18 de setembro de 2020

O Mágico de Oz - L. Frank Baum


Literatura norte-americana
Título Original: The Wonderful Wizard of Oz
Tradutor: Luis Reyes Gil
Editora: Autêntica
Edição de: 2017
Páginas: 226

50ª leitura de 2020 (47ª resenha do ano)

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: O Mágico de Oz conta a história de Dorothy Gale, uma órfã que vivia com os tios numa fazenda do Kansas, nos Estados Unidos. Um dia, um ciclone arranca do chão a casa onde moravam. Os tios conseguem entrar no porão que usavam como abrigo para tempestades, mas Dorothy e seu cachorro, Totó, se atrasam e ficam na casa, que foi levada durante muito tempo pelos ares até chegar à Terra de Oz.

Lá, Glinda, a Bruxa Boa do Norte, explica a Dorothy que ela havia matado a Bruxa Malvada do Leste, pois a casa aterrissou em cima dela. Dorothy agora é, por direito, dona dos sapatos mágicos prateados da bruxa má. Além disso, Glinda lhe dá um beijo na testa, para ela ficar em segurança durante as aventuras que viveria a caminho da Cidade das Esmeraldas, onde vive o poderoso Mágico de Oz, o único que poderia ajudá-la a voltar para o Kansas.

Para chegar à Cidade das Esmeraldas, Dorothy tem que seguir por uma estrada de tijolos amarelos. Durante a caminhada, ela encontra o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde. Os três se juntam a Dorothy, pois também querem encontrar Oz e pedir algo para ele: o Espantalho quer um cérebro para pensar como os homens; o Homem de Lata, um coração para amar como os homens, e o Leão Covarde quer coragem para ser o Rei dos Animais.

A partir daí, os quatro encaram perigos, vivem histórias fantásticas e aprendem a enfrentar os próprios medos.




Acho que é quase impossível alguém ter passado pela vida sem ter ouvido falar desta história.rs Eu não consigo me lembrar bem como foi que a conheci, se através de algum desenho, filme ou outra adaptação, só o que sei é que ainda não tinha lido o livro, mas sabia tudo o que iria acontecer ao longo da narrativa. Conhecia bem os personagens e todas as suas aventuras para conquistar o que tanto sonhavam...

Nesta obra voltada para o público infantojuvenil (mas capaz de encantar pessoas de todas as idades!) conhecemos a pequena Dorothy, uma menina órfã criada pelos tios, que eram pessoas humildes que não encontravam na vida motivos para sorrir, ao contrário dela que sempre estava brincando e rindo com seu cãozinho Totó. Embora viver no Kansas não fosse muito agradável, pois tudo parecia cinzento e triste, Dorothy amava os tios e não imaginava a vida longe deles. 

"Era Totó que fazia Dorothy rir, e foi quem evitou qu ela crescesse tão triste quanto todo o resto que a rodeava."

Todavia, num dia em que uma terrível tempestade rapidamente começou, ela não teve tempo para entrar no buraco que tinha no chão e servia como abrigo contra esse tipo de dificuldade. Sua casa foi arrancada por um ciclone e a pequena foi junto, tendo apenas Totó como companhia. E foi assim que ela acabou parando na Terra de Oz e matando a cruel Bruxa do Leste, já que a casa aterrissou em cima da malvada. 

Um tanto confusa por ser considerada uma heroína (quando ela era incapaz de matar até mesmo uma formiga), tudo o que Dorothy mais desejava era regressar ao Kansas, para junto dos seus tios. E toda a sua aventura pelos esquisitos e fascinantes países daquele mundo tão extraordinário será voltada para a realização deste que é o seu maior desejo. 

"Não podemos machucar essa garotinha - avisou aos demais -, pois ela é protegida pelo Poder do Bem, que é maior que o Poder do Mal."

Tudo o que eu precisava no momento era ler uma história que fosse leve e divertida, que me provocasse um quentinho no coração e me fizesse esquecer um pouco a vida real. E O Mágico de Oz me proporcionou uma leitura maravilhosa, cheia de magia, amor e amizade, do tipo que nos faz sorrir e sonhar.

Como Dorothy desejava voltar para sua casa e ninguém sabia ao certo qual era o caminho, ela acaba sendo orientada a procurar pelo misterioso (e considerado terrível) Mágico de Oz, um dos mágicos mais poderosos já existentes e o único capaz de fazê-la regressar para junto dos seus tão amados tios. 

No meio dessa aventura, a menina conhece três personagens que simplesmente roubam nosso coração! O Espantalho, que tinha sido criado a pouco tempo e sonhava em ter um cérebro para ser um homem como qualquer outro. O Homem de Lata, nosso amado lenhador, que um dia tinha sido humano, mas ficou naquelas condições por causa de uma bruxa muito ruim. Tudo o que ele mais desejava era ter de novo um coração e assim poder amar. E temos também o famoso Leão Covarde, que sonhava em ser corajoso para poder ser de verdade o rei dos animais. 

"Não existe criatura viva que não sinta medo diante do perigo. A verdadeira coragem está em enfrentar o perigo mesmo quando você tem medo [...]"

A amizade entre todos eles é quase imediata e juntos enfrentam todos os perigos que aparecem ao longo do caminho. Eles acompanham Dorothy, pois também desejam pedir ao Mágico de Oz que realize os seus sonhos. 

Este livro nos aparesenta um mundo encantador, do qual não queremos sair ao final da leitura. Eu queria continuar lá!kkkkkkkkkk... E foi por isso que acabei não dando 5 estrelas, pois considerei o final abrupto, muito rápido. Dava para ter desenvolvido melhor aquele final, o que seria mais justo com uma história tão linda. 

A forma como esses personagens se tornam tão amigos me emocionou muito. Era tão bonita a amizade entre eles, a cumplicidade, o fato de um nunca abandonar o outro pelo caminho, não importava o que acontecesse e como parecesse impossível seguirem todos juntos. Este foi o ponto alto da história, o que ela teve de mais especial: essa amizade tão linda e emocionante entre Dorothy, o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde. Vou levar esses personagens para sempre comigo!

Enfim... É uma história que recomendo para todos que desejam sonhar! :)


-> DLL 20: Um livro de cor amarela


9 de setembro de 2020

A Abadia de Northanger - Jane Austen


Literatura Inglesa
Título Original: Northanger Abbey
Tradutor: Rodrigo Breunig
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2011
Páginas: 272

49ª leitura de 2020 (46ª resenha do ano)

Sinopse: Catherine Morland, dezessete anos, coração puro, é uma mocinha ingênua, viciada em livros repletos de desventuras horripilantes e amores trágicos. Sabendo sobre a vida apenas o que leu nos romances, ela sai de seu obscuro vilarejo natal para passar uma temporada em Bath, estação balneária frequentada pela aristocracia inglesa, onde conhece bailes excitantes, uma amiga amabilíssima, um cavalheiro encantador e outro insuportável. E sai de Bath para ser hóspede, como num sonho, de uma abadia. A antiga construção, porém, revelará sinais misteriosos, indícios de que foi cenário, no passado, de um crime medonho. Exatamente como ela lera nos livros...



Estou passando por dias um tanto ruins na minha vida e confesso que não me sinto capaz de escrever esta resenha. Mas este é um livro que me encantou tanto que eu resolvi pelo menos tentar falar sobre ele. 

Persuasão era até agora o meu livro preferido da Jane Austen. Todavia, depois da maravilhosa experiência de ler A Abadia de Northanger, eu já não sei mais o que fazer.rsrs Acho que vou deixar os dois ocuparem o primeiro lugar entre os mais amados da autora...

Quando iniciei esta leitura eu não sabia bem o que esperar. Não é um dos romances mais famosos dela, poucas vezes li resenhas sobre ele (na verdade, no momento, sequer consigo lembrar de nenhuma resenha que tenha lido!) e, no fundo, acreditava que não chegaria aos pés das outras histórias. Só que logo no início, a ironia da autora, bem mais explícita neste romance do que em qualquer outra história que já li dela, já me fascinou e eu ria tanto com a maneira como ela debochava dos costumes e das relações de "amizade" existentes entre alguns personagens, que consegui perceber que este livro me preparava grandes surpresas...

Nele temos uma heroína que não possui muitas características dignas de uma heroína (segundo a autora, que o tempo inteiro "se mete" na história.rsrsrs), que tudo o que conhece da vida é o que leu em seus amados livros (vários deles de terror) e a pouca experiência que tinha em se relacionar com outras pessoas, vez que vivia num vilarejo de onde jamais tinha saído. Ela tinha apenas dezessete anos e era bastante ingênua, inclusive para a idade. 

Um dia, o senhor e a senhora Allen, que não tinham filhos e viam em Catherine sua protegida, resolveram levá-la para uma temporada em Bath, algo que a empolgou bastante. Era sua primeira chance de conhecer outros lugares, outros tipos de pessoas e possivelmente um "mocinho" adequado. Lá, Catherine acaba desenvolvendo amizade com Isabella Thorpe, que lhe jura fidelidade eterna e não consegue passar sequer um dia longe de sua "amada amiga". Isabella possuía um irmão, John Thorpe, que por coincidência era o melhor amigo do irmão da nossa mocinha. 

Além desses personagens, que serão significativos na vida de nossa heroína, ela também conhece Henry Tilney, por quem sente uma "inexplicável" atração. Só com ele queria realmente dançar. Só com ele era interessante conversar e o mais fascinante é que Henry não via os romances com desprezo, como outras pessoas, e não é nada mau se interessar por alguém que aprecia os livros, certo? Só que existia John Thorpe, o desagradável e "chiclete" irmão de sua amiga. Alguém que amava muitíssimo a si mesmo (e ninguém mais) e estava determinado a conquistar Catherine e atrapalhar sua amizade com os Tilney.

E como se não bastasse os grandes desafios que Catherine terá que enfrentar ao lidar pela primeira vez com a hipocrisia de outras pessoas, sua imaginação tão fértil conseguirá colocá-la numa certa confusão... em uma determinada abadia.  

Mas se tem uma coisa garantida nesta divertida e envolvente história é o final feliz! Dele, Jane Austen não abre mão. Para a alegria de nós leitores, claro!

" - A pessoa que não sente prazer com um bom romance, seja cavalheiro ou dama, só pode ser intoleravelmente estúpida."

Eu amei cada momento da leitura e só queria devorar as páginas para saber como terminava. É uma história na qual a autora usa e abusa da ironia como nunca a vi fazer (geralmente nos outros livros, ela é mais implícita) e isso foi o que mais me agradou. Me proporcionou muitas risadas e a maneira como ela se metia na história, conversando com nós leitores, também foi um espetáculo. Era como se ela realmente estivesse falando diretamente com a gente e isso foi incrível. Amei demais este livro! 

Impossível não mencionar o talento da autora para expor certas amizades falsas escondidas sob um verniz de grande carinho, bem como a hipocrisia daqueles que só se aproximam de outros por interesse e os tratam como os mais "preciosos do mundo", de acordo com o status e a riqueza deles. Vários personagens eram tratados de acordo com sua fortuna, as pessoas valiam apenas o que tinham... algo não muito diferente do que ainda acontece nos dias de hoje. 

Além disso, de maneira um tanto mais implícita, ela também menciona a realidade de filhos submetidos a pais controladores e abusivos, que precisam "pisar em ovos" todos os dias para lidar com alguém de quem não podiam se libertar pelos laços de sangue e de afeto. Uma das coisas que mais me enfurecia neste aspecto, era a maneira como aquele pai sempre falava pela filha, anulando suas vontades, anulando sua voz. E como, inclusive, a envergonhava na frente de outras pessoas. O tempo inteiro ela tinha que agir com cautela, tentando lidar com uma situação com a qual não teve outra escolha senão se acostumar... até ter a oportunidade de escapar daquilo pelo casamento. Tudo isso é mostrado de forma mais implícita, como eu disse, mas está ali para o leitor perceber. 

A relação entre Catherine e Henry é bem fofa, mas até nisso a autora teve que ser única.rsrs Só lendo para vocês entenderem. Gostei demais dos dois juntos e torci muito por seu final feliz. 

A história de alguns personagens não "fechou" como eu gostaria, mas a autora fez de propósito para que nossa imaginação fizesse sua parte. E como não falar da paixão da protagonista pelos livros???? É tão maravilhoso encontrar um personagem que seja leitor! Infelizmente, não aprecio o mesmo gênero literário que ela, mas só o fato de ela ser leitora já me deixou com um sorriso no rosto. E era bem divertido ler sobre as loucuras que a mente dela aprontava influenciada pelos livros lidos.kkkkkk... Ela é bem doidinha!

Enfim... É isto, queridos! Sei que esta resenha não é digna da história, mas fico feliz por passar pelo menos um pouquinho do meu amor pelo livro. Espero que tenham gostado! :)


-> DLL 20: Um livro lançado antes de 2016



5 de setembro de 2020

Livros lidos e não resenhados (julho/agosto de 2020)

Olá, queridos!

Às vezes acontece de eu ler um livro e, por um motivo ou outro, não conseguir fazer a resenha. Felizmente, isso aconteceu muito pouco ao longo dos mais de dez anos do blog. Mas 2020 está sendo atípico. Um ano digno de ser considerado um pesadelo. E claro que isso afetou as minhas leituras. Existem momentos nos quais não sinto vontade de ler, passo dias sem tocar em livro algum (lembrando que a leitura é minha maior paixão) ou não sinto vontade de fazer resenhas. E tudo bem. Porque ler e/ou resenhar não é para ser uma obrigação, mas sim um prazer. 

Todavia, não é só por isso que alguns livros não serão resenhados de agora em diante. Toda vez que eu não fizer a resenha de alguma história que tiver lido, irei explicar os respectivos motivos. 


Literatura norte-americana
Título Original: The good daughter
Tradutor: Zé Oliboni
Editora: HarperCollins
Edição de: 2018
Páginas: 464

40ª leitura de 2020 

Sinopse: Charlotte e Samantha eram apenas adolescentes quando invadiram sua casa em Pikeville à procura de seu pai Rusty, um advogado de defesa odiado por algumas pessoas da cidade que o viam como "a mão direita do Satanás" por defender todo tipo de criminosos.

Ele estava no fórum quando dois homens descontaram seu ódio na família - matando sua esposa, atirando na cabeça de Samantha, deixando-a à beira da morte, e aterrorizando Charlotte.

Afetadas pelo trauma, as irmãs precisam se reencontrar após um crime hediondo em uma escola. Charlotte é a primeira a chegar ao local do crime e revive a violência de seu próprio passado. Após tantos anos de segredos e silêncio, a família é obrigada a lidar com o caso em uma história de intrigas e reviravoltas que mostra que nem tudo é o que parece.




A Boa Filha foi minha penúltima leitura de julho e a 40ª do ano. Um livro que li numa leitura coletiva e amei cada momento (menos o final da história). É um livro que nos envolve desde o prólogo, quando sofremos um choque muito grande com a violência presente nas cenas, a crueldade enorme de que Samantha, Charlotte e a mãe delas são vítimas. É um início que nos rouba o fôlego e viramos as páginas com ansiedade, desejando saber tudo o que ocorreu depois, como conseguiram superar e seguir em frente. 

Eu tinha que terminar a leitura do livro Para Sempre para um desafio e terminei de ler os dois quase ao mesmo tempo, dando prioridade para a resenha da outra história, o que acabou prejudicando esta, vez que o mês de julho terminou sem que eu tivesse conseguido começar a resenha de A Boa Filha. Assim, ao iniciar as leituras de agosto já não havia tempo para me dedicar como sempre me dedico na hora de escrever sobre um livro. Vários dias já tinham se passado. :(

Esta não é uma leitura fácil, mas depois de Flores Partidas (outra história da mesma autora), eu já estava preparada para tudo. Acho que nenhum livro conseguiria ser mais pesado que aquele. 

Durante a leitura coletiva foram realizados dois debates e ambos foram maravilhosos! Como vocês já sabem, amo ler em conjunto, pois é possível conversar e desabafar sem medo de estragar a leitura de ninguém com spoilers.rsrs

É um livro que recomendo muito, mas para quem já conhece os livros da autora ou está acostumado a ler livros fortes. 




Literatura Irlandesa 
Título Original: The picture of Dorian Gray 
Tradutor: Jorio Dauster
Editora: Folha de São Paulo
Edição de: 2016
Páginas: 176
43ª leitura de 2020

Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura #6

Sinopse: Escrito em 1890, este romance de Oscar Wilde talvez seja até mais atual do que em seu lançamento. O culto à aparência física e à eterna juventude deixou de ocupar apenas alguns estetas e aristocratas, como ocorria no fim do século XIX, para se transformar em fenômeno de massa. 

No esplendor da juventude, Dorian Gray posa para um quadro, e lamenta que, com o passar dos anos, perderá a beleza ali retratada. Ou será que não? Um pacto diabólico está em curso. 




Este é um livro que resolvi não resenhar por um simples motivo: já tem resenha dele no blog. Sim. Porque o li pela primeira vez em 2018 e vocês podem ter acesso à resenha clicando aqui

Na época, eu jurei que nunca iria reler esta história. Que nunca mais permitiria que o livro me causasse todo aquele tormento, aquele desgaste emocional tão grande. Lendo a resenha vocês poderão entender um pouco do que estou falando. O Retrato de Dorian Gray é um livro completamente digno de 5 estrelas, mas é uma história que tem como personagens principais dois homens podres, cruéis. Que sentem prazer na maldade. É uma história que faz com que nos sintamos mal. Pelo menos, foi assim que me senti da primeira vez que li. E o sentimento permaneceu na releitura. 

Mas por que decidi reler? Porque, através do projeto de leitura coletiva da Mell do canal Literature-se, eu fiquei sabendo que a versão que li em 2018 é a autocensurada pelo próprio autor e contendo 7 capítulos a mais que a versão original. Isso acontece porque este livro do Oscar Wilde causou muitos problemas ao autor em sua época. O livro sofreu censura pelo próprio editor dele, pelo que entendi, e mesmo assim recebeu duras críticas. O autor, então, autocensurou o próprio texto e acrescentou mais sete capítulos. Todavia, de nada adiantou. O livro chegou a ser usado como prova contra o autor, que foi condenado a dois anos de prisão e trabalhos forçados por ter tido relações com rapazes, ou seja, por ser homossexual. Isso era considerado crime. E o livro foi usado como prova contra o autor! Sim! Inacreditável!

Este foi meu motivo para reler. Já que eu tinha lido a versão censurada e contendo 20 capítulos, quis ler a versão original, sem censura e com seus 13 capítulos. Confesso que não notei grandes diferenças. Cheguei a comparar em vários momentos as duas versões, mas as diferenças são mínimas, pelo que pude perceber. A maior diferença é que uma versão tem 20 capítulos e a outra tem 13. 

Como eu disse, meus sentimentos pela história permanecem os mesmos. Sigo detestando profundamente o Dorian. Sigo sentindo asco do Henry. Eles são ainda mais cruéis do que eu me lembrava!


Literatura Brasileira
Editora: Companhia das Letras
Edição de: 2009
Páginas: 280

48ª leitura de 2020 

Sinopse: Clássico absoluto dos livros sobre a infância abandonada, Capitães da Areia assombrou e encantou gerações de leitores e permanece hoje tão atual quanto na época em que foi escrito. A história crua, comovente, dos meninos que moram num trapiche abandonado e vivem de pequenos furtos e golpes causou impacto desde o lançamento, em 1937, quando a polícia do Estado Novo apreendeu e queimou inúmeros exemplares do livro. Longe de manifestar piedade por suas pequenas criaturas, Jorge Amado as retrata como seres dotados de energia, inteligência e vontade, ainda que cerceados pelas condições sociais hostis em que estão inseridos. Com sua prosa repleta de verve e humor, o escritor baiano nos torna íntimos de cada um desses personagens e nos contagia com sua obstinada gana de viver. 




Eu demorei a publicar este post (pretendia publicá-lo no dia 31 de agosto) porque passei todos estes dias sem decidir se iria ou não fazer a resenha de Capitães da Areia, um livro que bagunçou minhas emoções, me provocou uma angústia enorme e se tornou um dos meus preferidos da vida. 

Acontece que não consegui, simplesmente não consegui escrever a resenha. Não sou capaz de falar sobre este livro, de expressar sequer um terço de tudo o que sinto, de como ele se cravou profundamente em meu coração.

Como falar dessas crianças abandonadas, morando nas ruas e sobrevivendo de furtos para ter o que comer e o mínimo para vestir (muitas vezes vestindo farrapos)? Como expressar a dor que me consumiu ao conhecer a história de cada uma delas, sem poder fazer nada para salvá-las, para tirá-las daquelas condições antes que fosse tarde demais?!! Eu ficava "sufocada" durante a leitura, imaginando o terror que era viver daquela maneira, sendo desprezadas pela sociedade e pelo Estado que eram os verdadeiros culpados por elas estarem ali, naquelas condições miseráveis. Um Estado que "lavava as mãos" e empurrava aquelas crianças e adolescentes para um destino aparentemente sem volta. Uma sociedade hipócrita que queria torná-las invisíveis. Eu senti tanta raiva, tanta revolta! E muito desespero. 

"No reino do céu seriam iguais. Mas já tinham sido desiguais na terra, a balança pendia sempre para um lado."

A maneira como essa crianças eram tratadas me fazia desejar entrar no livro e espancar aqueles seres que não mereciam ser considerados humanos! Até mesmo quando tentavam vender algumas coisinhas ou fazer desenhos para conseguir algum dinheiro para comer, as crianças eram humilhadas e agredidas! Como não se revoltar?! Como não alimentar o ódio no coração se por todos os lados tentavam impedi-las de sobreviver?! 

Não desprezei nem julguei nenhuma daquelas crianças e adolescentes, pois eram o que o Estado as tornou, o que os privilegiados poderiam ter evitado, mas nada fizeram, pois pensavam apenas no próprio umbigo. E eu me pergunto: o que mudou? Hoje em dia temos o Estatuto da Criança e do Adolescente, a proteção integral da infância, algo que não existia quando Capitães da Areia foi escrito. Todavia, realmente mudou alguma coisa? Nenhuma criança está desamparada pelas ruas, tendo sua infância arrancada e um destino de sofrimento? Eu reconheço a importância enorme do ECA, ele representou um marco, um reconhecimento verdadeiro dos direitos humanos das crianças e adolescentes, mas muita coisa ainda precisa ser feita. Capitães da Areia segue sendo um livro muito atual. Existem muitas crianças desamparadas ainda nos dias atuais, existem muitas infâncias sendo perdidas, das mais diferentes formas. 

Este foi um livro lido para o Clube de Leitura - Clássicos da Literatura Nacional criado pela Kelly, do canal Aventuras na Leitura. Para saber como participar basta clicar AQUI. Agora em setembro leremos Vidas Secas, do Graciliano Ramos. 



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