20 de julho de 2021

Segredos de um Pecador - Madeline Hunter

 


Literatura norte-americana
Título Original: The Sins of Lord Easterbrook
Tradutora: Flávia Souto Maior 
Editora: Arqueiro
Edição de: 2015
Páginas: 240
Série Os Rothwells - Livro 4 (último da série)

22ª leitura de 2021 (16ª resenha do ano)

Sinopse: Leona Montgomery foi criada na China. Com pai inglês e mãe portuguesa, aprendeu desde cedo a se adaptar aos costumes de outras terras e adquiriu uma cultura e uma sofisticação incomuns às mulheres de seu tempo.

Por isso, quando o pai, já viúvo, morreu, deixando os dois filhos em uma situação financeira difícil, Leona assumiu os cuidados do irmão caçula e os negócios da família.

Trabalhando pela recuperação da Montgomery & Tavares, ela viajou por diversos países, negociou com homens rudes e enfrentou piratas. Recém-chegada a Londres, agora espera fechar parcerias comerciais e dar sequência a uma investigação que o pai não pôde concluir.

Mas estar em Londres significa algo mais. Sete anos atrás, Edmund, um naturalista inglês, deixou Macau à noite, depois de um beijo de despedida que Leona nunca esqueceu, e retornou à Inglaterra.

O que Leona não poderia imaginar era que Edmund na verdade é Christian Rothwell, o marquês de Easterbrook, um homem poderoso envolto em mistérios – e que talvez se beneficiasse com o fim das investigações de seu pai. Dividida entre o dever e a tentação, é na cama do marquês que ela fará suas maiores descobertas.





Logo após terminar esta leitura cheguei à conclusão de que minha relação com a autora nunca será de muitos "altos".rs Numa série de quatro livros, eu gostei do primeiro e do terceiro, detestei o segundo e apenas tolerei o quarto. Considerando a imensa pilha de livros para ler que nunca diminui, a minha experiência com esta série não representa um grande incentivo para que eu siga investindo nos livros da autora. 

O pior é que Segredos de um Pecador é um livro que me encantou durante suas cem primeiras páginas, mas depois desandou completamente com a insistência da autora nas cenas de sexo, que mesmo que não fossem explícitas, eram frequentes, e roubavam espaço para outros acontecimentos num livro de apenas 240 páginas.

Que o casal tinha química e queria estar na cama a cada oportunidade nós leitores já sabíamos e não era necessário mostrar isso o tempo todo, quando existia muito o que aprofundar na relação dos dois, que ficaram sem se ver por sete longos anos e não eram mais os jovens do passado. Ambos tinham mudado bastante e precisavam descobrir se o vestígio de um sentimento de outrora poderia se fortalecer e abrir as portas para o relacionamento que os dois desejavam ter, mas que não acreditavam que mereciam. 

Leona e Christian se conheceram quando ele, atormentado por não conseguir viver consigo mesmo, passou um tempo na China, hospedado na casa do pai da mocinha. À beira de um verdadeiro abismo, de onde nunca conseguiria retornar se caísse, foi graças à ela que ele não se entregou, que lutou contra o que parecia o caminho mais fácil, o alivio tão esperado. Ainda assim, nunca compartilhou com Leona sua verdadeira identidade e após sua partida ela nunca soube se um dia voltaria a encontrá-lo. 

O reencontro ocorre quando Leona, agora no controle dos negócios da família, viaja para a Inglaterra, no intuito de abrir caminhos para a expansão da empresa e conseguir parcerias comerciais importantes. Em uma de suas visitas, acaba sendo vista e reconhecida por Christian que, impactado pelas lembranças de um passado já distante, resolve que não a deixará escapar sem antes finalmente fazê-la sua. O amor e o casamento não fazem parte dos seus planos. Afinal de contas, alguém "amaldiçoado" como ele jamais poderia fazer qualquer mulher feliz. Nem mesmo a única capaz de fazê-lo desejar ter algo mais....

Como eu disse, as cem primeiras páginas do livro me tinham por completo. Eu as devorei e acreditei até que o livro poderia se tornar um dos meus preferidos da série, de tão encantada que eu estava pelo casal. Mas aí tudo desandou e fiquei tão desanimada que simplesmente abandonei a leitura por um tempo e só agora retomei, disposta a encerrar logo a série e seguir em frente.

O que mais valeu nesta história foi rever os personagens dos livros anteriores, principalmente a Alexia e o Hayden, protagonistas do primeiro livro, que mais uma vez aqueceram meu coração. 

O final do livro tinha tudo para ser emocionante, mas foi tão corrido e narrado de maneira trivial que não me provocou nada, exceto alívio por ter chegado ao fim. Uma pena. Principalmente por eu ter amado tanto a história durante quase metade da leitura. :( Isso é o que me deixa mais frustrada. 

Enfim... Mais uma série finalizada! Ainda preciso dar andamento às outras. E tenho que parar de começar séries antes de concluir as que estão pendentes.rs 


30 de junho de 2021

Livros lidos e não resenhados - Primeiro semestre de 2021

 


Literatura Inglesa
Título Original: Wuthering Heights
Tradutor: Ciro Mioranza
Editora: Lafonte
Edição de: 2018
Páginas: 384

13ª leitura de 2021 (releitura)


Sinopse: Um amor proibido que sobrevive ao tempo e a morte, atormentando duas gerações. O Morro dos Ventos Uivantes é um livro intenso com personagens contraditórios. A paixão entra na história como combustível para um enredo recheado de suspense e drama. Adaptado para o cinema por diferentes diretores, o texto de Emily Bronte provoca o leitor o tempo todo com uma atmosfera de desejo onde sentimentos reprimidos, violência e ódio disputam cada linha com emoções delicadas. É uma perfeita tradução da natureza humana. Não espere um romance que provoque suspiros. Esse clássico da literatura inglesa foi feito para arrancar lágrimas.




Quem é que acompanha o blog Emoções à Flor da Pele e não sabe que O Morro dos Ventos Uivantes é minha obsessão???!!!rsrs É o livro que mais reli na vida (já perdi as contas) e venho tentando reler, pelo menos, uma vez a cada ano, em tradução e edição sempre diferentes das que já li. Eu coleciono edições desta história tão intensa e arrebatadora e, como já disse anteriormente, assim como Catherine diz que ela é o Heathcliff, digo que eu sou O morro dos ventos uivantes, tamanha a paixão que sinto por todo o universo presente no livro. Os personagens complexos, o clima, o passar pelas gerações, todo amor e ódio que saltam das linhas e se cravam em nós, nos marcando por dentro, tornando impossível esquecer a montanha-russa que é esta obra tão incrível da minha querida Emily Brontë. 

Todavia, necessito dizer que esta edição da editora Lafonte deixa a desejar. Páginas transparentes (tive que comprar o e-book da mesma edição para conseguir ler, pois no livro físico era muito difícil pra mim), erros bem perceptíveis (como a data de nascimento e a data da morte da autora) e alguns outros erros que aparentemente eram de revisão. O que gostei bastante foi da capa. 

O único motivo para eu não fazer a resenha desta releitura é que já fiz mais de uma resenha sobre a história aqui no blog.rs Já estou ansiosa para ler o livro de novo. E de novo. De novo....kkkkkkkkkk




Editora: Canção Nova
Edição de: 2017
Páginas: 128
17ª leitura de 2021


Sinopse: Este livro é uma preciosa oportunidade para você eliminar sofrimentos, desgostos e complicações de sua vida. Infelizmente, deixamos que os problemas do cotidiano, aliados a questões não resolvidas do passado, tornem a vida pesada e até mesmo triste. Mas não precisa ser assim. 

Sorrir pra vida é uma escolha. É a decisão de, com Deus, retomar o controle e eliminar o lixo emocional que nos torna fracos e doentes. Quando não varremos para longe de nós as ideias e sentimentos estragados que todos os dias entram em nosso íntimo e nos fazem mal, eles sabotam nossas chances de viver bem e ser feliz. 

Tudo o que está dentro de nós, pensamentos e sentimentos, interfere no modo como enfrentamos as dificuldades do dia a dia. Para não desperdiçarmos a vida, precisamos da força e sabedoria do Espírito Santo. 

Você verá que não precisa desistir de seus sonhos só porque as coisas não tomaram o rumo que você esperava. Independente de nossa vontade, a vida não acontece exatamente como planejamos.

Neste livro, você verá que há um jeito de reagir aos aborrecimentos e superá-los sem perder a paz, o bom humor e a alegria. Você encontrará, em cada página, respostas simples e práticas para dissipar as preocupações, o medo, e se libertar de tudo que tem roubado sua alegria de viver. 





Este é um livro sobre o qual não sei falar... Me surpreendeu tão positivamente! Significou tanto para mim em maio, quando eu estava vivendo um período de muita tristeza, de angústias e motivos para não sorrir... Minha edição do livro está toda coberta de marca texto!rsrs Eu marquei quase todas as páginas e usei muito post-it também. 

É um daqueles livros que quero levar para a vida. Reler quando sentir que preciso de forças para sorrir, que preciso de "ânimo", de reencontrar-me comigo mesma e com Deus. 

"Não esmoreça diante das dificuldades, senão elas ficam mais difíceis. Elas são como um inimigo que nos bate com mais força quando a gente abaixa a cabeça e ameaça desistir."

Quero ler todos os livros do autor! Espero que suas obras não me decepcionem em nenhum momento, como acabei me decepcionando com um livro do Augusto Cury. Mas penso positivo e acredito que aprenderei muito com os livros do Márcio Mendes. 






Literatura Infantojuvenil
Editora: Martins Fontes
Edição: 2010
Páginas: 260
19ª leitura de 2021

Sinopse: Matilda adorava ler. Passava horas na biblioteca, lendo um livro atrás do outro. Mas, quanto mais ela lia e aprendia, mais aumentavam seus problemas. Os pais viam televisão o tempo todo e achavam muito estranho uma menina gostar tanto de ler. A diretora da escola achava Matilda uma fingida, pois ela não acreditava que uma criança tão nova pudesse saber tantas coisas. A história de Matilda até que poderia ser triste. Mas Roald Dahl conta as coisas de um jeito tão absurdo e exagerado, inventa tantas travessuras e aventuras malucas, que tudo acaba ficando engraçado.





Matilda é aquele tipo de história leve para lermos quando tudo o que desejamos é relaxar. Quando queremos apenas sorrir e sonhar um pouco ao lado de um livro que não vá nos deixar em prantos. Isso não quer dizer que apenas coisas boas acontecem na história dessa pequena leitora, mas Matilda é uma menina tão forte e determinada que até nas piores situações nos faz rir com suas travessuras e suas pequenas "vinganças" contra os adultos que tentam torná-la triste (e nunca conseguem).

Filha de pais negligentes e que se sentem ofendidos por ela ser inteligente e gostar de livros, a menina se cria praticamente sozinha até os cinco anos de idade, o que acaba por fazê-la amadurecer rápido demais, transformando-a numa criança "adulta". Embora ela brincasse como outras crianças de sua idade, seu cérebro era muito avançado, seus pensamentos e forma de procurar soluções para lidar com injustiças eram maduros demais. E nem mesmo quando conhece a senhorita Mel, professora que percebe sua inteligência e a coloca sob sua proteção, Matilda deixa de estar por si mesma. 

Isso porque a senhorita Mel não era uma pessoa que conseguisse se impor diante de outras pessoas. Se alguém tentasse dominá-la, facilmente conseguiria. Na verdade, é Matilda quem precisa "salvar" a professora e não o inverso.rs São vários os temas "tristes" abordados nesta história aparentemente leve, mas o autor cria um universo de magia e exagero que torna as situações engraçadas, ainda que no fundo elas não sejam. 

Eu gostei muito do livro e quis adotar Matilda como filha!rs Apesar de já fazer bastante tempo que vi o filme pela última vez, achei várias situações bem parecidas com o livro, o que me faz considerar que a adaptação é bem fiel à história em sua essência. 


Além destes livros, eu também reli no primeiro semestre do ano O Sobrinho do Mago, de C. S. Lewis, livro que faz parte de As Crônicas de Nárnia. Pretendo reler todos os livros da série, pois até hoje eu não concluí a resenha e quero até o final do ano, se Deus quiser, publicar a resenha completa sobre os sete livros. 




4 de junho de 2021

Jogos do Prazer - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Secrets of Surrender
Tradutora: Beatriz Horta
Editora: Arqueiro
Edição de: 2014
Páginas: 240
Série Os Rothwells - Livro 3


16ª leitura de 2021 (15ª resenha do ano)


Sinopse: A bela Roselyn Longworth já aceitou seu destino. Depois que o irmão fraudou o banco em que era sócio e fugiu do país levando o dinheiro dos clientes, suas finanças ficaram arruinadas, assim como suas chances de conseguir um bom casamento. Por isso foi fácil acreditar nas falsas promessas de amor de um visconde. Mas a desilusão não demorou a chegar: quando Rose não se sujeitou a seus caprichos na cama, o nobre se vingou leiloando-a durante uma festa em sua mansão. Ela acredita que o destino lhe reserva um fim trágico. Ainda mais ao ser arrematada por Kyle Bradwell, um homem que venceu na vida pelo próprio esforço, mas não é bem-vindo nos círculos mais exclusivos. Mas a jovem é surpreendida pela atitude dele, que a trata com um respeito e uma gentileza que ela não recebia desde antes do escândalo envolvendo o irmão. Quando Rose finalmente descobre o que está por trás do comportamento de Kyle, é tarde demais: já foi fisgada pelo homem que conhece seus segredos mais íntimos.




Sei que eu não estou aparecendo com a mesma frequência de antes, que passo a impressão de estar um tanto negligente com o blog, mas isso não é verdade. Meu amor por este cantinho segue sendo imenso. Escrever aqui alimenta minha alma, provoca um quentinho no meu coração. Ler e falar de livros é uma das maiores paixões da minha vida! Estou sempre cercada de livros, mesmo nos dias em que não consigo ler. Mas só ter livros por perto já me conforta, faz eu me sentir bem. Eu NUNCA vou abandonar o blog. Pode acontecer de a vida me fazer ficar ausente por semanas e semanas, mas nunca irei abandonar o meu cantinho querido. 

O Emoções à Flor da Pele é parte de mim. Escrevo aqui há mais de 11 anos. O blog acompanhou minha imaturidade e o longo e complexo processo de amadurecimento. Tanta coisa aconteceu ao longo dos anos! Tanta coisa mudou... Acredito que eu tenha evoluído bastante como pessoa e como leitora também... Mas sempre terei muito a aprender e os livros são ótimos professores! Eu mudei bastante... Não me vejo mais na menina que um dia sentou e resolveu criar este cantinho. Aquela menina ficou para trás, cresceu. E não foi nada fácil! Crescer não é fácil para ninguém. 

Muitos dos livros que li ao longo de todos os meus anos como leitora... Se os lesse hoje em dia, possivelmente discordaria do que sentia por eles no passado. É bem provável que não os visse com os mesmos olhos, com a mesma tolerância... Mas assim é a vida. Nós mudamos, nossa maneira de ler e analisar os livros também muda e isso é muito bom. Quando leio algumas resenhas minhas antigas eu sorrio encantada (quando é o caso) ou fico chocada com algumas emoções bem intensas que certas histórias me provocavam.kkkk Por isso o blog é tão importante para mim: além de ser o meu cantinho literário, guarda muito de mim. De todas as minhas fases de leitora. 


"Abrace-me, querida amiga. Logo estarei morta para vocês duas, e não suporto pensar nisso."


Quando conheci a Roselyn no livro As Regras da Sedução, eu já senti uma vontade enorme de ler sua história. Queria até mesmo pular o segundo livro e ir direto para Jogos do Prazer (os títulos dos livros desta série são HORRÍVEIS!), mas apelei para toda minha disciplina para não fazer isso.rs Eu queria muito saber como seria a história da moça que ao se iludir com um homem que se mostrou um verdadeiro canalha, acabou sendo vendida num leilão, contra sua vontade. Roselyn teve o azar de ter como irmãos dois homens irresponsáveis e que desprezavam completamente as leis, e por culpa deles, ela e a irmã mais nova acabaram se vendo numa situação de extrema vulnerabilidade, numa época em que mulheres desprotegidas se tornavam alvo fácil de abusos, em que a sociedade fechava os olhos para as canalhices dos homens e responsabilizava, sem hesitar, as mulheres por delitos cometidos por eles e não por elas. 

Ao descobrir o que seus irmãos tinham feito, a maneira como tinham roubado as economias de dezenas de pessoas que confiaram no banco que eles administravam, Roselyn sentiu uma profunda dor e a certeza de que a vida não tinha mais nada de bom a lhe oferecer. Qualquer chance que ela tivesse de fazer um bom casamento estava encerrada para sempre, pois nenhum homem toleraria ter o seu nome associado ao da irmã de criminosos. 

Embora o marido de sua prima Alexia (protagonista do primeiro livro) tenha lhe oferecido certa proteção, para que ela não se visse sem nada, Roselyn se recusou a aceitar. Não seria um peso na vida de ninguém. Daria um jeito de se sustentar... Mesmo que para isso tivesse que descer ao nível de se tornar a amante de um nobre. 

Quando aquele visconde tão elegante demonstrou interesse por ela, foi fácil mentir para si mesma. Fingir que existia afeto, que ele estava apaixonado... Entregou sua inocência para alguém que a via apenas como objeto, mas mentiu para si mesma o quanto foi possível... Porém, no momento de encarar a verdade, o golpe foi forte demais. Porque por mais que no fundo soubesse que ele nada sentia por ela, jamais imaginou que ao ser contrariado ele seria cruel ao ponto de vendê-la a quem pagasse mais, que seria capaz de arriscar a integridade física e a vida dela daquela maneira. Desprotegida no meio de homens que não se importavam se ela não queria participar daquele espetáculo horroroso, ela foi salva por quem menos esperava. Pelo único homem ali que não era "nobre". O único que se importou com o desespero em seus olhos. 

Kyle não estava em boas condições financeiras. Também fora seriamente atingido pelo golpe financeiro que os irmãos de Roselyn deram em seus clientes. Mas não poderia assistir insensível ao sofrimento dela sem fazer algo para protegê-la daqueles vermes que se consideravam acima de tudo. E a única maneira de salvá-la seria dando o lance mais alto, algo que poderia levá-lo direto à falência. 

Quem diria que o pior dia da vida daquela mulher lhe permitiria conhecer o homem que roubaria o seu coração e estaria com ela nos momentos mais importantes? O amor, às vezes, aparece nas ocasiões mais improváveis...

Eu terminei a leitura deste livro com um sorriso no rosto e o coração leve, algo que sempre acontece quando leio um romance daqueles que me fazem suspirar. Kyle é um mocinho digno de ser considerado herói de uma história de amor e Roselyn tem toda minha admiração por sua força e reencontro. Pela maneira como volta a amar a si mesma. A história deles dois me encantou e uma determinada cena que a autora criou para aquecer o coração de nós leitores deixou meus olhos cheios de lágrimas de felicidade. Ela foi perfeita no que fez! Porque depois daquela cena horrível na qual a Roselyn foi vendida por aquele lixo de homem, nós merecíamos uma cena que a recompensasse. Uma cena que compensasse sua humilhação pública e todo sofrimento interior que aquela maldade lhe provocou. Algo que empurrasse aquela lembrança para bem longe. E eu amei tanto a maneira que a autora encontrou de fazer isso por sua mocinha e por nós também!

Roselyn era uma mocinha que precisava ser salva. De muitas maneiras. Sabe quando uma pessoa está numa situação tão ruim que necessita de alguém que lhe estenda a mão, que esteja ao seu lado e a faça acreditar de novo? Nossa mocinha não se amava mais, não acreditava em mais nada de bom e por isso foi fácil para aquele lixo envolvê-la e usá-la. Porque ela achava que merecia aquilo. Porque tinha deixado de se importar com a própria vida, não se valorizava mais. Por crimes que não eram dela, ela estava se condenando. Então, Kyle realmente precisava salvá-la, não só do pesadelo daquela noite, mas de um futuro de sofrimento. Porque através dos olhos dele, de uma pessoa que estava presente em um momento tão humilhante, ela pode voltar a se ver. E saber que tinha valor sim! Que aquele momento não a definia, que ter sido amante de um verme como aquele visconde não a definia. Que ela era uma mulher incrível e que precisava voltar a ter amor por si própria. 

Está enganado quem pensa que por ter dado o lance mais alto e tirado a Roselyn dali, o Kyle exigiu algo pela fortuna que pagou. Ele era um homem de caráter e mesmo que a desejasse não iria querê-la naquelas condições, pois sabia respeitar uma mulher. E sabia que Roselyn estava numa situação desfavorável e que ele estaria se aproveitando da maneira mais vil. Ele pagou pela liberdade dela e não esperava ser "recompensado" de nenhuma maneira. A tirou dali para levá-la para a segurança da casa da prima e então cada um seguir o próprio caminho... Se viessem a ficar juntos, seria numa situação honrada e não daquele jeito. 

Claro que várias coisas vão acontecer para juntar o casal e depois para provocar problemas na relação, como em todos os romances. E eu amei todos os momentos! Amei a maneira como se construiu tanto a relação física quanto a emocional. Com ele, ela aprende que pode ser livre na cama, que não será julgada, que possui direitos. Havia uma conexão muito forte entre os dois mesmo antes de descobrirem que se amavam. Havia respeito e entrega de ambos os lados, o que tornava as cenas de amor bem bonitas, mesmo que um tanto explícitas. A construção do relacionamento deles é bem convincente. É um romance no qual eu não tive dúvidas do amor que os unia. E apreciei demais esta leitura!

Assim sendo, o único livro da série até agora que não me agradou foi o segundo, que é totalmente dispensável!rs Tanto o primeiro quanto o terceiro vale a pena! E só me resta ler o quarto livro, protagonizado pelo marquês Christian, um homem muito excêntrico e cheio de mistérios...rs



28 de maio de 2021

Cinzas na Neve - Ruta Sepetys



Literatura norte-americana
Título Original: Between shades of gray 
Tradutora: Fernanda Abreu
Editora: Arqueiro
Edição de: 2019
Páginas: 240
Ficção Histórica

15ª leitura de 2021 (14ª resenha do ano)
 
Sinopse: Quando a voz de uma garota quebra o silêncio da história

Lina Vilkas é uma lituana de 15 anos cheia de sonhos. Dotada de um incrível talento artístico, ela se prepara para estudar artes na capital. No entanto, a noite de 14 de junho de 1941 muda seus planos para sempre.

Por toda a região do Báltico, a polícia secreta soviética está invadindo casas e deportando pessoas. Junto com a mãe e o irmão de 10 anos, Lina é jogada num trem, em condições desumanas, e levada para um gulag, na Sibéria.

Lá, os deportados sofrem maus-tratos e trabalham arduamente para garantir uma ração ínfima de pão. Nada mais lhes resta, exceto o apoio mútuo e a esperança. E é isso que faz com que Lina insista em sua arte, usando seus desenhos para enviar mensagens codificadas ao pai, preso pelos soviéticos.

Cinzas na neve conta a história de um povo que perdeu tudo, menos a dignidade, a esperança e o amor. Para construir os personagens de seu romance, Ruta Sepetys foi à Lituânia a fim de ouvir o relato de sobreviventes dos gulags durante o reinado de horror de Stalin.




Quando você vê a imagem na capa já te bate uma tristeza e a certeza de que a história te fará chorar... O título te dá mais uma dica e a frase: "Quando a voz de uma garota quebra o silêncio da história" te provoca uma certa angústia. Pelo menos, foi isso que se passou comigo. Mas tudo foi intensificado por eu já ter lido e ficado em prantos com O Sal das Lágrimas, que é a sequência de Cinzas na Neve, embora eu tenha lido fora da ordem. Todavia, na verdade não há uma ordem a ser seguida, pois são histórias que podem ser lidas de maneira independente, vez que a única coisa que as liga é o parentesco entre a protagonista de Cinzas na Neve (Lina) e uma das protagonistas de O Sal das Lágrimas (Joana). Além, é claro, das duas histórias se passarem durante o reinado do demônio do Stálin e do outro demônio (Hitler). 

Eu não paro de pensar nesta história desde que terminei de lê-la. Sonhei com o livro mais de uma vez. Revejo as cenas em minha mente e fico refletindo sobre tantas coisas ao mesmo tempo... Eu gostaria de não escrever esta resenha de tão abalada que ainda me sinto. Gostaria de pular para outra história, falar de narrativas mais leves, de um romance água com açúcar daquele tipo que tanto amo e vocês sabem... Até mesmo falar de um suspense daqueles psicológicos e de dá calafrios seria mais fácil no momento. Tudo seria mais fácil do que falar de Cinzas na Neve. Do que revisitar toda aquela crueldade enquanto escrevo a resenha. 

Me vendo tão angustiada o dia inteiro ontem, minha mãe voltou a me fazer uma pergunta que ela já me fez várias vezes: "Por que leio este tipo de história se fico tão mal?" Porque preciso. Porque me obrigo a enfrentar as realidades das quais muitas vezes fugimos. Porque não quero esquecer. Nenhum ser humano deveria esquecer o que já aconteceu. A História existe não só para entendermos o presente, mas para que monstruosidades "perdidas" no passado não voltem a acontecer. 
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