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23 de dezembro de 2017

Das Coisas Inesquecíveis de 2017



2017 está nos dizendo adeus. E confesso que fico feliz por isso.rsrs Foi um ano maravilhoso em vários aspectos, mas em outros... Não sentirei falta. 

Este ano muitas coisas mudaram em minha vida. Mudanças positivas em sua maioria, mas sou a pessoa que menos gosta de mudanças neste mundo.kkkkkk... Sempre disse isso e até quem não me conhece muito bem sabe. Algumas situações se alteraram para sempre. Sinto que estou crescendo cada dia mais. Avançando. Só que é inevitável que certos momentos e pessoas fiquem para trás no caminho. Que deixem de fazer parte da minha vida, não importa o quanto eu deseje o contrário. 

Não esquecerei minha despedida do meu antigo estágio. Fiquei lá por dois anos e só disse adeus no momento em que meu contrato terminou. Como eu estagiava num órgão público não havia a possibilidade de ser efetivada, por mais que amasse cada instante que vivi lá. Fiz amizades incríveis, conheci pessoas maravilhosas e foi com lágrimas nos olhos e um doloroso nó na garganta que deixei aquele cantinho que já considerava meu. Minha ex-chefe e colegas de trabalho foram as melhores que eu poderia ter conhecido. Sei o quanto é difícil encontrar um ambiente de trabalho agradável hoje em dia, com pessoas que não tentem te apunhalar pelas costas ou te derrubar de outras formas. Sei que fui privilegiada e valorizo a oportunidade linda que tive. Minha despedida foi triste, mas bela. E tenho um pouco de cada uma delas nas lembranças que carrego e nos livros que me deram de presente com dedicatórias lindas. 

Não esquecerei a oportunidade que tive de iniciar um novo estágio na semana imediatamente seguinte àquela em que o outro terminou. Tudo é diferente, claro. Pessoas diferentes, ambiente completamente distinto também. E tudo é ainda muito recente para que eu já tenha me adaptado. Ainda assim tenho aprendido muito e sei que com o tempo me acostumarei com esta mudança. 

Sem sombra de dúvidas, 2017 foi positivo na minha área profissional, nos meus estudos. Encerrei uma fase importante e em 2018, se tudo der certo, terminarei minha graduação. É claro que estou muito feliz. Mas é hora de falar de outras coisas...rsrs

Impossível será esquecer todos os livros especiais que tive a oportunidade de ler este ano. Querida Sue é apenas um exemplo. Não li tanto quanto gostaria e minha meta de leituras foi quase um fracasso, mas tive o privilégio de ler histórias arrebatadoras e que estarão sempre em meu coração. 

Como não mencionar também as séries fantásticas que comecei ou continuei? Gilmore Girls preencheu várias das minhas noites com risos, descontração, puros momentos de alegria. Sinto saudades. Quero demais seguir assistindo essa série!

Também comecei a ver duas novas novelas. Muy Padres, que conta de maneira um tanto divertida os dramas familiares de três pais complexos e imaturos (risos) e... Amor Proibido, que começou no último dia 18 e já me prendeu como poucas. Quem acompanha meu blog sabe que jurei que não assistiria essa novela se a Band a exibisse. Que não sou masoquista, que não iria querer sofrer como sofri com Ezel e blá, blá, blá...kkkkkkkkk Só que não resisto, gente! Não consigo!rsrs As novelas turcas exercem todo um fascínio sobre mim. Nunca sou capaz de não vê-las. É evidente que chorarei até me desidratar, mas a verei até o seu amargo fim. 

Este também foi um ano excelente para os livros clássicos na minha vida. Nunca li tantos clássicos como em 2017 e fiquei tão feliz com esta experiência que num dos posts que farei em breve vocês terão uma ideia dos meus desafios para o novo ano que se aproxima. :) Além disso, também li muitos contos, algo que não tinha o hábito de fazer. Eu escrevo contos. Todavia, ler era outra história. Então me propus a apostar em livros de contos e foi algo realmente maravilhoso! Não quero mais parar! :D

Também foi extremamente positivo participar do Projeto Escrevendo sem Medo. Graças a ele, voltei a me dedicar mais à escrita, retomar antigos projetos e me aventurar por histórias novas e outros estilos literários. Até escrevi um poema, vê se pode!kkkkkk... Foi delicioso me desafiar assim! Este texto que agora escrevo é o último deste projeto. Espero que ano que vem tenhamos mais! 

Não deixo de agradecer a Deus por todas as coisas boas que me aconteceram e partilhei com vocês e também por todas as outras que apenas guardo para mim. Tudo o que sou eu devo a Ele. Tudo o que conquisto é graças a Ele e não me envergonho de admitir. Não sou absolutamente nada sozinha. 

Também agradeço a vocês, meus leitores tão maravilhosos que me aguentam todos esses anos. Obrigada pelas visitas, pelos comentários, pelos emails que me enviam, pela amizade linda que me oferecem. Amo muito vocês! Sei que não estou me dedicando ao blog como gostaria, mas eu sempre tento. É apenas a correria do dia a dia que me impede de aparecer como eu desejaria. Que me impede de ler mais, resenhar mais, trazer mais novidades pro blog. Mas seguirei tentando. Quem sabe um dia consiga me organizar de um jeito que dê certo?!rs

- Ainda aparecerei aqui em 2017, por isso não lhes desejo Feliz Natal e Ano Novo agora. :D



- Este é meu décimo segundo texto para o Projeto Escrevendo sem Medo

Este projeto foi criado pela Thamiris do blog Historiar. Clique aqui para conhecê-lo melhor. 

17 de novembro de 2017

A minha estação do ano favorita




Era para este tema ser fácil, verdade?! Mas eu sempre tenho que dificultar as coisas!rsrs

Não sei bem se tenho uma estação preferida. Possuo sentimentos em relação a cada uma das quatro, sendo a que detesto justamente a única que não mencionarei aqui. Será que adivinham?




Ah, primavera! Sempre a encarei como o início de tudo. A estação da vida, da alegria, dos sonhos... da esperança. Ela é o princípio e não importa como as coisas fiquem difíceis quando seu período se encerra, ela sempre retornará... com sua típica felicidade e otimismo. É assim que a vejo. Ela me enche de bons sentimentos. Me faz pensar positivo e seguir adiante. Afinal de contas, a vida está só começando. É sempre possível recomeçar... virar a página. Trocar o livro se necessário! :)



Depois que o verão passa, deixando seus rastros de destruição (já perceberam qual estação detesto, não é mesmo? Como amar a estação do calor insuportável e das chuvas que deixam tantas e tantas pessoas desabrigadas, isso quando não as mata?! Nunca amarei tal estação) vem o outono, com seu ar nostálgico... cheio de melancolia. As folhas estão caindo assim como alguns sonhos que se construíram na primavera. Todavia, parando para pensar, é a estação que prefiro. É a minha favorita. Vejo algo de mim nesta estação. Como se ela me compreendesse.kkkkkkkk... Ela representa o momento de sentar, olhar para trás... para tudo o que se passou e refletir sobre o que ainda desejamos manter ou deixar para lá, guardado numa caixa no fundo das lembranças, num lugar que, talvez, não tenhamos a intenção de revisitar um dia. É a estação em que reavaliamos o que sonhamos com tanta empolgação na primavera. É quando somos sentimentais, mas também racionais. Pesamos o passado, o presente e o que realmente queremos para o futuro. É a estação da reflexão e da ponderação. Assim como da saudade. 



Quem mora no Brasil, na região sudeste como eu, por exemplo, talvez lhe diga que aqui só temos duas estações bem definidas: verão e inverno. Não há dúvidas que o verão é a estação em que o calor atinge seu apogeu. É insuportável. Costumo desejar que passe bem rápido e é o período em que fico mais tensa, estressada, desejando fugir do Brasil.kkkkk... Mas quando o inverno chega... eu caio doente, com certeza. É a estação em que passo mais tempo gripada, com a garganta inflamada, com virose atrás de virose... Enfim... O inverno não gosta de mim. Todavia, eu não teria nada contra ele se não fosse a estação mais fria aqui no sudeste. Se não suporto o calor tenho verdadeiro pânico do frio.rsrs

Mas o inverno, apesar de todas as suas desvantagens, é a estação do meu nascimento.kkkkkkk... Deveria ser a minha estação. E tenho sim uma conexão com ela. Se fosse pensar numa estação que melhor define a minha personalidade na maior parte do tempo não pensaria duas vezes antes de escolher o inverno. Tenho uma parcela significativa de outono em mim e outra mínima de primavera (nada de verão!!!), mas tenho muito de inverno.rs  O que não é suficiente para torná-la minha estação preferida, claro. Ainda fico com o outono. :)

Uma curiosidade? Desde que li O Morro dos Ventos Uivantes pela primeira vez o associo com esta estação. Sinto como se a história inteira se passasse no inverno.  




- Este é meu décimo primeiro texto para o Projeto Escrevendo sem Medo

Este projeto foi criado pela Thamiris do blog Historiar. Clique aqui para conhecê-lo melhor. 

23 de outubro de 2017

A criança que eu fui...


A criança que eu fui gostaria de estar perto da pessoa que eu sou hoje?


Este é o tema mais difícil do desafio. Pelo menos para mim. E não necessito pensar muito na resposta. Definitivamente, a criança que fui um dia não gostaria de estar perto de quem sou hoje. 

Ela teria vergonha. Estaria decepcionada se me visse hoje. Se, de alguma parte, puder me enxergar, certamente se pergunta o que fiz com ela. Como pude esquecê-la assim... Deixar para trás tantas coisas que ela sonhou e compartilhou comigo. 

Sorrio ao recordá-la, embora meus olhos se encham de lágrimas. Ela era tão corajosa quando precisava ser. Mais emotiva do que sou hoje, porém também uma guerreira forte. Que brigava com unhas e dentes pelo que queria. Que acreditava no amanhã e lutava por ele. Sabia exatamente o que queria ser e ninguém seria capaz de fazê-la mudar de ideia. Ela seria médica. Curaria as pessoas. Se casaria pouco depois de completar dezoito anos e teria quatro filhos. Também adotaria. Toda sua vida estava planejada até os mínimos detalhes. 

Muitas vezes ela deitava no chão e sonhava com isso. Com o vestido branco, com os bebês que teria, com a casa cheia de crianças correndo para lá e para cá. Era um sonho clichê. Tradicional. Mas era o que ela queria mais que tudo. E tinha certeza que conseguiria. Esta é uma das coisas que mais invejo nela: a forma como ela tinha certeza das coisas. Como não vislumbrava impossível. 

A vida dela não era um mar de rosas. Todo o contrário. Teve muitos problemas, mas ela tinha a força que nunca terei. Está aí uma frase que ela não usaria: "nunca terei". Isso não existia para ela! Os outros poderiam dizer o que fosse e ela choraria quando ninguém estivesse olhando, profundamente magoada pelas palavras negativas que lhe dissessem, todavia nada seria capaz de roubar sua esperança. Ela acreditava no que poderia ser. Ela nunca deixou de acreditar. 

Não restou nada dela em mim. Num determinado momento, simplesmente a deixei partir. Negando-lhe seus sonhos. Fazendo escolhas que ela jamais faria. 

Não sou uma pessoa crescida, como diria o Pequeno Príncipe. Ainda brinco com os meus priminhos. Sou a única adulta que vira criança perto deles e entra na brincadeira. Sou quem eles sempre querem ter por perto e sempre digo que a Vitória deve ter sido minha filha numa outra vida, pois é grudada em mim. Ainda sei amar intensamente. Ainda grito, pulo e danço quando estou feliz. Mas...

Sinto falta daquela menina. Dos sonhos dela. De sua esperança. Ela acreditava e eu já não acredito mais. Não no mesmo que ela.

Ela só sabia amar, mesmo que às vezes quisesse odiar. Eu? Ainda sei amar, mas também aprendi a odiar. 

Sinto falta da inocência dela, da maneira como ela via o mundo. Dos seus risos sinceros, das explosões espontâneas quando estava triste. Mas tenho que aceitar que ela se foi para sempre...


- Este é meu décimo texto para o Projeto Escrevendo sem Medo. O tema mais difícil de todos. 


Este projeto foi criado pela Thamiris do blog Historiar. Clique aqui para conhecê-lo melhor. 

22 de setembro de 2017

Precisamos falar sobre...


Discriminação/Preconceito

Eu estava há dias pensando sobre o que falar. Eram tantas as opções que não me decidia. Mas após refletir por algum tempo, olhando atentamente para este mundo, fiz a minha escolha.

Acho incrível, realmente admirável a capacidade que temos de usurpar o lugar de Deus. Nos sentindo no direito de olhar para o outro e o julgarmos, baseados no que nós consideramos certo, agindo conforme nossa vontade do momento.

Nós discriminamos, julgamos, apedrejamos, fazendo o que o próprio Jesus Cristo se negou a fazer. "Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela". E ele, sendo o único ali sem pecado, perdoou a mulher que aqueles homens que olharam para os erros dela e não para os seus próprios erros, queriam apedrejar. Jesus em nenhum momento desejou condenar a Humanidade, veio ensinar amor. Toda a sua vida na Terra, Ele falou de amor. É irônico que nós, que nos consideramos seus seguidores, façamos o completo oposto.

Muitos se sentem muito bem abrindo a boca para falar dos homossexuais. "Porque é pecado, porque Deus proibiu isso na Bíblia". Sério, querido? E essa foi a única coisa que Deus proibiu, certo? Mais nada, não é mesmo? Seria engraçada se não fosse irritante a maneira seletiva das pessoas lerem a Bíblia, retirando somente aquilo que lhes interessa e ignorando todo o resto, sobretudo os ensinamentos de Jesus Cristo no Novo Testamento. É tanta hipocrisia que vejo em muitos daqueles que se sentem cheios de "verdade" e "poder" ao citar as Escrituras que penso que nada se aprendeu, que de nada valeu Jesus ter se sacrificado por nós. E é triste. Demais.

Ainda nos dias de hoje negros, mulheres, crianças, pobres, deficientes físicos e mentais e diversas outras pessoas são discriminadas por aqueles que não enxergam que não possuem moral alguma ou qualquer direito de julgar ou discriminar alguém. Animais são chutados, torturados, tratados como objetos quando não me recordo de Jesus ter ensinado em momento algum a crueldade. 

Jesus amou as crianças, dizendo que delas é o Reino de Deus e até hoje pais espancam seus filhos, destroem sua infância, causam marcas que elas levarão por toda a vida e o mais irônico é que muitos depois leem a Bíblia, oram e se sentem servos de Deus. 

Ele respeitou e amou as mulheres, vendo-as como seres humanos, preocupando-se com elas e não deixando sua mãe Maria, a Escolhida, desamparada. Antes de expirar naquela cruz, pediu ao discípulo a quem amava que cuidasse dela, que a partir daquele momento ela era sua mãe e ele, seu filho. E nós desrespeitamos e maltratamos as mulheres todo o tempo, viramos as costas para nossas mães, desprezamos aquelas que nos deram a vida. Não seguimos o exemplo de Jesus, mas abrimos nossas bocas hipócritas para nos considerarmos seus seguidores.

Jesus nunca ignorou aqueles caídos pela estrada, curou aqueles que necessitavam, entendeu a dor e o desespero deles, não olhando torto para ninguém que era deficiente físico ou mental. Todo o tempo, Ele amou e se importou. Enquanto muitos até os dias de hoje zombam dos deficientes, desprezam, humilham ou simplesmente ignoram. 

Vemos alguém sofrendo, precisando de ajuda e olhamos para o outro lado, pois temos nossos próprios problemas, porque não temos tempo para ajudar ninguém. Somos individualistas e egoístas. Mas deixa eu lembrar algo que talvez tenhamos esquecido: Jesus não precisava ter feito absolutamente nada por nós. Ele sequer precisava de nós. E ainda assim temos a cara de pau de pensarmos apenas em nós mesmos. 

Aquele que tinha direito de julgar não julgou. Aquele que tinha direito de discriminar, jamais fez distinção de pessoas. Quem tinha todos os motivos para nos odiar, o tempo inteiro nos amou. Realmente, ao que parece, não aprendemos nada.

Toda vez que vejo alguém citar a Bíblia para defender determinada posição preconceituosa, discriminadora, insensível e desumana, sinto repulsa e vergonha. Citam a Bíblia para o mal quando ela deveria ser um instrumento de perdão e amor.

Não. Não aprendemos nada. E isso porque simplesmente não quisemos aprender.

Enquanto sofria por pecados que não eram seus, Jesus pediu a Deus que perdoasse aquelas pessoas que lhe faziam mal, pois elas não sabiam o que faziam. Mais uma vez perdoando aqueles que não mereciam.

A verdade, porém, é que nós sabemos exatamente o que fazemos. Sempre soubemos. E continuamos preferindo fazer o mal ao outro quando fazer o bem não custaria nada. Não somos dignos de nenhum perdão. Sejamos sinceros: não somos mesmo. 


- Este é o meu nono texto para o Projeto Escrevendo sem Medo. O tema de setembro é complexo e nos incentiva a falar de determinados assuntos. Não foi fácil. Nem um pouco.

Não quis falar de religião, mas do maior exemplo de amor que o mundo já viu. Não importa de qual religião a pessoa seja, até mesmo se ela não tiver religião ou não acreditar em Deus, com certeza já ouviu falar de Jesus. 

Este projeto foi criado pela Thamiris do blog Historiar. Clique aqui para conhecê-lo melhor. 


E encerro com uma música que amo muito:
Música: Minha Essência
Cantor: Thiago Brado

21 de agosto de 2017

Carta Anônima [Escrevendo sem Medo]


Eu gosto tanto de você, que até prefiro esconder.


Te amar não estava nos meus planos. Na verdade, a minha intenção sempre foi desprezá-lo. Como amar alguém como você? Um ser que não deveria ser considerado humano. Cruel, mesquinho, egoísta. Alguém que quase destruiu quem eu amava. Quem sempre amarei. Como perdoá-lo pelo que fez? Achei que nunca conseguiria. 

Durante os primeiros meses após conhecê-lo... Após você surgir em minha vida abruptamente... Eu te odiei com todas as minhas forças. Tudo o que queria era que você tivesse o fim merecido. Que existisse um pouco de justiça neste mundo. Jurei que não choraria. Que ficaria até mesmo feliz quando a vida cobrasse o preço por suas atitudes. Mas quando me vi diante do seu final... não pude suportar! Simplesmente não pude. Precisei fazer alguma coisa. Alterar tudo. Suplicar para que você tivesse uma segunda chance. E a verdade é que não me arrependo. 

Toda vez que revisitar o seu passado, eu chorarei. Sofrerei terrivelmente por cada um dos seus erros, por aquilo que não tem volta ou conserto. Com suas próprias mãos, você destruiu uma parte de si. Do seu futuro. Descontou a raiva do mundo em uma pessoa inocente. Quantas vezes ela te implorou para mudar? Quantas vezes disse "por favor"? Valeu a pena tudo o que fez? Se sente melhor sendo o que é? 

A verdade é que não. Mesmo que não diga com todas as palavras, sei que se arrepende. Sei que o coração que você acreditava não possuir hoje te lembra, a cada batida, tudo o que perdeu... e quanta dor provocou. Sua consciência está pesada. Não há uma noite em que possa dormir um sono tranquilo. Procura em todos os lugares aquilo que só encontrará no momento em que puder perdoar a si mesmo. Não é só do perdão dela que necessita. Mais do que tudo, precisa absolver-se. Todavia, você é seu mais severo juiz. E com o tempo, os outros perceberão que não há por que odiá-lo se todo o ódio que sente por si mesmo já é mais do que suficiente. 

Quando olho em seus olhos, sinto vontade de consolá-lo. E nesses momentos, mais do que em todos os outros, uma enorme angústia toma conta de mim. Porque parece errado amá-lo. E, no fundo, gostaria de poder evitar. Não quero confortá-lo. Não quero entendê-lo. Não poderia perdoá-lo. É por ela que tenho que sentir. Como sentir compaixão do seu maior algoz? Não posso traí-la assim. Ela não merece que eu te ame. Nem você merece, não importa todo o seu arrependimento. Porque nada, absolutamente nada, vai trazer de volta o tempo perdido. Nada pode apagar o que você fez. Sofrer não consertará as coisas. É impossível. 

Já faz dez anos que te conheço. Ou quase isso. Eu também a conheci no mesmo dia, embora alguns minutos antes. Estava ouvindo Nada es para Siempre, daquele cantor que você sabe que amo. Talvez tivesse que me sentir responsável por tudo o que você fez contra ela. Porque se ela te conheceu foi por minha causa. Foi minha culpa. Mas até você, mesmo nos seus momentos mais egoístas, teria que admitir que nunca tive nenhum controle sobre suas atitudes. Era mil vezes mais forte que eu. Não podia pará-lo. 

Toda vez que eu chorava por ela me confortava dizendo que poderia ao menos influenciar o seu fim. Que poderia contribuir para que você pagasse. Era o meu maior conforto. Antecipava o momento. Cheguei a dizer que comemoraria. Dançaria, gritaria de felicidade, abriria uma champanhe. Mas quando o dia chegou.... Bem... Você já sabe o que aconteceu. Eu te estendi a mão. Te dei mais uma chance. 

Mas eu te dei apenas uma possibilidade de recomeço. O resto é com você... Às vezes me pergunto como será o fim da sua história. Espero sinceramente que saiba aproveitar essa oportunidade...

Te amo. Demais. Dolorosamente. E sim, tenho vergonha de admitir. Prefiro esconder. De você e de todo o mundo. Um dia, quando você for realmente digno do meu amor, te direi o que sinto. Sem hesitação. Sem vergonha. Por enquanto... é o meu segredo. Um amor que não quis sentir. Que detesto sentir. Um amor que me machuca. 


- Este é meu oitavo texto para o Projeto Escrevendo sem Medo. O tema de agosto parecia fácil. Só parecia!kkkkkkk... Quando parei para pensar... cheguei à conclusão que não existia ninguém que eu amasse e não tivesse coragem de admitir. Todas as pessoas que amo, sabem que são amadas, que são queridas por mim. Existiria alguém que eu tivesse vergonha de amar? E aí eu descobri que sim. Uma pessoa. Se considerarmos que um dos significados de "pessoa" é personagem. :D

Como já contei aqui, eu escrevo. De maneira bem amadora, é verdade, mas escrevo!kkkkkk... E entre os personagens que já criei, existe um que me dói reconhecer que amo. Um personagem que me magoou demais e mesmo assim não pude matar. Na primeira versão dessa história que escrevi, ele morreria. Era minha vingança, minha justiça. Só que muita coisa aconteceu ao longo do tempo... e não consegui. Simplesmente não pude matá-lo. E me senti muito mal na época (até hoje me sinto) porque era como se eu tivesse traído a minha protagonista. Depois de tudo o que ela passou por causa dele, ele tinha que morrer. Mas não mando em meu coração. :( 

Este projeto foi criado pela Thamiris do blog Historiar. Clique aqui para conhecê-lo melhor. 

7 de julho de 2017

O que há de errado com a humanidade? (Escrevendo sem Medo)


O Que Há de Errado com a Humanidade?


Está aí algo que me pergunto um dia após o outro. O que está acontecendo com este mundo? Com as pessoas? Onde iremos parar? Não estamos evoluindo. Muito pelo contrário! Quanto mais observo o mundo, os seres humanos de modo geral, maior é a sensação de que, na verdade, estamos regredindo.

Em pleno século XXI, ainda nos chocamos com notícias sobre o trabalho infantil, trabalho escravo, mulheres sequestradas e mantidas em cárcere privado por vários anos, muitas vezes por pessoas de sua própria família. Crianças tendo a infância destruída ao serem consideradas objetos sexuais por aqueles que deveriam protegê-las, certificar-se de que elas crescessem saudáveis e seguras. Adolescentes que andam armados e disparam uma arma como se a outra pessoa não fosse nada. Como se não se tratasse de uma vida. 

Quanto mais olho para o mundo maior é o meu desespero, minha desesperança. Às vezes me sinto sufocar ao ler uma nova notícia... às vezes tenho vontade de... Nem sei. Não uma vez disse para minha mãe que se pudesse escolher não teria nascido. Pediria a Deus: "Por favor, me deixe aqui! Não me mande para aquele lugar!" E falo muito sério. Sim, o mundo é lindo! Existem lugares maravilhosos e pessoas incríveis que ainda não se deixaram contaminar por essa maldade que parece se espalhar cada vez mais pela Terra. Mas eu me pergunto: até quando? Até quando existirão pessoas boas neste mundo? Parecem ameaçadas de extinção.

Às vezes queria voltar a ser bem novinha, quando ainda era inocente, ingênua o suficiente para acreditar num mundo cor-de-rosa... Quando acreditava que as pessoas eram sempre boas... Quando sequer sabia o significado da palavra "crueldade". 

Aprendi a andar com medo. A não sair à noite, sobretudo se estiver sozinha. Nunca sei se voltarei para casa ou se sofrerei algum assalto, alguma espécie de agressão. E não sou a única. Quantas vezes você não andou mais rápido ao passar por uma rua relativamente deserta? E me diz se não sente receio mesmo quando passa por um lugar movimentado! Quantas vezes olha para trás ou para aquele alguém que parece não desviar os olhos de você? Já sofri algumas experiências muito desagradáveis. Numa delas... acreditei realmente que morreria e sequer teria tempo de me despedir das pessoas que amo. Aprendi a temer. Não um desastre aleatório, mas uma agressão vinda de outro ser humano. De um ser que parece ter esquecido o que significa humanidade. 

Recentemente, na novela Ezel, aconteceu algo que me perturbou bastante e me remeteu à realidade que muitas vezes tento ignorar, pois é insuportável. Um menino, nada mais que uma criança (que deveria estar estudando, brincando, sendo feliz), pegou um revólver e atirou contra uma pessoa que o tinha acolhido, que tinha oferecido sua proteção e carinho a ele. Ele simplesmente atirou. Lembro do arrepio que senti com aquela cena. A dor não só pelo personagem que estava morrendo, mas também por aquela criança. Que tinha sido usada e treinada para matar. Um menino que não conhecia uma vida diferente, que tinha tido toda sua infância destruída e que foi transformado numa arma para matar. Quantas crianças e adolescentes hoje em dia trocaram os brinquedos e videogames por armas? Não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Em países onde existem guerras coisas assim são ainda mais comuns. É algo em que não aguento sequer pensar. Em que não quero pensar. 

A cada 11 minutos (aproximadamente) uma mulher é estuprada no Brasil. Isso só no nosso país, gente. Fico imaginando como ficariam esses números se pegássemos os dados de todos os países que fazem parte desta Terra. Sem mencionar o fato de que boa parte dos casos nunca são registrados, seja por medo, vergonha ou qualquer outro motivo. Acredito que não ficamos sabendo nem sequer de 5% dessas vítimas. Ainda existem lugares no mundo (e aqui no Brasil também é assim, se pararmos bem para pensar) em que a vítima é vista como culpada, como se de algum modo tivesse desejado aquele resultado, como se tivesse "pedido por aquilo". Não gosto nem de ler os comentários na internet quando um novo caso é divulgado. Muitos são aqueles que comentam culpando quem sofreu a agressão, como se o agressor não tivesse feito nada de mais. Como se a vítima é que fosse a errada da história, a vilã. É uma inversão de valores e pensamentos tão absurda que fico realmente muito abismada. E sinto vontade de chorar. Muita vontade. Porque percebo, cada vez com mais intensidade, que nada vai mudar. Não para melhor. Enquanto pensarmos dessa maneira, enquanto desculparmos os agressores e responsabilizarmos as vítimas, o mundo só irá andar para trás. Até que os seres humanos acabem de destruir o mundo que há séculos, antes e depois de Cristo, eles começaram a destruir. 

Quantas pessoas são assassinadas a cada minuto? De quantas maneiras diferentes? Quantas mulheres desaparecem? Quantas crianças, jovens, idosos? Quantas pessoas nunca são encontradas? Quantas famílias choram sobre um caixão... e quantas sequer têm isso, vivendo para sempre com a esperança de ver aquele alguém querido bater à porta, como se tudo não tivesse passado de um pesadelo? 

"Fatmagul' (não se sabe o nome verdadeiro dela), a mulher que inspirou a novela de mesmo nome, sofreu um estupro coletivo na Turquia, vindo a ser obrigada a casar-se com um de seus agressores e seu tormento apenas aumentou, uma vez que, diferente da novela, ele era tão cruel e doentio quanto os outros. Ela é apenas um entre vários casos. 

Suzanne von Richthofen planejou a morte de seus próprios pais, que foram assassinados com requintes de crueldade pelo namorado e cunhado dela, enquanto ela estava dentro da casa apenas aguardando que eles terminassem. 

Isabella Nardoni foi agredida e arremessada (ainda viva) do prédio em que seu pai morava, ficando para sempre em nossa memória pela crueldade com que sua vida foi encerrada. Os assassinos? Seu próprio pai e sua madrasta. 

O menino João Hélio, que na época tinha apenas seis anos, foi arrastado durante quilômetros, preso ao cinto de segurança do veículo de sua mãe, após os assaltantes fugirem do local com o carro, não dando a mínima para o fato do menino estar preso para fora do veículo. Eles simplesmente não se importaram e o menino acabou morrendo. Nunca pude esquecer esse caso. Nunca mesmo. Até hoje me dói muito o que aconteceu com essa criança, com essa família. 

Se eu fosse continuar, este post se transformaria num livro de tão longo. São muitas as coisas que estão erradas, distorcidas em nosso mundo. E acredito que o motivo seja muito simples: falta amor. Há uma ausência de amor na vida das pessoas. Sentimentos como ódio, vingança, desprezo, inveja, ambição vêm se multiplicando cada vez mais nos corações das pessoas e aí não sobra espaço algum para o amor. E quando falta amor falta Deus.

Sei que existem pessoas que não acreditam em Deus. Eu entendo e respeito isso. Mas, partindo do ponto de que também respeitem o fato de que eu sim acredito na existência dEle, pois a própria existência deste mundo e dos seres vivos que fazem parte dele, é uma prova da existência de Deus, na minha opinião... Partindo desse ponto, uma vez li algo muito interessante. Não lembro quem disse, por isso não tenho como dar os devidos créditos aqui. Enfim... Uma vez li em algum lugar que uma pessoa disse que a maldade não existia, que ela era apenas uma ausência de Deus assim como a escuridão em si não existe, pois escuridão nada mais é do que a ausência de luz. Fiquei pensando muito nisso e, de certa forma, concordo. Porque se falta Deus, se falta amor... o que sobra é o que vemos pelo mundo. É essa maldade que se espalha, pois mais e mais raro se torna o amor. 

Já não leio muitas notícias nem assisto jornais como antes. Não suporto, sabe? Às vezes quero me esconder nas páginas dos meus livros, trancar-me no quarto e esquecer todo o resto. Às vezes, um lado meu... aquele que ainda tem fé... deseja acordar e ver tudo diferente. Que algo se transforme, que as pessoas se transformem. Sim, eu ainda acredito, mesmo que seja tênue a minha esperança. 

Eu costumo ver Deus e o Amor como a mesma coisa. Não sei bem como explicar. Penso que não é necessário alguém acreditar na existência dEle de maneira consciente. Eu sempre defendo que quando alguém ama seu filho acima de tudo, quando uma pessoa simplesmente ama, ela acredita em Deus... ainda que não acredite. 

Gostaria de falar mais coisas... E, ao mesmo tempo, sequer gostaria de publicar este post. Não gosto de tocar em assuntos assim. Não quero pensar nessas coisas, embora, na verdade, pense bastante. 

Do que o ser humano necessita? Amar. As pessoas precisam reencontrar o amor dentro delas, parar de olhar tanto para o próprio umbigo e se importar mais com os outros. Em A Cabana há um trecho (não lembro se no filme, no livro ou em ambos) no qual os personagens falam que cada coisa importa. Que podemos acreditar que se só nós nos comportamos de maneira diferente não fará nenhuma diferença. E esse trecho nos traz o seguinte: se fazemos o bem... o universo muda para melhor. Porém, se fizermos o mal... tudo vai mudar também só que para pior. O que acontece, gente, é que muito mal está sendo feito neste mundo. 


"É a dúvida que resta,
que me leva a perguntar...
Qual papel será o meu? 
O de quem nada faz?

Embora doa, nada fiz para mudar.
Embora doa, nada vai mudar."
[Trecho de: Embora Doa - Klepht]


- Bem... Este é o meu sétimo texto para o Projeto Escrevendo sem Medo. O tema de julho não é leve. Não dava para eu escrever um conto, um poema ou algum texto mais sonhador nem nada. Era para ser real. Tinha que ser. 

Não falei nem da metade dos assuntos sobre os quais penso, sobre os quais gostaria de falar. Não falei sobre preconceito, discriminação, homofobia, genocídio, violência contra animais, violência doméstica, intolerância religiosa... Enfim... 

Este projeto foi criado pela Thamiris do blog Historiar. Clique aqui para conhecê-lo melhor. 

23 de junho de 2017

Final de Semana Ensolarado (Escrevendo sem Medo)


Considerações Sobre um Fim de Semana Ensolarado

"Observe a imagem abaixo. Imagine que aquela pessoa é você. Imagine uma estória para essa imagem. O que você fez até tirar essa foto? Como se sentiu? O que aconteceu nesse fim de semana ensolarado?"



Era sábado. O dia amanheceu lindo. As nuvens e o cinza do dia anterior agora eram apenas lembranças. Eu queria sair. Apenas caminhar. E foi o que fiz. Calcei meus tênis, coloquei meu livro preferido na mochila e tranquei a porta. Não sabia bem para onde ia. Não fazia ideia. 

Há quanto tempo não fazia trilha? Mal era capaz de recordar. Me habituara a olhar para o mundo da janela do meu quarto. Não me atrevendo mais a arriscar. Não tendo coragem. Foi então que decidi. 

Meus pés pareciam ter vontade própria. Escolhendo por mim o meu destino. Não demorou para que o cheiro da natureza invadisse meu espaço, provocando a sensação de paz que não sentia desde... Não sei. Realmente não sei quando foi a última vez que me sentira assim. 

A urbanização ficou para trás. As ruas asfaltadas, o barulho dos carros, a correria diária. Era tão sossegado ali! O verde, o frescor... tudo me chamava, me incentivando a ir em frente, adentrando cada vez mais aquela floresta. 

Se me perguntassem, não saberia dizer como fui parar ali. No alto. Tentei fazer meus pés saírem correndo, de volta à segurança. Tenho medo de altura, quis gritar. Mas não era capaz de me mover. Durante vários minutos, mantive os olhos fechados. Acreditando que quando os abrisse estaria de novo no meu quarto. É apenas um sonho, disse para mim mesma. Mas o leve vento que passava por mim, bagunçando meus cabelos, assim como aquele cheiro maravilhoso de liberdade, me fizeram abrir os olhos. Devagar. Então, olhei para a frente. 

Nunca me senti tão viva como naquele momento. Onde está o medo?, me perguntei. Era para eu estar tremendo, gelada, encolhida, temendo que a qualquer momento fosse cair. Mas não. Só me sentia... livre. 

Quando finalmente voltei para casa, um sorriso bobo brincava em meus lábios. Aquele era apenas o início da minha vida...



- Este é meu sexto texto para o Projeto Escrevendo sem Medo. Não fazia ideia do que escrever.rsrs Eu estava no meu trabalho, tinha terminado a resenha de Doce Amor e não tinha mais o que fazer. Pensei em ler um pouco até que desse a hora de ir embora, mas então resolvi olhar para a imagem do tema deste mês e comecei... Quando vi, já estava pronto. :D

Foi desafiador, sem sombra de dúvidas! Não gosto de escrever tendo eu própria como a personagem da história. Mas como tinha que imaginar que eu era a pessoa na foto, não tive escolha!kkkkkkk... 

Escrevi na quinta-feira (hoje), mas vocês só poderão ler meu texto a partir do dia 23/06 (amanhã). Espero que gostem! :)

Este projeto foi criado pela Thamiris do blog Historiar. Clique aqui para conhecê-lo melhor.  

24 de maio de 2017

Se Eu Tivesse Poderes Mágicos... (Escrevendo sem Medo)


Se Eu Tivesse Poderes Mágicos... 


Voaria... Para qualquer lugar do mundo, do universo. Conheceria toda Terra e Céu. Seria uma águia e então um pisco-ruivo. Depois uma pomba. E até mesmo um corvo, tão mal julgado por muitos, mas belo como toda a Criação. 

Em alguns momentos, seria invisível. E então realmente conheceria quem acredito conhecer. Além disso, teria a vantagem de simplesmente sumir quando quisesse. 

Viajaria pelo tempo... por todos os séculos. Antes e Depois de Cristo. Observaria as diferentes culturas, diferentes amores e sonhos. Seria uma espectadora paciente e apaixonada. Ah, como seria maravilhoso viver todas as épocas! Nem que fosse por um só dia. Um instante. 

Voltaria no tempo... 17 anos atrás. E ao menos tentaria me impedir de perder a quem tanto amava. Quem ainda me faz imensa falta. 

Curaria meu coração... arrancaria cicatrizes que insistem em me marcar. Amaria de novo, de uma nova maneira, um novo alguém. 

Conheceria todas as bibliotecas do mundo. Leria um milhão de livros antes de morrer. E nasceria de novo... num novo milênio, numa nova História. 

Resgataria crianças, mulheres e outras pessoas presas, reféns das mais inimagináveis monstruosidades. E apagaria de seu corpo e memória as feridas deixadas por alguém dito ser humano. 

Se pudesse ter apenas um poder.... um único desejo... se me fosse dada a chance de alterar alguma coisa... acabaria com toda a maldade que se espalha com mais e mais força por este mundo. Destruiria o mal. E todas as pessoas apenas amariam. E, assim, já não existiria espaço nem semente para nenhuma maldade. Porque o mundo só saberia amar. Para sempre. 


Google Imagens


- Que utopia, verdade?!kkkkkk... Mas era para sonhar, não é mesmo? E sonhei. Muito. Enquanto escrevia este texto me permiti viajar. Querer. Esquecer tudo e realmente acreditar que tais sonhos são possíveis.rs 

Às vezes... penso que já perdi boa parte da minha esperança. Que já não acredito no mundo e nem nas pessoas. Muito menos na bondade de corações. Mas... quando vejo um bebê nascer ou uma criança sorrir... Quando vejo seres humanos ajudando desconhecidos sem esperar nada em troca, muitas vezes agindo longe de holofotes... Então volto a acreditar. Que, de alguma forma, em algum momento, este mundo vai ser melhor. Ainda que eu já não esteja aqui para ver. 

- Este é meu quinto texto para o Projeto Escrevendo Sem Medo. Escrevê-lo foi difícil pelo fato do tema me fazer pensar em muitas coisas. Eu quis deixar o texto o mais leve possível, pois teremos textos mais "profundos" nos temas de julho e setembro.rs 

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12 de abril de 2017

Quando a saudade vai embora


Quando a saudade vai embora


Hoje... Hoje deixei de sentir sua falta
Não sei como aconteceu
Só sinto que algo mudou
Em meu coração
Em minhas feridas
Em cada recanto do meu corpo

Onde antes estavam as cicatrizes
Que por mais de sete anos carreguei
Que me deixavam a alma fria
Que me enchiam de vazio... de solidão
De dor

Já não dói...
Nenhuma lembrança
Nem mesmo o adeus
Aquele... que por muito tempo me fez sangrar

Será que agora poderei recomeçar?
Já não sei...
Talvez... Agora que não está
Eu possa me sentir
Inteira
Uma pessoa outra vez


Pouco a pouco
Vou juntando os pedaços
De uma vida que você destruiu
Com suas mentiras
E minhas ilusões

Porém, vou...
Vou mudando
As recordações
As marcas
Todo meu passado

E sinto...
Sinto que em alguma parte
Do meu coração
Sempre esteve viva
Escondida
A menina que fui antes de você

Ela ainda é forte para sonhar
Ela ainda sabe amar
E sabe que...
Enquanto brilharem estrelas no céu
Ela poderá ser de novo
Tudo o que um dia você lhe roubou





*Imagens encontradas no Google Imagens

15 de março de 2017

Escrevendo sem Medo - Março



Um Pássaro Engaiolado ganhando a Liberdade


Ela veio como sempre... cantarolando uma canção que eu aprendera a amar. Meus olhos ainda estavam fechados e, por algum tempo, fiquei apenas ouvindo-a. Sabia que ela falaria comigo logo. Daquele jeito doce e amoroso, como se eu, de fato, pudesse entendê-la. E eu realmente entendia.

Ela falaria de amor... do quanto lhe era querido. E eu responderia com meu próprio canto, com a melodia que sempre fazia seus olhos encherem-se de lágrimas. Nunca compreendi bem por que ela chorava. Eu amava minha música. E nunca senti vontade de chorar ouvindo-a. Mas há tempos aprendera que as pessoas são esquisitas. Mesmo aquela que eu amava. Talvez ela ainda mais.



Porém, desta vez, ela não falou. Parou de cantar e abasteceu os meus potinhos com comida e água. Decidi então abrir os olhos. Ela não retribuiu o meu olhar. Partiu em silêncio, deixando-me desconcertado e com um sentimento que não saberia explicar. Era tão... não sei. Mas parecia com dor, embora eu nunca antes tenha sentido isso. 

Não senti vontade de comer. Queria ver minha dona de novo... queria que ela voltasse e conversasse comigo, como sempre. Por que naquele dia foi diferente? Será que fiz algo de errado? Mas então, quando eu menos esperava, ela retornou. Para minha surpresa, pegou a gaiola na qual passara toda a minha vida e nos carregou até a porta. Seu comportamento se tornava mais e mais incompreensível a cada instante. Talvez ela tivesse enlouquecido.

- Voe! - ela disse, enquanto eu observava a portinha, que me mantivera dentro de minha casa durante todos aqueles meses, se abrir. No início, não entendi o que dizia. Era uma palavra nova. Ela nunca tinha me pedido para voar. Olhei seu rosto, tentando fazer com que meus olhos falassem o que meu coração gritava: por quê? Sim, por mais incrível que possa parecer, tenho um coração. E naquele momento entendi o que realmente era aquela coisa chamada de dor.

Não saí. Fechei novamente os meus olhos, acreditando que fosse um sonho ruim. Mas ela me colocou sobre sua mão e, acariciando minha cabeça pela última vez, me soltou. Por instinto, voei. Parei na árvore que ficava em frente a casa dela e esperei. Ela logo viria me buscar. Não me deixaria ali sozinho. Mas ela fechou a porta da casa. E também as janelas. E as cortinas. Só aí pude entender a mensagem. Ela não me queria mais. 



Algo escorreu dos meus olhos. Seriam lágrimas? Não sei. Só sentia meu coração pesado enquanto, pela segunda vez na vida, voava. Não fazia ideia de para onde estava indo. Todo o mundo que conhecia se resumia à casa dela... e a árvore que eu observava da janela, nos dias felizes que agora pareciam distantes. Como sobreviveria num mundo desconhecido? Como me alimentaria? Quem falaria comigo? Quem... me amaria? Não conseguia recordar um momento que não tenha estado no meu lindo cativeiro. Não era tolo, sabia que estava preso. Que não poderia simplesmente abrir a portinha e voar. Mas aquela era a minha vida. E embora eu visse muitos pássaros livres, alcançando alturas que não poderia sequer imaginar, jamais desejei ser como eles. Ou não tive a chance de desejar...

Voei pelo que me pareceram horas. Começava a sentir fome, mas me recusei a comer com os outros pássaros que, mesmo sem serem convidados, resolveram me fazer companhia. Não importava para onde fosse, aqueles inconvenientes vinham juntos. Não pareciam compreender os olhares furiosos que lançava em suas direções. A minha dona me entenderia. Ela sempre parecia saber o que eu precisava.

Anoitecia quando retomei o voo... Os outros pássaros finalmente tinham me deixado e eu estava outra vez sozinho. Não sabia para onde ir... só voava. Comecei a cantar. Desta vez, minha música me fez chorar. Eu cantava saudade.





Quando parei, em cima de uma árvore, reconheci onde estava. Dali, pude enxergar alguém à janela. Era ela. Como eu, também chorava. Porém, assim que me viu, seus olhos se iluminaram e ela sorriu. Chamou meu nome. E eu voei... para dentro de casa. Para o meu mundo. 



- Sou apaixonada por animais e adoro aves. Todavia... não sou muito a favor de manter qualquer tipo de ave em cativeiro, dentro de gaiolas. Nunca tive um passarinho, apesar de amá-los. E foi justamente por isso... porque eles têm que ser livres para voar, em minha opinião. Porém, também penso que quando alguém cria passarinhos em gaiolas não pode um dia simplesmente abri-las e lançá-los ao mundo. As pessoas precisam entender que seus animais de estimação não são descartáveis. Eles sentem, têm coração. 

- Este é meu terceiro texto para o Projeto Escrevendo Sem Medo. Não fazia ideia nem de como começar este post.rs Mas hoje procurei por fotos de pássaros como inspiração e quando encontrei essa coisinha gostosa acima, chamado de pisco-de-peito-ruivo, comecei a escrever... com a história simplesmente se construindo como se sempre tivesse estado ali. Mais uma vez foi uma experiência mágica. Amei cada momento!

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*Imagens do passarinho encontradas no Google Imagens

22 de fevereiro de 2017

Escrevendo Sem Medo - Fevereiro



O Poema da Festa Perfeita


As lágrimas em seus olhos brilharam
Quando ela deu um passo em sua direção
Recordava o longo caminho que trilharam
Quando nem sequer acreditavam no coração

Um passo a frente ele também deu
Num traje perfeito que realçava
A cor dos olhos seus

Olhos que a apaixonaram
Quando naquele rio o viu
Olhos que a desestabilizaram
Sobretudo quando ele sorriu

Perdendo-se na melodia que a envolvia
Em seu vestido azul do céu
Ela bailava e ria
Naquela noite em que floresceu

Girava em seus braços
Presa a um encanto
Memorizava os seus traços
Cada carícia, cada recanto

Já não estavam no baile de uma era imperfeita
Estavam no bosque do primeiro beijo
Onde a magia não era desfeita

Ali não existia meia-noite
Fada madrinha, madrasta má
E no dormir da noite
Ao seu lado ainda queria estar

Se um pedido a Deus fizesse
Tudo o que seu coração teria a desejar
Que aquele baile não pudesse
Perder-se no tempo... acabar



Ao pensar no que seria a festa perfeita para mim, sempre soube que envolveria um casal apaixonado. Não me perderia em descrições de detalhes do ambiente, mas si no que os personagens do poema estariam sentindo, vivendo naquele momento. Eu queria o século XIX, a era imperfeita mencionada na 6ª estrofe. Também queria um cenário mágico que remetesse aos contos que amarei por toda a vida. Talvez vocês não consigam sentir todas as emoções que me invadiram enquanto escrevia... mas há tanto amor neste poema... Eles estavam vivendo o primeiro amor, a primeira paixão. Dois jovens que se "esbarraram" por acaso e contra todas as hipocrisias da época, lutaram para ficar juntos. Naquele baile, quando seu amor mostrou-se mais forte do que tudo, diante de toda a sociedade, eles deram um passo para o destino um do outro. E então... já não viam mais nada. O tempo parou, o cenário mudou... eles voltaram ao lugar do primeiro beijo. E, é claro que, eu não deixaria de fora uma menção ao meu conto preferido.rsrs... Na penúltima estrofe, o casal vive o inverso da Cinderela... Embora acreditem na magia do amor, não há lugar em seu mundo para a crueldade de uma partida à meia-noite, quando toda a magia é desfeita. Ali, não! No mundo deles não existe lugar para fada madrinha com condições, nem pessoas invejosas para tentarem destruir sua felicidade... E quando a noite dormisse (o dia amanhecesse) eles ainda estariam juntos. Ainda que o destino estivesse contra eles. :)


- Este é meu segundo texto para o Projeto Escrevendo Sem Medo. E se amei o primeiro tema, escrever sobre o segundo foi simplesmente delicioso! Desafiador?! Sem sombra de dúvidas! Acreditava que seria o tema mais difícil, só que na realidade foi ainda mais prazeroso do que o de janeiro. 

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