28 de janeiro de 2026

Perigosa - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Dangerous in Diamonds
Tradutora: Helena Ruão
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 336
Série As Flores Mais Raras - Livro 4

3ª leitura de 2026

Sinopse: Tristan, duque de Castleford, acaba de herdar uma pequena casa e, com ela, uma grande surpresa: Daphne Joyes, uma bela, mas agressiva inquilina. O irreverente Tristan deixa logo bem claro que tenciona seduzi-la, dar-lhe prazer, e vê-la coberta apenas de diamantes. Mas Daphne conhece bem a escandalosa reputação do duque, e não está disposta a ceder às suas provocações. No entanto, ambos têm um inimigo em comum. Um homem cuja malevolência acaba por os ajudar de uma estranha e inesperada forma. Existe, todavia, um entrave: o segredo que Daphne guarda e que a leva a ser uma mulher extremamente cautelosa. Mas embora o seu novo senhorio seja arrogante e se entregue a uma vida de deboches (exceto às terças-feiras!), Daphne dá por si a baixar perigosamente a guarda. Até porque, afinal, os diamantes ficam bem com tudo e também com nada.



Não sei bem como começar a falar deste livro já que estou um tanto estressada. Não é um estresse por algum motivo aleatório, indiferente ao livro. Não. É inteiramente provocado por ele

Na resenha anterior, sobre Pecadora, eu já tinha falado que acreditava que a Daphne seria minha personagem favorita da série, por tudo o que ela tinha feito pelas outras mulheres. Pela forma como as abrigava, oferecia refúgio, sem perguntas, sem cobranças, sem qualquer julgamento. Recebia mulheres desamparadas em sua casa e fazia com que elas se sentissem seguras num mundo que, naquele momento, não era seguro para elas. 

Daphne sempre foi como uma mãe para todas as que recebeu ali, mesmo quando tinha quase a mesma idade que elas. Daphne era refúgio... Era como um lar. E o mínimo que esperava da autora era que fizesse um livro digno dela. Algo diferente disso não seria justo. De modo algum! E o que a autora fez?! Teve que me recordar, justamente no livro da Daphne, os motivos pelos quais tive problemas com alguns livros dela no passado. Ainda não consigo acreditar!

Daphne é uma jovem de vinte e sete anos, que já não acreditava mais em histórias de amor. Não para sua vida. Ficou feliz quando cada uma das suas três melhores amigas encontrou o amor, se casou e passou a construir a própria família. Ela verdadeiramente se alegrava por cada uma delas, e acreditava de fato que haviam encontrado o amor e a felicidade. Mas na sua vida isso já não seria possível. 

Atormentada por terríveis segredos do passado, conseguira passar anos escondendo toda a verdade, por trás de uma postura digna e reservada. Sempre mantendo bem trancadas todas as suas emoções. Ninguém precisava conhecer suas dores, já que ninguém poderia mudar tudo o que lhe acontecera. Ela só tinha que seguir em frente, como sempre fizera. Mas todo o mundo cuidadosamente seguro que construíra para si mesma começa a ruir quando o seu senhorio falece e deixa a casa na qual Daphne morava para o duque de Castleford, um homem conhecido como libertino, que passava boa parte de todos os seus dias se distraindo com diversões bem pecaminosas, incapaz de se importar com assuntos que para ele seriam insignificantes... como a necessidade que Daphne tinha de manter o seu lar. De permanecer naquela casa. 

Tristan, o duque de Castleford, fora até a residência na qual sua nova inquilina vivia apenas por curiosidade. Ele não entendia o motivo de ter herdado aquelas terras, já que o falecido o desprezava e Tristan não precisava de nada. Era muito rico e poderoso e aquelas terras eram um acréscimo insignificante na sua fortuna. Mas ao vê-la pela primeira vez... Ele começa a apreciar muito a sua herança. Daphne era deslumbrante e ele não conseguiu pensar em mais nada além de possuí-la. Não importava o tempo que levasse e o quanto ela lutasse contra a sedução dele. Jamais uma mulher o recusara na vida. Ela não seria a primeira. 

Quando percebe que não conseguiria levá-la para a cama com a rapidez que imaginara, Tristan começa a jogar... e usar todo o seu poder para tê-la por perto. Até que conseguisse atingir os seus objetivos... 

Eu gostava muito do Tristan nos outros livros. E a verdade é que ainda gosto, mas ele me irritou demais nesta história aqui. Ele sempre foi um duque da cabeça aos pés, se intrometendo na vida das outras pessoas, e levando a vida com sua "superioridade" baseada no berço. Mas ele não parecia uma má pessoa e toda vez que se intrometia em assuntos que não eram seus, na verdade, sempre fazia algo bom para outra pessoa. Como aconteceu ao se intrometer nos assuntos do Grayson (protagonista do segundo livro): fez com que Verity, a esposa dele, fosse mais facilmente aceita na sociedade. Verity vinha de uma origem humilde, apesar de toda a fortuna dela. Por não ser filha de um nobre, não foi exatamente bem recebida ao se casar com um conde, mas Tristan ajudou na sua apresentação à sociedade e isso abriu o caminho para ela. O mesmo ele fez pelo Jonathan (protagonista do terceiro livro), outro de seus amigos, consertando uma grande injustiça. Ou seja, Tristan geralmente usava seu poder e influência para coisas boas, ainda que ele não reconhecesse. E não vou permitir que a autora estrague isso nas minhas memórias, por mais raiva que eu sinta por algumas coisas. 

E, então, na hora de nos presentear com a história mais aguardada da série, por todo o histórico que ela mostrou desses personagens nos livros anteriores... Depois de termos criado muitas expectativas... Ela quase estraga tudo. Quase estraga o imenso carinho que eu sinto pela Daphne e a forma como eu via o Tristan. Está difícil superar isso. 

Mas, Luna, você deu 4 estrelas ao livro! Não foi ao livro que dei quatro estrelas. Foi à Daphne. Porque seria extremamente injusto, depois de tudo o que ela fez pelas amigas nos livros anteriores e tudo o que passou na vida, eu simplesmente dar menos estrelas à história dela porque a autora não escreveu um livro digno da personagem, porque me decepcionou. Eu não faria isso com ela. A culpa com certeza não foi da Daphne. 

Entendam que não é uma simples decepção. É a injustiça cometida contra a personagem. Todas tiveram histórias incríveis, com profundidade, com desenvolvimento, mesmo em meio às cenas quentes, explícitas, presentes nos livros da autora. Os livros foram ótimos. O romance construído entre os personagens me convenceu, me emocionou, me envolveu. Teve profundidade em cada um dos livros anteriores da série. O livro da Celia, então, me fez chorar. Daphne era minha personagem querida, por isso eu desejava o mesmo para ela. A profundidade da relação, o desenvolvimento convincente, o amor sendo construído pouco a pouco... Eu não queria todo o excesso de foco em sexo que teve nesta história. O ponto inicial para o desenvolvimento da história de Daphne e Tristan até poderia ser esse, justamente por todo o histórico do personagem, que era um completo libertino e tinha uma vida bem desregrada. Mas o foco da história não podia ser esse, se não haveria espaço para desenvolver os temas sérios abordados no livro, a história de vida da personagem, seus traumas, seu sofrimento, e a própria história de amor entre ela e Tristan. 

A autora se concentrou tanto no lado libertino do Tristan, na sedução, na sensualidade dos momentos nos quais ele estava com a Daphne, que deixou o livro sem espaço para o resto. E o resto era muito importante. O passado da Daphne era muito importante por tudo o que aconteceu. O grande segredo dela, revelado só nas últimas páginas (eu já imaginava o que era e não acreditei que aquilo ficou só para o final!), precisava de várias páginas e cenas de desenvolvimento, porque era importantíssimo. E quando a autora veio com a revelação no fim, foi quase para matar os personagens no meu coração. Eu tive que respirar bem fundo e lembrar de tudo o que eu sabia sobre a essência de Daphne e Tristan para não me deixar levar por aquelas frases e me enfurecer com eles. Foi muito difícil. Não sei realmente o que se passou pela cabeça da autora para fazer aquilo. Lynne Graham fez algo semelhante em um livro uma vez e nunca esqueci. É um livro que não gosto nem de mencionar. Mas naquele livro existiam protagonistas realmente desprezíveis. Aqui, não. Daphne foi construída ao longo dos quatro livros da série. De modo algum vou desprezá-la em meu coração, quando um único momento não define a personagem maravilhosa que ela é. 

E o Tristan também não. Apesar de todos os seus erros neste livro (e foram muitos), ainda pude enxergar nas entrelinhas e me lembrar de sua participação nos livros anteriores. E nos breves momentos em que era possível ter acesso ao seu interior, era possível ver o quanto ele era um personagem bom. Eu gosto muito dele. Minha decepção é com a autora mesmo. Mas com isso aprendo uma lição: não criar mais expectativas com as histórias escritas por ela. Eu já tinha me decepcionado no passado. Mas fiquei tão empolgada com o desenvolvimento da série As Flores Mais Raras, que achei que tudo correria bem até o final. E no último livro ela me decepcionou. No livro que seria o mais importante para mim.kkkkkk 

Isso não significa que deixarei de ler os livros da Madeline Hunter. Claro que não! Ainda quero ler vários outros romances escritos por ela. Só não criarei mais expectativas. 


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro de série/trilogia

Série As Flores Mais Raras

4. Perigosa



25 de janeiro de 2026

Pecadora - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Sinful in Satin
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 328
Série As Flores Mais Raras - Livro 3

2ª leitura de 2026

Sinopse: Habituada a uma existência pacata, Celia Pennifold vê a sua vida virada do avesso após a morte da mãe, Alessandra Northrope, uma cortesã afamada. Para além de uma pequena casa, a mãe deixou-lhe de herança apenas dívidas e uma reputação manchada. O destino de Celia já está traçado há muito. Ela foi educada para seguir as pisadas da mãe. Mas Celia é determinada e tem os seus próprios planos… que não incluem, evidentemente, o misterioso inquilino com que se depara ao instalar-se no seu novo lar. Jonathan Albrighton encontra-se numa missão a mando do tio, pois há suspeitas de que Alessandra possuía informações delicadas sobre alguns dos homens mais influentes da sociedade londrina. Jonathan pensava estar perante uma tarefa simples, não contava encontrar em Celia uma adversária à sua altura…



Definitivamente, de volta aos romances.rsrs Depois que terminei a leitura de Provocante, eu não consegui resistir à vontade de seguir lendo os demais livros da série, mesmo com duas outras leituras em andamento (Entre Sueños e O Conde de Monte Cristo). Decidi ouvir meu coração e mergulhei na leitura de Pecadora, o que se provou a melhor escolha! 

Até agora, posso dizer, sem hesitar, que este é o meu livro preferido da série. Me encantei com os dois anteriores, mas com a história de Celia e Jonathan eu chorei. Meus sentimentos ficaram muito bagunçados. Sentia muita raiva, uma sensação enorme de injustiça pela forma como a Celia se enxergava, levada pela opinião da sociedade e de sua própria mãe. A forma como ela acreditava que não podia sonhar, não podia ter a vida que realmente queria. Isso me atormentou durante quase toda a leitura, embora eu também tenha sorrido e até gargalhado com o desenvolvimento do romance entre ela e Jonathan. Mas aquela sombra permaneceu, entende? A sombra da injustiça e eu queria um final completamente feliz. Não aceitaria menos. Acredito que a autora entendeu que os fãs mereciam um final assim, digno da história. Porque posso dizer, sem medo de spoiler, que o final não decepciona. 

Celia é uma jovem de 23 anos que fugiu da casa da mãe aos dezessete anos, por não aceitar a vida que ela desejava para a própria filha. Sendo uma cortesã famosa, bastante requisitada, Alessandra educara Celia para a substituir, para herdar o seu legado. Ensinara tudo o que considerava necessário para iniciá-la naquela vida e buscara entre os membros da nobre sociedade o "protetor" adequado para ser seu primeiro amante. Em outras palavras, quem pagasse mais e tivesse condições de manter o luxo que ela desejava para a filha. 

Celia sempre soube que aquele era o seu destino. A vida que a esperava, que não havia opção. Mas quando tudo estava prestes a começar, quando a mãe realmente deu os passos necessários para que ela tivesse o primeiro "protetor", ela fugiu. Da decepção. Do destino. De tudo aquilo que repudiava. Mas fugiu sem rumo, sem saber o que fazer. Sem amigos, sem dinheiro, quase caindo nas ruas cruéis que esperavam para destruí-la. Foi quando encontrou Daphne. Que não fez perguntas, que não exigiu saber do seu passado. Apenas lhe ofereceu amizade e abrigo. 

Durante cinco anos, ela foi feliz. No anonimato, escondida na propriedade de Daphne. Longe dos olhares julgadores da sociedade que conhecia muito bem sua mãe e o seu legado. Longe dos olhos daqueles que a consideravam marcada e perdida simplesmente por ter nascido. Então, sua mãe adoecera. Ela poderia ter mantido a mágoa, poderia ter continuado na tranquilidade de sua vida, mas não podia abandonar aquela que lhe deu à luz no momento em que ela mais precisava. 

Para cuidar da mãe, Celia teve que sair do seu abrigo e com isso as línguas voltaram a falar. Logo, foi de conhecimento geral que a filha de Alessandra estava de volta. Com a morte da mãe, tudo explodiu. Já não era possível retornar. Não podia manchar a reputação de Daphne, por mais que a amiga dissesse não se importar. Não podia mais ter o seu refúgio. Era hora de encarar a vida de frente e fazer uma escolha. Poderia ter um futuro sem manchas? Poderia seguir renunciando ao legado de Alessandra? Ou para se sustentar e não passar por privações deveria abraçar aquela vida, como todos esperavam e desejavam? Deveria desistir para sempre dos sonhos adormecidos? Celia ainda não sabia. Só sabia que a voz de Alessandra e tudo o que ela lutou para que a filha acreditasse ser verdade, não parava de falar em seus ouvidos... 

Jonathan era um homem acostumado com a dureza da vida. As coisas simplesmente eram como tinham que ser, ele aprendera. Passara por privações, humilhações até chegar à posição que ocupava na sociedade, como filho bastardo de um conde. Fora amigo de Alessandra e conhecera Celia antes da fuga dela. Agora, tanto tempo depois, a reencontrava, porque ela estava no caminho de sua mais recente missão. Diferente da maioria das pessoas, não a julgava simplesmente por ela ser filha de uma cortesã. A enxergava. Mas, fosse o que fosse que pensava, jamais poderia se envolver com ela... Ainda que o simples fato de estar no mesmo ambiente que ela, fosse suficiente para fazê-lo desejar o impossível...

Eu tive muito medo de não gostar do Jonathan. Um medo terrível. A história de vida da Celia, a forma como a sociedade a condenava e queria afundá-la na vida que exigiam que ela seguisse, me recordou um livro que li há vários anos e me marcou profundamente, mas de uma forma bem negativa. A Promessa da Rosa, da autora Babi A. Sette. Os sonhos da Celia me lembraram os sonhos da Kathe. E eu não queria vê-la passar pelo mesmo. Não aceitaria isso. Por este motivo, tive medo. Porque a história da Kathe, em A Promessa da Rosa, não é uma história de amor, por mais que a maioria dos leitores e a autora a considerem como tal. Na minha opinião (e é meu direito pensar o que quiser de um livro que eu li), está bem longe de ser uma história de amor. É uma história de terror, de destruição, de sonhos e futuro perdidos pela maldade de uma sociedade muito hipócrita e de um personagem considerado o mocinho da história. Arthur é um verme da pior espécie. Dizer que ele é um lixo é ofender o lixo. Esse tal mocinho nada tem de mocinho. Ele é o próprio vilão na vida da Kathe e ela não enxerga isso. Oito anos se passaram e nunca perdoei essa história. Nunca perdoei o Arthur. E nunca esqueci tudo o que a Kathe sofreu. 

Mas, Luna, não estávamos falando da história de Celia e Jonathan?! Sim, voltemos! O meu medo do Jonathan ser alguém parecido com o Arthur se mostrou bastante infundado. Jonathan é alguém que conhece as realidades da vida, as regras da sociedade, a forma como tudo acontecia. Parece muito misterioso no início da história, um tanto frio e prático, mas conforme a história se desenvolve, enxergamos quem ele realmente é e o que pensa, bem como o que é capaz de fazer por aqueles com quem se importa. E, definitivamente, ele se importava com Celia.

A história não vai se desenvolver como um conto de fadas. O que não significa algo ruim. Pelo contrário, da forma como a história foi brilhantemente construída pela autora, eu pude acreditar completamente no sentimento que surgiu entre eles, na relação que se construiu com a convivência. Celia e Jonathan se aproximaram de uma forma que nos parece tão real, como se eles existissem. Eu lia sobre os momentos deles juntos, as conversas, os segredos e sonhos partilhados e queria que eles fossem mais que personagens de um livro. Mas, Luna, você sempre vê os personagens como pessoas. Sim, é verdade.rs Embora não seja possível explicar, aqui foi diferente. E foi maravilhoso. 

"[...] concordo que a primavera acorda os sentidos para a esperança, com a sua promessa de novos começos."

Eu amei o romance entre Celia e Jonathan. Ainda que meu coração exigisse o final que eu queria e temesse que acontecesse algo bem diferente, foi impossível não rir com eles, não amar cada momento que passavam juntos. A autora gosta de escrever romance bem hot, com cenas explícitas e tal, e não sou muito fã disso nos livros. Gosto das cenas de amor, mas cenas muito explícitas e frequentes, que roubam o espaço para o casal desenvolver outras partes da relação, não me agradam. No entanto, apesar de cenas assim existirem no livro, como em toda história que já li da autora, isso não afeta a profundidade do que se constrói entre eles. Quando eu via a autora insistindo com cenas assim, pensava: Você vai estragar a história. E ela não estragava.kkkk Isso me surpreendeu, porque quem já leu minhas resenhas mais antigas dos livros da autora, sabe que isso já quase me fez desistir de seguir lendo outros livros dela. Porque já aconteceu de ter lido um romance dela, de outra série, que exagerou nessa parte da relação do casal e tornou tudo muito fútil, superficial. Mas aqui foi diferente. Celia e Jonathan pegam fogo juntos. A paixão é parte essencial da relação, mas conecta todo o resto. Há profundidade, há calor do tipo que esperamos numa história de amor. Há ternura entre a intensidade da paixão. Existe verdade. A gente sabe que eles se amam porque esse amor é real. E tudo o que podemos desejar é que o Jonathan não nos decepcione. Que ele escolha o amor. Que ele escolha a verdade e não as regras. Que escolha a Celia e não a magoe. A vida já a tinha magoado demais. Ela merecia muito uma felicidade completa. Ser aceita. Acreditar que valia a pena sonhar. Que tinha valor, que era importante como mulher e como ser humano. Que podia ser simplesmente ela e não a pessoa que Alessandra tentou construir. 

E por falar na Alessandra... Olha, gente! Celia era filha dela. Então, eu entendo o sentimento de afeto que ela sempre teria da mãe, independente de qualquer coisa. Mas o que essa mulher fez... isso não é digno de uma mãe. Não me interessa que ela realmente acreditasse que aquilo era o melhor que Celia poderia ter. Não deveria ter acreditado. E acreditasse ou não, ela não só disse para Celia que aquela era uma possibilidade. Ela ensinou para uma menina que aquela vida era sua única chance de não morrer de fome, de ter um futuro. Ela não parava de falar em seu ouvido. Não parava de manipular!!! Ela tentou matar os sonhos da própria filha! Educou uma adolescente na arte de ser cortesã como se isso fosse a coisa mais aceitável do mundo. E depois vendeu essa mesma adolescente para quem pagou mais. Isso é mãe? Não mesmo! Não julgo a Celia por amá-la. Jamais faria isso. Mas eu desprezo profundamente a Alessandra. O que ela fez não tem nome, é imperdoável. 

Agora vamos às minhas queridas Flores Mais Raras. Audrianna, Verity e Daphne. Eu acredito que Daphne será minha personagem favorita dessa série, por tudo o que ela fez desde o primeiro livro. A forma como ela abrigou e salvou desconhecidas que precisavam de ajuda. Sem perguntas, sem cobranças, sem julgamentos. Daphne ofereceu um refúgio para mulheres que se encontravam sozinhas e desesperadas. O que ela faz é muito lindo. A amizade que se construiu entre elas é belíssima. O livro da Daphne é o próximo, que encerra a série. Espero que seja maravilhoso, porque ela merece uma história digna da pessoa que ela é. 

Audrianna e Verity. Amo essas personagens, mas neste livro aqui quase as esganei no início.kkkkk Quando souberam do passado da Celia, de quem ela era filha, continuaram a amizade, mas em segredo. Isso me irritou de uma forma que vocês não fazem ideia. Eu já considerava a Celia como uma filha para mim, que eu queria proteger do mundo. Queria proteger de toda dor que ela já tinha suportado. E aí as melhores amigas dela, que viveram na mesma casa com ela e Daphne, faziam aquilo. Quase surtei.kkkkk Mas elas não demoram a consertar o que estavam fazendo. Elas consertam. E de uma forma muito boa. Por isso, as perdoei.rs

Não só gostei deste livro, queridos. Eu o amei profundamente! Só não recebeu 5 estrelas por uns detalhes que seria spoiler mencionar. Mas é um livro querido que recomendo muito! 


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro com epílogo 


Série As Flores Mais Raras

3. Pecadora
4. Perigosa



21 de janeiro de 2026

Provocante - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Provocative in Pearls
Tradutora: Ana Sofia Pereira
Editora: Leya
Edição de: 2014
Páginas: 287 (e-book)
Série As Flores Mais Raras - Livro 2

1ª leitura de 2026

Sinopse: Verity Thompson desapareceu no dia do seu casamento. Seu paradeiro ficou em segredo por anos, um longo período no qual seu marido, o conde de Hawkeswell, viveu na penúria e na incerteza. Verity deixou para trás uma fortuna imensa, porém, inacessível à família, pois sua morte não havia sido oficialmente declarada. Nem poderia, já que ela estava bem viva. 

Ao ser obrigada a se casar, ela foge de Londres e refugia-se no campo. Abandonou sua fortuna em troca da liberdade. Mas o destino tem os seus próprios desígnios e a jovem se vê obrigada a regressar à cidade e a um casamento sem amor. Seu arrogante marido, porém, está disposto a chegar a um acordo: se Verity lhe der três beijos por dia, ele não a obrigará a cumprir os deveres conjugais. Mas, claro, há beijos e beijos e Verity vai perceber até que ponto foi realmente um erro se entregar nas mãos de um hábil mestre.



Eu voltei para os romances?! Aparentemente, sim. Finalmente! Depois de tanto tempo sem conseguir ler meus livros queridos, me permiti fazer uma grande pausa das obrigações diárias, aproveitando o mês de janeiro realmente como férias. Assisti séries, me dediquei mais aos livros, estudei apenas parte do que geralmente estudo e descansei. Em fevereiro retomarei minha rotina, mas não pretendo que seja como o ano passado. Acredito que a forma como decidi organizar meus estudos e trabalho em 2026 vai funcionar melhor para eu manter minha produtividade, ao mesmo tempo que não me perco entre tantas coisas. Estou aprendendo a reconhecer que para estudar e trabalhar eu também preciso respirar. Ter momentos para mim. 

Em 2021, eu li o primeiro livro da série, intitulado Deslumbrante, e lembro como apreciei a leitura, ao ponto de desejar muito prosseguir com os outros livros da série. Não lembro exatamente o motivo de não ter lido o segundo livro na época, mas acredito que tenha sido pelo fato dos dois últimos livros da série não terem sido publicados no Brasil. Algo que resolvi superar agora. Não foram publicados no Brasil? Sem problemas! Lerei os seguintes nas edições de Portugal. Estou cansada da falta de consideração de algumas editoras, que publicam séries totalmente fora de ordem e muitas vezes as deixam incompletas. Não tenho mais paciência para isso faz tempo. 

Em Provocante, conhecemos a história de Verity e Grayson, o conde de Hawkeswell. Verity, que adotara o nome de Lizzie quando fugira de um casamento indesejado, é uma jovem de 21 anos que durante muitos anos viveu com o medo e a tristeza como companheiros. Desde a morte do pai, quando passara a ter como tutor um primo que a detestava e não fazia a menor questão de esconder o fato. 

Sua vida era um inferno, sempre temendo quando viria o próximo golpe, a próxima ameaça, o próximo sofrimento. E tudo apenas piorou quando ela completou 19 anos e ele decidiu que chegara o momento de ela se casar... com quem ele escolhesse. Verity não queria sair de um inferno para cair em outro. Tudo que desejava era sua liberdade, recuperar a vida que tivera enquanto o pai era vivo e se casar com Michael, o homem que seu pai teria aprovado, aquele que a ajudaria a continuar o seu legado. Mas seu primo tinha outros planos e fez de tudo para que ela aceitasse o conde de Hawkeswell como marido, recorrendo à violência física e à ameaça para que ela obedecesse. 

Sem saída, Verity acaba se casando com alguém que sequer conhecia e que imaginava que fosse tão cruel quanto o seu primo. Afinal de contas, um homem que aceitava que uma mulher fosse forçada a se casar não poderia ser uma boa pessoa. Desesperada, tentando um último recurso para recuperar sua liberdade, ela foge logo após o casamento e finge a própria morte, disposta a se manter escondida até que possa completar a maioridade e lutar pela anulação de um matrimônio que nunca deveria ter acontecido, visto que inexistia um consentimento real. 

No entanto, para seu completo desespero, dois anos depois, logo após ela completar a maioridade desejada, um acaso faz com que Grayson a encontre antes que ela consiga requerer a anulação do casamento. As leis daquela época permitiam que ele a forçasse a voltar para ele, de uma forma ou de outra. Ela não teria voz, se ele não permitisse que ela tivesse. Assim eram as leis, por mais horríveis e injustas que fossem. Mas ela não cairia sem lutar... Poderia ser obrigada a ir para casa com ele, mas não desistiria fácil. Se não pudesse convencê-lo a desistir da loucura daquele casamento, fugiria de novo, na primeira oportunidade que surgisse. Não nascera para aquela prisão. Não importava que os olhos dele a queimassem de um jeito estranho e que a sua presença provocasse um sentimento bem diferente do medo...

Aqui temos um romance, incialmente, bem complexo. Grayson é um conde, de uma família muito antiga e respeitada entre os seus pares. Porém, as escolhas erradas da família fizeram com que toda a fortuna se perdesse. Ele estava arruinado financeiramente e não queria perder todos os privilégios de sua posição. Precisava manter todo o luxo, as aparências, e sustentar a tia e a prima que crescera com ele e a quem considerava uma irmã. Além dos motivos egoístas, também precisava de dinheiro para cuidar daqueles que trabalhavam em suas terras e dependiam dele para continuar tendo o que comer e como se manter dignamente. A única forma de conseguir uma fortuna rápida era se casando com uma rica herdeira. Então, temos a seguinte situação: ele precisa desesperadamente de dinheiro. O primo de Verity quer todos os privilégios que um parentesco com um conde poderiam lhe proporcionar, então ele entrega Verity para ascender socialmente. 

Diferente do que ela acreditava, Grayson não sabia que Verity tinha sido espancada, ameaçada e chantageada para poder se casar com ele. Ele sabia que ela relutara inicialmente, mas acreditou que não era uma recusa real. Sobretudo depois que ela voltou atrás e aceitou o casamento. Até aí, vamos fingir que acreditamos tanto assim que ele não desconfiou de nada. A verdade na qual acredito, é que ele não se preocupou em saber. Ele queria a fortuna dela. Só tinha olhos para isso. Conscientemente, ele de fato não sabia tudo o que ela tinha passado até aceitar o casamento. Mas se houve uma recusa antes, ele não deveria ter se questionado sobre os motivos para ela ter mudado de ideia? 

E, então, dois anos se passam... Verity desaparece logo após o casamento e todos acreditam que ela realmente esteja morta, que tenha se afogado no rio (ela fez com que parecesse que sim). Mas ao longo desses dois anos, ela estava vivendo tranquilamente na propriedade das Flores Mais Raras, sob a proteção de Daphne, que não sabia a verdadeira identidade dela, mas que se soubesse também não faria diferença. Grayson encontra Verity ao fazer uma visita ao local acompanhado do seu melhor amigo, que havia se casado com Audrianna (eles são os protagonistas do primeiro livro), que por sua vez era melhor amiga de Lizzie (o nome adotado por Verity). E aqui temos o Grayson errando pela segunda vez. 

Se antes ele tinha a desculpa de não saber que não houve um consentimento livre por parte dela para o casamento, ao reencontrá-la, ela diz isso com todas as letras, embora oculte o fato de ter sido agredida fisicamente. Ela fala que foi ameaçada e chantageada pelo primo. Ele agora sabe que houve coação para o casamento. Para obter a anulação do casamento, Verity precisava da concordância dele. Grayson, por sua vez, tem a esperança de que convivendo com ele, Verity possa aceitar o casamento. 

A história dos dois se desenvolve a partir dessa questão. Verity quer a anulação, Grayson quer uma chance de conquistá-la. Só que para isso ele usa os seus direitos de marido (que eram autorizados pelas leis da época) para obrigá-la a viver na mesma casa que ele. 

E aí eu entrei em conflitos internos ao longo da leitura. Eu não gostava do fato de a Verity estar submetida àquelas leis, por mais que fossem a realidade da época. Ela não queria aquela vida cheia de regras, nas quais ela não tinha direito de decidir sobre a sua própria herança, sobre suas roupas, sua vida ou seu corpo. Tudo dependia da vontade de um marido. Já li centenas de livros de romances de época e sei que essa foi uma realidade de um determinado período da História. Um período bastante longo, na verdade. E até hoje vemos as consequências disso. 

Claro que nos romances, temos todas as licenças admitidas nos livros. Mas penso que eu estava desacostumada a ler os romances de época, depois de tanto tempo sem lê-los. E senti com mais força as injustiças. Isso me incomodou quase até o final do livro, por mais que a realidade entre Verity e Grayson não fosse pesada. 

A autora conseguiu me convencer completamente do amor que foi se construindo entre os dois. Algo que não foi imediato e que precisou que os dois lados cedessem e não só a mocinha. Embora ele tenha se casado com ela pela fortuna, a convivência o faz querer a mulher, a pessoa que ela era. O seu sorriso, o seu abraço, as conversas. Ele passa a querer uma vida com ela. 

Apesar dos conflitos, a história que se desenvolve entre os dois é muito bonita. Primeiro vem a desconfiança, o rancor, que começa a ser superado pelo desejo. A química entre eles é bem forte e a autora investe nos momentos sensuais. Mas a partir de tudo isso, surge espaço para mais. Para que ambos queiram mais. Queiram o que é sólido, duradouro. Queiram todos os sentimentos que começam a bagunçar suas certezas. 

Como eu disse, a situação de vulnerabilidade da mulher submetida às leis da época, me incomodou muito. E a história de Verity e Grayson surge disso. Mas a autora soube bem como desenvolver o romance e o mocinho precisou compreender a situação da Verity e mudar também. Entender que nem tudo o que a lei permitia era correto e que se ele quisesse ser feliz e que ela também fosse feliz, teria que aceitar um relacionamento no qual houvesse equilíbrio. No final, o mocinho tomou uma decisão tão inesperada que eu senti uma mistura bem confusa de sentimentos. Fiquei chocada, feliz, com raiva, tudo ao mesmo tempo!kkkkk Mas foi a decisão certa para que pudesse ter uma chance real de um feliz para sempre ao lado dela. Só lendo vocês poderão entender. 

Se gostei do livro?! Bastante! Louca para ler o terceiro livro da série!


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro de romance

Série As Flores Mais Raras

1. Deslumbrante
2. Provocante
3. Pecadora
4. Perigosa



8 de janeiro de 2026

Iniciando 2026...



Olá, queridos!

O ano de 2026 está começando e, normalmente, seria o momento de fazer promessas literárias. De colocar aqui quais são as minhas metas de leitura para o ano. Só que, desta vez, não farei isso. Porque nos últimos anos prometer não foi positivo. Eu fiz várias promessas de estar mais presente, de voltar a fazer resenhas, de ler mais romances românticos, de voltar a me dedicar ao meu cantinho querido como antes. O meu cantinho que este ano completará 16 anos. Só que toda vez que prometi, veio a vida e se encarregou de mudar tudo. E para não seguir me frustrando, eu decidi que deixarei o ano livre. 

Sim, tenho o meu grande projeto literário, mas também se trata de um projeto bem livre, para cumprir (ou não) ao longo dos próximos anos. Foram livros selecionados conforme o meu grande desejo de lê-los, mas se não for possível concluir a leitura de todos nos anos que virão, tudo bem. Não vou surtar por isso. E eis aqui a questão: nos últimos anos me angustiei muito por não cumprir metas, mesmo tendo prometido que não surtaria.rs Eu sofri por não conseguir me dedicar aos livros como antes, por não ler meus romances, por não fazer as resenhas com a frequência que eu desejava, por participar de clubes de leitura, mas não conseguir concluir a leitura da maioria dos livros. Enfim... Eu sofri bastante. Para alguns pode parecer tolice, mas os livros possuem um lugar muito importante na minha vida e falhar com eles, me causa impacto, me atinge. Bem... É isso que pretendo mudar. 

 O que sim prometo a mim mesma neste ano que se inicia é levar a literatura com leveza. Não significa que não irei cair em prantos com uma história (quase sempre choro com os livros.kkkk), que não vou me emocionar e falar sobre literatura com as pessoas (estou sempre falando sobre livros no meu dia a dia). O que significa "levar a literatura com leveza" é não surtar se não conseguir ler todos os livros que desejo este ano, não me entristecer, me cobrar e me culpar se determinado livro de um clube de leituras não for lido, se não conseguir fazer resenhas, se começar um livro e não terminar... Enfim... Simplesmente me permitir ler conforme o meu tempo, sem cobranças, sem prazos, sem desespero

E é assim que estou começando o ano... Com livros? Claro! Mas de forma leve, sem exigir demais de mim. Estou lendo três livros ao mesmo tempo, de gêneros diferentes, mas no meu ritmo, sem surtar. Ler precisa ser um prazer, queridos! Eu sempre falei aqui sobre o prazer de ler, o privilégio, a mágica que é estar com um livro, mergulhar naquela história e esquecer todo o resto. Quero isso de volta. Quero sentir os livros sem me desesperar com cobranças que eu mesma me faço. Quero ler com tranquilidade. 

Que 2026 seja bom! Para todos nós! E que possamos mergulhar em livros inesquecíveis!

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