18 de setembro de 2020

O Mágico de Oz - L. Frank Baum


Literatura norte-americana
Título Original: The Wonderful Wizard of Oz
Tradutor: Luis Reyes Gil
Editora: Autêntica
Edição de: 2017
Páginas: 226

50ª leitura de 2020 (47ª resenha do ano)

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: O Mágico de Oz conta a história de Dorothy Gale, uma órfã que vivia com os tios numa fazenda do Kansas, nos Estados Unidos. Um dia, um ciclone arranca do chão a casa onde moravam. Os tios conseguem entrar no porão que usavam como abrigo para tempestades, mas Dorothy e seu cachorro, Totó, se atrasam e ficam na casa, que foi levada durante muito tempo pelos ares até chegar à Terra de Oz.

Lá, Glinda, a Bruxa Boa do Norte, explica a Dorothy que ela havia matado a Bruxa Malvada do Leste, pois a casa aterrissou em cima dela. Dorothy agora é, por direito, dona dos sapatos mágicos prateados da bruxa má. Além disso, Glinda lhe dá um beijo na testa, para ela ficar em segurança durante as aventuras que viveria a caminho da Cidade das Esmeraldas, onde vive o poderoso Mágico de Oz, o único que poderia ajudá-la a voltar para o Kansas.

Para chegar à Cidade das Esmeraldas, Dorothy tem que seguir por uma estrada de tijolos amarelos. Durante a caminhada, ela encontra o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde. Os três se juntam a Dorothy, pois também querem encontrar Oz e pedir algo para ele: o Espantalho quer um cérebro para pensar como os homens; o Homem de Lata, um coração para amar como os homens, e o Leão Covarde quer coragem para ser o Rei dos Animais.

A partir daí, os quatro encaram perigos, vivem histórias fantásticas e aprendem a enfrentar os próprios medos.




Acho que é quase impossível alguém ter passado pela vida sem ter ouvido falar desta história.rs Eu não consigo me lembrar bem como foi que a conheci, se através de algum desenho, filme ou outra adaptação, só o que sei é que ainda não tinha lido o livro, mas sabia tudo o que iria acontecer ao longo da narrativa. Conhecia bem os personagens e todas as suas aventuras para conquistar o que tanto sonhavam...

Nesta obra voltada para o público infantojuvenil (mas capaz de encantar pessoas de todas as idades!) conhecemos a pequena Dorothy, uma menina órfã criada pelos tios, que eram pessoas humildes que não encontravam na vida motivos para sorrir, ao contrário dela que sempre estava brincando e rindo com seu cãozinho Totó. Embora viver no Kansas não fosse muito agradável, pois tudo parecia cinzento e triste, Dorothy amava os tios e não imaginava a vida longe deles. 

"Era Totó que fazia Dorothy rir, e foi quem evitou qu ela crescesse tão triste quanto todo o resto que a rodeava."

Todavia, num dia em que uma terrível tempestade rapidamente começou, ela não teve tempo para entrar no buraco que tinha no chão e servia como abrigo contra esse tipo de dificuldade. Sua casa foi arrancada por um ciclone e a pequena foi junto, tendo apenas Totó como companhia. E foi assim que ela acabou parando na Terra de Oz e matando a cruel Bruxa do Leste, já que a casa aterrissou em cima da malvada. 

Um tanto confusa por ser considerada uma heroína (quando ela era incapaz de matar até mesmo uma formiga), tudo o que Dorothy mais desejava era regressar ao Kansas, para junto dos seus tios. E toda a sua aventura pelos esquisitos e fascinantes países daquele mundo tão extraordinário será voltada para a realização deste que é o seu maior desejo. 

"Não podemos machucar essa garotinha - avisou aos demais -, pois ela é protegida pelo Poder do Bem, que é maior que o Poder do Mal."

Tudo o que eu precisava no momento era ler uma história que fosse leve e divertida, que me provocasse um quentinho no coração e me fizesse esquecer um pouco a vida real. E O Mágico de Oz me proporcionou uma leitura maravilhosa, cheia de magia, amor e amizade, do tipo que nos faz sorrir e sonhar.

Como Dorothy desejava voltar para sua casa e ninguém sabia ao certo qual era o caminho, ela acaba sendo orientada a procurar pelo misterioso (e considerado terrível) Mágico de Oz, um dos mágicos mais poderosos já existentes e o único capaz de fazê-la regressar para junto dos seus tão amados tios. 

No meio dessa aventura, a menina conhece três personagens que simplesmente roubam nosso coração! O Espantalho, que tinha sido criado a pouco tempo e sonhava em ter um cérebro para ser um homem como qualquer outro. O Homem de Lata, nosso amado lenhador, que um dia tinha sido humano, mas ficou naquelas condições por causa de uma bruxa muito ruim. Tudo o que ele mais desejava era ter de novo um coração e assim poder amar. E temos também o famoso Leão Covarde, que sonhava em ser corajoso para poder ser de verdade o rei dos animais. 

"Não existe criatura viva que não sinta medo diante do perigo. A verdadeira coragem está em enfrentar o perigo mesmo quando você tem medo [...]"

A amizade entre todos eles é quase imediata e juntos enfrentam todos os perigos que aparecem ao longo do caminho. Eles acompanham Dorothy, pois também desejam pedir ao Mágico de Oz que realize os seus sonhos. 

Este livro nos aparesenta um mundo encantador, do qual não queremos sair ao final da leitura. Eu queria continuar lá!kkkkkkkkkk... E foi por isso que acabei não dando 5 estrelas, pois considerei o final abrupto, muito rápido. Dava para ter desenvolvido melhor aquele final, o que seria mais justo com uma história tão linda. 

A forma como esses personagens se tornam tão amigos me emocionou muito. Era tão bonita a amizade entre eles, a cumplicidade, o fato de um nunca abandonar o outro pelo caminho, não importava o que acontecesse e como parecesse impossível seguirem todos juntos. Este foi o ponto alto da história, o que ela teve de mais especial: essa amizade tão linda e emocionante entre Dorothy, o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde. Vou levar esses personagens para sempre comigo!

Enfim... É uma história que recomendo para todos que desejam sonhar! :)


-> DLL 20: Um livro de cor amarela


9 de setembro de 2020

A Abadia de Northanger - Jane Austen


Literatura Inglesa
Título Original: Northanger Abbey
Tradutor: Rodrigo Breunig
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2011
Páginas: 272

49ª leitura de 2020 (46ª resenha do ano)

Sinopse: Catherine Morland, dezessete anos, coração puro, é uma mocinha ingênua, viciada em livros repletos de desventuras horripilantes e amores trágicos. Sabendo sobre a vida apenas o que leu nos romances, ela sai de seu obscuro vilarejo natal para passar uma temporada em Bath, estação balneária frequentada pela aristocracia inglesa, onde conhece bailes excitantes, uma amiga amabilíssima, um cavalheiro encantador e outro insuportável. E sai de Bath para ser hóspede, como num sonho, de uma abadia. A antiga construção, porém, revelará sinais misteriosos, indícios de que foi cenário, no passado, de um crime medonho. Exatamente como ela lera nos livros...



Estou passando por dias um tanto ruins na minha vida e confesso que não me sinto capaz de escrever esta resenha. Mas este é um livro que me encantou tanto que eu resolvi pelo menos tentar falar sobre ele. 

Persuasão era até agora o meu livro preferido da Jane Austen. Todavia, depois da maravilhosa experiência de ler A Abadia de Northanger, eu já não sei mais o que fazer.rsrs Acho que vou deixar os dois ocuparem o primeiro lugar entre os mais amados da autora...

Quando iniciei esta leitura eu não sabia bem o que esperar. Não é um dos romances mais famosos dela, poucas vezes li resenhas sobre ele (na verdade, no momento, sequer consigo lembrar de nenhuma resenha que tenha lido!) e, no fundo, acreditava que não chegaria aos pés das outras histórias. Só que logo no início, a ironia da autora, bem mais explícita neste romance do que em qualquer outra história que já li dela, já me fascinou e eu ria tanto com a maneira como ela debochava dos costumes e das relações de "amizade" existentes entre alguns personagens, que consegui perceber que este livro me preparava grandes surpresas...

Nele temos uma heroína que não possui muitas características dignas de uma heroína (segundo a autora, que o tempo inteiro "se mete" na história.rsrsrs), que tudo o que conhece da vida é o que leu em seus amados livros (vários deles de terror) e a pouca experiência que tinha em se relacionar com outras pessoas, vez que vivia num vilarejo de onde jamais tinha saído. Ela tinha apenas dezessete anos e era bastante ingênua, inclusive para a idade. 

Um dia, o senhor e a senhora Allen, que não tinham filhos e viam em Catherine sua protegida, resolveram levá-la para uma temporada em Bath, algo que a empolgou bastante. Era sua primeira chance de conhecer outros lugares, outros tipos de pessoas e possivelmente um "mocinho" adequado. Lá, Catherine acaba desenvolvendo amizade com Isabella Thorpe, que lhe jura fidelidade eterna e não consegue passar sequer um dia longe de sua "amada amiga". Isabella possuía um irmão, John Thorpe, que por coincidência era o melhor amigo do irmão da nossa mocinha. 

Além desses personagens, que serão significativos na vida de nossa heroína, ela também conhece Henry Tilney, por quem sente uma "inexplicável" atração. Só com ele queria realmente dançar. Só com ele era interessante conversar e o mais fascinante é que Henry não via os romances com desprezo, como outras pessoas, e não é nada mau se interessar por alguém que aprecia os livros, certo? Só que existia John Thorpe, o desagradável e "chiclete" irmão de sua amiga. Alguém que amava muitíssimo a si mesmo (e ninguém mais) e estava determinado a conquistar Catherine e atrapalhar sua amizade com os Tilney.

E como se não bastasse os grandes desafios que Catherine terá que enfrentar ao lidar pela primeira vez com a hipocrisia de outras pessoas, sua imaginação tão fértil conseguirá colocá-la numa certa confusão... em uma determinada abadia.  

Mas se tem uma coisa garantida nesta divertida e envolvente história é o final feliz! Dele, Jane Austen não abre mão. Para a alegria de nós leitores, claro!

" - A pessoa que não sente prazer com um bom romance, seja cavalheiro ou dama, só pode ser intoleravelmente estúpida."

Eu amei cada momento da leitura e só queria devorar as páginas para saber como terminava. É uma história na qual a autora usa e abusa da ironia como nunca a vi fazer (geralmente nos outros livros, ela é mais implícita) e isso foi o que mais me agradou. Me proporcionou muitas risadas e a maneira como ela se metia na história, conversando com nós leitores, também foi um espetáculo. Era como se ela realmente estivesse falando diretamente com a gente e isso foi incrível. Amei demais este livro! 

Impossível não mencionar o talento da autora para expor certas amizades falsas escondidas sob um verniz de grande carinho, bem como a hipocrisia daqueles que só se aproximam de outros por interesse e os tratam como os mais "preciosos do mundo", de acordo com o status e a riqueza deles. Vários personagens eram tratados de acordo com sua fortuna, as pessoas valiam apenas o que tinham... algo não muito diferente do que ainda acontece nos dias de hoje. 

Além disso, de maneira um tanto mais implícita, ela também menciona a realidade de filhos submetidos a pais controladores e abusivos, que precisam "pisar em ovos" todos os dias para lidar com alguém de quem não podiam se libertar pelos laços de sangue e de afeto. Uma das coisas que mais me enfurecia neste aspecto, era a maneira como aquele pai sempre falava pela filha, anulando suas vontades, anulando sua voz. E como, inclusive, a envergonhava na frente de outras pessoas. O tempo inteiro ela tinha que agir com cautela, tentando lidar com uma situação com a qual não teve outra escolha senão se acostumar... até ter a oportunidade de escapar daquilo pelo casamento. Tudo isso é mostrado de forma mais implícita, como eu disse, mas está ali para o leitor perceber. 

A relação entre Catherine e Henry é bem fofa, mas até nisso a autora teve que ser única.rsrs Só lendo para vocês entenderem. Gostei demais dos dois juntos e torci muito por seu final feliz. 

A história de alguns personagens não "fechou" como eu gostaria, mas a autora fez de propósito para que nossa imaginação fizesse sua parte. E como não falar da paixão da protagonista pelos livros???? É tão maravilhoso encontrar um personagem que seja leitor! Infelizmente, não aprecio o mesmo gênero literário que ela, mas só o fato de ela ser leitora já me deixou com um sorriso no rosto. E era bem divertido ler sobre as loucuras que a mente dela aprontava influenciada pelos livros lidos.kkkkkk... Ela é bem doidinha!

Enfim... É isto, queridos! Sei que esta resenha não é digna da história, mas fico feliz por passar pelo menos um pouquinho do meu amor pelo livro. Espero que tenham gostado! :)


-> DLL 20: Um livro lançado antes de 2016



5 de setembro de 2020

Livros lidos e não resenhados (julho/agosto de 2020)

Olá, queridos!

Às vezes acontece de eu ler um livro e, por um motivo ou outro, não conseguir fazer a resenha. Felizmente, isso aconteceu muito pouco ao longo dos mais de dez anos do blog. Mas 2020 está sendo atípico. Um ano digno de ser considerado um pesadelo. E claro que isso afetou as minhas leituras. Existem momentos nos quais não sinto vontade de ler, passo dias sem tocar em livro algum (lembrando que a leitura é minha maior paixão) ou não sinto vontade de fazer resenhas. E tudo bem. Porque ler e/ou resenhar não é para ser uma obrigação, mas sim um prazer. 

Todavia, não é só por isso que alguns livros não serão resenhados de agora em diante. Toda vez que eu não fizer a resenha de alguma história que tiver lido, irei explicar os respectivos motivos. 


Literatura norte-americana
Título Original: The good daughter
Tradutor: Zé Oliboni
Editora: HarperCollins
Edição de: 2018
Páginas: 464

40ª leitura de 2020 

Sinopse: Charlotte e Samantha eram apenas adolescentes quando invadiram sua casa em Pikeville à procura de seu pai Rusty, um advogado de defesa odiado por algumas pessoas da cidade que o viam como "a mão direita do Satanás" por defender todo tipo de criminosos.

Ele estava no fórum quando dois homens descontaram seu ódio na família - matando sua esposa, atirando na cabeça de Samantha, deixando-a à beira da morte, e aterrorizando Charlotte.

Afetadas pelo trauma, as irmãs precisam se reencontrar após um crime hediondo em uma escola. Charlotte é a primeira a chegar ao local do crime e revive a violência de seu próprio passado. Após tantos anos de segredos e silêncio, a família é obrigada a lidar com o caso em uma história de intrigas e reviravoltas que mostra que nem tudo é o que parece.




A Boa Filha foi minha penúltima leitura de julho e a 40ª do ano. Um livro que li numa leitura coletiva e amei cada momento (menos o final da história). É um livro que nos envolve desde o prólogo, quando sofremos um choque muito grande com a violência presente nas cenas, a crueldade enorme de que Samantha, Charlotte e a mãe delas são vítimas. É um início que nos rouba o fôlego e viramos as páginas com ansiedade, desejando saber tudo o que ocorreu depois, como conseguiram superar e seguir em frente. 

Eu tinha que terminar a leitura do livro Para Sempre para um desafio e terminei de ler os dois quase ao mesmo tempo, dando prioridade para a resenha da outra história, o que acabou prejudicando esta, vez que o mês de julho terminou sem que eu tivesse conseguido começar a resenha de A Boa Filha. Assim, ao iniciar as leituras de agosto já não havia tempo para me dedicar como sempre me dedico na hora de escrever sobre um livro. Vários dias já tinham se passado. :(

Esta não é uma leitura fácil, mas depois de Flores Partidas (outra história da mesma autora), eu já estava preparada para tudo. Acho que nenhum livro conseguiria ser mais pesado que aquele. 

Durante a leitura coletiva foram realizados dois debates e ambos foram maravilhosos! Como vocês já sabem, amo ler em conjunto, pois é possível conversar e desabafar sem medo de estragar a leitura de ninguém com spoilers.rsrs

É um livro que recomendo muito, mas para quem já conhece os livros da autora ou está acostumado a ler livros fortes. 




Literatura Irlandesa 
Título Original: The picture of Dorian Gray 
Tradutor: Jorio Dauster
Editora: Folha de São Paulo
Edição de: 2016
Páginas: 176
43ª leitura de 2020

Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura #6

Sinopse: Escrito em 1890, este romance de Oscar Wilde talvez seja até mais atual do que em seu lançamento. O culto à aparência física e à eterna juventude deixou de ocupar apenas alguns estetas e aristocratas, como ocorria no fim do século XIX, para se transformar em fenômeno de massa. 

No esplendor da juventude, Dorian Gray posa para um quadro, e lamenta que, com o passar dos anos, perderá a beleza ali retratada. Ou será que não? Um pacto diabólico está em curso. 




Este é um livro que resolvi não resenhar por um simples motivo: já tem resenha dele no blog. Sim. Porque o li pela primeira vez em 2018 e vocês podem ter acesso à resenha clicando aqui

Na época, eu jurei que nunca iria reler esta história. Que nunca mais permitiria que o livro me causasse todo aquele tormento, aquele desgaste emocional tão grande. Lendo a resenha vocês poderão entender um pouco do que estou falando. O Retrato de Dorian Gray é um livro completamente digno de 5 estrelas, mas é uma história que tem como personagens principais dois homens podres, cruéis. Que sentem prazer na maldade. É uma história que faz com que nos sintamos mal. Pelo menos, foi assim que me senti da primeira vez que li. E o sentimento permaneceu na releitura. 

Mas por que decidi reler? Porque, através do projeto de leitura coletiva da Mell do canal Literature-se, eu fiquei sabendo que a versão que li em 2018 é a autocensurada pelo próprio autor e contendo 7 capítulos a mais que a versão original. Isso acontece porque este livro do Oscar Wilde causou muitos problemas ao autor em sua época. O livro sofreu censura pelo próprio editor dele, pelo que entendi, e mesmo assim recebeu duras críticas. O autor, então, autocensurou o próprio texto e acrescentou mais sete capítulos. Todavia, de nada adiantou. O livro chegou a ser usado como prova contra o autor, que foi condenado a dois anos de prisão e trabalhos forçados por ter tido relações com rapazes, ou seja, por ser homossexual. Isso era considerado crime. E o livro foi usado como prova contra o autor! Sim! Inacreditável!

Este foi meu motivo para reler. Já que eu tinha lido a versão censurada e contendo 20 capítulos, quis ler a versão original, sem censura e com seus 13 capítulos. Confesso que não notei grandes diferenças. Cheguei a comparar em vários momentos as duas versões, mas as diferenças são mínimas, pelo que pude perceber. A maior diferença é que uma versão tem 20 capítulos e a outra tem 13. 

Como eu disse, meus sentimentos pela história permanecem os mesmos. Sigo detestando profundamente o Dorian. Sigo sentindo asco do Henry. Eles são ainda mais cruéis do que eu me lembrava!


Literatura Brasileira
Editora: Companhia das Letras
Edição de: 2009
Páginas: 280

48ª leitura de 2020 

Sinopse: Clássico absoluto dos livros sobre a infância abandonada, Capitães da Areia assombrou e encantou gerações de leitores e permanece hoje tão atual quanto na época em que foi escrito. A história crua, comovente, dos meninos que moram num trapiche abandonado e vivem de pequenos furtos e golpes causou impacto desde o lançamento, em 1937, quando a polícia do Estado Novo apreendeu e queimou inúmeros exemplares do livro. Longe de manifestar piedade por suas pequenas criaturas, Jorge Amado as retrata como seres dotados de energia, inteligência e vontade, ainda que cerceados pelas condições sociais hostis em que estão inseridos. Com sua prosa repleta de verve e humor, o escritor baiano nos torna íntimos de cada um desses personagens e nos contagia com sua obstinada gana de viver. 




Eu demorei a publicar este post (pretendia publicá-lo no dia 31 de agosto) porque passei todos estes dias sem decidir se iria ou não fazer a resenha de Capitães da Areia, um livro que bagunçou minhas emoções, me provocou uma angústia enorme e se tornou um dos meus preferidos da vida. 

Acontece que não consegui, simplesmente não consegui escrever a resenha. Não sou capaz de falar sobre este livro, de expressar sequer um terço de tudo o que sinto, de como ele se cravou profundamente em meu coração.

Como falar dessas crianças abandonadas, morando nas ruas e sobrevivendo de furtos para ter o que comer e o mínimo para vestir (muitas vezes vestindo farrapos)? Como expressar a dor que me consumiu ao conhecer a história de cada uma delas, sem poder fazer nada para salvá-las, para tirá-las daquelas condições antes que fosse tarde demais?!! Eu ficava "sufocada" durante a leitura, imaginando o terror que era viver daquela maneira, sendo desprezadas pela sociedade e pelo Estado que eram os verdadeiros culpados por elas estarem ali, naquelas condições miseráveis. Um Estado que "lavava as mãos" e empurrava aquelas crianças e adolescentes para um destino aparentemente sem volta. Uma sociedade hipócrita que queria torná-las invisíveis. Eu senti tanta raiva, tanta revolta! E muito desespero. 

"No reino do céu seriam iguais. Mas já tinham sido desiguais na terra, a balança pendia sempre para um lado."

A maneira como essa crianças eram tratadas me fazia desejar entrar no livro e espancar aqueles seres que não mereciam ser considerados humanos! Até mesmo quando tentavam vender algumas coisinhas ou fazer desenhos para conseguir algum dinheiro para comer, as crianças eram humilhadas e agredidas! Como não se revoltar?! Como não alimentar o ódio no coração se por todos os lados tentavam impedi-las de sobreviver?! 

Não desprezei nem julguei nenhuma daquelas crianças e adolescentes, pois eram o que o Estado as tornou, o que os privilegiados poderiam ter evitado, mas nada fizeram, pois pensavam apenas no próprio umbigo. E eu me pergunto: o que mudou? Hoje em dia temos o Estatuto da Criança e do Adolescente, a proteção integral da infância, algo que não existia quando Capitães da Areia foi escrito. Todavia, realmente mudou alguma coisa? Nenhuma criança está desamparada pelas ruas, tendo sua infância arrancada e um destino de sofrimento? Eu reconheço a importância enorme do ECA, ele representou um marco, um reconhecimento verdadeiro dos direitos humanos das crianças e adolescentes, mas muita coisa ainda precisa ser feita. Capitães da Areia segue sendo um livro muito atual. Existem muitas crianças desamparadas ainda nos dias atuais, existem muitas infâncias sendo perdidas, das mais diferentes formas. 

Este foi um livro lido para o Clube de Leitura - Clássicos da Literatura Nacional criado pela Kelly, do canal Aventuras na Leitura. Para saber como participar basta clicar AQUI. Agora em setembro leremos Vidas Secas, do Graciliano Ramos. 



30 de agosto de 2020

A Panqueca Fugitiva, o Resmungão e outros contos nórdicos


Adaptação de Augusto Pessôa 
Editora: Rocco
Edição de: 2015
Páginas: 96

47ª leitura de 2020 (45ª resenha do ano)

Sinopse: Os contos nórdicos são hstórias compartilhadas pelos povos germânicos que habitaram a Escandinávia, sobretudo a Islândia. Uma cultura transmitida oralmente, como toda cultura popular, de geração para geração. Essas narrativas chegaram até nós por meio de textos medievais escritos durante e após o processo cristianização da região. E, como acontece com toda cultura popular, são textos vivos, em permanente transformação, de acordo com as necessidades de cada sociedade. 

Com humor e perspicácia, Augusto Pessôa pesquisou e adaptou oito contos nórdicos, carregados de simbolismo e arquétipos que os tornam universais. 




Por estar lendo um livro que tem me provocado muita angústia (Capitães da Areia, do Jorge Amado), eu não consegui começar a ler o livro planejado para um dos temas deste mês do Desafio Literário Livreando 2020. Então, escolhi esta pequena coletânea de contos nórdicos bem no último momento, por acreditar que era algo leve, que leria rapidinho e que traria um certo alívio em meio a uma leitura que é densa e está acabando com o meu emocional.rs

E este livro é realmente muito leve, trazendo histórias simples e encantadoras, bem o que eu precisava para aquecer um pouco meu coração. 

Aqui temos oito contos, cada um mais envolvente que o outro. No primeiro, A boa mulher, conhecemos a história de um casal que vivia numa fazenda distante e que economizava para quando tivesse filhos. Eles eram muito felizes e em tudo a esposa era bondosa com o marido. Um dia, o marido resolveu vender uma das vacas e caminhou um longo tempo atrás de alguém que aceitasse comprá-la, mas não teve êxito, ninguém queria pagar pela vaca. Ao retornar, encontrou um homem com um cavalo e sugeriu uma troca, o que foi aceito. Então, ele seguiu adiante com o cavalo e a vaca passou a pertencer ao outro. Todavia, ao longo do caminho outras trocas de animais são feitas até o desfecho da história, que eu achei incrível. Gostei bastante deste conto. 

O segundo, Os sete potros, é ainda melhor que o primeiro. Nele temos um casal muito pobre que criara três filhos com bastante dificuldades. Um dia, o mais velho decide que vai sair pelo mundo em busca do próprio destino, mas não é bem-sucedido, pelo contrário, retorna ferido e disposto a nunca mais colocar os pés para fora de casa. O segundo resolve tentar a sorte e acaba encontrando os mesmos problemas que o irmão. Então, o caçula decide buscar emprego no mesmo local que seus irmãos e passar no desafio que eles não conseguiram. Os dois zombam, acreditando que ele também voltaria traumatizado. Simplesmente amei este conto! O segredo estava em fazer as coisas da maneira correta, sem enganar alguém que depositara a confiança em você. 

Não irei falar de todos os contos para não acabar tirando a graça de quem vai ler.rsrs O conto A raposa e o urso, por exemplo, dispensa comentários. Sabemos que as raposas, em todas as histórias, são sempre muito espertas e neste conto aqui não é diferente. 

O quarto conto é muito divertido e um dos meus preferidos. Florisbela e Bela Flor traz a história de uma rainha que queria muito ser mãe e suspirava de tristeza por não ter filhos. Até que a mulher do jardineiro lhe entregou uma semente, que ela deveria plantar seguindo várias instruções e uma delas era regar apenas com a mão direita, caso contrário ela iria acabar se arrependendo. Mas a rainha se esqueceu dessa regra e regou tanto com a mão direita quanto com a esquerda. Surgiu uma árvore e, tempos depois, da árvore nasceram duas meninas, uma linda e adorável e a outra desgrenhada e rebelde. A adorável ela chamou de Bela Flor e a rebelde de Florisbela. É um conto que nos surpreende, pois não imaginamos como a história iria se desenrolar e eu amei o que aconteceu! 

O conto O Resmungão traz uma história hilária e tão envolvente quanto as outras, até mais na verdade. Nele temos cinco mulheres que queriam muito ter filhos e um dia encontraram um ovo enorme, do tamanho de um homem. Cada uma quis o ovo para si e brigaram até decidir que todas ficariam com ele. E se revezavam para chocá-lo.rs Até que num determinado dia saiu uma voz de dentro do ovo, pedindo comida. A mulher terminou de abrir o ovo e dele saiu uma "criança".... Bem, não exatamente uma criança, mas um homem com rosto de menino. As mães fizeram de tudo para alimentá-lo, mas o "menino" nunca estava satisfeito, estava sempre pedindo mais comida e elas não tinham condições de sustentá-lo. Então, o mandaram embora. E o homem-menino foi. Não digo mais nada, pois vale a pena conhecer o final por conta própria.rs

Não existe nenhum conto neste livro do qual eu não tenha gostado, o que me surpreendeu, porque é raro apreciarmos todos os contos presentes numa coletânea. São ótimos para serem lidos em qualquer idade, pois divertem e encantam. Eu me senti bem mais leve, tranquila, depois de lê-los. Foi realmente uma ótima escolha! 


-> DLL 20: Um livro de sua cor preferida (minha cor preferida é azul)


 

28 de agosto de 2020

O Curioso Caso de Benjamin Button - F. Scott Fitzgerald


Literatura norte-americana
Título Original: The curious case of Benjamin Button
Tradutor: Rodrigo Breunig
Editora: Folha de São Paulo
Edição de: 2016
Páginas: 56
46ª leitura de 2020 (44ª resenha do ano)

Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura #2

Sinopse: Nascer, crescer, envelhecer e morrer são etapas de todo destino e só a ficção permite imaginar outros rumos. F. Scott Fitzgerald (1896-1940) fantasiou a inversão da seta do tempo em O curioso caso de Benjamin Button, a saga de um homem que nasce velho e morre bebê. O autor conquistou fama aos 23 anos com um romance sobre a ascensão de um jovem, como ele, impaciente para conquistar o mundo. Logo encontrou mais de um estímulo para assumir o papel de ícone de uma era, os anos 1920, louca, impulsiva e acelerada. Uma nota em seu diário diz: "A felicidade depende do bom desempenho das funções naturais, exceto uma - envelhecer". Sua morte, aos 44 anos, exemplica o lema "viva rápido, morra jovem", um modo até hoje eficaz de alcançar a imortalidade. O curioso caso de Benjamin Button, publicado em 1922, combina fantasia e realismo para anunciar a busca por rejuvenescimento que convertemos em obsessão. Não falta, porém, melancolia a esta fábula que inverte a cronologia para concluir que no fim das contas tanto faz ganhar ou perder. 



Já tinha ouvido falar tanto desta história que sentia imensa vontade de lê-la, mas nunca encontrava a oportunidade. Ouvi falar bastante do filme também, embora nunca tenha assistido. E realmente é um livro "curioso", interessante. 

Nele temos a história de Benjamin Button, uma "criança" nascida no ano de 1860, quando ainda era comum que o parto ocorresse em casa. Todavia, seus pais decidiram que o primeiro filho deles nasceria num hospital. Ambos estavam muito ansiosos, loucos para que o grande dia chegasse, mas também sentiam medo, principalmente o futuro pai, que já criava grandes expectativas em relação ao futuro do filho. 

Só que nada aconteceu como desejavam. Ao chegar ao hospital, o senhor Roger Button foi recebido com desprezo, como se tivesse cometido algum pecado muito grande. Não entendia o comportamento dos médicos ou das enfermeiras, mas a angústia o invadia, pois algo certamente acontecera... alguma coisa relacionada ao nascimento do seu bebê. Desesperado, ele exigiu ver o filho e logo foi atendido, se deparando com o que só poderia considerar um pesadelo. 

Em vez de um bebê, o que encontrou quase totalmente para fora do berço foi um velho bastante acabado, aparentemente no final da vida, que de modo algum poderia ser visto como um recém-nascido. Porém, para sua completa incredulidade, a enfermeira insistia que aquele idoso era o seu bebê e, depois de alguns minutos de tormento, ele não teve outra alternativa senão aceitar a realidade. Seu filho nascera com todas as características de um velho de 70 anos. Tudo nele estava de acordo com a aparente idade, mas era o seu bebê. Por algum estranho erro do destino. 

E a história gira em torno deste acontecimento bizarro, com várias cenas cômicas e completamenete surreais. O pai do Benjamin condiciona a própria mente a negar a realidade e enxergar o filho como um bebê, mesmo que ele claramente não fosse. Tenta vesti-lo como bebê, compra brinquedos de acordo com a idade que ele deveria ter... Poucos anos mais tarde o coloca no jardim de infância... Enfim... Ele estava perturbado e segue assim pelo resto da vida. 

O mais interessante nesta história curtinha é o processo inverso de crescimento do protagonista. Em vez de crescer como qualquer criança, nascendo bebê e ir amadurecendo até atingir a velhice, o Benjamin começa do avesso. Ele nasce idoso e com o passar dos anos vai se tornando jovem, decrescendo. Quanto mais o tempo passa mais jovem ele fica, o que acabará por também se tornar um problema a longo prazo. 

Eu gostei da história, é divertida em alguns momentos e em outros até nos faz refletir sobre juventude, velhice e relações familiares. Confesso que o final me deixou triste, que mesmo que já esperasse por aquilo me entristeceu a forma como aconteceu. 

Foi minha primeira experiência com uma obra do autor e um bom início. Fiquei interessada em ler mais coisas dele. 
 

-> DLL 20: Um livro de autor ainda não lido


27 de agosto de 2020

Segredos - Ben 10 - Livro de História

 


Literatura Infantojuvenil
Título Original: Ben 10 The Alliance and Secrets
Tradutora: Sharon Antoniazzi
Editora: Fundamento
Edição de: 2011
Páginas: 52

45ª leitura de 2020 (43ª resenha do ano)

Sinopse: Chegou a hora da verdade para o Ben. O nosso herói finalmente vai enfrentar o poderoso Vilgax!

Após várias tentativas frustradas de roubar o Omnitrix, o vilão Vilgax resolveu vir até a Terra e está disposto a tudo para ficar com o "relógio" que guarda o DNA de dez heróis alienígenas megairados! É claro que isso vai terminar em briga - e o garoto conta com um aliado de peso nessa batalha contra o mal: o Vô Max. Isso aí! Parece que o avô do Ben não é apenas um simpático ex-encanador. Ele esconde alguns segredos de arrepiar! Será que os dois conseguirão impedir Vilgax de realizar seu plano de dominar o universo?



Na hora de escolher um livro com super-herói para o Desafio Literário Livreando 2020, pensei em ler a história da Mulher-Maravilha, heroína da qual gosto muito. Só que o livro era mais denso e eu queria uma história mais leve e rápida, o que me fez imediatamente lembrar do Ben 10, um menino herói de um desenho animado que eu assistia vários anos atrás (creio que no Sbt) e gostava muito. Sim! Sempre amei desenhos animados, embora faça muitos anos que não consiga acompanhar nenhum. :( Uma das muitas consequências da vida adulta.rs

Com este livro pude finalmente matar um pouco da saudade que sentia dos personagens e mergulhar numa intensa aventura contra o poderoso Vilgax, um vilão alienígena que vai causar muitos transtornos ao Ben e a população da Terra. 

Ben Tennyson era apenas um menino normal de dez anos de idade... até encontrar o Omnitrix, uma incrível arma contra o mal em forma de relógio de pulso. Tal "relógio" guarda em seu interior o DNA de 10 heróis alienígenas e quando acionado faz com que o menino se transforme em um deles, assuma sua forma e seus poderes. Assim, além de se divertir muito com tudo o que pode fazer com esse dispositivo e usá-lo para atormentar sua prima Gwen (risos), Ben também luta diariamente contra o mal, seja contra um vilão com super poderes ou criminosos comuns. Onde seja necessário, ele estará para defender a Terra e seu povo. Claro que ele também precisa estudar, fazer as tarefas de casa e brincar como qualquer criança. Bem como tirar férias com seu avô Max e a Gwen. 

E estamos justamente num período de férias quando o livro Segredos tem início. Ben vem tendo sonhos muito esquisitos (que podem perfeitamente serem considerados pesadelos), com um alienígena desconhecido que ameaça sua vida e jura que irá atrás dele. Nada com o que se preocupar, se não houvesse nenhuma chance do pesadelo virar realidade...

Acontece que o vilão dos seus pesadelos é o perigoso Vilgax, um alienígena muito poderoso que fará o que for preciso para colocar as mãos no Omnitrix e assumir o controle dos dez alienígenas ali guardados. Ele sonha em formar um exército, no qual tais heróis se tornarão vilões e destruirão a Terra. Cabe ao Ben, juntamente com seu avô e sua prima, tentar impedi-lo. 

É um livro que nos proporciona uma leitura bem rápida, cheia de ação e divertimento. Sempre me pego sorrindo com as piadas do Ben e a maneira como ao assumir a forma de cada um dos dez heróis, ele trata tudo como uma grande brincadeira. 

Neste livro, ele não agirá sozinho. Precisará muito da ajuda do seu avô Max, pois Vilgax é muito mais poderoso do que ele sequer poderia imaginar e seu avô esconde certos segredos sobre um misterioso encontro com este vilão no passado. Será que seu avô não é exatamente o que os netos sempre pensaram? Terá ele algum super poder? Que segredos será que ele esconde?!

Eu apreciei muitíssimo a leitura, estava com saudade de ler algo tão leve e fofinho e agora estou com uma vontade enorme de voltar a assistir a série! Meus planos para hoje! :)


-> DLL 20: Um livro de super-herói

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