14 de junho de 2019

Helena - Machado de Assis

Tempo de leitura:
Literatura Nacional
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2016
Box Todos os Romances e Contos Consagrados de Machado de Assis 
Volume 1: Ressurreição/A mão e a luva/Helena/Iaiá Garcia
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Estão reunidos aqui os quatro primeiros romances de Machado de Assis, que compõem o que se convencionou chamar de fase romântica do escritor. O próprio Machado na "Advertência" a uma nova edição de Ressurreição, sugere essa divisão de sua obra: "Este foi o primeiro romance, escrito aí vão muitos anos. Dado em nova edição, não lhe altero a composição nem o estilo, apenas troco dois ou três vocábulos, e faço tais ou quais correções de ortografia. Como outros que vieram depois, e alguns contos e novelas de então, pertence à primeira fase da minha vida literária."



Apesar deste primeiro volume conter quatro romances do autor, neste post trarei apenas a resenha de Helena, uma história que me envolveu intensamente e aumentou todo o amor que eu já sentia pelo Machado de Assis. É um dos meus autores da vida! 

E pensar que houve um dia em que falei do autor com indiferença, até com certo desprezo, na verdade. Lembrei dessa ocasião recentemente. Acho que aconteceu nos meus primeiros anos como blogueira. Quem lê romances contemporâneos, de época, de banca ou outros livros considerados "insignificantes" por uma certa parcela de leitores com certeza já passou por situação de raiva, ao ter que suportar o desdém de outros que se consideram "verdadeiros leitores", "cultos", "intelectuais", por lerem clássicos. Foi num momento assim, em que eu estava com muita raiva, que falei do autor com desprezo, sem sequer conhecer as suas obras. Eu lembro de ter dito que não precisava ler clássicos para ser uma leitora e que não fazia a menor questão de ler Machado de Assis. E eu tinha razão no que disse. Continuo acreditando que não importa o que a pessoa lê, desde que leia e seja capaz de interpretar o que leu, de absorver algo da história, de tornar-se alguém melhor. 

Porque como certo autor um dia disse (e não recordo o seu nome) "os livros não mudam o mundo, os livros só mudam as pessoas". E um romance de época pode mudar alguém, um chick lit, até um romance erótico (que é um gênero que eu particularmente não aprecio muito). Livros sempre são capazes de nos transformar (para melhor) se dermos a eles a oportunidade de fazerem isso. Por isso esse preconceito literário que existe aos montes na blogosfera me irrita tanto. Porque eu posso achar que um livro é inútil para minha vida, posso considerar uma história a pior de todas, mas tenho que respeitar o fato do outro não ser obrigado a ter o mesmo gosto que eu, e poder retirar daquela mesma história que odiei algo de bom para sua vida. Talvez seja a história que aquela pessoa precisava ler. Enfim... Mas de todos os preconceitos literários que existem um dos mais insuportáveis é em relação aos que não leem clássicos. E só posso considerar quem julga alguém por não ler clássico um pseudointelectual, que para ser um intelectual de verdade, evoluído, deveria no mínimo respeitar o gosto literário das pessoas. 


E foi assim que tive uma certa antipatia pelo autor sem sequer conhecê-lo, somente por ter me irritado com o que um pseudointelectual disse.rs Mas, felizmente, isso não me impediu de, anos mais tarde, vir a dar uma chance ao Machado de Assis, que não tinha culpa de nada.kkkkkk... Eu já tinha esbarrado em suas histórias no colégio, nas aulas de Literatura. Mas nunca tinha realmente parado para lê-lo, para apreciar ou não as suas obras. Então, como tinha resolvido, por livre e espontânea vontade, dar uma nova oportunidade aos clássicos (porque tinha lido uns que eram péssimos.rs) decidi apostar no Machado, a começar por seus contos. :) Comprei um livrinho de contos na cor azul (confesso que chamou minha atenção pela cor, pois amo azul) e embora a linguagem fosse um tanto difícil, me apaixonei pela escrita dele, por suas histórias tão envolventes, tão ricas, tão incríveis! O próximo (e inevitável) passo foi ler Dom Casmurro, logo seguido por Memórias Póstumas de Brás Cubas, e por mais que eu geralmente "não vá com a cara" de muitos dos personagens de suas histórias, sou irremediavelmente louca pelos seus livros em si, que me fascinam com histórias tão importantes, tão capazes de mexer com nossos sentimentos e reflexões. 

Por isso, quando tive a oportunidade de escolher um presente antecipado de aniversário, não tive dúvidas: queria o box com todos os romances e contos consagrados do autor, que para minha sorte estava com uma baita promoção, porque era Box Friday na Amazon. Este box custa muito caro e naquela sexta-feira, se não me engano, estava com 50% de desconto. Um sonho!

E foi nesta edição que li Helena. A história que veio a se tornar a minha preferida do Machado, aquela que me encantou com seu romantismo (algo que não é frequente nos livros dele, não era muito de escrever histórias românticas), com este lirismo tão evidente, tão contagiante. Eu lia a história com tanto amor que não queria que acabasse.rs Eu prolonguei o máximo que consegui a leitura, chegando a evitá-la por dias, pois sempre que pegava no livro lia muitas páginas por vez e tinha que me forçar a parar para poder estender a leitura por mais tempo.kkkkkk... Ontem mesmo peguei no livro e estava tão perto do fim que senti uma tristeza enorme e falei comigo mesma: "Pare, Luna! Interrompa a leitura para que dure pelo menos até amanhã!". E foi o que fiz. Faltavam apenas oito páginas, que eu teria terminado num instante, mas fechei o livro para deixá-las para hoje. É bem assim que amo esta história. Ao ponto de não querer me separar dela, de sofrer imenso por tê-la terminado. :(

No início da história há uma "advertência" do autor, que é uma espécie de introdução e comecei a grifar o livro desde esse momento, pois o Machado já conseguiu me envolver com essas palavras:

"Não me culpeis pelo que lhe achardes romanesco. Dos que então fiz, este me era particularmente prezado. Agora mesmo, que há tanto me fui a outras e diferentes páginas, ouço um eco remoto ao reler estas, eco de mocidade e fé ingênua. É claro que, em nenhum caso, lhes tiraria a feição passada; cada obra pertence ao seu tempo."

Helena é um clássico, mas geralmente esquecido pelos leitores que preferem falar de histórias como Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas, livros que o consagraram, que o tornaram um grande autor, tão querido por tantos. Mas como alguém pode esquecer ou desvalorizar Helena?! A inteligência, a sabedoria, a pureza de sentimentos dessa menina que é a grande protagonista da história. Helena é de uma força tal que nos admira. Seu caráter é como uma força da natureza que nos arrebata conforme acompanhamos a sua história. Lembro de um trecho no qual o Estácio, irmão da personagem, diz que ela mal tinha 17 anos. O padre, por sua vez, menciona que valia por 25, tal era a maturidade dela. Eu diria mais que isso: diria que Helena era mais sábia e tinha um conhecimento maior da vida e dos sentimentos humanos do que muitas pessoas que viveram várias décadas mais. Para muitos personagens e até para alguns leitores ela talvez seja vista como uma santa ou um anjo. Eu não a vejo assim. A vejo como uma menina-mulher que sentia tudo intensamente e era obrigada a trancar dentro de si boa parte de seus pensamentos e sentimentos, que escondia do mundo não só o seu amor, mas também a sua dor. E que não permitia que isso a impedisse de absorver de cada dia toda a felicidade que pudesse ter. Porque amava viver, amava refletir sobre o que era tão simples para ela e tão complicado para aqueles que mais se importavam com aparências e regras sociais. Helena era amor e profundidade. E era mais resiliente do que eu jamais conseguiria ser. 

"- Deixemos a cada idade a sua atmosfera própria - concluiu ele - e, não antecipemos a da reflexão, que é tornar infelizes os que ainda não passaram do puro sentimento."

Helena, aos dezesseis anos de idade, já conhecia muito da natureza humana. Sendo fruto de uma relação "desonesta", pois seu pai não era casado com sua mãe, mas mantinha as duas ocultas da sociedade, enquanto abertamente possuía uma família legítima, ela sabia qual era o seu lugar e o que esperar da vida. Com a morte da mãe, foi enviada para viver definitivamente no colégio no qual estudava e recebia uma primorosa educação. Sabia que ao terminar seus estudos faria um adequado casamento e possivelmente ninguém jamais saberia quais os verdadeiros laços que a uniam ao conselheiro Vale. Mas quis o destino que o mesmo falecesse repentinamente e que em seu testamento houvesse o reconhecimento de sua existência, o que lhe conferia os direitos legais de filha, para choque da sociedade da época que não via com bons olhos os filhos naturais. 

Não se contentando em apenas reconhecer Helena e dar a ela sua parte na herança, o conselheiro também fez com que sua família soubesse que era sua última vontade que a menina, ao concluir os estudos, fosse viver em sua casa, recebida com afeto por seus parentes. Sua esposa já tinha falecido e existiam apenas Estácio, seu filho de 27 anos e até então único herdeiro, e sua irmã, D. Úrsula, que sempre tinha vivido sob o seu teto e participado da criação do sobrinho. A notícia causou grande espanto em D. Úrsula, que nunca sequer tinha ouvido falar na menina. Estácio, por sua vez, já tinha escutado alguém mencionar que seu pai possuía uma filha natural, mas ele nem considerara o fato, de tão distante que parecia de sua vida. 

Passado o choque provocado pela revelação e as últimas vontades do falecido, D. Úrsula se dispôs a rejeitar Helena. Não aceitava ter que receber em sua casa uma completa estranha, não importava quais laços as unissem. A julgava uma interesseira, alguém indigna de sua confiança e estava determinada a não lhe dar qualquer afeto. Estácio, todavia, pensava muito diferente. Não estava preocupado em ter que dividir sua herança. Se aquela era a vontade de seu pai, ele não iria se opor. Também pretendia receber a irmã desconhecida de braços abertos e cumprir em tudo o que seu pai desejou. Mas nada poderia prepará-lo para todas as mudanças que a vinda de Helena provocaria em sua vida. Da conexão que existiria entre eles. Da sensação de que sempre a tinha conhecido, mesmo que nunca antes tivessem se encontrado. 

"Não se deliberam sentimentos; ama-se ou aborrece-se, conforme o coração quer."

A proximidade entre Estácio e Helena é quase imediata. Embora ela tivesse suas reservas, pois nunca estivera próxima de um homem além de seu pai, havia uma força que tornava a convivência com Estácio natural, e quanto mais tempo passavam juntos mais difíceis eram os momentos nos quais estavam separados. Por mais que seu lado consciente lhe fizesse pensar que aquele era um afeto normal entre irmãos, o coração de Estácio já sabia de verdades que lhe causariam pavor reconhecer. Que seus olhares para Helena não eram fraternais. Que o ciúme e o desejo de tê-la sempre ao seu lado não era simples zelo de irmão. A amava. Profundamente. Todavia, como homem e não como irmão. 

Helena, muito mais perspicaz e sábia do que ele, é a primeira a perceber para onde estavam caminhando. Possuidora de uma força admirável, buscou se aproveitar de sua influência sobre ele para apressar o casamento de Estácio com aquela que todos esperavam que ele se casasse: a linda Eugênia, filha do melhor amigo de seu pai. Estácio também sabia que deveria pedir Eugênia em casamento, mas sobretudo depois de descobrir e receber a irmã em sua casa, buscava adiar o pedido. Helena precisava dele, era seu guardião legal, tinha que zelar por ela e talvez não fosse o momento para se casar, certo? Fossem quais fossem as desculpas, ele as procurava desesperadamente. Mas, por fim, ela conseguiu o que desejava: a formalização da união entre Estácio e Eugênia, que eram já abertamente prometidos e não poderiam voltar atrás. 

Fortalecendo a distância que precisava ser construída entre ela e Estácio, cedeu também aos conselhos do padre e encontrou para si um pretendente adequado. Com ambos prometidos a outras pessoas, o amor proibido que nascera sem que eles desejassem, seria forçado a se extinguir e tudo seguiria o curso adequado... Ou não. 

"- Não sei o que é medo - interrompeu ela com ingenuidade.
- Sim? Não a supunha valente. Pois eu sei o que ele é. 
- O medo? O medo é um preconceito dos nervos. E um preconceito desfaz-se; basta a simples reflexão."

Que tema polêmico no qual o autor resolveu tocar, não é mesmo? Um verdadeiro tabu. Como meu exemplar não possui sinopse que fale um pouco sobre a história, não dava muito para saber sobre o que o autor pretendia escrever antes de iniciarmos a leitura. Quem ler sem nunca ter ouvido falar muito sobre o livro certamente levará um certo choque. Como assim o romance se desenvolve entre dois irmãos?! Não interessa se eles não se conheciam, se não cresceram juntos. A união amorosa entre irmãos não é só rejeitada pela Igreja, mas pela sociedade em si, pela moral. Embora existam tabus que não deveriam existir, o tema incesto possui uma rejeição quase unânime, é realmente proibido (não pela lei, mas pela moral). Não tem como consideramos normal dois irmãos se envolverem. 

Só que o livro Helena não está interessado em abordar se a relação seria proibida legalmente ou não. Aqui não é isto que importa. O amor entre Helena e Estácio é proibido, impossível, trágico. O autor só estava preocupado com o romantismo da situação, no quanto a história mexeria com nossos sentimentos e como seríamos incapazes de julgar estes dois pobres condenados. O livro nos envolve de tal maneira desde a primeira página que nem chocados ficamos. O que sentimos é uma tristeza muito grande pelos dois. Por que o destino teve que ser tão cruel? Por que os unia de uma forma que tornava impossível o amor, a felicidade? Nosso coração dói por eles, até porque percebemos que eles se amavam antes mesmo que eles próprios percebam. Estácio, então! Ele só percebe a verdade quase no final do livro, o que lhe provoca um desespero enorme, uma angústia sem fim. Antes ele não sabia que seus sentimentos não eram de irmão. Porque não era luxúria, sabe? Nem mesmo aquela paixão que se percebe de cara, aquela coisa intensa e arrebatadora, que os personagens logo saberiam sentir. Não. Não é nada disso. É amor. Um amor forte demais. Um amor inexplicável. Um amor condenado. 

"Sobretudo, peço-lhe que escreva em seu espírito esta verdade: é que sou uma pobre alma lançada num turbilhão."

Helena é uma jovem que nos encanta assim que a conhecemos. Educada para ser uma dama, é também um espírito livre, menina e mulher ao mesmo tempo. Era inocente, mas também parecia ter uma sabedoria vinda da experiência dos anos, que somente pessoas mais velhas ou que passaram por muitos sofrimentos adquirem. Observadora, sabia ler os seres humanos como poucos. Antecipava as consequências de determinadas situações e se perdia em reflexões tão intensas que nos deixavam de queixo caído. Ela era muitas mulheres diferentes numa só. Terminei a leitura a admirando profundamente e chorando demais por sua dor. 

"Mediante os seus recursos, e muita paciência, arte e resignação - não humilde, mas digna -, conseguia polir os ásperos, atrair os indiferentes e domar os hostis."

Lançada num mundo que bem poderia tragá-la e fazê-la em pedaços se não tivesse o apoio de Estácio e da tia (que acaba se rendendo aos sentimentos que Helena provocou em seu coração), ela conseguia circular de maneira tão digna e natural, mesmo que no fundo não gostasse daquele meio e preferisse as coisas simples da vida, que envolvia a todos, até mesmo aqueles dispostos a tratá-la com hostilidade. Helena tinha muita luz e habilidade para desvendar o caráter dos outros e "domá-los", como o trecho acima mesmo diz. D. Úrsula mesmo, que tanto foi hostil no início, foi incapaz de não se render à verdade do olhar dela, à simplicidade de seus sentimentos. Helena era esperta o suficiente para saber como despertar o amor de sua tia e o respeito da sociedade, mas tudo nela era verdadeiro. Ela não jogava com falsidade. Usava as armas verdadeiras do seu próprio coração, porque queria construir uma vida feliz para si mesma. Queria ser feliz. Isso era tudo o que desejava. Precisava a vida ser tão cruel com ela? Se eu não amasse tanto o autor, possivelmente o odiaria pelo tanto que fez Helena sofrer. E meus olhos já se enchem de lágrimas novamente. :(

"Olharam um para o outro sem proferir palavra; mas o lábio de Estácio tremera duas ou três vezes como hesitando no que ia dizer. Por fim, o moço venceu-se. 
- Helena - disse ele -, você ama."

Talvez você pense que a história é doentia por conta do tema incesto. Mas te garanto que se der uma oportunidade ao livro verá que as coisas acontecem de modo bem diferente do que você possa imaginar. Estácio e Helena não fazem nada de errado, imoral ou pecaminoso. Não há troca de carícias ou beijos. Não há nenhuma proximidade carnal. Embora gostassem de estar juntos, o que faziam era passear a cavalo, conversar sobre livros, conversar sobre a vida em si e sobre qualquer assunto que jamais os remeteria ao amor proibido que sentiam (lembrando que Estácio nem sabia que a amava). Há um momento do livro no qual Estácio percebe que ela está apaixonada por alguém e isso lhe dói muito, por mais que ele julgasse que era ciúme de irmão. Mas nem passou por sua cabeça que ela o amava. E Helena nunca tentou viver tal amor. Pelo contrário, ela busca fazê-lo se unir à Eugênia e construir um futuro ao lado da moça. Helena escondia no mais profundo do seu coração o amor que sentia. Só queria ter a oportunidade de ouvir sua voz, vê-lo, conversar com ele. Nunca houve a tentativa de nada que fosse inadequado. Não é possível julgar alguém pelo que sente em seu coração, mas sim por suas atitudes. E não havia o que condenar nas atitudes deles. 

"Nada há definitivo no mundo, nem o infortúnio nem a prosperidade."

Quanto mais a história se aproxima do final, com Helena comprometida com o Mendonça (melhor amigo do Estácio), e Estácio comprometido com Eugênia, mais tememos o que pode acontecer no fim. Sobretudo depois de certos acontecimentos que provocam uma grande reviravolta na história. Conhecemos a força dos personagens, seu caráter, sua coragem, seu amor puro, sem malícia. No entanto, também conhecemos o autor, o que é motivo suficiente para sentirmos pavor do fim. Tudo poderia acontecer... 

"Felizes os que sabem o caminho reto da vida e nunca se arredaram dele!"

Eu chorei muito com esta história. Muito mesmo. É a minha preferida do autor (conseguiu me envolver até mais que Dom Casmurro!) e do mesmo modo que me envolveu, me apaixonou, me arrebatou com este romantismo tão bonito e trágico, também partiu meu coração. Foi tudo tão injusto... Não posso falar demais para não dar spoilers, mas lhes digo que a história vai dar uma reviravolta tal que abalará profundamente suas emoções. 

"As mãos, de impulso próprio, uniram-se como os olhares; nenhuma vergonha, nenhum receio, nenhuma consideração deteve essa fusão de duas criaturas nascidas para formar uma existência única. O vento tornara-se mais rijo; uma lufada os despertou, em má hora, porque há sonhos que deviam acabar na realidade do outro século."

Se recomendo o livro?! Com todo o meu coração! É uma das melhores histórias que já li, e é também uma das mais tristes. Não importa o que você pensa do tema que o autor resolveu abordar, vai sofrer com Helena e Estácio, vai ter o coração feito em pedaços pela história. Acredite em mim, este livro não te deixa indiferente, se você se propõe a lê-lo com o coração aberto. 

Apesar de fazer parte da "fase romântica" do autor, o livro não deixa de fazer críticas sociais, como é algo recorrente nas obras dele. Assim, Helena é uma história de amor, mas também é bem mais do que isso...





Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers (não necessariamente nesta ordem). Mãe da gatinha Luana. Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

7 comentários:

  1. Uau, que escrita hein! Tu sabes que quando entrei na adolescência eu só lia clássicos e outros livros não clássicos e nem sequer sabia desta coisa de clássicos ou não, para mim era tudo leitura e eu só queria ler mesmo. E essa coisa de ficarem falando que ler clássicos é muito melhor que outros livros, na verdade acho que tudo é igual, a diferença é o que torna a pessoa mesmo. Adorei os que li do Machado e li Helena e é como você fala, cada obra tem o seu contexto.

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  2. Tudo bem? Adorei a sua resenha e fiquei bem curiosa por ler esses contos e principalmente o que você escolheu para resenhar.

    Beijos.

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    1. Obrigada, mas não são contos. São romances do autor.

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  3. Olá!
    Eu já li alguns romances do autor na época de escola, quando mais velha resolvi ler alguns clássicos dele, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, e assim, Eu não curti a escrita e não consegui me acostumar a leitura e acabei abandonando. Eu super concordo com você, ler clássicos ou não, nao te classifica como ser leitor ou não. Defendo muito isso também. Esse romance, Helena, eu conheço de nome, mas nunca li. Vou anotar a dica.

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  4. Oi.

    Ual, que resenha. Eu nunca li nada do autor, eu até tentei, mas não rolou. Acho que o momento que eu tentei ler não foi bom. Mesmo assim, eu não ainda não estou pronta para ler mais alguma coisa dele. Pelo o que você escreveu, esse romance parece ser muito bom, no entanto, eu vou deixar passar a dica neste momento.

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  5. Eu nunca li Helena, mas depois dessa resenha maravilhosa fiquei louca para fazer isso. Espero que eu goste. Li um livro com tema de incesto e não curti nem um pouco, mas que bom saber que esse não acontece nada, o que eu li tinha beijo e tudo mais.
    beijos

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  6. Oi Luna, acho que no ensino médio a gente meio que fica traumatizado com essas literaturas mais canônicas porque somos obrigados a ler pra vestibular e coisas do tipo, isso nem sempre é legal, alias, nenhuma imposição é legal, né? Mas concordo contigo, Machado não tinha culpa alguma é um baita autor que constrói personagens muito bons e que vale a pena ser lido.

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