Título Original: Without Merit
Tradutora: Ryta Vinagre
Editora: Record
Edição de: 2018
Páginas: 336
1ª leitura de 2020
Sinopse: Nem todo erro merece uma consequência. Às vezes a única coisa que ele merece é o perdão. Os Voss são uma família peculiar e cheia de segredos. Eles moram em uma antiga igreja, batizada de Dólar Voss. A mãe, curada de um câncer, vive no porão, e o pai e o restante da família, no andar de cima. Isso inclui sua nova esposa - ex-enfermeira da ex-mulher -, o pequeno Moby, fruto desse relacionamento, o filho mais velho, Utah, e as gêmeas idênticas Merit e Honor. E, como se a casa já não estivesse cheia o bastante, ainda chegam o excêntrico Luck e o misterioso Sagan. Mas Merit sente que é o oposto de todos ali, que sempre está fazendo algo de errado e, consequentemente, que algo ruim está acontecendo com ela. Além de colecionar troféus que não ganhou, Merit também coleciona segredos que sua família insiste em manter. Assim, começa a acreditar que não seria uma grande perda se um dia ela desaparecesse. Mas, antes disso, a garota decide que é hora de revelar as verdades mais sombrias da família e obrigá-los a, enfim, encarar o que aconteceu.
No entanto, seu plano não sai como o esperado e ela deve decidir se pode dar uma segunda chance não apenas à sua família, mas também a si mesma. As mil partes do meu coração mostra que nunca é tarde demais para perdoar e começar a construir pontes.
As Mil Partes do meu Coração não estava nos meus planos de leitura de janeiro, mas como resolvi participar do Desafio Literário Livreando 2020 e estou fazendo parte do grupo no WhatsApp, acabei sabendo da leitura coletiva deste livro e, no fim das contas, li este antes mesmo de ler o primeiro do DLL 2020.rsrs
"Será que a morte é assim? Apenas um... nada?"
Esta foi minha primeira experiência com a escrita da autora. Há tempos vejo leitores falando extremamente bem dela, do quanto seus livros os transformaram, de que não conseguem ficar sem ler nada da Colleen. E confesso que eu morria de curiosidade. Ao ponto de adquirir dois livros dela e ficar morrendo de vontade de descobrir o que ela tem de tão especial para encantar tanta gente, de considerar passar o livro na frente de vários outros, como de fato fiz.rs
Logo de início me vi envolvida pela história. Só o primeiro capítulo já nos mergulha na vida e nos pensamentos da protagonista, a jovem Merit, de dezessete anos, que coleciona troféus que nunca ganhou (sempre que algo ruim acontece em sua vida, ela compra um troféu), possui uma irmã gêmea que não faz a menor questão de ser sua amiga, um irmão mais velho que odeia em segredo há anos, um pai que despreza por ter traído sua mãe quando ela estava lutando contra um câncer, uma madrasta que ela faz questão de infernizar, uma mãe agorafóbica que vive no porão da casa do ex-marido traidor, e um irmãozinho chamado Moby, fruto da traição do seu pai e o único membro daquela casa que ela não detesta.
"O que as pessoas não sabem é que não existe família perfeita, por mais branca que seja a cerca."
Criada num lar onde todos parecem se importar apenas com a própria vida e insistem em comportamentos egoístas que acabam por afetar os outros membros da família, Merit, ao iniciarmos a leitura, já chegou a um ponto em que a dor se transformou em indiferença... ou, pelo menos, é nisso que ela acredita. Já não se importa com a distância e a imaturidade do pai. Não se importa se sua irmã gêmea prefere ser próxima apenas de Utah, seu irmão mais velho, e fazer de conta que ela não existe. Não a afeta que Utah também pareça considerá-la invisível e nunca a convide para suas saídas. Pouco lhe interessa que sua madrasta continue ocupando o lugar que um dia foi de sua mãe e que, sua mãe, por sua vez, esteja há mais de dois anos sem sair do porão que transformou em casa e há muito tenha deixado de desempenhar o papel que lhe cabia. Merit sabia que só podia contar consigo mesma. Fazia séculos que desistira daquela família.

