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17 de junho de 2018

O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë (não é resenha)


(Título Original: Wuthering Heights
Tradutora: Adriana Lisboa
Editora: Zahar
Edição de: 2016)

Caro leitor, 
Você está prestes a adentrar o inferno. 
Mas não hesite: a viagem valerá cada segundo. 

Esta é uma história de amor e obsessão. E de purgação, crueza, devastação. No centro dos acontecimentos estão a voluntariosa e irascível Catherine Earnshaw e seu irmão adotivo Heathcliff. Rude nos modos e afetos, humilhado e rejeitado, ele aprende a odiar; mas com Catherine desenvolve uma relação de simbiose, paixão e também perversidade. Nada destruirá a essência desse laço - porém quando ela se casa com outro homem, por convenções sociais, as consequências são irreparáveis para todos em volta. 

Com um olhar sensível e agudo, Emily Brontë fez de O morro dos ventos uivantes um retrato comovente e um estudo da degradação humana provocada pelas armadilhas do destino. Acompanhando a excelente tradução, traz mais de 90 notas, apresentação, cronologia de vida e obra da autora e ainda dois textos de Charlotte Brontë, escritos para a reedição do livro organizada por ela após a morte da irmã. 




Palavras de uma leitora...



- Achei importante destacar no título do post que não se trata de uma resenha.rs Isso porque no blog vocês podem encontrar duas resenhas que fiz anteriormente sobre o livro. Uma publicada poucos meses depois de criar o blog, em 2010. Outra publicada em 2012. 

"- Entre! Entre! - soluçava. - Cathy, entre. Ah, por favor... uma vez mais! Ah, minha adorada! Ouça-me desta vez, Catherine, por fim!"

Lembro com clareza a primeira vez que li esta história. Tinha terminado de ler a saga Crepúsculo e não parava de pensar nos trechos que eram mencionados pela Bella e o Edward. Não foi o único livro do qual eles falaram na história, mas era o preferido deles. E isso, claro, despertou minha curiosidade. Na época, não tinha muito conhecimento de internet, nunca comprava livros pela internet (ano de 2009, era uma adolescente ainda) e tentava encontrá-lo nas poucas livrarias que conhecia e nada. Aí acabei lendo em ebook, numa versão bem antiga e com linguagem difícil. Mesmo assim, com todas as dificuldades, concluí a leitura com uma sensação... "estranha". Nunca um livro tinha me provocado tamanho impacto. Eu jurava para quem quer que fosse que odiava o livro. Que não suportava os protagonistas. Que tudo era culpa deles. Que destruíram a vida de todo mundo e era o pior livro que já tinha lido. Não que eu não tivesse me comovido pelo sofrimento deles, mas os odiava até mesmo por causarem a própria dor!rs E assim, o tempo passou... 

"Qualquer que seja a substância das almas, a minha e a dele são feitas da mesma coisa [...]"

Não fui capaz de esquecê-lo. Eu lia outros livros, seguia normalmente com a minha vida, mas lembrava dos trechos, até mesmo citava alguns pedaços deles. Queria parar de pensar e não conseguia. Comentava sobre a história com minhas amigas, sempre que um professor falava de livros clássicos eu recordava Catherine e Heathcliff. Eles passaram a fazer parte do meu mundo. Ouvia a música, tentava modificar o final da história na minha cabeça e seguia jurando ódio eterno por eles. E quando minha mãe me ofereceu um livro de presente não hesitei ao escolhê-lo. Naquela época eu já sabia da existência da versão publicada pelo selo Lua de Papel, da editora Leya, que falava que era o livro preferido dos meus personagens queridos.rs E aí surgiu a oportunidade de reler a história. Era o que eu precisava. Só necessitava ler o livro de novo para me libertar dele. Para finalmente ficar em paz. 

"Nelly, eu sou Heathcliff! Ele está sempre, sempre em minha mente. Não como fonte de prazer, não mais do que sou uma fonte de prazer para mim mesma, mas como meu próprio ser."

E foi assim que, em 2012, reli a história. Não dá para colocar em palavras como foi essa experiência. Diversas outras vezes ao longo dos anos eu revisitei o morro dos ventos uivantes em minhas lembranças. Mas reler a história foi algo... arrebatador. Os sentimentos dos personagens, os acontecimentos, tudo me atingiu com força. Eu sentia meu coração acelerar, ficava angustiada com cenas que já conhecia e era obrigada a interromper a leitura para respirar antes de voltar para a montanha-russa que era o livro. Marcava muitos trechos e relia cada um deles várias vezes. Eu vivi cada instante com eles. E, no fim, o ódio que eu jurava sentir por Catherine e Heathcliff se transformou em amor. Não abandonei o ódio por inteiro, mas passei a sentir uma mescla dos dois sentimentos. Não era possível odiá-los sem amá-los. Era impossível sentir uma coisa sem a outra. Se antes eu era obcecada pela história deles dois... depois de reler o livro se cravou em mim. Deixou uma cicatriz. 

"[...] podem me enterrar a quatro metros de profundidade e derrubar a igreja por cima de mim, mas jamais vou descansar enquanto não estiver comigo. Jamais!"

E de lá para cá li o livro de novo, remarquei os trechos, assisti todas as versões que consegui dos filmes e minisséries, registrei na memória as histórias que lia e os personagens que de uma maneira ou de outra mencionavam o clássico... Ouvi a música trilhões de vezes e minha versão preferida sempre será do Angra... Enfim... Li centenas de livros (literalmente) depois de O Morro dos Ventos Uivantes, mas nem o passar dos anos foi capaz de apagá-lo, de tirá-lo de mim. Não sei o que acontece comigo, sinceramente. Creio que a obsessão dos personagens me contagiou.kkkkk... 

"Se ele a amasse com todas as forças do seu insignificante ser, ainda assim não poderia amá-la em oitenta anos o mesmo que eu num único dia."

Em 2017 ganhei minha segunda edição da história de presente da minha querida amiga Carol, para quem eu também vivia falando do livro.kkkkkk.. Ela me presenteou com aquela edição por conter um prefácio da Rachel de Queiroz que eu amava. Era um prefácio que li uma vez num livro encontrado numa biblioteca pública e nunca pude esquecê-lo. Aí ela encontrou uma edição que vinha com ele e me deu. Foi um dos melhores presentes que já recebi na vida. :D No mesmo ano, adquiri outra edição do livro, da editora Landmark (não gosto muito dessa edição) e ganhei da minha mãe (de presente de aniversário) a edição de 2016 da editora Zahar, que vem toda comentada, com notas muito interessantes que falam de peculiaridades da época em que o livro foi escrito, cronologia da família Brontë, anexos com comentários da Charlotte Brontë sobre sua irmã e a obra dela e mais... 

"Porque nem a tristeza, nem a degradação nem a morte, nem nada que Deus ou Satã pudessem nos infligir haveria de nos separar; você, de livre e espontânea vontade fez isso. Não parti o seu coração foi você quem o partiu, e, ao fazer isso, partiu o meu também. Pior para mim, ser forte. Se quero continuar vivo? Que tipo de vida vou ter quando... Ah, meu Deus! Você gostaria de viver com a alma no túmulo?"

E quando surgiu a oportunidade de me unir com outras blogueiras para o projeto de Leitura Coletiva deste clássico não pensei duas vezes! Sequer necessitei pensar!kkkkk... Foi com uma euforia que participei da organização com as outras meninas e quando abrimos as inscrições e as pessoas começaram a desejar participar... foi lindo! A leitura teve início em 13/05, com uma duração programada de quatro semanas, encerrando no dia 10/06. Foram quatro tópicos de discussão no grupo criado para esse fim no Facebook e participar dos debates com as meninas foi uma experiência maravilhosa. Nunca tinha participado de um projeto igual e começar pelo meu clássico preferido foi um ótimo início! 

"Não posso viver sem a minha vida! Não posso viver sem a minha alma!"

Ao longo das quatro semanas de leitura e dos debates sobre a história, conheci meninas que são tão apaixonadas pelo livro quanto eu! Que também aproveitaram a oportunidade para reler, que amam odiar os personagens, que compreendem o que os levou ao ponto em que chegaram. E que não conseguem desprezar por completo o Heathcliff. Foram muitos comentários incríveis. As conversas eram longas!kkkkkk... Teve uma vez, no tópico de Discussão 2, quando lemos os capítulos mais importantes do livro (do 10 ao 18), que conversamos até de madrugada.rsrs 

"[...] pois o que não está, para mim, associado a ela? E o que não me faz recordá-la? Não posso olhar para este chão, pois seus traços estão impressos nas lajes! Em cada nuvem, em cada árvore... enchendo o ar à noite, e vislumbrada em cada objeto de dia... Estou cercado pela sua imagem! Os rostos mais comuns de homens e mulheres, meus próprios traços, debocham de mim com alguma semelhança. O mundo inteiro é uma terrível coleção de recordações de que ela existiu, e de que eu a perdi!"

Quando decidi participar da Leitura Coletiva, escolhi ler o meu exemplar da editora Zahar. Nunca tinha lido uma edição comentada e queria saber como era. Confesso que algumas notas eram até muito importantes, nos situando, nos fazendo compreender a época em que a história se passava, vez que ela se passa entre o final do século XVIII e início do século XIX. Todavia, existiam algumas notas simplesmente desnecessárias, que vinham em momentos inoportunos e não acrescentavam coisa alguma. O que chegou a me irritar, sinceramente. Eu me obrigava a ler as notas e quando via que eram pura tolice me estressava.rs Como eu disse, algumas tinham importância sim. Mas outras... definitivamente não

Outro ponto a comentar é a tradução. Conheço algumas traduções diferentes do livro (já que foi a quarta vez que li e optei sempre por ler traduções diferentes umas das outras) e a da Adriana Lisboa, desta edição da Zahar, é muito boa, mas... não é minha preferida, gente. Achei que a maneira como alguns trechos foram traduzidos e organizados acabou por roubar parte da emoção deles. Quando comparava com a tradução da Ana Maria Chaves, da edição da Lua de Papel, sentia uma diferença enorme. E não poderia deixar de comentar sobre isso. Gosto é algo muito pessoal. E eu prefiro a tradução da Ana Maria. 

- Como eu disse, não é resenha. Apenas quis comentar um pouco sobre o livro após lê-lo novamente.rs Não fazia sentido publicar uma terceira resenha, gente!kkkkkkkkkkk... Aí já seria demais, não acham?! Por isso quase não falei sobre a história em si. Se quiserem ler a resenha basta clicar AQUI

Bjs!

30 de março de 2012

O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë (segunda resenha)


(Título Original: Wuthering Heights
Editora: Lua de Papel
Tradutora: Ana Maria Chaves)



"Se o amor dela morresse, eu arrancaria 
seu coração do peito e beberia seu sangue."

Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. "Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff", diz a apaixonada Cathy.

O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais surpreendentes de todos os tempos, O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas, incluindo os belos personagens de Stephenie Meyer.



Palavras de uma leitora...


- Antes de mais nada. Perceberam que coloquei entre parênteses algumas informações sobre o livro, como o título original? É porque, a partir de hoje, pretendo sempre deixar essas informações sobre cada livro que resenhar, só para poder ajudar um pouco mais na hora da busca pelo livro. Pode ter quem goste de ler o livro no idioma original e necessite dessa informação. Como estou mais habituada a só colocar o título do livro e o nome da autora, peço que me perdoem se em algum momento eu esquecer de acrescentar as novas informações.rsrs... 


- Há quase três anos, eu li pela primeira vez O Morro dos Ventos Uivantes e cheguei a fazer resenha sobre ele aqui. Como não gosto muito daquela resenha, cheguei a pensar em retirá-la do blog, mas, ao sentir vontade de reler a história, acabei optando por fazer uma nova resenha, baseada no que sinto hoje pelo livro. Não me importa o que eu sentia antes. É como se eu tivesse lido o livro pela primeira vez. 


- Faz algumas horas que terminei de reler o livro. Acho que nunca li um livro tão devagar na minha vida. Foram muitas as vezes que parei para copiar trechos do livro num caderno, reler páginas, ler mais de duas, três vezes, uma mesma frase. Enfim... Eu queria entender os personagens, não perder uma só frase, uma só expressão, um só sentimento. Sem mencionar os momentos nos quais fiquei com o livro nas mãos, enquanto meu pensamento voava. Eu pensava muito em vários personagens da história e no quanto tudo poderia ter sido diferente para todos eles. Ouvia a música inspirada na história e sentia uma espécie de tristeza por já saber como o livro terminaria e não poder fazer nada para mudar aquilo. Eu queria que tudo pudesse ter sido diferente. E ainda estou melancólica, meio deprimida, com aquela sensação de que foi tudo muito injusto, tirando o destino da pequena Cathy e do Hareton. O destino deles foi justo. Dos outros, não.


- Mas antes de continuar, vou deixar claro uma coisa: essa resenha terá spoiler. Ainda não sei o quanto irei revelar, mas para quem desconhece o final do livro e pretende ler o livro desconhecendo-o, é melhor não ler essa resenha. Nada do que eu venha a falar será suficiente, é claro. Nem poderá te fazer sentir metade do que você vai sentir ao ler o livro, mas é melhor avisar. Eu preciso desabafar um pouco, gente. Preciso colocar em palavras pelo menos um pouco do que sinto. Preciso falar sobre certas coisas. Acho que não conseguirei me libertar deste livro antes de falar sobre o que me incomoda, o que me angustiou durante a leitura e tudo que foi marcante para mim. Creio que essa resenha será longa.


- Foram muitos os momentos nos quais pensei neste livro ao longo dos anos. Vira e volta lembrava da Catherine e do Heathcliff. Existiam trechos que me perseguiam, me atormentavam e me faziam desejar jamais ter lido esse livro. Mas também existiam trechos que me faziam acreditar cada vez mais no amor verdadeiro e no poder que esse amor pode ter. Trechos que apesar de machucar também me faziam suspirar e sonhar acordada. Tinha vezes que eu lia livros maravilhosos, de me roubar o fôlego, mas, de repente, lembrava do livro. Quando decidi enviar trechos marcantes para uma amiga, foi nos trechos deste livro que pensei, antes de pensar em qualquer outro. E quando uma amiga me viu com este livro nas mãos (eu estava relendo trechos dele) e perguntou sobre a história, me pediu que contasse um pouco sobre ela, era como se eu estivesse viajando para um novo mundo. O local no qual conversávamos não existia mais. Eu estava no Morro dos Ventos Uivantes, assistindo cada parte da história de Heathcliff e Catherine. E quando "retornei", essa amiga me pediu o livro emprestado para ler. Foi com uma dorzinha no coração que eu me separei dele. Ela leu o livro e ficou apaixonada por ele. Ela diz que é o melhor livro que ela já leu na vida e ela já leu muitos.rsrs... Confesso que eu não esperava por isso. Acreditava que ela iria odiar a história ou, talvez, odiar o Heathcliff e a Catherine. Mas não. E a personagem favorita dela é a Catherine. Outra coisa que me surpreendeu, já que a maioria das pessoas não suporta a Catherine. 


- Eu entendo quem odeia este livro. Realmente entendo. É um livro que alguns costumam dizer que você ama com todo o seu coração ou odeia com todo o seu coração. Eu concordo com essa afirmação? Não. Pois sou a prova de que não se pode sentir somente um desses sentimentos por esta história. Tanto amo quanto odeio este livro. Sinto uma mistura dos dois sentimentos e ambos de forma intensa. Nunca poderia declarar que odeio este livro, sem dizer que também o amo. Explico meus motivos daqui a pouco. 




"Perturbá-la? Não! Ela é que me tem perturbado dia e noite ao longo destes dezoito anos... incessantemente... sem remorsos..." [Página 248]




"Tu sabes como a sua morte me deixou enlouquecido para todo o sempre, de uma madrugada a outra, implorando-lhe que voltasse para mim... invocando o seu espírito... tenho muita fé nas almas do outro mundo; estou convencido de que, não só podem andar, como de fato andam entre nós!" [Página 249]


"Quase podia sentir o seu sopro quente deslocando o ar gélido. Eu sabia que não estava ali nenhum ser vivo, no entanto, tal como nos apercebemos da proximidade de um corpo material na escuridão, mesmo sem podermos vê-lo, senti que a Cathy estava ali, não sob mim, mas acima da Terra." [Página 249]


"Mas o que não associo eu a ela? O que não a traz à minha memória? Se olho para estas lajes, vejo nelas gravadas as suas feições! Em cada nuvem, em cada árvore, na escuridão da noite, refletida de dia em cada objeto, por toda a parte eu vejo a sua imagem! Nos rostos mais vulgares de homens e de mulheres, até as minhas feições me enganam com a semelhança. O mundo inteiro é uma terrível coleção de testemunhas de que um dia ela realmente existiu e a perdi para sempre!" [Páginas 279 e 280]



Um pequeno resumo: 


Foi no ano de 1771 que Catherine Earnshaw conheceu o homem que alteraria para sempre o seu destino. O homem que teria um forte poder sobre ela, que dominaria seus sentimentos e também teria participação na sua morte. Aquele que seria o seu melhor amigo, seu consolo nas horas de sofrimento, seu porto seguro. Seu amor secreto. Sua destruição. Mas ele ainda não era um homem quando ela o conheceu. Não passava de um menino. Um menino perdido e morrendo de fome e frio, que tinha sido encontrado pelo seu pai e levado para casa para ser criado ao lado dela, como parte da família. Catherine ainda não tinha completado seis anos e sua primeira reação foi de desprezo. Afinal de contas, por ter encontrado aquele menino na rua e ter perdido seu tempo se preocupando com ele, o pai dela havia perdido o chicote que ela tinha pedido que ele lhe trouxesse quando retornasse da viagem que tinha feito. O irmão de Catherine também não reagiu muito bem. Apesar de ser um adolescente e se esperar dele que se comportasse como um rapaz maduro, a reação dele chegou a ser mais violenta do que a de Catherine e seu ódio não foi momentâneo. Pelo contrário. E com o tempo, cresceu ainda mais chegando ao ponto de fazê-lo cometer as maiores maldades possíveis contra o menino, que era pouco mais velho do que a irmã dele.

Sempre que tinha uma oportunidade, Hindley maltratava o menino. O espancava e humilhava sem dó nem piedade e Heathcliff aguentava tudo calado, alimentando dentro de si o desejo de vingança e acreditava que um dia, por mais que esse dia demorasse para chegar, iria se vingar daquele rapaz que tanto lhe maltratava. Mas Heathcliff tinha um consolo. Um motivo para suportar qualquer dor e humilhação. Tinha Catherine. A menina dos olhos de anjo e do sorriso mais lindo do mundo. Aquela que o entendia e não o desprezava. Que era sua companheira de travessuras, sua única e verdadeira amiga. Por ela, ele seria capaz de suportar os tormentos do inferno.

O tempo passou... Hindley acabou sendo mandado para um colégio interno e isso provocou um certo alívio em Heathcliff e Catherine, mas eles sequer poderiam imaginar o que o destino ainda lhes reservava.

Anos mais tarde, o protetor de Heathcliff e pai de Catherine acabou falecendo e Hindley voltou para assumir o seu lugar de direito, como dono do Morro dos Ventos Uivantes e tutor de Heathcliff e Catherine. Ele voltou casado com Frances, uma mulher de saúde fraca e personalidade mais fraca ainda. Apesar dos anos, seu ódio por Heathcliff não diminuiu e ele aproveitou sua oportunidade para transformar o menino num servo seu, quase um escravo e atormentá-lo sempre que sentisse vontade. Os anos foram difíceis tanto para Heathcliff quanto para Catherine. Era um tormento para a menina ver seu amigo sendo maltratado por seu irmão e assim, a amargura foi deixando marcas profundas no coração dos dois jovens, que tinham acabado de entrar na adolescência.

"Nunca imaginei que o Hindley me fizesse chorar tanto!", escreve ela. "Dói-me tanto a cabeça que mal consigo deitá-la na almofada. Apesar de tudo, não consigo deixar de chorar. Pobre Heathcliff! O Hindley chama-o de vagabundo e proibiu-o de conviver ou fazer as refeições conosco. Além disso, proibiu-nos de brincar, ameaçando expulsá-lo de casa, caso voltasse a desobedecer. 


Tem andado a culpar o nosso pai (como é possível) pelo tratamento generoso que concedeu a H. E promete que o há de colocar no seu devido lugar."


Naquele mesmo ano, 1777, a amizade entre Heathcliff e Catherine sofreu uma nova provação. Catherine, durante uma brincadeira com Heathcliff, acabou indo parar na Granja dos Tordos, propriedade de uma família muito importante da região, os Linton, e, após ser mordida pelo cachorro dos donos, foi levada para dentro, sendo muito bem-recebida por todos. Heathcliff não recebeu o mesmo tratamento. Enquanto eles quiseram manter Catherine com eles por várias semanas, Heathcliff foi expulso de lá, somente partindo por ver que a amiga estava feliz e fascinada pela atenção recebida. Foi a primeira longa separação que eles tiveram que suportar.

Cinco semanas mais tarde, Catherine retornou, mas não era mais a menina de antes. A garota traquinas, rebelde e selvagem, tinha dado lugar à uma belíssima dama, vestida com belas roupas e altiva como lhe ensinaram a ser. Ela nunca antes tinha se preocupado com roupas, mas os Linton lhe ensinaram "tudo que uma dama deveria saber e como deveria se comportar". Catherine tinha que ser como Isabella e desde o dia que foi mordida pelo cachorro deles, os dois adolescentes, Isabella e Edgar Linton, passaram a fazer parte da sua vida, mesmo sem terem sido convidados. Catherine acabou aceitando a amizade deles, mas não esqueceu seu amigo de infância. Ao retornar, procurou por ele, mas, por causa da sua nova aparência e modo de ser, não foi bem recebida. Ela o ofendeu, mesmo sem ter essa intenção e a amizade passou a correr sérios riscos de se acabar. Edgar estava cada vez mais presente na vida da menina e todos queriam uma união entre eles. Catherine ainda preferia Heathcliff. Ela amava o amigo, embora ainda não soubesse que não sentia por ele apenas um amor de amiga, mas estava confusa.

A vida de Heathcliff piorou ainda mais. Se já não bastasse sofrer nas mãos de Hindley, agora também tinha que dividir sua amiga com Edgar e Isabella e sentir, dentro de si, que eles a estavam roubando dele. Ele sabia que a estava perdendo e aquilo só aumentou o desejo de se vingar de Hindley, por tê-lo feito descer tão baixo e se tornar indigno do amor de Catherine. Também o fez sentir um ódio violento por Edgar, que não escondia o interesse que sentia pela jovem. Ver Catherine com Edgar fazia sangue escorrer do seu coração. Doía. Atormentava. E assim, mais anos se passaram. Até que Heathcliff completou 16 anos e recebeu um golpe que o fez deixar seu amor para trás e seguir um novo caminho.

Ao ouvir uma conversa entre Catherine e a governanta Nelly, na qual Catherine mencionava sua intenção de se casar com Edgar e dizia que seria degradante para ela se casar com o Heathcliff, ele decidiu ir embora. Não levou nada e nem avisou que estava partindo. Simplesmente foi embora, deixando Catherine destroçada e atormentada pela culpa que sentia pela fuga do homem que ela amava. Catherine adoeceu gravemente, sofrendo pela primeira vez a febre cerebral que a mataria poucos anos depois. Com o tempo, ela conseguiu se recuperar e três anos depois se casou com Edgar Linton, acreditando que seu único amor jamais voltaria. Porém, seis meses após seu casamento, Catherine acaba sendo surpreendida pelo retorno de Heathcliff que lhe traz tanto felicidade quanto angústia.

Heathcliff retorna quase irreconhecível. Tinha crescido e enriquecido, embora ninguém soubesse como. Era agora um cavalheiro. Seu retorno sela o destino de quase todos os personagens desta história, que de uma forma ou de outra, tinham lhe roubado sua Catherine. Heathcliff retorna disposto a não ter pena dos seus inimigos e destruir um por um. Seu ódio por seus inimigos era tão forte quanto seu amor por Catherine. E da mesma forma, destruidor. E assim, ele começa sua vingança. Porém, ele jamais poderia imaginar as sérias consequências que isso teria... Se soubesse que sua vingança levaria com ela a vida de Catherine jamais teria começado tudo aquilo. Mas era tarde demais para voltar atrás. Era tarde demais para se arrepender.

Heathcliff decide que, como parte da sua vingança, irá se casar com Isabella, irmã de Edgar, e fazer da vida dela um inferno. Por causa desta decisão, Catherine e ele acabam tendo uma violenta briga que faz Edgar proibir Heathcliff de voltar a pôr os pés em sua casa. Catherine, mesmo furiosa com o amor da sua vida e angustiada por causa da decisão dele, não aceita a ordem de Edgar e após ser acusada por ele de incentivar as atitudes de Heathcliff, acaba tendo uma séria briga com o marido também. O estresse, a angústia e o medo de perder novamente Heathcliff a faz ter uma crise, seguida por um desmaio. Ela passa dias sem se alimentar e se tranca num mundo próprio, onde não existia dor e somente Heathcliff e ela. Nos seus pensamentos, ela ainda é uma menina e Heathcliff é seu companheiro. Eles estão juntos e felizes. Ela não está casada e jamais se casaria com Edgar. Jamais sairia do Morro dos Ventos Uivantes. E assim, Catherine piora  cada vez mais.

Enquanto isso, Heathcliff e Isabella fogem para se casar e passam alguns meses longe. Nenhum dos dois sabia sobre a doença de Catherine. É somente quando retorna que Heathcliff descobre. Desesperado para voltar a ver sua amada e angustiado por causa da sua doença, ele decide pedir a ajuda de Nelly para voltar a vê-la. Após a governanta se recusar ele acaba ameaçando-a, fazendo-a assim atender seu pedido.

Heathcliff vê Catherine com vida pela última vez e aquele último encontro é o mais doloroso da sua vida. Catherine não era nem sombra do que tinha sido e só de olhar para ela, dava para perceber que ela não escaparia da morte. A dor toma conta dele e as últimas palavras de Catherine ficam para sempre cravadas no seu coração. Edgar o expulsa de lá, mas Heathcliff não se afasta muito, pedindo a Nelly que lhe dê notícias sobre Catherine, que passou mal quando Edgar chegou e Heathcliff teve que partir. Foi horrível para ele deixá-la naquele estado, mas ele não queria brigar com Edgar e assim, provocar uma piora. Prefere aguardar por perto, para saber se ela tinha melhorado.

Porém, por volta da meia-noite, Catherine dá à luz a filha que esperava. Filha dela e de Edgar. Não recupera os sentidos o suficiente para conhecer a filha e morre poucas horas depois. Catherine Linton nasce e sua mãe morre. Uma criança inocente marcada para sofrer, desde o seu nascimento.

No dia do enterro de Catherine, Isabella Heathcliff provoca o marido até fazê-lo reagir com violência. Ela odiava tanto o marido que seu sofrimento lhe dava enorme prazer. Ele tinha destruído toda sua vida e vê-lo no chão, destroçado pela morte da única pessoa que ele amava, a fazia querer chutá-lo até matá-lo. Sua provocação chega longe demais e após a reação dele, ela consegue escapar. Não retorna. Dá à luz, poucos meses depois, ao filho deles que ela mantém afastado do pai, protegendo-o até o dia de sua morte. Isabella morre treze anos depois, deixando o filho sob a proteção de Edgar e fazendo-o prometer que cuidaria dele.

Mas Heathcliff, usando seu direito como pai, retira o menino de Edgar, levando-o para viver em sua casa. Se os maus-tratos de Hindley e o ódio que ele sentia por Edgar ter roubado sua Catherine, o tornaram um jovem amargo e violento no passado... A morte de Catherine lhe tirou seu coração, sua alma, sua paz e capacidade de amar qualquer outra pessoa. Assim Heathcliff se torna uma pessoa cruel, incapaz de amar o próprio filho. Ele decide continuar sua vingança nos descendentes daqueles que tinham destruído sua vida: Linton Heathcliff (que era filho dele, mas também era filho de Isabella Linton), Hareton Earnshaw (filho de Hindley) e Catherine Linton (que era filha de Catherine, mas também de Edgar Linton, o homem que ele mais odiava).

Será que Heathcliff vai conseguir se vingar até o fim? Será que Linton, Hareton e Catherine, três jovens inocentes, vão ter suas vidas destruídas por um ódio que começou há mais de dezessete anos? Serão condenados por um crime que jamais cometeram? Até onde um homem destruído pela dor e por um amor doentio pode ir?


Um clássico da literatura inglesa. Único livro escrito por Emily Brontë. Um livro marcado por um amor violento, arrebatador, destruidor; um ódio sem limites, vinganças, traições, loucura, desespero, tragédias. Uma história inesquecível. Personagens que despertam tanto nosso amor quanto nosso ódio. O Morro dos Ventos Uivantes é um livro forte, cruel e macabro. Uma história marcante.


" - Ele... completamente sozinho! Nós dois... separados! - exclamou ela, indignada. - E quem vai nos separar, não me dirás? Quem tentar terá o destino de Milo! Não enquanto eu for viva, Ellen... nenhum mortal vai conseguir isso. Mais depressa sumiriam da face da Terra todos os Linton do que eu permitiria separar-me do Heathcliff" [Página 74]


- Este é apenas um dos trechos mais marcantes do livro para mim. Existem outros. Alguns vou colocar nesta resenha. Outros, vou colocar num post separado somente para os trechos mais marcantes do Morro dos Ventos Uivantes (ainda vou preparar o post. Devo publicá-lo no domingo, se Deus quiser). 


- O livro começa no ano de 1801. Dezessete anos após a morte de Catherine Earnshaw, a única mulher que o Heathcliff tinha amado e ainda amava com loucura. Um visitante, disposto a passar um tempo na Granja dos Tordos, propriedade que tinha pertencido ao Edgar Linton e agora pertencia ao Heathcliff, aparece e resolve visitar seu senhorio. Após passar por situações estranhas no Morro dos Ventos Uivantes, ele volta para a Granja dos Tordos, muito gripado e, durante sua recuperação, Nelly, atendendo a um pedido seu, lhe conta a história das duas famílias. Tanto da família Earnshaw quanto da família Linton. E assim, nós somos levados ao passado dos personagens e ficamos sabendo como tudo começou. Apesar do livro ser narrado pelo tal inquilino e pela Nelly, através das lembranças da própria Nelly, nós conseguimos sentir as emoções dos personagens. Isso poderia ser impossível em outros livros, pois a Nelly era apenas uma pessoa que viu e ouviu muitas coisas ao longo dos anos. Esteve presente durante muitos acontecimentos, mas não fazia parte daquela história. Como posso explicar? Ela não estava no meio de toda aquela confusão. Mesmo assim, as lembranças dela nos faz conhecer cada personagem. Fez com que eu amasse e odiasse a maior parte deles. Provocou uma completa confusão em mim, fazendo eu me achar uma louca por amar alguém como Heathcliff. Fazendo eu desejar matá-lo em vários momentos e ao mesmo tempo abraçá-lo forte até livrá-lo da sua dor. Livrá-lo daqueles sentimentos que tanto o destruíam. 



" - Não sei como explicar, mas certamente que tu e toda a gente têm a noção de que existe, ou deveria existir, um outro eu para além de nós próprios. Para que serviria eu ter sido criada se apenas me resumisse a isto? Os meus grandes desgostos neste mundo foram os desgostos do Heathcliff, e eu acompanhei e senti cada um deles desde o início; é ele que me mantém viva. Se tudo o mais perecesse e ele ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir; e se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria para mim uma vastidão desconhecida, a que eu não teria a sensação de pertencer. O meu amor pelo Linton é como a folhagem dos bosques: irá se transformar com o tempo, sei disso, como as árvores se transformam com o inverno. Mas o meu amor por Heathcliff é como as penedias que nos sustentam: podem não ser um deleite para os olhos, mas são imprescindíveis. Nelly, eu sou o Heathcliff. Ele está sempre, sempre no meu pensamento. Não por prazer, tal como eu não sou um prazer para mim própria, mas como parte de mim mesma, como eu própria" [Páginas 74 e 75]




"- Deves estar possuída pelo diabo - continuou ele, desvairado, - para falares comigo nesse tom, quando estás à beira da morte! Já pensaste bem que toda essas palavras vão ficar gravadas na minha memória, consumindo-me a alma eternamente depois de tu morreres? Sabes que mentes quando afirmas que fui em quem te levou a esse estado deplorável. E também sabes, Catherine, que, enquanto eu viver, jamais te esquecerei! Não será suficiente para o teu egoísmo atroz saberes que, enquanto descansas em paz, eu sofrerei os tormentos do inferno?" [Página 138]




- O que posso dizer sobre a Catherine? É muito triste o seu destino. Eu me apeguei a ela e foi difícil vê-la morrendo. Foi doloroso suportar seus momentos de delírio. Em vários momentos lembrei da criança inocente, rebelde e amorosa. Ela podia ser difícil, mas era só uma criança e só precisava ser aceita e amada. Lembrei do quanto ela não compreendia as atitudes do pai, que dizia que ela lhe provocava desgosto e não aceitava seu espírito livre. Lembrei da linda amizade que existia entre ela e o Heathcliff e que logo se transformou num amor forte demais para uma jovem de 19 anos suportar (através da tabela que a Ana, do blog Seis Milênios, encontrou para mim, pude conhecer os anos importantes da história e a idade dos personagens em cada momento. Assim, quando Catherine morreu, estava com 19 anos). Lembrei de seu sofrimento por ver o amigo sofrer. E de vários outros momentos. Ver aquela jovem se apagar não foi fácil. Ela não era uma santa. Nem chegava perto. Sabia ser terrivelmente cruel, agressiva e egoísta. Por mais que eu leia este livro mil vezes, jamais conseguirei entender completamente a Catherine. Ela era tão complicada quanto o Heathcliff. Poderia dizer que ela era apenas humana e como todo ser humano, possuía qualidades e defeitos. Mas nem esta afirmação é suficiente. Somente lendo o livro vocês irão entender por que não é suficiente. Sinto falta dela. Apesar dos momentos nos quais ela me irritou, e apesar de qualquer egoísmo por parte dela, ela faz falta. Era cheia de luz, vida... Era uma pessoa de espírito livre e gênio difícil. Não suportava frieza e amava demais o Heathcliff apesar de conhecer cada um dos seus defeitos. Ela não merecia a morte, gente. Ela merecia uma chance de corrigir o erro cometido e tentar uma vida ao lado do único homem que amava e vê-la morrer daquela forma é de partir o coração. É muito triste. É injusto. Me senti uma inútil por não poder fazer nada para impedir sua morte. E o sofrimento do Heathcliff teve um impacto muito forte em mim. Não dá sequer para colocar em palavras o que senti... 





" - Muitas vezes provocamos os fantasmas e nos desafiamos mutuamente a andar e chamar os mortos por entre as sepulturas. Mas tu, Heathcliff, se te desafiar agora, ainda terás coragem de fazê-lo? Se tiveres, ficarei contigo. Não quero jazer ali sozinha. Podem enterrar-me a sete palmos de profundidade e fazer desabar a igreja sobre mim, mas não descansarei enquanto não estivermos juntos. Jamais!" [Página 111]





"- Mostraste-me agora o quão cruel tens sido. Cruel e falsa! Por que me desprezaste, Cathy? Por que traíste o teu próprio coração? Não tenho sequer uma palavra de conforto para dar. Tu mereces tudo aquilo por que estás passando. Mataste a ti própria. Sim, podes beijar-me e chorar o quanto quiseres. Arrancar-me beijos e lágrimas. Mas eles vão te queimar e serás amaldiçoada. Se me amavas, por que me deixaste? Com que direito? Responde-me! Por causa da mera inclinação que sentias pelo Linton? Pois não foi a miséria, nem a degradação, nem a morte, nem algo que Deus ou satanás pudessem enviar, que nos separou. Foste tu, de livre vontade, que o fizeste. Não fui eu que despedacei teu coração, foste tu própria. E, ao despedaçares o teu, despedaçaste o meu também. Tanto pior para mim, que sou forte e saudável. Se eu desejo continuar a viver? Que vida levarei quando... Oh! Meu Deus! Gostaria tu de viver com a alma na sepultura?" [Página 140]





" - Beija-me e não me deixes ver os teus olhos! Perdoo-te o mal que me fizeste. Eu amo quem me mata. Mas... como poderei perdoar quem te mata?" [Página 140]


- Não canso de reler estes trechos. E sempre sinto as mesmas emoções. O que posso falar sobre meu Heathcliff? Se não sabia o que falar da Catherine, muito menos dele. Já disse. Não dá para colocar em palavras tudo que sinto por esta história. É impossível. São coisas que simplesmente sentimos durante a leitura. Odeio o Heathcliff? Sim. Odeio o homem cruel, que maltrata as pessoas sem piedade, maltrata animais indefesos, se comporta como um verdadeiro demônio, um monstro vindo do inferno. Mas... Também o amo. O quê?! Sim. Seria uma mentira descarada afirmar que odeio o Heathcliff porque ele não é humano e é a maldade em forma de pessoa. Eu realmente o odeio, mas é um ódio mesclado com amor. Sinceramente, eu sinto as duas coisas. O simples fato de chegar a odiar o Heathcliff me faz sofrer, pois esse sentimento entra em guerra com o amor que também sinto por ele. Por mais que o Heathcliff tenha sido cruel, por mais que ele tenha machucado pessoas inocentes, eu não consegui esquecer quem ele foi. Não consegui deixar de enxergar o menino ainda aprisionado dentro dele. O jovem apaixonado e sofrido, que idolatrava seu anjo, sua amada. Não pude deixar de imaginar o quanto ele sofria cada dia pela perda da Catherine. Por tê-la perdido daquela forma. O Heathcliff tentou. Ele realmente tentou acabar com todo o amor que eu sentia por ele, mas não conseguiu. Despertou meu ódio, mas não matou o meu amor. Me senti como uma mãe que mesmo sabendo que o filho é um criminoso, um monstro e que deve pagar por isso, não consegue condená-lo e o defende com unhas e dentes. Heathcliff é meu querido. Um bebê que eu não pude salvar. Um jovem destruído por dois sentimentos fortes demais. Mais fortes do que ele: o ódio e o amor. É incrível como um sentimento tão belo, como o amor, pode ser capaz de provocar tanto dano. Eu jamais concordaria com alguém que afirmasse que o Heathcliff não amava a Catherine. Nunca poderia concordar com algo assim. Ele a amava mais do que tudo. O amor que ele sentia por ela matava seu amor-próprio. Catherine era o ar que ele respirava, sua força e sua fraqueza. Era sua alma, seu coração. Ao perdê-la, ele perdeu tudo. 


" - Jaz com um doce sorriso nos lábios e, certamente, os seus últimos pensamentos foram para os dias felizes do passado. A sua vida acabou como um sonho sereno. Assim ela possa despertar no outro mundo!

- Pois que desperte em tormento! - bradou ele com assustadora veemência, batendo o pé e soltando um grito, paroxismo de cólera incontrolada. - Por que ela mentiu até o fim? Onde está ela? Não está aqui, nem no céu, nem morta! Onde está então? Oh! Disseste que não te importavas que eu sofresse! Pois o que eu te digo agora, vou repetir até que a minha língua paralise: Catherine Earnshaw, enquanto eu viver não descansarás em paz! Disseste que te matei. Pois então assombra-me a existência! Os assassinados costumam assombrar a vida dos seus assassinos, e eu tenho certeza de que os espíritos andam pela terra. Toma a forma que quiseres, mas vem para junto de mim e me enlouquece! Não me deixes só, neste abismo onde não te encontro! Oh! Meu Deus! É indescritível a dor que sinto! Como posso eu viver sem a minha vida?! Como posso eu viver sem a minha alma?!" [Página 146]




- Vocês conseguem "sentir" este trecho? Eu consigo ouvir o Heathcliff falando estas palavras. E ele não estava falando nada daquilo da boca para fora. Realmente estava sofrendo e desejava com desespero que a Catherine o perseguisse, que ela não se afastasse dele um só instante. Não importava que ela estivesse morta e que o correto fosse deixá-la descansar em paz. Ele precisava dela. Lembram-se que eu disse que ela era o ar dele, seu coração e alma? Como um ser humano pode viver sem isso? Não pode, verdade? Por isso, ele precisava que ela o atormentasse, que ficasse com ele, assombrando sua vida. Porque ele suportaria sofrer, suportaria a loucura, mas não suportaria ficar longe dela. É forte demais. É realmente um amor doentio. Um amor suicida. Mais destruidor do que a tempestade mais violenta. Mas é amor. Não importa se não é um amor saudável. É amor e eles não escolheram amar daquela forma. Não foi escolha deles. Eles não são culpados por se amarem tanto. Quem pode condenar dois jovens que se amam? Eu não posso. Condenei um dia, quando estava muito furiosa com o livro, por não me deixar em paz.rsrs... Por ficar me fazendo lembrar tanto dele. Mas me arrependi quase imediatamente. No fundo, eu não podia condená-los. 


- Enfim... Já falei muito, não é verdade? E nem disse metade do que gostaria de dizer. Faltaram-me as palavras adequadas. Creio que, talvez, por não existir palavras que pudessem fazer vocês sentirem o que sinto por esta história. Peço somente que vocês leiam a história. Não prometo que vocês vão amá-la. Existem pessoas que odeiam profundamente o livro e o casal principal. Existem aqueles não conseguiram sentir um pingo de ódio pela história, que a amam com todo o coração. E existem pessoas, como eu, que sentem tanto amor quanto ódio pelo livro. Ler este livro é um risco, mas talvez vocês devam arriscar. A escolha é de vocês. :)

- Eu poderia falar sobre outros personagens desta história. Outros personagens que também marcam o livro, embora não seja de forma tão intensa como Catherine e Heathcliff marcaram. Mas marcam. Entre eles: Edgar Linton, Isabella, Hareton e Cathy (filha da Catherine). Porém, como já falei demais, deixo que vocês conheçam esses personagens lendo o livro. Sobre eles, não digo nada. 


- Enfim... É isso. Espero que O Morro dos Ventos Uivantes possa me deixar tranquila agora. Sinceramente, não desejo ficar pensando tanto neste livro. Não faz bem. Nunca vou esquecer esta história, nem se lutasse com todas as minhas forças conseguiria, mas desejo deixá-la no cantinho dela e ler outros livros. Livros lindos e não tão fortes quanto este. Livros "tranquilos".rsrs...


Bjs e até breve!

3 de fevereiro de 2012

Sob o Céu da Índia - Tracy Cozzens


Índia, 1893.


Ela queria aventura... e encontrou a paixão!

A visita à irmã que mora num país exótico é a oportunidade de Pauline viver as aventuras emocionantes com que sempre sonhou. E nada poderia ser mais empolgante do que saber, logo após chegar à Índia, que o audacioso Nate Savidge está planejando uma caçada na selva!

A caçada é um evento importante demais para Nate permitir que uma jovem atrapalhe sua concentração. Ao descobrir que Pauline conseguiu incluir-se no grupo, Nate decide dar-lhe uma lição, fazendo-a conhecer os perigos do mundo selvagem. Mas Nate conseguirá admitir que aquela mulher linda, inteligente e cativante... capturou seu coração e sua alma de maneira irreversível?




Palavras de uma leitora...


- Este ano eu decidi reler alguns livrinhos que tinha lido há alguns anos, mas ainda não havia resenhado no blog. Escolhi muito bem os livros.rsrsrs... Somente aqueles que eu lembrava de ter gostado e realmente desejava reler. Queria reviver o que vivi ao ler esses livros, sentir tudo que senti antes. Também seria uma forma de saber se ao reler esses livros eu ainda gostaria deles e os veria da mesma maneira. E posso dizer que eu realmente acertei dessa vez (tinha que acertar depois de tantas escolhas erradas para a Maratona de Banca.rsrsrs...). Reler "Sob o Céu da Índia" foi uma experiência simplesmente deliciosa. Era como se eu estivesse lendo o livro pela primeira vez... Me senti viajando para um mundo lindo, novo, selvagem e romântico. Um mundo no qual duas pessoas únicas, teimosas e loucas viveriam momentos de perigo, aventura, amizade, amor e paixão. Um mundo para o qual Pauline perderia para sempre o coração.



- Sabe quando um livro te faz viajar e te deixa em paz consigo mesma? Quando ele te emociona ao falar de coisas simples? E quando você simplesmente deseja que ele não acabe? Creio que já li esse livro três vezes (tenho quase certeza.rsrs...) e não me canso dele. Ele é mágico, simples, doce, romântico e me faz bem. Adoro quando um livro me deixa com aquela sensação de paz. Faz com que eu fique tranquila e sonhando acordada. (suspiros...)






" - Ora, se tem algo a compartilhar, por favor, faça-o e diga em voz alta para todas ouvirmos.


- Não foi nada - começou Lily.


- Sim, foi - afirmou Pauline. - Não concordo que os indianos estejam abaixo de nós. São simplesmente diferentes e...


- Moça impertinente! Sua opinião não tem importância. Você precisa aprender que uma lady de verdade morde a língua ante seus superiores.


- Pauline não compreendeu... - começou Lily.


- Posso falar por mim própria - interrompeu Pauline. - Sra. Winston, a senhora não é a pessoa mais apropriada para falar sobre morder a língua. Um criado indiano, um gentleman, está em pé bem atrás da senhora, no entanto, a senhora fala sobre seu povo como se ele não pudesse escutar nenhuma palavra do que está dizendo!


- Criança imprudente! - O rosto da sra. Winston começou a ficar vermelho. Sua mão tremia. - Sua falha educação ianque está se mostrando. A Índia é a jóia na coroa da rainha Vitória. Agora este é nosso país. É nosso dever cristão reformar esses pagãos deploráveis, idólatras. Se os negros não concordassem com a nossa superioridade concedida por Deus, não estaríamos aqui.


- Tem certeza de que eles consentem? - redarguiu Pauline. - O que você me diz sobre a rebelião de 1857?


A sra. Winston parecia ter visto um fantasma. As outras senhoras trocavam olhares enquanto descia um silêncio assustador." (págins 41)


- O livro conta a história de Pauline Carrington, uma jovem lady teimosa e rebelde que se recusa a ser o que querem que ela seja e não o que ela realmente é; e Nate Savidge, um aventureiro que recusou uma vida inútil para voltar para sua amada Índia e tornar-se o Tigre Branco, um homem corajoso que caça os animais selvagens que aterrorizam as aldeias e já destruíram muitas vidas.


Nate não tem medo do perigo. E não tinha medo de nada nesta vida até conhecer Pauline, a jovem que abalou todo o seu mundo e o fez ter medo de acreditar no amor e ao mesmo tempo desejar com todas as suas forças que dessa vez fosse diferente. Que dessa vez entregasse o seu coração sem acabar machucado depois. Que aquela mulher que mexia tanto com seu coração, como nenhuma outra mexeu, valesse a pena e não fosse simplesmente uma ilusão.






"Nesse momento, o desconhecido levantou os olhos para onde ela estava. Depois a fitou uma segunda vez e capturou seu olhar. Pauline ficou paralisada, sentindo um choque atravessar seu corpo. Parecia uma criança apanhada roubando. Havia percebido que ela o estivera encarando sem a menor cerimônia. No entanto, era demasiado orgulhosa para permitir-lhe a satisfação de afastar o olhar; por isso, o encarou sem pestanejar.


Depois do que pareceu uma eternidade, ele voltou a colocar o chapéu na cabeça e tocou a borda na saudação tradicional de um gentleman para uma lady. Em seguida afastou-se, sem olhar para trás nenhuma vez, enquanto a multidão de admiradores o cercava."


" - Tahmeed, por que eles não param de repetir tigre branco? - perguntou, fazendo um gesto para a multidão.


- Ah, o misterioso Tigre Branco voltou das montanhas. Derrotou o tigre amarelo que andava atrás de sangue humano. - Tahmeed sorriu e apontou para o homem de roupa cáqui. - Lá está ele.


- É esse seu nome? - indagou Pauline excitada e compreendendo, afinal.


- Essa é sua lenda. Ele é um shikari, um rastreador de grandes animais. Libertou as aldeias de tigres assassinos que nenhum outro homem ousou deter. Por isso é reverenciado pelos aldeões. É um sujeito muito interessante, mas não para alguém como você." (página 13)






- O primeiro encontro entre Pauline e Nate aconteceu na estação ferroviária de Kalka. Pauline tinha acabo de chegar na Índia e as palavras "Tigre Branco" repetidas tantas vezes pelos nativos chamaram sua atenção. Primeiramente, ela acreditou que eles realmente estivessem falando de um tigre branco, um mito, mas logo descobriu que não era de um animal que falavam e sim de um homem. E quando olhou para o Nate, sentiu coisas que jamais tinha sentido por homem algum. Ele era muito diferente dos "cavalheiros" estúpidos que ela tinha conhecido. Possuía uma beleza selvagem, seu olhar era de um homem que muito tinha visto nesta vida, e Pauline percebeu que ao lado dele sua vida nunca seria sem graça e que ele não era como os outros. Depois de conhecer Nate, sua determinada decisão de não se casar e construir uma família, sofre um sério abalo.


"Quando ficou consciente do lugar onde estava, sentiu a proximidade deliciosa de um corpo aquecido Ele estava deitado a seu lado e deslizou um braço ao redor de sua cintura. Pauline sorriu de satisfação. Ele a estava segurando outra vez. Dormir perto dele, na noite serena de uma cabana indiana, era tão íntimo como o beijo no templo.

- Não queria acordá-la - sussurrou ele.

- Hum. Está tudo bem. Estou contente que você esteja aqui. - Suspirou e se aninhou mais em seus braços.

- Querida - murmurou, dando-lhe um beijo na orelha." (página 130)


- Pauline é uma jovem diferente e determinada. Ela odeia o fato de ser uma lady. Detesta estar rodeada de gente hipócrita e egoísta, que só pensa em festas e casamentos. Aquele mundo a sufoca e quando recebe o convite de sua irmã, Lily Drake, para passar uma temporada em Simla, Índia, ela fica cheia de esperança. Finalmente teria a oportunidade de viver aventuras, correr perigo em vez de ficar indo de festa em festa à procura de marido. Mas depois de três semanas naquele país, Pauline descobre que as coisas lá não são tão diferentes do que em Nova York. Mesmo na Índia, ela tinha que continuar se comportando como uma lady e ficar à procura de um marido, que só estaria interessado em sua fortuna. Pauline não queria nada daquilo. Não queria se casar, pois, através dos comentários dos próprios "cavalheiros, descobriu que tudo que viam nela era uma fonte de dinheiro. Ela queria conhecer a verdadeira Índia. O verdadeiro mundo. E depois de cinco encontros, provocados pelo destino, com o único homem inesquecível que ela conheceu naquele lugar, ela decide que é ao lado dele que ela vai ter o que sempre quis. Decidida, ela tenta convencê-lo que ele tem muitos motivos para levá-la com ele (Nate tinha sido chamado para matar outro tigre que estava assassinando aldeões e partiria no dia seguinte.), mas quando Nate deixa claro que não deseja tê-la ao seu lado, Pauline resolve que ele vai levá-la querendo ou não. Então, ela arquiteta um plano quase infalível.rsrs... E é a partir daí que a história realmente começa... Ao lado do Tigre Branco, Pauline irá viver muito mais do que gostaria e tudo que desejará será viver para sempre ao seu lado. Na Índia ou em qualquer outro lugar. Não importa que ele nunca venha a ser aceito por sua família. Embora não queira magoar as pessoas que só queriam o seu bem, Pauline não estava disposta a jogar sua felicidade fora só porque era inadequado se envolver com alguém como Nate. Se voltasse atrás, ela sabia que estaria abrindo mão da própria vida.

Mas segredos e fantasmas do passado podem pôr fim nessa relação...


"Pauline hesitou, e depois deu um passo para trás. Olhou-o magoada. Por que essa mulher tinha o poder de fazê-lo sentir-se tão mal apenas com um olhar?" (página 159)

" - Estou muito feliz por ter sido útil. - Todo o tempo soubera que ela o estava usando. Mas ouvi-la dizer em voz alta era pior.

Pauline levantou-se e ficou atrás de sua cadeira. Nate resistiu à vontade de olhar para ela. Sentia a pele formigar por sua proximidade. Então ela deslizou a mão por seu ombro e depois para a nuca. Ele respirou fundo, incapaz de impedir uma reação de seu corpo. Praguejou contra sua fraqueza.

- Se ao menos minha aventura estivesse completa.

- Completa de que modo? - indagou cauteloso, percebendo que estava confrontando a criatura mais perigosa da terra.

- Aquilo que homens e mulheres fazem, é claro. - Pauline deu a volta e ficou a sua frente. - Aquilo que quase fizemos no templo. E antes de o tigre nos atacar. E aquela noite na aldeia, você me mostrou o paraíso. - Deu uma risada cintilante e voltou a sentar-se. - Chegamos muito perto várias vezes, não foi?

Ele a fitou, atônito por abordar assuntos que outras mulheres, nem em sonho, não teriam coragem para discutir. Parecia que estava falando sobre o estado do jardim e não sobre sua virgindade.

- Parece confuso. - Pauline franziu a testa, e seus lábios fizeram um beicinho. - Estou falando sobre homens e mulheres, você e eu." (página 169)


"Nate se moveu bem devagar, acariciando-a e beijando-a, tomando-a por completo. Pauline fechou os olhos para impedir que ele visse uma lágrima ameaçando aflorar. Como adorava suas carícias! Para onde quer que a vida a levasse, jamais lamentaria ter dormido com Nate Savidge." (página 176)


- Eu recomendo muito esse livro. Ele merece todas as cinco estrelas do skoob. É leve e mágico e recomendo até para quem não gosta de romances históricos. É uma história de amor linda, escrita para aqueles que amam ler romances doces e inesquecíveis. Para aqueles que simplesmente adoram um bom romance, independente de ser histórico ou contemporâneo.
 
 
"Tigre Branco da Índia.

 
No coração da selva, as sombras do fim da tarde se apartam revelando uma visão gloriosa. Todos ao redor se rejubilaram, como eu, ao ficarmos na presença de um milagre. Dando um passo à luz do sol, surgiu uma fera de graça e força magníficas, o Tigre Branco. Nada em minha experiência me preparara para sua beleza selvagem, seu porte nobre, seus músculos ondulando com graça e poder, inigualáveis por nenhum outro de sua espécie. Nunca havia eu imaginado compartilhar a terra com criatura tão bela. Nunca alguém como ele havia tocado não apenas meu coração como a verdadeira essência de meu ser. Uma cicatriz desfigurava a perfeição de seu semblante, mas, onde outros viram imperfeição, eu vi a marca de um verdadeiro sobrevivente. Nossos olhos se imobilizaram em compreensão silenciosa, os meus castanhos, os dele azuis como o céu indiano. Nesse momento, perdi para sempre meu coração para a Índia."
 
 
 
- Ao reler esse livro e prestar atenção em algumas coisas sobre as irmãs de Pauline, eu suspeitei que esse livro fizesse parte de uma série. Fui pesquisar na internet e não encontrei nada em português sobre isso (não falo inglês). Então, fui pedir ajuda ao skoob e busquei por livros da autora. Encontrei o que buscava. Sim. O livro faz parte de uma série e a Nova Cultural "esqueceu" (algo que a Harlequin também faz algumas vezes) de deixar um aviso no livro. Ótimo, não? Quando fazem isso deve ser porque acreditam que nós podemos adivinhar que os livros fazem parte de séries. Enfim... Sim. Estou aborrecida. É obrigação das editoras nos dizer quando um livro faz parte de uma série. Assim como também é obrigação delas publicar todos os livros das séries em vez de pular para lançamentos de outros livros e simplesmente esquecer que deixaram séries incompletas.
 
- Segundo informações em inglês (como disse, não entendo inglês e assim fica difícil, já que não encontrei o nome da série em português) o nome da série é American Heiresses (Herdeiras Americanas, segundo o tradutor do Google) e a ordem deve ser é essa:
 
1- Flight of Fancy (Hannah Carrington e Benjamin Ramsey)
2- A Dangerous Fancy (Lily Carrington e Alexander Drake)
3- Sob o Céu da Índia (Pauline Carrington e Nathaniel Savidge)
4- Um Certo Fascínio (Clara Carrington e Stone Hawke)
5- Estação do Amor (Meryl Carrington e Joseph Hammond)
 
 
Bjs e até breve!

14 de julho de 2011

Se Houver Amanhã - Sidney Sheldon



Figurando entre os melhores romancistas contemporâneos - e  também entre os mais lidos em todo o mundo - o escritor Sidney Sheldon, cujas personagens famosas e infames de O Outro Lado da Meia-Noite, A Herdeira, A Ira dos Anjos e O Reverso da Medalha encantaram e às vezes chocaram seus milhões de leitores, apresenta-nos agora a mais atraente de suas heroínas.


A adorável e idealista Tracy Whitney não consegue livrar-se de uma acusação falsa e é condenada a 15 anos de prisão, pena que vai cumprir numa penitenciária da qual é impossível fugir. Ela, porém, não se abate e luta para destruir os intocáveis senhores do crime que a mandaram para lá.

Suas únicas armas são a inteligência e uma estonteante beleza,  e com elas Tracy se lança numa sucessão de aventuras ousadas contra os golpes inescritipulosos que lhe aplicam - e desafiam  tanto a Interpol como as polícias de meia dúzia de países. A ação incessante da história se movimenta de Nova Orleans a  Londres, Paris, Biarritz, Madri e Amsterdã, e numa confrontação explosiva a heroína de Se Houver Amanhã encontra  seu igual no irresistível Jeff Stevens, de passado tão  pitoresco quanto o dela. E sempre ao fundo, vigiando e esperando, está o gênio maligno Daniel Cooper, que precisa  destruir Tracy, a fim de garantir sua própria salvação.




Palavras de uma leitora...




Olá, gente! :D

- Bem... Finalmente consegui terminar de reler esse livro que amo tanto e hoje tentarei (como disse, tentarei, pois falar de livros que nos tocam é sempre muito difícil... e nada do que eu possa dizer será suficiente) explicar para vocês porque esse livro é tão especial. Para quem não gosta de spoiler, deixo claro que não prometo que essa resenha não o terá. Eu não sei... rsrs...


"Ela se despiu lentamente, em devaneio; quando ficou nua, escolheu um negligê vermelho-vivo para usar, a fim de que o sangue não ficasse em evidência. Doris Whitney olhou ao redor pela última vez, para se certificar de que o quarto agradável, que tanto amara ao longo dos últimos trinta anos, se encontrava arrumado e impecável. Abriu a gaveta da mesinha de cabeceira e tirou a arma, com todo cuidado. Colocou-a ao lado do telefone e discou para a filha na Filadélfia.


- Tracy... senti vontade de repente de ouvir o som de sua voz, querida.


- Que surpresa boa, mamãe.


- Espero não tê-la acordado.


- Não acordou. Eu estava lendo. Charles e eu íamos sair para jantar fora, mas o tempo está horrível. Neva muito por aqui. Como está aí?


Santo Deus, estamos falando sobre o tempo, pensou Doris Whitney, quando há tanta coisa que quero lhe dizer. E não posso.


- Mamãe? Você ainda está aí?


Doris Whitney olhou pela janela.


- Está chovendo." (página 9)

 
" - Eu me sinto como uma princesa num conto de fadas, mamãe. Nunca imaginei que alguém pudesse ser tão feliz. E amanhã à noite conhecerei os pais de Charles."


"- Tenho certeza de que eles vão adorá-la, querida."


"- Charles diz que não tem a menor importância. Ele me ama. E eu o adoro. Mal posso esperar o momento em que você o conhecerá. Ele é fantástico."


"- Tenho certeza de que é mesmo. - Ela jamais conheceria Charles. Nem teria um neto no colo. Não! Não devo pensar nisso." (página 10)


"Houve uma trovoada mais alta, como uma deixa oportuna dos bastidores. Estava na hora. Não havia mais nada a dizer, exceto uma despedida final.


- Adeus, minha querida.


Doris manteve a voz cuidadosamente firme.


- Eu a verei no casamento, mamãe. Telefonarei assim que Charles e eu marcarmos a data.


- Está certo. - Havia uma última coisa a dizer, afinal. - Eu amo muito você, Tracy. Muito mesmo.


Lentamente, Doris Whitney repôs o fone no gancho.


Ela pegou a arma. Só havia uma maneira de fazê-lo. Depressa. Doris levantou a arma para a têmpora e puxou o gatilho." (página 11)


- E foi assim que Tracy começou a viver um terrível pesadelo... Sua vida era perfeita. Ela era uma pessoa muito sortuda, feliz. Não possuía riqueza, mas tinha uma vida confortável e tudo que pudesse desejar da vida. Inclusive um noivo que a idolatrava e que seria o pai do seu filho... filho esse que ela já estava esperando. Tinha uma mãe maravilhosa, o emprego dos sonhos, o noivo ideal e um filho em seu ventre, um bebê que ela já amava com todo seu coração... E em breve se casaria. O que mais poderia desejar da vida? Porém, de um momento para o outro, a vida de Tracy sofreu uma alteração drástica e muito cruel. Num curto espaço de tempo, ela perdeu tudo... Absolutamente tudo. A única coisa que lhe restou foi a vida... Se é que se podia chamar aquilo de vida e ela somente sobreviveu porque desejava uma coisa com desespero: vingança. Destruir aqueles que mataram sua mãe, seu filho e seus sonhos. Por vingança, ela sobreviveu...


- Os trechos que coloquei acima se encontram nas primeiras páginas da história. É quando Doris, mãe de Tracy, tira a própria vida. Mas eu não considero que ela se matou... Sei que ela puxou o gatilho, mas não teria feito algo tão terrível se não tivesse um forte motivo.


Depois da morte do marido, cinco anos antes, Doris ficou responsável pela pequena empresa da família e a dirigia com o maior amor apesar da falta enorme que sentia do marido. Ele construiu aquela empresa do nada e ela a manteria por ele. E assim se passaram cinco anos... Vários homens de negócios desejaram a empresa da família, mas Doris jurou que jamais a venderia, não importava o preço. E ela manteve a empresa prosperando durante todos aqueles anos... E o que será que levou Doris a tirar a própria vida? O que será que foi insuportável para ela?


"- Aqui é o tenente Miller, do Departamento de Polícia de Nova Orleans. Estou falando com Tracy Whitney?


- Ela mesma.


O coração de Tracy começou a disparar.


- Infelizmente, tenho uma má notícia a lhe dar.


A mão de Tracy apertou o telefone com toda força.


- É sobre sua mãe.


- Ela... mamãe sofreu algum acidente?


- Ela está morta, Srta. Whitney.


- Não!


Foi um grito. Devia ser um trote. Algum maluco tentando assustá-la. Não havia nada de errado com sua mãe. Ela estava viva. Eu amo muito você, Tracy. Muito mesmo".


- Acho que todas nós podemos imaginar a dor que Tracy sentiu. Perder alguém amado ou imaginar como seria se perdesse essa pessoa, é simplesmente horrível. E Tracy não perdeu qualquer um. Perdeu sua mãe. A pessoa maravilhosa que a criou com todo o amor, que foi sua confidente, sua amiga... Com Doris, ela poderia falar sobre qualquer assunto. Não havia segredos entre elas... Tracy se sentia segura para falar sobre qualquer assunto com a mãe, desde que era apenas uma garotinha... E receber a notícia de sua morte, foi insuportável. A dor foi enorme e ameaçava devorá-la a qualquer momento. Tracy não pensou em mais nada... Pegou o avião para Nova Orleans e foi falar com o tenente e assim, descobriu que sua mãe não havia apenas morrido: havia se suicidado. Mas ela perde definitivamente o controle quando descobre por que sua mãe se matou. Ela sentiu algo mais do que dor naquele instante. Sentiu ódio e vontade de matar... E isso a fez cometer uma atitude que alterou totalmente o seu futuro. Algo que a condenou.


"Não! Não quero ver o corpo vazio e sem vida estendido nessa caixa. Ela queria sair dali. Queria voltar algumas horas no tempo quando o alarme de incêndio soava. E que seja um incêndio de verdade, não o telefone, não a minha mãe morta. Tracy adiantou-se, lentamente, cada passo um grito interior. E então estava olhando para o corpo inanimado que a gerara, alimentara, rira com ela e a amara. Ela inclinou-se e beijou o rosto da mãe. O rosto estava frio e flexível.


- Oh, mamãe! - sussurrou Tracy. - Por quê? Por que fez isso?"


"O bilhete que Doris Whitney deixara não oferecia qualquer resposta:






Minha querida Tracy:


Perdoe-me, por favor. Fracassei e não podia suportar ser um fardo para você. Esta é a melhor solução. Eu a amo muito.


Mamãe."


- Sei que estou escrevendo demais, gente... Colocando vários trechos da história, mas é que eu acho necessário colocá-los... É incrível como existem pessoas ruins no mundo... Capazes de destruir as outras da forma como fizeram com a mãe da Tracy e com nossa mocinha. O que Doris passou foi horrível e insuportável para ela. Várias famílias ficaram arruinadas, sem emprego e, como a maioria já era mais velha, também quase sem chances de conseguir outros empregos. Doris havia sido enganada e a empresa que seu marido construíra do nada, estava sendo destruída. Isso a matou. Antes mesmo que ela puxasse aquele gatilho... já estava morta.

 
"- Já ouviu falar de um homem chamado Joe Romano?


- Joe Romano? Não. Por quê?


Otto Schmidt piscou os olhos.


- Romano procurou sua mãe há seis meses e disse que queria comprar a companhia. Ela respondeu que não estava interessada em vender. Mas ele ofereceu dez vezes mais do que a companhia valia e ela não pôde recusar. Ficou muito animada. Investiria todo o dinheiro em aplicações seguras, que proporcionariam uma receita de que vocês duas poderiam viver, confortavelmente, pelo resto de suas vidas. Pretendia fazer uma surpresa para você. Fquei muito satisfeito por ela. Há três anos que eu estava querendo me aposentar, mas não podia deixar a Sra. Doris sozinha, não é mesmo? Esse Romano... - Otto pronunciou a palavra com fúria evidente. - Esse Romano deu a ela uma pequena entrada. O dinheiro grande... o pagamento do saldo... deveria entrar no mês passado.


Tracy disse, impaciente:


- Continue, Otto. O que aconteceu?


- Assim que assumiu, Romano despediu todo mundo e trouxe o seu próprio pessoal. E começou a depredar a companhia. Vendeu todos os bens e encomendou uma porção de equipamentos, vendendo tudo, mas não pagando. Os fornecedores não se preocuparam com o atraso no pagamento, porque pensavam que ainda estavam tratando com sua mãe. Quando finalmente começaram a pressionar sua mãe pelo pagamento, ela procurou Romano e exigiu que ele explicasse o que estava acontecendo. Ele disse que desistira da transação e estava lhe devolvendo a companhia. A esta altura, porém, a companhia já não valia mais nada e ainda por cima sua mãe devia meio milhão de dólares, que não tinha condições de pagar. Isso quase me matou e à minha mulher, Tracy. Acompanhamos a luta de sua mãe para salvar a companhia. Mas não havia jeito. Eles a forçaram à falência. Tomaram-lhe tudo... a companhia, esta casa, até mesmo seu carro.


- Oh, Deus!


- Há mais. O promotor distrital comunicou à sua mãe que ia pedir um indiciamento por fraude, que ela se arriscava a uma sentença de prisão. Acho que foi esse o dia em que ela realmente morreu."


- No lugar da Tracy... O que você faria? Eu, sinceramente, não sei o que faria... Mas creio que iria desejar matar o desgraçado que fez aquilo. Acho que não desejaria nem sequer ver o demônio na cadeia. Iria querer sua morte, mas Tracy, inicialmente, não pensou como eu. Ela não pensou em matá-lo, embora em seu sangue sentisse o desejo de vê-lo morto. Ela não fez nada para provocar sua morte. Porém, cometeu um erro gravíssimo: mesmo depois de descobrir que Joe Romano era o braço direito de Anthony Orsatti, o chefe da máfia de Nova Orleans, quem "mandava" lá, ela quis ter, digamos, uma conversa com o Romano. Foi tolice. Ela não deveria ter feito aquilo... Mas eu não sou ninguém para julgá-la por isso. Ela comprou uma arma e foi até a casa do cretino, acreditando que, se apontasse a arma para ele e ameaçasse matá-lo, ele iria confessar seus crimes e poderia ser preso. Mas acho que a maioria de nós sabe que uma confissão sob ameaça não tem valor, certo? E esse Joe era realmente um demônio... Ele usou o plano da Tracy contra ela... Foi gentil, atencioso e... tentou estuprá-la. Como ele estava agindo de modo muito, digamos, agradável, conseguiu distrair nossa mocinha e derrubar a arma de sua mão. E... Já disse que ele não valia nada, não é? Então resolveu que além de destruir a vida de sua mãe, também abusaria do corpo dela. Só não contava com o fato de que Tracy não desistiria tão fácil. Ela lutou contra ele e recuperou sua arma, atirando... Por puro azar, o tiro pegou de raspão (digo azar, pois se era para ser condenada, antes ela conseguisse primeiro acabar com a vida do infeliz) e Tracy entrou em desespero depois de atirar. Não planejava fazer aquilo, entendem? Ela não queria matá-lo... e ligou para a emergência. Depois, tentou fugir da cidade. Só que o desgraçado sobreviveu e contou sua própria versão para a polícia. Disse que Tracy invadiu sua casa (ele havia aberto a porta para ela entrar, mas providenciou "provas" de que ela havia invadido) para roubar e que quando ele a surpreendeu, ela tentou matá-lo. Ele desapareceu com o objeto que ela supostamente havia roubado e nossa mocinha foi detida antes de conseguir pegar o avião.


- Enfim... Ela havia se metido com as pessoas erradas e não podia confiar em ninguém, porém ela não sabia disso e, quando um advogado, Perry Pope, pegou o caso dela e "mostrou" que ela poderia confiar nele, Tracy fez o que ele mandou... condenando-se completamente. Infelizmente, nossa mocinha não podia saber que seu advogado também trabalhava para Anthony Orsatti e que o juiz que iria julgá-la... também. Era impossível para ela, vocês não acham? Ela não tinha nenhuma chance contra aquela gente e foi acusada por um crime que não cometeu. Ela não roubou nada... Eles que a roubaram... Também não atirou com intenção, foi em legítima defesa... Mas o advogado a convenceu de que, se ela confessasse os crimes que não havia cometido, poderia ficar em liberdade depois por causa dos motivos que ele lhe deu lá... Que nem vale a pena mencionar, já que eram falsos. Nossa mocinha fez o que ele mandou... E sabe o que aconteceu?


"- A ré admitiu que tentou assassinar um dos cidadãos eminentes desta comunidade... um homem notório por sua filantropia e boas ações. A ré alvejou-o no ato de roubar um objeto de arte no valor de meio milhão de dólares. - A voz do juiz tornou-se mais áspera. - Pois este tribunal vai providenciar para que não possa desfrutar desse dinheiro... não durante os próximos 15 anos. Durante os próximos 15 anos você estará encarcerada na Penitenciária Meridional da Louisiana para Mulheres."


- Como podem perceber, Tracy foi completamente enganada e estavam tentando fazer o possível para destruí-la. Além de Joe Romano, Anthony Orsatti e Perry Pope, o juiz Henry Lawrence, que deveria fazer um julgamento justo, também participou da armadilha que lhe prepararam e Tracy foi condenada sem qualquer chance de defesa. E ela não tinha ninguém que pudesse defendê-la. Que pudesse lutar contra aquela injustiça toda... Peraí! E o Charles? Ela tinha um noivo, certo? E não um homem qualquer, mas um noivo muito rico, poderoso, que poderia ter lutado contra aquela gente. E nossa mocinha acreditou que ele faria exatamente isso. Que não permitiria que ela e o filho que esperava fossem para a prisão. E, gente, me partiu o coração ler a cena na qual ele lhe vira as costas... Como eu odiei aquele homem naquele momento! Ele a abandonou e não só isso. Abandonou também o próprio filho. Fez de conta de que ela havia feito o filho com... Não vou falar isso! rsrsrs... É uma frase desagradável e embora meu sangue esteja quente, esteja furiosa, eu não vou falar algo assim... Só em pensamento...rsrsrs....


"Cada palavra era um tremendo golpe. O mundo desmoronava sobre Tracy. Ela sentia-se mais sozinha do que em qualquer outra ocasião anterior de sua vida. Não havia agora ninguém a quem pudesse recorrer, absolutamente ninguém.


- E... e o bebê?


- Terá de fazer o que julgar melhor com seu filho - disse Charles. - Lamento muito, Tracy."


- Leram bem? "Seu" filho. O filho deixou de ser dele no momento em que ela foi condenada. Mas sabem... Eu o odiei naquele momento, mas depois que soube o que aconteceu com ele... só pude sentir piedade. Acho que ele teve o que mereceu. Se houve uma coisa boa naquilo tudo, foi Tracy não ter se casado com aquele rato. Ela não merecia um verme daquele como marido. Merecia um homem de verdade. Alguém que arriscaria a própria vida, se necessário fosse, por ela. Alguém que jamais a abandonaria numa situação como aquela. Alguém... como Jeff Stevens...rsrs... Mas ainda não é o momento de eu falar sobre o Jeff.


- Só tenho mais um trecho para colocar aqui antes de falar algumas coisas. Depois que eu explicar esse trecho, pararei de falar sobre os acontecimentos do livro. Não revelarei mais nada. Vocês terão que descobrir todo o resto sozinhos... rsrs... Mas digo uma coisa muito importante: essa cena é forte, muito forte. Nauseante. Se você não é do tipo de suportar cenas tão... tão torturantes, pule esse trecho. Depois não diga que eu não avisei. Foi uma das cenas mais fortes do livro para mim, mais nojenta, nauseante e que mais partiu meu coração. Não é à toa que eu admiro a Tracy. O que ela suportou não foi pouco... Informo também que nesse trecho há palavreado vulgar... como em todos os livros do autor.


"Foi despertada com uma mão a lhe tapar a boca e outras duas lhe apertando os seios. Tentou sentar e gritar, sentiu que lhe arrancavam a camisola e a calcinha. Mãos se insinuaram entre suas coxas, abrindo-lhe as pernas. Tracy lutou selvagemente, fazendo o maior esforço para se levantar.


- Fique calma e não sairá machucada - sussurrou uma voz na escuridão.


Tracy golpeou com os pés na direção da voz. Acertou alguém.


- Carajo! - balbuciou a voz. - Vamos dar uma lição na sacana. Ponham ela no chão.


Um punho duro acertou o rosto de Tracy, outro atingiu-a na barriga. Alguém estava por cima dela, imobilizando-a, sufocando-a, enquanto mãos obscenas a violavam.


Tracy desvencilhou-se por um instante, mas uma das mulheres tornou a agarrá-la, bateu com sua cabeça contra as grades. Ela sentiu o sangue esguichar de seu nariz. Foi derrubada outra vez no chão de concreto, imobilizaram suas mãos e pernas. Tracy lutou como uma louca, mas não era uma adversária para as três. Sentiu mãos frias e línguas quentes acariciando seu corpo. Suas pernas estavam abertas e um objeto duro e frio foi empurrado para dentro dela. Debateu-se impotente, tentando com desespero gritar. Um braço passou diante de sua boca e Tracy cravou-lhe os dentes, mordendo com toda a sua força. Houve um grito abafado:


- Sua puta!

 
Punhos lhe socaram o rosto... Ela mergulhou no pavor, cada vez mais fundo, até que finalmente não sentia mais nada." (páginas 71 e 72)


- Quem leu esse trecho não pode dizer que não foi avisado. Eu avisei! E por que coloquei isso aqui? Por três motivos. Primeiro, preparar quem quiser ler esse livro para que não fique chocado depois. É que eu não quero que alguém diga que não avisei que tinha cenas aterrorizantes nesse livro. Como estou há tempos dizendo que esse livro é um dos meus preferidos, alguns podem pensar que ele é como os livrinhos de banca que eu costumo amar. Nem chega perto, gente! É um livro muito forte, com algumas cenas que abalam a gente, chocam... Mas eu simplesmente amo esse livro e vou explicar meus motivos daqui a pouco. Enfim... Como disse, não queria que vocês tivessem uma ideia equivocada do livro. E por isso coloquei a cena mais forte. Sim. Essa é a pior, na minha opinião. As outras são mais... suportáveis (exceto uma que envolve o doente Daniel Cooper... Mas sobre esse louco eu nem quero falar)...Segundo motivo... Quem reparou quais foram as pessoas que fizeram aquilo com a Tracy? Alguém notou que foram três mulheres???!!! E isso me deixa indignada e eu precisava desabafar isso aqui. Ainda não consigo acreditar que uma mulher possa fazer algo assim com a outra. É doentio, chocante mesmo. Eu estou até acostumada a ver alguns homens fazerem algo assim em alguns supostos livros de romance, mas... Mulheres??? Contra seu próprio sexo? É absurdo! E eu senti uma fúria enorme naquele momento. Desejei que elas recebessem uma morte terrível, mas não vou contar se isso acontece ou não. Já estou falando até demais. Enfim... E meu terceiro motivo era comentar algo que o autor nos mostrou depois que a Tracy foi presa. Eu não sei se as prisões realmente funcionam assim. Não tenho como saber, mas o autor nos mostra, nesse livro, coisas realmente chocantes sobre as prisões. A partir dessa cena, e até antes, ele nos diz, com as próprias palavras das prisioneiras, que é até engraçado imaginarmos que existe alguma justiça nas prisões, que os responsáveis por elas a mantém em ordem e protegem os prisioneiros... Sabe como se eu tivesse a sensação de que o autor estava rindo desse nosso pensamento de que há "controle" nesses lugares? rsrsrs... Eu sei! Sou meio louca às vezes, mas foi essa a ideia que algumas cenas me passaram. Não estou julgando nenhum diretor penitenciário, guarda, policial, governo ou seja lá o que for... Só estou dizendo o que pensei de algumas cenas que se passam quando a Tracy está presa. Uma das prisioneiras, chega a deixar claro e nos mostrar que, quem manda... Não preciso dizer quem ela nos diz que manda lá... Deixo vocês descobrirem. Só sei que essas cenas me fizeram refletir muito... Muito mesmo...


- Enfim... Falei muito, não? Eu sei! Mas é que eu precisava falar... Contar algumas coisas para vocês, mas ainda não disse o essencial. Por que simplesmente amo esse livro e já o li mais de uma vez? E com certeza o leria várias e várias vezes sem cansar? Porque, além de ter criado uma história eletrizante, cheia de ação e reviravoltas de tirar o fôlego, o autor criou uma heroína que nos cativa e nos faz sentir muito orgulho. Tracy Whitney é a melhor mocinha que já conheci durante meu tempo como leitora. Sim! Ela é a melhor. Ocupa o primeiro lugar da minha lista de preferidas. Se não me engano, existem mais duas mocinhas que ocupam esse mesmo lugar, mas não são como ela. Eu nunca vi uma mocinha suportar tanta coisa como a Tracy suportou e mesmo assim continuar a ter a capacidade de amar, lutar e dar a volta por cima. Tracy sofreu muito, muito mesmo. Perdeu a mãe, os sonhos que tinha, o emprego maravilhoso, o noivo e até mesmo o filho que já amava tanto (perdeu o filho quando aquelas ordinárias fizeram aquilo com ela). Ela perdeu tudo e só não perdeu a vida porque percebeu que não podia continuar a agir como antes. Ela teria que mudar. Teria que ser muito forte e mais esperta do que aquela gente miserável que estava tentando acabar com sua vida. E ela consegue. E isso me impressionou muito. Tracy deu a volta por cima e de uma maneira sensacional. Ela se vingou. Fez toda aquela gente pagar (não direi como), mas o autor deixou bem claro, várias vezes, que ela não se perdeu no caminho. Apesar de todos os disfarces, ela não deixou de ser ela mesma nunca! Ela não morreu por dentro, entendem? E o autor nos mostra isso quando nossa mocinha tão querida faz aquilo pela aquela criança que se apegou a ela. Quando ela fez aquilo pela menininha que oferecia a ela seu amor de forma incondicional, eu me emocionei muito. Não a julgaria se ela agisse de forma contrária. Ficaria muito triste, mas entenderia, pois se ela fizesse aquilo poderia ter sua vida afetada de forma terrível, mas ela não se importou. Aquela foi uma prova enorme de que ela ainda era boa, maravilhosa e merecia, mais do que muitos, encontrar a felicidade. E eu amei ainda mais o autor quando ele colocou o Jeff na vida da Tracy. Ela havia perdido tudo, mas o autor lhe devolveu a chance de amar... e lhe deu alguém maravilhoso. Um homem de verdade que arriscou a própria vida para salvar a dela. Alguém que não a conhecia direito, mas era como se a conhecesse durante a vida inteira. Alguém que a fez voltar a sorrir, amar, ser feliz. Nada poderia ser como antes... Mas poderia ser melhor, não? E é por isso que ainda não posso aceitar o fim do livro A Senhora do Jogo. A Lexi era tão parecida com a Tracy, mas ao contrário da minha mocinha preferida, ela não destruiu só quem lhe fez mal... destruiu a si própria também.... Enfim... O livro "Se Houver Amanhã" sempre me será muito especial, pois tem dois personagens que me cativaram e me ensinaram muito também. Eles não eram o exemplo de pessoas, digamos, corretas (risos), mas me ensinaram bastante sim. Eu AMO esse livro! E amo Tracy Whitney e Jeff Stevens! São inesquecíveis...


- Enfim... É isso. Falei muito e acho que é o momento de parar. Mas não pensem que o livro é só isso, tá? Muita coisa acontece depois que Tracy é presa e ela conseguirá escapar da prisão! Não direi como e nem quando... Mas posso dizer que não contei nem metade do livro. Ele tem 434 páginas e um final totalmente inesperado (para mim, pelo menos). Pode também não ser o final que agrade todos, mas eu achei muito divertido...rsrs... Ah! E por falar em divertido... Depois que a Tracy conhece o Jeff o livro deixa de ser dramático e passa a ser muito engraçado! rsrsrs... Eu ri muito com esses dois! Eles aprontam bastante e até um contra o outro e isso deixa o livro delicioso! Apaixonante! Creio que o Sidney se sentia romântico quando criou o romance entre a Tracy e o Jeff...rsrsrs...


- E antes de terminar, deixa eu lhes informar uma coisa... A partir de hoje, o blog não terá somente as minhas resenhas. Como gosto muito das opiniões da Carla e da Mónica eu resolvi convidá-las para terem espaços próprios no blog e elas aceitaram! Isso me deixou muito feliz e sempre que elas lerem algum livro e quiserem fazer resenha deles, terão um espaço, cada uma, onde postarei as resenhas delas. Espero que vocês gostem da novidade. Eu estou adorando! Me sinto muito honrada por elas terem aceitado! E agradeço mais uma vez, Carla, Mónica! Estou muito feliz por isso! :D
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