26 de fevereiro de 2018

Veronika Decide Morrer - Paulo Coelho


(Editora: Sextante
Edição de: 2012)

Aos 24 anos, a eslovena Veronika parece ter tudo: juventude e beleza, pretendentes, uma família amorosa e um emprego gratificante. Mas num dia frio de novembro, ela toma um punhado de remédios para dormir com a intenção de nunca mais acordar.

Só que ela acorda – e no Sanatório de Villete, o lugar de onde ninguém jamais havia fugido. Logo fica sabendo que só teria alguns dias de vida, e isso lhe desperta emoções até então desconhecidas.

Inspirado em experiências próprias, Paulo Coelho escreveu Veronika decide morrer para questionar o significado da loucura e celebrar os indivíduos que não se encaixam nos padrões do que a sociedade considera “normal”.

Ousado e esclarecedor, este romance de redenção faz um retrato tocante daqueles que estão na fronteira entre vida e morte, sanidade e loucura, felicidade e desespero, transmitindo a mensagem poética de que cada dia é um verdadeiro milagre.



Palavras de uma leitora...


"No dia 11 de novembro de 1997, Veronika decidiu que havia - afinal! - chegado o momento de se matar. Limpou cuidadosamente seu quarto alugado num convento de freiras, desligou a calefação, escovou os dentes e se deitou."

Com apenas 24 anos de idade, Veronika decidiu que sua vida já não fazia qualquer sentido. Tentava mostrar para os outros que estava satisfeita com suas escolhas, que era feliz assim, que estava realizada. Mas a verdade era bem diferente. Empenhara-se tanto em anular os próprios sonhos para não entristecer os pais, desagradar as outras pessoas e ter um futuro "estável", que o vazio dos seus dias começou a tomar conta dela. De que adiantava seguir em frente? Para quê? O que ainda poderia acontecer? Era realmente justo despertar um dia após o outro para viver as mesmas coisas, sem qualquer perspectiva de mudança? E por que não evitar a dor de um dia perder alguém que amasse? Se morresse naquele momento evitaria mais sofrimento para si mesma. Era o melhor a fazer. 

"Veronika deixou as quatro caixas na sua mesa de cabeceira durante uma semana, namorando a morte que se aproximava, e despedindo-se - sem qualquer sentimentalismo - daquilo que chamavam Vida."

Escolhera cuidadosamente a maneira como cometeria o suicídio. Poderia cortar os pulsos ou pular de um prédio, mas não queria que seus pais sofressem mais do que o inevitável. Além disso, existia a possibilidade de falhar se optasse por um desses dois métodos. E ela não desejava tentar suicídio, queria concretizá-lo, acabar de uma vez por todas com a inutilidade de sua existência. A melhor forma de ser bem sucedida seria ingerindo aquelas quatro caixas de comprimidos. Quem sobreviveria a uma intoxicação tão grave? 

"O barulho no ouvido tornava-se cada vez mais agudo, e - pela primeira vez desde que tomara os comprimidos - Veronika sentiu medo, um medo terrível do desconhecido."

Mas a morte não vem. Ela perde a consciência e fica entre a vida e a morte durante muitos dias, até acordar num sanatório de Villete, com vários fios presos ao seu corpo e somente um pensamento: precisava sair logo dali para terminar o que começara. Acordar com vida não muda sua determinação. Ela desejava morrer. E se falhara uma vez, sabia que da segunda não teria erro. Só que... os médicos tinham algo importante para lhe contar. Não. Não seria necessário tentar novamente. A ingestão de tantos comprimidos danificara seriamente seu coração. Ela só tinha alguns dias de vida. Não chegaria ao final daquela semana. 

"- O seu coração foi irremediavelmente afetado. E vai deixar de bater em breve.
- O que significa isso? - perguntou, assustada.
- O fato de o coração deixar de bater significa apenas uma coisa: morte física. Não sei quais são suas crenças religiosas, mas...
- Em quanto tempo meu coração vai parar? - interrompeu Veronika.
- Cinco das, uma semana, no máximo."

Embora o medo tenha tomado conta dela ao descobrir qual era o seu estado, ela não desistiu do suicídio. Pelo contrário. Não desejava esperar pela morte durante dias, até que seu coração parasse. Isso a apavorava. Não queria sofrer mais. Desejava uma morte rápida. Naquele momento. 

Assim, ela tenta obter a ajuda de outros pacientes para escapar de Villete ou, na hipótese de não conseguir, suicidar-se ali mesmo. Todavia os dias se passam... e quanto menos tempo ela tem de vida e mais conhece as pessoas que estão naquele sanatório por motivos diferentes e ao mesmo tempo semelhantes aos seus, mais ela começa a refletir e, de repente, já não deseja mais morrer. Quer fazer as coisas que não fez, descobrir lugares que não visitou, respirar a natureza novamente... Mas de que adianta querer tanta coisa se estava com os dias contados? 

"Todos nós, de um jeito ou de outro, somos loucos."

- Quando vi este livro pela primeira vez na livraria, eu o desejei. Sobretudo depois de ler a sinopse. Não sou o tipo de pessoa que gosta de arriscar leituras sobre suicídio (não é à toa que estou determinada a NÃO ler Os 13 Porquês), pois livros costumam sempre mexer com minhas emoções e uma história que gire em torno desse tema provavelmente me deixaria bem abalada. Todavia, Veronika Decide Morrer me atraía. Eu tinha descoberto a fama ruim do Paulo Coelho aqui no Brasil. Que muitos leitores desprezam os livros dele e até mesmo professores de universidades não consideram a leitura de seus livros algo construtivo nem mesmo uma leitura válida para o entretenimento apenas. Isso poderia me desanimar, me fazer evitar o autor. Mas sabe de uma coisa? Prefiro formar minha própria opinião. E já percebi, ao longo de minha experiência como leitora, que nem sempre um autor tem uma fama ruim porque seus livros não prestam. Às vezes, é o completo oposto. 

- Então iniciei a leitura. Com um pouco de medo, confesso. Não por causa do autor, mas por causa do tema tabu que me causava certo desconforto. Tinha medo de me sensibilizar demais e acabar em prantos. Mas logo no começo percebi que isso não aconteceria. O livro era muito diferente do que eu pensava e estava longe de ser deprimente. 

" - O que faz uma pessoa detestar a si mesma?
- Talvez a covardia. Ou o eterno medo de estar errada, de não fazer o que os outros esperam."

Como a sinopse dizia que Veronika tinha tudo e mesmo assim resolvera acabar com a própria vida, também iniciei a leitura nutrindo por ela uma certa antipatia. Pensava comigo mesma: "Como alguém que não tem problemas, que tem tudo o que deseja, se acha no direito de acabar com a própria vida?" "Se ela tivesse motivos, eu poderia entender, mas não é o caso." Só que quando começamos a ler, conhecemos mais a protagonista da história, entendemos que as coisas não são bem como a sinopse mostra. E além disso, o autor mesmo nos faz engolir nossas próprias palavras e pré-conceitos (escrevi assim de propósito).

"Como julgar - num mundo onde se tenta sobreviver a qualquer custo - as pessoas que decidem morrer?
Ninguém pode julgar. Cada um sabe a dimensão do próprio sofrimento, ou da ausência total de sentido de sua vida."

- Não foi à toa que o autor escreveu tal coisa em seu livro. Ele sabia que muita gente julgaria a Veronika, condenaria suas atitudes sem parar para pensar que ela era um ser humano como qualquer outro, que sofria, que sentia, e que somente ela conhecia seus próprios limites e sua própria dor. Nós estamos sempre dispostos a apontar o dedo para os outros, julgando suas escolhas, suas palavras, suas atitudes, quando não sabemos nada. Absolutamente nada do que se passa no interior daquelas pessoas. Quando alguém opta pelo que a Veronika escolheu, o suicídio, o primeiro pensamento que os outros têm costuma ser: "Ah, ela escolheu o caminho mais fácil. Foi covarde." E outros ainda pensam no grande pecado que fulano de tal cometeu, pois o suicídio é um dos maiores pecados contra Deus. Não é assim que as pessoas pensam? Lamentar pela pessoa que estava tão infeliz ao ponto de não ver mais saída, os outros não fazem. Tentar se colocar no lugar daquela pessoa muito menos. Eu também não apoio o suicídio. Claro que sou contra! Mas uma coisa é certa: não temos direito algum de julgar ninguém. Só a pessoa conhece sua própria dor. Nós não somos ninguém para julgar os outros. 

- Mesmo pegando como base a tentativa de suicídio da Veronika, o livro não vai realmente girar em torno disso ou dizer se foi certa ou errada a escolha dela. Quando ela acorda naquele sanatório, tendo apenas poucos dias de vida, um mundo novo se abre para ela e para nós leitores. 

Junto com Veronika, conhecemos outros personagens importantes na história. Como a Zedka que estava internada ali por sofrer de depressão; Mari, que sofria de Síndrome do Pânico quando deu entrada ali anos antes, mas que mesmo após estar curada não tinha coragem de sair, porque o mundo lhe dava pavor, tomar as rédeas da própria vida novamente requeria um esforço grande demais, para o qual ainda não se sentia preparada. E o personagem mais importante de todos: Eduard, diagnosticado com esquizofrenia e considerado um caso sem solução, mas que vai nos surpreender muito. 

"Não podia ir para a frente nem para trás. Então, era mais simples sair de cena."

- Conhecer a história desses personagens e a maneira como eles afetam a Veronika é o que tem de mais fascinante no livro. São pessoas consideradas "loucas", mas que eram mais inteligentes do que muitas pessoas tidas como normais. Afinal de contas, o que é a loucura? O que é ser normal?

- A antipatia que senti pela protagonista no início e foi totalmente irracional, não demorou a dar lugar à compreensão e compaixão. Às vezes olhamos para o outro e acreditamos que ele tem a vida perfeita, porque nossos olhos veem apenas a imagem. Como diria o padre Fábio de Melo na música Humano Demais (uma das minhas preferidas da vida) "Tu enxergas o profundo. Eu insisto em ver a margem. Quando vês o coração eu vejo a imagem." A alma de uma pessoa é muito mais complexa e a família, bem como a sociedade e as experiências de vida, podem ter papéis significativos nas escolhas de alguém. Podem tanto levá-la ao sucesso quanto ao fundo do poço. 

Apreciei muito esta leitura. Foi diferente de todos os livros que já li. E a maneira como o livro termina também é uma surpresa. Estou acostumada com finais em aberto, mas este foi distinto. 

Foi uma leitura desafiadora e reflexiva, nos colocando em contato com uma realidade à parte, em que o autor levanta questões que nos fazem pensar no mundo em que vivemos e em nossa própria vida. Ele até nos dá uma sacudida ao nos perguntar, com as histórias contadas neste livro, se realmente vale a pena nos privarmos de tantas coisas e deixarmos de lado sonhos só para agradar os outros, para não frustrarmos a expectativa de nossas famílias e da sociedade.

- Terminei a leitura sem entender o que as pessoas veem de tão errado nos livros do Paulo Coelho. E já quero ler mais de suas histórias! rs

Uma curiosidade: Veronika Decide Morrer foi inspirado na própria experiência do autor que, na juventude, foi internado mais de uma vez pelos pais num hospital psiquiátrico. Ele desejava ser artista, o que era reprimido pela sociedade da época. Seus pais resolveram interná-lo, pois acreditavam que era o melhor pra ele. Não farei comentários sobre o que penso da atitude dos pais dele, por respeito ao autor. Prefiro guardar minha opinião para mim. 

24 de fevereiro de 2018

Contos de Fadas - Clássicos Zahar

Apresentação de Ana Maria Machado
Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges
Editora: Zahar
Edição de: 2010

Este pequeno livro reúne todas as mais famosas histórias infantis de Grimm, Perrault e Andersen, entre outros, em suas versões originais, sem adaptações. 

Chapeuzinho Vermelho - O Gato de Botas - A Bela e a Fera 
O Pequeno Polegar - A Bela Adormecida - João e Maria
O Patinho Feio - João e o Pé de Feijão - e outros clássicos!

São ao todo 20 contos de fadas, bruxas, princesas, encantamentos e finais felizes! E mais: inclui biografia dos autores e 90 pinturas e desenhos, muitos deles raros, de ilustradores célebres como Arthur Rackham, Gustave Doré e Walter Crane.

Uma charmosa edição de bolso, para acompanhar pais e filhos pelo resto da vida!



Palavras de uma leitora...


- Quem me conhece sabe que sou perdidamente apaixonada por contos de fadas. Eles me encantam! Sobretudo o da Cinderela, naquela versão da Disney. Já assisti inúmeras adaptações deste clássico, li algumas outras e o meu filme preferido é Para Sempre Cinderela, que nos traz uma protagonista forte, inteligente, que luta pelo que deseja, é apaixonada por livros e salva o mocinho de si mesmo. Ela guarda as características principais da Cinderela, mas vai muito além do que o conto diz. Para mim nunca irá existir uma adaptação melhor. Perdi a conta de quantas vezes assisti.rs

E como uma grande amante dos contos de fadas, no ano passado eu resolvi trazê-los de volta para minha vida. Quando somos crianças é bem mais fácil sentar na frente da TV, assistir os filmes da Disney, pegar os livros de contos para ler... Temos tempo. Nada é corrido. Mas aí a gente cresce e a vida passa a exigir mais. Vêm as obrigações: trabalho, faculdade, compromissos e muitas outras coisas que roubam nosso tempo. Às vezes desejamos de volta o sossego da infância, as horas livres, os sonhos... Enfim... O que mais me faz falta é justamente o tempo que eu tinha para assistir televisão.kkkkkkk... Meus filmes infantis queridos e minhas novelas mexicanas. :D

Como não tenho muito tempo livre, para manter o blog e minhas leituras em dia, tive que dar prioridade nos últimos anos aos livros que eram mais urgentes ler. Aqueles que eu queria muito, em detrimento de outros que eu também queria demais.kkkkkkkkk... Para vocês verem como é bem louco isso. Só que em 2017 eu parei para pensar que a vida é curta demais e se quero ler novamente os meus contos infantis irei fazê-lo! Só que inovando um pouco: lendo não apenas suas versões infantis, adaptadas em sua maioria pela Disney, que nos trazem os finais felizes de suspirar e sonhar acordada. Não. Eu iria atrás também dos originais. 

E foi assim que eu esbarrei nesta edição maravilhosa da editora Zahar. Para quem não sabe, tive contato com os livros da editora através de O Morro dos Ventos Uivantes. Como amo muito este livro e quero ter em minha estante todas as edições já publicadas e ainda disponíveis no Brasil (um dos meus maiores sonhos!), fui pesquisar e acabei descobrindo que existia uma edição bem recente e comentada da editora Zahar. Assim que vi o livro, os detalhes preciosos, as cores, o verdadeiro luxo que ele era, quase surtei. Precisava dele para aquele momento. A melhor forma de consegui-lo seria pedindo de presente de aniversário. :D E minha mãe foi quem me fez muito feliz!kkkkkkk... Ainda irei trazer para vocês uma resenha sobre essa edição, pois como eu disse, diferente das outras que tenho, ela (além de ser luxuosa) é toda comentada. Assim que possível sentarei para reler a história (o que não será nenhum sacrifício, pois estou desesperada para relê-la) e todos os seus comentários para poder vir aqui dizer o que achei deles. 

Mas como esta resenha não é sobre O Morro dos Ventos Uivantes... Após descobrir como os livros da editora são lindos (Sério, gente! Vão a uma livraria e peguem um livro dela na mão... É incrível!), eu decidi que investirei são só nos clássicos da Martin Claret (que são lindos quando em edições de luxo), mas principalmente nos da Zahar. E assim, adquiri Alice e Contos de Fadas. Ambos em edição bolso de luxo. Meu sonho de consumo é ter em minha estante todos os clássicos Zahar, não só em edição de bolso como também nas edições comentadas. 


Os preços dos livros tanto nas edições de bolso quanto nas comentadas não são absurdos, embora as edições de bolso sejam mais em conta, claro. Comprei Alice por R$ 30,00 e Contos de Fadas por R$ 35,00 (na Saraiva. Loja física. Pelo site geralmente encontram mais promoções). Parece que os preços aumentaram um pouco (preço de capa de Alice está R$32,90 e de Contos de Fadas R$ 39,90), mas seguem razoáveis. Se vocês pegarem os livros nas mãos verão que é realmente muito em conta, pois as edições de bolso de algumas editoras não costumam ser assim. O preço é quase o mesmo mais a qualidade do livro é muito inferior. Considerando como as edições da Zahar são bem trabalhadas, cuidadosas, com capa dura, ilustrações lindas, folhas amareladas (e não aquelas brancas que machucam meus olhos) e letras em tamanho adequado, os livros estão custando muito barato. Valem mais, essa é a verdade. É por isso que estou tão apaixonada pela editora. Suspiros!

Mas agora... Que tal falarmos do livro propriamente dito?rsrs

- Contos de Fadas reúne aquelas histórias mais conhecidas de autores como Perrault, Grimm (que são os mais famosos) e Andersen. Além de também ter contos de outros autores que mencionarei ao longo da resenha. 

Logo no início temos uma apresentação maravilhosa de Ana Maria Machado, que é uma grande escritora de livros infantojuvenis (embora também tenha publicado livros adultos) e que teve a honra de receber um prêmio importantíssimo: Prêmio Hans Christian Andersen, que é uma espécie de Nobel concedido a selecionados autores de Literatura Infantojuvenil. Mas esse não foi o único prêmio que ela recebeu: foram inúmeros! E ainda faz parte da Academia Brasileira de Letras.

Em sua apresentação, ela nos conta um pouco de como foi sua infância em contato com os contos de fadas, que eram transmitidos como em seu princípio: pela tradição oral. Ela se recorda de como sua mãe, seu pai, avó e tios amavam viajar por essas histórias, encantando a pequena criança com narrativas como de A Bela e a Fera, O Patinho Feio e tantos outros.

"Falar em contos de fadas é evocar histórias para crianças, lembranças domésticas, ambiente familiar. Equivale também a uma filiação ao maravilhoso, em que tudo é possível acontecer." 

Ela menciona ainda algo que eu confesso que não sabia: que existiu um período em que contos de fadas foram marginalizados, olhados com desdém pelas pessoas, recebendo diversas críticas. 

"O gênero era acusado dos mais diversos males: elitismo, sexismo, violência, moralismo, maniqueísmo."

Isso a revoltou e então ela começou uma luta para trazer de volta a essência desses contos e não permitir que eles ficassem esquecidos, tratados com desprezo pelas pessoas. Ela resolveu trabalhá-los, procurando a opinião de especialistas e apoio à sua missão, que era defender histórias que tinham sido eternizadas por séculos, mas que começaram a sofrer ameaças, correndo risco de serem condenadas ao esquecimento. Pelo menos, no Brasil. Ela fala de estudos que surgiram em outros países e foram essenciais para trazer de volta a importância dos contos em nosso país. É muito interessante ler essa introdução antes de lermos os contos em si, pois ela nos situa. 

- Os contos são divididos por autores. Iniciam-se por Charles Perrault, com uma breve biografia dele antes de partir para os contos. Isso acontece com os outros autores também. Antes de lermos os contos ficamos sabendo um pouco sobre cada escritor. 

De Charles Perrault são 6 contos: 

Cinderela ou O Sapatinho de Vidro
Pele de Asno
O Gato de Botas ou O Mestre Gato
O Pequeno Polegar
Chapeuzinho Vermelho
Barba Azul

Aqui não temos as histórias adaptadas com seus finais perfeitos, alterações muito bem-vindas (risos) e uma eterna felicidade. Nem todos os contos reunidos neste livro possuem final feliz, justamente porque são as versões originais. Ou pelo menos, as primeiras versões, vez que nem todos os autores criaram esses contos, mas sim também tomaram conhecimento deles através da tradição oral e fizeram suas próprias versões, séculos atrás. De todos os escritores presentes neste livro, o Andersen é quem realmente podemos dizer que escreveu histórias originais, nunca antes contadas. 

Dos contos de Perrault, os que mais me chocaram foram Pele de Asno, Chapeuzinho Vermelho e Barba Azul. Eu nunca tinha lido Pele de Asno e fiquei realmente muito surpresa ao perceber que a história tratava de incesto e pedofilia, uma vez que nos fala de um rei de um determinado lugar que, com a morte de sua mulher, acaba se interessando pela própria filha, ao ponto de querer se casar com ela. O homem fica totalmente perturbado e faz de tudo para fazer a filha se apaixonar por ele e aceitar o casamento. A garota, desesperada, não querendo desobedecer ao pai, mas sabendo que aquilo era pecado, conta com a ajuda de uma "fada madrinha" para escapar da situação. Ela usa de diversos truques, mas tudo falha. Não tendo outra alternativa, ela foge do reino, trocando a vida de princesa por uma de criada. Há final feliz aqui, pois aparece um príncipe que se apaixona pela mocinha. Mesmo assim, eu fiquei perturbada com o núcleo do conto. Mesmo nos tempos antigos a pedofilia existia. Quantas realidades desconhecemos... Fico pensando nas crianças de outros séculos, quando sequer existiam leis que as protegessem. Ficavam à mercê da vontade de suas famílias que nem sempre cuidavam delas. Muito pelo contrário. 

Chapeuzinho Vermelho me surpreendeu porque eu só conhecia a versão realmente infantil. Aquela em que a pobre garotinha que confiou num estranho (o lobo), ao ponto de dizer para onde ia e desobedeceu a mãe indo por um caminho diferente do que ela mandou, acaba sendo salva por um caçador. Aqui as coisas são distintas. Apesar do conto ter um final cruel, eu não diria que não é recomendado para crianças. Na verdade, seria uma excelente maneira de alertá-las, de fazê-las entender, através de uma historinha, como é perigoso conversar com desconhecidos e desobedecer os pais. Por outro lado, é uma história que também serve de alerta para os pais, pois existem aqueles que não veem nada de mal em deixar seus filhos pequenos soltos pelas ruas, indo fazer isso e aquilo no mercado, padaria, etc, etc, etc. Crianças precisam ser protegidas, não podem se cuidar sozinhas, andar sem a companhia de um adulto por aí. 

Barba Azul me deixou arrepiada. Parecia que tinha sido retirado de um thriller, de algum filme sobre psicopata. Nunca tinha lido versão alguma da história e não sei se existe uma que seja light. Conta a história de um homem que, embora muito rico, não conseguia se casar por conta da terrível barba azul que possuía e também por conta do mistério que rondava suas esposas anteriores. As pessoas não sabiam o que tinha acontecido com elas. Porém, desejando muito uma nova mulher, ele se dispõe a conquistá-la através de passeios, de seu charme e aparente gentileza. Uma moça acaba caindo na armadilha dele e, um mês após o casamento, finalmente descobre quem era o homem que vivia ao seu lado. E ela descobre isso de uma maneira bem traumática. O conto acaba tendo final feliz, para meu alívio!kkkkkkkk...

O interessante aqui é que os contos de Perrault possuem uma moral no final. Gostei da moral de Chapeuzinho Vermelho, mas não a de Barba Azul. Porque o autor diz que não existem mais maridos ruins, que aquilo ficou para trás. É uma mentira, uma ilusão. A violência doméstica existe. E como existe!

De Jeanne-Marie Leprince de Beaumont (Nossa! Que nome difícil!rs) temos:

 A Bela e a Fera, meu segundo conto preferido da vida! Mesmo em sua segunda versão original (estou considerando a versão da Jeanne como original também.rs) ele é maravilhoso! Ainda mais, na verdade!

Jeanne-Marie foi uma escritora do século XVIII, que fez uma adaptação, uma nova versão da história da Bela e a Fera, originalmente escrita por Madame de Villeneuve, também no século XVIII. 

O conto é muito evoluído, na minha opinião. A protagonista, como sabemos da versão que já conhecíamos pela Disney, é uma moça inteligente, culta, que ama os livros. Ver uma mocinha de certa forma tão independente e instruída num conto de três séculos atrás é fascinante. 

Bela possuía cinco irmãos, sendo duas irmãs mais velhas e três irmãos. Seu pai era um negociante muito rico e suas irmãs mais velhas eram umas esnobes, que por serem muito bonitas e ricas, desprezavam as outras pessoas, tendo contato apenas com membros da nobreza. Ricos comerciantes as tinham pedido em casamento, mas elas os olharam com desdém, porque não eram nobres. Bela, por sua vez, era a mais linda de todas, não só fisicamente, mas também porque tinha nela um brilho, uma bondade que todos percebiam. Ela tratava bem as pessoas que não tinham condições financeiras, que eram muito pobres. Era gentil com todos e quando recebia propostas de casamento, não as aceitava porque desejava cuidar do pai. Isso causava maior admiração em seus pretendentes que, mesmo quando o pai dela perdeu toda a fortuna e a família teve que viver do campo, seguiram querendo casar-se com ela. Suas irmãs não tiveram a mesma sorte. Como eram mimadas e interesseiras, logo foram descartadas por não serem mais ricas. A qualidade de Bela ia além de qualquer fortuna. Mesmo pobre seguia sendo o sonho de muitos rapazes. 

Ao ver-se pobre, Bela poderia ter desanimado, pois nada entendia de trabalhos domésticos e no campo. Mesmo assim, ela deu o máximo de si, não reclamando, fazendo o possível para ajudar o pai naquela situação difícil. As coisas não foram simples para ela, mas nada a fazia desistir. E além de todo o trabalho duro ainda era obrigada a suportar a inveja e os insultos das irmãs. 

Eu não irei fazer uma resenha completa deste conto, pois tenho a intenção de adquirir a versão específica dele publicada também pela Zahar. É este livro aqui:


Nele, temos as duas versões originais. A de Madame de Villeneuve e a de Jeanne-Marie. Quando eu ler esse livro aí sim falarei mais profundamente sobre o conto. :)

Só lhes deixo aqui um trecho da versão que tem em Contos de Fadas:

"[...] Diga, a senhorita me acha muito feio?"
"Acho sim", disse a Bela. "Não sei mentir. Mas acredito que é muito bom."
"Tem razão", disse o monstro, "mas, além de feio, não tenho inteligência; afinal não passo de um animal."
"Não pode ser um animal se acha que não tem inteligência", replicou Bela. "Um tolo nunca sabe que é tolo."

- É ou não é uma mocinha admirável?! A inteligência, bondade e independência de Bela, essa força que ela tem, a imensa coragem e garra, a tornam uma protagonista muito além do seu tempo. Aquele tipo de mocinha que gostamos de ver nos livros que lemos. 

De Jacob e Wilhelm Grimm são 5 contos:

A Bela Adormecida
Branca de Neve
Chapeuzinho Vermelho
Rapunzel
João e Maria

- Fiquem tranquilos! Não vou ficar falando de todos os contos do livro.kkkkk...  Sei que a resenha já está muito longa.rsrs Mas é que eu quis escrever algo decente, que fosse digno do livro. 

Os irmãos Grimm não são os autores dos contos acima. Eles os reuniram após pesquisas na intenção de manter a tradição oral, de preservar essas histórias. Mas com o tempo e diversas adaptações, começaram a ter como alvo o público infantil, suavizando tais histórias para se adequarem. 

Vale a pena mencionar que na versão dos Grimm, a história da Chapeuzinho Vermelho tem final feliz. 

De Hans Christian Andersen são 5 contos:

A roupa nova do imperador
O Patinho Feio
A pequena vendedora de fósforos
A Pequena Sereia
A princesa e a ervilha 

- Quem acompanha os posts do blog sabe que Hans Christian é um dos meus escritores preferidos. Eu costumo publicar resenhas sobre os contos que li dele: vocês podem conferir todas elas clicando aqui

Suas histórias são realmente originais, inventadas por ele. E não é à toa que um dos maiores prêmios concedido a escritores infantojuvenis leva o nome dele. Dos contos que já li, o mais triste e também o que guardo com mais carinho no meu coração é A Pequena Vendedora de Fósforos. Chorei horrores quando o li. Nunca o esquecerei. 


De Joseph Jacobs são 2 contos:

João e o pé de feijão
A história dos três porquinhos

Eu me lembro de assistir desenhos sobre esses dois contos quando criança. Eu tinha uma fita (na época não era DVD) e via e revia o filme dos três porquinhos muitas vezes. Amava a musiquinha que tocava e a esperteza do porquinho que construiu a casa de tijolos.rsrs Bons tempos!kkkkkkkk... Nunca fui muito fã de João e o Pé de Feijão.

De um autor anônimo:

A história dos três ursos

Também assisti desenhos sobre essa história, embora não lembrasse muito dela. Confesso que não vejo muita graça nesse conto.rs

- Então é isso, queridos! Espero que vocês tenham lido a resenha até o final (risos) e que deem uma chance ao livro. É maravilhoso! Do tipo que lemos de uma tacada só e que nos desperta uma saudade deliciosa e ao mesmo tempo melancólica da infância. 

Bjs!

20 de fevereiro de 2018

100 livros que me desafio a ler!

Google Imagens


- Olá, meus queridos!

Eu estava pensando em fazer uma lista do tipo há algum tempo. Visitando tantos blogs e canais nos últimos meses, dei uma olhada nos desafios que as pessoas seguem como metas para os próximos anos e os achei bem interessantes, embora inviáveis para mim. 

Tem o desafio maravilhoso de ler os mais de trezentos livros citados ou lidos pela personagem Rory Gilmore na série de TV Gilmore Girls (que até agora eu só consegui ver completa a primeira temporada, mas aguardo a oportunidade de ver as demais), tem um projeto de leitura que consiste em ler os 1001 livros listados em um determinado livro, tem aqueles que estão tentando ler os 100 livros essenciais da Literatura Brasileira e os 100 livros essenciais da Literatura Mundial ambos mencionados em alguma edição da Revista Bravo.... Enfim... São inúmeros projetos e eu amaria participar deles, se não fosse um pequeno detalhe: não tenho o menor interesse de ler a maioria dos livros que compõe essas listas.rsrsrs

A leitura tem que ser algo que me dá prazer. Gosto de ler o que quero e quando crio listas, metas, desafios, maratonas ou participo de alguns desses criados por alguém no facebook, em outro blog ou canal, é porque realmente quero ler esses livros, ainda que necessite de um "empurrãozinho" para arriscar tais leituras.rs Assim, esses grandes projetos não servem para mim, pois eu acabaria lendo por obrigação e deixaria de ser algo bom para se tornar estressante e desgastante. 

Todavia, como eu gostaria de aderir a um projeto de leitura para mais de um ano... Um desses desafios para seguir com calma, sem exigência de tempo para terminar, resolvi criar minha própria lista. :D

E aí? Que tal conferir quais sãos os 100 livros que me desafiarei a ler nos próximos anos? Alguns vocês até podem adivinhar! :) 

Há de tudo um pouco: clássicos, fantasia, distopia, romance de época, contemporâneo, erótico, nacional, não ficção, prêmio Nobel... 

Eu fiz a lista primeiro no meu caderno de anotações (todos os projetos de leituras estão anotados nele para que eu não me perca) e nele eu não dividi por temas. Mas aqui eles estarão divididos da seguinte maneira:

Os clássicos:

1- Ilíada - Homero
2- Odisseia - Homero
3- Hamlet - William Shakespeare
4- A Divina Comédia - Dante Alighieri
5- Ulisses - James Joyce
6- Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski
7- Madame Bovary - Gustave Flaubert
8- Os Miseráveis - Victor Hugo
9- O Corcunda de Notre Dame - Victor Hugo
10- O Coração das Trevas - Joseph Conrad
11- Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley
12- Mrs. Dolloway - Virgina Woolf
13- Grandes Esperanças - Charles Dickens 
14- Um Conto de Duas Cidades - Charles Dickens 
15- O Conde de Monte Cristo - Alexandre Dumas
16- 1984 - George Orwell
17- A Revolução dos Bichos - George Orwell
18- Os Livros das Mil e Uma Noites
19- Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
20- Helena - Machado de Assis
21- As Aventuras de Alice no País das Maravilhosas e Alice através do Espelho - Lewis Carroll
22- Os Sofrimentos do Jovem Werther - Goethe
23- O Fantasma da Ópera - Gaston Leroux
24- O Apanhador no Campo de Centeio - J. D. Salinger
25- Huckleberry Finn - Mark Twain
26- O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde 
27- O Cortiço - Aluísio Azevedo
28- O Mulato - Aluísio Azevedo
29- Lucíola - José de Alencar
30- Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector
31- A Utopia - Thomas More
32- O Coronel e o Lobisomem - José Cândido de Carvalho
33- Memórias de um Sargento de Milícias - Manuel Antônio de Almeida
34- Antígona - Sófocles
35- Gabriela, Cravo e Canela - Jorge Amado
36- O Primo Basílio - Eça de Queirós
37- O Vale do Medo - Conan Doyle
38- Olhai os Lírios do Campo - Érico Veríssimo
39- Triste Fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto
40- O Quinze - Rachel de Queiroz

- A lista está bem recheada, não é mesmo? Alguns desses livros pretendo ler já neste ano e os demais quando me sentir "preparada".kkkkkk...


Autores que receberam o Prêmio Nobel de Literatura

1- O Velho e o Mar - Ernest Hemingway
2- Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez
3- Do Amor e Outros Demônios - Gabriel García Márquez
4- Entre Dois Palácios - Naguib Mahfouz
5- O Palácio do Desejo - Naguib Mahfouz
6- O Jardim do Passado - Naguib Mahfouz
7- Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
8- O Evangelho Segundo Jesus Cristo - José Saramago
9- Caim - José Saramago

- Esses livros também são considerados clássicos da literatura. José Saramago será um desafio e tanto!rs


Jane Austen

1- Razão e Sensibilidade
2- Persuasão
3- Emma 
4- Mansfield Park
5- A Abadia de Northanger

- Fala sério! Ler Jane Austen nem é um desafio!kkkkkkkk... Sou apaixonada pela autora desde que li Orgulho e Preconceito e pretendo ler quase todos os seus livros ainda neste ano de 2018. :D

Saga Harry Potter 

1- Harry Potter e o Cálice de Fogo - J. K. Rowling
2- Harry Potter e a Ordem da Fênix - J. K. Rowling
3- Harry Potter e o Enigma do Príncipe - J. K. Rowling 
4- Harry Potter e as Relíquias da Morte - J. K. Rowling

- Os três primeiros livros dessa saga não entraram na lista porque já os li.rsrs Estou simplesmente amando acompanhar cada aventura de Harry, Rony e Hermione!


Livros que mexeram com o mundo

1- O Livreiro de Cabul - Asne Seierstad
2- O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini
3- O Menino do Pijama Listrado - John Boyne

- São livros que sei que provavelmente me farão chorar e me deixarão revoltada. Eu já assisti o filme baseado no livro O Menino do Pijama Listrado e quase me desidratei de tanto chorar. :(


As Crônicas de Gelo e Fogo

1- A Guerra dos Tronos - George R. R. Martin
2- A Fúria dos Reis - George R. R. Martin
3- A Tormenta de Espadas - George R. R. Martin
4- O Festim dos Corvos - George R. R. Martin
5- A Dança dos Dragões - George R. R. Martin

- Tenho quase todos os livros da série, menos o primeiro.kkkkkkkk... É que eu sempre espero uma grande promoção para comprar. Acreditam que já paguei R$ 5,00 em livros dessa série? E não foi no sebo. Foi numa livraria! Novinho, embalado no plástico, ainda com brinde dentro! :D Foi um achado dos mais incríveis! Era uma daquelas promoções que se nos contam a gente nem acredita!kkkkkk... 


Trilogia Jogos Vorazes

1- Jogos Vorazes - Suzanne Collins
2- Em Chamas - Suzanne Collins
3- A Esperança - Suzanne Collins

- Será realmente um grande desafio! Ouço muita coisa positiva sobre essa série, mas há também uma grande parcela de leitores que a detesta. O que será que acharei?rs


Trilogia Corte de Espinhos e Rosas

1- Corte de Espinhos e Rosas - Sarah J. Maas 
2- Corte de Névoa e Fúria - Sarah J. Maas
3- Corte de Asas e Ruína - Sarah J. Maas

- Bem... Eu acho que é uma trilogia (encontrei apenas esses três títulos). Nem tenho certeza!kkkkkkkk... Mas já vi tantas pessoas declararem amor eterno por essa série que resolvi que darei uma chance para ela. :)


Colleen Hoover

1- O Lado Feio do Amor
2- É Assim que Acaba

- Já perdi a conta de quantas vezes vi pessoas mencionarem essa autora. Que ela é fantástica, que as fazem chorar, que precisam ler tudo o que foi escrito por ela... Preciso saber o que ela tem de tão especial! Estou louca para conhecer seus livros! :D


Paulo Coelho

1- Veronika Decide Morrer
2- Adultério

- O que mais ouço são comentários negativos sobre o Paulo Coelho. Algumas pessoas simplesmente torcem o nariz e outras o criticam apaixonadamente. Como prefiro formar minha própria opinião e tenho curiosidade em relação a certos livros dele, resolvi apostar nesses dois. 


Thrillers

1- Flores Partidas - Karin Slaughter
2- Caixa de Pássaros - Josh Malerman
3- Objetos Cortantes - Gillian Flynn
4- As Sobreviventes - Riley Sager
5- Indesejadas - Kristina Ohlsson
6- Silenciadas - Kristina Ohlsson
7- Desaparecidas - Kristina Ohlsson
8- Ratos - Gordon Reece

- Eu sou fascinada por suspenses, mas como eles sempre mexem muito comigo acabo necessitando de um incentivo para arriscar novas leituras e autores. Daí eles terem entrado nesse meu projeto.rs


Diversos (em destaque: psicológicos)

1- O Conto da Aia - Margaret Atwood
2- Me Chame pelo Seu Nome - Aciman André
3- Mentiras como o Amor - Louisa Reid 
4- Precisamos Falar sobre o Kevin - Lionel Shriver
5- À Espera de um Milagre - Stephen King 
6- Dançando sobre Cacos de Vidro - Ka Hancock
7- Reconstruindo Amelia - Kimberly McCreight 
8- Proibido - Thabita Suzuma
9- O Médico e O Monstro – Robert Louis Stevenson
10- Dias Perfeitos - Raphael Montes
11- Desejo de Pânico - Laura Reese
12- Psicose- Robert Bloch 
13- O Perfume - Patrick Süskind 
14- Stolen - Raptada - Lucy Christopher
15- O Sorriso da Hiena - Gustavo Ávila 
16- O Caminho para Casa - Kristin Hannah

- Aqui há de tudo um pouco. Distopia sobre um governo patriarcal e que oprime as mulheres, dramas daqueles bem fortes, suspense e, em sua maioria, livros que abordam assuntos psicológicos. Gosto de ler coisas sobre a mente humana de vez em quando e boa parte dos livros que coloquei no tema "diversos" nos trazem justamente isso. Creio que Proibido e Dias Perfeitos serão meus maiores desafios. Livros que não sei se conseguirei ler até o final.rsrs 

- A lista será atualizada conforme eu vá lendo os livros. Sempre que tiver concluído a leitura de um livro seu título ficará em negrito. 

14 de fevereiro de 2018

Orgulho e Paixão - Nora Roberts

(Título Original: All the possibilities
Tradutora: Daniela Rigon
Editora: Harlequin
Edição de: 2017)


Os MacGregors - Livro 3


Uma mulher vibrante e criativa que não quer um envolvimento amoroso. Um homem paciente, determinado e que tem todos os passos de seu futuro traçados. Um amor que nasce de uma atração improvável, mas inegável.

Shelby Campbell é uma mulher única e singular que sempre fugiu dos padrões estabelecidos para as mulheres que fazem parte do cenário político de Washington. E ela tem uma regra clara: nunca se envolver com políticos. Até conhecer Alan MacGregor, e entender que regras servem para ser quebradas. Alan está determinado a conseguir o que quer, e não vai deixar uma disputa de séculos entre os MacGregor e os Campbell ficar entre ele e o grande prêmio: o coração de Shelby.

Sequência da série MacGregor, Orgulho e Paixão narra uma nova história da família que acha que está no topo do mundo, que vivem entre o poder e a glória. Até que os seus corações sejam roubados.



Palavras de uma leitora...



- É claro que eu fecharia minha maratona com um romance, não é mesmo? :)

Após ter presenciado o assassinato do seu pai, que concorria à presidência do país, Shelby, então com 11 anos de idade, pensou que não sobreviveria a tanta dor. Ela era profundamente agarrada ao pai e perdê-lo modificou por completo a sua vida. Se já era uma menina rebelde antes, resolveu, a partir daquele momento, que a vida era curta demais para se prender a regras. E quando cresceu e finalmente pôde ser independente, deixou aflorar todo o seu lado excêntrico, exótico. Ela faria o que bem entendesse não importando quantos torceriam o nariz para suas atitudes. 

Assim, resolveu seguir a profissão de ceramista, afastando-se da política e de suas armadilhas. Vestia-se quase como uma cigana, deixando seus cachos ruivos e incontroláveis espalhados por suas costas, enquanto mantinha sua própria loja e rotina. Ou melhor, falta de rotina. Porque ela tinha alergia a tudo o que fosse certinho e formal. Amava multidões, falar e rir alto, beber e comer bem. Amava a vida. 

Naquela noite em especial, sabia que poderia ter ficado na desordem do seu apartamento, com seu gato mal-humorado e sua papagaia como colegas de quarto ou poderia sair com alguns amigos para curtir algumas horas de diversão. Mas resolveu aceitar o convite de sua mãe para comparecer a um evento na casa de uns amigos... onde não faltariam políticos. Seria tentador não ir, mas ela nunca recusava um desafio. Além disso, gostava sinceramente das pessoas que dariam aquele jantar. 

O que ela não esperava era conhecer o homem da sua vida. Por mais cínica que pudesse ser às vezes, acreditava no amor e sabia que ele chegaria um dia para ela. Só não imaginava que seria assim, naquele lugar, e justamente o último homem com quem se envolveria. Será que o destino não entendia que ela não queria ter nada a ver com política? Que não suportava esse ambiente tão tóxico e as lembranças que ele provocava? 

O senador Alan MacGregor sabia que se quisesse concorrer à presidência precisaria arranjar uma esposa. De preferência alguém que se adaptasse perfeitamente ao papel de primeira-dama, uma moça discreta e elegante, que soubesse quando falar ou calar, de acordo com a situação. Por isso, não foi sem surpresa e perplexidade que seus olhos encontraram Shelby e não puderam mais se afastar. De todas as mulheres ali presentes, ela era quem menos se encaixaria no papel de esposa ideal. Mas por que seu coração batia forte ao vê-la? E por que não conseguia prestar atenção em mais ninguém? Não sabia como acontecera, mas estava apaixonado. Sabia que não a conhecia. Que jamais a tinha visto antes, mas bastou um único olhar, um sorriso e uma curta troca de palavras para que ele não imaginasse uma vida sem ela. Sim, estava perdido. Total e irremediavelmente. 

"Alan deixou que ela quase chegasse à porta antes de falar.
- Eu vou te ver de novo, Shelby.
Ela parou, olhando por cima do ombro.
- É uma possibilidade. 
- Uma certeza - corrigiu Alan."

- Depois de ler um livro tão pesado como Entre Quatro Paredes tudo o que eu mais necessitava era de uma leitura leve, divertida e romântica. Algo que me fizesse esquecer, nem que fosse por algumas poucas horas, todo o horror do outro livro. E não foi à toa que escolhi a continuação da série Os MacGregors. Essa família sempre me encanta muito e eu tinha uma enorme curiosidade de saber como seria o livro do Alan. Ele parecia tão sério e formal quando aparecia nos livros anteriores que me perguntava se seria capaz de relaxar e se apaixonar em sua própria história. E não é que o rapaz me surpreendeu?!rsrs

Por mais racional e "certinho" que fosse, Alan soube reconhecer o amor quando surgiu para ele. Não estava naquele jantar para se apaixonar e nem para arranjar uma esposa. Sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde, todavia não tinha tanta pressa assim. Só que ao olhar para nossa protagonista pela primeira vez toda a razão e bom senso desapareceram da cabeça dele. Ele a queria. Não como senador ou futuro presidente do país. A queria como um homem deseja uma mulher. A queria para ser sua companheira por toda a vida. 

"Alan seria um problema, ela se deu conta. Alan MacGregor seria um problema muito sério."

Shelby, por sua vez, queria distância dele. Não correria o risco de se apaixonar e sofrer com todas as possibilidades de tal relacionamento terminar terrivelmente mal. Não gostava de políticos. Odiava tudo o que fosse ligado a eles. E desejava desprezar o Alan. Mas quando ele sorria para ela ou a perseguia com presentes criativos e irresistíveis, ela sentia suas defesas irem cedendo, o que era apavorante. Precisava ser forte antes que fosse tarde demais para voltar atrás. 

"- Eu vou fazer amor com você - Os lábios estavam tocando o lóbulo da orelha de Shelby novamente, destruindo qualquer pretensão de recusa. - E toda vez que você ouvir a chuva, vai se lembrar de mim."

- Passei momentos maravilhosos ao lado de Alan e Shelby. Ambos são donos de personalidades fascinantes e é impossível não rir com seus diálogos inteligentes e espirituosos. Existiram cenas que até mesmo me fizeram gargalhar. Foi realmente uma leitura que valeu cada instante e que amaria fazer de novo. 

Embora a política seja todo o problema para o relacionamento entre eles não dar certo, os dois são tão incríveis que tornaram tal obstáculo facilmente ultrapassável durante boa parte do livro. Eram maduros, um tanto loucos quando queriam (principalmente a Shelby!rsrs) e sabiam bem o que desejavam da vida. Apenas na reta final é que a profissão do Alan pesa de verdade, mas não é nada que não possa ser vencido pelo amor que se desenvolve entre eles. Claro que derramarão algumas lágrimas e gritarão um com o outro, mas assim são os relacionamentos. :) O final feliz neste livro já era garantido. A autora só precisava de uma pitada de drama para movimentar um pouco as coisas.rsrs

"Por enquanto, vamos aproveitar o que temos: um fim de semana chuvoso juntos. Não precisamos pensar no amanhã, Alan, quando temos muito do hoje."

- Destaque especial para o embate entre a Shelby e o Daniel, pai do Alan.kkkkkkkkk... Sempre que o Daniel aparece num dos livros eu vivo instantes de muita diversão. Ele é maravilhoso e merece um livro todo seu. Sou completamente apaixonada por sua personalidade e loucura e pela maneira linda como ele ama seus três filhos. Claro que ele é um intrometido cara de pau, mas é impossível não amá-lo.rs Considerando que a Shelby tem um temperamento muito parecido com o seu, já deve ser sua nora preferida. :D

- Eu amei muito o primeiro livro da série e embora tenha amado o segundo também, seguia considerando a história de Serena e Justin a minha preferida. Porém, depois de ler Orgulho e Paixão já tenho uma nova preferência... O terceiro livro agora ocupa o primeiro lugar no meu coração. Jogo de Sedução ficou com o segundo lugar.rs


Segundo a internet, os livros que fazem parte da série Os MacGregors são:

3- Orgulho e Paixão
4- Encanto da Luz
5- Hoje e Sempre (flashback do romance entre Daniel e Anna, os pais de Serena)
6- Rebelde (histórico!)
7- Um Mundo Novo (histórico!)
8- Instinto do Amor
9- Beijos que Conquistam
10- Amor Nunca é Demais
11- Um Vizinho Perfeito

13 de fevereiro de 2018

Entre Quatro Paredes - B. A. Paris

(Título Original: Behind Closed Doors
Tradutor: Roberto Muggiati
Editora: Record
Edição de: 2017)


Grace é a esposa perfeita.

Ela abriu mão do emprego para se dedicar ao marido e à casa. Agora prepara jantares maravilhosos, cuida do jardim, costura e pinta quadros fantásticos. Grace mal tem tempo de sentir falta de sua antiga vida.

Ela é casada com Jack, o marido perfeito.

Ele é um advogado especializado em casos de mulheres vítimas de violência e nunca perdeu uma ação no tribunal. Rico, charmoso e bonito, todos se perguntavam por que havia demorado tanto a se casar.

Os dois formam um casal perfeito.

Eles estão sempre juntos. Grace não comparece a um almoço sem que Jack a acompanhe. Também não tem celular, que ela diz ser uma perda de tempo. E seu e-mail é compartilhado com Jack, afinal, os dois não guardam segredos um do outro. Parece ser o casamento perfeito. 

Mas por que Grace não abre a porta quando a campainha toca e não atende o telefone de casa? E por que há grades na janela do seu quarto?

Às vezes o casamento perfeito é a mentira perfeita.



Palavras de uma leitora...


- Como escrever se ainda estou tremendo? Se me sinto sem fôlego, com o coração querendo sair pela boca? Se ainda não acredito no que li? Em algo tão... tão... 

"- Eu desprezo homens que tratam suas esposas com violência - declara Jack, com firmeza. - Eles merecem pagar por tudo que fizeram."

Quando o viu pela primeira vez, Grace se sentiu imediatamente atraída por Jack, embora não tivesse alimentado qualquer esperança de conquistá-lo. Ele não a olharia duas vezes. Existiam mulheres bem mais interessantes naquele parque e, além disso, ela tinha Millie. 

Perdera a conta de quantos relacionamentos terminaram abruptamente quando seus companheiros ficaram sabendo da existência de sua irmã, uma menina linda, portadora da Síndrome de Down. Embora desejasse com todo o seu coração casar e ter filhos, abrir mão de Millie não era uma opção. Desde que ela nasceu, Grace a criava como filha, pois seus pais não desejavam criar outra criança e planejaram entregar a bebê para adoção. Transtornada com a decisão deles, Grace lutou com todas as suas forças e recorreu a uma atitude desesperada, conseguindo que eles voltassem atrás. Todavia, daquele momento em diante, a menina passou a ter somente a irmã, que a amava mais do que a própria vida. 

Após seu namoro mais recente e duradouro também ter chegado ao fim, ela começou a acreditar que terminaria sozinha. E não foi sem surpresa que aceitou a aproximação de Jack, que, diferente de todas as pessoas que tinham cruzado seu caminho, parecia nutrir um afeto por Millie, aceitando-a como parte de Grace. 

"Havia algo de conservador no jeito de Jack que eu achava revigorante: ele abria as portas para mim, me ajudava a vestir o casaco e mandava flores. Ele fazia com que eu me sentisse especial, amada, e, o melhor de tudo, adorava Millie."

Mal podendo acreditar em sua sorte, Grace se sentiu no céu durante os meses de namoro. Quando via a maneira linda como ele tratava sua irmã, compreendendo-a, amando-a como se também fosse parte da família dele, ela soube que tinha feito a escolha certa. Assim, quando ele a pediu em casamento, ela aceitou. Como dizer não? Como não realizar seu maior sonho se, apesar do pouco tempo que o conhecia, Jack se mostrava exatamente o homem que ela tanto tinha esperado? Estava apaixonada. E se sentia amada como jamais tinha se sentido na vida. Sabia que aquele era apenas o início de um casamento maravilhoso. 

"São noites como essa que me fazem lembrar por que me apaixonei por ele. Charmoso, divertido e inteligente, Jack sabe exatamente o que dizer e de que forma dizer."

Sempre que estava ao seu lado, ela se sentia protegida, como se nada no mundo jamais pudesse ameaçar sua felicidade. E como não se sentir assim? Jack era um advogado famoso, especializado em Direito Penal, defendendo mulheres vítimas de agressão e nunca perdia um caso. Se tinha alguém que ela sabia que não a machucaria era ele. 

Tal era a confiança que seu sorriso amoroso e seus olhares ternos lhe passavam, que ela não discutiu quando ele a pediu para abandonar o emprego. Ela procurou entendê-lo. Realmente viajava muito e se seguisse assim, eles passariam mais tempo separados do que juntos. Além disso, ela própria não suportava a carga de trabalho. O aceitara por causa de Millie, para poder pagar a escola na qual ela estudava e custava muito caro. Ela fizera enormes sacrifícios e se esforçara muito para ocupar a importante posição que hoje possuía na empresa, mas não precisava mais daquilo. Poderia relaxar um pouco. Depois consideraria arrumar outra coisa. Foi só o início. 

Logo ele sugeriu que ela vendesse a casa que tinha e aceitasse que ele lhe desse outra de presente de casamento. A casa dos seus sonhos. Não no centro de Londres, mas afastada de toda aquela agitação, onde pudessem ter privacidade como casal. Por mais que não quisesse se desfazer da casa, Grace aceita e entrega o dinheiro da venda a ele, para comprarem os novos móveis. 

Tudo parecia perfeito. Apesar das coisas que se viu obrigada a abandonar para agradá-lo, ela estava convencida que tinha tomado a melhor decisão. Feliz, com um sorriso estampado no rosto, ela caminhou em direção ao seu futuro, mas antes mesmo que dissesse "sim", seu lindo sonho começou a virar um pesadelo. 

"Onde estava o perfeito cavalheiro que eu tinha conhecido? Tudo não passara de uma fachada?"

Embora um acontecimento inesperado e as atitudes de Jack no dia do casamento a tenham desestabilizado, foi somente na lua de mel que Grace finalmente descobriu quem era o homem com o qual havia se casado. Desesperada, com o pânico ameaçando sufocá-la, ela tenta fugir, mas é tarde demais. Percebe que caíra numa armadilha. E arrastara sua irmã com ela. 

"- Eu não estou entendendo - falei, reprimindo um soluço - O que você quer?
- Exatamente o que eu tenho: você e Millie."

Agora, um ano mais tarde, Grace é a esposa perfeita. Não tem mais amigas, pois estava tão ocupada com as delícias de seu casamento, que não tinha tempo para elas e não foi uma surpresa quando, pouco a pouco, elas se afastaram. Já não tinha celular como no passado, pois percebera que aquilo era uma total perda de tempo. As pessoas de antigamente viviam sem eles, não é mesmo? E sua conta de e-mail é partilhada com Jack, pois eles sempre dividem tudo, não há espaço para segredos em suas vidas. Se perguntassem para alguém, todos responderiam que jamais viram Grace ir a um lugar sem Jack e que achavam aquilo muito romântico. 

Ela era uma excelente anfitriã quando recebiam em sua casa os amigos de Jack. Todas as mulheres a invejavam e desejavam estar em seu lugar. Ela brilhava, conduzindo todo o jantar e as conversas com perfeição. Mas quando as visitas iam embora e a porta era trancada, todo o seu inferno recomeçava. Com as persianas fechadas e o alarme ligado, Jack estava novamente livre para fazer tudo o que mais apreciava... Porém, todo o terror que ela vivia dia após dia ao lado de um psicopata não se comparava ao que a esperava dali a alguns meses, quando Millie deixasse a escola para morar com eles. Ela sabia que precisava correr contra o tempo. Fugir era sua única opção. Mas como fazer isso se todas as suas diversas tentativas tinham sido frustradas e só lhe provocaram mais sofrimento? Como escapar daquele inferno se Jack estava sempre um passo à frente? 

"Muitas vezes penso em matá-lo, mas não consigo. Para começo de conversa, não tenho os meios necessários. Não tenho acesso a remédios, facas ou outros instrumentos mortais, porque ele tomou todas as precauções possíveis."

- Durante a leitura deste thriller angustiante, é muito fácil nos sentirmos como a Grace: presas. A sensação é claustrofóbica, como se o ar não entrasse em quantidade suficiente nos pulmões, como se fôssemos sufocar. A situação dela é desesperadora, pois não importa o que ela faça, o quanto tente e arrisque, não há saída. E se tem uma heroína que não desiste nunca é a Grace. Em muitos momentos eu sorri em meio ao nó na garganta, orgulhosa de sua força, de sua vontade de viver. Me doía imenso ver suas tentativas serem frustradas e o preço que ela pagava por cada "falha", e quanto mais conhecia o Jack mais ódio sentia por ele. É um dos personagens que mais odeio na vida. Não foi difícil eu desejar sua morte. Nem imaginar várias maneiras de acabar com sua maldita raça. Eu tremia não só de pavor, mas de fúria. Sentia o meu sangue ferver, desejando estar na história para ter o prazer de ajudar a protagonista a mandá-lo para o inferno do qual ele jamais deveria ter saído. Ele não passa de um demônio. Se não era filho do coisa ruim, com certeza tinha um pacto com ele. 

"Não há livros, papel ou caneta para me distrair. Eu passo os dias suspensa no tempo, uma massa sem vida na humanidade."

- Hoje em dia, há vários anos já para dizer a verdade, a lei brasileira passou a considerar violência psicológica um crime, sendo punido pela mesma lei que defende as mulheres das agressões físicas. Psicólogos, psiquiatras e outros especialistas perceberam que uma agressão emocional provoca tantos danos (senão mais!) quanto as agressões físicas, como tapas, socos, chutes. A destruição emocional que um homem pode provocar numa mulher, com suas palavras, com as chantagens, ameaças e outras maneiras de tortura psicológica, pode ser irreparável. Jack parecia saber muito bem disso, pois o seu prazer era destruir Grace mentalmente, era levá-la para além do limite do medo. Ele se alimentava do pavor que ela sentia e sempre que ela estava se recuperando de mais um ataque, ele desferia outro golpe. Era isso que lhe dava prazer. Não existia nada melhor que o medo. 

"- Medo - sussurrou ele. - Não existe nada igual. Adoro o que ele causa, a sensação que provoca, seu cheiro. E especialmente o som. - Senti sua língua na minha bochecha. - Adoro até mesmo o sabor."

- Leio thrillers há muitos anos já e os psicológicos são sem sombra de dúvida os meus preferidos. Meus amigos e familiares, quando falo o que estou lendo, sempre me perguntam como consigo ler livros assim. Não tenho uma resposta para eles, porque a verdade é que nem eu sei!kkkkkkkk... Sofro horrores com essas histórias, tenho pesadelos, minha ansiedade (que já é natural) aumenta, fico com medo até da minha sombra. Mas não consigo evitar. Claro que sempre necessito ler algo bem leve depois.rsrs O meu thriller psicológico preferido é No Escuro, seguido de perto por Identidade Roubada e A Lista do Nunca. Sempre que leio algo do gênero, o comparo ao primeiro livro, me perguntando se ele é realmente digno de ocupar o mesmo lugar. Com Entre Quatro Paredes isso nem foi necessário. Não precisei me perguntar se o livro era tão bom quanto No Escuro. Porque desde as primeiras páginas eu soube que ele era melhor. 

No Escuro sempre será um grande thriller, maravilhoso, impecável, de tirar o fôlego e te deixar no chão. Nunca na vida vou esquecê-lo, mas a história de Grace consegue ser mais densa, pesada, angustiante. Ela mexe profundamente com nosso psicológico, nos fazendo realmente estar no lugar da protagonista. Algo que o livro da Cathy também consegue, só que Entre Quatro Paredes parece se passar todo na mente da protagonista. Tudo enxergamos à luz dos seus pensamentos e isso acelera literalmente nosso coração porque é uma carga emocional muito grande. Insuportável. Queremos fechar as páginas do livro nem que seja por alguns minutos, pois precisamos sair daquela prisão. Porque não conseguimos respirar. 

"Anseio que alguém comece a questionar, a suspeitar."

E o que falar daquele final???????!!!! Um dos melhores que já li! A autora soube amarrar bem a história, nos envolvendo do começo ao fim até o clímax perfeito. É raríssimo ver um autor não perder a mão ao fechar o último capítulo de sua história. Mas a B. A. Paris deixou o melhor para aquele momento, nos deixando de queixo caído. Confesso que eu esperava por algo do tipo, que tinha uma noção de como terminaria, pois tinha ficado óbvio para mim que alguns personagens não estavam ali por acaso. Não dá para falar muito para não entregar o final do livro, mas eu não fiquei surpresa com a forma como ele terminou. Ainda assim, foi incrível ler algo assim, gente! Me fez gritar!kkkkkkk... Minha mãe até mesmo olhou para minha cara e disse: "Temos uma louca em casa!"kkkkkkkk... 

Sabe que achei aquele fim poético, até?rs A autora, ao escrever algo tão "assim" me deu na ficção a justiça que eu gostaria que existisse na vida. Lei do retorno. Tudo que fazemos com alguém retorna para nós. Na vida as coisas não são assim tão justas, não há uma justiça perfeita. Mas no livro da B. A. Paris, sim! Será que estou falando demais?! Nem tanto, tenham certeza.rs

"Se era capaz de me enganar, se era capaz, mesmo que por alguns segundos, de me fazer esquecer quem ele era, como eu poderia convencer as outras pessoas de que era um lobo em pele de cordeiro?"

- Eu poderia ficar aqui falando sobre o livro por horas e não cansaria. Existe muita coisa que gostaria de dizer, mas além da resenha ficar gigante eu certamente acabaria soltando algum spoiler, mesmo sem querer.rsrs Por isso, paro por aqui. Mas lhes digo: LEIAM O LIVRO!!!! Vale muito a pena! Não me arrependi nem por um instante! E já quero ler tudo o que a autora escrever! :D


Esta foi minha segunda leitura para a Maratona Literária de Carnaval que criei para me incentivar a ler mais livros em pouco tempo. Meu objetivo era ler três livros de 10 a 14 de fevereiro. Já li dois! Resta apenas um! :) Comecei com uma biografia e vou encerrar com um romance! 
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