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15 de novembro de 2021

Amante do Deserto - Carol Marinelli



Literatura Inglesa
Título Original: Bound by the sultan's baby
Tradutora: Maria Vianna
Editora: Harlequin
Edição de: 2018
Páginas: 198 (Kindle Unlimited)

33ª leitura de 2021 (25ª resenha do ano)

Sinopse: Uma consequência escandalosa! Uma noite com Gabi não foi o suficiente para satisfazer o sultão Alim al-Lehan, mas ele precisa deixá-la, pois o dever o chama de volta à sua terra natal. Com o passar dos meses, as memórias do caso proibido se tornam impossíveis de ignorar. A única saída é convencer Gabi de que o caso pode continuar nas areias do deserto. Alim não esperava a recusa furiosa dela, ainda mais depois de descobrir que Gabi teve um bebê... o seu bebê! Agora, precisa mantê-la em sua vida, mais do que nunca. Mas ele terá que decidir se aceita as condições de Gabi: o casamento!




Já estamos na metade de novembro... O ano está chegando ao fim... Este está sendo um ano bem difícil para mim e minha família, e para milhões de outras pessoas, claro. Muitas coisas ruins aconteceram... Perdas, doenças... Perdemos um familiar (meu avô materno) em agosto e ainda é muito difícil lidar com essa ausência, com essa tristeza. Minha gatinha que eu cuido como se fosse uma filha, como se tivesse nascido de mim, descobri em fevereiro que sofre de doença renal. Descobri quando ela entrou em crise e parecia que eu iria perdê-la. Foi um golpe muito forte para mim. Mas nós passamos juntas pelo pior e ao longo dos meses ela se manteve estável, com os exames mostrando melhoras... mas agora em novembro seus exames mostraram uma piora, o que me desestabilizou. É como se alguém me sacudisse e eu não parasse de balançar por dentro. Nem sei explicar o que senti ao ver os resultados e o que venho sentindo desde então. Convivo com o medo, com um medo horrível. E, como se não bastasse, o cachorro da minha irmã, que consideramos parte da nossa família também, caiu doente. É como se tudo estivesse acontecendo ao mesmo tempo. 

Encontro refúgio primeiramente em Deus e depois na leitura, que me salvou tantas e tantas vezes ao longo dos meus anos como leitora. Sem os livros eu não poderia escapar da realidade, ter momentos de alívio, de sorrisos, momentos para sonhar acordada e acreditar que tudo vai ficar bem. 

E hoje de madrugada, quando eu não conseguia dormir por nada no mundo, com tantas coisas na cabeça, resolvi que era hora de ler outro livro da Carol Marinelli, já que minha experiência com seus romances foi bem positiva até agora. Em poucas horas devorei o livro, rindo com os personagens, me estressando com algumas situações e relaxando, deixando de pensar na minha vida para pensar na de Alim e Gabi, que em Amante do Deserto vivem um romance proibido. 

Gabi era uma jovem de 24 anos que sempre foi apaixonada por casamentos. Ainda adolescente começou a trabalhar, tendo que largar os estudos para ajudar nas despesas de casa, sendo filha de uma mãe solo que nunca lhe contou quem era o homem que a engravidou e abandonou, e fazendo questão de sempre lembrar a filha de tudo o que teve que sacrificar por ela. Gabi não se ressentia (pelo menos, tentava não se ressentir) e amava demais a mãe, jurando para si mesma que não repetiria a mesma história. Que seria dona de seu próprio negócio, que realizaria os seus sonhos e seria um orgulho para a mãe. 

Conseguiu um emprego com uma importante organizadora de casamentos e seu talento e criatividade a mantiveram empregada, mas também explorada pela chefe que a deixava sozinha para enfrentar as pesadas obrigações de eventos luxuosos e desgastantes para depois ficar com todo o crédito pelo sucesso. Gabi aguentava tudo em silêncio, pois seus sonhos a sustentavam... ainda mais depois de conhecer Alim, ao realizar alguns eventos em seu hotel. 

Ela sabia que pertencia a uma realidade bem diferente da dele. Que só poderia sonhar com seus beijos, com seus abraços, com uma vida ao seu lado. Nunca poderia viver tais momentos. Mas se contentava em vê-lo passar, em cumprimentá-lo, em ouvi-lo falar com ela com gentileza... Até a noite em que ele a tirou para dançar, fazendo questão de dizer o quanto era perigoso e que tudo não passaria de uma noite. Apenas uma noite...

Alim passou dois anos tentando esconder de si mesmo os sentimentos que nutria por Gabi. Jamais poderia ter nada sério com ela, seu destino era se casar com uma mulher de seu país, que conhecesse as tradições, que seguisse as regras do seu povo. Todos os seus casos não duravam mais que uma noite e lutou muito para não cair em tentação e propor um momento com ela... Sabia que ela aceitaria. Percebia seus olhares, que gostava dele... Seria injusto arriscar, mas impossível continuar resistindo. 

Ao viverem uma noite inesquecível, Alim quis refazer os planos. Não suportaria deixá-la ir tão rápido. Queria lhe oferecer um emprego, que ela deixasse a chefe que a explorava e trabalhasse com mais liberdade, que fosse dele por um ano. Depois seguiriam com suas vidas. Cada um para um lado. Mas teriam aquele tempo para se amarem...

Porém, como nem tudo pode ser como desejamos, nem mesmo quando se tem muito dinheiro e poder... A manhã seguinte traz um duro golpe para Alim, que termina com Gabi sem nenhuma explicação e retorna ao seu país, sem saber que os momentos que viveram trariam uma pequena e linda consequência...

Quando Alim ressurge em sua vida, vários meses após partir seu coração de modo tão cruel, Gabi não está disposta a ceder, mesmo que todo o seu ser queira estar em seus braços, ouvir que ele nunca a esqueceu e que poderão formar uma família juntos. Mas a realidade é bem diferente e ela sabe que precisa ser forte para não condenar a si mesma e o seu pequeno bebê a um futuro de sofrimento e humilhações. Mas Alim não está disposto a perdê-la... ainda mais depois de descobrir que se tornou pai. Só não sabe como mantê-la ao seu lado sem violar as leis do seu povo... quando ela jamais seria aprovada como sua esposa e nunca aceitaria ser sua concubina. Dividido entre o dever e o amor, ele precisa fazer uma difícil escolha...

Como bons leitores de romances, acostumados com histórias assim, nós já sabemos qual será a escolha dele, certo?rs O que não significa que o tonto vai decidir rapidamente e o felizes para sempre virá fácil. Nada disso! A autora faz nosso coração sofrer um pouco antes de juntar de uma vez por todas seu casal e em alguns momentos eu senti muita raiva do mocinho e uma vontade de gritar para a mocinha deixar de ser estúpida e se impor! Quando ela finalmente o fez, eu já estava estressada, mas mesmo assim gostei bastante.rsrs E em nenhum momento odiei nenhum dos dois. Senti raiva, como eu disse, mas não ódio.kkkkk

Eu senti raiva do Alim por querer ter a Gabi em sua vida da "sua maneira", sem pensar no quanto aquilo a destruiria com o passar dos anos. Como seria uma vida de vergonha e humilhações não só para ela, mas também para a criança. Isso me provocou uma raiva enorme, pois o amor não combina com tanto egoísmo. Uma pessoa que realmente ama não pensa apenas em si mesmo, em seus desejos, mas também nos sonhos e felicidade da pessoa amada. E ele estava pensando apenas no seu próprio prazer. Teria uma vida pública, ao lado de uma esposa escolhida pelos anciãos e por seu pai (porque pela lei ele não poderia escolher a própria esposa) e Gabi e o bebê seriam seu segredo, jamais reconhecidos, como se não existissem, como se fossem nada para o mundo. Ela seria privada de ter um marido, uma família aos olhos da sociedade e estaria para sempre disponível para ele, como se sequer fosse uma pessoa, um ser humano! Eu senti tanta, mas tanta raiva! Só quando percebi que ele não suportaria fazer isso com ela e nem consigo mesmo foi que minha raiva começou a diminuir. Quando ele se desdobrou para encontrar uma solução que não transformasse aquele amor em dor. Algo que não o fizesse perdê-la para sempre...

Gostei muito desta história! Foi uma ótima escolha e já estou ansiosa para ler o primeiro livro da trilogia (li tudo fora de ordem). Ainda assim reconheço que mesmo sendo muito boa, não é arrebatadora como a história presente no terceiro livro. Sophie e Bastiano... Que saudades desse casal!

O livro faz parte de uma série que não está identificada como série na capa nem nada, mas existem dois livros que têm ligação com ele, cujas histórias acontecem simultaneamente:

Inocente Mistério - Harlequin Paixão 497 (conta a história do Raul e da Lydia)
A Escolha da Paixão - Harlequin Paixão 499 (conta a história do Bastiano e da Sophie)

A ligação com Amante do Deserto se dá porque Raul é amigo/inimigo do Bastiano e vai até o hotel Grande Lucia disposto a comprá-lo apenas para competir com ele. É lá que conhece Lydia, a jovem com quem seu inimigo pretendia se casar. Alim é amigo do Bastiano e Gabi é melhor amiga da Sophie. A história dos três casais começa no hotel Grande Lucia, que pertence ao Alim. 


21 de setembro de 2021

A Escolha da Paixão - Carol Marinelli


Literatura Inglesa
Título Original: Sicilian's baby of shame
Tradutor: Rafael Bonaldi
Editora: Harlequin
Edição de: 2018
Páginas: 187 (Kindle Unlimited)

26ª leitura de 2021 (19ª resenha do ano)

Sinopse: Seduzida, humilhada e grávida! Sophie sempre quis trabalhar no hotel Grande Lucia. E sabia bem quais eram as regras. Contudo, quando foi entregar o serviço de quarto para Bastiano, um magnata sem coração, ficou tentada a assumir o risco de entregar seu corpo a ele. Bastiano é um homem sem escrúpulos, disposto a tudo para alcançar seus objetivos, mas tem uma crise de consciência quando Sophie é demitida pela indiscrição dos dois e desaparece. Com os pensamentos preenchidos pela preocupação, Bastiano decide se assegurar que ela está bem. Quando a encontra, descobre que Sophie está trabalhando em um bar para um homem perigoso, foi deserdada e está grávida... do seu filho! Rejeitado pela própria família, Bastiano está determinado a assumir a criança... e seduzir a teimosa Sophie até que ela aceite usar sua aliança!




Quando um livro faz bem ao seu coração, ele é completamente digno de 5 estrelas. Todos os critérios são preenchidos.rs

Feliz. Foi assim que me senti ao terminar esta leitura. Não, o livro não é perfeito, possui algumas falhas, mas me fez bem. Me fez feliz. Me provocou sorrisos e lágrimas. Esqueci o mundo e não larguei a história até terminar de lê-la. Este livro mexeu com meu coração. Eu sentia quando os personagens sofriam. Sorria como uma boba quando estavam contentes... Simplesmente me envolvia por inteiro com as emoções deles. 

Tudo foi rápido e intenso. Por ser um livro de menos de 200 páginas, ele te joga do céu ao inferno quase ao mesmo tempo. Num instante, você está sorrindo, apaixonada pela paixão que une os protagonistas. Amando amá-los... (Apaixonada pela paixão, amando amá-los... Você está boba hoje, né, Luna? Sim!!! De tão feliz por CULPA da história!) e no instante seguinte acontece algo para te fazer chorar. Confesso que não esperava por aquilo e não sei quem ficou com o coração mais ferido, se a mocinha ou eu.kkkkkk Realmente chorei com a cena. Senti raiva e muita tristeza. E demorei mais tempo do que ela para perdoar.kkkkk

Neste livro temos a história de dois personagens muito fortes, daqueles que não conhecem o significado da palavra "desistir". Não se conformam com destino, não permitem que decidam o que podem ou não fazer, que futuro irão ou não ter. Tomam as rédeas de suas próprias vidas e constroem seus próprios caminhos, mesmo que isso signifique sofrer e perder até chegarem onde desejam. 

Sophie era uma jovem de 24 anos que cansou de viver a vida que seus pais e irmãos queriam. Foi obrigada a parar de estudar porque seu pai arranjou um emprego para ela numa padaria, ainda em sua adolescência. Tudo era sempre conforme a vontade deles e o mais absurdo foi escolherem até mesmo com quem ela iria se casar. Na cabeça deles, Sophie tinha que aceitar calada e com um sorriso doce no rosto, mesmo que seu futuro marido tivesse mais que o dobro de sua idade e planejasse mantê-la sempre grávida. 

Sem alternativa, ela fugiu de casa e da única realidade que conhecia e foi morar em Roma, mesmo sem ter um teto ou trabalho. Acabou por arranjar um emprego como camareira num grande e famoso hotel, que para ela era mais que um sonho: não recebia nenhuma maravilha de salário, mas era suficiente para dividir o aluguel com outras duas jovens e ter a independência que tanto buscava. Seu emprego a fazia feliz, pois a equipe inteira era gentil e se tornou uma espécie de família para ela. Se dava bem com quase todo mundo, até mesmo com os hóspedes. Sua única tristeza era não ser perdoada pelos pais, mas sabia que tinha feito a escolha certa. Não iria se casar por conveniência e condenar a si mesma a uma vida submissa a um homem que já detestava... Casaria apenas por amor e levaria a vida que bem entendesse. 

Bastiano Conti era um bilionário que tinha conhecido a pobreza e a rejeição por toda sua infância e adolescência. Tendo perdido a mãe ao nascer e sem saber quem era o seu pai, foi "acolhido" pelos tios maternos contra a vontade deles, apenas por obrigação. Qualquer presente ou guloseima era sempre dada aos filhos de seus tios e nunca dividido com ele. Sempre deixavam claro o quanto era um estorvo e que nunca seria querido por ninguém. 

Mesmo contra a vontade de sua família, fez amizade com Raul, um menino que também vinha de um lar problemático, cuja mãe era vítima de violência doméstica. Eles dividiam seus sonhos e frustrações e acreditavam que seriam amigos para sempre, até que uma grande tragédia os separou, transformando-os em inimigos... Uma inimizade que persistiu pela vida adulta e motivou até mesmo as suas escolhas de negócios. 

Foi por isso que Bastiano se hospedou no Hotel Grande Lucia, disposto a comprar o hotel apenas para frustrar os planos de Raul... e lá acabou conhecendo Sophie... alguém bem diferente de qualquer pessoa que já tivesse passado por sua vida. Ela era tão espontânea e sorridente, tão verdadeira e crédula... Por um dia resolveu ser o que ela acreditava que ele fosse. Uma relação com ela jamais teria futuro, mas poderia se permitir um dia... Apenas um dia sem ser o homem que todos desprezavam. 

"- Eu sinto como se conhecesse você - disse ela."

Mas os momentos de paixão, entrega e sorrisos não demoram a ter um amargo fim... Levando Bastiano de volta ao mundo de frieza e vazio que conhecia e fazendo Sophie conhecer a dor de ter seu coração feito em pedaços pela pessoa em quem escolheu confiar. Porém... quando o sentimento é mais forte que a vontade de duas pessoas feridas pela vida.... algumas pontes podem ser reconstruídas. 

Eu não sou a maior fã de histórias nas quais os casais acabaram de se conhecer e já vão para a cama e "do nada" estão apaixonados. Geralmente são histórias que parecem muito fúteis e se desenvolvem com aquela coisa de glamour, arrogância e humilhação: mocinho podre de rico, mocinha que fica deslumbrada pelo mundo dele, mocinho que pisa na mocinha por ela ser pobre e a tonta que aceita ser maltratada para depois ele dizer que sempre a amou. Geralmente essas histórias seguem esse caminho. E falo com conhecimento, pois já li centenas (sim, realmente centenas!) de livrinhos assim, já que os romances de banca sempre fizeram parte da minha vida e mesmo minhas autoras preferidas do gênero amam enredos do tipo.  Mas a Carol Marinelli conseguiu pegar uma trama já "batida" e escrever de uma forma que tornou tudo muito envolvente e nos fez acreditar na forma natural como aconteceu. Nos fez acreditar nos personagens, nos sentimentos deles, em como tudo aconteceu. 

"Sophie chegara sem aviso. Entrara no palco da vida dele, mas havia muitos escombros por ali, muitos danos, e ele não sabia como arrumar tudo."

Eu fiquei encantada já nas primeiras páginas! Sophie é aquele tipo de pessoa (sim, vou chamá-la de pessoa!) que faz sorrir todos que a conhecem. Ela se permite ser ela mesma em qualquer ambiente. Ser livre, ser feliz. Não se consumir por tristezas, mas se permitir ver o que de bom tem em cada dia. E embora tenha sido treinada para falar apenas o estritamente necessário com os hóspedes... ela não consegue.rs É assim que seu caminho se cruza com o de Bastiano. Ele tinha acordado de mal com a vida, com uma baita ressaca e Sophie foi levar o serviço de quarto, embora geralmente não ficasse responsável por aquele andar. Mas estava fazendo um favor para outra camareira e agiu da maneira espontânea que era sua característica. Bastiano acabou encantado com sua personalidade, com seu sorriso, com a forma como ela se preocupou com ele como pessoa e não como alguém que tinha dinheiro e era um hóspede. Ela o tratou como igual, mesmo sabendo que não eram.  

Antes que eles percebessem... estavam conversando. Contando coisas um para o outro e isso era totalmente surreal, inesperado. Um tanto louco, pois eram desconhecidos. Uma das primeiras cenas que amei foi quando ela desceu, pois seu turno tinha encerrado e passou na cozinha do hotel para comer alguma coisa deliciosa antes de ir para casa e quando o chef lhe ofereceu um brioche que tinha acabado de sair, ela resolveu fazer um prato para o Bastiano e levar até seu quarto, pois sabia que o café da manhã "chique" que ele próprio tinha pedido não o agradou. O que amei foi que ele ficou tocado pelo gesto dela e a convidou para tomar o café da manhã com ele, e ela sentou ao lado dele na cama com a maior naturalidade e voltaram a conversar como se não fossem camareira e hóspede, mas dois amigos que tivessem se reencontrado.kkkkk 

Claro que a química começa, né? Quando ela decide ir embora, pensa em como gostaria que sua primeira vez fosse com alguém de quem ela tivesse gostado como gostou dele. Sabia que não era amor nem nada, mas tinha prometido a si mesma que perderia a virgindade quando quisesse e com quem ela sentisse vontade. Que seria uma escolha sua. E ela queria muito escolhê-lo... 

"[...] Estou me guardando para alguém que eu queira, na hora que eu quiser."

As coisas acabam seguindo esse rumo. E tudo é tão... Suspiros... Eu amei! Amei o quanto ele se importou com ela, amei como eles realmente pareciam se conhecer, embora nunca antes tivessem se visto. Me apaixonei por tudo ter sido mais que sexo, por ter tido cumplicidade, sorrisos, brincadeiras, conversas... A cena na banheira foi bem divertida! Ela não foi um caso de um dia para ele, por mais que ele tentasse se convencer que sim. E quando tudo terminou... Eu chorei. Chorei muito. De verdade.

O relacionamento não acaba exatamente naquela noite, como a sinopse dá a entender, mas não vou contar como tudo acontece. Só que o momento da separação, que eu nunca imaginei que seria daquele jeito, foi extremamente doloroso. O motivo do Bastiano foi forte, mas eu não esperava que ele fosse agir assim com ela. Justamente com ela! E depois ele sente raiva de si mesmo por ter dado tanta importância a algo que o fez perdê-la. É complicado. Porque nós leitores sabíamos de algo que ele não sabia e é meio injusto eu esperar que ele SOUBESSE, que ele simplesmente acreditasse nela. Mas a verdade é que eu queria que ele tivesse acreditado e ponto final! Dane-se que a conhecesse há pouco tempo! Ele tinha que ter confiado nela. E eu fiquei destroçada. A Sophie leva tempo para perdoá-lo, mas ainda considero que poderia ter demorado mais.kkkkkk Eu sei que ele sofreu. Sei que ele tentou consertar as coisas, sei que jamais se considerou superior à ela nem nada. Que a respeitava, que se preocupava, que queria o bem dela. Mas eu estava com raiva! E quando estou assim quero que os mocinhos sofram mais do que as autoras permitem.rs 

"Jamais vou me esquecer de você."

A relação deles é muito linda. A forma como se reencontram... Como ele nunca deixou de pensar nela. Como se preocupava até com as menores coisas. Eu amei muito o Bastiano. Ele é um mocinho digno de ser chamado assim. O erro dele não apaga tudo o que ele e Sophie construíram neste livro. Ele assumiu seu erro, tentou realmente consertar tudo, ser uma pessoa melhor por ela e pelo filho que iria nascer (a sinopse já revela a gravidez, então não é spoiler). Foi impossível não amar este casal! Eles me conquistaram por completo! 

Já viram que se pudesse eu ficava aqui o dia inteiro falando sobre a história, né?!rsrs É delicioso amar uma história, poder esquecer da vida... Poder apenas esquecer tudo e me dedicar por inteiro ao mundo dos personagens. E encontrar no livro tantos motivos para sorrir. Suspiros...

Somente após terminar a leitura foi que eu descobri que o livro faz parte de uma série e que provavelmente comecei pelo último.rs Não está identificado como série na capa nem nada, mas existem dois livros que têm ligação com ele, cujas histórias acontecem simultaneamente, mas têm seus desfechos antes desta:

Inocente Mistério - Harlequin Paixão 497 (conta a história do Raul e da Lydia)
Amante do Deserto - Harlequin Paixão 498 (conta a história do Alim e da Gabi)

A ligação com A Escolha da Paixão se dá porque Raul é amigo/inimigo do Bastiano e Lydia foi a mocinha com quem ele pretendia se casar. Alim também é amigo do Bastiano e Gabi é melhor amiga da Sophie. A história dos três casais começa no hotel Grande Lucia, que pertence ao Alim. 




24 de abril de 2020

Um Pequeno Milagre - Carol Marinelli

Literatura Inglesa
Título Original: One Tiny Miracle
Tradutora: Fabia Vitiello
Editora: Harlequin
Edição de: 2014

23ª leitura de 2020

Sinopse: O renascer da alma. Passaram-se quatro anos desde que o médico Ben Richardson perdera sua esposa grávida. Mas ele ainda não conseguira superar a dor. A fim de buscar um recomeço, aceitou trabalhar na emergência. Um dia, durante uma caminhada pela praia, ficou estarrecido ao ver uma bela grávida. Logo descobre que ela se chama Celeste, e que é enfermeira no hospital onde Ben trabalha. Ficar perto dela era uma constante lembrança de todo o sofrimento que passara. Por isso, decidiu manter-se distante. Entretanto, Celeste enfrentava sozinha uma gravidez de risco, e Ben sabia que precisava ajudá-la. Presenciar o milagre do nascimento da filhinha de Celeste o faz perceber que ele ainda pode ser feliz... se estiver preparado para entregar o seu coração. 



Recentemente eu fiz a resenha de Amar Outra Vez, minha primeira experiência com um livro da Carol Marinelli. Claro que depois de ter amado tanto aquele livro eu não demoraria muito em mergulhar em outra história da autora! :)

Ler Um Pequeno Milagre foi conforto e dor, uma mescla confusa dessas duas sensações, pois é uma história com uma carga emocional tão forte quanto a de Amar Outra Vez. Enquanto no livro anterior o casal protagonista passou por uma dor insuportável que destruiu seu casamento e os manteve separados por DEZ anos... Aqui nesta história temos um mocinho completamente destroçado pela morte da mulher que ele amava. Ela estava grávida, perto de dar à luz, quando uma dor de cabeça, aparentemente sem importância, a matou em minutos. É desesperador ler a cena na qual ele relembra o momento em que chegou em casa, após um plantão no hospital, e a encontrou já sem vida. Ambos eram médicos e aquela gravidez foi cuidadosamente planejada, era o sonho de suas vidas, tudo o que mais queriam. Mas além de perder a mulher que jamais deixaria de amar... perdeu também a sua filhinha, que ele nunca sequer teve o direito de pegar em seus braços. 

"Ele ainda queria correr, mas não havia praia longa o bastante, nem um universo que pudesse conter a dor que o dividia no meio."

Ao longo dos quase quatro anos após aquele dia tão traumático, Ben praticamente não viveu. Apenas sobrevivia e cumpria as suas obrigações. Seus familiares e amigos queriam que ele retomasse o seu ânimo de antes, que voltasse a ser a mesma pessoa.... Mas como passar por duas perdas tão grandes e simplesmente voltar a sorrir? Como deixar Jen e sua filhinha descansarem? Ele não conseguia dizer adeus. 

Mas um dia, aparentemente igual a todos os outros, Ben sentiu algo diferente. O mundo parecia ter cores novamente. Os pássaros, o mar... tudo parecia conspirar para que ele voltasse à vida. E foi o que ele fez... até certo ponto, é claro. Se mudou, alugou um apartamento e assumiu a posição de médico da emergência de outro hospital, distante do seu antigo ambiente. Agora aguardava o leilão da casa que tanto desejava comprar, seu novo sonho... Tudo estava "perfeito". Ele tinha recomeçado... Não era verdade?

Foi passeando pela praia, próximo à sua futura nova casa, que ele a viu pela primeira vez. Ela era tão linda, tão cheia de vida, mas poucos instantes depois ele percebeu que algo estava errado. Ao vê-la de frente não só percebeu que ela estava bem grávida, como também estava sentindo dor. Aquele foi o início de um verdadeiro recomeço... Algo que Ben ainda não fazia a menor ideia... 

E ele lutaria... Com todas as suas forças. Celeste podia ser linda e estar claramente precisando de apoio. E sim, ele estava disposto a ser seu amigo e ajudá-la em tudo o que fosse possível. Mas não podia amá-la. Não iria amá-la... Não podia substituir a mulher e a filha que perdeu. Não podia....

"Ele queria arrancá-la dali, salvá-la da maré que avançava, mas estava com medo demais. Medo de amá-la. Só que, de certa forma, ele já a amava."

Mas às vezes... Não se trata de substituir... Simplesmente é preciso deixar ir quem se ama e guardar todos os momentos bons no coração... Porque ao continuar a viver finalmente daria ao ente querido a oportunidade de descansar... Ben nunca deixaria de amar Jen e a filha que se foram de maneira tão triste. Seriam sempre seu primeiro amor. Mas merecia se dar o direito de ter um novo amor... Ele só precisava entender isso...

Foi doloroso, mas também lindo acompanhar esta história. Ben e Celeste são dois personagens tão humanos, que realmente sentimos que são pessoas que poderíamos encontrar pela vida. Com seus erros, seus acertos, suas tentativas. Pessoas como qualquer de nós, que tentamos todos os dias fazer o nosso melhor, viver a vida da melhor maneira possível. E choramos, sofremos, caímos e levantamos. Sonhamos... Mesmo quando a vida se mostra dura demais. A humanidade desses personagens foi o que mais me fascinou no livro. Eles não eram idealizados, não eram perfeitinhos. Eram como nós. 

Eu sofri com a dor do Ben. Nossa! Não dá nem para imaginar o tamanho da dor que ele sentiu ao ver a esposa ajoelhada no chão, sem vida, sem que ele pudesse fazer nada. Saber que sua filhinha não teria nem o direito de nascer. Ele perdeu as duas ao mesmo tempo e desistiu de ter uma família. Ele tinha pavor de passar pela mesma dor. Relacionamentos estavam fora dos seus planos. E podem imaginar a angústia que sentiu quando conheceu Celeste. Sobretudo por ela estar grávida...

"Ele abaixou a cabeça e encostou os lábios nos dela, e se homens de verdade não choram, então, o grupo excluía Ben, porque ela sentiu a umidade dos cílios dele em seu rosto quando ele a beijou."

É bastante natural a luta dele para manter-se distante. Mesmo que sentisse atração por ela, que gostasse de sua companhia e a amizade tivesse se construído de maneira fácil e verdadeira, ele não queria ter contato com a gravidez dela, pois cada vez que via as roupinhas de bebê, as coisinhas sendo preparadas para a chegada daquela menininha, era como uma facada em seu coração. Não era justo. Não era certo estar próximo de tudo aquilo e saber que sua filha, o seu bebê, não teve nada daquilo. Que ela não teve nem o direito de nascer. Isso o matava todos os dias. Não o deixava ter paz. 

A maneira como a autora trabalha a dor e o recomeço do Ben é simplesmente incrível. Já sou fã dessa escritora maravilhosa, sensível, que cria histórias tão humanas, focadas nos sentimentos dos personagens e não em futilidades. Os dramas são convincentes e ela desenvolve a narrativa de uma forma que não torna tudo pesado. Tudo é devidamente equilibrado na história e sentimos um quentinho delicioso no coração no final e aquela sensação boa de que "sempre se pode ter esperança". 

"Ele estava lhe oferecendo esperança; oferecendo esperança a eles... de que o impossível pudesse acontecer."

A Celeste também é uma mocinha que nos conquista por completo. Ela passou pelo que muitas mulheres acabam passando em algum momento de suas vidas: se apaixonou e acreditou na pessoa amada. Confiou e pagou caro por isso. Ela não teve a sorte de se apaixonar pela pessoa certa, não estava "escrito na testa" que aquele ser era um lixo. De um momento para o outro se viu sozinha, grávida, com seus próprios pais lhe virando as costas e tendo que se sustentar mesmo sem saber como. Estava na graduação de enfermagem e não recebia tão bem assim pelos plantões na emergência. Precisava trabalhar e estudar até o último instante possível, pois o aluguel não se pagaria sozinho, sua bebê precisaria de berço, de roupas, de tudo o que um recém-nascido necessita.... 

"O pavor absoluto estava sempre à espreita dela. O que ela teria que enfrentar no futuro?" 

E tanta angústia em ter que lidar com todo aquele peso sem ter em quem se apoiar acaba tornando a gravidez mais delicada... Ver a Celeste passando por tudo isso nos faz desejar ajudá-la, ser sua amiga, fazer um chá de bebê para alegrá-la, reunir pessoas que pudessem fazer doações... Enfim... Sentimos muita empatia, conseguimos nos colocar no lugar dela e nos perguntar o que faríamos, como aguentaríamos tantas responsabilidades sem um amigo sequer, sem ninguém. Era só ela e ela mesma. 

Quando o Ben se aproxima, mesmo tendo pavor da gravidez dela, ela finalmente tem um amigo. Alguém para escutá-la, para abraçá-la quando ela chorava... É lindo ver que antes de surgir o amor profundo que um dia sentiriam um pelo outro, primeiro veio a amizade. Eu gostei muito disso. O Ben foi lindo com ela, até quando a situação era desgastante para o emocional dele. Quando ele doou o bercinho para a filha dela?! E justamente "naquele dia". Ele foi incrível. Este casal é APAIXONANTE.

"O amor cresce, se você deixar."

Eu poderia continuar falando e falando sobre esta história. Mas simplesmente recomendo que leiam! Deem uma chance e depois me digam se não é uma história lindíssima!


11 de abril de 2020

Amar Outra Vez - Carol Marinelli

Literatura Inglesa
Título Original: Emergency: wife lost and found
Tradutor: Maurício Araripe
Editora: Harlequin
Edição de: 2014
Páginas: 174
18ª leitura de 2020

Sinopse: Um verdadeiro amor é capaz de resistir ao tempo? Desejado por todas as mulheres que o cercavam, o doutor James Morrell é um homem atraente, porém com uma profunda cicatriz no coração. Obstinado pelo trabalho em um dos maiores hospitais de Londres, sua vida privada é um mistério difícil de ser revelado. Até que um dia, após um terrível acidente, uma mulher desconhecida dá entrada na emergência seriamente ferida… e precisando ser ressuscitada. Para James, Lorna McClelland era mais do que uma paciente em estado grave. Era a parte mais importante de sua alma… E que agora retornava a ele em busca de vida.




Vocês também estavam morrendo de saudades dos romances de banca, não é mesmo? Eles foram minhas primeiras paixões e sigo amando MUITO mergulhar nesses livrinhos tão queridos, que me fazem esquecer da minha vida por algumas horas. Mas, por estar participando de alguns desafios literários temáticos, acabei não conseguindo ler romances de banca nos meses anteriores. Porém... Na madrugada do dia 08/04, com insônia, resolvi mandar os desafios para o espaço por uns dias e apostar numa história que eu tinha baixado na Amazon há bastante tempo e ainda não tinha lido. Uma história da qual eu não sabia absolutamente nada, mas que imaginava que fosse leve, com um romance que me encantaria. 

Não foi exatamente uma história "leve" que encontrei neste livro, mas foi muito melhor do que eu poderia imaginar. Um amor que sobreviveu ao tempo e às marcas deixadas por uma separação dolorosa.
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