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24 de fevereiro de 2019

A Grande Ilusão - Harlan Coben

(Título Original: Fool me Once
Tradutor: Marcelo Mendes
Editora: Arqueiro
Edição de: 2017)

Maya Stern é uma ex-piloto de operações especiais que voltou recentemente da guerra. Um dia, ela vê uma imagem impensável capturada pela câmera escondida em sua casa: a filha de 2 anos brincando com Joe, seu falecido marido, brutalmente assassinado duas semanas antes. 

Tentando manter a sanidade, Maya começa a investigar, mas todas as descobertas só levantam mais dúvidas. 

Conforme os dias passam, ela percebe que não sabe mais em quem confiar, até que se vê diante da mais importante pergunta: é possível acreditar em tudo o que vemos com os próprios olhos, mesmo quando é algo que desejamos desesperadamente? 

Para encontrar a resposta, Maya precisará lidar com os segredos profundos e as mentiras de seu passado antes de encarar a inacreditável verdade sobre seu marido – e sobre si mesma.



Palavras de uma leitora...


- Fazia um bom tempo que eu não lia nada do autor. A última vez foi em janeiro do ano passado.rsrs Mas a verdade é que tenho conseguido manter a meta de ler pelo menos um livro do Harlan Coben por ano. Eu conheci suas obras em 2012 e desde então li sete histórias dele. Oito com A Grande Ilusão. E, definitivamente, é perfeito o título dado ao autor de "mestre das noites em claro". Porque eu sempre passo as madrugadas acordada quando pego uma obra dele para ler. 

4 de janeiro de 2018

Não Fale com Estranhos - Harlan Coben

(Título Original: The Stranger
Tradutor: Marcelo Mendes
Editora: Arqueiro
Edição de: 2016)

O estranho aparece do nada e, com poucas palavras, destrói o mundo de Adam Price. Sua identidade é desconhecida. Suas motivações são obscuras. Mas suas revelações são dolorosamente incontestáveis.

Adam levava uma "vida dos sonhos" ao lado da esposa, Corinne, e dos dois filhos. Quando o estranho o aborda para contar um segredo estarrecedor sobre sua esposa, ele percebe a fragilidade do sonho que construiu: teria sido tudo uma grande mentira?

Assombrado pela dúvida, Adam decide confrontar Corinne, e a imagem de perfeição que criou em torno dela começa a ruir. Ao investigar a história por conta própria, acaba se envolvendo num universo sombrio repleto de mentiras, chantagens e assassinatos.

Intrigante e perturbador, Não Fale Com Estranhos é mais que um suspense de tirar o fôlego. É uma reflexão sobre o bem e o mal, o amor e o ódio, o certo e o errado, os segredos, as mentiras e suas consequências devastadoras.




Palavras de uma leitora... 



- Às vezes a gente simplesmente escolhe errado o momento de ler um livro... 

"[...] segredos eram tumores: eles infeccionavam. Iam corroendo as pessoas por dentro até deixar apenas uma frágil carcaça."

- Fosse o que fosse que eu esperava da história definitivamente não encontrei. É o primeiro livro do autor que não me causa empatia, que não mexe com as minhas emoções, que não faz com que eu me envolva com os personagens e sofra com eles. Ou estou num momento insensível ou a história é realmente inferior a todos os outros livros que já li do Harlan Coben. Levando em conta minha experiência com ele, fico com a segunda opção. 

A sinopse nos promete um suspense de tirar o fôlego e aí lembramos de livros como Não Conte a Ninguém, Confie em Mim, Desaparecido para Sempre, e nem hesitamos. Apostamos tudo na história, já preparando o coração para fortes emoções. Só que começamos a ler... e percebemos que as coisas não estão caminhando como o esperado. Que o suspense está demorando muito para "acontecer", que os diálogos parecem superficiais e os personagens não estão nos atingindo. Algo vai mal. Mas a nossa esperança é que melhore. Pelo menos, tive esperanças até a reta final do livro. Mesmo sabendo que já não existia a menor chance de amá-lo. 

- Tudo começa com a aproximação de um estranho no bar. Adam Price, nosso protagonista, é um advogado bem-sucedido, de classe média alta, que leva a vida dos sonhos ao lado de dois filhos adolescentes e uma mulher que qualquer homem desejaria como esposa. Sim, muitos o invejavam, até mesmo aqueles que se diziam seus amigos. Mas ele era feliz. E nada poderia ameaçar sua felicidade...

Mas ele percebe. Assim que o estranho abre a boca e solta uma frase aparentemente sem sentido, ele se dá conta que depois daquele dia nada voltaria a ser igual. Seu mundo estava desmoronando. Não sabia se seria possível salvar alguma coisa. 

"Nossas vidas são destroçadas, e ninguém sequer repara."

Confuso com as revelações do desconhecido, sua primeira tentativa é não acreditar nas palavras dele. Só poderia ser um louco ou alguém contratado para lhe dar um susto, fazer alguma brincadeira sem graça. Todavia, conforme os minutos passam, seguidos pelas horas, Adam começa a alimentar as dúvidas e decide descobrir por conta própria se ele mentira ou não. 

Após breves investigações nas compras realizadas pela esposa, dois anos antes, ele começa a se perguntar se realmente conhecia a mulher com a qual havia se casado. O que a levara a mentir? E a ocultar aquele segredo por tanto tempo? Como fora capaz de fazer algo assim com ele, após mais de dezesseis anos de casamento? 

Buscando respostas, ele confronta Corinne, revelando já saber de tudo e tentando entender o que a motivara. O que ele não poderia esperar era a reação estranha da esposa. E o que parecia a pior crise que já enfrentara em seu lar se transforma num verdadeiro inferno quando, menos de 24 horas após ser confrontada pelo marido, Corinne desaparece, deixando apenas uma breve mensagem no celular, pedindo que ele não a procure, que ela necessita de alguns dias. Um marido menos sensível talvez julgasse tal comportamento previsível. Ele havia descoberto seu mais profundo segredo e ela, acuada, fugira. Mas Adam sabia... Algo estava muito errado. Porque Corinne talvez pudesse ir embora, passar um tempo longe dele, mas jamais abandonaria os filhos. Eles eram toda a sua vida. Então, qual era a alternativa? O que acontecera com sua mulher? 

"Sabia que a sorte, a aleatoriedade e o caos tinham seus próprios planos e que cedo ou tarde a felicidade e a segurança se dissolveriam feito poeira no ar morno da primavera."

Tudo apenas se complica quando duas mulheres são encontradas mortas e a única ligação entre as duas é uma rede especializada em descobrir os segredos das pessoas e chantageá-las para conseguir o que deseja. Estariam eles por trás dessas mortas? E, o mais importante, o que eles teriam feito com Corinne? Onde ela estava? 

- Durante as 87 primeiras páginas do livro, eu senti que a história não estava acontecendo. Não entendia absolutamente nada. Tudo era uma grande confusão, um emaranhado de cenas sem sentido, segredos que não eram tão graves assim (não para fazer uma pessoa decidir desaparecer) e histórias paralelas que não pareciam ter realmente nenhuma relação, exceto o famoso estranho que se sentia um justiceiro que protegia a verdade acima de todas as coisas. Mas aí ocorre a primeira morte e as coisas mudam de figura. Mas a confusão não passa. 

Claro que eu suspeitei que algo não cheirava bem. Não tinha como a Corinne ter desaparecido e abandonado toda a família simplesmente porque o marido descobriu que ela mentiu dois anos antes. Ainda que ela preferisse que aquilo permanecesse um segredo, sendo a mulher decidida e forte que era, ela o enfrentaria de cabeça erguida e superaria qualquer crise que pudesse ter início. Fugir era ridículo e isso me fez levantar algumas hipóteses. Me fez descartar que o motivo fosse o segredo. Existia algo mais. Algo pior. Só que eu não fazia a menor ideia do que poderia ser. 

"Segredos revelados eram segredos destruídos."

- Não há realmente um grande suspense. Antes mesmo dos personagens descobrirem certas coisas, o autor já nos solta a informação e aí vamos juntando as peças. Claro que isso acontece muitas e muitas páginas após o início e a grande confusão que tudo era. Mas algo realmente nos surpreende: o final. Não que não pudéssemos pensar naquilo. Na verdade, o autor deixa mais do que claro que aquela era a grande verdade, mas não dá para acreditar. Nós ficamos chocados. Eu fiquei bastante. Mesmo sabendo que era a única explicação, não pude aceitar. Fala sério! Eu conheço o autor! Ele não faz esse tipo de escolha em suas histórias. Não com os personagens principais. Não Conte a Ninguém, Confie em Mim, Desaparecido para Sempre, Seis Anos Depois... Querem mais exemplos? Histórias que possuem um núcleo similar, que têm em comum a certeza de como terminarão as coisas para os protagonistas. E aí o autor pira e me vem com esse final! Foi o único momento em que fui atingida pelos personagens, em que senti não só empatia, mas uma grande revolta. E tristeza. Muita tristeza. 

- Sabe o que é mais irônico? O título do livro e a maneira como tudo é conduzido. O livro parece querer nos alertar, nos dizer: "Cuidado com estranhos! Não fale com eles, não deixe que se aproximem!", como nossos pais e avós nos ensinaram quando crianças. Todas as bombas da história explodem por causa da aproximação de um total desconhecido, que sabia algum podre sobre alguém e utilizou isso como motivo para chantagem. Todavia... se pararmos mesmo para pensar, o perigo não estava no estranho. Vinha de outra direção. O cuidado não era com estranhos, mas com os conhecidos, com aqueles com quem convivemos. Não foi um estranho que arruinou a vida do Adam. Não foi mesmo. 

- Quando conseguimos desatar os nós da história e superamos a enorme confusão que o autor criou, começamos a entender as coisas e o final nos faz refletir bastante. É incrível como uma única escolha pode mudar toda uma vida, alterar o rumo das coisas e até provocar a morte. Famílias destruídas por uma única escolha... E se... É impossível não pensar em como tudo poderia ter sido diferente se um determinado personagem tivesse fechado os olhos, fingido não ver. Fez o que era certo, moral, mas isso lhe custou tudo. Valeu a pena? A verdade é que não. De modo algum. 

- Não é o melhor livro do autor. Está bem longe disso, mas isso não significa que é uma história ruim. O livro está bem cotado no Skoob e é amado por muitos. Não funcionou para mim, infelizmente. Mas só o fato de ter me feito refletir com o final já valeu a leitura. 

11 de janeiro de 2017

Desaparecido para Sempre - Harlan Coben

(Título Original: Gone for Good
Tradutor: Sergio Viotti
Editora: Arqueiro
Edição de: 2010)


No leito de morte, a mãe de Will Klein lhe faz uma revelação: seu irmão mais velho, Ken, desaparecido há 11 anos e acusado do assassinato de sua vizinha Julie Miller, está vivo. Embora a polícia o considere um fugitivo, a família sempre acreditou em sua inocência. 

Ainda aturdido por essa descoberta e tentando entender o que realmente aconteceu com seu irmão, Will se depara com outro mistério: Sheila, seu grande amor, some de repente. O FBI suspeita que ela esteja envolvida no assassinato de dois homens. Apesar de estarem juntos há quase um ano, Sheila nunca revelou muito sobre o seu passado. 

Enquanto isso, Philip McGuane e John Asselta, dois criminosos que foram amigos de infância de Ken, passam inexplicavelmente a rondar a vida de Will. 

Para descobrir a verdade por trás desses acontecimentos, ele conta apenas com a ajuda de Squares - seu colega de trabalho em uma fundação de assistência a jovens carentes e proprietário de uma escola de ioga famosa entre as celebridades, o que lhe garante acesso a topo tipo de pessoas e de informações. 

Mestre do thriller de ação, Harlan Coben se supera nesta eletrizante história cheia de incríveis reviravoltas. Um suspense que mostra a busca pelo assassino, pela vítima e, acima de tudo, pela verdade.




Palavras de uma leitora...



"No fim, a mais desagradável das verdades é preferível à mais bela mentira."

Onze anos antes, a cidade em que Will cresceu e conheceu o seu primeiro amor, foi abalada pelo assassinato brutal de uma jovem, no porão de sua própria casa. Tudo indicava que ela havia sido estuprada e estrangulada logo depois. Seu corpo foi encontrado pela família que jamais pôde superar aquela tragédia. Sobretudo porque o assassino, Ken, irmão de Will, havia fugido e nem mesmo os esforços da polícia internacional foram suficientes para encontrá-lo. Era como se ele tivesse sido tragado pela terra. Para o mundo, Ken era um assassino cruel e extremamente perigoso. Para a família de Will, ele era inocente e provavelmente também estava morto, enquanto o verdadeiro assassino havia escapado impune. 

Os anos que se passaram foram difíceis para todos os que não conseguiam tirar da cabeça a maneira como a vida de uma jovem universitária brilhante e querida por aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-la foi tão violentamente arrancada. Foram poucos os que seguiram próximos da família de Will após aquele crime. E ele foi obrigado a ver, dia após dia, sua mãe se transformar numa pessoa bem diferente daquela que um dia tinha sido. Era como se ela tivesse começado a morrer no dia em que Julie morreu e seu filho foi acusado pelo crime. Sua irmã foi embora o mais rápido possível e ele ficou, seguindo com sua vida e tentando empurrar para o canto mais escondido da mente os acontecimentos daquela noite. E tudo o que tinha se passado antes...

Mas tudo retorna com força quando, dias antes de morrer, sua mãe lhe confessa que Ken ainda está vivo, diferente do que ele acreditara durante todo aquele tempo. Desnorteado pela revelação e pela perda da mãe, Will sofre um novo golpe quando sua namorada, e a mulher com quem ele pretendia passar o resto da vida, desaparece repentinamente e o FBI o procura, dizendo que Sheila estava envolvida num duplo homicídio. Seria possível que houvesse alguma ligação entre todos aqueles acontecimentos? Estaria Ken realmente vivo? E o que teria acontecido com Sheila?

Como se não bastasse a confusão que se transformou sua vida, Will passa a correr sérios riscos quando dois homens do passado de seu irmão começam a segui-lo, não deixando dúvidas de que estavam dispostos a matá-lo se ele não lhes desse o que eles queriam... E Will não fazia a menor ideia do que poderia ser...

Tudo o que ele sabia é que iria em busca da verdade, custasse o que custasse... Ainda que a verdade pudesse destruí-lo.

"Às vezes encontramos pessoas cuja bondade inata nos atinge como um raio de luz quase ofuscante. Mas outras vezes deparamos exatamente com o oposto - alguém cuja mera presença nos asfixia, nos encobre com uma pesada nuvem de putrefação e de sangue."

- Ao iniciar a leitura desta história eu já tinha total certeza de que não conseguiria abandoná-la enquanto não terminasse de lê-la. Os livros do Harlan Coben são sempre profundamente envolventes, cheios de reviravoltas de tirar o fôlego, disparar nosso coração e de mortes que muitas vezes nos partem o coração, deixando um vazio e uma revolta enormes. Com este livro é claro que não foi diferente. Fiquei presa desde a primeira página, ansiosa para saber como tudo terminaria e que verdades seriam reveladas. 

A história começa onze anos após a morte de Julie, vizinha e amiga da família de Will. Ela passara um longo tempo longe, pois estava cursando o último ano da faculdade. Quando ela retornou, ninguém poderia imaginar que sua vida estava prestes a ser arrancada, sem que ela tivesse a menor chance de defesa ou pedir ajuda. Ela foi assassinada dentro de casa, no porão onde passara lindos momentos de sua vida, num local que lhe trazia muitas recordações de um tempo que não voltaria mais. Ali, ela foi agredida e morta. E nada nunca mais foi igual. Para ninguém. A família de Julie ficou, pois não tinha forças para ir embora... para virar as costas para sua filha. Não podia superar a dor. Não podia seguir em frente. Porque um dia ela existiu e cada canto daquela casa guardava um pedacinho dela... uma recordação. Seus pais preferiam sofrer do que esquecê-la...

"Podemos tentar caminhar e superar a dor. Podemos tentar esquecer e seguir adiante com nossa vida. Mas para o seu pai e para mim - Lucille Miller fechou os olhos e balançou a cabeça com firmeza -, esquecer seria indigno demais. Não podíamos trair sua irmã dessa maneira. A dor pode ser enorme, mas como poderíamos seguir adiante e esquecermos Julie? Ela existiu."

- Katy tinha apenas seis anos quando sua irmã foi assassinada. E durante todos aqueles anos seus pais fizeram de tudo para mantê-la longe daquela realidade. O que era impossível, pois tudo lembrava Julie. E ela estava cansada. Não aguentava mais tanta dor, não suportava mais saber que o assassino jamais tinha sido encontrado. Tudo o que ela queria era que sua irmã pudesse descansar em paz. Queria a verdade, mas, acima de tudo, queria justiça. Para Julie e para todos os que tinham sido atingidos pela crueldade da sua morte. E quando, ao visitar o túmulo da irmã, ela encontra Ken, que jura não tê-la assassinado e afirma ter retornado para encontrar o verdadeiro assassino, Katy acredita nele. É quando ela resolve procurar por Will, pois somente juntos poderiam encontrar algo no passado das duas famílias que talvez esclarecesse tudo o que aconteceu naquela noite e quem poderia ter assassinado Julie. Só que a busca pela verdade pode custar um preço alto demais... sua própria vida.

- Eu já sou especialista nos livros deste autor.kkkkkkkk... A história me envolve, acelera meu coração, me deixa com as emoções todas bagunçadas, mas acabo descobrindo a verdade antes dos protagonistas. Eu desvendei todo o mistério bem antes da história terminar. Foi só prestar total atenção no que os personagens diziam, nas pequenas informações que eles iam soltando. Depois é só juntar tudo e você já sabe o que realmente aconteceu. E isso não diminui nem um pouco a emoção. Quando tudo se revela para os protagonistas e nós temos confirmadas a nossa teoria, a cena continua sendo impactante. Sentimos tudo com o Will, com a Katy. É duro de aceitar a verdade. Ainda mais porque é impossível não imaginarmos que tudo poderia ter sido diferente. 

"A dor mina as nossas forças. Se não nos protegemos dela, ela nos deixa esgotados a ponto de não nos importarmos com mais nada."

- Apesar de não chegarmos a conhecer a Julie, pois a história começa após sua morte, acabamos sofrendo pela vida dessa menina ter terminado assim, por todos os sonhos perdidos e por tudo o que ela deixou para trás. É difícil demais aceitar sua morte. E é ainda pior quando descobrimos a verdade. A maldade do ser humano realmente não conhece limites. Não consigo entender como alguém pode ser capaz de coisas assim. Parece que têm um buraco no lugar do coração, uma total ausência de sentimentos e humanidade. 

"Você categoriza todo mundo, Will. Coloca os bons de um lado e os maus do outro. Não é assim que funciona, é? As coisas não são tão simples assim. O amor, por exemplo, leva ao ódio. Acho que foi isso que deu início a tudo. Um amor primitivo."

- Além de ser um suspense maravilhoso, cheio de altos e baixos, tentativas de assassinato e tudo o mais, é também uma história que nos faz pensar. Muito. E é algo que todos os livros que já li do autor têm em comum. Todos eles são humanos. Nos aproximam dos personagens, até mesmo daqueles que com certeza irão morrer, não importando o quanto a gente torça para que isso não aconteça, para que algo os salve. E o autor ainda vai além... nos fazendo entrar na mente dos assassinos e conhecê-los também. São leituras que, na minha opinião, não são nada fáceis. Mesmo assim, não resisto aos livros dele! Nunca!rsrsrs... E Desaparecido para Sempre conseguiu 5 estrelas e passagem para os favoritos. :) É uma das melhores histórias que já li do Harlan Coben! É uma história que começa com acontecimentos que, aparentemente, não têm nenhuma relação e então, de repente, tudo se entrelaça, os pedaços se unem fazendo com que tudo faça sentido. 

E é claro que recomendo o livro! Muito! 

16 de agosto de 2016

Seis Anos Depois - Harlan Coben

(Título Original: Six Years
Tradutor: Ricardo Quintana
Editora: Arqueiro
Edição de: 2014)

Jake Fisher e Natalie Avery se conheceram no verão. Eles estavam em retiros diferentes, porém próximos um do outro. O dele era para escritores; o dela, para artistas. Eles se apaixonaram e, juntos, viveram os melhores meses de suas vidas.

E foi por isso que Jake não entendeu quando Natalie decidiu romper com ele e se casar com Todd, um ex-namorado. No dia do casamento, ela pediu a Jake que os deixasse em paz e nunca mais voltasse a procurá-la.

Jake tentou esconder seu coração partido dedicando-se integralmente à carreira de professor universitário e assim manteve sua promessa... durante seis anos.

Ao ver o obituário de Todd, Jake não resiste e resolve se reaproximar de Natalie. No enterro, em vez de sua amada, encontra uma viúva diferente e logo descobre que o casamento de Natalie e Todd não passou de uma farsa.

Agora ele está decidido a ir atrás dela, esteja onde estiver, mas não imagina os perigos que envolvem procurar uma pessoa que não quer ser encontrada.

Em Seis Anos Depois, Harlan Coben usa todo o seu talento para criar uma trama sensacional sobre um amor perdido e os segredos que ele esconde.


Palavras de uma leitora...


"- Você quer tanto isso, essa segunda chance, a oportunidade de redenção que não consegue enxergar a verdade.
- E que verdade é essa, Benedict?
- Ela se foi - disse ele, apenas. - Largou você. Nada vai mudar isso."


- Seis anos antes, num dos piores momentos de sua vida, Jake conheceu a mulher que o ensinaria a amar, apenas para partir seu coração em vários pedaços depois. No momento em que ela lhe dissesse adeus e se casasse com outro, como se o tempo que viveram juntos não tivesse significado nada. Como se todo o amor, a sensação de que tinham sido feitos um para o outro, não passasse de uma ilusão. Um amor que só ele viu, mas que ela jamais chegou a sentir. 

Destroçado pela maneira como ela jogou fora tudo o que partilharam, ele compareceu ao casamento e assistiu, com uma dor que não saberia explicar, sua mulher trocando votos diante de um altar, encerrando a história deles dois. Mas antes de partir, ela fez questão de fazê-lo entender que estava realmente tudo acabado. Que ele não deveria procurá-la. Nunca mais. 

"- Prometa que não vai nos seguir, telefonar nem mandar e-mail.
A dor no peito aumentou, incisiva e pesada.
- Prometa, Jake. Prometa que vai nos deixar em paz."

- E assim os anos se passam... Por mais que tenha pensado em ir atrás dela durante todo aquele tempo e não tenha existido um só dia no qual não a recordasse, ele manteve sua promessa. Se ela não queria vê-lo, tudo bem. Não a incomodaria. Não roubaria sua paz ou prejudicaria de alguma forma a sua felicidade. A amava tanto que estava disposto a passar a vida em tormento se isso significaria que ela estaria bem, que poderia ser feliz. Mas, então, Todd, o marido de Natalie, morre e ele não consegue resistir ao desejo de vê-la mais uma vez. Nem que fosse no velório do marido. Quebraria sua promessa, por alguns instantes, e depois seguiria em frente. Só precisava vê-la. Nada mais. Uma última vez. 

"Faria o que Natalie me pedira. Iria deixá-la em paz. Pensaria nela todos os dias, mas nunca telefonaria, não tentaria me aproximar nem a procuraria on-line. Manteria a promessa.
Por seis anos."

- Porém, ao comparecer ao velório de Todd, toda sua vida toma um novo e arriscado rumo, quando ele percebe que a viúva daquele homem não é a mulher que ele conheceu anos antes e o abandonou. A viúva não era Natalie, mas sim uma mulher completamente diferente. O que estaria acontecendo ali? Teria aquele homem duas famílias? Ou... tudo não passara de uma grande mentira, de uma farsa muito bem armada para forçá-lo a desistir dela? 

Completamente atordoado por aquela descoberta, Jake vai atrás de resposta. E quanto mais perguntas faz mais perto da morte também fica. Seis anos antes... Natalie desaparecera de sua vida. E não existia nenhuma pista de seu paradeiro. Agora... ao mexer naquele passado, ele colocava em perigo não só a própria vida, mas também a de muitas outras pessoas. O que se esconderia por trás do desaparecimento de Natalie? Que segredos ela ocultaria? Fosse o que fosse, ele iria descobrir. Precisava encontrá-la. Necessitava entender o que a levara a partir. E mais do que tudo, necessitava ter a certeza de que a sua amada não estava em perigo. Estava disposto a arriscar o que fosse preciso para achar a mulher da sua vida. Ainda que isso, literalmente, custasse a vida dele. 

"- Escute-me com toda atenção. Eles podem encontrar Natalie primeiro. [...] - ou nós podemos. A escolha é sua. 
Era verdade. Porém, mais do que isso, ele tinha deixado de fora uma última possibilidade, por mais remota que fosse.
Eu poderia encontrá-la antes de todos."

- Assim que iniciei a leitura desta história, não consegui parar. Quanto mais eu lia mais queria ler. Porque o autor nos envolve bastante ao criar todo aquele mistério e não temos coragem de largar o livro enquanto não descobrimos tudo.rs Eu queria saber que segredos Natalie escondia, o que a levara a ir embora, se estava viva ou morta... e se Jake conseguiria encontrá-la. Não me atreveria a parar de ler enquanto não tivesse a resposta para todas as minhas perguntas. 

E, no final das contas, eu descobri tudo antes mesmo do protagonista.kkkkkkkkk... Quanto mais o Jake obtinha respostas que ele ainda não conseguia interligar, mais informações ele me dava para montar o quebra-cabeças, ainda mais quando eu tinha como base um livro anterior do autor, que jamais pude esquecer: Não Conte a Ninguém. Por mais diferente que Seis Anos Depois seja, se já tivermos lido Não Conte a Ninguém é muito fácil seguir uma determinada linha de raciocínio e chegar a todas as respostas. Foi fácil, fácil.rs E até mesmo a maneira como o livro terminaria eu pude imaginar. E isso não prejudicou em nada o livro. Porque tinha que terminar exatamente daquele jeito. Eu ficaria decepcionada com outro final. 

"Todos têm um tipo próprio de loucura." 

- E não há dúvidas de que Jake é 99% louco.rsrsrs... Porque somente uma pessoa nada normal faria as coisas que ele fez. Bem...somente uma pessoa louca ou... completamente apaixonada, certo? Não tem como duvidar do amor que ele sentia pela Natalie. Ela era todo o seu mundo. Sem ela... ele apenas respirava sem de fato viver. E me surpreende muito que ele tenha conseguido manter a promessa por seis anos, que não tenha ido atrás dela antes. Todo esse amor é lindo, de nos fazer suspirar... mas é também um amor perigoso, que o faz bater de frente com a morte várias vezes. E nem mesmo assim ele desistia. Só conseguia pensar que precisava encontrá-la. Que tinha que salvá-la. Quem não iria querer ser amada assim?! Suspiros...

- A história só não ganhou 5 estrelas porque eu achei que algumas coisas poderiam ter sido melhor desenvolvidas, que outros personagens deveriam ter tido um papel mais ativo por serem importantes para os acontecimentos... Mas eu amei o livro! E o recomendo muito! Vale a pena! A história nos envolve do começo ao fim e ficamos com uma sensação muito boa depois. Eu simplesmente amei! :)

30 de maio de 2014

Cilada - Harlan Coben


(Título original: Caught
Tradutor: Marcelo Mendes
Editora: Arqueiro
Edição de: 2010)

Ninguém pode escapar das próprias mentiras.

Haley McWaid tem 17 anos. É aluna exemplar, disciplinada, ama esportes e sonha entrar para uma boa faculdade. Por isso, quando certa noite ela não volta para casa e três meses transcorrem sem que se tenha nenhuma notícia dela, todos na cidade começam a imaginar o pior.

O assistente social Dan Mercer recebe um estranho telefonema de uma adolescente e vai a seu encontro. Ao chegar ao local, ele é surpreendido pela equipe de um programa de televisão, que o exibe em rede nacional como pedófilo. Inocentado por falta de provas, Dan é morto logo em seguida.

Na junção dessas duas histórias está Wendy Tynes, a repórter que armou a cilada para Dan e que se torna a única testemunha de seu assassinato. Wendy sempre confiou apenas nos fatos, mas seu instinto lhe diz que Mercer talvez não fosse culpado. Agora ela precisa descobrir se desmascarou um criminoso ou causou a morte de um inocente. 

Nas investigações da morte de Dan e do desaparecimento de Haley, verdades inimagináveis são reveladas e a fragilidade de vidas aparentemente normais é posta à prova. Todos têm algo a esconder e os segredos se interligam e se completam em um elaborado mosaico de mistérios. 


Palavras de uma leitora...


" Foi então que Marcia sentiu uma pequena pedra se formar no peito. [...] Sentiu-a crescer quando examinou a escova de dentes, depois a pia e o boxe. Tudo absolutamente seco. [...] Mais ainda quando, 48 horas depois, o FBI foi chamado. Mais ainda quando uma semana inteira se passou sem que eles tivessem qualquer notícia da filha. 

Era como se Haley tivesse sido tragada pela terra.

Um mês se passou. Nada. Depois dois. Nada também.
Já haviam se passado quase três meses quando enfim eles receberam a notícia - e a pedra que havia se formado no peito de Marcia, a pedra que não a deixava respirar ou dormir durante a noite, parou de crescer."

- Haley era uma garota brilhante. O orgulho de Marcia e Ted. A filha que nunca havia dado trabalho, que era inteligente, esforçada, que corria atrás dos próprios sonhos, nunca desistindo, nunca se rendendo. A única preocupação que aqueles pais poderiam ter seria com a saudade que sentiriam dela no dia em que a filha fosse para a faculdade, e já não estivesse tão presente como antes. Eles sofreriam com a ausência dela, mas saber que a filha estaria na universidade, construindo sua própria vida, seu próprio mundo, lhes aliviava. Eles jamais poderiam imaginar, enquanto faziam planos para a filha e se preparavam para a partida dela, que Haley iria embora sim. Mas não para a faculdade. Jamais poderia lhes passar pela cabeça que um belo dia acordariam e encontrariam a cama da filha feita e nenhum sinal de que a menina passara a noite em casa. Qualquer outra família não teria se preocupado tanto com isso. Afinal de contas, adolescentes costumavam fazer essas coisas. Sair e esquecer o horário de retornar. Mas não Haley. Jamais a filha deles. Por mais que os investigadores suspeitassem de uma possível fuga, Marcia e Ted sabiam, em seus corações, que algo terrível acontecera com a menina deles. Que existia a possibilidade de que eles jamais a vissem novamente. E era algo que lhes destruía a alma. 


"Eu sabia que minha vida seria destruída se abrisse aquela porta vermelha.
[...] Era impossível afastar a sensação de perigo iminente. Cada passo me custava certo esforço, como se eu estivesse pisando não em uma calçada já um tanto gasta, mas em cimento fresco. O corpo dava todos os avisos: frio na espinha, pelos eriçados nos braços, arrepio na nunca e no couro cabeludo.[...]
[...] Aquilo não me agradava. Nada daquilo me agradava, mas o que eu podia fazer? Eu sou assim."

- Dan Mercer era o herói dos adolescentes desamparados. Órfão, crescera de uma forma bastante instável, passando de casa para casa, de família para família, nunca construindo raízes. Nunca encontrando alguém que realmente quisesse ficar com ele, criá-lo e amá-lo como a um filho. No entanto, apesar de todas as dificuldades e da solidão que o acompanhara durante toda sua vida, ele conseguira entrar para uma das melhores universidades do país e se formara com louvor. Agora passava sua vida trabalhando como assistente social, e apoiando e protegendo diversas crianças e adolescentes problemáticos, vindo de lares destruídos, maltratados por seus próprios familiares, viciados em drogas... Ele era como um anjo para aquelas crianças... até aparecer em rede nacional, surpreendido e acusado por uma repórter de um jornal sensacionalista. Graças a Wendy Tynes, ele era agora visto por toda a sociedade como um predador sexual. Um pedófilo que se aproveitava de sua profissão e do carinho de crianças desprotegidas para satisfazer os seus depravados desejos. Graças a Wendy, a vida de Dan Mercer havia sido destruída. Em todos os sentidos. E a possibilidade de ter causado a morte de um inocente, começa a atormentar a vida dela. Existiria algo por trás dos fatos? Seriam todas aquelas provas nada mais do que uma grande cilada? Ao longo da sua luta pela verdade, Wendy descobrirá que às vezes as coisas não eram exatamente o que pareciam. Que, muitas vezes, nada é o que parece. 

"Muitas vezes na vida somos obrigados a fazer julgamentos que não gostaríamos de fazer. E queremos que eles sejam fáceis. Queremos confinar as pessoas em categorias bem definidas, anjos ou monstros, mas quase sempre o buraco é mais embaixo: a verdade está em algum lugar entre os dois extremos. E esse é o problema. Os extremos são bem mais fáceis."

- Wendy Tynes não fazia aquilo porque gostava da fama, do prestígio que seus flagrantes lhe davam. Não. Ela fazia aquilo porque sentira na própria pele o que um ser humano era capaz de fazer com o outro. O quanto o egoísmo podia ser letal. Se podia fazer a sua parte para livrar o mundo de alguns lixos, por que não faria? Então, ela decidira dedicar-se ao flagrante de pedófilos, determinada a livrar crianças e adolescentes do tormento que tal escória poderia provocar. Mas quando recebe uma denúncia anônima, acusando Dan Mercer de ser o que ela tanto abominava, o choque não poderia ser maior. Uma das poucas pessoas que ela admirava no mundo, provava o que ela aprendera a acreditar: o ser humano não presta. No entanto, quando involuntariamente ela acaba provocando e sendo testemunha do assassinato de Dan, todos os seus instintos gritam que existe algo muito errado naquela história e que talvez, só talvez, ela tenha condenado um inocente à morte. Determinada a encontrar todas as respostas, Wendy decide investigar aquela história por conta própria. Não colocando apenas a sua vida em risco, mas também a vida de todos aqueles que ela ama. Porque existem segredos... que não deveriam vir à luz. Segredos nos quais não se pode mexer. 

Durante suas investigações, Wendy jamais poderia imaginar que a solução para dois casos aparentemente diferentes poderia encontrar-se nos segredos de um passado aterrorizante. Um passado do qual muitos tentaram fugir, mas que voltava para cobrar uma dívida. Porque ninguém consegue escapar do passado antes de quitar suas dívidas com ele...

"Era isso o que pessoas [...] não conseguiam entender; a fragilidade do mundo. As feridas que uma guinada do destino é capaz de abrir. O poço do desespero em que somos jogados por conta de um descuido qualquer. A irreparabilidade das coisas. 

- Eu tenho pavor da internet. Sempre tive pânico da internet, mas por diversos motivos diferentes do pânico que esse livro me provocou. Nunca antes tinha me passado pela cabeça o quanto a internet pode ser letal. Claro que não sou ingênua, claro que sei que muitos crimes são cometidos e facilitados pela internet, mas lendo Cilada eu acabei descobrindo uma outra face desse lado obscuro da internet. Algo que muitos já deveriam saber, mas que eu não sabia. Porém, meu medo da internet não é nada comparado com o terror que o ser humano me provoca. Eu poderia viver cem anos e ver de tudo neste mundo, mas ainda assim seria capaz de me surpreender. Seria capaz de ficar chocada ao ver mais uma demonstração de crueldade, egoísmo e insensibilidade. Vendo o que vi neste livro, eu fiquei chocada. Não porque não achasse possível alguém fazer tal coisa, não porque não esperasse tal resultado, mas sim porque são coisas que jamais conseguirei entender ou aceitar. É demais para a minha cabeça. E pensar que tudo acontece porque não conseguimos enxergar algo além de nós mesmos. De nossas próprias vontades, de nossas próprias vidas, de nosso próprio futuro. Mas acima de tudo, as coisas acontecem como acontecem nesta história, porque amor (e todas as consequências dele) passou a significar nada mais do que uma palavra sem sentido.


"Não é assim que as coisas funcionam. Às vezes... ou quase sempre... não existe um porquê."

- Esta história me perturbou. Porque embora pudesse adivinhar certas coisas durante a leitura e sempre estivesse esperando pelo pior, não podia imaginar como a história terminaria. Jamais passou pela minha cabeça que tudo tinha acontecido como descobrimos no final. Aquilo me abalou. Embora eu não tenha filhos, me envolvi muito pela história da Haley e me sensibilizei pelo sofrimento da família dela, que já estava há vários meses sem sequer uma só notícia da menina deles. Sem saber o que tinha acontecido. Vivendo com a esperança, por mais tênue que fosse, de que a menininha deles fosse aparecer. De que tudo não passara de um pesadelo. Por várias vezes eu pude me colocar no lugar da Marcia e imaginar o quanto era difícil para ela levantar dia após dia e lembrar que a filha não estava lá. Que ela poderia estar em qualquer parte do mundo, sofrendo todo tipo de horror, chamando pela mãe, pedindo a sua ajuda. É um desespero que não se deseja nem para o pior inimigo. E desde o início eu torci, mesmo que soubesse que as chances eram mínimas, para que a Haley aparecesse. Para que houvesse uma explicação para o seu desaparecimento. E que não fosse a pior. Que ainda houvesse esperança para aquela família. Que tudo voltasse ao normal. E quando toda a verdade é revelada, meus sentimentos ficam muito bagunçados. Até agora não consegui organizá-los. Não sei bem o que sinto. E não sei se um dia conseguirei descobrir. 

- Uma das personagens mais marcantes desta história, é a protagonista. Wendy Tynes no início não despertou muito a minha atenção. Mas quando ela começa a "se meter onde não havia sido chamada" (risos) torna-se uma personagem profundamente envolvente e corajosa, capaz de despertar a nossa admiração e também o nosso medo. Afinal de contas, não é um romance com promessa de final feliz. Começamos essa leitura (ainda mais quem já conhece os livros do autor) temendo sempre o pior, imaginando que nada é garantido e que tudo pode se perder de uma hora para a outra. Inclusive a vida dos personagens que amamos. Eu aprendi bem essa lição ao ler Confie em Mim. Não esquecerei.rsrs... No entanto, é impossível não nos apegarmos à Wendy. Ela não necessitava se meter naquela história toda, buscar respostas que ninguém tratava de buscar. Todos tinham aceitado as coisas como elas se mostravam e, ironicamente, tinha sido justamente nossa mocinha quem tinha provocado aquela "visão" dos fatos. Mas ela sentia que algo se escondia por trás de tudo aquilo. Que existia algo oculto e terrível ali, algo que precisava ser descoberto. E quando ela começa a colher as consequências de sua procura por respostas, nosso coração dispara e parar a leitura para fazer qualquer outra coisa torna-se algo impossível. Eu lembro que tinha um trabalho muito importante para concluir (e entregar justamente hoje) e tinha que interromper a leitura para terminá-lo. Justamente na melhor parte. No momento mais eletrizante da história. Tive que me forçar a fechar o livro para pegar a droga do trabalho para fazer, mas o tempo inteiro o livro permaneceu bem do meu lado enquanto eu olhava com cara feia para o trabalho, desejando fazê-lo em pedacinhos por estar atrapalhando a minha vida.rsrs... E antes mesmo que tivesse terminado o trabalho, já estava colada ao livro novamente, sem sequer saber o exato instante em que larguei tudo para voltar a lê-lo. Quando eu dei por mim, já estava com o livro nas mãos, devorando-o como se minha vida dependesse disso.kkkkk... O Harlan Coben sempre consegue fazer isso comigo. Me prende de uma forma impressionante aos livros dele, até mesmo quando eu quero (ou preciso) abandoná-los.rsrs... 

- Não há mais nada que eu possa dizer sobre a história sem revelar os segredos. Toda vez que termino a leitura de uma história do autor, penso que as respostas sempre estiveram escritas desde a primeira página. Que tudo sempre esteve dito e que o autor só fez por onde dificultar a nossa visão. E com Cilada não foi diferente. Quando lembro de tudo que li, desde o princípio, percebo que os segredos já haviam sido revelados antes. Que todas as pistas estiveram lá e que eu apenas não consegui enxergar isso. Nenhum segredo é de fato revelado no final. O autor apenas junta as respostas. E, apesar de tudo, eu amei a forma como o livro terminou.rsrs... Só lendo vocês entenderão o motivo. 

E como a sinopse mesmo diz:

"Harlan Coben mais uma vez deixa o leitor sem ar. Cilada fala de culpa, luto e perdão em uma trama repleta de reviravoltas surpreendentes. Nada é o que parece e tudo pode ser desfeito até a última página."

- É difícil encontrar uma sinopse tão completa e verdadeira como essa. Geralmente, nem confio muito nas sinopses, pois as coisas nem sempre são como são mostradas na sinopse. Mas neste caso, podem confiar. A sinopse é fiel à história e a resume maravilhosamente bem. Quem dera que todas fossem assim!rsrs...


"O que quer que tenha restado de mim, o que quer que houvesse de bom, acabou. É isso o que a vingança faz. Ela corrói a nossa alma. Eu nunca deveria ter aberto aquela porta."

2 de novembro de 2013

Fique Comigo - Harlan Coben



A vida de Megan Pierce nem sempre foi um mar de rosas. Houve uma época em que ela nunca sabia como seria o dia seguinte. Mas hoje é mãe de dois filhos, tem um marido perfeito e a casa dos sonhos de qualquer mulher – e, apesar disso, se sente cada vez mais insatisfeita.

Ray Levine já foi um fotógrafo respeitado, mas agora, aos 40 anos, tem um emprego em que finge ser paparazzo para massagear o ego de jovens endinheirados obcecados em se tornar celebridades.

Broome é um detetive incapaz de esquecer um caso que nunca conseguiu resolver: há 17 anos, um pai de família desapareceu sem deixar rastro. Todos os anos ele visita a casa em que a mulher e os filhos do homem esperam seu retorno.

Essas pessoas levam vidas que nunca desejaram. Agora, um misterioso acontecimento fará com que seus caminhos se cruzem, obrigando-os a lidar com as terríveis consequências de fatos que pareciam enterrados havia muito tempo.

E, à medida que se deparam com a faceta sombria do sonho americano – o tédio dos subúrbios, a angústia da tentação, o desespero e os anseios que podem se esconder nas mais belas fachadas - , elas chegarão à chocante conclusão de que talvez não queiram deixar o passado para trás. 


Palavras de uma leitora...


"Era como se a casa se recusasse a seguir em frente, como se as paredes e o teto estivessem de luto, esperando. Ou talvez aquilo fosse apenas um mecanismo de defesa. As pessoas precisavam de respostas. Precisavam de um desfecho. A esperança, Broome sabia muito bem, pode ser uma coisa maravilhosa. Mas também pode arrasar alguém dia após dia. A esperança pode ser a coisa mais cruel do mundo."

- Dezessete anos já tinham se passado... Mas para a família Green, o tempo não passara. Aquela esposa e seus filhos seguiam esperando pelas respostas que a polícia ou qualquer outra pessoa não conseguiu dar. Os dias passavam... Semanas. Meses. Anos. E eles ainda esperavam que Stewart Green, um esposo e pai dedicado, entrasse pela porta de casa e dissesse que tudo não passara de um terrível pesadelo. Sarah, sua mulher, não conseguia esquecer-se do quanto aquele homem havia feito por ela. Como ele teve força quando ela própria não tinha mais. Se havia sobrevivido ao câncer que descobrira durante a gravidez tinha sido porque ele lutara as suas lutas, a sustentara de pé. E ela não conseguiu fazer o mesmo por ele... Não conseguiu protegê-lo, como ele a tinha protegido. Mais do que tudo, ela só queria que aquele caso fosse resolvido. Que alguém lhe disse o que tinha acontecido com o pai dos seus filhos. Todos aqueles anos de suposições tinham custado muito caro para sua família. As dúvidas, a esperança... machucavam demais. Mas saber realmente diminuiria a dor? Ou seria preferível não mexer naquele passado e simplesmente seguir adiante, mesmo sem respostas? Às vezes uma dor pode ser substituída por outra muito pior... Às vezes o melhor é jamais saber... 

"O que aconteceu naquela noite... nunca saiu realmente da minha cabeça. Eu fugi. Mudei de nome. Construí uma vida nova. Mas aquela noite me perseguia por toda parte. Ainda persegue. Achei que talvez estivesse na hora de parar de fugir. De enfrentar isso de uma vez por todas."

- É realmente possível livrar-se do passado? Trancá-lo dentro de uma caixa e nunca mais abri-la? Megan Pierce, uma esposa realizada e mãe de dois filhos adolescentes, diria que não. Ela tinha tudo que qualquer mulher sonharia em ter na vida. Mas ainda assim algo permanecia vazio e doloroso dentro dela. Algo relacionado com um passado de mais de dezessete anos antes... Um passado que estava trancado numa caixa da qual ela ainda possuía a chave. Um passado que após ser visitado pode recusar-se a deixá-la ir embora. E pode trazer consequências terríveis não só para ela, mas para todos aqueles que ela ama...

"Por quê? Por que retornar ao lugar onde havia perdido tudo? A não ser que... que algo o tivesse atraído de volta. A não ser que algo tivesse exigido que ele voltasse e descobrisse a verdade."

Ray Levine um dia tivera todas as possibilidades, todas as chances de ter um futuro brilhante. Fotógrafo apaixonado pelas imagens que uma câmera fotográfica podia captar, talento ele tinha de sobra e todas as portas encontravam-se abertas para ele, permitindo que optasse pelo que achasse melhor. Mas, de um instante para o outro, tudo dera terrivelmente errado. Era como se estivesse vivendo num constante pesadelo, que o fazia mergulhar num tormento sem fim. E ele já vivia nessa situação há vários anos, sem jamais encontrar uma saída. E sem poder fugir de todo aquele sangue. Sangue demais... Sangue por toda parte...

Agora, dezessete anos depois, ele retorna ao lugar mais obscuro do seu passado, desencadeando acontecimentos que mudarão para sempre a vida de muitas pessoas. E colocando sua própria vida em perigo.

“Ninguém pode ter tudo. Não é possível.”

Broome já havia sido impactado por alguns casos antes, mas aquele em especial havia se tornado parte da sua vida. Porque ele se envolvera pessoalmente. Acompanhara o sofrimento da esposa e dos filhos daquele homem que parecia ter evaporado no ar. Assistira aos jogos dos quais o menino participara, livrara a adolescente inconsequente quando ela se metera em encrenca... A cada visita, conseguia ver nos olhos deles as marcas daquele crime jamais solucionado. A dor tinha acompanhado aquela família por muitos anos e Broome prometera a si mesmo que não desistiria até encontrar as respostas que eles necessitavam para seguir em frente. Agora, exatamente dezessete anos após o desaparecimento de Stewart Green, um jovem é dado como desaparecido. Na mesma data. Nas mesmas circunstâncias. Haveria realmente ligação entre os dois casos? E se sim o que exatamente ocorrera com eles? Onde estariam? Teriam se cansado de suas vidas e decidido recomeçar do zero, longe de suas famílias? Teriam sido sequestrados e mantidos em cativeiro? Poderiam ter sido assassinados? Mas quem teria motivos para assassinar um pai de família exemplar e dezessete anos depois, no aniversário de seu desaparecimento, assassinar um jovem que não possuía nenhuma ligação com ele? Teria sido realmente uma coincidência? Broome estava determinado a encontrar todas as respostas. No meio disso tudo, a misteriosa visita de Cassie, fantasma do passado que todos acreditavam que estava morta e o envio de uma foto impactante, abrem as portas para segredos que deveriam ter permanecido ocultos... Para o bem de muita gente. 

“Pensou em como o passado nunca nos abandona, nem as partes boas nem as ruins; em como o colocamos dentro de uma caixa e a guardamos em algum armário, pensando que nunca mais vamos abri-la. Então, um belo dia, quando nos sentimos sobrecarregados pelo mundo real, vamos até o armário e pegamos a caixa de volta.”

─ Minha experiência com os suspenses do Harlan Coben até agora é a mais incrível possível. Eu o conheci com o romance de suspense “Não Conte a Ninguém”, um livro que li faz já algum tempo, mas que ainda me invade os pensamentos e me faz lembrar de trechos marcantes, ainda capazes de me impactar. Amei tanto aquela história que logo em seguida li outro livro do autor, que acabou mostrando-se ainda melhor do que o primeiro. “Confie em Mim” me deixou de queixo caído com o final que ligava todos os pontos, e mostrava que um simples ato inconsequente, mesmo que provocado pelo amor, pode arruinar não uma, mas várias vidas. Ainda consigo sentir todas as emoções que esses livros me provocaram e foi exatamente isso que me fez querer ler o livro “Fique Comigo”. E não me arrependi nem por um segundo da minha decisão.rsrs...

“Supostamente, quando um instante passa, ele se perde para sempre, mas a verdade era que, naquele momento, ela ficou impressionada com a rapidez com que os anos podem ficar para trás, com que você pode voltar e reencontrar seu antigo eu, seu verdadeiro eu, aquele que nunca desaparece por completo.”

─ Ao ler esse livro, percebi que não sou a única a viver de passado.rsrsrs... Eu acompanhava a história de cada personagem e ficava me perguntando se teria feito o mesmo no lugar deles, se teria voltado. Se teria arriscado tanto tudo que conquistara. Se realmente daria aquele salto para trás e visitaria um período tão marcante da minha vida. Se estaria disposta a pagar o preço por tal atitude. Não sei. Só sei que durante boa parte da história fiquei desejando que os personagens não tivessem feito o que fizeram. Fiquei desejando que eles jamais tivessem voltado atrás, tivessem visitado aquele passado. Mas, quase no fim, percebi que era necessário. Que eles precisavam daquilo. Não por saudades, não por querer reviver aquela época, ou parte dela, mas sim para terminar de uma vez por todas o que não tinham terminado. Quando seguiram com suas vidas após acontecimentos traumáticos, eles não o fizeram da forma certa, de uma forma que os confortasse, que os trouxesse paz. Era necessário terminar o que tinham começado. Era necessário responder as perguntas que ainda se faziam. Era necessário voltar, mesmo que o preço a pagar fosse alto demais.

“Por mais que todos digam isso, você não acredita de fato em como tudo o que o rodeia é frágil – até sentir na própria pele.”

─ Não há muito o que eu possa falar sem revelar coisas que vocês devem descobrir durante a leitura. Gostaria de comentar sobre muitas coisas, mas isso estragaria toda a leitura de vocês e por isso não o farei. Tudo que posso dizer é que lamentei muito por vários personagens dessa história. Por suas escolhas, por suas realidades, por suas dores, seus sofrimentos. A história de Del e Maria, então, me emocionou demais e me provocou muitas lágrimas. Del havia feito uma escolha em sua vida e o preço que ele havia pagado por tal escolha tinha sido alto demais. Até para ele. Contra toda a minha vontade, senti pena dele. Porque seria obrigado a conviver para sempre com as consequências dos seus atos. Pois teria que aguentar a culpa e a dor. Existe um trecho muito marcante sobre ele e a Maria, um trecho que fiz questão de anotar no caderno de trechos preciosos, um trecho que é muito marcante e doloroso. Muitas vezes não pensamos antes de fazer as coisas. Achamos que somos donos das nossas vidas e podemos dizer e fazer o que bem entendemos. Mas se somos seres humanos possuidores de coração, temos uma fraqueza: o sentimento. O amor por alguém. E se amamos alguém e somos amados por essa pessoa, nossos atos podem afetá-la, o que, consequentemente, nos afetará. E se arrepender depois pode não ser suficiente. Pode ser tarde demais. Eu fico aqui lembrando do Del e só isso já me traz novamente lágrimas aos olhos. Sim. Ele tinha se arrependido. Mas tarde demais. Para qualquer nova chance. Para qualquer recomeço. Mas é sempre assim, verdade? Nos arrependemos sempre tarde demais...

“Como era estranha a rapidez com que a vida podia voltar ao normal depois dos acontecimentos mais dramáticos e surpreendentes... Em muitos aspectos, nada nunca muda.”

─ Recomendo essa história para os fãs do Harlan Coben e para aqueles que gostam de um suspense voltado para o lado emocional, para histórias marcantes. O autor não cria somente um suspense que nos rouba o fôlego, ele nos envolve. Faz a gente se apegar aos personagens e sentir os conflitos e as emoções deles. Entendê-los. E querer ajudá-los. Mesmo quando sabemos que nada mais pode ser feito. 

─ Queridos leitores, talvez eu demore um pouco mais para responder comentários e emails. Acontece que meu computador está com defeito e eu tenho que mandá-lo para o conserto. Enquanto isso estou tendo que acessar a internet por uma Lan House e é através dela que estou publicando essa resenha. Sendo assim, não estou conectada com a mesma frequência. Espero que entendam. Não irei desaparecer por causa desse problema com o meu computador, apenas não aparecerei com a mesma frequência de antes. 

Bjs!

13 de dezembro de 2012

Confie em Mim - Harlan Coben


(Título Original: Hold Tight
Tradutor: Marcelo Mendes
Editora: Arqueiro
Ano de lançamento original: 2008
Ano de lançamento Editora Arqueiro: 2009)


Até onde você iria por amor à sua família?


Preocupados com o comportamento cada vez mais distante de seu filho Adam - principalmente depois do suicídio de seu melhor amigo, Spencer Hill -, o Dr. Mike Baye e sua esposa, Tia, decidem instalar um programa de monitoração no computador do garoto.

Os primeiros relatórios não revelam nada importante. Porém, quando eles já começavam a se sentir mais tranquilos, uma estranha mensagem muda completamente o rumo dos acontecimentos: "Fica de bico calado que a gente se safa."

Perto dali, a mãe de Spencer, Betsy, encontra uma foto que levanta suspeitas sobre as circunstâncias da morte de seu filho. Ao contrário do que todos pensavam, ele não estava sozinho naquela noite fatídica. Teria sido mesmo suicídio?

Para tornar o caso ainda mais estranho, Adam combina ir a um jogo com o pai, mas desaparece misteriosamente. Acreditando que o garoto está correndo grande perigo, Mike não medirá esforços para encontrá-lo.

Quando duas mulheres são assassinadas, uma série de acontecimentos faz com que a vida de todas essas pessoas se cruzem de forma trágica, violenta e inesperada.



Palavras de uma leitora...



"Há uma certa dose de fatalismo, de acaso, na vida." 


Sim. Eu devo ser mesmo masoquista. Só uma pessoa que gosta de sofrer seria louca o suficiente para terminar de ler um livro forte e logo em seguida começar a ler outro. Sabendo que o livro seria terrível. Pura loucura, não acham? Mas a verdade é que eu não queria sofrer. Só que depois de ler "Não Conte a Ninguém" precisei ler outro livro do autor. Eu necessitava de mais do autor. Não de sofrimento. Somente... necessitava conhecer outra história do Harlan Coben, entende? Eu precisava, gente. Esse autor simplesmente ganhou meu coração. Mas isso não me deixou muito feliz não, confesso.rsrs... Na verdade, eu começo a me arrepender de ter conhecido esse autor. 


"Rejeições, frustrações, exclusões, lágrimas
Dores, marcas de ilusões,
São como pedras dentro da alma

Uma mãe que sente a dor de um filho que morreu e ninguém estava lá
Deus, como isso aconteceu?"


"Mas eu sou teu Deus e Eu estava lá
No meio do teu vale, Eu estava lá
Colhendo as tuas lágrimas, estava lá
Em noites escuras, Eu estava lá
Já senti a dor do que é perder um filho
Já senti a dor do que é ser traído
Já senti a dor do que é sofrer sozinho
Fiz tudo por você
Faria de novo por você"
[Eu Estava Lá - Emerson Pinheiro]



- Depois de ler esta história, lembrei desta música e fiquei me perguntando: Até que ponto é confortador? Isso é mesmo capaz de diminuir a dor? Muda alguma coisa? Ou gera mais revolta? Do que estou falando? "Mas eu sou teu Deus e Eu estava lá". É deste trecho que estou falando. Até que ponto é confortador saber que Deus estava com uma pessoa que você amava enquanto essa pessoa sofria? Enquanto essa pessoa era maltratada e assassinada? Enquanto essa pessoa era devorada por um câncer ou destruída de outro modo qualquer? Realmente te confortaria saber disso? Eu sinceramente, não sei. Quando penso na morte da minha avó (que foi lentamente devorada por um câncer) tento me consolar dizendo que Deus estava lá. Que Deus sentiu tudo com ela. Mas na verdade, não é lá muito confortador, sabe? Porque logo vem a pergunta: "Se estava lá, por que não fez nada? Por que não a curou?" Não estou julgando Deus, caso seja isso que estejam pensando. Só não dá para entender, sabe? E aí eu pergunto para Ele: Por quê? Eu só gostaria de uma explicação. Por que ela e não um assassino? Por que uma pessoa que nunca tinha feito mal para ninguém? 


Eu jamais, se conhecesse essa pessoa pessoalmente, teria a coragem de virar para a mãe da Isabella Nardoni e dizer: "Deus estava lá e sentiu tudo com ela. Sua filha não esteve sozinha enquanto era lançada daquele prédio e assassinada por alguém que deveria protegê-la. Deus não a abandonou." Não teria a coragem de dizer, pois a pergunta que nunca deixo de me fazer é: "Se Ele estava lá, por que não impediu aquilo? Era só uma criança e ninguém a protegeu! Ela sentiu medo, provavelmente desejou que a mãe dela estivesse lá para salvá-la e ninguém a salvou. Não me conforta muito saber que Deus estava lá, pois da mesma forma ela sofreu e morreu." Mas se pensarmos muito nisso, enlouquecemos, verdade? Só que esta história faz pensar. E muito. E no fundo, nós sabemos que essas coisas não acontecem por culpa de Deus. É nossa própria culpa. É culpa do ser humano. E toda ação tem uma reação, como dizem, não é? Tudo que fazemos provoca consequências. É isso que veremos em "Confie em Mim". Consequências. Terríveis consequências. 



"A casa estava morta.

Era assim que Betsy Hill passara a descrevê-la. Morta. Não apenas silenciosa ou quieta. A casa havia falecido, batido as botas: seu coração tinha parado de bater, o sangue não fluía mais, as vísceras começavam a apodrecer.

Estava morta.

Assim como seu filho Spencer."


- Onde tinha falhado? Por que não percebera os sinais? Eram perguntas que Betsy, mãe de Spencer, se fazia, enquanto era devorada pelo sofrimento. Achava que estava fazendo tudo certo. Que as mudanças de humor do seu filho eram apenas uma fase. Ele tinha 16 anos e os adolescentes são assim mesmo. Mudam de humor facilmente. Ela achou que era normal. Mas não era. E a prova veio quando seu menino foi encontrado no telhado do colégio no qual estudava. Morto. Havia se suicidado. 

"Os 'especialistas' dizem que o suicídio de adolescentes não é culpa dos pais. É uma doença, como câncer ou algo assim. No entanto, até mesmo eles, os especialistas, olhavam para ela com uma expressão de desconfiança. Por que Spencer não se consultava regularmente com um terapeuta? Por que ela, a mãe, tinha ignorado as súbitas mudanças de humor do filho, encarando-as como um comportamento típico da adolescência?"

- Como se não bastasse ter que suportar a dor pela morte do filho, a morte do menino que ela tinha carregado em seu útero, que tinha amamentado e protegido, que era um pedaço seu e jamais deveria ter partido antes dela... Betsy ainda tinha que conviver com a culpa. Pois os sinais estavam lá. Sempre estiveram. Ela poderia ter percebido. Poderia ter evitado... Poderia mesmo?


Antes de morrer, Spencer mandou uma mensagem para as pessoas mais próximas.


"Sinto muito. Amo todos vocês, mas é difícil demais. Adeus."

"A polícia levou dois dias para encontrá-lo no telhado da escola.
O que era difícil demais, Spencer?
Ela jamais saberia."



- Era um pedido de socorro. No fundo, ele estava implorando para que alguém o salvasse, mas seu pai estava viajando e sua mãe só viu a mensagem muito tempo depois. E aí já era tarde demais. Um adolescente. Um jovem com toda uma vida pela frente. O que o levou a tirar a própria vida? E... será mesmo que ele tinha tirado a própria vida? Após encontrar uma foto misteriosa, Betsy já não tem tanta certeza. E vai em busca da verdade. Só que a verdade... pode custar caro demais.


"Há ocasiões em que a gente salta do penhasco. Como naquele desenho animado do Papa-léguas: o Coiote sai em disparada e continua correndo mesmo depois de ultrapassar a borda do penhasco; de repente pára no ar, olha para baixo e sabe que vai despencar, que não há nada que possa fazer a respeito.

Mas, às vezes, talvez na maioria delas, a situação não é tão clara assim. Estamos no escuro, caminhando lentamente à beira do abismo, sem saber ao certo para onde estamos indo. Os passos são hesitantes, por causa da escuridão da noite. Não nos damos conta de como estamos próximos da borda, de que o solo pode sumir a qualquer momento, de que um mero escorregão pode nos lançar encosta abaixo."


- Até onde você iria para proteger um filho seu? Existiria um limite? Mike e Tia sempre fizeram tudo para que nada faltasse aos seus filhos. Mike todo dia viajava até o hospital no qual trabalhava como cirurgião de transplantes e Tia permanecia em casa, cuidando do lar e dos filhos. Tinha estudado. Tinha cursado Direito na faculdade, mas abandonara tudo para dedicar-se aos filhos. Somente poucos meses antes tinha voltado a trabalhar. Porque achava que seus filhos já estavam grandes o suficiente para não necessitarem dela vinte e quatro horas por dia. Adam estava com 16 anos e Jill com 11. Era hora de voltar a dedicar-se um pouco a si mesma. Ou não?

As coisas começaram de repente. As notas de Adam começaram a cair, seu filho passou a se vestir de preto e já não se interessava mais pelas coisas que até pouco tempo antes, amava. Ela percebia. Ela sentia que estava perdendo o filho. Sentia que alguma coisa estava seriamente errada. E então Spencer, melhor amigo de seu filho, se suicida. E o comportamento de Adam fica muito pior. Ela queria acreditar que era só uma fase, que era o sofrimento pela morte do amigo, mas no fundo ela sabia que ia muito além disso. E ela não ficaria de braços cruzados vendo o filho destruir a própria vida. Não. Não ficaria mesmo.


Tia convence o marido de que eles precisam agir. Ela então, pedindo a ajuda de um especialista em informática que trabalhava na mesma empresa que ela, instala um programa que passa a monitorar o computador do seu filho. Todos os sites que ele visitava? Seriam enviados para ela. Todos os emails enviados e recebidos? Ela poderia ler, sem que ele soubesse. Um relatório diário seria enviado para a conta dela e ela poderia acompanhar os passos do seu filho. Era invasão de privacidade? Sim. Mas ela preferia perder a confiança do filho, ser considerada uma mãe controladora, super protetora... do que ver o filho dentro de um caixão. Do que enterrá-lo como Betsy tinha enterrado Spencer. 

De início, as únicas coisas com as quais Tia tinha que se preocupar eram os sites pornográficos que o filho visitava. Mas não demorou a chegar. A mensagem que roubaria de vez a sua paz. "Fica de bico calado q a gente se safa." 

"Seguiu-se um momento de silêncio. Mike releu a transcrição. Nada havia mudado. 

- Mike? - disse Tia afinal.

- Hmm.

- Sobre o que Adam tem que ficar de bico calado para se safar?"


- Dispostos a impedir que o filho faça uma besteira, os pais decidem vigiá-lo ainda mais de perto e na noite em que ele tinha marcado para ir numa festa que prometia ser bem pesada, Mike decide que ele vai com ele e o tio num jogo que, tempos atrás, ele amaria assistir. Adam se recusa a ir, mas Mike não lhe deixa escolha. Ele ia e ponto final. Só que Adam desaparece misteriosamente justamente no dia do jogo. E ninguém consegue encontrá-lo. 


"Ele se lembrou daqueles filmes de viagem no tempo, em que o protagonista volta ao passado, muda uma única coisa e todo o resto muda em seguida, numa espécie de efeito dominó. Quem sabe, se Guy pudesse voltar no tempo e evitar que Yasmin fosse à aula naquele dia, talvez hoje ela não fosse mais feliz? Ou quem sabe realmente não é melhor ela enfrentar tudo isso e aprender como as pessoas podem ser cruéis?

Quem pode dizer?"

- Yasmin era a melhor amiga de Jill, a filha de onze anos de Tia e Mike. E também era vizinha da menina. As duas eram como carne e unha e muito felizes. Até que tudo mudou. Por causa de um professor.

Yasmin estava fazendo bagunça na sala de aula. Como toda criança (ou quase toda) faz. Só que o professor não estava com paciência nesse dia e, usando de suas estúpidas piadas, chamou a atenção da turma para a garota, zombando dela cruelmente. E as crianças não esqueceram. Daquele dia em diante a vida da menina virou um inferno. Seu pai, que a criava sozinho desde que ela era bem pequena (pois a mãe não se sentia preparada para ser mãe), não sabia o que fazer para ajudar sua filha. E ele não fazia ideia de como as coisas poderiam ficar piores...


Uma família destruída pelo suicídio de um filho, outra família desesperada sem saber notícias do filho desaparecido, uma criança humilhada cruelmente pelo professor e os colegas de classe... Qual ligação haverá entre essas três famílias? Além de todas seres vizinhas? 

Susan Loriman. Ela estava desesperada. Seu filho estava morrendo. Possuía uma doença gravíssima e precisava urgentemente de um transplante de rim. Mas ela não era compatível. Ninguém de sua família era... 


Reba Cordova. Uma mãe exemplar. Possuía um sorriso capaz de encantar qualquer pessoa. De despertar o instinto protetor de qualquer um que a conhecesse. Tinha um rosto de boneca e era a pessoa mais bondosa que todos conheciam. Vivia pelas filhas. Vinte e quatro horas por dia. Nunca se cansava de ser mãe e naquele dia, estava fazendo exatamente isso. Sendo mãe.

Tinha entrado naquele shopping para comprar presentes para suas crianças, enquanto uma das filhas estava na natação ali perto. Eram só uns instantes. Dali, iria diretamente buscar a filha. Mas ela nunca chegou. Não chegou a ir buscar a filha na natação. Sua bondade tinha selado o seu destino.

"Diante de uma dezena de microfones da imprensa e de diversas câmeras de TV, Paul Copeland disse:

- Precisamos da colaboração de todos para encontrar uma mulher chamada Reba Cordova, desaparecida há alguns dias.

Muse assistia à cena ao lado do palanque. Os monitores mostravam uma fotografia em que Reba exibia uma doçura quase comovente. O sorriso era daqueles que nos fazem sorrir junto ou, em situações como esta, partem nosso coração em duas tristes metades."

Há ainda o assassinato de uma mulher misteriosa. Seu corpo havia sido deixado no lixo. Seu rosto estava desfigurado. Impossível de reconhecer. Qual a ligação entre todas essas pessoas? Vocês saberão. Ao longo da história, revelações chocantes serão feitas. Você não conseguirá ficar indiferente. Todas essas vidas se ligarão de tal forma que você ficará de boca aberta ao descobrir a conexão. E sofrerá. Sofrerá por todos eles. 

- Não sei bem o que dizer. Se "Não Conte a Ninguém" mexeu profundamente comigo, esse livro me "destruiu". Não sei que outra palavra poderia usar. E além de não ter palavras para expressar o modo como esse livro me atingiu, ainda não posso revelar certas coisas. Coisas que vocês só devem saber ao ler a história. Complicado, não?


"- No fundo, Mike, não passamos de tutores dos nossos filhos. Cuidamos deles durante um tempo e depois eles se vão. Só quero uma coisa: que Adam permaneça vivo e saudável até o fim da nossa tutela. Depois é com ele."


- Adolescência. A melhor fase que existe, verdade? E também a pior. É a fase na qual a pessoa está mais confusa. É quando ela está se descobrindo. É quando ela quer arriscar, conhecer "coisas novas", experimentar coisas novas... E não quer os pais por perto. Acha que sabe tudo, que os pais a odeiam e só querem estragar sua vida. Prefere a companhia dos "amigos" e já não divide nada com os pais, pois eles não a entenderiam. Pelo contrário, iriam condená-la e controlar ainda mais a sua vida. Ela "odeia" os pais e quer distância deles. Passa horas na rua, chega depois do horário permitido, experimenta "coisas novas" e quando não está na rua com os amigos não sai da frente do computador. É uma fase. Toda essa complexidade é normal. Vai passar. Mas... até que ponto é normal? Qual é o momento de interferir? Quanta liberdade os pais devem dar aos seus filhos? Até que ponto eles devem confiar e achar o comportamento deles "coisa de adolescentes"? Quando as coisas se tornam... perigosas? E até que ponto a tecnologia é benéfica? Não creio que há uma resposta 100% satisfatória para estas perguntas. E é justamente isso que você perceberá ao terminar a leitura deste livro. Ele não é somente um suspense de roubar o fôlego, deixar você de boca aberta e com o coração acelerado. É também um livro que te faz refletir, sentir medo e desejar proteger ainda mais quem você ama. Eu digo que os seres humanos não podem mais me surpreender. Mas sempre acontece, sabe? Cada vez que leio um livro deste tipo me surpreendo mais e mais fico chocada. Os seres humanos não prestam. É uma triste verdade.

Armas. Até que ponto servem para segurança? Até pouco tempo atrás (e talvez ainda nos dias de hoje) era comum um pai de família ter uma arma em casa. Para proteção. Para proteger sua família. Mas é mesmo recomendável ter armas em casa quando crianças e/ou adolescentes moram nesta mesma casa? É realmente seguro? 


" - Mas se eu tiver que escolher entre proteger meu filho e respeitar a intimidade dele... Vou protegê-lo."


- É difícil falar desta história sem revelar os segredos. Até agora não revelei nada que comprometa a leitura. Nada que não devesse contar. 

Esta história mexeu profundamente comigo. Até mais do que o livro "Não Conte a Ninguém". Todas aquelas vidas afetadas e marcadas para sempre. Toda aquela dor, aquela injustiça... Como não se emocionar ao ver o sofrimento de uma mãe que perdeu um filho? Que sequer sabe se seu filho realmente se suicidou ou foi assassinado? Com a morte de seu filho, parte dela também morreu e seu casamento estava seguindo o mesmo caminho. Era necessário recomeçar. Era preciso seguir em frente. Mas como ela, a mãe daquele jovem morto, disse... Existe algo mais obsceno do que uma mãe esquecer o filho morto? Ela não podia fazer de conta que uma tragédia não tinha destruído a sua vida. Que seu filho nunca tinha existido. Não era possível mentir para si própria. E nem sequer era decente. Seu filho tinha existido. Ela o amou, ela cuidou dele, ela acompanhou cada fase do seu crescimento... não era justo fingir que ele nunca existiu só porque ele não estava mais vivo. 

"Tudo era tão frágil, esse era o problema. Nenhuma novidade, claro, mas de modo geral o que fazemos é bloquear a verdade: nos recusamos a admitir que nossas vidas podem ser destruídas tão facilmente, de outro modo, entraríamos em parafuso. Todas aquelas pessoas que vivem com medo e precisam de remédios... Elas são assim porque têm consciência das coisas, da linha tênue que nos separa do desastre... Não é que não aceitem a verdade: simplesmente não conseguem bloqueá-la. 

Tia podia ser como elas. Sabia disso e fazia o possível para se controlar. De repente se pegou invejando Hester Crimstein, sua chefe, por ser sozinha no mundo. Talvez fosse melhor assim. Claro, num plano mais amplo, era saudável ter ao nosso redor pessoas a quem pudéssemos amar mais do que a nós mesmos. Ela sabia disso. Por outro lado, havia o medo, ou o pavor, de perder essas pessoas. Dizem que somos possuídos pelo que possuímos. Não é bem assim. Somos possuídos por aqueles que amamos. Somos reféns eternos dese amor."


- E como não ser tocada pelo desespero de Mike e Tia? Que não tinham notícias do filho? Que não sabiam se ele estava bem, se estava vivo ou morto? Era angustiante ver o desespero deles. Eu não sabia o que iria acontecer e isso me deixava muito tensa. Eu me perguntava se Adam teria o mesmo fim de Spencer... E era terrível imaginar o que poderia ter acontecido com ele. 


Qual a ligação entre a mulher misteriosa assassinada, a dona de casa desaparecida e as famílias que são afetadas por várias tragédias nesta história? Leia para descobrir! :D Há uma ligação... isso a contracapa já nos diz. Eu fui pega de surpresa quando tudo foi sendo revelado. A palavra que eu não deixava de pronunciar a cada choque era: "Deus!" Eu fiquei literalmente de boca aberta. Tudo por... não posso dizer!rsrs...


Recomendo a história? Dei cinco estrelas ao livro no skoob, mas não sei se recomendaria o livro. É um dos melhores livros que li este ano. A história inteira me prendeu. Quanto mais eu lia mais desejava ler. Porém... Como posso recomendar esta história? Não recomendaria para menores de idade. E nem para pessoas que tenham filhos. Só seria bom para essas pessoas lerem esse livro por causa das lições que ele nos ensina, de como nos faz refletir. Mas... o preço seria alto se a pessoa fosse sensível demais. Se eu que não tenho filhos fiquei em pânico e pensando em muitas coisas que me angustiaram... Imagina quem tem filhos?!!! Não recomendo. Se a pessoa ler é por sua conta e risco. Não é indicação minha!rsrs...


"Não somos nada. O homem. Nada. Mas ainda assim nos consideramos especiais. Achamos que temos alguma importância, que somos os prediletos de Deus. Uma piada."


"A maioria das pessoas pensaria justamente o contrário, que as vítimas da violência teriam aversão a qualquer espécie de agressão. Mas a verdade é que o mundo não funciona assim. Violência gera violência e não só pela via mais óbvia, a da retaliação. Uma criança violentada tem grandes chances de um dia vir a violentar crianças também. O filho que vê o pai espancando a mãe tem grandes chances de um dia vir a espancar a própria mulher.

Por quê?

Por que nós, humanos, nunca aprendemos as lições que deveríamos aprender? O que haverá na nossa índole que, na verdade, nos empurra para aquilo que deveríamos repelir?"



"Harlan Coben é mestre em prender a atenção do leitor e criar histórias surpreendentes. Ele vai seduzir você na primeira página apenas para chocá-lo na última."
Dan Brown, autor de O Código Da Vinci
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