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28 de dezembro de 2016

Falsa Submissão - Laura Reese

(Título Original: Topping From Below
Tradutora: Claudia Costa Guimarães
Editora: Record
Edição de: 2012)


Um thriller erótico e explosivo.

Duas irmãs embarcam em uma viagem aterrorizante ao entrarem em um jogo de sedução mortal, orquestrado por um homem que não conhece limites.

Chicotes, roupas justas de vinil, correntes, um cachorro dinamarquês. O prazer bizarro do sadomasoquismo não fazia muito sentido para Nora Tibbs, jornalista de uma pequena cidade na Califórnia, até sua irmã Franny, uma tímida enfermeira, ser brutalmente assassinada. Obcecada pela ideia de encontrar o criminoso, Nora se deixa conduzir pelo misterioso M. - o mesmo homem com quem a irmã havia se envolvido antes de ser torturada e morta - por um mundo de jogos eróticos perversos, descobrindo os desejos mais primitivos e sensações antes inimagináveis.

Disposta a ultrapassar os próprios limites para investigar o estranho universo que Franny conhecera antes de morrer, Nora experimenta um novo tipo de prazer na dor e na submissão, e fica dividida entre o amor carinhoso do namorado Ian e o magnetismo excêntrico de M., que a atrai de uma maneira inexplicável.

Ela só não desconfia que a morte acompanha seus passos e pode até estar ao seu lado na cama.




Palavras de uma leitora... 



- Esta resenha pode conter SPOILER!!!! Depois não digam que não avisei!rs


"Escreveu sobre M., sobre as coisas que ele fazia com ela, sobre sua humilhação e seu desespero. A perversidade, sutil e insinuante, perpassa suas palavras. [...] Como um câncer em metástase, ele entrou em sua vida com o intuito de destruí-la."

Algo do que eu não tenho a menor dúvida... Faz séculos que este livro está na minha lista de leituras. E ainda que eu não soubesse tudo que encontraria em suas páginas, sabia que era pesado. Muito pesado. E ao ler a sinopse, eu já imaginava o quanto era cruel a mente por trás do tormento de Franny. 

Logo de início, entramos no mundo dela, da jovem de 24 anos brutalmente assassinada e encontrada só duas semanas depois em seu próprio apartamento. É impossível não sentirmos uma imensa sensação de impotência enquanto a vemos caminhar cada vez mais para dentro da realidade do Michael, uma realidade da qual ela não conseguiria escapar. Um mundo obscuro que demoraria apenas alguns meses para destruir o que restasse de sua vida. Não é justo tudo o que ela sofre, quantas vezes tenta pedir ajuda para uma irmã que estava ocupada demais vivendo a própria vida para perceber que algo estava errado... muito errado. 

"Os maus não chegam até nós vestidos de preto. Nem tampouco irradiam uma energia maligna. Eles não se distinguem de seus vizinhos."

Franny sabia bem o que era estar sozinha. Desde a morte de seu irmão, quando ela tinha apenas 13 anos, o mundo seguro que ela até então conhecia foi desmoronando... A culpa era uma constante companhia, aumentando sua solidão, sua dor e a certeza de que um dia teria que pagar pelo que tinha feito. Um ano depois, seus pais também partiram e ela foi entregue à Nora, sua irmã, que estava envolvida demais com seu trabalho e sua vida para perceber que a menina tímida, com cabelos extremamente curtos e gordinha, bem diferente da irmã que ela um dia tinha conhecido, estava implorando por socorro. Por uma ajuda que ninguém daria. E que só a tornaria uma presa ainda mais fácil para Michael.

"Ele destruiu Franny, e o fez deliberadamente, metodicamente e sem remorso."

Os anos se passaram... Escondendo dentro de si a sua dor, Franny terminou a escola e cursou enfermagem, dedicando-se especialmente aos pacientes renais, que sofriam da mesma doença que fragilizara seu irmão pouco antes de sua morte. Ela queria fazer algo de útil. Fazer por seus pacientes o que não pudera fazer por Billy. Talvez isso aliviasse um pouco a sua culpa... Quando estava na clínica, envolvida no dia a dia daquelas pessoas, sua timidez desaparecia. Era uma pessoa segura, competente, e seus pacientes raramente tinham alguma complicação enquanto estavam sob seus cuidados. Mas da porta pra fora... ela era de novo uma garota insegura, que não olhava nos olhos e se sentia desconfortável quando alguém a notava. E ele a observou por semanas antes de decidir que era o momento certo para se aproximar...

"Beijou-a no pescoço e disse:
- Eu vou lhe dar o que quer, Franny."

- Mesmo atormentada pela dor e pela culpa durante anos, seu coração não deixava de desejar o amor. Uma família, um marido que a amasse acima de tudo e lhe protegesse, filhos para os quais ela daria todo o seu amor e que também a amariam incondicionalmente. Só queria o que quase todos queriam. Ser feliz. Mas, lá no fundo, não se julgava digna de nada. Sabia que seus sonhos jamais se realizariam.

Porém, quando Michael, aquele homem misterioso e irresistível, que parecia enxergar todos os seus segredos e desejos mais profundos, invade sua vida, escolhendo a ela quando poderia ter qualquer uma... ela volta a ter fé. A acreditar que talvez, apenas talvez, consiga se perdoar e construir um futuro ao seu lado. 

"Não me apaixono com facilidade, mas fico feliz em receber o seu amor. [...] Sabe o que isso quer dizer, não sabe? [...] Quer dizer [...] que agora você é oficialmente minha namorada. Isso me dá direitos territoriais sobre o seu corpo. Dá a mim interesses de proprietário sobre você. Agora, você me pertence."

- No início, Franny acredita estar vivendo um conto de fadas, mas ao confessar seu amor por ele, dá a Michael as armas necessárias para começar o lento e doloroso caminho que a levaria à morte. Era tudo que ele precisava para assumir de vez o controle: seu amor. A certeza de que, fizesse o que fizesse, ela não o deixaria. Não teria forças suficientes para abandoná-lo. Sabia que tinha feito bem a sua escolha. Não existia presa mais fácil do que ela. 

Prisioneira do amor que sente por Michael, e cada vez mais envolvida por sua capacidade de manipular e distorcer as coisas para que ela acreditasse que tudo o que ele fazia era normal, a felicidade com a qual um dia ela sonhou vai se tornando mais e mais distante e Franny já não era capaz de recordar um dia em que não chorasse, e o medo a invadia sempre que ia à sua casa, pois não conseguia imaginar que nova crueldade ele faria com ela. Que novas feridas lhe provocaria, física e emocionalmente.

"Uma onda de pânico percorreu seu corpo. 
- Michael, por favor. Não... - Mas ele enfiou um pedaço de pano em sua boca e suas palavras saíram arrastadas, abafadas."

Num diário, ela escreveu parte do período que passou ao lado de Michael, omitindo os detalhes que não suportaria colocar em palavras, nem mesmo para que apenas ela lesse. Mas seus relatos terminam poucas semanas antes de sua morte, fazendo com que permanecesse em segredo os acontecimentos que antecederam seu último dia... Dificultando que a polícia obtivesse alguma prova que Michael a assassinara.

Embora fosse evidente que ela havia sido torturada antes de morrer, a causa da morte seguia sendo um mistério e ainda que ele tivesse sido preso como suspeito, não demorou a ser liberado, pois não existia nada, além do seu envolvimento sádico com a Franny, que provasse que ele estivera em seu apartamento e a matara. Nada. Absolutamente nada que o ligasse à cena do crime. E com o passar dos meses, a polícia parece ainda mais longe de encontrar o assassino e Michael, embora siga sendo o principal suspeito, leva sua vida normalmente, como professor de música numa universidade local, alguém que qualquer um que visse jamais consideraria capaz de cometer um crime tão brutal. Mas a maldade... nem sempre é evidente.

"Uma lágrima rolou em meu rosto. Ela não merecia morrer daquela forma. E naquele instante, ainda sentada em seu sofá, jurei que, se a polícia não encontrasse seu assassino, eu encontraria."

- Nora Tibbs um dia considerara o trabalho tudo em sua vida. Não era dada a estabelecer laços emocionais com ninguém, possuía uma irmã e uma melhor amiga e essas eram as pessoas com as quais era mais próxima, ainda que visse Franny apenas uma vez por mês e sempre com pressa para que o encontro terminasse o mais rápido possível. Não é que não gostasse dela. Na verdade, a amava. Mais que tudo. Só que eram simplesmente diferentes demais, não tendo nada em comum nem para conversar. Franny era tímida, tendo medo até da própria sombra, enquanto Nora era descontraída, alegre e trocava de namorado como quem troca de roupa. Porém, quando recebe a notícia de sua morte, todo o mundo de Nora desaba. O trabalho, os homens, as festas, tudo deixa de ter importância. A dor é insuportável, e com ela vem a certeza de que, de alguma forma, era culpada. Tinha contribuído para que a vida da irmã terminasse daquela maneira. Onde ela estava enquanto sua irmã era torturada? Ocupada como sempre. Franny lhe telefonara. Diversas vezes. E ela não retornara suas ligações. Estava ocupada demais com a própria vida, enquanto a irmã estava a apenas poucos dias da morte.

"Quero que o tempo volte. Quero colocar Franny na pia da cozinha, cheia de água morna e espuma, e vê-la rir, tentando estourar as bolhinhas com os dedinhos gorduchos."

Dez anos mais velha que Franny, Nora foi uma segunda mãe para a irmã quando ela nasceu. Jamais sentiu um amor tão forte como aquele sentimento que a invadiu quando a pegou pela primeira vez em seus braços. Sabia que faria qualquer coisa por aquele ser tão pequeno e que sorria para ela, com tanta confiança. Mas conforme os anos se passavam e ela atingia a adolescência, enfrentando os desafios e problemas daquela fase, ia se afastando cada vez mais da irmã, do irmão e dos pais... E quando ingressou na faculdade, se mudou cortando quase por completo os laços que um dia a uniram tanto àquelas pessoas. E durante muitos e muitos anos ela não admitira nem para si mesma os motivos que a levaram a simplesmente partir. A negar dentro de si mesma o amor que ainda sentia. Era seu segredo. Eram os seus pecados. 

"Dos dezoito aos vinte e quatro anos, quando Franny veio morar comigo, tenho muito poucas recordações bem-definidas dela: quando eu ia para casa para as festas de aniversário, no Natal, no enterro de Billy, quando ela se escondia ao fundo, como que em transe, sem falar com ninguém. [...] O processo de negligência já começara. Ela precisava de mim, mas eu nunca notei."

Quando Nora está com 24 anos, sua irmã é entregue aos seus cuidados, pois seus pais haviam morrido num acidente de carro e ela era tudo que restava àquela menina. Envolvida com a correria do seu dia a dia, praticamente deixara Franny por conta própria, mal possuindo recordações dos anos que ela passou em sua casa. Depois, quando a irmã se mudara para viver a própria vida, os encontros se resumiam a um almoço uma vez por mês e ligações extremamente raras. Sabia que tinha sido egoísta. Sabia que pensara demais em si mesma, não enxergando aquilo que não queria ver, para que nada atrapalhasse a segurança de seu próprio mundo. Tinha consciência de que falhara com a irmã de muitas maneiras e que, se tivesse prestado atenção, talvez ela ainda estivesse viva. 

Tomada pela dor e pelo remorso, Nora pede licença do trabalho e inferniza a polícia durante meses, querendo ver o assassino de sua irmã atrás das grades, de preferência, no corredor da morte. E quando os detetives passam a evitá-la e o tempo continua passando sem que nenhuma prova capaz de condená-lo apareça, ela percebe que se não cuidar do caso sozinha, o doente que destruíra a vida de sua irmã seguiria passeando livremente pelas ruas, em busca de mais uma vítima. Não o deixaria escapar. Não falharia com Franny uma vez mais. 

"Haverá um final diferente desta vez, disto eu tenho certeza. Tanto para M. quanto para mim."

Determinada a descobrir como e por que Michael matara sua irmã, Nora se aproxima perigosamente de sua vida, colocando a si mesma como isca, não fazendo a menor ideia de no que está prestes a entrar e como será impossível sair. Ainda que tenha a certeza de que ele matou Franny, ela se considera forte o suficiente para manipulá-lo, para sair incólume do jogo que iniciara ao procurá-lo. Só que naquele jogo em particular... Michael era um mestre. E as chances de que ela perdesse bem mais do que o controle sobre o próprio corpo e a mente... eram enormes. Naquele jogo, sua vida corria sérios riscos. 

"De qualquer ângulo que encarar a coisa, Nora, verá que boa coisa ele não é. Faça-se o favor de ficar o mais longe que puder daquele homem. Volte a viver sua vida."

Afastar os outros sempre foi extremamente fácil para Nora e quando entra no mundo de Michael, buscando respostas e vingança, ela se distancia mais e mais das poucas pessoas que ainda faziam parte de sua vida. A melhor amiga, o namorado que foi seu porto seguro quando a irmã morreu e o detetive que seguia no caso e era o único a ouvi-la. Lentamente, ela vai se desconectando de todos... entrando mais e mais fundo no obscuro mundo em que ele vive. Sair já não parece possível. 

"O mundo no qual vivo agora, com M., é doentio, e minha obsessão beira a autodestruição. Tenho plena consciência disso. E também de minha impotência para impedi-lo."

- Ela acreditava estar no controle, julgava que sabia o que estava fazendo, mas com o passar do tempo já não enxerga nem sombra da pessoa que havia sido antes daquele homem surgir em sua vida. Antes dela permitir que ele a conduzisse mais e mais fundo, mostrando a ela uma realidade que até então desconhecia. 

"Ele está revelando uma face da minha alma que eu preferiria manter oculta. Não quero fazer parte do seu mundo, mas não sei como escapar dele."

Quando ela entra naquela situação, é para obter as provas necessárias para que o assassino de sua irmã seja punido, mas as coisas fogem do controle, empurrando-a numa direção que ela nunca desejou, fazendo-a encarar um outro lado de si mesma, transformando-a em alguém com quem não sabia se era capaz de conviver. Especialista na arte da manipulação, Michael a envolve profundamente, tal como fez com Franny, conhecendo seus segredos mais profundos, obrigando-a a revelar cada vez mais e ir mais e mais longe, até que ela não saiba como fazer o caminho de volta, como cobrir-se outra vez. Sem que perceba, faz exatamente o que Franny fez: dá a Michael as armas para que ele a destrua. 

"Caí num mundo sombrio, de isolamento, em cujo centro está M. Eu tinha uma carreira. Eu tinha amigos. Mas pouco a pouco perdi tudo."

- Sempre que Michael empurrava Franny para além dos limites, ela chorava, sofria. Não suportava as coisas que ele fazia com ela. Não sentia prazer com a dor. Só desejava um relacionamento normal. Só queria o seu amor. Mas as culpas do passado e seu amor por Michael a impedem de deixá-lo. Já Nora... ainda que estivesse com Michael por todos os motivos certos (por Franny) gostava de tudo que ele fazia com ela. Quanto mais ele a empurrava para além de qualquer limite, mais prazer ela sentia. Tudo podia ser degradante, bizarro, imoral, ela podia resistir no início, mas se entregava e permitia que ele fosse além... Ele já a tinha onde bem queria. Ela era dele. Conseguiria acordar? Conseguiria voltar? 

"- Há várias maneiras de se chegar até o inferno - digo, pensando no quarto negro da casa de M., na funda de couro, no guincho de aço. - Voltar é que é difícil."

Cega pela sedução de Michael, Nora não consegue perceber que já não está com ele apenas por Franny. Não consegue enxergar que já não possui qualquer controle e que está mais e mais perto da morte... 

"Ele baixa a cabeça e coloca o rosto próximo ao meu.
- Se pronunciar mais uma palavra - murmura, agarrando meu pescoço -, será a última."

- Por onde eu começo? Acredito que ao ler tudo que coloquei acima e os trechos que escolhi, vocês podem ter uma noção de como esta leitura não foi nada fácil. E estes foram trechos leves, digamos assim. Alguns trechos eu "censurei", cortei pedaços colocando aqueles [...], pois contém pedaços que não são lá muito leves. O livro é extremamente pesado, gente. Não só nas palavras, mas principalmente nas cenas brutais que nos mostra. Fala de sadomasoquismo, mas não daquele tipo que você encontra em Cinquenta Tons de Cinza e livros similares. Não é romance. Não é um livro sobre amor entre duas pessoas que, de comum acordo, decidem entrar no mundo do sadomasoquismo. Não é nada parecido com o que o Christian Grey tinha com a Anastasia (eu só vi o filme, gente. Não li os livros). Ele a machucava, era possessivo, controlador, f.... ao invés de fazer amor, como ele mesmo diz no filme, mas no fundo temos aquele cor de rosa do amor. O Grey ama a Anastasia. Aqui não tem nada disso. Este livro aqui é um thriller. Na capa diz que é um thriller erótico, mas além disso é também um thriller psicológico, um suspense cruel, mostrando um lado profundamente doentio da relação entre duas pessoas. 

E só há sadomasoquismo entre o Michael e a Nora, vale deixar bem claro. Um sadomasoquismo bem doentio, que a empurra para a morte, para um fim que poderia ser bastante horrível. O Michael não é um homem normal que apenas gosta de jogos consensuais. Não. Ele é um psicopata, gente. Ele é pura maldade. Consegue envolver suas vítimas ao ponto de elas acreditarem que ele se importa com elas e que nada que faz é realmente para machucar. É só um jogo, não é? Só que não é. Ele não quer só machucar, ele quer destruir. Quando a pessoa percebe já é tarde demais. Para qualquer coisa. 

"Michael a prendera outra vez. Não conseguia compreender por que ele o fazia. Não conseguia compreender como uma pessoa tão gentil podia ser tão cruel. Ele a segurara em seus braços e afastara seu cabelo do rosto com ternura, enquanto ela lhe implorava, baixinho para não a machucar."

Como podem perceber pelo trecho acima, com Franny tudo era diferente. Ela não gostava de nada daquilo. Não era sadomasoquismo com ela, era puro sadismo. Franny não encontrava prazer na dor. Não gostava de sofrer, mas o amava demais para conseguir fugir dele. Ela fazia tudo que ele queria, porque sabia que não tinha outra opção. Ele a seduziu até que ela se apaixonasse, até que ela fosse incapaz de deixá-lo. Ele a atormentou até o último dia da vida dela. É duro demais aceitar isso. Aceitar a morte dela. Era alguém tão frágil, tão necessitada de carinho. Ela se apaixonou pela pessoa errada e pagou muito caro por isso. Quantas pessoas não passam pelo mesmo? Quantas e quantas mulheres acabam mortas ao viverem relacionamentos abusivos? Independente de gostar de chicotes e tudo que envolve o mundo do sadomasoquismo, Michael por si só era um homem abusivo, que gostava de controlar as mulheres e feri-las, alguém com sangue frio suficiente para matar ao ser contrariado. Isso não tem nada a ver com sadomasoquismo. Tem a ver com maldade. Como o livro A Lista do Nunca, Identidade Roubada, No Escuro... ele não é muito diferente dos psicopatas desses livros. Só que ele é pior. Porque ele faz as vítimas fazerem exatamente o que quer, como se elas estivessem consentindo. É uma mente semelhante a do livro Restos Humanos, quando aquele doente envolvia as vítimas até forçá-las a cometerem suicídio, lembram? 

"Michael era tudo o que lhe restara. Ela aceitaria seus castigos e todas as coisas indescritíveis que ele fazia com ela, atos mais cruéis do que as mais violentas surras. Enquanto ele a amasse, ou tentasse amá-la, ela faria tudo o que ele pedisse."

- Nunca serei capaz de esquecer a Franny e todas as chances que ela não teve. Me dói muito pensar nessa mocinha. Primeiro se sentia culpada pela morte do irmão... e quando ela revela o motivo.... Nossa! É uma cena que nos leva às lágrimas. Dor demais para uma menina de 13 anos suportar. E como se não bastasse, seus pais se desligam totalmente da existência dela quando seu irmão morre. Concentrados no próprio luto, no próprio sofrimento, eles não percebem que têm uma filha precisando de ajuda. Simplesmente se esquecem dela e quando eles também morrem, é como se sua ferida ainda muito aberta ficasse infeccionada e nada fosse capaz de curá-la. Ir morar com Nora não a ajuda em nada. Franny acaba criando um mundo próprio, trancando todos fora dele. Vulnerável demais para conseguir escapar de uma mente tão cruel como a do Michael. 

"Pergunto-me agora o que passou pela cabeça da minha pobre irmã enquanto seu assassino a prendia com fita isolante, enquanto dava início à lenta tortura. Será que pensou em mim? Será que morreu achando que ninguém gostava dela? Se me dessem outra chance, Franny, eu faria tudo para que soubesse que eu gostava de você, e muito."

- Nora... Sinceramente, não sei de qual das duas irmãs eu sinto mais compaixão. Por quem eu sofro mais. As duas estavam marcadas por traumas do passado, cada qual lidando à sua maneira com a dor que sentiam dentro delas, ambas presas fáceis para o Michael. A Nora podia se considerar forte, dona de si, acreditar que sabia tudo que estava fazendo, mas estava tão longe disso! Talvez com ela o jogo dele tenha sido pior. Porque ele entrou na mente dela até fazê-la pensar o que ele queria. Nora não só fazia o que ele queria, seus pensamentos, suas vontades... ele manipulou tudo. É como se ele a tivesse desmontado e montado da exata maneira que queria. Usou cada um dos seus traumas, um passado que ela jamais tinha confessado para ninguém, usou suas inseguranças, usou o sexo também. Fez dela exatamente o que desejava. E a afastou de qualquer pessoa que pudesse salvá-la. 

"Estou na beira do abismo, e não há ninguém para me impedir."

- Perturbador... Este livro é profundamente perturbador, do começo ao fim que nos rouba o fôlego. Um final que é inesperado, de certa forma. Eu sabia que nada nesta história poderia terminar bem, mas não imaginei que terminaria daquela maneira. A justiça passou longe desta história, como de tantas outras que já li. Não. Isto não é spoiler. O único spoiler que dei até agora foi indicar sem sombra de dúvidas que o Michael matou a Franny. Mas isso foi spoiler mesmo? Porque é gritante que foi ele. Nós temos certeza desde as primeiras páginas. A autora não quis que isso fosse o grande mistério do livro. E não revelei nada sobre o final. Deixarei que vocês descubram como o livro termina. Mas há duas coisas sobre esta história que preciso contar.

- A autora, no intuito de nos mostrar até onde ia a maldade do Michael... na intenção de nos fazer conhecer a mente dele, o quanto ele era um monstro, coloca duas coisas extremamente pesadas no livro. E isso é spoiler!!! Há uma cena na qual o Michael coloca um vídeo ilegal e quer que a Nora assista. Não vou descrever o vídeo, pois me dá ânsia de vômito só lembrar... mas posso dizer que se trata de violência contra criança. Coisas que costumamos ver na série de TV Lei e Ordem - Unidade de Vítimas Especiais. Dá para vocês terem uma ideia do que é.

A outra cena impactante e de dar náuseas envolve o cachorro dele. E envolve sexo. Juntem as duas coisas e podem imaginar do que se trata a cena. Sim. São cenas muito, muito pesadas. São horríveis de ler. A maldade do Michael jamais conheceu limites. Ele é um demônio. Só pode ter vindo das profundezas do inferno. 

"A jornada de Franny foi muito mais dolorosa. Inadvertidamente, ela penetrou no coração de um homem mau, e jamais retornou."

- Não direi se recomendo a história ou não. Deixo que vocês decidam se vão lê-la ou não. Dei 4 estrelas ao livro, porque é impossível negar que a autora é brilhante, com uma escrita original, profundamente inteligente e audaciosa. Ela não teve medo de pegar pesado. Ela quis contar uma história e a contou. Sem economizar nas palavras. Sem poupar os leitores ou os personagens. É uma autora muito corajosa, que me impressionou e despertou minha admiração. Entendo perfeitamente até mesmo as pessoas que talvez tenham dado 5 estrelas ao livro. Eu só não dou 5 estrelas porque as duas cenas mais pesadas foram demais para mim. Meu estômago revirou e eu quase parei a leitura nessas duas vezes, de tão enjoada e revoltada que eu fiquei. Mas entendo por que a autora colocou tais cenas no livro. A história é muito bem elaborada, tudo se liga desde as primeiras páginas. 

Tirando essas coisas que contei sobre o livro: que é o Michael que matou a Franny (algo que qualquer um pode perceber desde as páginas iniciais, então não é tão segredo assim) e as duas cenas que mencionei, não revelei muita coisa sobre o livro. A história possui 413 páginas. Muita coisa acontece... existem vários segredos do livro que não contei. 

"Mas eu acredito em carma, e os maus serão punidos, mais cedo ou mais tarde. Se não nesta vida, numa próxima. Ninguém pode praticar o mal e ficar incólume. Eu preciso crer que haja uma ordem inefável no universo."

7 de junho de 2016

Corações Feridos - Louisa Reid

(Título Original: Black Heart Blue
Tradutor: Thiago Mlaker
Editora: Novo Conceito
Edição de: 2013)

Duas irmãs gêmeas. Uma linda, a outra desfigurada.
Divididas por um terrível segredo... 

Hephzibah e Rebecca são irmãs gêmeas, mas muito diferentes. Enquanto Hephzi é linda e voluntariosa, Reb sofre da Síndrome de Treacher Collins — que deformou enormemente seu rosto — e é mais cuidadosa. Apesar de suas diferenças, as garotas são como quaisquer irmãs: implicam uma com a outra, mas se amam e se defendem. E também guardam um segredo terrível como só irmãos conseguem guardar. Um segredo que esconde o que acontece quando seu pai, um religioso fanático, tranca a porta de casa. No entanto, quando a ousada Hephzibah começa a vislumbrar a possibilidade de escapar da opressão em que vive, os segredos que rondam sua família cobram-lhe um preço alto: seu trágico fim. E só Rebecca, que esteve o tempo todo ao lado da irmã, sabe a verdadeira causa de sua morte... 

Hephzi sonhara escapar, mas falhara. Será que Rebecca poderia encontrar, finalmente, a liberdade?



Palavras de uma leitora... 


"Eu vivi à sombra dela por 16 anos e gostei do frio e da escuridão; era um lugar seguro para esconder-me. Agora eu estremecia no ar pesado de janeiro. Era o primeiro dia do ano-novo, e minha irmã estava morta havia uma semana."

- Há anos eu desejava ler este livro, mas sempre que tentava iniciar a leitura fugia para outra história, temendo o que se esconderia nas páginas deste livro. Sabia que era uma história forte, que me chocaria e provocaria pesadelos, mas não conhecia detalhes. Apenas o que a sinopse revelava. Que já era mais do que suficiente para me deixar em pânico.

"Gravei o dia de hoje em minha memória como mais um dia negro, e está lá, uma dura história inscrita em meu coração. As histórias que tenho escondidas dentro de mim; se você pudesse abrir-me, leria a verdade. Olhe para dentro, retire a pele, a carne e os ossos e encontrará uma biblioteca de sofrimentos. Talvez você me peça para explicar. Eu sou, antes de tudo, a curadora desse passado. Mas algumas coisas são terríveis demais para serem contadas, e essas palavras estão enterradas profundamente."

- Li a história inteira em poucas horas. Ontem. Simplesmente não conseguia parar. Lia uma página atrás da outra, ansiando pelo final... esperando por uma justiça que jamais chegou. Não. Não é spoiler. É a minha opinião apenas. Para mim, a justiça passou bem longe da vida dessas duas irmãs. 

Quando leio certos livros e me deparo com realidades tão aterrorizantes, chego a pensar que o inferno realmente é aqui na Terra e que os condenados a ele são justamente aqueles que não merecem. Hephzi e Rebecca certamente não mereciam... E isso despedaçou meu coração. Estou profundamente abalada pela história delas. Vai ser difícil superar. E impossível esquecer...

- Não é necessário perguntar se chorei. Fiz mais que isso. Tive uma crise, soluçando e perguntando, a ninguém em especial, por quê. Por que tudo teve que ser assim? Eu não era capaz de parar de chorar e amaldiçoar os monstros da história e todos os que estão por aí, andando entre nós como se fossem pessoas normais quando na realidade não passam de demônios disfarçados. Monstros, vermes, psicopatas que sentem prazer em destruir a vida dos outros. Quando isso vai parar? Quando toda essa maldade deixará de existir? Eu chorava tanto e de uma maneira tão desesperada que minha mãe veio perguntar o que tinha acontecido. Ela ficou totalmente perdida, sem entender o que havia me deixado naquele estado. Então eu contei... e ela ficou em silêncio, sem saber o que me dizer. O que haveria a ser dito? Não há palavras para o que encontramos neste livro. Não há. 

- Talvez esteja na hora de começar a falar da história em si... E acreditem: esta sem dúvidas está sendo uma das mais difíceis resenhas que já fiz na vida. Está sendo doloroso escrever. Cada palavra me traz de volta cenas do livro, imagens que quero esquecer, apagar da minha memória. 

"Sinto o medo de Rebecca como um mal em volta do meu estômago e sei que o tempo está se esgotando."

- Duas irmãs. Gêmeas, mas completamente diferentes. Unidas e separadas por uma infância de dor e desespero, segredos e mentiras... e uma esperança que insistia em permanecer... Fazendo-as acreditar que um dia tudo aquilo chegaria ao fim e, então, elas poderiam começar a viver. Abraçar o mundo que só podiam ver à distância. E o fim realmente chegou para Hephzi... Dentro de um caixão. Uma morte trágica que poderia ser evitada se alguém tivesse ouvido o seu grito de socorro... se alguém tivesse olhado mais atentamente para aqueles olhos que imploravam por ajuda. Mas ninguém ouviu. Ninguém olhou... E Rebecca sabia que não demoraria a ser sua vez. Precisava escapar... Precisava fazer aquilo não só por si mesma, mas também por Hephzi. Ela sabia que lhe devia isso...

Mas haveria tempo? Seria possível fugir de uma realidade que as duas nunca se atreveram a contar? Existiria um lugar no qual fosse possível se esconder? Tudo lhe dizia que não, que não valia a pena sequer tentar, mas sua irmã, dia após dia, onde quer que estivesse, lhe dava forças... e lhe incentivava a salvar as duas. 

"O Pai me odiava porque a coisa de que ele gostava de cuidar, como um abutre ganancioso, partira, e eles agora precisavam tomar cuidado, ser mais vigilantes, caso outras perguntas fossem feitas."

- É tudo o que posso contar, gente. Nada muito além do que a sinopse nos diz. Conhecemos a história através dos olhos das duas irmãs. Sabemos o antes, contado por Hephzi e o depois, contado por Rebecca. Já iniciamos a leitura tendo uma enorme ideia do que se passou. Não sabemos como aconteceu nem em que momento ocorreu, mas a história já nos grita desde o princípio quem matou Hephzi. Quem colocou um ponto final em todos os sonhos que ela tinha, em toda a esperança que ela manteve viva dentro dela, mesmo quando chorava e via os anos se passando recheados de momentos de intensa agonia. Ela acreditou. Muito. Não permitiu que a realidade a impedisse de tentar, de lutar pela liberdade a que tinha direito. Ela queria amar. Queria ter filhos. Queria viver. E lutou muito por isso... Vê-la sendo tão corajosa e forte, quando ela própria não conseguia enxergar a coragem que possuía, acabou comigo. Porque eu sabia que ela não iria conseguir. Eu sabia que ela seria assassinada. Afinal de contas, a história começa justamente uma semana após a morte dela. E eu não pude aceitar. Não era justo. Eu não conseguia acreditar que ela estava morta. Que tudo tinha sido em vão. Senti tanta raiva... uma vontade enorme de destruir aqueles animais com minhas próprias mãos. Nem a morte mais dolorosa seria suficiente para eles. Eles mereciam sofrer os tormentos do inferno, lenta e muito, muito dolorosamente antes de morrer. 

"Eu encolhia minha mente enquanto pensava em todos os livros que nunca chegaria a ler, as histórias que ele estava escondendo de mim. Não era justo. Por que eu tinha de ficar em sua prisão, por que tudo que sempre amei tinha de ser tirado de mim?"

A história vai alternando entre passado e presente, entre Rebecca e Hephzi. Inicia-se pelas palavras de Rebecca, enquanto ela nos mostra o depois, falando também de momentos passados... E então, poucas páginas mais adiante, a autora pula para o antes, nos mostrando uma Hephzi que sabia que estava arriscando tudo, mas que ainda assim tinha fé... sonhando que conseguiria salvá-las. E a autora constrói a história assim, nos fazendo conhecê-las aos poucos e nos apegar às duas. E quando a própria Hephzi começa a nos mostrar os acontecimentos anteriores a sua morte... o que aconteceu poucas horas antes... não dá para suportar. Estou aqui... em lágrimas novamente. Mas, me diga, como não chorar? Como faço para aceitar algo que é inaceitável? 

"Eu não acredito no Deus dele. Ele nunca veio ajudar a mim ou a minha irmã, e essa é a prova de que preciso. Assim como o amor. Bem, se Deus era amor, ele morrera com minha avó."

- Após a morte da irmã, Rebecca tenta seguir em frente. Sabendo que também não durará muito. Sabendo que em algum momento se livrariam dela também. É então que Hephzi passa a acompanhá-la... falando com ela, tentando fazer Rebecca criar coragem para fugir... para fazer o que ela morrera tentando. Ver as duas conversando... não é fácil de suportar toda a emoção e tristeza desses momentos. Uns podem pensar que Rebecca criou a fantasia de que a irmã estava com ela, orientando-a, aconselhando-a... que ela quis acreditar que não estava sozinha. Que Hephzi ainda estava com ela. Mas eu acredito que ela não conseguiu descansar. Porque sabia que a irmã precisava dela. Porque sabia que as coisas não poderiam terminar igual para as duas. Ela não consegue partir e deixar a irmã para trás. Eu acredito muito nisso. Que Hephzi não pôde partir... a história dela ainda não tinha terminado. Ela precisava não só fazer Rebecca sobreviver, mas necessitava também que tudo fosse revelado... que todos aqueles segredos batessem na cara de todos os que as viam e fingiam não saber o que se passava naquela casa. Era preciso gritar todos aqueles anos de sofrimento. Era preciso que alguém ouvisse sua voz. E que tudo aquilo chegasse ao fim. 

"Ainda não me atrevi a revelar seu segredo, mas, talvez um dia, se minha alma encontrar um lugar para respirar, eu o faça."

- Rebecca é uma personagem como poucas. Uma menina de apenas 16 anos, profundamente marcada por uma infância de sofrimento, que enfrentou a perda das duas únicas pessoas que se importavam com ela (a avó e a irmã), que já não tinha mais fé e ainda assim não desistia. Ainda assim possuía uma força interior que a fazia manter-se de pé. Foram pouquíssimas as vezes que encontrei mocinhas como ela, com tanta coragem e tanta força diante das mais insuportáveis situações. Rebecca jamais desistiu, mesmo quando seu corpo e sua alma queriam desistir. Ela suportou coisas que eu jamais suportaria. Ela não permitiu que eles destruíssem o que havia de bom dentro dela. Não permitiu que matassem a sua capacidade de amar e nem as lembranças que tinha da irmã. Tudo o que ela faz ao longo da história... Eu nunca seria capaz de fazer. É uma mocinha que possui toda a minha admiração e o meu carinho. Sempre me lembrarei dela... das lições que ela me ensinou. Ela marcou a minha vida. Assim como a Hephzi que morreu lutando para ser feliz, que correu atrás do amor até o último dia da sua vida. Sua história pode ter terminado de forma terrível, mas ela ao menos soube que havia tentado. E não se arrependia de nada. Ela tentou viver. E isso é muito mais do que muitos fazem ao longo de toda uma vida. 

"Eu queria ser uma versão melhor de mim, uma com todas as feridas cicatrizadas. Mas isso não acontece na vida real. Na vida real não há ressurreição, ainda que você a deseje todas as noites."

- Como disse antes, na minha opinião, a justiça fugiu desta história. Não direi o que acontece no final. Por mais que possam pensar que eu contei muito, na verdade não contei nada. Quando terminei a leitura, além de estar em prantos, sentia um gosto amargo na boca. Uma sensação enorme de injustiça. E não consigo aceitar. Jamais vou ser capaz de aceitar

Dei 5 estrelas para a história, com passagem direta para os favoritos, mas não me atrevo a recomendá-la. É uma história marcante, emocionante, extremamente dolorosa. E injusta. Muito injusta. Por isso, o que recomendo é que, caso decidam dar uma chance ao livro, o façam num momento apropriado. Quando se sentirem preparados para isso. Porque é uma história que abala nossas estruturas, que mexe demais com as nossas emoções. 

"Hephzibah estava em outro lugar, mas também em mim."

21 de maio de 2016

A Lista do Nunca - Koethi Zan

(Título Original: The Never List
Tradutora: Elvira Serapicos
Editora: Paralela
Edição de: 2013)


Quando a ficção é tão assustadora quanto a realidade

Vítimas de um acidente de carro quando ainda eram crianças, as amigas inseparáveis Sarah e Jennifer decidem tomar todos os cuidados para se manter sempre seguras. No entanto, quando estão no primeiro ano da faculdade acabam sendo sequestradas facilmente depois de entrar em um táxi à noite. Em uma situação pior do que jamais poderiam imaginar, elas passam os três anos seguintes acorrentadas no porão da casa de um professor - alguém acima de qualquer suspeita, mas que praticava com elas as mais diferentes técnicas de tortura.

Dez anos depois, a vida de Sarah está longe de ser normal. Seu sequestrador, que ainda lhe manda cartas da prisão, está prestes a ser liberado. Por mais que busque ficar distante, voltar aos acontecimentos do passado pode ser sua única chance de realmente se livrar de tudo.

A lista do nunca se torna ainda mais impressionante e assustador quando vemos, na vida real, fatos que não são tão distantes assim da ficção. Um deslize, um único momento de desatenção, pode ser fatal.


Palavras de uma leitora...


"Éramos apenas universitárias, fazendo o que os universitários fazem. Mas eu me consolava sabendo que tínhamos seguido nossos protocolos até o amargo final."

- Estou com vontade de chorar. O que, com certeza, não é surpresa para ninguém. Sei que vou acabar desmoronando por algum tempo por causa desta história. Ainda assim, não me arrependo de lê-la. Mesmo sabendo que ela permanecerá em minha mente durante muito, muito tempo... 

"Estávamos atentas. Tomávamos cuidado. 
Naquela noite não foi diferente."

- Amigas inseparáveis, Sarah e Jennifer haviam passado por muita coisa na vida. Sabiam o que era sofrer. Sabiam o que era perder... E o que era ver-se diante de uma situação na qual não se tem nenhum controle. Aos 12 anos de idade, enquanto voltavam da escola, no carro da mãe de Jennifer, sofreram um acidente terrível. Os médicos mesmo admitiram que elas tinham sobrevivido por milagre. Algo que a mãe de Jennifer não teve. Após um longo e doloroso período de recuperação no hospital, profundamente traumatizadas por aquela tragédia, as meninas decidem fazer o que fosse preciso para manter-se seguras. Dedicam-se a estudar probabilidades de algo de ruim lhes acontecer. Estudam acidentes, doenças, terremotos e outros perigos. Conforme crescem, se dão conta de ameaças ainda mais terríveis, como: sequestro, estupro e assassinato. Ainda mais aterrorizadas, elaboram "a lista do nunca", que se trata de conselhos que dão para si mesmas, de atitudes que devem tomar ou evitar. "Nunca entre no carro", "Nunca entre em pânico", "Nunca deixe sua bebida sair de vista", são apenas uns dos diversos conselhos que fazem parte da lista. Uma lista que elas seguiam e levavam muito a sério. Porque sabiam que o mal estava apenas à espera. 

"Mais do que ninguém, sabíamos o que havia lá fora, naquele mundo imenso, e não iríamos deixar que nos pegasse."

- Mas, ainda no 1º ano de faculdade, apesar de todos os cuidados, acabam sendo sequestradas por um psicopata, com fascínio pelo sadismo, pela tortura. E passam anos de verdadeiro inferno, trancadas num porão, servindo de estudo para a mente doentia dele. Nem em seus piores pesadelos poderiam imaginar que existiria alguém tão cruel e um mundo tão insuportável como aquele. Após anos que foram destruindo pouco a pouco qualquer esperança que tivessem de escapar, de voltar a ter uma vida e rever as pessoas amadas, tudo finalmente chega ao fim. Mas as cicatrizes deixadas por toda aquela dor física e psicológica jamais desapareceriam... 

"Talvez o universo tenha nos brindado com uma justiça perversa no final. Ou talvez os riscos de viver no mundo exterior simplesmente fossem maiores do que havíamos calculado."

- Eu nem sei por onde começar... Não tenho palavras. Tudo está muito confuso na minha cabeça. E sinto um nó insuportável na garganta. Lembram do terror de Identidade Roubada? No Escuro? Confie em Mim? Não Conte a Ninguém? Restos Humanos? Nem mesmo unindo todos esses livros eles conseguiriam ser piores do que A Lista do Nunca. Este livro é simplesmente mil vezes pior do que qualquer outra história do gênero que eu já tenha lido ou assistido. Sei que terei pesadelos. Sei que não o esquecerei. Que a angústia que ele me provocou vai ficar em mim, mesmo depois de eu ler outras histórias. Mesmo depois que o tempo passar. O que se passa nesta história.... Deus! Saber que coisas assim acontecem o tempo inteiro neste mundo... que neste exato instante existem milhares de pessoas sofrendo exatamente o que Sarah, Jennifer e as outras mulheres sofreram... é mais do que doloroso. É desesperador. Aterrorizante. Na verdade, não tem uma palavra que defina o que sinto. Não dá para expressar. 

"Havia quatro de nós lá embaixo nos primeiros trinta e dois meses e onze dias do nosso cativeiro. E então, de repente e sem qualquer aviso, éramos três. Apesar de a quarta pessoa não ter feito barulho algum nesses vários meses, o porão ficou muito silencioso quando ela se foi. Depois disso, durante muito tempo, ficamos sentadas em silêncio, no escuro, imaginando qual de nós seria a próxima na caixa."

- Um professor. Um professor de psicologia. Simpático, bondoso, carismático... homem acima de qualquer suspeita. Inteligente, brilhante. Hipnotizava seus alunos a cada aula. Suas classes estavam sempre cheias, de pessoas ávidas por conhecimento, pelo encanto que só ele era capaz de provocar. Mas por trás daquele professor inofensivo, se escondia um homem brutal, que sentia prazer com o sofrimento dos outros. Que amava infligir dor. Torturar. E que mantinha, com a maior naturalidade, quatro mulheres presas num porão em sua casa. E o mais doentio e assustador de tudo isso, é que ele ainda tinha a frieza de estudar suas vítimas. De usá-las como projetos, entendem? Ele sentia prazer, se excitava ao causar sofrimento. Quanto mais sofrimento causava mais prazer sentia. Porém, não se tratava apenas disso. Ia além. Muito além. Para ele, tudo fazia parte de um estudo. Dizer que fiquei aterrorizada é pouco. Nunca vi uma mente tão doentia em minha vida. Nem mesmo no filme Beijos que Matam

"Percebi que havia permitido que minha incapacidade de recuperação do meu passado encolhesse o meu mundo de tal forma que só restara espaço para mim. Agora me ocorria, realmente pela primeira vez, que as pessoas ferradas podiam se transformar em uma espécie de narcisistas. A tal ponto que eu, por exemplo, mal conseguiria reconhecer que os outros poderiam precisar de mim."

- Depois de aproximadamente 3 anos presa naquele maldito porão, Sarah consegue escapar. E buscar ajuda para as outras duas que ainda permaneciam presas. Christine e Tracy são resgatadas. A mídia e a população ficam completamente chocadas com tamanha crueldade e o doente mental é devidamente preso, julgado e condenado, deixando para sempre uma marca terrível não apenas em suas vítimas, mas em todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, fizeram parte daquela história. Daquele inferno. Bastava que seu nome fosse mencionado para reavivar a memória da sociedade... de um pesadelo que nunca seria esquecido. Mas enquanto todos seguiam em frente, fazendo o possível para refazer suas vidas... para Sarah não existia recuperação. Dia após dia, ano após ano ela sentia, cada vez mais, que estava destruída. Que a pessoa que ela um dia havia sido já não existia. Que Jack tinha atingido o seu objetivo. Que tinha conseguido quebrá-la. Para sempre.

"Aquele lugar lá no fundo, que ninguém poderia tocar, que nem mesmo a dor do corpo poderia alcançar. Eu conhecia esse lugar. Vivia aí há cerca de treze anos."

- Dez anos após ter conseguido escapar, Sarah segue presa. De suas lembranças... de Jennifer. Sua amiga de infância. Sua irmã. Aquela que estivera com ela em todos os momentos, que sofrera com ela, mas que partira bem antes. Aquela que Sarah não conseguira salvar. Não importava quanto tempo se passasse, Jennifer sempre estaria presente em sua memória. Ainda era capaz de ver seu rosto... aquele olhar perdido e triste, de alguém que tinha sido desfeita muitos anos antes do sequestro. De alguém que, de certa forma, morrera no acidente de carro, juntamente com a mãe. 

"Ela foi mantida naquela caixa, amarrada e amordaçada. Nossa única forma de comunicação naqueles primeiros dias era um código rudimentar com batidas nas laterais da caixa. Mas depois de alguns meses as batidas cessaram completamente."

- Ela nunca saía do apartamento. O mundo poderia pensar que todas elas haviam seguido em frente. Reconstruído suas vidas. Superado toda a dor e as lembranças. Só Sarah e as pessoas mais próximas sabiam a verdade. Que ela concluíra a faculdade, conseguira um emprego estável, um apartamento confortável e uma vida totalmente nova e independente. Mas fazia anos que ela não colocava os pés para fora daquele prédio. Tudo o que ela necessitava, o porteiro levava até sua porta. Até mesmo o trabalho ela realizava da segurança do seu lar. E qualquer contato humano para ela era extremamente doloroso. Não suportava qualquer toque. Nem mesmo dos seus pais. Se fechara num mundo particular, onde não existia espaço para mais ninguém. Ocupado apenas pelas lembranças... e pelo olhar de Jennifer. 

E quando seu sequestrador, torturador e assassino da sua melhor amiga, está prestes a conseguir a liberdade condicional... é que ela percebe que chegou a hora de finalmente recomeçar. Mas não sem antes encontrar as respostas para as perguntas que ainda se fazia. E de ir até as últimas consequências para dar à Jennifer o descanso que ela merecia. Encontraria seu corpo. Daria a ela o sepultamento cristão ao lado de sua família. Nem que para isso precisasse arriscar a própria vida. Porque só encontraria a paz que tanto necessitava no dia em Jennifer descansasse. Jamais antes...

"Olhando para aquela carta, sozinha com meu medo, conseguia imaginar Jennifer olhando para mim com os olhos sem expressão, pedindo sem dizer uma palavra, me encontre."

- O que Sarah não percebe... é que essa busca por paz e perdão... pode desvendar segredos ainda mais perturbadores do que ela poderia imaginar. E ser fatal não só para ela, mas para muitas outras pessoas envolvidas. Será que tudo realmente acabou? Ou... existiria mais? Muito mais por trás do sequestro, dos anos de tortura e do desaparecimento do corpo de sua melhor amiga? Trabalharia Jack sozinho? E o mais importante... existiriam outras garotas? Trancadas em algum lugar, esperando por um milagre? Quanto mais perto das respostas ela estiver... mais perto da morte também poderá estar... 

- Dei 5 estrelas ao livro sem pensar duas vezes! Fascinante, perturbador, real. Ninguém que o leia seria capaz de ficar indiferente. Ou de seguir sendo a mesma pessoa depois. Sei que não sou mais a mesma. Sei que esta história me marcou. De uma forma insuperável. Não posso simplesmente fechar o livro e fingir que nada que eu li se passa na vida real. Que é apenas uma história que jamais aconteceria. Sei que não é assim. Lembro com clareza de um caso semelhante que vi no jornal, poucos anos atrás. Tudo o que Sarah e as outras sofreram... Deus do céu! Eu só peço que Deus tenha misericórdia dessas pessoas. Que as socorra, por favor. 

"Havia alguma coisa ali. Eu só precisava raciocinar. Só o raciocínio poderia me salvar."

- Recomendo o livro para todos. Acredito realmente que todas as pessoas deveriam lê-lo. Porque é uma história que nos faz refletir, que nos atinge. Que nos provoca compaixão, amor pelo próximo ao ponto de nos fazer sofrer imenso com e por eles, que faz com que nos coloquemos no lugar dessas pessoas. É uma história que nos atinge em cheio exatamente da forma que tem que atingir. Se todas as pessoas retirassem deste livro a lição mais preciosa que ele tem a nos ensinar, o mundo seria um lugar melhor. E mais psicopatas seriam descobertos e presos e mais vítimas seriam libertadas. Vidas poderiam ser salvas se todos nós nos importássemos. Se prestássemos atenção. Se parássemos de olhar apenas para nós. 

27 de maio de 2012

Identidade Roubada - Chevy Stevens


(Título Original: Still Missing
Tradutor: José Roberto O`Shea
Editora: Arqueiro)




Era para ser um dia como outro qualquer na vida de Annie O’Sullivan. A corretora de imóveis levanta da cama com três objetivos: vender uma casa, fazer as pazes com a mãe e não se atrasar para o jantar com o namorado.

Naquele domingo, aparecem poucas pessoas interessadas em visitar o imóvel. Quando Annie está prestes a ir embora, uma van estaciona diante da casa e um homem sorridente vem em sua direção. A corretora tem certeza de que será seu dia de sorte. Mas o inferno está apenas começando. Sequestrada por um psicopata, Annie fica presa durante um ano inteiro em um chalé nas montanhas, onde vive um pesadelo que deixará marcas profundas.


Construído de maneira extremamente original, Identidade roubada é o relato visceral que Annie faz à sua terapeuta dos 365 dias em que ficou à mercê do homem a quem chamava de Maníaco.

As memórias que vêm à luz ao longo de 26 sessões de análise são intercaladas com a história de sua vida desde que conseguiu escapar do chalé: a luta para superar seus medos e se reencontrar, a investigação policial para descobrir a identidade do sequestrador e a sensação perturbadora de que seu martírio ainda não acabou.

Em sua estreia, Chevy Stevens cria uma heroína inesquecível que, depois de sobreviver a uma experiência devastadora, precisa descobrir a verdade para se libertar.

Surpreendente e avassalador desde a primeira página, este thriller psicológico entrou na lista de mais vendidos do The New York Times e foi finalista dos conceituados prêmios Arthur Ellis e International Thriller of the Year. 




Palavras de uma leitora...


"Existe por aí um monte de livros dizendo que a gente cria o próprio destino, e que aquilo em que acreditamos irá se realizar. Nós devemos sair por aí só com pensamentos positivos na cabeça, e então tudo será sombra e água fresca. Não... desculpe... não é nada disso. A gente pode estar se sentindo mais feliz do que nunca e mesmo assim pode acontecer uma grande merda.


Mas a merda não apenas acontece. Ela derruba e esmaga você no chão, porque somos idiotas o bastante para acreditar em sombra e água fresca." [Página 78]




- Vocês não têm noção do quanto esse trecho me marcou. Fico relendo-o e pensando em tudo que aconteceu com a Annie. Todo o pesadelo que ela viveu e sinto muita vontade de chorar. Também sinto vontade de gritar, atacar o livro longe e matar certos personagens com minhas próprias mãos. Estou sentindo uma mistura louca de sentimentos. Nem sei explicar o que sinto... Enquanto lia esse livro eu tinha medo até de sair de casa. E ainda estou apavorada. É um dos livros mais intensos que já li na vida. Um dos mais abaladores. Mais chocantes. Nunca irei superá-lo. Esquecê-lo. Seria impossível.




"Naquela noite, enquanto sirenes passavam diante da nossa casa, aumentei o volume da TV para não ouvir o barulho. Mais tarde, descobri que todo aquele tumulto era por causa de Daisy e do meu pai.


No caminho de casa, meu pai parou na lojinha da esquina. Enquanto atravessavam o cruzamento, um motorista bêbado avançou o sinal vermelho e bateu neles de frente. O imbecil amassou nossa van como se fosse um lenço de papel. Passei anos me perguntando se eles ainda estariam vivos caso eu não tivesse implorado a meu pai que comprasse sorvete para sobremesa. Só consegui ir adiante porque tive certeza de que a morte deles era a pior coisa que poderia acontecer na minha vida. Puro engano." [18]




- Nem sei por onde começar. É difícil falar sobre esse livro. Não paro de pensar em tudo que aconteceu e no quanto a Annie foi forte. No lugar dela, eu teria morrido. Simples assim. O Maníaco não precisaria me matar e nem eu precisaria acabar com a minha vida. Simplesmente jamais teria a força da Annie. Ela é uma guerreira, alguém que sempre irei admirar. Uma personagem que já ganhou destaque na minha lista de favoritas. Não dá para não admirar alguém que sofreu tanto e mesmo assim deu a volta por cima. Alguém que foi cruelmente destruída pela vida e que conseguiu se levantar, mesmo que fosse duro juntar seus pedaços. Falar da Annie me faz sentir uma dorzinha dentro de mim. Se tinha alguém que não merecia sofrer tanto, era ela. E se vocês soubessem... Soubessem o quê?! Vamos falar sobre isso daqui a pouco. Mas nem adianta terem esperança. Não contarei segredos da história.


Era um domingo de sol. Annie estava ansiosa para vender um imóvel e em vez de ficar em casa, curtindo o dia lindo, foi trabalhar. O dia foi calmo. As pessoas estavam aproveitando o aparecimento do sol e quando ela estava prestes a ir embora, um estranho simpático apareceu. Ele era atraente e tinha um sorriso irresistível. Queria ver o imóvel e parecia entender o fato de que ela já estava indo embora. Ele foi tão adorável, gentil e compreensivo que Annie acabou aceitando mostrar a casa para ele. Mas ela não podia imaginar que estava diante de um louco. Um louco que iria destruir a sua vida.


Ele a sequestrou. O fraco movimento facilitou as coisas. Quando Annie percebeu, havia um revólver encostado em suas costas.


"No segundo que esperei pela resposta, percebi que ele estava muito perto de mim. Algo rígido pressionou minha região lombar.


Tentei me virar, mas ele agarrou meus cabelos e puxou minha cabeça para trás, com um gesto tão rápido e doloroso que parecia arrancar meu couro cabeludo. Meu coração ficou espremido entre as costelas, e o sangue subiu à cabeça. Eu queria que minhas pernas chutassem, corressem... que fizessem alguma coisa... mas elas não conseguiam se mexer.


- É, Annie, isto aqui é uma arma. Então, escute bem. Vou soltar seu cabelo e você vai ficar calminha, enquanto vamos até o carro. E quero ver esse sorriso bonito até chegar lá, está bem?" [Páginas 12 e 13]




- Annie não conseguia respirar. Estava em choque. Era difícil acreditar que aquilo estava acontecendo. Que ela estava realmente sendo sequestrada e que provavelmente seria assassinada antes que alguém tivesse tempo de notar a sua falta. Ele a levou para o carro. Ela tentou fugir depois de entrar, mas ele tinha trancado a porta através de uma chave de acionamento a distância. Pouco tempo depois, o carro parou. Ele a fez sair do carro e a levou até o porta-malas. Annie começou a lutar, socar e chutar. Gritava, mas não havia ninguém para socorrê-la. Ele conseguiu colocá-la no porta-malas e pouco tempo depois Annie estava desacordada.


Era só o início do inferno... Durante um ano, Annie sentiria na pele o que um psicopata é capaz de fazer com outro ser humano. Seria espancada, estuprada, aterrorizada, perderia muito. Perderia tudo.




"E, já que estamos acertando os ponteiros, vamos estabelecer algumas regras básicas antes de começarmos nossa brincadeira. Vai ter que ser do meu jeito. Isso quer dizer que você não vai perguntar nada. Nem mesmo "Como se sentiu quando blá-blá-blá...?". Vou contar a história desde o começo e, quando quiser ouvir sua opinião, eu peço.


Ah! E, caso queira saber, não, nem sempre fui uma pessoa amarga." [Página 8]




- Annie tinha uma vida agradável. Um namorado lindo e bem-sucedido, uma carreira que a fazia viver com conforto, uma casa que amava com todo o seu coração e que tinha lutado muito para conseguir. Uma cadela que era sua melhor amiga. Era uma mulher independente, bem-sucedida e que nunca tinha feito mal para ninguém. Vivia a própria vida sem incomodar os outros.


Naquele dia, ela tinha tido mais um dos seus desentendimentos com a mãe. Por um motivo fútil. E daria tudo para ter aquele momento de volta. Daria tudo para ouvir mais uma vez a voz da mãe. Para sentir seu abraço. Queria que o tempo voltasse e que ela não tivesse saído de casa naquele dia... Naquela noite, seu namorado iria na sua casa. Quanto tempo ele demoraria para perceber que algo estava errado? Será que haveria tempo para salvá-la? Será que alguém conseguiria encontrá-la com vida?


- O Maníaco, que dizia se chamar David, a levou para um chalé. Um lugar isolado de tudo... Um lugar do qual Annie jamais poderia escapar.




"Eu não tinha como me proteger, nem como sair. Era preciso me preparar para o pior, mas eu nem sequer sabia o que o pior poderia ser." [Página 21]


- O pior é muito mais do que qualquer um de nós poderia imaginar. Alguém aqui já assistiu Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especiais? Já assistiu algum filme sobre psicopata? Eu já. E mesmo assim fiquei chocada com as atitudes do Maníaco. E não só chocada. Apavorada. Completamente apavorada. Foram muitos os momentos nos quais eu fiquei gelada. Nos quais eu tremi e senti náuseas. Senti desespero por não poder tirar a Annie de lá. Imaginei cada cena. Vi suas lágrimas, escutei seus gritos, imaginei sua dor, sua angústia. Pude escutar ela chamando pela mãe, pelo namorado... por alguém que a socorresse. E foi um pesadelo. Minhas noites de sono não foram nada boas enquanto eu lia esse livro. E mesmo quando terminei a leitura, continuei em agonia. Cada soco, cada coisa terrível que ele fazia com ela me deixava desesperada. Eu só queria que um milagre acontecesse e ela conseguisse sair dali. Esperava a cada instante que a polícia invadisse o local e a socorresse. Mas o tempo passa, gente. O tempo passa e ninguém aparece.


Depois desse livro tenho certeza de uma coisa: coitado do mocinho que estuprar uma mocinha nos próximos livros que irei ler. Se existir um livro com estupro por parte do mocinho, ele já estará condenado. Fui tolerante com alguns livros. Já perdoei estupros em vários livrinhos que se tornaram queridos por mim. Mas depois desse livro, cada vez que ler um livro no qual o mocinho da história abuse da mocinha, irei lembrar da Annie, irei lembrar da sua dor e não me vejo mais sendo capaz de perdoar. O Maníaco não era nenhum mocinho, mas sempre verei a Annie nos meus pensamentos. Sempre lembrarei da sua dor. Por isso, não serei mais capaz de perdoar estupro por parte do mocinho em alguma história. O mocinho terá que sofrer os tormentos do inferno para eu perdoá-lo. E mesmo assim... Não sei se voltarei a ser capaz. Você precisaria ler o livro para saber por que eu não conseguiria mais. Você precisaria ler o que a Annie diz. Precisaria se envolver e imaginar a dor dela. É simplesmente um pesadelo. Se você decidir ler esse livro se prepare para a dor que vai sentir durante a leitura. Não estou brincando e nem aumentando as coisas. Ler esse livro é uma tortura, gente. Mas depois que começamos a ler, mesmo sofrendo, mesmo angustiados, não conseguimos parar. Não é possível fechar o livro e virar as costas para a Annie. Para a sua história. Eu não consegui.




" Ele me roubou o Natal. Junto com um monte de outras coisas, claro. Você sabe... coisas como amor próprio, autoestima, alegria, segurança, a capacidade de dormir numa cama... mas, tudo bem... quem vai ficar se queixando?" [Página 53]




- Ele destruiu a vida dela. Seus nervos, marcou seu corpo, sua alma. O que ele fez com ela não tem nome. E só em pensar que ela ficou vivendo aquele inferno por um ano... Sabe... Ela tem razão. Se escrevêssemos nosso próprio destino, se só bastasse ter pensamentos positivos para que a vida fosse perfeita, se só bastasse a gente fazer o bem, a Annie jamais viveria aquele pesadelo. Jamais seria estuprada, espancada e obrigada a fazer coisas doentias... E centenas de pessoas, na vida real, não passariam por centenas de diferentes infernos. Mas inferno da mesma forma. Não. Nós não escrevemos nosso próprio destino. Pelo menos, não sou capaz de acreditar nisso agora.




"Antes de tudo isso acontecer eu nunca fui muito simpática, e tinha bons motivos - irmã morta, pai morto, mãe alcoólatra, padrasto babaca -, mas ao menos eu tentava não descontar a merda no mundo inteiro. Hoje em dia? Cara! Parece que qualquer um me deixa irritada. Você, os repórteres, os tiras, o carteiro, uma pedra no meio do caminho." [Página 62]




- Não direi como a Annie consegue escapar. Não contarei como foram as coisas entre ela e o Maníaco (só precisam saber que ela foi estuprada, espancada e submetida a coisas absurdas. Mas não contarei cada detalhe.) e nem revelarei nenhum segredo. Vamos falar sobre outras coisas agora.


Quando a Annie finalmente volta para sua cidade, sua casa, sua vida (bem... se é que se pode chamar aquilo que ela passou a ter de vida. Lembram o que eu disse sobre ele ter destruído a vida dela? Eu não estava brincando.), ela se torna uma pessoa bem amarga. Serão muitas as vezes em que vocês verão ela xingando, ignorando os amigos e afastando qualquer um da sua vida. Alguns podem condená-la, mas por favor, não faça isso aqui, pois não conseguirei ficar calada.rsrs... É preciso passar pelo que ela passou para ter direito de dizer que ela se comportou de forma estúpida. Que ela deveria ficar sorrindo para todo mundo e feito de conta que sua vida não era uma merda. Ela não passou por pouca coisa naquela droga de lugar, não ficou contente quando aquele sádico invadiu o seu corpo, socou cada centímetro seu. Inferno! (respira fundo, Luna. Respira bem fundo.) Ela sofreu os tormentos do inferno! E não acho justo alguém virar e dizer que isso não era desculpa para ela agir como passou a agir. Sabem o que é estar destruída? Completamente destruída? Conseguem imaginar isso? Então podem perceber que é impossível ser a mesma pessoa depois de ser feita em pedaços.


- Não sei se vocês já perceberam, mas estou com muita raiva. Uma raiva terrível. Gostaria de gritar aqui tudo que está preso. Tudo que gostaria de colocar para fora, mas acabaria falando demais e não desejo isso. Então, é melhor eu me controlar.


- Quando, após retornar, a nossa Annie passa por um momento de profundo desespero, ela decide procurar uma terapeuta. Alguém para quem ela pudesse contar tudo. Alguém que a ajudasse a sair daquele inferno. Que a ajudasse a se libertar. E é assim que nós passamos a conhecer sua história. O livro é dividido em 26 sessões. Uma mais forte do que a outra. A cada sessão mais coisas são reveladas. Nós acompanhamos o passado e o presente da Annie. Em alguns momentos ela vai viajar para mais longe... para sua infância, quando ela perdeu o pai e a irmã. Sentiremos com ela a culpa que ainda a devora, descobriremos que ela ainda não superou aquela perda, seremos levados de volta para o chalé... Acompanharemos sua "vida" lá... e seremos levados para o presente de novo. Saberemos como está sendo a "vida" da Annie. Iremos descobrir por exemplo, que ela não consegue dormir mais na própria cama. Que se esconde no closet, pois sente que não está segura. Que abraça a cadela e chora sozinha, cheia de medo e sendo atormentada pelos fantasmas do passado. Acredite, não é fácil. Não dá para ficar indiferente ao sofrimento dela. Não dá para não se envolver.




"O interessante é que quase ninguém pergunta como me sinto agora... não que eu fosse dizer. Só me pergunto por que não há interesse em saber o que acontece depois... todo mundo só quer saber da história. Acho que as pessoas pensam que a coisa acaba ali.


Quem me dera." [Página 52]


- Pois é. Como os seres humanos podem ser insensíveis! Fiquei indignada com a quantidade de egoísmo que vi nesse livro. Com os malditos repórteres que só queriam ganhar dinheiro através da história dela. Que não estavam nem aí para o que ela tinha sofrido. Só queriam a história. E fiquei indignada com muitas outras coisas. 


- Houve um determinado momento da história na qual eu senti raiva de mim mesma. Muita raiva. Por quê?! É difícil confessar isso, mas houve um momento no qual eu senti pena do Maníaco. O quê??????!!!!!!! Sim. É verdade. Felizmente, o sentimento passou logo. Mas é que com a quantidade de revelações feitas durante essa história, eu me peguei lamentando por ele também. Não direi quais foram os meus motivos. Leiam o livro para descobrir, meus queridos. Sei que gosto de spoiler e algumas pessoas que conhecem meu blog também gostam, mas eu própria pedi para minhas amigas não me contarem demais. Eu queria descobrir lendo. Esse é um tipo de livro que é crime contar os segredos. Vocês vão até gostar de perder o fôlego com as revelações.rsrs... Não privarei ninguém dessa sensação.kkkk... 




"Eu odiava levar em conta a opinião de um maníaco. Mas se alguém nos diz que o céu é verde, embora saibamos que é azul, e a pessoa age como se ele fosse verde, e repete que é verde dia após dia, como se de fato acreditasse nisso, finalmente começamos a nos perguntar se não estamos loucos por pensar que é azul." [Página 71]


- Sabe... Como a Moniquita disse, ela teve que ser muito forte para não enlouquecer. Ela tem uma força que causa admiração. Que a torna inesquecível. Eu no lugar dela teria ficado completamente louca. Literalmente. Ele queria forçá-la a acreditar que ele estava certo. Que tudo que ele fazia era normal. Ela estava errada por não aceitar seu destino. Por não aceitar que ele era o cara que ela estava esperando. Você conseguiria permanecer normal diante de uma coisa dessas? Com alguém, dia após dia, fazendo você acreditar que está errada? Em algum momento, você não acreditaria mais em você mesma. Eu pelo menos não seria capaz. Se bem que eu teria morrido antes mesmo de enlouquecer.




"Eu costumava me perguntar: Por que eu? Por que, entre todas as mulheres que podia ter sequestrado, ele foi escolher uma corretora de imóveis, uma mulher que trabalha? Eu não era exatamente a esposa ideal para um homem das montanhas. Não que eu desejasse a alguém o que tinha acontecido comigo, mas não teria sido melhor para o Maníaco uma pessoa mais frágil? Alguém que não causasse tanto problema? Mas percebi que ele sabia o que estava fazendo. O tempo todo." [Página 71]




- Existe um momento no qual a Annie confessa para a terapeuta que acha que está enlouquecendo. Motivo? Ela sente que as coisas ainda não acabaram. Sente que não está segura. Vive com medo como se alguém ainda quisesse lhe fazer mal. Será que ela está mesmo enlouquecendo, gente? Será que é consequência de tudo que ela sofreu? Ou... Ela realmente ainda está em perigo? 


Durante as investigações policiais ficaremos em choque diante das revelações. Serão muitas e capazes de realmente roubar o nosso ar. Se preparem para emoções fortíssimas. Do começo ao fim. A história não é tranquila em momento algum. Nós prendemos a respiração várias vezes durante a leitura. Nossos nervos ficam à flor da pele.




"Você tem jeito de ter abraçado essa profissão porque quer mesmo ajudar as pessoas.


Talvez não possa me ajudar. Isso me deixa triste. Não por mim, mas por você. Deve ser frustrante para um terapeuta ter um paciente incurável. Aquele primeiro profissional que procurei ao voltar para Clayton Falls me disse que ninguém é uma causa perdida, mas acho isso balela. Tenho certeza de que tem gente que fica tão esmagada, quebrada, que nunca deixará de ser um fragmento humano.


Eu me pergunto quando a coisa aconteceu com o Maníaco. Qual terá sido o momento decisivo... o momento em que alguém pisou com o calcanhar da bota e esmagou a vida dele e a minha.


... Teria sido no útero? Ele teria alguma chance? Eu tive?


... Ele tinha o lado maníaco, o cara que me sequestrou, me espancou, me estuprou, me submeteu a brincadeirinhas sádicas, me aterrorizou. Mas, às vezes, quando estava reflexivo, feliz ou entusiasmado, quando seu rosto se iluminava, eu enxergava o sujeito que ele poderia ter sido. Talvez aquele cara tivesse formado uma família e ensinado a filha a andar de bicicleta, e teria feito para ela bichinhos com balões, você entende? Que droga! Talvez tivesse sido um médico e salvado muitas vidas." [Página 99]




- Esse trecho me deixa muito triste, pois eu também pude imaginar que tudo poderia ter sido diferente. Que se... as coisas não tivessem sido uma droga desde o início (não direi o que tornou o Maníaco um psicopata), ele certamente seria alguém muito diferente. Alguém poderia ter estendido a mão para ele e o salvado, entende? E assim, também teria salvado a Annie. São por coisas como as que acontecem nessa história que eu às vezes penso que Deus se arrependeu de ter criado os seres humanos. E que chora o tempo inteiro por causa de nós. Mas Ele nos ama demais, sabe? E por isso ainda não acabou com a gente. Destruímos uns aos outros. O tempo inteiro. É tanta maldade que muitas vezes, sinceramente, eu não quero nem sair de casa. Minha mãe certa vez me contou uma coisa que fazia quando criança. Foi num momento difícil que eu estava vivendo. Ela disse que quando era criança e via alguma coisa terrível na televisão, se escondia dentro de uma caixa, pois achava que assim estaria segura. Que as coisas que aconteciam com aquelas pessoas na televisão não aconteceriam com ela se ela estivesse dentro daquela caixa. Mais uma tia dela, quando percebeu o que ela fazia foi bem clara com ela: se uma coisa tiver que acontecer não adianta você se esconder em lugar nenhum. Só Deus pode nos proteger. Não dá para nos escondermos. Com o tempo, minha mãe parou com aquilo. Só Deus pode nos proteger, queridos. Só Ele. Não existe lugar seguro neste mundo.


"Quando eu disse que estava ferrada, eu quis dizer "f" (queridos leitores, estou colocando somente o "f" em respeito aos adolescentes que também leem o blog) e mal paga. Tipo: tenho que dormir todas as noites dentro do closet.


Foi difícil à beça logo que voltei e fui para a casa da minha mãe, onde fiquei no meu antigo quarto. De manhã cedo eu saía do closet, para ninguém perceber. Agora que estou na minha casa, essa merda fica mais fácil, pois tenho tudo sob controle. Mas não entro num edifício se não souber onde ficam as saídas. Ainda bem que seu consultório fica no térreo. Eu não estaria aqui se esta sala ficasse numa altura de que não pudesse pular.


À noite... bem...  à noite é pior. Não consigo confiar em ninguém. E se alguém destrancar a porta, deixar uma janela aberta? Se eu já não estivesse maluca, o fato de correr pela casa verificando tudo enquanto tento impedir que os vizinhos vejam o que estou fazendo valeria um atestado de insanidade.


... Às vezes, volto ao dia do sequestro... repasso mentalmente minhas ações até os momentos finais do plantão, cena por cena, como um filme de terror que nunca acaba, um filme em que a gente não consegue impedir que a jovem abra a porta ou entre num prédio vazio... e me lembro da capa daquela revista, na lojinha do posto de gasolina. É bizarro pensar que neste exato momento alguma mulher está olhando minha foto, achando que sabe tudo a meu respeito." [Página 17]


- Já disse que vocês vão ficar chocados com as revelações? Pois bem... O que mais posso dizer? Que eu adoro a Annie e ninguém nesse mundo tem direito de julgá-la, condená-la ou atirar qualquer pedra, não importa o tamanho da pedra, eu também já disse. Eu disse que tem muita sujeira nessa história? Como assim?! Não irei explicar.rsrs... Vocês terão que ler para descobrir. :)


- Por que eu, que amo romances daqueles apaixonantes, li um thriller psicológico mesmo sabendo que não era o tipo de livro adequado para mim? Além de ser uma curiosa incurável quando se trata de livros, existem duas culpadas. Dessa vez não é a Carlita e a Moniquita.kkkk.. Elas são inocentes! Ano passado li uma resenha no blog da querida Náh (link para a resenha: AQUI ). Sobre o livro. E fiquei fascinada. A resenha dela estava tão envolvente que eu fiquei louca pelo livro. Sabia que estava me metendo numa grande encrenca. Que o livro não era o tipo feito para mim de jeito nenhum. Que ele me causaria pesadelos. Mas coloquei ele na minha lista. Quando passasse por algum lugar no qual o livro estivesse com um bom preço eu o compraria. E aconteceu mais rápido do que eu imaginava.kkkkk...


Mas eu fugi do livro o quanto pude. Até... que uma amiga lembrou que eu tinha falado com ela sobre o livro e quis lê-lo. Ela leu o livro, me contou o quanto o livro mexeu com ela e falava com tanta emoção da história, de uma forma tão impressionante que eu fui desistindo de lutar contra a vontade de lê-lo. Quando ela me devolveu o livro, eu logo tive uma oportunidade de lê-lo. Estava voltando para casa, num determinado dia da semana, e o trânsito estava terrível. Eu estava estressada e tinha colocado o livro na bolsa.rsrs... Foi inevitável. Comecei a ler a história e o medo começou a tomar conta de mim.kkkkkkk... Se eu contasse para vocês o que aconteceu comigo ontem vocês iriam rir, por isso, não conto!!!!rsrs... Deixem que só eu vou rir de mim mesma!kkkk... Então, elas foram culpadas. Eu não teria lido o livro se elas não tivessem me forçado a fazer isso.kkkkk... Obrigada pela maravilhosa resenha, Náh! Eu não teria desejado esse livro se não tivesse lido sua resenha. E te agradeço também, Ane!rsrs... Por ter insistido tanto até eu resolver encarar a leitura. Agora nós poderemos nos apoiar no nosso medo.kkkkk... Não sei quanto a você, mas eu não irei dormir tranquila durante um bom tempo. Não irei mesmo. Sair sozinha de casa?! Nem em pensamento!kkkkk... E quando for necessário sair, colocarei uma música no último volume para me impedir de pensar no medo.rsrs... Sabem... Acho que sou eu que irei precisar de terapia agora.kkkkkkkk... Mesmo assim eu agradeço! :D




- Só dei 5 estrelas ao livro no skoob porque não podia dar mais. Porém, ele merece muito mais do que cinco estrelas!!! É um livro incrível. E eu... recomendo?! Somente a quem tem certeza de que está preparado para ler uma história como essa. Lembrando que: o livro é forte, muito forte. Vai mexer profundamente com as suas emoções. Pode fazer você sentir muito medo e de verdade, pode te fazer mal. Não é uma leitura fácil. Eu não me arrependo de ter lido o livro e até me tornei fã da autora, mas eu quero um tempo agora. Não lerei outro livro assim nem tão cedo!rsrs... 




Bem... é isso. Sei que essa resenha ficou bem longa, mas eu não disse nem metade do que gostaria de dizer. Foi difícil manter o controle, mas creio que consegui.rsrs... 




Bjs e até breve!

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