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23 de julho de 2015

Restos Humanos - Elizabeth Haynes

(Título original: Human Remains
Tradutor: Mauro Pinheiro
Editora: Intrínseca
Edição de: 2014)

Vá para casa. E tranque a porta.

Você conhece bem seus vizinhos? Saberia dizer se eles estão vivos ou mortos?

Ao encontrar por acaso o corpo de uma vizinha em avançado estágio de decomposição, Annabel Hayer, que trabalha com análise de informações para a polícia, fica horrorizada ao pensar que ninguém, incluindo ela mesma, percebeu que havia algo errado.  

De volta ao trabalho, ela se sente compelida a investigar o assunto, apesar da falta de interesse de seus colegas, e encontra dados que mostram o aumento assustador de casos como esse naquele ano em sua cidade natal. Conforme aprofunda sua investigação, Annabel parece cada vez mais convencida de estar diante de um crime terrível e é obrigada a enfrentar os próprios demônios e a própria fragilidade. Será que alguém perceberia se ela simplesmente desaparecesse?

Um thriller psicológico extremamente perturbador, Restos Humanos fala de nossos medos mais obscuros, mostrando como pessoas que vivem sozinhas podem ser vulneráveis - e a facilidade com que vidas podem ser destruídas quando não há ninguém que se importe com elas. 


Palavras de uma leitora...


"Ela se fora, completamente, sem deixar o menor vestígio, como se nunca tivesse existido."


Era incrível como uma pessoa poderia simplesmente desaparecer... 

Às vezes ela se perguntava se em algum momento estivera ali... se realmente chegara a existir. Ou se talvez partira antes que pudesse se dar conta. 

Todos os dias ela se levantava para ir ao trabalho. Alimentava sua gata, chegava antes de todos e permanecia ali durante horas, fazendo análises de informações para a polícia, ouvindo a conversa animada de seus colegas sem jamais fazer parte daquele ambiente. Era como se ninguém a enxergasse. E se a viam, preferiam ignorá-la, como se ela não valesse o tempo deles ou sua amizade... algo que ela ansiava muito por ter, mas sabia que jamais teria. Nunca tivera amigos. E já trabalhava três anos com aquelas pessoas sem que elas manifestassem o menor interesse por ela. Era realmente como se ela não existisse...

E o que era ruim fica ainda pior quando, ao voltar para casa após mais um dia de trabalho, ela acaba por encontrar o corpo de uma vizinha, já em avançado estágio de decomposição. Fazia meses que aquela mulher estava morta, esquecida por todos, e se ela não tivesse encontrado o corpo... quanto tempo teria se passado até que alguém percebesse? Talvez semanas, mais meses... ou quem sabe anos. 

"E minha vida era um tremendo desperdício. Uma grande ruína do que outrora havia sido bom. Tudo me fora arrancado, deixando aquele vazio, aquele abismo de dor e sofrimento."

Profundamente perturbada por jamais ter considerado que algo pudesse ter acontecido com sua vizinha, que ela não via muitos meses antes de encontrar seu corpo, Annabel decide investigar quantas pessoas teriam sido encontradas nas mesmas condições em sua cidade naquele ano. E o resultado de sua pesquisa a deixa em choque. 24 corpos, em avançado estágio de decomposição, foram encontrados só naquele ano. Se as coisas seguissem assim, quantos outros apareceriam nos próximos meses? Sentindo que algo terrivelmente errado está por trás de tais mortes, ela procura a ajuda da polícia, que não mostra o menor interesse em suas suspeitas. Determinada a encontrar uma resposta para aquele mistério, Annabel mal poderia imaginar que estava bem perto de se tornar mais uma vítima... fosse o que (ou quem) fosse que estava por trás de tudo aquilo... 

"Eu estava sob essa nuvem e não havia como sair, não havia escapatória. Era como estar num labirinto em que cada passagem que você escolhesse fosse errada, todas as passagens levando a um beco sem saída. Exceto uma. Havia uma passagem que era a saída. Só precisava encontrá-la."

- Nem sei por onde começar... Quando comecei a leitura deste livro, eu não sabia bem o que esperar. Talvez algo como No Escuro. No entanto, esta história é bem diferente. De um jeito extremamente perturbador. De um jeito que eu preferia esquecer. 

- A maior parte do tempo eu desejei chorar. Não só porque choro com facilidade, mas porque não existe maneira de não ser atingida por esta história. Pela história das diversas pessoas que passam pelo livro. Que passam pela vida. Eu pude sentir de perto a angústia delas, toda aquela dor, todo aquele vazio e o grito de socorro que elas jamais conseguiram dar. A espera por uma ajuda que nunca chegou. Quando suas próprias famílias lhes viraram as costas. Quando nada na vida fazia qualquer sentido. Pessoas num estado de grande vulnerabilidade, nas quais se poderia enxergar o desespero em seus olhos, a vida abandonando-as pouco a pouco. E o mais triste era saber que se alguém tivesse estendido uma mão, as teria salvado. 

"Andava pensando com frequência em Shelley Burton e em todos os outros, aquelas pessoas, aquelas pobres pessoas, sozinhas em suas casas na hora da morte, esperando para serem acolhidas pelos anjos, mas continuavam na terra, sabendo que iam ficar ali, apodrecendo, sem amor, ignoradas, desrespeitadas. [...] Eu me perguntei se elas realmente sabiam o que estavam fazendo, ou se a vida as havia tratado tão mal que a necessidade de morrer se tornara uma força maior do que a terrível perspectiva do que poderia lhes acontecer em seguida."

- Apesar do aumento significativo do número de mortes por "causas naturais" que ocorriam na cidade de Annabel no último ano, nenhuma investigação tivera início. Muitos dos casos foram considerados suicídios e descartados. Para os médicos-legistas e a polícia aquelas pessoas simplesmente resolveram deixar de viver. E era lamentável todas elas só terem sido encontradas vários meses após a morte, mas não existia crime nisso. Pelo menos, aparentemente. Mas quando uma ligação anônima informa a localização de mais um corpo e diz ainda haver muitos outros... eles finalmente são obrigados a encarar, perplexos, que talvez alguém esteja provocando essas mortes. Mas como? E o mais importante: por quê?

"Era ele que podia mudar tudo, que aparecera para mim quando eu mais precisava dele, quando estava desesperada, triste e solitária. Ele surgiu para mim e me mostrou qual caminho deveria seguir."

- Perturbador do início ao inevitável fim, Restos Humanos é uma história que eu desejei muito ler e temi demais a leitura na mesma medida. Eu ficava olhando para o livro na estante e muitas vezes o pegava, folheava suas páginas, relia a sinopse, desejando ter coragem de iniciar a leitura. Mas sentindo que seria algo impactante. Marcante e talvez de um jeito nada positivo.  

Durante a leitura minhas emoções ficaram descontroladas. E uma grande revolta tomou conta de mim ao ver a incompetência das pessoas que estavam à frente daquela investigação. Mas não foi só isso que me revoltou. A história daquelas vítimas me abalou demais. Me provocou pesadelos, lágrimas e uma enorme tristeza. Eu desejei muito que alguém as tivesse salvado. Que alguém tivesse olhado para elas mais de uma vez e tivesse se importado o suficiente para puxá-las do fundo daquele poço. Mas ninguém apareceu. Por mais coisas que eu já tenha visto, o egoísmo do ser humano ainda é capaz de me surpreender. 

- Apesar de ter dado 5 estrelas ao livro, porque ele é realmente digno disso, não sou capaz de recomendá-lo. Como a sinopse diz (e muito bem) é "um thriller psicológico extremamente perturbador", sombrio, que te golpeia, te abala e faz com que suas emoções fiquem completamente descontroladas. Não sei bem o que sinto no momento e já faz horas que terminei a leitura. Só o que sei é que a vida tem uma enorme capacidade para ser cruel. E o mais incrível é que os piores golpes vêm sempre de quem mais amamos...

"Ele sorriu para mim, e me senti segura e tranquila, porque sabia que ele era o meu anjo e estava ali, tomando conta de mim. 
- Durma - disse ele, sua voz não passava de um sussurro. [...]
Eu me encostei no travesseiro e fechei os olhos."

22 de fevereiro de 2014

Vingança da Maré - Elizabeth Haynes

(Título Original: Revenge of the Tide
Tradutor: Mauro Pinheiro
Editora: Intrínseca
Edição de: 2013)


Depois de trabalhar arduamente por muito tempo – alternando um emprego como executiva de vendas durante o dia com o de dançarina de pole dance à noite -, Genevieve finalmente conseguiu juntar dinheiro para realizar seu sonho: comprar e reformar um barco e mudar-se com ele para Kent, bem longe da estressante vida em Londres que tanto a aborrece.

Tudo parece enfim perfeito. Até que, na festa de inauguração do barco, enquanto amigos de sua antiga vida parecem zombar do que agora lhe é tão caro, um corpo aparece boiando próximo ao ancoradouro, e Genevieve reconhece a vítima.

Ao perceber seu santuário flutuante maculado, e convencida de que sua vida também está em risco, Genevieve se vê novamente envolvida com o perigoso submundo de corrupção, crimes e traição do qual pensava ter finalmente escapado. E está prestes a descobrir os problemas de se misturar negócios e prazer. 



Palavras de uma leitora…



- Ao terminar de ler essa história, a primeira coisa que senti foi alívio. Afinal de contas, tinha sobrevivido ao livro. Não é qualquer pessoa que consegue algo assim, acreditem.rs Mas também me senti muito arrependida. E triste. Arrependida por ter apostado nessa história, por ter investido meu tempo nela, por ter acreditado nela. E triste porque dói ver uma autora tão talentosa, com um dom tão especial, jogar o nome na lama ao escrever uma coisa como essa. Peço perdão a quem gostou da história, mas não é qualquer pessoa que está falando isso desse livro, gente. É uma fã da autora. Alguém que a adora. Alguém que conhece o trabalho dela e a admira muito. Não estou falando nada com a intenção de ofender os fãs (estaria me ofendendo também) ou a autora. Estou falando isso porque me sinto revoltada, porque não posso aceitar que uma autora como a Elizabeth Haynes, que me arrebatou com o livro No Escuro, fez eu me apaixonar por sua história e ficar ansiosa por suas próximas histórias, tenha me decepcionado tanto ao escrever Vingança da Maré. Porque não é uma história digna dela. Não é um trabalho que mereça levar o nome dela! Isso sequer parece escrito por essa autora. Está muito abaixo dela, entendem? Não dá para não se revoltar com isso. Porque quem nunca leu No Escuro, quem conheceu a autora com Vingança da Maré, provavelmente vai querer passar bem longe dos trabalhos dela daqui por diante. Não vai confiar em nenhuma história da autora, por ter começado pelo livro errado. E se ela não tivesse escrito essa “coisa” nada disso aconteceria. Não canso de me perguntar o que se passou pela cabeça da autora quando ela decidiu escrever essa “história”. Como pôde se manchar assim?! 

Se era para escrever “isso”, antes não tivesse escrito nada, sabe? Até agora permaneço com aquele sentimento de incredulidade… Não consigo acreditar que essa história foi escrita pela minha autora. Pela Elizabeth Haynes. Não parece de modo algum uma história dela. Eu preferia jamais ter lido Vingança da Maré. Não queria sequer ter tomado conhecimento da existência dessa história. Mas sabe o que acontece? Quando você ama demais uma autora, fica aguardando os lançamentos de seus próximos livros, fica pesquisando para saber se a autora já escreveu uma nova história. Ao entrar numa livraria, fica passeando os olhos pelos lançamentos, procurando pelo nome da autora em algum deles. Foi algo assim que se passou quando encontrei essa história. Eu tinha visitado a Bienal do Livro pela primeira vez na vida e fui direto atrás de livros dessa autora, da Chevy Stevens (autora de Identidade Roubada) e James Patterson (autor de O Diário de Suzana para Nicolas). Na verdade, já tinha em mente quais livros queria. Estava muito cheio o local, algo que certamente deveria me fazer dar meia volta e cair fora dali.rs Porque detesto multidões. 
Lembro que quando vi Vingança da Maré, ele estava bem perto de No Escuro. Tinha um grupo ali lendo as sinopses dos livros e uma menina com No Escuro nas mãos, comentou: “Parece uma história interessante”. Eu lembro que eu sorri toda feliz por ela estar levando aquele livro com ela e comentei que era um livro maravilhoso, que ela não iria se arrepender de ler. Peguei Vingança da Maré. Verdade que achei o título estranho e a sinopse não me atraiu muito, mas pensei comigo mesma: “É da Elizabeth Haynes. Então é óbvio que é uma história tão incrível quanto No Escuro.”  Infelizmente, não fazia ideia do quanto estava enganada…

- Toda pessoa possui defeitos. Algo que as torna humanas, pessoas de carne e osso, imperfeitas como todos nós. Mas no caso de Genevieve, a coisa era bem mais grave. Ela não era apenas humana. Era um desastre em forma de gente. Alguém que pedia aos gritos para morrer. Que cada coisa que fazia na vida, era com a clara intenção de se prejudicar (e muito), por mais que, conscientemente, não tivesse a noção disso… Se ainda estava viva, era por pura questão de sorte. Ou de azar, dependendo do ponto de vista. 

- Ela era uma jovem executiva de vendas. Bem-sucedida, com uma vida que muitos invejariam. Mas não encontrava satisfação em seu trabalho. Pelo contrário, era um trabalho muito competitivo, dominado pelos homens e desgastante. O dinheiro que ela conseguia com ele não compensava todo o estresse mental e a frustração que o acompanhavam. Sua paixão sempre tinha sido dançar. Era na dança que ela encontrava algum sentido para sua vida. Na dança e no sonho que sempre compartilhara com o pai: o sonho de ter seu próprio barco. De construir um lar nele. Durante anos de sua vida, ela ia para a oficina do pai, ajudá-lo e sonhar com ele. Faziam planos, imaginavam como reformariam o barco dos seus sonhos; folheavam uma revista atrás da outra, sentindo-se felizes apenas por sonhar com aquilo. Mas o tempo passou e as responsabilidades da vida, a afastaram um pouco do pai. Mas ela ainda era capaz de lembrar que no dia em que fez a última prova na faculdade, ligou para casa. Apenas para descobrir que seu pai havia morrido. Justamente naquele dia. Após a morte de seu pai, sua mãe descobriu o que eles tanto faziam na oficina e sem piedade, destruiu todas as revistas. O tempo passou e Genevieve resolveu voltar para a dança. Pelo menos nos tempos livres. Seus anos de ginástica e aulas de dança, a fizeram se sentir em casa com o pole dance, como se tivesse nascido para isso. Tinha imensa facilidade para aprender e criar novos movimentos; sentia-se livre e viva. E através de sua professora ela descobriu que poderia ganhar muito dinheiro com o pole dance. Desde que trabalhasse na boate certa. Sua professora conhecia o lugar perfeito e a indicou. Mesmo não levando aquilo muito a sério, Genevieve foi à “entrevista” sendo contratada logo após mostrar que dominava o pole dance. E ela não fazia a menor ideia, na época, do quanto aquilo mudaria para sempre a sua vida. Se é que ela teria uma vida por muito mais tempo…

De início, tudo parecia perfeito. Ela só precisava fazer o que gostava: dançar e dançar. E ganhava uma fortuna por isso. Mas com o tempo, ela foi percebendo que havia se metido em algo muito mais perigoso. Arriscado. No entanto, o dinheiro, a ambição, a fizeram fechar os olhos para tudo e aceitar fazer qualquer coisa por mais e mais dinheiro, se metendo numa situação da qual não haveria a menor saída…

“Era dinheiro sujo, eu tinha me dado conta depois. Mas para mim, era apenas dinheiro. Uma bela soma que poderia investir no meu barco. E eu me enganara em relação a Dylan, é claro. Eu me enganara em relação a tudo, na época.”

- Isso é o máximo que posso fazer por essa história, gente. Esse resumo sem sal e sem açúcar. Totalmente sem graça.rsrs… Na verdade, o gosto amargo foi tão forte quando fechei essa droga de livro, que sequer tinha vontade de escrever uma resenha sobre a história. Eu estava muito decepcionada (e ainda estou), muito triste com a autora e queria atirar o livro pela janela. Mas achei que eu merecia pelo menos desabafar nem que fosse só um pouquinho do que eu estava sentindo. O que de modo algum, está fazendo eu me sentir melhor. 

- Talvez eu ainda não tenha dito com clareza o que tanto me incomodou nessa história, não é? Foi o fato da mocinha não possuir um cérebro, nenhuma inteligência? Foi o fato de ela ser dançarina de pole dance e aceitar ser prostituta nas horas vagas, desde que fosse bem remunerada? Dessas hipóteses, eu descarto só o pole dance. Na verdade, acho uma dança muito interessante e já vi (através da TV) pessoas dançando-a. Até mesmo homens arriscam hoje no pole dance e conseguem arrasar. É uma dança que se bem feita consegue ser sensual, sem ser vulgar. Então, o fato da Genevieve dançar não me incomodou nada. Mas a quantidade de besteiras que ela fez por conta da sua falta de cérebro, da sua incrível capacidade para ser burra e o fato de agir como uma prostituta, sim. Sem mencionar o início admirável dessa história. Afinal de contas, não há como não admirar o esforço que a autora fez para estragar toda a história, desde o princípio. Fazia tempo que eu não lia um início de livro tão sem graça. Tão absurdamente chato. Eu lembro que tive que fazer um esforço enorme para seguir com a leitura, sempre cheia de esperanças de que a história fosse melhorar a qualquer momento. Mas quanto mais eu lia, mais remota se tornava tal esperança. O livro estava perdido desde o início. Eu só demorei bastante para aceitar esse fato. 

- Quem leu essa história sabe o quanto o início dela é chato. O quanto dá vontade de fechar o livro e se livrar dele. E aposto que muita gente deve ter feito isso. Provavelmente as pessoas que seguiram com a leitura, foram aquelas que já conheciam o trabalho da autora e apostaram na história por isso. As outras devem ter desistido nas primeiras páginas. Eu gostaria muito de ter feito o mesmo. Se arrependimento matasse…

- Tirando o início entediante da história (um início que não é bem somente um início. Por mais de 200 páginas a história é puro tédio), a segunda coisa que me desagradou foi a porcaria de protagonista que essa autora conseguiu criar. Não consigo imaginar de onde diabos ela tirou a Genevieve. Ainda por cima deu para essa cópia mal feita de mocinha um nome do qual eu gosto. A quantidade de besteiras que a Genevieve faz deveriam dar a ela o prêmio como a mocinha mais tapada que tive o desprazer de conhecer. No momento, ela supera todas as outras retardadas que conheci ao longo do meu tempo como leitora. Nunca encontrei na minha vida mocinha mais estúpida do que essa. Mais insuportável! Além de ter ido dançar numa boate que ela percebeu que não era flor que se cheirasse, ela desceu ao nível mais baixo para conseguir a porcaria do dinheiro para comprar a droga do barco. O que ela foi capaz de fazer… me provocou náuseas. Tudo bem que eu não tenho nada a ver com a vida dela. Se ela estava disposta a vender o próprio corpo por dinheiro, era problema dela, não é verdade? Mas um direito que ela não tinha era de envolver mais pessoas nisso! Um direito que ela não tinha era de trair o que ela chamava de melhor amiga! Uma coisa da qual eu tive a certeza depois de ler certas cenas, é que eu jamais iria querer ser amiga de alguém como ela. Esse projeto de mocinha é pior que amiga da onça. Por dinheiro era seria capaz de trair alguém que lhe estendeu a mão, que lhe deu apoio, que a aceitou como amiga. E após ler os pensamentos dela sobre essa amiga (logo após ela ouvir os elogios que faziam ao que a amiga dela era) eu percebi a inveja dela, algo que eu deveria ter notado muito antes, pois a Genevieve é péssima para esconder qualquer coisa. Ela nunca foi amiga daquela menina. Tudo na Genevieve sempre foi falso. E não sei se a culpa é dela ou da autora. Nem quero saber. 

- Acho que não estou conseguindo colocar em palavras o que sinto por essa protagonista, não é?kkkkk… Dizer que não a admiro seria pouco. Dizer que ela me provoca náuseas, jamais seria suficiente. Eu a detesto. Porque a culpo por tudo de errado que aconteceu nessa história. Porque ela foi responsável por cada vida colocada em risco nesse livro, porque a estupidez dela tirou a vida de alguém que não merecia morrer. Porque tirou a vida de alguém que estava perfeitamente bem antes dela aparecer. A detesto porque ela é tão absurdamente burra que após tentarem matá-la, teve a coragem, a inteligência de ajudar a pessoa que queria matá-la. Creio que nunca vi isso na minha vida. Uma pessoa tenta te matar, mas acaba sofrendo um acidente durante a tentativa. O que você faz? Ajuda essa pessoa? Para ela terminar depois o que tinha começado? Para ela te matar depois???!!! Foi isso que essa idiota fez. O cara era assassino por dinheiro! Pago para matar. Se ela estivesse só arriscando a vida dela, tudo bem. Não me importo nada com ela mesmo. Mas não. Ela nunca destrói a vida dela e só. Tem sempre que destruir a vida de outras pessoas também. 

- Mas sabe o que mais me irritou acima de tudo nesse livro? O fato da autora melhorar a história a partir da página 214, somente para destruir totalmente o livro com aquele final absurdo. Não sei nem como dizer o que senti depois de ler aquele final… Parecia que eu estava assistindo um filme policial de péssima categoria. O livro tinha ficado eletrizante páginas antes, para terminar daquele jeito ridículo. A cena de ação merece total destaque. Foi uma verdadeira comédia. Mas aquela comédia que não tem a menor graça. Que te deixa com uma cara que diz: “Você realmente está de brincadeira com a minha cara.” Provavelmente esse livro marcará o ano de 2014. Como o pior livro que li. 

- Eu estava aqui pensando no fato de ter dado 3 estrelas ao livro no Skoob... Não foi justo. O livro não merece sequer três estrelas. Mas que fique claro aqui que essas estrelas foram pelo fato de eu ainda admirar essa autora. Essas três estrelas não foram por esse livro, pois essa coisa não é sequer uma boa história. As três estrelas foram pela autora e não pela história. Mas mudei de ideia. Vou dar as estrelas que o livro merece.rsrs...

- Bem… é isso. Depois dessa resenha que em nada aliviou a minha revolta e que deve estar parecendo uma resenha escrita por uma pessoa bastante louca (essa resenha não deve estar fazendo o menor sentido, não é?), vou procurar uma história que tire esse gosto ruim da minha boca. O livro ainda não voou pela janela. Prestem bem atenção nisso: ele ainda não voou. Provavelmente voará antes do término deste final de semana. Quero esse livro longe de mim!!!! 

8 de agosto de 2013

No Escuro - Elizabeth Haynes


(Título Original: INTO THE DARKEST CORNER
Tradutor: Mauro Pinheiro
Editora: Intrínseca
Edição de: 2013)


Catherine está no controle de sua vida. Bem-sucedida, sai toda noite para beber e dançar com as amigas, até que, numa festa, conhece Lee, um homem sedutor e atencioso. Sua vida está perfeita e todas as mulheres gostariam de estar em seu lugar. Ou quase todas.

Quieta e reservada, Cathy luta contra o transtorno obsessivo-compulsivo que torna penosas as tarefas mais simples, como trancar a porta do apartamento. Vulnerável e aterrorizada, ela nem de longe lembra Catherine, a pessoa que costumava ser antes de Lee deixá-la assustadoramente traumatizada.

O que aconteceu para que Catherine mudasse tanto? Que memórias a obrigam a seguir um ritual tão rígido para que se sinta segura? E o que Cathy faria se descobrisse que Lee está não só em sua mente, mas em sua casa e em sua vida outra vez?



Palavras de uma leitora...


"Eu o vejo em todos os lugares, o tempo todo. Sei que ele não pode ser os homens que vejo, pois ele se encontra a milhares de quilômetros de distância, e bem trancado dentro da prisão. Mas ainda assim ele me assombra, uma aparição frequente, lembrando-me de que nunca vou me livrar dele. Como eu poderia, se ele ainda está dentro da minha cabeça?"


- Sabe quando você lê o título de um livro, olha para sua capa, lê uma resenha sobre ele e percebe que precisa ler essa história? Fica completamente desesperada para lê-la? Sabe? Foi exatamente isso que aconteceu comigo. 


"[...] eu ficava sentada, tremendo, tentando não olhar para mim mesma, tentando não olhar para as cicatrizes e o que elas significavam.

Eu sentia como se ele estivesse de volta à minha cabeça. Quer dizer, ainda não: mas à espreita. As imagens dele, aquelas que eu lutava para evitar, ainda estavam lá. Tinham perdido um pouco da sua capacidade de me machucar. Mas agora..."


- Uma das coisas nas quais pensei enquanto lia a resenha que o blog Sonho de Reflexão tinha postado sobre o livro, foi que o livro me lembrava Identidade Roubada. E só isso já bastaria para eu ficar completamente louca pelo livro (só quem leu Identidade Roubada pode entender o que quero dizer.rsrs...). Mas só quando li a sinopse e o trecho do livro que encontrei no site da Saraiva, foi que eu soube que necessitava do livro para agora. Não para depois. Eu simplesmente precisava dessa história para ontem. Sabia que seria uma leitura sensacional, inesquecível. E não estava enganada. 


"A presença dele está muito forte hoje. Sinto seu cheiro, sinto-o no ar. Eu me lembro da sensação de esperar que ele voltasse, sabendo que não podia fazer nada para escapar, que de nada adiantava correr ou resistir."


- Sabe quando o seu mundo simplesmente desaba? Quando tudo aquilo com o que você sonhou é destruído bem diante dos seus olhos? Quando amar mostra-se um erro terrível? Quando aquela pessoa em quem você confiou, com toda a sua alma, se transforma no seu pior inimigo? Sabe quando a dor é tão insuportável que você simplesmente desiste, pois lutar só prolongaria mais o sofrimento? Sabe quando dói tanto que a morte parece ser a melhor (ou a única) opção? Catherine sabia. Ela sabia bem o que era isso. Sabia o que era ser traída, humilhada, maltratada, torturada. Sabia o que era estar no chão. Sabia o que era ver sua vida ir se acabando, lenta e dolorosamente. Sabia o que era imaginar o que poderia ter sido de sua história, se ela não tivesse ido naquele lugar, naquele dia, naquele horário... Sabia o que era perder as esperanças. O que era morrer e ainda assim continuar respirando. Ela sabia bem. Muito bem... E mesmo após todos aqueles anos, o sofrimento não havia terminado. E será que terminaria um dia? Será que algum dia seu passado lhe deixaria seguir adiante? Será que era tolice seguir lutando?


"Tinha me colocado de pé e conseguido ver, de repente, que na verdade eu não havia morrido, ainda estava bem viva, e que era melhor me recompor e seguir em frente. Não foi a primeira vez que pensei que teria sido mais agradável se eu tivesse morrido, em vez de ter que enfrentar aquele processo de recuperação. Mas quando deixei Lancaster percebi que, se alguém ia controlar a minha vida, esse alguém tinha que ser eu. Não havia alternativa."


- Linda, divertida, cheia de vida. Assim era Catherine no auge dos seus 24 anos. Assim era ela antes dele. Havia perdido os pais quando estava na faculdade e seus amigos eram como substitutos da família que ela havia perdido. Amava estar com eles, fosse para beber e conversar num bar, dançar e paquerar numa boate ou simplesmente estar reunida no apartamento de um deles, bebendo todas e rindo de piadas sem graça. Eles eram tudo que ela tinha. E Catherine sabia que poderia contar com eles para o que desse e viesse. Se não com todos, certamente com Claire e Sylvia. Elas eram como irmãs. As irmãs que seus pais não haviam podido lhe dar. E Catherine estava satisfeita com o que tinha. Era bem-sucedida, tinha sua própria casa, carro e uma renda que lhe permitia viver com conforto. Era amada pelos amigos que sabiam exatamente como animá-la até mesmo quando isso parecia impossível. Ela não necessitava de mais nada na vida. Ou ao menos, naquele momento. Satisfazia as necessidades do seu corpo com casos de uma noite só, quando estava tão bêbada que mal conseguia lembrar-se do rosto do cara no dia seguinte. Não estava preparada para o amor. E tinha fobia de relacionamentos. Já tinha namorado sério antes e se era para ter um idiota ao lado, que fosse por apenas uma noite. Realmente não precisava de um homem ao seu lado. Até olhar em seus olhos e observá-lo abrir um sorriso capaz de fazê-la esquecer o mundo. Talvez, até mesmo o próprio nome. 

Era noite de Halloween. Catherine, vestida como noiva de satã, havia se perdido das amigas no meio daquela confusão e acabou fazendo amizade com uma antiga colega de escola. Juntas, já completamente bêbadas, elas foram até um bar, um pouco mais de uma hora da manhã. Chegando lá, a amiga dela acabou entrando na frente e no momento que Catherine estava para entrar, um homem de terno barrou o seu caminho. E daquele momento em diante, a vida dela virou de ponta à cabeça. E nunca mais voltou ao normal. E isso, certamente, não era algo bom. Pelo contrário...


"Lembro que questionei se aquilo era mesmo uma boa ideia, se não seria melhor encerrar a noite por ali, mas então percebi que ela já havia entrado e resolvi segui-la. Acabei sendo barrada por uma parede de terno cinza-chumbo.

Quando ergui o rosto, vi um par de olhos azuis incríveis e um cabelo louro bem curto. O tipo de pessoa com a qual não convém discutir. 

- Espere aí - disse a voz, e encarei o segurança.

Ele não era tão grande quanto os outros dois, mas ainda assim era mais alto do que eu. Tinha um sorriso bem atraente.

- Oi - falei. - Você vai me deixar entrar com a minha amiga? 

Ele ficou calado por um momento, me olhando por mais tempo do que seria conveniente.

- Vou - falou por fim -, claro. É só que...

Esperei que ele terminasse a frase.

- Só que o quê?

Ele olhou de relance para os outros seguranças, que estavam conversando com uns adolescentes que insistiam para que os deixassem entrar.

- Por um instante não acreditei na minha sorte. Só isso. 

Eu ri da cara dele.

- Não está sendo uma boa noite?

- É que eu tenho uma queda por vestidos vermelhos - disse ele.

- Acho que este ficaria pequeno em você. 

Ele riu e afastou a corda de veludo, deixando-me passar. Senti que estava me olhando enquanto eu deixava meu casaco na chapelaria; então arrisquei uma olhada para a porta e o vi novamente, ainda me observando. Abri um sorriso para ele e subi os degraus rumo ao bar."


- Por "pura coincidência" Catherine voltou a cruzar com Lee pelo caminho. Dessa vez, na academia que frequentava. E dali para frente, ela foi se envolvendo cada vez mais até se ver completamente apaixonada por ele. E quem não se apaixonaria? Lee era tudo que os homens que ela havia conhecido não eram. Carinhoso, romântico, gentil, generoso... Sabia exatamente do que ela precisava. A via como pessoa e parecia estar louco por ela. Mesmo temendo aquele envolvimento cada vez mais profundo, Catherine não conseguiu evitá-lo. Ele foi tomando conta da sua vida e quando ela deu por si, ele já vivia na mesma casa que ela. E o relacionamento inicialmente perfeito, começou a apresentar rachaduras. E Catherine não saberia dizer quando realmente começou. O inferno. O tormento em vida. 

"[...] havia também o medo aterrador de como ele poderia reagir caso eu fizesse algo que acabasse provocando-o.

Agora não era mais uma questão de me afastar. Agora era preciso sair correndo. Era preciso fugir."


- Mas fugir seria fácil? Realmente é tão simples assim? Sair de um relacionamento abusivo, assumir novamente o controle da própria vida? É apenas uma questão de força de vontade, de dar simplesmente um basta? De dizer: "Não aguento mais você. Não te quero mais na minha vida. Desapareça da minha frente e não volte mais!" ? É realmente simples, gente? Acho que os casos que vemos na TV, mostram claramente que não. Nem sempre é realmente tão fácil escapar...


"Sempre achei que mulheres que continuavam levando adiante um relacionamento violento e abusivo só podiam ser umas idiotas. Afinal, em algum momento elas deveriam ter percebido que as coisas tinham saído errado e que, de repente, haviam passado a sentir medo do parceiro - e, sem dúvida, era este o momento de terminar a relação. Deixá-lo sem pensar duas vezes, foi o que sempre pensei. Que motivo elas teriam para continuar? E eu já vira mulheres na televisão ou em revistas dizendo coisas como 'Não é tão simples assim', e eu sempre pensava, claro que é, é simples, sim - apenas vá embora, afaste-se dele. 

Somando-se a esse momento de percepção, um momento pelo qual eu já passara, notei que se afastar não era uma alternativa simples, afinal de contas."


- Quatro anos depois de passar pela fase negra de sua vida, Catherine, agora Cathy, está em outra cidade, levando uma nova vida. Uma vida na qual é prisioneira não de Lee, mas das lembranças que possui dele, do medo aterrador de que ele retorne, um medo que a faz desenvolver o transtorno obsessivo-compulsivo, e que torna cada dia um martírio. Por causa das lembranças que insistem em invadir sua mente, Cathy nunca se sente segura. Sente como se ele estivesse ali, em sua nova cidade, em seu prédio, em sua vida. Apenas esperando... esperando o momento certo de se mostrar e terminar o que começara tantos anos antes. Por conta disso, Cathy, tanto antes de sair quanto ao chegar em casa, verifica as portas do seu prédio, de seu apartamento e qualquer janela. Não uma. Duas. Ou três vezes. Mas várias vezes. Ao ponto de muitas vezes passar horas verificando e verificando novamente. Porque ela sabe, sabe que se cometer um erro, ele entrará. Sabe que não pode deixar nenhuma brecha, não pode facilitar o seu trabalho. E assim, muitas outras compulsões surgem, como verificar a gaveta da cozinha, contar os passos, fazer compras somente em dias pares, considerar os dias ímpares totalmente proibidos para compras (se ela fizer compras em dias ímpares, há uma enorme chance de seu apartamento não ficar seguro. Por isso, ela não pode de modo algum fazer isso), ter horários fixos para tomar chá (não podendo de modo algum ficar sem o chá. Isso é capaz de fazê-la ter um ataque de pânico). Há também o medo de roupa vermelha e outras coisinhas mais. Medos fáceis de ser vencidos, superados? Compulsões que podem ser eliminadas facilmente com muita dedicação?! Não. Não. E não. Catherine viveu um grande trauma em sua vida e sua mente, como mecanismo de defesa, havia criado essa "proteção", esse meio dela tentar lidar com o trauma que possuía. E não seria nada fácil se livrar disso. Não bastava querer. Não bastava lutar. Era preciso muito mais. Inclusive, voltar a confiar em alguém... em alguém que pudesse lhe oferecer a segurança, o apoio que ela buscava naquelas compulsões, mas nunca encontrava. Mas seria fácil confiar outra vez? Como?! Como fazer isso quando se sente na própria pele o erro que isso pode significar? Quando todas as pessoas nas quais ela confiou lhe viraram as costas? Como fazer isso quando, ao necessitar de ajuda, ninguém esteve disposto a lhe ajudar? Confiar outra vez? Para quê?! Para sofrer novamente? Não. Ela não precisava de ninguém. Quando tinha precisado, simplesmente haviam olhado para o outro lado. Ninguém fez nada. E não seria agora que fariam. 


" É assim que tudo começa. Eu faço alguma coisa que parece ser uma boa ideia. Afinal de contas, trancar as portas e janelas é uma boa ideia, certo? E aí, por alguma razão, um dia eu cometo algum erro, e isso não é nada bom, porque se você pretender fazer alguma coisa para o seu próprio bem, é melhor fazer direito, caso contrário não tem sentido em fazer. Então eu começo a me atormentar e a imaginar tudo de ruim que pode acontecer se eu fizer aquilo errado, se eu estragar tudo, como já estraguei tantas outras coisas na minha vida inútil."

- Um dia, enquanto está saindo para o trabalho, Cathy o vê pela primeira vez. Um novo vizinho. Alguém que sorri para ela até mesmo quando ela o olha claramente furiosa. Afinal de contas, sua vida estava boa como estava. Ela não precisava de um novo vizinho para desequilibrar tudo outra vez. Para fazê-la se sentir insegura dentro do prédio. Porque ela não sabia quem ele era. Ele podia ser qualquer tipo de pessoa, certo? Mas pelo menos, Cathy descobre mais tarde, ele é a única pessoa (além dela) que consegue trancar o portão do prédio de modo eficaz. As outras pessoas sempre deixavam o portão aberto. Mas Stuart, não. Ele o trancava. Sempre. Mas é claro que isso não bastaria para fazê-la confiar nele. Não cometeria o mesmo erro duas vezes. Não importava o quanto ele fosse lindo, simpático e parecesse saber exatamente o que se passava por sua mente. Não importava o fato dele realmente parecer se importar com ela e insistir em invadir a sua vida. Sutil, mas firmemente. Ela jamais o deixaria se aproximar. Nunca. Mesmo quando em seus braços ela sentia que encontraria a segurança que tanto buscava. O afeto que nunca havia realmente recebido na vida. Mesmo que ao olhar em seus olhos, ela enxergasse o que nunca tinha visto antes e sequer soubesse explicar o que era. Era apenas um olhar... Um olhar que a fazia se sentir a pessoa mais importante do universo. Um olhar que a acariciava sem tocá-la. Que a beijava e abraçava quando ela mais necessitava. 


- Lutando contra o medo que ainda a domina, tentando ter uma vida normal outra vez, Cathy luta dia após dia contra o transtorno obsessivo-compulsivo e contra as lembranças de um passado que ela não pode apagar. Mas, quando tudo finalmente parece estar caminhando bem, um telefonema inesperado abala todo o mundo de Cathy outra vez e a faz sentir-se no escuro novamente, sufocada, aterrorizada...


" [...] meus receios simplesmente não se baseiam em algum perigo ridículo que eu inventei. 
Baseiam-se no fato de que Lee está lá fora, em algum lugar, me procurando. 
Se já não tiver me achado."


- Durante todos os anos que se passaram, Cathy o via em todo lugar. Mesmo sabendo que ele estava bem trancado numa prisão há quilômetros de distância. Ela o enxergava em cada homem na rua, o via e sentia dentro de sua própria casa. Mas seriam todas essas "visões" ilusões criadas por sua mente? Ou, de alguma forma, Lee estava lá fora, apenas esperando? Apenas esperando o momento certo? Haveria um fundo de realidade no que Cathy sentia ao entrar em casa? Haveria um fundo de realidade nos passos que Cathy sentia atrás dela, seguindo-a por toda parte? Ao sentir-se vigiada, Cathy apenas estaria imaginando coisas? E se não? E se for real? Conseguirá ela escapar uma vez mais? 


"De que adiantaria correr, afinal de contas? Não tinha funcionado da última vez, e tampouco funcionaria agora. Eu teria que ficar. Teria que ficar e me preparar para lutar."



- Apesar de ter tido certeza, desde o princípio, que amaria essa história, que ela se tornaria inesquecível para mim... eu não imaginava que seria tanto. Ao ponto de eu considerar essa história muito melhor que Identidade Roubada (e acreditem, para a história conseguir isso, ela tem que ser muito mais que maravilhosa). Quanto mais eu lia a história, mais eu me envolvia e mais eu desejava que ela simplesmente não terminasse.rsrs... Quando fui chegando ao final, fiquei com aquela sensação de tristeza, pois eu não queria que o livro chegasse ao fim. Por mais que ele possua cenas terríveis, de nos fazer fechar o livro e o manter fechado por um tempo, distante como se fosse uma cobra venenosa que pudesse nos envenenar se nos aproximássemos demais, é um livro incrível que não dá para evitar. Que não dá para não ler. É uma história que toma conta de nós e nos faz pensar nela o tempo inteiro, durante a leitura. Tinha momentos que eu precisava pensar em outras coisas (como nos meus estudos, por exemplo.rsrs...), mas a história não saía da minha mente. Dormir?! Foi uma missão quase impossível esses dias. Eu ficava rolando para um lado e para o outro, sem conseguir dormir. Pois minha mente estava cheia de imagens da história, pois eu sentia que não podia dormir enquanto a Cathy estivesse vivendo aquelas coisas. Eu não podia simplesmente interromper a leitura e ir dormir.kkkkkkkk... Mas eu tentava. E conseguia dormir pelo menos três horas e pouca por noite. Nem necessito dizer como ficavam meus dias por conta disso, certo?rsrs... Eu parecia um zumbi no dia seguinte, mas ainda assim continuava lendo o livro. Porque não dá para parar. E no final, percebemos que valeu a pena as noites sem dormir, os dias em que ficamos um caco. Valeu a pena. E eu teria lido a história toda de novo, sem hesitar. Porque é uma história fantástica, escrita por uma escritora muito talentosa. Já me tornei fã da Elizabeth Haynes e estou louca para ler mais livros dela. Se esse é apenas seu primeiro livro, sequer posso imaginar como serão os próximos! 


"- Sabe o que foi o pior de tudo? [...] o pior foi que depois, ninguém, nem sequer minha melhor amiga, acreditava em mim."


- Foi impossível, pelo menos para mim, não pensar em muitas coisas enquanto lia essa história. Foi impossível não pensar nas muitas mulheres que vivem situações semelhantes em suas vidas. Que estão em algum lugar neste mundo, esperando, ansiando, implorando por socorro. Impossível também não pensar naquelas que morrem esperando. Ainda acreditando que em algum momento existirá alguém para tirá-las daquele inferno. Que alguém acreditará nelas, que alguém se importará com elas o bastante para ajudá-las. Às vezes as pessoas veem ou ouvem um cara maltratando uma mulher e nada fazem. Pois em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, certo? Nem se, ao interferir, ao chamar ajuda, estivesse salvando uma vida. Às vezes podemos pensar: "Ah! Se ela quisesse realmente sair dessa, já teria saído! Ela gosta de apanhar!" Mas estamos de fora da situação. Estamos olhando de fora. Não sabemos o que realmente se passa com aquela pessoa, não sabemos porque ela não larga o cara. Apenas julgamos sem realmente nos importarmos o suficiente para procurar saber o que se passa. Nem sempre fazemos isso simplesmente por indiferença. Por egoísmo, não é? Às vezes nós também sentimos medo. Medo de nos metermos e sobrar para nós. E com isso, um dia podemos receber a notícia de que aquela pessoa que víamos sofrendo, sendo maltratada e não fazíamos nada para ajudá-la, simplesmente morreu. 

- Mas às vezes não pensamos que poderia ser uma de nós naquela situação. Porque nenhum homem vem com o aviso na testa. Com o aviso de que não presta. Já ouviram falar que quem vê cara não vê coração?! Isso é real. Não é a aparência da pessoa que vai dizer o que ela realmente pensa, o que realmente existe em seu coração. O cara mais lindo, mais romântico e aparentemente sensível, pode ser alguém capaz de matar sem piedade. Pode ser alguém que sente prazer em infligir dor. E aquele cara que aparentemente não presta, pode ser o que realmente vale alguma coisa. Não há como saber. Nós simplesmente apostamos. Acreditamos em alguém, nos apaixonamos. Foi o que Cathy fez. É o que todas fazemos. Muitas vezes acertamos ao apostar em determinada pessoa, mas existem vezes que não. E as consequências podem ser terríveis. E as consequências muitas vezes vemos na televisão. Mas não podemos deixar de viver por isso, não é? A vida é assim. Temos que apostar, temos que arriscar. Mas... se estivéssemos numa situação como a da Cathy ou de diversas mulheres por aí, iríamos querer que nos virassem as costas? Iríamos querer que ninguém se metesse? Ou imploraríamos (mesmo sem palavras) por ajuda? Cathy implorou. Implorou não à qualquer um. Ela implorou àqueles que eram como sua família. E não houve ninguém para ajudá-la. Absolutamente ninguém. Eu sinceramente não sei o que mais poderia doer. Ser traída pelo homem que amava ou pelos amigos nos quais confiava. Qual será a pior traição?! 


"[...] Como é possível que eu me sinta... Não sei. Eu não tenho medo ao seu lado. Com todo mundo, eu sinto medo. Qualquer um. E no entanto, não sinto medo com você. E não sei nada sobre você."


- Depois de tão ferida pela vida, uma pessoa pode realmente recomeçar? Pode voltar a acreditar num sentimento que a havia destruído anos antes? Pode voltar a se entregar e confiar em alguém? Cathy não sabia se isso era possível ou se conseguiria um dia recomeçar outra vez. Ela simplesmente vivia cada dia lutando para se manter viva. Ela vivia cada dia lutando para manter o passado do lado de fora de sua casa e seu coração também possuía cicatrizes. Cicatrizes que ainda doíam muito e que muitas vezes se abriam, fazendo-a pensar que talvez tudo fosse em vão. Mas esse mesmo coração, tão machucado, tão ferido ainda, começa a perceber que apesar de tudo, continua batendo e que talvez, ainda exista esperanças...


- Uma história maravilhosa que eu recomendo para quem gosta de um ótimo suspense e está preparado para ler cenas pesadas. Em nenhum momento eu disse que o livro era leve. Pelo contrário! De leve, não tem nada! Mas é uma história incrível, podem ter certeza. E a autora mantém o suspense do começo ao fim. E quando vamos chegando ao fim nossos nervos vão ficando cada vez mais abalados.rsrs... Eu penso que, nas mãos da pessoa certa, essa história teria uma grande chance de virar um filme sensacional. Muitas vezes eu imaginei como seria o filme desse livro. E, se protagonizado pelos atores certos, dirigido pela pessoa certa, eu tenho certeza que seria um sucesso. 



"Tome cuidado com o que você deseja, Catherine, eu disse a mim mesma.
Tome cuidado."

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