30 de janeiro de 2020

Corrida pela Herança - Sidney Sheldon

Literatura norte-americana
Título Original: The Money Tree
Tradutor: Pinheiro de Lemos
Editora: Ática/Record
Edição de: 1994
Páginas: 176
7ª leitura de 2020

Sinopse: O magnata Samuel Stone gostava mais de sua fortuna do que de seus próprios herdeiros. Quem quiser agora se apossar das riquezas do falecido terá de desvendar pistas misteriosas e enfrentar perigos inimagináveis, nesta complicada caça ao tesouro! A viúva vaidosa, o sobrinho ganancioso, o advogado interesseiro e o primo bondoso irão se meter nas mais incríveis situações e recorrer a métodos bastante estranhos para se livrar dos adversários. 




Pense numa escolha de última hora!rsrs Inicialmente, eu tinha escolhido Origem, do autor Dan Brown (um dos meus autores preferidos) para um dos temas de janeiro do Desafio Literário Livreando 2020. Ocorre que a leitura não estava fluindo bem. Faz semanas que parei na metade do livro e resolvi ler os outros do desafio. Até que chegou o dia de hoje e eu continuava na metade do livro, sem conseguir andar para frente. A culpa é toda do livro que está longe de ser como os outros do autor, sempre tão envolventes e fascinantes. Origem é parado, chega a ser entediante, e o professor Robert parece que foi abduzido e retornou totalmente modificado, não sendo nem sombra do grande protagonista que vemos em livros como Anjos e Demônios, O Código da Vinci, O Símbolo Perdido e Inferno, os quatro livros anteriores da série. 

Assim, ao perceber que seria impossível me forçar a terminar o livro hoje e escrever a resenha, resolvi abandoná-lo por um tempo e apostar na leitura de Corrida pela Herança, um dos poucos livros do Sidney Sheldon que eu ainda não tinha tido a oportunidade de ler. Claro que não sabia se de fato conseguiria iniciar e terminar a leitura no mesmo dia, mas tinha esperanças que isso acontecesse, pois os livros infantojuvenis do autor costumam ser bem mais fáceis de ler, com uma linguagem simples e narrativa geralmente bem divertida, recheada de aventuras e "perigos" que se resolvem rapidamente. 

"Esta é a história de um homem chamado Samuel Stone, tão rico e poderoso que se recusa a morrer. Bem, esta não é toda a verdade. A verdade é que seu corpo está morto e enterrado, mas seu espírito permanece vivo. Isto é, vivo numa fita de vídeo."

Neste livro temos quatro herdeiros de um homem que era bastante rico, mas egoísta, cujo único amor era o dinheiro. Ele não se importava com nada nem ninguém e se pudesse teria levado todo seu dinheiro para o "outro lado". Como as coisas não são tão simples assim, não teve outra alternativa senão deixar toda sua fortuna para os quatro herdeiros, já que de modo algum permitiria que tudo o que conquistara com tanto esforço ficasse para a caridade quando ele odiava tanto os pobres. 

Acontece que não tinha intenção de dar nada "de graça". No intuito de se divertir com a angústia deles mesmo depois de morto, gravou diversas fitas de vídeo. Elas deveriam ser exibidas por seu mordomo numa segunda-feira de cada semana. Nas fitas, o falecido daria pistas para que os herdeiros encontrassem as partes de sua fortuna que estavam espalhadas por diversos lugares diferentes (talvez não só da residência ou do país, mas do mundo). 

Entre os herdeiros do homem existiam, em sua maioria, pessoas que possuíam um caráter semelhante ao seu, embora não a mesma inteligência. A viúva, uma mulher belíssima que se apaixonara pela fortuna do marido (enquanto ele se casou com ela por causa do seu corpo), já sonhava em gastar toda a herança com roupas e iates e estava furiosa pelo marido ter feito aquele jogo estúpido para atrasar os seus planos. Seu sobrinho só pensava em gastar o dinheiro com mulheres e carros. O advogado (que era o terceiro herdeiro e não conquistara nada em sua vida de maneira honesta) só queria um majestoso escritório para impressionar os outros e não se importava se tivesse que trapacear para pôr as mãos na fortuna. Já o quarto herdeiro era David, um primo distante do falecido e... aparentemente a única exceção à regra: porque enquanto os outros só pensavam em desperdiçar o dinheiro que o Sr. Stone conquistara com tanto esforço, David queria doar toda a sua parte à caridade. Daria tudo aos pobres, mesmo que Stone se revirasse no túmulo por conta disso. David era também o único ali disposto a dividir a fortuna total com os outros três herdeiros. Os demais... estavam dispostos a tudo para ficarem com o dinheiro apenas para si. 

"- Sabe, David, há uma coisa que você não consegue entender - comentou o advogado. - É a ganância que move o mundo."

A história gira em torno das aventuras e dos perigos que os quatro precisam enfrentar para decifrar os enigmas deixados pelo falecido e assim conseguirem a herança prometida. As situações são bem absurdas, totalmente inverossímeis, mas aqui o Sidney Sheldon quis criar uma história leve e divertida para o público infantojuvenil, então tudo foi desenvolvido de maneira a ser exatamente inacreditável mesmo. Tudo no livro é meio louco e isso nos faz rir. 

Ao longo da leitura não simpatizamos com quase nenhum personagem, pois todos são capazes de tudo por dinheiro e mesmo a história sendo leve fica bastante evidente o quanto os herdeiros são pessoas desprezíveis, que nos provocam asco. David é a única exceção, mas sentimos aquele medo de confiar nele e nos decepcionarmos. Então, ficamos sempre com um pé atrás, mesmo que as atitudes dele sejam sempre nobres. 

Quem está acostumado com os livros adultos do autor (e eu já li todos!) e nunca leu nenhum dos infantojuvenis que ele escreveu, talvez fique um pouco perdido com as diferenças enormes existentes aqui. Eu como sou fã incondicional do autor e sempre quis ler tudo o que ele escreveu, logo me acostumei com as histórias voltadas para o público mais jovem e sou apaixonada pela escrita dele. Mas claro que suas histórias adultas são muito mais elaboradas, cheias de reviravoltas de nos tirar o fôlego e cenas capazes de nos fazer chorar de angústia.rs

Ah, a história de Corrida pela Herança se passa na maior parte do tempo nos Estados Unidos, mas também existem algumas cenas na Espanha e outros lugares do mundo (no presente e passado.rs). 


-> DLL 20: Um livro que se passe em um lugar que você quer conhecer


29 de janeiro de 2020

Milagre na 5ª Avenida - Sarah Morgan

Literatura Inglesa
Título Original: Miracle on 5th Avenue
Tradutor: William Zeytoulian
Editora: Harlequin
Edição de: 2019
Páginas: 320
6ª leitura de 2020

Série: Para Nova York, com Amor - Livro 3
Sinopse: O amor chega para todos - seja sonhando com ele ou fugindo o máximo que pode. Após Amor em Manhattan e Pôr do Sol no Central Park, Sarah Morgan volta com outra história que vai fazer você suspirar.Eva Jordan ama tudo que envolve o Natal. Romântica incurável, ela passará as festas sozinha esse ano, mas nada destrói sua fé inabalável no amor e nas coisas boas da vida. Quando ela tem a oportunidade de decorar a casa de um escritor rico e famoso na 5ª Avenida, aceita sem pensar duas vezes. O que Eva não esperava, no entanto, é que a casa estaria ocupada por seu recluso ― e misterioso ― dono. Lucas Blade é especialista em escrever cenas aterrorizantes, mas é o Natal que está sendo seu maior pesadelo. Há poucas semanas do prazo final de entrega de seu próximo livro, ele ainda não tem uma história ― nem mesmo um personagem principal! Além disso, o aniversário da morte de sua esposa está chegando, o que o deixa imerso em uma névoa carregada de dor e luto. Eva vive em seu planeta particular e Lucas em um mundo de dor e desconfiança. O que a vida mostra a eles é que duas pessoas diferentes podem ter mais em comum do que imaginam ― incluindo uma atração inegável um pelo outro.




Desde o primeiro livro da série, nós nos encantamos com esta personagem que finalmente teve a oportunidade de contar toda sua história e nos mostrar que era bem mais do que a amiga sensível que tinha que ser protegida todo o tempo das realidades da vida.

Em Amor em Manhattan, Eva nos fez rir muito com seu jeito espontâneo, totalmente sem filtros, que sempre dizia o que pensava, mesmo que fosse algo constrangedor.rs Enquanto Paige, protagonista do primeiro livro, era toda prática, pé no chão e cheia de reservas, Eva era o sol que iluminava a vida de suas amigas, com seu coração enorme, que acreditava completamente no amor verdadeiro e sonhava em encontrar seu próprio príncipe encantado.

"Ninguém entende de romance mais do que eu."

Todas as três eram independentes e dedicadas ao trabalho, mas enquanto Paige levava muito a sério a conquista de seu próprio negócio (em sociedade com Frankie e Eva) e queria mostrar para todos que conseguira libertar-se do passado de internações por problemas de saúde e que ninguém mais deveria se preocupar com ela... E Frankie também preferia mergulhar no trabalho e esquecer que amava em segredo o Matt, irmão de Paige... Eva só queria amar e ser amada, sem segredos ou reservas. Valorizava seu trabalho, era extremamente competente e bem-sucedida, mas queria o amor, o seu conto de fadas... Não era pedir muito, certo? Ela sabia que a vida não era perfeita, mas tinha esperanças de que, em algum lugar do mundo (de preferência ali em Nova York mesmo) estava a sua outra metade, o homem que a aceitaria como ela era e a amaria para sempre. Não aceitava menos que isso. O que talvez explicasse por que ainda estava sozinha...

"Além disso, todo mundo sabe que nunca se encontra o amor quando se procura por ele. Você tem que esperar que ele te encontre."

Mas finalmente se cansara de tanto esperar. Paige e Frankie já tinham conseguido cada uma o seu próprio final feliz, isso quando elas menos esperavam (tudo bem que as duas fizeram sua parte para estar com o homem que desejavam, em vez de esperar que o destino resolvesse tudo), e não fazia sentido que sendo ela a mais romântica e sonhadora das três, ainda estivesse naquela situação, encontrando sapos no lugar de príncipes. Aquilo precisava mudar. Por isso, decidira que naquele Natal estaria acompanhada. Sairia à caça, pois não tinha mais paciência para esperar pela fada madrinha.

O que ela não poderia imaginar é que uma velhinha simpática, avó de um certo escritor de livros de suspenses e terror, decidiria interferir um pouco (muito) na sua vida e na do neto, fazendo a magia acontecer para os dois naquele Natal...

24 de janeiro de 2020

O Sorriso da Hiena - Gustavo Ávila

Literatura Brasileira
Editora: Verus
Edição de: 2017
Páginas: 266

5ª leitura de 2020

Sinopse: É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?
Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitado psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém a proposta, feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é um homem cruel por ter testemunhado o brutal assassinato de seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a sua, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma no crescimento delas. Mas até onde William será capaz de ir para atingir seus objetivos? Em O sorriso da hiena, Gustavo Ávila cria uma trama complexa de suspense e jogos psicológicos, em uma história que vai manter o leitor fisgado até a última página enquanto acompanha o detetive Artur Veiga nas investigações para desvendar essa série de crimes que está aterrorizando a cidade.



Quando comecei a leitura deste livro não sabia bem o que esperar. Sabia, é claro, que se tratava de um suspense psicológico e este foi o meu principal motivo para apostar nele. Todavia, não sabia muito mais do que o que estava escrito na sinopse. Não imaginava que seria um livro tão brutal, que já começa com uma cena apavorante, que me fez perder o fôlego, em choque. 

"Era impossível distinguir o motivo do brilho nos olhos atrás da máscara. Havia, ao mesmo tempo, algo de vivo e de morto em seu jeito de olhar."

Um assassino extremamente sádico está destruindo famílias e traumatizando profundamente crianças de apenas oito anos, mas para ele tudo faz parte de um viciante jogo. Ele tem um plano. Nada foi feito por acaso e para conseguir atingir o seu objetivo final só precisaria de cinco crianças com o coração e a mente destroçados e um psicólogo disposto a fazer qualquer coisa "por um bem maior", até mesmo tornar-se cúmplice de um psicopata... ou não?

Marcelo, a primeira vítima, era apenas um menino de oito anos que tinha uma infância complicada por conta do pai agressivo e da mãe negligente, mas nunca imaginou passar por um pesadelo tão grande como o de estar amarrado e amordaçado enquanto um monstro mascarado cometia as piores crueldades contra as duas pessoas que ele mais amava na vida. E então o homem mau se foi... levando tudo... Deixando apenas o silêncio e uma dor confusa, pois não conseguia entender como podia existir pessoas tão malvadas, capazes de machucar quem não lhes tinha feito mal algum. Então, a polícia, que não fazia ideia de onde o assassino escondera os corpos dos pais do menino, decidiu que precisava que o menino traumatizado falasse e para isso nada melhor que encaminhá-lo para a terapia com o brilhante psicólogo infantil William, tão famoso no meio acadêmico, cujo maior sonho na vida é conseguir realmente ser capaz de ajudar os outros, mesmo que para isso precise seguir caminhos um tanto tortuosos. 

"Basta a vida tocar no lugar certo para despertar o pior em qualquer pessoa."

Ao receber o primeiro e-mail do assassino, ele sentiu como se alguém no mundo finalmente o entendesse e isso era assustador. Pior que isso era considerar a proposta do psicopata... O que ele se tornaria se aceitasse aquele acordo? Fosse qual fosse sua resposta, o monstro por traz daqueles e-mails seguiria matando. Mas se William aceitasse a proposta poderia tirar algum bem de todo aquele mal, como seu antigo professor dizia: "Não é errado usar uma coisa ruim pra fazer algo bom." Mas seriam os seus motivos tão altruístas assim, ou no fundo era mais parecido com o assassino do que suportaria admitir? 

Em meio aos assassinatos brutais cometidos por David e os dilemas morais de William, o detetive Artur Veiga tenta montar esse complexo quebra-cabeça e capturar o assassino que parece estar sempre um passo a frente da polícia.

"Um monstro assim pode estar em qualquer lugar."

Este é um livro que me causou grande angústia, pois, embora eu seja fã de suspenses psicológicos, não gosto quando há crianças no meio (motivo pelo qual até hoje não consegui ler o famoso "Quarto", mesmo tendo o livro há algum tempo). Se é difícil quando as vítimas são pessoas adultas, é insuportável quando elas são crianças. E aqui neste livro são meninos e meninas de apenas oito anos, que veem seus pais serem brutalmente assassinados e depois ainda precisam suportar assistir o assassino levar seus corpos para longe, enquanto ficam largados na cena do crime, esperando que alguém perceba que há algo errado e chame ajuda. São crianças que ficam quebradas pelo resto da vida, cuja lembrança daqueles momentos de horror nunca irá se apagar. Eu literalmente tremia só de imaginar o pesadelo que elas viveram, a dor insuportável de ver a vida se esvair do corpo daqueles que elas mais amavam: seus pais, seu porto seguro. Uma pessoa capaz de fazer isso com uma criança merece uma morte lenta e dolorosa... depois de passar muitos e muitos anos apodrecendo na cadeia!

"Você consegue entender por que eu estou fazendo isso? [...] Alguém entenderia?"

O psicopata desta história, como a sinopse bem diz, um dia foi uma vítima. Nós já começamos a leitura com a cena da morte terrível dos pais dele, executados diante dos seus olhos. É uma cena muito dolorosa e é preciso fechar o livro por alguns instantes e respirar fundo antes de continuar. Eu entendo que ele passou por uma dor insuportável, não consigo nem imaginar como foi difícil para ele crescer e seguir em frente. Um pesadelo como esse é impossível de superar, claro que entendo isso e sinto muitíssimo pela criança que ele foi, por tudo o que aquele monstro arrancou dele. Mas nada no mundo justifica o que ele fez com aquelas famílias inocentes... repetindo com outros o que fizeram com ele. Simplesmente se tornou tão demoníaco quanto o monstro que matou seus pais. Na verdade, se tornou alguém pior que ele... e David (o assassino) bem sabia disso. Mas precisava matar... não sentia prazer, mas necessidade. Principalmente depois que descobriu que poderia testar sua teoria. Queria descobrir se era um assassino por causa do trauma que sofreu ou se já nascera um monstro, se sua maldade era de nascença ou resultado da crueldade de outra pessoa. E nada melhor que observar o efeito da sua maldade naquelas crianças... enquanto acompanhasse o crescimento delas, depois da perda brutal dos pais. Não há dúvidas de que David não era apenas um ser humano profundamente cruel, incapaz de empatia, de sentir piedade. Ele também era muito doente, de uma forma assustadora. E conseguia se passar pela pessoa mais normal do mundo, o que acaba nos fazendo olhar ao nosso redor com mais atenção e... medo. 

"- Ainda há um coração batendo aí, sr. William. Não deixe ele endurecer, senão o senhor não vai poder ajudar ninguém."

Não há muito o que eu possa falar sobre o William sem dar spoilers. Apenas que meu sangue ferve quando penso neste personagem e a vontade de... Respira fundo, Luna! Paro por aqui, pois realmente correria o risco de dar muitos spoilers se falasse mais alguma coisa sobre o indivíduo. 

Já o detetive Artur Veiga... Ele é um homem que tem síndrome de Asperger e por conta disso possui dificuldades para interagir com outras pessoas, ser "sociável". Assim, é uma pessoa muito sincera (o que não é sempre uma boa coisa.rs), que fala o que pensa e entende tudo de maneira literal, para irritação de alguns de seus colegas, que são obrigados a suportar seu jeito duro e direto, já que ele é um dos melhores detetives do local. Embora seja brilhante, não é bom em lidar com as vítimas, preferindo se concentrar em solucionar os homicídios, já que para os sobreviventes traumatizados existiam os médicos. Seu papel, portanto, era pegar os criminosos. Não valia a pena esperar sensibilidade da parte dele, mesmo quando os sobreviventes eram crianças. Confesso que o jeito insensível dele me incomodou durante algum tempo, já que eu própria sou sensível, emotiva e não lido bem com pessoas frias. Mas ao longo da leitura eu passei a sentir uma espécie de carinho pelo personagem, pois sua inteligência, sua atenção aos detalhes e dedicação para solucionar o caso me impressionaram. Percebi que mais que demonstrar sentimentos, o importante para ele era parar o assassino antes que mais vítimas fossem feitas. E ao ver outras pessoas supostamente "sensíveis" provocarem mais estragos do que a insensibilidade dele seria capaz de causar, ele acabou se tornando o meu personagem preferido da história. Às vezes as pessoas que demonstram menos sentimentos são as que mais se importam, não é verdade? E aquelas que parecem tão boas... são verdadeiros demônios em pele de cordeiro. Não é algo que acontece só nos livros, infelizmente. 

"A vida simplesmente acertou o martelo no nervo certo, e o chute pegou o que estava pela frente."

Nem sei dizer o que neste livro causa mais frustração e sofrimento, se o fato do assassino parecer estar sempre em vantagem, conseguindo o que quer, ou a maneira como essas crianças e outras pessoas na história foram traídas. Como eu disse, é difícil falar de certas coisas sem dar spoiler e não quero estragar a leitura de ninguém. Por isso, não dá para explicar como certas cenas me revoltaram, como eu quis acabar pessoalmente com a vida de certos personagens. Enfim... Esta história mexeu muito comigo. Principalmente porque monstros como os presentes neste livro existem aos montes por aí. 

Gostei muito da escrita do autor e a maneira como ele explorou o psicológico de seus personagens, nos fazendo refletir sobre certas coisas e como todos nós somos capazes de tudo. A linha entre o certo e o errado nem sempre é tão óbvia e às vezes acaba sendo bem frágil, quase inexistente. A mente humana é complexa e pessoas boas podem sim se transformar naquilo que elas mais temem ou desprezam. 

O final deste livro foi simplesmente... Nossa! Vi poucos livros com um final tão perfeito, tão fechado e inesperado. Realmente não imaginava que fosse terminar assim! 

Quero ler outros livros do autor, mas precisarei de um tempo. Meu emocional não aguenta ler com frequência livros tão pesados assim. 



-> DLL 20: Um livro de autor brasileiro


20 de janeiro de 2020

Mensagem - Fernando Pessoa

Literatura Portuguesa
Editora: Novo Século
Edição de: 2018
Páginas: 79

4ª leitura de 2020

Sinopse: Obra repleta de símbolos enigmáticos, Mensagem é um mergulho no passado de Portugal por meio de alusões míticas que compõem o período de glória marítimo e o de declínio que a nação transpirava na época em que o livro foi escrito. Em tom muitas vezes apoteótico, Fernando Pessoa busca um sentido que explique a ascensão e a decadência de sua terra natal. 
Mensagem é o único livro do poeta editado em vida, e nos põe em contato com poemas sublimes em sua forma e conteúdo. Nele vemos, sobretudo, emergir a importância da memória do mito e da memória coletiva. 





Eu ouvi falar deste autor praticamente a minha vida toda, mas nunca antes tive a oportunidade de conhecer suas obras. Somente no final de 2018 ao receber um cartão presente de uma amiga é que resolvi aproveitá-lo para adquirir o box com três livros do autor, pois morria de vontade de ler, sobretudo, o Livro do Desassossego

Mensagem, publicado originalmente em 1934, é um dos livros que fazem parte do box e por ser o mais curto decidi começar por ele.rs O que não foi necessariamente uma boa ideia

"Os Deuses vendem quando dão.
Compra-se a glória com desgraça.
Ai dos felizes, porque são 
Só o que passa!"

Dividida em três partes (Brasão, Mar português, O encoberto) esta é uma coletânea de poemas com um forte nacionalismo, que relembra antigas glórias portuguesas e lamenta a sua decadência. E é aí que surge o problema: para compreender todos o simbolismo presente na obra e as menções a antigos reis e heróis nacionais é preciso possuir certo conhecimento da História de Portugal, buscar lá na memória coisas que talvez tenha aprendido na escola, sendo que da maioria delas é possível que, na realidade, nunca sequer tenha ouvido falar. 

"Volve a nós teu rosto sério,
Princesa do Santo Graal, 
Humano ventre do Império, 
Madrinha de Portugal!"

Foram poucos os nomes mencionados nos poemas dos quais eu consegui lembrar de ter aprendido algo muitos anos atrás, nas aulas de história. A maioria dos nomes nada significou para mim, por não saber nada sobre eles, mas é perceptível que para o autor significavam muito. 

Apesar de sentir falta de saber mais da história de Portugal para entender melhor o livro, isso não me impediu de ser impactada por alguns versos, além de o ar saudoso do autor ao relembrar o período dos descobrimentos, ter me levado de volta à sala de aula, quando eu ficava sentada escrevendo o que o professor ditava, com uma grande vontade de aprender. Faz tanto tempo que não sou aquela criança tão inocente, que passava a maior parte do tempo estudando, imaginando e sonhando, que a nostalgia dos poemas do autor realmente me deixaram nostálgica também.

" 'Screvo meu livro à beira-mágoa. 
Meu coração não tem que ter. 
Tenho meus olhos quentes de água. 
Só tu, Senhor, me dás viver."

Esta é uma coletânea de poemas bem curtinha, nesta edição possui apenas 79 páginas, e dá para ler em mais ou menos uma hora, até menos, e seria uma leitura bem fácil se não fosse todo o simbolismo e história do país que exigem de nós leitores uma pesquisa mais profunda para entender de verdade cada um dos poemas. 

Como um todo, foi uma leitura válida e apreciei a escrita do autor, tão cheia de sentimentos e amor por seu país. Apreciei como uma porta de entrada para as tantas obras dele. O próximo livro que lerei do autor, sem dúvidas, será o Livro do desassossego, para assim mergulhar um pouco mais nas profundezas dessa alma artística. 

"Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem, 
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro. 
Ó Portugal, hoje és nevoeiro..."


-> DLL 20: Um livro de poesia

13 de janeiro de 2020

A Princesinha - Frances Hodgson Burnett

Literatura Inglesa
Título Original: The little princess
Tradutora: Carla Bitelli
Editora: Ciranda Cultural
Edição de: 2019
Páginas: 208

3ª leitura de 2020
Sinopse: Sara Crewe é uma menina rica trazida da Índia por seu pai para estudar em uma escola de moças em Londres. Quando seu pai morreu, perdeu tudo e foi obrigada a trabalhar como empregada na escola, e apesar de passar frio e fome, conseguiu preservar sua nobreza e generosidade. Dona da grande imaginação, ela foi capaz de criar histórias fantásticas e conquistar suas amigas que não a abandonaram. No entanto, as coisas mudam quando um indiano doente chega à cidade procurando uma menina perdida.





Talvez você, assim como eu, já conheça a história por conta do filme de 1995, que muitas e muitas vezes assisti e marcou a minha infância, assim como a de milhares de outras crianças. Lembro do quanto eu me revoltava com as injustiças que Sara era obrigada a suportar, sendo ainda uma menina, e como o final me encantava, mesmo já sabendo tudo o que aconteceria. Era sempre como se fosse a primeira vez e se tornou um dos meus filmes queridinhos. 

"[...] ela mesma não conseguia se lembrar de qualquer momento que não estivesse pensando sobre adultos e o mundo ao qual eles pertenciam. Ela sentia como se já tivesse vivido por muito, muito tempo."

Somente já adulta é que eu descobri que aquele filme que eu tanto amava era uma adaptação do livro "A Princesinha", da autora Frances Hodgson Burnett, de quem eu nunca tinha ouvido falar. E durante bastante tempo desejei ter a oportunidade de ler o livro, mas sempre priorizava outras leituras, que faziam parte das minhas metas literárias. Todavia, ano passado eu recebi este livro de presente e ao decidir incentivar minha priminha de 10 anos a mergulhar no universo das histórias é que finalmente pude lê-lo e perceber que o livro é muitíssimo mais especial que o filme, se tornando um dos livros que mais me impactou, com uma mensagem que jamais esperei encontrar nele. 

"Ela gostava de livros mais do que de qualquer outra coisa e, na verdade, estava sempre inventando histórias sobre coisas lindas e contando-as para si mesma."

Sara Crewe nascera e passara todos os seus sete primeiros anos de vida na Índia, sendo mimada por todos que a conheciam, o que de modo algum a estragou, pois era uma menina bastante madura para sua idade e que jamais permitiu que os privilégios que recebera mudassem a sua essência. Tendo crescido sem mãe, que falecera quando do seu nascimento, era muito apegada ao pai, a quem amava acima de tudo. Com ele tinha uma belíssima relação e ele a chamava carinhosamente de "Senhorinha", por conta da maneira antiquada, solene, com que a filha sempre se expressava, como se fosse uma pequena adulta de séculos passados. Ele também a amava mais que tudo e por isso mesmo decidira que chegara a hora de enviá-la para longe, por mais que aquilo partisse seu coração, pois sua filhinha precisava iniciar seus estudos e retornar para casa apenas quando já fosse uma jovem adulta. Era o que se esperava dele como pai, embora a sua vontade fosse manter Sara ao seu lado para sempre, protegida de um mundo vasto e tão cheio de riscos.

10 de janeiro de 2020

O Velho e o Mar - Ernest Hemingway

Título Original: The Old Man and the Sea
Tradutor: Fernando de Castro Ferro
Editora: Bertrand Brasil
Edição de: 2013
Páginas: 126
Prêmio Pulitzer / Prêmio Nobel de Literatura

2ª leitura de 2020

Sinopse: Best-seller em todo o mundo e também no Brasil, O velho e o mar conta a história de um pescador que, depois de 84 dias sem apanhar um só peixe, acaba fisgando um de tamanho descomunal, que lhe oferece inusitada resistência e contra cuja força tem de opor a de seus braços, a de seu corpo, e, mais do que tudo, a de seu espírito. 
Um homem só, no mar alto, com seus sonhos e pensamentos, suas fundas tristezas e ingênuas alegrias, amando com certa ternura o peixe com que trava ingente luta até levá-lo a uma derrota leal e honesta.
Uma obra-prima da literatura contemporânea, dotada de profunda mensagem de fé no homem e em sua capacidade de superar as limitações a que a vida o submete. 



Eu já tinha ouvido falar bastante deste livro, embora não soubesse de fato o que se passava na história. Sabia apenas que era a história de um pescador e que todo mundo que lia se emocionava. Somente quando li consegui compreender por que se tornou um dos grandes clássicos da literatura, por que atinge tantos corações até hoje. 

"Tudo o que nele existia era velho, com exceção dos olhos que eram da cor do mar, alegres e indomáveis."

Esta é a história de Santiago, um homem bem idoso e muito pobre, que não possui ninguém no mundo, exceto um garoto que o admira e o trata como seu mestre. Era aquele garoto quem, todos os dias, arranjava algo para ele comer e beber e fazia de tudo para suprir um pouco as suas necessidades e lhe dar ânimo. Tempos antes, Manolin (o garoto) trabalhara ao lado de Santiago, como seu ajudante, e com ele aprendera tudo o que sabia sobre a pesca. Todavia, quando uma fase muito ruim veio para o senhor, a família do menino não quis mais que ele perdesse seu tempo com um "azarado" e o colocaram para trabalhar com outro pescador. Assim, Santiago ia diariamente pescar sozinho e já faziam 84 dias que não conseguia apanhar nenhum peixe. O que, de modo algum, o faria desistir. 

"Embrulhou-se na manta e deitou-se sobre o colchão, que consistia quase exclusivamente de velhos jornais ressequidos pelo tempo."

Num determinado dia bem cedo, após tomar café graças ao zelo do menino que era a única pessoa ali que realmente se preocupava em cuidar dele, Santiago foi outra vez para o mar. Tinha esperanças. Achava que sua fase ruim chegaria ao final, que naquele dia apanharia um peixe dos grandes, como nos seus velhos tempos. 

Perdido em pensamentos e recordações, e cada vez mais distante da região onde morava e de qualquer outra praia, foi surpreendido ao sentir que fisgara um peixe. Empolgado, percebeu que era um peixe bem grande, embora ainda não tivesse tido a oportunidade de vê-lo. Mas o que era para ser motivo de pura e simples felicidade, se transforma numa grande batalha, pois o peixe não tinha a menor intenção de ser morto e lutaria até suas últimas forças para vencer Santiago. 

"O homem não vale lá muito comparado aos grandes pássaros e animais. Eu por mim gostaria muito mais de ser aquele peixe lá embaixo na escuridão do mar."

Eu nunca poderia imaginar que este livro me faria chorar. Que eu me emocionaria tanto com Santiago, Manolin e até mesmo com aquele grande peixe. Esta é uma história simples, mas que nos toca justamente com sua simplicidade, com a sabedoria de um senhor tão sozinho na vida, cheio de motivos para desistir, mas que mesmo assim mantém a esperança e luta dia após dia. Que tem sempre uma palavra gentil, que não reclama e nem maldiz a própria sorte. Santiago é um exemplo para mim. Com ele aprendi muito sobre persistência, sobre não desistir dos meus sonhos, daquilo que desejo para minha vida. A questão para ele não era nem conseguir atingir o seu objetivo no fim (apanhar o peixe), mas sim não desistir, ter esperanças, lutar até suas últimas forças. Não importava o que acontecesse, ele manteria a fé. Porque poderia dizer para si mesmo depois que tentara, que fizera o seu máximo. 

"É uma estupidez não ter esperanças", pensou. "Além disso acho que é um pecado perder a esperança."

Quando ele fisgou aquele peixe, eu fiquei tão feliz, pensando que a sorte finalmente sorrira para ele, que ele conseguiria vendê-lo e ter dinheiro para se alimentar direito, para dormir numa cama de verdade e ter dias mais tranquilos. Mas aí tudo começou a dar terrivelmente errado. O peixe era grande demais e exigia de Santiago uma força que ele não tinha, por ser já tão idoso e não se alimentar bem. Eu comecei a chorar e me desesperar com a história, passando a ter medo de chegar no fim e me deparar com um desfecho que não aguentaria.

Era horrível ver o Santiago lutar tanto. O dia virava noite, tornava a ser dia e noite novamente, e ele no meio do mar, sozinho, lutando contra um peixe que poderia acabar com o que restava de sua vida. Cada vez que as mãos dele sangravam era um golpe no meu coração. Eu desejava gritar: "Deixe esse peixe para lá! Volte para casa, você vai acabar morrendo!" Senti muito desespero, uma angústia enorme durante a leitura, temendo muito pela vida do Santiago, desejando que ele tivesse um final feliz, pois merecia demais. E a vida não tinha sido nada justa com ele.

"Tenho esperanças de não ser obrigado a lutar outra vez", pensou o velho. "Tenho tantas esperanças de não ter de voltar a lutar."

De todos os trechos que marquei, este acima foi o que mais me tocou. Lembro de ter pensado, com tristeza: "Eu também, Santiago. Também tenho esperanças de você não precisar mais lutar. De que de alguma forma consiga ter uma vida melhor, que seus últimos anos sejam mais fáceis." Era de partir o coração vê-lo mentindo para o Manolin, dizendo que tinha uma panela de arroz com peixe para comer, quando o menino bem sabia que aquilo não era verdade, que ele não tinha absolutamente nada em casa. Que se o menino não levasse, ele passaria o dia inteiro com fome e sem dizer nada para ninguém. Me comoveu muitíssimo ver o carinho enorme que o Manolin tinha pelo Santiago, a forma como o respeitava e animava, como cuidava dele... Não tinha a menor obrigação e fazia simplesmente por amor. Era como um anjo, uma dessas raras pessoas que nem parecem humanas de tão boas que são. Manolin conquistou um lugar especial em meu coração. E quando ele chorou eu desejei pegá-lo no colo e dizer que tudo ficaria bem.

"Além disso", pensou, "tudo mata tudo de uma maneira ou de outra. Pescar mata-me tal como me faz viver. O garoto é que me mantém na vida", pensou. [...]"

É um livro que recomendo para todos! A história nos emociona desde as primeiras páginas. Até mesmo a batalha entre Santiago e o peixe bagunça nossos sentimentos, pois ele passa a nutrir uma espécie de afeto pelo peixe e isso nos contagia, ainda que desejemos com todo o nosso coração que o Santiago consiga vencê-lo. Ele tem um respeito enorme pela natureza e pelos animais, reconhecendo o quanto somos pequenos diante da imensidão do mundo e do poder da natureza. Sua luta contra o peixe é honesta, ele jamais se sentiu superior ou quis maltratá-lo, mas precisava dele como alimento, ainda mais vivendo numa região onde aquele era o principal alimento (quase o único), bem como a fonte de renda, pois os pescadores também viviam do dinheiro que conseguiam da pesca, para comprar o que precisavam para sobreviver. 

Posso dizer, com certeza, que comecei 2020 com ótimas leituras e que O Velho e o Mar já tem lugar entre os melhores livros que li na vida.


-> DLL 20: Um livro de capa branca


6 de janeiro de 2020

As Mil Partes do meu Coração - Colleen Hoover

Literatura norte-americana
Título Original: Without Merit
Tradutora: Ryta Vinagre
Editora: Record
Edição de: 2018
Páginas: 336

1ª leitura de 2020
Sinopse: Nem todo erro merece uma consequência. Às vezes a única coisa que ele merece é o perdão. Os Voss são uma família peculiar e cheia de segredos. Eles moram em uma antiga igreja, batizada de Dólar Voss. A mãe, curada de um câncer, vive no porão, e o pai e o restante da família, no andar de cima. Isso inclui sua nova esposa - ex-enfermeira da ex-mulher -, o pequeno Moby, fruto desse relacionamento, o filho mais velho, Utah, e as gêmeas idênticas Merit e Honor. E, como se a casa já não estivesse cheia o bastante, ainda chegam o excêntrico Luck e o misterioso Sagan. Mas Merit sente que é o oposto de todos ali, que sempre está fazendo algo de errado e, consequentemente, que algo ruim está acontecendo com ela. Além de colecionar troféus que não ganhou, Merit também coleciona segredos que sua família insiste em manter. Assim, começa a acreditar que não seria uma grande perda se um dia ela desaparecesse. Mas, antes disso, a garota decide que é hora de revelar as verdades mais sombrias da família e obrigá-los a, enfim, encarar o que aconteceu. 
No entanto, seu plano não sai como o esperado e ela deve decidir se pode dar uma segunda chance não apenas à sua família, mas também a si mesma. As mil partes do meu coração mostra que nunca é tarde demais para perdoar e começar a construir pontes. 



As Mil Partes do meu Coração não estava nos meus planos de leitura de janeiro, mas como resolvi participar do Desafio Literário Livreando 2020 e estou fazendo parte do grupo no WhatsApp, acabei sabendo da leitura coletiva deste livro e, no fim das contas, li este antes mesmo de ler o primeiro do DLL 2020.rsrs

"Será que a morte é assim? Apenas um... nada?"

Esta foi minha primeira experiência com a escrita da autora. Há tempos vejo leitores falando extremamente bem dela, do quanto seus livros os transformaram, de que não conseguem ficar sem ler nada da Colleen. E confesso que eu morria de curiosidade. Ao ponto de adquirir dois livros dela e ficar morrendo de vontade de descobrir o que ela tem de tão especial para encantar tanta gente, de considerar passar o livro na frente de vários outros, como de fato fiz.rs

Logo de início me vi envolvida pela história. Só o primeiro capítulo já nos mergulha na vida e nos pensamentos da protagonista, a jovem Merit, de dezessete anos, que coleciona troféus que nunca ganhou (sempre que algo ruim acontece em sua vida, ela compra um troféu), possui uma irmã gêmea que não faz a menor questão de ser sua amiga, um irmão mais velho que odeia em segredo há anos, um pai que despreza por ter traído sua mãe quando ela estava lutando contra um câncer, uma madrasta que ela faz questão de infernizar, uma mãe agorafóbica que vive no porão da casa do ex-marido traidor, e um irmãozinho chamado Moby, fruto da traição do seu pai e o único membro daquela casa que ela não detesta. 

"O que as pessoas não sabem é que não existe família perfeita, por mais branca que seja a cerca."

Criada num lar onde todos parecem se importar apenas com a própria vida e insistem em comportamentos egoístas que acabam por afetar os outros membros da família, Merit, ao iniciarmos a leitura, já chegou a um ponto em que a dor se transformou em indiferença... ou, pelo menos, é nisso que ela acredita. Já não se importa com a distância e a imaturidade do pai. Não se importa se sua irmã gêmea prefere ser próxima apenas de Utah, seu irmão mais velho, e fazer de conta que ela não existe. Não a afeta que Utah também pareça considerá-la invisível e nunca a convide para suas saídas. Pouco lhe interessa que sua madrasta continue ocupando o lugar que um dia foi de sua mãe e que, sua mãe, por sua vez, esteja há mais de dois anos sem sair do porão que transformou em casa e há muito tenha deixado de desempenhar o papel que lhe cabia. Merit sabia que só podia contar consigo mesma. Fazia séculos que desistira daquela família.

1 de janeiro de 2020

Projetos de leitura 2020


Olá, queridos!!!

Feliz Ano Novo!!! :)


E chegou a hora de conferir de quais desafios participarei este ano!rs

Estipulei, ainda no ano passado, como principais metas: 

-> Ler 12 livros nacionais;
-> Ler 12 livros clássico - Concluído
-> Ler pelo menos 50 livros da minha estante;
-> Comprar no máximo 30 livros;
-> Participar de, no máximo, 2 desafios de blogs/canais literário - Participei de mais do que isso

Assim, deixarei aqui neste post perfeitamente organizadas as anotações, conforme for cumprindo os desafios. Para conferir meu progresso, bastará acessar o post, cujo link ficará disponível no menu superior do blog. :)

Ler 12 Livros Nacionais

É um projeto pessoal que venho seguindo há alguns anos e tem dado muito certo. Através dele tenho conhecido muitos autores novos e histórias maravilhosas. 

1- O Sorriso da Hiena - Gustavo Ávila (Resenha aqui)
2- Dilacerada - Helô Delgado (Resenha aqui)
3- Vidas na Noite - Aione Simões (Resenha aqui)
4- Amoras- Emicida
5- Flávia e o Bolo de Chocolate - Míriam Leitão
6- A Falência - Júlia Lopes de Almeida
7- Histórias de Amor - Rubem Fonseca
8- Úrsula - Maria Firmina dos Reis
9- Capitães da Areia - Jorge Amado
10- O Diário do Erasmo - Robson Cuer
11-
12-


Ler 12 Livros Clássicos

Este desafio abriu muitas portas para mim. Desde que comecei a levá-lo a sério investi muitíssimo em livros clássicos, que se tornaram parte da minha vida. Ano passado li 19 livros clássicos e a maioria me apaixonou. 

1- O Velho e o Mar - Ernest Hemingway (Resenha aqui)
2- A Princesinha - Frances Hodgson Burnett (Resenha aqui)
3- Mensagem - Fernando Pessoa (Resenha aqui)
4- Os Sofrimentos do Jovem Werther - Johann Wolfgang von Goethe (Resenha aqui)
5- Inferno - Dante Alighieri (Resenha aqui)
6- Poliana - Eleanor H. Porter (Resenha aqui)
7- A Megera Domada - William Shakespeare (Resenha aqui)
8- A Dama das Camélias - Alexandre Dumas Filho (Resenha aqui)
9- O Jardim Secreto - Frances Hodgson Burnett (Resenha aqui)
10- A Arte da Guerra - Sun Tzu (Resenha aqui)
11- Orlando - Virginia Woolf (Resenha aqui)
12- O Último Dia de um Condenado - Victor Hugo (Resenha aqui)
13- Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez (Resenha aqui) 
14- Fahrenheit 451 - Ray Bradbury (Resenha aqui)
15- Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski (Resenha aqui)
16- Antologia Poética - Florbela Espanca (Resenha aqui)
17- A Falência - Júlia Lopes de Almeida  (Resenha aqui)
18- A Morte de Ivan Ilitch - Lev Tolstói (Resenha aqui)
19- Flores para Algernon - Daniel Keyes (Resenha aqui)
20- Histórias de Amor - Rubem Fonseca (Resenha aqui)
21- Úrsula - Maria Firmina dos Reis (Resenha aqui)
22- O Eterno Marido - Fiódor Dostoiévski (Resenha aqui)
23- Fábulas Chinesas - Vários autores (Resenha aqui)
24- O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde (versão sem censura)
25- O Chalé de Moorland - Elizabeth Gaskell (Resenha aqui) 
26- O Curioso Caso de Benjamin Button - F. Scott Fitzgerald (Resenha aqui)
27- Capitães da Areia - Jorge Amado
28- A Abadia de Northanger - Jane Austen (Resenha aqui)
29- O Mágico de Oz - L. Frank Baum (Resenha aqui)


Ler 50 livros da minha estante (adquiridos antes de 2020)

O objetivo é que entre as minhas leituras deste ano a maioria seja de livros que já fazem parte da minha estante. Não livros novos que terei comprado em 2020, mas sim livros que já faziam parte da estante antes do ano novo começar.rs

1- As Mil Partes do meu Coração - Colleen Hoover
2- O Velho e o Mar - Ernest Hemingway
3- A Princesinha - Frances Hodgson Burnett
4- Mensagem - Fernando Pessoa
5- O Sorriso da Hiena - Gustavo Ávila
6- Milagre na 5ª Avenida - Sarah Morgan
7- Corrida pela Herança - Sidney Sheldon
8- O Amor de um Duque - Lorraine Heath
9- Os Sofrimentos do Jovem Werther - Johann Wolfgang von Goethe
10- Inferno - Dante Alighieri
11- Poliana - Eleanor H. Porter
12- Dilacerada - Helô Delgado
13- O Jardim Secreto - Frances Hodgson Burnett
14- O Mapa de um Desejo Impossível - Anuradha Roy
15- Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez
16- Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
17- Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski
18- Me Chame pelo seu Nome - André Aciman
19- Antologia Poética - Florbela Espanca
20- A Morte de Ivan Ilitch - Lev Tolstói
21- Histórias de Amor - Rubem Fonseca
22- O Eterno Marido - Fiódor Dostoiévski
23- A Boa Filha - Karin Slaughter
24- Para Sempre - Kim e Krickitt Carpenter
25- O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
26- O Curioso Caso de Benjamin Button - F. Scott Fitzgerald 
27- A Abadia de Northanger - Jane Austen
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Comprar no máximo 30 livros

Vocês também poderão acompanhar este desafio! Conferir se o cumpri direitinho.rs Conforme compre livros atualizarei o post e no final do ano vocês verão se me controlei ou não. 

1- Entre Irmãs - Frances de Pontes Peebles - 17/01/2020
2- Memórias de uma Gueixa - Arthur Golden - 26/01/2020
3- Cinzas na Neve - Ruta Sepetys - 05/02/2020
4- Como Encantar um Canalha - Suzanne Enoch - 05/03/2020
5- O Imoralista - André Gide - 08/08/2020
6- Vidas Secas - Graciliano Ramos - 13/08/2020
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Desafio Literário Livreando 2020

É um desafio criado pela Tâmara Nunes, do blog Livreando. São cinco temas mensais e o objetivo é nos incentivarmos a ler mais. Como gostei muito dos temas, resolvi participar. :D Irei atualizando com os livros escolhidos e links das resenhas conforme for lendo. 




Janeiro

1- O Velho e o Mar - Ernest Hemingway (Resenha)
2- Corrida pela Herança - Sidney Sheldon (Resenha)
3- Milagre na 5ª Avenida - Sarah Morgan (Resenha)
4- Mensagem - Fernando Pessoa (Resenha)
5- O Sorriso da Hiena - Gustavo Ávila (Resenha)

Fevereiro

1- Os Sofrimentos do Jovem Werther - Johann Wolfgang von Goethe (Resenha)
2- Falsa Acusação: Uma história verdadeira - T. Christian Miller e Ken Armstrong (Resenha)
3- A Iniciação - L. J. Smith (Resenha)
4- O Amor de um Duque - Lorraine Heath (Resenha)
5- Inferno - Dante Alighieri (Resenha)

Março

1-
2- Dilacerada - Helô Delgado (Resenha)
3- Poliana - Eleanor H. Porter (Resenha)
4-
5- A Dama das Camélias - Alexandre Duas Filho (Resenha)

Abril

1- Vidas na Noite - Aione Simões (Resenha)
2- Beleza Impura - Sharon Kendrick (Resenha)
3- O Jardim Secreto - Frances Hodgson Burnett (Resenha)
4- Amoras - Emicida / Flávia e o Bolo de Chocolate - Míriam Leitão (Resenha)
5- O Mapa de um Desejo Impossível - Anuradha Roy (Resenha)

Maio

1- O Último Dia de um Condenado - Victor Hugo (Resenha)
2-
3- Fahrenheit 451 - Ray Bradbury - leitura concluída com atraso (Resenha)
4- Orlando - Virginia Woolf (Resenha)
5- A Arte da Guerra - Sun Tzu (Resenha)

Junho

1-
2- A Morte de Ivan Ilitch - Lev Tolstói (Resenha)
3- Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski (Resenha)
4- Me Chame pelo seu Nome - André Aciman (Resenha)
5- Antologia Poética - Florbela Espanca (Resenha)




Julho

1- Úrsula - Maria Firmina dos Reis (Resenha)
2- Para Sempre - Kim e Krickitt Carpenter (Resenha)
3- Histórias de Amor - Rubem Fonseca (Resenha)
4- Flores para Algernon - Daniel Keyes (Resenha)
5- O Eterno Marido - Fiódor Dostoiévski (Resenha)

Agosto

1- A Panqueca fugitiva, o Resmungão e outros contos nórdicos (Resenha)
2- O Curioso Caso de Benjamin Button (Resenha)
3- Fábulas Chinesas - Vários autores (Resenha)
4- Segredos - Ben 10 - Livro de História (Resenha)
5- O Chalé de Moorland - Elizabeth Gaskell (Resenha)

Setembro

1- O Mágico de Oz - L. Frank Baum (Resenha)
2- O Diário do Erasmo - Robson Cuer (Resenha)
3- Vidas Secas - Graciliano Ramos
4- A Abadia de Northanger - Jane Austen (Resenha)
5- Não li

Outubro

1-
2-
3-
4-
5-



Projeto Aventuras na Leitura 2020

Este projeto foi criado pela Kelly do canal Aventuras na Leitura. São dez temas que podem ser cumpridos na nossa ordem de preferência. Gostei muitíssimo dele e estou bem animada para começar!



1- O Velho e o Mar - Ernest Hemingway (janeiro: livro vencedor de algum prêmio literário)
2- Dilacerada - Helô Delgado (março: livro autografado por escritora que admiro)
3- A Megera Domada - William Shakespeare (março: clássico que virou filme)
4- O Mapa de um Desejo Impossível - Anuradha Roy (abril: desencalhe um livro)
5- Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez (maio: literatura latino-americana)
6- Antologia Poética - Florbela Espanca (junho: literatura portuguesa)
7- Histórias de Amor - Rubem Fonseca (julho: livro raro. A edição é rara)
8-
9-
10-


12 Livros para 2020

Além disso, eu separei doze livros para ler este ano. Vocês podem perceber que não separei os livros de cada desafio antecipadamente, pois a intenção é deixar que a minha escolha seja bem livre. Que eu só monte a lista de leituras poucos dias antes de cada mês começar. Apenas os livros abaixo é que escolhi como leituras "obrigatórias" do ano.rs

1- O Velho e o Mar - Ernest Hemingway (concluído em janeiro)
2- Corte de Névoa e Fúria - Sarah J. Maas
3- Crônica de uma morte anunciada - Gabriel García Márquez
4- Madame Bovary - Gustave Flaubert
5- Tatiana e Alexander - Paullina Simons
6- Me chame pelo seu nome - André Aciman (concluído em junho)
7- Corações Quebrados - Sofia Silva
8- Ensaio sobre a cegueira - José Saramago
9- La Isla Bajo el Mar - Isabel Allende
10- Gabriela, cravo e canela - Jorge Amado
11- Diva - José de Alencar
12- Os Tambores do Outono - Diana Gabaldon


Atualizado em 07/01/2020:


Desafio Literature-se 2020

Eu sei que falei que só participaria de no máximo 2 desafios de blogs/canais!kkkkkkkkk... Mas não consegui resistir quando vi as categorias do projeto da Mel, do canal Literature-se. Eu amo muito o trabalho dela e no ano passado participei do desafio e fui relativamente bem.rs Este ano quero cumprir todas as categorias! :D

Não existe ordem obrigatória, nós é que decidimos qual categoria cumpriremos em cada mês.

1- Um clássico pouco conhecido
Livro lido: A Princesinha - Frances Hodgson Burnett
(concluído em janeiro)

2- Romance policial
Livro lido: A Boa Filha - Karin Slaughter
(concluído em julho)

3- Literatura de Cárcere

Livro lido: O Último Dia de um Condenado - Victor Hugo
(concluído em maio)

4- Autoficção

Livro lido: A Dama das Camélias - Alexandre Dumas Filho
(concluído em março)

5- Livro censurado

Livro lido: O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
(concluído em agosto)

6- HQ

Livro lido: A Morte de Ivan Ilitch - Lev Tolstói
(concluído em junho)

7- Narrativa epistolar

Livro lido: Os Sofrimentos do Jovem Werther - Johann Wolfgang von Goethe
(concluído em fevereiro)

8- Literatura oriental

Livro lido: A Arte da Guerra - Sun Tzu
(concluído em maio)

9- Pacto fáustico

Livro lido:

10- Ficção científica

Livro lido: Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
(concluído em junho)

11- Poesia

Livro lido: Antologia Poética - Florbela Espanca
(concluído em junho)

12- Geração de 30

Livro lido: Capitães da Areia - Jorge Amado
(concluído em agosto)


Então, é isso! Estes são os desafios para 2020! :D 



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