15 de novembro de 2019

Malone morre - Samuel Beckett

Literatura Irlandesa
Título Original: Malone meurt
Tradutora: Ana Helena Souza
Editora: Folha de São Paulo
Edição de: 2016
Páginas: 128
Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura #16

Sinopse: Um dos maiores escritores da segunda metade do século XX, o irlandês Samuel Beckett (1906-1989) recebeu o Nobel de Literatura em 1969 e ficou para sempre lembrado pela peça Esperando Godot. No entanto, o ponto alto de sua obra está em narrativas como Malone morre (1951), segundo livro da trilogia composta ainda por Murphy e O inominável. Trata-se quase de literatura abstrata: sem enredo, trama, personagens. No livro, um homem muito velho está preso, nu e inválido, a uma cama do que parece ser um hospital. Toma uma sopa diária e escreve a lápis, num caderno, uma espécie de diário em que mistura pensamentos e histórias sem sentido de pessoas que talvez possam ter sido ele mesmo, não se sabe. Como é comum em Beckett, observa-se e reflete-se sobre o quase nada da vida, tratada com humor sinistro, como se fosse um acúmulo de banalidades fúteis, do qual pouco sobra na memória dos narradores beckettianos – doentes, velhos, mendigos, palhaços. 




Eu realmente entendi este livro?! Claro que não!

Já tinha ouvido falar antes do Samuel Beckett, mas foi só por conta de alguns desafios literários que resolvi apostar nesta história. E que desafio, meu Deus do céu! O livro nos deixa com uma forte sensação de que não compreendemos nada. Que simplesmente nada sabemos de coisa alguma no livro.kkkkkkkkk Foi um erro lê-lo? Não. Porque em muitos momentos eu cheguei sim a me envolver e destacar trechos que mexeram comigo.

"Estarei em breve apesar de tudo completamente morto enfim."

O livro já começa por este trecho tão impactante, no qual o narrador afirma que em breve estará morto. Se você iniciar a leitura sem ter lido a sinopse ficará se perguntando por que ele tinha tanta certeza de que não demoraria a morrer. Mas como eu sempre leio a sinopse antes, sabia do que o narrador estava falando.

Na história temos um homem muito idoso, doente, fraco, aparentemente em seus últimos dias de vida. A velhice acabará por levá-lo, seu tempo na Terra está se esgotando e ciente deste fato, o narrador começa a registrar lembranças, pensamentos desordenados e momentos do seu dia a dia num caderno, utilizando um lápis que ele não sabe bem como foi parar ali. E por falar em "ali"...

"Situação atual. Este quarto parece ser meu. Não posso explicar de outro modo que me deixem aqui. Faz tempo."

O narrador, protagonista da história, não faz ideia de onde está ou como chegou ali. É um quarto, do qual não pode sair se simplesmente desejar. É um manicômio? Um hospital? Um asilo? Não se sabe. Mas o próprio narrador acrescenta: "Não é um quarto de hospital ou de manicômio, isso se sente." Assim, ele próprio tem a impressão de que está numa espécie de asilo, embora não possa ter certeza. Na realidade, certezas não fazem parte desta narrativa. Não se pode confiar no que é contado pelo narrador, pois por conta de suas confusões e momentos de aparente desorientação, não sabemos se as coisas contadas por ele são ou não reais. Se não se tratam apenas de devaneios, ilusões.

Por incrível que pareça, é justamente esse "não saber de nada" que torna o livro tão intrigante. Queremos nos conectar ao personagem, conhecer seu passado, sua vida e isso nos é negado o tempo inteiro pelo autor. É como se tentássemos abrir uma porta trancada à chave, mas não tivéssemos a chave correta. Então, forçamos, tentamos de outras maneiras, até mesmo lutamos para arrombá-la, mas nada funciona. É assim que me senti durante a leitura: mantida do lado de fora, de propósito. Porque aquele era o objetivo do autor.

"Não vou falar dos meus sofrimentos. Metido no mais profundo deles, não sei nada. É aí que morro, à revelia de minha carne estúpida. O que se vê, o que grita e se agita, são os restos."

Apesar da barreira que existe entre o narrador, sua história e nós leitores, isso não nos impede de sentir um profundo incômodo pela situação de total miséria e abandono vivida pelo protagonista. Ali naquele lugar desconhecido, que nada tem de seguro ou confortável, se alimentando apenas uma vez por dia (com sopa) e preso a uma cama, da qual não possui forças para se levantar, pois seus membros não lhe obedecem mais, o personagem está totalmente vulnerável, dependendo da bondade (ou não) de estranhos. Imaginar uma situação tão horrível nos provoca agonia. Eu me sentia sufocada, como se uma mão estivesse apertando minha garganta, de tão agoniada que fiquei.

"Vou abrir meus olhos, me ver tremer, engolir minha sopa, olhar o montinho das minhas posses, dar ao meu corpo as velhas ordens que sei que é incapaz de executar, consultar minha consciência caduca, estragar minha agonia para vivê-la melhor, já longe do mundo que se dilata enfim e me deixa passar."

É muito triste ver o personagem nesta situação. Sentir o vazio daquela vida, a solidão, a velhice que lhe tirou tanto. A ausência de pessoas que se preocupem com ele, que estejam ao seu lado em seus últimos momentos. Isso faz com que nos sintamos mal. Se torna uma leitura muito desgastante emocionalmente.

Durante boa parte do livro sequer sabemos o nome do narrador. E, então, do nada ele "solta" que se chama Malone, mas eu não confiei muito nessa informação, como se nem mesmo o seu nome ele de fato recordasse ou quisesse nos contar. Há a utilização intensa do recurso do fluxo de consciência, o que acaba por nos fazer reler páginas para tentarmos nos "encontrar". Não há divisão em capítulos, partes nem nada parecido. Os parágrafos são muito longos e o narrador faz uma mistura louca de lembranças, histórias inventadas (ou não) e momentos de cada dia vivido ali naquele quarto. Ao mesmo tempo em que aparentemente está compartilhando algumas de suas lembranças, ele começa a contar uma história qualquer e no meio disso tudo nos conta o que aconteceu no seu dia. E aí começa a falar de coisas nas quais pensa... Enfim... É uma confusão só! Parece que vamos enlouquecer antes de conseguir compreender o que se passa no livro.kkkkkkkk...

"Viver e inventar. Tentei. Devo ter tentado. Inventar. Não é a palavra. Viver também não. Não faz mal. Tentei."

Não é uma leitura fácil. Embora flua bem no início, logo começamos a nos perder e sentir que absolutamente nada faz sentido ou que não estamos entendendo algo que deveríamos entender.rs Recomendo para quem quiser se desafiar a ler algo diferente. Bem diferente!rs

Mas, como eu disse, não me arrependi de ler. Realmente me comovi com a situação do protagonista e me senti angustiada com o que ele estava passando em seus últimos dias de vida.



7 de novembro de 2019

Sanam Teri Kasam (filme indiano)


Você já assistiu Um Amor para Recordar? Chorou? Ficou em prantos e sentiu que já não tinha mais lágrimas? Pois saiba que irá desidratar se der uma chance a Sanam Teri Kasam, um filme que acabou comigo, mas se tornou um dos meus preferidos da vida.

Ele foi uma forte indicação de uma amiga querida, Ayala Bianca, que conheci através da novela Espelho da Vida, quando participávamos do mesmo grupo no Facebook. A novela terminou, mas nossa amizade não.rs Ela ficou tão apaixonada por este filme que me recomendou MUITO e fez de tudo para que eu conseguisse assistir. Só hoje (06/11) tive a oportunidade de me perder nessa bela história de amor e posso dizer que este filme mudou algo dentro de mim. Eu vivo aprendendo, gente! Me permito aprender com cada história, cada experiência, cada chance. E o amor de Saru e Inder me ensinou muitas coisas sobre a vida... Lições preciosas que guardarei em meu coração. 

Vocês sabem que não tenho o hábito de falar de filmes ou séries aqui. Só fazia "resumos do mês" alguns anos atrás e era nesses resumos que comentava brevemente sobre os filmes e séries vistos mensalmente. Fora isso, uma vez ou outra eu faço posts especiais comentando sobre filmes, séries e novelas. É raridade, pois o blog é basicamente sobre literatura. Todavia, eu fiquei tão tocada por essa história que precisei dividir com vocês um pouquinho da minha emoção. 

4 de novembro de 2019

O Corcunda de Notre Dame - Victor Hugo

Literatura Francesa
Título Original: Notre-Dame de Paris
Tradutor: Jorge Bastos
Editora: Zahar
Edição de: 2015
Páginas: 624


Sinopse: Na Paris do século XV, a cigana Esmeralda dança em frente à catedral de Notre Dame. Diante da beleza da jovem, curvam-se o poeta Pierre Gringoire, o arquidiácono Claude Frollo, o disforme sineiro Quasímodo e o capitão Phoebus de Chânteaupers. Neste grande clássico do romantismo francês, Victor Hugo vai muito além de um amor impossível, não correspondido e trágico, O corcunda de Notre Dame retrata uma Paris ainda gótica que testemunha o fim de uma época e o início de outra. 



Estou aqui sentada na frente do computador sem saber por onde começar a falar deste livro. Minhas emoções ainda estão bagunçadas. Estou perdida entre o ódio, a revolta, a dor, o amor pelos personagens e uma horrível sensação de injustiça. Não imaginava que o livro fosse mexer tanto comigo. 

"Desde os seus primeiros passos entre as pessoas, ele se viu e se sentiu conspurcado, machucado, rejeitado. A palavra humana, para Quasímodo, sempre fora de deboche ou de maldição. À medida que crescia, ele encontrava apenas ódio à sua volta."

Não tenho dúvidas de que O Corcunda de Notre Dame provocou (e ainda provoca) os mais diversos debates, estudos e pesquisas. São muitas as interpretações possíveis para esta história e fica evidente para qualquer leitor que ao escrever este livro o autor, Victor Hugo, tinha todo o objetivo de chamar a atenção dos leitores da época para a Catedral de Notre Dame de Paris, embora seja possível perceber também que ele não tocou em certos temas sociais e fez críticas políticas à toa. Mas deixo que os especialistas, os críticos literários, se aprofundem em tais assuntos. Nesta resenha falarei apenas dos personagens e como suas histórias de vida mexeram com meus sentimentos, me marcaram de uma forma que é praticamente impossível colocar em palavras. 

"Adquiriu a maldade ambiente. Apossou-se da arma com que o feriam."

Neste livro temos três personagens principais: Claude Frollo (que eu chamo "carinhosamente" de demônio em forma de gente), Quasímodo e Esmeralda. O destino desses três personagens se entrelaça de tal forma ao longo da história que até mesmo o leitor mais distraído consegue perceber que nada de bom poderia sair dali. Sentimos que uma grande tragédia acabaria por marcar suas vidas, por mais que no fundo do nosso coração torcêssemos para que houvesse uma esperança. Uma saída. 

31 de outubro de 2019

Contos de Terror, de Mistério e de Morte - Edgar Allan Poe

Literatura norte-americana
Título Original: Tales of mistery and terror
Tradutor: Oscar Mendes
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2017
Páginas: 240

Sinopse: Edgar Allan Poe é considerado um dos criadores do conto policial, além de ter contribuído para o desenvolvimento da ficção científica. Escritor, poeta e crítico literário, ficou especialmente conhecido por suas histórias macabras, tanto em prosa quanto em verso. Neste Contos de terror, de mistério e de morte estão reunidas algumas de suas melhores narrativas e, dialogando com elas, ao final do volume, o aclamado poema "O corvo", que se tornou emblemático da produção literária do autor norte-americano. Como resultado temos uma coletânea em que se associam medos reais a casos extraordinários, o espetacular e o surpreendente em concentradas doses do mais puro terror.





Quando comecei a ler este livro, em fevereiro, sabia que dificilmente conseguiria terminá-lo logo, vez que não me sinto confortável com o gênero terror. E, de fato, não terminei. Cheguei a ler dois outros contos em março, porém depois deixei o livro de lado e fui ler coisas mais leves.rsrs

Só agora em outubro retomei a leitura do livro, disposta a me desafiar neste mês do horror (por conta do Dia das Bruxas). Separei algumas histórias desconfortáveis que tenho aqui em casa e coloquei como metas do mês. Se lerei todas elas algum dia?! Só Deus sabe...rs

Antes de tudo, colocarei aqui os comentários que fiz sobre os três primeiros contos: 

Comecei por Berenice. Sei que em algum momento da minha vida eu assisti um filme inspirado numa obra do Edgar Allan Poe. Era um filme que tinha alguma coisa de corvo, mas não lembro bem da história. Enfim... Sabia que os contos dele eram assustadores, mas quando comecei a ler Berenice pensei que não tinha terror nenhum, era só conversa. E aí fui chegando perto do final e suspeitando de uma coisa. Mas pensei: "Não! Ele não faria isso!". Pois bem. O protagonista perturbado deste conto, obcecado pela prima Berenice, com a qual cresceu, fez exatamente o que eu temia que ele fizesse. E claro que a cena me deixou arrepiada dos pés à cabeça. Senti um frio dentro de mim. E fechei os olhos tentando me livrar da imagem daquela cena. O grande vilão deste conto é o próprio protagonista e é ele quem narra toda a história. Ele é um ser humano extremamente doentio. Alguém que eu jamais iria querer que cruzasse o meu caminho. 

28 de outubro de 2019

Ratos - Gordon Reece

Literatura Inglesa
Título Original: Mice
Tradutora: Carolina Caires Coelho
Editora: Intrínseca
Edição de: 2011
Páginas: 240

Sinopse: Shelley e a mãe foram maltratadas a vida inteira. Elas têm consciência disso, mas não sabem de que forma reagir — são como ratos, estão sempre entocadas e coagidas. Vítima de um longo período de bullying que culminou em um violento atentado, Shelley não frequenta mais a escola. Esteve perto da morte, e as cicatrizes em seu rosto a lembram disso. Ainda se refazendo do ataque e se recuperando do humilhante divórcio dos pais, ela e a mãe se refugiam em um chalé afastado da cidade. Confiantes de que o pesadelo acabou, elas enfim sentem-se confortáveis, entre livros, instrumentos musicais e canecas de chocolate quente junto à lareira. Na noite em que Shelley completa dezesseis anos, porém, um estranho interrompe a tranquilidade das duas, e um sentimento é despertado na menina. O que acontece em seguida instaura o caos em tudo o que pensam e sentem em relação a elas mesmas e ao mundo que sempre as castigou. Até mesmo os ratos têm um limite.



Lembro com clareza do momento em que desejei este livro pela primeira vez. Foi no início de maio de 2016. Eu estava passeando pelo site da Saraiva quando me interessei por alguns livros que estavam com uma baita promoção, um deles foi A Lista do Nunca, de Koethi Zan, que estava custando menos de dez reais na época (sim!!!!) e tinha uma sinopse de causar arrepios. Então, quando coloquei este livro no carrinho apareceu como sugestão Ratos, de Gordon Reece. A sinopse me deixou LOUCA! Eu queria muito esse livro, mas o preço não estava muito bom. Decidi que poderia aguardar uma promoção... aí quando resolvi comprá-lo apareceu como esgotado

Foi somente no ano passado que uma moça anunciou que estava vendendo alguns de seus livros no Facebook e eu o vi entre eles. Claro que não poderia deixar a oportunidade única passar e o adquiri por um preço que valeu a pena. Quis lê-lo imediatamente, mas as outras metas literárias me impediram. O que não foi tão ruim assim, pois acho que alguns livros acabam sendo lidos nos momentos certos...

"Não procurávamos um lar. Procurávamos um lugar onde pudéssemos nos esconder."

Shelley, uma adolescente de quinze anos, sabe o real significado da palavra sofrimento. Enquanto era obrigada a lidar com o pesadelo do divórcio dos seus pais e da briga dele por sua guarda, como forma de mostrar a sua mãe que podia vencê-la em tudo, ainda precisava esconder da mãe o terror que vivia todos os dias no colégio, vítima de agressões praticadas por aquelas que durante anos frequentaram sua casa, que foram suas "melhores amigas", com quem dividira segredos, com quem acreditara que sempre poderia contar. 

"Eu não imaginava o quanto os sentimentos delas por mim se tornaram nocivos. E não imaginava o perigo que corria."

No começo toda aquela violência a chocou muito mais do que feriu. Ela não conseguia entender o que fizera para despertar tanto ódio, como elas podiam fazer aquilo com ela. Mas com o tempo tudo foi piorando. Não se tratava mais de uma violência, de uma agressão verbal ou de vandalizarem seus objetos escolares. Não. Tudo se transformou em ataques diretos ao seu corpo. Não se contentavam mais em assustá-la, queriam machucá-la, fazê-la gritar de dor, fazê-la chorar. E então... o pior aconteceu e as cicatrizes em seu rosto e pescoço ainda contavam a história do dia em que Shelley quase morreu. 

Seu pai já tinha ido embora fazia algum tempo e nem se preocupara em ligar para saber se ela estava se recuperando. Tudo o que o interessava, desde que trocara dezoito anos de casado por uma qualquer, era agradar sua amante e lhe agradava muito ver Shelley fora de suas vidas. Ele já tinha arrancado delas todo o dinheiro que podia e até a casa na qual a filha crescera, tornando o que antes era seu lar em motivo de briga no divórcio. E no momento em que percebeu que não podia tirar a menina da mãe, mesmo com toda a sua experiência profissional (era um brilhante advogado), resolveu que castigaria a filha com sua ausência, fazendo de conta que ela estava morta. 

"Quando ele a abandonou, ela estava com quarenta e seis anos. Seu conhecimento jurídico estava completamente desatualizado - abandonado como uma fruta que apodrece no pé. Seu registro profissional não era renovado havia quatorze anos."

Ela sabia que seus pais haviam se conhecido na mesma firma de advocacia. Sua mãe era uma jovem profissional brilhante, com todo um futuro de sucesso pela frente. Mas o pai de Shelley surgiu em sua vida e em pouco tempo já estavam noivos. Embora fosse muitíssimo inteligente, Elizabeth não tinha forças para desagradar as pessoas. Não sabia dizer "não" e foi assim que, prestes a ser transformada em sócia na firma, ela se deixou convencer pelo marido a abandonar a profissão. A filha precisava dela em casa, ele disse. Podia sustentá-las. Ela não precisava trabalhar. Não passava de uma manobra para impedi-la de crescer profissionalmente, pois invejava o seu talento, invejava a sua inteligência. E conseguira sufocá-la, matar cada um dos seus sonhos. 

Ao ser abandonada pelo marido com não muito dinheiro após todos os anos de dedicação, Elizabeth não fez mais que se conformar. Ao longo do tempo se acostumara a aceitar tudo o que a vida tivesse a oferecer, sem nunca levantar a voz, sem se revoltar, sem dizer "já chega!". Assim, pegou a filha que se recuperava do bullying que quase a matou e foi em busca de uma nova casa onde pudessem morar... longe de todos. Bem longe da realidade cruel do mundo. Não queria enfrentar a vida. Não tinha forças para isso. Só queria fugir. Se esconder. 

"Docilmente, aceitamos, submetemo-nos, calamo-nos, não dissemos nada, não fizemos nada, porque a mansa submissão é tudo o que os ratos conhecem."

Quando a polícia não fez nada contra as agressoras e o colégio também se isentou de quaisquer responsabilidades, ela apenas abaixou a cabeça e aceitou tudo em silêncio, mesmo sendo uma advogada. Foi Shelley quem precisou sair do colégio, foi ela quem pagou pelos crimes das outras garotas, tendo que viver isolada de tudo e de todos, sendo visitada apenas por dois professores que deveriam prepará-la para os exames finais. Mas Shelley não se revoltava contra nada daquilo, contra toda aquela injustiça. Sabia que era um rato como sua mãe e ratos nunca enfrentam seus opressores... Ou será que sim? Será que até mesmo os ratos possuem um limite?!

"Quando um gato invade a toca de um rato, ele não vai embora sem fazer mal nenhum. Eu sabia como aquela história terminaria. Ele me estupraria. Ele estupraria minha mãe. E nos mataria."

Quando aquele homem invadiu sua casa, na madrugada de seu aniversário de dezesseis anos, Shelley soube que era o fim. Não adiantava fugirem da violência do mundo, pois até mesmo ali, naquele lugar tão afastado de todos, o mal conseguira atingi-las. Onde estava a justiça? Onde estava Deus?

"Percebi que não tremia de frio. Eu tremia de medo."

Embora não tenha superado minhas expectativas, este é sem sombra de dúvidas um thriller psicológico que vale muito a pena ler. Eu já tinha uma ideia do que aconteceria, pois a própria sinopse nos entrega muita coisa, mas o desenrolar dos acontecimentos é que torna a história tão fascinante. É impossível não sentirmos compaixão da Shelley e da mãe dela... ao mesmo tempo em que sentimos medo dessa personagem adolescente, dessa menina que após ser vítima de tantas violências se tornou capaz de qualquer coisa. Mas como culpá-la?! Como dizer que ela não tinha o direito de dizer: "Chega! Agora não vou mais aguentar tudo em silêncio. Eu vou me defender!" 

"Eu já não seria vítima de ninguém. Nunca mais."

Não diria que no lugar das protagonistas desta história eu teria agido diferente. Até porque era uma questão de defesa pessoal, de sobrevivência. Eu já estava cansada de vê-las permitindo que as pessoas as machucassem, que todo mundo se aproveitasse da vulnerabilidade delas. Entendo porque a Shelley as considerava "ratos". Elas estavam sempre ocupando a posição de vítimas, se escondendo em vez de enfrentar seus agressores, aceitando todas as injustiças, as perseguições, o abuso de patrões que pagavam o mínimo possível por um trabalho que a mãe da Shelley sabia que valia mais (ela recebia menos que as secretárias e fazia todo o trabalho de uma advogada). Então, quando elas finalmente agiram, quando resolveram se defender, pela primeira vez na vida, eu fiquei, de certa forma, feliz. Não foi uma felicidade completa, pois infelizmente os acontecimentos daquela madrugada marcariam suas vidas para sempre. E não de um modo bom, apesar de tudo. 

"A realidade era exatamente o oposto da ordem e da beleza; era o caos e o sofrimento, a crueldade e o horror."

Se você acha que pelo que falei já sabe tudo o que acontecerá no livro está muito enganado. A história tomará determinados rumos e quando você acreditar que nada mais poderá acontecer, que o autor só falará de "grandes nadas" até as páginas finais acabará se surpreendendo muito, pois antes do final o livro dará uma baita reviravolta! Eu definitivamente não esperava por nada daquilo. 

Elizabeth e Shelley são duas personagens que nos comovem. Embora queiramos sacudi-las por aceitarem tanta maldade também sentimos vontade de protegê-las durante boa parte do livro... mesmo após os acontecimentos da madrugada do aniversário da menina. Elas crescem bastante ao longo da história, aprendem a se impor, a não aceitar mais tudo caladas, mas ainda assim eu quis protegê-las, mesmo sentindo certo medo da Shelley.rs A verdade é que essa menina não passa de o resultado de tanta violência, de ter sido vítima de muitas crueldades. Não a culpo pelas escolhas dela e nem posso falar tudo o que gostaria para não dar spoilers importantes, mas apesar de compreender a personagem, penso que ela acaba se tornando um perigo para si mesma. 

"Acreditamos ter todo o controle, mas, na verdade, não temos nenhum."

Recomendo este livro para quem gosta de thrillers. Apesar de não ser tão pesado quanto A Lista do Nunca, por exemplo, possui algumas cenas fortes. 

16 de outubro de 2019

Preciso de um tempo...


Já faz nove anos que divido com vocês o meu amor pela literatura. Resenhas cheias de emoções, na maioria das vezes. Afinal de contas, o nome do blog não é Emoções à Flor da Pele à toa.rs

Este cantinho tão amado fez parte da minha vida em muitos momentos bons e ruins... Teve altos e baixos como numa montanha-russa bem louca. Esteve comigo no final do ensino médio, no curso de espanhol, no curso de enfermagem, na faculdade, na colação de grau, no início da vida profissional. Nos momentos de depressão. Nas crises de ansiedade. Nas situações de angústia e desespero. Nas lágrimas. Nos risos. Nas conquistas e nas perdas. Foram tantos anos, tantos momentos... tanta vida! 

Os livros são presentes de Deus na minha vida. Sempre me ajudaram nos momentos que mais necessitei. Conversar com vocês sobre os livros, sobre literatura... um privilégio enorme! Algo que sempre me fez muito bem. E continua fazendo. Quando sento para escrever uma resenha eu viajo! Claro que é cansativo, pois geralmente passo horas escrevendo, mas me dá uma sensação tão grande de paz, de alegria! Amo demais fazer resenhas dos livros que li e amei (e até dos que detestei.rsrs). É algo que espero fazer por muitos e muitos anos mais. 

Não saio de casa sem um livro. Não vou para lugar nenhum (nem mesmo para uma festa ou para a Igreja) sem um livro na bolsa (claro!). Já me disseram: "Isso é doença! Ler demais não é bom!", mas se amassem a literatura entenderiam como é confortador mergulhar numa história, sair da sua própria vida e entrar no mundo dos personagens... mesmo quando leio um livro mais forte e doloroso. Porque os livros nos confortam, nos ensinam, nos fazem companhia. Às vezes sinto até que me abraçam e conversam comigo (talvez eu seja realmente doida.rsrs). Minha estante fica ao lado da minha cama e acordar e olhar para os livros... não tem preço. É mágico. É um sonho. Muitas vezes durmo até mesmo com um livro do meu lado ou debaixo do travesseiro. Não preciso sequer abri-lo. Só tê-lo por perto já me basta para me sentir melhor. 

Todavia, hoje estou vivendo uma fase não tão boa. E percebo que não conseguirei dar ao blog toda a atenção que ele merece. Estou num período difícil. E para melhorar preciso de um tempo. De um tempo para mim, para minhas emoções. Preciso olhar para o meu interior. Repensar minha própria vida. Reorganizá-la. Preciso me afastar mesmo amando intensamente o meu cantinho querido e todos vocês que sempre me deram tanto carinho. 

Eu espero voltar em breve. Que o tempo que necessito não seja longo. Quem sabe na próxima semana já estarei aqui, com resenhas de livros queridos?!!! :D Espero de verdade voltar correndo! Porque já sinto saudades. 

Até breve, meus queridos!

Amo o Emoções à Flor da Pele! E amo vocês! :)

Continuarei lendo, embora não no ritmo que gostaria. Muitas das minhas leituras atrasaram, mas assim que tudo estiver bem outra vez recuperarei o ritmo normal e trarei um monte de resenhas apaixonadas!

Bjs!



11 de outubro de 2019

Escândalos na Primavera - Lisa Kleypas

Literatura norte-americana
Título Original: Scandal in spring
Tradutora: Maria Clara de Biase
Editora: Arqueiro
Edição de: 2017
Páginas: 224
Série As Quatro Estações do Amor - Livro 4

Sinopse: Daisy Bowman sempre preferiu um bom livro a qualquer baile. Talvez por isso já esteja na terceira temporada de eventos sociais em Londres sem encontrar um marido. Cansado da solteirice da filha, Thomas Bowman lhe dá um ultimato: se não conseguir arranjar logo um pretendente adequado, ela será forçada a se casar com Matthew Swift, seu braço direito na empresa.
Daisy está horrorizada com a possibilidade de viver para sempre com alguém tão sério e controlador, tão parecido com seu pai. Mas não admitirá a derrota. Com a ajuda de suas amigas, está decidida a se casar com qualquer um, menos o Sr. Swift.
Ela só não contava com o charme inesperado de Matthew nem com a ardente atração que nasce entre os dois. Será que o homem ganancioso de quem se lembrava era apenas fachada e ele na verdade é tão romântico quanto os heróis dos livros que ela lê? Ou, como sua irmã Lillian suspeita, o Sr. Swift é apenas um interesseiro com algum segredo escandaloso muito bem guardado?
Fechando com chave de ouro a série As Quatro Estações do Amor, Escândalos na primavera é um presente para os leitores de Lisa Kleypas, que podem ter certeza de uma coisa: embora as estações do ano sempre terminem, a amizade desse quarteto de amigas é eterna.



Estou muito feliz por ter me deliciado com este livro, mas ao mesmo tempo estou triste por ele ter recebido 4 estrelas. Será que estou ainda mais exigente do que já me considerava?rs É que todos os três livros anteriores da série, sem exceção, receberam 5 estrelas e os favoritei, mas com Escândalos na Primavera foi diferente. :(

Eu amei o livro! Mesmo! Me acabei de rir com algumas cenas, me emocionei muito com o final (e até chorei), mas ainda assim não o considerei digno de 5 estrelas. Quatro estrelas são ótimas, mas... entendem que me sinto culpada por ter amado o livro, porém pensado que faltou "algo mais" para receber as cinco estrelas? Enfim... Sou doida. 

"Irritava Bowman ver a filha segurando um livro no colo com um dedo marcando a página. Obviamente ela mal podia esperar que ele terminasse de falar para que pudesse retomar a leitura."

Daisy já me provocava um carinho enorme nos livros anteriores, pois era a louca por livros, a amiga confiável que fazia a Evie não gaguejar tanto, porque se sentia segura perto dela. Daisy era calmaria e sonhos, romântica como nenhuma de suas amigas jamais seria. Ela merecia viver seu próprio conto de fadas. 

8 de outubro de 2019

Caim - José Saramago

Literatura Portuguesa
Editora: Companhia das Letras
Edição de: 2009
Páginas: 172

Sinopse: Se, em O Evangelho segundo Jesus Cristo, José Saramago nos deu sua visão do Novo Testamento, neste Caim ele se volta aos primeiros livros da Bíblia, do Éden ao dilúvio, imprimindo ao Antigo Testamento a música e o humor refinado que marcam sua obra. Num itinerário heterodoxo, Saramago percorre cidades decadentes e estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha, conforme o leitor acompanha uma guerra secular, e de certo modo involuntária, entre criador e criatura. 
Para atravessar esse caminho árido, um deus às turras com a própria administração colocará Caim, assassino do irmão Abel e primogênito de Adão e Eva, num altivo jegue, e caberá à dupla encontrar o rumo entre as armadilhas do tempo que insistem em atraí-los. A Caim, que leva a marca do senhor na testa e portanto está protegido das iniquidades do homem, resta aceitar o destino amargo e compactuar com o criador, a quem não reserva o melhor dos julgamentos. Tal como o diabo de O Evangelho, o deus que o leitor encontra aqui não é o habitual dos sermões: ao reinventar o Antigo Testamento, Saramago recria também seus principais protagonistas, dando a eles uma roupagem ao mesmo tempo complexa e irônica, cujo tom de farsa da narrativa só faz por acentuar.




Esta é a primeira vez que me desafio a ler Saramago, um autor muitíssimo querido por milhares de leitores, mas também desprezado por outros.rs Afinal de contas, não é possível agradar todo mundo.

Eu acreditei, sinceramente, que teria sérios problemas com o autor. Tanto por ele tocar em temas bíblicos utilizando de muito sarcasmo quanto por sua escrita peculiar (sem travessão, com vírgula no lugar de ponto final, com perguntas sem ponto de interrogação, com nomes próprios com letra minúscula, com trechos que se confundem com fluxo de consciência, e por aí vai...), mas a verdade é que foi bem tranquilo ler Caim.

"A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele."

Este é um livro que precisei ler com a Bíblia do lado. Sério! Como o autor resolveu dar um passeio pelo Antigo Testamento (conjunto de livros bíblicos com os quais SEMPRE tive sérios problemas, mesmo sendo cristã desde a infância), fazendo uma releitura de vários acontecimentos, eu precisei da Bíblia para comparar. Já li os livros que o autor mencionou implícita e explicitamente, mas não tenho uma memória perfeita, capaz de lembrar de tudo o que li. Por isso, foi necessário pegar minha Bíblia para ver até que ponto as falas e cenas eram "reais", ou seja, estavam realmente nos livros sagrados.

"Ao contrário do que costuma dizer-se, o futuro já está escrito, o que nós não sabemos é ler-lhe a página"

Antes de iniciar a leitura, eu pensava que a história se concentraria apenas no livro de Gênesis, que é quando ocorre o primeiro homicídio registrado na Bíblia: o assassinato de Abel, pelas mãos de seu próprio irmão, Caim. Mas as coisas não são bem assim. O autor passa por outros livros da Bíblia, como Êxodo, Josué, Jó e por aí vai. Nós fazemos uma viagem por vários momentos terríveis, de grande violência e destruição. E fazemos essa viagem dolorosa ao lado de Caim, quem nutre, ao longo de todo o livro, um ódio profundo por Deus.

4 de outubro de 2019

O Sal das Lágrimas - Ruta Sepetys

Literatura norte-americana
Título Original: Salt to the sea
Tradutora: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Edição de: 2019
Páginas: 320
Ficção histórica/Romance histórico

Sinopse: Inverno de 1945, Segunda Guerra Mundial. Quatro refugiados, quatro histórias. Joana, Emilia, Florian, Alfred. Cada um de um país diferente. Cada um caçado e assombrado pela tragédia, pelas mentiras e pela guerra. Enquanto milhares fogem do avanço do exército soviético na costa da Prússia, os caminhos desses quatro jovens se cruzam pouco antes de embarcarem em um navio que promete segurança e liberdade. Mas nem sempre as promessas podem ser cumpridas... Profundamente comovente, O sal das lágrimas se baseia em um acontecimento real. O navio alemão Wilhelm Gustloff foi afundado pelos russos no início de 1945, tirando a vida de mais de 9 mil refugiados civis, entre eles milhares de crianças. É o pior desastre marítimo da história, com seis vezes mais mortos que o Titanic. Ruta Sepetys, a premiada autora de Cinzas na neve (publicado anteriormente como A vida em tons de cinza), reconta brilhantemente essa passagem por meio de personagens complexos e inesquecíveis.



Estou aqui tentando recuperar o controle, tentando falar deste livro extremamente marcante sem desmoronar, sem cair em prantos outra vez. Mas toda vez que lembro de tudo o que li em O sal das lágrimas, o nó na garganta volta e as lágrimas também. Esta história me marcou demais. Se cravou no meu coração e ao mesmo tempo arrancou um pedaço dele. Nunca poderei esquecê-la.

Em 30 de janeiro de 1945, o navio alemão Wilhelm Gustloff tentava levar em segurança, para longe das tropas e fúria soviéticas, milhares de refugiados civis, entre eles, estima-se que haviam cerca de 5 mil crianças. Na noite do mesmo dia, três torpedos, lançados de um submarino soviético, atingiram o navio. Em menos de duas horas, mais de 9 mil pessoas perderam suas vidas. O navio tinha capacidade para transportar cerca de 1.800 pessoas, mas estava levando mais de dez mil. É considerado o pior desastre marítimo da História. Muito pior que o do Titanic. Todavia, até ler este livro eu NUNCA sequer tinha ouvido falar sobre ele. Nem mesmo nos livros acadêmicos que li sobre a Segunda Guerra Mundial.

Não dá para colocar em palavras o quanto este livro me abalou. Como me apeguei aos personagens que a autora criou para contar esta história baseada em acontecimentos reais. Como os amei mesmo sabendo que poderiam não chegar vivos ao final da história, que poderiam fazer parte das mais de 9 mil pessoas que afundaram junto com o navio.

30 de setembro de 2019

Leituras pendentes, leituras em andamento (e próximas!)



Olá, meus queridos!

Hoje eu resolvi falar das leituras que não consegui concluir nos meses anteriores (infelizmente!), das que estão em andamento e ainda daquelas que pretendo começar e finalizar em outubro (o que será praticamente IMPOSSÍVEL!).rs 


Retrato do Artista Quando Jovem é um livro que comecei a ler em MARÇO.kkkkkkkk... Acontece que a leitura ia muito bem até mais ou menos um terço do livro e de repente ficou um tédio só.rs Por mais que me esforçasse não consegui prosseguir. Ainda não desisti do livro, mas levando em conta a quantidade de tempo que está parado, terei que recomeçar a leitura e devo fazer isso só lá para dezembro. 

Os Sofrimentos do Jovem Werther é um livro que desejo MUITO ler. Todavia, por estar me recuperando de um período de depressão achei melhor adiar essa leitura. Sim, blogueira literária também é humana e possui problemas como qualquer pessoa. Vocês não fazem ideia de quantas lágrimas derramo e quantas situações difíceis preciso enfrentar para manter minha vida e o blog em equilíbrio. Mas amo este meu cantinho querido. O blog e o carinho de vocês me ajudam demais a enfrentar cada dia difícil. Por isso, muito obrigada!



Memórias de um sargento de milícias é outro livro que está parado há meses. Comecei a lê-lo em abril e apesar da história até ser interessante, sempre que eu parava de ler não desejava voltar ao livro.kkkkk... Assim, acabou não dando certo. Quando retomar a leitura pretendo que seja em e-book (antes eu estava lendo numa edição antiga que tenho aqui). 

Caim será minha primeira experiência de leitura do José Saramago. Deveria ter lido agora em setembro, mas não deu tempo, então, entrará na meta de outubro. 



A História de Nós Dois também é um livro que ficou para trás, mas pretendo ler ainda este ano. Eu lembro de ter lido a primeira página e gostado demais, porém precisei dar prioridade para outras histórias. 

Quando a Noite Cai é outra história que quero muito conhecer e estava na meta de setembro. Mas, infelizmente, o mês passou voando e por conta das metas de outubro, não conseguirei encaixá-lo para breve. Espero, pelo menos, ler em novembro. 



As Crônicas de Nárnia é um livro que queria ter lido para a meta de junho, só que por ser um calhamaço faltou tempo. Ele entrou agora na meta de outubro. 

A Última Taça eu não faço ideia de quando lerei.kkkkkkk... Apesar de ser um romance de banca, é um livro enorme, com 570 páginas e letras pequenas. 






No momento, estou com quatro leituras em andamento, se desconsiderar as duas coletâneas de contos que também estou lendo (uma do Edgar Allan Poe e uma da Clarice Lispector). Mas o livro do Edgar Allan Poe vai para a meta de outubro. 



O Corcunda de Notre Dame é uma leitura que só concluiremos em novembro, logo na primeira semana. Isso porque se trata de uma leitura coletiva que está acontecendo no grupo Clube de Leitura - Amor por Clássicos. Esta semana leremos o livro 7 (são onze livros dentro deste volume). O livro tem uma história boa, envolvente, se conseguirmos suportar as descrições extensas realizadas pelo autor. Alguns capítulos são ágeis e te envolvem muito, despertando diversos sentimentos. Mas outros são puramente de descrições maçantes e isso acaba desanimando quem está lendo. Portanto, está sendo nossa leitura mais difícil até agora. 

O processo é minha segunda aposta no Franz Kafka. Quem acompanha o blog talvez lembre que eu já li A Metamorfose (duas vezes) e que não é um livro que aprecio. Todavia, resolvi dar outra chance ao autor. Por enquanto estou considerando o livro doido, mas interessante.rs



A Rosa Branca é um livro que estou lendo desde o final de julho, mas que a leitura está acontecendo devagar de propósito. Isto porque ele foi escrito pela irmã de dois jovens universitários executados pelo regime nazista, por se levantarem contra as atrocidades cometidas por Hitler. É uma história real, portanto, meu coração não suportaria ler o livro todo de uma vez. Sempre que o pego na estante para ler sinto uma tristeza enorme ao olhar para as fotos desses estudantes que tentaram, mesmo sabendo que estavam colocando sua vida em risco. Ainda assim eles tentaram convencer as outras pessoas de que o que Hitler fazia era desumano, que precisavam se levantar e derrubar aquele regime monstruoso. Ao todo eram seis membros iniciais que faziam parte da Rosa Branca, cinco estudantes e um professor. Todos eles foram julgados e sentenciados à pena de morte. Todos foram executados. 

O sal das lágrimas é um romance histórico que também se passa no período da Segunda Guerra Mundial. Aqui não temos uma história real, mas ela se baseia em acontecimentos reais, daí ser considerado um romance histórico. A autora fez toda uma pesquisa para trazer à memória mundial o pior desastre marítimo da história, pior que o próprio desastre do Titanic. Algo que foi esquecido pela História. Algo que ninguém mais menciona. Mais de 9 mil refugiados civis, que tentavam fugir daquela guerra horrível, perderam suas vidas. Entre eles muitas e muitas crianças. Estou só no início da leitura, mas já estou arrasada. 





Agora vamos falar das leituras que pretendo fazer em outubro. Como eu disse antes, é praticamente impossível eu conseguir concluir todas essas leituras, mas não custa nada tentar.rsrs



As Crônicas de Nárnia entraram na meta de outubro por conta do dia das crianças. Não adiantava escolher outro livro infantojuvenil se já tinha este pendente de meses anteriores. Este livro é enorme e na verdade reúne sete dos livros que fazem parte da série. Estão todos neste volume único. Não acho que conseguirei terminar a leitura em outubro, mas pelo menos vou começar. 

Caim será um grande desafio para mim. Como vocês sabem sou cristã. E já ouvi falar bastante das polêmicas provocadas pelo Saramago, cujos livros que tocam em assuntos bíblicos fazendo releituras "irônicas" da Bíblia acabam por desagradar muita gente. Todavia, eu sou uma leitora de mente aberta e acredito que um bom leitor deve saber separar as coisas. Talvez eu não venha a apreciar o que encontrarei aqui, mas pelo menos me darei a chance de formar minha própria opinião, de mente aberta. 


Memórias de uma moça bem-comportada é uma autobiografia de uma autora que é muitíssimo admirada, mas que eu ainda não tive a oportunidade de ler. Não deveria começar pela biografia, acho, mas como este é o livro que tenho começarei por ele mesmo.rs 

Escândalos na Primavera é um romance de época (não vivo sem eles!) que finaliza a série As Quatro Estações do Amor. Sei que existe um 4.5 (Uma Noite Inesquecível), mas o considero um extra. Estou ansiosa para conhecer a história da Daisy, a leitora do grupo de amigas.rs

Estas seriam as leituras planejadas para o mês de outubro, apenas quatro livros, vez que estou com outras leituras em andamento. MAS...

OUTUBRO É O MÊS DO HORROR. Halloween. Dia das Bruxas. E depois que li o livro Contos Estranhos, do Bram Stoker, resolvi que posso TENTAR ler outras histórias de terror, aproveitando o clima do mês... Se vou conseguir aí já é outra coisa.kkkkkkkkk.... 


Drácula, Os Sete Dedos da Morte e A Toca do Verme Branco são três histórias do Bram Stoker e fazem parte do box que tenho do autor. Acredito que não conseguirei lê-las tanto pela falta de tempo quanto pelo medo.rs Mas mesmo assim coloquei na meta. Quem sabe consigo ler...




Vida e Morte não é terror!kkkkkk... É uma releitura de Crepúsculo feita pela própria Stephenie Meyer, autora da saga. Nunca parei para de fato ler uma resenha da história, mas sei que muita gente odiou. Eu prefiro formar minha própria opinião já que sou apaixonada pela saga Crepúsculo e sinto falta de todo esse universo. Preferia que fosse Midnight Sun (livro que a autora prometeu e mostraria a visão do Edward dos acontecimentos, seria contado pela perspectiva dele)? Sim, claro! Mas não é. E ainda assim já é alguma coisa, uma maneira de revisitar uma das minhas histórias preferidas. E se encaixa na temática de outubro, por conta do universo sobrenatural. 


Contos de Terror, de Mistério e de Morte dispensa comentários, certo?rs Só consegui ler três contos (um em fevereiro e dois em março) e depois deixei o livro de lado, pois me assustava.rsrsrs Tentarei concluir a leitura em outubro. Tentarei...

Ratos é um livro que DESEJO LOUCAMENTE ler há anos. Desde que comprei A Lista do Nunca, um suspense psicológico incrível, um dos melhores livros que já li. Na época, eu quis comprar os dois livros na Saraiva, mas Ratos estava custando bem mais caro. Quando finalmente pude comprar, ele aparecia como esgotado. Ano passado uma menina estava vendendo este livro por um preço inacreditável num grupo do facebook. Além de ter saído praticamente de graça, ainda estava embalado e com aquele cheiro delicioso de livro novo. Só ainda não li por conta das outras metas, mas agora lerei. Estou ansiosa! Se encaixa no tema de outubro porque é um suspense. 

Então é isso, gente! Me deseje sorte! :D

Bjs!

27 de setembro de 2019

Um Marido de Faz de Conta - Julia Quinn

Literatura norte-americana
Título Original: The Girl with the Make-Believe Husband
Editora: Arqueiro
Edição de: 2019
Páginas: 304
Série Os Rokesbys - Livro 2

Sinopse: Enquanto você dormia… Depois de perder o pai e ficar sabendo que o irmão Thomas foi ferido durante uma batalha, Cecilia Harcourt tem duas opções: se mudar para a casa de uma tia ou se casar com um vigarista. Para fugir desses destinos, ela cruza o Atlântico, determinada a cuidar do irmão. Após uma semana sem conseguir localizá-lo, ela encontra o melhor amigo dele, Edward Rokesby, inconsciente e precisando desesperadamente de cuidados. Mas, para permanecer a seu lado, Cecilia precisa contar uma pequena mentira... Eu disse a todos que era sua esposaQuando Edward recobra a consciência, não entende nada. A pancada na cabeça o fez esquecer tudo que aconteceu nos últimos três meses, mas ele certamente se lembraria de ter se casado. Apesar de saber que Cecilia é irmã de Thomas, eles nunca foram apresentados. Mas, já que todo mundo a trata como esposa dele, deve ser verdade. Quem dera fosse verdade… Cecilia coloca o próprio futuro em risco ao se entregar ao homem que ama. Mas, quando a verdade vem à tona, Edward também pode ter algumas surpresas guardadas para a nova Sra. Rokesby.




De agosto para cá eu concluí a leitura de dez livros, mas apenas dois deles foram romances (Volte para Mim, da Paola Aleksandra, e O Conquistador, da Shannon Drake), por isso estava sentindo uma falta enorme das histórias de amor, que sempre marcaram presença nas minhas leituras. Fiquei em dúvida se pegaria uma história mais densa e cheia de altos e baixos ou algo mais suave, do tipo que deixa o nosso coração leve, leve, de bem com o mundo.rs Claro que acabei escolhendo a segunda opção e fui logo na Julia Quinn! Afinal de contas, depois de ter lido um livro de terror eu necessitava com DESESPERO ler algo que me fizesse sorrir e sonhar acordada. 

"E então, bem no meio daquele corredor, ele a tomou nos braços e a beijou." 

Sabe aquela história simples, cheia de clichês, mas que toca seu coração? Este livro é bem assim. Eu chorei. Realmente chorei com as cenas finais, sobretudo após a revelação de um certo segredo. É um livro que demorei para ler, pois estava lendo outros livros simultaneamente, mas mesmo assim a história se cravou em mim e provocou aquela tranquilidade, aquele alívio entre livros que eram mais pesados e me desgastavam. 

Nele temos a história de amor entre Cecilia e Edward, um casal que se conhecia antes mesmo de finalmente se ver pela primeira vez. Por conta da amizade entre Edward e Thomas, irmão da nossa mocinha, e da proximidade entre os dois irmãos, nossos protagonistas passam a trocar cartas, ao longo de vários meses. Não que pudessem escrever diretamente um para o outro, vez que as regras da sociedade precisavam ser seguidas e seria "escandaloso" um homem se corresponder com uma moça que não fosse sua parente. Por este motivo, tudo o que tinha a dizer para Edward, Cecilia escrevia na carta que enviaria para seu irmão e vice-versa. E assim foram se conhecendo... sem imaginar que o que começara como um afeto sem pretensões se transformaria em algo mais... 

22 de setembro de 2019

Especial Romances de Época: Judith McNaught - Parte 2



Olá, queridos!

Na sexta-feira passada eu publiquei o Especial Romances de Época: Judith McNaught - Parte 1, quando falei da Dinastia Westmoreland, composta pelos livros: Um Reino de Sonhos, Whitney, Meu Amor e Até Você Chegar. Hoje vamos falar da série Sequels, que também é queridinha do meu coração, reunindo livros que me roubaram o fôlego na época que li, que me fizeram chorar horrores e sonhar acordada. :)

Como eu disse no post anterior, não irei reler todos os livros e fazer novas resenhas, pois já os li anos atrás e fiz resenhas de todos eles, tanto da série Westmoreland quanto da Sequels. Eu possuo tanto as edições antigas quanto essas novas lançadas recentemente pela Bertrand Brasil. A única nova edição que ainda não tenho é de Alguém para Amar, todas as outras já estão na minha estante, na prateleira de livros especiais e intocáveis.rs 

Lembrando que assim como Um Reino de Sonhos, Algo Maravilhoso nunca antes tinha sido publicado no Brasil. Sabe quando a editora tem o hábito de publicar séries fora de ordem e depois deixá-las incompletas? Era assim que acontecia, para minha grande frustração. Então quando li Algo Maravilhoso ele ainda não existia em português no Brasil. Os outros dois livros da série já existiam, em diferentes edições, mas costumavam ser de difícil acesso, pois eram livros que já tinham se tornado raros. 

Agora em 2019, com o relançamento de Agora e Sempre e Alguém para Amar, bem como com o lançamento de Algo Maravilhoso, eu finalmente posso estar feliz e perdoar a editora por tanta demora.rs

20 de setembro de 2019

Especial Romances de Época: Judith McNaught - Parte 1


Olá, meus queridos!

Hoje eu resolvi colocar em prática algo que estava pensando em fazer há algum tempo. :D Uns posts especiais sobre os gêneros romances de época e romances históricos (que são coisas diferentes). 

Nestes posts eu sempre irei falar de uma autora ou autor querido do meu coração! E nada melhor do que começar pela minha DIVA Judith McNaught! Autora cujos livros eu conheci vários anos atrás, bem antes da Bertrand Brasil finalmente cumprir a promessa de trazer os livros dela de volta ao Brasil, vez que as edições anteriormente publicadas eram raras e geralmente vendidas por fãs em sebos virtuais por um preço bem alto. Era muito difícil você conseguir alguma edição por preço em conta. Felizmente, eu consegui adquirir alguns livros baratos e em bom estado "na sorte". 

Nós fãs pedíamos muito pelos livros da autora (até abaixo-assinado fizemos), queríamos colecioná-los, ter as edições lindas e publicadas em ordem. Talvez você que teve acesso a Dinastia Westmoreland recentemente, quando da nova publicação, não saiba que a série era publicada fora de ordem e que Um Reino de Sonhos (que embora tenha sido escrito depois de Whitney, Meu Amor, em ordem cronológica dos acontecimentos, é o primeiro da série) foi publicado pela PRIMEIRA VEZ no Brasil somente em 2018, nesta edição da foto acima. Whitney, Meu Amor já tinha sido publicado e republicado algumas vezes, Até Você Chegar também já era bastante conhecido aqui HÁ MUITOS ANOS, mas Um Reino de Sonhos NADA! Você pedia. A editora prometia. E assim os anos se passavam... Você tinha três opções: ler no idioma original ou em algum outro idioma para o qual o livro tivesse sido traduzido no exterior, importar um livro que tivesse em português de outro país ou ler tradução de fã. A vida de nós leitores não era fácil. 

16 de setembro de 2019

Contos Estranhos - Bram Stoker

Literatura Irlandesa 
Título Original: Dracula's guest and other weird stories
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2018
Páginas: 168


Sinopse: Reconhecido como um dos maiores mestres do terror da literatura mundial, Bram Stoker produziu textos dos mais variados gêneros. Este volume traz a antologia Contos estranhos, publicada pela viúva Florence Stoker em 1914, dois anos após a morte do escritor. A obra reúne nove histórias curtas, entre as quais a famosa “O hóspede de Drácula”. Com enredos tão distintos quanto surpreendentes, os contos que compõem esta coletânea são ao mesmo tempo uma prova da genialidade do autor e uma nova porta de entrada para os leitores que já conhecem a história do vampiro mais ilustre da literatura.



Se tem uma coisa que vocês não veem muito por aqui são histórias de terror.rsrs Eu sou fã de suspense, sobretudo o psicológico, mas nunca gostei de obras de terror, que me provocam pesadelos quando não me impedem de dormir. É um gênero do qual acredito que nunca serei fã. Todavia, adquiri alguns livros do Bram Stoker (um box com três volumes), bem como uma coletânea de contos do Edgar Allan Poe e pensei: "Por que não arriscar? Quem sabe consigo lê-los sem morrer do coração..." 

Em fevereiro li uma das histórias presentes em Contos Estranhos (A Profecia da cigana, comentada neste post aqui). Em março li A índia (comentada aqui), que me deixou aterrorizada. Depois não me atrevi a continuar lendo o livro.kkkkkkkkkk... Só agora em setembro resolvi criar coragem e ler as sete histórias restantes. Nesta resenha juntarei os comentários que fiz sobre os dois contos mencionados acima e falarei dos demais contos.

9 de setembro de 2019

Negrinha - Monteiro Lobato


Literatura Brasileira
Editora: Globo, selo Biblioteca Azul
Edição de: 2009
Páginas: 212
Coletânea de contos
Onde comprar: Amazon


Sinopse: Negrinha é um livro de contos realistas lançado em 1920, com personagens que representam a população brasileira das décadas iniciais do século XX. Nele Lobato revela uma terra onde o poder é exercido arbitrariamente pelos coronéis e expõe a mentalidade escravocrata que persiste décadas depois da Abolição. Estão retratados em suas páginas tipos tão diversos quanto um fazendeiro falido, o jardineiro que faz poesia das flores, a viúva cruel, uma criança negra maltratada e o gramático ranzinza.




Quem estiver acompanhando meus posts mensais sobre os contos que estou lendo desde o início do ano, vai perceber que esta resenha na verdade é apenas uma junção de todos os comentários que já fiz sobre cada conto presente na coletânea Negrinha, do Monteiro Lobato. Ao todo são 17 contos presentes neste livro. Três deles eu li em 2017 e fiz resenhas individuais, portanto deixarei o link de cada uma delas neste post. Os outros quatorze contos eu li agora em 2019 e reunirei aqui todos os comentários que fiz mensalmente. :)

Link das resenhas dos três primeiros contos, lidos em 2017:

Negrinha (conto extremamente forte)

Todos os meus comentários sobre os demais contos: 

Ao ler Bugio Moqueado fiquei com os braços arrepiados de verdadeiro pavor. E o pior foi que li à noite, o que é quase certo resultar em pesadelo.

Não vou entregar nenhum segredo da história. Só digo que o personagem é um "ouvinte". Ele está participando de um jogo, então acaba por se distrair ouvindo uma conversa entre uns senhores que estavam próximos dele. Curioso para saber como a história da qual o homem estava recordando terminaria, ele se deixou levar e mal prestava atenção no jogo. Envolvido, nem percebeu o rumo que a história tomava e foi pego de surpresa como aconteceu comigo, quando o final chegou e foi digno de um filme de terror.

6 de setembro de 2019

O Sol na Cabeça - Geovani Martins


Literatura Brasileira
Editora: Companhia das Letras
Edição de: 2018
Páginas: 120
Onde comprar: Amazon


Sinopse: O sol carioca esquenta a prosa destes treze contos que retratam a infância e a adolescência de moradores de favelas como jamais foram retratados. O prazer dos banhos de mar, as brincadeiras de rua, a adrenalina da pichação, as paqueras e o barato do baseado são modulados tanto pela violência da polícia e do tráfico quanto pela discriminação racial indisfarçável no olhar da classe média amedrontada. Com a estreia de Geovani Martins, a literatura brasileira encontra a voz de seu novo realismo. 



Não sei nem por onde começar a falar de O Sol na Cabeça, livro que reúne treze impactantes contos do autor Geovani Martins, nascido em Bangu, que morou em outras comunidades do Rio de Janeiro, como a Rocinha, antes de ir para o Vidigal. Nesta coletânea, aborda assuntos que geralmente ficam à margem da literatura, mas que se propôs a mostrar, para cutucar a sociedade, incomodar até o ponto que não pudéssemos mais ignorar. Aqui temos a realidade nua e crua mesclada com a ficção. Temos situações das quais parte da sociedade sequer ouviu falar.. Uma realidade de desespero, onde já se parece nascer condenado. 

"Esses polícia é tudo covarde mermo, dando baque no feriado, com geral na rua, em tempo de acertar uma criança."

Eu já tinha ouvido falar bastante do livro, tanto li resenhas positivas quanto negativas. E foi a proposta da obra que me fez desejar conhecê-la. Porque puxando pela memória não conseguia recordar algum momento em que tenha lido algo semelhante. Ainda que tenha lido alguns livros que falam de situações de miserabilidade, violência e outras realidades tão angustiantes, nunca tinha passado por um livro que falasse das comunidades, do tráfico de drogas, das crianças e adolescentes que crescem nesse ambiente, sem oportunidades, sem esperanças, mas que ainda assim querem acreditar em alguma coisa... ainda assim brincam na rua, mesmo com o risco da troca de tiros a qualquer momento... que vão à praia para tomar banho e curtir o momento de lazer, como qualquer carioca, mas que acabam sendo vistos com desprezo pelos "playboys" e abordados pela polícia.... Enfim... São tantas situações mostradas pelo autor que sentimos um nó na garganta e uma sensação de vazio quando terminamos de ler. 
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