25 de janeiro de 2026

Pecadora - Madeline Hunter

Tempo de leitura:



Literatura norte-americana
Título Original: Sinful in Satin
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 328
Série As Flores Mais Raras - Livro 3

2ª leitura de 2026

Sinopse: Habituada a uma existência pacata, Celia Pennifold vê a sua vida virada do avesso após a morte da mãe, Alessandra Northrope, uma cortesã afamada. Para além de uma pequena casa, a mãe deixou-lhe de herança apenas dívidas e uma reputação manchada. O destino de Celia já está traçado há muito. Ela foi educada para seguir as pisadas da mãe. Mas Celia é determinada e tem os seus próprios planos… que não incluem, evidentemente, o misterioso inquilino com que se depara ao instalar-se no seu novo lar. Jonathan Albrighton encontra-se numa missão a mando do tio, pois há suspeitas de que Alessandra possuía informações delicadas sobre alguns dos homens mais influentes da sociedade londrina. Jonathan pensava estar perante uma tarefa simples, não contava encontrar em Celia uma adversária à sua altura…



Definitivamente, de volta aos romances.rsrs Depois que terminei a leitura de Provocante, eu não consegui resistir à vontade de seguir lendo os demais livros da série, mesmo com duas outras leituras em andamento (Entre Sueños e O Conde de Monte Cristo). Decidi ouvir meu coração e mergulhei na leitura de Pecadora, o que se provou a melhor escolha! 

Até agora, posso dizer, sem hesitar, que este é o meu livro preferido da série. Me encantei com os dois anteriores, mas com a história de Celia e Jonathan eu chorei. Meus sentimentos ficaram muito bagunçados. Sentia muita raiva, uma sensação enorme de injustiça pela forma como a Celia se enxergava, levada pela opinião da sociedade e de sua própria mãe. A forma como ela acreditava que não podia sonhar, não podia ter a vida que realmente queria. Isso me atormentou durante quase toda a leitura, embora eu também tenha sorrido e até gargalhado com o desenvolvimento do romance entre ela e Jonathan. Mas aquela sombra permaneceu, entende? A sombra da injustiça e eu queria um final completamente feliz. Não aceitaria menos. Acredito que a autora entendeu que os fãs mereciam um final assim, digno da história. Porque posso dizer, sem medo de spoiler, que o final não decepciona. 

Celia é uma jovem de 23 anos que fugiu da casa da mãe aos dezessete anos, por não aceitar a vida que ela desejava para a própria filha. Sendo uma cortesã famosa, bastante requisitada, Alessandra educara Celia para a substituir, para herdar o seu legado. Ensinara tudo o que considerava necessário para iniciá-la naquela vida e buscara entre os membros da nobre sociedade o "protetor" adequado para ser seu primeiro amante. Em outras palavras, quem pagasse mais e tivesse condições de manter o luxo que ela desejava para a filha. 

Celia sempre soube que aquele era o seu destino. A vida que a esperava, que não havia opção. Mas quando tudo estava prestes a começar, quando a mãe realmente deu os passos necessários para que ela tivesse o primeiro "protetor", ela fugiu. Da decepção. Do destino. De tudo aquilo que repudiava. Mas fugiu sem rumo, sem saber o que fazer. Sem amigos, sem dinheiro, quase caindo nas ruas cruéis que esperavam para destruí-la. Foi quando encontrou Daphne. Que não fez perguntas, que não exigiu saber do seu passado. Apenas lhe ofereceu amizade e abrigo. 

Durante cinco anos, ela foi feliz. No anonimato, escondida na propriedade de Daphne. Longe dos olhares julgadores da sociedade que conhecia muito bem sua mãe e o seu legado. Longe dos olhos daqueles que a consideravam marcada e perdida simplesmente por ter nascido. Então, sua mãe adoecera. Ela poderia ter mantido a mágoa, poderia ter continuado na tranquilidade de sua vida, mas não podia abandonar aquela que lhe deu à luz no momento em que ela mais precisava. 

Para cuidar da mãe, Celia teve que sair do seu abrigo e com isso as línguas voltaram a falar. Logo, foi de conhecimento geral que a filha de Alessandra estava de volta. Com a morte da mãe, tudo explodiu. Já não era possível retornar. Não podia manchar a reputação de Daphne, por mais que a amiga dissesse não se importar. Não podia mais ter o seu refúgio. Era hora de encarar a vida de frente e fazer uma escolha. Poderia ter um futuro sem manchas? Poderia seguir renunciando ao legado de Alessandra? Ou para se sustentar e não passar por privações deveria abraçar aquela vida, como todos esperavam e desejavam? Deveria desistir para sempre dos sonhos adormecidos? Celia ainda não sabia. Só sabia que a voz de Alessandra e tudo o que ela lutou para que a filha acreditasse ser verdade, não parava de falar em seus ouvidos... 

Jonathan era um homem acostumado com a dureza da vida. As coisas simplesmente eram como tinham que ser, ele aprendera. Passara por privações, humilhações até chegar à posição que ocupava na sociedade, como filho bastardo de um conde. Fora amigo de Alessandra e conhecera Celia antes da fuga dela. Agora, tanto tempo depois, a reencontrava, porque ela estava no caminho de sua mais recente missão. Diferente da maioria das pessoas, não a julgava simplesmente por ela ser filha de uma cortesã. A enxergava. Mas, fosse o que fosse que pensava, jamais poderia se envolver com ela... Ainda que o simples fato de estar no mesmo ambiente que ela, fosse suficiente para fazê-lo desejar o impossível...

Eu tive muito medo de não gostar do Jonathan. Um medo terrível. A história de vida da Celia, a forma como a sociedade a condenava e queria afundá-la na vida que exigiam que ela seguisse, me recordou um livro que li há vários anos e me marcou profundamente, mas de uma forma bem negativa. A Promessa da Rosa, da autora Babi A. Sette. Os sonhos da Celia me lembraram os sonhos da Kathe. E eu não queria vê-la passar pelo mesmo. Não aceitaria isso. Por este motivo, tive medo. Porque a história da Kathe, em A Promessa da Rosa, não é uma história de amor, por mais que a maioria dos leitores e a autora a considerem como tal. Na minha opinião (e é meu direito pensar o que quiser de um livro que eu li), está bem longe de ser uma história de amor. É uma história de terror, de destruição, de sonhos e futuro perdidos pela maldade de uma sociedade muito hipócrita e de um personagem considerado o mocinho da história. Arthur é um verme da pior espécie. Dizer que ele é um lixo é ofender o lixo. Esse tal mocinho nada tem de mocinho. Ele é o próprio vilão na vida da Kathe e ela não enxerga isso. Oito anos se passaram e nunca perdoei essa história. Nunca perdoei o Arthur. E nunca esqueci tudo o que a Kathe sofreu. 

Mas, Luna, não estávamos falando da história de Celia e Jonathan?! Sim, voltemos! O meu medo do Jonathan ser alguém parecido com o Arthur se mostrou bastante infundado. Jonathan é alguém que conhece as realidades da vida, as regras da sociedade, a forma como tudo acontecia. Parece muito misterioso no início da história, um tanto frio e prático, mas conforme a história se desenvolve, enxergamos quem ele realmente é e o que pensa, bem como o que é capaz de fazer por aqueles com quem se importa. E, definitivamente, ele se importava com Celia.

A história não vai se desenvolver como um conto de fadas. O que não significa algo ruim. Pelo contrário, da forma como a história foi brilhantemente construída pela autora, eu pude acreditar completamente no sentimento que surgiu entre eles, na relação que se construiu com a convivência. Celia e Jonathan se aproximaram de uma forma que nos parece tão real, como se eles existissem. Eu lia sobre os momentos deles juntos, as conversas, os segredos e sonhos partilhados e queria que eles fossem mais que personagens de um livro. Mas, Luna, você sempre vê os personagens como pessoas. Sim, é verdade.rs Embora não seja possível explicar, aqui foi diferente. E foi maravilhoso. 

"[...] concordo que a primavera acorda os sentidos para a esperança, com a sua promessa de novos começos."

Eu amei o romance entre Celia e Jonathan. Ainda que meu coração exigisse o final que eu queria e temesse que acontecesse algo bem diferente, foi impossível não rir com eles, não amar cada momento que passavam juntos. A autora gosta de escrever romance bem hot, com cenas explícitas e tal, e não sou muito fã disso nos livros. Gosto das cenas de amor, mas cenas muito explícitas e frequentes, que roubam o espaço para o casal desenvolver outras partes da relação, não me agradam. No entanto, apesar de cenas assim existirem no livro, como em toda história que já li da autora, isso não afeta a profundidade do que se constrói entre eles. Quando eu via a autora insistindo com cenas assim, pensava: Você vai estragar a história. E ela não estragava.kkkk Isso me surpreendeu, porque quem já leu minhas resenhas mais antigas dos livros da autora, sabe que isso já quase me fez desistir de seguir lendo outros livros dela. Porque já aconteceu de ter lido um romance dela, de outra série, que exagerou nessa parte da relação do casal e tornou tudo muito fútil, superficial. Mas aqui foi diferente. Celia e Jonathan pegam fogo juntos. A paixão é parte essencial da relação, mas conecta todo o resto. Há profundidade, há calor do tipo que esperamos numa história de amor. Há ternura entre a intensidade da paixão. Existe verdade. A gente sabe que eles se amam porque esse amor é real. E tudo o que podemos desejar é que o Jonathan não nos decepcione. Que ele escolha o amor. Que ele escolha a verdade e não as regras. Que escolha a Celia e não a magoe. A vida já a tinha magoado demais. Ela merecia muito uma felicidade completa. Ser aceita. Acreditar que valia a pena sonhar. Que tinha valor, que era importante como mulher e como ser humano. Que podia ser simplesmente ela e não a pessoa que Alessandra tentou construir. 

E por falar na Alessandra... Olha, gente! Celia era filha dela. Então, eu entendo o sentimento de afeto que ela sempre teria da mãe, independente de qualquer coisa. Mas o que essa mulher fez... isso não é digno de uma mãe. Não me interessa que ela realmente acreditasse que aquilo era o melhor que Celia poderia ter. Não deveria ter acreditado. E acreditasse ou não, ela não só disse para Celia que aquela era uma possibilidade. Ela ensinou para uma menina que aquela vida era sua única chance de não morrer de fome, de ter um futuro. Ela não parava de falar em seu ouvido. Não parava de manipular!!! Ela tentou matar os sonhos da própria filha! Educou uma adolescente na arte de ser cortesã como se isso fosse a coisa mais aceitável do mundo. E depois vendeu essa mesma adolescente para quem pagou mais. Isso é mãe? Não mesmo! Não julgo a Celia por amá-la. Jamais faria isso. Mas eu desprezo profundamente a Alessandra. O que ela fez não tem nome, é imperdoável. 

Agora vamos às minhas queridas Flores Mais Raras. Audrianna, Verity e Daphne. Eu acredito que Daphne será minha personagem favorita dessa série, por tudo o que ela fez desde o primeiro livro. A forma como ela abrigou e salvou desconhecidas que precisavam de ajuda. Sem perguntas, sem cobranças, sem julgamentos. Daphne ofereceu um refúgio para mulheres que se encontravam sozinhas e desesperadas. O que ela faz é muito lindo. A amizade que se construiu entre elas é belíssima. O livro da Daphne é o próximo, que encerra a série. Espero que seja maravilhoso, porque ela merece uma história digna da pessoa que ela é. 

Audrianna e Verity. Amo essas personagens, mas neste livro aqui quase as esganei no início.kkkkk Quando souberam do passado da Celia, de quem ela era filha, continuaram a amizade, mas em segredo. Isso me irritou de uma forma que vocês não fazem ideia. Eu já considerava a Celia como uma filha para mim, que eu queria proteger do mundo. Queria proteger de toda dor que ela já tinha suportado. E aí as melhores amigas dela, que viveram na mesma casa com ela e Daphne, faziam aquilo. Quase surtei.kkkkk Mas elas não demoram a consertar o que estavam fazendo. Elas consertam. E de uma forma muito boa. Por isso, as perdoei.rs

Não só gostei deste livro, queridos. Eu o amei profundamente! Só não recebeu 5 estrelas por uns detalhes que seria spoiler mencionar. Mas é um livro querido que recomendo muito! 


-> DLL 26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro escrito por mulher


Série As Flores Mais Raras

3. Pecadora
4. Perigosa



Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers. Mãe da minha eterna princesa Luana e dos meus príncipes Celestino, Felipe e Damon (gatinhos filhos do coração). Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

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