Sinopse: Em um bosque muito escuro é narrado por uma escritora reclusa que aceita o convite para a despedida de solteira de uma amiga de escola com a qual não tinha contato há anos. Quarenta e oito horas depois de chegar ao local da festa, uma casa de campo isolada, ela desperta numa cama de hospital, com a devastadora certeza de que alguém está morto. E mais do que tentar lembrar o que aconteceu no fatídico fim de semana, precisa descobrir o que fez. Com uma atmosfera inquietante, em que segredos do passado são revelados aos poucos e as relações se constroem pelo entrelaçamento de admiração, carinho, inveja e ressentimentos, Ruth Ware entrega um thriller arrebatador, que não à toa a colocou entre os principais nomes do novo suspense feminino, como Paula Hawkins e Gillian Flynn. Em um bosque muito escuro será adaptado para o cinema por Reese Whiterspoon.
25 de agosto de 2026
Em Um Bosque Muito Escuro - Ruth Ware
23 de abril de 2021
A Morte da Sra. Westaway - Ruth Ware
Sinopse: "As cartas não dizem nada que você não saiba. Não podem revelar nenhum segredo nem ditar o futuro. Elas só podem mostrar o que você já sabe." Hal Westaway lê cartas de tarô no cais de Brighton e, desde a morte da mãe, luta diariamente para pagar suas contas e sobreviver. A notícia inesperada de uma herança pode mudar sua vida para sempre e, mesmo sabendo que tudo pode ser um enorme engano, ela decide acreditar... e jogar. Quando Hal Westaway recebe uma carta inesperada anunciando que ela herdou uma soma substancial de sua avó da Cornualha, aquilo lhe parece uma resposta às suas preces. Ela deve dinheiro a um agiota e as ameaças do sujeito estão cada vez mais agressivas: ela precisa botar a mão em dinheiro vivo o mais breve possível. Existe apenas um problema: as avós de Hal morreram há mais de vinte anos. A carta foi enviada à pessoa errada. Hal sabe, no entanto, que as técnicas que usa para “ler” as pessoas através do tarô podem ajudá-la a conseguir esse dinheiro. Se alguém tem habilidade para comparecer ao funeral de um estranho e reivindicar um espólio que não lhe pertence, é ela. Ao chegar à cerimônia, porém, Hal percebe que há algo muito, muito errado a respeito de toda aquela situação, e a herança está no centro de tudo. Mas Hal Westaway fez sua escolha, e não pode voltar atrás. Ela precisa continuar ou arriscar perder tudo. Até mesmo a própria vida. Uma velha casa, uma governanta assustadora, conflitos familiares e dilemas morais. Ingredientes clássicos que se tornam surpreendentes na voz de um dos grandes nomes contemporâneos do suspense, Ruth Ware.
"Ela abriu o portão e as ferragens rangeram, um som baixo como um lamento através do barulho da chuva que a fez tremer mais ainda. Algo no tom daquele ruído lhe provocou um arrepio na nuca. Foi como se a casa estivesse morrendo de dor."
"Mas ali no alto só havia uma explicação, não eram grades para impedir alguém de entrar, e sim de sair."
"Ela descobriu que as verdades mais importantes muitas vezes estavam no que as pessoas não falavam [...]"
"Era a injustiça que machucava mais, feito ácido na garganta. Teve vontade de berrar contra a injustiça daquilo tudo. Quero uma trégua, ela queria soluçar. Só uma vez quero que aconteça uma coisa boa comigo."
"Não era apenas a sensação de uma casa negligenciada há muito tempo. Era algo mais sombrio, de um lugar que esconde segredos, onde pessoas foram tremendamente infelizes e ninguém apareceu para consolá-las."
"[...] que segredo era esse, o segredo que era o cerne de todo aquele mistério, que tinha alguém disposto a matar para protegê-lo?"
"Hal podia ser qualquer coisa, menos um rato. E não seria presa de ninguém."
11 de dezembro de 2020
A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata - Mary Ann Shaffer e Annie Barrows
69ª leitura de 2020 (60ª resenha do ano)
Sinopse: Janeiro de 1946: enquanto Londres deixa para trás a sombria realidade da Segunda Guerra Mundial, a escritora Juliet Ashton busca um novo tema para seu próximo livro. Quem poderia imaginar que o encontraria na carta enviada por um homem desconhecido?
Morador da longínqua Guernsey, ilha britânica ocupada pelos nazistas durante a guerra, Dawsey Adams havia se deparado com o nome de Juliet na folha de rosto de Seleção de ensaios de Elia. Foi assim que decidiu corresponder-se com a autora. Talvez ela o ajudasse a encontrar mais livros do ensaísta romântico Charles Lamb.
Tem início, assim, uma correspondência intensa: na troca de cartas, Juliet toma conhecimento da Sociedade Literária de Guernsey, formada por Dawsey e seus amigos. De criadores de porcos a frenólogos, eles decidiram que um clube de livro seria o melhor álibi para não serem capturados pelos alemães.
Nas cartas que recebe de Dawsey e, depois, dos outros membros da sociedade, Juliet passa a conhecer a ilha, o gosto literário de cada um e uma famosa receita de torta de casca de batata, além do impacto transformador que a recente Ocupação alemã teve na vida de todos. Cativada por suas histórias, ela parte para Guernsey, e o que lá encontra irá transformá-la para sempre.
Escrito com senso de humor e delicadeza, este romance epistolar é uma celebração da palavra escrita em todas as suas formas.
É sempre mais difícil falar de um livro que se torna um favorito do nosso coração. Parece que as palavras simplesmente somem, escapam, e não sabemos como expressar o imenso amor que sentimos por uma história, a forma como ela nos atingiu e nos arrancou muitas lágrimas e sorrisos... assim, bem misturado mesmo. Em alguns momentos eu realmente ria e chorava ao mesmo tempo.
Histórias que possuem como tema a Segunda Guerra Mundial sempre são dolorosas, ainda que o escritor tente contar as coisas de forma mais leve, apelando para o humor para tornar menos pesados certos acontecimentos. Ainda assim, essas histórias machucam. Abrem feridas não totalmente cicatrizadas dentro de nós que nunca esquecemos o passado podre da humanidade. É o mesmo que se passa com livros que falam da escravidão, das ditaduras e diversas outras barbaridades que mancham de sangue o nosso mundo, que nós seres humanos insistimos em destruir ao mesmo tempo que destruímos uns aos outros. A Mary Ann Shaffer tenta muito tornar sua história bem leve, com muito humor, e embora eu tenha rido bastante com algumas cenas, eu também chorei muito. E o que mais me marcou neste livro foi justamente isso: o sofrimento que os personagens, por mais otimistas e corajosos que fossem, jamais seriam capazes de esquecer. Como um trecho do livro bem diz: "A guerra agora faz parte da história de nossas vidas, e não há como esquecê-la."
Eu não vou fazer um resumo muito grande do livro, pois a sinopse é bastante completa e te dá uma clara noção do que encontrará na história. Aqui temos um início bem parecido com o de Querida Sue (outro livro que me arrancou muitas lágrimas), quando há uma troca de cartas entre um leitor e uma escritora que nunca tinham se visto na vida, mas que se conectam através das palavras escritas como se fossem amigos de longa data.
Juliet, uma jovem escritora e jornalista de trinta e dois anos, não sabia sobre o que escrever agora que a guerra havia acabado e ela estava cansada da série de histórias que a tinha tornado famosa, mas que não lhe dava tanto prazer assim. Queria falar de algo diferente, mais profundo. Sua vida estava um tanto bagunçada, pois pouco antes do fim da guerra, seu apartamento foi bombardeado e ela perdeu tudo o que ali tinha, incluindo os livros que tanto amava. Mas o que lhe acontecera não era nada comparado com o que milhões de pessoas enfrentaram durante aquela sangrenta e desesperadora guerra.
"Mas a verdade é que estou deprimida - mais deprimida do que jamais estive durante a guerra. Tudo está tão destruído, Sophie: as ruas, os prédios, as pessoas. Particularmente as pessoas."
A vida sem perspectiva de Juliet muda quando ela começa a se corresponder com Dawsey Adams, um morador das Ilhas do Canal, local invadido e ocupado pelos nazistas durante a guerra, cujos habitantes sentiram de perto o terror de conviver com os inimigos. Dawsey havia encontrado um antigo livro que tinha pertencido a Juliet (seu nome e seu antigo endereço estavam na contracapa), então ele lhe escreve para lhe pedir o favor de indicar alguma livraria em Londres, que pudesse lhe enviar mais livros do autor, pois embora os nazistas tivessem partido, já não existiam mais livrarias em Guernsey.
Através da troca de cartas, Juliet fica sabendo sobre a Sociedade Literária e Torta de Casca de Batata de Guernsey e a forma como ela surgiu. Assim, acaba decidindo escrever sobre os membros daquela sociedade e como a literatura desempenhou um papel importante para tornar mais suportável os cinco anos em que estiveram sob o domínio do exército nazista. As cartas que antes trocava apenas com Dawsey, se tornam ainda mais significativas quando diversos outros moradores de Guernsey passam a lhe escrever e compartilhar suas experiências de leitura e de vida. Não demora para que ela se sinta parte daquele lugar e deseje conhecer pessoalmente aquelas pessoas que já sentia serem suas amigas.
E é assim que a narrativa é construída: por meio de cartas. Trata-se, portanto, de um romance epistolar, no qual a autora (e sua sobrinha Annie Barrows, que foi quem finalizou o livro, pois a tia adoeceu pouco antes de concluí-lo) mostra todo o seu talento. Sempre considerei a narrativa epistolar algo sensacional e muito difícil de funcionar se o autor não souber o que está fazendo. Tem que ter talento e tomar muito cuidado para não se perder e tornar a história algo sem nexo. Felizmente, as autoras fizeram um excelente trabalho, nos proporcionando uma leitura emocionante, fazendo com que nós leitores também nos sentíssemos parte de Guernsey e da vida dos personagens. Eu desejei muito me mudar para lá.rs Mas só se pudesse conhecer Dawsey, Amelia, Isola, Eli e seu avô, e a pequena Kit, o que é impossível, já que são todos fictícios (esta é a parte ruim da leitura, querermos que os personagens sejam reais).
Os membros da sociedade literária de Guernsey são muito diferentes uns dos outros e a maioria não tinha o hábito de ler. Eles tinham se reunido uma noite para comer um porco que tinham conseguido esconder dos nazistas. Era um período muito difícil, em que havia pouco o comer, em que tudo faltava. Acontece que após o excelente e raro jantar, alguns deles acabaram sendo parados pelos soldados inimigos (tinham violado o toque de recolher) e Elizabeth, com bastante coragem, inventou a mentira sobre uma reunião literária e que tão distraídos com os livros acabaram não percebendo o tempo passar. Era uma mentira difícil de "colar", mas contra todas as probabilidades funcionou. Então, Elizabeth resolveu tornar a mentira real e fundou a sociedade literária. Algo que se tornou um refúgio para aquelas pessoas, que viram na literatura uma chance de escapar, mesmo que por poucas horas, do horror da guerra.
"Nós nos agarramos aos livros e aos nossos amigos; eles nos faziam lembrar que havia um outro lado em nós. Elizabeth costumava recitar um poema. Não me lembro dele todo, mas começava assim: 'Será algo tão insignificante ter apreciado o sol, ter se alegrado na primavera, ter amado, ter pensado, ter feito, ter cultivado amizades verdadeiras?' Não é. Eu espero que, onde quer que esteja, ela se lembre disso."
Eu não consigo falar da Elizabeth sem chorar. E não posso dar spoiler. Portanto, não me verão mencionando muito sobre ela. Só digo que é a personagem que mais me marcou neste livro. Aquela que tornou a leitura tão especial, tão emocionante.
Como eu disse, o livro tem uma narrativa leve, divertida, que nos arranca sorrisos e até gargalhadas. Mas também não nos poupa das realidades brutais da guerra e é impossível segurar as lágrimas diante de certas lembranças dos personagens. Sentimos dor e sentimos ódio. Uma vontade enorme de matar aquelas pessoas cruéis, dignas de serem chamadas de monstros e que destruíram tantas vidas.
O livro fala de literatura, amizade, recomeço, fé, esperança... bondade. Amor em suas mais diversas formas. Mas também fala de fome, perdas, tortura, desaparecimentos e assassinatos. Não dá para falar de Segunda Guerra Mundial sem mencionar toda essa dor.
A história termina de forma engraçada e bonita, mas considerei um final tão abrupto! Eu cheguei a dar um grito aqui, chocada. Falei: "Não! Não acredito que elas terminaram o livro assim!"kkkkkk Fiquei frustrada?! Com certeza! Esperava um final diferente. Mesmo assim, isso em nada diminuiu o imenso amor que sinto por esta história. É uma querida do meu coração.
P.S.: Eu pensei em assistir o filme baseado no livro, mas antes resolvi ver o trailer. Resultado: não gostei. Pelo trailer já percebi que fizeram várias mudanças, inclusive na personalidade dos personagens. E isso me fez tomar a decisão de não ver o filme.
25 de outubro de 2020
Por que só as princesas se dão bem? - Thalita Rebouças
Sinopse: Por que só as princesas se dão bem? é um conto de fada às avessas que vai conquistar as leitoras mirins. O livro traz o estilo bem-humorado da escritora que conquistou os adolescentes, agora contando a história de Bia, uma garota apaixonada por princesas... até se tornar uma!
Sua mãe estava lendo um livro antes dela dormir e, misteriosamente, Bia vai parar dentro da história! Logo é cercada por várias assistentes e preparada para os milhares de eventos e obrigações e regras que toda princesa precisa seguir. Ela não podia fazer perguntas, tinha que vestir o que os outros escolhessem, comer somente o que outras pessoas decidissem, sequer poderia ir ao banheiro quando desejasse, mas somente quando os outros achassem apropriado!rs Eram muitas as regras, muitos os compromissos. Brincar?! Nem em pensamento! Enfim... Era uma vida muito infeliz. E tudo o que Bia mais desejava era voltar a ser ela mesma, voltar a ter sua vida.
O livro traz uma visão nada cor-de-rosa dos contos de fadas. Nele, a vida de uma princesa é mais "real", não há "o felizes para sempre", com o príncipe encantado maravilhoso e uma vida de bailes e sorrisos e sonhos. Eu teria dó de ler uma história dessas para uma criança que ainda ama contos de fadas e sonha em ser princesa.rs Não leria, não!kkkkkk Mesmo assim, é uma história engraçada, com seu próprio final feliz e que nos faz pensar naquela questão de sempre considerarmos a vida do outro melhor que a nossa, a grama do vizinho mais verde, sabe? Através da experiência da Bia percebemos que muitas vezes o que consideramos "uma vida perfeita" não é nada daquilo e se trocássemos de lugar com a outra pessoa possivelmente iríamos desejar voltar correndo para nossa própria vida. Foi o que a Bia quis: apenas a sua própria vida de volta.
É uma historinha leve, bem rápida de ler, bastante engraçada e com um final bem feliz para nossa protagonista!rs
-> DLL 20: Um livro que tenha criança como personagem principal
30 de agosto de 2020
A Panqueca Fugitiva, o Resmungão e outros contos nórdicos
Sinopse: Os contos nórdicos são hstórias compartilhadas pelos povos germânicos que habitaram a Escandinávia, sobretudo a Islândia. Uma cultura transmitida oralmente, como toda cultura popular, de geração para geração. Essas narrativas chegaram até nós por meio de textos medievais escritos durante e após o processo cristianização da região. E, como acontece com toda cultura popular, são textos vivos, em permanente transformação, de acordo com as necessidades de cada sociedade.Com humor e perspicácia, Augusto Pessôa pesquisou e adaptou oito contos nórdicos, carregados de simbolismo e arquétipos que os tornam universais.
21 de abril de 2020
Amoras - Emicida / Flávia e o Bolo de Chocolate - Míriam Leitão
Sinopse: Em seu primeiro livro infantil, Emicida conta uma história cheia de simplicidade e poesia, que mostra a importância de nos reconhecermos nos pequenos detalhes do mundo. Na música “Amoras”, Emicida canta: “Que a doçura das frutinhas sabor acalanto/ Fez a criança sozinha alcançar a conclusão/ Papai que bom, porque eu sou pretinha também”. E é a partir desse rap que um dos artistas brasileiros mais influentes da atualidade cria seu primeiro livro infantil e mostra, através de seu texto e das ilustrações de Aldo Fabrini, a importância de nos reconhecermos no mundo e nos orgulharmos de quem somos — desde criança e para sempre.
"Nesse planeta, Deus tem tanto nome diferente que, pra facilitar, decidiu morar no brilho dos olhos da gente."
Sinopse: Em meio aos questionamentos da pequena Flávia sobre a sua pele marrom – tão diferente da pele branquinha da mãe –, a premiada jornalista Míriam Leitão aborda temas delicados como adoção e questões raciais de forma sensível e lúdica para os pequenos. Com belas ilustrações de Bruna Assis Brasil, a autora, ganhadora do Prêmio FNLIJ 2014 na categoria Escritor Revelação por seu livro infantil de estreia, A perigosa vida dos passarinhos pequenos, mostra que o mundo é feito de diferentes cores, pessoas e sabores. E que é justamente isso que o torna tão rico. Flávia e o bolo de chocolate é o terceiro livro infantil de Míriam Leitão, autora também de A menina de nome enfeitado.
25 de novembro de 2019
Felicidade Clandestina - Clarice Lispector
Editora: Rocco
Edição de: 1998
Páginas: 160
Coletânea de contos
Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1971, Felicidade clandestina reúne 25 contos que falam de infância, adolescência e família, mas relatam, acima de tudo, as angústias da alma. Como é comum na obra de Clarice Lispector, a descrição dos ambientes e das personagens perde importância para a revelação de sentimentos mais profundos. "Felicidade clandestina" é o nome do primeiro conto. Como em muitos outros, é narrado na primeira pessoa, e mostra que o prazer da leitura é solitário e, quando difícil de ser conquistado, torna-se ainda maior. A história, como outras do livro, acontece no Recife, onde a autora passou sua infância.
Temas caros ao universo clariceano estão presentes neste livro: a relação mágica com os animais, a descoberta do outro, as inúmeras possibilidades de se escrever uma história, a presença do inesperado no cotidiano previsível. Nos textos de cunho autobiográfico é possível flagrar, por exemplo, momentos da infância marcados pelos sentimentos mais diversos; da euforia das descobertas ao choque das frustrações, como em "Restos do carnaval" ou em "Cem anos de perdão".
Entre os 25 contos de Felicidade clandestina, há textos originalmente publicados em jornal e outros que faziam parte dos livros A legião estrangeira, Para não esquecer e A descoberta do mundo. A maioria trata de recordações familiares e de infância, mas todos testemunham os mais profundos segredos da alma humana.
"Era uma velha sequinha que, doce e obstinada, não parecia compreender que estava só no mundo."
"Tivera pai, mãe, marido, dois filhos. Todos aos poucos tinham morrido. Só ela restara com os olhos sujos e expectantes quase cobertos por um tênue veludo branco."
25 de maio de 2019
Harry Potter e a Ordem da Fênix - J. K. Rowling
Tradutora: Lia Wyler
Editora: Rocco
Edição de: 2003
Páginas: 703
Sinopse: O Ministério da Magia começa a intervir em Hogwarts, não acreditando no retorno de Voldemort propalado por Harry Potter e Alvo Dumbledore. Indicada pelo Ministério como professora de Defesa Contra as Arte das Trevas, Dolores Umbrigde proíbe a matéria para alunos mais novos, o que leva Harry a fundar a Armada Dumbledore, para ensinar seus colegas a se defenderem do lorde e seus Comensais da Morte.
Na batalha Bem versus Mal, Harry vai enfrentar as investidas de Voldemort sem a proteção de Dumbledore, já que o diretor de Hogwarts é afastado da escola. E vai ser sem seu protetor que o jovem herói enfrentará descobertas sobre a personalidade controversa de seu pai, Tiago Potter, e a perda de alguém muito próximo.
Não foi por acaso que J. K. Rowling chegou às lágrimas escrevendo o quinto volume da série, lançado no Brasil em novembro de 2003.
6 de janeiro de 2019
Harry Potter e o Cálice de Fogo - J. K. Rowling
9 de dezembro de 2018
O Conto da Aia - Margaret Atwood
Depois de tanto ter ouvido falar deste livro decidi que não havia momento melhor para adquiri-lo do que no Dia Internacional da Mulher, quando a Saraiva fez uma mega promoção, concedendo 50% de desconto na compra de cada livro. Foi a melhor promoção do ano, sem dúvidas.rs E embora eu tenha desejado ler o livro assim que o tive em minhas mãos o medo acabou falando mais alto, pois o pouco que sabia sobre a história era o suficiente para me deixar apavorada.
Foi somente com o projeto Leitura Coletiva que tive coragem de apostar na história, uma vez que não faria a leitura sozinha e poderia desabafar com os outros leitores, sabendo que eles estariam passando pela mesma angústia.kkkkkk... Assim, ao longo de três semanas, fui atormentada pela realidade de O Conto da Aia, quando um governo teocrático e totalitário se levantou e anulou os direitos das pessoas após um repentino golpe de Estado, com o assassinato do presidente dos Estados Unidos e a execução dos membros do Congresso. E sabe de uma coisa? O livro se passa em pleno século XXI (final do século XX e início do século XXI pelo que pude perceber). Isso é o mais assustador. A história se passa numa época em que existia uma grande liberdade, direitos garantidos, mulheres trabalhando e sendo independentes, movimentos feministas e de LGBT, defesa do não preconceito racial, entre outros movimentos pela defesa dos direitos humanos. As pessoas eram livres e jamais passaria pela mente delas que um dia tudo poderia chegar ao fim. Que seus direitos não eram tão garantidos assim. Que uma Constituição poderia ser derrubada e direitos humanos ignorados.
"Foi então que suspenderam a Constituição. Disseram que seria temporário. Não houve sequer nenhum tumulto nas ruas. As pessoas ficavam em casa à noite, assistindo à televisão, em busca de alguma direção. Não havia nem um inimigo que se pudesse identificar.
Cuidado, disse Moira para mim, ao telefone. Está vindo por aí.
O que está vindo por aí?, perguntei."
- As coisas aconteceram tão de repente que as pessoas não tiveram nem tempo para reagir. Apavoradas com o ataque terrorista, que elas acreditavam ter sido praticado por radicais islâmicos, nem lutaram quando a suspensão da Constituição foi decretada e os direitos suprimidos. O estado de sítio era necessário, certo? Era uma situação de emergência, segurança nacional. Ninguém podia se preocupar com suas próprias liberdades quando o país inteiro estava ameaçado. Assim a população esperou, temerosa, sem entender o que de fato estava acontecendo. Mas quando tudo ficou claro já era tarde demais. Não havia mais chance de luta. Não tinha como escapar.
"Então me lembrei de algo que eu tinha visto, mas não havia reparado na ocasião. Não era o exército. Era outro exército."
- Primeiro foram as prostitutas que desapareceram das ruas. Mas quem se importava? Elas incomodavam. Eram uma vergonha para as famílias de bem, destruidoras de lares. As demais mulheres até ficaram aliviadas com aquela "limpeza", embora não soubessem o que de fato havia acontecido com elas. Alguém precisava fazer algo, diziam. Uma providência precisava ser tomada e a população ficou contente. Qualquer objeto pornográfico (revistas, filmes etc) tornou-se proibido. Era crime grave possuir qualquer coisa do tipo em sua residência. Mas até aí tudo bem.
Então num belo dia uma nova lei foi criada: a partir daquele momento mulheres não poderiam trabalhar. Ter uma profissão. Advogadas, médicas, engenheiras, bibliotecárias, o que fosse... todas dispensadas de uma hora para outra. Suas contas congeladas. Afinal de contas, a nova lei também dizia que mulheres não poderiam possuir bens. Maridos ou outros parentes próximos é que deveriam administrar as coisas. O dinheiro delas passaria para as mãos deles.
"Houve passeatas, é claro, muitas mulheres e alguns homens. Mas foram menores do que se teria imaginado. Creio que as pessoas estavam com medo. E quando se tornou de conhecimento público que a polícia ou o exército, ou fossem lá quem fossem, abririam fogo quase que tão logo quaisquer das passeatas começassem, as passeatas pararam."
- Foi natural a leitura tornar-se proibida. Era algo venenoso, letal. Quem fosse pego lendo poderia sofrer um castigo severo, até mesmo ter uma de suas mãos amputadas. Os letreiros das lojas foram trocados por desenhos, livros foram recolhidos, alguns destruídos, outros guardados pelos que detinham o poder. Mulheres não podiam saber ler. Deveriam esquecer a vida que tinham tido até então. Tudo estava acabado e o melhor seria se conformar. Era hora de trazer de volta as leis do Antigo Testamento, ou o que o novo governo interpretava dele. Uma nova era começava.
Quem possuía alguma religião cristã e era legalmente casado (leia-se: primeiro casamento) no início foi deixado relativamente em paz. Eram pessoas de família, cidadãos corretos. Desde que não se metessem no que acontecia com os outros tudo estaria bem para eles. Por um tempo. Mas homens e mulheres divorciados e que construíram uma nova família foram considerados adúlteros pela lei. Assim o casamento era ilegal e tais mulheres deveriam tornar-se propriedade do governo. Os filhos delas? Confiscados. Arrancados de seus braços e entregues aos escolhidos pelo governo.
Assim foi que aconteceu com a protagonista, a aia que nos conta sua história e como o mundo que ela até então conhecia chegou ao fim. Como perdeu a sua filhinha e o homem a quem amava. Como passava cada dia sem saber se eles ainda estavam vivos. Se um dia seria o corpo de Luke que ela veria pendurado no Muro, onde ficavam expostas as pessoas executadas pelo regime.
"Não há ninguém que eu possa amar, todas as pessoas que eu podia amar estão mortas ou em outro lugar. Quem sabe onde estão ou quais são seus nomes agora? Poderiam muito bem não estar em lugar nenhum, como eu estou para elas. Também sou uma pessoa desaparecida."
- Como Luke havia sido casado antes dos dois construírem sua própria família, Offred (nome dado pelo governo) foi uma das tantas mulheres sequestradas durante a República de Gilead e levadas para o Centro Vermelho, onde deveriam ser educadas (leia-se: lavagem cerebral) para se tornarem aias. Após uma rígida reeducação, com ensinamentos bíblicos distorcidos, punições e manipulações eficazes, essas mulheres seriam entregues nas casas de membros do alto escalão do poder, que possuíam o direito de terem aias, servas que tinham como missão procriar. Dar-lhes filhos. Como a taxa de natalidade havia caído muitíssimo ao longo dos anos; fosse por conta de doenças sexualmente transmissíveis que provocavam esterilidade, fosse porque mulheres tinham optado por ligarem as trompas, fosse por conta de acidentes radioativos, epidemias, a questão é que ter filhos tornou-se um privilégio. Crianças eram raridade e extremamente desejadas pelas famílias que se formaram durante o novo regime. Desta forma as aias eram comuns nas casas dos poderosos Comandantes e toleradas pelas Esposas, uma vez que seriam apenas um objeto utilizado para trazer ao mundo os filhos que seriam delas, das Esposas.
Offred já havia passado por uma outra casa antes de chegar a do seu atual Comandante. As coisas não tinham dado muito certo e lhe foi concedida uma segunda tentativa. Ela sabia que após a terceira sua vida chegaria ao fim. Mas que vida? O que ela de fato possuía? Nada. Nem mesmo a sua identidade. Cada dia cumpria as ordens que lhe eram dadas. Nas noites escolhidas pela Esposa e pelo Comandante ela era obrigada a deitar-se e deixar que eles utilizassem seu corpo como bem entendessem. Tinha que engravidar. E após nove meses ver seu bebê ser entregue aos braços de outra pessoa. Ser retirado dela como um dia sua filha também tinha sido. Já não tinha forças para chorar. Estava se acostumando. E isso era o pior. Ela estava começando a esquecer o passado, a sua vida. Por isso precisava nos contar a sua história. Manter vivo o pouco que ainda recordava e também deixar registrado aquilo no qual se transformou o país em que ela tinha vivido.
"Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
Ninguém disse quando."
- Dá para vocês terem uma ideia do quanto esta história mexeu comigo. Com minhas emoções e minha mente. Com a minha já inseparável ansiedade. Se já sou nervosa e temerosa por natureza, ao ler O Conto da Aia isso foi elevado a décima potência. Sobretudo após os acontecimentos dos últimos meses no Brasil. As semelhanças com o passado da nossa nação e com o presente são gritantes. A forma como as pessoas foram manipuladas, levadas a acreditar que tudo aquilo era para o bem, que uma mudança era necessária, que o país tinha que ser salvo do mal, de quem tinha levado a nação para o buraco. Mas a mudança era melhor para quem? Como uma famosa frase do livro: "Melhor?, digo, em voz baixa, apagada. Como ele pode pensar que isto é melhor? Melhor nunca significa melhor para todo mundo, diz ele. Sempre significa pior, para alguns." E é exatamente assim que funciona. As pessoas pensam tanto em seus direitos, no que elas consideram correto, no que lhes agrada e esquecem dos outros. Amar ao próximo é desnecessário, certo? Para que amar ao próximo se pensar no meu próprio umbigo é mais conveniente? Tanta hipocrisia me enoja. E o mesmo se passa no livro. Enquanto eram os direitos dos outros que estavam sendo atingidos ninguém se importou. Foi somente quando aquela realidade também os atingiu que entenderam a gravidade do que estava acontecendo e aí já era tarde demais.
- Eu sofri demais com esta história. Não só por tudo o que aconteceu com as mulheres e também com os homens que tentaram se rebelar. Mas sobretudo por ver tantas semelhanças com tragédias já ocorridas no mundo. E a grande probabilidade de algo pior um dia acontecer. As pessoas são tão ingênuas. Acreditam tanto na garantia dos seus direitos, nas constituições de seus países, na proteção dada pelos direitos humanos. Não entendem, não conseguem perceber como tudo é frágil. Nada é garantido. Se você pensa o contrário lamento dizer que está se iludindo. Qualquer direito um dia pode ser destruído. Basta que um governo forte deseje isso. Se não fosse assim ditaduras não existiriam em pleno século XXI. E olha que os direitos humanos estão aí, eles e vários tratados sobre o assunto, assinados e ratificados pelas nações. E o que é pior: a ditadura escancarada ou aquela que é disfarçada de democracia? (frase já existente antes de ser levianamente mencionada por aí nos últimos anos). Antes de responder é melhor ler O Conto da Aia.
"Sinto-me enterrada."
- Durante a República de Gilead muitas atrocidades foram cometidas, como os salvamentos de homens e mulheres. Médicos, padres, outros religiosos que se rebelavam contra o governo, maridos que não aceitavam a nova situação... Enfim... Eram variados aqueles executados pelo regime. Os sentenciados à morte eram brutalmente enforcados e pendurados no Muro para servir de exemplo, como em épocas anteriores da História do mundo. Os salvamentos de mulheres eram mais raros, pois elas tinham sido tão massacradas e anuladas que já não tinham forças para se rebelar. Mesmo assim ainda acontecia. Eram assassinadas da mesma maneira, na presença de outras mulheres, que deveriam manifestar abertamente apoio aos assassinatos, quer quisessem ou não. Como os homens também tinham seus corpos pendurados no Muro, como uma coisa qualquer, sem direito a um enterro digno.
"O momento da traição é o pior, o momento em que você sabe, além de qualquer dúvida, que foi traído: que algum outro ser humano desejou a você tamanho mal."
Mas nem todas as mulheres se tonaram aias (propriedades do governo para servirem de barriga de aluguel, escravas para procriação. Vestes vermelhas), ou Esposas ("privilegiadas" escolhidas para se casarem com os Comandantes. Vestes azuis), econoesposas (esposas concedidas a homens pobres. Vestes que eram mistura de cor vermelha, azul e verde), marthas (criadas das casas, que limpavam, cozinhavam, eram empregadas domésticas. Vestes verdes), Tias (religiosas da República que faziam a lavagem cerebral nas aias no Centro Vermelho). Muitas mulheres também se viram numa posição diferente: decretadas NÃO MULHERES. Eram as que iam imediatamente para a execução ou para as Colônias. Entre elas estavam as muito idosas e inúteis, as bissexuais ou homossexuais, as que tinham feito algum procedimento cirúrgico para não engravidarem, as feministas, ateias, as freiras que não se convertiam e mesmo após torturas não aceitavam a nova religião, entre outras. Nas Colônias elas viviam o inferno. Era como ser assassinada lentamente. Tinham no máximo, na melhor das hipóteses, uns quatro anos de vida. Antes que os produtos tóxicos com os quais eram obrigadas a lidar as matasse. Isso se a fome não matasse antes. Os campos de concentração passam por sua mente ao ler isso? Pois bem. Também me lembrei deles. É algo semelhante. Até porque boa parte da população do país (e do mundo) não sabia da existência das Colônias. E quando sabiam não faziam ideia de que eram campos de tortura, de despejo humano, onde as pessoas trabalhavam sem descanso, passavam fome e eram envenenadas lentamente.
"Acredito na resistência do mesmo modo que acredito que não pode haver luz sem sombra; ou melhor, não pode haver sombra a menos que também haja luz. Tem que haver uma resistência [...]"
- Claro que como em qualquer parte do mundo e sob qualquer regime totalitário surgem as resistências. Sempre haverá alguém para lutar por um mundo melhor, sempre haverá alguém que tentará mesmo sabendo que não viverá o suficiente para ver a mudança. Em O Conto da Aia não é diferente. Duas resistências distintas e interligadas surgem e se fortalecem ao longo dos anos. Mas a pergunta é: são suficientes para sequer abalar um governo que esperou pacientemente o momento perfeito para dar o seu golpe? Um governo tão bem preparado? Isso vocês só irão descobrir lendo, claro. Tudo o que eu disse aqui.... não é nem um terço do que vocês encontrarão no livro. E nem pode prepará-los para o que sentirão. Eu chorava tanto... sobretudo na metade da segunda semana de leitura, quando enfrentamos boa parte dos capítulos pesados. Mas quando a terceira semana de leitura foi chegando ao fim e vieram capítulos chocantes... eu própria já não tinha forças para chorar. O final foi impactante. De me deixar de boca aberta e coração acelerado.
"Não deixe que os bastardos esmaguem você."
- Esta leitura é extremamente necessária. O Conto da Aia é um livro que deve ser lido por todos. Porque serve de alerta, porque chama a nossa atenção, nos dá aquela sacudida capaz de nos despertar. Aproveitem o privilégio que têm de ler. Se uma ditadura fosse implantada hoje tenha certeza que este seria um dos livros que seriam rapidamente proibidos. Livros sempre foram considerados perigosos, queridos. Porque eles nos fazem pensar. Nos dão conhecimento, despertam o pensamento crítico. Os livros mudam as pessoas.












