25 de agosto de 2026

Em Um Bosque Muito Escuro - Ruth Ware



Literatura Inglesa
Título Original: In a Dark Dark Wood
Tradutora: Alyda Sauer
Editora: Rocco
Edição de: 2016
Páginas: 288

7ª leitura de 2026 (5ª resenha do ano)

Sinopse: Em um bosque muito escuro é narrado por uma escritora reclusa que aceita o convite para a despedida de solteira de uma amiga de escola com a qual não tinha contato há anos. Quarenta e oito horas depois de chegar ao local da festa, uma casa de campo isolada, ela desperta numa cama de hospital, com a devastadora certeza de que alguém está morto. E mais do que tentar lembrar o que aconteceu no fatídico fim de semana, precisa descobrir o que fez. Com uma atmosfera inquietante, em que segredos do passado são revelados aos poucos e as relações se constroem pelo entrelaçamento de admiração, carinho, inveja e ressentimentos, Ruth Ware entrega um thriller arrebatador, que não à toa a colocou entre os principais nomes do novo suspense feminino, como Paula Hawkins e Gillian Flynn. Em um bosque muito escuro será adaptado para o cinema por Reese Whiterspoon.





Geralmente, opto por colocar a sinopse da Amazon (quando leio em e-book e não tenho o livro físico para verificar a contracapa, como é o caso deste livro), mas a achei muito reveladora e fiquei feliz por não tê-la lido antes da leitura da história.kkkk Por isso, preferi colocar a sinopse que se encontra no Skoob. 

Sei que desapareci por vários meses, mas é como falei no post de início de ano: no meio de toda a correria do dia a dia, do trabalho e muitos estudos, não estou mais me desesperando. Estou levando as leituras com leveza e não irei fazer resenha de todos os livros lidos ao longo do ano. Ler tem que ser um prazer acima de tudo. Acima da aquisição de conhecimento, das reflexões que determinadas obras possam provocar, dos estudos literários de algumas leituras escolhidas para serem estudadas... Tem que ser algo que me faça bem. A vida é curta demais para que eu transforme algo que amo tanto (que são os livros, minha eterna paixão) em peso. Que me cobre prazos, metas rígidas, para acabar me frustrando e desgastando. Já fiz muito isso e decidi que não faria mais. 

Então, vamos à história!

Em um bosque muito escuro é um suspense que não chego a considerar um thriller psicológico. Ele se desenvolve em torno de Nora, a jovem escritora de 26 anos, que vive praticamente reclusa, entre as quatro paredes do seu pequeno apartamento. O livro indica que ela tem uma certa amizade com Nina, colega da época de escola, mas vivem uma longe da outra, o que acaba por ser conveniente à necessidade de solitude de Nora. 

Isso não me provocou nenhuma estranheza. Porque me pareço com a personagem quanto a não gostar de uma vida agitada, de ficar encontrando com as pessoas, estar sempre na companhia de alguém. Eu gosto de estar sozinha, mas não de ser sozinha. Tenho amigos, mas sou a pessoa que prefere que o contato seja por telefone, WhatsApp. Encontros presenciais só de maneira bem ocasional. Gosto do silêncio do meu quarto, de "ouvir" o silêncio ou ouvir minhas músicas, aceitando e apreciando minha própria companhia. É uma forma de buscar a paz interior, refletir... Durante uma boa parte da minha vida me obriguei a contatos mais presenciais porque parecia o normal, o esperado, o aceitável. E isso sempre me sobrecarregava, ao ponto de me adoecer. Porque minha personalidade não combina com ambientes agitados, muito barulho, muita gente. Isso causa sobrecarga sensorial intensa em mim. 

Então, como disse, entendo demais a Nora. Ela precisa do seu espaço seguro, do seu refúgio. De estar consigo mesma. E isso para mim é completamente normal. Só que ao longo do desenvolvimento da história percebemos que a vida que a protagonista leva não é consequência apenas de sua personalidade, de sua necessidade de silêncio e paz. É também fruto de traumas provocados ainda na infância...

Era para ser mais um dia comum, de rotina conhecida e segura. Até que Nora recebe um e-mail totalmente inesperado. Um convite para a despedida de solteira de Clare, sua melhor amiga de infância, que ela não via fazia dez anos...

Desde que fugira de sua cidade, aos dezesseis anos, não manteve contato com ninguém, exceto Nina, excluindo de sua vida Clare e as demais pessoas. Sem explicação. Sem desculpas ou porquês. Simplesmente seguiu em frente... Assim, não entendia o motivo daquele convite e pensou seriamente em recusar. 

Mas... No fundo, sabia que as coisas entre ela e Clare ficaram indefinidas. Não foi um rompimento de amizade comum. Era como se tudo tivesse ficado em pausa. O que despertava sua curiosidade e também um sentimento que não sabia nomear... Queria recusar e continuar com sua vida, mas um outro lado seu entendia que talvez aquela fosse a oportunidade de ter uma conversa, de fechar aquele capítulo do seu passado. Só que... Por quê? Por que Clare a procurava depois de tanto tempo? E por que a convidava para a despedida de solteira, mas não para o casamento? 

Mesmo com dúvidas e receios, Nora decide aceitar o convite e segue com Nina, que também havia sido convidada, para uma casa de campo no meio do nada, completamente isolada, onde ela encontra outros três amigos de Clare que também participariam da sua despedida de solteira. Ao todo, seriam seis pessoas, contando com a noiva. Uma festa muito restrita, que começa a dar errado logo no início...

Cerca de 48 horas depois do início daquele final de semana de pesadelo, Nora desperta em um hospital, sem lembranças dos minutos que antecederam o acidente de carro do qual foi vítima. Só sabia que estava com muito sangue, um sangue que não era seu e que... uma pessoa estava morta. 

E se não quisesse ser acusada de homicídio precisaria lembrar... Lembrar o que acontecera naquela floresta...

Fazia muito tempo que um livro não me prendia desta forma. Estou lendo dez livros no momento (no meu ritmo, uns estou lendo há vários meses) e não sinto o desespero de terminá-los como senti com este. Eu não aguentava esperar para ler o próximo capítulo. Era para ser uma leitura em dupla, ao longo de quatro semanas, com uma amiga. Combinamos que leríamos 09 capítulos por semana.kkkkk Isto foi completamente impossível! Devorei o livro. Passei horas e horas da madrugada lendo e só me dei por satisfeita quando terminei. Eu já imaginava quem era o assassino e suas motivações, mas isso não tornou o livro menos interessante. Porque queria saber como tudo terminaria, torcendo muito para que Nora sobrevivesse. 

Ah, mas falando assim você já está descartando a Nora como culpada e isso é spoiler para quem não leu!rsrs De jeito nenhum! O fato de eu desejar e torcer para que ela chegasse ao fim viva, não significa automaticamente que ela não é o assassino. Vocês precisarão ler para saber. 

Após terminar a leitura e atualizar o Skoob, vi que tem muita gente que não apreciou o livro, que se decepcionou... Eu amei a história! Pensei um pouco antes de dar estrelas, analisei tudo o que a história provocou em mim durante a leitura e não achei que seria justo dar menos que 5 estrelas. Não encontrei furos na narrativa. Algumas atitudes da protagonista nos fazem querer sacudi-la, inclusive o fato de ela ter aceitado o maldito convite, mas são atitudes críveis, que qualquer pessoa pode ter. Nora me pareceu muito real, com dúvidas, medos, traumas, erros e acertos como qualquer pessoa. Então, analisando o livro como um todo o considero perfeitamente digno de 5 estrelas. E talvez seja uma das poucas a pensar assim. Só que leitura é algo bem pessoal. Só devemos ler um livro através dos nossos próprios olhos e não dos outros. Nossa opinião, nossa impressão de um livro deve ser baseada em nossa própria experiência de leitura. A vida é mais simples assim.rs


-> DLL26 (Desafio Literário Livreando): Ler um livro policial/suspense/detetive


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