17 de fevereiro de 2021

O Navio Negreiro e outros poemas - Castro Alves

 


Literatura Brasileira
Editora: Melhoramentos
Edição de: 2013
Páginas: 163 (e-book)

4ª leitura de 2021 (4ª resenha do ano)

Sinopse: Como principal representante da poesia condoreira no Brasil, Castro Alves se utiliza de uma linguagem eloquente e grandiosa para denunciar os horrores da escravidão e lutar pela liberdade dos escravos. Nesta coletânea, destaca-se “O navio negreiro”, poema épico-dramático que narra o tráfico de negros trazidos da África para trabalhar como escravos no país. As atrocidades do sistema escravista ganham vida nestes poemas e transmitem toda a sensação de dor e privação das vítimas desse sistema.



Eu amo poesias, mas tenho uma dificuldade enorme para fazer resenhas sobre elas. Porque a experiência de lê-las é muito única, é um sentir que não dá para colocar em palavras. Sempre que mergulho num livro de poemas eu viajo para bem longe "do real", me perco em sentimentos e sensações... vou para bem longe de mim mesma. Me entrego ao que o poeta escreveu e me imagino na situação do eu lírico. O que nem sempre é uma experiência agradável.... Ainda mais quando lemos poemas que tratam da escravidão. 


Ler O Navio Negreiro e outros poemas foi muito desgastante emocionalmente. Eu fiquei abalada, inquieta, viajei para aquele período que marcou com sangue, tortura e muita dor a História do nosso país e do mundo. Não era capaz de ler muitos poemas por dia, pois sentia como se existisse um peso sobre mim, algo sufocante. E é admirável o talento e a sensibilidade do poeta para conseguir tornar tão vívidos os acontecimentos através de seus poemas. 


Castro Alves foi um jovem poeta da terceira geração do Romantismo e também um abolicionista, conhecido como "poeta dos escravos" ou poeta social, segundo informações que encontrei em pesquisas na internet. Teve uma vida bastante curta, falecendo aos 24 anos de idade, mas contribuiu de maneira importantíssima para sensibilizar outras pessoas a se envolverem com as causas sociais, humanitárias e abolicionistas. Me pergunto como pude passar pela escola e pela universidade sem jamais ter lido nem que fosse um dos seus poemas! Não acredito que tenha lido, pois teria sido impossível esquecê-los. Eles nos tocam profundamente, de uma maneira que tira o fôlego, que angustia. 


"Senhor, não deixes que se manche a tela
Onde traçaste a criação mais bela
De tua inspiração. 
O sol de tua glória foi toldado...
Teu poema da América manchado,
Manchou-o a escravidão." 
[Trecho do poema Ao romper d'alva]


Esta coletânea reúne 33 poemas que abordam temas imensamente dolorosos, que falam das mais diversas formas de violência praticadas ao longo dos séculos de escravidão. Da dor, fé e profunda tristeza de pessoas que apenas por sua cor de pele eram tratadas como objetos, como mercadorias, como algo sem sentimento. Que não eram vistas como seres humanos. Que foram roubadas de tudo... de sua liberdade, sua intimidade, sua família, sua vida... Tudo. Absolutamente tudo. A dívida que a sociedade possui não poderá ser paga nunca. 


Dói muito pensar nas pessoas que viveram e foram torturadas, subjugadas e mortas conforme a vontade de seus "senhores". Que foram separadas de suas famílias, que tiveram todos os seus direitos violados. É comum pensarmos, em momentos de grande desesperança, que "hoje em dia" falta amor no mundo. Que a ausência de amor é que provoca tanta violência, tanta crueldade. Mas não. Não é algo de "hoje em dia". Simplesmente sempre faltou amor no mundo. As pessoas, de maneira bastante seletiva, escolhem quem vão considerar seu "próximo", seu semelhante. Não é raro eu ter a dolorosa sensação de que tudo o que Jesus passou foi em vão. Não aprendemos nada. 


"Agora adota a escravidão por filha, 
Amolando nas páginas da Bíblia
O cutelo do algoz...
Sinto não ter um raio em cada verso
Para escrever na fronte do perverso:
'Maldição sobre vós!"

[Trecho do poema Confidência]



Quase todos os poemas me tocaram de alguma forma, me deixaram triste e revoltada, mas aquele que mais me abalou foi Tragédia no lar. Nossa! Apenas lembrar da história contada nele, a mãe que tem seu filho arrancado dos seus braços, pois seu "senhor" o vendeu... é de nos destroçar por dentro. É um poema de muita dor, as palavras dela, seus gritos, seu desespero... Nunca vou conseguir esquecer. 

A mãe, no poema Tragédia no lar, implora que aquele homem não leve o seu filho, que é apenas um bebê, inocente, que é tudo o que ela tem, que é sua única alegria. Suplica que ele se coloque em seu lugar, pois também tem filhos. O que ele sentiria se quisessem vender seus filhos? Se os levassem para serem escravos? Mas nada do que ela dissesse, suas súplicas... nada era capaz de comover aquele homem. E o poeta prossegue dizendo o motivo de tanta crueldade: 

"Porém nada comove homens de pedra, 
Sepulcros onde é morto o coração."

E eu concordo completamente. É preciso ser morto por dentro para fazer algo assim. Para arrancar um filho de sua mãe, para vender seres humanos, para escravizar pessoas. Este poema me abalou muito, me deixou em prantos, com tanta, tanta angústia. Porque não é um simples poema. Foi a realidade de muitas pessoas. Separadas de suas famílias... tratadas como se fossem nada. 

Eu recomendo os poemas deste livro, mas que leiam sabendo que vão se revoltar, que vão chorar, que ficarão com um sentimento muito ruim de desesperança, de tristeza por um passado que não podemos mudar. E um presente que ainda reflete esse passado. 

Quero ler tudo o que o Castro Alves teve a oportunidade de escrever, mas darei um intervalo de alguns meses, pois não tenho o emocional forte para ler muitos de seus poemas em sequência. Não tenho estrutura emocional para isso. As palavras dele são muito fortes. Sua escrita transborda sentimentos e nos inunda. Eu não estava preparada para tantos sentimentos dolorosos. Não estava preparada para a força de sua escrita. Mas já é um dos meus autores preferidos, com certeza! Só lamento ter demorado tanto para conhecê-lo. 



-> DLL 21: Um livro de autor brasileiro nunca lido. 




4 de fevereiro de 2021

O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson

 



Literatura Escocesa 
Título Original: The Strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde
Tradutor: Marcos Marcionilo
Editora: Melhoramentos
Edição de: 2013
Páginas: 131 (e-book)

3ª leitura de 2021 (3ª resenha do ano)

Sinopse: Na efervescente Londres do século XIX, qual seria a relação secreta entre Dr. Henry Jekyll, um médico bem-sucedido, generoso, elegante e educado, e Mr. Hyde, um homem repugnante e assustador? É isso que o advogado Mr. Utterson vai tentar descobrir nesta história repleta de mistério e terror, um dos grandes clássicos da literatura universal.





Eu já tinha ouvido falar muito desta história. Inclusive na série Once Upon a Time existiram alguns episódios falando dela, o que só serviu para aumentar minha curiosidade, embora eu soubesse qual era o grande segredo do livro. 

Mas ao iniciar a leitura percebi o quanto tudo seria diferente do que eu imaginava. A narrativa era muito lenta e cansativa, do tipo que dá voltas e voltas, em vez de ir direto ao ponto. Os personagens não são carismáticos e um livro que poderia ser lido em pouco menos de duas horas se tornou tedioso, ao ponto do meu estresse com a enrolação do autor ser tão grande que quase abandonei o livro. Consegui terminar a leitura no último dia do mês de janeiro, mas não tinha realmente nenhuma vontade de escrever sobre a história. 

Nela é trabalhada a dualidade do ser humano, o que pode ser considerado spoiler para quem nunca ouviu falar do livro (o que é quase impossível, pois a questão central de O médico e o monstro é algo que já foi adaptado até para alguns episódios de vários desenhos animados), como não existe ninguém que seja completamente bom nem completamente mau. Que no interior de cada ser humano habita a bondade e a maldade e tendemos a escolher um lado, o que não significa que o lado "rejeitado" não possa se manifestar em algum momento. É uma teoria na qual eu própria acredito: que todo ser humano é capaz de qualquer coisa, mas geralmente "abraça" um dos seus lados e luta para permanecer sem contato com seu outro lado. 

Através do senhor Utterson, um advogado muito bondoso e querido por seus amigos, conhecemos a história do doutor Henry Jekyll, um profissional muito respeitado, que sempre tratava a todos com consideração e tentava levar uma vida o mais correta possível, sem jamais fazer mal a ninguém. Utterson fica muito perturbado quando Henry lhe entrega um testamento, que deveria ser cumprido caso ele morresse ou "desaparecesse". A perturbação acontece pelos termos do testamento, que deixavam tudo o que médico possuía para um completo desconhecido, um tal de Edward Hyde, que mais tarde o advogado vem a descobrir que se trata de um homem perverso, que desperta o pavor e o ódio em quem cruza o seu caminho. Como alguém como Henry deixaria tudo o que lutou para conquistar nas mãos de alguém tão desprezível como Hyde? Logo, ele chega à conclusão que seu amigo só pode estar sendo chantageado e que seria a sua obrigação ajudá-lo. 

Ao longo da história vão acontecer alguns crimes bem terríveis praticados por Hyde, o misterioso e desprezível ser que quase não parece humano. Isso não é spoiler, pois é algo falado desde o início da história. Sabemos que Hyde é muito ruim e que é capaz das mais monstruosas coisas. O que o autor guarda como "segredo" é a relação dele com o médico. Que grande poder ele possuía sobre o Henry? Que grande segredo é esse que ele guardaria sobre o médico, ao ponto de ele fazer tudo o que Hyde queria? O autor guarda a grande revelação para o final, mas como eu disse, já sabia disso praticamente desde a minha infância, graças aos desenhos animados.rs

É um livro curtinho, no e-book são 131 páginas, e daria para ser lido em menos de duas horas, se não fosse tão chato. A teoria trabalhada na história é incrível, fascinante, principalmente para quem, como eu, aprecia essas questões psicológicas, mas não gostei da narrativa do autor, da enrolação para chegar onde ele queria. Se a história tivesse sido escrita de maneira diferente eu teria curtido bastante o livro. 



-> DLL 21: Um livro de até 200 páginas



30 de janeiro de 2021

Lições do Desejo - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Lessons of Desire
Tradutora: Teresa Carneiro
Editora: Arqueiro
Edição de: 2013
Páginas: 261
Série Os Rothwells - Livro 2

2ª leitura de 2021 (2ª resenha do ano)

Sinopse: Atraente, sutil e tentador, lorde Elliot Rothwell é um homem acostumado a fazer sucesso entre as mulheres e a conseguir tudo o que deseja delas. Mas isso não se aplica a Phaedra Blair. A brilhante e exótica editora não parece disposta a ceder a seu pedido e cancelar a publicação das memórias de um membro do Parlamento que podem manchar o nome da nobre família Rothwell. 
A pedido de seu irmão mais velho, o marquês de Easterbrook, Elliot vai a Nápoles para negociar com Phaedra. Historiador de renome e autor de livros respeitados, tudo indica que ele seja a pessoa ideal para a tarefa. Porém, em vez de encontrar a bela mulher descansando à beira do mar Tirreno, Elliot descobre que ela está presa por causa de uma acusação injusta. Graças ao prestígio da família, o nobre consegue libertá-la, mas também se torna responsável por ela até voltarem à Inglaterra. 
Percorrendo juntos uma das regiões mais belas e românticas da Europa, eles vão descobrir que discordam de quase tudo o que o outro pensa ou faz - exceto o que fazem juntos na cama. E, nessa aula de prazer, será cada vez mais difícil saber qual dos dois tem mais a ensinar.





Depois que li As Regras da Sedução, fiquei com muita vontade de conhecer os demais livros da série, principalmente o terceiro. Só que para lê-lo eu teria que passar pelo segundo.rsrs O que não seria nenhum problema, pois a Phaedra, melhor amiga da protagonista do primeiro livro, e o Elliot despertaram muito a minha curiosidade. Ela, uma mulher feminista (mas acho que na época ainda não se chamava assim) e ele, um escritor. Eu imaginava que a história daria muito certo. Não estava nada preocupada quando comecei a lê-la, em outubro do ano passado

Só que não demorou para tudo desandar. O livro me irritou logo nos primeiros capítulos e eu sentia vontade de esganar tanto a Phaedra quanto o Elliot. Ela, por permitir que homens decidissem sua vida (quando todo o caminho que percorreu era justamente para ser uma mulher livre e dona de si mesma) e ele, por ser tão machista, como se o fato de ela ser feminista (repito que acho que esse nome ainda não existia) fosse uma afronta, uma ofensa direta a ele. Sim, ele era asqueroso a esse ponto. 

Tudo começou por causa da "honra" do falecido pai do Elliot. Com a morte do pai de Phaedra, ela herdou a editora e tinham descoberto que ela iria publicar as memórias do pai, dentre elas as que diziam respeito ao pai do mocinho e poderiam manchar para sempre a família inteira (segundo ele). Elliot estava disposto a fazer o que fosse necessário para impedi-la... E aqui eu faço uma pausa para refletirmos. Phaedra era dona de si mesma e dos seus bens (que eram poucos, mas eram seus). Elliot não tinha nenhum direito ou poder sobre ela. Então, eu me pergunto exatamente o quê ele estaria disposto a fazer para impedi-la... Sedução não adiantaria, pois ela até poderia ir para a cama com ele, mas não cederia, seguiria firme em publicar o que bem quisesse. Enfim... Pegou muito mal esse início, pois ficou "no ar" que ele estaria disposto a qualquer coisa contra uma mulher só para impedir que verdades fossem escancaradas sobre o infeliz do pai, que arruinou a vida da mãe dele, mas merecia permanecer com a "honra" intacta, mesmo depois de morto.

Elliot decide viajar atrás dela (que tinha ido para a Itália por motivos pessoais que não eram da conta dele) para "convencê-la" a não publicar as tais memórias. Tudo bem que ele também tinha coisas para fazer no país, referente aos livros dele, mas o principal motivo foi persegui-la e convencê-la a ser "sensata".

Chegando lá, ele descobre que a mocinha está presa. Sim. Só porque dois imbecis resolveram duelar e em vez de culpar os idiotas por isso resolveram que a culpa era da mulher que ambos queriam. O machismo reina nesta história! Aí, o Elliot decide que vai se aproveitar da situação para que Phaedra fique em dívida com ele, já que o arrogante usa sua posição social para conseguir a liberdade dela. E como tudo gira em torno do poder dos homens: ela só é libertada com a promessa do mocinho de mantê-la sob o seu controle. Aqui o livro já tinha me irritado bastante, mas eu ainda tinha esperança na mocinha. Que ela não aceitaria que decidissem sua vida, que iria se impor e brigar o quanto fosse necessário. Ledo engano! Ela resiste um pouco, mas logo cede a todas as vontades do Elliot, ainda que tentasse convencer a si mesma que estava no controle. Coisa nenhuma!

Uma das cenas mais repugnantes (para mim) foi aquela na qual ele a amarrou na cama. Isso porque ela tentou ir embora e ele não permitiria já que era "o responsável' por ela. A idiota permite que ele a prenda para impedi-la de sair. Depois ele vai para outro quarto e ela passa a noite inteira amarrada. Se um incêndio acontecesse nem teria como se salvar. Eu não acreditei no que estava lendo! Um desconhecido decide que tem direito de amarrá-la e ela nem pede socorro nem nada. Se submete como se ele fosse seu dono, como se ela fosse um objeto que ele poderia tratar como bem quisesse. Eu fiquei muito irritada. 

Pouco tempo depois dessa cena inacreditável, eu abandonei o livro. Estava de saco cheio de tanto estresse. Eu não merecia ler tanto absurdo num livro só.kkkkkk Sério! Eu estava com o sangue fervendo quando decidi abandonar a leitura, estava a ponto de arremessar o livro pela janela.

Agora em janeiro é que resolvi retomar a leitura, com a remota esperança de que as coisas poderiam melhorar. E, a princípio, realmente melhoram... um pouco. Apenas para piorar depois. Não quero dar spoilers e por isso não mencionarei os demais absurdos presentes no livro. Posso dizer que a autora caprichou! Conseguiu transformar uma mocinha feminista em alguém que aceita tudo o que os homens querem, que permite que decidam tudo e danem-se as sua próprias vontades! Sem mencionar o que ela dá a entender pelo passado da mocinha. 

Vou falar brevemente do assunto para que entendam por que fiquei tão irritada com algumas escolhas da autora ao construir a história. Phaedra era filha de pais que nunca se casaram, embora se amassem. O casamento não ocorreu porque a mãe dela era uma mulher que valorizava a própria liberdade e não permitiria perder nem um pouco dela com o casamento. Ela acreditava no amor livre, sem as imposições da sociedade, sem se submeter a regras. Assim, mesmo amando aquele que seria o pai de sua filha, recusou o casamento, para escândalo da sociedade (que sempre se escandaliza com tudo) e manteve a relação por longos anos, de maneira clara, sem esconder de ninguém. Da relação nasceu nossa mocinha e ela tratou desde sempre de educar a menina para ser livre. Só que... O que a autora faz?! Torna a mãe da mocinha uma mulher negligente, que traumatizou a menina com suas crenças, que não soube ser mãe, que impôs seus próprios princípios à ela e que a mocinha era resultado dos traumas do passado. Eu não sei qual foi a real intenção da autora e nem vou supor nada. Simplesmente não gostei da maneira como ela construiu esse passado da mocinha e a relação com a mãe. Passou uma ideia ruim, como se uma mulher livre e que quisesse ensinar a filha a ser dona de si estivesse errada e não soubesse ser mãe. Como se feminismo e maternidade não combinassem. E também deu a entender que Phaedra e suas crenças eram apenas reflexos das crenças da mãe. Que ela não acreditava em nada daquilo "de verdade". Só isso já me fez arrancar duas estrelas do livro. Não sei se alguém mais enxergou as coisas dessa maneira, mas foi essa a impressão que o livro me passou. E não gostei nada. Sobretudo porque sou feminista e considerei de péssimo gosto a maneira como a autora abordou e tratou o assunto. Confesso que senti tanta raiva durante um tempo que considerei tirar todas as estrelas do livro.rs Mas depois respirei fundo e voltei a raciocinar. Todo mundo erra nesta vida e, como eu disse, não posso pensar que a intenção da autora foi ruim, até porque não quero acreditar nisso. Mas ainda estou com raiva da autora e não sei quanto tempo demorará para passar.kkkk

Phaedra me decepcionou de tantas maneiras que eu não saberia nem por onde começar a falar... Apenas na reta final do livro foi que ela voltou a assumir o controle de si mesma, embora a autora novamente tenha feito escolhas que me irritaram. Ser feminista não impede ninguém de escolher ser esposa e mãe, por exemplo, desde que isso seja realmente uma escolha dela como mulher. A autora não precisava tratar toda a crença da mãe da Phaedra como erros de uma mulher imatura, como ela chegou a fazer suas personagens considerarem (essa conversa se passa entre a Alexia e a Phaedra, quando tudo o que Artemis acreditava é colocado em dúvida e tratado como imaturidade) para defender que o casamento poderia ser algo bom. Enfim... O livro foi tão problemático para mim que se eu não tivesse gostado tanto do primeiro e não desejasse tanto ler o terceiro, possivelmente nunca mais leria nada da autora. Toda paciência tem limites e ela testou bastante a minha com esta história. 

Um personagem que evoluiu, e não posso deixar de admitir, foi o Elliot. Que passou a compreender as crenças da mocinha e seus receios, embora no fundo ele também achasse que ela não acreditava em nada daquilo de verdade. No entanto, tenho que reconhecer que ele passou a respeitá-la ao longo do livro e admirá-la como pessoa. Que ele fez um esforço para ser diferente. Mas...

É insuportável para mim a maneira como os personagens tentam convencer a Phaedra de que o erro está nela, que ela é que precisa ceder, que ela precisa "se libertar" do que aprendeu com a mãe senão não seria feliz. Eles tentam convencê-la de que ela está errada, de que a mãe dela não soube criá-la, de que ela não possui aquelas crenças, mas que foi forçada pela mãe a seguir aquele caminho na vida. Enfim... Ainda que o Elliot tenha evoluído, ele também pressionou a mocinha até ela ceder e isso estragou tudo de vez. Não consegui perdoar a história. Acredito no amor dos protagonistas, acredito que serão felizes juntos, mas é uma história que me arrependi muito de ler. 



->  DLL 21: Um livro que você abandonou 



28 de janeiro de 2021

Auto da Compadecida - Ariano Suassuna


Literatura Brasileira
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2014
Páginas: 192

1ª leitura de 2021 (1ª resenha do ano)

Sinopse: O "Auto da Compadecida" consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel. É uma peça teatral em forma de Auto em 3 atos, escrita em 1955 pelo autor paraibano Ariano Suassuna. Sendo um drama do Nordeste brasileiro, mescla elementos como a tradição da literatura de cordel, a comédia, traços do barroco católico brasileiro e, ainda, cultura popular e tradições religiosas. Apresenta na escrita traços de linguagem oral [demonstrando, na fala do personagem, sua classe social] e apresenta também regionalismos relativos ao Nordeste. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962, por Sábato Magaldi "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro".





*Sinopse acima retirada do Skoob, pois minha edição não vem com sinopse

 
Esta é a primeira leitura que consegui terminar neste mês que foi bastante complicado para mim. Felizmente, ler Auto da Compadecida foi uma excelente escolha para tentar melhorar meu humor, pois trata-se de um livro leve, que nos faz chorar de rir, principalmente no terceiro ato. 

Eu tinha tentado ler o livro na semana passada, mas foram dias bem agitados e fiquei com todas as leituras paradas. Voltei ao início no dia 26/01, não li no dia 27 e concluí hoje, mas é aquele tipo de história que dá para ler facilmente em um dia, caso a pessoa queira e possa dedicar algumas poucas horas exclusivamente a esta deliciosa história. 

A peça, escrita por Ariano Suassuna tendo como inspiração principalmente a literatura de cordel, que é parte importante da cultura do Nordeste, se passa basicamente num só dia (se eu não tiver me distraído e perdido a passagem do tempo) e tem como personagens principais o trapaceiro João Grilo e seu bom amigo inventor de histórias, Chicó.rsrs Todavia, existem outros personagens que, embora pareçam passageiros, vão ser essenciais para o desenrolar dos acontecimentos, como o padeiro e a mulher dele, por exemplo. 

Tudo começa com a doença do cachorro, que a mulher do padeiro (conhecida por ser adúltera e trair o marido com todo mundo) criava como filho. A mulher acreditava que se o padre benzesse o bichinho, ele ficaria curado. Como o marido fazia todas as vontades da mulher, apoiou sua decisão e João Grilo, que era empregado dos dois, resolveu tratar da questão junto ao padre. Não que João Grilo amasse os patrões e quisesse ajudá-los... Longe disso! Na verdade, odiava os dois como a ninguém nesta vida, vez que quando esteve seriamente doente e suplicou por ajuda, não recebeu sequer um copo de água, enquanto a mulher do padeiro preparava as melhores refeições para o cachorro. Ele estava alimentando lentamente todo o rancor e não pretendia deixar de se vingar quando a oportunidade surgisse. 

O padre não aceita benzer o cachorro, pois aquilo era pecado e coisa e tal. Até que João Grilo, mentiroso como só ele sabia ser (risos) diz com toda a lábia que o cachorro era de um tal de Antônio Moraes, um homem importantíssimo na região. Logo, benzer o bichinho deixa de ser pecado e o padre fica ansioso por agradar o senhor Antônio. É assim que se desenvolve uma tremenda confusão que vai envolver sacristão, Bispo, frade e até cangaceiro! Sem mencionar os ilustres personagens Manuel (Jesus) e Compadecida (Nossa Senhora). Claro que também existirá um antagonista que nenhum deles gostaria de ver na frente: "o coisa ruim". 

Quando comecei a leitura eu não sabia nada sobre a história, exceto que era uma comédia. Como sequer tinha visto o filme, estava realmente no escuro, sem ter ideia do que aconteceria. E isso fez com que a leitura fosse ainda mais prazerosa. Não costumo ligar para spoiler (só fico furiosa se for spoiler de algum thriller, suspense, pois aí não tem como, acaba perdendo a graça!rsrs), porém desta vez foi ótimo não ter buscado saber nada sobre as desventuras dos personagens.

Não sei se é sensato dizer que meu personagem preferido foi o João Grilo, seguido de perto pelo Chicó. Como ele era trapaceiro! Mas era também tão divertido!kkkkkkk E o Chicó e suas histórias "impossíveis" de serem reais, mas contadas de uma forma que você chegava a acreditar!kkkkkk Eu ria demais com ele. 

Manuel e Compadecida aparecem só no último ato (a história é composta de três), mas para mim foi a melhor parte da peça. Eu quase chorei de tanto rir. Manuel faz o papel de juiz, o coisa ruim é o acusador e Compadecida é a advogada. João Grilo, como sempre, aprontando todas!rs

É uma história que recomendo muito, até para aqueles que não curtem ler peças. Depois deste livro, senti muita vontade de ler tudo o que o autor escreveu. 

Agora preciso procurar pelo filme. Quero muito ver o João Grilo em ação!rs



-> DLL 21: Um livro adaptado para filme/série



6 de janeiro de 2021

Projetos de leitura 2021


Olá, queridos!


E chegou a hora de conferir de quais desafios participarei este ano. 


Estipulei, ainda no ano passado, como principais metas:


-> Participar do Desafio Literário Livreando 2021

-> Ler 12 livros selecionados antecipadamente

-> Ler pelo menos 50 livros da minha estante


Assim, deixarei aqui neste post perfeitamente organizadas as anotações, conforme for cumprindo os desafios. Para conferir meu progresso, bastará acessar o post, cujo link ficará disponível no menu superior do blog. 


Desafio Literário Livreando 2021


É um desafio criado pela Tâmara Nunes, do blog Livreando. Desta vez, serão três temas mensais e o objetivo é nos incentivarmos a ler mais. Irei atualizando com os livros escolhidos e links das resenhas conforme for lendo. 





Janeiro

1- Auto da Compadecida - Ariano Suassuna (Resenha)
Tema: Um livro adaptado para filme/série

2- Lições do Desejo - Madeline Hunter (Resenha)
Tema: Um livro que você abandonou

3- O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson (Resenha)
Tema: Um livro de até 200 páginas


Fevereiro

1- O Navio Negreiro e outros poemas - Castro Alves (Resenha)
Tema: Um livro de autor brasileiro nunca lido 

2-
Tema:

3-
Tema:





12 Livros para 2021

1- Tudo o que Ela sempre Quis - Barbara Freethy
2- Mary Barton - Elizabeth Gaskell
3- Tatiana e Alexander - Paullina Simons
4- Corações Quebrados - Sofia Silva
5- Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
6- Diva - José de Alencar
7- Drácula - Bram Stoker
8- Os Tambores do Outono - Diana Gabaldon
9- A Senhora de Wildfell Hall - Anne Brontë
10- Harry Potter e o Enigma do Príncipe - J. K. Rowling
11- Purgatório - Dante Alighieri
12- Paraíso - Dante Alighieri


Ler 50 livros da minha estante


O objetivo é que entre as minhas leituras deste ano a maioria seja de livros que já fazem parte da minha estante. 


1- Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

2- Lições do Desejo - Madeline Hunter 

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4-

5-

6-

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10-

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43-

44-

45-

46-

47-

48-

49-

50- 




4 de janeiro de 2021

Fechando 2020


 

Olá, queridos!


O que dizer do ano que se foi?! 2020 foi um pesadelo de tantas formas diferentes... Tudo o que quero é agradecer a Deus por estarmos vivos, por ainda termos forças para lutar. Por termos esperança... de que dias melhores virão para todos nós. Eu tenho fé que conseguiremos vencer a Covid-19, que a vacina chegará segura e eficaz, e o mundo voltará ao normal. Espero que depois de tudo isso o ser humano aprenda a ser melhor.


Embora tenha me alegrado com a virada de ano, pois 2020 ficava para trás... Não pude deixar de sentir uma imensa tristeza por todas as vidas que esse vírus tirou, por todas as famílias despedaçadas. 2020 se foi, mas as marcas que ele deixou serão difíceis de apagar...


Voltando ao blog... Mesmo com todo o transtorno provocado pelo ano passado, eu consegui ler 70 livros, quando minha meta pessoal era ler 50. Fiquei bem feliz por isso! E para 2021 sigo com a meta de ler pelo menos 50 livros. 


No link Projetos de leitura 2020 vocês conseguem conferir tudo o que li para os desafios/projetos e o que acabou ficando pendente. Mas deixarei aqui um resumo:


Ler 12 Livros Nacionais -> Desafio cumprido tranquilamente. Li 15 livros nacionais. 

Ler 12 Livros Clássicos -> Li 35 livros clássicos. 

Ler 50 livros da minha estante -> Aqui a regra era ler livros que tivessem sido adquiridos antes de 2020. Então, eu li 35, não tendo cumprido a meta.

Desafio Literário Livreando 2020 -> Eu cumpri 50 dos 60 temas. Posso dizer que fui bem.rs

Projeto do canal Aventuras na Leitura -> Eram 10 temas e eu cumpri 9. 

Desafio do canal Literature-se -> Cumpri 11 dos 12 temas. 

12 livros para 2020 -> Este foi um fracasso total.kkkkkk Li apenas 2 dos 12 livros que selecionei. 


Total de livros lidos em 2020: 70 livros. 

Total de filmes: 21

Total de séries finalizadas (completas): 1

- Bay Yanlis (turca)


Total de séries continuadas (que comecei a assistir anos antes e continuei em 2020): 3

- Lucifer

- Erkenci Kus (turca) 

- Dolunay (turca) 


Total de séries iniciadas (que comecei a assistir em 2020): 2

- Bom Dia, Verônica - assisti toda a primeira temporada

- Bridgerton


Séries em dia (que estou acompanhando as temporadas): 2

- Lei e Ordem Unidade de Vítimas Especiais

- Bom Dia, Verônica




E é isso, gente! Feliz Ano Novo!!! Que 2021 seja um ano mais feliz, tranquilo, com muito amor e saúde! 



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