6 de janeiro de 2021

Projetos de leitura 2021


Olá, queridos!


E chegou a hora de conferir de quais desafios participarei este ano. 


Estipulei, ainda no ano passado, como principais metas:


-> Participar do Desafio Literário Livreando 2021

-> Ler 12 livros selecionados antecipadamente

-> Ler pelo menos 50 livros da minha estante


Assim, deixarei aqui neste post perfeitamente organizadas as anotações, conforme for cumprindo os desafios. Para conferir meu progresso, bastará acessar o post, cujo link ficará disponível no menu superior do blog. 


Desafio Literário Livreando 2021


É um desafio criado pela Tâmara Nunes, do blog Livreando. Desta vez, serão três temas mensais e o objetivo é nos incentivarmos a ler mais. Irei atualizando com os livros escolhidos e links das resenhas conforme for lendo. 





Janeiro

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Tema:

3- 
Tema: 



12 Livros para 2021

1- Tudo o que Ela sempre Quis - Barbara Freethy
2- Mary Barton - Elizabeth Gaskell
3- Tatiana e Alexander - Paullina Simons
4- Corações Quebrados - Sofia Silva
5- Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
6- Diva - José de Alencar
7- Drácula - Bram Stoker
8- Os Tambores do Outono - Diana Gabaldon
9- A Senhora de Wildfell Hall - Anne Brontë
10- Harry Potter e o Enigma do Príncipe - J. K. Rowling
11- Purgatório - Dante Alighieri
12- Paraíso - Dante Alighieri



Ler 50 livros da minha estante


O objetivo é que entre as minhas leituras deste ano a maioria seja de livros que já fazem parte da minha estante. 


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4 de janeiro de 2021

Fechando 2020


 

Olá, queridos!


O que dizer do ano que se foi?! 2020 foi um pesadelo de tantas formas diferentes... Tudo o que quero é agradecer a Deus por estarmos vivos, por ainda termos forças para lutar. Por termos esperança... de que dias melhores virão para todos nós. Eu tenho fé que conseguiremos vencer a Covid-19, que a vacina chegará segura e eficaz, e o mundo voltará ao normal. Espero que depois de tudo isso o ser humano aprenda a ser melhor.


Embora tenha me alegrado com a virada de ano, pois 2020 ficava para trás... Não pude deixar de sentir uma imensa tristeza por todas as vidas que esse vírus tirou, por todas as famílias despedaçadas. 2020 se foi, mas as marcas que ele deixou serão difíceis de apagar...


Voltando ao blog... Mesmo com todo o transtorno provocado pelo ano passado, eu consegui ler 70 livros, quando minha meta pessoal era ler 50. Fiquei bem feliz por isso! E para 2021 sigo com a meta de ler pelo menos 50 livros. 


No link Projetos de leitura 2020 vocês conseguem conferir tudo o que li para os desafios/projetos e o que acabou ficando pendente. Mas deixarei aqui um resumo:


Ler 12 Livros Nacionais -> Desafio cumprido tranquilamente. Li 15 livros nacionais. 

Ler 12 Livros Clássicos -> Li 35 livros clássicos. 

Ler 50 livros da minha estante -> Aqui a regra era ler livros que tivessem sido adquiridos antes de 2020. Então, eu li 35, não tendo cumprido a meta.

Desafio Literário Livreando 2020 -> Eu cumpri 50 dos 60 temas. Posso dizer que fui bem.rs

Projeto do canal Aventuras na Leitura -> Eram 10 temas e eu cumpri 9. 

Desafio do canal Literature-se -> Cumpri 11 dos 12 temas. 

12 livros para 2020 -> Este foi um fracasso total.kkkkkk Li apenas 2 dos 12 livros que selecionei. 


Total de livros lidos em 2020: 70 livros. 

Total de filmes: 21

Total de séries finalizadas (completas): 1

- Bay Yanlis (turca)


Total de séries continuadas (que comecei a assistir anos antes e continuei em 2020): 3

- Lucifer

- Erkenci Kus (turca) 

- Dolunay (turca) 


Total de séries iniciadas (que comecei a assistir em 2020): 2

- Bom Dia, Verônica - assisti toda a primeira temporada

- Bridgerton


Séries em dia (que estou acompanhando as temporadas): 2

- Lei e Ordem Unidade de Vítimas Especiais

- Bom Dia, Verônica




E é isso, gente! Feliz Ano Novo!!! Que 2021 seja um ano mais feliz, tranquilo, com muito amor e saúde! 



2 de janeiro de 2021

Livros lidos e não resenhados (outubro, novembro e dezembro de 2020)


Literatura Infantil
Título Original: Lunchtime
Tradutora: Juliana Torres
Editora: Melhoramentos
Edição de: 2018
Páginas: 31 (e-book)

59ª leitura de 2020

Sinopse: Chegou a hora do almoço para uma garotinha, mas ela não está com a mínima fome. A pequena recebe visitas inesperadas e famintas, que... Nham, nham!... comem toda a sua comida! Ufa! Ainda bem que crianças não são saborosas... É hora do almoço! é uma colorida história sobre comida, amizade e diversão! Será que vai dar fome?



Esta é uma historinha infantil, que dá para ler em menos de vinte minutos de tão curtinha. Nela temos uma pequena travessa que não quer comer, pois está muito ocupada desenhando e pintando. Então, a mãe, brava, manda ela sentar à mesa para comer, mas a garotinha apenas fica lá sentada, sem nem tocar na comida, de birra. Claro que não era certo desperdiçar a comida, é o que pensam o crocodilo e o urso que resolvem saborear a refeição no lugar dela.rs Ah, o lobo também aparece para compartilhar a refeição! É uma historinha bem simples e divertida.




Literatura Inglesa
Título Original: Persuasion
Editora: L&PM Pocket 
Edição de: 2011
Páginas: 256

61ª leitura de 2020

Sinopse: Anne Elliot é uma nem tão jovem solteira que, seguindo os conselhos de uma amiga, dispensara, sete anos atrás, o belo e valoroso - porém sem título nobiliárquico e sem terras - Frederick Wentworth. No entanto, o futuro sentimental e financeiro de Anne não é muito promissor, e quando o destino a coloca frente a frente com Frederick, agora um distinto capitão da Marinha britânica, reflexões, conjunturas e arrependimentos são inevitáveis.



O único motivo para eu não ter feito resenha deste livro é que já o li antes, em 2018, e fiz resenha na época (clique aqui para lê-la). Eu o reli em outubro numa leitura coletiva pelo WhatsApp e foi maravilhoso revisitar esta história e seus personagens tão marcantes. Recordei os motivos para ter amado tanto a história quando a li pela primeira vez, bem como voltei a passar raiva com aquela família egoísta na qual a Anne teve o azar de nascer. Mas foi impossível não tornar a sonhar com o amor tão lindo que unia Anne e Frederick e nem o passar do tempo conseguiu destruir. Amo muito este casal!




Literatura Nigeriana
Tradutora: Christina Baum 
Editora: Companhia das Letras
Edição de: 2014
Páginas: 37 (e-book)

64ª leitura de 2020

Sinopse: O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas, ensaio da premiada autora de Americanah e Meio sol amarelo.

"A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente."
Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente da primeira vez em que a chamaram de feminista. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. "Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: 'Você apoia o terrorismo!'". Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e — em resposta àqueles que lhe diziam que feministas são infelizes porque nunca se casaram, que são "anti-africanas", que odeiam homens e maquiagem — começou a se intitular uma "feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens".
Neste ensaio agudo, sagaz e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade.

 




Esta foi minha primeira experiência com uma obra da autora. Aqui temos um texto de não ficção, uma versão modificada, conforme a autora diz na introdução do livro, de uma palestra que ela deu em dezembro de 2012, durante uma conferência. No livro, a Chimamanda fala de suas próprias experiências ao presenciar atitudes machistas (até mesmo de amigos e parentes que não percebem o machismo em suas atitudes) e ao se reconhecer como uma pessoa feminista. As dificuldades de ser feminista num mundo tão problemático e num país onde existem costumes que tornam ainda mais árdua a sua luta por igualdade. 

"A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura."

É um livro incrível, que eu devorei encantada! E decidi que quero ler tudo o que esta autora escrever! Cheguei a ler longos trechos para minha mãe e minha tia, pessoas que eu luto para que entendam a essência do feminismo, pois é um movimento com o qual elas não têm muita intimidade, não conhecem, apenas ouvem falar coisas ruins sobre o assunto e eu tento mudar isso. Tento mostrar que ser feminista é algo bom, necessário para a construção de um mundo melhor. Amei demais este livro!




Literatura Nigeriana
Editora: Companhia das Letras
Edição de: 2017
Páginas: 57 (e-book)

65ª leitura de 2020

Sinopse: Um texto comovente e propositivo de uma das maiores escritoras contemporâneas sobre como combater o preconceito pela educação.

Após o enorme sucesso de Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista.
Escrito no formato de uma carta da autora a uma amiga que acaba de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido igualmente por homens e mulheres, pais de meninas e meninos.
Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa.

 



No mesmo dia que terminei de ler o livro anterior, eu comecei a ler este da mesma autora, e que mais uma vez aborda o feminismo, só que agora dando orientações para uma amiga na educação de sua filha como uma menina feminista. A amiga dela tinha pedido sua ajuda, pois queria educar a filha da melhor maneira possível, ensinando valores que a preparassem para enfrentar um mundo desigual, e ter a força necessária para lutar por seus direitos. Eu apreciei muito a leitura e entendi que originalmente era uma carta particular, uma conversa entre a autora e sua amiga. O ponto que não me agradou foi o livro vir com o título "para educar crianças feministas", dando a ideia que são orientações voltadas tanto para a educação de meninas quanto de meninos. E isso não é verdade. Aqui eu não estou fazendo nenhuma separação ou limitação de gênero, não é nada disso. É que a autora o tempo todo volta seu texto para a educação da filha de sua amiga, aplicando e voltando seus ensinamentos apenas para as meninas. E eu esperava algo diferente. Esperava que fosse tanto para meninas quanto para meninos, que fosse realmente um livro com orientações para educar crianças feministas, independente de ser uma menina ou um menino. Embora algumas coisas sim se apliquem aos dois, o livro não é voltado para isso. As orientações acabam excluindo os meninos e fiquei decepcionada com isso, já que a própria autora, em seu livro anterior, defende que o feminismo não é exclusivo das mulheres. Que os homens podem, e devem, ser feministas, fazerem parte desta luta. 



11 de dezembro de 2020

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata - Mary Ann Shaffer e Annie Barrows


Literatura norte-americana
Título Original: The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society 
Tradutora: Léa Viveiros de Castro
Editora: Rocco
Edição de: 2009
Páginas:304

 69ª leitura de 2020 (60ª resenha do ano)

Sinopse: Janeiro de 1946: enquanto Londres deixa para trás a sombria realidade da Segunda Guerra Mundial, a escritora Juliet Ashton busca um novo tema para seu próximo livro. Quem poderia imaginar que o encontraria na carta enviada por um homem desconhecido?


Morador da longínqua Guernsey, ilha britânica ocupada pelos nazistas durante a guerra, Dawsey Adams havia se deparado com o nome de Juliet na folha de rosto de Seleção de ensaios de Elia. Foi assim que decidiu corresponder-se com a autora. Talvez ela o ajudasse a encontrar mais livros do ensaísta romântico Charles Lamb. 


Tem início, assim, uma correspondência intensa: na troca de cartas, Juliet toma conhecimento da Sociedade Literária de Guernsey, formada por Dawsey e seus amigos. De criadores de porcos a frenólogos, eles decidiram que um clube de livro seria o melhor álibi para não serem capturados pelos alemães. 


Nas cartas que recebe de Dawsey e, depois, dos outros membros da sociedade, Juliet passa a conhecer a ilha, o gosto literário de cada um e uma famosa receita de torta de casca de batata, além do impacto transformador que a recente Ocupação alemã teve na vida de todos. Cativada por suas histórias, ela parte para Guernsey, e o que lá encontra irá transformá-la para sempre. 


Escrito com senso de humor e delicadeza, este romance epistolar é uma celebração da palavra escrita em todas as suas formas. 



É sempre mais difícil falar de um livro que se torna um favorito do nosso coração. Parece que as palavras simplesmente somem, escapam, e não sabemos como expressar o imenso amor que sentimos por uma história, a forma como ela nos atingiu e nos arrancou muitas lágrimas e sorrisos... assim, bem misturado mesmo. Em alguns momentos eu realmente ria e chorava ao mesmo tempo. 


Histórias que possuem como tema a Segunda Guerra Mundial sempre são dolorosas, ainda que o escritor tente contar as coisas de forma mais leve, apelando para o humor para tornar menos pesados certos acontecimentos. Ainda assim, essas histórias machucam. Abrem feridas não totalmente cicatrizadas dentro de nós que nunca esquecemos o passado podre da humanidade. É o mesmo que se passa com livros que falam da escravidão, das ditaduras e diversas outras barbaridades que mancham de sangue o nosso mundo, que nós seres humanos insistimos em destruir ao mesmo tempo que destruímos uns aos outros. A Mary Ann Shaffer tenta muito tornar sua história bem leve, com muito humor, e embora eu tenha rido bastante com algumas cenas, eu também chorei muito. E o que mais me marcou neste livro foi justamente isso: o sofrimento que os personagens, por mais otimistas e corajosos que fossem, jamais seriam capazes de esquecer. Como um trecho do livro bem diz: "A guerra agora faz parte da história de nossas vidas, e não há como esquecê-la." 


Eu não vou fazer um resumo muito grande do livro, pois a sinopse é bastante completa e te dá uma clara noção do que encontrará na história. Aqui temos um início bem parecido com o de Querida Sue (outro livro que me arrancou muitas lágrimas), quando há uma troca de cartas entre um leitor e uma escritora que nunca tinham se visto na vida, mas que se conectam através das palavras escritas como se fossem amigos de longa data. 


Juliet, uma jovem escritora e jornalista de trinta e dois anos, não sabia sobre o que escrever agora que a guerra havia acabado e ela estava cansada da série de histórias que a tinha tornado famosa, mas que não lhe dava tanto prazer assim. Queria falar de algo diferente, mais profundo. Sua vida estava um tanto bagunçada, pois pouco antes do fim da guerra, seu apartamento foi bombardeado e ela perdeu tudo o que ali tinha, incluindo os livros que tanto amava. Mas o que lhe acontecera não era nada comparado com o que milhões de pessoas enfrentaram durante aquela sangrenta e desesperadora guerra. 


"Mas a verdade é que estou deprimida - mais deprimida do que jamais estive durante a guerra. Tudo está tão destruído, Sophie: as ruas, os prédios, as pessoas. Particularmente as pessoas."

 

A vida sem perspectiva de Juliet muda quando ela começa a se corresponder com Dawsey Adams, um morador das Ilhas do Canal, local invadido e ocupado pelos nazistas durante a guerra, cujos habitantes sentiram de perto o terror de conviver com os inimigos. Dawsey havia encontrado um antigo livro que tinha pertencido a Juliet (seu nome e seu antigo endereço estavam na contracapa), então ele lhe escreve para lhe pedir o favor de indicar alguma livraria em Londres, que pudesse lhe enviar mais livros do autor, pois embora os nazistas tivessem partido, já não existiam mais livrarias em Guernsey.


Através da troca de cartas, Juliet fica sabendo sobre a Sociedade Literária e Torta de Casca de Batata de Guernsey e a forma como ela surgiu. Assim, acaba decidindo escrever sobre os membros daquela sociedade e como a literatura desempenhou um papel importante para tornar mais suportável os cinco anos em que estiveram sob o domínio do exército nazista. As cartas que antes trocava apenas com Dawsey, se tornam ainda mais significativas quando diversos outros moradores de Guernsey passam a lhe escrever e compartilhar suas experiências de leitura e de vida. Não demora para que ela se sinta parte daquele lugar e deseje conhecer pessoalmente aquelas pessoas que já sentia serem suas amigas. 


E é assim que a narrativa é construída: por meio de cartas. Trata-se, portanto, de um romance epistolar, no qual a autora (e sua sobrinha Annie Barrows, que foi quem finalizou o livro, pois a tia adoeceu pouco antes de concluí-lo) mostra todo o seu talento. Sempre considerei a narrativa epistolar algo sensacional e muito difícil de funcionar se o autor não souber o que está fazendo. Tem que ter talento e tomar muito cuidado para não se perder e tornar a história algo sem nexo. Felizmente, as autoras fizeram um excelente trabalho, nos proporcionando uma leitura emocionante, fazendo com que nós leitores também nos sentíssemos parte de Guernsey e da vida dos personagens. Eu desejei muito me mudar para lá.rs Mas só se pudesse conhecer Dawsey, Amelia, Isola, Eli e seu avô, e a pequena Kit, o que é impossível, já que são todos fictícios (esta é a parte ruim da leitura, querermos que os personagens sejam reais). 


Os membros da sociedade literária de Guernsey são muito diferentes uns dos outros e a maioria não tinha o hábito de ler. Eles tinham se reunido uma noite para comer um porco que tinham conseguido esconder dos nazistas. Era um período muito difícil, em que havia pouco o comer, em que tudo faltava. Acontece que após o excelente e raro jantar, alguns deles acabaram sendo parados pelos soldados inimigos (tinham violado o toque de recolher) e Elizabeth, com bastante coragem, inventou a mentira sobre uma reunião literária e que tão distraídos com os livros acabaram não percebendo o tempo passar. Era uma mentira difícil de "colar", mas contra todas as probabilidades funcionou. Então, Elizabeth resolveu tornar a mentira real e fundou a sociedade literária. Algo que se tornou um refúgio para aquelas pessoas, que viram na literatura uma chance de escapar, mesmo que por poucas horas, do horror da guerra.


"Nós nos agarramos aos livros e aos nossos amigos; eles nos faziam lembrar que havia um outro lado em nós. Elizabeth costumava recitar um poema. Não me lembro dele todo, mas começava assim: 'Será algo tão insignificante ter apreciado o sol, ter se alegrado na primavera, ter amado, ter pensado, ter feito, ter cultivado amizades verdadeiras?' Não é. Eu espero que, onde quer que esteja, ela se lembre disso."

 

Eu não consigo falar da Elizabeth sem chorar. E não posso dar spoiler. Portanto, não me verão mencionando muito sobre ela. Só digo que é a personagem que mais me marcou neste livro. Aquela que tornou a leitura tão especial, tão emocionante. 


Como eu disse, o livro tem uma narrativa leve, divertida, que nos arranca sorrisos e até gargalhadas. Mas também não nos poupa das realidades brutais da guerra e é impossível segurar as lágrimas diante de certas lembranças dos personagens. Sentimos dor e sentimos ódio. Uma vontade enorme de matar aquelas pessoas cruéis, dignas de serem chamadas de monstros e que destruíram tantas vidas. 


O livro fala de literatura, amizade, recomeço, fé, esperança... bondade. Amor em suas mais diversas formas. Mas também fala de fome, perdas, tortura, desaparecimentos e assassinatos. Não dá para falar de Segunda Guerra Mundial sem mencionar toda essa dor. 


A história termina de forma engraçada e bonita, mas considerei um final tão abrupto! Eu cheguei a dar um grito aqui, chocada. Falei: "Não! Não acredito que elas terminaram o livro assim!"kkkkkk Fiquei frustrada?! Com certeza! Esperava um final diferente. Mesmo assim, isso em nada diminuiu o imenso amor que sinto por esta história. É uma querida do meu coração. 


P.S.: Eu pensei em assistir o filme baseado no livro, mas antes resolvi ver o trailer. Resultado: não gostei. Pelo trailer já percebi que fizeram várias mudanças, inclusive na personalidade dos personagens. E isso me fez tomar a decisão de não ver o filme. 



4 de dezembro de 2020

A Soma de Todos os Beijos - Julia Quinn


Literatura norte-americana
Título Original: The Sum of All Kisses
Tradutoras: Ana Rodrigues e Maria Clara de Biase
Editora: Arqueiro
Edição de: 2017
Páginas: 272
Quarteto Smythe-Smith - Livro 3

68ª leitura de 2020 (59ª resenha do ano)

Sinopse: Um brilhante matemático pode controlar tudo… A não ser que um dia exagere na bebida a ponto de desafiar o amigo para um duelo. Desde que quebrou essa regra de ouro, Hugh Prentice vive com as consequências daquela noite: uma perna aleijada e os olhares de reprovação de toda a sociedade. Não que ele se importe com o que pensam dele. Ou pelo menos com o que a maioria pensa, porque a bela Sarah Pleinsworth está começando a incomodá-lo. 


Lady Sarah nunca foi descrita como uma pessoa contida… Na verdade, a palavra que mais usam em relação a ela é “dramática” – seguida de perto por “teimosa”. Mas Sarah faz tudo guiada pelo bom coração. Até mesmo deixar bem claro para Hugh Prentice que ele quase destruiu sua família naquele bendito duelo e que ela jamais poderá perdoá-lo. 


Mas, ao serem forçados a passar uma semana na companhia um do outro, eles percebem que nem sempre convém confiar em primeiras impressões. E, quando um beijo leva a outro, e mais outro, e ainda outro, o matemático pode perder a conta e a donzela pode, pela primeira vez, ficar sem palavras. 

 


Mais de um ano se passou desde que li o segundo livro desta série. Com tantos livros para ler e tantos desafios dos quais resolvi participar (risos), algumas séries acabaram ficando incompletas e estou considerando ter como meta principal finalizá-las nos próximos meses. Vamos ver se consigo!rsrs

Em Uma Noite Como Esta, segundo livro do Quarteto Smythe-Smith, conhecemos a apaixonante história de Anne e Daniel e até agora segue sendo minha história preferida da série! Nela ficamos sabendo da grande besteira que Daniel e seu amigo Hugh fizeram, ao brigarem durante um jogo (quando ambos tinham bebido demais) e resolvido duelar. Nenhum dos dois tinha intenção de realmente atirar no outro, mas Hugh se distraiu e a arma disparou, atingindo o ombro de Daniel. Este, por sua vez, em choque, também deixou a arma disparar, mas o resultado foi mais dramático: o tiro atingiu a perna de Hugh, deixando-o à beira da morte por hemorragia e danificando para sempre a perna lesionada. 

Como Daniel teve o azar do pai do Hugh ser um homem completamente desequilibrado, teve que fugir do país, pois o indivíduo jurou que não descansaria enquanto não o matasse. Mesmo longe da Inglaterra e de sua família amada, Daniel vivia constantemente em perigo, pois o pai de Hugh era tão louco que mandou assassinos atrás dele. Sim, o mocinho da história anterior viveu grandes aventuras.rs

Uma Noite como Esta inicia com o retorno de Daniel, depois que Hugh vai atrás dele e diz que já não há necessidade para ele seguir fugindo, que conseguiu convencer o pai a parar com a perseguição. É quando ele conhece Anne, que também possuía seu próprio passado dramático e também estava fugindo. O amor surge de forma intensa e incontrolável. Só sabiam que precisavam ficar juntos, não importando diferença de classe social (Anne era governanta das primas de Daniel) ou os perigos que os ameaçavam. A história é linda, linda, linda! Minha preferida sem pensar duas vezes!

Então... Em A Soma de Todos os Beijos, conhecemos mais profundamente o Hugh, que marcou presença no livro anterior, e Sarah, prima de Daniel e de Honoria (esta aqui é a protagonista do primeiro livro). Os acontecimentos da outra história repercutem nesta, pois o pai do protagonista segue vivo e sendo louco, bem como Hugh ainda não conseguiu se perdoar por ter dado início a toda essa perturbação na vida do amigo... Do mesmo modo, Sarah, que é muito próxima dos primos e também foi atingida pelas consequências do duelo, não está disposta a facilitar a vida dele, pois jurou que jamais o perdoaria e faria questão de fazê-lo sentir todo o remorso merecido pela m*rda que vez. 

Sabe aquela coisa de inimigos que se apaixonam?!rsrs Sarah e Hugh não são exatamente inimigos, mas quase isso.kkkkk... Dramática como as mocinhas das minhas amadas novelas mexicanas (eu ri tanto com ela!), no seu primeiro encontro com o Hugh após o duelo, ela deixou mais do que claro o quanto a existência dele era um prejuízo para todo ser humano. E como ele tinha destruído a vida dela. É um encontro muito engraçado e depois disso, ambos chegaram à conclusão de que se odiavam profundamente. E preferiam ignorar a existência um do outro. 

Ocorre que com a volta de Daniel e seu iminente casamento com Anne, Sarah é obrigada a estabelecer uma relação "agradável" (ou fingir) com Hugh, pois seu primo e ele recuperaram a amizade perdida e todos querem que o mocinho se sinta bem durante os eventos que antecedem o casamento dos protagonistas do segundo livro. Honoria, então, encarrega Sarah de fazer companhia para o Hugh.kkkkkkkkkk Claro que ela não sabia que os dois quase tinham se matado meses antes, mas... Enfim...rs É óbvio que isso não dará muito certo.... Os dois correrão sérios riscos de se apaixonar! :D

Eu confesso que estava com muitas saudades das histórias da Julia Quinn! Porque mesmo contendo alguns dramas, são histórias leves, divertidas, do tipo que nos deixam sorrindo. Eu estava irritada com o fato da Arqueiro publicar um livro da autora atrás do outro (ainda estou irritada), pois isso acaba provocando uma overdose de histórias dela, o que pode fazer o leitor enjoar e isso não é desejado. Mas o que decidi é que eu própria vou controlar as doses que leio dos livros dela.kkkkkkkk... Depois deste aqui vou ler o quarto (e último) da série, mas darei um intervalo de alguns meses antes de finalizar a leitura de uma outra série dela que está em aberto no blog: a série Os Rokesbys (li os dois primeiros e preciso ler os demais). Justamente porque amo a autora e não quero de modo algum enjoar dos livros dela. Por isso, é saudável dar um tempo entre as histórias. 

Mas voltemos à Sarah e ao Hugh, os inimigos que irão se apaixonar.rs Eu me diverti muito com esses dois, em alguns momentos chegava a gargalhar e isso me fez bem. Todavia, nem tudo são rosas... existem os espinhos, claro. Que se manifestam na culpa que o Hugh sente, a tristeza por não ser mais o mesmo homem de antes (não pode andar normalmente e sim mancando, não pode dançar, cavalgar, carregar uma mulher no colo etc) e ainda o psicopata do pai dele, que deveria estar na prisão e não circulando normalmente entre as pessoas. 

O casal terá que enfrentar alguns problemas para ficarem juntos, mas queridos, este é um livro da Julia Quinn! Final feliz garantido! Não importa o que aconteça, o casal sempre é feliz no final. A autora ama os seus leitores.rs Não quer que fiquemos em lágrimas ao fechar um livro dela. 

Eu não tenho nada a criticar no livro. Mas existiu sim uma coisa que me impediu de dar cinco estrelas e favoritá-lo. Achei que demorou muito para o casal ter uma conexão maior, que a história ficou tempo demais girando em torno do passado e das reservas deles e foram poucas páginas de real aproximação. O final é maravilhoso, mas o fato de tantas páginas terem sido perdidas na história sem que fossem dedicadas a momentos deles dois juntos, me fez tirar uma estrela. :( O que de modo algum torna a história ruim. É linda e divertida. Sarah e Hugh nos conquistam por completo e torcemos muito pelos dois. 

Foi muito bom reencontrar a Honoria e o Marcus, bem como meu casal querido: Anne e Daniel. Esta série é preciosa e já sinto uma certa tristeza, pois o próximo livro é o último.


-> DLL 20: Um livro de capa azul


Quarteto Smythe-Smith

1- Simplesmente o Paraíso (Honoria e Marcus)
2- Uma Noite como Esta (Anne e Daniel)
3- A Soma de Todos os Beijos (Sarah e Hugh)
4- Os Mistérios de Sir Richard (Iris e Richard)


26 de novembro de 2020

Legado de Lágrimas - Lynne Graham


Literatura Irlandesa 
Título Original: Claimed for the Leonelli Legacy
Editora: Harlequin
Edição de: 2018
Páginas: 125 (e-book)

67ª leitura de 2020 (58ª resenha do ano)

Sinopse: Una chica inocente… Tia Grayson no había salido nunca del convento brasileño en el que vivía, hasta que Max Leonelli fue a buscarla con la sorprendente noticia de que era la heredera de una gran fortuna en Inglaterra, y la hizo arder de deseo con tan solo tocarla.


Un multimillonario… El abuelo de Tia quería casar a su protegida con su heredero, pero Max no era de los que se casaban. Hasta que la belleza de Tia hizo que reconsiderase su decisión.

¿Y un bebé? Max debía llevar a Tia a casa, pero la atracción era tan fuerte entre ambos que no pudieron resistirse a una noche de placer. La posibilidad de que esa noche hubiese tenido consecuencias dio a Max la oportunidad perfecta de convencer a Tia de que se casase con él.



Não sei se rio ou choro, sinceramente!rs Creio que não foi lá uma boa ideia ter apostado nesta história... 

Ao longo dos meus anos como leitora, li todos os livros da Lynne Graham já publicados no Brasil (o que é muita, muita coisa!!!) e até mesmo alguns que não chegaram aqui. É uma das minhas autoras preferidas, mas seus livros, para quem bem os conhece, não são fáceis. O machismo reina na maioria das obras e a vontade que sentimos é de esganar os mocinhos, bem como certos parentes das mocinhas. Existem ocasiões em que desejamos esganar as mocinhas também por serem tão tapadas, tão imbecis ao permitirem que os outros façam delas o que bem quiserem. 

E por que amo tanto a autora se existem tantas coisas que me incomodam em suas obras?! Talvez por loucura, masoquismo ou algo do gênero.rsrs A verdade é que ela escreve muitíssimo bem e é uma daquelas escritoras que mexem bastante com nossas emoções durante a leitura ao ponto de, querendo ou não, "viciarmos" em suas obras.rs E do mesmo jeito que sabe criar ogros, ela também, QUANDO QUER, cria mocinhos maravilhosos, que nos chocam por serem tão diferentes do "padrão" de "mocinhos-vilões" da autora. 

Mas... Creio que alguma coisa mudou em mim. Antes, ao ler romances, eu conseguia separar ficção da realidade com uma facilidade enorme. Por mais que desprezasse certas atitudes dos personagens (não só os da autora, mas de livros de outros autores também) e dissesse isso com todas as letras nas resenhas (explodindo com frequência e até exagerando na minha fúria ao escrever), eu era capaz de separar. De não trazer com frequência para a realidade situações que algumas vezes "funcionam" na ficção, mas que jamais poderiam ser aceitáveis na vida real. Sempre considerei que o leitor tem que saber separar as coisas, quando isso é possível, quando não é um exercício intolerável para a experiêcia de leitura. 

Acontece que existem coisas que não dá mais para separar. E, infelizmente, isso atinge as obras da Lynne Graham, autora por quem sempre terei um carinho enorme. A vida inteira a amarei, porque ela escreve muito bem, me envolve, mexe com minhas emoções, me faz "enxergar" seus personagens e me conectar com eles mesmo em histórias que possuem menos de duzentas páginas. Só que... Não consigo mais tolerar atitudes machistas de seus personagens sendo consideradas "normais" e sendo sempre as mocinhas aquelas que precisam ceder para "serem felizes para sempre". 

São elas que precisam recuar, compreender, desistir de seus sonhos... tudo para satisfazer o machismo dos mocinhos que amam, tudo em nome da felicidade. Quando começamos a notar isso (pois existem vezes que ficamos tão envolvidas pelo "romance" que nem percebemos os absurdos das histórias) a leitura deixa de ser algo prazeroso, o romance deixa de nos fascinar... Eu, pelo menos, passo a me sentir "sufocada" ao notar a quantidade de opressão que as mocinhas suportam e aceitam como se só aceitando pudessem ser felizes. E é exatamente isso que encontramos em Legado de Lágrimas, livro que até onde eu sei ainda não foi publicado no Brasil. Ele está disponível em espanhol na Amazon, no formato e-book. 

Esta resenha terá SPOILER. A partir de agora!
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Em Legado de Lágrimas temos a história de Constancia (Tia) Grayson, uma jovem de vinte e dois anos que passou a vida inteira trancada num convento e que mesmo depois de adulta permanece sob a proteção de seus muros, pois não conhece outra realidade de vida, não possui recursos ou apoio para sair dali e realizar o sonho de ser professora, de fazer uma graduação e conquistar a independência que tanto desejava. 

Abandonada pela mãe ainda pequena, teve o azar de ser criada por um pai extremamente machista e insensível que quis ser missionário e "ajudar os outros", enquanto deixava a filha na segurança do convento, de onde não queria que ela saísse jamais. Seu objetivo era que a filha se tornasse freira, que se mantivesse pura para sempre, tivesse ou não vocação. Os sonhos dela não lhe importavam. Ela como ser humano não lhe interessava de modo algum.

Todavia, para mudar o destino da protagonista, existia um avô paterno que por mais de duas décadas fingiu que ela não existia, mas que ao se ver com pouco tempo de vida "se lembra" da existência dela e decide mandar que a procurem e a levem para morar com ele, com a promessa de que ela herdaria toda sua fortuna, o que era seu direito como única parente viva (o pai da mocinha tinha falecido). Ele, então, pede que seja Max, seu braço direito nos negócios, quem busque Tia e de preferência dê um jeito de convencê-la rapidamente a se casar com ele, pois como ela era uma mulher e que ainda por cima passou a vida inteira trancada, os negócios estariam ameaçados se ela herdasse tudo sem ser casada, sem ter alguém que cuidasse dela e de seus bens. 

Max Leonelli era um homem de vinte e oito anos com um passado traumático e que aos doze ou treze anos de idade foi adotado pela tia materna, após um acontecimento brutal, e passou a morar na propriedade do avô de Tia. Embora não morasse na casa principal, mas sim no alojamento dos funcionários, Andrew pagou pelos seus estudos e mesmo depois de adulto e de conquistar sua própria fortuna com muito esforço e sacrifícios, ele continuava a se sentir em dívida com aquele homem, o que será seu principal motivo para ceder quando Andrew pede que ele venha até o Brasil (onde ficava o convento em que Tia estava) para buscar sua neta. 

Ao se conhecerem, Tia e Max sentem atração à primeira vista. Ela nunca tinha tido contato com rapazes de sua idade, muito menos com um homem tão lindo e confiante, tão dono de si e que parecia dominar qualquer ambiente no qual estivesse. Era tudo uma novidade para ela e foi natural ceder à atração que ele despertou. Max, por sua vez, fica fascinado por conta da imensa beleza da mocinha. Em questão de poucas horas estão envolvidos e em poucos dias já são marido e mulher e de viagem marcada para a Inglaterra, onde a nova fase da vida da mocinha terá início... Tudo da maneira mais rápida... Como se estivessem na Fórmula 1. 

Vou desconsiderar o pai da mocinha, que é o machista mais óbvio do livro e que, felizmente, não precisamos aguentar, pois quando a história começa ele já está descansando em paz. Não falarei dele, pois pelo que mencionei acima já dá para perceber o caráter da criatura que a Tia teve o azar de ter como pai. 

O livro já começa nos provocando asco com a conversa entre Andrew (avô da protagonista) e o Max, quando dá para notar que o único interesse do "zeloso" avô pela neta há tanto tempo esquecida, é a questão do sangue, de querer que alguém do seu sangue fique com o império que ele construiu. Ele não a vê como um ser humano capaz, alguém que possa aprender a administrar o que vai herdar nem nada. Na verdade, ele nem quer isso, pois ela é mulher. Ele quer que o Max a seduza e se case com ela, o que seria fácil (ele dá a entender), pois a jovem cresceu no convento, enquanto Max tinha bastante experiência. Assim, através do casamento, sua neta seria "protegida" do mundo e seus bens estariam sob o controle de Max. Mas até aí, em nossa ingenuidade como leitores, nós acreditamos que Tia realmente vai herdar o que é seu direito, por mais que o avô fizesse aquele acordo nojento com o mocinho. Só que... na leitura do testamento percebemos até onde aquele avô era capaz de ir em seu comportamento repugnante. 

Sim, já adianto que ele não deixará praticamente nada para a neta, apenas uma de suas casas e o dinheiro suficiente para a manutenção da referida propriedade. Casa esta que ela sequer poderá vender, pois deverá ficar para os seus filhos. Todos os demais bens ficam para o Max, numa clara tentativa de manter a mocinha constantemente sob o controle de um homem: primeiro do pai, depois do avô e por último do Max. Ela não teria nada que o Max não quisesse, exceto a casa, claro! E mesmo que ocorresse um divórcio, o testamento autorizava que o Max decidisse o que ela teria ou não após a separação. Tudo estaria nas mãos dele, pois Tia tinha sido entregue aos seus cuidados. 

Mas voltemos ao casamento relâmpago e a desistência, por parte da mocinha, dos seus sonhos, que não incluíam casamento e maternidade. Pelo menos num futuro próximo. A autora deixa claro que Tia queria independência, queria experimentar a liberdade que nunca teve. Que não pensava em se casar e nem ter filhos tão cedo. Mas aí o mocinho a seduz e "esquece" de usar preservativo. Ele nunca antes na vida tinha esquecido, nem mesmo quando adolescente!!! Mas aí com a mocinha ele teve amnésia, se esqueceu, coitadinho, de usar camisinha. Não foi sua culpa, claro que não! E aí imediatamente ele DECIDE que eles têm que se casar, e bem rápido, pois a mocinha pode ter ficado grávida. E aí não podemos esquecer que a garota em questão, apesar de ter vinte e dois anos, não conhecia nada da vida. Obviamente ela não usava anticoncepcional e se viu diante de uma situação que com certeza a assustou, que era a possibilidade de ficar grávida e sozinha no mundo se não aceitasse a "generosa" oferta de casamento. Claro que ela não pensou em contraceptivo de emergência (a chamada pílula do dia seguinte), pois nunca sequer tinha ouvido falar disso. Ou seja, tudo cooperava para o bem do mocinho.

Tia não fica animada com a ideia de casamento e gravidez, pois isso ia contra o que ela sonhava para sua vida naquele momento, ainda mais considerando que seria um casamento com um desconhecido. O que ela sabia do Max? Nada. Mas ela acaba se casando, com medo de ficar sozinha com um bebê. Ela até sugere que eles esperem um tempo, para ver se ela realmente ficou grávida, e assim talvez fosse desnecessário se casar. Mas o Max vem com a desculpa que seria uma DECEPÇÃO para o avô dela se eles tivessem que se casar quando todos pudessem fazer as contas e perceber que ela engravidou antes do casamento. Mocinha criada no convento, lembram? Religião, costumes, tudo era importante para ela. E apelar para isso era uma ótima forma de convencê-la a tudo que ele quisesse. 

E claro que as coisas não serão um mar de rosas para a mocinha. Porque quando de fato ela descobrir que está grávida, poucos meses depois do casamento, a reação do Max será péssima. Como se ela o tivesse colocado numa armadilha (sim, ele é muito engraçadinho, não acham?!), já que ele não quer ser pai. O apoio que ela deveria receber não chega. É como se ela fosse culpada da gravidez, como se a responsabilidade fosse unicamente dela. E tudo isso por causa dos traumas do passado dele. Que sim, são fortes. Realmente ele teve uma infância de horror, mas a mocinha não tinha nada a ver com isso, nem o bebê que ela esperava. Enfim...

Quando percebemos o quanto este livro é problemático não conseguimos sequer enxergar o romance, o amor entre os personagens. Não acreditei no amor deles. Não acreditei no dela porque ela foi levada ao casamento, porque em tudo foi muito bem manipulada. E não houve momento naquela relação desigual e confusa no qual pudesse ter surgido o amor. Nem trabalhar ela podia porque era algo que desagradaria o marido. Quando ela menciona que quer trabalhar, ele já trata de deixar "no ar" (mas não de maneira explícita) o quanto ficaria decepcionado com aquilo e a mocinha recua, diz para si mesma que está apenas adiando por um tempo... E da parte dele também não pude acreditar, pois suas atitudes não falavam de amor. Ele "cuidava" dela, nunca a maltratou, nem física ou psicologicamente. Nada era explícito. Nem mesmo a acusação sobre a gravidez foi explícita. Foram seus olhares, sua evidente "decepção". Seu silêncio, seu afastamento. Ao ponto da mocinha fugir, com medo de ter que criar uma criança num lar em que teria uma constante "tensão", onde a criança sempre sentiria que existia algo errado, embora não ficasse claro o quê. 

Não contarei como o livro termina, mas posso dizer que não, a mocinha não irá conquistar a independência que sonhou. Recuar, ceder... É o que sempre acontece nestes casos para que a mocinha tenha o seu "felizes para sempre". É a mocinha quem abre mão de tudo para agradar o mocinho. Não consigo mais enxergar romance em algo assim. Não consigo mais deixar "passar" tantos absurdos. Mesmo que ame a autora, mesmo que seja uma escritora muito querida por mim.

Recomendo a história?! Claro que não. A escrita da Lynne é maravilhosa, a história é envolvente se você deixa "passar" tudo o que mencionei. Mas não tenho como recomendar um livro que fez eu me sentir sufocada, que lamentei profundamente por tudo o que a mocinha aceitou. Quando minha vontade era dizer que ela não precisava daquele tipo de relação para ser feliz. Que estava na hora de não permitir mais que homem algum tomasse decisões por ela. Que não deveria voltar para ele, muito menos quando ele deixou claro que tudo continuaria sendo do jeito dele. 

Os romances, as histórias de amor, sempre serão o meu gênero preferido, pois sou uma eterna romântica e amo demais estes livros cheios de paixão, que me arrebatam e encantam! Mas... histórias absurdas como Legado de Lágrimas eu dispenso. Não quero ler livros assim, não. Nem para passar raiva!rs


-> DLL 20: Do seu gênero favorito

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