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27 de abril de 2021

Quincas Borba - Machado de Assis




Literatura Brasileira
Editora: Nova Fronteira 
Edição de: 2016
Box Todos os Romances e Contos Consagrados de Machado de Assis
Volume 2: Memórias Póstumas de Brás Cubas / Quincas Borba / Dom Casmurro

10ª leitura de 2021 (11ª resenha do ano)

Sinopse: Os três romances deste volume são considerados as obras-primas de Machado de Assis e representariam a introdução do realismo no Brasil. Desde a dedicatória, que não é escrita pelo autor, mas por um narrador defunto, as Memórias póstumas de Brás Cubas já mostram claros traços de inovação: "Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias póstumas."




Apesar deste segundo volume conter três romances do autor, neste post trarei apenas a resenha de Quincas Borba, pois já fiz as resenhas de Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, livros lidos anteriormente. 

Como li Memórias póstumas de Brás Cubas cerca de três anos atrás, não vou me lembrar com detalhes da participação do Quincas Borba no referido livro. Lembro apenas que ele aparece na história e que sua jornada se encerra ali, o que me fez na época acreditar que o livro Quincas Borba se passaria antes da história do Brás Cubas, mas na verdade ambas as histórias acontecem mais ou menos no mesmo tempo e não há a necessidade de ler as duas para compreendê-las. Se o leitor quiser ler apenas este livro aqui não terá nenhuma dificuldade para entendê-lo por não ter lido o outro, vez que não se trata de uma continuação, são histórias independentes. 

Eu ainda não sei bem o que sinto por esta história. Dei 4 estrelas por reconhecer o quanto ela foi bem trabalhada pelo autor, que sempre consegue nos envolver em suas tramas e tornar qualquer história irresistível. Quanto mais eu lia mais queria ler, ainda que não estivesse suportando os personagens nem acompanhar o comportamento deles. Mas estou sendo repetitiva, pois vocês já sabem que não costumo simpatizar com os personagens do autor, ainda que ame suas histórias e seja um dos meus autores preferidos da vida. Ele tem a habilidade de criar personagens muito reais, que em sua maioria possuem defeitos que não conseguimos tolerar. É muito fácil odiá-los. Até agora o único livro do autor no qual gostei de mais de um personagem, que eu me lembre, foi Helena, que se tornou a minha história favorita dele. 

Em Quincas Borba, temos como protagonista não o personagem que dá título ao livro, mas sim o Rubião, grande amigo do Quincas, e aquele que vai desempenhar o papel de enfermeiro particular nos últimos tempos de vida do filósofo. 

Rubião era um professor e vinha de um lar humilde, não conhecendo outra realidade de vida. Ao se tornar amigo do Quincas Borba, um filósofo meio louco, mas muito rico, ele tinha a intenção de ter acesso à fortuna dele através de um casamento do amigo com sua irmã. Acontece que a moça falece antes que ele consiga realizar seu desejo e tudo o que lhe restava para tentar subir um pouco de vida, era seguir sendo um fiel cuidador do filósofo, na esperança de que quando o Quincas falecesse (ele estava muito doente) deixasse alguma coisa para ele, como gratidão por seus cuidados. 

E o amigo realmente falece em pouco tempo, deixando não apenas uma parte de sua fortuna como gratidão, mas sim a fortuna inteira. Rubião era o único herdeiro do Quincas e da noite para o dia se torna um homem muito rico. Dividido entre a felicidade e o choque, ele rapidamente faz todo o necessário para colocar as mãos em sua herança, tendo como única condição deixada pelo falecido, que ele cuidasse do cachorro que pertenceu ao amigo, e que levava o mesmo nome do filósofo. 

Um tanto desnorteado pela imensa boa sorte, Rubião sai de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, pretendendo fixar residência na corte, entre os ricos e privilegiados. Logo conhece Cristiano Palha e sua esposa Sofia, que se tornam seus grandes amigos e guias naquele mundo até então desconhecido. Deslumbrado por aquela nova vida, se torna presa fácil de interesseiros, que se aproximam para obterem uma parte do que ele possuía. Ingênuo demais para reconhecer quem de fato era seu amigo ou não, é muito gentil e mão aberta com todos, gastando bastante e permitindo que fizessem o que bem entendessem em sua casa, acreditando no carinho que diziam sentir por ele. 

E no meio de uma situação que qualquer leitor perceberia que não acabaria bem, Rubião ainda se apaixona por Sofia, a esposa de seu amigo e sócio nos negócios. Uma paixão avassaladora, que se torna tudo para ele, que o cega e confunde, e desequilibra por inteiro as suas emoções. Ainda que desejasse ser leal ao Palha, não conseguia evitar aquele sentimento que parecia dominá-lo. E o pior de tudo era não ser correspondido, vez que Sofia tinha planos para sua vida que não incluíam se relacionar amorosamente com um novo rico, que em nada a ajudaria a ascender socialmente. 

Qual a possibilidade de toda essa história terminar bem? Nenhuma.rs Mas o Machado de Assis é muito bom em nos surpreender....

Eu esperava um determinado final para este livro. Já dava como certo que sabia como tudo terminaria e foi um grande choque me deparar com um fim tão... inesperado. Não posso falar muito para não dar spoiler, mas digo que se você ainda não leu o livro e resolver dar uma chance sem antes procurar saber todos os spoilers, vai se surpreender bastante. E isso é bom. Eu, particularmente, gosto de ser surpreendida em minhas leituras. Exceto quando é um acontecimento final que não faria sentido, mas no caso deste livro foi um encerramento bastante lógico, embora eu não tenha chegado a cogitar que terminaria assim. 

Em nenhum momento gostei do Rubião, por mais que sentisse pena por ele estar tão cercado de gente falsa e interesseira. Ele confiava em pessoas que só queriam o seu dinheiro e não conseguia enxergar isso. No entanto, é um personagem que não me provocou empatia, por conta de seu caráter duvidoso. Ainda assim, reconheço que ele fez algumas coisas muito boas e não era um personagem de todo ruim. Os personagens que eu sim detestei profundamente foram o Palha e sua esposa Sofia. Eram duas pessoas que fariam qualquer coisa para conquistar um elevado status social, para terem poder. Palha é canalha, mas Sofia, a personagem que mais desprezei, é a frieza em forma de gente. 

O livro não se resume apenas à história do Rubião, mas possui outras histórias paralelas. É um livro cheio de camadas, que através da filosofia criada pelo Quincas Borba e passada para o Rubião, o tal do Humanitismo, faz uma baita crítica social, sempre cheia daquela ironia elegante do autor. A filosofia em si é bem confusa; defende que não há morte, que tudo acontece de acordo com equilíbrio no universo, que nunca devemos lamentar por quem perde e nem nos sentirmos culpados ao ganharmos, pois aquilo tinha que ser daquele jeito, e se alguém morre é para outra pessoa viver, mas que a pessoa que morreu não morreu de fato. É muito confuso.rs Mas uma coisa que pegamos dessa filosofia é o quanto ela é egoísta e nos faz lembrar daqueles que tudo fazem para serem vencedores, até mesmo pisar ou destruir os "perdedores". 

É como se essa filosofia humanitista defendesse que será vencedor o mais forte, o mais esperto, o que não se importa com os outros. E que o perdedor será o mais fraco, devorado pelos espertos. Que "o mundo é dos fortes". Que os fortes não precisam se sentir culpados por tudo o que conquistaram (muitas vezes sem merecer de fato), e que se existem pessoas desprivilegiadas é por serem fracas. Essa filosofia, criada pelo Quincas, é usada pelo autor para fazer uma importante e ferina crítica social ao pensamento vigente em sua época e que, na verdade, ainda é defendido hoje em dia por várias pessoas. 

"[...] o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
- Mas a opinião do exterminado?
- Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias."

O mais importante no livro, para mim, é essa filosofia, pois é através dela que tudo se desenrola, embora ela praticamente não volte a ser mencionada na história após a morte do Quincas. Mas em tudo o que se passou, tanto com o Rubião quanto com os personagens secundários, como Dona Tonica e o pai dela, bem como com a Maria Benedita e até com a própria e desprezível Sofia, é clara essa filosofia humanitista em ação. Tudo acontece de acordo com ela e é fácil para o leitor perceber isso. Achei incrível a forma como o autor desenvolveu sua crítica e os acontecimentos do livro. Foi brilhante!

Eu não sei se amo ou detesto este livro.kkkkkkk Mas recomendo muito! Vale a pena a leitura, vale a pena mergulhar no mundo destes personagens tão complexos e acompanhar como cada um terminará na história. 

Apesar de amar muito o autor, li este livro recentemente apenas por conta da leitura coletiva promovida pela Isa, do canal Ler Antes de Morrer, senão eu teria lido outros livros do autor antes deste. Eu amo leituras coletivas, pois me incentivam a ler livros que eu talvez demorasse muito para ler se não fosse em conjunto. 


Até breve, queridos! :)



28 de janeiro de 2021

Auto da Compadecida - Ariano Suassuna


Literatura Brasileira
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2014
Páginas: 192

1ª leitura de 2021 (1ª resenha do ano)

Sinopse: O "Auto da Compadecida" consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel. É uma peça teatral em forma de Auto em 3 atos, escrita em 1955 pelo autor paraibano Ariano Suassuna. Sendo um drama do Nordeste brasileiro, mescla elementos como a tradição da literatura de cordel, a comédia, traços do barroco católico brasileiro e, ainda, cultura popular e tradições religiosas. Apresenta na escrita traços de linguagem oral [demonstrando, na fala do personagem, sua classe social] e apresenta também regionalismos relativos ao Nordeste. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962, por Sábato Magaldi "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro".





*Sinopse acima retirada do Skoob, pois minha edição não vem com sinopse

 
Esta é a primeira leitura que consegui terminar neste mês que foi bastante complicado para mim. Felizmente, ler Auto da Compadecida foi uma excelente escolha para tentar melhorar meu humor, pois trata-se de um livro leve, que nos faz chorar de rir, principalmente no terceiro ato. 

Eu tinha tentado ler o livro na semana passada, mas foram dias bem agitados e fiquei com todas as leituras paradas. Voltei ao início no dia 26/01, não li no dia 27 e concluí hoje, mas é aquele tipo de história que dá para ler facilmente em um dia, caso a pessoa queira e possa dedicar algumas poucas horas exclusivamente a esta deliciosa história. 

A peça, escrita por Ariano Suassuna tendo como inspiração principalmente a literatura de cordel, que é parte importante da cultura do Nordeste, se passa basicamente num só dia (se eu não tiver me distraído e perdido a passagem do tempo) e tem como personagens principais o trapaceiro João Grilo e seu bom amigo inventor de histórias, Chicó.rsrs Todavia, existem outros personagens que, embora pareçam passageiros, vão ser essenciais para o desenrolar dos acontecimentos, como o padeiro e a mulher dele, por exemplo. 

Tudo começa com a doença do cachorro, que a mulher do padeiro (conhecida por ser adúltera e trair o marido com todo mundo) criava como filho. A mulher acreditava que se o padre benzesse o bichinho, ele ficaria curado. Como o marido fazia todas as vontades da mulher, apoiou sua decisão e João Grilo, que era empregado dos dois, resolveu tratar da questão junto ao padre. Não que João Grilo amasse os patrões e quisesse ajudá-los... Longe disso! Na verdade, odiava os dois como a ninguém nesta vida, vez que quando esteve seriamente doente e suplicou por ajuda, não recebeu sequer um copo de água, enquanto a mulher do padeiro preparava as melhores refeições para o cachorro. Ele estava alimentando lentamente todo o rancor e não pretendia deixar de se vingar quando a oportunidade surgisse. 

O padre não aceita benzer o cachorro, pois aquilo era pecado e coisa e tal. Até que João Grilo, mentiroso como só ele sabia ser (risos) diz com toda a lábia que o cachorro era de um tal de Antônio Moraes, um homem importantíssimo na região. Logo, benzer o bichinho deixa de ser pecado e o padre fica ansioso por agradar o senhor Antônio. É assim que se desenvolve uma tremenda confusão que vai envolver sacristão, Bispo, frade e até cangaceiro! Sem mencionar os ilustres personagens Manuel (Jesus) e Compadecida (Nossa Senhora). Claro que também existirá um antagonista que nenhum deles gostaria de ver na frente: "o coisa ruim". 

Quando comecei a leitura eu não sabia nada sobre a história, exceto que era uma comédia. Como sequer tinha visto o filme, estava realmente no escuro, sem ter ideia do que aconteceria. E isso fez com que a leitura fosse ainda mais prazerosa. Não costumo ligar para spoiler (só fico furiosa se for spoiler de algum thriller, suspense, pois aí não tem como, acaba perdendo a graça!rsrs), porém desta vez foi ótimo não ter buscado saber nada sobre as desventuras dos personagens.

Não sei se é sensato dizer que meu personagem preferido foi o João Grilo, seguido de perto pelo Chicó. Como ele era trapaceiro! Mas era também tão divertido!kkkkkkk E o Chicó e suas histórias "impossíveis" de serem reais, mas contadas de uma forma que você chegava a acreditar!kkkkkk Eu ria demais com ele. 

Manuel e Compadecida aparecem só no último ato (a história é composta de três), mas para mim foi a melhor parte da peça. Eu quase chorei de tanto rir. Manuel faz o papel de juiz, o coisa ruim é o acusador e Compadecida é a advogada. João Grilo, como sempre, aprontando todas!rs

É uma história que recomendo muito, até para aqueles que não curtem ler peças. Depois deste livro, senti muita vontade de ler tudo o que o autor escreveu. 

Agora preciso procurar pelo filme. Quero muito ver o João Grilo em ação!rs



-> DLL 21: Um livro adaptado para filme/série



29 de julho de 2020

O Eterno Marido - Fiódor Dostoiévski


Literatura Russa
Título Original: Vechnyj Muzh
Tradutora: Marina Guaspari
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2017
Páginas: 176

39ª leitura de 2020

Sinopse: Fiódor Dostoiévski foi um dos maiores romancistas da história, e seus mergulhos psicológicos na alma humana deixaram grandes marcas na literatura. Publicada em 1870, a novela O eterno marido é considerada uma de suas criações mais poderosas e perfeitas, com uma veia humorística mordaz e uma compreensão profunda do trágico e do cômico. Nela, o autor russo descreve o encontro quase surreal de um viúvo traído com o amante de sua esposa morta. Passando por temas como moralidade, amor erótico, tortura mental e neurose, a obra revela a genialidade de Dostoiévski.




Depois de ler Crime e Castigo (e ter me apaixonado pela história!) é claro que eu criei grandes expectativas em relação aos outros livros do autor. Talvez por isso não tenha apreciado tanto assim a história presente em O Eterno Marido

É um livro curtinho, de menos de 200 páginas. Trata-se na verdade de uma novela, e nos traz a história de dois homens que se conheceram no passado e que supostamente foram grandes amigos, mas não se veem há nove anos, tendo cortado por completo os laços, sem nenhuma explicação ou desentendimento. 

Alexei Ivanovitch é um homem perto dos seus 40 anos, que está atormentado por conta de um processo para receber determinada herança. Como é bastante ansioso, vive interferindo no trabalho de seu advogado, que já não o suporta mais, além de ir pessoalmente perturbar os funcionários da Justiça, atrapalhando o andamento do próprio processo com seu comportamento. 

Dado à melancolia, Alexei acredita que nada dá certo em sua vida, reclama do apartamento que teve que alugar durante o tempo necessário para acompanhar o tal processo e se envergonha muito de ter decaído. Antes era alguém importante, que fazia parte da alta sociedade, mas ao arruinar-se financeiramente (mais de uma vez) não podia mais frequentar os mesmos espaços, nem mesmo comer onde realmente desejaria, tendo que se contentar com uma vida menos luxuosa. Tudo isso contribui para provocar alterações no seu humor e na sua forma de encarar a vida, o que também considera ser culpa de sua "velhice" (pois por estar perto dos quarenta anos já se considera um idoso). 

"[...] deve haver no Além quem se preocupe com o meu estado moral e me mande estas malditas recordações, estas 'lágrimas de arrependimento'! Seja! Mas isso não adianta; é pura perda. [...] Que adiantam as recordações, se nem mais ou menos consigo emancipar-me de mim mesmo?"

Nas últimas semanas, ele mal conseguia dormir, sofrendo constantemente de insônia, e quando era possível dormir era comum ser atormentado por pesadelos. Como se não bastasse, havia uma inquietação que parecia não querer abandoná-lo. Do nada, se via lembrando de coisas do passado... de momentos nos quais tinha feito coisas que prejudicaram a vida de outras pessoas. E isso o irritava demais. Não sabia por que aquelas lembranças resolviam retornar agora. De que adiantavam? Não se arrependia. Se pudesse voltar no tempo faria tudo de novo, certo? Mesmo assim, a inquietação permanecia, tornando cada dia um inferno. 

Ele sentia que a real causa para toda aquela perturbação era o desconhecido. Sim, o homem que encontrara na rua mais de uma vez. Cinco, para ser mais preciso. Como se o estranho o estivesse perseguindo, como se o conhecesse e buscasse alguma coisa. Por mais que tentasse, Alexei não conseguia recordar se ele era alguém do seu passado, se havia algum motivo para estar atrás dele. 

"Dentre os vários pensamentos que lhe cruzavam a mente, um lhe causou sensação particularmente penosa: a quase certeza de que o homem de luto outrora o conhecera intimamente;"

O reconhecimento só acontece quando o estranho, no meio da madrugada, vai até o apartamento de Alexei. É aí que, ao ver-se cara a cara com o homem, ele lembra exatamente de quem se tratava. Pavel Pavlovitch, seu amigo do passado. O amigo que ele não via há nove anos... desde que parara de "dormir" com a esposa dele. 

Não entendia o que Pavel poderia querer com ele. O homem estava de luto, como a fita em seu chapéu evidenciava, e logo Alexei descobre que Natália, a esposa de Pavel (e sua ex-amante) falecera poucos meses antes. A notícia não lhe provoca nenhuma dor, pois há muito tempo não pensava mais em Natália. E tudo o que lhe preocupava era a possibilidade de Pavel ter descoberto a traição e ter ido ao seu encontro para se vingar... Seria possível? Depois de todos aqueles anos? 

Tudo se complica quando Alexei descobre que seu antigo amigo não estava na cidade sozinho. Que viera com uma filha pequena. Uma criança cuja idade levantava a possibilidade de ela ser... sua filha. 

Eu tenho que concordar com a sinopse do livro: o reencontro entre Alexei e Pavel é, no mínimo, surreal. A maneira como o marido traído se comporta nos faz pensar que ele estava completamente maluco, que a morte da esposa o fez perder por inteiro o juízo. Ao mesmo tempo, pensamos que ele está interpretando um papel, que existem motivos secretos para ter ido atrás do seu "amigo", que ele descobriu a traição e está planejando alguma vingança assustadora. E conforme prosseguimos na leitura mais desconfiados ficamos. Só esperando pelo "grande momento". 

"Você é um monstro e, em consequência, em você tudo tem de ser monstruoso: seus sonhos e suas esperanças."

De modo algum eu gostei dos personagens. Tanto Alexei quanto Pavel são duas pessoas detestáveis, que não nos provocam nenhum sentimento bom. Ambos eram capazes de fazer coisas horríveis, sem se importar com o outro, pensando apenas no que sentiam e desejavam. Ao longo da leitura e das descobertas que vai fazendo, Alexei aparentemente começa a se transformar, mas é algo que não vai se mostrar verdadeiro, para minha profunda irritação. Quanto ao Pavel, ele só me provocou ódio. Não havia desculpas para a maneira como ele tratava a pequena Lisa, a menina que o chamava de pai, que acreditava ser sua filha e não podia ser condenada pelos erros da mãe. 

A única personagem que me provocou carinho foi a Lisa. Vendo aquela criança tão aterrorizada e mesmo assim desejando estar ao lado do pai, eu senti uma revolta enorme. E o que acontece depois... Não posso contar para não dar spoilers, mas posso dizer que eu quis acabar com o Pavel. E não, falar da Lisa não é spoiler, pois tudo isso está basicamente no início do livro. A história em si trata da estranha relação que se estabelece entre Alexei e Pavel após o reencontro deles

Em resumo, é uma boa história, mas apenas isso. Vai abordar questões psicológicas como em Crime e Castigo, mas não da mesma maneira. Os protagonistas são confusos, com vários problemas interiores, vivendo um inferno dentro de suas mentes. Um inferno provocado por eles mesmos, claro. Mas eu não lamentei por nenhum dos dois. 

Há também um certo suspense e umas cenas um pouco assustadoras no livro, por conta do mistério envolvendo o reaparecimento repentino do Pavel na vida do Alexei. Assim como o ex-amante da mulher do outro, nós leitores não sabemos com certeza se o outro não descobriu a traição, se não terá aparecido atrás de vingança. E aí teremos todo o suspense e algumas cenas perturbadoras. 

Não é um livro que eu recomendaria para quem deseja conhecer o autor. Se eu tivesse começado por ele provavelmente não sentiria vontade de ler suas outras obras. Mas como meu primeiro contato com o autor foi através do maravilhoso Crime e Castigo, ainda pretendo sim continuar lendo suas outras histórias, mesmo não tendo me encantado por O Eterno Marido


-> DLL 20: Um livro de autor russo


25 de maio de 2020

Orlando - Virginia Woolf

Literatura Inglesa
Título Original: Orlando
Tradutora: Laura Alves
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2018
Páginas: 200

26ª leitura de 2020

Sinopse: A fascinante história de Orlando compreende mais de três séculos. O fato de ter envelhecido não mais que trinta anos ao longo desse período lhe permitiu viver a fantasia de assumir diversos papéis na sociedade inglesa, indo de um jovem membro da aristocracia elisabetana a uma mulher moderna do século XX. Somando experiências nesta jornada através da história, a personagem de Virginia Woolf é livre não apenas das restrições do tempo, mas também das imposições da sexualidade, numa narrativa brilhante que reflete de maneira espirituosa e feminista sobre a natureza dos sexos.




Sei que passei duas semanas longe do blog, mas é que meu ritmo de leitura não anda muito legal. Existem dias nos quais só pego no livro à noite, poucos minutos antes de dormir. Estamos vivendo um período muito complicado e às vezes eu só quero assistir um filme com a minha mãe e a minha irmã (moramos na mesma casa, portanto, estamos em isolamento social juntas), ouvir minhas músicas preferidas, falar com Deus ou simplesmente ficar no meu canto quietinha, sem pensar em nada, só descansando a mente. Estou lendo num ritmo diferente, bem mais lento. Mas não estou preocupada com isso. As resenhas virão conforme eu termine as leituras, não pretendo ficar me cobrando como fazia em anos anteriores.

Todavia, meus problemas com Orlando, que é um livro até mesmo curto e enganosamente "rápido de ler", não foram nem provocados por essa mudança no meu ritmo de leitura. Eu tive dificuldades com o livro em si, com a escrita da Virginia Woolf. Comecei a lê-lo acreditando que terminaria em, no máximo, uma semana e que encararia de boa a história. E a história de modo algum é ruim, mas eu levei uma baita surra do estilo narrativo da autora, que me fez avançar a passos de tartaruga e acreditar que NÃO chegaria o dia em que concluiria a leitura do livro.rs Sério, gente! Eu pensei: "É melhor desistir, não vou conseguir terminar." Mas vocês sabem o quanto detesto abandonar uma história, por isso me obriguei a seguir em frente. E, finalmente, trezentos anos depois (risos), encerrei este sofrimento.kkkk

"A casa não era mais inteiramente sua, suspirou. Pertencia agora ao tempo; à história; estava fora do contato e do controle dos vivos."

O livro traz a ideia de uma suposta biografia de uma pessoa chamada Orlando. O narrador seria o seu biógrafo, que em 1928 decidiria contar a incrível história de vida dessa pessoa que atravessou os séculos, vivendo diversas aventuras, sobrevivendo a quase todos que conheceu. Assim, para contar em detalhes a vida de Orlando, o biógrafo volta no tempo... e mergulhamos com ele no século XVI, período de nascimento do nosso protagonista.

"Voltou à primeira página e leu a data, 1586, escrita por sua mão de menino."

Nascido numa família tradicional, importantísima em sua época, Orlando vivia em contato com outros nobres e até mesmo teve uma grande proximidade com a rainha Elizabeth I, que veio inclusive a alimentar uma certa paixão pelo jovem, quando ele estava com pouco mais de quinze anos e passou a viver perto dela, a seu convite. Só que o rapaz não retribuiu os seus sentimentos. Sonhador e romântico, estava sempre apaixonado por uma moça diferente e "respirava" poesia. Na corte teve diversos amores e ficou noivo de uma mulher respeitável e perfeitamente adequada para se tornar sua esposa... até conhecer a misteriosa Sasha (nome que ele inventa para ela, pois gostava de dar nomes para as pessoas em vez de chamá-las por seus nomes verdadeiros), mulher que será responsável por sua primeira grande decepção amorosa e relevante, de certa forma, para os primeiros acontecimentos "fantásticos" do livro.

30 de abril de 2020

O Mapa de um Desejo Impossível - Anuradha Roy

Literatura Indiana
Tradutora: Maria Fernanda Abreu
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2009
Páginas: 336

24ª leitura de 2020

Sinopse: Uma fotografia que se recusa a ficar parada. Retratada nela, uma casa que parece flutuar em um rio caudaloso de águas escuras... Com essa bela e instigante metáfora de sua própria narrativa, Anuradha Roy inicia o relato da história de três gerações de uma família bengalesa, de seus desejos e amores, seus dramas e correntezas mais profundas. Tudo começa na pequena cidade indiana de Songarh, onde Amulya e a esposa, Kananbala, constroem sua casa junto a um rio, com um belo jardim e um poço profundo, que nunca seca. Ali, a família vê crescer o número de vizinhos na rua pouco movimentada, envelhece, fala sobre amenidades durante o jantar... Certo dia, em 1927, Amulya salva Mukunda, uma criança nscida da relação entre o filho de um emprgado seu e uma moça de uma tribo, deixando-o num orfanato. Nesse meio-tempo, Nirmal, filho caçula de Amulya, casa-se com shanti, cuja casa paterna, em Manoharpur, também se situa às margens de um rio. É nessa casa que Shanti morre ao dar à luz Bakul. Quando a menininha está com quatro anos, Nirmal traz para a casa da família o garoto Mukunda, agora com seis anos. Apesar da oposição ferrenha de seu irmão e sua cunhada, uma vez que ninguém sabe a que casta o menino pertence, Mukunda passa a viver com eles, morando numa cabana no quintal e cuidando das tarefas domésticas. Bakul e Mukunda tornam-se amigos inseparáveis, mas, quando chegam à adolescência, essa amizade vai se transformando num sentimento mais profundo e as manobras familiares conseguem enfim afastar o rapaz da casa. Treze anos vão se passar até que Bakul e Mukunda voltem a se encontrar. E, a essa altura, a vida de todos mudou radicalmente. 



Um livro do qual eu pensei em me desfazer várias vezes. Eu o tinha adquirido através de uma troca em junho de 2013 e nunca sequer tinha ouvido falar da história. Creio que, na época, o que me chamou a atenção foi a capa melancólica, mas nem passou pela minha cabeça colocá-lo logo na lista de leituras. Simplesmente fui deixando o tempo passar... Cheguei a separar o livro algumas vezes, no intuito de trocá-lo ou doá-lo. Até o tirei da estante... Mas sempre sem entender o motivo, voltava atrás e decidia mantê-lo comigo. Talvez, bem lá no fundo, eu soubesse que não poderia abrir mão deste livro sem lê-lo. Talvez sentisse que ele se tornaria especial na minha vida. Que me marcaria

"Um dia ela desapareceria entre as árvores de verdade, e ninguém nunca mais a encontraria."

Não sei como falar de um livro tão complexo e intenso. Tão cheio de camadas, de dramas familiares, de escolhas equivocadas... Três gerações de uma mesma família. Mais de quarenta anos de uma história contada em 336 páginas. Ainda estou impressionada com o talento da autora em ter criado algo tão profundo, percorrendo tantos anos, em tão poucas páginas. Por incrível que pareça, elas foram suficientes...

Tudo começou em 1907. Amulya, sem se importar com a opinião de sua jovem esposa, resolveu se mudar de Calcutá para a pequena Songarh e ali estabelecer-se, construindo uma bela e sólida casa, que sobreviveria, quase sem deterioração, ao passar dos anos e guardaria em suas sombrias paredes os segredos daquela família. Aquele foi o começo do fim de Kananbala, a esposa de Amulya. O fim dos seus sonhos, das suas ilusões. Mas o início da história de seus dois únicos filhos: Kamal e Nirmal, que cresceriam juntos e cujos laços de sangue seriam colocados à prova pelos caminhos da vida. 

11 de março de 2020

Poliana - Eleanor H. Porter

Literatura norte-americana
Título Original: Pollyanna
Tradutor: Paulo Silveira
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2018
Páginas: 192
13ª leitura de 2020

*Publicado originalmente em 1913

"A Poliana é uma garota fantástica. Ela sempre vê o lado bom das coisas e, apesar de ainda ser novinha, acaba ensinando todos ao redor com seu jeito sensível e amoroso. Todo mundo deveria conhecer essa história, que passa uma mensagem tão positiva. 
É muito legal poder viver a personagem na televisão, depois de ter me encantado com ela nas páginas do livro. E esta edição está muito fofa, tem tudo a ver com a Poliana. Simplesmente incrível."  Sophia Valverde, atriz




Sabe aquele livrinho que te deixa com um quentinho no coração? Que te deixa leve e te dá esperanças? Poliana é exatamente assim. Uma história que me fez muito bem. Não apagou toda a tristeza causada pelos acontecimentos da semana passada, mas fez eu me sentir melhor, disposta a tentar o jogo ensinado pela pequena menina de 11 anos, que tinha mais sabedoria do que muitos adultos.

"Respirar somente não é viver."

Poliana é uma criança de onze anos que perdeu recentemente a única família que lhe restava: seu pai, um missionário muito pobre, mas que passou a vida inteira se dedicando aos outros, aos ensinamentos cristãos de amor e compaixão, de ajuda ao próximo. Os irmãos da menina tinham ido para o céu, sua mamãe também e agora o seu papai. Dependente da caridade das cristãs auxiliadoras, ela não tinha quem se responsabilizasse por ela... até que entraram em contato com sua tia, irmã de sua mãe, uma pessoa que Poliana ainda não conhecia.

Paulina Harrington era a última sobrevivente de uma família muito rica, que não sabia o que era passar por necessidades na vida. Joana, sua irmã mais velha (e mãe de Poliana) foi deserdada por ter escolhido se casar com um pastor pobre, em vez de aceitar a proposta de alguém "adequado", de família tão tradicional quanto a dela. Paulina detestava o cunhado por ter levado sua irmã, mas o dever, algo que sempre levava muito a sério, a fez aceitar receber a sobrinha em sua casa, mesmo que na realidade quisesse distâcia dela.

"Paulina Harrington nem se ergueu da cadeira para receber a sobrinha. A arrogante senhora olhou para a menina por cima do livro que lia e só estendeu a mão, como se a palavra dever estivesse escrita em cada dedo."

Mesmo morando numa mansão com muitos quartos lindos e confortáveis, Paulina colocou a criança num quartinho no sótão, feio e abafado, onde era praticamente impossível dormir, por conta do calor insuportável. Ao saber que tinha uma tia tão rica, Poliana, que nunca teve nada de confortável na vida, chegou a sonhar com o lindo quarto que teria, com tapetes e quadros, mas a realidade se mostrou bem distante de tudo o que ela poderia desejar.

No entanto, Poliana era uma menina diferente. Educada por um pai que aprendera a encontrar motivos na vida para ser feliz, mesmo não tendo condições de comprar nada para sua princesinha, ela aprendeu o "jogo do contente", que consistia em encontrar em cada situação ruim um motivo para sorrir.

31 de outubro de 2019

Contos de Terror, de Mistério e de Morte - Edgar Allan Poe

Literatura norte-americana
Título Original: Tales of mistery and terror
Tradutor: Oscar Mendes
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2017
Páginas: 240

Sinopse: Edgar Allan Poe é considerado um dos criadores do conto policial, além de ter contribuído para o desenvolvimento da ficção científica. Escritor, poeta e crítico literário, ficou especialmente conhecido por suas histórias macabras, tanto em prosa quanto em verso. Neste Contos de terror, de mistério e de morte estão reunidas algumas de suas melhores narrativas e, dialogando com elas, ao final do volume, o aclamado poema "O corvo", que se tornou emblemático da produção literária do autor norte-americano. Como resultado temos uma coletânea em que se associam medos reais a casos extraordinários, o espetacular e o surpreendente em concentradas doses do mais puro terror.





Quando comecei a ler este livro, em fevereiro, sabia que dificilmente conseguiria terminá-lo logo, vez que não me sinto confortável com o gênero terror. E, de fato, não terminei. Cheguei a ler dois outros contos em março, porém depois deixei o livro de lado e fui ler coisas mais leves.rsrs

Só agora em outubro retomei a leitura do livro, disposta a me desafiar neste mês do horror (por conta do Dia das Bruxas). Separei algumas histórias desconfortáveis que tenho aqui em casa e coloquei como metas do mês. Se lerei todas elas algum dia?! Só Deus sabe...rs

Antes de tudo, colocarei aqui os comentários que fiz sobre os três primeiros contos: 

Comecei por Berenice. Sei que em algum momento da minha vida eu assisti um filme inspirado numa obra do Edgar Allan Poe. Era um filme que tinha alguma coisa de corvo, mas não lembro bem da história. Enfim... Sabia que os contos dele eram assustadores, mas quando comecei a ler Berenice pensei que não tinha terror nenhum, era só conversa. E aí fui chegando perto do final e suspeitando de uma coisa. Mas pensei: "Não! Ele não faria isso!". Pois bem. O protagonista perturbado deste conto, obcecado pela prima Berenice, com a qual cresceu, fez exatamente o que eu temia que ele fizesse. E claro que a cena me deixou arrepiada dos pés à cabeça. Senti um frio dentro de mim. E fechei os olhos tentando me livrar da imagem daquela cena. O grande vilão deste conto é o próprio protagonista e é ele quem narra toda a história. Ele é um ser humano extremamente doentio. Alguém que eu jamais iria querer que cruzasse o meu caminho. 

16 de setembro de 2019

Contos Estranhos - Bram Stoker

Literatura Irlandesa 
Título Original: Dracula's guest and other weird stories
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2018
Páginas: 168


Sinopse: Reconhecido como um dos maiores mestres do terror da literatura mundial, Bram Stoker produziu textos dos mais variados gêneros. Este volume traz a antologia Contos estranhos, publicada pela viúva Florence Stoker em 1914, dois anos após a morte do escritor. A obra reúne nove histórias curtas, entre as quais a famosa “O hóspede de Drácula”. Com enredos tão distintos quanto surpreendentes, os contos que compõem esta coletânea são ao mesmo tempo uma prova da genialidade do autor e uma nova porta de entrada para os leitores que já conhecem a história do vampiro mais ilustre da literatura.



Se tem uma coisa que vocês não veem muito por aqui são histórias de terror.rsrs Eu sou fã de suspense, sobretudo o psicológico, mas nunca gostei de obras de terror, que me provocam pesadelos quando não me impedem de dormir. É um gênero do qual acredito que nunca serei fã. Todavia, adquiri alguns livros do Bram Stoker (um box com três volumes), bem como uma coletânea de contos do Edgar Allan Poe e pensei: "Por que não arriscar? Quem sabe consigo lê-los sem morrer do coração..." 

Em fevereiro li uma das histórias presentes em Contos Estranhos (A Profecia da cigana, comentada neste post aqui). Em março li A índia (comentada aqui), que me deixou aterrorizada. Depois não me atrevi a continuar lendo o livro.kkkkkkkkkk... Só agora em setembro resolvi criar coragem e ler as sete histórias restantes. Nesta resenha juntarei os comentários que fiz sobre os dois contos mencionados acima e falarei dos demais contos.

15 de julho de 2019

Um Corpo na Biblioteca - Agatha Christie

Título Original: The Body in the Library
Tradutor: Edilson Alkimin Cunha
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2003
Páginas: 207
Onde comprar: Amazon


Sinopse: Sete da manhã. Ao acordarem, os Bantry encontram o corpo de uma jovem estendido sobre o tapete da biblioteca. Ela está com um vestido de noite e muita maquiagem, que agora mancha seu rosto. Mas quem é ela? Como foi parar ali? E qual é a sua ligação com outra adolescente assassinada, cujos restos mortais serão mais tarde encontrados numa pedreira abandonada? Preocupados, os Bantry chamam Jane Marple para desvendar o mistério, antes que as más línguas entrem em ação...



Fazia tanto tempo que eu não lia nada da Agatha Christie que realmente sentia saudades... Eu não mergulhava numa história dela desde agosto de 2017 quando li Os Elefantes não Esquecem, que foi uma leitura agradável, mas nada além disso. A verdade é que as primeiras histórias que li da autora foram tão maravilhosas, viciantes e inesquecíveis que quando conheci outros livros dela e percebi que eram inferiores aos primeiros que li, isso meio que me desanimou, sabe?rsrs 

E realmente apostei no livro errado. Um Corpo na Biblioteca, história protagonizada por Miss Marple, é um livro com o qual estive por mais de duas semanas, embora ele seja curtinho. Isso porque a história não fluía bem. Muitos dos diálogos eram tolos e cansativos e não fiquei nem um pouco impressionada com essa tal Miss Marple. Prefiro mil vezes meu querido Hercule Poirot e suas células cinzentas.rs 

14 de junho de 2019

Helena - Machado de Assis

Literatura Nacional
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2016
Box Todos os Romances e Contos Consagrados de Machado de Assis 
Volume 1: Ressurreição/A mão e a luva/Helena/Iaiá Garcia
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Estão reunidos aqui os quatro primeiros romances de Machado de Assis, que compõem o que se convencionou chamar de fase romântica do escritor. O próprio Machado na "Advertência" a uma nova edição de Ressurreição, sugere essa divisão de sua obra: "Este foi o primeiro romance, escrito aí vão muitos anos. Dado em nova edição, não lhe altero a composição nem o estilo, apenas troco dois ou três vocábulos, e faço tais ou quais correções de ortografia. Como outros que vieram depois, e alguns contos e novelas de então, pertence à primeira fase da minha vida literária."



Apesar deste primeiro volume conter quatro romances do autor, neste post trarei apenas a resenha de Helena, uma história que me envolveu intensamente e aumentou todo o amor que eu já sentia pelo Machado de Assis. É um dos meus autores da vida! 

E pensar que houve um dia em que falei do autor com indiferença, até com certo desprezo, na verdade. Lembrei dessa ocasião recentemente. Acho que aconteceu nos meus primeiros anos como blogueira. Quem lê romances contemporâneos, de época, de banca ou outros livros considerados "insignificantes" por uma certa parcela de leitores com certeza já passou por situação de raiva, ao ter que suportar o desdém de outros que se consideram "verdadeiros leitores", "cultos", "intelectuais", por lerem clássicos. Foi num momento assim, em que eu estava com muita raiva, que falei do autor com desprezo, sem sequer conhecer as suas obras. Eu lembro de ter dito que não precisava ler clássicos para ser uma leitora e que não fazia a menor questão de ler Machado de Assis. E eu tinha razão no que disse. Continuo acreditando que não importa o que a pessoa lê, desde que leia e seja capaz de interpretar o que leu, de absorver algo da história, de tornar-se alguém melhor. 

Porque como certo autor um dia disse (e não recordo o seu nome) "os livros não mudam o mundo, os livros só mudam as pessoas". E um romance de época pode mudar alguém, um chick lit, até um romance erótico (que é um gênero que eu particularmente não aprecio muito). Livros sempre são capazes de nos transformar (para melhor) se dermos a eles a oportunidade de fazerem isso. Por isso esse preconceito literário que existe aos montes na blogosfera me irrita tanto. Porque eu posso achar que um livro é inútil para minha vida, posso considerar uma história a pior de todas, mas tenho que respeitar o fato do outro não ser obrigado a ter o mesmo gosto que eu, e poder retirar daquela mesma história que odiei algo de bom para sua vida. Talvez seja a história que aquela pessoa precisava ler. Enfim... Mas de todos os preconceitos literários que existem um dos mais insuportáveis é em relação aos que não leem clássicos. E só posso considerar quem julga alguém por não ler clássico um pseudointelectual, que para ser um intelectual de verdade, evoluído, deveria no mínimo respeitar o gosto literário das pessoas. 

6 de maio de 2018

O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini

(Título Original: The Kite Runner
Tradutora: Maria Helena Rouanet
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2005)


O caçador de pipas é uma narrativa insólita e eloquente sobre a frágil relação entre pais e filhos, entre os seres humanos e seus deuses, entre os homens e sua pátria. Uma história de amizade e traição, que nos leva dos últimos dias da monarquia do Afeganistão às atrocidades de hoje. 



Palavras de uma leitora... 



- Esta edição do livro não vem com sinopse na contracapa. Então eu peguei apenas um trechinho do resumo que tem nas "orelhas" dele e coloquei acima. Só para terem uma ideia significativa do que é esta história. Acreditem: o trecho acima diz muito. É a essência do que você vai encontrar ao mergulhar nessas páginas... Esteja preparado, pois é uma viagem muito turbulenta e que deixará marcas impossíveis de apagar. Cicatrizes que duram toda uma vida. Parece que as minhas ainda sangram. 

Sabe aquela história que você tem há anos parada na sua estante não porque não teve tempo de ler, mas por puro e completo medo? Sempre fugi deste livro. Ganhei em 2011 e desde o começo me sentia tensa quando me aproximava dele. Até mesmo quando ia limpar a estante. Pensei em me desfazer dele várias vezes, confesso. Não sabia exatamente spoilers da história, mas tinha lido resenhas que me provocaram pavor. Que me indicavam que não era um livro para ler e esquecer, seguir com a vida normalmente depois. E o fato de eu ter uma noção do que era o Afeganistão quando ganhei o livro também contribuiu para isso. Quem nunca leu nada ou assistiu uma reportagem sobre esse país e o inferno na Terra que as pessoas suportavam? 

Ele entrou para minha lista de leituras do ano por causa do desafio 12 Meses Literários. Era para ser minha leitura de abril, mas o medo acabou falando mais alto outra vez e só o encarei no final do dia 29, quando não dava mais tempo de terminá-lo a tempo já que são mais de 360 páginas de história. 

- Incrível que tenha se tornado um dos melhores livros que li. Uma história que merecia ganhar uma centena de prêmios por toda a riqueza, por todo o talento do autor... pela maneira como me fez entrar no livro e acompanhar de perto a vida dos personagens... Amir, meu querido Hassan (meu coração ainda dói tanto por ele), baba, Sohrab, Ali. Mesmo se eu vivesse outras vidas não seria capaz de esquecê-los. 

"Pensei na vida que eu levava até que aquele inverno de 1975 chegou para mudar tudo. E fez de mim o que sou hoje."

Tudo começou num inverno, em 1964, quando Hassan nasceu, cerca de um ano depois de Amir. Enquanto o segundo era filho de um homem rico e muito importante em Cabul, Hassan não passava de um hazara, alguém visto com desprezo pela sociedade, e filho do empregado mais antigo da família. Ali, seu pai, havia crescido com o pai de Amir, era seu companheiro de brincadeiras, mas nunca houve um dia em que o outro o tivesse chamado de amigo. E a história entre Amir e Hassan era uma repetição da dos seus pais. Todavia, o final foi diferente... abrupto e cruel para todos.

Tendo perdido a mãe logo ao nascer, Amir passou boa parte da vida tentando ganhar o amor do pai e sentindo que estava abaixo de todas as suas expectativas, que nunca seria alguém digno do orgulho e respeito daquele que tinha lhe dado a vida. Dividia suas frustrações, segredos e esperanças com Hassan, embora nem sempre fosse necessário, pois com um simples olhar seu companheiro de travessuras parecia lê-lo, saber o que ele pensava. Mas Amir não considerava Hassan um amigo. Como poderia? Alguém como ele não poderia ser amigo de um hazara, seria se rebaixar, descer demais. Brincava com Hassan porque ele estava disponível, porque era seu empregado e deveria fazer o que ele quisesse, certo? Assim como limpava o chão de sua casa, preparava seu café da manhã e passava suas roupas, deveria brincar sempre que ele quisesse. 

Enquanto Hassan o adorava e seria capaz de tudo por ele, numa lealdade cega que só se fortaleceu conforme eles cresciam, Amir se ressentia do laço que os unia, da necessidade que tinha de sempre estar com ele, de sua bondade e humildade. Não entendia como ele podia ser tão fiel e feliz levando uma vida tão distinta da dele, num casebre em seu quintal, não podendo frequentar a escola como ele, não sabendo ler e sendo humilhado por outras pessoas. Não entendia como podia sempre manter um sorriso no rosto e perdoá-lo mesmo quando suas atitudes eram imperdoáveis. 

Não sabendo definir bem que tipo de relação tinha com aquele menino que era sua lembrança mais remota, Amir o amava e odiava, se sentia mal quando o faziam chorar, mas também zombava dele quando tinha oportunidade. Torcia por sua felicidade, mas o invejava mesmo sabendo que era o lado privilegiado, que tinha tudo o que o outro jamais teria. Todavia, invejava sim: sua coragem, sua certeza, seus sonhos... Porque Hassan era a metade boa daquela relação doentia. Porque ele era o que Amir nunca conseguiria ser. 

E, então, um dia aconteceu. Do mesmo modo que um inverno os uniu, cerca de doze anos antes, também foi num inverno que tudo se rompeu. Para sempre. Era o ano de 1975. A monarquia já havia caído e Cabul não demoraria a enfrentar uma guerra desigual e, anos mais tarde, a chegada dos Talibãs. Tudo o que conheciam seria extinto. Muitas vidas seriam destruídas. Mas para Amir e Hassan tudo terminou bem antes, em 1975. O que restou depois? O vazio... o vazio deixado pela mais terrível das traições. Porque o sangue derramado naquele dia afetaria o futuro de muitas pessoas.

"Porque foi justamente nesse inverno que Hassan parou de sorrir."

- Sempre gostei do inverno. Não do frio (simplesmente não suporto tempo frio), mas por sua melancolia, por me fazer pensar... por me levar tão longe em pensamentos. Todavia, sinto que nunca mais conseguirei ver o inverno com os mesmos olhos. Que sempre verei aquele menino na minha frente, conformado com algo que não merecia... sofrendo uma grande crueldade, mas... pior que isso... sendo traído de uma maneira insuportável. Ah, Hassan! Como eu queria ter te ajudado. Como queria fazer o que Amir não fez. Não é preciso vencer todas as guerras. Algumas estão perdidas desde o início. Sabe o que importa? Ter alguém lutando ao seu lado. Saber que você não está sozinho. Que alguém se importa o suficiente para não te abandonar mesmo sabendo que irão perder. 

"Mas havia algo de fascinante, embora de um jeito doentio, em implicar com Hassan. Era um pouco como brincar de torturar insetos."

- Eu odiei o Amir. Durante boa parte da história o sentimento permaneceu, intensificando conforme ele me mostrava mais e mais claramente o seu lado podre. Odiava a criança cruel, que sugava tudo de bom que o Hassan lhe oferecia, dando em troca maldade. Sentia vontade de agredi-lo quando ele zombava daquele menino que sempre esteve ao seu lado, que o defendia de qualquer pessoa, que arriscava a si mesmo para vê-lo bem, mesmo que o preço a pagar fosse alto. Quando ele mentia para o Hassan... quando se aproveitava do fato de ele não poder ler ou frequentar a escola... Enquanto meu pequeno e querido personagem era de uma inocência tocante e uma lealdade sem limites, Amir já tinha dentro de si um lado obscuro e covarde. Era um egoísta. Do tipo que sempre colocaria a si mesmo em primeiro lugar. Que se visse alguém apanhando ao seu lado, fingiria que nada estava acontecendo e ainda culparia a pessoa por se atrever a apanhar perto dele. E durante muitos anos ele realmente permanece igual. Mas um dia... um dia o passado retorna. Cobrando com juros os seus pecados. E é aí que meu ódio por ele se transforma em algo diferente. Não sei se amor, mas um sentimento forte. Um dia ele finalmente se torna digno do meu perdão. Embora fosse tarde demais de muitas formas. 

"No inverno de 1975 vi Hassan correr atrás de uma pipa pela última vez."

- Na madrugada de ontem, enquanto todos aqui em casa dormiam, eu chorava. Porque era tudo o que eu podia fazer. Não chorava apenas por Hassan, Ali, Amir e todos os personagens que de um modo ou de outro conquistaram meu coração. Chorava por um mundo que não posso mudar. Que não tem salvação. Chorava pelas crianças aterrorizadas na Síria, por aquelas que ficaram órfãs, por aquelas que foram vítimas de tantas barbaridades... por aquelas que morreram. Chorava por aqueles que são sufocados por governos totalitários e não sabem o que é viver em liberdade. Sofria pelas vidas perdidas em guerras passadas e pelas guerras que atormentam o mundo atualmente, enquanto grandes potências apenas observam ou se movem em interesse próprio. Sofria pela maldade espalhada pelo mundo que parece sempre sair ganhando. E sentia tanta raiva! Tanta revolta! 

Sofria também por todas as crianças que tiveram a sua infância roubada. Que tiveram o seu direito à inocência violado. Seja num país em guerra ou não... existem milhares, talvez milhões, de crianças que tiveram que crescer cedo demais, que tiveram a luz da ingenuidade apagada dos seus olhos. 

"E ouça o que lhe digo, Amir jan: no final, o mundo sempre sai ganhando. As coisas são assim, pura e simplesmente..."

- A história começa cerca de vinte e seis anos após aquele maldito inverno. Conhecemos primeiro o Amir adulto, já com seus trinta e oito anos, atormentado por fantasmas do passado... por uma época longínqua. Um telefonema inesperado, por alguém que estava do outro lado do mundo e que unia de diferentes maneiras a sua vida atual ao que um dia ele viveu, traz de volta tudo aquilo que ele tanto tinha tentado esquecer. A partir daí seguimos com ele por suas lembranças... numa viagem extremamente dolorosa. É assim que conhecemos Hassan... é assim que nos apegamos a ele. Pelas lembranças daquele que um dia o traiu. Que lhe virou as costas, mas que nunca foi capaz de livrar-se do sangue derramado. Do sangue que sujava as suas mãos. 

Mas o que aconteceu com Hassan? Ele morreu? Naquele inverno? Amir fez algo contra ele ou permitiu que alguém fizesse? E por que tantas vidas foram afetadas, mesmo décadas depois, como num efeito dominó? Eu também fiz suposições. Muitas. E consegui acertar o que era antes mesmo que fosse revelado, conforme conhecia os personagens. Fiquei tão conectada a eles que era capaz de prever o próximo passo de cada um. E, não. Não contarei o que acontece. Talvez vocês achem que já sabem por conta do que falei, mas não. Tudo o que eu disse não revela nada. Apenas faz com que criem teorias. 

"Existe um Deus, tem que existir, e agora vou rezar, vou pedir que Ele me perdoe por não ter Lhe dado a devida importância durante todos esses anos, que me perdoe por eu ter traído, mentido e pecado impunemente, e só ter pensando em recorrer a Ele nos momentos de necessidade; pedir-Lhe que seja clemente e misericordioso como o Seu livro diz que Ele é."

- Nada do que eu disse é suficiente para fazê-los sentir tudo o que essa história provoca dentro de nós. Não contei nem um décimo. É muito mais que um livro sobre a amizade (de muitas maneiras unilateral) entre dois meninos que mamaram no mesmo seio e cresceram juntos, um vivendo na casa grande e tendo todos os privilégios, e outro passando seus dias num casebre do mesmo quintal sabendo que provavelmente terminaria seus dias ali, sem nunca sequer poder ler os livros que tanto amava e só conhecia através das palavras de seu agha (senhor), quem ele amava como a um irmão e idolatrava como um deus. É mais que isso. A história vai além, interligando a vida de vários personagens, nos fazendo mergulhar no Afeganistão de 1964 até 2001, nos fazendo conhecer sua História, sua cultura, costumes, religião. Nunca tive um contato tão próximo com o islamismo e o Corão antes de ler esse livro. Nunca entendi bem. Sempre soube que não era uma religião que pregava ódio, pois tive uma professora, uma historiadora fantástica, que conhecia bem o Alcorão. Mas eu desconhecia as semelhanças que ele tem com a Bíblia que conhecemos, com os personagens bíblicos. Há em O Caçador de Pipas uma referência direta a Abraão e o sacrifício do cordeiro, quando Abraão esteve prestes a sacrificar seu filho Isaac, mas Deus enviou o cordeiro e mandou que ele não tocasse no filho. Eu não fazia ideia que Abraão também era um personagem importante para os muçulmanos. 

- O livro também nos traz a realidade das guerras enfrentadas no Afeganistão. A queda da monarquia após um golpe efetuado por parentes do rei, a invasão soviética que provocou a morte de tantas pessoas e o pior de tudo: a ascensão do governo extremista Talibã. Quem nunca tremeu ao ouvir a palavra "talibã"? Eu gelo até hoje. Em O Caçador de Pipas podemos ter uma noção do que os talibãs fizeram com o povo afegão, da destruição em massa que eles provocaram. Violências em público, apedrejamento, enforcamento, estupros e assassinatos gratuitos. Qualquer um que fosse contra o governo talibã pagava bem caro. Foi nesse período que ocorreu o genocídio dos hazaras, quando soldados talibãs invadiram muitas casas numa região de predominância hazara, disparando em diversas famílias e arrastando homens e meninos para execuções públicas nas ruas. Milhares de pessoas morreram. Foi um grande massacre. 

- É possível que, como eu, vocês também tenham se perguntado o que são "hazaras". Hassan, meu personagem preferido do livro, era um hazara, algo que intensificava as humilhações que ele sofria e fazia com que a sociedade o considerasse menos valioso que o objeto mais medíocre. Portanto, eu fui pesquisar quem eram os hazaras. Segundo a Wikipédia: "Os hazaras são um povo que sofre profunda discriminação étnica dentro do seu próprio país, pois a maioria fundamentalista sunita, viam os hazaras como infiéis que mereciam morrer. Eles não tinham a aparência que devia ter um afegão e não faziam suas devoções como devia fazer um muçulmano. Dizia um ditado afegão: "Aos tadjiques o Tadjiquistão, aos usbeques o Usbequistão, e aos hazaras o goristão (cemitério).




Este foi o meu livro escolhido para ler em abril no Desafio 12 Meses Literários. Todavia, pelos motivos que expliquei no início da resenha, adiei a leitura e não concluí a tempo. Mesmo assim li. :) 
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