30 de março de 2021

Um carinho na alma - Bráulio Bessa


Literatura Brasileira
Editora: Sextante
Edição de: 2019
Páginas: 157

9ª leitura de 2021 (9ª resenha do ano)

 Sinopse: Depois de conquistar o coração dos brasileiros com sua Poesia que transforma e passar mais de um ano entre os autores mais vendidos do país, Bráulio Bessa volta a nos brindar com poemas que, como de hábito, nos fazem pensar e nos fazem sentir.

Sempre fiel às suas raízes, mas trazendo novidades, em Um carinho na alma o poeta cearense amplia a gama da sua poesia, indo além do cordel tradicional mas sem jamais abandoná-lo. Seus versos falam sobre os temas que pontuam sua obra, como o amor, a esperança e a amizade, mas também a seca, a injustiça e a falsidade, produzindo as rimas inspiradas que nunca deixam de levar um sorriso aos lábios.

Além de poeta, Bráulio é também um grande contador de histórias. Por isso, além dos poemas, o livro traz relatos de sua infância em Alto Santo, da vivência com a família e os amigos, e de suas andanças de norte a sul do Brasil, abraçando e falando com o povo que tanto lhe prestigia.

 


Quando comecei a ler Um carinho na alma, não imaginei que o livro fosse me emocionar tanto. Que fosse me tocar tão profundamente. Foi um retorno ao meu passado. Ler estes poemas foi viajar para lugares tão bons e tão distantes! Foi visitar a saudade que, na verdade, nunca me deixa só. Saudade de um período muito diferente do que vivemos hoje. Saudade de infância, de pessoas que ficaram pelo caminho, mas que marcaram muito a minha vida. Estou escrevendo e chorando, pois foi isso que o poeta provocou: lágrimas. A cada poema. Foram raros os que não me fizeram chorar. Mas não trocaria estes momentos. Porque lê-los me fez bem. Lembrar de momentos que nunca retornarão dói muito, mas ao mesmo tempo faz bem para a alma. 


Difícil dizer qual dos poemas presentes neste livro mais me tocou. Todos me emocionaram! O poeta escreve com o coração, com tanto sentimento que é como se as emoções saltassem das páginas. E são poemas autobiográficos (parte deles são), que falam de seu próprio passado, da infância e juventude, de familiares amados, de momentos que passam por suas lembranças. 


"Quando o tempo feroz acelerar
desviando da nossa juventude,
não há nada a fazer para que mude,
não há freio no mundo para frear.
O ponteiro insiste em não parar,
pro relógio todos nós somos iguais.
Pai e mãe são eternos, mas mortais,
é saudade que se torna oração."
[Trecho do poema Os cabelos prateados dos meus pais]

Talvez ler este livro no momento atual, com a pandemia tão grave e tantos recordes de mortes, tenha feito minhas emoções ficarem ainda mais à flor da pele. Ver as notícias tem me feito entrar em pânico. Em desespero. Hoje ao sentar para assistir o jornal eu não aguentei. É angustiante. Não sabemos o que o amanhã nos reserva, mas em nenhum outro momento da minha vida senti tanto medo do amanhã. Estamos vivendo um período muito incerto e isso faz eu me agarrar ainda mais à minha família, lembrar muito do passado. Teve um poema do autor que me rasgou o coração, pois ele falou de sua avó, de quando ela estava partindo. Que ela quis comer goiaba e isso me levou dezenove anos atrás, quando minha avó, que também estava indo embora por causa de um câncer, desejou a mesma fruta. E não podia comer. Ela foi embora com o desejo de comer goiaba. Este poema atingiu tão fundo em mim. E ainda por cima, no finalzinho dele, o autor fala do alívio de saber que sua avó teve várias pessoas para segurar sua mão na hora do fim. Isso nos destroça porque esse vírus maldito, que está levando milhões de pessoas no mundo, impede a despedida. Impede que você possa segurar a mão do seu ente querido, de estar com ele nesse momento tão doloroso. Talvez este tenha sido o poema que mais me fez em pedaços. 

"A dor foi terrível. A saudade é valente e latente. Mas saber que, no último suspiro de vida da vovó Maria, tanta gente segurou em sua mão, foi um pingo de felicidade naquela chuva de tristeza."
[Trecho do poema Goiaba tem cheio de vida]

Com palavras simples, mas que acertam em cheio o coração, Bráulio Bessa faz magia. Te faz reviver momentos. Como se eles de fato estivessem acontecendo. É uma viagem agridoce. Me entreguei totalmente à leitura, às emoções. No fim queria recomeçar. Ler tudo outra vez. E com certeza preciso ler tudo o que ele já publicou. Me tornei sua fã. Uma fã profundamente apaixonada por sua escrita tão simples e tão emocionante. 

Além dos poemas autobiográficos, o autor também fala de outros assuntos e "conta histórias", inclusive fechando com chave de ouro o livro com um poema intitulado A lição que a morte deu, que fala de um patrão muito cruel e um empregado que morreu para salvar a vida dele. E aí o poeta prossegue falando do que aconteceu após o fim deles na Terra e eu simplesmente amei este poema! Ele fala das injustiças deste mundo e da justiça de Deus. Me lembrou um pouco a parábola do Rico e Lázaro.

"Depois da viagem feita
pro mundo espiritual,
o lugar que deixa claro
quem é do bem ou do mal, 
fica tudo evidente, 
a justiça é transparente
e nunca é manipulada.
É a hora da verdade
em que toda a humanidade 
um dia será testada."
[Trecho do poema A lição que a morte deu]


Se recomendo este livro? Sem pensar duas vezes! Simplesmente leiam!!!



-> DLL 21: Um livro que termine em um dia 




29 de março de 2021

Como Deus cura a dor - Mark W. Baker



Título Original: How God Heals Hurt
Tradutora: Cynthia Azevedo
Editora: Sextante
Edição de: 2008
Páginas: 208

8ª leitura de 2021 (8ª resenha do ano)

Sinopse: "A felicidade não exclui o sofrimento, porque ele é inevitável. A felicidade depende da maneira como vamos sofrer. Foi isso que Jesus ressaltou em sua própria vida. Evitar o sofrimento não nos leva a uma vida mais feliz, mas a forma de enfrentá-lo conduz a uma vida mais significativa. " - Mark Baker

Autor de Jesus, o maior psicólogo que já existiu (900 mil exemplares vendidos no Brasil), Mark Baker mostra em seu novo livro como a trajetória de Jesus pode servir de inspiração para superarmos nossas dificuldades, traumas e sofrimentos.

Formado em Psicologia e em Teologia, com vasta experiência clínica como terapeuta, o autor estuda há 25 anos os sentimentos das pessoas e a maneira como elas reagem às oito emoções básicas que norteiam nossas vidas: sofrimento, medo, ansiedade, tristeza, culpa, raiva, felicidade e amor.

Suas conclusões deram origem a Como Deus cura a dor, um valioso instrumento de crescimento pessoal e de transformação. Analisando histórias de dezenas de pacientes sob o ponto de vista psicológico, Baker ensina como é possível lidar com o sofrimento associando o tratamento médico à sabedoria da Bíblia.

Com um profundo efeito terapêutico, este livro vai aumentar nossa fé no poder curativo de Deus e, assim, nos ajudar a atravessar os períodos difíceis da nossa jornada.



Fazia mais de um ano que eu estava lendo este livro. Precisamente desde outubro de 2019. Até já tinha lido algumas páginas antes disso, mas foi naquela data que reiniciei a leitura, mantendo-o como companhia ao longo de todo esse tempo, como livro para os momentos em que eu precisava de conforto. De uma palavra amiga, de uma esperança. Assim, eu o lia em doses homeopáticas. 

Não posso dizer que ele funcionou em todos os momentos de dor, mas na maioria sim. Não me dando nenhuma fórmula especial para escapar dos sofrimentos da vida, mas sim servindo como algo que me trazia de volta para mim mesma. Para o meu interior, minhas emoções. E encontrando auxílio de Jesus nas palavras que me confortavam. 

É um livro perfeito? Não. Tem alguns problemas. Mas de modo geral me fez muito bem. E era isso o que eu buscava neste livro: algo que fizesse eu me sentir tranquila, bem, em paz. 

Esta não foi minha primeira experiência com o autor. Li anos atrás Jesus, o maior psicólogo que já existiu e foi uma leitura tão maravilhosa que quando soube da existência de Como Deus cura a dor o quis imediatamente. Sem precisar pensar duas vezes. Do mesmo modo que adquiri O poder da personalidade de Jesus antes de concluir esta leitura aqui. Eu gosto da escrita do autor. Bem mais do que da do Augusto Cury, que é sim um ótimo autor, mas que não provoca em mim o mesmo efeito que as palavras dele. 

Vocês sabem que resenhas de livros de autoajuda não são frequentes aqui no blog, o que não significa que eu tenha algo contra este tipo de literatura. Não tenho e costumo adquirir autoajuda que contém temática religiosa, pois sou cristã e é uma literatura que me agrada, que me faz bem. Não trago resenhas desses livros com frequência porque costumam ser leituras muito pessoais. Gosto da relação exclusiva entre livro e leitora quando mergulho neste gênero e prefiro manter apenas dentro de mim tudo o que o livro me provocou. Porque é um momento em que me desligo de tudo e me ligo ao meu interior. 

Mas eu senti vontade de falar de Como Deus cura a dor. Simplesmente senti vontade. Não o considero maravilhoso como o anterior que li do autor, mas, como eu disse, gostei muito, me fez bem

Neste livro, através de sua experiência como terapeuta e sua formação em psicologia e teologia, o autor vai abordar os diversos tipos de dor sentidas pelos seres humanos em algum momento de suas vidas. E a maneira como reagimos diante delas. Se as dores nos fazem nos tornarmos pessoas melhores ou se nos empurram para baixo e para uma vida de amargura e medos. 

"O sofrimento é uma força poderosa. Não conseguiremos evitá-lo, mas poderemos escolher a direção em que ele nos levará."

Fácil falar, não é mesmo? O autor não diz que é fácil escolher o que o sofrimento, inevitável nesta vida, vai fazer com a gente. Não é nada fácil superar uma dor. Muitas vezes se passam anos, muitos anos e a dor ainda está ali, afetando nosso presente, nossas relações, nossa saúde mental. E a culpa não é nossa. Mas somos sim (cada um de nós) capazes de lutar contra as consequências da dor. Mesmo quando estamos no fundo do poço, acreditando que chegou o fim e que nada nunca vai melhorar. Até mesmo nesses momentos tão horríveis, seguimos tendo dentro de nós a capacidade de levantar. E é importante acreditarmos nisso, acreditarmos em nós. 

"A negação é uma tentativa de afastar o sofrimento. É um mecanismo de defesa psicológica, geralmente inconsciente, que usamos para nos proteger de sentimentos dolorosos. [...] A negação pode ser uma forma de fingir que não estamos sofrendo."

Eu costumo apreciar muito a maneira como o autor toca em temas delicados, como transtornos mentais e emocionais, depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, entre tantos outros. Eu estou lendo um livro do Augusto Cury chamado Armadilhas da Mente, que começou muito bem, mas depois foi ladeira a baixo. Estou quase na metade da leitura, mas não acredito mais que aquele livro consiga se salvar. O autor abordou o tema da depressão e da ansiedade, que são muito delicados para mim, de uma forma muito problemática. Que me fez mal. Ele era um autor que eu admirava, mas depois do que já li naquela história, perdeu muitos pontos comigo. Só ainda não abandonei o livro de vez porque preciso saber o que ele ainda fará na história. E aqui eu fiz a comparação porque o autor de Como Deus cura a dor não costuma me causar esse "incômodo", motivo pelo qual gosto de ler os livros dele.

"Perceber que você não é Deus e que precisa de alguém para ajudá-lo é um sinal de força, não de fraqueza."

Este é um livro que mistura psicologia e religião, então, se você não é cristão provavelmente vai se sentir incomodado com as referências bíblicas, os trechos selecionados como abertura para cada tema e a forma como o autor faz essa conexão, colocando Deus em tudo no livro. O título não foi escolhido ao acaso, claro. Leia ciente disso para não se decepcionar. O livro fala dos tipos de dor, ilustra cada tema com situações vividas neste mundo real no qual todos estamos. Mas sobretudo fala de como Deus, diariamente, nos ajuda a curar as dores que não podemos curar sozinhos. 

"A depressão distorce nossa visão das coisas. É inevitável. Quando estamos deprimidos, os pensamentos se tornam pessimistas. Apesar de todo o esforço, você pensa de modo negativo, o que o deixa ainda mais deprimido. A depressão já é penosa, mas ter de lutar contra os próprios pensamentos pode ser insuportável."

Eu já comentei com vocês antes que luto contra a depressão e o transtorno de ansiedade generalizado. Meu martírio é principalmente a ansiedade, que quando ataca me faz ficar depressiva. E nem sempre isso passa rápido. Já cheguei a ficar um mês inteiro tendo uma crise de ansiedade atrás da outra e mergulhada numa depressão que fazia com que eu não encontrasse paz em nada. Como se vivesse um inferno dentro de mim e nunca fosse sair daquela situação. Mas sempre passa. E é esse pensamento que eu gosto de alimentar dentro de mim. Para que quando a crise vier eu lembre, mesmo lá no fundo, que vai passar. Do mesmo jeito que veio, vai embora. E claro que eu faço tratamento psicológico. É essencial. 

Se você sofre de depressão ou ansiedade, ou qualquer outro problema emocional/mental procure ajuda profissional. Nunca deixe de procurar ajuda! O Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente pelo telefone, chat ou e-mail. São voluntários dispostos a ouvir de maneira anônima. Não substitui um psicólogo ou psiquiatra, mas serve como uma ajuda para desabafar num momento de dor. Eu já recorri ao Centro de Valorização da Vida. O número é o 188. Sempre fui muito bem atendida. Todas as vezes que precisei conversar, geralmente em prantos, era tratada de maneira humana. 

"Quando perdemos a esperança, deixamos de acreditar que coisas boas possam acontecer conosco."


O livro é dividido em oito capítulos, sendo eles: Dor & sofrimento; Medo; Ansiedade; Tristeza; Culpa & vergonha; Raiva; Felicidade; Amor. E cada capítulo é subdividido em vários temas. Eles são ilustrados com situações pelas quais o autor passou como terapeuta e também como pastor numa universidade. Nos identificamos com alguns casos de pacientes, alguns sentimentos e experiências vividas por eles. Porque são coisas muito reais, comuns aos seres humanos. Mas cada pessoa passa por determinada situação na vida de forma muito individual, pois cada dor é única. Ninguém tem o direito de "medir" a dor do outro com base na sua. O que você consegue enfrentar de uma maneira não significa que o outro é obrigado a enfrentar igual. 

Eu gostei muito desta experiência de leitura. E este ano ainda, se Deus quiser, pretendo começar a ler O poder da personalidade de Jesus




-> DLL 21: Um livro de sua cor favorita na capa



23 de março de 2021

Sentimento do Mundo - Carlos Drummond de Andrade


Literatura Brasileira
Editora: Companhia das Letras
Edição de: 2012
Páginas: 95 (e-book)

7ª leitura de 2021 (7ª resenha do ano)

Sinopse: Publicado em 1940, Sentimento do mundo permanece, tantos anos depois, ainda um dos livros mais celebrados da carreira de Drummond. Não é para menos: o livro enfileira poemas clássicos como "Sentimento do mundo", "Confidência do Itabirano", "Poema da necessidade" - é possível que versos do livro inteiro tenham sido impressos no inconsciente literário brasileiro, tamanha é sua repercussão até hoje. Já estabelecido no Rio e observando o mundo (e a si mesmo) de uma perspectiva urbana, o Drummond de Sentimento do mundo oscila entre diversos polos: cidade x interior, atualidade x memórias, eu x mundo. Perfeita depuração dos livros anteriores, este é um verdadeiro marco - e como se isso não bastasse, é o livro que prepara o terreno para nada menos do que A rosa do povo (1945). Por isso a ênfase, ao longo de todo o livro, na vida presente.



É muito difícil escrever uma resenha sobre poesia; sempre foi. Mas é muito mais difícil eu não apreciar a leitura de um livro do gênero. Infelizmente, foi o que aconteceu com Sentimento do Mundo, primeiro livro que leio do Carlos Drummond de Andrade. 

Embora existam sim alguns trechos que me fizeram refletir, que li mais de uma, duas vezes por ter gostado muito, o livro como um todo não me cativou. E isso me surpreendeu bastante, pois lembro de já ter "esbarrado" em alguns poemas dele ao longo da vida e ter me sensibilizado, ter me emocionado com sua escrita. O que me faz pensar que escolhi o livro errado, já que Drummond possui "fases" e minha personalidade provavelmente teria amado ler um dos seus escritos de uma fase mais melancólica e introspectiva. 

Pelas resenhas de poesias que já fiz e o fato de minha poetisa preferida ser a Florbela Espanca, vocês podem ter uma noção de que amo poemas que "me rasgam o coração", que me fazem chorar, que tocam em feridas e me provocam identificação. O poema tem que tocar minha alma. Se isso não acontece, acaba sendo uma leitura perdida para mim. Tempo perdido. 

"Um verme principiou a roer as sobrecasacas indiferentes 
e roeu as páginas, as dedicatórias e
mesmo a poeira dos retratos. 
Só não roeu o imortal soluço de vida que rebentava
que rebentava daquelas páginas." 
[Trecho do poema Os Mortos de sobrecasaca]

Em Sentimento do Mundo, originalmente publicado em 1940, temos uma coletânea de 28 poemas do autor; poemas estes que passeiam por diversos assuntos, incluindo as guerras e as mortes causadas por elas; inquietações sobre o tempo e as transformações que estavam em andamento. O poeta aborda assuntos sim muito importantes e reflexivos, mas, como eu disse, seus poemas não conseguiram tocar minha alma, me atingir por completo. Existiam trechos que me tocavam, mas nunca um poema por inteiro, entende? Não existe um só entre os 28 que eu tenha amado do começo ao fim. 

"Também a vida é sem importância. 
Os homens não me repetem
nem me prolongo até eles,
A vida é tênue, tênue. 
O grito mais alto ainda é suspiro, 
os oceanos calaram-se há muito."
[Trecho do poema Canção de berço]


Tenho outros livros do poeta em meu Kindle e pretendo dar uma chance a outro de seus escritos ainda este ano. Não desisti do autor. Tenho certeza que vou encontrar o livro dele que me conquistará e se tornará um favorito. 



-> DLL 21: Um livro de literatura nacional 

 

17 de março de 2021

A Garota do Lago - Charlie Donlea


Literatura norte-americana
Título Original: Summit Lake
Tradutor: Carlos Szlak
Editora: Faro Editorial
Edição de: 2017
Páginas: 296

6ª leitura de 2021 (6ª resenha do ano)

Sinopse: ALGUNS LUGARES PARECEM BELOS DEMAIS PARA SEREM TOCADOS PELO HORROR...


Summit Lake, uma pequena cidade entre montanhas, é esse tipo de lugar, bucólico e com encantadoras casas dispostas à beira de um longo trecho de água intocada.
Duas semanas atrás, a estudante de direito Becca Eckersley foi brutalmente assassinada em uma dessas casas. Filha de um poderoso advogado, Becca estava no auge de sua vida. Era trabalhadora, realizada na vida pessoal e tinha um futuro promissor. Para grande parte dos colegas, era a pessoa mais gentil que conheciam.

Agora, enquanto os habitantes, chocados, reúnem-se para compartilhar suas suspeitas, a polícia não possui nenhuma pista relevante. 

Atraída instintivamente pela notícia, a repórter Kelsey Castle vai até a cidade para investigar o caso.

... E LOGO SE ESTABELECE UMA CONEXÃO ÍNTIMA QUANDO UM VIVO CAMINHA NAS MESMAS PEGADAS DOS MORTOS...

A selvageria do crime e os esforços para manter o caso em silêncio sugerem mais que um ataque aleatório cometido por um estranho. Quanto mais se aprofunda nos detalhes e pistas, apesar dos avisos de perigo, mais Kelsey se sente ligada à garota morta.

E enquanto descobre sobre as amizades de Becca, sua vida amorosa e os segredos que ela guardava, a repórter fica cada vez mais convencida de que a verdade sobre o que aconteceu com Becca pode ser a chave para superar as marcas sombrias de seu próprio passado...



Esta é uma resenha que eu realmente acreditei que não fosse escrever. Mesmo agora enquanto estou sentada na frente do computador, com a intenção de finalmente colocar em ordem meus pensamentos sobre a história, ainda não sei se conseguirei escrever algo coerente. E nada disso é culpa do livro, mas dos problemas que estou enfrentando (problemas de saúde na família) e que afetaram até meu prazer pela leitura. Os livros sempre funcionaram como refúgio na minha vida, mas são tantas coisas ao mesmo tempo que nem a leitura está conseguindo me tranquilizar, me dar a paz que sempre deu. 


Terminei de ler este livro já faz cerca de duas semanas e é sempre difícil falar de uma história depois que passou tanto tempo. Mas o li numa leitura coletiva e ontem consegui umas horas de "respiro" para fazer o debate com os outros leitores. Isso serviu para refrescar também minha memória sobre os acontecimentos do livro e considerar tentar escrever a resenha. Eis aqui minha tentativa.rs


Becca Eckersley era uma linda estudante de direito de vinte e dois anos, cursando a pós-graduação, como era desejo de seus pais, que sonhavam em ver a filha ser bem-sucedida na vida. Agradável, sorridente e gentil, mantinha fielmente seu núcleo de amizades conquistada logo no início da faculdade, e que não admitia a entrada de nenhum novo membro, por mais que eles tivessem outros amigos "por fora". O quarteto inseparável era composto por Becca, Gail, Brad e Jack, e causava admiração nos demais estudantes que entre eles não houvesse nenhum romance, pois era inviável que homens e mulheres conseguissem ser apenas amigos, ainda mais convivendo de maneira tão próxima (era comum as meninas dormirem, apenas dormirem, com os meninos em seu apartamento ou vice-versa) e compartilhando segredos e todos os momentos importantes. 


Todos os quatro tinham grandes planos para o futuro. Terminariam a faculdade com ótimas notas, cursariam a pós-graduação, alcançariam todo o sucesso sonhado. Mas tudo terminou de maneira violenta para Becca, na noite do dia em que chegou na casa de férias de seus pais, para passar um período sozinha, dedicado exclusivamente aos estudos. Naquela noite, após voltar de um café e passar algumas horas sentada na cozinha estudando, ela abriu a porta para o seu assassino. Para o homem que destruiria sua vida. Que a violentaria e agrediria, deixando-a largada para morrer, numa casa em que ela tinha vivido tantos momentos bons. Num lugar que ela considerava um refúgio. Jamais poderia imaginar que iria até ali apenas para ser assassinada. E muito menos que seria por ele... por alguém em quem confiava. 


"Ao longe, uma sirene ecoou na noite, baixinha no início, e depois, mais alta. A ajuda estava chegando, embora ela soubesse que era muito tarde."


A história começa de maneira brutal, com a cena da morte de Becca, assassinada em 17 de fevereiro de 2012. Quando eu disse que ela foi assassinada por alguém que conhecia e em quem confiava, é porque o livro deixa isso claro para a gente, logo nas primeiras páginas, pois ela sorri ao vê-lo aparecer, desliga o alarme e abre a porta para ele entrar. Era alguém de quem ela jamais esperaria uma traição tão grande, o que torna tudo pior para nós leitores. Porque nos apegamos muito à Becca e sentimos como se fosse com a gente a traição que ela sofre. Fico imaginando como seu coração despedaçou enquanto era atacada por alguém que ela deixou entrar, por alguém em quem tanto confiou. Sempre digo que a traição é o pior dos pecados. É da traição que parte todo mal. 


Após a cena de sua morte, o livro passa a intercalar presente e passado. No presente, duas semanas após o assassinato dela, conhecemos Kelsey Castle, uma jornalista que lidava com os próprios demônios e que foi enviada para a pequena cidade de Summit Lake para escrever sobre aquele chocante crime. Seu chefe não esperava que ela fosse enfrentar tantas complicações ao chegar ao local, incluindo tentativas misteriosas da polícia de abafar o crime e impedir qualquer pessoa de se aproximar da verdade. Tudo era muito estranho e a insistência das autoridades de que se tratava de um roubo seguido de morte era patética e surreal, pois a brutalidade do assassinato e o fato de apenas a bolsa de Becca ter sido levada (quando existiam muitos objetos de valor na casa) colocava em sérias dúvidas aquela tese. 


Ao mesmo tempo em que acompanhamos a luta de Kelsey para contar a história daquela jovem, cuja vida foi interrompida de maneira tão horrível, o autor nos leva ao passado de Becca, quatorze meses antes de sua morte, nos dando a oportunidade de conhecê-la, e de sofrer ainda mais por um destino que não poderíamos evitar. A vontade que temos é de mudar os acontecimentos, de avisá-la para não abrir a porta, de gritar que ela seria traída por alguém que amava. Queremos impedir sua morte, mesmo sabendo que é impossível. E o autor parte dos quatorze meses anteriores à tragédia e vai se aproximando, com o desenrolar da história, da noite de sua morte, para dessa vez revelar quem era o assassino. Essas cenas só se passam no final, claro, mas a repetição das cenas, só que com mais detalhes, causa uma imensa angústia em nós leitores, que somos obrigados a reviver aquele momento, sabendo como tudo terminaria. Isso nos causa muita tristeza.


O autor conseguiu escrever uma história tocante, abordando um tema muito real em nosso país e no mundo: o feminicídio. Mais uma vez digo que não estou falando demais, não é spoiler, pois são conclusões que qualquer leitor consegue tirar das primeiras páginas. Becca foi morta em razão de seu gênero. Foi brutalmente estuprada, agredida e deixada agonizando como se fosse um nada, como se sua vida fosse insignificante. Simplesmente por ser mulher. E isso fica completamente claro na cena inicial do livro, a cena em que ela é atacada e assassinada. 


A partir daquela cena, antes mesmo de conhecer seu passado, começamos a criar teorias. Quem seria o assassino? O pai, o irmão, algum outro parente, algum amigo, um namorado ou ex-namorado? Sabemos que era alguém em quem ela confiava muito e que sabia que ela estaria ali naquela noite. Alguém de quem ela não tinha medo. Que recebeu de braços abertos, sem jamais imaginar as intenções daquela pessoa. 


Digo que não é nada difícil descobrir quem é o desgraçado que a matou. O autor aponta para determinada direção e temos A CERTEZA de que foi tal pessoa. Sabe o que é não ter nenhuma dúvida de que tal pessoa foi o assassino? O autor nos joga na direção do monstro... apenas para confundir nossa cabeça depois. Ele provoca uma reviravolta interessante (e muito inteligente), fazendo com que descartemos nossa teoria e pensemos em outros suspeitos. E a surpresa acaba sendo grande no final. E nos faz refletir também sobre decisões que tomamos e que podem se voltar contra nós. Às vezes ajudamos sem esperar nada em troca. Ajudamos por amor, por nos colocarmos no lugar da outra pessoa. E ajudar é algo maravilhoso, claro. Nosso dever como seres humanos, de não olharmos apenas para nosso umbigo. Só que... às vezes temos que pensar antes de confiar. Antes de sairmos estendendo a mão. Porque pode acontecer de estendermos a mão para alguém que vai nos jogar no abismo depois. 


Este livro mexeu muito comigo e apreciei bastante a leitura como um todo, embora tenha sentido bastante angústia. Mas não pude dar cinco estrelas nem favoritar, pois por mais que seja um livro bem escrito e super envolvente, possui falhas evidentes. A história começa muito bem e de repente fica um tanto parada, apostando em repetições de pensamentos e diálogos que frustram um pouco o leitor. Mas esse não é nem o pior dos problemas, mas sim algumas pontas soltas e a forma como não conseguimos nos conectar com a Kelsey. 


O autor tinha a intenção de contar a história de duas mulheres, ligadas por um pesadelo em comum. Só que ele se concentra tanto na Becca e em nos fazer sofrer por ela, que esquece completamente da Kelsey. Ela parece estar ali apenas para solucionar o crime, quando percebemos pelo desenvolver da história que o autor queria que ela fosse protagonista também, mas não conseguiu nos conectar, nos fazer ter alguma ligação com a personagem. E não fui a única a sentir isso; como eu disse, li o livro numa leitura coletiva e os outros leitores também perceberam esse problema na história. É triste, pois a Kelsey tinha muito potencial e, infelizmente, não conseguimos sentir absolutamente nada por ela. 


Outro problema, tão grande quanto este, foi o fato de o autor, para desviar nossa atenção do assassino, criar situações que ficaram sem explicação, sem sentido. Determinados personagens agem de certa forma, mas no final não há nenhuma explicação. Ficaram pontas soltas, entende? Ficamos nos perguntando quais foram os motivos e a única conclusão é que o autor fez tal escolha apenas para nos desviar, só que ao deixar coisas importantes sem resposta, ele acabou prejudicando um pouco um livro que é muito bom. Mas creio que este é seu livro de estreia e para uma primeira história, sem dúvidas, ele arrasou! Então, crio ainda mais expectativas em relação aos seus próximos livros, que já quero ler!



-> DLL 21: Um livro que comprou pela capa



13 de março de 2021

O Castelo de Otranto - Horace Walpole


Literatura Inglesa
Título Original: The Castle of Otranto
Tradutor: Oscar Nestarez
Editora: Escotilha
Edição de: 2019
Páginas: 111 (e-book)

5ª leitura de 2021 (5ª resenha do ano)

Sinopse: O LIVRO QUE AJUDOU A FUNDAR O GÓTICO E O TERROR MODERNO

"Um conjunto de vívidos personagens ao estilo Harry Potter, aventuras sobrenaturais em cofres e adegas e eventos surpreendentes e inexplicáveis." – Telegraph


O principado de Otranto é governado pela família de Manfredo, herdeiro do título de príncipe e também de uma profecia. E, por causa disso, obcecado com sua linhagem – a única maneira de manter seu poderio. No entanto, às vésperas de concretizar o casamento de seu filho, estranhos fenômenos passam a assolar o castelo, culminando num terror sem fim.


Um clássico não se torna clássico à toa. E "O castelo de Otranto" é prova disso. Aqui nasce o pilar do gótico, do sobrenatural e do horror, responsável por influenciar nomes como Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft e Bram Stoker.


Esta edição, fielmente traduzida pelo autor e pesquisador Oscar Nestarez (que também é colunista da Revista Galileu), conta com extras como nota da editora, introdução do editor clássico e prefácios para a primeira e segunda edições.




Durante quase toda minha vida eu nem sabia que este livro existia. Foi somente há uns dois ou três anos que ouvi falar dele pela primeira vez e fiquei bem interessada, por ser considerado o fundador da literatura gótica, inspirando autores como Edgar Allan Poe e Bram Stoker. 

A minha curiosidade falou bem alto e resolvi dar uma oportunidade a este clássico. Confesso que com muitas expectativas, mesmo sem querer esperar demais. Sobretudo porque ainda não é um gênero que estou habituada a ler, ainda mais quando envolve "fantasmas" e outros elementos sobrenaturais. Sigo sendo muito medrosa.kkkkkk

Mas iniciei a leitura... e me surpreendi com a narrativa fácil e que fluía tão bem. Porém, o que a escrita do autor tinha de envolvente, seus personagens tinham de absurdos. Uns capazes das maiores maldades por terem poder para brincar com a vida das pessoas; e o que mais me irritava nesses vilões era a intromissão do autor na história, nos apontando motivos para justificá-los e compreender o imperdoável. Já outros personagens queriam ser santos e se sujeitavam a tudo, o que também tornou a história intragável para mim. Eram dois extremos que explodiriam com qualquer história: personagens cruéis livres para fazer o que quisessem, pois os bons nem sequer lutavam contra eles. O desfecho esperado seria o da vitória do mal, uma vez que os bons não resistiam. E livros assim deixam um gosto amargo na minha boca. 

Nesta história, que se passa no período medieval, temos um príncipe que parece nutrir um "ódio" todo especial pelas mulheres, que ele trata como se fossem suas propriedades, sem sentimentos e menos valiosas que o objeto mais medíocre sob seu poder. Sua esposa, apesar de ser constantemente maltratada o idolatra, chegando ao ponto de dizer que o ama até mais do que a seus próprios filhos e sendo o capacho no qual ele tanto ama pisar. 

A filha dele, Matilda, já está acostumada com os maus-tratos recebidos e nunca o enfrenta, temendo estar em sua presença e apenas sofrendo ao ver a maneira como a mãe, a quem tanto ama, é tratada. Matilda não quer se casar, pois não quer passar para as mãos de outro tirano, sonhando em entregar-se ao convento, onde poderia ter um pouco de alegria em sua vida. 

A única pessoa com quem Manfredo se importa é com seu filho, um rapaz com uma saúde muito fraca, mas que por ser homem é a esperança dele de dar continuidade a sua linhagem e evitar uma antiga profecia. Embora o rapaz ainda seja muito novo, o pai se apressa em casá-lo com uma bela e saudável jovem chamada Isabella, para que logo fossem providenciados os herdeiros (que deveriam ser meninos). Acontece que algo misterioso, violento e trágico acontece no dia do casamento, levando o príncipe ao desespero e à loucura... disposto a tudo para conseguir o que queria... não importando quem ele teria que machucar ou destruir no caminho. 

E a história vai girar em torno disso: da maldade do príncipe, a apatia das mulheres da família (tirando Isabella que é bastante corajosa mesmo acreditando não ser forte) e os estranhos fenômenos que ocorrem no castelo. Não é bem um livro de terror, mas tem toda a aura gótica esperada da história, já que foi o autor quem fundou a literatura do gênero. 

Se eu gostei do livro? Não muito. Eu me irritei bastante com os personagens e isso influenciou negativamente a história. 


-> DLL 21: Um livro clássico


Observação: Esta resenha já estava pronta há várias semanas, mas por estar enfrentando sérios problemas de saúde na família, eu não tive ânimo ou tempo de vir aqui para editá-la antes de publicar (algumas vezes faço as resenhas no blog e deixo no rascunho para depois com tempo editar). 2021 não começou bem e estou passando por problemas que têm me desgastado muito física e emocionalmente. Mas tenho fé que tudo ficará bem. 

Não abandonarei o blog. Logo, logo me organizarei para escrever a resenha de "A Garota do Lago" e finalizar algumas leituras que ficaram abandonadas nas últimas semanas. 

 

17 de fevereiro de 2021

O Navio Negreiro e outros poemas - Castro Alves

 


Literatura Brasileira
Editora: Melhoramentos
Edição de: 2013
Páginas: 163 (e-book)

4ª leitura de 2021 (4ª resenha do ano)

Sinopse: Como principal representante da poesia condoreira no Brasil, Castro Alves se utiliza de uma linguagem eloquente e grandiosa para denunciar os horrores da escravidão e lutar pela liberdade dos escravos. Nesta coletânea, destaca-se “O navio negreiro”, poema épico-dramático que narra o tráfico de negros trazidos da África para trabalhar como escravos no país. As atrocidades do sistema escravista ganham vida nestes poemas e transmitem toda a sensação de dor e privação das vítimas desse sistema.



Eu amo poesias, mas tenho uma dificuldade enorme para fazer resenhas sobre elas. Porque a experiência de lê-las é muito única, é um sentir que não dá para colocar em palavras. Sempre que mergulho num livro de poemas eu viajo para bem longe "do real", me perco em sentimentos e sensações... vou para bem longe de mim mesma. Me entrego ao que o poeta escreveu e me imagino na situação do eu lírico. O que nem sempre é uma experiência agradável.... Ainda mais quando lemos poemas que tratam da escravidão. 


Ler O Navio Negreiro e outros poemas foi muito desgastante emocionalmente. Eu fiquei abalada, inquieta, viajei para aquele período que marcou com sangue, tortura e muita dor a História do nosso país e do mundo. Não era capaz de ler muitos poemas por dia, pois sentia como se existisse um peso sobre mim, algo sufocante. E é admirável o talento e a sensibilidade do poeta para conseguir tornar tão vívidos os acontecimentos através de seus poemas. 


Castro Alves foi um jovem poeta da terceira geração do Romantismo e também um abolicionista, conhecido como "poeta dos escravos" ou poeta social, segundo informações que encontrei em pesquisas na internet. Teve uma vida bastante curta, falecendo aos 24 anos de idade, mas contribuiu de maneira importantíssima para sensibilizar outras pessoas a se envolverem com as causas sociais, humanitárias e abolicionistas. Me pergunto como pude passar pela escola e pela universidade sem jamais ter lido nem que fosse um dos seus poemas! Não acredito que tenha lido, pois teria sido impossível esquecê-los. Eles nos tocam profundamente, de uma maneira que tira o fôlego, que angustia. 


"Senhor, não deixes que se manche a tela
Onde traçaste a criação mais bela
De tua inspiração. 
O sol de tua glória foi toldado...
Teu poema da América manchado,
Manchou-o a escravidão." 
[Trecho do poema Ao romper d'alva]


Esta coletânea reúne 33 poemas que abordam temas imensamente dolorosos, que falam das mais diversas formas de violência praticadas ao longo dos séculos de escravidão. Da dor, fé e profunda tristeza de pessoas que apenas por sua cor de pele eram tratadas como objetos, como mercadorias, como algo sem sentimento. Que não eram vistas como seres humanos. Que foram roubadas de tudo... de sua liberdade, sua intimidade, sua família, sua vida... Tudo. Absolutamente tudo. A dívida que a sociedade possui não poderá ser paga nunca. 


Dói muito pensar nas pessoas que viveram e foram torturadas, subjugadas e mortas conforme a vontade de seus "senhores". Que foram separadas de suas famílias, que tiveram todos os seus direitos violados. É comum pensarmos, em momentos de grande desesperança, que "hoje em dia" falta amor no mundo. Que a ausência de amor é que provoca tanta violência, tanta crueldade. Mas não. Não é algo de "hoje em dia". Simplesmente sempre faltou amor no mundo. As pessoas, de maneira bastante seletiva, escolhem quem vão considerar seu "próximo", seu semelhante. Não é raro eu ter a dolorosa sensação de que tudo o que Jesus passou foi em vão. Não aprendemos nada. 


"Agora adota a escravidão por filha, 
Amolando nas páginas da Bíblia
O cutelo do algoz...
Sinto não ter um raio em cada verso
Para escrever na fronte do perverso:
'Maldição sobre vós!"

[Trecho do poema Confidência]



Quase todos os poemas me tocaram de alguma forma, me deixaram triste e revoltada, mas aquele que mais me abalou foi Tragédia no lar. Nossa! Apenas lembrar da história contada nele, a mãe que tem seu filho arrancado dos seus braços, pois seu "senhor" o vendeu... é de nos destroçar por dentro. É um poema de muita dor, as palavras dela, seus gritos, seu desespero... Nunca vou conseguir esquecer. 

A mãe, no poema Tragédia no lar, implora que aquele homem não leve o seu filho, que é apenas um bebê, inocente, que é tudo o que ela tem, que é sua única alegria. Suplica que ele se coloque em seu lugar, pois também tem filhos. O que ele sentiria se quisessem vender seus filhos? Se os levassem para serem escravos? Mas nada do que ela dissesse, suas súplicas... nada era capaz de comover aquele homem. E o poeta prossegue dizendo o motivo de tanta crueldade: 

"Porém nada comove homens de pedra, 
Sepulcros onde é morto o coração."

E eu concordo completamente. É preciso ser morto por dentro para fazer algo assim. Para arrancar um filho de sua mãe, para vender seres humanos, para escravizar pessoas. Este poema me abalou muito, me deixou em prantos, com tanta, tanta angústia. Porque não é um simples poema. Foi a realidade de muitas pessoas. Separadas de suas famílias... tratadas como se fossem nada. 

Eu recomendo os poemas deste livro, mas que leiam sabendo que vão se revoltar, que vão chorar, que ficarão com um sentimento muito ruim de desesperança, de tristeza por um passado que não podemos mudar. E um presente que ainda reflete esse passado. 

Quero ler tudo o que o Castro Alves teve a oportunidade de escrever, mas darei um intervalo de alguns meses, pois não tenho o emocional forte para ler muitos de seus poemas em sequência. Não tenho estrutura emocional para isso. As palavras dele são muito fortes. Sua escrita transborda sentimentos e nos inunda. Eu não estava preparada para tantos sentimentos dolorosos. Não estava preparada para a força de sua escrita. Mas já é um dos meus autores preferidos, com certeza! Só lamento ter demorado tanto para conhecê-lo. 



-> DLL 21: Um livro de autor brasileiro nunca lido. 




4 de fevereiro de 2021

O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson

 



Literatura Escocesa 
Título Original: The Strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde
Tradutor: Marcos Marcionilo
Editora: Melhoramentos
Edição de: 2013
Páginas: 131 (e-book)

3ª leitura de 2021 (3ª resenha do ano)

Sinopse: Na efervescente Londres do século XIX, qual seria a relação secreta entre Dr. Henry Jekyll, um médico bem-sucedido, generoso, elegante e educado, e Mr. Hyde, um homem repugnante e assustador? É isso que o advogado Mr. Utterson vai tentar descobrir nesta história repleta de mistério e terror, um dos grandes clássicos da literatura universal.





Eu já tinha ouvido falar muito desta história. Inclusive na série Once Upon a Time existiram alguns episódios falando dela, o que só serviu para aumentar minha curiosidade, embora eu soubesse qual era o grande segredo do livro. 

Mas ao iniciar a leitura percebi o quanto tudo seria diferente do que eu imaginava. A narrativa era muito lenta e cansativa, do tipo que dá voltas e voltas, em vez de ir direto ao ponto. Os personagens não são carismáticos e um livro que poderia ser lido em pouco menos de duas horas se tornou tedioso, ao ponto do meu estresse com a enrolação do autor ser tão grande que quase abandonei o livro. Consegui terminar a leitura no último dia do mês de janeiro, mas não tinha realmente nenhuma vontade de escrever sobre a história. 

Nela é trabalhada a dualidade do ser humano, o que pode ser considerado spoiler para quem nunca ouviu falar do livro (o que é quase impossível, pois a questão central de O médico e o monstro é algo que já foi adaptado até para alguns episódios de vários desenhos animados), como não existe ninguém que seja completamente bom nem completamente mau. Que no interior de cada ser humano habita a bondade e a maldade e tendemos a escolher um lado, o que não significa que o lado "rejeitado" não possa se manifestar em algum momento. É uma teoria na qual eu própria acredito: que todo ser humano é capaz de qualquer coisa, mas geralmente "abraça" um dos seus lados e luta para permanecer sem contato com seu outro lado. 

Através do senhor Utterson, um advogado muito bondoso e querido por seus amigos, conhecemos a história do doutor Henry Jekyll, um profissional muito respeitado, que sempre tratava a todos com consideração e tentava levar uma vida o mais correta possível, sem jamais fazer mal a ninguém. Utterson fica muito perturbado quando Henry lhe entrega um testamento, que deveria ser cumprido caso ele morresse ou "desaparecesse". A perturbação acontece pelos termos do testamento, que deixavam tudo o que médico possuía para um completo desconhecido, um tal de Edward Hyde, que mais tarde o advogado vem a descobrir que se trata de um homem perverso, que desperta o pavor e o ódio em quem cruza o seu caminho. Como alguém como Henry deixaria tudo o que lutou para conquistar nas mãos de alguém tão desprezível como Hyde? Logo, ele chega à conclusão que seu amigo só pode estar sendo chantageado e que seria a sua obrigação ajudá-lo. 

Ao longo da história vão acontecer alguns crimes bem terríveis praticados por Hyde, o misterioso e desprezível ser que quase não parece humano. Isso não é spoiler, pois é algo falado desde o início da história. Sabemos que Hyde é muito ruim e que é capaz das mais monstruosas coisas. O que o autor guarda como "segredo" é a relação dele com o médico. Que grande poder ele possuía sobre o Henry? Que grande segredo é esse que ele guardaria sobre o médico, ao ponto de ele fazer tudo o que Hyde queria? O autor guarda a grande revelação para o final, mas como eu disse, já sabia disso praticamente desde a minha infância, graças aos desenhos animados.rs

É um livro curtinho, no e-book são 131 páginas, e daria para ser lido em menos de duas horas, se não fosse tão chato. A teoria trabalhada na história é incrível, fascinante, principalmente para quem, como eu, aprecia essas questões psicológicas, mas não gostei da narrativa do autor, da enrolação para chegar onde ele queria. Se a história tivesse sido escrita de maneira diferente eu teria curtido bastante o livro. 



-> DLL 21: Um livro de até 200 páginas



30 de janeiro de 2021

Lições do Desejo - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Lessons of Desire
Tradutora: Teresa Carneiro
Editora: Arqueiro
Edição de: 2013
Páginas: 261
Série Os Rothwells - Livro 2

2ª leitura de 2021 (2ª resenha do ano)

Sinopse: Atraente, sutil e tentador, lorde Elliot Rothwell é um homem acostumado a fazer sucesso entre as mulheres e a conseguir tudo o que deseja delas. Mas isso não se aplica a Phaedra Blair. A brilhante e exótica editora não parece disposta a ceder a seu pedido e cancelar a publicação das memórias de um membro do Parlamento que podem manchar o nome da nobre família Rothwell. 
A pedido de seu irmão mais velho, o marquês de Easterbrook, Elliot vai a Nápoles para negociar com Phaedra. Historiador de renome e autor de livros respeitados, tudo indica que ele seja a pessoa ideal para a tarefa. Porém, em vez de encontrar a bela mulher descansando à beira do mar Tirreno, Elliot descobre que ela está presa por causa de uma acusação injusta. Graças ao prestígio da família, o nobre consegue libertá-la, mas também se torna responsável por ela até voltarem à Inglaterra. 
Percorrendo juntos uma das regiões mais belas e românticas da Europa, eles vão descobrir que discordam de quase tudo o que o outro pensa ou faz - exceto o que fazem juntos na cama. E, nessa aula de prazer, será cada vez mais difícil saber qual dos dois tem mais a ensinar.





Depois que li As Regras da Sedução, fiquei com muita vontade de conhecer os demais livros da série, principalmente o terceiro. Só que para lê-lo eu teria que passar pelo segundo.rsrs O que não seria nenhum problema, pois a Phaedra, melhor amiga da protagonista do primeiro livro, e o Elliot despertaram muito a minha curiosidade. Ela, uma mulher feminista (mas acho que na época ainda não se chamava assim) e ele, um escritor. Eu imaginava que a história daria muito certo. Não estava nada preocupada quando comecei a lê-la, em outubro do ano passado

Só que não demorou para tudo desandar. O livro me irritou logo nos primeiros capítulos e eu sentia vontade de esganar tanto a Phaedra quanto o Elliot. Ela, por permitir que homens decidissem sua vida (quando todo o caminho que percorreu era justamente para ser uma mulher livre e dona de si mesma) e ele, por ser tão machista, como se o fato de ela ser feminista (repito que acho que esse nome ainda não existia) fosse uma afronta, uma ofensa direta a ele. Sim, ele era asqueroso a esse ponto. 

Tudo começou por causa da "honra" do falecido pai do Elliot. Com a morte do pai de Phaedra, ela herdou a editora e tinham descoberto que ela iria publicar as memórias do pai, dentre elas as que diziam respeito ao pai do mocinho e poderiam manchar para sempre a família inteira (segundo ele). Elliot estava disposto a fazer o que fosse necessário para impedi-la... E aqui eu faço uma pausa para refletirmos. Phaedra era dona de si mesma e dos seus bens (que eram poucos, mas eram seus). Elliot não tinha nenhum direito ou poder sobre ela. Então, eu me pergunto exatamente o quê ele estaria disposto a fazer para impedi-la... Sedução não adiantaria, pois ela até poderia ir para a cama com ele, mas não cederia, seguiria firme em publicar o que bem quisesse. Enfim... Pegou muito mal esse início, pois ficou "no ar" que ele estaria disposto a qualquer coisa contra uma mulher só para impedir que verdades fossem escancaradas sobre o infeliz do pai, que arruinou a vida da mãe dele, mas merecia permanecer com a "honra" intacta, mesmo depois de morto.

Elliot decide viajar atrás dela (que tinha ido para a Itália por motivos pessoais que não eram da conta dele) para "convencê-la" a não publicar as tais memórias. Tudo bem que ele também tinha coisas para fazer no país, referente aos livros dele, mas o principal motivo foi persegui-la e convencê-la a ser "sensata".

Chegando lá, ele descobre que a mocinha está presa. Sim. Só porque dois imbecis resolveram duelar e em vez de culpar os idiotas por isso resolveram que a culpa era da mulher que ambos queriam. O machismo reina nesta história! Aí, o Elliot decide que vai se aproveitar da situação para que Phaedra fique em dívida com ele, já que o arrogante usa sua posição social para conseguir a liberdade dela. E como tudo gira em torno do poder dos homens: ela só é libertada com a promessa do mocinho de mantê-la sob o seu controle. Aqui o livro já tinha me irritado bastante, mas eu ainda tinha esperança na mocinha. Que ela não aceitaria que decidissem sua vida, que iria se impor e brigar o quanto fosse necessário. Ledo engano! Ela resiste um pouco, mas logo cede a todas as vontades do Elliot, ainda que tentasse convencer a si mesma que estava no controle. Coisa nenhuma!

Uma das cenas mais repugnantes (para mim) foi aquela na qual ele a amarrou na cama. Isso porque ela tentou ir embora e ele não permitiria já que era "o responsável' por ela. A idiota permite que ele a prenda para impedi-la de sair. Depois ele vai para outro quarto e ela passa a noite inteira amarrada. Se um incêndio acontecesse nem teria como se salvar. Eu não acreditei no que estava lendo! Um desconhecido decide que tem direito de amarrá-la e ela nem pede socorro nem nada. Se submete como se ele fosse seu dono, como se ela fosse um objeto que ele poderia tratar como bem quisesse. Eu fiquei muito irritada. 

Pouco tempo depois dessa cena inacreditável, eu abandonei o livro. Estava de saco cheio de tanto estresse. Eu não merecia ler tanto absurdo num livro só.kkkkkk Sério! Eu estava com o sangue fervendo quando decidi abandonar a leitura, estava a ponto de arremessar o livro pela janela.

Agora em janeiro é que resolvi retomar a leitura, com a remota esperança de que as coisas poderiam melhorar. E, a princípio, realmente melhoram... um pouco. Apenas para piorar depois. Não quero dar spoilers e por isso não mencionarei os demais absurdos presentes no livro. Posso dizer que a autora caprichou! Conseguiu transformar uma mocinha feminista em alguém que aceita tudo o que os homens querem, que permite que decidam tudo e danem-se as sua próprias vontades! Sem mencionar o que ela dá a entender pelo passado da mocinha. 

Vou falar brevemente do assunto para que entendam por que fiquei tão irritada com algumas escolhas da autora ao construir a história. Phaedra era filha de pais que nunca se casaram, embora se amassem. O casamento não ocorreu porque a mãe dela era uma mulher que valorizava a própria liberdade e não permitiria perder nem um pouco dela com o casamento. Ela acreditava no amor livre, sem as imposições da sociedade, sem se submeter a regras. Assim, mesmo amando aquele que seria o pai de sua filha, recusou o casamento, para escândalo da sociedade (que sempre se escandaliza com tudo) e manteve a relação por longos anos, de maneira clara, sem esconder de ninguém. Da relação nasceu nossa mocinha e ela tratou desde sempre de educar a menina para ser livre. Só que... O que a autora faz?! Torna a mãe da mocinha uma mulher negligente, que traumatizou a menina com suas crenças, que não soube ser mãe, que impôs seus próprios princípios à ela e que a mocinha era resultado dos traumas do passado. Eu não sei qual foi a real intenção da autora e nem vou supor nada. Simplesmente não gostei da maneira como ela construiu esse passado da mocinha e a relação com a mãe. Passou uma ideia ruim, como se uma mulher livre e que quisesse ensinar a filha a ser dona de si estivesse errada e não soubesse ser mãe. Como se feminismo e maternidade não combinassem. E também deu a entender que Phaedra e suas crenças eram apenas reflexos das crenças da mãe. Que ela não acreditava em nada daquilo "de verdade". Só isso já me fez arrancar duas estrelas do livro. Não sei se alguém mais enxergou as coisas dessa maneira, mas foi essa a impressão que o livro me passou. E não gostei nada. Sobretudo porque sou feminista e considerei de péssimo gosto a maneira como a autora abordou e tratou o assunto. Confesso que senti tanta raiva durante um tempo que considerei tirar todas as estrelas do livro.rs Mas depois respirei fundo e voltei a raciocinar. Todo mundo erra nesta vida e, como eu disse, não posso pensar que a intenção da autora foi ruim, até porque não quero acreditar nisso. Mas ainda estou com raiva da autora e não sei quanto tempo demorará para passar.kkkk

Phaedra me decepcionou de tantas maneiras que eu não saberia nem por onde começar a falar... Apenas na reta final do livro foi que ela voltou a assumir o controle de si mesma, embora a autora novamente tenha feito escolhas que me irritaram. Ser feminista não impede ninguém de escolher ser esposa e mãe, por exemplo, desde que isso seja realmente uma escolha dela como mulher. A autora não precisava tratar toda a crença da mãe da Phaedra como erros de uma mulher imatura, como ela chegou a fazer suas personagens considerarem (essa conversa se passa entre a Alexia e a Phaedra, quando tudo o que Artemis acreditava é colocado em dúvida e tratado como imaturidade) para defender que o casamento poderia ser algo bom. Enfim... O livro foi tão problemático para mim que se eu não tivesse gostado tanto do primeiro e não desejasse tanto ler o terceiro, possivelmente nunca mais leria nada da autora. Toda paciência tem limites e ela testou bastante a minha com esta história. 

Um personagem que evoluiu, e não posso deixar de admitir, foi o Elliot. Que passou a compreender as crenças da mocinha e seus receios, embora no fundo ele também achasse que ela não acreditava em nada daquilo de verdade. No entanto, tenho que reconhecer que ele passou a respeitá-la ao longo do livro e admirá-la como pessoa. Que ele fez um esforço para ser diferente. Mas...

É insuportável para mim a maneira como os personagens tentam convencer a Phaedra de que o erro está nela, que ela é que precisa ceder, que ela precisa "se libertar" do que aprendeu com a mãe senão não seria feliz. Eles tentam convencê-la de que ela está errada, de que a mãe dela não soube criá-la, de que ela não possui aquelas crenças, mas que foi forçada pela mãe a seguir aquele caminho na vida. Enfim... Ainda que o Elliot tenha evoluído, ele também pressionou a mocinha até ela ceder e isso estragou tudo de vez. Não consegui perdoar a história. Acredito no amor dos protagonistas, acredito que serão felizes juntos, mas é uma história que me arrependi muito de ler. 



->  DLL 21: Um livro que você abandonou 



28 de janeiro de 2021

Auto da Compadecida - Ariano Suassuna


Literatura Brasileira
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2014
Páginas: 192

1ª leitura de 2021 (1ª resenha do ano)

Sinopse: O "Auto da Compadecida" consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel. É uma peça teatral em forma de Auto em 3 atos, escrita em 1955 pelo autor paraibano Ariano Suassuna. Sendo um drama do Nordeste brasileiro, mescla elementos como a tradição da literatura de cordel, a comédia, traços do barroco católico brasileiro e, ainda, cultura popular e tradições religiosas. Apresenta na escrita traços de linguagem oral [demonstrando, na fala do personagem, sua classe social] e apresenta também regionalismos relativos ao Nordeste. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962, por Sábato Magaldi "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro".





*Sinopse acima retirada do Skoob, pois minha edição não vem com sinopse

 
Esta é a primeira leitura que consegui terminar neste mês que foi bastante complicado para mim. Felizmente, ler Auto da Compadecida foi uma excelente escolha para tentar melhorar meu humor, pois trata-se de um livro leve, que nos faz chorar de rir, principalmente no terceiro ato. 

Eu tinha tentado ler o livro na semana passada, mas foram dias bem agitados e fiquei com todas as leituras paradas. Voltei ao início no dia 26/01, não li no dia 27 e concluí hoje, mas é aquele tipo de história que dá para ler facilmente em um dia, caso a pessoa queira e possa dedicar algumas poucas horas exclusivamente a esta deliciosa história. 

A peça, escrita por Ariano Suassuna tendo como inspiração principalmente a literatura de cordel, que é parte importante da cultura do Nordeste, se passa basicamente num só dia (se eu não tiver me distraído e perdido a passagem do tempo) e tem como personagens principais o trapaceiro João Grilo e seu bom amigo inventor de histórias, Chicó.rsrs Todavia, existem outros personagens que, embora pareçam passageiros, vão ser essenciais para o desenrolar dos acontecimentos, como o padeiro e a mulher dele, por exemplo. 

Tudo começa com a doença do cachorro, que a mulher do padeiro (conhecida por ser adúltera e trair o marido com todo mundo) criava como filho. A mulher acreditava que se o padre benzesse o bichinho, ele ficaria curado. Como o marido fazia todas as vontades da mulher, apoiou sua decisão e João Grilo, que era empregado dos dois, resolveu tratar da questão junto ao padre. Não que João Grilo amasse os patrões e quisesse ajudá-los... Longe disso! Na verdade, odiava os dois como a ninguém nesta vida, vez que quando esteve seriamente doente e suplicou por ajuda, não recebeu sequer um copo de água, enquanto a mulher do padeiro preparava as melhores refeições para o cachorro. Ele estava alimentando lentamente todo o rancor e não pretendia deixar de se vingar quando a oportunidade surgisse. 

O padre não aceita benzer o cachorro, pois aquilo era pecado e coisa e tal. Até que João Grilo, mentiroso como só ele sabia ser (risos) diz com toda a lábia que o cachorro era de um tal de Antônio Moraes, um homem importantíssimo na região. Logo, benzer o bichinho deixa de ser pecado e o padre fica ansioso por agradar o senhor Antônio. É assim que se desenvolve uma tremenda confusão que vai envolver sacristão, Bispo, frade e até cangaceiro! Sem mencionar os ilustres personagens Manuel (Jesus) e Compadecida (Nossa Senhora). Claro que também existirá um antagonista que nenhum deles gostaria de ver na frente: "o coisa ruim". 

Quando comecei a leitura eu não sabia nada sobre a história, exceto que era uma comédia. Como sequer tinha visto o filme, estava realmente no escuro, sem ter ideia do que aconteceria. E isso fez com que a leitura fosse ainda mais prazerosa. Não costumo ligar para spoiler (só fico furiosa se for spoiler de algum thriller, suspense, pois aí não tem como, acaba perdendo a graça!rsrs), porém desta vez foi ótimo não ter buscado saber nada sobre as desventuras dos personagens.

Não sei se é sensato dizer que meu personagem preferido foi o João Grilo, seguido de perto pelo Chicó. Como ele era trapaceiro! Mas era também tão divertido!kkkkkkk E o Chicó e suas histórias "impossíveis" de serem reais, mas contadas de uma forma que você chegava a acreditar!kkkkkk Eu ria demais com ele. 

Manuel e Compadecida aparecem só no último ato (a história é composta de três), mas para mim foi a melhor parte da peça. Eu quase chorei de tanto rir. Manuel faz o papel de juiz, o coisa ruim é o acusador e Compadecida é a advogada. João Grilo, como sempre, aprontando todas!rs

É uma história que recomendo muito, até para aqueles que não curtem ler peças. Depois deste livro, senti muita vontade de ler tudo o que o autor escreveu. 

Agora preciso procurar pelo filme. Quero muito ver o João Grilo em ação!rs



-> DLL 21: Um livro adaptado para filme/série



6 de janeiro de 2021

Projetos de leitura 2021


Olá, queridos!


E chegou a hora de conferir de quais desafios participarei este ano. 


Estipulei, ainda no ano passado, como principais metas:


-> Participar do Desafio Literário Livreando 2021

-> Ler 12 livros selecionados antecipadamente

-> Ler pelo menos 50 livros da minha estante


Assim, deixarei aqui neste post perfeitamente organizadas as anotações, conforme for cumprindo os desafios. Para conferir meu progresso, bastará acessar o post, cujo link ficará disponível no menu superior do blog. 


Desafio Literário Livreando 2021


É um desafio criado pela Tâmara Nunes, do blog Livreando. Desta vez, serão três temas mensais e o objetivo é nos incentivarmos a ler mais. Irei atualizando com os livros escolhidos e links das resenhas conforme for lendo. 





Janeiro

1- Auto da Compadecida - Ariano Suassuna (Resenha)
Tema: Um livro adaptado para filme/série

2- Lições do Desejo - Madeline Hunter (Resenha)
Tema: Um livro que você abandonou

3- O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson (Resenha)
Tema: Um livro de até 200 páginas


Fevereiro

1- O Navio Negreiro e outros poemas - Castro Alves (Resenha)
Tema: Um livro de autor brasileiro nunca lido 

2- O Castelo de Otranto - Horace Walpole  - resenha publicada com atraso (Resenha
Tema: Um livro clássico 

3- A Garota do Lago - Charlie Donlea - leitura concluída com atraso (Resenha)
Tema: Um livro que comprou pela capa


Março

1- Sentimento do Mundo - Carlos Drummond de Andrade (Resenha)
Tema: Um livro de literatura nacional

2- Como Deus cura a dor - Mark W. Baker (Resenha
Tema: Um livro de sua cor favorita na capa

3- Um Carinho na Alma - Bráulio Bessa (Resenha)
Tema: Um livro que termine em um dia 

OBSERVAÇÃO (08 de abril de 2021): Interrompi o projeto de leitura do Desafio Literário Livreando 2021 por conta do falecimento da Tâmara (criadora do projeto), vítima de coronavírus, no dia 06 de abril de 2021. Embora o projeto provavelmente vá continuar no grupo, como uma forma de manter vivo o amor que ela tinha por esse projeto, eu não sou capaz de continuar. Não consigo seguir no grupo e participando do desafio sabendo que ela se foi e de uma maneira tão triste. Não consigo saber que não ouviremos mais a risada contagiante dela, sua alegria e amor aos livros. O coronavírus apagou mais um sorriso, destruiu mais uma família e amigos. Que a Tâmara descanse em paz, ao lado de Jesus, onde não há mais dor!



12 Livros para 2021

1- Tudo o que Ela sempre Quis - Barbara Freethy
2- Mary Barton - Elizabeth Gaskell
3- Tatiana e Alexander - Paullina Simons
4- Corações Quebrados - Sofia Silva
5- Ensaio sobre a Cegueira - José Saramago
6- Diva - José de Alencar
7- Drácula - Bram Stoker
8- Os Tambores do Outono - Diana Gabaldon
9- A Senhora de Wildfell Hall - Anne Brontë
10- Harry Potter e o Enigma do Príncipe - J. K. Rowling
11- Purgatório - Dante Alighieri
12- Paraíso - Dante Alighieri


Ler 50 livros da minha estante


O objetivo é que entre as minhas leituras deste ano a maioria seja de livros que já fazem parte da minha estante. 


1- Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

2- Lições do Desejo - Madeline Hunter 

3- A Garota do Lago - Charlie Donlea

4- Como Deus cura a dor - Mark W. Baker

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