23 de fevereiro de 2020

A Iniciação (Círculo Secreto) - L. J. Smith

Literatura norte-americana
Título Original: The Initiation - The Secret Circle
Tradutora: Ryta Vinagre
Editora: Galera Record
Edição de: 2011
Páginas: 256
Trilogia Círculo Secreto - Livro 1

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: A Iniciação é o livro que deu origem à série de TV Secret Circle! A história começa quando Cassie se muda da Califórnia para New Salem, depois de passar as férias em Cape Cod, e começa a se sentir estranhamente atraída pelo grupo de jovens que domina sua nova escola. Cassie logo é iniciada no Círculo Secreto, uma irmandade de bruxas que controla a cidade há séculos, numa aventura ao mesmo tempo fascinante e mortal. Ao se apaixonar pelo sombrio Adam, será preciso escolher entre resistir à tentação ou lutar contra forças obscuras para conseguir o que deseja - mesmo que um simples passo em falso possa significar a sua destruição.
Primeiro volume da trilogia Círculo Secreto, de L.J. Smith, a criadora do fenômeno mundial e best seller do New York Times, Diários do vampiro que deu origem à série de TV da Warner Vampire Diaries.




Esta leitura é a prova de que não aprendi nada com Diários do Vampiro. Que sou uma baita de uma estúpida!rs

Vamos recapitular?! Em 2010, ano de criação do blog, eu li a trilogia Diários do Vampiro (Sim! TRILOGIA!) que foi originalmente publicada em 1991 e não seria mais que isso: uma história composta por três livros: O Despertar, O Confronto e A Fúria. Como o terceiro livro terminou de uma maneira que deixou muitos fãs em prantos e revoltados, a autora resolveu "fechar" a história escrevendo um quarto livro, "Reunião Sombria", publicado em 1992. Terminava ali. Ponto final. Certo?! Errado! Em 2009, quase vinte anos depois de encerrar a história, a autora veio com a novidade de "Diários do Vampiro: O Retorno" que contaria com mais três livros. E depois só desandou (na minha opinião, pois existe muita gente que gosta do fato de existirem "dois mil" livros da série): uma outra autora que, pelo que entendi, foi contratada pela própria L. J. Smith (ou pela editora, provavelmente), deu continuação à série, escrevendo diversos outros livros.

Eu não sou como muitos fãs que quanto mais livros surgirem melhor (mesmo que escritos 50 anos depois). Eu não gosto disso. Quando um autor diz que encerrou uma série eu quero que isso seja verdade. Não gosto que uma história seja reaberta séculos depois, pois geralmente os autores modificam muita coisa que os leitores já davam como certo, eles desconstroem toda a ideia deixada pelo encerramento original da história. Por isso, sempre que vejo que um autor decidiu continuar uma história concluída milênios antes, fico com um pé atrás e muito desanimada. Mas esta sou eu. É minha esquisitice de leitora. Ninguém precisa pensar igual.rs

Mas foi justamente esta minha "esquisitice" que me fez encerrar Diários do Vampiro do jeito que a história terminava lá em 1992, quando eu nem sequer existia (sou de 1994): com o quarto livro, Reunião Sombria. Li a trilogia em 2010. E em 2016 li Reunião Sombria, deixando claro que parava ali para mim. Não li as centenas de continuações. E nem vou ler. Assim, também perdi a vontade de ler outras histórias da autora. Até perder o juízo esta semana.rs

16 de fevereiro de 2020

Os Sofrimentos do Jovem Werther - Johann Wolfgang von Goethe

Literatura Alemã
Título Original: Die leiden des jüngen Werthers
Tradutor: Marcelo Backes
Editora: Folha de São Paulo
Edição de: 2016
Páginas: 144
Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura #15

Sinopse: Os sofrimentos do jovem Werther foi um dos primeiros best-sellers europeus. Lançou modas de comportamento e mesmo de roupas; é também uma história de amor impossível. Mas este primeiro romance de Goethe (1749-1832), mestre maior da literatura alemã, foi ainda uma obra que marcou uma virada importante nas ideais artísticas, morais e sociais da Europa do fnal do século XVIII, e se tornou precursora do romantismo. Publicado pela primeira vez em 1774, trata-se de um romance composto de cartas escritas por um jovem burguês hpersensível, Werther. Inclinações artísticas, modos e pensamentos levam o jovem Werther a entrar em conflito com convenções e preconceitos da sociedade aristocrática, na qual acaba esnobado e humilhado. Além do mais, apaixona-se por Lotte, jovem também sensível, mas já noiva e depois esposa de um homem de senso prático da vida. As frustrações de Werther acabam por levá-lo ao suicídio, atitude que foi imitada por vários de seus leitores e causou grande escândalo na época. 



Eu não sei como falar deste livro. Do impacto que ele provoca em quem o lê, da confusão de sentimentos... do "peso" que deixa em nossos corações.

"Tudo aquilo que me foi dado encontrar na história do pobre Werther, eu ajuntei com diligência e agora deposito à vossa frente, sabendo que havereis de me agradecer por isso. Não podereis negar vossa admiração e vosso amor ao seu espírito e ao seu caráter, nem esconder vossas lágrimas ao seu destino."

Esta é uma leitura que eu deveria ter feito no ano passado, mas tive medo de ler o livro e acabar ficando muito mal, pois tinha conhecimento que esta história havia provocado uma onda de suicídios quando de sua publicação. Muitos jovens infelizmente desistiram de viver e fico imaginando como o autor deve ter se sentido, pois com certeza não imaginava tamanha reação à sua obra. Só de imaginar aquelas pessoas colocando fim à própria vida, eu me sinto muito mal. Então o autor deve ter ficado arrasado.

"Tu sabes que não existe no mundo nada tão instável, tão inquieto quanto o meu coração."

O livro pesa, a sensação que nos deixa é de um imenso "peso nos ombros", porque lidar com todos os sentimentos do jovem Werther não é fácil, é desgastante emocionalmente. E acabamos sim nos identificando com muitos dos pensamentos e sentimentos do protagonista, que sente a vida de maneira intensa, apaixonada. Com ele não existe meio-termo. Nada é moderado. Ama e odeia com a mesma força. Está sempre sentindo o mundo e o enxergando de uma maneira que poucos sentem e veem. É isso que acaba tornando tudo forte demais. Insuportável para ele. :( E isso não é spoiler: sabemos desde o início da leitura que Werther se suicidou. A história é contada após a morte dele.

10 de fevereiro de 2020

O Amor de Um Duque - Lorraine Heath

Literatura Inglesa
Título Original: When a Duke Loves a Woman
Tradutora: Daniela Rigon
Editora: Harlequin
Edição de: 2019
Páginas: 320
Série Sins of all Seasons - Livro 2

Sinopse: Gillie Trewlove sabe o valor da bondade de desconhecidos, já que foi abandonada ainda bebê na porta da mulher que a criou. Quando se depara com um homem sendo agredido em sua própria porta — ou melhor, no beco próximo da sua taverna —, ela não hesita em ajudá-lo. Porém, o homem é tão bonito que não pode pertencer a um lugar como Whitechapel, muito menos à cama de Gillie, na qual ele precisa ficar para se recuperar.
O duque de Thornley está tendo um péssimo dia. Ser abandonado no altar é humilhante, ser salvo de bandidos por uma mulher — ainda que uma mulher linda e corajosa — é mais ainda. Após ajudá-lo a se recuperar, Gillie concorda em acompanhá-lo pelas ruas sombrias de Londres em busca da noiva.
No entanto, cada momento juntos os leva ao limite do desejo, e faz o duque repensar sua escolha a respeito do casamento. Gillie sabe que a aristocracia nunca iria aceitar uma duquesa como ela, mas Thorne está disposto a provar que nenhum obstáculo é insuperável diante do amor de um duque.



Vocês também sentem que fevereiro está passando rápido demais?! Hoje já é dia 10 e este é o primeiro livro que consigo terminar de ler no mês. Neste ritmo não vou conseguir ler nem metade do que desejo!rs

"Inclinando-se perto do ouvido dele, ordenou:
- Não se atreva a morrer em meus braços."

Neste segundo volume da série Sins of all Seasons, temos como protagonistas Gillie e Thorne, duas pessoas que não poderiam ser mais diferentes. Abandonada na porta de sua mãe adotiva, conhecida na região por "cuidar" das crianças "rejeitadas" por pais nobres (em outras palavras: crianças bastardas), ela foi criada ao lado de quatro irmãos que possuíam origens tão obscuras quanto as dela e que tiveram que aprender a se defender sozinhos da intolerância e desdém de pessoas que os julgavam por seu nascimento, como se o erro de seus pais na verdade fosse deles, das crianças nascidas de relacionamentos proibidos.

Para agravar a situação, Gillie era mulher, o que representaria um risco para ela naquela região tão pobre e violenta. Por este motivo, sua mãe adotiva sempre a vestiu como menino, escondendo de todos sua condição de menina e ensinando à filha, conforme ela crescia, maneiras de esconder suas curvas e seus seios. Assim, ela se acostumou a sempre estar com os meninos, participando das mesmas brincadeiras e travessuras, bem como fazendo os mesmos trabalhos para ganhar uns trocados. Já adulta, com a ajuda de um de seus irmãos, que tinha conseguido vencer na vida, ela abriu uma taverna e a transformou em muito mais do que isso... Embora seu coração ansiasse por ter filhos um dia, ela sabia que nunca conseguiria confiar o suficiente num homem para isso. Sabia quais eram as consequências de acreditar em promessas. Todos os seus irmãos eram resultados de promessas quebradas. Não podia confiar. Não podia ser mais uma vítima da sedução de um homem. Não se casaria. Não teria filhos. Estava satisfeita com sua decisão. Afinal de contas, nunca se apaixonara. Deste mal ela não sofreria... Ou será que sim?!

30 de janeiro de 2020

Corrida pela Herança - Sidney Sheldon

Literatura norte-americana
Título Original: The Money Tree
Tradutor: Pinheiro de Lemos
Editora: Ática/Record
Edição de: 1994
Páginas: 176


Sinopse: O magnata Samuel Stone gostava mais de sua fortuna do que de seus próprios herdeiros. Quem quiser agora se apossar das riquezas do falecido terá de desvendar pistas misteriosas e enfrentar perigos inimagináveis, nesta complicada caça ao tesouro! A viúva vaidosa, o sobrinho ganancioso, o advogado interesseiro e o primo bondoso irão se meter nas mais incríveis situações e recorrer a métodos bastante estranhos para se livrar dos adversários. 




Pense numa escolha de última hora!rsrs Inicialmente, eu tinha escolhido Origem, do autor Dan Brown (um dos meus autores preferidos) para um dos temas de janeiro do Desafio Literário Livreando 2020. Ocorre que a leitura não estava fluindo bem. Faz semanas que parei na metade do livro e resolvi ler os outros do desafio. Até que chegou o dia de hoje e eu continuava na metade do livro, sem conseguir andar para frente. A culpa é toda do livro que está longe de ser como os outros do autor, sempre tão envolventes e fascinantes. Origem é parado, chega a ser entediante, e o professor Robert parece que foi abduzido e retornou totalmente modificado, não sendo nem sombra do grande protagonista que vemos em livros como Anjos e Demônios, O Código da Vinci, O Símbolo Perdido e Inferno, os quatro livros anteriores da série. 

Assim, ao perceber que seria impossível me forçar a terminar o livro hoje e escrever a resenha, resolvi abandoná-lo por um tempo e apostar na leitura de Corrida pela Herança, um dos poucos livros do Sidney Sheldon que eu ainda não tinha tido a oportunidade de ler. Claro que não sabia se de fato conseguiria iniciar e terminar a leitura no mesmo dia, mas tinha esperanças que isso acontecesse, pois os livros infantojuvenis do autor costumam ser bem mais fáceis de ler, com uma linguagem simples e narrativa geralmente bem divertida, recheada de aventuras e "perigos" que se resolvem rapidamente. 

"Esta é a história de um homem chamado Samuel Stone, tão rico e poderoso que se recusa a morrer. Bem, esta não é toda a verdade. A verdade é que seu corpo está morto e enterrado, mas seu espírito permanece vivo. Isto é, vivo numa fita de vídeo."

Neste livro temos quatro herdeiros de um homem que era bastante rico, mas egoísta, cujo único amor era o dinheiro. Ele não se importava com nada nem ninguém e se pudesse teria levado todo seu dinheiro para o "outro lado". Como as coisas não são tão simples assim, não teve outra alternativa senão deixar toda sua fortuna para os quatro herdeiros, já que de modo algum permitiria que tudo o que conquistara com tanto esforço ficasse para a caridade quando ele odiava tanto os pobres. 

Acontece que não tinha intenção de dar nada "de graça". No intuito de se divertir com a angústia deles mesmo depois de morto, gravou diversas fitas de vídeo. Elas deveriam ser exibidas por seu mordomo numa segunda-feira de cada semana. Nas fitas, o falecido daria pistas para que os herdeiros encontrassem as partes de sua fortuna que estavam espalhadas por diversos lugares diferentes (talvez não só da residência ou do país, mas do mundo). 

Entre os herdeiros do homem existiam, em sua maioria, pessoas que possuíam um caráter semelhante ao seu, embora não a mesma inteligência. A viúva, uma mulher belíssima que se apaixonara pela fortuna do marido (enquanto ele se casou com ela por causa do seu corpo), já sonhava em gastar toda a herança com roupas e iates e estava furiosa pelo marido ter feito aquele jogo estúpido para atrasar os seus planos. Seu sobrinho só pensava em gastar o dinheiro com mulheres e carros. O advogado (que era o terceiro herdeiro e não conquistara nada em sua vida de maneira honesta) só queria um majestoso escritório para impressionar os outros e não se importava se tivesse que trapacear para pôr as mãos na fortuna. Já o quarto herdeiro era David, um primo distante do falecido e... aparentemente a única exceção à regra: porque enquanto os outros só pensavam em desperdiçar o dinheiro que o Sr. Stone conquistara com tanto esforço, David queria doar toda a sua parte à caridade. Daria tudo aos pobres, mesmo que Stone se revirasse no túmulo por conta disso. David era também o único ali disposto a dividir a fortuna total com os outros três herdeiros. Os demais... estavam dispostos a tudo para ficarem com o dinheiro apenas para si. 

"- Sabe, David, há uma coisa que você não consegue entender - comentou o advogado. - É a ganância que move o mundo."

A história gira em torno das aventuras e dos perigos que os quatro precisam enfrentar para decifrar os enigmas deixados pelo falecido e assim conseguirem a herança prometida. As situações são bem absurdas, totalmente inverossímeis, mas aqui o Sidney Sheldon quis criar uma história leve e divertida para o público infantojuvenil, então tudo foi desenvolvido de maneira a ser exatamente inacreditável mesmo. Tudo no livro é meio louco e isso nos faz rir. 

Ao longo da leitura não simpatizamos com quase nenhum personagem, pois todos são capazes de tudo por dinheiro e mesmo a história sendo leve fica bastante evidente o quanto os herdeiros são pessoas desprezíveis, que nos provocam asco. David é a única exceção, mas sentimos aquele medo de confiar nele e nos decepcionarmos. Então, ficamos sempre com um pé atrás, mesmo que as atitudes dele sejam sempre nobres. 

Quem está acostumado com os livros adultos do autor (e eu já li todos!) e nunca leu nenhum dos infantojuvenis que ele escreveu, talvez fique um pouco perdido com as diferenças enormes existentes aqui. Eu como sou fã incondicional do autor e sempre quis ler tudo o que ele escreveu, logo me acostumei com as histórias voltadas para o público mais jovem e sou apaixonada pela escrita dele. Mas claro que suas histórias adultas são muito mais elaboradas, cheias de reviravoltas de nos tirar o fôlego e cenas capazes de nos fazer chorar de angústia.rs

Ah, a história de Corrida pela Herança se passa na maior parte do tempo nos Estados Unidos, mas também existem algumas cenas na Espanha e outros lugares do mundo (no presente e passado.rs). 


-> DLL 20: Um livro que se passe em um lugar que você quer conhecer


29 de janeiro de 2020

Milagre na 5ª Avenida - Sarah Morgan

Literatura Inglesa
Título Original: Miracle on 5th Avenue
Tradutor: William Zeytoulian
Editora: Harlequin
Edição de: 2019
Páginas: 320
Série: Para Nova York, com Amor - Livro 3

Sinopse: O amor chega para todos - seja sonhando com ele ou fugindo o máximo que pode. Após Amor em Manhattan e Pôr do Sol no Central Park, Sarah Morgan volta com outra história que vai fazer você suspirar.Eva Jordan ama tudo que envolve o Natal. Romântica incurável, ela passará as festas sozinha esse ano, mas nada destrói sua fé inabalável no amor e nas coisas boas da vida. Quando ela tem a oportunidade de decorar a casa de um escritor rico e famoso na 5ª Avenida, aceita sem pensar duas vezes. O que Eva não esperava, no entanto, é que a casa estaria ocupada por seu recluso ― e misterioso ― dono. Lucas Blade é especialista em escrever cenas aterrorizantes, mas é o Natal que está sendo seu maior pesadelo. Há poucas semanas do prazo final de entrega de seu próximo livro, ele ainda não tem uma história ― nem mesmo um personagem principal! Além disso, o aniversário da morte de sua esposa está chegando, o que o deixa imerso em uma névoa carregada de dor e luto. Eva vive em seu planeta particular e Lucas em um mundo de dor e desconfiança. O que a vida mostra a eles é que duas pessoas diferentes podem ter mais em comum do que imaginam ― incluindo uma atração inegável um pelo outro.




Desde o primeiro livro da série, nós nos encantamos com esta personagem que finalmente teve a oportunidade de contar toda sua história e nos mostrar que era bem mais do que a amiga sensível que tinha que ser protegida todo o tempo das realidades da vida.

Em Amor em Manhattan, Eva nos fez rir muito com seu jeito espontâneo, totalmente sem filtros, que sempre dizia o que pensava, mesmo que fosse algo constrangedor.rs Enquanto Paige, protagonista do primeiro livro, era toda prática, pé no chão e cheia de reservas, Eva era o sol que iluminava a vida de suas amigas, com seu coração enorme, que acreditava completamente no amor verdadeiro e sonhava em encontrar seu próprio príncipe encantado.

"Ninguém entende de romance mais do que eu."

Todas as três eram independentes e dedicadas ao trabalho, mas enquanto Paige levava muito a sério a conquista de seu próprio negócio (em sociedade com Frankie e Eva) e queria mostrar para todos que conseguira libertar-se do passado de internações por problemas de saúde e que ninguém mais deveria se preocupar com ela... E Frankie também preferia mergulhar no trabalho e esquecer que amava em segredo o Matt, irmão de Paige... Eva só queria amar e ser amada, sem segredos ou reservas. Valorizava seu trabalho, era extremamente competente e bem-sucedida, mas queria o amor, o seu conto de fadas... Não era pedir muito, certo? Ela sabia que a vida não era perfeita, mas tinha esperanças de que, em algum lugar do mundo (de preferência ali em Nova York mesmo) estava a sua outra metade, o homem que a aceitaria como ela era e a amaria para sempre. Não aceitava menos que isso. O que talvez explicasse por que ainda estava sozinha...

"Além disso, todo mundo sabe que nunca se encontra o amor quando se procura por ele. Você tem que esperar que ele te encontre."

Mas finalmente se cansara de tanto esperar. Paige e Frankie já tinham conseguido cada uma o seu próprio final feliz, isso quando elas menos esperavam (tudo bem que as duas fizeram sua parte para estar com o homem que desejavam, em vez de esperar que o destino resolvesse tudo), e não fazia sentido que sendo ela a mais romântica e sonhadora das três, ainda estivesse naquela situação, encontrando sapos no lugar de príncipes. Aquilo precisava mudar. Por isso, decidira que naquele Natal estaria acompanhada. Sairia à caça, pois não tinha mais paciência para esperar pela fada madrinha.

O que ela não poderia imaginar é que uma velhinha simpática, avó de um certo escritor de livros de suspenses e terror, decidiria interferir um pouco (muito) na sua vida e na do neto, fazendo a magia acontecer para os dois naquele Natal...

24 de janeiro de 2020

O Sorriso da Hiena - Gustavo Ávila

Literatura Brasileira
Editora: Verus
Edição de: 2017
Páginas: 266

5ª leitura de 2020

Sinopse: É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?
Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitado psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém a proposta, feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é um homem cruel por ter testemunhado o brutal assassinato de seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a sua, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma no crescimento delas. Mas até onde William será capaz de ir para atingir seus objetivos? Em O sorriso da hiena, Gustavo Ávila cria uma trama complexa de suspense e jogos psicológicos, em uma história que vai manter o leitor fisgado até a última página enquanto acompanha o detetive Artur Veiga nas investigações para desvendar essa série de crimes que está aterrorizando a cidade.



Quando comecei a leitura deste livro não sabia bem o que esperar. Sabia, é claro, que se tratava de um suspense psicológico e este foi o meu principal motivo para apostar nele. Todavia, não sabia muito mais do que o que estava escrito na sinopse. Não imaginava que seria um livro tão brutal, que já começa com uma cena apavorante, que me fez perder o fôlego, em choque. 

"Era impossível distinguir o motivo do brilho nos olhos atrás da máscara. Havia, ao mesmo tempo, algo de vivo e de morto em seu jeito de olhar."

Um assassino extremamente sádico está destruindo famílias e traumatizando profundamente crianças de apenas oito anos, mas para ele tudo faz parte de um viciante jogo. Ele tem um plano. Nada foi feito por acaso e para conseguir atingir o seu objetivo final só precisaria de cinco crianças com o coração e a mente destroçados e um psicólogo disposto a fazer qualquer coisa "por um bem maior", até mesmo tornar-se cúmplice de um psicopata... ou não?

Marcelo, a primeira vítima, era apenas um menino de oito anos que tinha uma infância complicada por conta do pai agressivo e da mãe negligente, mas nunca imaginou passar por um pesadelo tão grande como o de estar amarrado e amordaçado enquanto um monstro mascarado cometia as piores crueldades contra as duas pessoas que ele mais amava na vida. E então o homem mau se foi... levando tudo... Deixando apenas o silêncio e uma dor confusa, pois não conseguia entender como podia existir pessoas tão malvadas, capazes de machucar quem não lhes tinha feito mal algum. Então, a polícia, que não fazia ideia de onde o assassino escondera os corpos dos pais do menino, decidiu que precisava que o menino traumatizado falasse e para isso nada melhor que encaminhá-lo para a terapia com o brilhante psicólogo infantil William, tão famoso no meio acadêmico, cujo maior sonho na vida é conseguir realmente ser capaz de ajudar os outros, mesmo que para isso precise seguir caminhos um tanto tortuosos. 

"Basta a vida tocar no lugar certo para despertar o pior em qualquer pessoa."

Ao receber o primeiro e-mail do assassino, ele sentiu como se alguém no mundo finalmente o entendesse e isso era assustador. Pior que isso era considerar a proposta do psicopata... O que ele se tornaria se aceitasse aquele acordo? Fosse qual fosse sua resposta, o monstro por traz daqueles e-mails seguiria matando. Mas se William aceitasse a proposta poderia tirar algum bem de todo aquele mal, como seu antigo professor dizia: "Não é errado usar uma coisa ruim pra fazer algo bom." Mas seriam os seus motivos tão altruístas assim, ou no fundo era mais parecido com o assassino do que suportaria admitir? 

Em meio aos assassinatos brutais cometidos por David e os dilemas morais de William, o detetive Artur Veiga tenta montar esse complexo quebra-cabeça e capturar o assassino que parece estar sempre um passo a frente da polícia.

"Um monstro assim pode estar em qualquer lugar."

Este é um livro que me causou grande angústia, pois, embora eu seja fã de suspenses psicológicos, não gosto quando há crianças no meio (motivo pelo qual até hoje não consegui ler o famoso "Quarto", mesmo tendo o livro há algum tempo). Se é difícil quando as vítimas são pessoas adultas, é insuportável quando elas são crianças. E aqui neste livro são meninos e meninas de apenas oito anos, que veem seus pais serem brutalmente assassinados e depois ainda precisam suportar assistir o assassino levar seus corpos para longe, enquanto ficam largados na cena do crime, esperando que alguém perceba que há algo errado e chame ajuda. São crianças que ficam quebradas pelo resto da vida, cuja lembrança daqueles momentos de horror nunca irá se apagar. Eu literalmente tremia só de imaginar o pesadelo que elas viveram, a dor insuportável de ver a vida se esvair do corpo daqueles que elas mais amavam: seus pais, seu porto seguro. Uma pessoa capaz de fazer isso com uma criança merece uma morte lenta e dolorosa... depois de passar muitos e muitos anos apodrecendo na cadeia!

"Você consegue entender por que eu estou fazendo isso? [...] Alguém entenderia?"

O psicopata desta história, como a sinopse bem diz, um dia foi uma vítima. Nós já começamos a leitura com a cena da morte terrível dos pais dele, executados diante dos seus olhos. É uma cena muito dolorosa e é preciso fechar o livro por alguns instantes e respirar fundo antes de continuar. Eu entendo que ele passou por uma dor insuportável, não consigo nem imaginar como foi difícil para ele crescer e seguir em frente. Um pesadelo como esse é impossível de superar, claro que entendo isso e sinto muitíssimo pela criança que ele foi, por tudo o que aquele monstro arrancou dele. Mas nada no mundo justifica o que ele fez com aquelas famílias inocentes... repetindo com outros o que fizeram com ele. Simplesmente se tornou tão demoníaco quanto o monstro que matou seus pais. Na verdade, se tornou alguém pior que ele... e David (o assassino) bem sabia disso. Mas precisava matar... não sentia prazer, mas necessidade. Principalmente depois que descobriu que poderia testar sua teoria. Queria descobrir se era um assassino por causa do trauma que sofreu ou se já nascera um monstro, se sua maldade era de nascença ou resultado da crueldade de outra pessoa. E nada melhor que observar o efeito da sua maldade naquelas crianças... enquanto acompanhasse o crescimento delas, depois da perda brutal dos pais. Não há dúvidas de que David não era apenas um ser humano profundamente cruel, incapaz de empatia, de sentir piedade. Ele também era muito doente, de uma forma assustadora. E conseguia se passar pela pessoa mais normal do mundo, o que acaba nos fazendo olhar ao nosso redor com mais atenção e... medo. 

"- Ainda há um coração batendo aí, sr. William. Não deixe ele endurecer, senão o senhor não vai poder ajudar ninguém."

Não há muito o que eu possa falar sobre o William sem dar spoilers. Apenas que meu sangue ferve quando penso neste personagem e a vontade de... Respira fundo, Luna! Paro por aqui, pois realmente correria o risco de dar muitos spoilers se falasse mais alguma coisa sobre o indivíduo. 

Já o detetive Artur Veiga... Ele é um homem que tem síndrome de Asperger e por conta disso possui dificuldades para interagir com outras pessoas, ser "sociável". Assim, é uma pessoa muito sincera (o que não é sempre uma boa coisa.rs), que fala o que pensa e entende tudo de maneira literal, para irritação de alguns de seus colegas, que são obrigados a suportar seu jeito duro e direto, já que ele é um dos melhores detetives do local. Embora seja brilhante, não é bom em lidar com as vítimas, preferindo se concentrar em solucionar os homicídios, já que para os sobreviventes traumatizados existiam os médicos. Seu papel, portanto, era pegar os criminosos. Não valia a pena esperar sensibilidade da parte dele, mesmo quando os sobreviventes eram crianças. Confesso que o jeito insensível dele me incomodou durante algum tempo, já que eu própria sou sensível, emotiva e não lido bem com pessoas frias. Mas ao longo da leitura eu passei a sentir uma espécie de carinho pelo personagem, pois sua inteligência, sua atenção aos detalhes e dedicação para solucionar o caso me impressionaram. Percebi que mais que demonstrar sentimentos, o importante para ele era parar o assassino antes que mais vítimas fossem feitas. E ao ver outras pessoas supostamente "sensíveis" provocarem mais estragos do que a insensibilidade dele seria capaz de causar, ele acabou se tornando o meu personagem preferido da história. Às vezes as pessoas que demonstram menos sentimentos são as que mais se importam, não é verdade? E aquelas que parecem tão boas... são verdadeiros demônios em pele de cordeiro. Não é algo que acontece só nos livros, infelizmente. 

"A vida simplesmente acertou o martelo no nervo certo, e o chute pegou o que estava pela frente."

Nem sei dizer o que neste livro causa mais frustração e sofrimento, se o fato do assassino parecer estar sempre em vantagem, conseguindo o que quer, ou a maneira como essas crianças e outras pessoas na história foram traídas. Como eu disse, é difícil falar de certas coisas sem dar spoiler e não quero estragar a leitura de ninguém. Por isso, não dá para explicar como certas cenas me revoltaram, como eu quis acabar pessoalmente com a vida de certos personagens. Enfim... Esta história mexeu muito comigo. Principalmente porque monstros como os presentes neste livro existem aos montes por aí. 

Gostei muito da escrita do autor e a maneira como ele explorou o psicológico de seus personagens, nos fazendo refletir sobre certas coisas e como todos nós somos capazes de tudo. A linha entre o certo e o errado nem sempre é tão óbvia e às vezes acaba sendo bem frágil, quase inexistente. A mente humana é complexa e pessoas boas podem sim se transformar naquilo que elas mais temem ou desprezam. 

O final deste livro foi simplesmente... Nossa! Vi poucos livros com um final tão perfeito, tão fechado e inesperado. Realmente não imaginava que fosse terminar assim! 

Quero ler outros livros do autor, mas precisarei de um tempo. Meu emocional não aguenta ler com frequência livros tão pesados assim. 



-> DLL 20: Um livro de autor brasileiro


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