28 de setembro de 2020

O Diário do Erasmo - Robson Cuer


Literatura Brasileira
Editora: Coerência
Edição de: 2016
Páginas: 208

51ª leitura de 2020 (48ª resenha do ano)

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: Um cachorro abandonado que sonha em reencontrar a mãe. 

Erasmo é um cachorro de sorte. Junto com seus amigos vive aventuras e conhece o mundo com a curiosidade de uma criança, sem preconceitos e atento a tudo. Descobre um mundo mágico que por vezes não percebemos e emociona, ensina e diverte os leitores. 
Leve, poético e sensível, nos lembra que a vida é muito mágica e que a amizade é um lindo sentimento. 



Eu não tenho o hábito de ler histórias protagonizadas por animais porque sou uma manteiga derretida e geralmente choro com filmes ou livros envolvendo animais. 

Mas como O Diário do Erasmo é uma historinha voltada ao público infantil, eu imaginei que não teria nada que me fizesse chorar e serviria como mais uma leitura leve, numa fase da minha vida em que estou necessitando muito de histórias assim. 

Realmente é um livro bem levinho, que nos encanta e faz sorrir. Todavia, tem umas cenas que nos provocam lágrimas. Porque é impossível não se comover com certos acontecimentos que arrancaram um pedacinho do meu coração. :(

Erasmo é um cachorro ainda filhote, que foi separado de sua mamãe, abandonado na rua e depois colocado num Pet Shop para fazer parte de outra família. Só que vários cachorrinhos já tinham encontrado um novo lar e ele seguia ali, naquela gaiola sem que ninguém se interessasse por ele. Até que seu "papai" um dia apareceu e o levou. Foi aí que toda a aventura finalmente começou em sua vida. 

Na casa de seu novo tutor, Erasmo conhece o Jack, um cachorro que já morava ali há mais tempo e estava disposto a ser o "mestre" daquele pequeno curioso, que logo no primeiro dia já o encheu de perguntas.rsrs Ele também se encontrou com a gatinha Sidney que morava dentro da casa do seu papai e estava com filhotinhos na barriga. 

Com o passar dos dias e todas as coisas que vai aprendendo com o auxílio de Jack, Erasmo vai crescendo e se tornando um filhote muito esperto, bem como faz amizade com a Tata Barata Bailarina, as pulgas acrobatas, o senhor Lulo Borboleto e a senhora Lila Borboleta, entendendo o que significa ter uma família e que nem todos que parecem "legais" querem realmente o seu bem. 

"- Tristeza é uma coisa que a gente sente e que tira as cores de tudo. Ela dura enquanto a gente não consegue colorir a vida de novo."

Esta é uma história que conquista um espaço precioso em nossos corações, pois nos envolvemos profundamente não só com o Erasmo e todas as suas aventuras, mas também com outros animais que entram em cena e nos fazem amá-los. 

Erasmo é simplesmente um amor! Tão curioso e cheio de perguntas, não deixava o Jack em paz, pois queria aprender tudo sobre seu novo lar, sobre o dia e a noite, o tempo (que sempre passava sem que ele conseguisse conhecê-lo.rsrs), como os filhotes tinham ido parar na barriguinha da Sidney (algo que ele vai ficar sem entender) e muitas outras coisas. Eu amava a curiosidade dele, seus latidos de empolgação e sua correria pelo quintal. Tinha vontade de tirá-lo da história e ficar com ele para mim, para alegrar minha vida.rs

E como não falar do Jack, que rouba as cenas tantas vezes?! Ele arrebatou meu coração! Amei demais este cachorro tão esperto e carinhoso, tão protetor com o Erasmo e com seu papai. Não consigo falar dele sem sentir uma emoção muito forte. 

"- O que é esperança? É a certeza de que iremos conseguir algo, mesmo que demore muito."

Também amei o Batman (o cachorro que vivia na rua e fez amizade com o Erasmo através do portão), a Tata Barata Bailarina (me diverti demais com ela!), a gatinha Sidney (tão metida e vaidosa), o casal de borboletas e até mesmo as pulgas acrobatas. Todos eles me encantaram! 

Não falarei sobre o que me fez chorar para não dar spoilers. Mas posso dizer que é um livro que nos provoca diversos sentimentos diferentes. E que vale muito a pena! Tem muito o que ensinar para pessoas de todas as idades. 


 -> DLL 20: Um livro que tenha animais como protagonistas



18 de setembro de 2020

O Mágico de Oz - L. Frank Baum


Literatura norte-americana
Título Original: The Wonderful Wizard of Oz
Tradutor: Luis Reyes Gil
Editora: Autêntica
Edição de: 2017
Páginas: 226

50ª leitura de 2020 (47ª resenha do ano)

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: O Mágico de Oz conta a história de Dorothy Gale, uma órfã que vivia com os tios numa fazenda do Kansas, nos Estados Unidos. Um dia, um ciclone arranca do chão a casa onde moravam. Os tios conseguem entrar no porão que usavam como abrigo para tempestades, mas Dorothy e seu cachorro, Totó, se atrasam e ficam na casa, que foi levada durante muito tempo pelos ares até chegar à Terra de Oz.

Lá, Glinda, a Bruxa Boa do Norte, explica a Dorothy que ela havia matado a Bruxa Malvada do Leste, pois a casa aterrissou em cima dela. Dorothy agora é, por direito, dona dos sapatos mágicos prateados da bruxa má. Além disso, Glinda lhe dá um beijo na testa, para ela ficar em segurança durante as aventuras que viveria a caminho da Cidade das Esmeraldas, onde vive o poderoso Mágico de Oz, o único que poderia ajudá-la a voltar para o Kansas.

Para chegar à Cidade das Esmeraldas, Dorothy tem que seguir por uma estrada de tijolos amarelos. Durante a caminhada, ela encontra o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde. Os três se juntam a Dorothy, pois também querem encontrar Oz e pedir algo para ele: o Espantalho quer um cérebro para pensar como os homens; o Homem de Lata, um coração para amar como os homens, e o Leão Covarde quer coragem para ser o Rei dos Animais.

A partir daí, os quatro encaram perigos, vivem histórias fantásticas e aprendem a enfrentar os próprios medos.




Acho que é quase impossível alguém ter passado pela vida sem ter ouvido falar desta história.rs Eu não consigo me lembrar bem como foi que a conheci, se através de algum desenho, filme ou outra adaptação, só o que sei é que ainda não tinha lido o livro, mas sabia tudo o que iria acontecer ao longo da narrativa. Conhecia bem os personagens e todas as suas aventuras para conquistar o que tanto sonhavam...

Nesta obra voltada para o público infantojuvenil (mas capaz de encantar pessoas de todas as idades!) conhecemos a pequena Dorothy, uma menina órfã criada pelos tios, que eram pessoas humildes que não encontravam na vida motivos para sorrir, ao contrário dela que sempre estava brincando e rindo com seu cãozinho Totó. Embora viver no Kansas não fosse muito agradável, pois tudo parecia cinzento e triste, Dorothy amava os tios e não imaginava a vida longe deles. 

"Era Totó que fazia Dorothy rir, e foi quem evitou qu ela crescesse tão triste quanto todo o resto que a rodeava."

Todavia, num dia em que uma terrível tempestade rapidamente começou, ela não teve tempo para entrar no buraco que tinha no chão e servia como abrigo contra esse tipo de dificuldade. Sua casa foi arrancada por um ciclone e a pequena foi junto, tendo apenas Totó como companhia. E foi assim que ela acabou parando na Terra de Oz e matando a cruel Bruxa do Leste, já que a casa aterrissou em cima da malvada. 

Um tanto confusa por ser considerada uma heroína (quando ela era incapaz de matar até mesmo uma formiga), tudo o que Dorothy mais desejava era regressar ao Kansas, para junto dos seus tios. E toda a sua aventura pelos esquisitos e fascinantes países daquele mundo tão extraordinário será voltada para a realização deste que é o seu maior desejo. 

"Não podemos machucar essa garotinha - avisou aos demais -, pois ela é protegida pelo Poder do Bem, que é maior que o Poder do Mal."

Tudo o que eu precisava no momento era ler uma história que fosse leve e divertida, que me provocasse um quentinho no coração e me fizesse esquecer um pouco a vida real. E O Mágico de Oz me proporcionou uma leitura maravilhosa, cheia de magia, amor e amizade, do tipo que nos faz sorrir e sonhar.

Como Dorothy desejava voltar para sua casa e ninguém sabia ao certo qual era o caminho, ela acaba sendo orientada a procurar pelo misterioso (e considerado terrível) Mágico de Oz, um dos mágicos mais poderosos já existentes e o único capaz de fazê-la regressar para junto dos seus tão amados tios. 

No meio dessa aventura, a menina conhece três personagens que simplesmente roubam nosso coração! O Espantalho, que tinha sido criado a pouco tempo e sonhava em ter um cérebro para ser um homem como qualquer outro. O Homem de Lata, nosso amado lenhador, que um dia tinha sido humano, mas ficou naquelas condições por causa de uma bruxa muito ruim. Tudo o que ele mais desejava era ter de novo um coração e assim poder amar. E temos também o famoso Leão Covarde, que sonhava em ser corajoso para poder ser de verdade o rei dos animais. 

"Não existe criatura viva que não sinta medo diante do perigo. A verdadeira coragem está em enfrentar o perigo mesmo quando você tem medo [...]"

A amizade entre todos eles é quase imediata e juntos enfrentam todos os perigos que aparecem ao longo do caminho. Eles acompanham Dorothy, pois também desejam pedir ao Mágico de Oz que realize os seus sonhos. 

Este livro nos aparesenta um mundo encantador, do qual não queremos sair ao final da leitura. Eu queria continuar lá!kkkkkkkkkk... E foi por isso que acabei não dando 5 estrelas, pois considerei o final abrupto, muito rápido. Dava para ter desenvolvido melhor aquele final, o que seria mais justo com uma história tão linda. 

A forma como esses personagens se tornam tão amigos me emocionou muito. Era tão bonita a amizade entre eles, a cumplicidade, o fato de um nunca abandonar o outro pelo caminho, não importava o que acontecesse e como parecesse impossível seguirem todos juntos. Este foi o ponto alto da história, o que ela teve de mais especial: essa amizade tão linda e emocionante entre Dorothy, o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde. Vou levar esses personagens para sempre comigo!

Enfim... É uma história que recomendo para todos que desejam sonhar! :)


-> DLL 20: Um livro de cor amarela


9 de setembro de 2020

A Abadia de Northanger - Jane Austen


Literatura Inglesa
Título Original: Northanger Abbey
Tradutor: Rodrigo Breunig
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2011
Páginas: 272

49ª leitura de 2020 (46ª resenha do ano)

Sinopse: Catherine Morland, dezessete anos, coração puro, é uma mocinha ingênua, viciada em livros repletos de desventuras horripilantes e amores trágicos. Sabendo sobre a vida apenas o que leu nos romances, ela sai de seu obscuro vilarejo natal para passar uma temporada em Bath, estação balneária frequentada pela aristocracia inglesa, onde conhece bailes excitantes, uma amiga amabilíssima, um cavalheiro encantador e outro insuportável. E sai de Bath para ser hóspede, como num sonho, de uma abadia. A antiga construção, porém, revelará sinais misteriosos, indícios de que foi cenário, no passado, de um crime medonho. Exatamente como ela lera nos livros...



Estou passando por dias um tanto ruins na minha vida e confesso que não me sinto capaz de escrever esta resenha. Mas este é um livro que me encantou tanto que eu resolvi pelo menos tentar falar sobre ele. 

Persuasão era até agora o meu livro preferido da Jane Austen. Todavia, depois da maravilhosa experiência de ler A Abadia de Northanger, eu já não sei mais o que fazer.rsrs Acho que vou deixar os dois ocuparem o primeiro lugar entre os mais amados da autora...

Quando iniciei esta leitura eu não sabia bem o que esperar. Não é um dos romances mais famosos dela, poucas vezes li resenhas sobre ele (na verdade, no momento, sequer consigo lembrar de nenhuma resenha que tenha lido!) e, no fundo, acreditava que não chegaria aos pés das outras histórias. Só que logo no início, a ironia da autora, bem mais explícita neste romance do que em qualquer outra história que já li dela, já me fascinou e eu ria tanto com a maneira como ela debochava dos costumes e das relações de "amizade" existentes entre alguns personagens, que consegui perceber que este livro me preparava grandes surpresas...

Nele temos uma heroína que não possui muitas características dignas de uma heroína (segundo a autora, que o tempo inteiro "se mete" na história.rsrsrs), que tudo o que conhece da vida é o que leu em seus amados livros (vários deles de terror) e a pouca experiência que tinha em se relacionar com outras pessoas, vez que vivia num vilarejo de onde jamais tinha saído. Ela tinha apenas dezessete anos e era bastante ingênua, inclusive para a idade. 

Um dia, o senhor e a senhora Allen, que não tinham filhos e viam em Catherine sua protegida, resolveram levá-la para uma temporada em Bath, algo que a empolgou bastante. Era sua primeira chance de conhecer outros lugares, outros tipos de pessoas e possivelmente um "mocinho" adequado. Lá, Catherine acaba desenvolvendo amizade com Isabella Thorpe, que lhe jura fidelidade eterna e não consegue passar sequer um dia longe de sua "amada amiga". Isabella possuía um irmão, John Thorpe, que por coincidência era o melhor amigo do irmão da nossa mocinha. 

Além desses personagens, que serão significativos na vida de nossa heroína, ela também conhece Henry Tilney, por quem sente uma "inexplicável" atração. Só com ele queria realmente dançar. Só com ele era interessante conversar e o mais fascinante é que Henry não via os romances com desprezo, como outras pessoas, e não é nada mau se interessar por alguém que aprecia os livros, certo? Só que existia John Thorpe, o desagradável e "chiclete" irmão de sua amiga. Alguém que amava muitíssimo a si mesmo (e ninguém mais) e estava determinado a conquistar Catherine e atrapalhar sua amizade com os Tilney.

E como se não bastasse os grandes desafios que Catherine terá que enfrentar ao lidar pela primeira vez com a hipocrisia de outras pessoas, sua imaginação tão fértil conseguirá colocá-la numa certa confusão... em uma determinada abadia.  

Mas se tem uma coisa garantida nesta divertida e envolvente história é o final feliz! Dele, Jane Austen não abre mão. Para a alegria de nós leitores, claro!

" - A pessoa que não sente prazer com um bom romance, seja cavalheiro ou dama, só pode ser intoleravelmente estúpida."

Eu amei cada momento da leitura e só queria devorar as páginas para saber como terminava. É uma história na qual a autora usa e abusa da ironia como nunca a vi fazer (geralmente nos outros livros, ela é mais implícita) e isso foi o que mais me agradou. Me proporcionou muitas risadas e a maneira como ela se metia na história, conversando com nós leitores, também foi um espetáculo. Era como se ela realmente estivesse falando diretamente com a gente e isso foi incrível. Amei demais este livro! 

Impossível não mencionar o talento da autora para expor certas amizades falsas escondidas sob um verniz de grande carinho, bem como a hipocrisia daqueles que só se aproximam de outros por interesse e os tratam como os mais "preciosos do mundo", de acordo com o status e a riqueza deles. Vários personagens eram tratados de acordo com sua fortuna, as pessoas valiam apenas o que tinham... algo não muito diferente do que ainda acontece nos dias de hoje. 

Além disso, de maneira um tanto mais implícita, ela também menciona a realidade de filhos submetidos a pais controladores e abusivos, que precisam "pisar em ovos" todos os dias para lidar com alguém de quem não podiam se libertar pelos laços de sangue e de afeto. Uma das coisas que mais me enfurecia neste aspecto, era a maneira como aquele pai sempre falava pela filha, anulando suas vontades, anulando sua voz. E como, inclusive, a envergonhava na frente de outras pessoas. O tempo inteiro ela tinha que agir com cautela, tentando lidar com uma situação com a qual não teve outra escolha senão se acostumar... até ter a oportunidade de escapar daquilo pelo casamento. Tudo isso é mostrado de forma mais implícita, como eu disse, mas está ali para o leitor perceber. 

A relação entre Catherine e Henry é bem fofa, mas até nisso a autora teve que ser única.rsrs Só lendo para vocês entenderem. Gostei demais dos dois juntos e torci muito por seu final feliz. 

A história de alguns personagens não "fechou" como eu gostaria, mas a autora fez de propósito para que nossa imaginação fizesse sua parte. E como não falar da paixão da protagonista pelos livros???? É tão maravilhoso encontrar um personagem que seja leitor! Infelizmente, não aprecio o mesmo gênero literário que ela, mas só o fato de ela ser leitora já me deixou com um sorriso no rosto. E era bem divertido ler sobre as loucuras que a mente dela aprontava influenciada pelos livros lidos.kkkkkk... Ela é bem doidinha!

Enfim... É isto, queridos! Sei que esta resenha não é digna da história, mas fico feliz por passar pelo menos um pouquinho do meu amor pelo livro. Espero que tenham gostado! :)


-> DLL 20: Um livro lançado antes de 2016



5 de setembro de 2020

Livros lidos e não resenhados (julho/agosto de 2020)

Olá, queridos!

Às vezes acontece de eu ler um livro e, por um motivo ou outro, não conseguir fazer a resenha. Felizmente, isso aconteceu muito pouco ao longo dos mais de dez anos do blog. Mas 2020 está sendo atípico. Um ano digno de ser considerado um pesadelo. E claro que isso afetou as minhas leituras. Existem momentos nos quais não sinto vontade de ler, passo dias sem tocar em livro algum (lembrando que a leitura é minha maior paixão) ou não sinto vontade de fazer resenhas. E tudo bem. Porque ler e/ou resenhar não é para ser uma obrigação, mas sim um prazer. 

Todavia, não é só por isso que alguns livros não serão resenhados de agora em diante. Toda vez que eu não fizer a resenha de alguma história que tiver lido, irei explicar os respectivos motivos. 


Literatura norte-americana
Título Original: The good daughter
Tradutor: Zé Oliboni
Editora: HarperCollins
Edição de: 2018
Páginas: 464

40ª leitura de 2020 

Sinopse: Charlotte e Samantha eram apenas adolescentes quando invadiram sua casa em Pikeville à procura de seu pai Rusty, um advogado de defesa odiado por algumas pessoas da cidade que o viam como "a mão direita do Satanás" por defender todo tipo de criminosos.

Ele estava no fórum quando dois homens descontaram seu ódio na família - matando sua esposa, atirando na cabeça de Samantha, deixando-a à beira da morte, e aterrorizando Charlotte.

Afetadas pelo trauma, as irmãs precisam se reencontrar após um crime hediondo em uma escola. Charlotte é a primeira a chegar ao local do crime e revive a violência de seu próprio passado. Após tantos anos de segredos e silêncio, a família é obrigada a lidar com o caso em uma história de intrigas e reviravoltas que mostra que nem tudo é o que parece.




A Boa Filha foi minha penúltima leitura de julho e a 40ª do ano. Um livro que li numa leitura coletiva e amei cada momento (menos o final da história). É um livro que nos envolve desde o prólogo, quando sofremos um choque muito grande com a violência presente nas cenas, a crueldade enorme de que Samantha, Charlotte e a mãe delas são vítimas. É um início que nos rouba o fôlego e viramos as páginas com ansiedade, desejando saber tudo o que ocorreu depois, como conseguiram superar e seguir em frente. 

Eu tinha que terminar a leitura do livro Para Sempre para um desafio e terminei de ler os dois quase ao mesmo tempo, dando prioridade para a resenha da outra história, o que acabou prejudicando esta, vez que o mês de julho terminou sem que eu tivesse conseguido começar a resenha de A Boa Filha. Assim, ao iniciar as leituras de agosto já não havia tempo para me dedicar como sempre me dedico na hora de escrever sobre um livro. Vários dias já tinham se passado. :(

Esta não é uma leitura fácil, mas depois de Flores Partidas (outra história da mesma autora), eu já estava preparada para tudo. Acho que nenhum livro conseguiria ser mais pesado que aquele. 

Durante a leitura coletiva foram realizados dois debates e ambos foram maravilhosos! Como vocês já sabem, amo ler em conjunto, pois é possível conversar e desabafar sem medo de estragar a leitura de ninguém com spoilers.rsrs

É um livro que recomendo muito, mas para quem já conhece os livros da autora ou está acostumado a ler livros fortes. 




Literatura Irlandesa 
Título Original: The picture of Dorian Gray 
Tradutor: Jorio Dauster
Editora: Folha de São Paulo
Edição de: 2016
Páginas: 176
43ª leitura de 2020

Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura #6

Sinopse: Escrito em 1890, este romance de Oscar Wilde talvez seja até mais atual do que em seu lançamento. O culto à aparência física e à eterna juventude deixou de ocupar apenas alguns estetas e aristocratas, como ocorria no fim do século XIX, para se transformar em fenômeno de massa. 

No esplendor da juventude, Dorian Gray posa para um quadro, e lamenta que, com o passar dos anos, perderá a beleza ali retratada. Ou será que não? Um pacto diabólico está em curso. 




Este é um livro que resolvi não resenhar por um simples motivo: já tem resenha dele no blog. Sim. Porque o li pela primeira vez em 2018 e vocês podem ter acesso à resenha clicando aqui

Na época, eu jurei que nunca iria reler esta história. Que nunca mais permitiria que o livro me causasse todo aquele tormento, aquele desgaste emocional tão grande. Lendo a resenha vocês poderão entender um pouco do que estou falando. O Retrato de Dorian Gray é um livro completamente digno de 5 estrelas, mas é uma história que tem como personagens principais dois homens podres, cruéis. Que sentem prazer na maldade. É uma história que faz com que nos sintamos mal. Pelo menos, foi assim que me senti da primeira vez que li. E o sentimento permaneceu na releitura. 

Mas por que decidi reler? Porque, através do projeto de leitura coletiva da Mell do canal Literature-se, eu fiquei sabendo que a versão que li em 2018 é a autocensurada pelo próprio autor e contendo 7 capítulos a mais que a versão original. Isso acontece porque este livro do Oscar Wilde causou muitos problemas ao autor em sua época. O livro sofreu censura pelo próprio editor dele, pelo que entendi, e mesmo assim recebeu duras críticas. O autor, então, autocensurou o próprio texto e acrescentou mais sete capítulos. Todavia, de nada adiantou. O livro chegou a ser usado como prova contra o autor, que foi condenado a dois anos de prisão e trabalhos forçados por ter tido relações com rapazes, ou seja, por ser homossexual. Isso era considerado crime. E o livro foi usado como prova contra o autor! Sim! Inacreditável!

Este foi meu motivo para reler. Já que eu tinha lido a versão censurada e contendo 20 capítulos, quis ler a versão original, sem censura e com seus 13 capítulos. Confesso que não notei grandes diferenças. Cheguei a comparar em vários momentos as duas versões, mas as diferenças são mínimas, pelo que pude perceber. A maior diferença é que uma versão tem 20 capítulos e a outra tem 13. 

Como eu disse, meus sentimentos pela história permanecem os mesmos. Sigo detestando profundamente o Dorian. Sigo sentindo asco do Henry. Eles são ainda mais cruéis do que eu me lembrava!


Literatura Brasileira
Editora: Companhia das Letras
Edição de: 2009
Páginas: 280

48ª leitura de 2020 

Sinopse: Clássico absoluto dos livros sobre a infância abandonada, Capitães da Areia assombrou e encantou gerações de leitores e permanece hoje tão atual quanto na época em que foi escrito. A história crua, comovente, dos meninos que moram num trapiche abandonado e vivem de pequenos furtos e golpes causou impacto desde o lançamento, em 1937, quando a polícia do Estado Novo apreendeu e queimou inúmeros exemplares do livro. Longe de manifestar piedade por suas pequenas criaturas, Jorge Amado as retrata como seres dotados de energia, inteligência e vontade, ainda que cerceados pelas condições sociais hostis em que estão inseridos. Com sua prosa repleta de verve e humor, o escritor baiano nos torna íntimos de cada um desses personagens e nos contagia com sua obstinada gana de viver. 




Eu demorei a publicar este post (pretendia publicá-lo no dia 31 de agosto) porque passei todos estes dias sem decidir se iria ou não fazer a resenha de Capitães da Areia, um livro que bagunçou minhas emoções, me provocou uma angústia enorme e se tornou um dos meus preferidos da vida. 

Acontece que não consegui, simplesmente não consegui escrever a resenha. Não sou capaz de falar sobre este livro, de expressar sequer um terço de tudo o que sinto, de como ele se cravou profundamente em meu coração.

Como falar dessas crianças abandonadas, morando nas ruas e sobrevivendo de furtos para ter o que comer e o mínimo para vestir (muitas vezes vestindo farrapos)? Como expressar a dor que me consumiu ao conhecer a história de cada uma delas, sem poder fazer nada para salvá-las, para tirá-las daquelas condições antes que fosse tarde demais?!! Eu ficava "sufocada" durante a leitura, imaginando o terror que era viver daquela maneira, sendo desprezadas pela sociedade e pelo Estado que eram os verdadeiros culpados por elas estarem ali, naquelas condições miseráveis. Um Estado que "lavava as mãos" e empurrava aquelas crianças e adolescentes para um destino aparentemente sem volta. Uma sociedade hipócrita que queria torná-las invisíveis. Eu senti tanta raiva, tanta revolta! E muito desespero. 

"No reino do céu seriam iguais. Mas já tinham sido desiguais na terra, a balança pendia sempre para um lado."

A maneira como essa crianças eram tratadas me fazia desejar entrar no livro e espancar aqueles seres que não mereciam ser considerados humanos! Até mesmo quando tentavam vender algumas coisinhas ou fazer desenhos para conseguir algum dinheiro para comer, as crianças eram humilhadas e agredidas! Como não se revoltar?! Como não alimentar o ódio no coração se por todos os lados tentavam impedi-las de sobreviver?! 

Não desprezei nem julguei nenhuma daquelas crianças e adolescentes, pois eram o que o Estado as tornou, o que os privilegiados poderiam ter evitado, mas nada fizeram, pois pensavam apenas no próprio umbigo. E eu me pergunto: o que mudou? Hoje em dia temos o Estatuto da Criança e do Adolescente, a proteção integral da infância, algo que não existia quando Capitães da Areia foi escrito. Todavia, realmente mudou alguma coisa? Nenhuma criança está desamparada pelas ruas, tendo sua infância arrancada e um destino de sofrimento? Eu reconheço a importância enorme do ECA, ele representou um marco, um reconhecimento verdadeiro dos direitos humanos das crianças e adolescentes, mas muita coisa ainda precisa ser feita. Capitães da Areia segue sendo um livro muito atual. Existem muitas crianças desamparadas ainda nos dias atuais, existem muitas infâncias sendo perdidas, das mais diferentes formas. 

Este foi um livro lido para o Clube de Leitura - Clássicos da Literatura Nacional criado pela Kelly, do canal Aventuras na Leitura. Para saber como participar basta clicar AQUI. Agora em setembro leremos Vidas Secas, do Graciliano Ramos. 



30 de agosto de 2020

A Panqueca Fugitiva, o Resmungão e outros contos nórdicos


Adaptação de Augusto Pessôa 
Editora: Rocco
Edição de: 2015
Páginas: 96

47ª leitura de 2020 (45ª resenha do ano)

Sinopse: Os contos nórdicos são hstórias compartilhadas pelos povos germânicos que habitaram a Escandinávia, sobretudo a Islândia. Uma cultura transmitida oralmente, como toda cultura popular, de geração para geração. Essas narrativas chegaram até nós por meio de textos medievais escritos durante e após o processo cristianização da região. E, como acontece com toda cultura popular, são textos vivos, em permanente transformação, de acordo com as necessidades de cada sociedade. 

Com humor e perspicácia, Augusto Pessôa pesquisou e adaptou oito contos nórdicos, carregados de simbolismo e arquétipos que os tornam universais. 




Por estar lendo um livro que tem me provocado muita angústia (Capitães da Areia, do Jorge Amado), eu não consegui começar a ler o livro planejado para um dos temas deste mês do Desafio Literário Livreando 2020. Então, escolhi esta pequena coletânea de contos nórdicos bem no último momento, por acreditar que era algo leve, que leria rapidinho e que traria um certo alívio em meio a uma leitura que é densa e está acabando com o meu emocional.rs

E este livro é realmente muito leve, trazendo histórias simples e encantadoras, bem o que eu precisava para aquecer um pouco meu coração. 

Aqui temos oito contos, cada um mais envolvente que o outro. No primeiro, A boa mulher, conhecemos a história de um casal que vivia numa fazenda distante e que economizava para quando tivesse filhos. Eles eram muito felizes e em tudo a esposa era bondosa com o marido. Um dia, o marido resolveu vender uma das vacas e caminhou um longo tempo atrás de alguém que aceitasse comprá-la, mas não teve êxito, ninguém queria pagar pela vaca. Ao retornar, encontrou um homem com um cavalo e sugeriu uma troca, o que foi aceito. Então, ele seguiu adiante com o cavalo e a vaca passou a pertencer ao outro. Todavia, ao longo do caminho outras trocas de animais são feitas até o desfecho da história, que eu achei incrível. Gostei bastante deste conto. 

O segundo, Os sete potros, é ainda melhor que o primeiro. Nele temos um casal muito pobre que criara três filhos com bastante dificuldades. Um dia, o mais velho decide que vai sair pelo mundo em busca do próprio destino, mas não é bem-sucedido, pelo contrário, retorna ferido e disposto a nunca mais colocar os pés para fora de casa. O segundo resolve tentar a sorte e acaba encontrando os mesmos problemas que o irmão. Então, o caçula decide buscar emprego no mesmo local que seus irmãos e passar no desafio que eles não conseguiram. Os dois zombam, acreditando que ele também voltaria traumatizado. Simplesmente amei este conto! O segredo estava em fazer as coisas da maneira correta, sem enganar alguém que depositara a confiança em você. 

Não irei falar de todos os contos para não acabar tirando a graça de quem vai ler.rsrs O conto A raposa e o urso, por exemplo, dispensa comentários. Sabemos que as raposas, em todas as histórias, são sempre muito espertas e neste conto aqui não é diferente. 

O quarto conto é muito divertido e um dos meus preferidos. Florisbela e Bela Flor traz a história de uma rainha que queria muito ser mãe e suspirava de tristeza por não ter filhos. Até que a mulher do jardineiro lhe entregou uma semente, que ela deveria plantar seguindo várias instruções e uma delas era regar apenas com a mão direita, caso contrário ela iria acabar se arrependendo. Mas a rainha se esqueceu dessa regra e regou tanto com a mão direita quanto com a esquerda. Surgiu uma árvore e, tempos depois, da árvore nasceram duas meninas, uma linda e adorável e a outra desgrenhada e rebelde. A adorável ela chamou de Bela Flor e a rebelde de Florisbela. É um conto que nos surpreende, pois não imaginamos como a história iria se desenrolar e eu amei o que aconteceu! 

O conto O Resmungão traz uma história hilária e tão envolvente quanto as outras, até mais na verdade. Nele temos cinco mulheres que queriam muito ter filhos e um dia encontraram um ovo enorme, do tamanho de um homem. Cada uma quis o ovo para si e brigaram até decidir que todas ficariam com ele. E se revezavam para chocá-lo.rs Até que num determinado dia saiu uma voz de dentro do ovo, pedindo comida. A mulher terminou de abrir o ovo e dele saiu uma "criança".... Bem, não exatamente uma criança, mas um homem com rosto de menino. As mães fizeram de tudo para alimentá-lo, mas o "menino" nunca estava satisfeito, estava sempre pedindo mais comida e elas não tinham condições de sustentá-lo. Então, o mandaram embora. E o homem-menino foi. Não digo mais nada, pois vale a pena conhecer o final por conta própria.rs

Não existe nenhum conto neste livro do qual eu não tenha gostado, o que me surpreendeu, porque é raro apreciarmos todos os contos presentes numa coletânea. São ótimos para serem lidos em qualquer idade, pois divertem e encantam. Eu me senti bem mais leve, tranquila, depois de lê-los. Foi realmente uma ótima escolha! 


-> DLL 20: Um livro de sua cor preferida (minha cor preferida é azul)


 

28 de agosto de 2020

O Curioso Caso de Benjamin Button - F. Scott Fitzgerald


Literatura norte-americana
Título Original: The curious case of Benjamin Button
Tradutor: Rodrigo Breunig
Editora: Folha de São Paulo
Edição de: 2016
Páginas: 56
46ª leitura de 2020 (44ª resenha do ano)

Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura #2

Sinopse: Nascer, crescer, envelhecer e morrer são etapas de todo destino e só a ficção permite imaginar outros rumos. F. Scott Fitzgerald (1896-1940) fantasiou a inversão da seta do tempo em O curioso caso de Benjamin Button, a saga de um homem que nasce velho e morre bebê. O autor conquistou fama aos 23 anos com um romance sobre a ascensão de um jovem, como ele, impaciente para conquistar o mundo. Logo encontrou mais de um estímulo para assumir o papel de ícone de uma era, os anos 1920, louca, impulsiva e acelerada. Uma nota em seu diário diz: "A felicidade depende do bom desempenho das funções naturais, exceto uma - envelhecer". Sua morte, aos 44 anos, exemplica o lema "viva rápido, morra jovem", um modo até hoje eficaz de alcançar a imortalidade. O curioso caso de Benjamin Button, publicado em 1922, combina fantasia e realismo para anunciar a busca por rejuvenescimento que convertemos em obsessão. Não falta, porém, melancolia a esta fábula que inverte a cronologia para concluir que no fim das contas tanto faz ganhar ou perder. 



Já tinha ouvido falar tanto desta história que sentia imensa vontade de lê-la, mas nunca encontrava a oportunidade. Ouvi falar bastante do filme também, embora nunca tenha assistido. E realmente é um livro "curioso", interessante. 

Nele temos a história de Benjamin Button, uma "criança" nascida no ano de 1860, quando ainda era comum que o parto ocorresse em casa. Todavia, seus pais decidiram que o primeiro filho deles nasceria num hospital. Ambos estavam muito ansiosos, loucos para que o grande dia chegasse, mas também sentiam medo, principalmente o futuro pai, que já criava grandes expectativas em relação ao futuro do filho. 

Só que nada aconteceu como desejavam. Ao chegar ao hospital, o senhor Roger Button foi recebido com desprezo, como se tivesse cometido algum pecado muito grande. Não entendia o comportamento dos médicos ou das enfermeiras, mas a angústia o invadia, pois algo certamente acontecera... alguma coisa relacionada ao nascimento do seu bebê. Desesperado, ele exigiu ver o filho e logo foi atendido, se deparando com o que só poderia considerar um pesadelo. 

Em vez de um bebê, o que encontrou quase totalmente para fora do berço foi um velho bastante acabado, aparentemente no final da vida, que de modo algum poderia ser visto como um recém-nascido. Porém, para sua completa incredulidade, a enfermeira insistia que aquele idoso era o seu bebê e, depois de alguns minutos de tormento, ele não teve outra alternativa senão aceitar a realidade. Seu filho nascera com todas as características de um velho de 70 anos. Tudo nele estava de acordo com a aparente idade, mas era o seu bebê. Por algum estranho erro do destino. 

E a história gira em torno deste acontecimento bizarro, com várias cenas cômicas e completamenete surreais. O pai do Benjamin condiciona a própria mente a negar a realidade e enxergar o filho como um bebê, mesmo que ele claramente não fosse. Tenta vesti-lo como bebê, compra brinquedos de acordo com a idade que ele deveria ter... Poucos anos mais tarde o coloca no jardim de infância... Enfim... Ele estava perturbado e segue assim pelo resto da vida. 

O mais interessante nesta história curtinha é o processo inverso de crescimento do protagonista. Em vez de crescer como qualquer criança, nascendo bebê e ir amadurecendo até atingir a velhice, o Benjamin começa do avesso. Ele nasce idoso e com o passar dos anos vai se tornando jovem, decrescendo. Quanto mais o tempo passa mais jovem ele fica, o que acabará por também se tornar um problema a longo prazo. 

Eu gostei da história, é divertida em alguns momentos e em outros até nos faz refletir sobre juventude, velhice e relações familiares. Confesso que o final me deixou triste, que mesmo que já esperasse por aquilo me entristeceu a forma como aconteceu. 

Foi minha primeira experiência com uma obra do autor e um bom início. Fiquei interessada em ler mais coisas dele. 
 

-> DLL 20: Um livro de autor ainda não lido


27 de agosto de 2020

Segredos - Ben 10 - Livro de História

 


Literatura Infantojuvenil
Título Original: Ben 10 The Alliance and Secrets
Tradutora: Sharon Antoniazzi
Editora: Fundamento
Edição de: 2011
Páginas: 52

45ª leitura de 2020 (43ª resenha do ano)

Sinopse: Chegou a hora da verdade para o Ben. O nosso herói finalmente vai enfrentar o poderoso Vilgax!

Após várias tentativas frustradas de roubar o Omnitrix, o vilão Vilgax resolveu vir até a Terra e está disposto a tudo para ficar com o "relógio" que guarda o DNA de dez heróis alienígenas megairados! É claro que isso vai terminar em briga - e o garoto conta com um aliado de peso nessa batalha contra o mal: o Vô Max. Isso aí! Parece que o avô do Ben não é apenas um simpático ex-encanador. Ele esconde alguns segredos de arrepiar! Será que os dois conseguirão impedir Vilgax de realizar seu plano de dominar o universo?



Na hora de escolher um livro com super-herói para o Desafio Literário Livreando 2020, pensei em ler a história da Mulher-Maravilha, heroína da qual gosto muito. Só que o livro era mais denso e eu queria uma história mais leve e rápida, o que me fez imediatamente lembrar do Ben 10, um menino herói de um desenho animado que eu assistia vários anos atrás (creio que no Sbt) e gostava muito. Sim! Sempre amei desenhos animados, embora faça muitos anos que não consiga acompanhar nenhum. :( Uma das muitas consequências da vida adulta.rs

Com este livro pude finalmente matar um pouco da saudade que sentia dos personagens e mergulhar numa intensa aventura contra o poderoso Vilgax, um vilão alienígena que vai causar muitos transtornos ao Ben e a população da Terra. 

Ben Tennyson era apenas um menino normal de dez anos de idade... até encontrar o Omnitrix, uma incrível arma contra o mal em forma de relógio de pulso. Tal "relógio" guarda em seu interior o DNA de 10 heróis alienígenas e quando acionado faz com que o menino se transforme em um deles, assuma sua forma e seus poderes. Assim, além de se divertir muito com tudo o que pode fazer com esse dispositivo e usá-lo para atormentar sua prima Gwen (risos), Ben também luta diariamente contra o mal, seja contra um vilão com super poderes ou criminosos comuns. Onde seja necessário, ele estará para defender a Terra e seu povo. Claro que ele também precisa estudar, fazer as tarefas de casa e brincar como qualquer criança. Bem como tirar férias com seu avô Max e a Gwen. 

E estamos justamente num período de férias quando o livro Segredos tem início. Ben vem tendo sonhos muito esquisitos (que podem perfeitamente serem considerados pesadelos), com um alienígena desconhecido que ameaça sua vida e jura que irá atrás dele. Nada com o que se preocupar, se não houvesse nenhuma chance do pesadelo virar realidade...

Acontece que o vilão dos seus pesadelos é o perigoso Vilgax, um alienígena muito poderoso que fará o que for preciso para colocar as mãos no Omnitrix e assumir o controle dos dez alienígenas ali guardados. Ele sonha em formar um exército, no qual tais heróis se tornarão vilões e destruirão a Terra. Cabe ao Ben, juntamente com seu avô e sua prima, tentar impedi-lo. 

É um livro que nos proporciona uma leitura bem rápida, cheia de ação e divertimento. Sempre me pego sorrindo com as piadas do Ben e a maneira como ao assumir a forma de cada um dos dez heróis, ele trata tudo como uma grande brincadeira. 

Neste livro, ele não agirá sozinho. Precisará muito da ajuda do seu avô Max, pois Vilgax é muito mais poderoso do que ele sequer poderia imaginar e seu avô esconde certos segredos sobre um misterioso encontro com este vilão no passado. Será que seu avô não é exatamente o que os netos sempre pensaram? Terá ele algum super poder? Que segredos será que ele esconde?!

Eu apreciei muitíssimo a leitura, estava com saudade de ler algo tão leve e fofinho e agora estou com uma vontade enorme de voltar a assistir a série! Meus planos para hoje! :)


-> DLL 20: Um livro de super-herói

26 de agosto de 2020

O Chalé de Moorland - Elizabeth Gaskell



 Literatura Inglesa
 Título Original: The Moorland Cottage
 Tradutora: Andrea Carvalho
 Editora: Pedrazul
 Edição de: 2016
 Páginas: 105
 
 44ª leitura de 2020 (42ª resenha do ano)
 
Sinopse: Ambientado nas charnecas inglesas, O Chalé de Moorland é a história dos pobres irmãos, Maggie e Edward Browne, e de Frank Buxton, um rico herdeiro de Combehurst. A gentil Maggie é devotada a Edward e o trata com todo amor, mas ele é arrogante e egoísta. Um romance comovente e encantador que vai emocionar o leitor. 




Desde que li Norte e Sul, eu me apaixonei pela escrita da Elizabeth Gaskell, me tornei fã incondicional de seu trabalho, pois ao escrever um romance social como aquele, ela deu voz a diversos trabalhadores e suas famílias, que laboravam em situações precárias, muitas vezes ficando tão seriamente doentes que tinham sua vida abreviada. Pessoas desesperadas para sustentar suas famílias, que tinham que assistir em agonia enquanto seus filhos choravam de fome, pois o "salário" não era suficiente nem para o mínimo. Por todas as emoções que aquele livro me provocou, eu não demorei a adquirir Mary Barton, romance que aparentemente segue a mesma essência de Norte e Sul

Eu cheguei a ler as primeiras páginas de Mary Barton, mas elas me causaram um impacto tão grande, uma emoção tão forte que decidi adiar a leitura para um momento mais tranquilo, quando eu poderia me dedicar por inteiro ao livro, que promete se tornar um dos meus preferidos da vida. 

Só que eu sentia uma falta tão grande da escrita da autora, de sua humanidade ao construir os personagens e suas histórias, que decidi ler O Chalé de Moorland, livro do qual eu ainda não tinha ouvido falar, mas cuja capa (sim, a capa!kkkk) me atraiu. Não posso dizer que é uma surpresa ter gostado tanto da história, pois já confio muito nas obras da autora e já imaginava que iria amar.rs

A história é bem simples, mas muito envolvente. Em suas poucas páginas, conhecemos a história da Maggie desde a sua infância ao lado de uma mãe que parecia incapaz de amá-la e um irmão mimado e egoísta, que sempre a tratava como escrava. Naquela casa, a única pessoa que se importava com ela era Nancy, a empregada que se dedicava à menina como se fosse sua filha e não compreendia como sua própria família a tratava tão mal. O pai de Maggie faleceu quando ela ainda era muito nova e com ele se foi todo afeto que a menina recebeu de um parente. 

Embora entristecesse profundamente o seu coração não ser amada pela mãe e vê-la dedicar todo carinho ao Edward, irmão de Maggie, ela tentava não permitir que a tristeza a impedisse de reconhecer as coisas belas da vida, como a natureza, o cantar de um pássaro, qualquer coisa que lhe desse prazer, ainda que em muitos momentos a mãe tentasse arrancar até mesmo isso dela. 

Um dia, aparece na casa de sua família um certo Sr. Buxton, grande amigo de seu falecido pai, disposto a zelar pelo futuro de Edward, a quem ele pretendia ajudar a obter um bom lugar no mundo, com ótimos estudos e apoio financeiro. Ao chegar enquanto a menina trabalhava para deixar os utensílios domésticos brilhando, o sr. Buxton acaba se encantando pelo seu jeito doce e decide fazer com que ela se torne amiga de sua sobrinha órfã, de quem ele era tutor. Assim, mesmo contra a verdadeira vontade da mãe de Maggie (que não podia se negar abertamente), a menina passa a frequentar a casa daquele senhor, se tornando grande amiga de Erminia e recebendo um afeto inesperado da esposa daquele senhor, quem ensina ao longo dos anos tudo o que ela precisaria saber para não se deixar manipular pelos interesses dos outros e fazer sempre o que fosse correto, mesmo que os outros a empurrassem para o que fosse errado. 

Mas... Não é só Erminia e a Sra. Buxton que Maggie conhece naquela casa. Ali também vivia Frank, único filho do casal, que primeiro se tornaria seu amigo e defensor e, não muito tempo mais tarde, o amor da sua vida. O homem em cujo amor ela acreditaria contra tudo e todos e que lhe daria forças para suportar todos os sofrimentos que sua família insistiria em lhe provocar ao longo da vida. 

"De hoje em diante, disse ele, tenho o direito de carregar seus fardos."

Sabe aquela história que te provoca um quentinho no coração? O Chalé de Moorland nos causa revolta em alguns momentos, raiva da mãe da Maggie, até mesmo ódio do Edward e de um outro personagem do qual não posso falar para não dar spoiler. Todavia, a Maggie é tão incrível, é uma personagem aparentemente frágil e incapaz de resistir aos desejos dos outros, mas que nos momentos mais importantes mostra uma força impressionante, que surpreende até mesmo aqueles acostumados a vê-la como serva, como escrava e não como um membro da família, não como filha ou irmã. Eu me apaixonei por esta protagonista, por sua bondade e determinação, por sua fé inabalável em Deus e no homem a quem ela amava. Por seu amor pela vida e por não se deixar destruir nem mesmo quando tudo parecia perdido. Eu queria ter nem que fosse metade da força desta personagem!

Nesta obra, a autora mais uma vez aborda o lado "ruim" das relações humanas. Em Norte e Sul vemos isso entre trabalhadores e seus patrões. Aqui vemos dentro do próprio lar da protagonista. A autora mostra o lado nocivo de uma família, o quanto as pessoas que mais deveriam nos proteger e amar podem ser justamente aquelas que mais danos causarão. Como não permitir que tais pessoas nos afetem, quando os laços familiares nos prendem à elas? E como pode uma mãe e um irmão usar e machucar com tanta intenção e egoísmo?! Existiram cenas nas quais a mãe da Maggie deliberadamente tentava fazê-la ficar tristeza, roubar seus sorrisos, sua alegria. É duro ler sobre tais momentos. A vontade que eu sentia era de entrar no livro e agredir aquela mulher!

E o romance entre Maggie e Frank? Embora seja lindo, tudo o que ela precisava para se libertar da família destrutiva, não é o foco do livro. A história é curtinha, pode ser considerada uma novela, e trata muito mais da Maggie, da vida dela, do que do romance entre os dois. Mesmo assim, eu amei essa relação! Frank é um personagem maravilhoso também, ainda que não tenha recebido o mesmo destaque que a protagonista. 

"Eu não estou com medo; Deus estará conosco, se vivermos ou se morrermos!"

O capítulo final me deixou com o coração acelerado e foi o que me fez dar ao livro definitivamene 5 estrelas. Que capítulo angustiante!!! Triste e lindo. Doloroso e mágico. Eu não sabia se sorria ou chorava. Alguns momentos eram dignos de sorrisos de alívio e alegria, e outros eram dignos de lágrimas. 

Se recomendo o livro?! É claro que sim!!! Sinto imensa vontade de ler tudo o que a Elizabeth Gaskell escreveu! Vai ser um dos meus projetos! 



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6 de agosto de 2020

Fábulas Chinesas (Vários autores)


                                       

Literatura Chinesa
Organização e tradução: Sérgio Capparelli e Márcia Schmaltz
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2012
Páginas: 67

42ª leitura de 2020 (41ª resenha do ano)

Sinopse: O fabuloso mundo das fábulas

A fábula é um dos tesouros dos primórdios da humanidade. Gênero literário popular, tem origem em histórias transmitidas oralmente, de geração a geração – até que um ou mais escritores decidem registrá-las e dar-lhes uma forma definitiva. O presente livro reúne fábulas de diversos períodos da civilização chinesa – as mais antigas datando de antes da Era Cristã. São histórias de vários estilos, registradas por diversos autores que eram também poetas, mandarins, historiadores, sábios em geral, nas quais se evidenciam traços da cultura da China e uma sabedoria popular milenar. Para ilustrar esse mundo fabuloso, foi escolhida a arte do papel recortado, ou jianzhi. Muito comum na China e datando de dois mil anos atrás, esse tipo de ilustração tem, como a fábula, raízes na arte popular. Consiste em papel fino, geralmente de seda e de uma só cor, no qual, com muito esmero, são feitos pequenos e delicados recortes com tesoura, criando, assim, imagens que no mais das vezes representam cenas cotidianas ou animais.



Quanto tempo fazia que eu não lia uma fábula???!!! A verdade é que eu não sei.rs Acredito que a última vez foi ainda no colégio, então faz bastante tempo mesmo! O bom é que através deste livro, Fábulas Chinesas, eu pude ler, num só dia, exatas 35 fábulas! 

Como o título já diz, o livro reúne fábulas de diversos autores chineses, muitas delas datando de antes de Cristo. São histórias bem curtas que no final acabam por nos provocar um sorriso e nos fazem refletir sobre a sabedoria contida na maioria delas. Algumas me fizeram ficar pensando por um longo tempo, imaginando como textos escritos tantos e tantos séculos atrás ainda conseguem ser tão atuais...

Não sei dizer de qual delas gostei mais. Mas vou falar brevemente das minhas preferidas...rs

O pássaro de nove cabeças traz a história de um pássaro (obviamente, Luna!kkkkk) que não conseguia se alimentar, pois suas nove cabeças ficavam brigando violentamente sempre que ele tentava comer. Elas não conseguiam compreender, como um pássaro marinho bem ressaltará depois, que não importava por qual das bocas o alimento entraria, pois a barriga era a mesma.

Em O macaco dourado que comia cérebro de tigre, temos um macaco muito esperto, que sabia exatamente o que fazer para conseguir o que desejava. Assim sendo, ele resolve fazer amizade com um tigre conhecido como um animal feroz. O tigre aceita docemente o amigo inesperado, mas não percebe que por trás de tudo aquilo existia um interesse monstruoso. É uma fábula que nos faz refletir sobre quem permitimos que fique ao nosso redor. Muitas vezes damos a nossa amizade para alguém que pretende nos destruir, nos apunhalar pelas costas. Que nos manipula até conseguir tirar tudo de nós. Sabemos que existem pessoas assim, tóxicas. 

O lobo de Zhongshan traz uma moral bem parecida com a da fábula acima. Nela temos um lobo que acaba sendo ferido e mesmo assim tenta fugir de seu agressor. No caminho, encontra um senhor muito bondoso e implora por sua ajuda. O velhinho não se importa com os riscos de ajudar um animal tão perigoso e decide escondê-lo. Mas... quando o lobo vê que a ameaça cessou, resolve se voltar contra aquele que salvou sua vida, decidindo que vai se alimentar dele. E não só isso! O lobo ainda diz para o senhor que pessoas tão ingênuas como ele tinham nascido justamente para serem devoradas. Não vou dizer como a historinha termina, mas aqui refletimos sobre as situações nas quais ajudamos alguém sem esperar algo em troca e aquela pessoa zomba da ajuda que prestamos e ainda tenta nos arruinar. Claro que a maioria das pessoas não é traiçoeira assim, mas temos sim que tomar cuidado para não acabarmos "devorados". 

Eu também apreciei muito a fábula A raposa e o tigre (as raposas são sempre espertas!rsrs) e o Gato vegetariano. Todas as que mencionei aqui são as minhas preferidas. Não seria possível falar de todas as 35 fábulas, por isso resolvi falar apenas destas. 

O livro é rapidinho de ler (não levei nem uma hora) e ótimo para um momento no qual queremos mergulhar em histórias leves, depois de termos lido algo pesado, que nos desgastou emocionalmente. 


-> DLL 20: Um livro de fábulas ou lendas


2 de agosto de 2020

Para Sempre - Kim e Krickitt Carpenter



Literatura norte-americana
Título Original: The vow
Tradutor: Ivar Panazzolo Júnior
Editora: Novo Conceito
Edição de: 2012
Páginas: 144

41ª leitura de 2020 (40ª resenha do ano) 

Sinopse: A vida que Kim e Krickitt Carpenter conheciam mudou completamente no dia 24 de novembro de 1993, dois meses após o seu casamento, quando a traseira do seu carro foi atingida por uma caminhonete que transitava em alta velocidade. Um ferimento sério na cabeça deixou Krickitt em coma por várias semanas. Quando finalmente despertou, parte da sua memória estava comprometida e ela não conseguia se lembrar de seu marido. Ela não fazia a menor ideia de quem ele era. Essencialmente, a "Krickitt" com quem Kim havia se casado morreu no acidente, e naquele momento ele precisava reconquistar a mulher que amava. Para sempre é uma história verdadeira sobre a reconstrução de um casamento depois de um evento traumático que poderia ter feito a maioria das outras pessoas desistir, mas que para eles foi a chance de um novo começo.




Quem olhando para esta capa não se lembra do filme?! A história da moça que ficou com amnésia após sofrer um acidente de carro e que não se lembrava mais que era casada conquistou milhares de fãs logo após seu lançamento. Um filme que eu assistia muito no passado. E que me encantava! Todo o amor do mocinho, seu sofrimento e sua dedicação em reconquistar aquela que tanto o tinha amado... E foi justamente por amar muito o filme que acabei adquirindo o livro, que contaria a história real de Kim e Krickitt Carpenter, que tiveram suas vidas profundamente modificadas após um sério acidente de carro. 

Eu tenho o livro desde 2012 e só agora em julho realizei a leitura.rsrs Não me perguntem os motivos para ter levado oito anos para ler a história, pois nem eu sei explicar!kkkkkk O importante é que finalmente li. 

Kim e Krickitt nunca imaginaram que se conheceriam, muito menos daquela maneira. Através de um telefonema. Para uma loja de produtos esportivos. Kim era técnico de beisebol de uma universidade e estava precisando de uma jaqueta nova, então telefonou para encomendá-la. Krickitt era atendente na referida loja e a conversa que tudo tinha de profissional acabou por encantá-lo. A voz dela... simplesmente mexeu com ele. A partir daquele momento ele sentiu uma necessidade de sempre ligar para a loja, com as mais estúpidas desculpas, só para poder ouvir sua voz... conversar com ela. 

Não demorou para que eles percebessem que aquela situação não poderia continuar. Estava na hora de trocarem os números de telefones pessoais e pararem de fingir que só queriam falar de produtos esportivos. As conversas foram se tornando mais íntimas, não desejavam desligar mesmo depois de horas conversando e o próximo passo seria conhecerem-se pessoalmente. 

Mesmo com a distância e as dificuldades para se verem, o relacionamento prosseguiu, tornando-se cada vez mai sério. Até que eles perceberam que precisavam se casar. Dar o passo que tanto desejavam, já que se amavam e acreditavam que Deus os tinha unido. E, no dia 18 de setembro de 1993, o casamento finalmente aconteceu, um dia que ficaria para sempre na memória de quase todos ali presentes, felizes por aquele casal tão jovem e tão apaixonado. 

29 de julho de 2020

O Eterno Marido - Fiódor Dostoiévski


Literatura Russa
Título Original: Vechnyj Muzh
Tradutora: Marina Guaspari
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2017
Páginas: 176

39ª leitura de 2020

Sinopse: Fiódor Dostoiévski foi um dos maiores romancistas da história, e seus mergulhos psicológicos na alma humana deixaram grandes marcas na literatura. Publicada em 1870, a novela O eterno marido é considerada uma de suas criações mais poderosas e perfeitas, com uma veia humorística mordaz e uma compreensão profunda do trágico e do cômico. Nela, o autor russo descreve o encontro quase surreal de um viúvo traído com o amante de sua esposa morta. Passando por temas como moralidade, amor erótico, tortura mental e neurose, a obra revela a genialidade de Dostoiévski.




Depois de ler Crime e Castigo (e ter me apaixonado pela história!) é claro que eu criei grandes expectativas em relação aos outros livros do autor. Talvez por isso não tenha apreciado tanto assim a história presente em O Eterno Marido

É um livro curtinho, de menos de 200 páginas. Trata-se na verdade de uma novela, e nos traz a história de dois homens que se conheceram no passado e que supostamente foram grandes amigos, mas não se veem há nove anos, tendo cortado por completo os laços, sem nenhuma explicação ou desentendimento. 

Alexei Ivanovitch é um homem perto dos seus 40 anos, que está atormentado por conta de um processo para receber determinada herança. Como é bastante ansioso, vive interferindo no trabalho de seu advogado, que já não o suporta mais, além de ir pessoalmente perturbar os funcionários da Justiça, atrapalhando o andamento do próprio processo com seu comportamento. 

Dado à melancolia, Alexei acredita que nada dá certo em sua vida, reclama do apartamento que teve que alugar durante o tempo necessário para acompanhar o tal processo e se envergonha muito de ter decaído. Antes era alguém importante, que fazia parte da alta sociedade, mas ao arruinar-se financeiramente (mais de uma vez) não podia mais frequentar os mesmos espaços, nem mesmo comer onde realmente desejaria, tendo que se contentar com uma vida menos luxuosa. Tudo isso contribui para provocar alterações no seu humor e na sua forma de encarar a vida, o que também considera ser culpa de sua "velhice" (pois por estar perto dos quarenta anos já se considera um idoso). 

"[...] deve haver no Além quem se preocupe com o meu estado moral e me mande estas malditas recordações, estas 'lágrimas de arrependimento'! Seja! Mas isso não adianta; é pura perda. [...] Que adiantam as recordações, se nem mais ou menos consigo emancipar-me de mim mesmo?"

Nas últimas semanas, ele mal conseguia dormir, sofrendo constantemente de insônia, e quando era possível dormir era comum ser atormentado por pesadelos. Como se não bastasse, havia uma inquietação que parecia não querer abandoná-lo. Do nada, se via lembrando de coisas do passado... de momentos nos quais tinha feito coisas que prejudicaram a vida de outras pessoas. E isso o irritava demais. Não sabia por que aquelas lembranças resolviam retornar agora. De que adiantavam? Não se arrependia. Se pudesse voltar no tempo faria tudo de novo, certo? Mesmo assim, a inquietação permanecia, tornando cada dia um inferno. 

Ele sentia que a real causa para toda aquela perturbação era o desconhecido. Sim, o homem que encontrara na rua mais de uma vez. Cinco, para ser mais preciso. Como se o estranho o estivesse perseguindo, como se o conhecesse e buscasse alguma coisa. Por mais que tentasse, Alexei não conseguia recordar se ele era alguém do seu passado, se havia algum motivo para estar atrás dele. 

"Dentre os vários pensamentos que lhe cruzavam a mente, um lhe causou sensação particularmente penosa: a quase certeza de que o homem de luto outrora o conhecera intimamente;"

O reconhecimento só acontece quando o estranho, no meio da madrugada, vai até o apartamento de Alexei. É aí que, ao ver-se cara a cara com o homem, ele lembra exatamente de quem se tratava. Pavel Pavlovitch, seu amigo do passado. O amigo que ele não via há nove anos... desde que parara de "dormir" com a esposa dele. 

Não entendia o que Pavel poderia querer com ele. O homem estava de luto, como a fita em seu chapéu evidenciava, e logo Alexei descobre que Natália, a esposa de Pavel (e sua ex-amante) falecera poucos meses antes. A notícia não lhe provoca nenhuma dor, pois há muito tempo não pensava mais em Natália. E tudo o que lhe preocupava era a possibilidade de Pavel ter descoberto a traição e ter ido ao seu encontro para se vingar... Seria possível? Depois de todos aqueles anos? 

Tudo se complica quando Alexei descobre que seu antigo amigo não estava na cidade sozinho. Que viera com uma filha pequena. Uma criança cuja idade levantava a possibilidade de ela ser... sua filha. 

Eu tenho que concordar com a sinopse do livro: o reencontro entre Alexei e Pavel é, no mínimo, surreal. A maneira como o marido traído se comporta nos faz pensar que ele estava completamente maluco, que a morte da esposa o fez perder por inteiro o juízo. Ao mesmo tempo, pensamos que ele está interpretando um papel, que existem motivos secretos para ter ido atrás do seu "amigo", que ele descobriu a traição e está planejando alguma vingança assustadora. E conforme prosseguimos na leitura mais desconfiados ficamos. Só esperando pelo "grande momento". 

"Você é um monstro e, em consequência, em você tudo tem de ser monstruoso: seus sonhos e suas esperanças."

De modo algum eu gostei dos personagens. Tanto Alexei quanto Pavel são duas pessoas detestáveis, que não nos provocam nenhum sentimento bom. Ambos eram capazes de fazer coisas horríveis, sem se importar com o outro, pensando apenas no que sentiam e desejavam. Ao longo da leitura e das descobertas que vai fazendo, Alexei aparentemente começa a se transformar, mas é algo que não vai se mostrar verdadeiro, para minha profunda irritação. Quanto ao Pavel, ele só me provocou ódio. Não havia desculpas para a maneira como ele tratava a pequena Lisa, a menina que o chamava de pai, que acreditava ser sua filha e não podia ser condenada pelos erros da mãe. 

A única personagem que me provocou carinho foi a Lisa. Vendo aquela criança tão aterrorizada e mesmo assim desejando estar ao lado do pai, eu senti uma revolta enorme. E o que acontece depois... Não posso contar para não dar spoilers, mas posso dizer que eu quis acabar com o Pavel. E não, falar da Lisa não é spoiler, pois tudo isso está basicamente no início do livro. A história em si trata da estranha relação que se estabelece entre Alexei e Pavel após o reencontro deles

Em resumo, é uma boa história, mas apenas isso. Vai abordar questões psicológicas como em Crime e Castigo, mas não da mesma maneira. Os protagonistas são confusos, com vários problemas interiores, vivendo um inferno dentro de suas mentes. Um inferno provocado por eles mesmos, claro. Mas eu não lamentei por nenhum dos dois. 

Há também um certo suspense e umas cenas um pouco assustadoras no livro, por conta do mistério envolvendo o reaparecimento repentino do Pavel na vida do Alexei. Assim como o ex-amante da mulher do outro, nós leitores não sabemos com certeza se o outro não descobriu a traição, se não terá aparecido atrás de vingança. E aí teremos todo o suspense e algumas cenas perturbadoras. 

Não é um livro que eu recomendaria para quem deseja conhecer o autor. Se eu tivesse começado por ele provavelmente não sentiria vontade de ler suas outras obras. Mas como meu primeiro contato com o autor foi através do maravilhoso Crime e Castigo, ainda pretendo sim continuar lendo suas outras histórias, mesmo não tendo me encantado por O Eterno Marido


-> DLL 20: Um livro de autor russo


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