16 de outubro de 2019

Preciso de um tempo...


Já faz nove anos que divido com vocês o meu amor pela literatura. Resenhas cheias de emoções, na maioria das vezes. Afinal de contas, o nome do blog não é Emoções à Flor da Pele à toa.rs

Este cantinho tão amado fez parte da minha vida em muitos momentos bons e ruins... Teve altos e baixos como numa montanha-russa bem louca. Esteve comigo no final do ensino médio, no curso de espanhol, no curso de enfermagem, na faculdade, na colação de grau, no início da vida profissional. Nos momentos de depressão. Nas crises de ansiedade. Nas situações de angústia e desespero. Nas lágrimas. Nos risos. Nas conquistas e nas perdas. Foram tantos anos, tantos momentos... tanta vida! 

Os livros são presentes de Deus na minha vida. Sempre me ajudaram nos momentos que mais necessitei. Conversar com vocês sobre os livros, sobre literatura... um privilégio enorme! Algo que sempre me fez muito bem. E continua fazendo. Quando sento para escrever uma resenha eu viajo! Claro que é cansativo, pois geralmente passo horas escrevendo, mas me dá uma sensação tão grande de paz, de alegria! Amo demais fazer resenhas dos livros que li e amei (e até dos que detestei.rsrs). É algo que espero fazer por muitos e muitos anos mais. 

Não saio de casa sem um livro. Não vou para lugar nenhum (nem mesmo para uma festa ou para a Igreja) sem um livro na bolsa (claro!). Já me disseram: "Isso é doença! Ler demais não é bom!", mas se amassem a literatura entenderiam como é confortador mergulhar numa história, sair da sua própria vida e entrar no mundo dos personagens... mesmo quando leio um livro mais forte e doloroso. Porque os livros nos confortam, nos ensinam, nos fazem companhia. Às vezes sinto até que me abraçam e conversam comigo (talvez eu seja realmente doida.rsrs). Minha estante fica ao lado da minha cama e acordar e olhar para os livros... não tem preço. É mágico. É um sonho. Muitas vezes durmo até mesmo com um livro do meu lado ou debaixo do travesseiro. Não preciso sequer abri-lo. Só tê-lo por perto já me basta para me sentir melhor. 

Todavia, hoje estou vivendo uma fase não tão boa. E percebo que não conseguirei dar ao blog toda a atenção que ele merece. Estou num período difícil. E para melhorar preciso de um tempo. De um tempo para mim, para minhas emoções. Preciso olhar para o meu interior. Repensar minha própria vida. Reorganizá-la. Preciso me afastar mesmo amando intensamente o meu cantinho querido e todos vocês que sempre me deram tanto carinho. 

Eu espero voltar em breve. Que o tempo que necessito não seja longo. Quem sabe na próxima semana já estarei aqui, com resenhas de livros queridos?!!! :D Espero de verdade voltar correndo! Porque já sinto saudades. 

Até breve, meus queridos!

Amo o Emoções à Flor da Pele! E amo vocês! :)

Continuarei lendo, embora não no ritmo que gostaria. Muitas das minhas leituras atrasaram, mas assim que tudo estiver bem outra vez recuperarei o ritmo normal e trarei um monte de resenhas apaixonadas!

Bjs!



11 de outubro de 2019

Escândalos na Primavera - Lisa Kleypas

Literatura norte-americana
Título Original: Scandal in spring
Tradutora: Maria Clara de Biase
Editora: Arqueiro
Edição de: 2017
Páginas: 224
Série As Quatro Estações do Amor - Livro 4

Sinopse: Daisy Bowman sempre preferiu um bom livro a qualquer baile. Talvez por isso já esteja na terceira temporada de eventos sociais em Londres sem encontrar um marido. Cansado da solteirice da filha, Thomas Bowman lhe dá um ultimato: se não conseguir arranjar logo um pretendente adequado, ela será forçada a se casar com Matthew Swift, seu braço direito na empresa.
Daisy está horrorizada com a possibilidade de viver para sempre com alguém tão sério e controlador, tão parecido com seu pai. Mas não admitirá a derrota. Com a ajuda de suas amigas, está decidida a se casar com qualquer um, menos o Sr. Swift.
Ela só não contava com o charme inesperado de Matthew nem com a ardente atração que nasce entre os dois. Será que o homem ganancioso de quem se lembrava era apenas fachada e ele na verdade é tão romântico quanto os heróis dos livros que ela lê? Ou, como sua irmã Lillian suspeita, o Sr. Swift é apenas um interesseiro com algum segredo escandaloso muito bem guardado?
Fechando com chave de ouro a série As Quatro Estações do Amor, Escândalos na primavera é um presente para os leitores de Lisa Kleypas, que podem ter certeza de uma coisa: embora as estações do ano sempre terminem, a amizade desse quarteto de amigas é eterna.



Estou muito feliz por ter me deliciado com este livro, mas ao mesmo tempo estou triste por ele ter recebido 4 estrelas. Será que estou ainda mais exigente do que já me considerava?rs É que todos os três livros anteriores da série, sem exceção, receberam 5 estrelas e os favoritei, mas com Escândalos na Primavera foi diferente. :(

Eu amei o livro! Mesmo! Me acabei de rir com algumas cenas, me emocionei muito com o final (e até chorei), mas ainda assim não o considerei digno de 5 estrelas. Quatro estrelas são ótimas, mas... entendem que me sinto culpada por ter amado o livro, porém pensado que faltou "algo mais" para receber as cinco estrelas? Enfim... Sou doida. 

"Irritava Bowman ver a filha segurando um livro no colo com um dedo marcando a página. Obviamente ela mal podia esperar que ele terminasse de falar para que pudesse retomar a leitura."

Daisy já me provocava um carinho enorme nos livros anteriores, pois era a louca por livros, a amiga confiável que fazia a Evie não gaguejar tanto, porque se sentia segura perto dela. Daisy era calmaria e sonhos, romântica como nenhuma de suas amigas jamais seria. Ela merecia viver seu próprio conto de fadas. 

8 de outubro de 2019

Caim - José Saramago

Literatura Portuguesa
Editora: Companhia das Letras
Edição de: 2009
Páginas: 172

Sinopse: Se, em O Evangelho segundo Jesus Cristo, José Saramago nos deu sua visão do Novo Testamento, neste Caim ele se volta aos primeiros livros da Bíblia, do Éden ao dilúvio, imprimindo ao Antigo Testamento a música e o humor refinado que marcam sua obra. Num itinerário heterodoxo, Saramago percorre cidades decadentes e estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha, conforme o leitor acompanha uma guerra secular, e de certo modo involuntária, entre criador e criatura. 
Para atravessar esse caminho árido, um deus às turras com a própria administração colocará Caim, assassino do irmão Abel e primogênito de Adão e Eva, num altivo jegue, e caberá à dupla encontrar o rumo entre as armadilhas do tempo que insistem em atraí-los. A Caim, que leva a marca do senhor na testa e portanto está protegido das iniquidades do homem, resta aceitar o destino amargo e compactuar com o criador, a quem não reserva o melhor dos julgamentos. Tal como o diabo de O Evangelho, o deus que o leitor encontra aqui não é o habitual dos sermões: ao reinventar o Antigo Testamento, Saramago recria também seus principais protagonistas, dando a eles uma roupagem ao mesmo tempo complexa e irônica, cujo tom de farsa da narrativa só faz por acentuar.




Esta é a primeira vez que me desafio a ler Saramago, um autor muitíssimo querido por milhares de leitores, mas também desprezado por outros.rs Afinal de contas, não é possível agradar todo mundo.

Eu acreditei, sinceramente, que teria sérios problemas com o autor. Tanto por ele tocar em temas bíblicos utilizando de muito sarcasmo quanto por sua escrita peculiar (sem travessão, com vírgula no lugar de ponto final, com perguntas sem ponto de interrogação, com nomes próprios com letra minúscula, com trechos que se confundem com fluxo de consciência, e por aí vai...), mas a verdade é que foi bem tranquilo ler Caim.

"A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele."

Este é um livro que precisei ler com a Bíblia do lado. Sério! Como o autor resolveu dar um passeio pelo Antigo Testamento (conjunto de livros bíblicos com os quais SEMPRE tive sérios problemas, mesmo sendo cristã desde a infância), fazendo uma releitura de vários acontecimentos, eu precisei da Bíblia para comparar. Já li os livros que o autor mencionou implícita e explicitamente, mas não tenho uma memória perfeita, capaz de lembrar de tudo o que li. Por isso, foi necessário pegar minha Bíblia para ver até que ponto as falas e cenas eram "reais", ou seja, estavam realmente nos livros sagrados.

"Ao contrário do que costuma dizer-se, o futuro já está escrito, o que nós não sabemos é ler-lhe a página"

Antes de iniciar a leitura, eu pensava que a história se concentraria apenas no livro de Gênesis, que é quando ocorre o primeiro homicídio registrado na Bíblia: o assassinato de Abel, pelas mãos de seu próprio irmão, Caim. Mas as coisas não são bem assim. O autor passa por outros livros da Bíblia, como Êxodo, Josué, Jó e por aí vai. Nós fazemos uma viagem por vários momentos terríveis, de grande violência e destruição. E fazemos essa viagem dolorosa ao lado de Caim, quem nutre, ao longo de todo o livro, um ódio profundo por Deus.

4 de outubro de 2019

O Sal das Lágrimas - Ruta Sepetys

Literatura norte-americana
Título Original: Salt to the sea
Tradutora: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Edição de: 2019
Páginas: 320
Ficção histórica/Romance histórico

Sinopse: Inverno de 1945, Segunda Guerra Mundial. Quatro refugiados, quatro histórias. Joana, Emilia, Florian, Alfred. Cada um de um país diferente. Cada um caçado e assombrado pela tragédia, pelas mentiras e pela guerra. Enquanto milhares fogem do avanço do exército soviético na costa da Prússia, os caminhos desses quatro jovens se cruzam pouco antes de embarcarem em um navio que promete segurança e liberdade. Mas nem sempre as promessas podem ser cumpridas... Profundamente comovente, O sal das lágrimas se baseia em um acontecimento real. O navio alemão Wilhelm Gustloff foi afundado pelos russos no início de 1945, tirando a vida de mais de 9 mil refugiados civis, entre eles milhares de crianças. É o pior desastre marítimo da história, com seis vezes mais mortos que o Titanic. Ruta Sepetys, a premiada autora de Cinzas na neve (publicado anteriormente como A vida em tons de cinza), reconta brilhantemente essa passagem por meio de personagens complexos e inesquecíveis.



Estou aqui tentando recuperar o controle, tentando falar deste livro extremamente marcante sem desmoronar, sem cair em prantos outra vez. Mas toda vez que lembro de tudo o que li em O sal das lágrimas, o nó na garganta volta e as lágrimas também. Esta história me marcou demais. Se cravou no meu coração e ao mesmo tempo arrancou um pedaço dele. Nunca poderei esquecê-la.

Em 30 de janeiro de 1945, o navio alemão Wilhelm Gustloff tentava levar em segurança, para longe das tropas e fúria soviéticas, milhares de refugiados civis, entre eles, estima-se que haviam cerca de 5 mil crianças. Na noite do mesmo dia, três torpedos, lançados de um submarino soviético, atingiram o navio. Em menos de duas horas, mais de 9 mil pessoas perderam suas vidas. O navio tinha capacidade para transportar cerca de 1.800 pessoas, mas estava levando mais de dez mil. É considerado o pior desastre marítimo da História. Muito pior que o do Titanic. Todavia, até ler este livro eu NUNCA sequer tinha ouvido falar sobre ele. Nem mesmo nos livros acadêmicos que li sobre a Segunda Guerra Mundial.

Não dá para colocar em palavras o quanto este livro me abalou. Como me apeguei aos personagens que a autora criou para contar esta história baseada em acontecimentos reais. Como os amei mesmo sabendo que poderiam não chegar vivos ao final da história, que poderiam fazer parte das mais de 9 mil pessoas que afundaram junto com o navio.
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