11 de maio de 2020

A Arte da Guerra - Sun Tzu

Literatura Chinesa
Título Original: Sun zi bing fa
Tradutor: André da Silva Bueno
Editora: Jardim dos Livros
Edição de: 2011

25ª leitura de 2020

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: O maior tratado de guerra de todos os tempos em sua versão completa em português. A Arte da Guerra é sem dúvida a Bíblia da estratégia, sendo hoje utilizada amplamente no mundo dos negócios, conquistando pessoas e mercados. Não nos surpreende vê-la citada em filmes como Wall Street (Oliver Stone, 1990) e constantemente aplicada para solucionar os mais recentes conflitos do nosso dia-a-dia. Conheça um dos maiores ícones da estratégia dos últimos 2500 anos.



Luna, ficou louca?! O que te levou a ler esse livro, criatura??!!! Sim, eu estou louca. Já era um tanto surtada antes desta pandemia, mas agora as coisas ficaram críticas.

Falando sério agora: não estou nada bem com todo este terror que estamos vivendo. Muitas vezes me pego acreditando que estou apenas tendo um terrível pesadelo e que logo irei acordar. Mas, infelizmente, sabemos que tudo isso é real. Milhões de pessoas foram infectadas no mundo todo. Milhares de pessoas morreram, milhares de sonhos interrompidos, milhares de famílias chorando a dor de perder seus entes queridos. Milhares de pessoas que nem puderam se despedir daqueles que amam. Isso tudo é real. Não é histeria da mídia. Não é uma farsa. É real. Então, FIQUE EM CASA!!! Só saia se você realmente precisar, só se for necessário!!! Se não for por você, fique em casa por quem você ama, por quem você quer que continue vivo. Essa doença não escolhe idade, cor, religião, classe social, nada! Ela atinge todo mundo. Fique em casa!!!

Por que você está falando isso, Luna? Você já tinha falado do assunto antes. Sim, eu tinha decidido não ficar falando da pandemia em cada resenha, pois sei que, assim como eu também faço quando leio outros blogs ou assisto vídeos nos canais, muitos leem as resenhas para se distrair, para esquecer um pouco esta realidade cruel que estamos vivendo. Mas ontem o Brasil atingiu mais de 11 mil mortes. E isso sem que contemos aqueles que morreram sem terem feito os exames, aqueles que nunca entrarão na lista, mesmo que tenham morrido dessa doença. Já são mais de 11 mil mortes oficialmente! E muita gente continua agindo como se nada estivesse acontecendo! Está acontecendo!!! Pessoas estão perdendo suas vidas! E tudo o que você precisa fazer para que a situação não fique pior, é ficar em casa, se puder!!! Não tem leitos para todo mundo. Não tem respiradores para todo mundo. Ontem foi Dia das Mães. Quantas mães perderam seus filhos para essa doença maldita? Quantos filhos perderam suas mães? Eu sei que morrem pessoas todos os dias, de diferentes causas, e toda dor causada por uma perda é insuportável. Mas em relação ao coronavírus, você pode fazer algo para ajudar: você só precisa ficar em casa. Sei que têm pessoas que não podem ficar em casa, mas quem puder, por favor, por favor, fique em casa! Não é hora de pensar só em si mesmo. É hora de pensarmos no próximo. De colocar em prática o que Jesus nos ensinou: amar ao próximo como a nós mesmos. E se amamos o nosso próximo, nós cuidamos! E mesmo que você seja de outra religião, ou até mesmo se não tiver religião: amar ao próximo, não pensar apenas em si mesmo é simplesmente fazer o Bem. É básico, é fundamental. Praticar o bem não depende de nenhuma religião.


Ok. Vou respirar fundo e tentar fazer esta resenha. Não estou em condições de falar de livro nenhum hoje, mas vou tentar. Porque também é uma forma de me distrair, de aliviar um pouco o coração. Embora falar de A Arte da Guerra seja algo complicado e eu não saiba nem por onde começar.rs

Já tinha ouvido falar muito deste livro e visto citações dele em vários lugares, mas nunca levei a sério a ideia de lê-lo, assim como só falo que vou ler O Príncipe, de Maquiavel, mas no fundo não tenha real intenção de ler. Só que um dos temas do Desafio Literário Livreando de 2020 é ler um autor chinês. E eu não tinha nada na lista. Aí lembrei do tal A Arte da Guerra e decidi que me obrigaria a lê-lo. Gostei? Não exatamente.

"A Lei da Guerra se baseia no engano."

O livro foi escrito séculos antes de Cristo. Não encontrei uma data certa, mas pelo que parece foi uns quatro séculos a.C. É uma obra de Sun Tzu (que ninguém sabe se existiu de verdade) e tinha como objetivo dar conselhos, instruções para se vencer uma guerra, para sair vitorioso sempre. São estratégias de guerra, estratégias militares. Ou seja, o tipo de livro que não é para mim, até porque não suporto guerras. E ver técnicas de engano e manipulações nesta obra não me agradou nada. Embora isso não me impeça de perceber o quanto é inteligente e veja que muitas dessas técnicas acabam sendo empregadas e úteis em outras áreas da vida de uma pessoa.

As estratégias presentes nesse livro são, hoje em dia, muito utilizadas no meio empresarial, pelo que li. Mas podem ser utilizadas por qualquer pessoa. Como qualquer livro, você pode absorver o que lhe faz bem, o que lhe é útil e descartar aquilo que não lhe serve. Eu descartei quase tudo.kkkkk

"Se as tropas inimigas estão em ordem, tente bagunçá-las; se estão unidas, semeie a discórdia."

Ao ler este livro conseguimos perceber como tanta coisa escrita nele é utilizada amplamente, até mesmo na política. Às vezes achamos que uma atitude de um político é pura tolice, mas na verdade ele sabe exatamente o que está fazendo, faz parte da estratégia dele. Cada passo é calculado. E o que muito já vimos ser praticado: a discórdia, a separação da população. É dividindo que se conquista, não é mesmo? E a população em vez de se unir, independentemente de opinião ou posição política, se deixa dividir. Sempre.

"Conheça a si mesmo e ao inimigo e, em cem batalhas, você nunca correrá perigo."

O trecho acima é um dos poucos com os quais eu concordo. Em tudo na vida, é necessário que conheçamos a nós mesmos, nossas qualidades e defeitos, nossos pontos de força e fraqueza. Bem como é importante que saibamos quem são as pessoas ao nosso redor. Para não permitirmos que o outro utilize nosas próprias qualidades e defeitos contra nós. Para não nos deixarmos enganar ou sermos manipulados. Também concordo e tentarei levar pra vida o trecho que diz: "Utilize a ordem para enfrentar a desordem, utilize a calma para enfrentar os agitados." 

O livro é bem curtinho e dá para ler em um dia. As instruções contidas nele são divididas em 13 capítulos, cada um com um título importante dentro do contexto da estratégia militar. É um clássico e reconheço seu valor, até mesmo, como eu disse, absorvi o que considerei bom, mas não é um livro que eu voltaria a ler.

"Uma pessoa com raiva pode recuperar a serenidade, e o ressentido pode ser apaziguado, mas um Estado arruinado não se recupera, e os mortos não podem voltar à vida."

Este último trecho é forte e nos serve para refletirmos... Sobre muitas coisas.


-> DLL 20: Um livro de autor chinês


30 de abril de 2020

O Mapa de um Desejo Impossível - Anuradha Roy

Literatura Indiana
Tradutora: Maria Fernanda Abreu
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2009
Páginas: 336

24ª leitura de 2020

Sinopse: Uma fotografia que se recusa a ficar parada. Retratada nela, uma casa que parece flutuar em um rio caudaloso de águas escuras... Com essa bela e instigante metáfora de sua própria narrativa, Anuradha Roy inicia o relato da história de três gerações de uma família bengalesa, de seus desejos e amores, seus dramas e correntezas mais profundas. Tudo começa na pequena cidade indiana de Songarh, onde Amulya e a esposa, Kananbala, constroem sua casa junto a um rio, com um belo jardim e um poço profundo, que nunca seca. Ali, a família vê crescer o número de vizinhos na rua pouco movimentada, envelhece, fala sobre amenidades durante o jantar... Certo dia, em 1927, Amulya salva Mukunda, uma criança nscida da relação entre o filho de um emprgado seu e uma moça de uma tribo, deixando-o num orfanato. Nesse meio-tempo, Nirmal, filho caçula de Amulya, casa-se com shanti, cuja casa paterna, em Manoharpur, também se situa às margens de um rio. É nessa casa que Shanti morre ao dar à luz Bakul. Quando a menininha está com quatro anos, Nirmal traz para a casa da família o garoto Mukunda, agora com seis anos. Apesar da oposição ferrenha de seu irmão e sua cunhada, uma vez que ninguém sabe a que casta o menino pertence, Mukunda passa a viver com eles, morando numa cabana no quintal e cuidando das tarefas domésticas. Bakul e Mukunda tornam-se amigos inseparáveis, mas, quando chegam à adolescência, essa amizade vai se transformando num sentimento mais profundo e as manobras familiares conseguem enfim afastar o rapaz da casa. Treze anos vão se passar até que Bakul e Mukunda voltem a se encontrar. E, a essa altura, a vida de todos mudou radicalmente. 



Um livro do qual eu pensei em me desfazer várias vezes. Eu o tinha adquirido através de uma troca em junho de 2013 e nunca sequer tinha ouvido falar da história. Creio que, na época, o que me chamou a atenção foi a capa melancólica, mas nem passou pela minha cabeça colocá-lo logo na lista de leituras. Simplesmente fui deixando o tempo passar... Cheguei a separar o livro algumas vezes, no intuito de trocá-lo ou doá-lo. Até o tirei da estante... Mas sempre sem entender o motivo, voltava atrás e decidia mantê-lo comigo. Talvez, bem lá no fundo, eu soubesse que não poderia abrir mão deste livro sem lê-lo. Talvez sentisse que ele se tornaria especial na minha vida. Que me marcaria

"Um dia ela desapareceria entre as árvores de verdade, e ninguém nunca mais a encontraria."

Não sei como falar de um livro tão complexo e intenso. Tão cheio de camadas, de dramas familiares, de escolhas equivocadas... Três gerações de uma mesma família. Mais de quarenta anos de uma história contada em 336 páginas. Ainda estou impressionada com o talento da autora em ter criado algo tão profundo, percorrendo tantos anos, em tão poucas páginas. Por incrível que pareça, elas foram suficientes...

Tudo começou em 1907. Amulya, sem se importar com a opinião de sua jovem esposa, resolveu se mudar de Calcutá para a pequena Songarh e ali estabelecer-se, construindo uma bela e sólida casa, que sobreviveria, quase sem deterioração, ao passar dos anos e guardaria em suas sombrias paredes os segredos daquela família. Aquele foi o começo do fim de Kananbala, a esposa de Amulya. O fim dos seus sonhos, das suas ilusões. Mas o início da história de seus dois únicos filhos: Kamal e Nirmal, que cresceriam juntos e cujos laços de sangue seriam colocados à prova pelos caminhos da vida. 

24 de abril de 2020

Um Pequeno Milagre - Carol Marinelli

Literatura Inglesa
Título Original: One Tiny Miracle
Tradutora: Fabia Vitiello
Editora: Harlequin
Edição de: 2014

23ª leitura de 2020

Sinopse: O renascer da alma. Passaram-se quatro anos desde que o médico Ben Richardson perdera sua esposa grávida. Mas ele ainda não conseguira superar a dor. A fim de buscar um recomeço, aceitou trabalhar na emergência. Um dia, durante uma caminhada pela praia, ficou estarrecido ao ver uma bela grávida. Logo descobre que ela se chama Celeste, e que é enfermeira no hospital onde Ben trabalha. Ficar perto dela era uma constante lembrança de todo o sofrimento que passara. Por isso, decidiu manter-se distante. Entretanto, Celeste enfrentava sozinha uma gravidez de risco, e Ben sabia que precisava ajudá-la. Presenciar o milagre do nascimento da filhinha de Celeste o faz perceber que ele ainda pode ser feliz... se estiver preparado para entregar o seu coração. 



Recentemente eu fiz a resenha de Amar Outra Vez, minha primeira experiência com um livro da Carol Marinelli. Claro que depois de ter amado tanto aquele livro eu não demoraria muito em mergulhar em outra história da autora! :)

Ler Um Pequeno Milagre foi conforto e dor, uma mescla confusa dessas duas sensações, pois é uma história com uma carga emocional tão forte quanto a de Amar Outra Vez. Enquanto no livro anterior o casal protagonista passou por uma dor insuportável que destruiu seu casamento e os manteve separados por DEZ anos... Aqui nesta história temos um mocinho completamente destroçado pela morte da mulher que ele amava. Ela estava grávida, perto de dar à luz, quando uma dor de cabeça, aparentemente sem importância, a matou em minutos. É desesperador ler a cena na qual ele relembra o momento em que chegou em casa, após um plantão no hospital, e a encontrou já sem vida. Ambos eram médicos e aquela gravidez foi cuidadosamente planejada, era o sonho de suas vidas, tudo o que mais queriam. Mas além de perder a mulher que jamais deixaria de amar... perdeu também a sua filhinha, que ele nunca sequer teve o direito de pegar em seus braços. 

"Ele ainda queria correr, mas não havia praia longa o bastante, nem um universo que pudesse conter a dor que o dividia no meio."

Ao longo dos quase quatro anos após aquele dia tão traumático, Ben praticamente não viveu. Apenas sobrevivia e cumpria as suas obrigações. Seus familiares e amigos queriam que ele retomasse o seu ânimo de antes, que voltasse a ser a mesma pessoa.... Mas como passar por duas perdas tão grandes e simplesmente voltar a sorrir? Como deixar Jen e sua filhinha descansarem? Ele não conseguia dizer adeus. 

Mas um dia, aparentemente igual a todos os outros, Ben sentiu algo diferente. O mundo parecia ter cores novamente. Os pássaros, o mar... tudo parecia conspirar para que ele voltasse à vida. E foi o que ele fez... até certo ponto, é claro. Se mudou, alugou um apartamento e assumiu a posição de médico da emergência de outro hospital, distante do seu antigo ambiente. Agora aguardava o leilão da casa que tanto desejava comprar, seu novo sonho... Tudo estava "perfeito". Ele tinha recomeçado... Não era verdade?

Foi passeando pela praia, próximo à sua futura nova casa, que ele a viu pela primeira vez. Ela era tão linda, tão cheia de vida, mas poucos instantes depois ele percebeu que algo estava errado. Ao vê-la de frente não só percebeu que ela estava bem grávida, como também estava sentindo dor. Aquele foi o início de um verdadeiro recomeço... Algo que Ben ainda não fazia a menor ideia... 

E ele lutaria... Com todas as suas forças. Celeste podia ser linda e estar claramente precisando de apoio. E sim, ele estava disposto a ser seu amigo e ajudá-la em tudo o que fosse possível. Mas não podia amá-la. Não iria amá-la... Não podia substituir a mulher e a filha que perdeu. Não podia....

"Ele queria arrancá-la dali, salvá-la da maré que avançava, mas estava com medo demais. Medo de amá-la. Só que, de certa forma, ele já a amava."

Mas às vezes... Não se trata de substituir... Simplesmente é preciso deixar ir quem se ama e guardar todos os momentos bons no coração... Porque ao continuar a viver finalmente daria ao ente querido a oportunidade de descansar... Ben nunca deixaria de amar Jen e a filha que se foram de maneira tão triste. Seriam sempre seu primeiro amor. Mas merecia se dar o direito de ter um novo amor... Ele só precisava entender isso...

Foi doloroso, mas também lindo acompanhar esta história. Ben e Celeste são dois personagens tão humanos, que realmente sentimos que são pessoas que poderíamos encontrar pela vida. Com seus erros, seus acertos, suas tentativas. Pessoas como qualquer de nós, que tentamos todos os dias fazer o nosso melhor, viver a vida da melhor maneira possível. E choramos, sofremos, caímos e levantamos. Sonhamos... Mesmo quando a vida se mostra dura demais. A humanidade desses personagens foi o que mais me fascinou no livro. Eles não eram idealizados, não eram perfeitinhos. Eram como nós. 

Eu sofri com a dor do Ben. Nossa! Não dá nem para imaginar o tamanho da dor que ele sentiu ao ver a esposa ajoelhada no chão, sem vida, sem que ele pudesse fazer nada. Saber que sua filhinha não teria nem o direito de nascer. Ele perdeu as duas ao mesmo tempo e desistiu de ter uma família. Ele tinha pavor de passar pela mesma dor. Relacionamentos estavam fora dos seus planos. E podem imaginar a angústia que sentiu quando conheceu Celeste. Sobretudo por ela estar grávida...

"Ele abaixou a cabeça e encostou os lábios nos dela, e se homens de verdade não choram, então, o grupo excluía Ben, porque ela sentiu a umidade dos cílios dele em seu rosto quando ele a beijou."

É bastante natural a luta dele para manter-se distante. Mesmo que sentisse atração por ela, que gostasse de sua companhia e a amizade tivesse se construído de maneira fácil e verdadeira, ele não queria ter contato com a gravidez dela, pois cada vez que via as roupinhas de bebê, as coisinhas sendo preparadas para a chegada daquela menininha, era como uma facada em seu coração. Não era justo. Não era certo estar próximo de tudo aquilo e saber que sua filha, o seu bebê, não teve nada daquilo. Que ela não teve nem o direito de nascer. Isso o matava todos os dias. Não o deixava ter paz. 

A maneira como a autora trabalha a dor e o recomeço do Ben é simplesmente incrível. Já sou fã dessa escritora maravilhosa, sensível, que cria histórias tão humanas, focadas nos sentimentos dos personagens e não em futilidades. Os dramas são convincentes e ela desenvolve a narrativa de uma forma que não torna tudo pesado. Tudo é devidamente equilibrado na história e sentimos um quentinho delicioso no coração no final e aquela sensação boa de que "sempre se pode ter esperança". 

"Ele estava lhe oferecendo esperança; oferecendo esperança a eles... de que o impossível pudesse acontecer."

A Celeste também é uma mocinha que nos conquista por completo. Ela passou pelo que muitas mulheres acabam passando em algum momento de suas vidas: se apaixonou e acreditou na pessoa amada. Confiou e pagou caro por isso. Ela não teve a sorte de se apaixonar pela pessoa certa, não estava "escrito na testa" que aquele ser era um lixo. De um momento para o outro se viu sozinha, grávida, com seus próprios pais lhe virando as costas e tendo que se sustentar mesmo sem saber como. Estava na graduação de enfermagem e não recebia tão bem assim pelos plantões na emergência. Precisava trabalhar e estudar até o último instante possível, pois o aluguel não se pagaria sozinho, sua bebê precisaria de berço, de roupas, de tudo o que um recém-nascido necessita.... 

"O pavor absoluto estava sempre à espreita dela. O que ela teria que enfrentar no futuro?" 

E tanta angústia em ter que lidar com todo aquele peso sem ter em quem se apoiar acaba tornando a gravidez mais delicada... Ver a Celeste passando por tudo isso nos faz desejar ajudá-la, ser sua amiga, fazer um chá de bebê para alegrá-la, reunir pessoas que pudessem fazer doações... Enfim... Sentimos muita empatia, conseguimos nos colocar no lugar dela e nos perguntar o que faríamos, como aguentaríamos tantas responsabilidades sem um amigo sequer, sem ninguém. Era só ela e ela mesma. 

Quando o Ben se aproxima, mesmo tendo pavor da gravidez dela, ela finalmente tem um amigo. Alguém para escutá-la, para abraçá-la quando ela chorava... É lindo ver que antes de surgir o amor profundo que um dia sentiriam um pelo outro, primeiro veio a amizade. Eu gostei muito disso. O Ben foi lindo com ela, até quando a situação era desgastante para o emocional dele. Quando ele doou o bercinho para a filha dela?! E justamente "naquele dia". Ele foi incrível. Este casal é APAIXONANTE.

"O amor cresce, se você deixar."

Eu poderia continuar falando e falando sobre esta história. Mas simplesmente recomendo que leiam! Deem uma chance e depois me digam se não é uma história lindíssima!


21 de abril de 2020

Amoras - Emicida / Flávia e o Bolo de Chocolate - Míriam Leitão

Literatura Brasileira
Editora: Companhia das Letrinhas
Edição de: 2018
Páginas: 44
21ª leitura de 2020

Sinopse: Em seu primeiro livro infantil, Emicida conta uma história cheia de simplicidade e poesia, que mostra a importância de nos reconhecermos nos pequenos detalhes do mundo. Na música “Amoras”, Emicida canta: “Que a doçura das frutinhas sabor acalanto/ Fez a criança sozinha alcançar a conclusão/ Papai que bom, porque eu sou pretinha também”. E é a partir desse rap que um dos artistas brasileiros mais influentes da atualidade cria seu primeiro livro infantil e mostra, através de seu texto e das ilustrações de Aldo Fabrini, a importância de nos reconhecermos no mundo e nos orgulharmos de quem somos — desde criança e para sempre.




Este é um livrinho que resolvi ler "do nada". Inicialmente não estava nas minhas metas, mas eu estava um tanto triste e queria apostar numa leitura rápida e leve, que me desse um pouco mais de ânimo. 

Aqui temos uma historinha simples, mas muito importante por falar de aceitação, de amor próprio e de tolerância religiosa. Há menções à religião africana, ao cristianismo, ao islamismo... De um modo direto e lindo, mostrando que são apenas maneiras diferentes de praticar a fé e buscar um mesmo Bem. 

"Nesse planeta, Deus tem tanto nome diferente que, pra facilitar, decidiu morar no brilho dos olhos da gente."

A protagonista é uma menininha muito esperta e observadora e durante um passeio pelo pomar ao lado do pai, enquanto ele explicava que quanto mais pretinhas mais doces eram as amoras, que eram "o melhor que há", ela ficou muito feliz por ser parecida com as amoras, por ser "pretinha também". E aqui temos a questão da aceitação, de amar a si mesmo, de valorizar a sua cor de pele... entender que cada detalhe em nós foi feito com amor por Deus. É um livro de fácil leitura e compreensão pelas crianças e já quero que a minha priminha o leia (no momento ela está lendo Harry Potter e a Câmara Secreta). 

O autor também menciona Zumbi dos Palmares e Martin Luther King, enfatizando assim a sua intenção ao escrever este livro. E ele não apenas os menciona, mas ao final da leitura as crianças têm acesso a um glossário que explica de maneira bem simples quem eles foram, além de explicar também quem foi Obatalá e o que significa orixás, quilombo, o que é a África e quem é Alá


Literatura Brasileira
Editora: Rocco
Edição de: 2015
Págnas: 36
22ª leitura de 2020

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: Em meio aos questionamentos da pequena Flávia sobre a sua pele marrom – tão diferente da pele branquinha da mãe –, a premiada jornalista Míriam Leitão aborda temas delicados como adoção e questões raciais de forma sensível e lúdica para os pequenos. Com belas ilustrações de Bruna Assis Brasil, a autora, ganhadora do Prêmio FNLIJ 2014 na categoria Escritor Revelação por seu livro infantil de estreia, A perigosa vida dos passarinhos pequenos, mostra que o mundo é feito de diferentes cores, pessoas e sabores. E que é justamente isso que o torna tão rico. Flávia e o bolo de chocolate é o terceiro livro infantil de Míriam Leitão, autora também de A menina de nome enfeitado.



Pense num livrinho apaixonante! Se gostei muito de Amoras simplesmente AMEI Flávia e o Bolo de Chocolate

Nele temos uma mulher que sonha muito em ser mãe, mas a vida não lhe permite engravidar. Ela era uma pessoa boa e querida por muitos, mas a tristeza por não ter um filho ia tomando conta dos seus dias. Até que ela encontrou a solução perfeita: adotar uma criança que não tivesse mãe e que a quisesse. Foi assim que Flávia, ainda bebezinha, se tornou parte de sua vida, se tornou a sua filhinha. Quando a viu pela primeira vez, Rita (a mãe) percebeu que aquela era sua menina, pois se apaixonou por ela naquele instante. 

Ao conseguir levá-la para casa, agora legalmente sua filha, Rita logo quis passear com a bebê e mostrá-la para todas as suas amigas, mas ainda que a maioria tivesse ficado feliz por ela, uma tratou de destacar as diferenças físicas entre as duas (a cor da pele) e dizer que seria impossível que aquela fosse a filha de Rita. Embora tenha ficado triste com a observação maldosa, que se preocupava mais com a diferença de cor da pele das duas, ela não se deixou desanimar e criou a filha com todo o seu amor. Elas aprendiam juntas, se divertiam, passeavam, eram muito unidas. Mas um dia...

"Flávia começou a chorar:
- Mãe, eu quero ser como você. 
- Como assim?
- Não quero ser marrom!
- É mesmo? Por quê?
- Eu quero ser branca como você.
- Mas por quê? Você é linda do jeito que é, toda marronzinha - falou a mãe."

Mesmo a mãe mostrando o quanto ela era linda e incrível do jeitinho que era, Flávia não se deixou convencer. Na sua opinião ela era feia por ter a pele marrom e queria ser branca como a mãe. Disse que tudo o que era marrom era feio e nada no mundo a fazia pensar diferente. Será que não?! É aí que o livro fica MARAVILHOSO pela maneira única e sensível que a Rita faz a filha abrir os olhos e enxergar a beleza de ser como era. Não vou dizer como ela faz isso, pois eu amei descobrir lendo. Só posso dizer que se tornou um dos meus livros queridinhos! 

Eu estava lendo "O Cortiço" para o tema deste mês do DLL 20, mas como Amoras e Flávia e o Bolo de Chocolate também se encaixam no desafio, resolvi continuar lendo O Cortiço, mas não mais para o projeto.


-> DLL 20: Um livro com um personagem negro


16 de abril de 2020

Vidas na Noite - Aione Simões


Literatura Brasileira
Editora: Independente
Edição de: 2018

20ª leitura de 2020

Sinopse: Um bar pode ser palco para muitas histórias: começos, transformações, pontos finais. Vidas na Noite é uma antologia com cinco contos de diferentes gêneros — do jovem adulto ao chick-lit, passando por trhiller psicológico e erótico — para narrar as diferentes tramas que se desenvolvem simultaneamente em um estabelecimento noturno. Cada conto, uma emoção. Cada história, uma vida única. Vidas na Noite é um convite para encarar as várias facetas de nossa própria existência.





Este é um livro curtinho com 5 contos bem diferentes uns dos outros, mas que acabam se interligando por se passarem num mesmo cenário: um bar. Local por onde passam centenas de pessoas numa mesma noite, cada uma com seus próprios dramas, segredos e passado. Quantas vidas distintas passam por um mesmo lugar... Quantos "livros" diferentes, com seus próprios começos, meios e fins...

Na primeira história, Pesos e medidas, temos duas adolescentes que são melhores amigas. Uma delas está comemorando o aniversário no bar do tio, tendo convidado pessoas que não davam a mínima para ela, mas pelas quais a garota desejava ser "aceita". Para completar, sua autoestima estava péssima e ela se sentia muito gorda e disposta a passar fome para ter o "peso ideal". O conto gira em torno da tristeza que ela sente por tudo estar correndo mal no seu aniversário, por desejar comer e sentir que não pode, pois precisa emagrecer... E a amiga dela tentando fazê-la compreender que passar fome não é o caminho e que ela necessita entender que precisa de ajuda. 

Na segunda história, Os habitantes do 9º, temos um personagem que está atormentado por ter sofrido uma dupla traição, tendo sido traído pela namorada e pelo melhor amigo que ainda achavam que ele tinha que perdoar o fato de ter sido apenas uma noite, um erro que não voltaria a se repetir. Ele fica lembrando dos momentos bons e trava uma luta consigo mesmo, pois sempre considerou a traição algo imperdoável, mas, por outro lado, ainda ama a garota. Não gostei do final desse conto. Não posso falar meus motivos para não ter gostado, pois teria que dar spoiler. 

Gatilho é o terceiro conto desta antologia e é também o meu preferido, por tocar no tema transtorno de ansiedade e relacionamento abusivo. A protagonista desta história saiu de uma relação muito ruim, na qual sofria agressões psicológicas (que muitas vezes podem ser piores que as físicas) e que quase destruíram a sua mente. 

Todavia, mesmo longe daquele que lhe fez tanto mal, ela ainda precisa lidar com os traumas e a sensação de que ele ainda tem o poder de controlar sua vida, que segue vivendo conforme as regras e influência dele. Nos sentimos "sufocados" lendo esse conto, pois é fácil nos colocarmos no lugar dessa mulher e entender o que ela está passando. Gostei da maneira como o conto terminou e imagino que, apesar de sua decisão, ela ainda precisará percorrer um longo caminho até realmente estar livre. 

O quarto conto, Domado descontrole, nos traz uma história "bem quente", sensual, de dois personagens que estão no primeiro encontro e sentem uma forte conexão. São duas pessoas livres, independentes, que enlouquecem juntas, sem pensar em nada, desejando viver apenas o momento. É bom para quem curte histórias eróticas, com um toque de sadomasoquismo. Eu, particularmente, não curto muito, portanto, é um dos contos que menos me agradou. 

O começo de tudo é o último conto da antologia e traz a ligação entre os quatro contos anteriores. Clara é funcionária do bar no qual as outras quatro histórias acontecem e tudo se passa numa mesma noite. Ela decidiu pedir demissão e está cumprindo o aviso prévio. Deseja seguir seus próprios sonhos, mas está atormentada por ter tido que abrir mão de alguém que amava, por saber que ele não aguentaria um relacionamento à distância. É bem legal acompanhar este conto não só pela história da Clara, mas principalmente por vermos como ela cruza o caminho dos personagens dos outros contos, que estão tão concentrados em suas próprias vidas e não notam muito ao seu redor. 

De modo geral, é uma antologia que me agradou bastante e me deixou desejando ler outras histórias da autora. A escrita da Aione é deliciosa e tudo flui muito bem, chega a ficar aquele gostinho de quero mais, pois acabamos desejando saber o que aconteceu com alguns personagens depois daquela noite. Dá para ler em menos de uma hora e recomendo bastante!


-> DLL 20: Um livro de capa roxa/lilás



14 de abril de 2020

Beleza Impura - Sharon Kendrick

Literatura Inglesa
Título Original: A Tainted Beauty
Tradutora: Angela Monteverde
Editora: Harlequin
Edição de: 2013
Páginas: 183
Série O Dinheiro não Compra Amor - 2/2

19ª leitura de 2020

Sinopse: Ciro D' Angelo queria uma esposa pura como a neve. Ao conhecer Lily Scott, tinha certeza de que ela era a mulher ideal! Porém surpresas surgem na noite de núpcias...


Não sei como começar a falar de tudo o que me tirou do sério neste livro. Ainda não consigo acreditar que realmente li uma "coisa" assim. E nem é possível dizer que o livro é tão "absurdo", com um protagonista extremamente machista, que nos dá asco, por ter sido escrito no século XX ou algum período anterior. Não. O livro é do século XXI. Originalmente publicado em 2012. E tem um dos mocinhos mais escrotos que tive o desprazer de conhecer. E uma mocinha tapada, que ainda considera merecer o tratamento desprezível que recebe dele!!! Faz mais de 24 horas que concluí a leitura, mas sigo furiosa com esta história. Não tem um só personagem que salve este livro! 

Lily é uma jovem de vinte e poucos anos, que pertence à uma família aparentemente com bons recursos financeiros, mas por motivos não totalmente explicados no livro, ela não pôde fazer faculdade e nem teve uma boa educação, se vestindo sempre de maneira bem humilde e um tanto antiquada. Trabalhava desde a adolescência como garçonete (mesmo pertencendo à uma família com dinheiro e certo status) e com o tempo passou a se dedicar a preparar bolos, que eram vendidos no estabelecimento de sua patroa. 

Com a morte de sua mãe, o pai dela (que tudo indica que era amoroso com os dois filhos) voltou a se casar. A madrasta era alguém mais jovem que ele e fazia o tipo "madrasta da Cinderela". Acontece que o pai de Lily faleceu pouco tempo depois do casamento e, ACREDITEM SE QUISEREM, não deixou nada para os dois filhos (????!!!). Tudo foi herdado pela madrasta má: a mansão, todos os objetos de valor (inclusive o colar da mãe da Lily, que valia uma fortuna), ações... Absolutamente tudo. Ele amava os dois filhos, mas inexplicavelmente (isso não é explicado em nenhum momento da história) não se preocupou em deixar nada para eles, considerando a madrasta a única merecedora de herdar os bens. Sendo que o irmão da Lily, ainda por cima, era menor de idade. 

Assim, a pobre Cinderela tem que trabalhar ainda mais para manter o irmão num bom colégio e, de repente, se vê diante da notícia de que sua madrasta má vendeu a mansão de sua família e ela não tem mais onde morar. 

No meio de todos os seus dramas, a mocinha descobre que o comprador é um italiano cheio de si, que ficou "encantado" por ela na primeira vez que a viu e que após convidá-la para jantar acredita que já terá, de primeira, direito ao seu corpo. Sim. Ele a convida para jantar no hotel onde está hospedado, pois queria que ela fosse para a cama com ele logo em seguida. É bem assim mesmo. Não estou inventando. 

Só que Lily não aceita ir para a cama com ele no primeiro encontro e isso é suficiente para Ciro colocar na cabeça que ela era virgem. Sim!!! Só sendo virgem para se recusar a ir para a cama com alguém que ela praticamente não conhecia!!!

Então, ele passa a ver a mocinha como a personificação da "pureza" (ela nunca disse que era virgem. Nunca!) e decide que vai se casar com ela o mais rápido possível, pois não quer que ninguém tire dele o privilégio de ser o primeiro. E aí ele cria todo um ideal em torno da garota. Pensa que ela será a sua esposa "perfeita", tradicional, "do lar", que não trabalhará fora, que será inocente na cama e fora dela, que sempre irá obedecê-lo e, claro, que nunca poderá cortar os cabelos. Ele chega ao cúmulo de fazê-la prometer que jamais cortaria os cabelos, pois não queria que ela fizesse isso. 

E aí temos o casamento relâmpago e a tão desejada noite de núpcias, quando ele percebe que ela não é virgem e faz um show. Fazia tempo que eu não desejava tanto agredir um personagem...

O pior de tudo é a mocinha se sentir culpada por não ser virgem, se sentir culpada por ter frustrado as expectativas dele e aceitar toda a grosseria, os maus-tratos, a canalhice desse verme. Ele chega ao ponto de dizer que ela se vestia como se vestia para enganá-lo (sendo que ela usava aquelas roupas MUITO antes de ele surgir na vida dela) e que "sem roupa" ele a via como ela realmente era. Como assim?!!! De onde esse lixo de personagem saiu?! E mais: diz que depois disso vai se divorciar dela, mas que ela terá que "fingir" um casamento perfeito por seis meses, pois ficaria péssimo para a IMAGEM DELE que o divórcio acontecesse logo depois do casamento. 

E a forma como a Lily tolera tantos absurdos, como fica defendendo as atitudes dele, como o vê como o certo e joga toda a culpa para cima de si mesma... Isso não dá para suportar! Eu senti asco dos dois! 

Quando ela finalmente "acorda" não é convincente e o mocinho não sofre nada por tudo o que fez com ela. O final feliz deles é uma piada. 

Não recomendo! Me arrependi amargamente de ler essa história. 


-> DLL 20: Um livro que comece com a 1ª letra do seu nome 
(meu nome é Bruna, apenas meu pseudônimo é Luna)


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