2 de novembro de 2020

E Não Sobrou Nenhum - Agatha Christie

Tempo de leitura:



Literatura Inglesa
Título Original: And Then There Were None
Tradutor: Renato Marques de Oliveira
Editora: Globo
Edição de: 2014
Páginas: 400

63ª leitura de 2020 (55ª resenha do ano)

Sinopse: Uma ilha misteriosa, um poema infantil, dez soldadinhos de porcelana e muito suspense são os ingredientes com que Agatha Christie constrói seu romance mais importante. Na ilha do Soldado, antiga propriedade de um milionário norte-americano, dez pessoas sem nenhuma ligação aparente são confrontadas por uma voz misteriosa com fatos marcantes de seus passados.

Convidados pelo misterioso mr. Owen, nenhum dos presentes tem muita certeza de por que estão ali, a despeito de conjecturas pouco convincentes que os leva a crer que passariam um agradável período de descanso em mordomia. Entretanto, já na primeira noite, o mistério e o suspense se abatem sobre eles e, num instante, todos são suspeitos, todos são vítimas e todos são culpados.

É neste clima de tensão e desconforto que as mortes inexplicáveis começam e, sem comunicação com o continente devido a uma forte tempestade, a estadia transforma-se em um pesadelo. Todos se perguntam: quem é o misterioso anfitrião, mr. Owen? Existe mais alguém na ilha? O assassino pode ser um dos convidados? Que mente ardilosa teria preparado um crime tão complexo? E, sobretudo, por quê?

São essas e outras perguntas que o leitor será desafiado a resolver neste fabuloso romance de Agatha Christie, que envolve os espíritos mais perspicazes num complexo emaranhado de situações, lembranças e acusações na busca deste sagaz assassino. Medo, confinamento e angústia: que o leitor descubra por si mesmo porque E não sobrou nenhum foi eleito o melhor romance policial de todos os tempos.




Uau!!! Pensem num livro simplesmente MARAVILHOSO!!! Em relação à leitura, novembro começou muito bem, com uma história cinco estrelas (mas que merecia MUITO MAIS!!!) e favoritada!!! Eu não imaginava! De modo algum poderia imaginar que E Não Sobrou Nenhum se tornaria o meu livro preferido da Agatha Christie. Depois de ter lido alguns livros dela que me decepcionaram, eu desanimei, acreditando que dificilmente uma outra história que eu viesse a ler da autora conseguiria chegar aos pés de Assassinato no Expresso do Oriente ou O Misterioso Caso de Styles. Todavia, este livro sobre o qual agora escrevo conseguiu superá-los e de maneira brilhante! Que livro!!!

Eu ainda estou um pouco em choque.rsrs Não que o final tenha sido uma completa surpresa, mas ainda assim eu não passei perto de saber como o assassino (quando falo "assassino" não significa que não possa ser uma assassina, ok?) fez tudo ou tive certeza absoluta de quem era ele. Cheguei a suspeitar dessa pessoa, mas fui tola em descartá-la. Todavia, me deixa um tanto feliz ter descoberto uma parte importante do jogo doentio que ele planejou. Pelo menos aquilo eu acertei!kkkkkkkkk

Não sei como falar de um livro tão sensacional como este! Não sei mesmo! Fiquei aqui literalmente de boca aberta, chocada em como o psicopata do livro era inteligente, como estava sempre dez passos a frente, como prendeu todos em sua teia. Foi cruel?! Sim! Mas inegavelmente brilhante. Este é um dos livros mais maravilhosos que já li! Eis um fato!rsrs

Tudo começa com um misterioso convite. Dez pessoas, muito diferentes umas das outras e sem nenhuma aparente conexão, são atraídas até uma ilha conhecida como a Ilha do Soldado, um lugar isolado e perfeito para os planos do assassino. A maioria recebeu uma carta suspostamente escrita por pessoas que a conheciam ou oferecendo uma oportunidade de emprego irrecusável. O juiz Wargrave, por exemplo, recebe uma carta de uma amiga do seu passado, alguém que ele não via há muitos anos, o convidando para passar uns dias na ilha. Vera Claythorne queria muito um emprego melhor (algo que o assassino parecia saber) e recebe uma carta de uma suposta senhora Una Nancy Owen lhe oferecendo uma vaga como secretária. O General Macarthur recebe uma carta de alguém que desejava recordar os velhos tempos; o remetente assinava como Owen. Um casal recebe o convite para trabalhar na ilha, o marido como mordomo e a esposa como cozinheira. E assim prossegue... Cada uma das dez pessoas é atraída de uma maneira diferente, e o remetente nem sempre assinava ou se "apresentava" (através de terceiros) com o mesmo nome. 

Quando todos chegam à ilha ficam um tanto perturbados pela maneira como ela fica no meio do nada, bem afastada do resto da população, sendo impossível sair dali sem um barco... só que não havia nenhum barco ali. Apenas um morador do povoado mais próximo ia até a ilha e levava mantimentos e tudo o que fosse necessário, tendo sido contratado para isso. Foi ele quem transportou todos os hóspedes do suposto senhor Owen. E deveria aparecer toda manhã... o que não acontece

Os hóspedes ficam intrigados ao descobrirem que nenhum dos dez convidados tinha visto o senhor Owen pessoalmente e que alguns nem sequer tinham recebido um convite dele, mas de alguém que assinou com outro nome. Tudo fica mais misterioso quando são comunicados do "atraso" de seu anfitrião, que por um imprevisto ainda não tinha chegado na ilha. 

Logo na primeira noite, após o jantar, uma Voz acusa todos os presentes de crimes do passado. Uma Voz que parecia saber tudo sobre suas vidas... De onde ela estava vindo?! Que absurdo era aquilo?! Uma brincadeira de mau gosto? Sim... Uma brincadeira letal... Um dos dez morre bem diante dos olhos dos outros. Na mesma noite. Imediatamente depois do choque provocado pela voz misteriosa. Teria a pessoa, por algum motivo desconhecido, envenenado a si mesma?! Mas quando um segundo cadáver é encontrado na manhã seguinte, os oito sobreviventes percebem que aquele era um jogo planejado por alguém louco e cruel e que tentar sobreviver era tudo o que poderiam fazer. 

Não havia maneira de escapar da ilha. Quando uma tempestade se aproxima, até mesmo enviar sinais buscando atrair o socorro de alguém se torna impossível. O tempo estava contra eles. A qualquer momento outra morte poderia acontecer. Quem seria o próximo?! Sobraria alguém?! 

Determinados a sobreviverem, eles decidem encontrar o assassino antes que fosse tarde demais. Mas depois de revirarem a ilha inteira (que não era grande e tinha apenas a casa e um pouco de natureza em volta) percebem algo extremamente assustador: não havia ninguém na ilha além dos oito ainda vivos e os dois corpos. O que significava... que o assassino era um dos oito. 

Quem seria?! Quais eram os seus motivos? Desesperados, com medo uns dos outros, os convidados terão que encarar os pecados do seu passado e tentar não pagarem com a própria vida por erros que jamais poderiam consertar. 

Está aí a primeira questão: algo que descobrimos logo no início da história é que ninguém ali era inocente. Todos tinham feito alguma coisa bem grave no passado e tinham escapado impunes. Ou a lei tinha falhado em puni-los ou eram situações que iam além da lei. Mas simplesmente não havia nenhum anjinho entre os convidados, ninguém isento de culpa. Logo, é possível perceber que o assassino (ou assassina) queria se fazer de Deus (é o segundo livro que leio recentemente e que tem alguém brincando de Deus: o outro foi Frankenstein) e sentenciar todos os seus hóspedes à morte. Na verdade, no momento em que foram atraídos até ali eles já estavam sentenciados. Na ilha ocorreria a execução da pena. Sim, todos tinham sido convidados para morrer (por isso que parece que em outros países o livro foi lançado até com o título de Convite para a Morte) e para sobreviver será necessário ser muito mais esperto do que o psicopata. 

Na história existem os suspeitos mais óbvios e aqueles que consideramos capazes de cometer tais crimes, mas não imaginamos como eles poderiam fazer. Ao longo da história vamos descartando muitos deles, até que percebemos uma coisinha que eu tinha deixado passar durante parte da leitura. E que não posso comentar para não correr o risco de dar spoilers. Mas foi ali que acabei descobrindo um dos segredos do final e fiquei muito feliz por isso.kkkkkkk. Já que não acertei quem era o assassino (ou assassina) era um conforto pelo menos ter adivinhado parte do jogo dele, de suas estratégias.rs

A Agatha Christie brinca com a gente como o assassino brinca com suas vítimas. Quando temos certeza de algo percebemos que não temos certeza é de coisa alguma!kkkkkk Vocês sabem como sou exigente com romances policiais e livros de suspense. Que minhas duas leituras recentes do gênero (leituras de outubro) foram completas decepções, histórias que considerei muito fracas e óbvias demais. E existiram livros da própria autora que apenas me entediaram. Então, dá para imaginar minha felicidade ao ler esta obra-prima!!! Um livro tão bem escrito, com uma trama complexa e perfeitamente desenvolvida, com um final capaz de nos deixar chocados. Se fosse possível eu dava muitíssimas mais estrelas à história. O triste é que dificilmente lerei outro livro da autora ou de outros autores do gênero que consiga superar E Não Sobrou Nenhum

Ah! Eu já estava esquecendo! Sabem aquelas cantigas infantis, que passam de geração em geração?! O assassino, que ama jogar com o psicológico de suas vítimas, vai utilizar uma cantiga infantil para dar pistas aos seus convidados de como ocorrerá cada morte. Assustador, não é mesmo? Eu fiquei horrorizada! Toda vez que lia a cantiga (pois precisava voltar sempre nela para tentar adivnhar como seria a próxima morte), eu sentia medo. Nunca antes a tinha escutado, não a conhecia, mas depois deste livro será impossível esquecê-la. Segue um trechinho dela:

"Dez soldadinhos saem para jantar, a fome os move;
Um deles se engasgou, e então sobraram nove.

Nove soldadinhos acordados até tarde, mas nenhum está afoito;
Um deles dormiu demais, e então sobraram oito."

E a cantiga vai até o final que dá título ao livro: E não sobrou nenhum. A cantiga termina com essa frase. E isso nos faz pensar no massacre que vai ser se os oito sobreviventes não conseguirem parar o assassino a tempo (pois conforme o título, a intenção do assassino é que não sobre ninguém). Uma vez que ele já tem preparada para cada um, uma morte "especial", sempre seguindo o passo a passo da cantiga infantil. 

Nem preciso dizer o quanto recomendo esta história, certo? Se você nunca leu nada da Agatha Christie, comece por este livro!!! Eu queria poder voltar no tempo e lê-lo todo outra vez! Comecei a leiura ontem à noite e terminei hoje de manhã, ou seja, levei menos de vinte e quatro horas para concluir a leitura, algo que dificilmente estava ocorrendo até com livros curtinhos. É que eu simplesmente não conseguia parar de ler esta história!

Era para eu estar publicando a resenha de Frankenstein, que foi minha última leitura do mês de outubro, mas ainda nem a escrevi.rs Quando comecei a ler E Não Sobrou Nenhum imaginei que levaria alguns dias para concluir a leitura e nesse meio tempo escreveria a resenha de Frankenstein, mas como terminei o livro rapidamente e precisava muito falar sobre ele, a resenha do outro livro acabou tendo que esperar.rs

Não deixem de ler este livro, queridos!!! Recomendo demais!




-> DLL 20: Um livro policial



 

Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers (não necessariamente nesta ordem). Mãe da gatinha Luana. Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

2 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Eu sou doida para ler algo da autora, mas ainda não tive oportunidade. Eu acho que ela será a percussora de eu finalmente abrir as portas do gênero, e sei que tem tudo para que eu ame. Adorei a sua empolgação com o livro, e fiquei mega curiosa!
    Beijos

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  2. Oi Luna!!

    Nossa, eu sou até suspeita pra falar da Agatha porque ela é uma das minhas autoras preferidas da vida, eu adoro a forma como ela escreve e como ela conduz a história! Esse ano eu li algumas obras dela do começo da carreira e é incrivel como ela evoluiu e ainda, depois de vários livros lidos, consegue me surpreender e me deixar de queixo caído nas obras dela HAHAHAHAHA
    Feliz que tenha gostado tanto assim do livro, eu adoro essa história também!!

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