Sonhos as coisas não são assim. Aqui não temos uma inimizade boba. Algo fácil de ser superado. Não. Royce é um lorde, mas também o guerreiro mais valioso do rei Henrique, o soberano da Inglaterra, que estava em sérios conflitos com a Escócia, país natal da nossa mocinha. O clã Merrick era fortemente leal ao rei Tiago o que direcionava o ataque do monarca adversário para eles. Em batalhas contra o exército de Henrique, a família de Jennifer já tinha perdido entes queridos e toda a Escócia amaria ver o sangue de Royce escorrer, pois eram pelas mãos dele que seus familiares morriam, não importando para ninguém o fato de ele estar seguindo ordens e de se tratar de uma guerra. 

"E, nesse momento impensável, enquanto segurava a adaga no alto, pronta para atacá-lo, Royce Westmoreland pensou que ela era a criatura mais magnífica que já havia visto; um anjo selvagem, belo e enfurecido, sedento por vingança, com o peito subindo e descendo de fúria enquanto confrontava corajosamente um inimigo mais forte."

- Embora estivesse longe de ser tudo o que seus inimigos diziam sobre ele, Royce não se apaixona pela Jennifer à primeira vista. O que ele sente é muita raiva, pois ela acaba com a paciência dele nos primeiros segundos em que se conhecem.rs As coisas são muito desagradáveis para os dois no princípio e rola agressão, não vou negar. Mas no livro estamos no século XV e Jennifer é prisioneira dele, vinda de uma família inimiga. Outro no lugar do Royce, por mais que nos custe admitir já que estamos no século XXI, teria feito mais que dar um tapa na Jennifer depois da maneira como ela o atacou. E isso para não soltar spoilers e dizer tudo o que ela faz ao longo do tempo em que é mantida como refém dele. Duas dessas coisas poderiam ter decretado a sentença de morte da nossa corajosa mocinha, se seu "algoz" não fosse o temido Lobo Negro. Ela arranca o sangue dele, gente. E de uma forma letal, mas pararei de falar disso senão soltarei um monte de spoilers.kkkkkk... A questão é que em matéria de agressão a Jennifer ganha, sinceramente. Porque em muitos momentos o Royce respirou fundo e se controlou. Tentando entender que ela, como prisioneira, tinha o direito de tentar escapar e, de quebra, querer matá-lo.rs

A relação dos dois é muito tumultuada, mas também é linda. :) De uma forma que nos faz suspirar. Nada é fácil, mas é justamente isso que os faz valorizar ainda mais o sentimento que se constrói. Que os une. Os dois carregam marcas do passado, decepções e ilusões. Têm sonhos que acreditam que não vão realizar. Ambos querem ser amados, querem uma chance de ser felizes. Mas, por causa de dois reis que não estavam nem aí para eles, eram inimigos. Suas famílias se odiavam. Seus povos se desprezavam. E quando percebe que está se apaixonando por ele, Jennifer enfrenta um tipo diferente de dor, algo que ainda não conhecia... porque sabe que precisará escolher entre o homem que ama e sua lealdade para com sua família. Ela não poderia ter os dois. Não mesmo. 

"- Acho - sussurrou ela, com o rosto voltado para ele - que a lenda a seu respeito é falsa. Todas as coisas que dizem que você fez... não são verdadeiras - sussurrou, enquanto seus belos olhos sondavam o rosto do conde como se pudessem ver a alma dele."

- Quando comecei a reler esta história nem tive medo de não amar tanto como na primeira vez. Não existia tal possibilidade.rs E toda admiração e o orgulho que sentia da Jennifer se mantiveram. Sei que existem pessoas que a criticam, que acham que ela foi infantil, teimosa, impulsiva. E eu penso bem diferente dessas pessoas, pois o absurdo, na minha opinião, seria ela ceder e aceitar passivamente tudo o que aconteceu. Ela foi sequestrada. Tinha sim o direito de lutar contra o Royce o quanto suas forças permitissem e de tentar fugir de todas as formas possíveis. Era seu direito e o fato de ela exercê-lo não a desmerece aos meus olhos. Muito pelo contrário! É uma mocinha guerreira, pela qual sinto muito carinho. Jennifer era uma mistura fascinante de sensibilidade, romantismo, força, coragem e determinação. Ela podia ser tão delicada quanto uma flor, que não conseguia se proteger das feridas causadas pela família que não sabia amá-la, mas também era pura força e não estava nem aí se seu oponente era maior e mais experiente. Não era escocesa por acaso.rs 

Não que ela não erre. Na verdade, ela comete um erro terrível na reta final da história. A única de suas atitudes que realmente me feriu profundamente, pois atingiu em cheio o nosso mocinho, destroçando-o. E mesmo assim... magoado por ela, se manteve fiel à sua palavra. Disposto... disposto a perder tudo por amá-la. Sim, estou chorando.rs Nenhuma novidade. 

"Com a voz suave tremendo de emoção, perguntou:
- Jura que nunca levantará a mão contra a minha família?
A resposta do duque foi um sussurro dolorido:
- Sim."

- O Royce para mim é um dos melhores mocinhos da Literatura. Não é do tipo que tem palavras bonitas na ponta da língua ou perde tempo com romantismo. Como ele mesmo disse, é um guerreiro, um soldado. Não um poeta. Não entende dessas coisas, não sabe ficar fazendo elogios e dizendo as coisas belas que as mulheres gostam de ouvir. E isso aumenta o nosso amor por ele, pois suas atitudes com a Jennifer são instintivas. Ele responde ao sentimento sem perceber. Se ela estivesse triste, seu gesto de carinho vinha em resposta. Não podia vê-la magoada. Sabia que ela gostava de vestidos bonitos, então a presenteou com eles. Se ela estava com frio ele a cobria. Se precisava dos seus braços para sentir-se protegida, ali ela poderia estar, ainda que ele estivesse com raiva. Mesmo que o enganassem e o fizessem pensar mal dela, ele não necessitava de provas para perceber que estava errado... que as coisas não eram como pareciam. E quando a possuiu pela primeira vez, quando ainda eram inimigos, não foi com ódio, para humilhá-la ou se vingar. E foi uma das cenas mais lindas do livro. O Royce é incrível. Não dá para desprezá-lo. E ele sequer nos dá motivos para isso. 

- Sei que eu disse que a resenha seria curta, mas... Suspiros!rs Se pudesse ficaria falando deste livro por horas. É minha paixão. Uma história que me fez rir e chorar. E o final... É um dos mais emocionantes, gente! Sempre penso nele como a declaração de amor mais linda. Jennifer se redime do seu erro de uma forma... Nossa! E o que o Royce faz por ela... Só lendo vocês poderão entender. Amo demais estes dois! Eles têm um lugar todo deles no meu coração. 

- Existem resenhas de toda a Dinastia Westmoreland no blog. Não farei uma segunda resenha dos demais livros, que serão relançados pela Bertrand Brasil. Na verdade, Whitney, Meu Amor já foi relançado neste mês de junho e o último livro da série deve chegar nas livrarias nos próximos meses. Um Reino de Sonhos merecia uma segunda resenha não só por ser o meu preferido da trilogia, mas também porque é inédito no Brasil. Sim, a editora nunca antes se deu ao trabalho de publicar a série completa. Veremos se agora passará a fazer isso...

Dinastia Westmoreland

1º Um Reino de Sonhos (escrito depois de Whitney, Meu Amor, mas a história se passa séculos antes)
2º Whitney, Meu Amor (o livro mais polêmico da série)
4º Milagres (conto)

Observação importante: Como não farei outra resenha de Whitney, Meu amor, acho importante mencionar que existem duas versões desse livro e que, pelo que uma menina que já leu a versão publicada em 2018 disse, vocês terão acesso à versão "modificada", a menos polêmica, por assim dizer.rsrs Se minha memória não estiver falhando terrivelmente, o livro de Clayton e Whitney foi o primeiro a ser escrito pela autora e nele existiam duas cenas pesadas e inaceitáveis. O livro foi publicado contendo tais cenas e quem leu a versão mais antiga as enfrentou. Anos mais tarde a autora modificou por completo a primeira cena pesada e alterou o sentido da segunda. Além de ter acrescentado mais capítulos. Lembro que uma vez uma leitora me criticou ao ler minha resenha do livro, dizendo que eu estava meio que mentindo para os leitores ao mencionar cenas que não existiam.rs Porque ela tinha lido a versão de bolso, publicada alguns anos atrás, já contendo as alterações. Enfim... O Clayton que eu conheço é o da versão original. O fato da autora tê-lo "suavizado" depois não muda em nada o que ele fez e o torna o mocinho mais complexo e abusivo dela. Eu vou comprar a versão nova, isso é claro. Porque sou fã incondicional da autora. Mas não irei reler. Eu amo Whitney, Meu Amor. Não estou dizendo o contrário. E perdoei o Clayton, pois ele sofre como um condenado por tudo de mal que faz contra a Whitney, mas não tenho emocional para encarar esse mocinho de novo, gente!kkkkkk... Não agora. Daqui a alguns anos, talvez.rs
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