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15 de dezembro de 2018

Desejo e Escândalo - Lorraine Heath

(Título Original: Beyond Scandal and Desire
Tradutora: Thalita Uba
Editora: Harlequin
Edição de: novembro/2018)

Série Sins for all Seasons / Irmãos Trewlove - Livro 1

Mick Trewlove é um empresário de sucesso, mas não consegue esquecer seu passado. Filho ilegítimo de um duque, Mick foi entregue ainda bebê para uma mulher na periferia de Londres, onde foi criado. Ele não consegue se livrar do sentimento de vingança, e percebe uma oportunidade de revanche seduzindo a bela pretendente de seu meio-irmão - o filho legítimo do duque. 

Lady Aslyn Hastings é uma órfã criada pelo duque e pela duquesa de Hedley, e acaba de aceitar o filho deles, o conde de Kipwick, como futuro marido. Mas seu noivo é um homem muito ocupado que a mantém afastada de sua vida, e isso desperta em Aslyn o receio de uma relação monótona. Até que a paixão surge na forma do belo empresário Mick Trewlove, que parece compreendê-la tão bem. Ela sabe que uma Lady na sua posição deveria evitar aquele homem misterioso, mas ele é irresistível. 



Palavras de uma leitora... 


- É verdade que este semestre foi muito complicado. Período final da faculdade, com desafios de enlouquecer, TCC acabando com o resto da minha sanidade mental... Eu vivi momentos de muito estresse e por vezes isso até afetou o blog.rs Mas o que teria sido da minha vida sem os livros? Foram eles que me acalmaram. Que me possibilitaram algum alento. Sem as leituras maravilhosas que fiz o TCC certamente teria feito eu ir parar num hospício. Simples assim. 

E depois de uma leitura pesada como O Conto da Aia, que jogou na minha cara algumas verdades bastante necessárias de serem percebidas... tudo o que eu precisava para tranquilizar um pouco meu coração era um romance de época. Estava desesperada por uma leitura assim. Que me trouxesse magia, romantismo, a beleza que procuramos naquele amor arrebatador e de fazer suspirar. E encontrei exatamente o que buscava em Desejo e Escândalo. 

- Estava ansiosa por este lançamento desde quando algumas meninas começaram a postar a novidade no Instagram e depois que algumas amigas leram e amaram eu fiquei roendo as unhas esperando o meu exemplar chegar. Queria iniciar a leitura para ontem, pois imaginava que seria algo no estilo A Verdade sobre Amores e Duques, sabe? E não me decepcionei. A história é realmente linda e entendo os motivos para ser tão querida. 

Ano de 1840. Era para ser um dia feliz. Afinal de contas, seu primeiro bebê estava nascendo; um menino, fato que deveria torná-lo ainda mais desejado. Mas era um dia sombrio para o duque de Hedley, pois aquela criança não poderia crescer ao seu lado. Precisava ser descartada, escondida como um segredo sujo. Embora o remorso já começasse a corroê-lo por dentro não hesitou ao pegar a pequena trouxa nos braços e levá-la para seu destino. Sabendo que jamais poderia olhar para trás...

Mais de trinta anos depois, Mick Trewlove, o menino que seu pai rejeitou por ser um bastardo conquistara quase tudo o que desejava na vida. Um homem de negócios extremamente importante, ele galgou cada degrau no intuito não só de dar uma vida digna para sua mãe adotiva, que o acolhera ao invés de matá-lo como tinha sido paga para fazer, mas também de esfregar na cara do duque que ele havia vencido. Sem sua ajuda. Sem seu reconhecimento. E se fosse um homem diferente isso talvez bastasse, mas o desejo de vingança falava mais alto... e ele queria bem mais do que jogar seu sucesso na cara do pai que o desprezou... queria bem mais... Não importava se para conseguir o que desejava ele tivesse que arruinar a vida de uma moça inocente. 

"Ele era um homem forte, mas achava que, por ela, teria ficado de joelhos."

Só que os planos que pareciam tão simples antes sofrem um tremendo abalo no momento em que ele conhece Aslyn, a jovem lady que pretendia utilizar para vingar-se de seu pai. Porque ela não era nada do que ele imaginara. Porque o fazia ansiar por coisas que não poderia ter. Por uma vida a qual não tinha direito. Quando olhava em seus olhos... era como se toda a bondade que faltava no mundo estivesse ali. Mesmo tendo sido criada protegida das realidades da vida ela não tinha preconceitos. Não se sentia superior a ninguém e era capaz de comover-se e defender uma criança desconhecida como se tivesse nascido de seu próprio ventre. E quando sorria para ele... quando entregava o que sentia sem reservas... Mick sonhava, ainda que por alguns momentos, que um final feliz poderia surgir daquela história. Que poderia tê-la ao seu lado, não importava quantas pessoas dissessem que não. De que valia a vingança quando o amor estava ao alcance de suas mãos? E poderia escapar... se ele fizesse a escolha errada. 

- Logo nas primeiras páginas o livro já me prendeu. Eu não sabia se sentia ódio ou pena do pai do Mick, que ao mesmo tempo em que não hesitou ao abandonar o filho, sem saber ao certo que destino a criança teria, também parecia estar destroçado pela decisão tomada. Fiquei muito confusa, dividida e revoltada, mas aos poucos, conforme ia conhecendo os personagens, fui compreendendo que existia muito mais ali. E consegui descobrir o grande segredo por trás do nascimento e abandono do Mick antes mesmo da autora finalmente revelar.rs Eu juntei as peças e elas se encaixaram bem. Foi um desenlace perfeito. Um nó doloroso ficou em minha garganta, claro, pois era sofrimento demais para que eu pudesse ficar indiferente. Mas achei o final muito bonito e, de certa forma, justo. 

"Ela não era mais um meio para um fim. Tinha se tornado o fim em si."

Os protagonistas deste romance são duas pessoas muito fortes e determinadas, capazes de se entregar por inteiro ao amor. É muito fácil se apaixonar por eles. Não teve um só momento em que eu tenha sentido raiva ou vontade de esganá-los.rs Claro que não eram perfeitos, mas se importavam tanto com os outros e de forma tão natural, tão humana, que era impossível não torcer para que pudessem ter seu final feliz. Encontrar o amor mesmo num mundo sórdido. Aslyn me impressionou com sua coragem e sua fúria na hora de defender uma criança. Se eu já não gostasse dela antes ela teria se tornado minha personagem querida naquele instante, pois virou uma leoa e mostrou todo seu potencial quando protegeu um pequeno ser, cujo único pecado tinha sido nascer fora de um casamento. E seu amor tão profundo pelo Mick que a tornava disposta a enfrentar a reprovação da sociedade e todas as portas que se fechariam para ela se seguisse em frente com aquela relação... este amor tão lindo nos atinge. Quando uma personagem coloca a pessoa amada acima de qualquer coisa ela já conquista um lugar exclusivo no meu coração. :)

"Ela o amava. Era simples assim, complexo assim."

E falando nisso... não tem como eu não sorrir como uma boba ao recordar tudo o que o Mick fez por ela. Ele queria vingança?! Claro que sim. E tinha um certo direito de querer, embora usar uma pessoa inocente não fosse o caminho correto. Mas que vingança pode sobreviver à força do amor, me digam?! :D Com Aslyn ele aprende muito e descobre mais sobre si mesmo do que poderia sequer imaginar. E ainda que tenha feito algumas escolhas erradas, no final das contas não foi um idiota.rs E eu jamais poderia esquecer a forma como ele demonstrava seu amor através de atitudes simples, mas tocantes. A cena do pente, do cordão de pérolas que tinha sido da mãe dela, uma lembrança tão preciosa... Os jardins... a cena na carruagem... tudo era tão... Nem sei como colocar em palavras. Eles simplesmente mereciam uma vida juntos. Mereciam a felicidade. 

- Esta é uma história que devemos ler para sonhar. Na qual mergulhamos em busca de amor, de cenas apaixonantes e por vezes divertidas. Claro que há drama também, como a questão dos bebês ilegítimos e o destino ao qual eram condenados (e este assunto não é ficção, o que é mencionado pela autora realmente acontecia muito no passado, por mais revoltante que seja), mas ainda assim o livro é leve, capaz de provocar um quentinho no coração e uma vontade louca de ler outros livros do gênero, de preferência o resto da série. Sim! Se trata de uma série e já estou ansiosa pelos próximos livros. Eu percebi que a editora não colocou nenhum aviso de série na capa ou no interior do livro, mesmo assim acredito que a Harlequin pretende publicar os demais, uma vez que a autora já é muito querida entre nós fãs brasileiras e não sossegaremos até vermos a série toda completa aqui. :)

Se recomendo o livro?! Não preciso sequer pensar duas vezes! Recomendo MUITO. Sobretudo para os fãs de uma bela história de amor. O único problema é o grande desejo que sentimos de ler mais obras da autora.rs


*Este livro foi recebido em parceria com a editora Harlequin.

11 de novembro de 2018

Pôr do Sol no Central Park - Sarah Morgan

(Título Original: Sunset in Central Park
Tradutor: William Zeytoulian
Editora: Harlequin
Edição de: outubro/2018)


Para Nova York, Com Amor - Livro 2


O amor da sua vida pode ser difícil de encontrar. Até mesmo quando está bem na sua frente. 

Após o grande sucesso do livro Amor em Manhattan, Sarah Morgan retorna às livrarias brasileiras com este romance que vai aquecer seu coração. 

Frankie Cole e suas duas melhores amigas inauguraram um negócio em Manhattan que está sendo um sucesso. Frankie é designer e ama trabalhar com paisagismo de jardins suspensos nos telhados dos arranha-céus da cidade. Entre amizades verdadeiras e um trabalho gratificante, ela tem tudo para ser feliz. 

Com o conturbado divórcio de seus pais e problemas com os relacionamentos da mãe, Frankie nunca deu muita atenção às relações românticas, preferindo focar em si e no trabalho. Ela conhece Matt, o irmão de sua melhor amiga, há anos, mas eles nunca tiveram nada além de amizade. Até que Matt descobre novas coisas sobre a mulher que pensou conhecer tão bem , e não quer passar mais nenhum dia longe dela. 

Matt sabe que Frankie se mantém segura por trás de sua barreira emocional, mas fará de tudo para superar os bloqueios e conquistá-la. 



Palavras de uma leitora...



"Algumas pessoas gostam de olhar para pinturas. Eu gosto de olhar para livros."

- Quem acompanha o blog talvez se lembre que em março deste ano o livro Amor em Manhattan me arrancou de uma baita depressão literária (existe isso?!) e se tornou um dos meus livros preferidos não só do ano, mas da vida. Eu estava muito triste, sem conseguir ler nada há dias e a história de Paige e Jake me arrebatou, me emocionando e me fazendo dar muitas risadas também. Sem mencionar a linda amizade existente entre Paige, Frankie, Eva e Matt. E que eu suspeitava que num dos livros que continuaria a série teríamos a história de amor entre Frankie e Matt, casal pelo qual eu já torcia muito, bem antes de eles perceberem seus sentimentos (Ok. O Matt já tinha percebido, só a Frankie que não.rsrs). Mas quando recebi Pôr do Sol no Central Park não poderia sequer ter imaginado o quanto este livro se tornaria especial para mim. Ainda mais querido que o primeiro! Suspiros...

Pense num livro delicioso, gente! Do tipo que te arranca risadas e te deixa com um quentinho no coração, uma sensação tão boa que você chega a se sentir leve e com imensa vontade de dançar. Sim!kkkkkk... Estou me sentindo assim. E é maravilhoso! Estava mesmo precisando de uma história tão linda como esta, que me fizesse acreditar. Simplesmente acreditar. 

- Frankie só tinha certeza de duas coisas em sua vida: que sempre poderia contar com suas melhores amigas e que nunca entregaria seu coração de bandeja para ser feito em pedaços. Relacionamentos lhe provocavam alergia. Os evitava como o diabo fugia da cruz e estava muito bem assim. Afinal de contas, uma pessoa não precisava de outra para ser feliz. A ideia de outra metade, alma gêmea era coisa para sua amiga Eva. Ela não acreditava em nada do tipo. Sabia que o fracasso do relacionamento de seus pais e todo o escândalo que sua mãe provocou na ilha em que viviam a tinham vacinado contra tolices como o amor. Isso até Matt decidir pôr em risco a sólida amizade que construíram.  

"Não acredito em contos de fadas. Sei que o Príncipe Encantado não existe. E só para deixarmos as coisas ainda mais claras, não acredito em amor verdadeiro, em felizes para sempre e em nenhuma dessas porcarias."

Fazia anos que ele se contentava em ser apenas o irmão da melhor amiga de Frankie. Um amigo sempre presente e nada mais. Mesmo que a amasse e quisesse construir uma vida ao seu lado. Conhecia a fobia que ela tinha de relacionamentos e não se sentia preparado para colocar em risco o pouco que tinha confessando o que realmente desejava. Porém, até mesmo a paciência dele possuía limites e estava cansado de ter apenas as migalhas do que ela poderia oferecer. Estava na hora de apostar, de mostrar a ela que nem todos os homens são iguais e que ele se importava. Que a queria. Não só para um caso passageiro, mas para ser a mulher da sua vida. 

- Tudo neste livro nos envolve. Você pode até acreditar que é mais um livro sobre romance entre amigos, mas é melhor pensar outra vez. Nada neste livro é semelhante a outros do gênero. Dá para percebermos ainda na primeira história quando temos a oportunidade de conhecer um pouco da Frankie e da amizade tão bonita que existe entre as três meninas. Ela tem um passado bem conturbado, do tipo que também te faria não confiar nos homens e em suas promessas. Tudo o que ela passou em casa e as consequências que isso provocou realmente são capazes de marcar a vida de uma pessoa. E o mais incrível é a força que esta protagonista tem. Ela não é uma pessoa amarga nem nada. É reservada, gosta de ter sua própria casa, seu espaço que ninguém que ame a própria vida gostaria de invadir (vez que ela é faixa preta em caratê) e é uma amiga maravilhosa, mesmo que não seja dada a sentimentalismo.rsrs É muito fácil gostarmos dela, sobretudo por ela ser tão louca por livros quanto nós (embora seu gênero favorito seja o terror, algo que não suporto.kkkkkkk). Frankie levava a própria vida muito bem, menos quando a questão era relacionamento amoroso. 

"Nunca em um milhão de anos ela entenderia os homens." 

Eu me sensibilizei muito com os problemas dela. Ainda que seja um livro leve e divertido, do tipo que nos provoca gargalhadas, ele não deixa de tocar em temas sérios e profundos, nos envolvendo por inteiro. A Frankie tinha inseguranças que trancava a sete chaves dentro de seu peito, tinha medos e segredos que nunca tinha dividido com ninguém. E vê-la confiando pouco a pouco no Matt é emocionante. Ela não era vulnerável, era forte como uma rocha, mas ainda assim queria se sentir amada, protegida, como qualquer ser humano. Saber que poderia confiar em outra pessoa, sem temer que esse alguém a decepcionasse e destruísse seu mundo. A Paige sempre terá um lugar especial no meu coração, mas a Frankie e a história dela me arrebataram. Se tornou minha preferida. :)

"As pessoas assumiam o risco continuamente. Saltavam mesmo sabendo que poderiam cair."

E isso antes de eu falar do Matt... Que homem, meu Deus do céu! Alguém como este mocinho é espécie ameaçada de extinção. Queria eu encontrar um homem assim no meu caminho!kkkkkk... Não teria a metade da resistência da Frankie, isso eu garanto!rsrs Protetor, compreensivo, divertido, do tipo que te escuta e te enxerga como pessoa e vê muito além do que você está preparada para mostrar. Além de ser extremamente sexy e charmoso. Ele é um pacote completo! Um homem que só uma pessoa surtada deixaria escapar, claro.rs A gente percebe o homem incrível que ele é ainda na história da Paige, com todo o amor que ele sentia pela irmã e como a protegia, estendendo seu carinho às amigas dela, sem segundas intenções, sem esperar receber algo em troca. Seu interesse pela Frankie é sincero, daquele tipo sólido, seguro, sabe? Ele estava ali para amá-la e respeitá-la, para ajudá-la no que ela precisasse, nunca desejando anulá-la e sim incentivando-a sempre a ir em frente. Isso é algo admirável não só nele, mas também no protagonista do primeiro livro: a forma como ambos os mocinhos respeitam muito as mulheres, sejam as protagonistas ou as outras personagens dos livros. Eles as enxergam. Acreditam nelas. Em seu potencial. Isso é algo tão bonito de ver nos livros quando estamos acostumadas a comportamentos tão cafajestes de alguns ditos mocinhos. Matt é maravilhoso. Seu amor pela Frankie toca um lugar sensível do nosso coração e nos faz acreditar até mesmo nos nossos queridos contos de fadas. Eu me senti muito bem com esse livro. De ficar com os olhos cheios de lágrimas de felicidade. Não queria que acabasse. O livro poderia ter o dobro de páginas que eu não me importaria. Devoraria as páginas com um sorriso no rosto. 

"Disse a si mesmo que, se fosse paciente, ela perceberia que não precisa de um lugar para onde fugir, pois nada a mantinha presa."

E estou mais do que ansiosa pela terceira história, quando finalmente leremos o romance entre a Eva e alguém (acho que é o tal Lucas Blade, autor dos livros que a Frankie lê). Ela é a mais sensível, romântica e sonhadora entre as três amigas. Enquanto a Paige é mais independente e focada no trabalho, e a Frankie é mais reservada e racional, Eva é a manteiga derretida. Que chora com tudo, que distribui carinhos e oferece sempre seu ombro para os amigos chorarem e desabafarem seus problemas. É uma mocinha do tipo que todos querem proteger e a única que acredita em contos de fadas. Ela sonha com um grande amor e merece muito isso. Só espero que o personagem do terceiro livro a valorize. Que seja tão homem de verdade como o Jake e o Matt. Porque se tem uma mocinha que merece um felizes para sempre essa é a Eva. 

"Você destruiu todos os obstáculos que ergui. Estar com você é estimulante, divertido. E tranquilizante, porque, pela primeira vez na vida, eu não estou guardando segredos."


*Este livro foi recebido em parceria com a editora Harlequin. E foi um dos melhores que recebi este ano!

28 de setembro de 2018

A Fênix de Fabergé - Sue Hecker e Cassandra Gia

(Editora: Harlequin
Edição de: agosto/2018)

Desde que perdeu o pai em um incêndio no circo em que trabalhavam, Aleksei Ivanovich Markov ficou marcado para sempre, no corpo e na alma. Seu maior desejo é vingar-se do homem que devastou sua família. Quando o encontra, convicto de que nada nem ninguém o demoverá de seus planos, Aleksei conhece Kenya, uma bela jovem, também ligada ao seu passado trágico. Um romance intenso desenrola-se entre os dois, porém, amargurado pelo rancor, Aleksei tem sede de vingança. Muito mais do que ajudar Kenya a se libertar de um pai abusivo, ele terá que superar suas dores e, tal qual a fênix, renascer das próprias cinzas, a fim de evitar mais destruição. Como um ovo Fabergé, recheado de surpresas, talvez assim possam viver um amor que os levará — ou não — ao êxtase.



Palavras de uma leitora...



- Depois de ter apreciado muito a leitura de Pertinácia (mesmo com ressalvas) e do gênero erótico ser um dos que menos gosto resolvi apostar em mais uma história da autora. Desta vez ela escreveu em parceria com a Cassandra Gia, uma autora que eu conhecia só por nome, mas de quem ainda não tinha lido nada. 

Todavia, vou confessar desde o princípio da resenha: prefiro mil vezes Pertinácia. Porque A Fênix de Fabergé não conseguiu provocar em mim nem metade dos sentimentos que a outra história despertou. A premissa do livro é muito boa, as pesquisas das autoras foram incríveis, nos fazendo mergulhar nos espetáculos circenses, no trabalho dos funcionários dos circos, conhecer um pouco da cultura russa, algumas palavras, pratos típicos e tudo mais. Mas e os personagens? O desenvolvimento deles era o que mais me importava no livro e não achei, sinceramente, que foram bem desenvolvidos. Não senti conexão com eles. E tive um problema enorme com a estupidez da protagonista. 

Mas continuarei a falar da minha opinião daqui a pouco (risos). Vamos saber do que se trata a história! :)

- Dispostos a mudar de vida os pais de Aleksei saíram da Rússia para tentar a sorte em outros países. Enquanto sua mãe seguiu a trabalho para o Canadá, ele o pai vieram para o Brasil por ouvirem falar de Máximo Gorkov e das oportunidades que ele oferecia aos artistas imigrantes. Só que após chegarem descobriram que Máximo havia falecido e em seu lugar estava o filho Adrik, um homem perverso que via nos russos os sacos de pancadas perfeitos para sua desforra. 

Não demora para que o sonho de juntarem dinheiro suficiente para unirem a família novamente pareça quase uma utopia. O salário era escasso e as humilhações às quais eram submetidos pareciam não ter fim. Todos os funcionários eram maltratados e não tinham nenhuma motivação. Não havia alegria nas apresentações que continuavam a fazer por pura persistência. Não era uma vida boa, mas o pesadelo real teve início quando um curto-circuito incendiou o circo, causando feridas, traumas e morte. Levando de Aleksei o seu pai e marcando para sempre não só todo o seu corpo, mas também a sua alma. Porque embora o incêndio não tivesse sido criminoso, mas fruto da negligência, do descaso de Adrik, a morte de seu pai não foi puro acidente. 

Anos mais tarde, agora dono de seu próprio circo, Aleksei retorna ao Brasil para obter a vingança que durante tanto tempo alimentou. Não teria paz enquanto não fizesse Adrik pagar por todas as vidas que tinha destruído e por ter assassinado seu pai. Não importava se no meio dessa história existisse Kenya, a filha de seu inimigo, e alguém que ele precisaria usar para chegar onde desejava. 

Tudo era muito simples. Não existia possibilidade de erro. Ainda que usar Kenya parecesse errado, seus motivos eram justos e não tinha qualquer intenção de lhe fazer mal. Porém, quando os sentimentos entram nesse jogo o que era fácil se torna mais complicado do que ele poderia um dia imaginar. 

O amor não fazia parte dos seus planos e deixá-lo entrar em sua vida não era uma alternativa... certo? Só que o amor não tem o hábito de pedir qualquer permissão. Ele simplesmente acontece. E temos que lidar com as consequências. 

- Como eu disse no início da resenha, a história tinha muito potencial. A trama criada pelas autoras é diferente do que costumamos ler. Apesar do tema vingança já ser clichê (e nem por isso deixar de ser interessante) a ambientação é diferente de outras histórias. É a primeira vez que leio um romance que se passa no circo, que praticamente todos os personagens são artistas de circo. Gostei muito disso. Meu problema foi a construção dos personagens. E não só dos secundários (que mal tiveram suas personalidades definidas), mas sobretudo dos protagonistas. E principalmente a Kenya. Achei a criação deles, de suas personalidades muita rasa. Superficial. 

- A começar pelo Aleksei que tinha passado por um trauma tão grande. As cenas do incêndio me deixaram agoniada. Porque consegui visualizá-las, imaginar as pessoas gritando, os animais indefesos que poderiam morrer, as crianças que estavam presentes quando o fogo se espalhou. Fiquei realmente desesperada. E muito triste com a morte do pai do mocinho que, para vocês terem uma noção, trabalhava TRANCADO dentro da bilheteria. Isso mesmo. Como Adrik gostava de humilhar as pessoas e se aproveitar da necessidade que elas tinham de trabalhar trancava o pai do Aleksei dentro da bilheteria e só abria quando o circo fechava e o outro prestava contas do dinheiro do expediente. Então, quando o incêndio começa o outro está preso naquele lugar sem poder fazer nada. Mas isso não basta. Não contarei todas as circunstâncias da morte do personagem, porém digo que foi realmente um assassinato. E aí temos o protagonista, que ficou todo marcado ao tentar salvar o pai, que teve que passar por cirurgias e carregava cicatrizes que nunca o deixariam. Que não demorou a perder a mãe também num acidente no ambiente de trabalho, por ela ter ficado tão obcecada por ter condições financeiras melhores e poder se vingar de Adrik e assim ter ficado descuidada. Diante de tantas perdas e tanta dor que carregava dentro de si eu esperava sentir tudo isso no personagem. Mas ele não me despertou nada. E olha que eu tentei muito. Largava o livro para pegar em outro momento, para ver se o problema era eu. Lia novamente algumas páginas para tentar estabelecer uma conexão com os protagonistas. Mas não adiantava. Era a mesma coisa com todos os personagens da história. Eles não me envolviam. Não sei o que se passou. Porque não foi assim com Pertinácia. Com o outro livro eu me envolvi. Mas neste aqui... não deu. 

E aí temos a Kenya. Se o Aleksei não me provocou nada a Kenya ainda conseguiu me despertar uma vontade de sacudi-la para ver se conseguia ser menos estúpida. Entendo que as autoras quiseram mostrar que ela não enxergava, como centenas de vítimas, que sofria abuso familiar. Que seu pai era violento, que o que ele fazia era crime. Mas a personagem era tonta demais. Não tinha força para nada. Só tinha atitude durante suas apresentações como contorcionista e quando estava com o Aleksei. De resto qualquer um poderia levá-la. Era meio como "deixe a vida me levar" mesmo.rsrs Ainda assim nem mesmo minha revolta com o comportamento tão passivo dela foi intensa, pois não cheguei a me importar com a personagem, a sentir algo por ela. 

Eu ficava chocada com a maneira como os crimes do Adrik, as agressões físicas e verbais eram tratadas de forma tão normal pelos personagens. Não é que eles achassem que era certo, mas não pareciam ver como crime. Um exemplo é quando ele dá um soco na Kenya. Ninguém fala que ela deveria denunciá-lo, que aquilo era violência doméstica. E nem vou contar o que mais ele faz! Mas a Ivana, que estava com a Kenya na hora, nem pede ajuda (embora existissem outros trailers por perto e ela pudesse ter gritado por socorro) ou tenta convencer a Kenya a chamar a polícia. Não. Ela consola a mocinha e depois só fala com o Yuri, outro funcionário do circo, para proibir a entrada do Adrik até que a Kenya voltasse a sentir segura na presença dele. Que ela pudesse achar que a atitude deveria partir da mocinha, tudo bem, mas poderia pelo menos tentar orientá-la, certo? Sabemos que hoje em dia não tem mais isso de não se meter em brigas familiares. Quando presenciamos violência é nosso dever procurar ajuda. Se fizéssemos isso mais vezes talvez menos mulheres morressem todos os dias neste país. E é por isso que não vi uma incoerência no comportamento da Ivana. Não estou criticando isso no livro, pois as autoras mostraram sim o comportamento comum da sociedade diante de violências do tipo. Quando vemos e não fazemos nada. Mas que o tema do abuso poderia ter sido melhor trabalhado não nego. Todavia entendo que é um romance. O foco é o casal e não os acontecimentos paralelos. 

- Outro ponto a mencionar: o Adrik. Ele era o vilão da história. Um psicopata. Mas as autoras o construíram de forma tão caricata que ele chegava a ser realmente ridículo. Não me provocou nem ódio porque eu ficava parada pensando em como ele estava sendo mostrado e o achava simplesmente absurdo. Eu sabia que suas atitudes eram desprezíveis, que ele era um monstro, mas sua construção também não me envolveu nem mesmo para provocar o ódio que os vilões me provocam. Era caricato demais, não encontro outra palavra para descrevê-lo. 

- Como podem ver meu problema inteiro com o livro foi o desenvolvimento dos personagens. A história em si foi bem construída, mas os personagens eram o principal para mim e o fato de tê-los achado superficiais estragou a história. Sinto muito. Queria ter amado, mas não amei e não vou mentir. Quem me segue sabe que se não gosto de um livro não adianta que não vou falar o contrário. E os fãs que me perdoem. Mas tenho direito à minha opinião. E só para deixar claro: não, eu não gostei do livro. 

Hoje em dia as pessoas estão tão chatas que você não gostar de um livro nacional parece o maior dos pecados. E não estou exagerando porque esses dias mesmo vi no Facebook o absurdo de uma pessoa criticar um grupo em geral dizendo que havia intolerância com os livros nacionais só porque uma leitora não gostou de uma história nacional. O problema foi esse, entende? Que o livro era de uma escritora brasileira. Logo, a garota tinha obrigação de gostar. São comportamentos absurdos assim de fãs que decepcionam alguns leitores e blogueiros e fazem a pessoa preferir ler outra coisa. As pessoas têm que aprender a aceitar críticas e opiniões diferentes das suas. Cansei de ver gente odiando livros que amei com todo o meu coração, mas sou racional o suficiente para não desejar matar a pessoa por isso.rsrs E como os leitores do blog me conhecem sabem que não estou nem aí se é nacional ou internacional. Não discrimino livros. Portanto, do mesmo jeito que critico um livro estrangeiro que odiei farei o mesmo com um nacional. Só que no caso de A Fênix de Fabergé eu não odiei a história. Eu simplesmente não gostei. Não leria de novo. E não recomendo. Ponto. 

Esta é a opinião geral sobre o livro? Não mesmo. Ele está super bem cotado no Skoob, muitas pessoas o amaram. Portanto, o melhor é a pessoa ler e formar a própria opinião. A chance de ser diferente da minha opinião é grande, gente. 

- Este livro eu recebi em parceria com a editora Harlequin, que este ano me possibilitou conhecer várias histórias nacionais e atingir a minha meta de ler mais esses livros. Acho que o meu preferido até agora foi Bruto e Apaixonado, da Janice Diniz. E o que menos gostei foi A Fênix de Fabergé.rs

P.S.: Sobre a questão do livro ser erótico: quase não tem cenas explícitas. E ele nem tem palavras chulas, felizmente!!! De todos os eróticos que li este ano (foram poucos, mas li) este é o que menos cenas assim tem. O que seria algo positivo para mim se eu tivesse gostado do livro. 

31 de julho de 2018

Rebelde/Um Mundo Novo - Nora Roberts

(Título Original: Rebellion/In from the cold
Tradutora: Daniela Rigon 
Editora: Harlequin
Edição de: 2018)

Os MacGregors - Livro 6

As mulheres MacGregor são conhecidas pelo temperamento explosivo e por serem destemidas, teimosas e lindas! Mas elas também são apaixonadas e lutarão até o fim por sua família e pelos homens que amam. 

No século XVIII, uma época em que combates sangrentos eram travados em nome da honra, as mulheres MacGregor passaram por muitas dificuldades para defender sua família. Em meio a tudo isso, duas integrantes do clã se destacam. Serena MacGregor acaba se envolvendo com um suposto inimigo, o inglês Brigham Langston. Encontrar dentro de si o que será necessário para viver esse amor exigirá muita coragem... mas isso é algo que Serena tem de sobra. 

Anos depois, o jovem soldado Ian MacGregor se vê à beira da morte e acaba encontrando Alanna Flynn, que além de salvar sua vida o ensinará que, às vezes, as maiores batalhas que enfrentamos são aquelas que ocorrem em nossos corações. 

Em Rebelde e Um mundo novo, Nora Roberts nos encanta com o passado da família MacGregor, mostrando que, independentemente dos lados no campo de batalha, quando se trata de amor ele sempre vencerá. 



Palavras de uma leitora...



- Não posso negar que este mês, por mais complicado e estressante que tenha sido, foi excelente para a minha leitura. Até mesmo para os filmes e para a série Lei e Ordem SVU. Depois de meses sem conseguir assistir nada vi quatro filmes!!! E terminei de assistir a 19ª temporada da minha série. :D Estou muito feliz por isso! Mas voltando à leitura... Tinha estabelecido como meta do mês ler sete livros. E se tomar vergonha na cara e concluir a leitura de Hamlet (que está me entediando muito) terei lido nove!!! 

Rebelde e Um mundo novo não faziam parte da meta do mês, mas eu estava tão ansiosa para ler estas histórias que quando percebi que só faltava Hamlet resolvi largar o livro outra vez e mergulhar nestes romances de época maravilhosos! Não me arrependi! Foi simplesmente delicioso conhecer o passado do clã MacGregor, viajar para o século XVIII e saber como tudo começou. Quem me conhece sabe que amo essa série! 

Antes de tudo, esqueçam o que eu disse sobre nenhum livro da série ser capaz de superar Hoje e Sempre. Rebelde definitivamente conseguiu! Uma história que me envolveu por completo, que me provocou lágrimas e deixou um gostinho de quero mais. Além de ter terminado com um epílogo cheio de esperança. 

- Escócia, ano de 1735. Serena tinha apenas oito anos de idade e naquele dia ela e sua irmã mais nova tinham ajudado a mãe a arrumar a casa para a chegada de seu pai e irmão. Eles tinham ido caçar e voltariam esgotados. Embora odiasse o trabalho doméstico, amava muito o seu pai e só queria que ele chegasse logo. Seu irmão caçula, que não passava de um bebê, estava em seus braços. Naquele momento, nenhum deles poderia imaginar o quanto a vida mudaria. Que ao longo dos próximos dez anos ela carregaria o trauma causado pela violência de soldados ingleses. 

A mãe tinha pedido que ela se escondesse juntamente com os irmãos, mas Serena não conseguiu deixá-la sozinha. Não podia. E quando o capitão inglês golpeou sua mãe, ela não foi capaz de pensar em mais nada. Transtornada pela fúria, o atacou, aumentando ainda mais o ódio daquele homem que tinha entrado ali disposto a provocar destruição. 

Não importava quanto tempo se passasse, jamais poderia esquecer o momento em que sua mãe caiu aos seus pés, nua, após ter sido violentada por aquele soldado. Nunca antes a tinha visto chorar daquela maneira e por mais que sua mente de criança não compreendesse toda a realidade, tinha uma noção do que tinha acontecido. E que seu coração queria vingança. Naquele dia, soube o quanto os ingleses valiam: menos que nada. Eram pura escória. E enquanto vivesse só seria capaz de sentir ódio por eles. 

Dez anos mais tarde ela ainda mantinha viva a memória daquele terror. Sua mãe tinha seguido em frente, consolada pelo amor de seu marido e filhos, mas Serena passou a nutrir um desprezo pelos homens em geral, embora os ingleses tivessem um lugar "especial" em sua lista. Era dona de uma beleza impressionante, o que atraía muitos pretendentes, mas bastavam poucos minutos ao seu lado para perceberem que seria um completo suicídio tentar qualquer coisa. Ainda não tinha chegado o dia em que um homem fora capaz de ultrapassar as barreiras do ressentimento e conquistar seu coração. Talvez jamais se casasse. Ela tentava se convencer de que não se importava. Seria preferível ficar sozinha do que passar a vida ao lado de um traste. 

E não foi sem surpresa e choque que ela viu seu irmão aparecer em casa, depois de uma longa viagem, carregado por nada mais nada menos que um inglês. Alguém que se hospedaria na sua casa, que passaria os dias sob o mesmo teto que ela. O que resultaria na morte de um dos dois, claro.

Todavia, dono de uma arrogância e coragem admiráveis, Brigham não se deixa intimidar pelos olhares assassinos de Serena, cujo nome parecia uma completa ironia. Se tinha uma mulher menos "serena" no mundo era ela. Mais parecia uma gata selvagem, pronta para cravar as garras no primeiro tolo que se deixasse enganar pelo rosto de anjo. E algo em seu interior, talvez uma pontada de masoquismo, o fazia desejar provocá-la... destruir suas defesas. Atingir um ponto que ninguém conseguira antes. Sim, era inglês. E por ser o melhor amigo do irmão dela conhecia seus motivos para desprezá-lo. Mas também era homem... e Serena era uma mulher irresistível. Perigosa, talvez até mesmo letal, ainda assim aquela que o fazia esquecer todo o resto. Que o fazia brincar com fogo... sabendo que se queimaria. 

Poderia o ódio dar lugar ao amor? Seria possível um futuro para duas pessoas completamente opostas, separadas pelos traumas do passado? E com uma guerra sangrenta prestes a estourar de que valeria qualquer esperança? 

"- Leve nosso convidado para a cozinha e cuide de seu ferimento, Serena.
- Prefiro cuidar de um rato."

- Confesso que eu não sabia bem o que esperar desta história quando comecei a lê-la. Queria apenas mergulhar num romance de época leve e descobrir se a Nora Roberts conseguiria desenvolver a história tão maravilhosamente como conduz seus romances contemporâneos. Mas logo no início ela me mostrou que seria diferente. Que eu não encontraria a leveza tão característica dos outros romances da série. Que existiriam momentos de muito sofrimento. E que um final feliz não era tão garantido assim. 

Quem já leu Outlander sabe o que aconteceu na Batalha de Culloden. Tudo bem que basta ter estudado um pouco de História para ter uma noção da guerra sangrenta travada entre escoceses e ingleses e que culminou num grande massacre. Mas a verdade é que não lembramos de tudo o que estudamos e a Diana Gabaldon trouxe de maneira bem "viva" esses fatos históricos para a nossa vida. Ainda sinto arrepios quando lembro de tudo o que a Claire, o Jamie, e outros membros dos clãs escoceses passaram na série. Ainda sou capaz de ver o sangue, ouvir os gritos, o som das espadas, dos disparos... vejo os corpos enquanto recordo o Jamie falando... Muitas vidas destruídas. Por nada. 

Em Rebelde não temos Claire e Jamie, mas como a Diana Gabaldon utilizou de acontecimentos reais em sua série, a Nora Roberts também colocou como pano de fundo em sua história a inimizade entre escoceses e ingleses, a disputa por um trono que acabaria com a vida de milhares de pessoas. E isso me provocou muito medo. Porque a história entre Serena e Brigham começa poucos meses antes da Batalha de Culloden. Uma guerra que o protagonista abraçaria. Defendendo uma causa que não era dele, mas na qual ele acreditava. Largando tudo o que possuía na Inglaterra para lutar lado a lado com seu amigo. Eu senti pânico, gente. Verdadeiro pavor. Tinha medo do que a autora poderia fazer...

"Serena queria chorar. Queria chorar desesperadamente, queria que ele a abraçasse de novo, que a beijasse como fizera na primeira vez daquela maneira gentil e paciente."

- Deixando um pouco de lado a guerra e voltando para o romance entre o meu casal querido (já amo demais), nada é fácil no princípio. Coll, irmão da Serena, podia não culpar todos os ingleses pelo que tinha acontecido com sua mãe, mas para ela não existia nenhum inocente. Todos eram canalhas pelo simples fato de terem nascido ingleses. E fosse tal pensamento racional ou não, era assim que ela se sentia. E não conseguia aceitar que aquele homem, por mais amigo que fosse do seu irmão, dividisse o mesmo teto que ela. E assim ela faz de tudo para tornar a vida dele um inferno.rsrs 

Eu me diverti muito com os ataques desta mocinha tão temperamental e guerreira. Em muitos momentos, ela me pareceu a rocha daquela família, aquela que todos ouviam e em quem se apoiavam. Seu pai era um homem corajoso, determinado, líder da casa, mas também morria de amores pela sua gatinha selvagem e levava em consideração a sua opinião. O que não se aplica apenas em relação ao Brigham, pois todos resolvem gostar dele, contra tudo o que a Serena pudesse argumentar.rs Isso porque o mocinho estava virando as costas para seu próprio país para lutar com o amigo. Uma prova de lealdade maior não existia e a família sempre lhe seria grata por tudo o que ele estava fazendo. Sua nacionalidade era um detalhe insignificante. 

Com o passar do tempo, tendo que tolerá-lo, sempre com palavras ferinas e uma agressão aqui e outra ali, ela acaba sendo envolvida por ele. Não era possível ignorar os beijos roubados ou a maneira como ele a olhava... nem as carícias tentadoras e inapropriadas. O odiava profundamente, mas... queria estar com ele. Queria sentir sua força, saber que em seus braços poderia estar segura e esquecer... esquecer tudo o que tinha acontecido. Chorar em seu ombro com a certeza que ele era diferente, que jamais a machucaria. 

"Estava apaixonado por Serena.
[...] Estava apaixonado, pensou novamente, e Serena o atacaria com um punhal em seu coração antes de entregar o próprio a ele."

- É belíssima a história que se desenvolve entre os dois. Existiam muitos problemas com os quais precisavam lidar. Mesmo quando começa a sentir algo por ele, nossa mocinha não permite que o passado fique para trás. Não deixa de culpá-lo por pecados que não eram dele. E utiliza isso como a principal barreira entre os dois. Só o que o Brigham não desiste, minha gente!kkkkkk... Ele não era homem para deixar um fantasma qualquer impedi-lo de ser feliz ao lado da mulher que amava. Inglês ou não ele passaria o resto da sua vida ao lado daquela escocesa sanguinária. Não aceitaria nada menos que isso.rs Eu me apaixonei perdidamente por esse mocinho! E se não fosse spoiler contar tudo o que ele faz vocês entenderiam por que o amo tanto!

"[...] Há sempre a morte, Serena; há sempre dor e perda. Sem a promessa de uma nova vida, não poderíamos suportar."

- Como eu disse, o livro não é tão leve como os demais da série. Existem momentos muito divertidos, outros românticos, quentes, fofos, mas ele se passa durante uma guerra. E tudo é muito arriscado. Acompanhamos a história de amor deles sabendo que tudo pode ser perdido. Mesmo assim prosseguimos, não só porque a história é deliciosa, mas também porque apostamos na autora... porque acreditamos que ela não seria capaz de destroçar nosso coração.rs

Em Um mundo novo damos um salto de vários anos, mas ainda estamos no século XVIII. Ian MacGregor, o protagonista desta história, tem uma ligação forte com Rebelde, mas creio que contar seria spoiler.kkkkkk.. Aqui temos uma novela, uma vez que a história tem um pouco mais de 80 páginas, dividida em capítulos curtos, com direito até mesmo a um epílogo. 

"Rezava de uma maneira que apenas um homem que sentia o próprio sangue derramando-se podia rezar. Pela vida."

Ian conhecia a história do massacre provocado pelos ingleses, não por ter presenciado tudo aquilo, mas pelo que sua família havia lhe contado. Jurou a si mesmo que um dia enfrentaria os inimigos de seu povo e quando a oportunidade finalmente surgiu ele a agarrou com todas as forças. O resultado era que encontrava-se gravemente ferido, entre a vida e a morte, em solo americano. Bem longe de casa e de qualquer um que sentiria sua falta. Não queria desistir, mas o sangue deixava rapidamente o seu corpo e não tinha energia sequer para pedir ajuda. 

Quando Alanna encontra o estranho em seu celeiro o mesmo já estava desacordado. Determinada a não perder mais ninguém para a morte num futuro próximo, ela se dispõe a cuidar de seu ferimento... o que mostra-se uma ideia equivocada quando Ian MacGregor se recupera e trata de fazer da vida dela um inferno. Quem ele pensava que era para invadir sua vida daquela maneira?! Ela estava satisfeita com o que tinha. Poderia passar os próximos anos dedicando-se ao pai e irmãos e não lamentaria. Tinha sido casada uma vez, mas seu marido morrera, deixando-a viúva antes de completar dezoito anos. Agora, aos vinte anos, não queria ninguém complicando sua existência, muito menos um rebelde inconsequente que parecia ansiar por uma guerra que ela temia. 

"- Case-se comigo, sra. Flynn, pois seu nome devia ser MacGregor."

- Esta segunda história é deliciosa! Leve, fofa, do tipo que devoramos em pouquíssimo tempo. Ela não tem os altos e baixos da primeira, até porque o número de páginas é muito menor. Simplesmente nos presenteia com um lindo romance e nos faz matar a saudade dos personagens da história anterior. 

É uma ótima indicação até mesmo para aqueles que não acompanham a série, mas querem se aventurar por um romance de época. Recomendo muito!


Segundo a internet, os livros que fazem parte da série Os MacGregors são:

4- Encanto da Luz
5- Hoje e Sempre (flashback do romance entre Daniel e Anna, os pais de Serena)
6- Rebelde/ Um Mundo Novo (históricos!)
7- Instinto do Amor
8- Beijos que Conquistam
9- Amor Nunca é Demais
10- Um Vizinho Perfeito


*Este livro foi recebido em parceria com a editora Harlequin.  

20 de julho de 2018

Bruto e Apaixonado - Janice Diniz

(Editora: Harlequin
Edição de: julho/2018)


Irmãos Lancaster - Livro 1


O encontro entre um caubói ferido e uma mulher obstinada. 
E a explosão dos sentimentos!

Quando a empresa do pai compra uma fábrica de parafusos no interior do país, Natália Esteves é enviada a uma cidadezinha do Mato Grosso com a difícil missão de demitir alguns funcionários. Mas os nativos de Santo Cristo não estão dispostos a deixar que uma executiva da cidade grande mude a vida local e decidem se preparar para expulsá-la, custe o que custar.

É aí que entra Mário Lancaster, um sedutor caubói conhecido por sua fama de mulherengo. Depois de ser afastado dos rodeios e perder o pai em um acidente, Mário assumiu a fazenda da família, de grande influência na cidade, onde mora com a mãe. O povo de Santo Cristo acha que ele é a pessoa certa para seduzir Natália e convencê-la a deixar a fábrica em paz. Mas ninguém pensou na possibilidade de uma paixão à primeira vista...

Bruto e apaixonado é o primeiro volume da série Irmãos Lancaster, uma história irresistível de amor, superação, sedução e, claro, caubóis atraentes e possessivos. 



Palavras de uma leitora...



"E, agora, aos trinta e cinco anos, ele mal era a sombra do peão de rodeio que tinha sido um dia."

Mário Lancaster era um caubói. Um homem nascido e criado em Santo Cristo, que lidava com o duro trabalho em sua fazenda e fazia de tudo para não perdê-la. Um dia tinha sido peão de rodeio, profissão que lhe rendera muito dinheiro e as condições financeiras para comprar a fazenda do pai, homem simples que se contentava em ser advogado no interior e ajudar as pessoas que necessitavam de auxílio jurídico, mas muitas vezes não tinham condições de pagar. Assim, a propriedade estava caminhando para a falência e Mário resolveu assumi-la para garantir que a família teria um teto e fonte de subsistência no futuro. Naquela época não poderia imaginar o que aconteceria...

Ele vivia e respirava cada rodeio. Amava a adrenalina, o perigo iminente, todos os riscos que corria sempre que subia no touro. Cada ser humano tinha sua paixão. Aquela era a sua. Só necessitava de oito segundos para garantir a vitória. E ouvir os aplausos das pessoas. Saber que mais uma vez conseguira. Só que, num determinado dia, seis segundos bastaram para lhe tirar tudo. 

Ao cair do touro, teve o joelho, as costelas e o ombro atingidos pelo animal, o que resultou numa recuperação difícil e cara. Logo o dinheiro parou de chegar e as dívidas foram se acumulando. Agora, cinco anos depois, lutava para não perder a sua fazenda. Que era tudo o que lhe restara. 

Mas não foi apenas a queda que o marcou. Não. Porque quando acordou no hospital naquele período tão tempestuoso foi para receber a notícia de que seu pai já não estava. Um acidente tinha levado sua vida. 

"Então recebe a notícia de que os alicerces da sua vida ruíram. Acabou tudo. Anos depois, a sensação do sufoco e da falta de sentido volta e o lembra de que quem está aqui pode inesperadamente desaparecer."

Privado de sua paixão, sem o pai que amava ao seu lado, prestes a perder a propriedade e temendo que a mãe sucumbisse à depressão, ninguém poderia culpá-lo se tivesse feito amizade com a bebida e se afogado nela. Mas Mário não era homem que desistisse de algo. Não tinha sido criado para ficar no chão. Podia até chorar, pois homem que é homem chora sim, mas levanta a cabeça e segue em frente. 

Cinco anos depois de todas as tragédias que poderiam lhe acontecer, tomava conta da própria vida, transava com quantas mulheres o quisessem (pois estava vivo e tinha direito), trabalhava duro e ainda aturava as maluquices da mãe, uma apostadora de mão cheia que insistia em deixar seus bolsos vazios. Tomava uma gelada com o suor ainda escorrendo pelo corpo e tudo estava muito bom. Era para continuar assim. Deveria... se o povo de Santo Cristo não tivesse resolvido infernizá-lo. Porque um homem não pode ter faz nesta Terra!rs

A fábrica mais importante da pequena cidade, de apenas seis mil habitantes, tinha sido vendida para estranhos e corria pelo local os rumores de que logo todos os que dependiam de seus empregos na fábrica para sobreviver seriam demitidos. O pânico tomava conta das famílias e as endurecia. Outros pequenos negócios também se viam ameaçados por aquela venda e não estavam dispostos a perder o que tinham sem lutar. É aí que recorrem ao Mário, uma vez que a família Lancaster era a mais importante do local. E os habitantes acreditavam que bastaria ele estalar os dedos para resolver todos os seus problemas. Se o novo dono fosse mulher, então, aí mesmo que tudo poderia ser solucionado rapidamente. Era só ele mostrar para a forasteira o macho que era e logo, logo ela estaria comendo em sua mão. 

Embora ficasse um tanto enojado com o comportamento daquela gente, tentava não levar a tal reunião que tiveram a sério. Não queria se estressar. Mas quando tudo o que queria era estar sossegado uma ligação alterou todo o seu rumo. O seu destino. 

"Ele sabia que era atraente, de um jeito animalesco, mas ainda assim incrivelmente atraente, e fazia questão de exibir os seus atributos a ela, a forasteira recém-chegada de uma metrópole. O modo como a olhava dizia tudo sobre a sua personalidade: ele era um predador."

- O que eu tinha na cabeça para ter demorado tanto a dar uma chance a livros com cowboys, minha gente?! Sério! Sinto vontade de me esganar por causa disso! Eu perdi muito! Mesmo! Sobretudo se os mocinhos dos demais livros forem como o Mário! Suspiros... Isso que é homem de verdade! Do tipo que não necessita tratar mal uma mulher para se sentir bem. E olha que eu achava que ele era machista!kkkkkk... Quero é um caubói para mim! Um que seja igualzinho ao deste livro.rs

"A magia está no ar
vejo fogo na arena
O cavalo a selar
Isso é coisa de cinema

Uma beca invocada
Um pingente no chapéu
Ouço uma oração
Sinto um pedaço do céu" 
[Música: Clima de Rodeio - Dallas Country]

- Eu sei! :D Estou um tanto doida hoje, mas a culpa é do livro. Foi simplesmente delicioso lê-lo! Estava quase fazendo minhas malas e me mudando para o mundo da história... só que teve personagem que disse que lá (em Santo Cristo) não tem cinema nem livraria. Bem... do cinema eu até abriria mão, mas das livrarias, não. Nem mesmo pelo Mário, infelizmente.kkkkk 

"Foi então que, pela primeira vez em toda a sua pervertida e dramática vida de peão de rodeio, Mário Lancaster perdeu o chapéu, assim, sem vento algum. Antes de beijar. [...] Antes de falar a primeira palavra. Antes de ter tempo de se preparar para receber o golpe do destino, a porrada dolorida vinda dos punhos do amor à primeira vista."

- Quem disse que os brutos não podem amar? Mário é um mocinho bem diferente daqueles que estamos acostumadas a encontrar nos romances. Ele é um homem rústico, "selvagem" por assim dizer, que não vestia terno e gravata ou sabia falar como os executivos com os quais a mocinha trabalhava. Ele não falava "bonito", inventando elogios falsos para conquistar uma mulher. Com ele tudo era cru e sincero. Não era um homem polido. Mas no momento que viu a Natália, soube que ela era a mulher da sua vida. Aquela que o deixaria de joelhos. Que amarraria o laço no seu pescoço. E embora tenha evitado compromisso ao longo de todos os seus anos de casos passageiros, estava bastante disposto a permitir que aquela moça tão diferente dele, tão incompatível com a sua vida, o prendesse. Bem forte. Porque quando um caubói amava... era para sempre. 

"Tem algumas coisas que a moça precisa saber sobre os caubóis... - começou, piscando o olho para ela. - A nossa cultura é meio que restrita às coisas da terra, tomamos banho no rio, vivemos ao ar livre como se a natureza fosse a extensão do nosso corpo. Somos xucros no trato social e arredios no amor. Fugimos do laço como o diabo da cruz. [...] É que a gente sabe que todo vaqueiro tem a sua cara-metade, a sua bruta, a mulher que vai fazer ele passar pelo inferno antes de ganhar o céu."

- A forma como o relacionamento entre o Mário e a Natália acontece é muito natural e convincente. Ele fica apaixonado por ela logo que a conhece, desejando fazê-la entender que estavam destinados.rs Mas nada é forçado, sabe? Ele começa a preparar-se para a luta, para ganhar o coração daquela mulher, não chegando de mansinho, pois esse não era seu estilo. Ele chega firme e atencioso, oferecendo-se para protegê-la do povo que queria intimidá-la e colocá-la para fora, dizendo que sua casa estava de portas abertas para hospedá-la, querendo ganhá-la pelo estômago com a culinária local (risos) e o vinho que ela bebe para afogar as mágoas (e protagoniza uma cena que me divertiu bastante) e, é claro, fazendo-a provar seus beijos... que a faziam até considerar dar uma chance, uma pequena chance, a ele.rs 

Não pense que se trata de romance doce, daquele cheio de cenas românticas que nos fazem suspirar. Não. É mais carnal, uma vez que o gênero do livro é o romance erótico. Quando o casal resolve se dar uma chance, de apenas sete dias (pois era o período que ela ficaria no local para executar as demissões), as coisas pegam fogo. As cenas são explícitas, com palavreado muitas vezes bem bruto, chulo mesmo. O que não posso dizer que não me incomodou, pois vocês sabem que não curto muito o gênero erótico.rs Ainda assim, esses dois me encantaram tanto que eu fazia por onde ignorar as palavras nada românticas deles, por assim dizer, e simplesmente curtia a história, que era linda e envolvente. Não é um erótico vazio, daqueles que não têm absolutamente nenhum conteúdo. Não. Aqui tem profundidade, tem drama, tem sentimentos fortes que ultrapassam o desejo e fazem com que eles até protagonizem algumas cenas fofas. 

"Natália esperou que Mário saísse do veículo para lhe abrir a porta.
- Um cavalheiro à moda antiga - comentou, apreciando o gesto dele.
- Não, dona, apenas um caubói - rebateu, sorrindo com charme."

Santo Cristo, a cidade do mocinho, é extremamente machista. Do tipo que te dá asco. Até as mulheres do local são desagradáveis, auxiliando os homens na intimidação de uma mulher que estava lá a trabalho e não era culpada por um dos moradores locais ter decidido vender a fábrica e depois ir embora, pouco se importando com quem seria prejudicado pelo desemprego. Ela não era dona da empresa e não tomou a decisão de quem deveria ficar ou ser demitido. Mas a população tenta tirar onda com a cara da mocinha, ameaçá-la e agredi-la pelo simples fato de ela ser uma mulher. Porque, como o Mário mesmo disse, se fosse homem que tivesse ido executar as demissões eles não se sentiriam tão poderosos para cantar de galo. Detestei aquelas pessoas. A família Lancaster, e uns poucos cidadãos decentes, era o que tinha de positivo no local. 

No início, o Mário meio que se mostra como machista. Ele insinua que é, mas aí você observa o comportamento dele e percebe que o cretino atrevido estava bem longe disso.rsrs Era um homem que amava as mulheres, e não apenas no sentido de gostar de tê-las em sua cama. Ele as respeitava. Sabia que elas tinham direitos, que tinham sentimentos, que mereciam ser valorizadas. Afinal de contas, foi criado por uma mulher a quem amava muito e por quem faria qualquer coisa. A sua mãe. A mulher que ainda sabia lhe dar broncas.rs Achei simplesmente linda a maneira como ele entendia a Natália, como queria protegê-la dos outros, mas não tentava invadir seu espaço, impedi-la de ser quem era. Ela tinha a sua profissão, seus direitos, "suas modernidades", como ele dizia. E por mais que sua vontade fosse colocar um anel em seu dedo e tê-la debaixo do seu teto, sustentada por ele, sabia que não tinha se apaixonado por uma mulher que se contentaria em levar uma vida assim. Ela tinha sua independência. E não abriria mão disso. E não é difícil para ele aceitá-la dessa forma. É muito fácil, na verdade. Porque ele a amava. E só queria vê-la feliz. 

"Beijou-a na testa e depois na boca. Abraçou o corpo que se moldou ao seu, escancarando para Santo Cristo a verdadeira natureza de sua relação com a forasteira.
Ele a amava."

- Destaque especial para os cretinos irmãos do mocinho: Thomas e Santiago.rs Deus do céu! Que caras hiperativos!kkkkkkkk Sabem o que é sossego, não.rs E amam as mulheres de um jeito mais expressivo que o do Mário, claro. Querem sempre companhia, mas nada de laço amarrando seus pescoços. Querem a vida livre, leve e solta. Mas eu notei um lance entre o Santiago e a Carolina (acho que esse é o nome dela) e por mais que não aprove o comportamento dela (que tinha noivo, mas manteve um caso com o Mário antes de ele conhecer a Natália), achei interessante a troca de olhares e a conversa meio raivosa que teve entre os dois. Será que a história do Santiago será com ela? Eu estou curiosa para descobrir. Até desejaria isso, pois iria além do tipo de mocinha que geralmente vejo nos livros. Ela não é politicamente correta. O que não seria problema algum, uma vez que o Santiago também não é nenhum santo. 

- Gostei demais desta história! Não posso dizer que de tudo, pois o excesso de palavras chulas me incomodou e não vou negar. Mas nem isso me impediu de amar o livro. De torcer demais pelo casal e rir com eles, me emocionar com eles, suspirar aqui com os toques de romantismo que existiam no mocinho. Até cavalo branco, vou logo falando. Não explicarei! Mas digo que a cena é linda! :D 

Valeu muito a pena conhecer esta obra maravilhosa da autora! Eu ainda não tinha lido nada dela. Este livro recebi pela parceria com a editora Harlequin e tinha minhas reservas, confesso. Tanto que quase deixei a leitura para o final do mês, temendo que por ser erótico me decepcionasse. Mas foi todo o contrário! Não gosto do gênero erótico, mas este livro está entre os que me conquistaram independentemente disso. :) Recomendo muito! Já estou ansiosa pelos próximos livros da série. Muito mesmo!

5 de junho de 2018

Lançamento Harlequin - junho/2018: As Filhas da Noiva - Susan Mallery (resenha)

(Título Original: Daughters of the Bride
Tradutora: Carolina Caires
Editora: Harlequin
Edição de: junho/2018)


COURTNEY É A IRMÃ DESASTRADA. 

Ela pode não ter uma vida tão organizada quanto a das irmãs, mas é excelente em guardar segredos. Principalmente sobre seu caso tórrido com um produtor musical. Courtney não imaginou que ao planejar o casamento da própria mãe sua vida secreta viria à tona, mudando completamente a imagem que sua família tinha dela. 

SIENNA É A IRMÃ DESAPEGADA.

Quando Sienna é surpreendida na frente da mãe e das irmãs por um pedido inesperado de casamento, ela acaba dizendo sim, mas sem muita convicção. Sienna já passou por dois noivados que fracassaram. Como fazer planos para o futuro, se ela nem tem certeza de que realmente merece o namorado?

RACHEL É A IRMÃ CÍNICA.

Ela sempre acreditou que o amor era para sempre... até o seu divórcio. Com a proximidade do casamento da mãe, seu ex-marido ressurge e começa a provar que mudou e que o relacionamento pode ter uma segunda chance. Porém, para que eles possam recomeçar, Rachel terá que reconhecer algumas verdades incômodas sobre o seu casamento. Ela precisa escolher entre seu próprio orgulho ou o tão desejado "felizes para sempre".



Palavras de uma leitora...



- As Filhas da Noiva, da diva Susan Mallery, é o mais novo lançamento da Harlequin Books Brasil. E eu estava tão ansiosa para ler o livro que não aguentei esperar: assim que recebi meu exemplar lindo e maravilhoso interrompi o que estava lendo (Segredos de Uma Noite de Verão) e iniciei logo em seguida a leitura desta história. Eu estava um tanto descontrolada, confesso.kkkkkk Fazia um tempo que não lia nada da minha autora e queria demais mergulhar outra vez em seus romances que tanto me envolvem. O que posso fazer se amo o que ela escreve?! :D

Desta forma, nem deu tempo de fazer o post de lançamento do mês antes de ler o livro e preparar a resenha. A leitura veio antes de tudo.rs Eu devorei a história! E olha que estava num momento difícil, encarando um final de semana agitado e para esquecer. O livro me arrancou risadas, me fez refletir e emocionou quando tudo o que meu ânimo pedia era para ficar deitada na fossa.rs É por isso que eu digo que um bom livro é capaz de curar qualquer coisa. :)

Me senti tão conectada às personagens, principalmente à Courtney! Isso é o que mais amo nos livros da Susan: sua capacidade de criar personagens humanas, que encaram situações comuns da vida e nos provocam aquele sentimento de identificação. Nós sabemos o que elas estão sentindo porque passamos por momentos parecidos. Dificuldades com a família, relações de amizade, problemas na escola/faculdade/trabalho, amores que terminam porque o dia a dia se interpõe... Você nunca encontra perfeição nos personagens da autora. Eles são reais. Gente como a gente. Ninguém é mocinho ou vilão. São pessoas tentando levar a própria vida da melhor forma possível. Que erram e acertam. Caem e levantam. Que têm dúvidas, medos, mágoas, sonhos, esperanças... É apaixonante mergulhar num livro dela. É sempre uma experiência incrível. 

- Rachel, Sienna e Courtney são três irmãs completamente distintas, adultas e bem resolvidas... nem tanto assim. Cada uma lidou de uma maneira com o choque sofrido na infância quando perderam o pai e seu lar quase simultaneamente. Agora, vinte e quatro anos depois, se organizam para auxiliar a mãe nos preparativos para o seu casamento. Após ter passado mais de duas décadas sozinha, Maggie finalmente encontrou o homem perfeito para curtir sua melhor fase. Estava mais do que na hora de deixar o passado e todos os obstáculos que enfrentou para trás e aproveitar os presentes que a vida ainda lhe reservava. 

É justamente nesse momento que o passado de Rachel resolve retornar com força. Não que seu ex-marido tenha realmente deixado de fazer parte de sua vida quando se divorciaram, quase dois anos antes. Afinal de contas, tinham um filho juntos e precisavam levar as coisas de maneira amigável ainda que a mágoa pela traição continuasse marcando-a e impedindo-a de seguir em frente. Mas Greg estava diferente. Nem parecia o homem que preferia curtir com os amigos ao invés de ajudá-la na criação do filho. Não parecia o mesmo que destruiu seu coração ao deitar-se com outra mulher. Ele parecia ter amadurecido... quando já era tarde demais. 

"Ela o amou muito, e Greg a traiu."

Embora a mudança de comportamento do homem que ainda abalava suas estruturas fosse um choque para Rachel foi somente após ouvir uma conversa humilhante que ela tomou a coragem necessária para voltar a pensar em si mesma. Greg estava bem. Lindo e maravilhoso como sempre. Mas... e ela? Era justo largar-se, esquecer de si mesma por causa da decepção estúpida que ele lhe causou? Tinha que aprender a se amar. E o resto... o tempo trataria de acertar. Inclusive seu coração...

"Ele tinha sido seu primeiro namorado, sua primeira vez, seu primeiro tudo."

 Estava acostumada a culpar Greg pelo fim de tudo. Foi ele quem traiu. Foi ele quem jogou fora dez anos de casamento. Mas... será que era a única vítima nessa história toda? O noivado da mãe a faz repensar a própria vida e suas escolhas... e ter Greg mais próximo... metendo-se em seu caminho e fazendo-a encarar o que não queria. Teria a força necessária para lhe dar uma segunda chance? Seguir seu coração? Ou a raiva falaria mais alto?

- Sienna não se lembrava com tristeza dos momentos que passou no bangalô da amiga de sua mãe quando perderam tudo. Tinha apenas seis anos na época e todos eram legais com ela. Assim, tirando alguns momentos desagradáveis da sua adolescência, cresceu independente, confiante em si mesma e desapegada como as irmãs não conseguiam ser, o que a fazia se sentir bem diferente delas e de certa forma distante. Tinha um relacionamento complicado com a caçula e embora já tivesse ficado noiva duas vezes não se sentia disposta a dar o passo necessário para transformar o noivado em casamento. E quando seu atual namorado decide surpreendê-la com um pedido de casamento... não é nada bom o que ela sente. Porque sempre que estava em seus braços queria estar em qualquer outro lugar. Seu toque não lhe provocava nada. Ele podia ser um ótimo partido, o cara ideal para sua vida, mas... faltava algo. Talvez um amor do passado. 

"Ela simplesmente ficou se olhando e se perguntando por que ninguém mais via os muros que se formavam ao redor de seu coração."

Será que no fundo não tinha medo? De não encontrar a pessoa certa? De cometer o erro de se contentar com alguém que estava simplesmente ali, mas que não a fazia se sentir amada? Estava confusa. E só gostaria de ter dito "não". 

- Courtney já estava acostumada a ser a ovelha negra da família, a fracassada, a incapaz. Tinha apenas três anos quando seu pai morreu e não guardava nenhuma lembrança dele ou dos momentos que passaram em família. Tudo o que recordava era que sua mãe nunca estava presente quando ela precisava. Concentrada em se reerguer e comprar uma casa para a família, para que deixassem de viver de favor na propriedade da amiga, Maggie não tinha tempo para lidar com os problemas de sua caçula. Por isso, mal percebeu que ela enfrentava problemas de aprendizagem e quando a menina repetiu de série duas vezes simplesmente considerou que ela tinha algum retardo mental, que não era tão brilhante como suas outras meninas. Assim, somente aos dez anos de idade o déficit de aprendizagem de Courtney foi diagnosticado. E mesmo que depois ela tenha feito de tudo para fazer sua mãe se orgulhar dela, Maggie nunca percebeu. 

"Mas era difícil ser mais quando as pessoas que deveriam te dar amor insistiam em te ver como menos."

Cansada de tudo, ela foi embora de casa aos dezoito anos, disposta a seguir a própria vida. Acabou encontrando em seu antigo refúgio da infância um trabalho como camareira. No hotel de Joyce, a melhor amiga de sua mãe e quem as tinha abrigado tantos anos antes. Mesmo com as relações com a família estremecidas, ela encontrou em Joyce uma amiga verdadeira, uma mãe mais presente do que a sua jamais tinha sido. E com o passar dos anos a relação entre as duas apenas se fortaleceu... provando que família é muito mais que uma união por laços de sangue. 

Ainda que o passar dos anos a tenha levado a fazer as pazes com a mãe e que sua relação com Rachel fosse bastante próxima, não tinha coragem de revelar seu segredo. Não ainda. Não tão perto do casamento. Aguardaria o término dos dois semestres seguintes e então mostraria que tinha conseguido. Que não era mais a incapaz que insistiam em ver. 

É quando ela menos espera que Quinn surge em seu caminho. O neto de Joyce. O famoso produtor musical, que há anos deixara a cidade pequena para construir seu próprio espaço no mundo. Agora ele regressava como se nunca tivesse partido. E parecia considerar Courtney seu novo projeto. Seria tolice cair em suas garras, com certeza. Não importava o quanto ele a olhasse... ou as sensações que despertava em seu corpo. Mas por que ele parecia lê-la como ninguém? Por que compreendia o que sua própria família não entenderia? Sentia que poderia confiar nele, entregar-se... e isso era assustador. 

"Courtney conhecia o perigo. O amor doía. Sempre. Todos os tipos de amor."

- Quando iniciei a leitura já sabia que o livro se tornaria um dos meus preferidos. Às vezes isso acontece. Sentimos uma ligação profunda com uma história antes mesmo de lê-la. Mas ainda assim eu não imaginava que fosse amar tanto praticamente todos os personagens do livro, com suas qualidades e defeitos, com sua humanidade tão tocante. Eu quis matar alguns? Claro! Os mesmos que eu amava insistiam em me tirar do sério em alguns momentos, mas faz parte. Amar não significa não sentir raiva.rs Todavia, de modo geral, eu simplesmente me apeguei a eles. E curti imensamente cada instante. 

Das três irmãs, a Courtney é minha preferida por tudo o que ela passou e conseguiu construir sozinha. Foi a que mais sofreu, quem mais sentiu a ausência da mãe. Quem enfrentou dificuldades que não compreendia e só podia contar com o apoio de uma irmã que era apenas seis anos mais velha que ela. A infância dela foi um pesadelo e foi bem fácil entender o que a levou a ir embora... E me orgulha imenso a volta por cima que ela deu. Foi a personagem da qual me senti mais próxima e por quem mais torci. Ela era tão espontânea mesmo que desejasse não ser percebida pelos outros. Mesmo que fosse insegura tinha uma energia capaz de contagiar, uma vontade de viver e uma forma simples de ver as coisas. É fácil amá-la. Não é à toa que o Quinn fica rendido. E por falar em Quinn... Meu Deus do céu! Que homem!kkkkkk... A relação que se constrói entre ele e a Courtney é belíssima de se ver. Era a pessoa certa para fazê-la enxergar o próprio valor. Para protegê-la e respeitá-la. Para fazê-la sentir-se livre. O relacionamento dos dois é delicioso de acompanhar. Sabe aquela pessoa que te coloca para cima, que não tenta te sufocar, cortar suas asas e sentir-se superior? Quinn era o tipo de homem com quem uma mulher poderia contar. Alguém que a ouviria quando ela precisasse. Que escutaria até mesmo as palavras que ela não tivesse coragem de colocar para fora. E que sempre a incentivaria a ser tudo o que ela desejasse. A seguir seus próprios sonhos. Um homem assim é o que todas nós merecemos, sem dúvidas. :D Eu quero alguém assim para mim! Suspiros...

E necessito dizer que quando os dois estavam juntos eram quentes.rsrs E as cenas eram belas. Simplesmente belíssimas. 

"Queria que Greg ficasse. Queria se ajeitar ao lado dele no sofá e assistir a um filme. Ou conversar. Queria que a beijasse e abraçasse, e então a levasse escada acima e fizesse amor com ela."

- Se eu for falar tudo o que amei nesse livro a resenha não terminará nunca.rsrs Porque gostaria de falar tanta coisa... É muito amor que sinto por essa história. E preciso comentar que também fiquei muito envolvida pela história de Rachel e Greg. Embora eu seja bem intolerante com traição e ache que ele merecia era passar o resto da vida sozinho para aprender a ser fiel.rs No fundo, não conseguia odiá-lo. Está aí algo que a Susan consegue com facilidade: que compreendamos os personagens. Existe muita coisa entre esses dois. Todo um passado juntos, toda uma vida. Se conheciam como ninguém. E a verdade é que não houve apenas um culpado pelo fim. Um casamento é feito por duas pessoas e por mais que o Greg tenha errado feio e eu não concorde com tudo o que ele disse para ela (por mais que algumas coisas fossem verdades), acabei por querer que eles se acertassem. Porque não estavam felizes. Nenhum dos dois seguiu em frente. Ficaram parados no ponto em que se separaram.  

"Tenho saudades do que éramos juntos."

- Sienna foi a protagonista que mais me provocou raiva em determinados momentos do livro. A maneira como ela tratava a Courtney me enfurecia. E eu a considerava uma metida, que se achava demais.rs Todavia, isso mudou. Porque, por mais incrível que pareça, quando a Courtney mais necessitou de um apoio familiar ela foi a primeira a estender a mão, a primeira a oferecer seu apoio, me mostrando que às vezes não conhecemos todos os os lados... vemos apenas uma parte da pessoa e a julgamos por isso. Sienna cresce muito como mocinha. E nos surpreende bastante. No fim, eu a amava também.kkkkkk... Mas se tem uma coisa que desejei foi que ela mandasse aquele noivo dela para o inferno. #Prontofalei. Sempre que eu o via pensava em psicopata.kkkkkkk

Por falar nisso, vale a pena comentar também o trabalho maravilhoso que a Sienna fazia. Era uma pessoa complicada? Sim.rs Mas também era alguém que se importava e abraçava a causa do seu trabalho com unhas e dentes. Ela trabalhava para uma ONG que ajudava mulheres vítimas de violência doméstica. E não ficava gritando isso aos quatro ventos para mostrar que pessoa incrível ela era. De modo algum. Mostrava para os outros era seu lado difícil.rs O lado humano, que se importava com as pessoas, só quem era bem próximo conhecia. E as pessoas que ela tinha ajudado, claro. :)

- O que mais posso dizer?! Que recomendo MUITO esta história! Que se fosse vocês largaria tudo (e foi exatamente o que eu fiz) e leria este livro. Dei 5 estrelas no Skoob porque era o limite. Mas se pudesse teria dado 10, 100, 1000. Sim! Porque merece mesmo! E porque amo demais! E vocês sabem que quando amo é com força. :D 

Termino deixando uma cena linda:

"Courtney se recostou nele.
- Eu precisava chorar, e nenhum homem quer lidar com essas coisas. 
- Eu posso lidar com qualquer coisa que estiver acontecendo com você. - Beijou-a de novo. - Na próxima vez, quero estar presente. Não importa a hora."


*Este livro foi recebido em parceria com a editora Harlequin.  
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