27 de dezembro de 2021

O blog está de luto: eu perdi a minha estrelinha. Perdi minha Luana.

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 Serei breve, pois não consigo falar da minha pequena sem começar a chorar. 




Em abril de 2015, Deus me deu de presente um anjo. Uma gatinha linda que vinha para me tirar da depressão que eu vivia desde a morte do meu gatinho Alejandro. Eu tinha jurado que depois dele não adotaria mais nenhum gato, que não suportaria passar pela perda novamente. Mas veio a Luana... Numa quarta-feira. Eu estava visitando minha mãe, pois não estava morando aqui. Fazia um tempo que morava sozinha e costumava visitar minha mãe aos finais de semana... Mas resolvi aparecer numa quarta-feira, como se o destino já tivesse decidido que meu caminho se cruzaria com o da minha princesa. 

Ela era tão pequena, mas miava bem alto. Seu miado desesperado me atraiu até a rua. Abri o portão da casa da minha mãe e procurei pelo gatinho que estava chorando tão angustiado. Ela veio correndo quando me viu. Tão pequenininha. Eu calculei que ela devia ter uns dois meses, imaginei que tinha nascido em fevereiro daquele ano. A peguei em meus braços. 

Não pretendia ficar com ela. Ainda sofria demais pela perda do Alejandro. Era como uma faca me dilacerando por dentro. Pretendia apenas resgatá-la e entregá-la para minha avó que costumava cuidar de gatos. Mas depois que a peguei em meus braços... Nunca em toda minha vida senti um amor tão forte. Eu amava os gatinhos e cachorros que tive antes dela... Mas o amor que ela despertou em mim era como o de uma mãe por sua filha. Ela se tornou minha filha naquele instante. E dei à ela o nome de Luana. 




Foram muitos os momentos que vivemos juntas. Ela me seguia por toda parte. Desde o primeiro dia dormiu comigo em minha cama, que também se tornou a cama dela. Era a rainha da casa. Quem realmente mandava em tudo, dona de si e da mãezinha, da tia e da avó, que a adotaram realmente como membro da família. Ela era nossa família. Como se tivesse nosso sangue... Como se tivesse nascido do meu ventre. 

Ninguém nunca me amou como ela. O seu carinho, sua dedicação a mim impressionava a todos. Ela se sentia minha filha, como eu me sentia sua mãe. E assim será para sempre. A morte não pode destruir isso. Minha Luana será sempre a minha filha. A filha que me escolheu. A filha que nunca serei capaz de esquecer. Com ela se foi a melhor parte de mim. E ainda não sei como sobreviverei a tanta dor. 




Foi em fevereiro de 2021, o ano que se tornou o pior da minha vida, que descobrimos a doença renal. Ela sempre tinha sido uma gata saudável. Não ficava doente. Eu a protegia de tudo. Ela não tinha contato com a rua, nem mesmo com o quintal. Ficava protegida dentro de casa, com os brinquedos dela. Sendo uma princesa feliz e rebelde (sempre foi muito carinhosa, mas também bastante temperamental). Então em fevereiro deste ano começou a enjoar e perder peso numa velocidade assustadora. Então, parou de comer. A levei para a veterinária desesperada e os exames de ultrassonografia e sangue confirmaram a doença renal. Ela tinha doença renal crônica e estava passando por uma crise. 

Eu senti como se o chão sumisse debaixo dos meus pés. A angústia, o medo terrível... Passamos uma semana a levando para receber soro subcutâneo, mas a crise não passava. Parecia que ela iria me deixar ali... ainda em fevereiro. Mudei de veterinária e rapidamente iniciamos o soro intravenoso e medicações. Foram mais sete dias. Ela melhorou. Recuperou o apetite, a energia, a alegria tão característica dela. Estabilizou. 

Ela passou a ter que se alimentar de ração e sachês renais. E a adaptação não foi difícil. Ela se apaixonou pela ração e começou a recuperar peso. A cada mês engordava mais, quase atingindo seu peso anterior à doença. Fazíamos exames mensais, ela tomava todas as medicações regularmente. E embora o medo jamais tenha me deixado, eu consegui voltar a sorrir ao vê-la bem. Era a minha Luana ativa, que pulava em tudo, que corria pela casa, que me chamava para dormir quando achava que estava na hora, que deitava junto à minha cabeça para me esperar acordar todo dia pela manhã. Minha Luana que vinha correndo sempre que eu dizia: "Cadê a princesa da mamãe?" A minha vida. A que fazia com que tudo tivesse um sentido. Que me dava forças todos os dias. Que pedia colo, mesmo que eu estivesse estudando, trabalhando ou lendo. Eu sempre parava tudo para pegá-la em meus braços, para fazer carinho. Não houve um só dia que eu não dissesse que a amava. 

A doença se manteve estável durante vários meses. E ela permaneceu bem, como se jamais fosse viver outra crise. Então, tudo desandou em novembro. Os enjoos voltaram só que mais fortes. Voltamos para o soro. Tentamos estimulantes de apetite. Mudei a ração, tentei todos os sachês renais possíveis. Ela começou a emagrecer com a mesma rapidez de fevereiro. A diferença era que os tratamentos não surtiam mais efeitos. 

Em 09 de dezembro de 2021 ela teve a piora final. Os exames mostravam uma piora rápida e agressiva. A doença acelerou de uma maneira que nenhum de nós poderia prever. O que se manteve estável durante tantos meses atingiu níveis enormes de gravidade. Não havia mais o que fazer. Escolhemos mantê-la em casa conosco para que ela partisse rodeada pela família que tanto amava. Ela odiava hospital, odiava a clínica, odiava agulhas e todo aquele ambiente que tanto a assustava e estressava. Em casa ela ficava tranquila, nos meus braços. 

Sei porque alguns tutores preferem deixar o seu filhinho em estado terminal no hospital. Dói demais ver seu bebê partir. Eu nunca vou esquecer tudo o que se passou. Vou carregar essa dor em minha alma. Eu repeti que a amava até o último instante. Fiz carinho, a peguei em meus braços. Fiz de tudo para que ela se sentisse querida, para que pudesse partir em paz. 

Ela se foi às 04:00h da madrugada de 14 de dezembro deste ano. E só agora consegui vir aqui dizer para vocês que estou de luto e que o blog não terá postagens por tempo indeterminado. As leituras que eu concluir ao longo das próximas semanas não terão resenhas. Na verdade, os livros não estão sendo nenhum refúgio para mim. Penso nela o tempo todo. Mal consigo ler. 

Prometi à ela que ficaria bem. Que tentaria sobreviver. Mas está sendo muito difícil cumprir minha promessa. Eu não perdi um animalzinho de estimação. Perdi minha filha. Como sobreviver sem minha filha? Como encarar este mundo sem a minha razão de viver?




Tenho o Dante Celestino, um gatinho que adotei em dezembro de 2020. Eu o amo. Protejo e cuido dele como um bebê. Mas Luana... Luana era como uma filha do meu ventre. Nem mesmo o amor que sinto pelo Celestino me ajuda a prosseguir. Tirar a Luana de mim era a pior coisa que Deus poderia fazer comigo. Ele destruiu minha vida. Sinto como se Ele me odiasse. Como se tivesse me abandonado, me virado as costas. Sei que cada pessoa reage de uma maneira diferente à perda de um ente querido. Talvez meu rompimento com Deus seja só uma fase, uma reação ao luto. Ou talvez seja definitivo. 

Existiram momentos em minha vida nos quais por mais que eu dissesse que Deus tinha me abandonado, no fundo eu sentia que Ele estava comigo. Mas agora... Agora, não. Eu sinto raiva, ódio, revolta. Não consigo aceitar que Ele tenha permitido isso. Que Ele tenha tirado o meu anjo de mim. E que ela tenha sofrido tanto. Não consigo perdoá-lo. 

Tudo o que quero é que esta vida passe logo... Que os anos voem, se eu tiver que viver mais anos! E que eu possa me juntar à minha filha. Quero meu bebê de volta! Quero minha filha comigo! 

Quero acreditar que os animais têm direito ao Céu. Porque se nós seres humanos tão cheios de erros e pecados temos o direito dado por Deus de um dia talvez irmos para o céu, seria injusto e monstruoso não dar aos animais, que são inocentes por toda a vida (diferente de nós, que não somos), o Paraíso. Eles merecem mil vezes mais que nós. Quero crer que minha filhinha está brincando no Céu. Que está feliz. É a única forma de conseguir levantar da cama todos os dias. 

Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers (não necessariamente nesta ordem). Mãe da gatinha Luana. Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

4 comentários:

  1. Também perdi a minha Mimi, já faz cinco anos e toda vez que olha o cantinho dela no sofá tenho a recordação de quando ela me adotou, também fui escolhida como você. Mimi teve o mesmo problema renal que a tua Luana e fiquei com ela até o fim, foi-se no mesmo cantinho do sofá que tanto adorava. Não deixe que a saudade e dor que sente a acompanhe, liberte-se! E continue com as lembranças agradáveis de Luana.

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    1. Naines, teu relato me emocionou. Acredito que a sua Mimi e a minha Luana estão no céu brincando, felizes. Onde não há dor, não há doenças. Mas sempre sentiremos a falta delas.

      Sinto muito por sua perda. E espero que em teu coração também permaneçam sempre as lembranças boas da sua bebê.

      Bjs e muito obrigada pelo carinho!

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  2. A sua dor doeu em mim. Perdi meu filhinho idoso de 4 patas, que sumiu na sua velhice por descuido de terceiros e até hoje, 15 anos depois, sinto a dor da perda e de não ter me despedido. A verdade é que nos revoltamos, pois os animais são tão preciosos e aprendemos a amar como parte de nós. Que vc continue a lutar , mas que tenha o tempo de viver a dor do luto. Fique bem!!!

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    1. Pennelope, muito obrigada pela empatia, por todo carinho.

      Sinto muito, muito por sua dor, por sua perda. Parte o coração saber que você não pôde se despedir do seu filho, que por culpa dos outros você perdeu o seu bebê. Lamento muitíssimo. Nem posso imaginar o tamanho da sua dor. :(

      O tempo não diminui a saudade, o amor, nem a dor. Ainda que tenham passado 15 anos, podem passar mais 15 e você sempre sentirá a falta do seu filhinho. Como sempre sentirei da minha Luana.

      Mais uma vez muito obrigada pelo carinho. Não há um só dia que eu não pense na minha bebê. Que eu não lembre dela. Dói demais e sempre vai doer. Com o tempo vou aprender a conviver com essa dor.

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