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25 de agosto de 2026

Em Um Bosque Muito Escuro - Ruth Ware



Literatura Inglesa
Título Original: In a Dark Dark Wood
Tradutora: Alyda Sauer
Editora: Rocco
Edição de: 2016
Páginas: 288

7ª leitura de 2026 (5ª resenha do ano)

Sinopse: Em um bosque muito escuro é narrado por uma escritora reclusa que aceita o convite para a despedida de solteira de uma amiga de escola com a qual não tinha contato há anos. Quarenta e oito horas depois de chegar ao local da festa, uma casa de campo isolada, ela desperta numa cama de hospital, com a devastadora certeza de que alguém está morto. E mais do que tentar lembrar o que aconteceu no fatídico fim de semana, precisa descobrir o que fez. Com uma atmosfera inquietante, em que segredos do passado são revelados aos poucos e as relações se constroem pelo entrelaçamento de admiração, carinho, inveja e ressentimentos, Ruth Ware entrega um thriller arrebatador, que não à toa a colocou entre os principais nomes do novo suspense feminino, como Paula Hawkins e Gillian Flynn. Em um bosque muito escuro será adaptado para o cinema por Reese Whiterspoon.





Geralmente, opto por colocar a sinopse da Amazon (quando leio em e-book e não tenho o livro físico para verificar a contracapa, como é o caso deste livro), mas a achei muito reveladora e fiquei feliz por não tê-la lido antes da leitura da história.kkkk Por isso, preferi colocar a sinopse que se encontra no Skoob. 

Sei que desapareci por vários meses, mas é como falei no post de início de ano: no meio de toda a correria do dia a dia, do trabalho e muitos estudos, não estou mais me desesperando. Estou levando as leituras com leveza e não irei fazer resenha de todos os livros lidos ao longo do ano. Ler tem que ser um prazer acima de tudo. Acima da aquisição de conhecimento, das reflexões que determinadas obras possam provocar, dos estudos literários de algumas leituras escolhidas para serem estudadas... Tem que ser algo que me faça bem. A vida é curta demais para que eu transforme algo que amo tanto (que são os livros, minha eterna paixão) em peso. Que me cobre prazos, metas rígidas, para acabar me frustrando e desgastando. Já fiz muito isso e decidi que não faria mais. 

Então, vamos à história!

Em um bosque muito escuro é um suspense que não chego a considerar um thriller psicológico. Ele se desenvolve em torno de Nora, a jovem escritora de 26 anos, que vive praticamente reclusa, entre as quatro paredes do seu pequeno apartamento. O livro indica que ela tem uma certa amizade com Nina, colega da época de escola, mas vivem uma longe da outra, o que acaba por ser conveniente à necessidade de solitude de Nora. 

Isso não me provocou nenhuma estranheza. Porque me pareço com a personagem quanto a não gostar de uma vida agitada, de ficar encontrando com as pessoas, estar sempre na companhia de alguém. Eu gosto de estar sozinha, mas não de ser sozinha. Tenho amigos, mas sou a pessoa que prefere que o contato seja por telefone, WhatsApp. Encontros presenciais só de maneira bem ocasional. Gosto do silêncio do meu quarto, de "ouvir" o silêncio ou ouvir minhas músicas, aceitando e apreciando minha própria companhia. É uma forma de buscar a paz interior, refletir... Durante uma boa parte da minha vida me obriguei a contatos mais presenciais porque parecia o normal, o esperado, o aceitável. E isso sempre me sobrecarregava, ao ponto de me adoecer. Porque minha personalidade não combina com ambientes agitados, muito barulho, muita gente. Isso causa sobrecarga sensorial intensa em mim. 

Então, como disse, entendo demais a Nora. Ela precisa do seu espaço seguro, do seu refúgio. De estar consigo mesma. E isso para mim é completamente normal. Só que ao longo do desenvolvimento da história percebemos que a vida que a protagonista leva não é consequência apenas de sua personalidade, de sua necessidade de silêncio e paz. É também fruto de traumas provocados ainda na infância...

Era para ser mais um dia comum, de rotina conhecida e segura. Até que Nora recebe um e-mail totalmente inesperado. Um convite para a despedida de solteira de Clare, sua melhor amiga de infância, que ela não via fazia dez anos...

Desde que fugira de sua cidade, aos dezesseis anos, não manteve contato com ninguém, exceto Nina, excluindo de sua vida Clare e as demais pessoas. Sem explicação. Sem desculpas ou porquês. Simplesmente seguiu em frente... Assim, não entendia o motivo daquele convite e pensou seriamente em recusar. 

Mas... No fundo, sabia que as coisas entre ela e Clare ficaram indefinidas. Não foi um rompimento de amizade comum. Era como se tudo tivesse ficado em pausa. O que despertava sua curiosidade e também um sentimento que não sabia nomear... Queria recusar e continuar com sua vida, mas um outro lado seu entendia que talvez aquela fosse a oportunidade de ter uma conversa, de fechar aquele capítulo do seu passado. Só que... Por quê? Por que Clare a procurava depois de tanto tempo? E por que a convidava para a despedida de solteira, mas não para o casamento? 

Mesmo com dúvidas e receios, Nora decide aceitar o convite e segue com Nina, que também havia sido convidada, para uma casa de campo no meio do nada, completamente isolada, onde ela encontra outros três amigos de Clare que também participariam da sua despedida de solteira. Ao todo, seriam seis pessoas, contando com a noiva. Uma festa muito restrita, que começa a dar errado logo no início...

Cerca de 48 horas depois do início daquele final de semana de pesadelo, Nora desperta em um hospital, sem lembranças dos minutos que antecederam o acidente de carro do qual foi vítima. Só sabia que estava com muito sangue, um sangue que não era seu e que... uma pessoa estava morta. 

E se não quisesse ser acusada de homicídio precisaria lembrar... Lembrar o que acontecera naquela floresta...

Fazia muito tempo que um livro não me prendia desta forma. Estou lendo dez livros no momento (no meu ritmo, uns estou lendo há vários meses) e não sinto o desespero de terminá-los como senti com este. Eu não aguentava esperar para ler o próximo capítulo. Era para ser uma leitura em dupla, ao longo de quatro semanas, com uma amiga. Combinamos que leríamos 09 capítulos por semana.kkkkk Isto foi completamente impossível! Devorei o livro. Passei horas e horas da madrugada lendo e só me dei por satisfeita quando terminei. Eu já imaginava quem era o assassino e suas motivações, mas isso não tornou o livro menos interessante. Porque queria saber como tudo terminaria, torcendo muito para que Nora sobrevivesse. 

Ah, mas falando assim você já está descartando a Nora como culpada e isso é spoiler para quem não leu!rsrs De jeito nenhum! O fato de eu desejar e torcer para que ela chegasse ao fim viva, não significa automaticamente que ela não é o assassino. Vocês precisarão ler para saber. 

Após terminar a leitura e atualizar o Skoob, vi que tem muita gente que não apreciou o livro, que se decepcionou... Eu amei a história! Pensei um pouco antes de dar estrelas, analisei tudo o que a história provocou em mim durante a leitura e não achei que seria justo dar menos que 5 estrelas. Não encontrei furos na narrativa. Algumas atitudes da protagonista nos fazem querer sacudi-la, inclusive o fato de ela ter aceitado o maldito convite, mas são atitudes críveis, que qualquer pessoa pode ter. Nora me pareceu muito real, com dúvidas, medos, traumas, erros e acertos como qualquer pessoa. Então, analisando o livro como um todo o considero perfeitamente digno de 5 estrelas. E talvez seja uma das poucas a pensar assim. Só que leitura é algo bem pessoal. Só devemos ler um livro através dos nossos próprios olhos e não dos outros. Nossa opinião, nossa impressão de um livro deve ser baseada em nossa própria experiência de leitura. A vida é mais simples assim.rs


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro policial/suspense/detetive


12 de fevereiro de 2026

A Filha do Conde - Lorraine Heath



Literatura Inglesa
Título Original: The Scoundrel in Her Bed
Tradutora: Daniela Rigon
Editora: Harlequin 
Edição de: 2020
Páginas: 304
Série Sins for all Seasons / Irmãos Trewlove - Livro 3

4ª leitura de 2026

Sinopse: FINN TREWLOVE cresceu como um bastardo, nunca tendo conhecido sua mãe ou tido qualquer contato com o pai. Quando viu Lady Lavínia pela primeira vez, se encantou pela dama. Ele sabia, porém, que era um território proibido - afinal, ela era a filha de um conde, e ele não passava de um plebeu. Entretanto, contrariando todas as expectativas, o casal vive uma linda história de amor durante a juventude. Mas as circunstâncias do destino acabam os separando, deixando Finn e Lavínia desolados e revoltados um com o outro por não saberem os reais motivos do triste fim. Oito anos depois, eles se reencontram e descobrem a verdade sobre o que os separou. E agora querem reconquistar o tempo perdido.



Depois de tanto tempo sem ler meus queridos romances de época, já deu para perceber que estou numa fase voltada para eles. É o quarto romance de época que leio este ano e ainda estamos em fevereiro.rsrs

Lorraine Heath, sem sombra de dúvidas, é uma grande escritora. Li o primeiro livro desta série em 2018 e o segundo em 2020. E algo que nunca esqueci foi o quanto o tema abordado pela autora mexeu comigo naquela época e continuava mexendo sempre que eu lembrava da série: a entrega de crianças para serem "esquecidas". Quando uso a palavra "esquecida", estou usando uma palavra menos forte para falar do que realmente acontecia. No final do primeiro livro, a autora fala claramente sobre a prática criminosa, hedionda, que era muito conhecida e utilizada para que pessoas se livrassem dos filhos não desejados. O romance do primeiro livro se constrói em torno desse tema, o segundo livro também... mas o terceiro nos atinge mais forte. 

Lavínia tinha apenas 15 anos quando o conheceu... Deveria tê-lo odiado, pois ele estava lhe tirando sua égua preciosa, sua Sophie, conforme as ordens do pai dela. E, de fato, o detestara no início. Mas ele demonstrou que não era o tipo de pessoa que ela pensava. Que existia dentro do seu peito um coração sensível... que se importava. 

Finn tinha 21 anos. Seis anos mais velho que Lavínia e embora tenha ficado fascinado por ela ao conhecê-la, não foi mais que um amigo ao longo dos dois anos que se seguiram. Ao atingir os 17 anos, ela estava com idade suficiente para ser apresentada à sociedade e se casar, como era o costume de sua época. E Lavínia estava prometida, desde o seu nascimento, a um homem que era onze anos mais velho que ela. Mas ela nunca reclamara e aceitava o seu destino, traçado sem que lhe tivessem perguntado nada e sem que se importassem com a sua vontade. Pelo menos seu futuro marido era jovem ainda e muito bonito, também parecia gentil... Mas... a amava?! Claro que não. Quase não a viu ao longo dos anos que se passaram até que ela atingisse os dezessete anos. Não seria um casamento por amor. Seria o cumprimento de um acordo feito por sua família, ao decidir o destino dela. 

Ela acreditava que estava conformada com a vida que levava, prisioneira de uma realidade que não escolhera. Com cada decisão sendo tomada sem considerar sua opinião. Mas os dois anos de amizade com Finn mudaram algo em seu interior. Ele era diferente dos jovens de seu convívio. Não parecia vê-la como um troféu ou a "dama perfeita" para um casamento de conveniência, no qual sentimentos não eram levados em conta. Finn a enxergava, a ouvia e respeitava. Ao estar com ele, conversar com ele, ouvir seus sonhos e planos para o futuro, compartilhar seus próprios sonhos, Lavínia se sentia livre, como jamais tinha sido. 

Foi mágico quando a amizade se transformou em amor. Quando viveram a primeira noite... que era a primeira vez para os dois, descobrindo juntos a paixão e acreditando que seriam fortes o suficiente para lutar contra o mundo, se necessário. Mas o conto de fadas teve um final terrível... 

Oito anos depois, não eram nem sombra dos jovens apaixonados de outrora. Ambos carregavam marcas profundas daquele término e de tudo o que se seguiu. Foram oito anos de ressentimentos, um acreditando que tinha sido abandonado pelo outro... Mas quando a verdade vier à tona, talvez ela não signifique uma libertação... ou uma segunda chance. Talvez reabra feridas ainda não cicatrizadas. 

Ao ler A Filha do Conde, tive poucos momentos de alegria. Foram poucos os momentos de leveza para o meu coração, em que pude sorrir com o casal. O livro já começa com uma cena bem forte e cruel. Só que demorei algum tempo para compreender de que personagem se tratava. Imaginei que fosse outra personagem e não aquela. E quando percebi, quis acreditar que estava enganada, que a autora demonstraria que eu tinha errado... Eu estava certa. E chorei bastante com esta história. 

Não consigo falar do livro sem sentir todo o peso que ele provocou em mim. Não é um daqueles livros para passar o tempo sorrindo e se encantando. O casal tem momentos de felicidade, são dois personagens envolventes. Mas tudo o que lhes aconteceu foi terrível. Eles passaram por muitas coisas e a pior delas não teve volta. O coração dos dois nunca estaria inteiramente curado porque o tempo não retornaria para devolver algo precioso que foi perdido. E isso dilacerou o meu coração. A reta final da história me deixou arrasada. Sei que eles encontraram um caminho para a felicidade. Para o seu "E viveram felizes para sempre", mas... Não dá, queridos. Eu não consigo superar o que lhes foi roubado e a forma como tiveram que tomar a decisão menos injusta por amor. Uma decisão que deixava uma ferida aberta no peito. 

Meu sangue ferveu tanto com o que fizeram com esse casal! No lugar da Lavínia, eu provavelmente faria bem pior do que ela fez. Ainda sinto muita revolta. E isso não vai passar. Sempre que eu lembrar dessa história sentirei o mesmo. A sensação de extrema injustiça, de vida despedaçada, de oportunidade perdida... A sensação de que foi roubado do casal algo que nunca poderia se recuperado.


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro lançado até 2020


Série Sins for all Seasons / Irmãos Trewlove

3. A Filha do Conde
4. A Sedução da Duquesa
5. Fascínio da Nobreza
6. A Tentação do Bastardo



28 de janeiro de 2026

Perigosa - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Dangerous in Diamonds
Tradutora: Helena Ruão
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 336
Série As Flores Mais Raras - Livro 4

3ª leitura de 2026

Sinopse: Tristan, duque de Castleford, acaba de herdar uma pequena casa e, com ela, uma grande surpresa: Daphne Joyes, uma bela, mas agressiva inquilina. O irreverente Tristan deixa logo bem claro que tenciona seduzi-la, dar-lhe prazer, e vê-la coberta apenas de diamantes. Mas Daphne conhece bem a escandalosa reputação do duque, e não está disposta a ceder às suas provocações. No entanto, ambos têm um inimigo em comum. Um homem cuja malevolência acaba por os ajudar de uma estranha e inesperada forma. Existe, todavia, um entrave: o segredo que Daphne guarda e que a leva a ser uma mulher extremamente cautelosa. Mas embora o seu novo senhorio seja arrogante e se entregue a uma vida de deboches (exceto às terças-feiras!), Daphne dá por si a baixar perigosamente a guarda. Até porque, afinal, os diamantes ficam bem com tudo e também com nada.



Não sei bem como começar a falar deste livro já que estou um tanto estressada. Não é um estresse por algum motivo aleatório, indiferente ao livro. Não. É inteiramente provocado por ele. 

Na resenha anterior, sobre Pecadora, eu já tinha falado que acreditava que a Daphne seria minha personagem favorita da série, por tudo o que ela tinha feito pelas outras mulheres. Pela forma como as abrigava, oferecia refúgio, sem perguntas, sem cobranças, sem qualquer julgamento. Recebia mulheres desamparadas em sua casa e fazia com que elas se sentissem seguras num mundo que, naquele momento, não era seguro para elas. 

Daphne sempre foi como uma mãe para todas as que recebeu ali, mesmo quando tinha quase a mesma idade que elas. Daphne era refúgio... Era como um lar. E o mínimo que esperava da autora era que fizesse um livro digno dela. Algo diferente disso não seria justo. De modo algum! E o que a autora fez?! Teve que me recordar, justamente no livro da Daphne, os motivos pelos quais tive problemas com alguns livros dela no passado. Ainda não consigo acreditar!

Daphne é uma jovem de vinte e sete anos, que já não acreditava mais em histórias de amor. Não para sua vida. Ficou feliz quando cada uma das suas três melhores amigas encontrou o amor, se casou e passou a construir a própria família. Ela verdadeiramente se alegrava por cada uma delas, e acreditava de fato que haviam encontrado o amor e a felicidade. Mas na sua vida isso já não seria possível. 

Atormentada por terríveis segredos do passado, conseguira passar anos escondendo toda a verdade, por trás de uma postura digna e reservada. Sempre mantendo bem trancadas todas as suas emoções. Ninguém precisava conhecer suas dores, já que ninguém poderia mudar tudo o que lhe acontecera. Ela só tinha que seguir em frente, como sempre fizera. Mas todo o mundo cuidadosamente seguro que construíra para si mesma começa a ruir quando o seu senhorio falece e deixa a casa na qual Daphne morava para o duque de Castleford, um homem conhecido como libertino, que passava boa parte de todos os seus dias se distraindo com diversões bem pecaminosas, incapaz de se importar com assuntos que para ele seriam insignificantes... como a necessidade que Daphne tinha de manter o seu lar. De permanecer naquela casa. 

Tristan, o duque de Castleford, fora até a residência na qual sua nova inquilina vivia apenas por curiosidade. Ele não entendia o motivo de ter herdado aquelas terras, já que o falecido o desprezava e Tristan não precisava de nada. Era muito rico e poderoso e aquelas terras eram um acréscimo insignificante na sua fortuna. Mas ao vê-la pela primeira vez... Ele começa a apreciar muito a sua herança. Daphne era deslumbrante e ele não conseguiu pensar em mais nada além de possuí-la. Não importava o tempo que levasse e o quanto ela lutasse contra a sedução dele. Jamais uma mulher o recusara na vida. Ela não seria a primeira. 

Quando percebe que não conseguiria levá-la para a cama com a rapidez que imaginara, Tristan começa a jogar... e usar todo o seu poder para tê-la por perto. Até que conseguisse atingir os seus objetivos... 

Eu gostava muito do Tristan nos outros livros. E a verdade é que ainda gosto, mas ele me irritou demais nesta história aqui. Ele sempre foi um duque da cabeça aos pés, se intrometendo na vida das outras pessoas, e levando a vida com sua "superioridade" baseada no berço. Mas ele não parecia uma má pessoa e toda vez que se intrometia em assuntos que não eram seus, na verdade, sempre fazia algo bom para outra pessoa. Como aconteceu ao se intrometer nos assuntos do Grayson (protagonista do segundo livro): fez com que Verity, a esposa dele, fosse mais facilmente aceita na sociedade. Verity vinha de uma origem humilde, apesar de toda a fortuna dela. Por não ser filha de um nobre, não foi exatamente bem recebida ao se casar com um conde, mas Tristan ajudou na sua apresentação à sociedade e isso abriu o caminho para ela. O mesmo ele fez pelo Jonathan (protagonista do terceiro livro), outro de seus amigos, consertando uma grande injustiça. Ou seja, Tristan geralmente usava seu poder e influência para coisas boas, ainda que ele não reconhecesse. E não vou permitir que a autora estrague isso nas minhas memórias, por mais raiva que eu sinta por algumas coisas. 

E, então, na hora de nos presentear com a história mais aguardada da série, por todo o histórico que ela mostrou desses personagens nos livros anteriores... Depois de termos criado muitas expectativas... Ela quase estraga tudo. Quase estraga o imenso carinho que eu sinto pela Daphne e a forma como eu via o Tristan. Está difícil superar isso. 

Mas, Luna, você deu 4 estrelas ao livro! Não foi ao livro que dei quatro estrelas. Foi à Daphne. Porque seria extremamente injusto, depois de tudo o que ela fez pelas amigas nos livros anteriores e tudo o que passou na vida, eu simplesmente dar menos estrelas à história dela porque a autora não escreveu um livro digno da personagem, porque me decepcionou. Eu não faria isso com ela. A culpa com certeza não foi da Daphne. 

Entendam que não é uma simples decepção. É a injustiça cometida contra a personagem. Todas tiveram histórias incríveis, com profundidade, com desenvolvimento, mesmo em meio às cenas quentes, explícitas, presentes nos livros da autora. Os livros foram ótimos. O romance construído entre os personagens me convenceu, me emocionou, me envolveu. Teve profundidade em cada um dos livros anteriores da série. O livro da Celia, então, me fez chorar. Daphne era minha personagem querida, por isso eu desejava o mesmo para ela. A profundidade da relação, o desenvolvimento convincente, o amor sendo construído pouco a pouco... Eu não queria todo o excesso de foco em sexo que teve nesta história. O ponto inicial para o desenvolvimento da história de Daphne e Tristan até poderia ser esse, justamente por todo o histórico do personagem, que era um completo libertino e tinha uma vida bem desregrada. Mas o foco da história não podia ser esse, se não haveria espaço para desenvolver os temas sérios abordados no livro, a história de vida da personagem, seus traumas, seu sofrimento, e a própria história de amor entre ela e Tristan. 

A autora se concentrou tanto no lado libertino do Tristan, na sedução, na sensualidade dos momentos nos quais ele estava com a Daphne, que deixou o livro sem espaço para o resto. E o resto era muito importante. O passado da Daphne era muito importante por tudo o que aconteceu. O grande segredo dela, revelado só nas últimas páginas (eu já imaginava o que era e não acreditei que aquilo ficou só para o final!), precisava de várias páginas e cenas de desenvolvimento, porque era importantíssimo. E quando a autora veio com a revelação no fim, foi quase para matar os personagens no meu coração. Eu tive que respirar bem fundo e lembrar de tudo o que eu sabia sobre a essência de Daphne e Tristan para não me deixar levar por aquelas frases e me enfurecer com eles. Foi muito difícil. Não sei realmente o que se passou pela cabeça da autora para fazer aquilo. Lynne Graham fez algo semelhante em um livro uma vez e nunca esqueci. É um livro que não gosto nem de mencionar. Mas naquele livro existiam protagonistas realmente desprezíveis. Aqui, não. Daphne foi construída ao longo dos quatro livros da série. De modo algum vou desprezá-la em meu coração, quando um único momento não define a personagem maravilhosa que ela é. 

E o Tristan também não. Apesar de todos os seus erros neste livro (e foram muitos), ainda pude enxergar nas entrelinhas e me lembrar de sua participação nos livros anteriores. E nos breves momentos em que era possível ter acesso ao seu interior, era possível ver o quanto ele era um personagem bom. Eu gosto muito dele. Minha decepção é com a autora mesmo. Mas com isso aprendo uma lição: não criar mais expectativas com as histórias escritas por ela. Eu já tinha me decepcionado no passado. Mas fiquei tão empolgada com o desenvolvimento da série As Flores Mais Raras, que achei que tudo correria bem até o final. E no último livro ela me decepcionou. No livro que seria o mais importante para mim.kkkkkk 

Isso não significa que deixarei de ler os livros da Madeline Hunter. Claro que não! Ainda quero ler vários outros romances escritos por ela. Só não criarei mais expectativas. 


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro de série/trilogia

Série As Flores Mais Raras

4. Perigosa



25 de janeiro de 2026

Pecadora - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Sinful in Satin
Editora: ASA 
Edição de: 2014
Páginas: 328
Série As Flores Mais Raras - Livro 3

2ª leitura de 2026

Sinopse: Habituada a uma existência pacata, Celia Pennifold vê a sua vida virada do avesso após a morte da mãe, Alessandra Northrope, uma cortesã afamada. Para além de uma pequena casa, a mãe deixou-lhe de herança apenas dívidas e uma reputação manchada. O destino de Celia já está traçado há muito. Ela foi educada para seguir as pisadas da mãe. Mas Celia é determinada e tem os seus próprios planos… que não incluem, evidentemente, o misterioso inquilino com que se depara ao instalar-se no seu novo lar. Jonathan Albrighton encontra-se numa missão a mando do tio, pois há suspeitas de que Alessandra possuía informações delicadas sobre alguns dos homens mais influentes da sociedade londrina. Jonathan pensava estar perante uma tarefa simples, não contava encontrar em Celia uma adversária à sua altura…



Definitivamente, de volta aos romances.rsrs Depois que terminei a leitura de Provocante, eu não consegui resistir à vontade de seguir lendo os demais livros da série, mesmo com duas outras leituras em andamento (Entre Sueños e O Conde de Monte Cristo). Decidi ouvir meu coração e mergulhei na leitura de Pecadora, o que se provou a melhor escolha! 

Até agora, posso dizer, sem hesitar, que este é o meu livro preferido da série. Me encantei com os dois anteriores, mas com a história de Celia e Jonathan eu chorei. Meus sentimentos ficaram muito bagunçados. Sentia muita raiva, uma sensação enorme de injustiça pela forma como a Celia se enxergava, levada pela opinião da sociedade e de sua própria mãe. A forma como ela acreditava que não podia sonhar, não podia ter a vida que realmente queria. Isso me atormentou durante quase toda a leitura, embora eu também tenha sorrido e até gargalhado com o desenvolvimento do romance entre ela e Jonathan. Mas aquela sombra permaneceu, entende? A sombra da injustiça e eu queria um final completamente feliz. Não aceitaria menos. Acredito que a autora entendeu que os fãs mereciam um final assim, digno da história. Porque posso dizer, sem medo de spoiler, que o final não decepciona. 

Celia é uma jovem de 23 anos que fugiu da casa da mãe aos dezessete anos, por não aceitar a vida que ela desejava para a própria filha. Sendo uma cortesã famosa, bastante requisitada, Alessandra educara Celia para a substituir, para herdar o seu legado. Ensinara tudo o que considerava necessário para iniciá-la naquela vida e buscara entre os membros da nobre sociedade o "protetor" adequado para ser seu primeiro amante. Em outras palavras, quem pagasse mais e tivesse condições de manter o luxo que ela desejava para a filha. 

Celia sempre soube que aquele era o seu destino. A vida que a esperava, que não havia opção. Mas quando tudo estava prestes a começar, quando a mãe realmente deu os passos necessários para que ela tivesse o primeiro "protetor", ela fugiu. Da decepção. Do destino. De tudo aquilo que repudiava. Mas fugiu sem rumo, sem saber o que fazer. Sem amigos, sem dinheiro, quase caindo nas ruas cruéis que esperavam para destruí-la. Foi quando encontrou Daphne. Que não fez perguntas, que não exigiu saber do seu passado. Apenas lhe ofereceu amizade e abrigo. 

Durante cinco anos, ela foi feliz. No anonimato, escondida na propriedade de Daphne. Longe dos olhares julgadores da sociedade que conhecia muito bem sua mãe e o seu legado. Longe dos olhos daqueles que a consideravam marcada e perdida simplesmente por ter nascido. Então, sua mãe adoecera. Ela poderia ter mantido a mágoa, poderia ter continuado na tranquilidade de sua vida, mas não podia abandonar aquela que lhe deu à luz no momento em que ela mais precisava. 

Para cuidar da mãe, Celia teve que sair do seu abrigo e com isso as línguas voltaram a falar. Logo, foi de conhecimento geral que a filha de Alessandra estava de volta. Com a morte da mãe, tudo explodiu. Já não era possível retornar. Não podia manchar a reputação de Daphne, por mais que a amiga dissesse não se importar. Não podia mais ter o seu refúgio. Era hora de encarar a vida de frente e fazer uma escolha. Poderia ter um futuro sem manchas? Poderia seguir renunciando ao legado de Alessandra? Ou para se sustentar e não passar por privações deveria abraçar aquela vida, como todos esperavam e desejavam? Deveria desistir para sempre dos sonhos adormecidos? Celia ainda não sabia. Só sabia que a voz de Alessandra e tudo o que ela lutou para que a filha acreditasse ser verdade, não parava de falar em seus ouvidos... 

Jonathan era um homem acostumado com a dureza da vida. As coisas simplesmente eram como tinham que ser, ele aprendera. Passara por privações, humilhações até chegar à posição que ocupava na sociedade, como filho bastardo de um conde. Fora amigo de Alessandra e conhecera Celia antes da fuga dela. Agora, tanto tempo depois, a reencontrava, porque ela estava no caminho de sua mais recente missão. Diferente da maioria das pessoas, não a julgava simplesmente por ela ser filha de uma cortesã. A enxergava. Mas, fosse o que fosse que pensava, jamais poderia se envolver com ela... Ainda que o simples fato de estar no mesmo ambiente que ela, fosse suficiente para fazê-lo desejar o impossível...

Eu tive muito medo de não gostar do Jonathan. Um medo terrível. A história de vida da Celia, a forma como a sociedade a condenava e queria afundá-la na vida que exigiam que ela seguisse, me recordou um livro que li há vários anos e me marcou profundamente, mas de uma forma bem negativa. A Promessa da Rosa, da autora Babi A. Sette. Os sonhos da Celia me lembraram os sonhos da Kathe. E eu não queria vê-la passar pelo mesmo. Não aceitaria isso. Por este motivo, tive medo. Porque a história da Kathe, em A Promessa da Rosa, não é uma história de amor, por mais que a maioria dos leitores e a autora a considerem como tal. Na minha opinião (e é meu direito pensar o que quiser de um livro que eu li), está bem longe de ser uma história de amor. É uma história de terror, de destruição, de sonhos e futuro perdidos pela maldade de uma sociedade muito hipócrita e de um personagem considerado o mocinho da história. Arthur é um verme da pior espécie. Dizer que ele é um lixo é ofender o lixo. Esse tal mocinho nada tem de mocinho. Ele é o próprio vilão na vida da Kathe e ela não enxerga isso. Oito anos se passaram e nunca perdoei essa história. Nunca perdoei o Arthur. E nunca esqueci tudo o que a Kathe sofreu. 

Mas, Luna, não estávamos falando da história de Celia e Jonathan?! Sim, voltemos! O meu medo do Jonathan ser alguém parecido com o Arthur se mostrou bastante infundado. Jonathan é alguém que conhece as realidades da vida, as regras da sociedade, a forma como tudo acontecia. Parece muito misterioso no início da história, um tanto frio e prático, mas conforme a história se desenvolve, enxergamos quem ele realmente é e o que pensa, bem como o que é capaz de fazer por aqueles com quem se importa. E, definitivamente, ele se importava com Celia.

A história não vai se desenvolver como um conto de fadas. O que não significa algo ruim. Pelo contrário, da forma como a história foi brilhantemente construída pela autora, eu pude acreditar completamente no sentimento que surgiu entre eles, na relação que se construiu com a convivência. Celia e Jonathan se aproximaram de uma forma que nos parece tão real, como se eles existissem. Eu lia sobre os momentos deles juntos, as conversas, os segredos e sonhos partilhados e queria que eles fossem mais que personagens de um livro. Mas, Luna, você sempre vê os personagens como pessoas. Sim, é verdade.rs Embora não seja possível explicar, aqui foi diferente. E foi maravilhoso. 

"[...] concordo que a primavera acorda os sentidos para a esperança, com a sua promessa de novos começos."

Eu amei o romance entre Celia e Jonathan. Ainda que meu coração exigisse o final que eu queria e temesse que acontecesse algo bem diferente, foi impossível não rir com eles, não amar cada momento que passavam juntos. A autora gosta de escrever romance bem hot, com cenas explícitas e tal, e não sou muito fã disso nos livros. Gosto das cenas de amor, mas cenas muito explícitas e frequentes, que roubam o espaço para o casal desenvolver outras partes da relação, não me agradam. No entanto, apesar de cenas assim existirem no livro, como em toda história que já li da autora, isso não afeta a profundidade do que se constrói entre eles. Quando eu via a autora insistindo com cenas assim, pensava: Você vai estragar a história. E ela não estragava.kkkk Isso me surpreendeu, porque quem já leu minhas resenhas mais antigas dos livros da autora, sabe que isso já quase me fez desistir de seguir lendo outros livros dela. Porque já aconteceu de ter lido um romance dela, de outra série, que exagerou nessa parte da relação do casal e tornou tudo muito fútil, superficial. Mas aqui foi diferente. Celia e Jonathan pegam fogo juntos. A paixão é parte essencial da relação, mas conecta todo o resto. Há profundidade, há calor do tipo que esperamos numa história de amor. Há ternura entre a intensidade da paixão. Existe verdade. A gente sabe que eles se amam porque esse amor é real. E tudo o que podemos desejar é que o Jonathan não nos decepcione. Que ele escolha o amor. Que ele escolha a verdade e não as regras. Que escolha a Celia e não a magoe. A vida já a tinha magoado demais. Ela merecia muito uma felicidade completa. Ser aceita. Acreditar que valia a pena sonhar. Que tinha valor, que era importante como mulher e como ser humano. Que podia ser simplesmente ela e não a pessoa que Alessandra tentou construir. 

E por falar na Alessandra... Olha, gente! Celia era filha dela. Então, eu entendo o sentimento de afeto que ela sempre teria da mãe, independente de qualquer coisa. Mas o que essa mulher fez... isso não é digno de uma mãe. Não me interessa que ela realmente acreditasse que aquilo era o melhor que Celia poderia ter. Não deveria ter acreditado. E acreditasse ou não, ela não só disse para Celia que aquela era uma possibilidade. Ela ensinou para uma menina que aquela vida era sua única chance de não morrer de fome, de ter um futuro. Ela não parava de falar em seu ouvido. Não parava de manipular!!! Ela tentou matar os sonhos da própria filha! Educou uma adolescente na arte de ser cortesã como se isso fosse a coisa mais aceitável do mundo. E depois vendeu essa mesma adolescente para quem pagou mais. Isso é mãe? Não mesmo! Não julgo a Celia por amá-la. Jamais faria isso. Mas eu desprezo profundamente a Alessandra. O que ela fez não tem nome, é imperdoável. 

Agora vamos às minhas queridas Flores Mais Raras. Audrianna, Verity e Daphne. Eu acredito que Daphne será minha personagem favorita dessa série, por tudo o que ela fez desde o primeiro livro. A forma como ela abrigou e salvou desconhecidas que precisavam de ajuda. Sem perguntas, sem cobranças, sem julgamentos. Daphne ofereceu um refúgio para mulheres que se encontravam sozinhas e desesperadas. O que ela faz é muito lindo. A amizade que se construiu entre elas é belíssima. O livro da Daphne é o próximo, que encerra a série. Espero que seja maravilhoso, porque ela merece uma história digna da pessoa que ela é. 

Audrianna e Verity. Amo essas personagens, mas neste livro aqui quase as esganei no início.kkkkk Quando souberam do passado da Celia, de quem ela era filha, continuaram a amizade, mas em segredo. Isso me irritou de uma forma que vocês não fazem ideia. Eu já considerava a Celia como uma filha para mim, que eu queria proteger do mundo. Queria proteger de toda dor que ela já tinha suportado. E aí as melhores amigas dela, que viveram na mesma casa com ela e Daphne, faziam aquilo. Quase surtei.kkkkk Mas elas não demoram a consertar o que estavam fazendo. Elas consertam. E de uma forma muito boa. Por isso, as perdoei.rs

Não só gostei deste livro, queridos. Eu o amei profundamente! Só não recebeu 5 estrelas por uns detalhes que seria spoiler mencionar. Mas é um livro querido que recomendo muito! 


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro com epílogo 


Série As Flores Mais Raras

3. Pecadora
4. Perigosa



21 de janeiro de 2026

Provocante - Madeline Hunter



Literatura norte-americana
Título Original: Provocative in Pearls
Tradutora: Ana Sofia Pereira
Editora: Leya
Edição de: 2014
Páginas: 287 (e-book)
Série As Flores Mais Raras - Livro 2

1ª leitura de 2026

Sinopse: Verity Thompson desapareceu no dia do seu casamento. Seu paradeiro ficou em segredo por anos, um longo período no qual seu marido, o conde de Hawkeswell, viveu na penúria e na incerteza. Verity deixou para trás uma fortuna imensa, porém, inacessível à família, pois sua morte não havia sido oficialmente declarada. Nem poderia, já que ela estava bem viva. 

Ao ser obrigada a se casar, ela foge de Londres e refugia-se no campo. Abandonou sua fortuna em troca da liberdade. Mas o destino tem os seus próprios desígnios e a jovem se vê obrigada a regressar à cidade e a um casamento sem amor. Seu arrogante marido, porém, está disposto a chegar a um acordo: se Verity lhe der três beijos por dia, ele não a obrigará a cumprir os deveres conjugais. Mas, claro, há beijos e beijos e Verity vai perceber até que ponto foi realmente um erro se entregar nas mãos de um hábil mestre.



Eu voltei para os romances?! Aparentemente, sim. Finalmente! Depois de tanto tempo sem conseguir ler meus livros queridos, me permiti fazer uma grande pausa das obrigações diárias, aproveitando o mês de janeiro realmente como férias. Assisti séries, me dediquei mais aos livros, estudei apenas parte do que geralmente estudo e descansei. Em fevereiro retomarei minha rotina, mas não pretendo que seja como o ano passado. Acredito que a forma como decidi organizar meus estudos e trabalho em 2026 vai funcionar melhor para eu manter minha produtividade, ao mesmo tempo que não me perco entre tantas coisas. Estou aprendendo a reconhecer que para estudar e trabalhar eu também preciso respirar. Ter momentos para mim. 

Em 2021, eu li o primeiro livro da série, intitulado Deslumbrante, e lembro como apreciei a leitura, ao ponto de desejar muito prosseguir com os outros livros da série. Não lembro exatamente o motivo de não ter lido o segundo livro na época, mas acredito que tenha sido pelo fato dos dois últimos livros da série não terem sido publicados no Brasil. Algo que resolvi superar agora. Não foram publicados no Brasil? Sem problemas! Lerei os seguintes nas edições de Portugal. Estou cansada da falta de consideração de algumas editoras, que publicam séries totalmente fora de ordem e muitas vezes as deixam incompletas. Não tenho mais paciência para isso faz tempo. 

Em Provocante, conhecemos a história de Verity e Grayson, o conde de Hawkeswell. Verity, que adotara o nome de Lizzie quando fugira de um casamento indesejado, é uma jovem de 21 anos que durante muitos anos viveu com o medo e a tristeza como companheiros. Desde a morte do pai, quando passara a ter como tutor um primo que a detestava e não fazia a menor questão de esconder o fato. 

Sua vida era um inferno, sempre temendo quando viria o próximo golpe, a próxima ameaça, o próximo sofrimento. E tudo apenas piorou quando ela completou 19 anos e ele decidiu que chegara o momento de ela se casar... com quem ele escolhesse. Verity não queria sair de um inferno para cair em outro. Tudo que desejava era sua liberdade, recuperar a vida que tivera enquanto o pai era vivo e se casar com Michael, o homem que seu pai teria aprovado, aquele que a ajudaria a continuar o seu legado. Mas seu primo tinha outros planos e fez de tudo para que ela aceitasse o conde de Hawkeswell como marido, recorrendo à violência física e à ameaça para que ela obedecesse. 

Sem saída, Verity acaba se casando com alguém que sequer conhecia e que imaginava que fosse tão cruel quanto o seu primo. Afinal de contas, um homem que aceitava que uma mulher fosse forçada a se casar não poderia ser uma boa pessoa. Desesperada, tentando um último recurso para recuperar sua liberdade, ela foge logo após o casamento e finge a própria morte, disposta a se manter escondida até que possa completar a maioridade e lutar pela anulação de um matrimônio que nunca deveria ter acontecido, visto que inexistia um consentimento real. 

No entanto, para seu completo desespero, dois anos depois, logo após ela completar a maioridade desejada, um acaso faz com que Grayson a encontre antes que ela consiga requerer a anulação do casamento. As leis daquela época permitiam que ele a forçasse a voltar para ele, de uma forma ou de outra. Ela não teria voz, se ele não permitisse que ela tivesse. Assim eram as leis, por mais horríveis e injustas que fossem. Mas ela não cairia sem lutar... Poderia ser obrigada a ir para casa com ele, mas não desistiria fácil. Se não pudesse convencê-lo a desistir da loucura daquele casamento, fugiria de novo, na primeira oportunidade que surgisse. Não nascera para aquela prisão. Não importava que os olhos dele a queimassem de um jeito estranho e que a sua presença provocasse um sentimento bem diferente do medo...

Aqui temos um romance, incialmente, bem complexo. Grayson é um conde, de uma família muito antiga e respeitada entre os seus pares. Porém, as escolhas erradas da família fizeram com que toda a fortuna se perdesse. Ele estava arruinado financeiramente e não queria perder todos os privilégios de sua posição. Precisava manter todo o luxo, as aparências, e sustentar a tia e a prima que crescera com ele e a quem considerava uma irmã. Além dos motivos egoístas, também precisava de dinheiro para cuidar daqueles que trabalhavam em suas terras e dependiam dele para continuar tendo o que comer e como se manter dignamente. A única forma de conseguir uma fortuna rápida era se casando com uma rica herdeira. Então, temos a seguinte situação: ele precisa desesperadamente de dinheiro. O primo de Verity quer todos os privilégios que um parentesco com um conde poderiam lhe proporcionar, então ele entrega Verity para ascender socialmente. 

Diferente do que ela acreditava, Grayson não sabia que Verity tinha sido espancada, ameaçada e chantageada para poder se casar com ele. Ele sabia que ela relutara inicialmente, mas acreditou que não era uma recusa real. Sobretudo depois que ela voltou atrás e aceitou o casamento. Até aí, vamos fingir que acreditamos tanto assim que ele não desconfiou de nada. A verdade na qual acredito, é que ele não se preocupou em saber. Ele queria a fortuna dela. Só tinha olhos para isso. Conscientemente, ele de fato não sabia tudo o que ela tinha passado até aceitar o casamento. Mas se houve uma recusa antes, ele não deveria ter se questionado sobre os motivos para ela ter mudado de ideia? 

E, então, dois anos se passam... Verity desaparece logo após o casamento e todos acreditam que ela realmente esteja morta, que tenha se afogado no rio (ela fez com que parecesse que sim). Mas ao longo desses dois anos, ela estava vivendo tranquilamente na propriedade das Flores Mais Raras, sob a proteção de Daphne, que não sabia a verdadeira identidade dela, mas que se soubesse também não faria diferença. Grayson encontra Verity ao fazer uma visita ao local acompanhado do seu melhor amigo, que havia se casado com Audrianna (eles são os protagonistas do primeiro livro), que por sua vez era melhor amiga de Lizzie (o nome adotado por Verity). E aqui temos o Grayson errando pela segunda vez. 

Se antes ele tinha a desculpa de não saber que não houve um consentimento livre por parte dela para o casamento, ao reencontrá-la, ela diz isso com todas as letras, embora oculte o fato de ter sido agredida fisicamente. Ela fala que foi ameaçada e chantageada pelo primo. Ele agora sabe que houve coação para o casamento. Para obter a anulação do casamento, Verity precisava da concordância dele. Grayson, por sua vez, tem a esperança de que convivendo com ele, Verity possa aceitar o casamento. 

A história dos dois se desenvolve a partir dessa questão. Verity quer a anulação, Grayson quer uma chance de conquistá-la. Só que para isso ele usa os seus direitos de marido (que eram autorizados pelas leis da época) para obrigá-la a viver na mesma casa que ele. 

E aí eu entrei em conflitos internos ao longo da leitura. Eu não gostava do fato de a Verity estar submetida àquelas leis, por mais que fossem a realidade da época. Ela não queria aquela vida cheia de regras, nas quais ela não tinha direito de decidir sobre a sua própria herança, sobre suas roupas, sua vida ou seu corpo. Tudo dependia da vontade de um marido. Já li centenas de livros de romances de época e sei que essa foi uma realidade de um determinado período da História. Um período bastante longo, na verdade. E até hoje vemos as consequências disso. 

Claro que nos romances, temos todas as licenças admitidas nos livros. Mas penso que eu estava desacostumada a ler os romances de época, depois de tanto tempo sem lê-los. E senti com mais força as injustiças. Isso me incomodou quase até o final do livro, por mais que a realidade entre Verity e Grayson não fosse pesada. 

A autora conseguiu me convencer completamente do amor que foi se construindo entre os dois. Algo que não foi imediato e que precisou que os dois lados cedessem e não só a mocinha. Embora ele tenha se casado com ela pela fortuna, a convivência o faz querer a mulher, a pessoa que ela era. O seu sorriso, o seu abraço, as conversas. Ele passa a querer uma vida com ela. 

Apesar dos conflitos, a história que se desenvolve entre os dois é muito bonita. Primeiro vem a desconfiança, o rancor, que começa a ser superado pelo desejo. A química entre eles é bem forte e a autora investe nos momentos sensuais. Mas a partir de tudo isso, surge espaço para mais. Para que ambos queiram mais. Queiram o que é sólido, duradouro. Queiram todos os sentimentos que começam a bagunçar suas certezas. 

Como eu disse, a situação de vulnerabilidade da mulher submetida às leis da época, me incomodou muito. E a história de Verity e Grayson surge disso. Mas a autora soube bem como desenvolver o romance e o mocinho precisou compreender a situação da Verity e mudar também. Entender que nem tudo o que a lei permitia era correto e que se ele quisesse ser feliz e que ela também fosse feliz, teria que aceitar um relacionamento no qual houvesse equilíbrio. No final, o mocinho tomou uma decisão tão inesperada que eu senti uma mistura bem confusa de sentimentos. Fiquei chocada, feliz, com raiva, tudo ao mesmo tempo!kkkkk Mas foi a decisão certa para que pudesse ter uma chance real de um feliz para sempre ao lado dela. Só lendo vocês poderão entender. 

Se gostei do livro?! Bastante! Louca para ler o terceiro livro da série!


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro de romance

Série As Flores Mais Raras

1. Deslumbrante
2. Provocante
3. Pecadora
4. Perigosa



14 de fevereiro de 2024

Os Abismos - Pilar Quintana



Literatura Colombiana
Título Original: Los abismos
Tradutora: Elisa Menezes
Editora: Intrínseca
Edição de: 2022
Páginas: 272

Sinopse: Novo livro da autora de A cachorra aborda, pelos olhos de uma criança, a solidão feminina e as imposições sociais na vida de mulheres.

Claudia mora com os pais em Cáli, na Colômbia, em um apartamento tomado por plantas e rodeado por precipícios físicos e metafóricos. O ambiente, exuberante e bem-cuidado, é um contraste, uma oposição à mãe indiferente e apática que está em conflito com os caminhos escolhidos e impostos para a própria vida. Como muitas famílias, a de Claudia passa por uma crise, e basta o casamento de seus pais estremecer para que ela comece a entender a fragilidade dos limites que mantêm a previsibilidade do cotidiano.

A partir da expectativa e de seu olhar agudo e ao mesmo tempo inocente de criança, é a menina que narra os acontecimentos que abriram as fendas por onde entraram seus piores medos, aqueles que são irreversíveis e podem levar à beira dos abismos. Nos últimos anos da infância, Claudia percebe que a vida chega ao fim e que essa ruptura pode ser uma escolha pessoal. É pelos relatos da mãe, obcecada por revistas de celebridades ― em especial pelas figuras femininas com finais trágicos, como Grace Kelly ―, que ela faz a correspondência entre a morte e as escolhas e passa a temer pelas decisões de sua progenitora.

Em meio à beleza e à violência da natureza, confrontando desejos inconfessos, criança e mãe se encontram e, assim, o destino da mais velha parece se debruçar sobre o abismo contra o qual tantas outras mulheres também já se depararam.



"Aos poucos o apartamento foi se enchendo de plantas até se transformar numa selva. Sempre pensei que a selva eram os mortos da minha mãe. Seus mortos renascidos." 

Impacto. Dor. Desespero. Reflexão. Certeza da brevidade da vida e de como escolhas podem nos abrir portas ou nos colocar num precipício, lutando entre a vontade de viver e de simplesmente acabar com tudo. 

Quando iniciei esta leitura não tinha sequer noção do que encontraria. O livro me atraiu pela capa e por seu título que te faz pensar de que tipos de abismos a história tratará... Isto porque o livro estava embalado e eu nunca tinha visto ninguém falar sobre ele. Comprei primeiro para só depois ler a sinopse e entender que ele acabaria por abordar transtornos psicológicos através da visão e narrativa de uma criança. 

"Pensei nas mulheres mortas. Debruçar-se em um precipício era olhar em seus olhos."

A leitura fluiu bem, mas foi bastante difícil justamente pelos temas abordados e por tudo ser mostrado através do olhar de uma menina, que entende o que os adultos se esforçam em negar: sua mãe estava doente, caindo lentamente num abismo do qual ela talvez não conseguisse tirá-la. É doloroso acompanhar o dia a dia dela na casa, rodeada pelas plantas (que são os mortos de sua mãe, como ela diz), tendo que lidar com os altos e baixos de sua genitora enquanto o pai prefere fingir que nada está acontecendo, preso em seu silêncio e em seu trabalho. 

Claudia, que tem o mesmo nome de sua querida mãe, é uma menina solitária e observadora. Tudo o que mais deseja da vida é receber da mãe a atenção que tanto tenta atrair. A atenção que ela dava para as plantas... que dava para suas revistas sobre celebridades e que dedicava aos finais trágicos de outras mulheres. Sua mãe mergulhava naqueles assuntos, como se ansiasse estar no lugar das mulheres cuja vida acabou tão de repente, de um golpe, deixando no ar a suspeita (mas nunca a confirmação) de suicídio. 

Através dos fragmentos que obtém do passado de sua mãe, e da relação existente entre ela e a avó, Claudia, com tão pouca idade, traça um paralelo com sua própria vida e a relação com sua mãe. Os erros cometidos por sua avó e repetidos em sua mãe, que jura que jamais seria como a outra, mas repete os mesmos comportamentos e palavras como se num ciclo inquebrável. 

"Fechei os olhos e surgiu um precipício. Abri e continuei vendo."

A Claudia mãe é uma mulher triste, que não admite para si mesma o quanto a tristeza a está consumindo. As escolhas de seus pais, o quanto não teve coragem para enfrentá-los e realizar seus sonhos. Como deu ouvidos somente para o que esperavam dela e se conformou com um casamento sem amor e em ser mãe quando na verdade não era o que queria. O que sonhava viver. Estar presa naquela vida era sentir-se morta. Amava a filha, mas gostaria de poder voltar no tempo... Teria aceitado o que aceitou? Novamente teria abandonado seus sonhos? Ou teria ido embora sem olhar para trás? Teria cursado a universidade? Teria fugido com o rapaz que amava? Queria apenas poder voltar e descobrir se tudo poderia ter sido diferente. 

Com a indiferença de um marido que só viu nela a sua beleza e a desejou como uma esposa "perfeita", padrão, e as obrigações da maternidade, Claudia encontra refúgio nas tragédias de outras mulheres... até que isso deixa de ser um escape. Então, seu humor começa a subir e descer de forma descontrolada, mas com alegrias bem fugazes e momentos prolongados de depressão, quando viver parece o pior dos castigos. 

A Claudia filha tenta conseguir a ajuda do pai, da tia... mas ninguém acredita que sua mãe está doente. Não era algo que se falasse, era mais confortável negar. E a menina precisa lutar para não permitir que sua mãe vá... que encontre o precipício, ao mesmo tempo que também só quer ser criança, estudar e brincar. Mas o abismo da mãe começa a invadir e destruir sua infância, transformando sonhos em pesadelos, brincadeiras em medos. 

"- Mamãe...
Não se via nada. 
- Mamãe!
[...] Quis me jogar no chão e começar a chorar. Parar de procurá-la. Que ela se jogasse do precipício e não voltasse. Que me deixasse sozinha com meu pai, afogada com ele no seu mar de silêncio."

Este é um livro muito sensível. Realmente impactante. Ainda não li A cachorra, o livro aclamado da escritora. Os Abismos foi meu primeiro contato com sua escrita e foi um início que me marcou e me fez desejar ler todos os seus escritos. Ela escreve com um cuidado, uma delicadeza que transborda pelas páginas. Conseguimos nos colocar no lugar da mãe e da filha e temer pelo final da história. Temer que seja uma luta perdida, até porque nenhuma das duas tem alguém que lhes estenda a mão, que as ajude naquele momento tão frágil.

Durante a leitura eu senti raiva. De todas as personagens que contribuíram para que mãe e filha chegassem àquele ponto. É verdade que a Claudia mãe fez as suas escolhas. Mas seus pais tiveram grande participação nisso. Ela estava sufocada. Eu sentia a agonia daquela mulher. Lendo era como se eu própria me sentisse presa naquela situação, na vida não desejada, condenada a seguir somente pelas obrigações. Ninguém queria que ela fosse ela de verdade. Tinha que ser o que esperavam dela. E ponto final. Como escapar? 

"Então eu o vi em seus olhos. O abismo dentro dela, igual ao das mulheres mortas [...], uma fenda sem fundo que nada pode preencher. 
- Este lugar é perfeito para desaparecer."

Ao mesmo tempo você sabe que existe amor entre mãe e filha. Ambas perdidas naquela situação. Com a filha em muitos momentos tendo que ocupar o lugar de mãe, tendo que cuidar daquela que lhe deu a vida. Quando a menina sentia medo de perdê-la, eu sentia uma dor dentro do meu peito. Sem saber como tudo terminaria, com medo do fim. Com medo de que nada fosse suficiente. 

É um livro que merece cinco estrelas e passagem direta para os favoritos. Me atingiu em cheio. Me fez refletir muito e de certo modo contribuiu para que eu dissesse "não" para certas situações que estava aceitando em minha vida. Viver é um privilégio. Mas a vida... ela é fugaz. Tudo pode acabar de um momento para o outro. E no que dedicamos os nossos dias? Em realizar nossos sonhos ou em ser o que esperam de nós, nos anulando pelos outros?

"Queria guardar aquele cheiro dentro de mim [...] O cheiro da minha mãe, para que eu nunca esquecesse. Acariciei sua testa e depois seus cabelos. Desembaracei os fios com os dedos até deixá-los lisos e brilhantes. Dei um beijo na sua testa e me deitei ao seu lado."


22 de fevereiro de 2023

Vida em Leilão - Barbara Delinsky


 
Título Original: Finger Prints
Tradutora: Elsa Joana Frezza
Editora: Nova Cultural
Edição de: 1986
Páginas: 258

Sinopse: Uma espessa neblina cobria as ruas de cinza, ocultando perigos, fazendo Carla tremer de medo, o coração batendo forte no peito. Não havia dúvida: alguém a seguia em meio à névoa, certamente o assassino que a iria punir por ter delatado um homem poderoso. Não adiantara disfarçar-se e trocar de nome; ele a encontrara! Desesperada, Carla apressou o passo, ouvindo ainda atrás de si a respiração ofegante de seu perseguidor. E chegou a seu prédio quase sem sentir, para encontrar ali um desconhecido que a amparou nos braços. Oferecia-lhe proteção ou... morte?

A luta de uma mulher para recuperar sua identidade, seu direito de amar. 




Não me lembro do dia em que comprei este livro. A data anotada na primeira folha informa que o adquiri em 23.01.2014, mais de nove anos atrás. E somente no mês passado tive vontade de apostar nesta leitura. O que se mostrou uma ótima escolha, pois é um livro que me fez muito bem, num momento da minha vida em que me sinto sobrecarregada, por todos os lados. Invadida por um estresse que tem prejudicado, inclusive, a minha saúde. 

Sei que preciso relaxar mais (falar é fácil!), manter a calma diante das situações que me tiram o sossego e adquirir equilíbrio emocional. Mas na prática tudo é mais complicado, ainda mais quando lido há tantos anos com o transtorno de ansiedade generalizada. Quem sofre do mesmo mal com certeza me entende. Cada dia é uma luta. Tudo é mais difícil, mais desgastante. Para estar bem é preciso lutar muito. E a luta constante é imensamente cansativa. 

Assim, na tentativa de melhorar o meu emocional, que vem afetando muito a minha saúde física, eu decidi ler um romance que aparentava ser "leve", diferente dos livros que eu vinha lendo nos últimos meses. Também resolvi assistir a série Diários de um Vampiro, que marcou a minha adolescência, apesar de naquela época eu não ter passado da primeira temporada. Mas eu queria finalmente assistir, até o final. Era uma lembrança do passado, da minha adolescência, de um período que eu queria recordar. 

Vida em Leilão foi uma leitura que deu certo. Que funcionou perfeitamente para mim, apesar de ser uma história bem simples, sem grandes reviravoltas e acontecimentos impactantes. Era justamente o que eu precisava. Um romance leve e fofo, para "sonhar acordada". 

Nele conhecemos Carla Quinn, uma jovem professora de 29 anos, que vive uma vida de mentiras.... de disfarce. Seu nome verdadeiro era Robina Hart e ela era repórter em Chicago, até testemunhar um terrível incêndio e que um dos principais responsáveis era um homem extremamente poderoso. 

Seu testemunho poderia colocá-lo na cadeia por muitos anos, e, disposto a impedir que isso acontecesse, o referido homem não hesitou ao contratar um assassino de aluguel para eliminar "o problema". 

Após a tentativa de assassinato, Carla foi colocada no programa de proteção às testemunhas, e teve que largar toda a vida que conhecia até então, incluindo sua família e amigos, e mudar de cidade, de aparência, de profissão. 

Tudo era muito triste e solitário. Ela não conseguia aceitar sua nova vida, todas as mentiras que precisava contar todos os dias... sem mencionar o medo terrível que nunca a deixava. Não suportava mais aquela situação, estava à beira do limite... e então ele apareceu. 

Ryan era um advogado de sucesso, mas todo o êxito em sua vida profissional custou caro. Seu casamento não sobreviveu ao excesso de trabalho, de horas extras, de compromissos e reuniões. Talvez tudo tenha dado errado porque não estava realmente apaixonado pela mulher com quem dividia o lar. Talvez tivesse tentado mais se a amasse... pois assim que conheceu Carla, soube que jamais se permitiria perdê-la. Que não repetiria os mesmos erros. Que seria feliz. Ao seu lado. 

Como eu disse, este é um romance leve, apesar do tema de proteção à testemunhas, incêndio e assassinato. O livro não foca muito nos temas pesados, preferindo girar em torno do romance entre a Carla e o Ryan. As mentiras, os segredos, com certeza serão um problema no relacionamento dos dois, e claro que tentarão matar a mocinha novamente, mas nada disso torna a leitura angustiante. Segue sendo um romance bem fofinho, que nos faz suspirar e desejar um Ryan para nossa vida.kkkkk

O romance entre o casal me fazia sorrir, mesmo quando eu não estava muito feliz. Eu me pegava sorrindo feito boba no ônibus (ainda bem que sigo usando máscara no transporte público!), desejando que tudo desse certo entre eles, que nada os separasse. Que conseguissem lidar com as mentiras que a Carla teve que contar, pois eram necessárias e ela não tinha outra opção no início do relacionamento deles. Que pudessem superar todos os obstáculos e serem felizes. Ansiava muito pelo final feliz!rs

E o livro conseguiu me encantar até o fim, apesar de eu ter ficado um tanto triste com certos acontecimentos e personagens. Não posso dizer que não era esperado, mesmo assim desejei que fosse diferente. Mas, como na vida real, é preciso assumir as consequências das escolhas feitas. E, infelizmente, alguns personagens fizeram péssimas escolhas, com consequências terríveis. 

A história tem final feliz, graças a Deus! E não considero isso spoiler.rs Amo romances que terminam bem, que nos fazem acreditar que coisas boas podem acontecer...

Recomendo bastante esta história para quem quer ler um romance leve e muito agradável!


Bjs, queridos! Até breve!


14 de dezembro de 2022

Lírios de Sangue - Carmem O.




Literatura Brasileira
Editora: Novo Século
Edição de: 2016
Páginas: 144

Sinopse: Até onde vai sua dor? Sua percepção da realidade? Seu lirismo?
Despretensiosamente, Lírios de sangue é o relato simples e talvez poético daqueles que estão no momento mais crítico de suas vidas: o confronto com a doença, com as fraquezas do corpo, com nossa mente desnuda de defesas. Nossa fragilidade exposta, escancarada. 

São relatos de quem vive diariamente essa condição humana. 

Há uma entrega, uam aceitação dos dois lados. O paciente e o médico. Aprendizado mútuo de ambos. No final, cúmplices, querem o mesmo objetivo: VIVER. 

E cada um, inevitavelmente, levará um pouco do outro por onde for. 





Um dia, hace años, eu contei aqui como um determinado livro me "atraiu", me "escolheu" num momento da vida em que tanto necessivava das palavras que transbordavam de suas páginas. 

Tardes de Maio é o nome dele.... Do livro que falava de dor, perdas, recomeços... Da poesia que está em tudo, até na morte. Da passagem, do adeus, mas também da vida. Naquele momento, minha Luana ainda estava viva. Não havia doença. Não havia desespero. Não sentia o gosto amargo do imenso pânico de perdê-la. Nem as facadas do luto. 

Agora... Aconteceu de novo. A Carmem O. passou novamente por minha vida, com seus textos tão impactantes. Lírios de sangue... Faz sentido, né? Que às vésperas do mês de dezembro, às vésperas do primeiro ano de morte da minha princesa, este livro tenha esbarrado em mim. Não foi coincidência. Foi o destino falando. Outra vez. 

"Há analgésico para essa dor
Há paz para o seu conflito
Pena que você sorri tão pouco"

Era noite de 29 de novembro de 2022... Só Aquele que me roubou minha pequena sabe como eu estava me sentindo, atormentada pelo fato que o mês de dezembro estava chegando... As lembranças não paravam de me golpear com força, com crueldade. Imagens que só quem já presenciou a morte de uma pessoa ou animalzinho querido consegue entender... Eu estava desnorteada. Estava no ônibus, voltando do trabalho e sentindo que não conseguiria sequer chegar em casa antes de desabar em prantos. 

Foi quando desci do ônibus e em vez de pegar o próximo na rodoviária, caminhei para o shopping... querendo apenas andar e andar. Parei numa feira de livros localizada no térreo. E meus olhos imediatamente foram atraídos pela cor vermelha. Ele estava ali, me esperando: Lírios de sangue. 

"A vida sempre será um sopro
Um sopro difícil de entender."

Lembro que peguei o livro e o apertei contra o peito antes de ir até o caixa para pagar. Sentia uma necessidade urgente de abri-lo e iniciar a leitura. De encontrar nele o conforto que eu estava buscando. Queria ser confortada, sentir-me "abraçada" pelas palavras... sentir que alguém compreendia o que eu estava sentindo. O vazio. O medo. A dor...

Concluí a leitura em 30.11.22. Acho que chorei com quase todas as crônicas e poesias presentes no livro. Me emocionei demais com as diversas histórias de pessoas lutando pela vida ou simplesmente entendendo que o momento chegara, que era hora de partir... Nossa! Este livro me "quebrou" em pedacinhos, mas também me fez um bem tão grande que eu não saberia como expressar em palavras. 

"Teve que se fechar em si mesma por puro mecanismo de defesa. E assim construiu seu Muro de Berlim, de onde via, espectadora, sua guerra fria entre a vida e a morte."

Como eu disse ao fazer a resenha de Tardes de Maio em setembro de 2019: A autora desta coletânea de crônicas e poemas é uma cardiologista que trabalha com pacientes críticos, alguém que já esteve em contato muitas vezes com a dor e a morte. Através de sua própria experiência de vida e relembrando pacientes que teve a oportunidade de conhecer, nos traz esses textos tão simples, mas tão profundos ao mesmo tempo. Muitas das crônicas tratam de pacientes, de momentos vividos no hospital, vidas que se foram, outras que possivelmente se recuperaram... Cada texto tem algo que nos cativa, que nos provoca uma confusão de emoções. Você não sabe sequer explicar o que sente... é algo que toma conta do seu coração e te faz pensar e pensar em muitas coisas.

O que eu disse naquela época se aplica tambem ao livro Lírios de sangue, pois são crônicas e poemas baseados na experiência da autora como médica que lida diariamente com pacientes em estado grave, e tem a oportunidade de testemunhar diversas histórias, e de aprender muito com aqueles que estão quase de partida. 

"Saudades. Tenho de tudo. Do que foi, do que poderia ter sido e do que ainda será. Tenho saudades hoje dos que vejo todos os dias e daqueles que nunca mais verei."

Não sei dizer qual crônica me emocionou mais... Eram tantas realidades diferentes. Dores dos que vão, dos que ficam e precisam lidar com a saudade... Lutas diárias contra a depressão, contra o lúpus, contra o diabetes, o câncer... Perdas e vitórias. Sorrisos e lágrimas. Eu chorava até mesmo quando a autora terminava uma crônica com um "final feliz", quando determinado paciente conseguia sobreviver. Me dava uma emoção tão grande, pois era uma segunda chance. Era precioso saber que alguém tinha recebido uma segunda chance. 

Carmem O. tem o dom de nos tocar profundamente com suas palavras, de nos golpear com realidades duras e terríveis, ao mesmo tempo em que nos faz valorizar o sol, a chuva, o vento que bagunça nossos cabelos. Valorizar o fato de respirarmos. De ainda estarmos aqui, por mais difícil que seja a vida. 

Nunca vai ser fácil viver. Sempre existirão perdas. É inevitável. Mas o sol sempre nascerá depois da tempestade, não é verdade? Ainda que demore um pouco. Ele vai nascer. Belo, iluminando nossos dias cinzentos. 

"Viver é flertar constantemente com nossa fragilidade
Escancarada em nossa cara, luminosa, como um letreiro de motel. 
Não somos especiais. 
Super-heróis de ninguém
Carne
Ossos 
Dor.
Aproveite. 
Amanhã
Pode não chegar."

Ler este livro quando eu estava cheia de dor foi um presente da Vida, do Destino e, quem sabe, de Deus, por mais que meu relacionamento com Ele não esteja muito bom. Sei que este livro não surgiu em meu caminho à toa. Eu precisava dele. Precisava do seu conforto.

Escolhi o dia de hoje, 14 de dezembro, para publicar esta resenha. O motivo vocês podem imaginar: hoje completa um ano que minha princesa se foi. Que partiu deste mundo e me deixou sozinha. 

Sabe no que quero acreditar hoje? Que ela me vê do Céu. E que está feliz. Que não há nenhuma dor. Que ela brinca e pula com outros gatinhos enquanto Jesus olha sorrindo. Que ela dorme do lado dEle, como sempre dormiu do meu lado na cama. 

Há quem não entenda este amor todo que sinto pela minha princesa. "Era só uma gata, um animal, não era gente." Já ouvi muito isso. E eu não sinto raiva de ninguém que não compreende o que sinto. Não preciso que entendam. Não escolhi amar minha pequena filha. Ela me escolheu e preencheu minha vida com tanto amor, que seria impossível não amá-la com todas as minhas forças. Sempre irei amá-la. Sempre sentirei sua falta. Mas quero estar bem. Porque eu prometi, um ano atrás, enquanto ela partia, que ficaria bem. Que seria feliz para que ela pudesse estar em paz. E que um dia estaríamos juntas de novo. Sei que estaremos. Um dia, quando minha hora também chegar, eu irei para junto dela. E nunca mais haverá uma separação. Nunca mais haverá dor. 

Um ano sem você, minha filha... Apenas sem sua presença física. Porque dentro de mim você sempre estará viva. Nunca esquecerei os lindos momentos que vivemos juntas. Você sempre será o meu anjo. Te amo. Para sempre. 



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