16 de novembro de 2022

Leituras concluídas - Outubro/2022

 

Olá, queridos!

É inacreditável como o ano já está chegando ao fim, verdade?! Foi um ano... estranho. Complicado de diversas formas. Estive e estou de luto. Dia 14 de dezembro completará um ano que minha Luana se foi. Tive que aprender a sobreviver sem ela. Sorrir de novo. Retomar os estudos. Trabalhar. Ler... Fiz tudo isso. Mas de maneira "incompleta". Não me entreguei cem por cento a nada. Na verdade, em muitos momentos estive ausente. É difícil de explicar. Só posso dizer que desejo o fim de 2022. 

Porque eu quero recomeçar. Quero ser de novo aquela que se entregava com ganas aos estudos. Que trabalhava com a alma naquilo que estava fazendo e não apenas cumprindo seu dever. Que lia mergulhando profundamente nas histórias e "vivendo" tudo com os personagens. Eu quero. Muito. 

Perdas fazem parte deste mistério lindo e terrível que é a vida. E Luana, minha Luana, sempre será a melhor parte de mim. Sempre será o meu anjinho. Mas eu preciso voltar a viver. Ela nunca iria querer me ver assim. Iria querer que eu fosse feliz. 

Vejo o término de 2022 como o fim de um ano de luto. E 2023 como o recomeço que necessito. Jamais deixarei minha Luana no passado, como nunca deixei minha avozinha, a quem perdi há 20 anos... Elas sempre serão parte da minha vida. O que quero deixar para trás é o luto. 

Este era um post para falar dos livros que li em outubro, certo? E falei tudo isso porque o luto afetou imensamente as minhas leituras e o blog como um todo. Eu apareci por aqui ao longo do ano, mas não por inteiro. Quase não fiz resenhas. Quase não me doei às leituras. E prometo a vocês que ainda leem o que escrevo (risos) que tudo será diferente em 2023. 

O blog faz parte de mim. Sei que faz anos que blogs "saíram de moda" e resenhas agora são vistas em vídeos no Youtube ou lidas no Instagram. Mas eu sou do blog.rs E sempre serei. Escrever aqui me faz bem. E vou continuar... enquanto o Blogger existir.

Mas vamos finalmente às duas leituras que concluí no mês de outubro! 




Literatura norte-americana
Título Original: Sheikh Without a Heart 
Tradutora: Celina Romeu
Editora: Harlequin
Edição de: 2013
Páginas: 158 (e-book)

Sinopse: Um ousado microbiquíni com lantejoulas não era o traje que Rachel Donnelly queria estar usando para conhecer o sheik Karim al Safir. Especialmente por ele ser tão belo... e estar completamente vestido!
Karim não consegue acreditar que aquela é a mãe de seu sobrinho recém descoberto. Sua inquietação diante da visão do corpo seminu de Rachel é uma ameaça à sua reputação de sheik de coração de pedra, mas ele fará jus a ela para assegurar que o herdeiro do trono seja criado em Alcantar.




Comecei a leitura deste livro com a clara intenção de me desligar do mundo por algumas horas... e funcionou.rs Cheguei a considerar fazer resenha sobre ele, mas o tempo passou e acabei desistindo, o que com certeza não foi culpa do livro! 

À primeira vista parece ser o tipo de história fútil e cheia de clichês... realmente é recheada deles (risos), mas é mais profunda do que vocês possam imaginar. De início, eu quis matar o mocinho. Sua arrogância me dava nos nervos, mas conforme a autora constrói sua personalidade e vemos o desenvolvimento do seu interesse pela mocinha e pelo sobrinho... tudo vai mudando. 

Karim não é frio como aparenta e nem se considera tanto assim a última coca-cola do deserto.rsrs De verdade, eu amei a construção do romance entre os dois! Foi lindo ver como ele teve que deixar de lado seu orgulho e todas as regras que foi educado para seguir... pois se agisse como "deveria" teria que fazê-la sofrer... Eu apreciei demais esta história! E não é nenhuma surpresa: Sandra Marton é uma autora que consegue criar histórias lindas mesmo em cenários aparentemente superficiais. Costumo gostar demais das histórias dela. E recomendo MUITO este livro!





Literatura Portuguesa
Editora: Companhia das Letras
Edição de: 1998
Páginas: 64

Sinopse: "E a ilha desconhecida, perguntou o homem do leme, A ilha desconhecida não passa duma ideia da tua cabeça, os geógrafos do rei foram ver nos mapas e declararam que ilhas por conhecer é coisa que se acabou desde há muito tempo..."





Esta ediça que tenho de O conto da ilha desconhecida não possui sinopse, apenas este trechinho do livro que coloquei acima. É um livro que adquiri por puro acaso. 

Tinha chegado cedo para um compromisso profissional no final do mês passado, em Bangu, um bairro aqui do Rio de Janeiro. Lá tem uma biblioteca municipal, e do lado tem um museu de bairro. Eu fiquei encantada pelo pequeno museu, tão cheio de história, preservando a história local. Cheguei a comprar o livro Fazenda Bangu, que é o primeiro de uma série em construção, e tinham alguns livrinhos à venda, numa espécie de sebo. Foi assim que adquiri este pequeno conto do José Saramago, juntamente com dois livros da Rachel de Queiroz. 

Consegui entender o conto? Eu diria que não.kkkkkkk... É bem curtinho, mas nenhuma leitura de Saramago é fácil, seja por um motivo ou outro. Em Ensaio sobre a cegueira, o livro mais doloroso que li dele, a dificuldade fica por conta da densidade emocional. Por ser um livro extremamente forte, de uma crueza que nos tira o fôlego. Em O conto da ilha desconhecida, todavia, encontrei dificuldades pelo jogo de palavras frequente, o duplo sentido... Não consegui captar a mensagem do livro.kkkkkkk... 

Fiquei com a "sensação" de que o autor queria passar a mensagem, através da louca história de um rapaz que queria viajar em busca de uma ilha desconhecida, de que era necessário conhecermos a nós mesmos e que isso só seria possível se víssemos além de nós. Se saíssemos de nós, sabe. Só que não sei se esse é realmente o sentido do livro.kkkkk Fiquei muito confusa e foi até divertido ficar assim de perdida após a leitura. Eu gostei.rs


Além destes dois livros, eu li cinco contos muito bons, a maioria em conjunto com as minhas amigas do trabalho. "O Coração Denunciador" foi uma releitura, na verdade. Já havia lido este conto do Edgar Allan Poe algum tempo atrás e resolvi reler com as meninas. Mas o conto que me impactou profundamente nem fez parte do nosso projeto de leituras coletivas: foi A tortura pela esperança, de Villiers de L'isle Adam. Fiquei um longo tempo pensando nele, no sentimento de angústia que me provocou. Senti um pouco de claustrofobia, um sufocamento, sabe?! Não recomendo para pessoas que não gostam de ler histórias sobre lugares fechados, labirintos ou coisas do tipo. 




12 de outubro de 2022

Leituras concluídas - Julho, agosto e setembro/2022

 
Olá, queridos!

Os meses de julho, agosto e setembro não foram muito bons para minhas leituras. Em julho cheguei a concluir a leitura de quatro livros, mas por um motivo ou outro não consegui fazer a resenha de nenhum deles. Já em agosto, terminei a leitura de apenas uma história e a estava lendo desde fevereiro. Em setembro foram lidos apenas dois livros e alguns contos.  

Este post é para falar dos livros que li em julho, agosto e setembro, mas não resenhei. 


 


Literatura norte-americana
Título Original: Long Way Down 
Tradutora: Ana Guadalupe
Editora: Intrínseca
Edição de: 2019 
Páginas: 318 (e-book)

Sinopse: Will perdeu o irmão para a violência. Agora, precisa enfrentar sua realidade e descobrir se a vingança é capaz de aplacar sua dor

Aos 15 anos, Will conhece intimamente a violência. Ela está à espreita no dia a dia de seu bairro, nos avisos para que não volte tarde para casa, nos sussurros dos vizinhos sobre mais uma pessoa que foi morta. Dessa vez, os sussurros são sobre seu irmão mais velho. Shawn foi assassinado na rua onde a família mora.

Contado do ponto de vista de Will, Daqui pra baixo é uma narrativa ágil que se passa em pouco mais de um minuto — o tempo que o elevador do prédio leva para chegar ao térreo. Esse é o tempo que Will tem para descobrir se vai seguir as regras de sua comunidade ou se é possível não perpetuar o ciclo de violência.

A regra número 1 é não chorar. A número 2, nunca dedurar alguém. A terceira, a crucial: se fazem algo com você ou com os seus, é preciso se vingar. A curta trajetória do elevador é ritmada pelas paradas em cada andar e por aqueles que aos poucos ocupam a cabine e os pensamentos de Will. Cada rosto tem uma história de vida e de morte. Will, em questão de segundos, vai definir a dele.

Originalmente escrito em prosa, depois em verso, Daqui pra baixo faz a emoção — a confusão, a revolta, o medo — de um garoto armado que sai para vingar o irmão crescer também no peito de quem lê. Um livro impossível de ignorar.




Este é um livro que foi bastante "hypado" anos atrás, quando de sua publicação no Brasil. Como não gosto de ler livros que estão sendo muito comentados, eu esperei a febre baixar para dar uma chance à leitura, já que a sinopse tinha me causado interesse na época. 

Assim que comecei a ler, recebi um golpe e tanto pela forma intensa como tudo era contado. As emoções cruas e viscerais do protagonista, o jovem que perde o irmão assassinado a tiros quase no portão de casa. A realidade de medo e desespero de quem cresceu numa comunidade, onde "as leis" são ditadas por aqueles que estão "no poder" e que o mais sensato é sempre ficar calado, fingir que nada viu e nada escutou... ser invisível. Tudo isso me fez muito mal. Foi uma leitura que me causou um mal estar físico e emocional. E que me marcou como leitora e como ser humano. 

Fiquei o tempo inteiro temendo pelo fim. Que decisão aquele jovem tomaria no final? Ainda existiria esperança para ele? Terminaria como o irmão, sendo mais uma parte arrancada do coração de sua mãe? Estas eram perguntas que eu me fazia ao longo da leitura, com muito medo de o final ser trágico. 

Apesar de ter sido um livro difícil por sua carga emocional, amei conhecer o autor e quero muito ter a oportunidade de ler outras de suas obras, que não romantizam a realidade de quem vive na periferia, em comunidades onde uma bala perdida pode terminar com os sonhos de uma criança, onde jovens crescem muitas e muitas vezes limitados pela falta de dinheiro e oportunidades de mudar de vida... 

Uma das cenas mais fortes no livro foi quando soube que uma amiga de infância do Will tinha sido assassinada durante um tiroteio, quando não passava de uma criança brincando na rua, feliz. Aquilo doeu muito. Quantas e quantas de nossas crianças não morrem da mesma forma? Sonhos destruídos por um tiro disparado. Famílias despedaçadas. Como naquela música do Gabriel, o Pensador, chamada "Bala Perdida": "Eu sou uma bala perdida, uma bala desgraçada / Inofensiva, feito uma criança abandonada / Eu estou sendo injustiçada / Não sou culpada / Se eu tô aqui é porque eu fui disparada".






Literatura brasileira
Edição de: 1995
Páginas: 105 

Sinopse: No dia 24 de setembro de 1992 declarei a meu marido algo que sempre senti - felicidade e gratidão pela família tão feliz. Estávamos caminhando pelas ruas de São Bernardo, de braços dados, quando lhe disse: "Sabe, bem, agradeço imensamente a Deus a harmonia de nossa família, os filhos tão maravilhosos que Ele nos deus. Somos verdadeiramente felizes! Nossos filhos são bons, obedientes, amorosos e saudáveis."

No dia seguinte tudo aconteceu... Houve a grande mudança; nosso adorado filho faleceu... A declaração que fizera a meu marido continuava vibrando em minha mente: "somos muito felizes, somos muito felizes"...





Este é um livro que uma amiga me emprestou e que pertenceu à avó dela. Estava já bastante frágil pela passagem do tempo e foi uma delícia ter a oportunidade de ler um livro que atravessou tantos anos e tinha tanta história para contar.... 

Meu interesse pelo livro, do qual eu nunca tinha ouvido falar antes, veio pelo fato desta amiga ter dito que era uma história que ela nunca concluiu, pois sempre que tentava ler parava na mesma cena e chorava. Eu queria saber o que se passava no livro para mexer tanto com as emoções dela e logo nas primeiras páginas já descobri o motivo...

Aqui não temos um livro de ficção. Não. É a história real de uma mãe que perdeu seu filho, vítima de um acidente de carro. Nem consigo imaginar o que é isso... Ter um filho com dezoito anos, cursando a faculdade, cheio de sonhos e projetos, querido pelos amigos, imensamente amado pelos pais e pela irmã... e de repente um acidente vem e acaba com tudo. E tão perto de casa... Há alguns minutos da segurança do seu lar. 

A dor dessa mãe nos atinge com força ao longo da leitura. E nos causa admiração a maneira como ela lida com o luto, com o imenso sofrimento que carrega em seu peito. Ela encontra na fé em Deus e na Outra Vida um refúgio, sabendo que seu filho estava bem, que havia voltado ao Pai e que um dia iria reencontrá-lo. 

A certeza de que seu filho era um ser de luz, e que estava bem, não a impediu de em vários momentos ter chorado com as lembranças, ter desejado afundar no sofrimento. Mas lutava contra isso. Lutava contra os momentos de desespero, pois seu filho não iria querer vê-la em pedaços. Porque outras famílias, que também haviam perdido entes queridos, precisavam de suas palavras de sabedoria e compreensão, precisavam de sua força para atravessar o pior momento de suas vidas. 

Ajudando o próximo, levando conforto para outras pessoas, ela encontra uma forma de curar o próprio coração. E foi completamente impossível não chorar com esta leitura. Chorei bastante. E desejei muito saber como essa família está hoje. A Maria, seu marido e sua filha. Gostaria muito de ter uma oportunidade de falar com ela e dizer como suas palavras foram importantes para mim. Espero que ela esteja bem. Que toda sua família esteja, apesar da saudade imensa que com certeza ainda sentem do filho querido. 






Literatura brasileira
Editora: Companhia das Letras
Edição de: 2019
Páginas: 88


Sinopse: Uma parábola sobre os tempos atuais, por um de nossos maiores pensadores indígenas.

Ailton Krenak nasceu na região do vale do rio Doce, um lugar cuja ecologia se encontra profundamente afetada pela atividade de extração mineira. Neste livro, o líder indígena critica a ideia de humanidade como algo separado da natureza, uma “humanidade que não reconhece que aquele rio que está em coma é também o nosso avô”.

Essa premissa estaria na origem do desastre socioambiental de nossa era, o chamado Antropoceno. Daí que a resistência indígena se dê pela não aceitação da ideia de que somos todos iguais. Somente o reconhecimento da diversidade e a recusa da ideia do humano como superior aos demais seres podem ressignificar nossas existências e refrear nossa marcha insensata em direção ao abismo.

“Nosso tempo é especialista em produzir ausências: do sentido de viver em sociedade, do próprio sentido da experiência da vida. Isso gera uma intolerância muito grande com relação a quem ainda é capaz de experimentar o prazer de estar vivo, de dançar e de cantar. E está cheio de pequenas constelações de gente espalhada pelo mundo que dança, canta e faz chover. [...] Minha provocação sobre adiar o fim do mundo é exatamente sempre poder contar mais uma história.”

Desde seu inesquecível discurso na Assembleia Constituinte, em 1987, quando pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo para protestar contra o retrocesso na luta pelos direitos indígenas, Krenak se destaca como um dos mais originais e importantes pensadores brasileiros. Ouvi-lo é mais urgente do que nunca. Ideias para adiar o fim do mundo é uma adaptação de duas conferências e uma entrevista realizadas em Portugal, entre 2017 e 2019.





Ideias para adiar o fim do mundo foi meu primeiro contato com as obras deste pensador e foi realmente um bom início. Este livro que é uma adaptação, como a sinopse diz, de duas conferências e uma entrevista do autor realizadas em Portugal, me fez refletir sobre muitas coisas, principalmente sobre uma preocupação que já é recorrente em minha vida: a natureza. A forma como estamos acabando com a Natureza e o mundo no qual vivemos, no caos que deixaremos para as futuras gerações. Eu penso nisso com muita frequência e me sinto impotente diante dos constantes gritos de socorro do nosso Planeta. 

Foi uma leitura muito instrutiva, embora eu não concorde com tudo o que o autor disse. Entendo o ponto de vista dele sobre determinados assuntos, mas não chego a ser tão radical como considerei certos posicionamentos do autor. É, sem sombra de dúvidas, um livro para ser relido outras vezes na vida, em diferentes situações. 







Literatura norte-americana
Título Original: The turn of the screw / Daisy Miller
Tradutores: Guilherme da Silva Braga e Henrique Guerra
Editora: L&PM Pocket 
Edição de: 2008
Páginas: 191 (e-book)

Sinopse: Em uma mansão no interior da Inglaterra, uma governanta é encarregada de cuidar de duas crianças órfãs. Apesar de Miles e Flora se comportarem bem, serem inteligentes e afetuosos, há um desconforto crescente no ar. Sobretudo depois que um misterioso e assustador estranho é visto nas redondezas, aparentemente procurando algo – ou alguém. A governanta terá então de lutar por seus pupilos, numa aterrorizante batalha contra o mal – uma batalha cujo desenlace será tanto mais terrível.

A volta do parafuso (1898) é uma história de fantasmas sutil e não-convencional. Tal como as grandes obras de arte, apresenta vários níveis de leitura e está aberta a diferentes interpretações: os fantasmas representam um perigo real para as crianças ou são meramente frutos da imaginação de uma mulher solitária e suscetível? O certo é que essa novela – uma das obras mais populares de Henry James (1843-1916) – provoca um suspense duradouro na alma do leitor.

Já em Daisy Miller (1879), um dos primeiros trabalhos do escritor norte-americano, o suspense fica a cargo do destino de Daisy, uma moça americana que, em uma viagem à tradicional Europa, paga um preço caro por sua espontaneidade, malvista pela sociedade local.

Trata-se de duas novelas exemplares do estilo jamesiano de narrar, mais atento às sutilezas psicológicas do que aos acontecimentos e preocupado em revelar aquilo que jaz por trás das aparências.





A leitura destas duas novelas foi interessante e ao mesmo tempo perturbadora. A Volta do Parafuso eu queria ler fazia alguns meses, mas só tomei a iniciativa de finalmente dar uma chance à leitura depois de assistir Os Órfãos e reconhecer a história nele. 

Percebi que o filme conseguiu transmitir a essência da história presente no livro, toda a loucura e sordidez, mas ainda assim não me preparou para o final... O filme possui um final em aberto, que nos faz questionar o que realmente aconteceu... O que era verdade e o que era loucura. Todavia, o livro não deixa as coisas tão em aberto assim. Não tive dúvidas do que se passou. E senti uma imensa revolta. Uma vontade desesperadora de impedir determinado personagem de fazer o que fez. Só de lembrar, volto a sentir a mesma raiva!

Já com Daisy Miller eu me senti um tanto perdida.rs Até agora não entendi qual era a intenção do autor. Nesta novela temos uma jovem disposta a quebrar todas as regras estabelecidas pela sociedade de sua época, mas se fosse apenas isso, tudo bem! Só que as coisas acontecem de uma forma que me fazem questionar a verdadeira intenção do autor, pois em vez de criar uma personagem a frente do seu tempo, que mostraria como a sociedade podia ser opressora, injusta e cruel... criou uma personagem extremamente louca, que se colocava em risco constantemente, das formas mais idiotas possíveis, chegando ao seu apogeu com aquele risco final. Não consegui torcer pela Daisy, simpatizar com ela... E eu poderia passar sem ter lido sua história...





Literatura brasileira
Editora: Ática
Edição de: 1996
Páginas: 152

Sinopse: Como se manter fiel ao juramento de amor feito no passado, diante de uma nova e ardorosa paixão? É o que se pergunta Augusto ao conhecer Carolina, a Moreninha. Uma resposta surpreendente será dada ao personagem nas páginas deste agradável livro de Joaquim Manuel de Macedo. Publicado em 1844, este é o primeiro romance da nossa literatura.






Embora reconheça a importância deste romance para a nossa literatura e tenha começado a lê-lo com esperanças de amá-lo (afinal de contas, tinha sido indicado por uma amiga que é fã da história), infelizmente é uma história que não funcionou para mim. Que me causou tédio e desgosto, além de um incômodo insistente ao longo de toda a leitura. 

Comecei a lê-lo em fevereiro deste ano e mesmo sendo um livro de menos de duzentas páginas, eu enrolei o quanto pude até concluí-lo, vindo a fazê-lo apenas em agosto. Pensei seriamente em optar por abandonar a leitura. Porém, não sou uma pessoa que goste de deixar as coisas inacabadas. A sensação de não finalizar algo me angustia, e quando acabo por abandonar um livro, isso me atormenta. Assim, foi pelo bem da minha saúde mental que li A Moreninha até o fim.rs 

Recomendo? Apenas por sua importância como o primeiro romance da nossa literatura. Como leitora, não o recomendaria pelo prazer de ler. Como disse, indico apenas por sua importância, mas a experiência de leitura não é agradável. Pelo menos, não foi para mim. Gosto é algo muito pessoal e é possível que o livro funcione para você e se torne um favorito. Só lendo para descobrir... :)







Literatura norte-americana
Título Original: Final Girls
Tradutor: Marcelo Hauck
Editora: Gutenberg
Edição de: 2017
Páginas: 427 (e-book)

Sinopse: "Ela corria por instinto. Um alerta inconsciente de que precisava continuar, independentemente do que acontecesse."

Há dez anos, a estudante universitária Quincy Carpenter viajou com seus melhores amigos e retornou sozinha, foi a única sobrevivente de um crime terrível. Num piscar de olhos, ela se viu pertencendo a um grupo do qual ninguém quer fazer parte: um grupo de garotas sobreviventes com histórias similares. Lisa, que perdeu nove amigas esfaqueadas na universidade; Sam, que enfrentou um assassino no hotel onde trabalhava; e agora Quincy, que correu sangrando pelos bosques para escapar do homem a quem ela se refere apenas como Ele. As três jovens se esforçam para afastar seus pesadelos, e, com isso, permanecem longe uma da outra; apesar das tentativas da mídia, elas nunca se encontraram.

Um bloqueio na memória de Quincy não permite que ela se lembre dos acontecimentos daquela noite, e por causa disso a jovem seguiu em frente: é uma blogueira culinária de sucesso, tem um namorado amoroso e mantém uma forte amizade com Coop, o policial que salvou sua vida naquela noite. Até que um dia, Lisa, a primeira sobrevivente, é encontrada morta na banheira de sua casa com os pulsos cortados; e Sam, a outra garota, surge na porta de Quincy determinada a fazê-la reviver o passado, o que provocará consequências cada vez mais assustadoras. O que Sam realmente procura na história de vida de Quincy?

Quando novos detalhes sobre a morte de Lisa vem à tona, Quincy percebe que precisa se lembrar do que aconteceu naquela noite traumática se quiser as respostas para as verdades e mentiras de Sam, esquivar-se da polícia e dos repórteres insaciáveis. Mas recuperar a memória pode revelar muito mais do que ela gostaria.





Este é um livro que li por acaso, após recomendação da Amazon.rs Estava passeando pelo site quando esta história apareceu como sugestão. Como eu ainda estava assinando o Kindle Unlimited, resolvi dar uma chance. Confesso que foi uma experiência bem agradável. 

É aquele tipo de suspense que te prende desde a primeira página. Você quer saber o que se passou para que todos os amigos da protagonista fossem assassinados e ela conseguisse sobreviver. Torcemos para que a Quincy encontre todas as respostas escondidas no seu passado (pois o choque provocado pelas mortes brutais a fez perder a memória das horas de terror) ao mesmo tempo em que suspeitamos até mesmo dela e do que seria verdade ou mentira nas coisas que ela contava. 

Tive algumas suspeitas, mas nada me preparou para aquele final. Foi um golpe, um choque tremendo e apreciei ainda mais a leitura por conta disso.kkkkkk Gosto quando um livro me surpreende. Quando "quebro a cara" seguindo por um caminho para no fim descobrir que estava bem errada. 






Literatura francesa
Título Original: D' entre les morts
Tradutor: Fernando Scheibe
Editora: Vestígio
Edição de: 2016
Páginas: 192 

Sinopse: Encarregado por um antigo colega de seguir sua jovem e bela mulher, o detetive Flavières logo se vê perdidamente apaixonado pela moça. Essa impropriedade não o impede de investigar os temores de seu amigo Gévigne a respeito da esposa: suas ausências, seus mistérios, uma melancolia que a leva a olhar para as águas do Sena por horas a fio… Nenhum amante, nenhuma simulação, nenhuma doença. Apenas uma estranha relação com a bisavó, morta em circunstâncias terríveis e a quem a jovem Madeleine não chegou a conhecer… Um clássico de Pierre Boileau e Thomas Narcejac, especialistas na arte de conduzir a trama – e o leitor – até onde menos se espera.

Este instigante e sinistro roman noir foi adaptado por Alec Coppel e Samuel A. Taylor e filmado por Alfred Hitchcock em 1958. Um corpo que cai é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos.





Foi por ouvir falar muito do filme (que ainda não tive a oportunidade de assistir) que eu resolvi ler este livro, sem ter muita ideia do que encontraria. E foi outra história que me surpreendeu bastante no final. Porque eu acreditei nos personagens.kkkkkkk... Acreditei em tudo que estava sendo contado e quando descobri que NÃO ERA nada daquilo, que eu estava apenas sendo enganada, foi um choque que me fez parar a leitura por alguns minutos para pensar. Assimilar o que estava acontecendo.kkkkkk 

Recomendo a leitura! É um livro curtinho e surpreendente. 


Então, esses foram os livros que li nos últimos três meses. Espero conseguir regular o meu ritmo de leitura para ler pelo menos mais uns dez dos livros que desejo ler ainda este ano!



18 de julho de 2022

Leituras concluídas - Junho/2022



Olá, queridos!

Em junho, para minha surpresa, eu consegui ler cinco livros. Dois deles eu resenhei: A Casa do Penhasco, livro fantástico da rainha do crime, Agatha Christie. E Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke, livro este que me provocou um grande impacto, se tornando um dos meus preferidos, por sua capacidade de despertar reflexões profundas e mexer com nossas estruturas. 

Este post aqui é para falar dos livros que li em junho, mas não resenhei. 






 Literatura Colombiana
Título Original: Crónica de una muerte anunciada 
Tradutor: Remy Gorga, Filho
Editora: Record
Edição de: 2019
Páginas: 160

Sinopse: O narrador imediatamente sentencia: “No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30 da manhã.” Fatalidade, destino, o absurdo da existência humana. O que explica a tragédia que se abateu sobre o protagonista de Crônica de uma morte anunciada?

Nesta trama curta de construção perfeita, García Márquez monta um quebra-cabeça cujas peças vão se encaixando pouco a pouco, através da superposição das versões de testemunhas que estiveram próximas a Santiago Nasar no último dia de sua vida.

Em que e em quem acreditar? Como descartar a parcialidade das versões e “o espelho quebrado da memória” dos envolvidos.

É isso que o leitor vai descobrir ao longo da narrativa sóbria e direta, cuja estrutura toma emprestado o rigor jornalístico da reconstituição dos fatos tão caro a García Márquez. Todo o tempo, porém, o autor mantém a poesia, a sensualidade e a beleza de sua história e de seus personagens.

Gabriel García Márquez publicou Crônicas de uma morte anunciada em 1981, um ano antes de receber o Prêmio Nobel de Literatura que o consagrou definitivamente como um dos mais importantes autores contemporâneos.




Durante muito tempo eu quis ler este livro. E, ao mesmo tempo, o temia. Porque minha experiência com o autor não é totalmente positiva. Sinto uma mescla de amor e ódio por suas obras e, por vezes, o ódio prevalece.rs

Mas eu tinha imensa curiosidade em relação a esta história, já que ela inicia com a morte do "protagonista", por assim dizer, para nos contar tudo o que se passou antes do momento fatal. Um dos amigos dele, daquela época, resolve colher o testemunho de todas as pessoas que encontraram Santigo no dia de sua morte e que poderiam ter impedido a tragédia, mas por um motivo ou outro acabaram não fazendo nada. 

Quando iniciei a leitura (com um pé atrás, como eu disse, por causa da minha experiência por vezes negativa com as obras do autor) eu realmente não sabia bem o que esperar, mas com certeza não era o que encontrei: um livro extraordinário, que me deixou tensa do início ao fim, e me fez ansiar por fazer alguma coisa para impedir o desfecho que já conhecia, anunciado desde o título: a morte de Santiago. 

Fiquei tão chocada com a história, tão... Nem sei como nomear! Que pretendia fazer a resenha do livro. Mas, infelizmente, no final de junho eu tive um episódio de dor que fez o médico achar que eu tinha que ficar afastada do trabalho por uns dias para repousar e isso me deixou tão estressada (vocês sabem que desde que perdi a Luana ficar em casa muitos dias não me faz bem, é justamente o contrário, já que tudo aqui me faz recordá-la e eu preciso de um ambiente diferente para conseguir suportar o transcorrer do dia) que não tive ânimo para nada e não conseguia me concentrar para escrever a resenha. 

Aí voltei para o trabalho e poucos dias depois comecei a passar mal. Achei que era uma gripe, já que os sintomas me faziam acreditar nisso, mas eu achava estranho o fato de estar tendo muita febre. E então fiz o teste para Covid-19 e, para minha surpresa e angústia, deu positivo. Existiram dias nos quais me senti tão mal que acreditei que não aguentaria, pois era uma dor e um cansaço que me faziam ter dificuldades até para levantar da cama. Então, depois de me recuperar, desisti de vez de fazer a resenha de Crônica de uma morte anunciada. Já tinha se passado muito tempo desde a leitura e eu realmente não sentia mais a mesma vontade de falar sobre o livro, embora tenha se tornando um dos meus preferidos da vida. 

"Ela o viu da mesma rede e na mesma posição em que a encontrei prostrada pelas últimas luzes da velhice, quando voltei a este povoado abandonado, tentando recompor, com tantos estilhaços dispersos, o espelho quebrado da memória."

O trecho acima é um dos que mais me marcaram ao longo da leitura. Pensar naquela mãe que perdeu seu único filho, assassinado de modo tão brutal, ainda tão jovem... me causa um nó na garganta. Imaginar quantas vezes ela o recordava... Como os anos se passavam e ela voltava ao dia de sua morte... e ao fato de que não conseguiu salvá-lo. Como se o destino estivesse decidido a levá-lo e tirasse dela a última chance de impedi-lo. 

É inacreditável o modo como quase todo mundo sabia que Santiago iria ser assassinado e ninguém chegou até ele para contar. Os assassinos gritaram para quem quisesse ouvir o que eles iriam fazer e as pessoas simplesmente deixaram acontecer. Os assassinos QUERIAM ser impedidos, mas as pessoas não os impediram. Só em alertar Santiago, elas já poderiam salvá-lo. Mas ficaram caladas. 

Estou sendo injusta, na verdade. Algumas pessoas, de fato, tentaram fazer alguma coisa, embora de modo bem fraco, insignificante. E o que mais me revolta é que algumas delas passaram ao lado dele bem antes do crime. Estavam com ele diante de seus olhos e poderiam ter falado e ficaram caladas. Umas porque acreditavam que era só um boato, "zoeira". Outras, porque não tinham coragem de dar a "má notícia". E ainda existiram os casos daquelas que queriam vê-lo morto e estavam mais do que ansiosas pelo momento. 

"Não é justo que todo mundo saiba que vão matar o seu filho, e seja ela a única que não sabe."

Quando as pessoas mais próximas de Santiago finalmente ficaram sabendo o que estava para acontecer (essas pessoas foram as últimas a saber), já era tarde demais. Me emocionei muito com a cena do amigo dele correndo desesperado para tentar encontrá-lo antes que o pior acontecesse. Ele estava com Santiago minutos antes, mas como o imbecil que o alertou, só o fez depois que Santiago foi embora, ele perdeu a chance de salvar o amigo. Mas ele tentou. Tentou muito! Fez de tudo para ajudar Santiago, mas já era tarde. 

A cena da mãe dele nem vou comentar, pois não aguento. :( Era como se o destino tivesse marcado aquele rapaz. Como se tivesse decidido que ele iria morrer e ninguém conseguiria impedir, não importando o quanto tentasse. A morte de Santiago é horrível, gente! Horrível demais. E pelas mãos de pessoas que ele jamais imaginaria que pudessem fazer aquilo com ele. O modo como ele chega a sair caminhando enquanto agonizava... Meu Deus! Quero esquecer essas cenas!

"Nunca houve morte mais anunciada."

O inacreditável no livro todo é justamente isso: a morte de Santiago foi imensamente anunciada, pois, como eu disse, os assassinos queriam ser impedidos. Então, eles trataram de anunciar o que iriam fazer, porque não era possível que ninguém tentaria impedir a morte de um jovem que tinha crescido ali, que era conhecido de todos e amigo da maioria. Eles acreditavam que não precisariam matar Santiago, pois alguém, entre as autoridades e as pessoas comuns, os prenderia ou alertaria sua vítima. 

Mas Luna, se eles não queriam matar a vítima, então era só não matar, certo? Infelizmente, a questão era muito mais complexa. Não posso contar o motivo, pois seria spoiler, mas aquelas pessoas estavam praticamente obrigadas a fazer aquilo. E só lendo para entender. 

"[...] Principalmente, nunca achou legítimo que a vida se servisse de tantos acasos proibidos à literatura para que se realizasse, sem percalços, uma morte tão anunciada."

Embora eu não tenha feito a resenha do livro, dá para vocês perceberem como esta história mexeu comigo, certo? Eu ainda penso nela, quase um mês após lê-la... Fico lembrando dos acontecimentos e sentindo a mesma incredulidade e desespero. Tenho que reconhecer: Gabriel García Márquez era um excelente contador de histórias. Suas narrativas são sempre impecáveis. A pessoa pode até odiar algum dos seus livros, mas não sai ileso de nenhuma leitura. Ele tinha o dom para criar histórias impressionantes e contá-las de um jeito único. É uma pena que tenha insistido em alguns temas que me incomodaram muito e me fizeram ter um relacionamento quase que de ódio com suas obras. Crônica de uma morte anunciada, de certa forma, resgatou o autor para mim, quando eu já estava decidida a nunca mais ler nenhum dos seus livros. Depois desta história, eu reconsiderei a decisão de não ler mais suas obras. Resolvi lhe dar mais uma chance. 







 Literatura Irlandesa
Título Original: The Arabian mistress 
Tradutora: Celina Romeu
Editora: Harlequin
Edição de: 2015
Páginas: 256 

Sinopse: A última coisa que Faye precisava era ter que implorar pelo perdão do príncipe Tariq Shazad ibn Zachir. Fazia mais de um ano que não se viam. Mais precisamente, desde o dia em que se casaram. Mas o irmão de Faye fora feito prisioneiro no país de Tariq, e apenas ele poderia libertá-lo. Faye sabia que o reencontro seria difícil, mas acabou sendo surpreendida pela proposta de seu marido. Ele libertaria o irmão de Faye se ela aceitasse ser sua amante...




Este é um livro que reli após doze anos... Lynne Graham, mais de uma década atrás, costumava ser minha autora favorita dos livros de romances. Eu acredito que já li todos os livros dela que foram publicados no Brasil e foram MUITOS. Dezenas! Devo ter lido fácil, fácil, uns 60 livros da autora. Houve um tempo em que tinha isso anotado, mas no momento não sei onde está.rs Na época, eu era tão fã da autora que lia até mesmo os livros que ainda não tinham chegado ao Brasil, algo semelhante ao que fazia também em relação a minha querida Candace Camp e outras autoras amadas. 

E hoje em dia? Ainda sou tão fã da autora? SIM! A Lynne Graham sempre terá um lugar querido em meu coração. Todavia, ser fã da autora não significa necessariamente que se lesse certos livros dela hoje em dia "isso daria certo".kkkkkkkkk Se naquela época eu já me estressava com seus "mocinhos", que muitas vezes eu considerava verdadeiros vilões, atualmente sou ainda mais crítica. E com motivos!

Apesar de ter gostado da história, da escrita da autora que sempre me cativa e considerá-la digna das quatro estrelas que dei ao livro, eu não curti tanto assim o romance entre o casal. Na verdade... Me perguntei se eu poderia matar um personagem. No caso, o tal mocinho da história.rs

Tariq me irritou. Muito. MESMO!  A desigualdade da relação entre os dois, o desequilíbrio... E principalmente o fato de ele se aproveitar justamente disso. 

Aqui temos uma mocinha que cometeu o grande pecado de se apaixonar por um homem um pouco mais velho e, ingênua como era na época, ter mentido sua idade na intenção de pelo menos sair com ele, nem que fosse uma vez. Ela sabia que se ele soubesse que ela tinha apenas 19 anos, não iria lhe dar atenção. Ela errou? Claro. Mas isso não o autorizava a tratá-la como a tratou quando certas coisas aconteceram e eles tiveram o casamento mais curto da história. O casamento só durou o tempo de dizer "sim" e então tudo acabou. Enfim...

O que me irritou tanto no livro? Como eu disse, o desequilíbrio. Ver alguém numa posição de superioridade tanto pela experiência quanto pela situação financeira se aproveitar de alguém que não tinha nem metade da experiência dele e muito menos o dinheiro. E como ele se aproveitou? Se interessando por ela? Não. Sabendo o poder que tinha, ele se aproveitou de uma situação horrível pela qual ela passou para conseguir o que queria, pois era "superior" a ela. Tinha o poder e o dinheiro que ela não tinha e, assim, poderia fazer o que bem entendesse. Como humilhá-la diversas vezes na história

Faye, cerca de dois anos após o término do seu casamento relâmpago, se viu na situação de ter seu único irmão preso por dívidas num país árabe, onde as leis eram muito diferentes daquelas que ela conhecia. O fato de seu irmão ter falido era motivo para ele ser preso e somente se ela tivesse a quantia necessária para quitar suas dívidas é que ele poderia ser solto e voltar para casa, para os filhos pequenos e a mulher que não sabia como lidar com todo o sofrimento causado por sua prisão. Que o irmão dela foi um grande imbecil, eu não nego! Mas é justamente dessa situação que o Tariq vai se aproveitar e foi isso que tanto me incomodou na história. 

Por que dei quatro estrelas ao livro se tive sérios problemas com a história? Não sei!kkkkk Estou brincando. A verdade é que as estrelas foram mais pela autora que tanto admiro e pela nostalgia. Por ter sido um livro que li doze anos atrás, quando eu ainda era uma menina de 16 anos... e ter sido uma história que, naquela época, eu encontrei motivos para amar. 






 Literatura Inglesa
Título Original: Hansel & Gretel
Tradutor: Augusto Calil
Editora: Intrínseca 
Edição de: 2015
Páginas: 54

Sinopse: O prestigiado escritor Neil Gaiman e o brilhante ilustrador Lorenzo Mattotti se encontram para recontar o clássico João e Maria. Familiar como um sonho e perturbador como um pesadelo, o conto narra a saga de dois irmãos que, em tempos de crise e falta de esperança, são abandonados pelos próprios pais e precisam enfrentar com coragem os perigos de uma floresta sombria.

Em um texto poético, Gaiman revive a tradição dos contos de fada, dando profundidade à aventura dos irmãos, mas sem abandonar a autenticidade e o talento único de mesclar realismo e fantasia que o transformaram em um dos maiores autores de sua geração. Mattotti, por sua vez, dá um ar inteiramente novo ao clássico. Seus traços criam um jogo de luz e sombra, permitindo que o leitor desvende aos poucos a imagem, assim como os segredos da história de João e Maria.






Esta não é a versão que eu conhecia do clássico João e Maria.rs A da minha infância também tinha a questão sombria da bruxa que devorava crianças, mas não tinha o abandono dos pais. Isso eu tinha encontrado num outro conto de fadas que li alguns anos atrás chamado, se não me engano, o pequeno polegar

O conto narrado pelo Neil Gaiman é muito triste e doloroso. Fiquei tensa a leitura inteira, com medo da forma como ele terminaria, se seria a versão "feliz" que eu conhecia ou algo diferente. Ver as crianças serem abandonadas daquela maneira pelos pais, que sabiam que não havia outro destino para elas que não fosse a morte naquela floresta, me provocou revolta e muita tristeza. Eles estavam passando fome, mas nada justifica tamanha crueldade. Nunca amaram os filhos, pois quando amamos alguém fazemos até o impossível para protegê-lo. 

Não foi um conto que me fez bem, mas sem sombra de dúvidas é uma história que atravessou os séculos e, contada e recontada, segue sendo cheia de importantes lições. 



27 de junho de 2022

Cartas a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke

 

Literatura austríaca
Título Original: Briefe an einen jungen Dichter
Tradutor: Pedro Sussekind
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2006
Páginas: 96

Sinopse: Paris, fevereiro de 1903. Rainer Maria Rilke recebe uma carta de um jovem chamado Franz Kappus, que aspira tornar-se poeta e que pede conselhos ao já famoso escritor. Tal missiva dá início a uma troca de correspondência na qual Rilke responde aos questionamentos do rapaz e, muito mais do que isso, expõe suas opiniões sobre o que considerava os aspectos verdadeiros da vida. A criação artística, a necessidade de escrever, Deus, o sexo e o relacionamento entre os homens, o valor nulo da crítica e a solidão inelutável do ser humano: estas e outras questões são abordadas pelo maior poeta de língua alemã do século XX em algumas das suas mais belas páginas de prosa. 




Estou apaixonada. Como é incrível descobrir-se amando assim, do nada! E logo depois de conhecer o objeto do seu amor, aquele que despertou suas emoções... Eu o conheci faz menos de uma hora e já o quero comigo até o fim da minha existência aqui nesta Terra. Preciso comprá-lo. Tê-lo como meu, para carregá-lo comigo sempre que precisar

Estou falando do livro Cartas a um jovem poeta, do autor austríaco, Rilke. Não estava em minhas metas. Na verdade, nunca tencionei lê-lo. Mas hoje, enquanto passeava pelo site da Amazon, o livro apareceu como indicação e resolvi lê-lo, assim, de impulso. Peguei emprestado pelo Kindle Unlimited e fui arrebatada logo nas primeiras páginas. 

Como explicar os sentimentos que esta obra de arte epistolar despertou em mim? Não dá! É simplesmente inexplicável. 

"[...] e mais indizíveis do que todos os acontecimentos são as obras de arte, existências misteriosas, cuja vida perdura ao lado da nossa, que passa."

Depois de tudo o que se passou comigo no sábado, perdida em minhas emoções, sozinha com meus pensamentos e dores, este era exatamente o tipo de livro que necessitava ler. 

Não é o que se passa no exterior que vai ditar quem somos. É preciso nos voltarmos para dentro, onde estão todas as respostas que buscamos. Não é o que o outro pensa de nós que importa. Temos que aprender a ignorar as vozes que gritam do lado de fora, com acusações e falsas promessas. Que gritam tanto querendo calar justamente a voz que mais importa, aquela que fala baixinho, quase com timidez, de dentro de nós: a nossa voz interior, a voz da nossa essência. 

No sábado, eu permiti que todas as outras vozes gritassem. Na verdade, venho fazendo isso há muito tempo. Está na hora de parar. Espero encontrar dentro de mim toda a força necessária para ser diferente. Preciso mudar. Está mais do que na hora. 

"Investigue o motivo que o impele a escrever; comprove se ele estende as raízes até o ponto mais profundo do seu coração, confesse a si mesmo se o senhor morreria caso fosse proibido de escrever. Sobretudo isto: pergunte a si mesmo na hora mais silenciosa de sua madrugada: preciso escrever?"

Como pode um livro te despertar do nada? Sempre disse que os livros são mágicos. Que assim como salvaram minha vida treze anos atrás, seguem me salvando dia após dia. Sem a literatura eu já teria retornado ao pó do que qual fui feita, do qual todos fomos criados. Eu já não seria nada. A literatura é parte de mim; necessito dela como do ar que respiro. 

"Não há meio pior de atrapalhar esse desenvolvimento do que olhar para fora e esperar que venha de fora uma resposta para questões que apenas seu sentimento íntimo talvez possa responder, na hora mais tranquila."

O dia de hoje, tão nublado e triste, chuvoso e frio, me presenteou com este livro. Acordei sem saber que o leria. E agora me sinto mais leve, até um tanto feliz. 

E, como eu disse, não dá para explicar o motivo para tanto amor por um livro tão simples, tão curto!

"Obras de arte são de uma solidão infinita, e nada pode passar tão longe de alcançá-las quanto a crítica. Apenas o amor pode compreendê-las, conservá-las e ser justo em relação a elas."

As palavras acima não fariam parte de uma resenha. Foram escritas no meu diário, na data de hoje, 26 de junho de 2022, logo depois de concluir a leitura deste maravilhoso livro. Eu senti a imensa necessidade de compartilhar com alguém tudo o que estava sentindo e que não conseguia explicar... A maneira como as palavras do autor se cravaram em mim. Como me impactaram. E eu sou aquela que, mesmo aos quase 28 anos de idade, tem o hábito de escrever num diário. 

Escrever me faz bem. Escrevo resenhas porque me sinto bem ao falar dos livros que li. Escrevo contos e até já concluí um romance (embora ainda não o tenha dividido com vocês) porque necessito disso. Do mundo das palavras. Da literatura, da escrita. E quando eu abro o meu diário, pego uma caneta e começo a escrever... consigo reorganizar minhas emoções. Me sentir viva de novo. 

Quando comecei esta leitura eu não fazia a menor ideia do que encontraria. Acreditava que era um simples livro em formato epistolar, que nos possibilitaria conhecer as cartas que Rilke trocou com o jovem poeta Kappus ao longo de alguns anos. 

Franz Kappus decidiu um dia escrever ao poeta Rilke, já bastante famoso em sua época, pedindo conselhos para se aventurar pelo mundo da poesia e acredito que nem ele imaginava tudo o que aprenderia com essa correspondência, a maneira como o autor abriria seu coração e compartilharia sua visão sobre diversos assuntos, capazes de despertar inúmeras reflexões em todos nós. E eu não sei, realmente não sei, colocar em palavras a maneira como ele consegue mexer com nossas emoções. Só posso recomendar que você reserve uma hora do seu dia para dar uma chance a este livro. E espero de verdade que ele te faça tão bem como me fez!

"Viva por algum tempo nesses livros, aprenda com eles o que lhe parecer digno de aprendizado, mas sobretudo os ame. Esse amor lhe será retribuído milhares e milhares de vezes, de modo que, seja qual for o rumo tomado pela sua vida, tenho certeza de que ele percorrerá o tecido de seu ser como um dos fios mais importantes entre todos os fios que compõem a trama de suas experiências, decepções e alegrias."





Topo