Título Original: La dame aux camélias
Tradutora: Caroline Chang
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2004
Páginas: 224
16ª leitura de 2020
*Lido no Kindle Unlimited
Sinopse: Armand Duval é um jovem estudante de Direito na Paris de meados do século XIX. Jovem recatado, vindo de uma respeitável família burguesa interiorana, apaixona-se por Marguerite Gautier, nada mais nada menos que a mais cobiçada cortesã dos salões e teatros parisienses. Marguerite – vendida, corrompida, perdulária, amante de vários homens – corresponde ao amor do jovem, que provoca uma reviravolta na vida da jovem prostituta. Mas o futuro dos dois amantes enfrenta os mais rígidos obstáculos.
Escrito pelo francês Alexandre Dumas filho a partir da sua experiência autobiográfica com a cortesã Marie Duplessis, A dama das camélias é uma das mais célebres narrativas longas do século XIX – o próprio século de ouro do romance europeu. No livro, lançado em 1848 com enorme sucesso, assim como em toda a sua obra, Alexandre Dumas filho – filho bastardo do autor de O conde de Monte Cristo, Os três mosqueteiros – faz um ajuste de contas com a sociedade que o humilhara. A dama das camélias foi adaptado para o cinema e teatro inúmeras vezes, entre as quais na ópera La Traviata, de Giuseppe Verdi. A engenhosidade da estrutura, a limpidez e beleza do estilo, a honestidade no tratamento de uma das mais antigas facetas da sociedade humana – a prostituição – e a pungência com que desvenda as hipocrisias humanas fazem-na a obra-prima de Alexandre Dumas filho, que ainda hoje se lê de um fôlego só.
Não sei nem como começar a falar deste livro que mexeu tanto com as minhas emoções e me fez ficar um longo tempo refletindo, "viajando" para bem longe do "agora". Fiquei perdida em pensamentos ao final desta leitura, tentando entender como a vida pode nos levar para tão longe dos nossos sonhos. É comum dizerem que a vida é feita de escolhas, que você colhe o que plantou. Mas... Nem sempre isso é verdade. Muitas vezes o destino, ou seja lá que nome você prefira dar, nos aprisiona numa realidade na qual "escolha" é utopia, na qual colhemos não o que plantamos, mas as consequências do que foi plantado por outras pessoas.
"Exorto o leitor a se convencer da veracidade desta história, da qual todos os personagens, com exceção da heroína, ainda vivem."
Filho bastardo do grande escritor de O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas filho foi afastado da mãe ainda pequeno e matriculado em ótimas instituições de ensino para que lhe fosse assegurada uma boa educação. Se por um lado a dor de sua mãe lhe serviu de inspiração para a criação de suas personagens femininas, por outro lado, o talento de seu pai e os círculos aos quais teve acesso o incentivaram a tornar-se escritor. Em sua juventude, apaixonou-se por uma famosa cortesã com quem manteve um relacionamento por alguns poucos anos, até perceber que seria impossível continuar. Pouco tempo mais tarde, ainda muito jovem, ela veio a falecer de tuberculose e o impacto de sua morte serviu de fonte de inspiração para que o autor escrevesse aquela que se tornaria a sua mais famosa obra: A Dama das Camélias, romance de cunho autobiográfico, que até hoje emociona milhares e milhares de leitores no mundo todo.

