14 de fevereiro de 2024

Os Abismos - Pilar Quintana



Literatura Colombiana
Título Original: Los abismos
Tradutora: Elisa Menezes
Editora: Intrínseca
Edição de: 2022
Páginas: 272

Sinopse: Novo livro da autora de A cachorra aborda, pelos olhos de uma criança, a solidão feminina e as imposições sociais na vida de mulheres.

Claudia mora com os pais em Cáli, na Colômbia, em um apartamento tomado por plantas e rodeado por precipícios físicos e metafóricos. O ambiente, exuberante e bem-cuidado, é um contraste, uma oposição à mãe indiferente e apática que está em conflito com os caminhos escolhidos e impostos para a própria vida. Como muitas famílias, a de Claudia passa por uma crise, e basta o casamento de seus pais estremecer para que ela comece a entender a fragilidade dos limites que mantêm a previsibilidade do cotidiano.

A partir da expectativa e de seu olhar agudo e ao mesmo tempo inocente de criança, é a menina que narra os acontecimentos que abriram as fendas por onde entraram seus piores medos, aqueles que são irreversíveis e podem levar à beira dos abismos. Nos últimos anos da infância, Claudia percebe que a vida chega ao fim e que essa ruptura pode ser uma escolha pessoal. É pelos relatos da mãe, obcecada por revistas de celebridades ― em especial pelas figuras femininas com finais trágicos, como Grace Kelly ―, que ela faz a correspondência entre a morte e as escolhas e passa a temer pelas decisões de sua progenitora.

Em meio à beleza e à violência da natureza, confrontando desejos inconfessos, criança e mãe se encontram e, assim, o destino da mais velha parece se debruçar sobre o abismo contra o qual tantas outras mulheres também já se depararam.



"Aos poucos o apartamento foi se enchendo de plantas até se transformar numa selva. Sempre pensei que a selva eram os mortos da minha mãe. Seus mortos renascidos." 

Impacto. Dor. Desespero. Reflexão. Certeza da brevidade da vida e de como escolhas podem nos abrir portas ou nos colocar num precipício, lutando entre a vontade de viver e de simplesmente acabar com tudo. 

Quando iniciei esta leitura não tinha sequer noção do que encontraria. O livro me atraiu pela capa e por seu título que te faz pensar de que tipos de abismos a história tratará... Isto porque o livro estava embalado e eu nunca tinha visto ninguém falar sobre ele. Comprei primeiro para só depois ler a sinopse e entender que ele acabaria por abordar transtornos psicológicos através da visão e narrativa de uma criança. 

"Pensei nas mulheres mortas. Debruçar-se em um precipício era olhar em seus olhos."

A leitura fluiu bem, mas foi bastante difícil justamente pelos temas abordados e por tudo ser mostrado através do olhar de uma menina, que entende o que os adultos se esforçam em negar: sua mãe estava doente, caindo lentamente num abismo do qual ela talvez não conseguisse tirá-la. É doloroso acompanhar o dia a dia dela na casa, rodeada pelas plantas (que são os mortos de sua mãe, como ela diz), tendo que lidar com os altos e baixos de sua genitora enquanto o pai prefere fingir que nada está acontecendo, preso em seu silêncio e em seu trabalho. 

Claudia, que tem o mesmo nome de sua querida mãe, é uma menina solitária e observadora. Tudo o que mais deseja da vida é receber da mãe a atenção que tanto tenta atrair. A atenção que ela dava para as plantas... que dava para suas revistas sobre celebridades e que dedicava aos finais trágicos de outras mulheres. Sua mãe mergulhava naqueles assuntos, como se ansiasse estar no lugar das mulheres cuja vida acabou tão de repente, de um golpe, deixando no ar a suspeita (mas nunca a confirmação) de suicídio. 

Através dos fragmentos que obtém do passado de sua mãe, e da relação existente entre ela e a avó, Claudia, com tão pouca idade, traça um paralelo com sua própria vida e a relação com sua mãe. Os erros cometidos por sua avó e repetidos em sua mãe, que jura que jamais seria como a outra, mas repete os mesmos comportamentos e palavras como se num ciclo inquebrável. 

"Fechei os olhos e surgiu um precipício. Abri e continuei vendo."

A Claudia mãe é uma mulher triste, que não admite para si mesma o quanto a tristeza a está consumindo. As escolhas de seus pais, o quanto não teve coragem para enfrentá-los e realizar seus sonhos. Como deu ouvidos somente para o que esperavam dela e se conformou com um casamento sem amor e em ser mãe quando na verdade não era o que queria. O que sonhava viver. Estar presa naquela vida era sentir-se morta. Amava a filha, mas gostaria de poder voltar no tempo... Teria aceitado o que aceitou? Novamente teria abandonado seus sonhos? Ou teria ido embora sem olhar para trás? Teria cursado a universidade? Teria fugido com o rapaz que amava? Queria apenas poder voltar e descobrir se tudo poderia ter sido diferente. 

Com a indiferença de um marido que só viu nela a sua beleza e a desejou como uma esposa "perfeita", padrão, e as obrigações da maternidade, Claudia encontra refúgio nas tragédias de outras mulheres... até que isso deixa de ser um escape. Então, seu humor começa a subir e descer de forma descontrolada, mas com alegrias bem fugazes e momentos prolongados de depressão, quando viver parece o pior dos castigos. 

A Claudia filha tenta conseguir a ajuda do pai, da tia... mas ninguém acredita que sua mãe está doente. Não era algo que se falasse, era mais confortável negar. E a menina precisa lutar para não permitir que sua mãe vá... que encontre o precipício, ao mesmo tempo que também só quer ser criança, estudar e brincar. Mas o abismo da mãe começa a invadir e destruir sua infância, transformando sonhos em pesadelos, brincadeiras em medos. 

"- Mamãe...
Não se via nada. 
- Mamãe!
[...] Quis me jogar no chão e começar a chorar. Parar de procurá-la. Que ela se jogasse do precipício e não voltasse. Que me deixasse sozinha com meu pai, afogada com ele no seu mar de silêncio."

Este é um livro muito sensível. Realmente impactante. Ainda não li A cachorra, o livro aclamado da escritora. Os Abismos foi meu primeiro contato com sua escrita e foi um início que me marcou e me fez desejar ler todos os seus escritos. Ela escreve com um cuidado, uma delicadeza que transborda pelas páginas. Conseguimos nos colocar no lugar da mãe e da filha e temer pelo final da história. Temer que seja uma luta perdida, até porque nenhuma das duas tem alguém que lhes estenda a mão, que as ajude naquele momento tão frágil.

Durante a leitura eu senti raiva. De todas as personagens que contribuíram para que mãe e filha chegassem àquele ponto. É verdade que a Claudia mãe fez as suas escolhas. Mas seus pais tiveram grande participação nisso. Ela estava sufocada. Eu sentia a agonia daquela mulher. Lendo era como se eu própria me sentisse presa naquela situação, na vida não desejada, condenada a seguir somente pelas obrigações. Ninguém queria que ela fosse ela de verdade. Tinha que ser o que esperavam dela. E ponto final. Como escapar? 

"Então eu o vi em seus olhos. O abismo dentro dela, igual ao das mulheres mortas [...], uma fenda sem fundo que nada pode preencher. 
- Este lugar é perfeito para desaparecer."

Ao mesmo tempo você sabe que existe amor entre mãe e filha. Ambas perdidas naquela situação. Com a filha em muitos momentos tendo que ocupar o lugar de mãe, tendo que cuidar daquela que lhe deu a vida. Quando a menina sentia medo de perdê-la, eu sentia uma dor dentro do meu peito. Sem saber como tudo terminaria, com medo do fim. Com medo de que nada fosse suficiente. 

É um livro que merece cinco estrelas e passagem direta para os favoritos. Me atingiu em cheio. Me fez refletir muito e de certo modo contribuiu para que eu dissesse "não" para certas situações que estava aceitando em minha vida. Viver é um privilégio. Mas a vida... ela é fugaz. Tudo pode acabar de um momento para o outro. E no que dedicamos os nossos dias? Em realizar nossos sonhos ou em ser o que esperam de nós, nos anulando pelos outros?

"Queria guardar aquele cheiro dentro de mim [...] O cheiro da minha mãe, para que eu nunca esquecesse. Acariciei sua testa e depois seus cabelos. Desembaracei os fios com os dedos até deixá-los lisos e brilhantes. Dei um beijo na sua testa e me deitei ao seu lado."


2 de janeiro de 2024

Metas Literárias para 2024


 

Olá, queridos!

Feliz 2024!!!

Este ano, se Deus quiser, irei completar três décadas de vida.rsrs Em 01 de julho. E ousei elaborar uma lista com 30 livros para ler antes dos 30.kkkkkkkk Fiz a lista em final de junho do ano passado e até agora li apenas um dos selecionados.kkkkkk Sim, só rindo mesmo! Como se não bastasse estar lendo num ritmo quase impossível de concluir a meta até o meu aniversário, ainda decidi elaborar uma lista de 12 livros para 2024 e participar do clube de leituras do canal Aventuras na Leitura. :D

Estou empolgada com as minhas metas literárias! Talvez não leia nem metade dos livros que pretendo, mas é bom retornar a literatura. Sentia muita falta do meu cantinho querido, de fazer metas, participar de grupos de leitura, compartilhar impressões sobre as histórias... Estou muito feliz de estar de volta! Estava me dedicando demais ao que não me acrescentava em nada como pessoa. Pelo contrário, me deixava cada vez mais triste e vazia. Livros me fazem feliz. Me fazem "respirar". 

E não só os livros, claro! Músicas e novelas também! Não parei de ouvir músicas em 2023. Ouvi bastante, até. Mas não as apreciava, sabe. Ouvia para fugir, para me acalmar. Mas não "sentia" a música como tinha o hábito de fazer. Mergulhando na melodia e na letra. 

Na entrada de 2024 resolvi ouvir uma música "nova". Não precisava ser um lançamento, mas apenas uma música que eu ainda não conhecesse. Escolhi o cantor Carlos Rivera e fui pesquisar quais de suas músicas ainda não conhecia. Sou apaixonada por ele por conta da música Otras Vidas, que me arrebata por completo! 

Acabei por esbarrar na música La Carta... e que música! Poesia em forma de canção.

La Carta - Carlos Rivera


E como desejo fazer de 2024 um resgate de mim mesma, também decidi abrir o ano com novas novelas (novas para mim, por não tê-las visto antes). Apostei em Hercai e La Intrusa, telenovelas turca e mexicana, respectivamente. Ambas disponíveis no Globoplay (embora Hercai ainda não esteja completa e eu me pergunte se o Globoplay vai demorar muito para disponibilizar todos os episódios). 


Hercai - Amor e Vingança já me conquistou logo no primeiro capítulo. Que início! Sei que vou chorar muito com a história de Miran e Reyyan. Estou preparada para isso.kkkk É romance. Daqueles bem dramáticos, cheios de segredos, vingança, amor e ódio... Miran foi levado pela avó a acreditar, desde criança, que sua mãe e seu pai foram brutalmente assassinados pelo pai de Reyyan. 

Ao crescer, decide cumprir a promessa de vingar-se daqueles que destruíram sua vida e se aproxima da família da mocinha, disposto a conquistar-lhes a confiança (com uma identidade falsa) e fazê-los lhe entregarem Reyyan em casamento. Não sei muito sobre a história ainda, mas considerando que ele deu um sobrenome falso, imagino que seu casamento com a mocinha não será válido, e através da desonra dela que ele deve concretizar sua vingança, já que se trata de uma família extremamente tradicional, que vive numa cidade conservadora da Turquia, onde os costumes e as "leis" da honra ainda são fortes. 

Devo odiar muito o Miran ao longo da história, mas acredito que vou perdoá-lo. Dá para ver desde o primeiro episódio (estou indo para o quarto) que ele está loucamente apaixonado pela Reyyan... As trocas de olhares desses dois me deixam com o coração acelerado!kkkkk Apesar de toda rivalidade e ódio entre as famílias, eu sinto que ele vai ficar do lado dela. Que vai lutar por ela. E se ela acabar ferida em sua vingança, espero que o arrependimento dele venha acompanhado de rastejar aos pés dela para eu poder perdoá-lo mais rápido. :)

A Intrusa é uma telenovela de 2001, sendo uma típica novela mexicana, do jeito que eu amo! Mas apesar de conter todos os elementos que me enfurecem e encantam (sim, ao mesmo tempo!) nas novelas mexicanas, o primeiro capítulo não me envolveu muito. A infantilidade do suposto mocinho da história é cansativa. Enquanto a protagonista Virgínia é perfeita, o mocinho tem um comportamento ridículo e esta é a parte que me irrita em algumas novelas mexicanas: as mocinhas têm que ter extrema paciência e serem mães dos digníssimos mocinhos, que se esqueceram de crescer. Nem cheguei ao segundo capítulo e já estou querendo que a Virgínia o mande para o quinto dos infernos!

Agora sim vamos ao assunto deste post.rs Era sobre as metas literárias, lembram?

A meta mais importante é a dos 30 livros para ler antes dos 30 (link para o post com todas as escolhas aqui). Também pretendo ler ao menos 6 livros em espanhol e participar de todos os meses do desafio do canal Aventuras na Leitura, cuja lista com as escolhas até julho vocês podem conferir no próprio canal da organizadora do desafio, clicando aqui

Este post na verdade é para falar dos 12 livros escolhidos para 2024, que não fazem parte dessas outras metas. 

Vou apenas listá-los aqui e ir atualizando o post conforme conclua as leituras ao longo do ano, se concluir.kkkkk Foram livros escolhidos com base no fato de já ter desejado iniciar as leituras outras vezes e não ter conseguido. Histórias que quero muito ler. E que pretendo que me acompanhem neste "retorno a mim mesma" que quero concretizar em 2024. 

-> 12 livros para 2024:

1. Os Tambores do Outono - Diana Gabaldon
2. Purgatório - Dante Alighieri
3. Paraíso - Dante Alighieri
4. Escravidão - Vol. II - Laurentino Gomes
5. Escravidão - Vol. III - Laurentino Gomes
6. Os Mistérios de Sir Richard - Julia Quinn
7. Corte de Névoa e Fúria - Sarah J. Maas
8. Corte de Asas e Ruínas - Sarah J. Maas
9. Uma Noite Escura - Elizabeth Gaskell 
10. Que Falta Você me Faz - Harlan Coben
11. Violeta - Isabel Allende
12. Vamos comprar um poeta - Afonso Cruz


E é isso, queridos!

Até breve!

Bjs!

25 de dezembro de 2023

Esaret (Cativeiro) - Telenovela turca


 Está aí uma novela que o GloboPlay precisa exibir com URGÊNCIA....



Olá, queridos!

Eu disse que estava de volta!rs Seria bom voltar falando de livros, claro, mas como fiquei um tempo afastada da leitura, lendo bem pouco e não finalizando a maioria dos livros... Decidi falar de outra das minhas grandes paixões: as novelas! E hoje vamos conversar sobre uma novela turca em especial: Esaret, que em tradução livre significa Cativeiro

Quem me conhece deve pensar que só posso estar louca para ter resolvido assistir uma novela tão pesada e cheia de cenas inaceitáveis. E talvez eu esteja um pouquinho...rsrs

Mas, falando sério, não estava nos meus planos ver Esaret. Nos últimos anos, quando se tratava de novela/série turca, eu preferia as comédias românticas, justamente porque os turcos sabem bem como fazer novelas pesadas, de nos deixar em prantos. Até mesmo as comédias românticas deles possuem cenas bem dolorosas, quanto mais as outras! Dolunay (belíssima novela, que recomendo MUITO) que o diga, pois em muitos momentos em vez de nos fazer rir e sonhar acordada, nos faz chorar. Mas tem final feliz e cenas mágicas! Enfim... É linda! Sempre recomendo Dolunay para todo mundo! :D

Só que o Youtube, que sabe que amo novelas turcas (risos), cometeu o desatino de me indicar Esaret. Toda vez que eu acessava o Youtube para ver vídeos de livros, de outras novelas ou mesmo um clipe musical, lá estava Esaret entre as indicações. Era só eu navegar pelo Youtube. E aí como água mole em pedra dura, tanto bate até que fura... Eu comecei a clicar nos vídeos para ver as cenas tão recomendadas pelo aplicativo. E o estrago foi feito. :( Resolvi ver o primeiro capítulo. E foi perdição total. 

Esaret já nos deixa com um pé atrás com o seu título. Seria recomendável assistir uma novela chamada Cativeiro? E turca ainda por cima (lembrando que as novelas turcas nos deixam em prantos mesmo quando o título não é cativeiro.kkkkkk)???!!! A resposta é NÃO. Mas a gente assiste mesmo assim!kkkk

A série nos apresenta a história de Hira e Orhun, dois personagens completamente opostos que se encontrarão por uma armadilha do destino. Enquanto Hira jamais soube o que era ter uma família e liberdade... tendo crescido como escrava num país estrangeiro, Orhun é dono de um império, pertencendo à uma das famílias mais respeitadas da Turquia, com suas tradições e costumes, habituado a ser atendido em seus mínimos desejos e não valorizar o que tem. 




Tendo sido educado por uma mãe que considera a linhagem como algo primordial e que é completamente inaceitável se misturar com os empregados, que nunca devem olhá-los nos olhos e devem vê-los como deuses na Terra, Orhun não sabia o que era ser contrariado ou não ter algum dos seus desejos atendidos. Era arrogante e via os empregados como servos. Indestrutível, insensível, intocável... Um autêntico Demirhanli da cabeça aos pés, exceto por um ponto fraco: seu imenso amor pelas irmãs. Sua fraqueza. 

Irmão gêmeo de Nihan, uma jovem médica idealista, que não acreditava em superioridade baseada em linhagem, nome ou dinheiro, ficava furioso com o seu comportamento descuidado, ao arriscar a própria vida para salvar um gatinho, por exemplo, ou abrir mão de todo o luxo para proporcionar atendimento médico às pessoas carentes. E não pôde ficar mais contrariado ao não conseguir forçá-la a desistir da absurda ideia de ir para o continente africano, trabalhar para uma população extremamente necessitada, onde os cuidados médicos eram escassos. 

Com a intensificação dos conflitos existentes na Eritreia, país africano no qual Nihan estava trabalhando, Orhun decide largar tudo para buscar sua irmã, nem que fosse à força, pois não poderia permitir que ela ficasse no meio de uma guerra da qual não fazia parte, quando podia estar sã e salva em seu país, em sua casa. Mas chega tarde demais... Tarde demais para trazê-la com vida. 

Com seu coração bondoso e grande determinação, Nihan acaba atraindo a atenção de traficantes de escravos e medicamentos, visto que ela não só garantia que as medicações não "desaparecessem", como ainda atendia as pessoas escravizadas e passou a nutrir um grande carinho por Hira, escrava estrangeira, da mesma nacionalidade que ela, a quem prometeu que daria um jeito de tirá-la dali. 




O caminho de Hira e Orhun se cruza no deserto, quando ela tenta fugir de seu "dono" e é perseguida por ele e seus capangas. Fraca e debilitada, acaba desmaiando e é salva por Orhun, que não conseguia entender de quê ou de quem ela estava fugindo, mas que precisava de ajuda. 

Após conseguir trazê-la de volta à consciência, é impactado pela dura realidade de que ainda existem pessoas escravizadas no mundo e não consegue simplesmente deixar que a levem de volta. É então que ele a "compra" para dar-lhe a liberdade. 

Mas, como a vida nem sempre é bondosa, logo depois do seu repentino e surpreendente gesto de bondade para com uma completa estranha, ele recebe a notícia de que chegou tarde demais para salvar sua irmã. Que ela havia sido assassinada. 

Desesperado, ele vai até o local no qual se encontra o seu corpo, e é seguido por Hira, que não sabe o que é uma vida sem seguir ordens, sem estar sob o comando de alguém, pois desde criança era uma escrava e vê em Orhun não apenas o seu herói, mas também seu novo senhor... 

No local que servia como hospital improvisado, Orhun recebe a informação de que Nihan foi envenenada após comer um bolo que foi levado... por Hira. Por ordens de Cezzar, o tal traficante de escravos e medicamentos que era inimigo de Nihan. Hira era a escrava favorita dele (o que significava grandes maus-tratos) e a proximidade entre as duas aumentou a sua fúria, fazendo-o decidir por matá-la. Nada melhor do que utilizar a própria protegida da Nihan, de quem ela jamais desconfiaria. 

Tomado pela enorme dor de perder sua outra metade, a irmã por quem ele teria dado a própria vida sem hesitar, ele mata a tiros o mandante de seu assassinato e desconta em Hira o que resta de sua fúria e sofrimento (o que é muita coisa).



Então, queridos...rs Tentei resumir o início da história que tem, como vocês podem perceber, como temas centrais a escravidão e a vingança. 

De um lado temos o nosso anjo (quem assistir vai entender que ela é um anjo que desejamos proteger desde o primeiro capítulo), a jovem Hira, que só conheceu sofrimento em sua vida. Sendo tratada como objeto pelas pessoas para as quais trabalhou, que a escravizaram, que a fizeram se sentir como um nada. Desde a infância, após perder os pais num trágico acidente, a única vida que ela conhece é a de servidão, de sempre se anular e se tornar invisível para satisfazer as vontades dos outros. De sempre abaixar a cabeça e suportar quaisquer maus-tratos. Até que conhece Nihan... que a vê como um ser humano. Que a trata com gentileza e promete salvá-la. 

Quando Cezzar, seu "dono" (odeio essa palavra), manda que ela faça um bolo para presentear Nihan, Hira realmente acredita que é uma "bandeira branca", um gesto de paz. Que as intenções dele eram boas, pois não importava como era tratada, Hira sempre preferia acreditar que as pessoas tinham bondade dentro delas. Que qualquer um era capaz de ser bom, mesmo Cezzar. Ela não fazia ideia das reais intenções dele senão jamais teria levado o bolo até Nihan. 

Mas quando a irmã de Orhun é assassinada, a enfermeira do hospital e o outro médico a acusam abertamente. Dizendo para o nosso mocinho-vilão que ela fez sabendo exatamente o que fazia. Que ela atendia cegamente às vontades de Cezzar e que se ele mandasse ela matar, ela o faria sem remorsos. Acusações levianas de pessoas que nem sequer a conheciam de verdade. Mas Orhun acredita nelas. E decide que a fará pagar pelo resto de sua vida pela morte de Nihan. 

A liberdade que ele lhe deu quando a comprou para salvá-la???!!! Podem esquecer! Com a morte de Nihan, Orhun fica transtornado. Completamente louco... e cruel. Vocês pensam que aqui só vamos ter promessas de maldade? Que por ser o mocinho da série ele não vai fazer nada de ruim?! Pensem de novo!

Juntem a arrogância ao imenso sofrimento pelo assassinato à traição de seu ente mais querido, e terão uma mistura perigosa. 




Disposto a vingar a morte de sua irmã, Orhun leva Hira para a Turquia e para a mansão Demirhanli, na qual ela vai trabalhar como empregada doméstica como "fachada", mas que na verdade vai existir como escrava, a quem ele pretende torturar até o último respiro. E como eu disse, queridos leitores, aqui não temos apenas ameaças vazias. Orhun nunca vai bater na Hira ou abusar sexualmente dela, como acontece em algumas novelas e livros e depois temos o "felizes para sempe" como se nada tivesse acontecido. Não existirão cenas assim. Em geral, ele age como defensor dela quando alguém tenta agredi-la de algum modo. Sim, na maior parte dos momentos o Orhun é puro paradoxo. 

Não existirão cenas desse tipo. Mas, Luna, você já assistiu todos os episódios? Não.rs Estou no episódio 44 de uma série que já tem mais de 200 episódios, mas eu sou aquela que pega spoiler, lembram? Então sei que cenas assim não existirão e Orhun descobrirá a verdade sobre a morte da irmã no epísódio 50, quando então deixará de torturar nosso anjo e começará a agir como um cão arrependido sem saber como viver consigo mesmo e as lembranças de tudo o que a fez sofrer. 

Mas voltemos um pouco...rsrs Embora não existam cenas daqueles tipos de violência frequentes em certas histórias "de amor", Esaret possui muitas cenas de violência e crueldade. Orhun nunca dará um tapa nela, mas vai amarrá-la e deixá-la trancada num local úmido e escuro, apertar seu braço, empurrá-la, quase sufocá-la fazendo-a comer as comidas favoritas da Nihan, vai deixar que ela quase se afogue na piscina, após ela cair (ela não sabe nadar), sem contar as inúmeras torturas psicológicas. As piores coisas acontecem nos primeiros dias após a morte da Nihan, quando o ódio e a dor estão mais fortes. 

Conforme o tempo passa e a dor "acalma", o Orhun passa mais a suportar a presença da Hira do que torturá-la. Está sempre de cara fechada para ela e olhares assassinos, mas é meio como se passasse a evitá-la para não ser "obrigado" a seguir se vingando. Porque na verdade ele não quer. Como eu disse, ele é um paradoxo. E vocês irão odiá-lo pela forma como ele irá tratar nossa Hira, mas ao mesmo tempo vão sentir pena. E depois... antes mesmo da verdade vir à tona... vão ficar confusos com muitas cenas.

Querem um exemplo? Vejam as cenas deste belíssimo vídeo feito por uma fã (tem que clicar para ver no Youtube, pois não permite a exibição diretamente pelo blog):




Estes são apenas alguns dos vários momentos nos quais, mesmo acreditando que ela é a assassina de sua irmã, o Orhun vai tentar protegê-la e salvá-la da vingança de outros. Em alguns momentos ele precisa lutar contra si mesmo para evitar ser gentil com ela, cuidar dela mais abertamente. Ele luta para seguir sendo ruim, quando quer simplesmente desistir da vingança. É tudo muito louco e doloroso para nós fãs e para ele, mas claro que principalmente para nossa Hira. 

Hira é uma mocinha rara. Ela tem uma bondade e pureza que contagia os fãs e nos fazem querer protegê-la. Não é como se ela fosse simplesmente "bobinha", sabe. Não é assim que ela é. Hira é luz. É uma pessoa que sempre tratou as pessoas com gentileza mesmo quando elas não mereciam. Que prefere não acreditar na maldade, mas sim que todos possuem um lado bom e fazer sua parte para ajudar os outros, mesmo que só vá receber desprezo e ingratidão em troca. Ou incompreensão. Porque sua atitude gentil diante das piores situações faz com que vários dos personagens sintam inveja e acreditem que ela finge, que ela é ardilosa ou algo do tipo. Quando ela é apenas assim. E a atriz é tão brilhante que nada parece forçado. Que o telespectador acredita na bondade e inocência da Hira. Como se ela fosse real. 

Se você parar para ler os comentários em seja qual for o vídeo do Youtube sobre a novela, sempre vai ver comentários muito positivos sobre a Hira. Ela atingiu imensamente o público. E muitas vezes seguimos assistindo por ela e não pela suposta história de amor da novela. 

E falando em suposta história de amor... O Orhun pode ser cheio de contradições, lutar contra si mesmo, se forçar a se vingar e pode até ter a razão dele diante da morte injusta e cruel da irmã. Mas... Se olho para tudo o que a Hira já passou nas mãos dele.... Tudo o que ela sofreu sem poder se defender, sem ninguém que pudesse ajudá-la... Não consigo ver uma história de amor. Não consigo me ver perdoando-o. Claro que a Hira vai perdoar. Ela não sabe ser diferente. Ela acredita que todos merecem perdão, acredita que todos podem ser bons, que a vida é ajudar as pessoas. Ela vai perdoá-lo bem fácil, não tenho dúvidas. Mas não sei se eu irei. No momento, não sinto a menor vontade. 



Esta cena é linda, não é verdade? Do Orhun secando os cabelos da Hira com tanto cuidado. Se vocês assistirem a cena vão ficar ainda mais contagiados. Mas se tiverem visto a novela desde o início vão lembrar imediatamaente de uma outra cena. A mesma cena que a Hira recorda ao ser surpreendida pela súbita gentileza do Orhun. E a outra cena não é nada bonita, queridos. Por mais gentil que ele venha a ser, não poderá apagar todo o mal que lhe fez. Ele precisaria nascer de novo. E mesmo assim teria que comer o pão que o diabo amassou e dançou em cima para poder merecer algum perdão. 

Entendo a dor dele? Claro que sim. Nem posso imaginar quanto sofrimento a morte de sua irmã lhe causou. Mas nada justifica o mal que ele vai causar à Hira, até porque ela diz várias vezes que não sabia que o bolo estava envenenado, que nunca colocou veneno algum ali, que jamais faria algo assim com a irmã Nihan (ela via a Nihan como a irmã que nunca teve). E é muito fácil para qualquer pessoa ver que a Hira seria incapaz até de matar um inseto quanto mais uma pessoa. E muitos personagens vão se aproveitar justamente dessa bondade e inocência dela para prejudicá-la. Como é que o imbecil não enxergou? Por que não acreditou? 

Tudo bem. Ele poderia não ter acreditado nela no início, mas a Hira vai entrar na frente dele para protegê-lo de um tiro. A bala não era contra a nossa mocinha. Era contra ele. E ela recebe o tiro em seu lugar. No lugar de seu torturador. E mesmo assim ele segue em frente com a tortura, infernizando a vida dela! Ele não merece perdão. 

Depois de tantos spoilers, vocês talvez nem queiram mais ver a série... Mas eu digo que a recomendo MUITO!!!kkkkkk Tudo o que eu contei é só o início da série. São muitos episódios, várias reviravoltas e interpretações maravilhosas! Os atores que interpretam Hira e Orhun são perfeitos! Eles nos provocam uma confusão de emoções. Uma hora estou rindo, outra hora estou chorando e em outro momento estou rindo e chorando ao mesmo tempo.kkkkkkk 

A Hira eu adotei desde o princípio. Queria poder protegê-la das cobras que existem nesta novela. A Nursah, irmã mais nova do Orhun, é outra personagem encantadora, sem mencionar outros personagens que roubam as cenas e nossos corações... Como Meryem, Kenan e Nefes, por exemplo...



Meryem e Kenan, casal secundário da série, tiveram um relacionamento em sua juventude, mas ela foi forçada pelo pai a se casar com outro homem, sem nunca ter contado a verdade a ele, que sempre acreditou que foi traído. 

Anos mais tarde, prisioneira de um marido violento e cruel, Meryem tenta proteger sua filha, a pequena Nefes, da realidade de suas vidas, até que o destino resolve salvá-las... quando seu marido morre vítima de um acidente. 

Sem dinheiro e um teto onde morar, Meryem volta para a casa dos pais, no mesmo bairro no qual Kenan ainda reside. Agora um advogado que faz do Direito o meio de ajudar as pessoas que mais precisam, jamais se esqueceu de Meryem e da enorme dor que ela lhe provocou ao trair tudo o que viveram e sonharam juntos. Ao tê-la de volta no bairro, e morando bem próxima de sua casa, não sabe como irá fazer para suportar todas as lembranças que seu retorno desencadeiam. E tudo piora quando descobre não só que ela teve uma filha com o marido, como que também colocou na criança o nome que eles pretendiam dar à filha que sonharam no passado. 

Só que ao conhecer a pequena Nefes, seu coração se enche de ternura. A conexão entre os dois é imediata e a partir desta relação é aberto o caminho para um reencontro entre dois corações que nunca deixaram de se amar. 

O que falar desses três? Sim, não tenho como falar de Meryem e Kenan sem falar da pequena Nefes. Uma menina adorável, que teve parte de sua infância prejudicada pela maldade do pai, que a assustava terrivelmente, agredia a sua mãe e a fazia se esconder quase sempre debaixo da cama e fazer xixi nas calças. Nefes tinha todos os motivos para acreditar que os homens eram maus, ainda mais quando vê no avô comportamento bem semelhante ao de seu pai. Mas Kenan lhe mostra que existem homens bons, em quem ela pode confiar. Ao ponto de nossa pequena desejar ter nascido filha dele. 

A relação dos três é muito linda! Aqui temos o completo oposto do Orhun. Kenan acredita que foi traído pela mulher amada. E tenta odiá-la por isso. Chega a dizer coisas bem afiadas para ela, de fazê-la chorar. Mas bastava ela precisar de ajuda para o que quer que fosse, e ele estava ali. A ajudou em muitos momentos e situações que outro homem, diante do que ele viveu com a suposta traição dela, não teria ajudado. Mas Kenan é bom. Ele não sabe nem quer ser diferente. Podia ter muitos motivos para querer Meryem fora de sua vida, mas não queria que ela sofresse. Não queria que ela passasse por dificuldades. As coisas que este homem faz!!! Suspiros... Eu o amo! A pequena Nefes está mais do que certa de querê-lo como pai. Ele é perfeito com a pequena. Vindo a ocupar, mesmo sem querer um relacionamento com a Meryem, a posição de pai na vida da Nefes. Ele a adota em seu coração. É capaz de tudo por ela. Como não amar este homem?!

Torço tanto por este casal! Para que possam ser felizes com a Nefes, serem uma família. E peguei um spoiler do qual não quero falar. Quero sonhar... Sonhar com os três. Eles nasceram para serem uma família. São belissimos juntos!


E é isto, queridos! Amo esta novela!kkkkk Mesmo com todas as cenas dolorosas, todas as lágrimas que me provoca.... É uma novela que invade nossas vidas e nos arrebata. Os atores são brilhantes. Tornam tudo muito real. E quero sim que ela tenha um final feliz. Quero que a Hira seja feliz, mesmo que seja com o Orhun, por mais que ele nunca vá ser digno de alguém como ela. Mas quero que ela seja feliz, muito feliz! E quero que Meryem, Kenan e Nefes também sejam muito felizes! Eles roubaram meu coração. 

Vou torcendo para que o GloboPlay perceba o enorme sucesso que esta novela faz fora e dentro do Brasil (mesmo que vejamos por canais não oficiais até que tenha uma exibição oficial aqui) e decida exibi-la em sua plataforma. Quero muito vê-la no GloboPlay. E por quê? Porque atualmente é a única plataforma de streaming no Brasil que está investindo na exibição de telenovelas turcas. Então, só posso esperar isso dela. A Netflix exibe uma ou outra. O Prime Video também. Nenhuma das duas ainda acordou para investir intensamente neste tipo de série, apesar de agradar tanto o público quanto as séries coreanas. 

Feliz Natal, amados! Que seja de luz e muito amor! 

Bjs!


24 de dezembro de 2023

De volta (e um desabafo...)

 



Olá, queridos!

Sim. Eu desapareci... De novo! Minha última postagem data de 25 de junho do presente ano. Acredito que nunca antes fiquei ausente do blog por tanto tempo. 

Eu queria muito aparecer antes, pelo menos uma vez por mês, mas me deixei levar pelo excesso de responsabilidades, obrigações e deixei de viver para mim mesma. O preço foi bem alto. Além de ter me afastado da leitura e de tudo o que me dava prazer, me deixava mais leve, tive como consequência mais grave a piora de dois problemas que eu já tinha (depressão moderada e ansiedade generalizada). Os últimos meses foram terríveis. 

E depois de ter parado na emergência duas vezes num curto período de tempo, de não mais conseguir dormir e estar em paz um só instante do dia, decidi pedir férias do meu emprego. Finalmente acordei e entendi que não estava doente só pelo luto pela morte da minha princesa Luana e por meus problemas pessoais. 

Sentei e analisei que muitos dos momentos de crise intensa coincidiam com períodos de maior carga de trabalho, prazos e obrigações. Eu estava sobrecarregada no trabalho e me sobrecarregava fora dele, pois quando o expediente terminava, eu não conseguia parar de pensar que não tinha cumprido todos os prazos, não tinha respondido todos os e-mails e atendido a demanda de todos os clientes. Mas não entendia que era uma só pessoa e não adiantava tentar exigir de mim mesma mais do que eu era capaz de fazer. 

Depois de ter precisado recorrer a medicação SOS para conseguir dormir (e mesmo assim dormir muito mal), pedir minhas férias (meu direito) foi atender a um pedido de socorro da minha mente e da minha alma. Eu reconheci que embora na maior parte do tempo goste muito do meu trabalho (embora algumas situações estejam me entristecendo e decepcionando), estava precisando de uma pausa senão não iria aguentar. O Burnout existe aí e não quero chegar ao ponto de ser atingida por ele. Lidar com a depressão e a ansiedade já é bem difícil. Já é sofrimento suficiente. Quem passa por isso sabe bem como é...

E por que estou falando de tudo isso? Primeiro porque lhes devia uma explicação pelo meu longo desaparecimento daqui. Sei que hoje em dia as pessoas quase não acessam blogs, tudo é Youtube, Instagram ou TikTok, mas ainda tenho leitores fiéis aqui. E este sempre será o meu cantinho querido. Não consigo me adaptar às outras redes sociais, de compartilhamento de literatura. Me sinto bem quando escrevo no blog. Me sinto em paz aqui. Sempre serei uma "blogueira literária", mesmo quando ninguém mais parar para ler um post em blog. O blog faz parte de mim. O Emoções à Flor da Pele é como uma extensão de mim mesma. Estar distante doía. 

O segundo motivo para eu estar falando de esgotamento físico e mental por conta de excesso de trabalho, depressão e ansiedade, é que tais temas precisam deixar de ser tabus. Assim como as doenças do corpo, as doenças da mente precisam ser reconhecidas e tratadas. Houve uma época da minha vida em que eu me negava a dar importância para o que a minha mente "sentia" e como isso se refletia em tudo. Eu acreditava de verdade que não era algo tão importante e que podia resolver sozinha, bastava desviar a mente para outros assuntos, me ocupar e só dormir quanto estivesse bem cansada, sem conseguir mais ficar de olhos abertos. Mas depois de algumas crises bem dolorosas vividas neste ano, quando parecia que eu iria enlouquecer de tanta dor e estive bem perto de desistir da vida, eu disse para mim mesma que assim como trataria uma infecção com antibiótico, era preciso tratar as doenças da mente com as medicações certas e a terapia necessária. Desde então venho me tratando. Não é fácil. Nada fácil. Mas desistir não é o que quero. Embora a depressão diga que a morte é o "alíviio" e a ansiedade muitas vezes me impeça de enxergar as coisas como realmente são, sei que não sou essas doenças. Que elas não podem mudar ou anular o que realmente sinto e sou. A vida é linda, mesmo com todas as decepções, obstáculos e sofrimentos que fazem parte dela. 

Respirar é belo. Olhar os pássaros cantando... Ouvir o barulho do mar, sentir o calor dos meus gatinhos, que são meus filhos de coração, não tem preço. São momentos preciosos. Nos piores momentos vividos neste 2023 foi a conexão com a natureza que me trouxe de volta do desespero, que me fez retomar o controle e tentar de novo. A natureza, os animais, as plantas... Me salvaram muitas e muitas vezes este ano. 

Eu sou um ser humano. E durante muito tempo me vi mais como uma máquina do que como uma pessoa. Deixava de dormir para trabalhar. Meu expediente vai até às 18:00 horas, mas já aconteceu de eu sair 19:30h, 20:00 e até mesmo 21:00h para tentar dar conta de coisas que ultrapassavam em muito o trabalho que podia ser feito por uma pessoa só. Graças a Deus, agora tem outra pessoa trabalhando no mesmo setor que eu, alguém com quem poderei dividir tudo igualmente. E é o que pretendo fazer ao retornar das férias. Deixar de assumir todas as responsabilidades e facilitar sempre para os outros. Eu preciso me respeitar. Preciso cuidar da minha saúde física e mental. Delegar é necessário


Algumas vezes falei de temas complexos aqui no blog. Temas importantes e recebi comentários e e-mails de pessoas que disseram que precisavam justamente ler aquilo. Como aconteceu no caso da resenha do livro No Escuro, por exemplo, quando falei de violência doméstica. 

Nem sempre dá para falar apenas de temas fáceis e leves. Este desabafo além de servir para aliviar minha própria alma, espero que também possa te ajudar caso você esteja passando por aqui e precisando ler algo assim. 

Querido, trabalho nenhum vale sua saúde mental. Às vezes não é nem questão de mudar de emprego, mas de estabelecer limites. De entender que você não é uma máquina, que não pode ir além dos seus limites, que tem uma vida para além do trabalho. Às vezes é preciso sentar e refletir para perceber o que não está mais funcionando e mudar o que seja preciso mudar. A vida é única. Só se vive uma vez. Se permita respirar, viver... Se permita olhar para dentro de si mesmo. Se cuide muito!


Em breve trarei posts de livros, novelas e séries! :) 

Estou realmente de volta! Não mais vou abrir mão do meu querido cantinho!

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