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15 de novembro de 2021

Amante do Deserto - Carol Marinelli



Literatura Inglesa
Título Original: Bound by the sultan's baby
Tradutora: Maria Vianna
Editora: Harlequin
Edição de: 2018
Páginas: 198 (Kindle Unlimited)

33ª leitura de 2021 (25ª resenha do ano)

Sinopse: Uma consequência escandalosa! Uma noite com Gabi não foi o suficiente para satisfazer o sultão Alim al-Lehan, mas ele precisa deixá-la, pois o dever o chama de volta à sua terra natal. Com o passar dos meses, as memórias do caso proibido se tornam impossíveis de ignorar. A única saída é convencer Gabi de que o caso pode continuar nas areias do deserto. Alim não esperava a recusa furiosa dela, ainda mais depois de descobrir que Gabi teve um bebê... o seu bebê! Agora, precisa mantê-la em sua vida, mais do que nunca. Mas ele terá que decidir se aceita as condições de Gabi: o casamento!




Já estamos na metade de novembro... O ano está chegando ao fim... Este está sendo um ano bem difícil para mim e minha família, e para milhões de outras pessoas, claro. Muitas coisas ruins aconteceram... Perdas, doenças... Perdemos um familiar (meu avô materno) em agosto e ainda é muito difícil lidar com essa ausência, com essa tristeza. Minha gatinha que eu cuido como se fosse uma filha, como se tivesse nascido de mim, descobri em fevereiro que sofre de doença renal. Descobri quando ela entrou em crise e parecia que eu iria perdê-la. Foi um golpe muito forte para mim. Mas nós passamos juntas pelo pior e ao longo dos meses ela se manteve estável, com os exames mostrando melhoras... mas agora em novembro seus exames mostraram uma piora, o que me desestabilizou. É como se alguém me sacudisse e eu não parasse de balançar por dentro. Nem sei explicar o que senti ao ver os resultados e o que venho sentindo desde então. Convivo com o medo, com um medo horrível. E, como se não bastasse, o cachorro da minha irmã, que consideramos parte da nossa família também, caiu doente. É como se tudo estivesse acontecendo ao mesmo tempo. 

Encontro refúgio primeiramente em Deus e depois na leitura, que me salvou tantas e tantas vezes ao longo dos meus anos como leitora. Sem os livros eu não poderia escapar da realidade, ter momentos de alívio, de sorrisos, momentos para sonhar acordada e acreditar que tudo vai ficar bem. 

E hoje de madrugada, quando eu não conseguia dormir por nada no mundo, com tantas coisas na cabeça, resolvi que era hora de ler outro livro da Carol Marinelli, já que minha experiência com seus romances foi bem positiva até agora. Em poucas horas devorei o livro, rindo com os personagens, me estressando com algumas situações e relaxando, deixando de pensar na minha vida para pensar na de Alim e Gabi, que em Amante do Deserto vivem um romance proibido. 

Gabi era uma jovem de 24 anos que sempre foi apaixonada por casamentos. Ainda adolescente começou a trabalhar, tendo que largar os estudos para ajudar nas despesas de casa, sendo filha de uma mãe solo que nunca lhe contou quem era o homem que a engravidou e abandonou, e fazendo questão de sempre lembrar a filha de tudo o que teve que sacrificar por ela. Gabi não se ressentia (pelo menos, tentava não se ressentir) e amava demais a mãe, jurando para si mesma que não repetiria a mesma história. Que seria dona de seu próprio negócio, que realizaria os seus sonhos e seria um orgulho para a mãe. 

Conseguiu um emprego com uma importante organizadora de casamentos e seu talento e criatividade a mantiveram empregada, mas também explorada pela chefe que a deixava sozinha para enfrentar as pesadas obrigações de eventos luxuosos e desgastantes para depois ficar com todo o crédito pelo sucesso. Gabi aguentava tudo em silêncio, pois seus sonhos a sustentavam... ainda mais depois de conhecer Alim, ao realizar alguns eventos em seu hotel. 

Ela sabia que pertencia a uma realidade bem diferente da dele. Que só poderia sonhar com seus beijos, com seus abraços, com uma vida ao seu lado. Nunca poderia viver tais momentos. Mas se contentava em vê-lo passar, em cumprimentá-lo, em ouvi-lo falar com ela com gentileza... Até a noite em que ele a tirou para dançar, fazendo questão de dizer o quanto era perigoso e que tudo não passaria de uma noite. Apenas uma noite...

Alim passou dois anos tentando esconder de si mesmo os sentimentos que nutria por Gabi. Jamais poderia ter nada sério com ela, seu destino era se casar com uma mulher de seu país, que conhecesse as tradições, que seguisse as regras do seu povo. Todos os seus casos não duravam mais que uma noite e lutou muito para não cair em tentação e propor um momento com ela... Sabia que ela aceitaria. Percebia seus olhares, que gostava dele... Seria injusto arriscar, mas impossível continuar resistindo. 

Ao viverem uma noite inesquecível, Alim quis refazer os planos. Não suportaria deixá-la ir tão rápido. Queria lhe oferecer um emprego, que ela deixasse a chefe que a explorava e trabalhasse com mais liberdade, que fosse dele por um ano. Depois seguiriam com suas vidas. Cada um para um lado. Mas teriam aquele tempo para se amarem...

Porém, como nem tudo pode ser como desejamos, nem mesmo quando se tem muito dinheiro e poder... A manhã seguinte traz um duro golpe para Alim, que termina com Gabi sem nenhuma explicação e retorna ao seu país, sem saber que os momentos que viveram trariam uma pequena e linda consequência...

Quando Alim ressurge em sua vida, vários meses após partir seu coração de modo tão cruel, Gabi não está disposta a ceder, mesmo que todo o seu ser queira estar em seus braços, ouvir que ele nunca a esqueceu e que poderão formar uma família juntos. Mas a realidade é bem diferente e ela sabe que precisa ser forte para não condenar a si mesma e o seu pequeno bebê a um futuro de sofrimento e humilhações. Mas Alim não está disposto a perdê-la... ainda mais depois de descobrir que se tornou pai. Só não sabe como mantê-la ao seu lado sem violar as leis do seu povo... quando ela jamais seria aprovada como sua esposa e nunca aceitaria ser sua concubina. Dividido entre o dever e o amor, ele precisa fazer uma difícil escolha...

Como bons leitores de romances, acostumados com histórias assim, nós já sabemos qual será a escolha dele, certo?rs O que não significa que o tonto vai decidir rapidamente e o felizes para sempre virá fácil. Nada disso! A autora faz nosso coração sofrer um pouco antes de juntar de uma vez por todas seu casal e em alguns momentos eu senti muita raiva do mocinho e uma vontade de gritar para a mocinha deixar de ser estúpida e se impor! Quando ela finalmente o fez, eu já estava estressada, mas mesmo assim gostei bastante.rsrs E em nenhum momento odiei nenhum dos dois. Senti raiva, como eu disse, mas não ódio.kkkkk

Eu senti raiva do Alim por querer ter a Gabi em sua vida da "sua maneira", sem pensar no quanto aquilo a destruiria com o passar dos anos. Como seria uma vida de vergonha e humilhações não só para ela, mas também para a criança. Isso me provocou uma raiva enorme, pois o amor não combina com tanto egoísmo. Uma pessoa que realmente ama não pensa apenas em si mesmo, em seus desejos, mas também nos sonhos e felicidade da pessoa amada. E ele estava pensando apenas no seu próprio prazer. Teria uma vida pública, ao lado de uma esposa escolhida pelos anciãos e por seu pai (porque pela lei ele não poderia escolher a própria esposa) e Gabi e o bebê seriam seu segredo, jamais reconhecidos, como se não existissem, como se fossem nada para o mundo. Ela seria privada de ter um marido, uma família aos olhos da sociedade e estaria para sempre disponível para ele, como se sequer fosse uma pessoa, um ser humano! Eu senti tanta, mas tanta raiva! Só quando percebi que ele não suportaria fazer isso com ela e nem consigo mesmo foi que minha raiva começou a diminuir. Quando ele se desdobrou para encontrar uma solução que não transformasse aquele amor em dor. Algo que não o fizesse perdê-la para sempre...

Gostei muito desta história! Foi uma ótima escolha e já estou ansiosa para ler o primeiro livro da trilogia (li tudo fora de ordem). Ainda assim reconheço que mesmo sendo muito boa, não é arrebatadora como a história presente no terceiro livro. Sophie e Bastiano... Que saudades desse casal!

O livro faz parte de uma série que não está identificada como série na capa nem nada, mas existem dois livros que têm ligação com ele, cujas histórias acontecem simultaneamente:

Inocente Mistério - Harlequin Paixão 497 (conta a história do Raul e da Lydia)
A Escolha da Paixão - Harlequin Paixão 499 (conta a história do Bastiano e da Sophie)

A ligação com Amante do Deserto se dá porque Raul é amigo/inimigo do Bastiano e vai até o hotel Grande Lucia disposto a comprá-lo apenas para competir com ele. É lá que conhece Lydia, a jovem com quem seu inimigo pretendia se casar. Alim é amigo do Bastiano e Gabi é melhor amiga da Sophie. A história dos três casais começa no hotel Grande Lucia, que pertence ao Alim. 


21 de setembro de 2021

A Escolha da Paixão - Carol Marinelli


Literatura Inglesa
Título Original: Sicilian's baby of shame
Tradutor: Rafael Bonaldi
Editora: Harlequin
Edição de: 2018
Páginas: 187 (Kindle Unlimited)

26ª leitura de 2021 (19ª resenha do ano)

Sinopse: Seduzida, humilhada e grávida! Sophie sempre quis trabalhar no hotel Grande Lucia. E sabia bem quais eram as regras. Contudo, quando foi entregar o serviço de quarto para Bastiano, um magnata sem coração, ficou tentada a assumir o risco de entregar seu corpo a ele. Bastiano é um homem sem escrúpulos, disposto a tudo para alcançar seus objetivos, mas tem uma crise de consciência quando Sophie é demitida pela indiscrição dos dois e desaparece. Com os pensamentos preenchidos pela preocupação, Bastiano decide se assegurar que ela está bem. Quando a encontra, descobre que Sophie está trabalhando em um bar para um homem perigoso, foi deserdada e está grávida... do seu filho! Rejeitado pela própria família, Bastiano está determinado a assumir a criança... e seduzir a teimosa Sophie até que ela aceite usar sua aliança!




Quando um livro faz bem ao seu coração, ele é completamente digno de 5 estrelas. Todos os critérios são preenchidos.rs

Feliz. Foi assim que me senti ao terminar esta leitura. Não, o livro não é perfeito, possui algumas falhas, mas me fez bem. Me fez feliz. Me provocou sorrisos e lágrimas. Esqueci o mundo e não larguei a história até terminar de lê-la. Este livro mexeu com meu coração. Eu sentia quando os personagens sofriam. Sorria como uma boba quando estavam contentes... Simplesmente me envolvia por inteiro com as emoções deles. 

Tudo foi rápido e intenso. Por ser um livro de menos de 200 páginas, ele te joga do céu ao inferno quase ao mesmo tempo. Num instante, você está sorrindo, apaixonada pela paixão que une os protagonistas. Amando amá-los... (Apaixonada pela paixão, amando amá-los... Você está boba hoje, né, Luna? Sim!!! De tão feliz por CULPA da história!) e no instante seguinte acontece algo para te fazer chorar. Confesso que não esperava por aquilo e não sei quem ficou com o coração mais ferido, se a mocinha ou eu.kkkkkk Realmente chorei com a cena. Senti raiva e muita tristeza. E demorei mais tempo do que ela para perdoar.kkkkk

Neste livro temos a história de dois personagens muito fortes, daqueles que não conhecem o significado da palavra "desistir". Não se conformam com destino, não permitem que decidam o que podem ou não fazer, que futuro irão ou não ter. Tomam as rédeas de suas próprias vidas e constroem seus próprios caminhos, mesmo que isso signifique sofrer e perder até chegarem onde desejam. 

Sophie era uma jovem de 24 anos que cansou de viver a vida que seus pais e irmãos queriam. Foi obrigada a parar de estudar porque seu pai arranjou um emprego para ela numa padaria, ainda em sua adolescência. Tudo era sempre conforme a vontade deles e o mais absurdo foi escolherem até mesmo com quem ela iria se casar. Na cabeça deles, Sophie tinha que aceitar calada e com um sorriso doce no rosto, mesmo que seu futuro marido tivesse mais que o dobro de sua idade e planejasse mantê-la sempre grávida. 

Sem alternativa, ela fugiu de casa e da única realidade que conhecia e foi morar em Roma, mesmo sem ter um teto ou trabalho. Acabou por arranjar um emprego como camareira num grande e famoso hotel, que para ela era mais que um sonho: não recebia nenhuma maravilha de salário, mas era suficiente para dividir o aluguel com outras duas jovens e ter a independência que tanto buscava. Seu emprego a fazia feliz, pois a equipe inteira era gentil e se tornou uma espécie de família para ela. Se dava bem com quase todo mundo, até mesmo com os hóspedes. Sua única tristeza era não ser perdoada pelos pais, mas sabia que tinha feito a escolha certa. Não iria se casar por conveniência e condenar a si mesma a uma vida submissa a um homem que já detestava... Casaria apenas por amor e levaria a vida que bem entendesse. 

Bastiano Conti era um bilionário que tinha conhecido a pobreza e a rejeição por toda sua infância e adolescência. Tendo perdido a mãe ao nascer e sem saber quem era o seu pai, foi "acolhido" pelos tios maternos contra a vontade deles, apenas por obrigação. Qualquer presente ou guloseima era sempre dada aos filhos de seus tios e nunca dividido com ele. Sempre deixavam claro o quanto era um estorvo e que nunca seria querido por ninguém. 

Mesmo contra a vontade de sua família, fez amizade com Raul, um menino que também vinha de um lar problemático, cuja mãe era vítima de violência doméstica. Eles dividiam seus sonhos e frustrações e acreditavam que seriam amigos para sempre, até que uma grande tragédia os separou, transformando-os em inimigos... Uma inimizade que persistiu pela vida adulta e motivou até mesmo as suas escolhas de negócios. 

Foi por isso que Bastiano se hospedou no Hotel Grande Lucia, disposto a comprar o hotel apenas para frustrar os planos de Raul... e lá acabou conhecendo Sophie... alguém bem diferente de qualquer pessoa que já tivesse passado por sua vida. Ela era tão espontânea e sorridente, tão verdadeira e crédula... Por um dia resolveu ser o que ela acreditava que ele fosse. Uma relação com ela jamais teria futuro, mas poderia se permitir um dia... Apenas um dia sem ser o homem que todos desprezavam. 

"- Eu sinto como se conhecesse você - disse ela."

Mas os momentos de paixão, entrega e sorrisos não demoram a ter um amargo fim... Levando Bastiano de volta ao mundo de frieza e vazio que conhecia e fazendo Sophie conhecer a dor de ter seu coração feito em pedaços pela pessoa em quem escolheu confiar. Porém... quando o sentimento é mais forte que a vontade de duas pessoas feridas pela vida.... algumas pontes podem ser reconstruídas. 

Eu não sou a maior fã de histórias nas quais os casais acabaram de se conhecer e já vão para a cama e "do nada" estão apaixonados. Geralmente são histórias que parecem muito fúteis e se desenvolvem com aquela coisa de glamour, arrogância e humilhação: mocinho podre de rico, mocinha que fica deslumbrada pelo mundo dele, mocinho que pisa na mocinha por ela ser pobre e a tonta que aceita ser maltratada para depois ele dizer que sempre a amou. Geralmente essas histórias seguem esse caminho. E falo com conhecimento, pois já li centenas (sim, realmente centenas!) de livrinhos assim, já que os romances de banca sempre fizeram parte da minha vida e mesmo minhas autoras preferidas do gênero amam enredos do tipo.  Mas a Carol Marinelli conseguiu pegar uma trama já "batida" e escrever de uma forma que tornou tudo muito envolvente e nos fez acreditar na forma natural como aconteceu. Nos fez acreditar nos personagens, nos sentimentos deles, em como tudo aconteceu. 

"Sophie chegara sem aviso. Entrara no palco da vida dele, mas havia muitos escombros por ali, muitos danos, e ele não sabia como arrumar tudo."

Eu fiquei encantada já nas primeiras páginas! Sophie é aquele tipo de pessoa (sim, vou chamá-la de pessoa!) que faz sorrir todos que a conhecem. Ela se permite ser ela mesma em qualquer ambiente. Ser livre, ser feliz. Não se consumir por tristezas, mas se permitir ver o que de bom tem em cada dia. E embora tenha sido treinada para falar apenas o estritamente necessário com os hóspedes... ela não consegue.rs É assim que seu caminho se cruza com o de Bastiano. Ele tinha acordado de mal com a vida, com uma baita ressaca e Sophie foi levar o serviço de quarto, embora geralmente não ficasse responsável por aquele andar. Mas estava fazendo um favor para outra camareira e agiu da maneira espontânea que era sua característica. Bastiano acabou encantado com sua personalidade, com seu sorriso, com a forma como ela se preocupou com ele como pessoa e não como alguém que tinha dinheiro e era um hóspede. Ela o tratou como igual, mesmo sabendo que não eram.  

Antes que eles percebessem... estavam conversando. Contando coisas um para o outro e isso era totalmente surreal, inesperado. Um tanto louco, pois eram desconhecidos. Uma das primeiras cenas que amei foi quando ela desceu, pois seu turno tinha encerrado e passou na cozinha do hotel para comer alguma coisa deliciosa antes de ir para casa e quando o chef lhe ofereceu um brioche que tinha acabado de sair, ela resolveu fazer um prato para o Bastiano e levar até seu quarto, pois sabia que o café da manhã "chique" que ele próprio tinha pedido não o agradou. O que amei foi que ele ficou tocado pelo gesto dela e a convidou para tomar o café da manhã com ele, e ela sentou ao lado dele na cama com a maior naturalidade e voltaram a conversar como se não fossem camareira e hóspede, mas dois amigos que tivessem se reencontrado.kkkkk 

Claro que a química começa, né? Quando ela decide ir embora, pensa em como gostaria que sua primeira vez fosse com alguém de quem ela tivesse gostado como gostou dele. Sabia que não era amor nem nada, mas tinha prometido a si mesma que perderia a virgindade quando quisesse e com quem ela sentisse vontade. Que seria uma escolha sua. E ela queria muito escolhê-lo... 

"[...] Estou me guardando para alguém que eu queira, na hora que eu quiser."

As coisas acabam seguindo esse rumo. E tudo é tão... Suspiros... Eu amei! Amei o quanto ele se importou com ela, amei como eles realmente pareciam se conhecer, embora nunca antes tivessem se visto. Me apaixonei por tudo ter sido mais que sexo, por ter tido cumplicidade, sorrisos, brincadeiras, conversas... A cena na banheira foi bem divertida! Ela não foi um caso de um dia para ele, por mais que ele tentasse se convencer que sim. E quando tudo terminou... Eu chorei. Chorei muito. De verdade.

O relacionamento não acaba exatamente naquela noite, como a sinopse dá a entender, mas não vou contar como tudo acontece. Só que o momento da separação, que eu nunca imaginei que seria daquele jeito, foi extremamente doloroso. O motivo do Bastiano foi forte, mas eu não esperava que ele fosse agir assim com ela. Justamente com ela! E depois ele sente raiva de si mesmo por ter dado tanta importância a algo que o fez perdê-la. É complicado. Porque nós leitores sabíamos de algo que ele não sabia e é meio injusto eu esperar que ele SOUBESSE, que ele simplesmente acreditasse nela. Mas a verdade é que eu queria que ele tivesse acreditado e ponto final! Dane-se que a conhecesse há pouco tempo! Ele tinha que ter confiado nela. E eu fiquei destroçada. A Sophie leva tempo para perdoá-lo, mas ainda considero que poderia ter demorado mais.kkkkkk Eu sei que ele sofreu. Sei que ele tentou consertar as coisas, sei que jamais se considerou superior à ela nem nada. Que a respeitava, que se preocupava, que queria o bem dela. Mas eu estava com raiva! E quando estou assim quero que os mocinhos sofram mais do que as autoras permitem.rs 

"Jamais vou me esquecer de você."

A relação deles é muito linda. A forma como se reencontram... Como ele nunca deixou de pensar nela. Como se preocupava até com as menores coisas. Eu amei muito o Bastiano. Ele é um mocinho digno de ser chamado assim. O erro dele não apaga tudo o que ele e Sophie construíram neste livro. Ele assumiu seu erro, tentou realmente consertar tudo, ser uma pessoa melhor por ela e pelo filho que iria nascer (a sinopse já revela a gravidez, então não é spoiler). Foi impossível não amar este casal! Eles me conquistaram por completo! 

Já viram que se pudesse eu ficava aqui o dia inteiro falando sobre a história, né?!rsrs É delicioso amar uma história, poder esquecer da vida... Poder apenas esquecer tudo e me dedicar por inteiro ao mundo dos personagens. E encontrar no livro tantos motivos para sorrir. Suspiros...

Somente após terminar a leitura foi que eu descobri que o livro faz parte de uma série e que provavelmente comecei pelo último.rs Não está identificado como série na capa nem nada, mas existem dois livros que têm ligação com ele, cujas histórias acontecem simultaneamente, mas têm seus desfechos antes desta:

Inocente Mistério - Harlequin Paixão 497 (conta a história do Raul e da Lydia)
Amante do Deserto - Harlequin Paixão 498 (conta a história do Alim e da Gabi)

A ligação com A Escolha da Paixão se dá porque Raul é amigo/inimigo do Bastiano e Lydia foi a mocinha com quem ele pretendia se casar. Alim também é amigo do Bastiano e Gabi é melhor amiga da Sophie. A história dos três casais começa no hotel Grande Lucia, que pertence ao Alim. 




28 de setembro de 2020

O Diário do Erasmo - Robson Cuer


Literatura Brasileira
Editora: Coerência
Edição de: 2016
Páginas: 208

51ª leitura de 2020 (48ª resenha do ano)

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: Um cachorro abandonado que sonha em reencontrar a mãe. 

Erasmo é um cachorro de sorte. Junto com seus amigos vive aventuras e conhece o mundo com a curiosidade de uma criança, sem preconceitos e atento a tudo. Descobre um mundo mágico que por vezes não percebemos e emociona, ensina e diverte os leitores. 
Leve, poético e sensível, nos lembra que a vida é muito mágica e que a amizade é um lindo sentimento. 



Eu não tenho o hábito de ler histórias protagonizadas por animais porque sou uma manteiga derretida e geralmente choro com filmes ou livros envolvendo animais. 

Mas como O Diário do Erasmo é uma historinha voltada ao público infantil, eu imaginei que não teria nada que me fizesse chorar e serviria como mais uma leitura leve, numa fase da minha vida em que estou necessitando muito de histórias assim. 

Realmente é um livro bem levinho, que nos encanta e faz sorrir. Todavia, tem umas cenas que nos provocam lágrimas. Porque é impossível não se comover com certos acontecimentos que arrancaram um pedacinho do meu coração. :(

Erasmo é um cachorro ainda filhote, que foi separado de sua mamãe, abandonado na rua e depois colocado num Pet Shop para fazer parte de outra família. Só que vários cachorrinhos já tinham encontrado um novo lar e ele seguia ali, naquela gaiola sem que ninguém se interessasse por ele. Até que seu "papai" um dia apareceu e o levou. Foi aí que toda a aventura finalmente começou em sua vida. 

Na casa de seu novo tutor, Erasmo conhece o Jack, um cachorro que já morava ali há mais tempo e estava disposto a ser o "mestre" daquele pequeno curioso, que logo no primeiro dia já o encheu de perguntas.rsrs Ele também se encontrou com a gatinha Sidney que morava dentro da casa do seu papai e estava com filhotinhos na barriga. 

Com o passar dos dias e todas as coisas que vai aprendendo com o auxílio de Jack, Erasmo vai crescendo e se tornando um filhote muito esperto, bem como faz amizade com a Tata Barata Bailarina, as pulgas acrobatas, o senhor Lulo Borboleto e a senhora Lila Borboleta, entendendo o que significa ter uma família e que nem todos que parecem "legais" querem realmente o seu bem. 

"- Tristeza é uma coisa que a gente sente e que tira as cores de tudo. Ela dura enquanto a gente não consegue colorir a vida de novo."

Esta é uma história que conquista um espaço precioso em nossos corações, pois nos envolvemos profundamente não só com o Erasmo e todas as suas aventuras, mas também com outros animais que entram em cena e nos fazem amá-los. 

Erasmo é simplesmente um amor! Tão curioso e cheio de perguntas, não deixava o Jack em paz, pois queria aprender tudo sobre seu novo lar, sobre o dia e a noite, o tempo (que sempre passava sem que ele conseguisse conhecê-lo.rsrs), como os filhotes tinham ido parar na barriguinha da Sidney (algo que ele vai ficar sem entender) e muitas outras coisas. Eu amava a curiosidade dele, seus latidos de empolgação e sua correria pelo quintal. Tinha vontade de tirá-lo da história e ficar com ele para mim, para alegrar minha vida.rs

E como não falar do Jack, que rouba as cenas tantas vezes?! Ele arrebatou meu coração! Amei demais este cachorro tão esperto e carinhoso, tão protetor com o Erasmo e com seu papai. Não consigo falar dele sem sentir uma emoção muito forte. 

"- O que é esperança? É a certeza de que iremos conseguir algo, mesmo que demore muito."

Também amei o Batman (o cachorro que vivia na rua e fez amizade com o Erasmo através do portão), a Tata Barata Bailarina (me diverti demais com ela!), a gatinha Sidney (tão metida e vaidosa), o casal de borboletas e até mesmo as pulgas acrobatas. Todos eles me encantaram! 

Não falarei sobre o que me fez chorar para não dar spoilers. Mas posso dizer que é um livro que nos provoca diversos sentimentos diferentes. E que vale muito a pena! Tem muito o que ensinar para pessoas de todas as idades. 


 -> DLL 20: Um livro que tenha animais como protagonistas



18 de setembro de 2020

O Mágico de Oz - L. Frank Baum


Literatura norte-americana
Título Original: The Wonderful Wizard of Oz
Tradutor: Luis Reyes Gil
Editora: Autêntica
Edição de: 2017
Páginas: 226

50ª leitura de 2020 (47ª resenha do ano)

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: O Mágico de Oz conta a história de Dorothy Gale, uma órfã que vivia com os tios numa fazenda do Kansas, nos Estados Unidos. Um dia, um ciclone arranca do chão a casa onde moravam. Os tios conseguem entrar no porão que usavam como abrigo para tempestades, mas Dorothy e seu cachorro, Totó, se atrasam e ficam na casa, que foi levada durante muito tempo pelos ares até chegar à Terra de Oz.

Lá, Glinda, a Bruxa Boa do Norte, explica a Dorothy que ela havia matado a Bruxa Malvada do Leste, pois a casa aterrissou em cima dela. Dorothy agora é, por direito, dona dos sapatos mágicos prateados da bruxa má. Além disso, Glinda lhe dá um beijo na testa, para ela ficar em segurança durante as aventuras que viveria a caminho da Cidade das Esmeraldas, onde vive o poderoso Mágico de Oz, o único que poderia ajudá-la a voltar para o Kansas.

Para chegar à Cidade das Esmeraldas, Dorothy tem que seguir por uma estrada de tijolos amarelos. Durante a caminhada, ela encontra o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde. Os três se juntam a Dorothy, pois também querem encontrar Oz e pedir algo para ele: o Espantalho quer um cérebro para pensar como os homens; o Homem de Lata, um coração para amar como os homens, e o Leão Covarde quer coragem para ser o Rei dos Animais.

A partir daí, os quatro encaram perigos, vivem histórias fantásticas e aprendem a enfrentar os próprios medos.




Acho que é quase impossível alguém ter passado pela vida sem ter ouvido falar desta história.rs Eu não consigo me lembrar bem como foi que a conheci, se através de algum desenho, filme ou outra adaptação, só o que sei é que ainda não tinha lido o livro, mas sabia tudo o que iria acontecer ao longo da narrativa. Conhecia bem os personagens e todas as suas aventuras para conquistar o que tanto sonhavam...

Nesta obra voltada para o público infantojuvenil (mas capaz de encantar pessoas de todas as idades!) conhecemos a pequena Dorothy, uma menina órfã criada pelos tios, que eram pessoas humildes que não encontravam na vida motivos para sorrir, ao contrário dela que sempre estava brincando e rindo com seu cãozinho Totó. Embora viver no Kansas não fosse muito agradável, pois tudo parecia cinzento e triste, Dorothy amava os tios e não imaginava a vida longe deles. 

"Era Totó que fazia Dorothy rir, e foi quem evitou qu ela crescesse tão triste quanto todo o resto que a rodeava."

Todavia, num dia em que uma terrível tempestade rapidamente começou, ela não teve tempo para entrar no buraco que tinha no chão e servia como abrigo contra esse tipo de dificuldade. Sua casa foi arrancada por um ciclone e a pequena foi junto, tendo apenas Totó como companhia. E foi assim que ela acabou parando na Terra de Oz e matando a cruel Bruxa do Leste, já que a casa aterrissou em cima da malvada. 

Um tanto confusa por ser considerada uma heroína (quando ela era incapaz de matar até mesmo uma formiga), tudo o que Dorothy mais desejava era regressar ao Kansas, para junto dos seus tios. E toda a sua aventura pelos esquisitos e fascinantes países daquele mundo tão extraordinário será voltada para a realização deste que é o seu maior desejo. 

"Não podemos machucar essa garotinha - avisou aos demais -, pois ela é protegida pelo Poder do Bem, que é maior que o Poder do Mal."

Tudo o que eu precisava no momento era ler uma história que fosse leve e divertida, que me provocasse um quentinho no coração e me fizesse esquecer um pouco a vida real. E O Mágico de Oz me proporcionou uma leitura maravilhosa, cheia de magia, amor e amizade, do tipo que nos faz sorrir e sonhar.

Como Dorothy desejava voltar para sua casa e ninguém sabia ao certo qual era o caminho, ela acaba sendo orientada a procurar pelo misterioso (e considerado terrível) Mágico de Oz, um dos mágicos mais poderosos já existentes e o único capaz de fazê-la regressar para junto dos seus tão amados tios. 

No meio dessa aventura, a menina conhece três personagens que simplesmente roubam nosso coração! O Espantalho, que tinha sido criado a pouco tempo e sonhava em ter um cérebro para ser um homem como qualquer outro. O Homem de Lata, nosso amado lenhador, que um dia tinha sido humano, mas ficou naquelas condições por causa de uma bruxa muito ruim. Tudo o que ele mais desejava era ter de novo um coração e assim poder amar. E temos também o famoso Leão Covarde, que sonhava em ser corajoso para poder ser de verdade o rei dos animais. 

"Não existe criatura viva que não sinta medo diante do perigo. A verdadeira coragem está em enfrentar o perigo mesmo quando você tem medo [...]"

A amizade entre todos eles é quase imediata e juntos enfrentam todos os perigos que aparecem ao longo do caminho. Eles acompanham Dorothy, pois também desejam pedir ao Mágico de Oz que realize os seus sonhos. 

Este livro nos aparesenta um mundo encantador, do qual não queremos sair ao final da leitura. Eu queria continuar lá!kkkkkkkkkk... E foi por isso que acabei não dando 5 estrelas, pois considerei o final abrupto, muito rápido. Dava para ter desenvolvido melhor aquele final, o que seria mais justo com uma história tão linda. 

A forma como esses personagens se tornam tão amigos me emocionou muito. Era tão bonita a amizade entre eles, a cumplicidade, o fato de um nunca abandonar o outro pelo caminho, não importava o que acontecesse e como parecesse impossível seguirem todos juntos. Este foi o ponto alto da história, o que ela teve de mais especial: essa amizade tão linda e emocionante entre Dorothy, o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão Covarde. Vou levar esses personagens para sempre comigo!

Enfim... É uma história que recomendo para todos que desejam sonhar! :)


-> DLL 20: Um livro de cor amarela


11 de maio de 2020

A Arte da Guerra - Sun Tzu

Literatura Chinesa
Título Original: Sun zi bing fa
Tradutor: André da Silva Bueno
Editora: Jardim dos Livros
Edição de: 2011

25ª leitura de 2020

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: O maior tratado de guerra de todos os tempos em sua versão completa em português. A Arte da Guerra é sem dúvida a Bíblia da estratégia, sendo hoje utilizada amplamente no mundo dos negócios, conquistando pessoas e mercados. Não nos surpreende vê-la citada em filmes como Wall Street (Oliver Stone, 1990) e constantemente aplicada para solucionar os mais recentes conflitos do nosso dia-a-dia. Conheça um dos maiores ícones da estratégia dos últimos 2500 anos.



Luna, ficou louca?! O que te levou a ler esse livro, criatura??!!! Sim, eu estou louca. Já era um tanto surtada antes desta pandemia, mas agora as coisas ficaram críticas.

Falando sério agora: não estou nada bem com todo este terror que estamos vivendo. Muitas vezes me pego acreditando que estou apenas tendo um terrível pesadelo e que logo irei acordar. Mas, infelizmente, sabemos que tudo isso é real. Milhões de pessoas foram infectadas no mundo todo. Milhares de pessoas morreram, milhares de sonhos interrompidos, milhares de famílias chorando a dor de perder seus entes queridos. Milhares de pessoas que nem puderam se despedir daqueles que amam. Isso tudo é real. Não é histeria da mídia. Não é uma farsa. É real. Então, FIQUE EM CASA!!! Só saia se você realmente precisar, só se for necessário!!! Se não for por você, fique em casa por quem você ama, por quem você quer que continue vivo. Essa doença não escolhe idade, cor, religião, classe social, nada! Ela atinge todo mundo. Fique em casa!!!

Por que você está falando isso, Luna? Você já tinha falado do assunto antes. Sim, eu tinha decidido não ficar falando da pandemia em cada resenha, pois sei que, assim como eu também faço quando leio outros blogs ou assisto vídeos nos canais, muitos leem as resenhas para se distrair, para esquecer um pouco esta realidade cruel que estamos vivendo. Mas ontem o Brasil atingiu mais de 11 mil mortes. E isso sem que contemos aqueles que morreram sem terem feito os exames, aqueles que nunca entrarão na lista, mesmo que tenham morrido dessa doença. Já são mais de 11 mil mortes oficialmente! E muita gente continua agindo como se nada estivesse acontecendo! Está acontecendo!!! Pessoas estão perdendo suas vidas! E tudo o que você precisa fazer para que a situação não fique pior, é ficar em casa, se puder!!! Não tem leitos para todo mundo. Não tem respiradores para todo mundo. Ontem foi Dia das Mães. Quantas mães perderam seus filhos para essa doença maldita? Quantos filhos perderam suas mães? Eu sei que morrem pessoas todos os dias, de diferentes causas, e toda dor causada por uma perda é insuportável. Mas em relação ao coronavírus, você pode fazer algo para ajudar: você só precisa ficar em casa. Sei que têm pessoas que não podem ficar em casa, mas quem puder, por favor, por favor, fique em casa! Não é hora de pensar só em si mesmo. É hora de pensarmos no próximo. De colocar em prática o que Jesus nos ensinou: amar ao próximo como a nós mesmos. E se amamos o nosso próximo, nós cuidamos! E mesmo que você seja de outra religião, ou até mesmo se não tiver religião: amar ao próximo, não pensar apenas em si mesmo é simplesmente fazer o Bem. É básico, é fundamental. Praticar o bem não depende de nenhuma religião.


Ok. Vou respirar fundo e tentar fazer esta resenha. Não estou em condições de falar de livro nenhum hoje, mas vou tentar. Porque também é uma forma de me distrair, de aliviar um pouco o coração. Embora falar de A Arte da Guerra seja algo complicado e eu não saiba nem por onde começar.rs

Já tinha ouvido falar muito deste livro e visto citações dele em vários lugares, mas nunca levei a sério a ideia de lê-lo, assim como só falo que vou ler O Príncipe, de Maquiavel, mas no fundo não tenha real intenção de ler. Só que um dos temas do Desafio Literário Livreando de 2020 é ler um autor chinês. E eu não tinha nada na lista. Aí lembrei do tal A Arte da Guerra e decidi que me obrigaria a lê-lo. Gostei? Não exatamente.

"A Lei da Guerra se baseia no engano."

O livro foi escrito séculos antes de Cristo. Não encontrei uma data certa, mas pelo que parece foi uns quatro séculos a.C. É uma obra de Sun Tzu (que ninguém sabe se existiu de verdade) e tinha como objetivo dar conselhos, instruções para se vencer uma guerra, para sair vitorioso sempre. São estratégias de guerra, estratégias militares. Ou seja, o tipo de livro que não é para mim, até porque não suporto guerras. E ver técnicas de engano e manipulações nesta obra não me agradou nada. Embora isso não me impeça de perceber o quanto é inteligente e veja que muitas dessas técnicas acabam sendo empregadas e úteis em outras áreas da vida de uma pessoa.

As estratégias presentes nesse livro são, hoje em dia, muito utilizadas no meio empresarial, pelo que li. Mas podem ser utilizadas por qualquer pessoa. Como qualquer livro, você pode absorver o que lhe faz bem, o que lhe é útil e descartar aquilo que não lhe serve. Eu descartei quase tudo.kkkkk

"Se as tropas inimigas estão em ordem, tente bagunçá-las; se estão unidas, semeie a discórdia."

Ao ler este livro conseguimos perceber como tanta coisa escrita nele é utilizada amplamente, até mesmo na política. Às vezes achamos que uma atitude de um político é pura tolice, mas na verdade ele sabe exatamente o que está fazendo, faz parte da estratégia dele. Cada passo é calculado. E o que muito já vimos ser praticado: a discórdia, a separação da população. É dividindo que se conquista, não é mesmo? E a população em vez de se unir, independentemente de opinião ou posição política, se deixa dividir. Sempre.

"Conheça a si mesmo e ao inimigo e, em cem batalhas, você nunca correrá perigo."

O trecho acima é um dos poucos com os quais eu concordo. Em tudo na vida, é necessário que conheçamos a nós mesmos, nossas qualidades e defeitos, nossos pontos de força e fraqueza. Bem como é importante que saibamos quem são as pessoas ao nosso redor. Para não permitirmos que o outro utilize nosas próprias qualidades e defeitos contra nós. Para não nos deixarmos enganar ou sermos manipulados. Também concordo e tentarei levar pra vida o trecho que diz: "Utilize a ordem para enfrentar a desordem, utilize a calma para enfrentar os agitados." 

O livro é bem curtinho e dá para ler em um dia. As instruções contidas nele são divididas em 13 capítulos, cada um com um título importante dentro do contexto da estratégia militar. É um clássico e reconheço seu valor, até mesmo, como eu disse, absorvi o que considerei bom, mas não é um livro que eu voltaria a ler.

"Uma pessoa com raiva pode recuperar a serenidade, e o ressentido pode ser apaziguado, mas um Estado arruinado não se recupera, e os mortos não podem voltar à vida."

Este último trecho é forte e nos serve para refletirmos... Sobre muitas coisas.


-> DLL 20: Um livro de autor chinês


21 de abril de 2020

Amoras - Emicida / Flávia e o Bolo de Chocolate - Míriam Leitão

Literatura Brasileira
Editora: Companhia das Letrinhas
Edição de: 2018
Páginas: 44
21ª leitura de 2020

Sinopse: Em seu primeiro livro infantil, Emicida conta uma história cheia de simplicidade e poesia, que mostra a importância de nos reconhecermos nos pequenos detalhes do mundo. Na música “Amoras”, Emicida canta: “Que a doçura das frutinhas sabor acalanto/ Fez a criança sozinha alcançar a conclusão/ Papai que bom, porque eu sou pretinha também”. E é a partir desse rap que um dos artistas brasileiros mais influentes da atualidade cria seu primeiro livro infantil e mostra, através de seu texto e das ilustrações de Aldo Fabrini, a importância de nos reconhecermos no mundo e nos orgulharmos de quem somos — desde criança e para sempre.




Este é um livrinho que resolvi ler "do nada". Inicialmente não estava nas minhas metas, mas eu estava um tanto triste e queria apostar numa leitura rápida e leve, que me desse um pouco mais de ânimo. 

Aqui temos uma historinha simples, mas muito importante por falar de aceitação, de amor próprio e de tolerância religiosa. Há menções à religião africana, ao cristianismo, ao islamismo... De um modo direto e lindo, mostrando que são apenas maneiras diferentes de praticar a fé e buscar um mesmo Bem. 

"Nesse planeta, Deus tem tanto nome diferente que, pra facilitar, decidiu morar no brilho dos olhos da gente."

A protagonista é uma menininha muito esperta e observadora e durante um passeio pelo pomar ao lado do pai, enquanto ele explicava que quanto mais pretinhas mais doces eram as amoras, que eram "o melhor que há", ela ficou muito feliz por ser parecida com as amoras, por ser "pretinha também". E aqui temos a questão da aceitação, de amar a si mesmo, de valorizar a sua cor de pele... entender que cada detalhe em nós foi feito com amor por Deus. É um livro de fácil leitura e compreensão pelas crianças e já quero que a minha priminha o leia (no momento ela está lendo Harry Potter e a Câmara Secreta). 

O autor também menciona Zumbi dos Palmares e Martin Luther King, enfatizando assim a sua intenção ao escrever este livro. E ele não apenas os menciona, mas ao final da leitura as crianças têm acesso a um glossário que explica de maneira bem simples quem eles foram, além de explicar também quem foi Obatalá e o que significa orixás, quilombo, o que é a África e quem é Alá. 


Literatura Brasileira
Editora: Rocco
Edição de: 2015
Págnas: 36
22ª leitura de 2020

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: Em meio aos questionamentos da pequena Flávia sobre a sua pele marrom – tão diferente da pele branquinha da mãe –, a premiada jornalista Míriam Leitão aborda temas delicados como adoção e questões raciais de forma sensível e lúdica para os pequenos. Com belas ilustrações de Bruna Assis Brasil, a autora, ganhadora do Prêmio FNLIJ 2014 na categoria Escritor Revelação por seu livro infantil de estreia, A perigosa vida dos passarinhos pequenos, mostra que o mundo é feito de diferentes cores, pessoas e sabores. E que é justamente isso que o torna tão rico. Flávia e o bolo de chocolate é o terceiro livro infantil de Míriam Leitão, autora também de A menina de nome enfeitado.



Pense num livrinho apaixonante! Se gostei muito de Amoras simplesmente AMEI Flávia e o Bolo de Chocolate. 

Nele temos uma mulher que sonha muito em ser mãe, mas a vida não lhe permite engravidar. Ela era uma pessoa boa e querida por muitos, mas a tristeza por não ter um filho ia tomando conta dos seus dias. Até que ela encontrou a solução perfeita: adotar uma criança que não tivesse mãe e que a quisesse. Foi assim que Flávia, ainda bebezinha, se tornou parte de sua vida, se tornou a sua filhinha. Quando a viu pela primeira vez, Rita (a mãe) percebeu que aquela era sua menina, pois se apaixonou por ela naquele instante. 

Ao conseguir levá-la para casa, agora legalmente sua filha, Rita logo quis passear com a bebê e mostrá-la para todas as suas amigas, mas ainda que a maioria tivesse ficado feliz por ela, uma tratou de destacar as diferenças físicas entre as duas (a cor da pele) e dizer que seria impossível que aquela fosse a filha de Rita. Embora tenha ficado triste com a observação maldosa, que se preocupava mais com a diferença de cor da pele das duas, ela não se deixou desanimar e criou a filha com todo o seu amor. Elas aprendiam juntas, se divertiam, passeavam, eram muito unidas. Mas um dia...

"Flávia começou a chorar:
- Mãe, eu quero ser como você. 
- Como assim?
- Não quero ser marrom!
- É mesmo? Por quê?
- Eu quero ser branca como você.
- Mas por quê? Você é linda do jeito que é, toda marronzinha - falou a mãe."

Mesmo a mãe mostrando o quanto ela era linda e incrível do jeitinho que era, Flávia não se deixou convencer. Na sua opinião ela era feia por ter a pele marrom e queria ser branca como a mãe. Disse que tudo o que era marrom era feio e nada no mundo a fazia pensar diferente. Será que não?! É aí que o livro fica MARAVILHOSO pela maneira única e sensível que a Rita faz a filha abrir os olhos e enxergar a beleza de ser como era. Não vou dizer como ela faz isso, pois eu amei descobrir lendo. Só posso dizer que se tornou um dos meus livros queridinhos! 

Eu estava lendo "O Cortiço" para o tema deste mês do DLL 20, mas como Amoras e Flávia e o Bolo de Chocolate também se encaixam no desafio, resolvi continuar lendo O Cortiço, mas não mais para o projeto.


-> DLL 20: Um livro com um personagem negro


14 de abril de 2020

Beleza Impura - Sharon Kendrick

Literatura Inglesa
Título Original: A Tainted Beauty
Tradutora: Angela Monteverde
Editora: Harlequin
Edição de: 2013
Páginas: 183
Série O Dinheiro não Compra Amor - 2/2

19ª leitura de 2020

Sinopse: Ciro D' Angelo queria uma esposa pura como a neve. Ao conhecer Lily Scott, tinha certeza de que ela era a mulher ideal! Porém surpresas surgem na noite de núpcias...


Não sei como começar a falar de tudo o que me tirou do sério neste livro. Ainda não consigo acreditar que realmente li uma "coisa" assim. E nem é possível dizer que o livro é tão "absurdo", com um protagonista extremamente machista, que nos dá asco, por ter sido escrito no século XX ou algum período anterior. Não. O livro é do século XXI. Originalmente publicado em 2012. E tem um dos mocinhos mais escrotos que tive o desprazer de conhecer. E uma mocinha tapada, que ainda considera merecer o tratamento desprezível que recebe dele!!! Faz mais de 24 horas que concluí a leitura, mas sigo furiosa com esta história. Não tem um só personagem que salve este livro! 

Lily é uma jovem de vinte e poucos anos, que pertence à uma família aparentemente com bons recursos financeiros, mas por motivos não totalmente explicados no livro, ela não pôde fazer faculdade e nem teve uma boa educação, se vestindo sempre de maneira bem humilde e um tanto antiquada. Trabalhava desde a adolescência como garçonete (mesmo pertencendo à uma família com dinheiro e certo status) e com o tempo passou a se dedicar a preparar bolos, que eram vendidos no estabelecimento de sua patroa. 

Com a morte de sua mãe, o pai dela (que tudo indica que era amoroso com os dois filhos) voltou a se casar. A madrasta era alguém mais jovem que ele e fazia o tipo "madrasta da Cinderela". Acontece que o pai de Lily faleceu pouco tempo depois do casamento e, ACREDITEM SE QUISEREM, não deixou nada para os dois filhos (????!!!). Tudo foi herdado pela madrasta má: a mansão, todos os objetos de valor (inclusive o colar da mãe da Lily, que valia uma fortuna), ações... Absolutamente tudo. Ele amava os dois filhos, mas inexplicavelmente (isso não é explicado em nenhum momento da história) não se preocupou em deixar nada para eles, considerando a madrasta a única merecedora de herdar os bens. Sendo que o irmão da Lily, ainda por cima, era menor de idade. 

Assim, a pobre Cinderela tem que trabalhar ainda mais para manter o irmão num bom colégio e, de repente, se vê diante da notícia de que sua madrasta má vendeu a mansão de sua família e ela não tem mais onde morar. 

No meio de todos os seus dramas, a mocinha descobre que o comprador é um italiano cheio de si, que ficou "encantado" por ela na primeira vez que a viu e que após convidá-la para jantar acredita que já terá, de primeira, direito ao seu corpo. Sim. Ele a convida para jantar no hotel onde está hospedado, pois queria que ela fosse para a cama com ele logo em seguida. É bem assim mesmo. Não estou inventando. 

Só que Lily não aceita ir para a cama com ele no primeiro encontro e isso é suficiente para Ciro colocar na cabeça que ela era virgem. Sim!!! Só sendo virgem para se recusar a ir para a cama com alguém que ela praticamente não conhecia!!!

Então, ele passa a ver a mocinha como a personificação da "pureza" (ela nunca disse que era virgem. Nunca!) e decide que vai se casar com ela o mais rápido possível, pois não quer que ninguém tire dele o privilégio de ser o primeiro. E aí ele cria todo um ideal em torno da garota. Pensa que ela será a sua esposa "perfeita", tradicional, "do lar", que não trabalhará fora, que será inocente na cama e fora dela, que sempre irá obedecê-lo e, claro, que nunca poderá cortar os cabelos. Ele chega ao cúmulo de fazê-la prometer que jamais cortaria os cabelos, pois não queria que ela fizesse isso. 

E aí temos o casamento relâmpago e a tão desejada noite de núpcias, quando ele percebe que ela não é virgem e faz um show. Fazia tempo que eu não desejava tanto agredir um personagem...

O pior de tudo é a mocinha se sentir culpada por não ser virgem, se sentir culpada por ter frustrado as expectativas dele e aceitar toda a grosseria, os maus-tratos, a canalhice desse verme. Ele chega ao ponto de dizer que ela se vestia como se vestia para enganá-lo (sendo que ela usava aquelas roupas MUITO antes de ele surgir na vida dela) e que "sem roupa" ele a via como ela realmente era. Como assim?!!! De onde esse lixo de personagem saiu?! E mais: diz que depois disso vai se divorciar dela, mas que ela terá que "fingir" um casamento perfeito por seis meses, pois ficaria péssimo para a IMAGEM DELE que o divórcio acontecesse logo depois do casamento. 

E a forma como a Lily tolera tantos absurdos, como fica defendendo as atitudes dele, como o vê como o certo e joga toda a culpa para cima de si mesma... Isso não dá para suportar! Eu senti asco dos dois! 

Quando ela finalmente "acorda" não é convincente e o mocinho não sofre nada por tudo o que fez com ela. O final feliz deles é uma piada. 

Não recomendo! Me arrependi amargamente de ler essa história. 


-> DLL 20: Um livro que comece com a 1ª letra do seu nome 
(meu nome é Bruna, apenas meu pseudônimo é Luna)


31 de março de 2020

A Dama das Camélias - Alexandre Dumas Filho

Literatura Francesa
Título Original: La dame aux camélias
Tradutora: Caroline Chang
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2004
Páginas: 224
16ª leitura de 2020

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: Armand Duval é um jovem estudante de Direito na Paris de meados do século XIX. Jovem recatado, vindo de uma respeitável família burguesa interiorana, apaixona-se por Marguerite Gautier, nada mais nada menos que a mais cobiçada cortesã dos salões e teatros parisienses. Marguerite – vendida, corrompida, perdulária, amante de vários homens – corresponde ao amor do jovem, que provoca uma reviravolta na vida da jovem prostituta. Mas o futuro dos dois amantes enfrenta os mais rígidos obstáculos.
Escrito pelo francês Alexandre Dumas filho a partir da sua experiência autobiográfica com a cortesã Marie Duplessis, A dama das camélias é uma das mais célebres narrativas longas do século XIX – o próprio século de ouro do romance europeu. No livro, lançado em 1848 com enorme sucesso, assim como em toda a sua obra, Alexandre Dumas filho – filho bastardo do autor de O conde de Monte Cristo, Os três mosqueteiros – faz um ajuste de contas com a sociedade que o humilhara. A dama das camélias foi adaptado para o cinema e teatro inúmeras vezes, entre as quais na ópera La Traviata, de Giuseppe Verdi. A engenhosidade da estrutura, a limpidez e beleza do estilo, a honestidade no tratamento de uma das mais antigas facetas da sociedade humana – a prostituição – e a pungência com que desvenda as hipocrisias humanas fazem-na a obra-prima de Alexandre Dumas filho, que ainda hoje se lê de um fôlego só.



Não sei nem como começar a falar deste livro que mexeu tanto com as minhas emoções e me fez ficar um longo tempo refletindo, "viajando" para bem longe do "agora". Fiquei perdida em pensamentos ao final desta leitura, tentando entender como a vida pode nos levar para tão longe dos nossos sonhos. É comum dizerem que a vida é feita de escolhas, que você colhe o que plantou. Mas... Nem sempre isso é verdade. Muitas vezes o destino, ou seja lá que nome você prefira dar, nos aprisiona numa realidade na qual "escolha" é utopia, na qual colhemos não o que plantamos, mas as consequências do que foi plantado por outras pessoas. 

"Exorto o leitor a se convencer da veracidade desta história, da qual todos os personagens, com exceção da heroína, ainda vivem."

Filho bastardo do grande escritor de O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas filho foi afastado da mãe ainda pequeno e matriculado em ótimas instituições de ensino para que lhe fosse assegurada uma boa educação. Se por um lado a dor de sua mãe lhe serviu de inspiração para a criação de suas personagens femininas, por outro lado, o talento de seu pai e os círculos aos quais teve acesso o incentivaram a tornar-se escritor. Em sua juventude, apaixonou-se por uma famosa cortesã com quem manteve um relacionamento por alguns poucos anos, até perceber que seria impossível continuar. Pouco tempo mais tarde, ainda muito jovem, ela veio a falecer de tuberculose e o impacto de sua morte serviu de fonte de inspiração para que o autor escrevesse aquela que se tornaria a sua mais famosa obra: A Dama das Camélias, romance de cunho autobiográfico, que até hoje emociona milhares e milhares de leitores no mundo todo. 

25 de março de 2020

A Megera Domada - William Shakespeare

Literatura inglesa
Título Original: The Taming of the Shrew
Tradutor: Millôr Fernandes
Editora: L&PM Pocket
Edição de: 2013
Páginas: 84 (em e-book)
15ª leitura de 2020

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: Batista é um rico mercador, pai de duas filhas ainda solteiras. Quando ele decide que sua filha mais velha, Catarina, dona de um temperamento forte e uma língua afiada, deve se casar antes de Bianca, os pretendentes da caçula propõem a Petrúquio, rico viajante recém-chegado à cidade, que tente conquistar a megera. Nesta tradução de Millôr Fernandes, o  humor, a poesia, o sarcasmo e o drama do amor de Catarina e Petrúquio não estão apenas intactos e fiéis ao texto original: estão vivos.



A Megera Domada sentiu muita vontade de ser a primeira história no ano para a qual eu daria 2 estrelas. E ela conseguiu o que tanto queria!

Minha relação com as peças de Shakespeare não é das melhores. Mesmo quando li Romeu e Julieta pela primeira vez, na adolescência, tive problemas com o autor. Poucos anos atrás, já adulta, apostei na leitura de Hamlet, acreditando que poderia dar certo... Não deu. Então, pensei que em vez de ler as tragédias escritas por ele, poderia ler suas comédias, em mais uma tentativa de gostar de suas obras. O resultado foi desastroso.kkkkkk... E aí vocês podem pensar: "Ah! Você simplesmente não gosta de ler peças!". O que não é verdade: apreciei muitíssimo a leitura de Édipo Rei, Antígona (maravilhoso!) e Medeia.

*Pode ter spoiler (embora seja um livro clássico e bem conhecido, adaptado várias vezes, inclusive para a TV)

"Catarina: (A Batista) Eu pergunto, senhor, é seu intuito transformar-me em brinquedo desses pretendentes?"

Forte o trecho acima, não acham? Catarina, protagonista desta história, faz essa pergunta ao próprio pai. O trecho me provocou a sensação de que essa jovem já estava cansada de conhecer tantos idiotas e que por isso mesmo ela passou a ser chamada de "megera", entre outros termos pejorativos. Por simplesmente estar cansada de ser vista como objeto (e fonte de riqueza para quem a desposasse, já que levaria um belo dote) e ter resolvido tratá-los da maneira que eles, de fato, mereciam.

A história de Catarina e do traste do Petrúquio está dentro de outra história. O livro começa com um prólogo no qual um homem humilde, que vivia embriagado, vira objeto de piada de um grande nobre, um poderoso entediado que queria se divertir às custas dos outros (e eu não achei nenhuma graça de sua palhaçada). Por ordens dele, o pobre homem é levado para os aposentos do "poderoso" e é preparado um grande "teatro", no qual todos, quando o homem acordasse (ele tinha desmaiado de bêbado) iriam fingir que ele era o soberano, o dono de toda aquela riqueza. Iriam dizer que ele achava que era pobre apenas porque tinha sido vítima de uma doença, de um desvario, uma loucura, que o deixou naquele estado mental, mas que na verdade ele era rico, casado, tinha muitos servos... Enfim... Tudo isso para fazer o homem de idiota. Como todo mundo ali insistiria que ele era o dono de tudo, ele começaria a duvidar de sua própria mente e de suas certezas e acreditaria neles.

E é exatamente o que acontece. Sly acredita naqueles trastes e eles dão continuidade ao joguinho estúpido. No meio disso tudo, chegam uns comediantes que, para entreter os nobres, decidem representar uma comédia, um espetáculo que deveria divertir a todos. E esse espetáculo é justamente a história de Catarina e Petrúquio.

"Sou vendaval e ela que se curve. Sou homem rude; não cortejo ninguém como criança."

Na história de Catarina e do traste, sabemos que ela é intratável e, como eu disse, acredito que a protagonista é assim por estar já sem paciência com tantos homens interesseiros e com o pai tentando empurrá-la como mercadoria. Acontece que ela possui uma irmã mais nova, a bela Bianca, tão doce e delicada, tão linda e sensível, que todo moço quer como esposa. Mas Batista, pai das duas, decide que Bianca não poderá se casar enquanto Catarina for solteira. Não que pareça que ele goste da filha mais velha ou algo parecido. Eu fiquei com a impressão que ele não queria ter que suportar Catarina sem ter Bianca em casa para aliviar seus dias com sua suposta meiguice.

Os pretendentes de Bianca, então, decidem se unir temporariamente para encontrar algum tolo que aceite aquele "demônio" (é assim que se referem à Catarina, pois ela trata todos os homens com muita "gentileza" para não dizer o contrário) como esposa, e o caminho deles fique livre para cortejar a jovem desejada, que estava proibida até mesmo de sair de casa enquanto a mais velha não se casasse.

E eis que surge Petrúquio, homem rude, mas de posses, que tudo que deseja é se casar com uma mulher rica, para poder assim aumentar sua fortuna. Ele não quer saber se ela é bela ou não, muito menos se é meiga ou insuportável, isso porque ele se garante, se julga capaz de domesticar qualquer mulher como se se tratasse de um animal.

"Eu sou aquele que nasceu para domar-te e transformar a Cata selvagem numa gata mansa. Mas, aí vem teu pai: não recuses nada, pois eu quero e terei Catarina como esposa."

Para surpresa de todos nós leitores, apesar de tratar o Petrúquio muito mal, e até mesmo agredi-lo fisicamente, Catarina não resiste quando ele afirma que vai se casar com ela. Ela não luta contra aquela ideia, ela parece aceitar. O que fez eu pensar que algo não estava bem em sua cabeça. Que ela tinha sofrido algum surto momentâneo. Não consegui entender o que se passou com ela. Não era possível que tivesse se apaixonado à primeira vista e acreditado realmente que poderia ser feliz com aquele verme.

O interessante e revoltante, é que Petrúquio percebe o controle que já exercia sobre Catarina e decide humilhá-la antes mesmo do casamento. No dia marcado para a cerimônia, ele se atrasa muito, muito, muito! Para que ela ficasse envergonhada diante dos outros. E como se não bastasse, se veste da pior maneira possível. Os outros chegam a tentar convencê-lo a se trocar, mas ele afirma que vai se casar daquele jeito e ponto final. E após o casamento não permite que ela participe da festa. A leva para sua propriedade e deixa os convidados com o pai dela, pois Catarina não tinha permissão para participar da sua própria festa de casamento. E aí são muitas situações desagradáveis e chocantes.

Petrúquio agride o seu criado na frente dela, para deixá-la nervosa e forçá-la a implorar que ele pare. A deixa sem comer e sem dormir, supostamente "porque a ama" (????!!!) e a ilude fingindo que vai comprar coisas para ela, apenas para fazê-la ver o lindo chapéu e vestido para depois inventar uma desculpa qualquer para não permitir que ela tenha nada daquilo. Ele joga com o emocional dela o tempo inteiro e usa os criados para ajudá-lo em suas crueldades. Para ter o mínimo de paz, Catarina é obrigada a fazer o que ele quiser. Se ele diz que o sol na verdade é a lua, ela tem que concordar, senão não terá paz. Se ele disser que o céu é verde, então tem que ser verde para ela. Onde que não há abuso nesta história??? Nem todo abuso é físico. Petrúquio abusa psicologicamente da Catarina a história inteira. E o que senti vontade foi de mandar a história para o quinto dos infernos.

"Meu falcão agora está faminto, de barriga vazia. E, enquanto não ficar bem amestrado, não mandarei matar a sua fome. Assim, aprenderá a obedecer ao dono."

No trecho acima o traste está falando da Catarina. Não sei como ela, que parecia tão forte e decidida, pôde cair numa armadilha como era este casamento. É algo que foge a minha compreensão. Pior é o autor dar a entender que o casamento dá certo e que ela é feliz nesta relação. O monólogo dela ao final da história é chocante. E embora existam estudiosos, especialistas e leitores que acreditam que havia muita ironia ali (e eu, de certa forma, concorde que foi uma fala bem irônica), como se Catarina quisesse dizer "finjam que obedecem enquanto os homens acham que mandam", não deixa de ser um trecho problemático. Porque quando lembramos de tudo o que passou nas mãos dele, ficamos com a certeza que aquela foi a forma que ela encontrou de ter alguma paz e "espécie" de felicidade na relação. E isso não é engraçado, mas sim muito triste.

Imagino que Shakespeare teve seus motivos para escrever esta história. Possivelmente teve a intenção de criticar a sociedade da época (século XVI), os costumes, enfim... Mas eu não gostei do livro. Só não dei 1 estrela (uma estrela significa ruim; duas estrelas "livro regular") porque reconheço que a história flui bem, que é envolvente, bem escrita, que algumas cenas chegam a divertir e de modo geral, se você conseguir ignorar todo o problema dessa relação abusiva, pode agradar muitos leitores.

Quando criança, eu assisti "O Cravo e a Rosa", uma novela que eu lembro de ter amado muito e que foi inspirada neste livro. Não consigo lembrar da novela em si, mas apenas do sentimento que eu tinha por ela, que era de amor e que eu me divertia com a história dos protagonistas. E ao ler A Megera Domada e me revoltar tanto com toda a crueldade do Petrúquio, fiquei tentando recordar cenas da novela, para ver se minha mente de criança na época não percebeu essas violências ou se a história na novela foi contada de maneira diferente. Infelizmente, não consigo lembrar.


29 de fevereiro de 2020

Falsa Acusação: Uma História Verdadeira - T. Christian Miller e Ken Armstrong

Título Original: A False Report: A True Story of Rape in America
Tradutora: Daniela Belmiro
Editora: Leya
Edição de: 2018
Páginas: 336
12ª leitura de 2020
Vencedores do Prêmio Pulitzer

*Lido no Kindle Unlimited

Sinopse: Um livro eletrizante, importante e perturbador, Falsa acusação é baseado numa história real e num artigo vencedor do Prêmio Pulitzer de jornalismo investigativo, que foi publicado no site de uma ONG na internet e viralizou em questão de horas. Como num episódio de Law & Order, os jornalistas T. Christian Miller e Ken Armstrong acompanham o trabalho incansável e a dedicação de duas detetives para colocar um estuprador em série na cadeia e dar voz às suas vítimas – fazendo também uma análise da maneira ultrajante como as mulheres são tratadas quando denunciam casos de violência sexual.


Eu não sei, realmente não sei, como falar deste livro. De um livro que já tem lugar entre os meus favoritos do ano (e da vida) e que me deixou tão destroçada. Com uma sensação de vazio, de revolta, de medo... de injustiça. Sei que há justiça no final (se trata de uma história real, então, não venham falar que é spoiler, por favor!), mas não para todas. Muitas e muitas vítimas de estupro nunca conseguem a justiça merecida. Nunca. E ver tudo isso neste livro acabou comigo. Minhas emoções estão uma bagunça só e me sinto realmente muito mal. Já não tenho nem mais forças para chorar.

Antes de tudo, ressalto que se trata de uma história real. E que existem inúmeros "gatilhos". Neste livro, através do brilhante trabalho de dois jornalistas, que resolveram levar a público a história dessas vítimas e de toda a investigação (e a falta dela) para pegar o estuprador, conheceremos de modo bastante próximo do leitor, as mulheres que foram atacadas por Marc O'Leary, um pouco de suas vidas e de todo o terror que viveram. E mais: os jornalistas se dedicaram ainda a mostrar as raízes históricas das falhas ocorridas nas investigações em Washington, que remontam à "ensinamentos" deixados por um juiz que viveu no século XVII, que foi responsável inclusive pela execução de mulheres julgadas e condenadas por serem "bruxas". É incrível como um passado tão distante pode ainda provocar consequências tantos séculos depois... E como o trabalho para conscientizar a população e capacitar investigadores e autoridades envolvidas no julgamento de crimes sexuais é contínuo, não pode parar. Quanto mais pessoas trabalham em prol das vítimas, dos seus direitos, mais e mais pessoas precisam continuar, é algo que nunca chegará ao fim. Porque ainda existe muito machismo e ceticismo, muita gente que prefere duvidar ou culpar as vítimas.
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