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26 de novembro de 2020

Legado de Lágrimas - Lynne Graham


Literatura Irlandesa 
Título Original: Claimed for the Leonelli Legacy
Editora: Harlequin
Edição de: 2018
Páginas: 125 (e-book)

67ª leitura de 2020 (58ª resenha do ano)

Sinopse: Una chica inocente… Tia Grayson no había salido nunca del convento brasileño en el que vivía, hasta que Max Leonelli fue a buscarla con la sorprendente noticia de que era la heredera de una gran fortuna en Inglaterra, y la hizo arder de deseo con tan solo tocarla.


Un multimillonario… El abuelo de Tia quería casar a su protegida con su heredero, pero Max no era de los que se casaban. Hasta que la belleza de Tia hizo que reconsiderase su decisión.

¿Y un bebé? Max debía llevar a Tia a casa, pero la atracción era tan fuerte entre ambos que no pudieron resistirse a una noche de placer. La posibilidad de que esa noche hubiese tenido consecuencias dio a Max la oportunidad perfecta de convencer a Tia de que se casase con él.



Não sei se rio ou choro, sinceramente!rs Creio que não foi lá uma boa ideia ter apostado nesta história... 

Ao longo dos meus anos como leitora, li todos os livros da Lynne Graham já publicados no Brasil (o que é muita, muita coisa!!!) e até mesmo alguns que não chegaram aqui. É uma das minhas autoras preferidas, mas seus livros, para quem bem os conhece, não são fáceis. O machismo reina na maioria das obras e a vontade que sentimos é de esganar os mocinhos, bem como certos parentes das mocinhas. Existem ocasiões em que desejamos esganar as mocinhas também por serem tão tapadas, tão imbecis ao permitirem que os outros façam delas o que bem quiserem. 

E por que amo tanto a autora se existem tantas coisas que me incomodam em suas obras?! Talvez por loucura, masoquismo ou algo do gênero.rsrs A verdade é que ela escreve muitíssimo bem e é uma daquelas escritoras que mexem bastante com nossas emoções durante a leitura ao ponto de, querendo ou não, "viciarmos" em suas obras.rs E do mesmo jeito que sabe criar ogros, ela também, QUANDO QUER, cria mocinhos maravilhosos, que nos chocam por serem tão diferentes do "padrão" de "mocinhos-vilões" da autora. 

Mas... Creio que alguma coisa mudou em mim. Antes, ao ler romances, eu conseguia separar ficção da realidade com uma facilidade enorme. Por mais que desprezasse certas atitudes dos personagens (não só os da autora, mas de livros de outros autores também) e dissesse isso com todas as letras nas resenhas (explodindo com frequência e até exagerando na minha fúria ao escrever), eu era capaz de separar. De não trazer com frequência para a realidade situações que algumas vezes "funcionam" na ficção, mas que jamais poderiam ser aceitáveis na vida real. Sempre considerei que o leitor tem que saber separar as coisas, quando isso é possível, quando não é um exercício intolerável para a experiêcia de leitura. 

Acontece que existem coisas que não dá mais para separar. E, infelizmente, isso atinge as obras da Lynne Graham, autora por quem sempre terei um carinho enorme. A vida inteira a amarei, porque ela escreve muito bem, me envolve, mexe com minhas emoções, me faz "enxergar" seus personagens e me conectar com eles mesmo em histórias que possuem menos de duzentas páginas. Só que... Não consigo mais tolerar atitudes machistas de seus personagens sendo consideradas "normais" e sendo sempre as mocinhas aquelas que precisam ceder para "serem felizes para sempre". 

São elas que precisam recuar, compreender, desistir de seus sonhos... tudo para satisfazer o machismo dos mocinhos que amam, tudo em nome da felicidade. Quando começamos a notar isso (pois existem vezes que ficamos tão envolvidas pelo "romance" que nem percebemos os absurdos das histórias) a leitura deixa de ser algo prazeroso, o romance deixa de nos fascinar... Eu, pelo menos, passo a me sentir "sufocada" ao notar a quantidade de opressão que as mocinhas suportam e aceitam como se só aceitando pudessem ser felizes. E é exatamente isso que encontramos em Legado de Lágrimas, livro que até onde eu sei ainda não foi publicado no Brasil. Ele está disponível em espanhol na Amazon, no formato e-book. 

Esta resenha terá SPOILER. A partir de agora!
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Em Legado de Lágrimas temos a história de Constancia (Tia) Grayson, uma jovem de vinte e dois anos que passou a vida inteira trancada num convento e que mesmo depois de adulta permanece sob a proteção de seus muros, pois não conhece outra realidade de vida, não possui recursos ou apoio para sair dali e realizar o sonho de ser professora, de fazer uma graduação e conquistar a independência que tanto desejava. 

Abandonada pela mãe ainda pequena, teve o azar de ser criada por um pai extremamente machista e insensível que quis ser missionário e "ajudar os outros", enquanto deixava a filha na segurança do convento, de onde não queria que ela saísse jamais. Seu objetivo era que a filha se tornasse freira, que se mantivesse pura para sempre, tivesse ou não vocação. Os sonhos dela não lhe importavam. Ela como ser humano não lhe interessava de modo algum.

Todavia, para mudar o destino da protagonista, existia um avô paterno que por mais de duas décadas fingiu que ela não existia, mas que ao se ver com pouco tempo de vida "se lembra" da existência dela e decide mandar que a procurem e a levem para morar com ele, com a promessa de que ela herdaria toda sua fortuna, o que era seu direito como única parente viva (o pai da mocinha tinha falecido). Ele, então, pede que seja Max, seu braço direito nos negócios, quem busque Tia e de preferência dê um jeito de convencê-la rapidamente a se casar com ele, pois como ela era uma mulher e que ainda por cima passou a vida inteira trancada, os negócios estariam ameaçados se ela herdasse tudo sem ser casada, sem ter alguém que cuidasse dela e de seus bens. 

Max Leonelli era um homem de vinte e oito anos com um passado traumático e que aos doze ou treze anos de idade foi adotado pela tia materna, após um acontecimento brutal, e passou a morar na propriedade do avô de Tia. Embora não morasse na casa principal, mas sim no alojamento dos funcionários, Andrew pagou pelos seus estudos e mesmo depois de adulto e de conquistar sua própria fortuna com muito esforço e sacrifícios, ele continuava a se sentir em dívida com aquele homem, o que será seu principal motivo para ceder quando Andrew pede que ele venha até o Brasil (onde ficava o convento em que Tia estava) para buscar sua neta. 

Ao se conhecerem, Tia e Max sentem atração à primeira vista. Ela nunca tinha tido contato com rapazes de sua idade, muito menos com um homem tão lindo e confiante, tão dono de si e que parecia dominar qualquer ambiente no qual estivesse. Era tudo uma novidade para ela e foi natural ceder à atração que ele despertou. Max, por sua vez, fica fascinado por conta da imensa beleza da mocinha. Em questão de poucas horas estão envolvidos e em poucos dias já são marido e mulher e de viagem marcada para a Inglaterra, onde a nova fase da vida da mocinha terá início... Tudo da maneira mais rápida... Como se estivessem na Fórmula 1. 

Vou desconsiderar o pai da mocinha, que é o machista mais óbvio do livro e que, felizmente, não precisamos aguentar, pois quando a história começa ele já está descansando em paz. Não falarei dele, pois pelo que mencionei acima já dá para perceber o caráter da criatura que a Tia teve o azar de ter como pai. 

O livro já começa nos provocando asco com a conversa entre Andrew (avô da protagonista) e o Max, quando dá para notar que o único interesse do "zeloso" avô pela neta há tanto tempo esquecida, é a questão do sangue, de querer que alguém do seu sangue fique com o império que ele construiu. Ele não a vê como um ser humano capaz, alguém que possa aprender a administrar o que vai herdar nem nada. Na verdade, ele nem quer isso, pois ela é mulher. Ele quer que o Max a seduza e se case com ela, o que seria fácil (ele dá a entender), pois a jovem cresceu no convento, enquanto Max tinha bastante experiência. Assim, através do casamento, sua neta seria "protegida" do mundo e seus bens estariam sob o controle de Max. Mas até aí, em nossa ingenuidade como leitores, nós acreditamos que Tia realmente vai herdar o que é seu direito, por mais que o avô fizesse aquele acordo nojento com o mocinho. Só que... na leitura do testamento percebemos até onde aquele avô era capaz de ir em seu comportamento repugnante. 

Sim, já adianto que ele não deixará praticamente nada para a neta, apenas uma de suas casas e o dinheiro suficiente para a manutenção da referida propriedade. Casa esta que ela sequer poderá vender, pois deverá ficar para os seus filhos. Todos os demais bens ficam para o Max, numa clara tentativa de manter a mocinha constantemente sob o controle de um homem: primeiro do pai, depois do avô e por último do Max. Ela não teria nada que o Max não quisesse, exceto a casa, claro! E mesmo que ocorresse um divórcio, o testamento autorizava que o Max decidisse o que ela teria ou não após a separação. Tudo estaria nas mãos dele, pois Tia tinha sido entregue aos seus cuidados. 

Mas voltemos ao casamento relâmpago e a desistência, por parte da mocinha, dos seus sonhos, que não incluíam casamento e maternidade. Pelo menos num futuro próximo. A autora deixa claro que Tia queria independência, queria experimentar a liberdade que nunca teve. Que não pensava em se casar e nem ter filhos tão cedo. Mas aí o mocinho a seduz e "esquece" de usar preservativo. Ele nunca antes na vida tinha esquecido, nem mesmo quando adolescente!!! Mas aí com a mocinha ele teve amnésia, se esqueceu, coitadinho, de usar camisinha. Não foi sua culpa, claro que não! E aí imediatamente ele DECIDE que eles têm que se casar, e bem rápido, pois a mocinha pode ter ficado grávida. E aí não podemos esquecer que a garota em questão, apesar de ter vinte e dois anos, não conhecia nada da vida. Obviamente ela não usava anticoncepcional e se viu diante de uma situação que com certeza a assustou, que era a possibilidade de ficar grávida e sozinha no mundo se não aceitasse a "generosa" oferta de casamento. Claro que ela não pensou em contraceptivo de emergência (a chamada pílula do dia seguinte), pois nunca sequer tinha ouvido falar disso. Ou seja, tudo cooperava para o bem do mocinho.

Tia não fica animada com a ideia de casamento e gravidez, pois isso ia contra o que ela sonhava para sua vida naquele momento, ainda mais considerando que seria um casamento com um desconhecido. O que ela sabia do Max? Nada. Mas ela acaba se casando, com medo de ficar sozinha com um bebê. Ela até sugere que eles esperem um tempo, para ver se ela realmente ficou grávida, e assim talvez fosse desnecessário se casar. Mas o Max vem com a desculpa que seria uma DECEPÇÃO para o avô dela se eles tivessem que se casar quando todos pudessem fazer as contas e perceber que ela engravidou antes do casamento. Mocinha criada no convento, lembram? Religião, costumes, tudo era importante para ela. E apelar para isso era uma ótima forma de convencê-la a tudo que ele quisesse. 

E claro que as coisas não serão um mar de rosas para a mocinha. Porque quando de fato ela descobrir que está grávida, poucos meses depois do casamento, a reação do Max será péssima. Como se ela o tivesse colocado numa armadilha (sim, ele é muito engraçadinho, não acham?!), já que ele não quer ser pai. O apoio que ela deveria receber não chega. É como se ela fosse culpada da gravidez, como se a responsabilidade fosse unicamente dela. E tudo isso por causa dos traumas do passado dele. Que sim, são fortes. Realmente ele teve uma infância de horror, mas a mocinha não tinha nada a ver com isso, nem o bebê que ela esperava. Enfim...

Quando percebemos o quanto este livro é problemático não conseguimos sequer enxergar o romance, o amor entre os personagens. Não acreditei no amor deles. Não acreditei no dela porque ela foi levada ao casamento, porque em tudo foi muito bem manipulada. E não houve momento naquela relação desigual e confusa no qual pudesse ter surgido o amor. Nem trabalhar ela podia porque era algo que desagradaria o marido. Quando ela menciona que quer trabalhar, ele já trata de deixar "no ar" (mas não de maneira explícita) o quanto ficaria decepcionado com aquilo e a mocinha recua, diz para si mesma que está apenas adiando por um tempo... E da parte dele também não pude acreditar, pois suas atitudes não falavam de amor. Ele "cuidava" dela, nunca a maltratou, nem física ou psicologicamente. Nada era explícito. Nem mesmo a acusação sobre a gravidez foi explícita. Foram seus olhares, sua evidente "decepção". Seu silêncio, seu afastamento. Ao ponto da mocinha fugir, com medo de ter que criar uma criança num lar em que teria uma constante "tensão", onde a criança sempre sentiria que existia algo errado, embora não ficasse claro o quê. 

Não contarei como o livro termina, mas posso dizer que não, a mocinha não irá conquistar a independência que sonhou. Recuar, ceder... É o que sempre acontece nestes casos para que a mocinha tenha o seu "felizes para sempre". É a mocinha quem abre mão de tudo para agradar o mocinho. Não consigo mais enxergar romance em algo assim. Não consigo mais deixar "passar" tantos absurdos. Mesmo que ame a autora, mesmo que seja uma escritora muito querida por mim.

Recomendo a história?! Claro que não. A escrita da Lynne é maravilhosa, a história é envolvente se você deixa "passar" tudo o que mencionei. Mas não tenho como recomendar um livro que fez eu me sentir sufocada, que lamentei profundamente por tudo o que a mocinha aceitou. Quando minha vontade era dizer que ela não precisava daquele tipo de relação para ser feliz. Que estava na hora de não permitir mais que homem algum tomasse decisões por ela. Que não deveria voltar para ele, muito menos quando ele deixou claro que tudo continuaria sendo do jeito dele. 

Os romances, as histórias de amor, sempre serão o meu gênero preferido, pois sou uma eterna romântica e amo demais estes livros cheios de paixão, que me arrebatam e encantam! Mas... histórias absurdas como Legado de Lágrimas eu dispenso. Não quero ler livros assim, não. Nem para passar raiva!rs


-> DLL 20: Do seu gênero favorito

24 de março de 2019

Legado do Deserto - Maisey Yates


Título Original: Heir to a Desert Legacy
Tradutora: Celina Romeu
Editora: Harlequin
Edição de: 2013
Páginas: 204 (eBook Kindle)
Série Herdeiros Secretos de Homens Poderosos - Livro 1
Onde comprar: Amazon


Sinopse: Chloe carregou em seu ventre o futuro sheik de Attar. Quando Sayid, tio da criança e atual regente do reino, descobre, decide fazer de tudo para proteger o sobrinho. Mas ela não abrirá mão do bebê, e o casamento parece ser a única solução.



Se olhássemos apenas para a capa deste livro não imaginaríamos quão quebrados estão os personagens da história. A sinopse também não nos diz muita coisa. Parece apenas mais um livrinho do gênero, uma leitura para passar o tempo e nada mais. Certo?! Errado. 

"Posso lhe dizer desde já que há coisas demais no mundo que não fazem sentido e jamais farão. A ganância, o desejo pelo poder levam homens a fazer coisas terríveis."

Chloe James estava tentando concluir seu doutorado em física e se tornar a cientista que tanto sonhava. Queria dar aulas em grandes universidades, testar teorias... ter uma vida inteira voltada aos estudos. Marido e filhos não estavam nos seus planos. Porque queria manter o controle de sua própria vida. Sem nenhuma emoção que a tornasse fraca. 

19 de março de 2019

Inimigos no Altar - Melanie Milburne

Título Original: Enemies at the Altar
Tradutora: Ligia Chabú
Editora: Harlequin
Edição de: 2012
Páginas: 152 (eBook Kindle)
Série Irmãs do Escândalo - Livro 2
Onde comprar: Amazon


Sinopse: Uma mulher com quem ele não deveria se casar. Da última vez em que Andreas Ferrante encontrara Sienna Baker, ela ingenuamente achou que poderia seduzi-lo. Embora marcado pelos encantos dela, consequências terríveis atormentavam Andreas. Ter de se casar com ela para garantir sua herança era algo impensável. Siena, por sua vez, se sentia humilhada por ter sido rejeitada por ele no passado. Ser recusada novamente tornaria tudo ainda pior. Ambos teriam muita sorte se conseguissem sobreviver à cerimônia. Mas como existe uma linha tênue entre o amor e o ódio, talvez as centelhas de raiva alimentassem o fogo da paixão na noite de núpcias…


Você começa a ler esta história acreditando que é apenas um romance simples, com alguns desentendimentos, suposto ódio entre o casal, para depois eles confessarem que sempre se amaram e viverem o seu "felizes para sempre", tão típicos destes livros. E aí você se engana completamente.rs

Eu tive apenas uma experiência anterior de leitura de uma obra da Melanie Milburne e pelo que posso recordar também era um romance que fugia um pouco do padrão no que se referia à personalidade dos protagonistas. Mas faz muito tempo que li e por isso não lembro muito da história e não estava tão preparada assim para Inimigos no Altar.

13 de setembro de 2018

Herdeiro Inesperado - Sharon Kendrick

(Título Original: Crowned for the Prince's Heir
Tradutora: Vera Vasconcellos
Editora: Harlequin
Edição de: 2017)


O segredo que ela guardou...

A estilista Lisa Bailey terminou seu relacionamento com Luc porque sabia que seu caso com o príncipe não teria futuro. Mas um último encontro roubado a deixou cheia de paixão, de desejo e... grávida! Meses depois, o príncipe Luciano de Mardovia está prestes a concretizar o casamento político perfeito quando uma revista de fofocas publica uma foto de Lisa claramente grávida! Ele tem certeza de que o filho é seu. Agora, Luc deve reclamar seu herdeiro a qualquer custo, mesmo que Lisa seja uma noiva inadequada. No final, ela se tornará sua rainha!




Palavras de uma leitora...



- Ultimamente paciência tem sido uma coisa escassa na minha vida. Não estou num momento apropriado para aturar certas histórias... certos comportamentos dos supostos protagonistas. E Herdeiro Inesperado acabou com qualquer resquício que eu tivesse de tolerância. 

O livro nos traz a história de Lisa e Luc, duas pessoas que tinham sido amantes no passado, uma vez que não se poderia considerar o relacionamento como namoro. Afinal de contas, ele só a procurava para satisfazer suas necessidades carnais. Sair com ela? Apresentá-la aos amigos e familiares?! Claro que não! Ela só era boa o suficiente como parceira de cama. Deveria ser mantida escondida como um segredo sujo. Percebem o meu estresse?! 

Após criar forças o suficiente para deixar de ceder ao desejo que sentia sempre que estavam no mesmo cômodo, Lisa resolveu colocar um ponto final na "relação", pois não queria ser tão fraca como a mãe tinha sido e ter o mesmo destino. Assim... seguiu com sua própria vida e incrementou seus negócios, se dedicando de corpo e alma ao trabalho, ainda mais por ter uma irmã e uma sobrinha que dependiam dela. 

Dois anos mais tarde Luc ressurge em sua vida disposto a atar as "pontas soltas" de seu passado, pois pretendia se casar com a mulher adequada, com aquela que seria uma excelente princesa. E precisava livrar-se de uma vez por todas da atração que ainda sentia por Lisa. Apenas mais uma noite na cama dela e poderia seguir em frente. 

E foi exatamente o que aconteceu. Ambos mataram a vontade que sentiam e Luc só se dignou a dizer que iria se casar com outra depois do sexo. Arrasada pela canalhice dele, ela o mandou embora (como se fosse necessário já que ele pretendia fazer justamente isso) e tentou sufocar a dor, aceitando que estava tudo terminado de uma vez por todas. Só que sua despedida sexual resultou numa gravidez inesperada...

- Eu tenho muito o que criticar nesta história. A começar pela imbecil da mocinha. Uma mulher dona de si, de seu próprio negócio, que lutava a cada dia para avançar mais, porém que se transformava numa completa tonta quando se tratava do Luc. Parecia que ela esquecia todo o amor próprio. Se rebaixava, permitia que ele fizesse dela o que bem entendesse. Ela teve coragem de terminar no passado, mas foi só ele reaparecer para ela cair nos braços dele, mesmo sabendo que ele não a considerava boa o suficiente para nada além de sexo. Tem como simpatizar com uma mocinha assim? Alguém que não respeitava a si mesma? Só que pior que isso foi o que ela fez depois... Eu desejei esganá-la! 

"Nunca seria o bichinho de estimação de um homem."

- Sério, minha filha? Mas por que você não levou a sério suas próprias palavras?! Por que fez justamente o contrário, se tornando o bichinho no qual ele mandava e desmandava como bem queria?! Quando o Luc descobre a gravidez dela, resolve romper com a noiva "ideal", pois queria a criança. Porque era seu herdeiro e todos aqueles argumentos tão típicos dessas histórias. A Lisa não aceita se casar com ele, uma vez que tudo o que o motivava era o bebê. E como ela sustentou: há muitos séculos mulheres conseguem se virar muito bem como mães solteiras. Só que ela cedeu bem rápido. Ele a chantageou e ela nem piscou. Se submeteu como uma tonta e largou tudo para ir com ele. Sua independência, sua loja, seus próprios princípios. Dizendo para si mesma que não tinha opção. Como não tinha?!??!?! Em que planeta ela vive? Ele ameaça destruir os negócios dela e lutar contra ela na Justiça pela criança e ela julga que um homem assim é o que merece, que não tem opção? Tinha opção sim! Mandá-lo para o quinto dos infernos e lutar contra ele. Muito simples. Detesto protagonista burra. 

Outro ponto que merece destaque: o cretino ameaça os negócios dela e ela só consegue pensar no quanto fica excitada quando olha para ele. Não dá, gente! Simplesmente não dá! Tem que ter a paciência de um santo para aturar esse tipo de coisa numa história. E, como eu disse, paciência é algo que me falta. 

- E o que falar do Luc? Ele é um lixo. Não me interessa que depois ele tenha confessado que a amava e blá blá blá. Que ela era tudo para ele. Pouco me importa. Tipos como o dele me dão asco. Não é o pior mocinho que já vi nos livros, com certeza não. Mas sua arrogância e seu comportamento machista fizeram meu sangue ferver. Ele se tornou praticamente dono dos negócios dela só para chantageá-la, para ter uma maneira de pressioná-la a fazer o que ele quisesse, nem que fosse tirando dela sua fonte de renda. Isso não é um comportamento de uma pessoa que ama. É o comportamento de um homem obsessivo que não aceita "não" como resposta.

"Quem ela achava que era para recusar seu pedido de casamento sem nem ao menos parar para pensar?"

- Entendem por que desprezo esse traste? Segundo ele a mocinha não tinha direito algum de recusá-lo como marido. Quem será que ela achava que era para fazer algo assim? E olha que a história foi escrita no século XXI! Mas Luc é um homem egocêntrico que acreditava que Lisa era inferior a ele e deveria se sentir honrada por ele se dignar a pedi-la em casamento. 

- Já perdi todo o tempo que não tinha a perder com esta maldita história. Tudo o que quero é esquecer que a li. Claro que depois as coisas ficaram ótimas entre o casal. Muito sexo, e mais sexo, umas palavras de efeito aqui outras ali e todos os problemas ficam resolvidos. E lá vem o felizes para sempre! Nem necessito dizer que é um livro que NÃO recomendo. 



Esta foi a minha escolha para este mês no Desafio 12 Meses Literários. Como podem ver desta vez escolhi muito mal. Foi uma completa decepção.

4 de setembro de 2018

O Jardim dos Sonhos - Kimberley Cates

(Título Original: The Mother's Day Garden
Tradutora: Ieda Moriya
Editora: Nova Cultural
Edição de: 2004)


Um casamento ameaçado por segredos do passado!

Com a única filha na universidade, Hannah O'Connell deveria estar dedicando todo o tempo livre a seu marido, Sam. Mas em vez disso perdia-se cada vez mais nas lembranças do passado. Tudo isso porque reencontra seu antigo namorado, o homem que ela mais amara na vida. E junto com ele existia também um segredo estarrecedor, que poderia pôr em risco tudo o que Hannah havia conquistado até então, inclusive seu casamento. 

Sam sempre fora apaixonado pela esposa. Mas ultimamente Hannah estava tendo um comportamento estranho. Já não se dedicava à casa e a ele como antes. Sam sabia que alguma coisa estava errada, mas não podia imaginar como seria sua vida longe de Hannah... Por isso estava mais do que nunca disposto a provar a ela o quanto a amava e o quanto eles poderiam ser felizes juntos!



Palavras de uma leitora...



- Sabe quando um livro é muito mais do que você esperava? Quando te surpreende de maneira positiva e acalenta seu coração? Foi exatamente isso que O Jardim dos Sonhos provocou em mim. Esta sensação de aconchego, de paz. E já sinto saudades. 

Eu o adquiri seis anos atrás e para ser sincera nem lembro o que me motivou. Mas na hora de escolher uma história para o tema de agosto da Maratona Romances de Banca ela acabou encaixando-se perfeitamente. A sinopse, a capa nostálgica... simplesmente me atraíram. Me fizeram pensar que em suas páginas se escondia uma história linda. 

- O que lamento é tê-la lido numa época tão corrida e complicada da minha vida. Com uma prova importantíssima e a entrega do TCC tão próximos mal tenho tempo para respirar. Dormir, comer, ler meus livros amados se tornaram coisas temporariamente secundárias. Infelizmente, foi preciso reorganizar as prioridades, pois já não tenho tempo para nada. :(

O livro conta a história de Hannah O'Connell, uma mulher que de repente é atingida por perdas significativas: sua filhinha cresceu e agora trilhava o próprio caminho. Morando na universidade já não dependia de Hannah como antes e a relação que até então era próxima começa a sofrer rachaduras. Só que pior que ter a filha longe era a certeza, causada por uma histerectomia, que jamais realizaria o sonho de ter outros filhos. 

No início havia confundido a doença com uma gravidez e se permitiu ter esperanças. Ao longo de quase todos os seus vinte e dois anos de casada tinha tentado voltar a engravidar, mas o tempo passou e permaneceu o vazio que, pouco a pouco, foi distanciando-a do homem a quem amava. A saída de Becca de casa, bem como a cirurgia que lhe roubou seus sonhos destruíram a ponte que ainda a unia ao marido. Concentrada em suas próprias angústias não tinha energia para olhar para o lado, para enxergar que seu marido também sofria. E não demorou para que deixassem de dividir o mesmo quarto. 

Não saberia dizer como chegaram àquele ponto. Talvez tudo tenha começado ainda no início... quando se casara sabendo que estava ocultando do marido grandes segredos. Quando temendo que a imagem que ele tinha de mulher perfeita se desfizesse diante da verdade optara por mentir. Não teve coragem para contar. E agora era tarde demais para voltar atrás. 

"Era melhor deixar o passado onde estava. Onde não podia machucar."

No meio da tempestade que ameaçava seu casamento, o aparecimento de um bebezinho abandonado em seu quintal pode ser tanto a cura para a relação dos dois quanto a ruína completa. Sobretudo porque Tony Blaker, uma pessoa do passado de Hannah, se torna o tutor da criança e invade suas vidas com a desculpa de lutar para que o casal permaneça com a bebê. Mas qual será o seu real objetivo? Por que voltava depois de vinte e sete anos sem dar notícias? 

Às vezes o passado simplesmente não pode ficar para trás. É necessário encarar os fantasmas para poder seguir em frente. Mesmo que o processo seja doloroso e coloque em risco sua relação com aqueles a quem ama. 

"Tony Blake reaparecia em sua vida, desenterrando lembranças, ressuscitando segredos capazes de destruí-la."

- Como podem ver estou sendo breve. Ainda que o livro tenha me feito um enorme bem não tenho condições de me aprofundar mais na resenha pela simples falta de tempo. :( Mas já adianto que é um livro que recomendo muito! Mesmo para aqueles que não gostam de romances de banca. Porque esta história está longe de ser a da mocinha ingênua que se apaixona pelo homem rico, é humilhada por ele e depois vivem felizes para sempre. Nem todo livro de banca contém esse tipo de história e se os amo e valorizo tanto não é à toa. 

- Logo que iniciei a leitura me identifiquei com a mocinha. Embora eu não tenha nenhum filho jovem indo para a faculdade (não tenho filhos ainda e eu é que estou na faculdade, no último período, graças a Deus!), foi muito fácil compreendê-la, sobretudo em relação ao desejo de ter filhos. Era o sonho de sua vida. E uma doença lhe tirou tudo. Sim, agradecia o presente que era a Becca, mas não era nenhum pecado desejar ter outro bebê. Sentia que algo lhe faltava. E ao perder o útero deixou inclusive de se enxergar como uma mulher completa, como se aquela perda lhe tirasse a identidade. Antes que alguém diga besteira é necessário recordar que ser feminista é respeitar as escolhas das outras mulheres. E se Hannah se sentia incompleta porque não podia mais ter filhos ela merece respeito e solidariedade por isso. Existiram momentos em que desejava chorar com ela de tanto que a entendia. 

"Mas não vou me recuperar, pensou Hannah. Esse é o problema. Nunca mais vou me recuperar."

- Tudo neste livro é muito real. Temos nele a história não só da Hannah, embora ela seja a protagonista, mas também temos o ponto de vista de Sam (seu marido), Tony (a pessoa do seu passado) e até mesmo da mãe biológica da pequena Ellie, que a abandonou no quintal da mocinha porque não tinha outra alternativa. Porque, naquele momento, se sentia totalmente perdida e só queria que sua filha estivesse segura, ao lado de alguém que ela sabia que poderia ser uma mãe de verdade. Nossa! O livro transborda sentimentos. Nos dá enormes lições e faz com que deixemos de lado as nossas ideias pré-concebidas sobre tudo e nos permitamos estar no lugar do outro. O que você faria se fosse a Hannah de vinte e sete anos atrás? Aquela que ela ocultou do marido? Aquela que cometeu um erro imperdoável? Seria mais "forte"? Faria uma escolha diferente? Eu não sei, sinceramente. É fácil falarmos quando estamos de fora e vivemos num outro século, quando temos oportunidades que talvez a pessoa que julgamos não teve. Hannah era uma mulher incrível, mas não era perfeita. E por desejar tanto ser não sabia como reconciliar-se com o marido que afastou de si. Viviam como dois estranhos na mesma casa, ambos querendo uma mudança, mas não tendo coragem de dar o primeiro passo, porque se acostumaram com aquela situação. 

"Ela se afastava, dia após dia, não importava o quanto ele se esforçasse para retê-la."

Sam é um personagem que não possui todo o destaque que merecia, uma vez que o livro em si gira em torno da protagonista. Todavia, mesmo assim ele é importante e se mostra um homem daqueles que qualquer mulher gostaria de ter ao seu lado. As coisas que ele faz por ela... Nossa! Eu ficava bem emocionada. E não pensem que são coisas mirabolantes. Nada disso. São atitudes simples, mas que significam muito. É um livro "comum", gente. Sobre a vida real. Aquelas histórias familiares que de vez em quando lemos e tocam em algo dentro de nós. Que deixam um gostinho bom. 

"Tony fora franco antes de partir: jamais voltaria."

- Se teve um personagem que detestei no livro foi o Tony. Um tipo egocêntrico, que acreditava que com um sorriso charmoso podia apagar as canalhices de tantos anos atrás. Ele me causou nojo, pura repulsa. E confesso que tive muito medo de ele conseguir o que planejava. Mas, ainda assim, não temos um vilão perfeitamente definido. Tony não é uma pessoa má. Ele é como tantos que existem por aí que nem sequer percebem o dano que provocam e quando notam simplesmente não se importam. É um ser superficial e que só olha para o próprio umbigo. Mesmo quando está sozinho com seus pensamentos percebemos o vazio que existe nele... a falta de empatia, de sentimentos. Ele "sabe" o que fez de errado, sabe que não merece perdão, mas não está nem aí. Quer de volta o que jogou fora e acha que tem direito de querer. 

- Não posso falar muito mais. Só repito que é uma história que vale sim muito a pena! Mas que não dá para ler na correria. É aquele livro que merece ser apreciado devagar, com tempo. Como o livro A Colcha de Despedida, do qual eu lembrei durante quase toda a leitura. 

Minha única ressalva em relação ao livro (e o que me impediu de dar 5 estrelas) é sobre a repetição. A autora voltava muitas vezes ao assunto principal. Ao ponto de ser impossível não me incomodar. Mas este é o único ponto negativo. 



Esta foi minha escolha para o tema de agosto da Maratona Romances de Banca, que consistia em ler um romance (de banca, obviamente) sobre casamento em crise. A resenha deveria ter sido publicada no dia 31, mas como só concluí a leitura no último dia do mês e só consegui escrever hoje tudo atrasou. Mas o que vale é que concluí.rsrs 

9 de julho de 2018

Joia da Coroa - Lynne Graham



“Uma esposa virtuosa é mais valiosa do que os rubis…”

O sheik Raja al-Somari está ciente de que seu dever é sacrificar a própria liberdade pelo bem do país que governa. Porém, ele terá de utilizar táticas mais amenas para conquistar sua noiva… De um dia para o outro Ruby Sommerton deixou de ser uma garota comum, do tipo que fofocava todas as noites com sua companheira de apartamento, e se tornou uma princesa. Agora, ela aguarda ansiosamente pela chegada de seu príncipe dentro de um dos quartos do palácio no deserto. Ruby tem muito a aprender sobre etiqueta real. E ainda mais sobre as noites quentes na companhia de seu marido…



Palavras de uma leitora...



- A última vez que li um livro da minha autora querida foi em outubro do ano passado. O motivo? Já li tudo o que foi publicado dela aqui no Brasil.kkkkkkkk... Até mesmo livros que não foram eu já li.rs O único que eu achava que ainda não conhecia era Joia da Coroa e foi muito bom descobrir isso, pois era a escolha perfeita para começar minha Maratona Romances de Banca

Eu estava preparada para me estressar. Para desejar matar o mocinho... Coisas que geralmente se passam quando lemos algo da Lynne Graham. Muitos de seus mocinhos (não todos, claro) são esganáveis. Cretinos que se fazem de surdos para não ouvir nada do que as mocinhas digam e as acusam de mil coisas que eles imaginam que elas fizeram. Ou seja, é para passar muita raiva. Todavia, nesta história eu encontrei um personagem maravilhoso, que me fez pensar em contos de fadas... Me senti muitíssimo bem enquanto acompanhava o romance entre Ruby e Rafa e estava realmente necessitando demais de uns momentos tranquilos. Precisava de sossego. De uma história leve para passar o tempo e tirar as preocupações da mente. Tenho sentido como se o peso do mundo estivesse sobre os meus ombros e tudo o que eu queria era me sentir bem. Só isso. E o livro foi perfeito. Uma delícia! 

"Seria possível que o futuro de todo um país estivesse nas mãos dela?"

Aos 21 anos, Ruby já tinha enfrentado problemas suficientes na vida para desconfiar de todos os homens e tentar levar a vida de maneira independente e sensata. Não deixando espaço para emoções que a confundissem e a fizessem cometer os mesmos erros que destruíram a vida de sua mãe. Não estava satisfeita com a rotina entediante que levava como recepcionista e sempre estava sem dinheiro para o lazer, mas pelo menos conseguia pagar suas contas. Com o tempo, tudo melhoraria. 

E não foi sem choque que ela recebeu uma visita extremamente inesperada de um homem ligado ao seu passado... como filha de um rei de um país pequeno e distante, parte do mundo oriental. Durante a vida inteira sua família paterna tinha preferido ignorar a sua existência, já que ela era fruto do primeiro e malsucedido casamento de seu pai e tivera o "azar" de não nascer homem. Agora, como o país enfrentava uma séria crise após a morte de todos os herdeiros do trono fosse na guerra ou num acidente de avião, ela passara a ser considerada valiosa. Porque apenas o seu casamento com o herdeiro do país vizinho poderia encerrar um conflito antigo e sangrento e possibilitar a tão sonhada paz para o povo de ambos os países.

"Em sua mente pairava o sofrimento de pessoas simples, cujas vidas tinham sido arruinadas pelo conflito."

Determinada a não se sacrificar por pessoas que nem procuraram saber se ela estava viva ou morta durante todos aqueles anos, que lhe viraram as costas quando sua mãe tentara uma reaproximação, ela se nega terminantemente a aceitar um casamento por conveniência com uma pessoa que nunca sequer tinha visto na vida. Mas Rafa conhecia suas próprias responsabilidades e não desistiria antes de fazê-la entender que era a vida de milhares de pessoas que estava em jogo. 

"Nos últimos anos, vinha se queixando do marasmo que sua vida se tornara e, de repente, via-se confrontada pela verdade daquele velho ditado: Cuidado com o que deseja!"

- Como eu disse, este livro foi uma surpresa deliciosa. Eu amei os protagonistas desde o início. A mocinha com sua independência e jeito decidido, que sabia o que queria e não abaixava a cabeça para os outros só por eles serem mais "importantes". O mocinho com seu senso de dever, sua paciência e compreensão. Por mais que ele fosse um tanto reservado e o comportamento da mocinha o chocasse, pois era bem diferente das outras mulheres com as quais ele geralmente lidava, ele se importou com a mocinha desde o começo da relação deles. Ainda que as explosões dela o deixassem desnorteado, ele parava para pensar e entendia que realmente não estava fazendo as coisas da maneira correta, que ela precisava do apoio dele. E então procurava agir certo para não magoá-la. Eu o achei maravilhoso! O casamento poderia ser novo para a Ruby, mas era também para ele e acabam tendo que aprender juntos. 

"- Não me chame de 'esposa' de novo - resmungou Ruby, girando o anel no dedo, inquieta - Faz com que eu me sinta uma prisioneira."

- Embora tenha lutado bastante contra o casamento, pois era um absurdo, uma loucura, quando entende a situação do país no qual nasceu, quando percebe que muitas pessoas estavam sofrendo e que sem aquele casamento existia a possibilidade de estourar outro conflito entre aquele e o país do mocinho, ela acaba cedendo, não sem antes estabelecer algumas regras. Como, por exemplo, o fato de ser um casamento de fachada. Apenas no papel. Com prazo para acabar. Ela cumpriria sua obrigação e quando as coisas estivessem em paz, simplesmente entraria com o pedido de divórcio. Bem... ela foi ingênua, mas valeu a intenção.rsrs

- Mesmo tendo amado muito a Ruby, confesso que existiram momentos nos quais ela me estressou. Como quando se ofendeu por ele considerá-la sua esposa. O cara só faltava lhe oferecer a lua, a respeitava e queria vê-la feliz e a outra achava a palavra "esposa" algo ofensivo, inaceitável. É absurdo demais para minha cabeça.rsrs Afinal de contas, ela não foi obrigada. Tinha a opção de dizer não e permanecer firme. Ninguém a amarraria e levaria até o altar. Portanto, uma vez que era sua esposa seria infantilidade dar chiliques por coisas tão insignificantes. E, na verdade, o fato de ele a ver como esposa era o natural, certo? Porque ela era sua esposa, caramba!kkkkkkkk... Queria que ele a visse como o quê?! 

Isso não a torna uma protagonista desagradável. Apenas tinha seus defeitos e erros como qualquer pessoa. E uma coisa nela que a fez ganhar meu coração foi seu carinho por uma garotinha de 3 anos, que ela conheceu durante uma visita oficial ao orfanato. Por conta da guerra, muitas crianças perderam suas famílias e Leyla, que se mantinha distante de qualquer pessoa que visitasse o local, se apegou à Ruby. Ao ponto de ter uma crise de choro quando ela teve que ir embora. Isso fez com que a mocinha passasse a visitar o orfanato todos os dias e desejasse adotar a criança. Acabaram formando um laço. Eu amei a Leyla! Uma menininha carente de amor que escolheu aquela que seria sua mamãe. 

- É uma leitura que recomendo aos fãs da autora e quem gosta de histórias curtas e leves, com um toque de sensualidade (mas que não chega a ser erótico de modo algum) e a garantia de um final feliz. 



Com este livro eu abri a Maratona Romances de Banca, que consiste na leitura de pelo menos um livro de banca por mês, preenchendo os temas escolhidos. O tema de julho é Autora preferida. Em agosto trarei a resenha de um livro sobre Casamento em Crise. Aguarde! E se quiser participar basta escolher seu livro e lê-lo! :) 

Bjs!

6 de agosto de 2017

A Noiva Disse Jamais! - Sandra Marton


Casamento do Ano - Livro 1

Damian não gostava de casamentos, mas não conseguiu convencer o sobrinho a esperar pra ter certeza da sua atitude. E na cerimônia, ele se encantou com a bela tia da noiva, a modelo Laurel. Ele não queria saber de compromissos, mas sabia que precisava ter aquela mulher. Ela desprezava machões e estava incomodada com o cerco do milionário grego... Até que os dois se rendem à paixão e, o que era difícil, se complica ainda mais... E Laurel se viu pressionada para fazer algo que não queria: se casar com Damian.



Palavras de uma leitora... 


- Esta história é tão curtinha que não sei bem o que posso comentar sem contar o livro inteiro.rsrs 

O casal se conhece no dia do casamento do sobrinho do mocinho com a sobrinha da mocinha da história. Quando a irmã dele morreu, ele acabou ficando responsável pelo rapaz e era totalmente contra seu casamento com a escolhida. Não por considerar a menina inadequada nem nada, mas pelo simples fato de acreditar que o sobrinho estaria assinando a própria sentença de morte. Para ele, casamento era um inferno. Algo que alguém só escolhia se fosse masoquista. E não conseguia entender como o garoto que criou por alguns anos poderia tomar tal decisão com tão pouca idade. Ainda assim, por ser o único parente dele e não querer que se afastassem, ele resolve comparecer ao casamento. E é quando conhece a Laurel.

Modelo belíssima e muito conhecida, ela tinha decidido que faria todo o possível para não ser o centro das atenções no casamento. Queria que sua sobrinha brilhasse naquele dia tão especial para ela e, portanto, escolheu um vestido discreto e nenhum penteado elaborado. Só que tudo deu completamente errado e, traída pelo trânsito e pelo vento, acabou chegando atrasada e de maneira bem... chamativa. Ao abrir as portas da Igreja, já no final da cerimônia, o forte ventou acabou fazendo as portas baterem e assim sua entrada tranquila foi para o espaço. 

Para completar seu aborrecimento, o tio do noivo não parava de lançar olhares significativos em sua direção... que diziam muito sobre os pensamentos pecaminosos dele. Como se não bastasse, o atrevido ainda se sentiu no direito de beijá-la, mesmo que mal se conhecessem e ela tivesse deixado bem claro que não estava interessada. 

Determinado a levá-la para a cama e assim livrar-se do desejo que o consumia, Damian faria todo o necessário para seduzi-la... Só que o que era para ser apenas momentos de prazer passageiro acaba por se transformar em algo mais... E ambos precisarão começar a pensar em alianças de casamento...

- Consegui resumir sem contar demais?!kkkkkk... Esta é uma história para ler sem muitas pretensões ou expectativas. Aquele tipo de livrinho para passar o tempo, entende? Não é de modo algum ruim, mas termina bem rápido e você mal sente as coisas acontecerem. Então se você começa a lê-lo imaginando que encontrará um grande romance, daquele inesquecível e arrebatador, é óbvio que irá se decepcionar.

Eu gostei do casal, me diverti com as provocações deles, com seus temperamentos e tudo o mais. Todavia, me aborreci com alguns detalhes como, por exemplo, uma frase do mocinho. Ele disse que não considerava a Laurel uma mãe adequada para seu filho, pois ela tinha ido para a cama com alguém que acabou de conhecer. Ou seja, embora tenha feito de tudo para seduzi-la e levá-la justamente para a cama, depois teve a cara de pau de julgá-la por ter cedido, num claro comportamento machista e nojento. Ele podia, sem problema algum, mas ela não. Se fosse uma mulher decente teria resistido. Fiquei furiosa com isso! 

De modo geral, é uma história agradável e rápida. Você lê em pouco mais de uma hora. O livro não é profundo nem nada, mas é um bom passatempo.

Ele foi indicação de uma leitora querida, a Ana Carolina Nonato. Ela me indicou a trilogia toda em 2011. Sim! Só agora estou lendo. :( Como disse anteriormente, perdi minhas listas de indicações por problemas no computador e as que tinha em um caderno estão desorganizadas e preciso colocar em ordem. Estou com um caderno novo de anotações e acessando antigos comentários do blog para me auxiliar na busca das indicações perdidas. Em breve farei um post com as listas de indicações que eu tiver conseguido recuperar e também as indicações atuais de vocês leitores. E aí, colocarei o link na lateral do blog e irei atualizando conforme vá lendo os livros. :D Aguardem só um pouquinho, queridos! 

Esta foi minha nona leitura para a Maratona Literária de Inverno 2017. A história preenche o Desafio 8: ler um livro com pontuação no título. Com ele finalizei a maratona! :D Amei participar desses desafios! Foi uma experiência maravilhosa! Já estou ansiosa para participar da maratona de verão!kkkkkkk... 

Falta apenas fazer resenha do livro do Desafio Extra! Como tivemos uma prorrogação do término da maratona, que se encerrou ontem, dia 05 de agosto, e não no dia 30 de julho como inicialmente terminaria, nos foi facultada a leitura de um livro extra. Eu comecei a leitura do meu escolhido: Os Elefantes não Esquecem - Agatha Christie. Estou quase concluindo e em breve farei a resenha. :) 

26 de fevereiro de 2017

Noiva Inadequada - Lynne Graham

(Título Original: Leonetti's Housekeeper Bride
Tradutora: Tina TJ Gouveia
Editora: Harlequin
Edição de: 2016)

Esposa inocente...

O magnata Gaetano Leonetti está sob forte pressão. Até que se case, seu avô não permitirá que ele se torne CEO do império da família. Convencido de que o patriarca enlouquecera, Gaetano está determinado a fazê-lo mudar de ideia, e convence a governanta Poppy Arnold a ser sua noiva de conveniência. Com sua natureza enérgica e estilo incomum, Gaetano sabe que ela não é o tipo de esposa que seu avô tinha em mente. Porém, a dedicada e generosa Poppy acaba conquistando a todos… inclusive a Gaetano. Agora, tudo o que ele consegue pensar é em possuí-la por completo!



Palavras de uma leitora...



- Sabe quando você não simpatiza com um mocinho? Você tenta. Muito. Mas acaba por perceber que o problema está todo nele. O que aumenta ainda mais sua irritação. 

" - Não me envolvo com a criadagem - dissera ele, enfatizando o fato de que ambos não eram iguais e de que sempre pertenceria a uma camada social diferente."

- Mocinhos cretinos, filhos da pontualidade, não são nenhuma novidade nos livros desta autora. E o Gaetano nem sequer é o pior deles. Ele é um miserável? Com certeza. Um completo babaca? Sem sombra de dúvidas! Ainda assim já conheci trastes piores. Só que eu não estava no momento ideal para ler este livro. Daí a raiva e desprezo que ele e a mocinha me provocaram. Porque ele é um filho da p., mas ela é uma estúpida que o deixa tratá-la como bem quer e isso a torna o principal alvo da minha irritação. Em pleno século XXI como uma mulher pode deixar que um homem faça tão pouco dela?! Está mais do que na hora dessas mocinhas entenderem que não estamos mais vivendo no século XVIII.

"- Não fale comigo deste jeito! - disse zangada e em tom de aviso.
 - Posso falar com você do jeito que eu quiser. Estou na minha casa e parece que você é minha funcionária."

- Este trecho condenou o Gaetano sem chance de defesa. Porque ele não merece qualquer consideração da minha parte. É um arrogante que acha que o mundo gira ao seu redor e é capaz de qualquer coisa para conseguir o que deseja, inclusive usar uma lerda que se via numa situação complicada e, não tendo um pingo de amor-próprio, aceita ser usada para que ele atinja os seus fins. 

Não há dúvidas que alguém precisa atualizar este suposto mocinho. De preferência, quebrando algo em sua cabeça. Ele pode falar com ela do jeito que quiser?! Por que ela é funcionária dele?!!! Em que época ele acredita que estamos vivendo? Existem leis trabalhistas neste mundo. E não! O fato de ela trabalhar para ele não lhe dá o menor direito de falar com ela da maneira que ele bem entender. Ela era sua funcionária e não sua escrava. O fato de ele ser podre de rico e patrão de alguém não o torna melhor. Na verdade, levando em conta a falta de qualidades que ele tem, o torna bem pior. 

" - Isto está puramente relacionado ao sexo, bella mia, e espero resolvermos tudo no quarto. O fato de você ser uma virgem ou uma vadia enrustida, não me importa nem um pouco."

- Se um homem falasse comigo da maneira como o Gaetano falava com a lesada, digo, Poppy, ele ficaria sem todos os dentes. Mas como a mocinha não tem um pingo de amor por si mesma, ela permitia tudo e chegava a nem sequer se ofender com algumas coisas que ele falava. Ela até reagia em alguns momentos, mas, de modo geral, deixou ele sambar em cima dela. Até o final do livro. E mesmo após saber o real motivo do cretino ter escolhido justamente ela como noiva de mentira, a tonta ainda ficou com ele! Fez um pequeno show dizendo que iria embora, mas todo mundo conseguiria perceber que não passava de um blefe. 

A história começa quando Gaetano está enfrentando um escândalo em sua vida que ameaça a realização de um de seus principais objetivos: tornar-se o presidente do banco da família. Ele tinha dado uma festa bastante... particular... em sua propriedade. E após fotos de prostitutas nuas começarem a se espalhar pela imprensa, seu avô ficou ainda mais determinado a não lhe dar a presidência enquanto ele não criasse juízo e formasse uma família. Enfurecido por aquele novo obstáculo, ele foi até sua propriedade para despedir a governanta que tinha fornecido as fotos e ainda falado mal sobre ele para os jornais. Mas ao chegar lá, não é a senhora que o viu crescer que ele encontra, mas sim a filha dela, a mulher que na adolescência não escondia o amor que sentia por ele. E a surpresa não poderia ser maior, uma vez que o patinho feio tinha virado um cisne capaz de deixá-lo sem fala (uma pena que ele não ficou mudo pra sempre). 

Embora não tenha ficado nem um pouco comovido pelas justificativas que ela deu para o comportamento da mãe e sua súplica para que ele levasse em conta todos os anos que sua família tinha servido a família dele, Gaetano começa a perceber que poderia usar aquela situação para se ver livre das condições do avô e conquistar o lugar que queria. Nada melhor do que usar o desespero e a ingenuidade da mocinha para convencê-la a desempenhar o papel de noiva... Afinal de contas, ela era perfeita para aquele papel. Não existia ninguém melhor. E quando ele rompesse o noivado, ninguém ficaria surpreso, muito pelo contrário, todos sentiriam alívio por ele ter recobrado o juízo e seu avô teria que reconhecer que ele ao menos tinha tentado.

Mas o feitiço vira contra o feiticeiro... e a noiva que ele julgava tão inadequada e embaraçosa conquista o coração de seu avô, fazendo com que ele não tenha outra opção senão transformá-la em sua esposa... por tempo determinado.

- Até mesmo fazer este pequeno resumo da história fez meu sangue ferver de raiva. Cada coisa que eu lembro do mocinho ter feito me dá vontade de esganá-lo. Não consigo entender o que a imbecil viu nele. Homens lindos existem aos montes por aí. Ela não precisava ficar com um projeto malfeito como ele. Mas como o amor sofre de cegueira incurável... 

"O seu corpo era tudo que ele queria, compreendeu Poppy com uma pontada de dor no peito. Ao menos se fosse sua esposa legalmente, as coisas pareceriam menos cruas, não pareceriam?"

- Será mesmo? Me pergunto como uma mulher de vinte e poucos anos conseguia ter pensamentos tão imbecis como os desta mocinha. Ela própria reconhecia que tudo o que ele queria (depois da presidência do banco) era se perder por algum tempo no corpo dela e que só pretendia se casar com ela por causa do banco. Mais nada! O corpo dela ele sabia que poderia ter a qualquer momento, uma aliança de casamento era desnecessária. Mas aí a tonta pensa que as coisas não seriam tão carnais se ele se casasse com ela. O relacionamento não seria "sujo", segundo os pensamentos dela. Isso confortaria o coração da mocinha, independente do fato de ela saber que o casamento não passaria de uma grande farsa, com prazo para acabar e que ela só teria os direitos que ele quisesse lhe dar. Interferir na vida dele não era um deles. E claro que ela não poderia fazer perguntas sobre nenhuma ex-mulher que insistia em permanecer em sua vida, afinal de contas, ela não era sua esposa de verdade. Era apenas alguém com quem ele transava e levava seu nome. Nada de mais. Isso não a tornava sua esposa de verdade. 

- O que eu acho mais engraçado (só que não) é que no final da história ele vem com aquela conversa fiada de que descobriu que a amava e não podia viver sem ela e o bebê (que ele tinha chamado de pesadelo, já que atrapalhava seus planos), e a retardada acredita, confessa que também e o ama e lá vem o felizes para sempre. Com alguém como ele!!!! Como ser feliz com alguém tão egocêntrico? Nunca vou conseguir entender. Enfim...

- A Lynne Graham é uma das minhas autoras preferidas, mas isso não me torna cega. Não é por amá-la que vou dizer que uma história é maravilhosa quando não é. Noiva Inadequada passa bem longe disso. Jamais seria entediante, pois os livros dela nunca são, mas é impossível não ter desejado que o livro terminasse logo para que eu me visse livre deste casal tão insuportavelmente desprezível. 

- Algo que me deixou bastante surpresa e com uma dorzinha no coração foi perceber que eu fui a primeira a dar 3 estrelas ao livro no skoob. As outras pessoas avaliaram o livro dando 4 ou 5 estrelas. Talvez tenha sido realmente o momento errado de lê-lo. Nunca fico feliz em dar menos de 4 estrelas aos livros da minha autora. Mas não mentiria para vocês e nem para mim mesma. O livro, infelizmente, mal é digno de 3 estrelas, na minha opinião. :(


3 de junho de 2016

Paixão Secreta - Lynne Graham

(Título Original: The Sheikh's Secret Babies
Tradutora: Angela Monteverde
Editora: Harlequin
Edição de: maio/2016)

Laços reais!

O dever real de Jaul era casar-se com uma noiva apropriada. Mas, para isso acontecer, precisa se divorciar da mulher que o traiu. Ao reencontrar Chrissie Whitaker, é surpreendido por uma inesperada revelação. Arrasada ao ser abandonada por seu príncipe encantado, os gêmeos eram o único consolo para o coração partido de Chrissie. Porém, agora que descobriu a verdade, Jaul está determinado a assumir os bebês como seus herdeiros legítimos. Será que Chrissie conseguirá esquecer o passado doloroso e aceitá-lo novamente como marido? 


Palavras de uma leitora...


- Sempre fico ansiosa para ler novas histórias da Lynne Graham. E após ler Poder & Persuasão eu fiquei louca para ler a história da irmã da Lizzie. O livro anterior não revelou muito sobre a Chrissie, mas o epílogo nos dá a entender que a vida dela não estava lá muito fácil. E realmente não estava...

- Claro que a LG não perderia a oportunidade de criar um mocinho que se faz de surdo, que acredita no mundo inteiro antes de acreditar na mocinha. Ou seja, o tipo de infeliz que mais me irrita. E, além disso, ele tinha também que fazer chantagens estúpidas e outras coisinhas para ferver meu sangue. Nenhuma novidade. 

“Ele dilacerara seu coração, deixara-a sozinha para lidar com sua dor e jamais a contatara para se explicar ou mesmo pedir desculpas.”

Apesar da infância difícil e dos segredos que carregava dessa época de sua vida, Chrissie era uma pessoa otimista, sonhadora e romântica, embora desconfiasse de todos os homens que apareciam em sua vida. Sabia que um passo em falso poderia lançá-la no mesmo poço no qual vira a mãe, ano após ano, se destruindo. No entanto, sabia que um dia encontraria o homem certo e então poderia entregar seu coração. Sem medo. Sem reservas. Por inteiro. E nem de longe ela consideraria Jaul o homem ideal... Para ela, estava mais para um projeto malfeito...

Quando se viram pela primeira vez a atração foi inegável, porém Jaul estava acompanhado de sua amiga, que para ele não passava de mais uma conquista que logo seria descartada com um presente de “agradecimento”. Decidindo manter-se o mais distante possível do homem que representava tudo que ela mais detestava numa pessoa, ela tenta ignorá-lo, mesmo quando ele a tratava com gentileza e ternura como se ela fosse especial. Como se significasse algo para ele. Mas todas as suas defesas se desfazem no dia em que ele a salva de algo terrível, mostrando que, bem lá no fundo, talvez, não fosse tudo aquilo que ela imaginava... 

E quando ele a pede em casamento... Chrissie acredita estar vivendo finalmente o conto de fadas com o qual sempre sonhou... até que a realidade chega para destruir seus sonhos. E logo ela entende que era hora de amadurecer... seguir em frente mesmo com o coração em pedaços. Mesmo sabendo que nunca mais iria vê-lo. Que não passara de um brinquedo, um objeto que ele abandonou como se não servisse mais. 

Destruída por dentro, ela refaz sua vida, criando sozinha os filhos... até que Jaul reaparece em seu caminho. Apenas para ameaçar tudo o que lhe era mais precioso...

O destino os separara... Existiria, mesmo após tantas mentiras e mágoas, uma chance para o amor que um dia sentiram um pelo outro? 

“Os olhos dele brilharam e sua boca se comprimiu. 
- Você jamais me perdoou por qualquer coisa.”

- Jaul é um aprendiz de outros mocinhos infelizes da autora. Embora não chegue a ser como certos canalhas que conheci ao longo do meu tempo como leitora da LG, tive ânsias de açoitá-lo em praça pública quando ele insistiu em ficar pensando o pior da mocinha, mesmo sabendo que seu pai (o pai dele... embora o dela também não valha muito) não prestava e que não escondia o ódio que sentia pela nora. Ainda assim, ele preferiu acreditar no pai e mesmo quando as circunstâncias o fazem reencontrar a mulher que ele abandonara dois anos antes, nada o faz mudar de opinião. Não que ele a tratasse mal por isso. Pelo contrário... Fica mais do que evidente que ele não a esqueceu e que o amor que ainda sentia por ela o impedia de desprezá-la. Ele a amava. Mas preferia acreditar no pior. Porque simplesmente era mais confortável. Cada vez que ele começava a pensar... eu sentia uma vontade enorme de sacudi-lo e gritar bem dentro do seu ouvido para ver se assim ele recuperava a audição.rs 

- Após dois anos separados por causa de um acidente e das mentiras do pai do mocinho, os dois são obrigados a se reencontrar. Isso porque o casamento que eles foram levados a acreditar que não era real, na verdade tinha sido válido e, portanto, continuavam legalmente casados. Determinado a fazer o que esperavam dele (até parece!), Jaul decide ir pessoalmente em busca da Chrissie para que, amigavelmente, eles pudessem desfazer o erro que havia sido esse casamento. Mas ao revê-la... todos os seus planos perdem importância. Já não interessava que ela tivesse aceitado dinheiro para deixá-lo... Que jamais tivesse lhe visitado no hospital... que não tivesse estado ao seu lado quando ele mais precisara... Tudo que importava é que ele ainda a queria. E usaria qualquer desculpa para tê-la de volta em sua vida. 

E claro que, levado pelo desejo de recuperar a esposa, ele faz uma besteira atrás da outra.

- Eu gostei muito do livro, apesar de todo o estresse. Os motivos que provocaram a separação do casal são convincentes e não há como negar que os dois se amavam no passado e seguiam se amando. Mas eram imaturos demais quando se casaram e era fácil para qualquer pessoa manipulá-los e destruir sua relação. 

Porém, não é porque eu gostei da história e sou fã da autora que ignoro os absurdos que existem nesta história e que já estou cansada de ficar desculpando, “deixando passar”, sabe. Há uma cena em que a própria mocinha, querendo arranjar desculpas para as atitudes do mocinho, diz que os fins justificam os meios (na verdade está escrito: os meios justificam os fins. Mas deu para entender.rs). Eu não penso como ela. Não acho que um simples “sinto muito” muda o fato de ele, mesmo acreditando estar apaixonado por ela, ter pedido para seus advogados prepararem um contrato pré-nupcial que a prenderia no país dele e poderia retirar seus filhos. Por mais que tal contrato não possuísse validade no país dela, ele usou isso para chantageá-la, para obrigá-la a fazer o que ele queria. Simplesmente porque era assim que ele queria. Não estava com vontade de suar, esta é a verdade. Não queria gastar energias e inteligência tentando reconquistar a mulher que perdeu por ser imbecil. Era mais fácil chantageá-la, tentar controlá-la. E eu já estou mais do que cansada de coisas assim. De mocinhos que fazem coisas absurdas, em pleno século XXI, e as próprias mocinhas veem como condutas desculpáveis. E estão sempre fazendo exatamente o que eles querem. Elas brigam um pouco, fingem que vão tomar uma atitude, mas, no fim das contas, passam a mão na cabeça dos mocinhos e já está. Tudo bem, tudo perdoado. Eu queria menos machismo e mais atitudes das mocinhas. Têm umas que são verdadeiras heroínas, que sabem colocar esses arrogantes em seus devidos lugares, mas elas são raridade nestas histórias. Em sua maioria, o que eu vejo são mocinhas como a Chrissie. 

Outra coisa da qual sinto falta é de mais profundidade. Por mais que eu tenha percebido que existia realmente amor entre o casal e tenha sim acreditado que eles seriam felizes juntos, não posso dizer que a relação era profunda, que tinha aquele envolvimento que eu tanto amo nos meus romances preferidos. Não. O que eu mais vi foram trechos sobre o desejo que estavam sentindo um pelo outro. Estavam sempre querendo ir pra cama. Não que uma relação de amor não tenha desejo, paixão. Claro que sim, faz parte e eu adoro casais apaixonados. Mas é realmente necessário, numa história de apenas 183 páginas, falar de sexo o tempo quase todo?! 

E como se não bastasse isso... não vi envolvimento do Jaul pela filha. O orgulho dele era o seu herdeiro... o menino, que ele fez questão de exibir para todos. Nas poucas cenas nas quais as crianças aparecem, o Jaul está sempre próximo ao menino e é o menino que ele pega nos braços. Isso me incomodou muito. Foi o que mais me incomodou na história e quase me fez dar 3 estrelas ao livro. Não vou ficar deixando este tipo de coisa passar. Paciência tem limite. E o Jaul testou demais a minha com uma atitude dessas. 

- Como eu disse, gostei muito do livro. Dei 4 estrelas e recomendo sim, sobretudo aos fãs da autora. Não é porque não deixei passar certas coisas na história que não gostei dela.rs Gostei bastante, mas isso não me impede de enxergar os absurdos.rsrs
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