28 de janeiro de 2026

Perigosa - Madeline Hunter

Tempo de leitura:



Literatura norte-americana
Título Original: Dangerous in Diamonds
Tradutora: Helena Ruão
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 336
Série As Flores Mais Raras - Livro 4

3ª leitura de 2026

Sinopse: Tristan, duque de Castleford, acaba de herdar uma pequena casa e, com ela, uma grande surpresa: Daphne Joyes, uma bela, mas agressiva inquilina. O irreverente Tristan deixa logo bem claro que tenciona seduzi-la, dar-lhe prazer, e vê-la coberta apenas de diamantes. Mas Daphne conhece bem a escandalosa reputação do duque, e não está disposta a ceder às suas provocações. No entanto, ambos têm um inimigo em comum. Um homem cuja malevolência acaba por os ajudar de uma estranha e inesperada forma. Existe, todavia, um entrave: o segredo que Daphne guarda e que a leva a ser uma mulher extremamente cautelosa. Mas embora o seu novo senhorio seja arrogante e se entregue a uma vida de deboches (exceto às terças-feiras!), Daphne dá por si a baixar perigosamente a guarda. Até porque, afinal, os diamantes ficam bem com tudo e também com nada.



Não sei bem como começar a falar deste livro já que estou um tanto estressada. Não é um estresse por algum motivo aleatório, indiferente ao livro. Não. É inteiramente provocado por ele

Na resenha anterior, sobre Pecadora, eu já tinha falado que acreditava que a Daphne seria minha personagem favorita da série, por tudo o que ela tinha feito pelas outras mulheres. Pela forma como as abrigava, oferecia refúgio, sem perguntas, sem cobranças, sem qualquer julgamento. Recebia mulheres desamparadas em sua casa e fazia com que elas se sentissem seguras num mundo que, naquele momento, não era seguro para elas. 

Daphne sempre foi como uma mãe para todas as que recebeu ali, mesmo quando tinha quase a mesma idade que elas. Daphne era refúgio... Era como um lar. E o mínimo que esperava da autora era que fizesse um livro digno dela. Algo diferente disso não seria justo. De modo algum! E o que a autora fez?! Teve que me recordar, justamente no livro da Daphne, os motivos pelos quais tive problemas com alguns livros dela no passado. Ainda não consigo acreditar!

Daphne é uma jovem de vinte e sete anos, que já não acreditava mais em histórias de amor. Não para sua vida. Ficou feliz quando cada uma das suas três melhores amigas encontrou o amor, se casou e passou a construir a própria família. Ela verdadeiramente se alegrava por cada uma delas, e acreditava de fato que haviam encontrado o amor e a felicidade. Mas na sua vida isso já não seria possível. 

Atormentada por terríveis segredos do passado, conseguira passar anos escondendo toda a verdade, por trás de uma postura digna e reservada. Sempre mantendo bem trancadas todas as suas emoções. Ninguém precisava conhecer suas dores, já que ninguém poderia mudar tudo o que lhe acontecera. Ela só tinha que seguir em frente, como sempre fizera. Mas todo o mundo cuidadosamente seguro que construíra para si mesma começa a ruir quando o seu senhorio falece e deixa a casa na qual Daphne morava para o duque de Castleford, um homem conhecido como libertino, que passava boa parte de todos os seus dias se distraindo com diversões bem pecaminosas, incapaz de se importar com assuntos que para ele seriam insignificantes... como a necessidade que Daphne tinha de manter o seu lar. De permanecer naquela casa. 

Tristan, o duque de Castleford, fora até a residência na qual sua nova inquilina vivia apenas por curiosidade. Ele não entendia o motivo de ter herdado aquelas terras, já que o falecido o desprezava e Tristan não precisava de nada. Era muito rico e poderoso e aquelas terras eram um acréscimo insignificante na sua fortuna. Mas ao vê-la pela primeira vez... Ele começa a apreciar muito a sua herança. Daphne era deslumbrante e ele não conseguiu pensar em mais nada além de possuí-la. Não importava o tempo que levasse e o quanto ela lutasse contra a sedução dele. Jamais uma mulher o recusara na vida. Ela não seria a primeira. 

Quando percebe que não conseguiria levá-la para a cama com a rapidez que imaginara, Tristan começa a jogar... e usar todo o seu poder para tê-la por perto. Até que conseguisse atingir os seus objetivos... 

Eu gostava muito do Tristan nos outros livros. E a verdade é que ainda gosto, mas ele me irritou demais nesta história aqui. Ele sempre foi um duque da cabeça aos pés, se intrometendo na vida das outras pessoas, e levando a vida com sua "superioridade" baseada no berço. Mas ele não parecia uma má pessoa e toda vez que se intrometia em assuntos que não eram seus, na verdade, sempre fazia algo bom para outra pessoa. Como aconteceu ao se intrometer nos assuntos do Grayson (protagonista do segundo livro): fez com que Verity, a esposa dele, fosse mais facilmente aceita na sociedade. Verity vinha de uma origem humilde, apesar de toda a fortuna dela. Por não ser filha de um nobre, não foi exatamente bem recebida ao se casar com um conde, mas Tristan ajudou na sua apresentação à sociedade e isso abriu o caminho para ela. O mesmo ele fez pelo Jonathan (protagonista do terceiro livro), outro de seus amigos, consertando uma grande injustiça. Ou seja, Tristan geralmente usava seu poder e influência para coisas boas, ainda que ele não reconhecesse. E não vou permitir que a autora estrague isso nas minhas memórias, por mais raiva que eu sinta por algumas coisas. 

E, então, na hora de nos presentear com a história mais aguardada da série, por todo o histórico que ela mostrou desses personagens nos livros anteriores... Depois de termos criado muitas expectativas... Ela quase estraga tudo. Quase estraga o imenso carinho que eu sinto pela Daphne e a forma como eu via o Tristan. Está difícil superar isso. 

Mas, Luna, você deu 4 estrelas ao livro! Não foi ao livro que dei quatro estrelas. Foi à Daphne. Porque seria extremamente injusto, depois de tudo o que ela fez pelas amigas nos livros anteriores e tudo o que passou na vida, eu simplesmente dar menos estrelas à história dela porque a autora não escreveu um livro digno da personagem, porque me decepcionou. Eu não faria isso com ela. A culpa com certeza não foi da Daphne. 

Entendam que não é uma simples decepção. É a injustiça cometida contra a personagem. Todas tiveram histórias incríveis, com profundidade, com desenvolvimento, mesmo em meio às cenas quentes, explícitas, presentes nos livros da autora. Os livros foram ótimos. O romance construído entre os personagens me convenceu, me emocionou, me envolveu. Teve profundidade em cada um dos livros anteriores da série. O livro da Celia, então, me fez chorar. Daphne era minha personagem querida, por isso eu desejava o mesmo para ela. A profundidade da relação, o desenvolvimento convincente, o amor sendo construído pouco a pouco... Eu não queria todo o excesso de foco em sexo que teve nesta história. O ponto inicial para o desenvolvimento da história de Daphne e Tristan até poderia ser esse, justamente por todo o histórico do personagem, que era um completo libertino e tinha uma vida bem desregrada. Mas o foco da história não podia ser esse, se não haveria espaço para desenvolver os temas sérios abordados no livro, a história de vida da personagem, seus traumas, seu sofrimento, e a própria história de amor entre ela e Tristan. 

A autora se concentrou tanto no lado libertino do Tristan, na sedução, na sensualidade dos momentos nos quais ele estava com a Daphne, que deixou o livro sem espaço para o resto. E o resto era muito importante. O passado da Daphne era muito importante por tudo o que aconteceu. O grande segredo dela, revelado só nas últimas páginas (eu já imaginava o que era e não acreditei que aquilo ficou só para o final!), precisava de várias páginas e cenas de desenvolvimento, porque era importantíssimo. E quando a autora veio com a revelação no fim, foi quase para matar os personagens no meu coração. Eu tive que respirar bem fundo e lembrar de tudo o que eu sabia sobre a essência de Daphne e Tristan para não me deixar levar por aquelas frases e me enfurecer com eles. Foi muito difícil. Não sei realmente o que se passou pela cabeça da autora para fazer aquilo. Lynne Graham fez algo semelhante em um livro uma vez e nunca esqueci. É um livro que não gosto nem de mencionar. Mas naquele livro existiam protagonistas realmente desprezíveis. Aqui, não. Daphne foi construída ao longo dos quatro livros da série. De modo algum vou desprezá-la em meu coração, quando um único momento não define a personagem maravilhosa que ela é. 

E o Tristan também não. Apesar de todos os seus erros neste livro (e foram muitos), ainda pude enxergar nas entrelinhas e me lembrar de sua participação nos livros anteriores. E nos breves momentos em que era possível ter acesso ao seu interior, era possível ver o quanto ele era um personagem bom. Eu gosto muito dele. Minha decepção é com a autora mesmo. Mas com isso aprendo uma lição: não criar mais expectativas com as histórias escritas por ela. Eu já tinha me decepcionado no passado. Mas fiquei tão empolgada com o desenvolvimento da série As Flores Mais Raras, que achei que tudo correria bem até o final. E no último livro ela me decepcionou. No livro que seria o mais importante para mim.kkkkkk 

Isso não significa que deixarei de ler os livros da Madeline Hunter. Claro que não! Ainda quero ler vários outros romances escritos por ela. Só não criarei mais expectativas. 


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro de série/trilogia

Série As Flores Mais Raras

4. Perigosa



Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers. Mãe da minha eterna princesa Luana e dos meus príncipes Celestino, Felipe e Damon (gatinhos filhos do coração). Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

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