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28 de janeiro de 2026

Perigosa - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Dangerous in Diamonds
Tradutora: Helena Ruão
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 336
Série As Flores Mais Raras - Livro 4

3ª leitura de 2026

Sinopse: Tristan, duque de Castleford, acaba de herdar uma pequena casa e, com ela, uma grande surpresa: Daphne Joyes, uma bela, mas agressiva inquilina. O irreverente Tristan deixa logo bem claro que tenciona seduzi-la, dar-lhe prazer, e vê-la coberta apenas de diamantes. Mas Daphne conhece bem a escandalosa reputação do duque, e não está disposta a ceder às suas provocações. No entanto, ambos têm um inimigo em comum. Um homem cuja malevolência acaba por os ajudar de uma estranha e inesperada forma. Existe, todavia, um entrave: o segredo que Daphne guarda e que a leva a ser uma mulher extremamente cautelosa. Mas embora o seu novo senhorio seja arrogante e se entregue a uma vida de deboches (exceto às terças-feiras!), Daphne dá por si a baixar perigosamente a guarda. Até porque, afinal, os diamantes ficam bem com tudo e também com nada.



Não sei bem como começar a falar deste livro já que estou um tanto estressada. Não é um estresse por algum motivo aleatório, indiferente ao livro. Não. É inteiramente provocado por ele

Na resenha anterior, sobre Pecadora, eu já tinha falado que acreditava que a Daphne seria minha personagem favorita da série, por tudo o que ela tinha feito pelas outras mulheres. Pela forma como as abrigava, oferecia refúgio, sem perguntas, sem cobranças, sem qualquer julgamento. Recebia mulheres desamparadas em sua casa e fazia com que elas se sentissem seguras num mundo que, naquele momento, não era seguro para elas. 

Daphne sempre foi como uma mãe para todas as que recebeu ali, mesmo quando tinha quase a mesma idade que elas. Daphne era refúgio... Era como um lar. E o mínimo que esperava da autora era que fizesse um livro digno dela. Algo diferente disso não seria justo. De modo algum! E o que a autora fez?! Teve que me recordar, justamente no livro da Daphne, os motivos pelos quais tive problemas com alguns livros dela no passado. Ainda não consigo acreditar!

Daphne é uma jovem de vinte e sete anos, que já não acreditava mais em histórias de amor. Não para sua vida. Ficou feliz quando cada uma das suas três melhores amigas encontrou o amor, se casou e passou a construir a própria família. Ela verdadeiramente se alegrava por cada uma delas, e acreditava de fato que haviam encontrado o amor e a felicidade. Mas na sua vida isso já não seria possível. 

Atormentada por terríveis segredos do passado, conseguira passar anos escondendo toda a verdade, por trás de uma postura digna e reservada. Sempre mantendo bem trancadas todas as suas emoções. Ninguém precisava conhecer suas dores, já que ninguém poderia mudar tudo o que lhe acontecera. Ela só tinha que seguir em frente, como sempre fizera. Mas todo o mundo cuidadosamente seguro que construíra para si mesma começa a ruir quando o seu senhorio falece e deixa a casa na qual Daphne morava para o duque de Castleford, um homem conhecido como libertino, que passava boa parte de todos os seus dias se distraindo com diversões bem pecaminosas, incapaz de se importar com assuntos que para ele seriam insignificantes... como a necessidade que Daphne tinha de manter o seu lar. De permanecer naquela casa. 

Tristan, o duque de Castleford, fora até a residência na qual sua nova inquilina vivia apenas por curiosidade. Ele não entendia o motivo de ter herdado aquelas terras, já que o falecido o desprezava e Tristan não precisava de nada. Era muito rico e poderoso e aquelas terras eram um acréscimo insignificante na sua fortuna. Mas ao vê-la pela primeira vez... Ele começa a apreciar muito a sua herança. Daphne era deslumbrante e ele não conseguiu pensar em mais nada além de possuí-la. Não importava o tempo que levasse e o quanto ela lutasse contra a sedução dele. Jamais uma mulher o recusara na vida. Ela não seria a primeira. 

Quando percebe que não conseguiria levá-la para a cama com a rapidez que imaginara, Tristan começa a jogar... e usar todo o seu poder para tê-la por perto. Até que conseguisse atingir os seus objetivos... 

Eu gostava muito do Tristan nos outros livros. E a verdade é que ainda gosto, mas ele me irritou demais nesta história aqui. Ele sempre foi um duque da cabeça aos pés, se intrometendo na vida das outras pessoas, e levando a vida com sua "superioridade" baseada no berço. Mas ele não parecia uma má pessoa e toda vez que se intrometia em assuntos que não eram seus, na verdade, sempre fazia algo bom para outra pessoa. Como aconteceu ao se intrometer nos assuntos do Grayson (protagonista do segundo livro): fez com que Verity, a esposa dele, fosse mais facilmente aceita na sociedade. Verity vinha de uma origem humilde, apesar de toda a fortuna dela. Por não ser filha de um nobre, não foi exatamente bem recebida ao se casar com um conde, mas Tristan ajudou na sua apresentação à sociedade e isso abriu o caminho para ela. O mesmo ele fez pelo Jonathan (protagonista do terceiro livro), outro de seus amigos, consertando uma grande injustiça. Ou seja, Tristan geralmente usava seu poder e influência para coisas boas, ainda que ele não reconhecesse. E não vou permitir que a autora estrague isso nas minhas memórias, por mais raiva que eu sinta por algumas coisas. 

E, então, na hora de nos presentear com a história mais aguardada da série, por todo o histórico que ela mostrou desses personagens nos livros anteriores... Depois de termos criado muitas expectativas... Ela quase estraga tudo. Quase estraga o imenso carinho que eu sinto pela Daphne e a forma como eu via o Tristan. Está difícil superar isso. 

Mas, Luna, você deu 4 estrelas ao livro! Não foi ao livro que dei quatro estrelas. Foi à Daphne. Porque seria extremamente injusto, depois de tudo o que ela fez pelas amigas nos livros anteriores e tudo o que passou na vida, eu simplesmente dar menos estrelas à história dela porque a autora não escreveu um livro digno da personagem, porque me decepcionou. Eu não faria isso com ela. A culpa com certeza não foi da Daphne. 

Entendam que não é uma simples decepção. É a injustiça cometida contra a personagem. Todas tiveram histórias incríveis, com profundidade, com desenvolvimento, mesmo em meio às cenas quentes, explícitas, presentes nos livros da autora. Os livros foram ótimos. O romance construído entre os personagens me convenceu, me emocionou, me envolveu. Teve profundidade em cada um dos livros anteriores da série. O livro da Celia, então, me fez chorar. Daphne era minha personagem querida, por isso eu desejava o mesmo para ela. A profundidade da relação, o desenvolvimento convincente, o amor sendo construído pouco a pouco... Eu não queria todo o excesso de foco em sexo que teve nesta história. O ponto inicial para o desenvolvimento da história de Daphne e Tristan até poderia ser esse, justamente por todo o histórico do personagem, que era um completo libertino e tinha uma vida bem desregrada. Mas o foco da história não podia ser esse, se não haveria espaço para desenvolver os temas sérios abordados no livro, a história de vida da personagem, seus traumas, seu sofrimento, e a própria história de amor entre ela e Tristan. 

A autora se concentrou tanto no lado libertino do Tristan, na sedução, na sensualidade dos momentos nos quais ele estava com a Daphne, que deixou o livro sem espaço para o resto. E o resto era muito importante. O passado da Daphne era muito importante por tudo o que aconteceu. O grande segredo dela, revelado só nas últimas páginas (eu já imaginava o que era e não acreditei que aquilo ficou só para o final!), precisava de várias páginas e cenas de desenvolvimento, porque era importantíssimo. E quando a autora veio com a revelação no fim, foi quase para matar os personagens no meu coração. Eu tive que respirar bem fundo e lembrar de tudo o que eu sabia sobre a essência de Daphne e Tristan para não me deixar levar por aquelas frases e me enfurecer com eles. Foi muito difícil. Não sei realmente o que se passou pela cabeça da autora para fazer aquilo. Lynne Graham fez algo semelhante em um livro uma vez e nunca esqueci. É um livro que não gosto nem de mencionar. Mas naquele livro existiam protagonistas realmente desprezíveis. Aqui, não. Daphne foi construída ao longo dos quatro livros da série. De modo algum vou desprezá-la em meu coração, quando um único momento não define a personagem maravilhosa que ela é. 

E o Tristan também não. Apesar de todos os seus erros neste livro (e foram muitos), ainda pude enxergar nas entrelinhas e me lembrar de sua participação nos livros anteriores. E nos breves momentos em que era possível ter acesso ao seu interior, era possível ver o quanto ele era um personagem bom. Eu gosto muito dele. Minha decepção é com a autora mesmo. Mas com isso aprendo uma lição: não criar mais expectativas com as histórias escritas por ela. Eu já tinha me decepcionado no passado. Mas fiquei tão empolgada com o desenvolvimento da série As Flores Mais Raras, que achei que tudo correria bem até o final. E no último livro ela me decepcionou. No livro que seria o mais importante para mim.kkkkkk 

Isso não significa que deixarei de ler os livros da Madeline Hunter. Claro que não! Ainda quero ler vários outros romances escritos por ela. Só não criarei mais expectativas. 


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro de série/trilogia

Série As Flores Mais Raras

4. Perigosa



25 de janeiro de 2026

Pecadora - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Sinful in Satin
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 328
Série As Flores Mais Raras - Livro 3

2ª leitura de 2026

Sinopse: Habituada a uma existência pacata, Celia Pennifold vê a sua vida virada do avesso após a morte da mãe, Alessandra Northrope, uma cortesã afamada. Para além de uma pequena casa, a mãe deixou-lhe de herança apenas dívidas e uma reputação manchada. O destino de Celia já está traçado há muito. Ela foi educada para seguir as pisadas da mãe. Mas Celia é determinada e tem os seus próprios planos… que não incluem, evidentemente, o misterioso inquilino com que se depara ao instalar-se no seu novo lar. Jonathan Albrighton encontra-se numa missão a mando do tio, pois há suspeitas de que Alessandra possuía informações delicadas sobre alguns dos homens mais influentes da sociedade londrina. Jonathan pensava estar perante uma tarefa simples, não contava encontrar em Celia uma adversária à sua altura…



Definitivamente, de volta aos romances.rsrs Depois que terminei a leitura de Provocante, eu não consegui resistir à vontade de seguir lendo os demais livros da série, mesmo com duas outras leituras em andamento (Entre Sueños e O Conde de Monte Cristo). Decidi ouvir meu coração e mergulhei na leitura de Pecadora, o que se provou a melhor escolha! 

Até agora, posso dizer, sem hesitar, que este é o meu livro preferido da série. Me encantei com os dois anteriores, mas com a história de Celia e Jonathan eu chorei. Meus sentimentos ficaram muito bagunçados. Sentia muita raiva, uma sensação enorme de injustiça pela forma como a Celia se enxergava, levada pela opinião da sociedade e de sua própria mãe. A forma como ela acreditava que não podia sonhar, não podia ter a vida que realmente queria. Isso me atormentou durante quase toda a leitura, embora eu também tenha sorrido e até gargalhado com o desenvolvimento do romance entre ela e Jonathan. Mas aquela sombra permaneceu, entende? A sombra da injustiça e eu queria um final completamente feliz. Não aceitaria menos. Acredito que a autora entendeu que os fãs mereciam um final assim, digno da história. Porque posso dizer, sem medo de spoiler, que o final não decepciona. 

Celia é uma jovem de 23 anos que fugiu da casa da mãe aos dezessete anos, por não aceitar a vida que ela desejava para a própria filha. Sendo uma cortesã famosa, bastante requisitada, Alessandra educara Celia para a substituir, para herdar o seu legado. Ensinara tudo o que considerava necessário para iniciá-la naquela vida e buscara entre os membros da nobre sociedade o "protetor" adequado para ser seu primeiro amante. Em outras palavras, quem pagasse mais e tivesse condições de manter o luxo que ela desejava para a filha. 

Celia sempre soube que aquele era o seu destino. A vida que a esperava, que não havia opção. Mas quando tudo estava prestes a começar, quando a mãe realmente deu os passos necessários para que ela tivesse o primeiro "protetor", ela fugiu. Da decepção. Do destino. De tudo aquilo que repudiava. Mas fugiu sem rumo, sem saber o que fazer. Sem amigos, sem dinheiro, quase caindo nas ruas cruéis que esperavam para destruí-la. Foi quando encontrou Daphne. Que não fez perguntas, que não exigiu saber do seu passado. Apenas lhe ofereceu amizade e abrigo. 

Durante cinco anos, ela foi feliz. No anonimato, escondida na propriedade de Daphne. Longe dos olhares julgadores da sociedade que conhecia muito bem sua mãe e o seu legado. Longe dos olhos daqueles que a consideravam marcada e perdida simplesmente por ter nascido. Então, sua mãe adoecera. Ela poderia ter mantido a mágoa, poderia ter continuado na tranquilidade de sua vida, mas não podia abandonar aquela que lhe deu à luz no momento em que ela mais precisava. 

Para cuidar da mãe, Celia teve que sair do seu abrigo e com isso as línguas voltaram a falar. Logo, foi de conhecimento geral que a filha de Alessandra estava de volta. Com a morte da mãe, tudo explodiu. Já não era possível retornar. Não podia manchar a reputação de Daphne, por mais que a amiga dissesse não se importar. Não podia mais ter o seu refúgio. Era hora de encarar a vida de frente e fazer uma escolha. Poderia ter um futuro sem manchas? Poderia seguir renunciando ao legado de Alessandra? Ou para se sustentar e não passar por privações deveria abraçar aquela vida, como todos esperavam e desejavam? Deveria desistir para sempre dos sonhos adormecidos? Celia ainda não sabia. Só sabia que a voz de Alessandra e tudo o que ela lutou para que a filha acreditasse ser verdade, não parava de falar em seus ouvidos... 

Jonathan era um homem acostumado com a dureza da vida. As coisas simplesmente eram como tinham que ser, ele aprendera. Passara por privações, humilhações até chegar à posição que ocupava na sociedade, como filho bastardo de um conde. Fora amigo de Alessandra e conhecera Celia antes da fuga dela. Agora, tanto tempo depois, a reencontrava, porque ela estava no caminho de sua mais recente missão. Diferente da maioria das pessoas, não a julgava simplesmente por ela ser filha de uma cortesã. A enxergava. Mas, fosse o que fosse que pensava, jamais poderia se envolver com ela... Ainda que o simples fato de estar no mesmo ambiente que ela, fosse suficiente para fazê-lo desejar o impossível...

Eu tive muito medo de não gostar do Jonathan. Um medo terrível. A história de vida da Celia, a forma como a sociedade a condenava e queria afundá-la na vida que exigiam que ela seguisse, me recordou um livro que li há vários anos e me marcou profundamente, mas de uma forma bem negativa. A Promessa da Rosa, da autora Babi A. Sette. Os sonhos da Celia me lembraram os sonhos da Kathe. E eu não queria vê-la passar pelo mesmo. Não aceitaria isso. Por este motivo, tive medo. Porque a história da Kathe, em A Promessa da Rosa, não é uma história de amor, por mais que a maioria dos leitores e a autora a considerem como tal. Na minha opinião (e é meu direito pensar o que quiser de um livro que eu li), está bem longe de ser uma história de amor. É uma história de terror, de destruição, de sonhos e futuro perdidos pela maldade de uma sociedade muito hipócrita e de um personagem considerado o mocinho da história. Arthur é um verme da pior espécie. Dizer que ele é um lixo é ofender o lixo. Esse tal mocinho nada tem de mocinho. Ele é o próprio vilão na vida da Kathe e ela não enxerga isso. Oito anos se passaram e nunca perdoei essa história. Nunca perdoei o Arthur. E nunca esqueci tudo o que a Kathe sofreu. 

Mas, Luna, não estávamos falando da história de Celia e Jonathan?! Sim, voltemos! O meu medo do Jonathan ser alguém parecido com o Arthur se mostrou bastante infundado. Jonathan é alguém que conhece as realidades da vida, as regras da sociedade, a forma como tudo acontecia. Parece muito misterioso no início da história, um tanto frio e prático, mas conforme a história se desenvolve, enxergamos quem ele realmente é e o que pensa, bem como o que é capaz de fazer por aqueles com quem se importa. E, definitivamente, ele se importava com Celia.

A história não vai se desenvolver como um conto de fadas. O que não significa algo ruim. Pelo contrário, da forma como a história foi brilhantemente construída pela autora, eu pude acreditar completamente no sentimento que surgiu entre eles, na relação que se construiu com a convivência. Celia e Jonathan se aproximaram de uma forma que nos parece tão real, como se eles existissem. Eu lia sobre os momentos deles juntos, as conversas, os segredos e sonhos partilhados e queria que eles fossem mais que personagens de um livro. Mas, Luna, você sempre vê os personagens como pessoas. Sim, é verdade.rs Embora não seja possível explicar, aqui foi diferente. E foi maravilhoso. 

"[...] concordo que a primavera acorda os sentidos para a esperança, com a sua promessa de novos começos."

Eu amei o romance entre Celia e Jonathan. Ainda que meu coração exigisse o final que eu queria e temesse que acontecesse algo bem diferente, foi impossível não rir com eles, não amar cada momento que passavam juntos. A autora gosta de escrever romance bem hot, com cenas explícitas e tal, e não sou muito fã disso nos livros. Gosto das cenas de amor, mas cenas muito explícitas e frequentes, que roubam o espaço para o casal desenvolver outras partes da relação, não me agradam. No entanto, apesar de cenas assim existirem no livro, como em toda história que já li da autora, isso não afeta a profundidade do que se constrói entre eles. Quando eu via a autora insistindo com cenas assim, pensava: Você vai estragar a história. E ela não estragava.kkkk Isso me surpreendeu, porque quem já leu minhas resenhas mais antigas dos livros da autora, sabe que isso já quase me fez desistir de seguir lendo outros livros dela. Porque já aconteceu de ter lido um romance dela, de outra série, que exagerou nessa parte da relação do casal e tornou tudo muito fútil, superficial. Mas aqui foi diferente. Celia e Jonathan pegam fogo juntos. A paixão é parte essencial da relação, mas conecta todo o resto. Há profundidade, há calor do tipo que esperamos numa história de amor. Há ternura entre a intensidade da paixão. Existe verdade. A gente sabe que eles se amam porque esse amor é real. E tudo o que podemos desejar é que o Jonathan não nos decepcione. Que ele escolha o amor. Que ele escolha a verdade e não as regras. Que escolha a Celia e não a magoe. A vida já a tinha magoado demais. Ela merecia muito uma felicidade completa. Ser aceita. Acreditar que valia a pena sonhar. Que tinha valor, que era importante como mulher e como ser humano. Que podia ser simplesmente ela e não a pessoa que Alessandra tentou construir. 

E por falar na Alessandra... Olha, gente! Celia era filha dela. Então, eu entendo o sentimento de afeto que ela sempre teria da mãe, independente de qualquer coisa. Mas o que essa mulher fez... isso não é digno de uma mãe. Não me interessa que ela realmente acreditasse que aquilo era o melhor que Celia poderia ter. Não deveria ter acreditado. E acreditasse ou não, ela não só disse para Celia que aquela era uma possibilidade. Ela ensinou para uma menina que aquela vida era sua única chance de não morrer de fome, de ter um futuro. Ela não parava de falar em seu ouvido. Não parava de manipular!!! Ela tentou matar os sonhos da própria filha! Educou uma adolescente na arte de ser cortesã como se isso fosse a coisa mais aceitável do mundo. E depois vendeu essa mesma adolescente para quem pagou mais. Isso é mãe? Não mesmo! Não julgo a Celia por amá-la. Jamais faria isso. Mas eu desprezo profundamente a Alessandra. O que ela fez não tem nome, é imperdoável. 

Agora vamos às minhas queridas Flores Mais Raras. Audrianna, Verity e Daphne. Eu acredito que Daphne será minha personagem favorita dessa série, por tudo o que ela fez desde o primeiro livro. A forma como ela abrigou e salvou desconhecidas que precisavam de ajuda. Sem perguntas, sem cobranças, sem julgamentos. Daphne ofereceu um refúgio para mulheres que se encontravam sozinhas e desesperadas. O que ela faz é muito lindo. A amizade que se construiu entre elas é belíssima. O livro da Daphne é o próximo, que encerra a série. Espero que seja maravilhoso, porque ela merece uma história digna da pessoa que ela é. 

Audrianna e Verity. Amo essas personagens, mas neste livro aqui quase as esganei no início.kkkkk Quando souberam do passado da Celia, de quem ela era filha, continuaram a amizade, mas em segredo. Isso me irritou de uma forma que vocês não fazem ideia. Eu já considerava a Celia como uma filha para mim, que eu queria proteger do mundo. Queria proteger de toda dor que ela já tinha suportado. E aí as melhores amigas dela, que viveram na mesma casa com ela e Daphne, faziam aquilo. Quase surtei.kkkkk Mas elas não demoram a consertar o que estavam fazendo. Elas consertam. E de uma forma muito boa. Por isso, as perdoei.rs

Não só gostei deste livro, queridos. Eu o amei profundamente! Só não recebeu 5 estrelas por uns detalhes que seria spoiler mencionar. Mas é um livro querido que recomendo muito! 


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro com epílogo 


Série As Flores Mais Raras

3. Pecadora
4. Perigosa



21 de janeiro de 2026

Provocante - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Provocative in Pearls
Tradutora: Ana Sofia Pereira
Editora: Leya
Edição de: 2014
Páginas: 287 (e-book)
Série As Flores Mais Raras - Livro 2

1ª leitura de 2026

Sinopse: Verity Thompson desapareceu no dia do seu casamento. Seu paradeiro ficou em segredo por anos, um longo período no qual seu marido, o conde de Hawkeswell, viveu na penúria e na incerteza. Verity deixou para trás uma fortuna imensa, porém, inacessível à família, pois sua morte não havia sido oficialmente declarada. Nem poderia, já que ela estava bem viva. 

Ao ser obrigada a se casar, ela foge de Londres e refugia-se no campo. Abandonou sua fortuna em troca da liberdade. Mas o destino tem os seus próprios desígnios e a jovem se vê obrigada a regressar à cidade e a um casamento sem amor. Seu arrogante marido, porém, está disposto a chegar a um acordo: se Verity lhe der três beijos por dia, ele não a obrigará a cumprir os deveres conjugais. Mas, claro, há beijos e beijos e Verity vai perceber até que ponto foi realmente um erro se entregar nas mãos de um hábil mestre.



Eu voltei para os romances?! Aparentemente, sim. Finalmente! Depois de tanto tempo sem conseguir ler meus livros queridos, me permiti fazer uma grande pausa das obrigações diárias, aproveitando o mês de janeiro realmente como férias. Assisti séries, me dediquei mais aos livros, estudei apenas parte do que geralmente estudo e descansei. Em fevereiro retomarei minha rotina, mas não pretendo que seja como o ano passado. Acredito que a forma como decidi organizar meus estudos e trabalho em 2026 vai funcionar melhor para eu manter minha produtividade, ao mesmo tempo que não me perco entre tantas coisas. Estou aprendendo a reconhecer que para estudar e trabalhar eu também preciso respirar. Ter momentos para mim. 

Em 2021, eu li o primeiro livro da série, intitulado Deslumbrante, e lembro como apreciei a leitura, ao ponto de desejar muito prosseguir com os outros livros da série. Não lembro exatamente o motivo de não ter lido o segundo livro na época, mas acredito que tenha sido pelo fato dos dois últimos livros da série não terem sido publicados no Brasil. Algo que resolvi superar agora. Não foram publicados no Brasil? Sem problemas! Lerei os seguintes nas edições de Portugal. Estou cansada da falta de consideração de algumas editoras, que publicam séries totalmente fora de ordem e muitas vezes as deixam incompletas. Não tenho mais paciência para isso faz tempo. 

Em Provocante, conhecemos a história de Verity e Grayson, o conde de Hawkeswell. Verity, que adotara o nome de Lizzie quando fugira de um casamento indesejado, é uma jovem de 21 anos que durante muitos anos viveu com o medo e a tristeza como companheiros. Desde a morte do pai, quando passara a ter como tutor um primo que a detestava e não fazia a menor questão de esconder o fato. 

Sua vida era um inferno, sempre temendo quando viria o próximo golpe, a próxima ameaça, o próximo sofrimento. E tudo apenas piorou quando ela completou 19 anos e ele decidiu que chegara o momento de ela se casar... com quem ele escolhesse. Verity não queria sair de um inferno para cair em outro. Tudo que desejava era sua liberdade, recuperar a vida que tivera enquanto o pai era vivo e se casar com Michael, o homem que seu pai teria aprovado, aquele que a ajudaria a continuar o seu legado. Mas seu primo tinha outros planos e fez de tudo para que ela aceitasse o conde de Hawkeswell como marido, recorrendo à violência física e à ameaça para que ela obedecesse. 

Sem saída, Verity acaba se casando com alguém que sequer conhecia e que imaginava que fosse tão cruel quanto o seu primo. Afinal de contas, um homem que aceitava que uma mulher fosse forçada a se casar não poderia ser uma boa pessoa. Desesperada, tentando um último recurso para recuperar sua liberdade, ela foge logo após o casamento e finge a própria morte, disposta a se manter escondida até que possa completar a maioridade e lutar pela anulação de um matrimônio que nunca deveria ter acontecido, visto que inexistia um consentimento real. 

No entanto, para seu completo desespero, dois anos depois, logo após ela completar a maioridade desejada, um acaso faz com que Grayson a encontre antes que ela consiga requerer a anulação do casamento. As leis daquela época permitiam que ele a forçasse a voltar para ele, de uma forma ou de outra. Ela não teria voz, se ele não permitisse que ela tivesse. Assim eram as leis, por mais horríveis e injustas que fossem. Mas ela não cairia sem lutar... Poderia ser obrigada a ir para casa com ele, mas não desistiria fácil. Se não pudesse convencê-lo a desistir da loucura daquele casamento, fugiria de novo, na primeira oportunidade que surgisse. Não nascera para aquela prisão. Não importava que os olhos dele a queimassem de um jeito estranho e que a sua presença provocasse um sentimento bem diferente do medo...

Aqui temos um romance, incialmente, bem complexo. Grayson é um conde, de uma família muito antiga e respeitada entre os seus pares. Porém, as escolhas erradas da família fizeram com que toda a fortuna se perdesse. Ele estava arruinado financeiramente e não queria perder todos os privilégios de sua posição. Precisava manter todo o luxo, as aparências, e sustentar a tia e a prima que crescera com ele e a quem considerava uma irmã. Além dos motivos egoístas, também precisava de dinheiro para cuidar daqueles que trabalhavam em suas terras e dependiam dele para continuar tendo o que comer e como se manter dignamente. A única forma de conseguir uma fortuna rápida era se casando com uma rica herdeira. Então, temos a seguinte situação: ele precisa desesperadamente de dinheiro. O primo de Verity quer todos os privilégios que um parentesco com um conde poderiam lhe proporcionar, então ele entrega Verity para ascender socialmente. 

Diferente do que ela acreditava, Grayson não sabia que Verity tinha sido espancada, ameaçada e chantageada para poder se casar com ele. Ele sabia que ela relutara inicialmente, mas acreditou que não era uma recusa real. Sobretudo depois que ela voltou atrás e aceitou o casamento. Até aí, vamos fingir que acreditamos tanto assim que ele não desconfiou de nada. A verdade na qual acredito, é que ele não se preocupou em saber. Ele queria a fortuna dela. Só tinha olhos para isso. Conscientemente, ele de fato não sabia tudo o que ela tinha passado até aceitar o casamento. Mas se houve uma recusa antes, ele não deveria ter se questionado sobre os motivos para ela ter mudado de ideia? 

E, então, dois anos se passam... Verity desaparece logo após o casamento e todos acreditam que ela realmente esteja morta, que tenha se afogado no rio (ela fez com que parecesse que sim). Mas ao longo desses dois anos, ela estava vivendo tranquilamente na propriedade das Flores Mais Raras, sob a proteção de Daphne, que não sabia a verdadeira identidade dela, mas que se soubesse também não faria diferença. Grayson encontra Verity ao fazer uma visita ao local acompanhado do seu melhor amigo, que havia se casado com Audrianna (eles são os protagonistas do primeiro livro), que por sua vez era melhor amiga de Lizzie (o nome adotado por Verity). E aqui temos o Grayson errando pela segunda vez. 

Se antes ele tinha a desculpa de não saber que não houve um consentimento livre por parte dela para o casamento, ao reencontrá-la, ela diz isso com todas as letras, embora oculte o fato de ter sido agredida fisicamente. Ela fala que foi ameaçada e chantageada pelo primo. Ele agora sabe que houve coação para o casamento. Para obter a anulação do casamento, Verity precisava da concordância dele. Grayson, por sua vez, tem a esperança de que convivendo com ele, Verity possa aceitar o casamento. 

A história dos dois se desenvolve a partir dessa questão. Verity quer a anulação, Grayson quer uma chance de conquistá-la. Só que para isso ele usa os seus direitos de marido (que eram autorizados pelas leis da época) para obrigá-la a viver na mesma casa que ele. 

E aí eu entrei em conflitos internos ao longo da leitura. Eu não gostava do fato de a Verity estar submetida àquelas leis, por mais que fossem a realidade da época. Ela não queria aquela vida cheia de regras, nas quais ela não tinha direito de decidir sobre a sua própria herança, sobre suas roupas, sua vida ou seu corpo. Tudo dependia da vontade de um marido. Já li centenas de livros de romances de época e sei que essa foi uma realidade de um determinado período da História. Um período bastante longo, na verdade. E até hoje vemos as consequências disso. 

Claro que nos romances, temos todas as licenças admitidas nos livros. Mas penso que eu estava desacostumada a ler os romances de época, depois de tanto tempo sem lê-los. E senti com mais força as injustiças. Isso me incomodou quase até o final do livro, por mais que a realidade entre Verity e Grayson não fosse pesada. 

A autora conseguiu me convencer completamente do amor que foi se construindo entre os dois. Algo que não foi imediato e que precisou que os dois lados cedessem e não só a mocinha. Embora ele tenha se casado com ela pela fortuna, a convivência o faz querer a mulher, a pessoa que ela era. O seu sorriso, o seu abraço, as conversas. Ele passa a querer uma vida com ela. 

Apesar dos conflitos, a história que se desenvolve entre os dois é muito bonita. Primeiro vem a desconfiança, o rancor, que começa a ser superado pelo desejo. A química entre eles é bem forte e a autora investe nos momentos sensuais. Mas a partir de tudo isso, surge espaço para mais. Para que ambos queiram mais. Queiram o que é sólido, duradouro. Queiram todos os sentimentos que começam a bagunçar suas certezas. 

Como eu disse, a situação de vulnerabilidade da mulher submetida às leis da época, me incomodou muito. E a história de Verity e Grayson surge disso. Mas a autora soube bem como desenvolver o romance e o mocinho precisou compreender a situação da Verity e mudar também. Entender que nem tudo o que a lei permitia era correto e que se ele quisesse ser feliz e que ela também fosse feliz, teria que aceitar um relacionamento no qual houvesse equilíbrio. No final, o mocinho tomou uma decisão tão inesperada que eu senti uma mistura bem confusa de sentimentos. Fiquei chocada, feliz, com raiva, tudo ao mesmo tempo!kkkkk Mas foi a decisão certa para que pudesse ter uma chance real de um feliz para sempre ao lado dela. Só lendo vocês poderão entender. 

Se gostei do livro?! Bastante! Louca para ler o terceiro livro da série!


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro de romance

Série As Flores Mais Raras

1. Deslumbrante
2. Provocante
3. Pecadora
4. Perigosa



4 de março de 2025

A Guerra das Rosas - Shannon Drake (segunda leitura)

 

Literatura norte-americana
Título Original: Lie Down in Roses
Tradutor: Luís Fernando Martins Esteves
Editora: Nova Cultural
Edição de: 2005
Páginas: 314

1ª leitura de 2025

Sinopse: Valeria a pena pagar o preço da inocência para salvar sua terra?!

Eles nasceram para ser inimigos e destinavam-se a ser amantes... personagens de um perigoso jogo de intriga e paixão em que o preço era a inocência de uma mulher... e o prêmio era o coração de um homem!

A bela e voluntariosa Genevieve faria qualquer coisa para salvar seu amado castelo de Edenby... até partilhar o nome – e a cama – com seu mais traiçoeiro inimigo. Ele era lorde Tristan de La Tere, cavaleiro e nobre. Magnífico na batalha, liderou por terra seu exército invasor, apenas para se tornar prisioneiro do charme sensual da donzela que secretamente tramava sua destruição...


                Releituras nem sempre dão certo...rs A Guerra das Rosas foi minha primeira leitura de 2025. Levei apenas 24 horas para concluir o livro, entre 09 e 10 de janeiro, mas demorei para vir até aqui escrever este post não só pela correria do dia a dia... Tive alguns problemas com este romance que, em 2012, me encantou completamente e me fez dar 5 estrelas e incluí-lo na minha lista de favoritos sem pensar duas vezes. Mais de uma década depois, ao relê-lo, não consigo ver a história com os mesmos olhos e isto me deixou um tanto triste.kkkkk Porque eu lembro de ter amado profundamente este livro, gente! E perceber todos os seus problemas agora me deixou um pouco abalada.kkkk

                A verdade é que, ao reler minha resenha (link para a resenha aqui), percebo que enxerguei todos os problemas do livro ainda em 2012, mas que "passei pano" para o mocinho e para todas as questões intoleráveis. Também sei que já fiz isso com outras obras ao longo da minha vida como leitora e que muitas vezes expliquei meus motivos nas próprias resenhas, geralmente separando ficção de realidade, ou seja, deixando claro que não é porque tolero algo na literatura que faço o mesmo na vida real. Claro que não! Só que... Existem coisas que não está dando para tolerar nem na ficção, queridos! Que não consigo mais engolir. A Luna de hoje está menos tolerante com certas narrativas, certas cenas... com a permissão dada para os mocinhos das histórias agirem como quiserem e as mocinhas (e também nós leitores) perdoarem. 

                Quem é leitor mais antigo do blog, sabe que sou uma fã incondicional da série Lei e Ordem - Unidade de Vítimas Especiais, que acompanho desde o início da minha adolescência. Já deve ter uns dezessete anos que conheço e assisto esta série maravilhosa, tão sensível e humana, que aborda crimes sexuais, agressões físicas e assassinatos, geralmente cometidos contra mulheres e crianças. Nela, vemos a luta dos detetives e da promotoria para que as vítimas consigam justiça. A série está atualmente em sua 26ª temporada e já assisti todos os episódios de todas as 25 temporadas anteriores, estando em dia com a temporada atual. A Luna que tem esta série como a sua favorita de toda a vida, não pode ser a mesma Luna que vá ficar passando pano para violências do tipo em supostas histórias de amor

                Eu estou muito cansada de livros assim. Entendo que ele foi escrito na década de 80, uma época totalmente diferente da que vivemos hoje, quando muitas coisas eram consideradas aceitáveis, na literatura e fora dela, mas são livros que não se encaixam mais na minha vida. Que li muito no passado, que estiveram bem presentes em minha adolescência e parte da vida adulta, que passei pano sim muitas e muitas vezes, até porque era muito nova e sonhadora, acreditando que a suposta redenção do personagem ao final do livro o tornaria digno do perdão da mocinha para viverem felizes para sempre. Eu entendo tudo isso e respeito muito a Luna que fui e tudo o que senti ao ler cada livro e escrever sobre eles. Tudo foi válido e contribuiu para minha formação como pessoa. Guardo com muito carinho cada um desses momentos, dessas experiências, dos livros e das resenhas. Nunca apagarei nenhuma dessas resenhas e nem excluirei tais livros das minhas memórias. Só não funcionam mais para a Luna de hoje. Não cabem mais no meu presente. 

                Mas, Luna, você está falando como se soubéssemos exatamente quais problemas existem no livro, como se soubéssemos do que você está falando! Claro que não sabem, por isso está na hora de explicar por que me decepcionei muito ao reler A Guerra das Rosas. Cuidado com os spoilers abaixo! Se não quiserem spoiler, parem de ler agora! 

                Este post não é uma segunda resenha sobre a história. Apenas estou comentando os motivos pelos quais reler A Guerra das Rosas me deixou um gosto amargo. 

                No livro temos uma situação de "inimigos que se apaixonam". Os protagonistas defendem lados opostos de uma guerra que ficou conhecida como a "guerra das rosas" no século XV. Tristan sofreu uma grande e terrível perda durante essa guerra, pois o rei que ele defendia ordenou a morte de toda a sua família, de forma bastante cruel. Ele, então, passa a lutar do outro lado, mas a família de Genevieve continua do lado "errado". Por conta desta lealdade, as terras da família dela acabam invadidas, o pai e o noivo dela são assassinados e ela se torna escrava dentro de sua própria casa, que passa a pertencer ao Tristan. É uma situação caótica e entendo perfeitamente toda a revolta e busca por liberdade da mocinha. Eu nunca aceitaria viver tudo aquilo. Também lutaria, também tentaria fugir. 

            Mas... Como é um romance, a mocinha acaba se apaixonando pelo mocinho, apesar de acreditar que foi ele quem matou seu pai e seu noivo durante a invasão das terras. E é por acreditar que ele foi o responsável que ela luta contra esse sentimento. Ela não vive uma situação fácil, é prisioneira em sua casa, está sempre sendo trancada no quarto por ele... Tem todos os motivos para lutar contra a síndrome de Estocolmo/suposto amor que ele despertou nela. E então ela fica grávida... 

                 Tristan tinha passado meses fora por seus negócios na guerra. E quando ele retorna, a barriga dela já está aparecendo. Ele percebe que ela está grávida. Como a reação dele é uma das piores possíveis, a mocinha sente uma insegurança e um desespero muito grande e acaba falando algo sem pensar, como se tentasse SE DESCULPAR por estar grávida. Sim! Ele a fez se sentir tão horrível, que ela sentiu culpa por ter engravidado, como se a responsabilidade fosse unicamente dela. E o que ele faz quando ela diz algo sem pensar? DÁ UM TAPA NO ROSTO DELA!!! Sim!!! Pensem em como meu sangue ferveu quando eu li tal cena! Sinceramente, eu não sei o que se passava pela minha cabeça no passado para ter perdoado tal coisa! Como eu disse, não vou julgar a Luna de mais de treze anos atrás, mas é difícil de entender que eu tenha dado cinco estrelas e favoritado tal livro! 

                Diante do que o Tristan fez, a Genevieve surtou, com toda a razão do mundo! Só que ela ficou tão descontrolada que não pensou em nada e fugiu. De um modo bem desesperado, quase resultando em sua morte. Ele consegue detê-la, se mostra muito arrependido, diz que nunca mais iria fazer tal coisa e ela, fragilizada pela situação na qual estava, sem ter para onde ir e apoio de absolutamente ninguém (nem da tia dela, que era sua única parente viva), acaba ficando e tentando se conformar com sua vida. Mas este não será o único episódio de violência do Tristan contra a Genevieve. A promessa de não repetir a violência é logo esquecida quando ele acredita que ela fez algo contra ele. Quando tal cena acontece, Genevieve já deu à luz, está com o bebê muito pequeno ainda, e ele a derruba com um tapa simplesmente por tirar as próprias conclusões sobre algo que aconteceu e que nem era culpa dela. Ainda que fosse! Nada dava a ele o direito de agredi-la!!! 

                    É tanta coisa inaceitável que tem nesta história! A própria cena do casamento deles é uma violência, porque ela não queria casar. E todos a forçam a isso. Literalmente. Até a tia dela. O padre sabe que se trata de um casamento forçado, porque ela é arrastada até o local da cerimônia, o Tristan mantém a mão na boca dela para impedi-la de dizer qualquer coisa e todos ali presentes assinam como testemunhas de que ela queria casar, sabendo que tudo foi forçado, que ela foi literalmente arrastada e impedida de dizer que não queria o casamento. Quando tudo termina, ela diz para o padre que não era válido, e ele diz que foi tudo válido sim, que ele diria que o casamento era válido. Foi uma cena tão bizarra e revoltante! 

               Eu preferia não ter relido este livro, sinceramente!kkkkk Porque eu tinha uma memória afetiva, guardava a história com carinho no meu coração. E relê-la mudou tudo. Porque enxerguei CLARAMENTE tudo que tem de errado nela, todas as situações de violência e desrespeito, tudo o que tem de revoltante no livro. E isto, é claro, matou a história no meu coração. O que doeu bastante. Quem é leitor apaixonado por livros como eu, que mergulha por inteiro nas histórias e vive tudo com os personagens, pode entender como me sinto. Quando guardamos livros no nosso coração e depois os relemos e percebemos que nada era como tínhamos lido da primeira vez, isso machuca. Senti uma tristeza muito grande ao concluir a releitura. Preferia não ter passado por isso. 

                 Por respeito à Luna que leu esta história no passado e a amou profundamente, eu não reavaliei o livro. Deixei com as estrelas que tinha dado treze anos atrás. 

                    E é isto, queridos! Este ano só concluí a leitura de 3 livros até agora e não foram boas experiências.kkkk Pretendo trazer a resenha dos outros dois em breve! 


Bjs! 


16 de outubro de 2021

Psicose - Robert Bloch


Literatura norte-americana
Título Original: Psycho
Tradutora: Anabela Paiva
Editora: DarkSide Books
Edição de: 2013
Páginas: 173 (e-book)

29ª leitura de 2021 (22ª resenha do ano)

Sinopse: Psicose, o clássico de Robert Bloch, foi publicado originalmente em 1959, livremente inspirado no caso do assassino de Wisconsin, Ed Gein. O protagonista Norman Bates, assim como Gein, era um assassino solitário que vivia em uma localidade rural isolada, teve uma mãe dominadora, construiu um santuário para ela em um quarto e se vestia com roupas femininas.

O livro teve dois lançamentos no Brasil, em 1959 e 1964. São, portanto, quase 50 anos sem uma edição no país, sem que a maioria das novas gerações pudesse ler a obra original que Hitchcock adaptou para o cinema em 1960.

Uma história curiosa envolvendo o livro é que Alfred Hitchcock adquiriu anonimamente os direitos de Psycho e depois comprou todas as cópias do livro disponíveis no mercado para que ninguém o lesse e, consequentemente, ele conseguisse manter a surpresa do final da obra.

Em Psicose, Bloch antecipou e prenunciou a explosão do fenômeno serial killer do final dos anos 1980 e começo dos 1990. O livro, junto com o filme de Hitchcock, tornou-se um ícone do horror, inspirando um número sem fim de imitações inferiores, assim como a criação de Bloch, o esquizofrênico violento e travestido Bates, tornou-se um arquétipo do horror incorporado a cultura pop.




Psicose é uma história que eu conhecia muito antes de ler. Não, não assisti o clássico filme de Hitchcock, mas recebi vários spoilers sobre o livro/filme ao longo da minha vida.kkkkkkk Sabia que tinha servido de inspiração para vários outros livros e filmes do gênero e sempre ouvi falar da tal cena do chuveiro, tanto que era a cena que eu mais aguardava na história, de tão curiosa para saber o que tinha de tão especial nela para ser tão marcante.rs

Vocês sabem que amo um suspense psicológico e embora Psicose, na minha opinião, não se encaixe exatamente neste gênero, nós acabamos entrando na mente do serial killer e é uma "viagem" bem perturbadora. 

Aqui temos como vilões Norman Bates e sua mãe, que dirigem juntos um decadente motel, que fica praticamente no meio do nada desde que a estrada nova foi construída e já não apareciam hóspedes como no passado. O caminho de Mary Crane se cruza com o dos dois numa noite chuvosa, após ela se perder e já ser tarde demais para encontrar a casa do noivo, para onde tencionava ir. Ao avistar o motel, ela decide se hospedar nele só por aquela noite e na manhã seguinte prosseguir com a viagem. O que não poderia imaginar é que os donos do local não eram as pessoas mais normais do mundo e que passar uma noite ali... poderia ser fatal. 

"Estava sozinha na escuridão. O dinheiro não a ajudaria e Sam não a ajudaria, porque ela errara o caminho e estava numa estrada desconhecida." 

Norman Bates já não era um menino, mas o peso de anos sob o domínio da mãe deixaram suas marcas. Por mais que tentasse enfrentá-la e se impor, agora que ela estava tão doente e já não deveria representar nenhuma ameaça nem para ele nem para ninguém, não conseguia reunir as forças necessárias para se libertar e sempre acabava abatido, cedendo às suas críticas, às suas vontades... à sua loucura. 

Quando aquela jovem apareceu, num sábado à noite, a única hóspede que chegara em todo o dia, ele ficou nervoso. Ela era atraente e estava sozinha. A convidou para jantar em sua casa, pois ela precisava de uma refeição e o restaurante mais próximo ficava longe demais para ir debaixo de chuva. Por isso, ela aceitou o convite. Norman sabia que deveria tomar todo o cuidado para não permitir que a mãe percebesse a presença de Mary... pois as consequências poderiam ser as piores possíveis...

"Eu acho que todos nós somos um pouco loucos de vez em quando."

Ao receber a notícia de que a irmã largara o emprego e fugira com uma imensa quantia que não lhe pertencia, Lila ficou chocada. Mas o choque se transformou em desespero quando uma semana se passou sem que recebesse qualquer telefonema ou carta de Mary. Sentia em seu coração que algo estava errado, que alguma coisa muito ruim tinha acontecido. E movida pela vontade de descobrir o que se passara e, talvez, ainda salvar a irmã, ela decide ir até a casa do noivo dela, na remota esperança de encontrá-la lá. Mas, como já pressentia, Sam também não tinha qualquer notícia sobre a noiva. Angustiados, os dois resolvem fazer de tudo para descobrir o paradeiro de Mary e suas investigações não demorarão a conduzi-los ao motel da família Bates... Sairão eles com vida de lá?!

"Nós não somos tão lúcidos quanto fingimos ser."

Como quem já leu o livro pode perceber, tentei ao máximo não dar spoilers na resenha, embora até a sinopse do livro revele mais do que o necessário. Mas, gente, se trata de um livro de 1959, um clássico extremamente conhecido, então, de qualquer forma vocês já devem conhecer o grande segredo do final... Ainda assim, não contarei.rs

Posso dizer que apreciei bastante esta leitura, embora não tenha me surpreendido com nenhum acontecimento ou revelação. Eu quis ler Psicose por curiosidade, sem grandes expectativas, e ele se mostrou um livro rápido, que flui muito bem e envolve por completo o leitor. Senti um pouquinho de medo sim porque já sou medrosa por natureza.kkkkkkk E fiquei perturbada com a mente transtornada do Norman, sem mencionar a mãe dele que é completamente louca, capaz de matar com uma frieza como se estivesse fazendo algo do cotidiano, algo "normal", sabe? Ela mata sem dar à vítima qualquer chance de defesa, mas depois deixa que o Norman se livre do corpo e limpe a cena do crime, além de ter que lidar com todas as demais consequências. Embora se sinta "em paz" por não ser ele a matar com as próprias mãos, sabe bem que é tão culpado quanto ela, pois é cúmplice e encobre todas as loucuras da mãe. A relação dos dois é um prato cheio para os estudiosos da mente humana, dos relacionamentos tóxicos que existem em algumas famílias, entre pais e filhos e o quanto isso pode afetar o futuro da pessoa e a maneira como ela lida com o mundo e as demais pessoas. 

"Não, garoto: não sou eu quem deixa você doente. É você mesmo

Este livro me lembrou muito uma história que li vários anos atrás, do meu amado Sidney Sheldon. Mas apenas mencionar o título do livro já seria um grande spoiler de Psicose para quem já tenha lido o tal livro do qual me lembrei.rs Só fico me perguntando se o SS não terá se inspirado nesta história aqui para criar seus personagens e toda trama presente naquele que considero um dos melhores livros que já li do autor. 




5 de outubro de 2021

Encanto da Luz - Nora Roberts


Literatura norte-americana
Título Original: One Man's Art
Tradutora: Daniela Rigon
Editora: Harlequin
Edição de: 2018
Páginas: 192
Série Os MacGregors - Livro 4

27ª leitura de 2021 (20ª resenha do ano)

Sinopse: UMA ARTISTA BRILHANTE QUE ESTÁ TENTANDO SE AFASTAR DO MUNDO PARA SE RECUPERAR DE UM TRAUMA FAMILIAR. UM HOMEM SOLITÁRIO E CÍNICO QUE MANTÉM TODOS A DISTÂNCIA. UMA ATRAÇÃO IMPOSSÍVEL DE RESISTIR VAI UNI-LOS E AJUDÁ-LOS A ENCONTRAR O AMOR. 

Gennie Grandeau é uma pintora de sucesso e muito reconhecida pelo país. Ela sempre gostou de estar entre as pessoas, mas um ano depois da morte de sua irmã, Gennie precisa se afastar da família e do reconhecimento para poder curar suas feridas. Ela só não esperava encontrar Grant Campbell e ter sua tranquilidade abalada. Ele é um ermitão vivendo em um farol afastado de tudo e todos. Grant não gosta de estar perto de pessoas, apesar de seu trabalho retratar o relacionamento e a interação entre elas. Depois do trauma da morte do pai, Grant se isolou de tudo para se preservar de um novo sofrimento. Mas somente a persistente Gennie é capaz de invadir suas terras, seu farol e até mesmo seu coração. 

Continuando com a série sobre a família MacGregor, Encanto da Luz apresenta uma nova história de membros da família que acham que estão no topo do mundo e que vivem entre o poder e a glória. Até que os seus corações sejam roubados.


 



Sim, já faz uns três anos que não leio nenhum livro da série. Na verdade, este é o único (dos livros da série relançados em formato de livraria) que eu ainda não tinha lido. Não me perguntem o motivo, pois não lembro.kkkkkk É provável que, na época, eu não tenha lido por não tê-lo. Eu ganhei a minha edição de Encanto da Luz de presente de uma amiga, em maio de 2018... Sim, de qualquer forma, demorei três anos para ler.kkkkkkk Sou um caso perdido!

Esta é uma série com livros independentes. Apesar de ter ligação entre eles por conta do parentesco ou proximidade com algum dos MacGregor, cada livro conta a história de um casal diferente. Assim, é perfeitamente possível lê-los fora de ordem, embora, regra geral, eu prefira seguir a ordem... o que nem sempre consigo.rs

Aqui conhecemos Gennie e Grant, um casal bastante improvável de dar certo, mas que acaba combinando justamente por suas diferenças. Gennie é uma artista reconhecida e bem-sucedida, que decide abandonar a cidade grande por um tempo para buscar descanso e inspiração numa região bem diferente da que ela costumava frequentar... onde tudo era mais simples, tranquilo e natural... 

E é justamente durante o seu "retiro" que ela conhece o mocinho... no meio de uma tempestade terrível, quando tudo o que precisava era de alguém que abrisse as portas para abrigá-la do frio e oferecesse uma refeição quente e uma cama por apenas uma noite, pois ela tinha se perdido e era impossível no meio daquela tormenta encontrar o chalé que tinha alugado. Mas é claro que não recebe a hospitalidade que tanto precisava... uma vez que foi parar no farol onde Grant morava e tudo o que ele menos suportava era ter a sua paz interrompida, não importando se era na forma de uma bela mulher, que com apenas um olhar ameaçava todo o seu autocontrole. 

Embora não a tenha jogado para o lado de fora com tempestade e tudo, Grant foi o mais grosseiro possível, deixando claro o quanto ela estava incomodando.kkkkkkk Como Gennie não era do tipo que leva desaforo para casa, os dois trocam várias farpas, mesmo que a química entre eles fosse evidente. E iniciam um jogo onde era fato que, mais cedo ou mais tarde, se queimariam...

Gostei muito desta história! É aquele tipo de romance para relaxar, para esquecer dos problemas e das leituras mais pesadas... Para sair de uma ressaca literária... Enfim... Uma história que nos provoca prazer, que nos diverte e apaixona. Eu me diverti demais com o casal, sorri muito por causa dele, torci para que parassem de levantar defesas um contra o outro e se entregassem ao que estavam sentindo. A vida é curta demais para ficar deixando de viver por medo da dor. E era isso que o Grant fazia ao se esconder do mundo naquele farol: por ter perdido o pai ainda adolescente e de forma tão brutal, ele tinha medo do amor. Tinha medo de amar alguém e perder essa pessoa. Entendo perfeitamente o sentimento. Mas muitas vezes ao fugirmos da vida por medo da dor acabamos na verdade provocando muita dor dentro de nós, sem mencionar o arrependimento por cada momento não vivido, por cada oportunidade que se escapou. 

Gennie também tinha perdido alguém muito querido, num acidente que ainda lhe provocava pesadelos. E ela passa uma boa parte da história se culpando pela morte dessa pessoa, por ser ela quem estava dirigindo. Mas diferente do Grant, ela não permite que a dor e a culpa a impeçam de sorrir, de apreciar os momentos bons e de se entregar às oportunidades. Ela ama a vida! Acredita no amor e nunca permitiria que ele simplesmente fugisse de tudo o que existia entre os dois.rs Amei muito a personalidade dela e a maneira como ele ficava perdido quando essa doidinha entrava em ação.rs

Como eu disse, é um ótimo livro para passar o tempo! A história nos encanta! Todavia, quem acompanha o blog provavelmente sabe que amo muito esta série e tenho que admitir que Encanto da Luz, por mais envolvente que seja, não supera nem se compara com nenhum dos outros livros que li do Clã MaGregor


Segundo a internet, os livros que fazem parte da série Os MaGregors são:

4- Encanto da Luz
5- Hoje e Sempre (flashback do romance entre Daniel e Anna)
6- Rebelde/Um Mundo Novo (de época!)
7- Instinto do Amor
8- Beijos que Conquistam
9- Amor Nunca é Demais
10- Um Vizinho Perfeito




27 de agosto de 2021

Deslumbrante - Madeline Hunter


Literatura norte-americana
Titulo Original: Ravishing in Red
Tradutora: Ana Alvares
Editora: Leya
Edição de: 2013
Páginas: 281 (E-book)
Série As Flores Mais Raras - Livro 1

23ª leitura de 2021 (17ª resenha do ano)

Sinopse: Deslumbrante é o primeiro volume da série As Flores Mais Raras. Mais uma apaixonante e sensual saga histórica pela mão inspirada de Madeline Hunter, a rainha do romance. Numa época em que a reputação de uma mulher é o seu bem mais precioso, Audrianna desafia todas as convenções. Ela é uma jovem determinada, independente e disposta a tudo para aniquilar o seu adversário, o convencido Lord Sebastian Sommerhayes. Entre os dois está um homem: o pai de Audrianna, que morreu envolto nas malhas de uma conspiração. Para ela, essa tragédia significou o fim da sua inocência. Para Sebastian, que liderou a investigação, foi apenas uma morte merecida. Audrianna jurou limpar o nome do pai, mas nunca esperou sentir um desejo tão avassalador pelo homem que o arrasou. A busca pela verdade vai levá-la demasiado longe numa sociedade que é implacável perante a ousadia feminina. Ao ver-se mergulhada num escândalo que pode ser fatal, Audrianna tem apenas uma inconcebível opção.




Sim, eu sei o que disse na resenha de Segredos de um Pecador.rsrs Mas não sou culpada por ter encontrado este e-book por um preço imperdível na Amazon (uma promoção daquelas que passam num piscar de olhos!) e a sinopse ter me atraído. Paguei menos de quatro reais em Deslumbrante e inacreditáveis trinta centavos em Provocante, segundo livro da série. Minha única decepção foi descobrir logo em seguida que não se tratava de uma duologia e sim uma série com quatro livros, tendo apenas os dois primeiros sido publicados no Brasil pela editora Leya. O que significa que sabe-se Deus quando conseguirei ler os dois últimos!

Eu não seria louca de criar grandes expectativas depois de ter tido tantos altos e baixos com a série Os Rothwells. Só queria mesmo iniciar uma leitura que nem fazia parte da minha lista e ver no que daria, se me faria relaxar um pouco e esquecer todos os problemas por algumas horas ou se acabaria sendo perda de tempo. Estava disposta a dar uma chance e confesso que gostei muito da experiência! Foi uma leitura que fluiu rapidamente e me tirou da "realidade" por tempo suficiente para conseguir dar um descanso para minha mente, que precisava demais de um pouco de paz. 

Em Deslumbrante conhecemos Audrianna e Sebastian. Ela é uma jovem que já passou da idade de se casar e teve toda sua vida destruída por um escândalo que provocou o suicídio do seu pai e um imenso desejo de justiça (e vingança) em seu coração. As acusações terríveis contra seu pai fizeram amigos e conhecidos se distanciarem, até mesmo parentes passaram a virar as costas para sua família e o noivo que jurara amor eterno não se importou nada em terminar rapidamente o noivado e fingir que nunca a conheceu. 

Sufocada pela tristeza da mãe, aceitou o convite para se mudar para a casa de uma prima que ficara viúva e que hospedava outras duas jovens que resolveram viver de forma independente. Tudo ia bem até descobrir, através dos jornais, que um homem que se intitulava Dominó queria marcar um encontro com seu pai, obviamente sem saber que ele estava morto. Decidida a descobrir toda a verdade e limpar o nome de alguém que tanto amou, resolve ir em seu lugar... o que se mostra uma decisão extremamente equivocada. 

Sebastian sabe que boa parte da sociedade não acredita que ele realmente mudou. Que deixou de ser um libertino e um canalha. Mas todos são obrigados a fingir já que, com o acidente que deixou seu irmão incapacitado, ele passa a ocupar seu lugar, mesmo sendo o segundo filho. Mesmo que sua mãe preferisse que fosse ele a ficar preso a uma cama e não seu filho preferido. Ainda assim, assume suas obrigações com responsabilidade e de uma maneira até mesmo implacável, sendo um dos principais "carrascos" do pai de Audrianna, e se tornando o homem que ela possuía todos os motivos para odiar.

Quando lê o estranho anúncio no jornal, decide comparecer ao local que o tal de Dominó escolhera, disposto a também obter algumas respostas. Tal decisão o lança ao encontro de Audrianna e mergulha os dois num escândalo capaz de destruir para sempre qualquer mínima chance que ela ainda possuísse de ter uma vida digna. 

Eu gostei demais desta história! Ela não possui grandes acontecimentos, mas é aquele tipo de livro delicioso de ler, com personagens cativantes (até mesmo os secundários) pelos quais torcemos muito. Eu me apaixonei pelos protagonistas e como quase tudo estava "resolvido" na metade da história (exceto as questões envolvendo o pai dela que ainda eram um mistério e Audrianna e Sebastian admitirem que se amavam) fiquei morrendo de medo de algo muito ruim acontecer para separá-los.kkkkk

Audrianna não é uma mulher à frente do seu tempo, apesar da sinopse dar a entender que sim. Ela passa a viver com a prima, o que era incomum na época (as moças só saíam de casa para o casamento), mas nem por isso deixa de obedecer aos costumes e regras sociais. Admito que ela tenta, mas logo cede ao que é "correto" para não prejudicar as pessoas que ama e a si mesma. Ela não luta muito, entende? Cede bem rápido, então se eu esperasse por uma mocinha daquelas fortes e guerreiras, que querem mudar as coisas e serem livres, teria me decepcionado. Como eu não esperava por nada disso, gostei bastante da mocinha e a aceitei como era: uma jovem que só queria ser amada e feliz no casamento. 

Sebastian não tem nada de libertino, muito menos de canalha. A atração que ele sente pela Audrianna é intensa. Nenhum dos dois se apaixona à primeira vista, mas sentem uma atração inesperada e indesejada até, vez que tecnicamente são inimigos. Todavia, em nenhum momento ele tenta prejudicá-la ou a desrespeita por não considerá-la alguém do seu "nível". Pelo contrário, ele a respeita muito e tenta que as coisas entre os dois corra bem. E isso é uma das coisas que mais apreciei na história: a maneira como um suposto "canalha" é tão mais decente do que vários mocinhos que já tive a infelicidade de conhecer no mundo literário. Claro que ele tem defeitos, mas tem bem mais qualidades. 

Enfim... Recomendo bastante a história para quem quer ler um romance leve e cativante! Já estou doida para ler o segundo livro da série, pois tenho imensa curiosidade em saber como se resolverá o drama entre o amigo do Sebastian e a Lizzie, já que ela fugiu no dia do casamento e se fez de morta desde então, o que inclusive lançou diversas suspeitas sobre o noivo abandonado, que passou a praticamente ser visto como o assassino dela. Eu não o culparia se ele nunca mais quisesse olhar na cara dela, uma vez que ser praticamente acusado de homicídio não é nada legal quando se é inocente. 



Série As Flores Mais Raras

1- Deslumbrante
2- Provocante
3- Sinful in Satin
4- Dangerous in Diamonds




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