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12 de fevereiro de 2026

A Filha do Conde - Lorraine Heath



Literatura Inglesa
Título Original: The Scoundrel in Her Bed
Tradutora: Daniela Rigon
Editora: Harlequin 
Edição de: 2020
Páginas: 304
Série Sins for all Seasons / Irmãos Trewlove - Livro 3

4ª leitura de 2026

Sinopse: FINN TREWLOVE cresceu como um bastardo, nunca tendo conhecido sua mãe ou tido qualquer contato com o pai. Quando viu Lady Lavínia pela primeira vez, se encantou pela dama. Ele sabia, porém, que era um território proibido - afinal, ela era a filha de um conde, e ele não passava de um plebeu. Entretanto, contrariando todas as expectativas, o casal vive uma linda história de amor durante a juventude. Mas as circunstâncias do destino acabam os separando, deixando Finn e Lavínia desolados e revoltados um com o outro por não saberem os reais motivos do triste fim. Oito anos depois, eles se reencontram e descobrem a verdade sobre o que os separou. E agora querem reconquistar o tempo perdido.



Depois de tanto tempo sem ler meus queridos romances de época, já deu para perceber que estou numa fase voltada para eles. É o quarto romance de época que leio este ano e ainda estamos em fevereiro.rsrs

Lorraine Heath, sem sombra de dúvidas, é uma grande escritora. Li o primeiro livro desta série em 2018 e o segundo em 2020. E algo que nunca esqueci foi o quanto o tema abordado pela autora mexeu comigo naquela época e continuava mexendo sempre que eu lembrava da série: a entrega de crianças para serem "esquecidas". Quando uso a palavra "esquecida", estou usando uma palavra menos forte para falar do que realmente acontecia. No final do primeiro livro, a autora fala claramente sobre a prática criminosa, hedionda, que era muito conhecida e utilizada para que pessoas se livrassem dos filhos não desejados. O romance do primeiro livro se constrói em torno desse tema, o segundo livro também... mas o terceiro nos atinge mais forte. 

Lavínia tinha apenas 15 anos quando o conheceu... Deveria tê-lo odiado, pois ele estava lhe tirando sua égua preciosa, sua Sophie, conforme as ordens do pai dela. E, de fato, o detestara no início. Mas ele demonstrou que não era o tipo de pessoa que ela pensava. Que existia dentro do seu peito um coração sensível... que se importava. 

Finn tinha 21 anos. Seis anos mais velho que Lavínia e embora tenha ficado fascinado por ela ao conhecê-la, não foi mais que um amigo ao longo dos dois anos que se seguiram. Ao atingir os 17 anos, ela estava com idade suficiente para ser apresentada à sociedade e se casar, como era o costume de sua época. E Lavínia estava prometida, desde o seu nascimento, a um homem que era onze anos mais velho que ela. Mas ela nunca reclamara e aceitava o seu destino, traçado sem que lhe tivessem perguntado nada e sem que se importassem com a sua vontade. Pelo menos seu futuro marido era jovem ainda e muito bonito, também parecia gentil... Mas... a amava?! Claro que não. Quase não a viu ao longo dos anos que se passaram até que ela atingisse os dezessete anos. Não seria um casamento por amor. Seria o cumprimento de um acordo feito por sua família, ao decidir o destino dela. 

Ela acreditava que estava conformada com a vida que levava, prisioneira de uma realidade que não escolhera. Com cada decisão sendo tomada sem considerar sua opinião. Mas os dois anos de amizade com Finn mudaram algo em seu interior. Ele era diferente dos jovens de seu convívio. Não parecia vê-la como um troféu ou a "dama perfeita" para um casamento de conveniência, no qual sentimentos não eram levados em conta. Finn a enxergava, a ouvia e respeitava. Ao estar com ele, conversar com ele, ouvir seus sonhos e planos para o futuro, compartilhar seus próprios sonhos, Lavínia se sentia livre, como jamais tinha sido. 

Foi mágico quando a amizade se transformou em amor. Quando viveram a primeira noite... que era a primeira vez para os dois, descobrindo juntos a paixão e acreditando que seriam fortes o suficiente para lutar contra o mundo, se necessário. Mas o conto de fadas teve um final terrível... 

Oito anos depois, não eram nem sombra dos jovens apaixonados de outrora. Ambos carregavam marcas profundas daquele término e de tudo o que se seguiu. Foram oito anos de ressentimentos, um acreditando que tinha sido abandonado pelo outro... Mas quando a verdade vier à tona, talvez ela não signifique uma libertação... ou uma segunda chance. Talvez reabra feridas ainda não cicatrizadas. 

Ao ler A Filha do Conde, tive poucos momentos de alegria. Foram poucos os momentos de leveza para o meu coração, em que pude sorrir com o casal. O livro já começa com uma cena bem forte e cruel. Só que demorei algum tempo para compreender de que personagem se tratava. Imaginei que fosse outra personagem e não aquela. E quando percebi, quis acreditar que estava enganada, que a autora demonstraria que eu tinha errado... Eu estava certa. E chorei bastante com esta história. 

Não consigo falar do livro sem sentir todo o peso que ele provocou em mim. Não é um daqueles livros para passar o tempo sorrindo e se encantando. O casal tem momentos de felicidade, são dois personagens envolventes. Mas tudo o que lhes aconteceu foi terrível. Eles passaram por muitas coisas e a pior delas não teve volta. O coração dos dois nunca estaria inteiramente curado porque o tempo não retornaria para devolver algo precioso que foi perdido. E isso dilacerou o meu coração. A reta final da história me deixou arrasada. Sei que eles encontraram um caminho para a felicidade. Para o seu "E viveram felizes para sempre", mas... Não dá, queridos. Eu não consigo superar o que lhes foi roubado e a forma como tiveram que tomar a decisão menos injusta por amor. Uma decisão que deixava uma ferida aberta no peito. 

Meu sangue ferveu tanto com o que fizeram com esse casal! No lugar da Lavínia, eu provavelmente faria bem pior do que ela fez. Ainda sinto muita revolta. E isso não vai passar. Sempre que eu lembrar dessa história sentirei o mesmo. A sensação de extrema injustiça, de vida despedaçada, de oportunidade perdida... A sensação de que foi roubado do casal algo que nunca poderia se recuperado.


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro lançado até 2020


Série Sins for all Seasons / Irmãos Trewlove

3. A Filha do Conde
4. A Sedução da Duquesa
5. Fascínio da Nobreza
6. A Tentação do Bastardo



28 de janeiro de 2026

Perigosa - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Dangerous in Diamonds
Tradutora: Helena Ruão
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 336
Série As Flores Mais Raras - Livro 4

3ª leitura de 2026

Sinopse: Tristan, duque de Castleford, acaba de herdar uma pequena casa e, com ela, uma grande surpresa: Daphne Joyes, uma bela, mas agressiva inquilina. O irreverente Tristan deixa logo bem claro que tenciona seduzi-la, dar-lhe prazer, e vê-la coberta apenas de diamantes. Mas Daphne conhece bem a escandalosa reputação do duque, e não está disposta a ceder às suas provocações. No entanto, ambos têm um inimigo em comum. Um homem cuja malevolência acaba por os ajudar de uma estranha e inesperada forma. Existe, todavia, um entrave: o segredo que Daphne guarda e que a leva a ser uma mulher extremamente cautelosa. Mas embora o seu novo senhorio seja arrogante e se entregue a uma vida de deboches (exceto às terças-feiras!), Daphne dá por si a baixar perigosamente a guarda. Até porque, afinal, os diamantes ficam bem com tudo e também com nada.



Não sei bem como começar a falar deste livro já que estou um tanto estressada. Não é um estresse por algum motivo aleatório, indiferente ao livro. Não. É inteiramente provocado por ele. 

Na resenha anterior, sobre Pecadora, eu já tinha falado que acreditava que a Daphne seria minha personagem favorita da série, por tudo o que ela tinha feito pelas outras mulheres. Pela forma como as abrigava, oferecia refúgio, sem perguntas, sem cobranças, sem qualquer julgamento. Recebia mulheres desamparadas em sua casa e fazia com que elas se sentissem seguras num mundo que, naquele momento, não era seguro para elas. 

Daphne sempre foi como uma mãe para todas as que recebeu ali, mesmo quando tinha quase a mesma idade que elas. Daphne era refúgio... Era como um lar. E o mínimo que esperava da autora era que fizesse um livro digno dela. Algo diferente disso não seria justo. De modo algum! E o que a autora fez?! Teve que me recordar, justamente no livro da Daphne, os motivos pelos quais tive problemas com alguns livros dela no passado. Ainda não consigo acreditar!

Daphne é uma jovem de vinte e sete anos, que já não acreditava mais em histórias de amor. Não para sua vida. Ficou feliz quando cada uma das suas três melhores amigas encontrou o amor, se casou e passou a construir a própria família. Ela verdadeiramente se alegrava por cada uma delas, e acreditava de fato que haviam encontrado o amor e a felicidade. Mas na sua vida isso já não seria possível. 

Atormentada por terríveis segredos do passado, conseguira passar anos escondendo toda a verdade, por trás de uma postura digna e reservada. Sempre mantendo bem trancadas todas as suas emoções. Ninguém precisava conhecer suas dores, já que ninguém poderia mudar tudo o que lhe acontecera. Ela só tinha que seguir em frente, como sempre fizera. Mas todo o mundo cuidadosamente seguro que construíra para si mesma começa a ruir quando o seu senhorio falece e deixa a casa na qual Daphne morava para o duque de Castleford, um homem conhecido como libertino, que passava boa parte de todos os seus dias se distraindo com diversões bem pecaminosas, incapaz de se importar com assuntos que para ele seriam insignificantes... como a necessidade que Daphne tinha de manter o seu lar. De permanecer naquela casa. 

Tristan, o duque de Castleford, fora até a residência na qual sua nova inquilina vivia apenas por curiosidade. Ele não entendia o motivo de ter herdado aquelas terras, já que o falecido o desprezava e Tristan não precisava de nada. Era muito rico e poderoso e aquelas terras eram um acréscimo insignificante na sua fortuna. Mas ao vê-la pela primeira vez... Ele começa a apreciar muito a sua herança. Daphne era deslumbrante e ele não conseguiu pensar em mais nada além de possuí-la. Não importava o tempo que levasse e o quanto ela lutasse contra a sedução dele. Jamais uma mulher o recusara na vida. Ela não seria a primeira. 

Quando percebe que não conseguiria levá-la para a cama com a rapidez que imaginara, Tristan começa a jogar... e usar todo o seu poder para tê-la por perto. Até que conseguisse atingir os seus objetivos... 

Eu gostava muito do Tristan nos outros livros. E a verdade é que ainda gosto, mas ele me irritou demais nesta história aqui. Ele sempre foi um duque da cabeça aos pés, se intrometendo na vida das outras pessoas, e levando a vida com sua "superioridade" baseada no berço. Mas ele não parecia uma má pessoa e toda vez que se intrometia em assuntos que não eram seus, na verdade, sempre fazia algo bom para outra pessoa. Como aconteceu ao se intrometer nos assuntos do Grayson (protagonista do segundo livro): fez com que Verity, a esposa dele, fosse mais facilmente aceita na sociedade. Verity vinha de uma origem humilde, apesar de toda a fortuna dela. Por não ser filha de um nobre, não foi exatamente bem recebida ao se casar com um conde, mas Tristan ajudou na sua apresentação à sociedade e isso abriu o caminho para ela. O mesmo ele fez pelo Jonathan (protagonista do terceiro livro), outro de seus amigos, consertando uma grande injustiça. Ou seja, Tristan geralmente usava seu poder e influência para coisas boas, ainda que ele não reconhecesse. E não vou permitir que a autora estrague isso nas minhas memórias, por mais raiva que eu sinta por algumas coisas. 

E, então, na hora de nos presentear com a história mais aguardada da série, por todo o histórico que ela mostrou desses personagens nos livros anteriores... Depois de termos criado muitas expectativas... Ela quase estraga tudo. Quase estraga o imenso carinho que eu sinto pela Daphne e a forma como eu via o Tristan. Está difícil superar isso. 

Mas, Luna, você deu 4 estrelas ao livro! Não foi ao livro que dei quatro estrelas. Foi à Daphne. Porque seria extremamente injusto, depois de tudo o que ela fez pelas amigas nos livros anteriores e tudo o que passou na vida, eu simplesmente dar menos estrelas à história dela porque a autora não escreveu um livro digno da personagem, porque me decepcionou. Eu não faria isso com ela. A culpa com certeza não foi da Daphne. 

Entendam que não é uma simples decepção. É a injustiça cometida contra a personagem. Todas tiveram histórias incríveis, com profundidade, com desenvolvimento, mesmo em meio às cenas quentes, explícitas, presentes nos livros da autora. Os livros foram ótimos. O romance construído entre os personagens me convenceu, me emocionou, me envolveu. Teve profundidade em cada um dos livros anteriores da série. O livro da Celia, então, me fez chorar. Daphne era minha personagem querida, por isso eu desejava o mesmo para ela. A profundidade da relação, o desenvolvimento convincente, o amor sendo construído pouco a pouco... Eu não queria todo o excesso de foco em sexo que teve nesta história. O ponto inicial para o desenvolvimento da história de Daphne e Tristan até poderia ser esse, justamente por todo o histórico do personagem, que era um completo libertino e tinha uma vida bem desregrada. Mas o foco da história não podia ser esse, se não haveria espaço para desenvolver os temas sérios abordados no livro, a história de vida da personagem, seus traumas, seu sofrimento, e a própria história de amor entre ela e Tristan. 

A autora se concentrou tanto no lado libertino do Tristan, na sedução, na sensualidade dos momentos nos quais ele estava com a Daphne, que deixou o livro sem espaço para o resto. E o resto era muito importante. O passado da Daphne era muito importante por tudo o que aconteceu. O grande segredo dela, revelado só nas últimas páginas (eu já imaginava o que era e não acreditei que aquilo ficou só para o final!), precisava de várias páginas e cenas de desenvolvimento, porque era importantíssimo. E quando a autora veio com a revelação no fim, foi quase para matar os personagens no meu coração. Eu tive que respirar bem fundo e lembrar de tudo o que eu sabia sobre a essência de Daphne e Tristan para não me deixar levar por aquelas frases e me enfurecer com eles. Foi muito difícil. Não sei realmente o que se passou pela cabeça da autora para fazer aquilo. Lynne Graham fez algo semelhante em um livro uma vez e nunca esqueci. É um livro que não gosto nem de mencionar. Mas naquele livro existiam protagonistas realmente desprezíveis. Aqui, não. Daphne foi construída ao longo dos quatro livros da série. De modo algum vou desprezá-la em meu coração, quando um único momento não define a personagem maravilhosa que ela é. 

E o Tristan também não. Apesar de todos os seus erros neste livro (e foram muitos), ainda pude enxergar nas entrelinhas e me lembrar de sua participação nos livros anteriores. E nos breves momentos em que era possível ter acesso ao seu interior, era possível ver o quanto ele era um personagem bom. Eu gosto muito dele. Minha decepção é com a autora mesmo. Mas com isso aprendo uma lição: não criar mais expectativas com as histórias escritas por ela. Eu já tinha me decepcionado no passado. Mas fiquei tão empolgada com o desenvolvimento da série As Flores Mais Raras, que achei que tudo correria bem até o final. E no último livro ela me decepcionou. No livro que seria o mais importante para mim.kkkkkk 

Isso não significa que deixarei de ler os livros da Madeline Hunter. Claro que não! Ainda quero ler vários outros romances escritos por ela. Só não criarei mais expectativas. 


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro de série/trilogia

Série As Flores Mais Raras

4. Perigosa



25 de janeiro de 2026

Pecadora - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Sinful in Satin
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 328
Série As Flores Mais Raras - Livro 3

2ª leitura de 2026

Sinopse: Habituada a uma existência pacata, Celia Pennifold vê a sua vida virada do avesso após a morte da mãe, Alessandra Northrope, uma cortesã afamada. Para além de uma pequena casa, a mãe deixou-lhe de herança apenas dívidas e uma reputação manchada. O destino de Celia já está traçado há muito. Ela foi educada para seguir as pisadas da mãe. Mas Celia é determinada e tem os seus próprios planos… que não incluem, evidentemente, o misterioso inquilino com que se depara ao instalar-se no seu novo lar. Jonathan Albrighton encontra-se numa missão a mando do tio, pois há suspeitas de que Alessandra possuía informações delicadas sobre alguns dos homens mais influentes da sociedade londrina. Jonathan pensava estar perante uma tarefa simples, não contava encontrar em Celia uma adversária à sua altura…



Definitivamente, de volta aos romances.rsrs Depois que terminei a leitura de Provocante, eu não consegui resistir à vontade de seguir lendo os demais livros da série, mesmo com duas outras leituras em andamento (Entre Sueños e O Conde de Monte Cristo). Decidi ouvir meu coração e mergulhei na leitura de Pecadora, o que se provou a melhor escolha! 

Até agora, posso dizer, sem hesitar, que este é o meu livro preferido da série. Me encantei com os dois anteriores, mas com a história de Celia e Jonathan eu chorei. Meus sentimentos ficaram muito bagunçados. Sentia muita raiva, uma sensação enorme de injustiça pela forma como a Celia se enxergava, levada pela opinião da sociedade e de sua própria mãe. A forma como ela acreditava que não podia sonhar, não podia ter a vida que realmente queria. Isso me atormentou durante quase toda a leitura, embora eu também tenha sorrido e até gargalhado com o desenvolvimento do romance entre ela e Jonathan. Mas aquela sombra permaneceu, entende? A sombra da injustiça e eu queria um final completamente feliz. Não aceitaria menos. Acredito que a autora entendeu que os fãs mereciam um final assim, digno da história. Porque posso dizer, sem medo de spoiler, que o final não decepciona. 

Celia é uma jovem de 23 anos que fugiu da casa da mãe aos dezessete anos, por não aceitar a vida que ela desejava para a própria filha. Sendo uma cortesã famosa, bastante requisitada, Alessandra educara Celia para a substituir, para herdar o seu legado. Ensinara tudo o que considerava necessário para iniciá-la naquela vida e buscara entre os membros da nobre sociedade o "protetor" adequado para ser seu primeiro amante. Em outras palavras, quem pagasse mais e tivesse condições de manter o luxo que ela desejava para a filha. 

Celia sempre soube que aquele era o seu destino. A vida que a esperava, que não havia opção. Mas quando tudo estava prestes a começar, quando a mãe realmente deu os passos necessários para que ela tivesse o primeiro "protetor", ela fugiu. Da decepção. Do destino. De tudo aquilo que repudiava. Mas fugiu sem rumo, sem saber o que fazer. Sem amigos, sem dinheiro, quase caindo nas ruas cruéis que esperavam para destruí-la. Foi quando encontrou Daphne. Que não fez perguntas, que não exigiu saber do seu passado. Apenas lhe ofereceu amizade e abrigo. 

Durante cinco anos, ela foi feliz. No anonimato, escondida na propriedade de Daphne. Longe dos olhares julgadores da sociedade que conhecia muito bem sua mãe e o seu legado. Longe dos olhos daqueles que a consideravam marcada e perdida simplesmente por ter nascido. Então, sua mãe adoecera. Ela poderia ter mantido a mágoa, poderia ter continuado na tranquilidade de sua vida, mas não podia abandonar aquela que lhe deu à luz no momento em que ela mais precisava. 

Para cuidar da mãe, Celia teve que sair do seu abrigo e com isso as línguas voltaram a falar. Logo, foi de conhecimento geral que a filha de Alessandra estava de volta. Com a morte da mãe, tudo explodiu. Já não era possível retornar. Não podia manchar a reputação de Daphne, por mais que a amiga dissesse não se importar. Não podia mais ter o seu refúgio. Era hora de encarar a vida de frente e fazer uma escolha. Poderia ter um futuro sem manchas? Poderia seguir renunciando ao legado de Alessandra? Ou para se sustentar e não passar por privações deveria abraçar aquela vida, como todos esperavam e desejavam? Deveria desistir para sempre dos sonhos adormecidos? Celia ainda não sabia. Só sabia que a voz de Alessandra e tudo o que ela lutou para que a filha acreditasse ser verdade, não parava de falar em seus ouvidos... 

Jonathan era um homem acostumado com a dureza da vida. As coisas simplesmente eram como tinham que ser, ele aprendera. Passara por privações, humilhações até chegar à posição que ocupava na sociedade, como filho bastardo de um conde. Fora amigo de Alessandra e conhecera Celia antes da fuga dela. Agora, tanto tempo depois, a reencontrava, porque ela estava no caminho de sua mais recente missão. Diferente da maioria das pessoas, não a julgava simplesmente por ela ser filha de uma cortesã. A enxergava. Mas, fosse o que fosse que pensava, jamais poderia se envolver com ela... Ainda que o simples fato de estar no mesmo ambiente que ela, fosse suficiente para fazê-lo desejar o impossível...

Eu tive muito medo de não gostar do Jonathan. Um medo terrível. A história de vida da Celia, a forma como a sociedade a condenava e queria afundá-la na vida que exigiam que ela seguisse, me recordou um livro que li há vários anos e me marcou profundamente, mas de uma forma bem negativa. A Promessa da Rosa, da autora Babi A. Sette. Os sonhos da Celia me lembraram os sonhos da Kathe. E eu não queria vê-la passar pelo mesmo. Não aceitaria isso. Por este motivo, tive medo. Porque a história da Kathe, em A Promessa da Rosa, não é uma história de amor, por mais que a maioria dos leitores e a autora a considerem como tal. Na minha opinião (e é meu direito pensar o que quiser de um livro que eu li), está bem longe de ser uma história de amor. É uma história de terror, de destruição, de sonhos e futuro perdidos pela maldade de uma sociedade muito hipócrita e de um personagem considerado o mocinho da história. Arthur é um verme da pior espécie. Dizer que ele é um lixo é ofender o lixo. Esse tal mocinho nada tem de mocinho. Ele é o próprio vilão na vida da Kathe e ela não enxerga isso. Oito anos se passaram e nunca perdoei essa história. Nunca perdoei o Arthur. E nunca esqueci tudo o que a Kathe sofreu. 

Mas, Luna, não estávamos falando da história de Celia e Jonathan?! Sim, voltemos! O meu medo do Jonathan ser alguém parecido com o Arthur se mostrou bastante infundado. Jonathan é alguém que conhece as realidades da vida, as regras da sociedade, a forma como tudo acontecia. Parece muito misterioso no início da história, um tanto frio e prático, mas conforme a história se desenvolve, enxergamos quem ele realmente é e o que pensa, bem como o que é capaz de fazer por aqueles com quem se importa. E, definitivamente, ele se importava com Celia.

A história não vai se desenvolver como um conto de fadas. O que não significa algo ruim. Pelo contrário, da forma como a história foi brilhantemente construída pela autora, eu pude acreditar completamente no sentimento que surgiu entre eles, na relação que se construiu com a convivência. Celia e Jonathan se aproximaram de uma forma que nos parece tão real, como se eles existissem. Eu lia sobre os momentos deles juntos, as conversas, os segredos e sonhos partilhados e queria que eles fossem mais que personagens de um livro. Mas, Luna, você sempre vê os personagens como pessoas. Sim, é verdade.rs Embora não seja possível explicar, aqui foi diferente. E foi maravilhoso. 

"[...] concordo que a primavera acorda os sentidos para a esperança, com a sua promessa de novos começos."

Eu amei o romance entre Celia e Jonathan. Ainda que meu coração exigisse o final que eu queria e temesse que acontecesse algo bem diferente, foi impossível não rir com eles, não amar cada momento que passavam juntos. A autora gosta de escrever romance bem hot, com cenas explícitas e tal, e não sou muito fã disso nos livros. Gosto das cenas de amor, mas cenas muito explícitas e frequentes, que roubam o espaço para o casal desenvolver outras partes da relação, não me agradam. No entanto, apesar de cenas assim existirem no livro, como em toda história que já li da autora, isso não afeta a profundidade do que se constrói entre eles. Quando eu via a autora insistindo com cenas assim, pensava: Você vai estragar a história. E ela não estragava.kkkk Isso me surpreendeu, porque quem já leu minhas resenhas mais antigas dos livros da autora, sabe que isso já quase me fez desistir de seguir lendo outros livros dela. Porque já aconteceu de ter lido um romance dela, de outra série, que exagerou nessa parte da relação do casal e tornou tudo muito fútil, superficial. Mas aqui foi diferente. Celia e Jonathan pegam fogo juntos. A paixão é parte essencial da relação, mas conecta todo o resto. Há profundidade, há calor do tipo que esperamos numa história de amor. Há ternura entre a intensidade da paixão. Existe verdade. A gente sabe que eles se amam porque esse amor é real. E tudo o que podemos desejar é que o Jonathan não nos decepcione. Que ele escolha o amor. Que ele escolha a verdade e não as regras. Que escolha a Celia e não a magoe. A vida já a tinha magoado demais. Ela merecia muito uma felicidade completa. Ser aceita. Acreditar que valia a pena sonhar. Que tinha valor, que era importante como mulher e como ser humano. Que podia ser simplesmente ela e não a pessoa que Alessandra tentou construir. 

E por falar na Alessandra... Olha, gente! Celia era filha dela. Então, eu entendo o sentimento de afeto que ela sempre teria da mãe, independente de qualquer coisa. Mas o que essa mulher fez... isso não é digno de uma mãe. Não me interessa que ela realmente acreditasse que aquilo era o melhor que Celia poderia ter. Não deveria ter acreditado. E acreditasse ou não, ela não só disse para Celia que aquela era uma possibilidade. Ela ensinou para uma menina que aquela vida era sua única chance de não morrer de fome, de ter um futuro. Ela não parava de falar em seu ouvido. Não parava de manipular!!! Ela tentou matar os sonhos da própria filha! Educou uma adolescente na arte de ser cortesã como se isso fosse a coisa mais aceitável do mundo. E depois vendeu essa mesma adolescente para quem pagou mais. Isso é mãe? Não mesmo! Não julgo a Celia por amá-la. Jamais faria isso. Mas eu desprezo profundamente a Alessandra. O que ela fez não tem nome, é imperdoável. 

Agora vamos às minhas queridas Flores Mais Raras. Audrianna, Verity e Daphne. Eu acredito que Daphne será minha personagem favorita dessa série, por tudo o que ela fez desde o primeiro livro. A forma como ela abrigou e salvou desconhecidas que precisavam de ajuda. Sem perguntas, sem cobranças, sem julgamentos. Daphne ofereceu um refúgio para mulheres que se encontravam sozinhas e desesperadas. O que ela faz é muito lindo. A amizade que se construiu entre elas é belíssima. O livro da Daphne é o próximo, que encerra a série. Espero que seja maravilhoso, porque ela merece uma história digna da pessoa que ela é. 

Audrianna e Verity. Amo essas personagens, mas neste livro aqui quase as esganei no início.kkkkk Quando souberam do passado da Celia, de quem ela era filha, continuaram a amizade, mas em segredo. Isso me irritou de uma forma que vocês não fazem ideia. Eu já considerava a Celia como uma filha para mim, que eu queria proteger do mundo. Queria proteger de toda dor que ela já tinha suportado. E aí as melhores amigas dela, que viveram na mesma casa com ela e Daphne, faziam aquilo. Quase surtei.kkkkk Mas elas não demoram a consertar o que estavam fazendo. Elas consertam. E de uma forma muito boa. Por isso, as perdoei.rs

Não só gostei deste livro, queridos. Eu o amei profundamente! Só não recebeu 5 estrelas por uns detalhes que seria spoiler mencionar. Mas é um livro querido que recomendo muito! 


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro com epílogo 


Série As Flores Mais Raras

3. Pecadora
4. Perigosa



21 de janeiro de 2026

Provocante - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Provocative in Pearls
Tradutora: Ana Sofia Pereira
Editora: Leya
Edição de: 2014
Páginas: 287 (e-book)
Série As Flores Mais Raras - Livro 2

1ª leitura de 2026

Sinopse: Verity Thompson desapareceu no dia do seu casamento. Seu paradeiro ficou em segredo por anos, um longo período no qual seu marido, o conde de Hawkeswell, viveu na penúria e na incerteza. Verity deixou para trás uma fortuna imensa, porém, inacessível à família, pois sua morte não havia sido oficialmente declarada. Nem poderia, já que ela estava bem viva. 

Ao ser obrigada a se casar, ela foge de Londres e refugia-se no campo. Abandonou sua fortuna em troca da liberdade. Mas o destino tem os seus próprios desígnios e a jovem se vê obrigada a regressar à cidade e a um casamento sem amor. Seu arrogante marido, porém, está disposto a chegar a um acordo: se Verity lhe der três beijos por dia, ele não a obrigará a cumprir os deveres conjugais. Mas, claro, há beijos e beijos e Verity vai perceber até que ponto foi realmente um erro se entregar nas mãos de um hábil mestre.



Eu voltei para os romances?! Aparentemente, sim. Finalmente! Depois de tanto tempo sem conseguir ler meus livros queridos, me permiti fazer uma grande pausa das obrigações diárias, aproveitando o mês de janeiro realmente como férias. Assisti séries, me dediquei mais aos livros, estudei apenas parte do que geralmente estudo e descansei. Em fevereiro retomarei minha rotina, mas não pretendo que seja como o ano passado. Acredito que a forma como decidi organizar meus estudos e trabalho em 2026 vai funcionar melhor para eu manter minha produtividade, ao mesmo tempo que não me perco entre tantas coisas. Estou aprendendo a reconhecer que para estudar e trabalhar eu também preciso respirar. Ter momentos para mim. 

Em 2021, eu li o primeiro livro da série, intitulado Deslumbrante, e lembro como apreciei a leitura, ao ponto de desejar muito prosseguir com os outros livros da série. Não lembro exatamente o motivo de não ter lido o segundo livro na época, mas acredito que tenha sido pelo fato dos dois últimos livros da série não terem sido publicados no Brasil. Algo que resolvi superar agora. Não foram publicados no Brasil? Sem problemas! Lerei os seguintes nas edições de Portugal. Estou cansada da falta de consideração de algumas editoras, que publicam séries totalmente fora de ordem e muitas vezes as deixam incompletas. Não tenho mais paciência para isso faz tempo. 

Em Provocante, conhecemos a história de Verity e Grayson, o conde de Hawkeswell. Verity, que adotara o nome de Lizzie quando fugira de um casamento indesejado, é uma jovem de 21 anos que durante muitos anos viveu com o medo e a tristeza como companheiros. Desde a morte do pai, quando passara a ter como tutor um primo que a detestava e não fazia a menor questão de esconder o fato. 

Sua vida era um inferno, sempre temendo quando viria o próximo golpe, a próxima ameaça, o próximo sofrimento. E tudo apenas piorou quando ela completou 19 anos e ele decidiu que chegara o momento de ela se casar... com quem ele escolhesse. Verity não queria sair de um inferno para cair em outro. Tudo que desejava era sua liberdade, recuperar a vida que tivera enquanto o pai era vivo e se casar com Michael, o homem que seu pai teria aprovado, aquele que a ajudaria a continuar o seu legado. Mas seu primo tinha outros planos e fez de tudo para que ela aceitasse o conde de Hawkeswell como marido, recorrendo à violência física e à ameaça para que ela obedecesse. 

Sem saída, Verity acaba se casando com alguém que sequer conhecia e que imaginava que fosse tão cruel quanto o seu primo. Afinal de contas, um homem que aceitava que uma mulher fosse forçada a se casar não poderia ser uma boa pessoa. Desesperada, tentando um último recurso para recuperar sua liberdade, ela foge logo após o casamento e finge a própria morte, disposta a se manter escondida até que possa completar a maioridade e lutar pela anulação de um matrimônio que nunca deveria ter acontecido, visto que inexistia um consentimento real. 

No entanto, para seu completo desespero, dois anos depois, logo após ela completar a maioridade desejada, um acaso faz com que Grayson a encontre antes que ela consiga requerer a anulação do casamento. As leis daquela época permitiam que ele a forçasse a voltar para ele, de uma forma ou de outra. Ela não teria voz, se ele não permitisse que ela tivesse. Assim eram as leis, por mais horríveis e injustas que fossem. Mas ela não cairia sem lutar... Poderia ser obrigada a ir para casa com ele, mas não desistiria fácil. Se não pudesse convencê-lo a desistir da loucura daquele casamento, fugiria de novo, na primeira oportunidade que surgisse. Não nascera para aquela prisão. Não importava que os olhos dele a queimassem de um jeito estranho e que a sua presença provocasse um sentimento bem diferente do medo...

Aqui temos um romance, incialmente, bem complexo. Grayson é um conde, de uma família muito antiga e respeitada entre os seus pares. Porém, as escolhas erradas da família fizeram com que toda a fortuna se perdesse. Ele estava arruinado financeiramente e não queria perder todos os privilégios de sua posição. Precisava manter todo o luxo, as aparências, e sustentar a tia e a prima que crescera com ele e a quem considerava uma irmã. Além dos motivos egoístas, também precisava de dinheiro para cuidar daqueles que trabalhavam em suas terras e dependiam dele para continuar tendo o que comer e como se manter dignamente. A única forma de conseguir uma fortuna rápida era se casando com uma rica herdeira. Então, temos a seguinte situação: ele precisa desesperadamente de dinheiro. O primo de Verity quer todos os privilégios que um parentesco com um conde poderiam lhe proporcionar, então ele entrega Verity para ascender socialmente. 

Diferente do que ela acreditava, Grayson não sabia que Verity tinha sido espancada, ameaçada e chantageada para poder se casar com ele. Ele sabia que ela relutara inicialmente, mas acreditou que não era uma recusa real. Sobretudo depois que ela voltou atrás e aceitou o casamento. Até aí, vamos fingir que acreditamos tanto assim que ele não desconfiou de nada. A verdade na qual acredito, é que ele não se preocupou em saber. Ele queria a fortuna dela. Só tinha olhos para isso. Conscientemente, ele de fato não sabia tudo o que ela tinha passado até aceitar o casamento. Mas se houve uma recusa antes, ele não deveria ter se questionado sobre os motivos para ela ter mudado de ideia? 

E, então, dois anos se passam... Verity desaparece logo após o casamento e todos acreditam que ela realmente esteja morta, que tenha se afogado no rio (ela fez com que parecesse que sim). Mas ao longo desses dois anos, ela estava vivendo tranquilamente na propriedade das Flores Mais Raras, sob a proteção de Daphne, que não sabia a verdadeira identidade dela, mas que se soubesse também não faria diferença. Grayson encontra Verity ao fazer uma visita ao local acompanhado do seu melhor amigo, que havia se casado com Audrianna (eles são os protagonistas do primeiro livro), que por sua vez era melhor amiga de Lizzie (o nome adotado por Verity). E aqui temos o Grayson errando pela segunda vez. 

Se antes ele tinha a desculpa de não saber que não houve um consentimento livre por parte dela para o casamento, ao reencontrá-la, ela diz isso com todas as letras, embora oculte o fato de ter sido agredida fisicamente. Ela fala que foi ameaçada e chantageada pelo primo. Ele agora sabe que houve coação para o casamento. Para obter a anulação do casamento, Verity precisava da concordância dele. Grayson, por sua vez, tem a esperança de que convivendo com ele, Verity possa aceitar o casamento. 

A história dos dois se desenvolve a partir dessa questão. Verity quer a anulação, Grayson quer uma chance de conquistá-la. Só que para isso ele usa os seus direitos de marido (que eram autorizados pelas leis da época) para obrigá-la a viver na mesma casa que ele. 

E aí eu entrei em conflitos internos ao longo da leitura. Eu não gostava do fato de a Verity estar submetida àquelas leis, por mais que fossem a realidade da época. Ela não queria aquela vida cheia de regras, nas quais ela não tinha direito de decidir sobre a sua própria herança, sobre suas roupas, sua vida ou seu corpo. Tudo dependia da vontade de um marido. Já li centenas de livros de romances de época e sei que essa foi uma realidade de um determinado período da História. Um período bastante longo, na verdade. E até hoje vemos as consequências disso. 

Claro que nos romances, temos todas as licenças admitidas nos livros. Mas penso que eu estava desacostumada a ler os romances de época, depois de tanto tempo sem lê-los. E senti com mais força as injustiças. Isso me incomodou quase até o final do livro, por mais que a realidade entre Verity e Grayson não fosse pesada. 

A autora conseguiu me convencer completamente do amor que foi se construindo entre os dois. Algo que não foi imediato e que precisou que os dois lados cedessem e não só a mocinha. Embora ele tenha se casado com ela pela fortuna, a convivência o faz querer a mulher, a pessoa que ela era. O seu sorriso, o seu abraço, as conversas. Ele passa a querer uma vida com ela. 

Apesar dos conflitos, a história que se desenvolve entre os dois é muito bonita. Primeiro vem a desconfiança, o rancor, que começa a ser superado pelo desejo. A química entre eles é bem forte e a autora investe nos momentos sensuais. Mas a partir de tudo isso, surge espaço para mais. Para que ambos queiram mais. Queiram o que é sólido, duradouro. Queiram todos os sentimentos que começam a bagunçar suas certezas. 

Como eu disse, a situação de vulnerabilidade da mulher submetida às leis da época, me incomodou muito. E a história de Verity e Grayson surge disso. Mas a autora soube bem como desenvolver o romance e o mocinho precisou compreender a situação da Verity e mudar também. Entender que nem tudo o que a lei permitia era correto e que se ele quisesse ser feliz e que ela também fosse feliz, teria que aceitar um relacionamento no qual houvesse equilíbrio. No final, o mocinho tomou uma decisão tão inesperada que eu senti uma mistura bem confusa de sentimentos. Fiquei chocada, feliz, com raiva, tudo ao mesmo tempo!kkkkk Mas foi a decisão certa para que pudesse ter uma chance real de um feliz para sempre ao lado dela. Só lendo vocês poderão entender. 

Se gostei do livro?! Bastante! Louca para ler o terceiro livro da série!


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro de romance

Série As Flores Mais Raras

1. Deslumbrante
2. Provocante
3. Pecadora
4. Perigosa



4 de março de 2025

A Guerra das Rosas - Shannon Drake (segunda leitura)

 

Literatura norte-americana
Título Original: Lie Down in Roses
Tradutor: Luís Fernando Martins Esteves
Editora: Nova Cultural
Edição de: 2005
Páginas: 314

1ª leitura de 2025

Sinopse: Valeria a pena pagar o preço da inocência para salvar sua terra?!

Eles nasceram para ser inimigos e destinavam-se a ser amantes... personagens de um perigoso jogo de intriga e paixão em que o preço era a inocência de uma mulher... e o prêmio era o coração de um homem!

A bela e voluntariosa Genevieve faria qualquer coisa para salvar seu amado castelo de Edenby... até partilhar o nome – e a cama – com seu mais traiçoeiro inimigo. Ele era lorde Tristan de La Tere, cavaleiro e nobre. Magnífico na batalha, liderou por terra seu exército invasor, apenas para se tornar prisioneiro do charme sensual da donzela que secretamente tramava sua destruição...


                Releituras nem sempre dão certo...rs A Guerra das Rosas foi minha primeira leitura de 2025. Levei apenas 24 horas para concluir o livro, entre 09 e 10 de janeiro, mas demorei para vir até aqui escrever este post não só pela correria do dia a dia... Tive alguns problemas com este romance que, em 2012, me encantou completamente e me fez dar 5 estrelas e incluí-lo na minha lista de favoritos sem pensar duas vezes. Mais de uma década depois, ao relê-lo, não consigo ver a história com os mesmos olhos e isto me deixou um tanto triste.kkkkk Porque eu lembro de ter amado profundamente este livro, gente! E perceber todos os seus problemas agora me deixou um pouco abalada.kkkk

                A verdade é que, ao reler minha resenha (link para a resenha aqui), percebo que enxerguei todos os problemas do livro ainda em 2012, mas que "passei pano" para o mocinho e para todas as questões intoleráveis. Também sei que já fiz isso com outras obras ao longo da minha vida como leitora e que muitas vezes expliquei meus motivos nas próprias resenhas, geralmente separando ficção de realidade, ou seja, deixando claro que não é porque tolero algo na literatura que faço o mesmo na vida real. Claro que não! Só que... Existem coisas que não está dando para tolerar nem na ficção, queridos! Que não consigo mais engolir. A Luna de hoje está menos tolerante com certas narrativas, certas cenas... com a permissão dada para os mocinhos das histórias agirem como quiserem e as mocinhas (e também nós leitores) perdoarem. 

                Quem é leitor mais antigo do blog, sabe que sou uma fã incondicional da série Lei e Ordem - Unidade de Vítimas Especiais, que acompanho desde o início da minha adolescência. Já deve ter uns dezessete anos que conheço e assisto esta série maravilhosa, tão sensível e humana, que aborda crimes sexuais, agressões físicas e assassinatos, geralmente cometidos contra mulheres e crianças. Nela, vemos a luta dos detetives e da promotoria para que as vítimas consigam justiça. A série está atualmente em sua 26ª temporada e já assisti todos os episódios de todas as 25 temporadas anteriores, estando em dia com a temporada atual. A Luna que tem esta série como a sua favorita de toda a vida, não pode ser a mesma Luna que vá ficar passando pano para violências do tipo em supostas histórias de amor. 

                Eu estou muito cansada de livros assim. Entendo que ele foi escrito na década de 80, uma época totalmente diferente da que vivemos hoje, quando muitas coisas eram consideradas aceitáveis, na literatura e fora dela, mas são livros que não se encaixam mais na minha vida. Que li muito no passado, que estiveram bem presentes em minha adolescência e parte da vida adulta, que passei pano sim muitas e muitas vezes, até porque era muito nova e sonhadora, acreditando que a suposta redenção do personagem ao final do livro o tornaria digno do perdão da mocinha para viverem felizes para sempre. Eu entendo tudo isso e respeito muito a Luna que fui e tudo o que senti ao ler cada livro e escrever sobre eles. Tudo foi válido e contribuiu para minha formação como pessoa. Guardo com muito carinho cada um desses momentos, dessas experiências, dos livros e das resenhas. Nunca apagarei nenhuma dessas resenhas e nem excluirei tais livros das minhas memórias. Só não funcionam mais para a Luna de hoje. Não cabem mais no meu presente. 

                Mas, Luna, você está falando como se soubéssemos exatamente quais problemas existem no livro, como se soubéssemos do que você está falando! Claro que não sabem, por isso está na hora de explicar por que me decepcionei muito ao reler A Guerra das Rosas. Cuidado com os spoilers abaixo! Se não quiserem spoiler, parem de ler agora! 

                Este post não é uma segunda resenha sobre a história. Apenas estou comentando os motivos pelos quais reler A Guerra das Rosas me deixou um gosto amargo. 

                No livro temos uma situação de "inimigos que se apaixonam". Os protagonistas defendem lados opostos de uma guerra que ficou conhecida como a "guerra das rosas" no século XV. Tristan sofreu uma grande e terrível perda durante essa guerra, pois o rei que ele defendia ordenou a morte de toda a sua família, de forma bastante cruel. Ele, então, passa a lutar do outro lado, mas a família de Genevieve continua do lado "errado". Por conta desta lealdade, as terras da família dela acabam invadidas, o pai e o noivo dela são assassinados e ela se torna escrava dentro de sua própria casa, que passa a pertencer ao Tristan. É uma situação caótica e entendo perfeitamente toda a revolta e busca por liberdade da mocinha. Eu nunca aceitaria viver tudo aquilo. Também lutaria, também tentaria fugir. 

            Mas... Como é um romance, a mocinha acaba se apaixonando pelo mocinho, apesar de acreditar que foi ele quem matou seu pai e seu noivo durante a invasão das terras. E é por acreditar que ele foi o responsável que ela luta contra esse sentimento. Ela não vive uma situação fácil, é prisioneira em sua casa, está sempre sendo trancada no quarto por ele... Tem todos os motivos para lutar contra a síndrome de Estocolmo/suposto amor que ele despertou nela. E então ela fica grávida... 

                 Tristan tinha passado meses fora por seus negócios na guerra. E quando ele retorna, a barriga dela já está aparecendo. Ele percebe que ela está grávida. Como a reação dele é uma das piores possíveis, a mocinha sente uma insegurança e um desespero muito grande e acaba falando algo sem pensar, como se tentasse SE DESCULPAR por estar grávida. Sim! Ele a fez se sentir tão horrível, que ela sentiu culpa por ter engravidado, como se a responsabilidade fosse unicamente dela. E o que ele faz quando ela diz algo sem pensar? DÁ UM TAPA NO ROSTO DELA!!! Sim!!! Pensem em como meu sangue ferveu quando eu li tal cena! Sinceramente, eu não sei o que se passava pela minha cabeça no passado para ter perdoado tal coisa! Como eu disse, não vou julgar a Luna de mais de treze anos atrás, mas é difícil de entender que eu tenha dado cinco estrelas e favoritado tal livro! 

                Diante do que o Tristan fez, a Genevieve surtou, com toda a razão do mundo! Só que ela ficou tão descontrolada que não pensou em nada e fugiu. De um modo bem desesperado, quase resultando em sua morte. Ele consegue detê-la, se mostra muito arrependido, diz que nunca mais iria fazer tal coisa e ela, fragilizada pela situação na qual estava, sem ter para onde ir e apoio de absolutamente ninguém (nem da tia dela, que era sua única parente viva), acaba ficando e tentando se conformar com sua vida. Mas este não será o único episódio de violência do Tristan contra a Genevieve. A promessa de não repetir a violência é logo esquecida quando ele acredita que ela fez algo contra ele. Quando tal cena acontece, Genevieve já deu à luz, está com o bebê muito pequeno ainda, e ele a derruba com um tapa simplesmente por tirar as próprias conclusões sobre algo que aconteceu e que nem era culpa dela. Ainda que fosse! Nada dava a ele o direito de agredi-la!!! 

                    É tanta coisa inaceitável que tem nesta história! A própria cena do casamento deles é uma violência, porque ela não queria casar. E todos a forçam a isso. Literalmente. Até a tia dela. O padre sabe que se trata de um casamento forçado, porque ela é arrastada até o local da cerimônia, o Tristan mantém a mão na boca dela para impedi-la de dizer qualquer coisa e todos ali presentes assinam como testemunhas de que ela queria casar, sabendo que tudo foi forçado, que ela foi literalmente arrastada e impedida de dizer que não queria o casamento. Quando tudo termina, ela diz para o padre que não era válido, e ele diz que foi tudo válido sim, que ele diria que o casamento era válido. Foi uma cena tão bizarra e revoltante! 

               Eu preferia não ter relido este livro, sinceramente!kkkkk Porque eu tinha uma memória afetiva, guardava a história com carinho no meu coração. E relê-la mudou tudo. Porque enxerguei CLARAMENTE tudo que tem de errado nela, todas as situações de violência e desrespeito, tudo o que tem de revoltante no livro. E isto, é claro, matou a história no meu coração. O que doeu bastante. Quem é leitor apaixonado por livros como eu, que mergulha por inteiro nas histórias e vive tudo com os personagens, pode entender como me sinto. Quando guardamos livros no nosso coração e depois os relemos e percebemos que nada era como tínhamos lido da primeira vez, isso machuca. Senti uma tristeza muito grande ao concluir a releitura. Preferia não ter passado por isso. 

                 Por respeito à Luna que leu esta história no passado e a amou profundamente, eu não reavaliei o livro. Deixei com as estrelas que tinha dado treze anos atrás. 

                    E é isto, queridos! Este ano só concluí a leitura de 3 livros até agora e não foram boas experiências.kkkk Pretendo trazer a resenha dos outros dois em breve! 


Bjs! 


27 de agosto de 2021

Deslumbrante - Madeline Hunter


Literatura norte-americana
Titulo Original: Ravishing in Red
Tradutora: Ana Alvares
Editora: Leya
Edição de: 2013
Páginas: 281 (E-book)
Série As Flores Mais Raras - Livro 1

23ª leitura de 2021 (17ª resenha do ano)

Sinopse: Deslumbrante é o primeiro volume da série As Flores Mais Raras. Mais uma apaixonante e sensual saga histórica pela mão inspirada de Madeline Hunter, a rainha do romance. Numa época em que a reputação de uma mulher é o seu bem mais precioso, Audrianna desafia todas as convenções. Ela é uma jovem determinada, independente e disposta a tudo para aniquilar o seu adversário, o convencido Lord Sebastian Sommerhayes. Entre os dois está um homem: o pai de Audrianna, que morreu envolto nas malhas de uma conspiração. Para ela, essa tragédia significou o fim da sua inocência. Para Sebastian, que liderou a investigação, foi apenas uma morte merecida. Audrianna jurou limpar o nome do pai, mas nunca esperou sentir um desejo tão avassalador pelo homem que o arrasou. A busca pela verdade vai levá-la demasiado longe numa sociedade que é implacável perante a ousadia feminina. Ao ver-se mergulhada num escândalo que pode ser fatal, Audrianna tem apenas uma inconcebível opção.




Sim, eu sei o que disse na resenha de Segredos de um Pecador.rsrs Mas não sou culpada por ter encontrado este e-book por um preço imperdível na Amazon (uma promoção daquelas que passam num piscar de olhos!) e a sinopse ter me atraído. Paguei menos de quatro reais em Deslumbrante e inacreditáveis trinta centavos em Provocante, segundo livro da série. Minha única decepção foi descobrir logo em seguida que não se tratava de uma duologia e sim uma série com quatro livros, tendo apenas os dois primeiros sido publicados no Brasil pela editora Leya. O que significa que sabe-se Deus quando conseguirei ler os dois últimos!

Eu não seria louca de criar grandes expectativas depois de ter tido tantos altos e baixos com a série Os Rothwells. Só queria mesmo iniciar uma leitura que nem fazia parte da minha lista e ver no que daria, se me faria relaxar um pouco e esquecer todos os problemas por algumas horas ou se acabaria sendo perda de tempo. Estava disposta a dar uma chance e confesso que gostei muito da experiência! Foi uma leitura que fluiu rapidamente e me tirou da "realidade" por tempo suficiente para conseguir dar um descanso para minha mente, que precisava demais de um pouco de paz. 

Em Deslumbrante conhecemos Audrianna e Sebastian. Ela é uma jovem que já passou da idade de se casar e teve toda sua vida destruída por um escândalo que provocou o suicídio do seu pai e um imenso desejo de justiça (e vingança) em seu coração. As acusações terríveis contra seu pai fizeram amigos e conhecidos se distanciarem, até mesmo parentes passaram a virar as costas para sua família e o noivo que jurara amor eterno não se importou nada em terminar rapidamente o noivado e fingir que nunca a conheceu. 

Sufocada pela tristeza da mãe, aceitou o convite para se mudar para a casa de uma prima que ficara viúva e que hospedava outras duas jovens que resolveram viver de forma independente. Tudo ia bem até descobrir, através dos jornais, que um homem que se intitulava Dominó queria marcar um encontro com seu pai, obviamente sem saber que ele estava morto. Decidida a descobrir toda a verdade e limpar o nome de alguém que tanto amou, resolve ir em seu lugar... o que se mostra uma decisão extremamente equivocada. 

Sebastian sabe que boa parte da sociedade não acredita que ele realmente mudou. Que deixou de ser um libertino e um canalha. Mas todos são obrigados a fingir já que, com o acidente que deixou seu irmão incapacitado, ele passa a ocupar seu lugar, mesmo sendo o segundo filho. Mesmo que sua mãe preferisse que fosse ele a ficar preso a uma cama e não seu filho preferido. Ainda assim, assume suas obrigações com responsabilidade e de uma maneira até mesmo implacável, sendo um dos principais "carrascos" do pai de Audrianna, e se tornando o homem que ela possuía todos os motivos para odiar.

Quando lê o estranho anúncio no jornal, decide comparecer ao local que o tal de Dominó escolhera, disposto a também obter algumas respostas. Tal decisão o lança ao encontro de Audrianna e mergulha os dois num escândalo capaz de destruir para sempre qualquer mínima chance que ela ainda possuísse de ter uma vida digna. 

Eu gostei demais desta história! Ela não possui grandes acontecimentos, mas é aquele tipo de livro delicioso de ler, com personagens cativantes (até mesmo os secundários) pelos quais torcemos muito. Eu me apaixonei pelos protagonistas e como quase tudo estava "resolvido" na metade da história (exceto as questões envolvendo o pai dela que ainda eram um mistério e Audrianna e Sebastian admitirem que se amavam) fiquei morrendo de medo de algo muito ruim acontecer para separá-los.kkkkk

Audrianna não é uma mulher à frente do seu tempo, apesar da sinopse dar a entender que sim. Ela passa a viver com a prima, o que era incomum na época (as moças só saíam de casa para o casamento), mas nem por isso deixa de obedecer aos costumes e regras sociais. Admito que ela tenta, mas logo cede ao que é "correto" para não prejudicar as pessoas que ama e a si mesma. Ela não luta muito, entende? Cede bem rápido, então se eu esperasse por uma mocinha daquelas fortes e guerreiras, que querem mudar as coisas e serem livres, teria me decepcionado. Como eu não esperava por nada disso, gostei bastante da mocinha e a aceitei como era: uma jovem que só queria ser amada e feliz no casamento. 

Sebastian não tem nada de libertino, muito menos de canalha. A atração que ele sente pela Audrianna é intensa. Nenhum dos dois se apaixona à primeira vista, mas sentem uma atração inesperada e indesejada até, vez que tecnicamente são inimigos. Todavia, em nenhum momento ele tenta prejudicá-la ou a desrespeita por não considerá-la alguém do seu "nível". Pelo contrário, ele a respeita muito e tenta que as coisas entre os dois corra bem. E isso é uma das coisas que mais apreciei na história: a maneira como um suposto "canalha" é tão mais decente do que vários mocinhos que já tive a infelicidade de conhecer no mundo literário. Claro que ele tem defeitos, mas tem bem mais qualidades. 

Enfim... Recomendo bastante a história para quem quer ler um romance leve e cativante! Já estou doida para ler o segundo livro da série, pois tenho imensa curiosidade em saber como se resolverá o drama entre o amigo do Sebastian e a Lizzie, já que ela fugiu no dia do casamento e se fez de morta desde então, o que inclusive lançou diversas suspeitas sobre o noivo abandonado, que passou a praticamente ser visto como o assassino dela. Eu não o culparia se ele nunca mais quisesse olhar na cara dela, uma vez que ser praticamente acusado de homicídio não é nada legal quando se é inocente. 



Série As Flores Mais Raras

1- Deslumbrante
2- Provocante
3- Sinful in Satin
4- Dangerous in Diamonds




20 de julho de 2021

Segredos de um Pecador - Madeline Hunter

 


Literatura norte-americana
Título Original: The Sins of Lord Easterbrook
Tradutora: Flávia Souto Maior 
Editora: Arqueiro
Edição de: 2015
Páginas: 240
Série Os Rothwells - Livro 4 (último da série)

22ª leitura de 2021 (16ª resenha do ano)

Sinopse: Leona Montgomery foi criada na China. Com pai inglês e mãe portuguesa, aprendeu desde cedo a se adaptar aos costumes de outras terras e adquiriu uma cultura e uma sofisticação incomuns às mulheres de seu tempo.

Por isso, quando o pai, já viúvo, morreu, deixando os dois filhos em uma situação financeira difícil, Leona assumiu os cuidados do irmão caçula e os negócios da família.

Trabalhando pela recuperação da Montgomery & Tavares, ela viajou por diversos países, negociou com homens rudes e enfrentou piratas. Recém-chegada a Londres, agora espera fechar parcerias comerciais e dar sequência a uma investigação que o pai não pôde concluir.

Mas estar em Londres significa algo mais. Sete anos atrás, Edmund, um naturalista inglês, deixou Macau à noite, depois de um beijo de despedida que Leona nunca esqueceu, e retornou à Inglaterra.

O que Leona não poderia imaginar era que Edmund na verdade é Christian Rothwell, o marquês de Easterbrook, um homem poderoso envolto em mistérios – e que talvez se beneficiasse com o fim das investigações de seu pai. Dividida entre o dever e a tentação, é na cama do marquês que ela fará suas maiores descobertas.





Logo após terminar esta leitura cheguei à conclusão de que minha relação com a autora nunca será de muitos "altos".rs Numa série de quatro livros, eu gostei do primeiro e do terceiro, detestei o segundo e apenas tolerei o quarto. Considerando a imensa pilha de livros para ler que nunca diminui, a minha experiência com esta série não representa um grande incentivo para que eu siga investindo nos livros da autora. 

O pior é que Segredos de um Pecador é um livro que me encantou durante suas cem primeiras páginas, mas depois desandou completamente com a insistência da autora nas cenas de sexo, que mesmo que não fossem explícitas, eram frequentes, e roubavam espaço para outros acontecimentos num livro de apenas 240 páginas.

Que o casal tinha química e queria estar na cama a cada oportunidade nós leitores já sabíamos e não era necessário mostrar isso o tempo todo, quando existia muito o que aprofundar na relação dos dois, que ficaram sem se ver por sete longos anos e não eram mais os jovens do passado. Ambos tinham mudado bastante e precisavam descobrir se o vestígio de um sentimento de outrora poderia se fortalecer e abrir as portas para o relacionamento que os dois desejavam ter, mas que não acreditavam que mereciam. 

Leona e Christian se conheceram quando ele, atormentado por não conseguir viver consigo mesmo, passou um tempo na China, hospedado na casa do pai da mocinha. À beira de um verdadeiro abismo, de onde nunca conseguiria retornar se caísse, foi graças à ela que ele não se entregou, que lutou contra o que parecia o caminho mais fácil, o alivio tão esperado. Ainda assim, nunca compartilhou com Leona sua verdadeira identidade e após sua partida ela nunca soube se um dia voltaria a encontrá-lo. 

O reencontro ocorre quando Leona, agora no controle dos negócios da família, viaja para a Inglaterra, no intuito de abrir caminhos para a expansão da empresa e conseguir parcerias comerciais importantes. Em uma de suas visitas, acaba sendo vista e reconhecida por Christian que, impactado pelas lembranças de um passado já distante, resolve que não a deixará escapar sem antes finalmente fazê-la sua. O amor e o casamento não fazem parte dos seus planos. Afinal de contas, alguém "amaldiçoado" como ele jamais poderia fazer qualquer mulher feliz. Nem mesmo a única capaz de fazê-lo desejar ter algo mais....

Como eu disse, as cem primeiras páginas do livro me tinham por completo. Eu as devorei e acreditei até que o livro poderia se tornar um dos meus preferidos da série, de tão encantada que eu estava pelo casal. Mas aí tudo desandou e fiquei tão desanimada que simplesmente abandonei a leitura por um tempo e só agora retomei, disposta a encerrar logo a série e seguir em frente.

O que mais valeu nesta história foi rever os personagens dos livros anteriores, principalmente a Alexia e o Hayden, protagonistas do primeiro livro, que mais uma vez aqueceram meu coração. 

O final do livro tinha tudo para ser emocionante, mas foi tão corrido e narrado de maneira trivial que não me provocou nada, exceto alívio por ter chegado ao fim. Uma pena. Principalmente por eu ter amado tanto a história durante quase metade da leitura. :( Isso é o que me deixa mais frustrada. 

Enfim... Mais uma série finalizada! Ainda preciso dar andamento às outras. E tenho que parar de começar séries antes de concluir as que estão pendentes.rs 


4 de junho de 2021

Jogos do Prazer - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Secrets of Surrender
Tradutora: Beatriz Horta
Editora: Arqueiro
Edição de: 2014
Páginas: 240
Série Os Rothwells - Livro 3


16ª leitura de 2021 (15ª resenha do ano)


Sinopse: A bela Roselyn Longworth já aceitou seu destino. Depois que o irmão fraudou o banco em que era sócio e fugiu do país levando o dinheiro dos clientes, suas finanças ficaram arruinadas, assim como suas chances de conseguir um bom casamento. Por isso foi fácil acreditar nas falsas promessas de amor de um visconde. Mas a desilusão não demorou a chegar: quando Rose não se sujeitou a seus caprichos na cama, o nobre se vingou leiloando-a durante uma festa em sua mansão. Ela acredita que o destino lhe reserva um fim trágico. Ainda mais ao ser arrematada por Kyle Bradwell, um homem que venceu na vida pelo próprio esforço, mas não é bem-vindo nos círculos mais exclusivos. Mas a jovem é surpreendida pela atitude dele, que a trata com um respeito e uma gentileza que ela não recebia desde antes do escândalo envolvendo o irmão. Quando Rose finalmente descobre o que está por trás do comportamento de Kyle, é tarde demais: já foi fisgada pelo homem que conhece seus segredos mais íntimos.




Sei que eu não estou aparecendo com a mesma frequência de antes, que passo a impressão de estar um tanto negligente com o blog, mas isso não é verdade. Meu amor por este cantinho segue sendo imenso. Escrever aqui alimenta minha alma, provoca um quentinho no meu coração. Ler e falar de livros é uma das maiores paixões da minha vida! Estou sempre cercada de livros, mesmo nos dias em que não consigo ler. Mas só ter livros por perto já me conforta, faz eu me sentir bem. Eu NUNCA vou abandonar o blog. Pode acontecer de a vida me fazer ficar ausente por semanas e semanas, mas nunca irei abandonar o meu cantinho querido. 

O Emoções à Flor da Pele é parte de mim. Escrevo aqui há mais de 11 anos. O blog acompanhou minha imaturidade e o longo e complexo processo de amadurecimento. Tanta coisa aconteceu ao longo dos anos! Tanta coisa mudou... Acredito que eu tenha evoluído bastante como pessoa e como leitora também... Mas sempre terei muito a aprender e os livros são ótimos professores! Eu mudei bastante... Não me vejo mais na menina que um dia sentou e resolveu criar este cantinho. Aquela menina ficou para trás, cresceu. E não foi nada fácil! Crescer não é fácil para ninguém. 

Muitos dos livros que li ao longo de todos os meus anos como leitora... Se os lesse hoje em dia, possivelmente discordaria do que sentia por eles no passado. É bem provável que não os visse com os mesmos olhos, com a mesma tolerância... Mas assim é a vida. Nós mudamos, nossa maneira de ler e analisar os livros também muda e isso é muito bom. Quando leio algumas resenhas minhas antigas eu sorrio encantada (quando é o caso) ou fico chocada com algumas emoções bem intensas que certas histórias me provocavam.kkkk Por isso o blog é tão importante para mim: além de ser o meu cantinho literário, guarda muito de mim. De todas as minhas fases de leitora. 


"Abrace-me, querida amiga. Logo estarei morta para vocês duas, e não suporto pensar nisso."


Quando conheci a Roselyn no livro As Regras da Sedução, eu já senti uma vontade enorme de ler sua história. Queria até mesmo pular o segundo livro e ir direto para Jogos do Prazer (os títulos dos livros desta série são HORRÍVEIS!), mas apelei para toda minha disciplina para não fazer isso.rs Eu queria muito saber como seria a história da moça que ao se iludir com um homem que se mostrou um verdadeiro canalha, acabou sendo vendida num leilão, contra sua vontade. Roselyn teve o azar de ter como irmãos dois homens irresponsáveis e que desprezavam completamente as leis, e por culpa deles, ela e a irmã mais nova acabaram se vendo numa situação de extrema vulnerabilidade, numa época em que mulheres desprotegidas se tornavam alvo fácil de abusos, em que a sociedade fechava os olhos para as canalhices dos homens e responsabilizava, sem hesitar, as mulheres por delitos cometidos por eles e não por elas. 

Ao descobrir o que seus irmãos tinham feito, a maneira como tinham roubado as economias de dezenas de pessoas que confiaram no banco que eles administravam, Roselyn sentiu uma profunda dor e a certeza de que a vida não tinha mais nada de bom a lhe oferecer. Qualquer chance que ela tivesse de fazer um bom casamento estava encerrada para sempre, pois nenhum homem toleraria ter o seu nome associado ao da irmã de criminosos. 

Embora o marido de sua prima Alexia (protagonista do primeiro livro) tenha lhe oferecido certa proteção, para que ela não se visse sem nada, Roselyn se recusou a aceitar. Não seria um peso na vida de ninguém. Daria um jeito de se sustentar... Mesmo que para isso tivesse que descer ao nível de se tornar a amante de um nobre. 

Quando aquele visconde tão elegante demonstrou interesse por ela, foi fácil mentir para si mesma. Fingir que existia afeto, que ele estava apaixonado... Entregou sua inocência para alguém que a via apenas como objeto, mas mentiu para si mesma o quanto foi possível... Porém, no momento de encarar a verdade, o golpe foi forte demais. Porque por mais que no fundo soubesse que ele nada sentia por ela, jamais imaginou que ao ser contrariado ele seria cruel ao ponto de vendê-la a quem pagasse mais, que seria capaz de arriscar a integridade física e a vida dela daquela maneira. Desprotegida no meio de homens que não se importavam se ela não queria participar daquele espetáculo horroroso, ela foi salva por quem menos esperava. Pelo único homem ali que não era "nobre". O único que se importou com o desespero em seus olhos. 

Kyle não estava em boas condições financeiras. Também fora seriamente atingido pelo golpe financeiro que os irmãos de Roselyn deram em seus clientes. Mas não poderia assistir insensível ao sofrimento dela sem fazer algo para protegê-la daqueles vermes que se consideravam acima de tudo. E a única maneira de salvá-la seria dando o lance mais alto, algo que poderia levá-lo direto à falência. 

Quem diria que o pior dia da vida daquela mulher lhe permitiria conhecer o homem que roubaria o seu coração e estaria com ela nos momentos mais importantes? O amor, às vezes, aparece nas ocasiões mais improváveis...

Eu terminei a leitura deste livro com um sorriso no rosto e o coração leve, algo que sempre acontece quando leio um romance daqueles que me fazem suspirar. Kyle é um mocinho digno de ser considerado herói de uma história de amor e Roselyn tem toda minha admiração por sua força e reencontro. Pela maneira como volta a amar a si mesma. A história deles dois me encantou e uma determinada cena que a autora criou para aquecer o coração de nós leitores deixou meus olhos cheios de lágrimas de felicidade. Ela foi perfeita no que fez! Porque depois daquela cena horrível na qual a Roselyn foi vendida por aquele lixo de homem, nós merecíamos uma cena que a recompensasse. Uma cena que compensasse sua humilhação pública e todo sofrimento interior que aquela maldade lhe provocou. Algo que empurrasse aquela lembrança para bem longe. E eu amei tanto a maneira que a autora encontrou de fazer isso por sua mocinha e por nós também!

Roselyn era uma mocinha que precisava ser salva. De muitas maneiras. Sabe quando uma pessoa está numa situação tão ruim que necessita de alguém que lhe estenda a mão, que esteja ao seu lado e a faça acreditar de novo? Nossa mocinha não se amava mais, não acreditava em mais nada de bom e por isso foi fácil para aquele lixo envolvê-la e usá-la. Porque ela achava que merecia aquilo. Porque tinha deixado de se importar com a própria vida, não se valorizava mais. Por crimes que não eram dela, ela estava se condenando. Então, Kyle realmente precisava salvá-la, não só do pesadelo daquela noite, mas de um futuro de sofrimento. Porque através dos olhos dele, de uma pessoa que estava presente em um momento tão humilhante, ela pode voltar a se ver. E saber que tinha valor sim! Que aquele momento não a definia, que ter sido amante de um verme como aquele visconde não a definia. Que ela era uma mulher incrível e que precisava voltar a ter amor por si própria. 

Está enganado quem pensa que por ter dado o lance mais alto e tirado a Roselyn dali, o Kyle exigiu algo pela fortuna que pagou. Ele era um homem de caráter e mesmo que a desejasse não iria querê-la naquelas condições, pois sabia respeitar uma mulher. E sabia que Roselyn estava numa situação desfavorável e que ele estaria se aproveitando da maneira mais vil. Ele pagou pela liberdade dela e não esperava ser "recompensado" de nenhuma maneira. A tirou dali para levá-la para a segurança da casa da prima e então cada um seguir o próprio caminho... Se viessem a ficar juntos, seria numa situação honrada e não daquele jeito. 

Claro que várias coisas vão acontecer para juntar o casal e depois para provocar problemas na relação, como em todos os romances. E eu amei todos os momentos! Amei a maneira como se construiu tanto a relação física quanto a emocional. Com ele, ela aprende que pode ser livre na cama, que não será julgada, que possui direitos. Havia uma conexão muito forte entre os dois mesmo antes de descobrirem que se amavam. Havia respeito e entrega de ambos os lados, o que tornava as cenas de amor bem bonitas, mesmo que um tanto explícitas. A construção do relacionamento deles é bem convincente. É um romance no qual eu não tive dúvidas do amor que os unia. E apreciei demais esta leitura!

Assim sendo, o único livro da série até agora que não me agradou foi o segundo, que é totalmente dispensável!rs Tanto o primeiro quanto o terceiro vale a pena! E só me resta ler o quarto livro, protagonizado pelo marquês Christian, um homem muito excêntrico e cheio de mistérios...rs



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