11 de março de 2020

Poliana - Eleanor H. Porter

Tempo de leitura:
Literatura norte-americana
Título Original: Pollyanna
Tradutor: Paulo Silveira
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2018
Páginas: 192
13ª leitura de 2020

*Publicado originalmente em 1913

"A Poliana é uma garota fantástica. Ela sempre vê o lado bom das coisas e, apesar de ainda ser novinha, acaba ensinando todos ao redor com seu jeito sensível e amoroso. Todo mundo deveria conhecer essa história, que passa uma mensagem tão positiva. 
É muito legal poder viver a personagem na televisão, depois de ter me encantado com ela nas páginas do livro. E esta edição está muito fofa, tem tudo a ver com a Poliana. Simplesmente incrível."  Sophia Valverde, atriz




Sabe aquele livrinho que te deixa com um quentinho no coração? Que te deixa leve e te dá esperanças? Poliana é exatamente assim. Uma história que me fez muito bem. Não apagou toda a tristeza causada pelos acontecimentos da semana passada, mas fez eu me sentir melhor, disposta a tentar o jogo ensinado pela pequena menina de 11 anos, que tinha mais sabedoria do que muitos adultos.

"Respirar somente não é viver."

Poliana é uma criança de onze anos que perdeu recentemente a única família que lhe restava: seu pai, um missionário muito pobre, mas que passou a vida inteira se dedicando aos outros, aos ensinamentos cristãos de amor e compaixão, de ajuda ao próximo. Os irmãos da menina tinham ido para o céu, sua mamãe também e agora o seu papai. Dependente da caridade das cristãs auxiliadoras, ela não tinha quem se responsabilizasse por ela... até que entraram em contato com sua tia, irmã de sua mãe, uma pessoa que Poliana ainda não conhecia.

Paulina Harrington era a última sobrevivente de uma família muito rica, que não sabia o que era passar por necessidades na vida. Joana, sua irmã mais velha (e mãe de Poliana) foi deserdada por ter escolhido se casar com um pastor pobre, em vez de aceitar a proposta de alguém "adequado", de família tão tradicional quanto a dela. Paulina detestava o cunhado por ter levado sua irmã, mas o dever, algo que sempre levava muito a sério, a fez aceitar receber a sobrinha em sua casa, mesmo que na realidade quisesse distâcia dela.

"Paulina Harrington nem se ergueu da cadeira para receber a sobrinha. A arrogante senhora olhou para a menina por cima do livro que lia e só estendeu a mão, como se a palavra dever estivesse escrita em cada dedo."

Mesmo morando numa mansão com muitos quartos lindos e confortáveis, Paulina colocou a criança num quartinho no sótão, feio e abafado, onde era praticamente impossível dormir, por conta do calor insuportável. Ao saber que tinha uma tia tão rica, Poliana, que nunca teve nada de confortável na vida, chegou a sonhar com o lindo quarto que teria, com tapetes e quadros, mas a realidade se mostrou bem distante de tudo o que ela poderia desejar.

No entanto, Poliana era uma menina diferente. Educada por um pai que aprendera a encontrar motivos na vida para ser feliz, mesmo não tendo condições de comprar nada para sua princesinha, ela aprendeu o "jogo do contente", que consistia em encontrar em cada situação ruim um motivo para sorrir.

"Em tudo há alguma coisa de bom. A questão é descobrir onde está."

Tudo começou quando Poliana era ainda mais nova e desejava muito uma boneca. Como vivia da caridade das pessoas, ficou aguardando com ansiedade a próxima doação, mas em vez da tão sonhada boneca, o que tinha na caixa era um par de muletas. Ela sentiu muita tristeza em seu coraçãozinho de criança, mas seu pai, na intenção de aliviar sua dor, disse que ela deveria ficar feliz, pois não precisava daquelas muletas, porque suas perninhas não estavam doentes. A partir daí surgiu o jogo: não importava o que acontecesse, eles sempre encontrariam motivos para sorrir.

Este livro tocou profundamente o meu coração. Foi muito fácil amar a pequena Poliana, tão cheia de vida, tentando ser feliz num mundo tão difícil. Ela tinha tantos motivos para ser amargurada, para se revoltar, mas em vez disso era uma das crianças mais doces e amorosas que alguém poderia conhecer. Nunca teve uma peça de roupa que fosse sua (era tudo doado e geralmente não lhe servia, ficava grande ou pequeno), não teve os brinquedos comuns à infância, nem sequer um quarto seu. Mas tirava o melhor de tudo, encontrava em cada coisinha um motivo para estar contente, para não deixar a tristeza tomar conta de sua vida. E mesmo quando perdeu o pai tentou se alegrar, pois a morte do seu pai significava que ele tinha ido ao encontro de sua mãe e dos seus irmãozinhos, que eles agora estavam juntos. Como não se emocionar com essa menina?

Por isso, por amar tanto essa menina desde o início da história, que senti imensa raiva da Paulina. Mulher arrogante e egoísta, que só se importava com aparência, dever e coisas inúteis! Não se importava com as pessoas, não teve compaixão da própra sobrinha que tinha acabado de perder o pai. Além de colocar a menina num quarto no sótão onde ninguém conseguiria dormir, ainda a proibiu de sequer mencionar a palavra "pai". Como se não bastasse ainda teve a cena na qual não deixou a menina jantar (ela só pôde comer pão e tomar leite) só porque ela tinha se atrasado!!! Que ser humano faz isso com uma criança?! Eu tive vontade de bater nessa mulher. De dar a surra que ela estava pedindo.

Mas o incrível, o que a "desarmava", é que não importava o que ela fizesse, Poliana não ficava mal. Qualquer que fosse o castigo, a menina encontrava motivos para sorrir, não deixava a tristeza contaminar seus dias. Nada que Paulina fizesse diminuía a bondade e a vontade de viver da criança, que desde o primeiro dia conquistara todos os empregados e que ao longo do tempo iluminara a vida de todos os moradores daquela região; até os mais amargurados eram incapazes de resistir à ela.

Isso não significava que Poliana nunca ficava triste. Ela era um ser humano normal, então, é claro que existiam momentos nos quais era praticamente impossível ficar contente. Uma cena que partiu meu coração foi quando ela passou a primeira noite sozinha naquele quarto horrível, bem longe do resto da casa e no escuro:

"- Não posso, querido pai que está no céu, não posso jogar agora. A escuridão é horrível e o silêncio assusta."

Quando li o trecho acima tive ainda mais vontade de dar uma surra na tia dela. A maldade dessa mulher me revoltava! Tudo bem que ela vai mudar ao longo da história, vai pouco a pouco se sentir mal consigo mesma pela maneira como trata a menina, mas isso não me impediu de ficar com o sangue quente e de considerar imperdoáveis as coisas que ela fez. Reconheço sim que ela sofre uma grande transformação, para melhor, mesmo assim não consegui esquecer as coisas ruins. Não sou como a Poliana, infelizmente. Não sei perdoar tão fácil como ela.

É linda a maneira como essa menina muda a vida das pessoas que conhece. Tantas pessoas que antes eram tão infelizes, sempre pensando negativo e se concentrando apenas no que de ruim acontecia, mas que depois que Poliana invadiu suas vidas mudaram da água para o vinho. Não vou mencionar tudo o que ela faz, pois vale a pena conhecer em "primeira leitura".rs Mas tenho que dizer que concordo com os outros personagens da história: Poliana era um anjinho vindo do céu para ensinar as pessoas a serem felizes.

A única coisa que não gostei no livro e que me fez acabar não dando 5 estrelas, foi o final. Não que seja um final ruim (não é!), mas foi extremamente corrido. Tudo se resolveu num piscar de olhos e a sensação era realmente que a autora estava "correndo" para finalizar. Isso não combinou com a história, que tinha se desenvolvido de forma tão fascinante, tão encantadora.

"Quem procura o mal, certamente o encontrará. Mas, quando se procura o bem na esperança de encontrá-lo, logo o bem aparecerá..."

É difícil ser como a Poliana. Pensar sempre positivo, encontrar em tudo um motivo para estar feliz. Mas sabe de uma coisa? É necessário. É preciso fazer o "jogo do contente" mesmo quando tudo está ruim, mesmo quando parece que nada tem solução. Porque nos entregarmos ao desespero não vai ajudar. Mas pensar positivo, ver em tudo um motivo para agradecer e seguir em frente faz bem para o coração. Estou triste por tudo o de ruim que aconteceu por causa das fortes chuvas do dia 01 de março. Por tudo o que perdi, pelos 67 livros que foram destruídos pelas chuvas. Mas eu não perdi todos os livros, certo? Ainda tenho muitos, o suficiente para ler pelos próximos anos. Tenho que agradecer a Deus por tudo o que ainda tenho, em vez de deixar que o que perdi me roube a alegria e me deixe prostrada. Tenho que agradecer sobretudo por estar viva, pois enquanto estamos vivos tudo ainda pode melhorar. Fazer o jogo do contente não é fácil, mas estou disposta a tentar.

Este livro inspirou a novela "As Aventuras de Poliana", que ainda passa no SBT (acho que já faz anos que está no ar) e não tenho como comentar sobre a novela, pois não assisto, então, estou totalmente por fora. Como o livro tem 192 páginas e a novela já deve ter mais de 400 capítulos (e fiquei sabendo que terá uma segunda temporada), imagino que devam ser histórias muito diferentes, que a novela acrescentou muita coisa que com certeza não tem no livro. Não sei dizer se é uma novela boa ou não, pois não tenho como falar do que não conheço. Todavia, minha priminha de onze anos assiste e gosta bastante.

Existe uma continuação deste livro chamada Poliana moça e foi escrita em 1915. A minha edição de Poliana é a da capa deste post e é belíssima. É um dos livros mais lindos que já vi! Todas as páginas são coloridas e com desenhos, o que torna a leitura ainda mais deliciosa, pois dá um enorme prazer ficar olhando para o capricho de cada página, tão cheia de cores e ilustrações. Eu vou ler Poliana moça quando comprar uma edição igual, da mesma editora, que já foi lançada e está na minha lista de desejados.



-> DLL 20: Um livro do século passado



Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers (não necessariamente nesta ordem). Mãe da gatinha Luana. Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

4 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Ah que bom que você curtiu Poliana! Acho que é considerado um dos grandes clássicos infantis, e por isso ainda me lembro de quando li pela primeira vez, e me encantei. Também achei o final meio corrido na época, mas nada que tirasse o brilho do enredo. Adorei saber a sua opinião e espero que possa ler a continuação :D
    Beijos

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  2. Minha ignorância.. Eu tenho uma edição de Poliana, mas nunca. Recebi ela da Belas Letras que faz um projeto lindão, quando você compra um livro deles, você recebe outro para doação.
    A história de Poliana é linda demais, pois apesar de tudo que ela passa, como você mesma fala, ela é um anjinho que veio para trazer coisas boas!
    Não sabia que a novela do SBT era baseada no livro hahahaha menina, quero assistir.. Será?

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  3. Já li esse livro e me encantei muito. Realmente, é muito difícil sempre pensar positivo e tentar ser positiva como Poliana, mas sabe que isso é o que mais gosto nela? A inocência de uma criança em não ver a maldade que há no mundo. Adorei sua resenha.

    Beijos,
    Blog PS Amo Leitura

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  4. Olá Luna!!!
    Primeiramente sinto muito por tudo que você citou e aconteceu, mas espero sinceramente que você fique melhor e que possa ver coisas positivas em meio a tudo como você mesmo disse que nem a própria Poliana.
    Eu ouvi falar desse livro por uma amiga que quando era pequena leu com a mãe dela e a história marcou ambas que minha amiga comprou um exemplar pra dar para a mãe dela esse ano de presente.
    Eu preciso seriamente lê-lo pois é uma história fofa e cheia de ensinamentos.
    Parabéns pela resenha linda e sim essa edição é lindíssima!!!

    lereliterario.blogspot.com

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