12 de julho de 2019

O Estrangeiro - Albert Camus

Tempo de leitura:

Título Original: L'Étranger
Páginas: 125
eBook Kindle
Onde comprar: Amazon

*Lido no Kindle Unlimited


Sinopse: O Estrangeiro é um romance de 1942 de Albert Camus, frequentemente citado como um excelente exemplo da filosofia do absurdo e existencialismo de Camus. É uma obra exemplar de arte literária que apresenta um amálgama de apatia e humanidade, de uma maneira que é paradoxal, mas profundamente satisfatória. Esta escritura louvável explora as inúmeras possibilidades da vida humana, reconhecendo seus absurdos.




Pense num livro perturbador... Comecei a ler esta história no dia 27/05, mas logo em seguida deixei de lado para me dedicar a outras leituras. Todavia, ontem eu decidi que retornaria ao livro e o melhor seria voltar do início. E foi o que fiz. Como resultado fui dormir bem tarde e quase concluí a leitura toda ontem. Sobraram apenas poucos capítulos que li hoje, dia 07/07 (mas a resenha só será publicada no dia 12/07). É uma história que mexeu muito comigo por conta das reflexões que ela provoca. Também ficou um sentimento meio doloroso, que nem sei explicar... 

"Mamãe morreu hoje. Ou, talvez, ontem. Eu não tenho certeza."

Meursault, o personagem principal, que é também o narrador desta história, recebe de repente a notícia de que sua mãe faleceu. Eles não moravam juntos fazia um tempo, pois o protagonista não tinha condições financeiras de mantê-la ao seu lado. Assim, a colocou num lar para idosos, onde ele aparecia pouquíssimas vezes, por ser uma viagem muito longa até o local e não ter tempo para ficar indo e vindo. Além disso, segundo o personagem, não tinha nada em comum com sua mãe e quase não se falavam ainda quando viviam juntos. Sendo assim, o melhor mesmo era aquela distância. 

A notícia da morte de sua mãe é um inconveniente, pois isso o obriga a pedir uma licença de dois dias para seu patrão, o que o fazia se sentir culpado. 

"Desculpe, senhor, mas não é minha culpa, você sabe."

Um tanto incomodado por irritar seu patrão, tendo que comparecer ao funeral da mãe, ele chega ao lar para idosos muito cansado e um pouco confuso. Seus pensamentos se desencontravam. Estava ou não triste pela morte da mãe? Achava que não. Era tudo apenas um grande inconveniente. Se lhe perguntassem, certamente responderia que preferia que ela estivesse viva, pois não teria que fazer aquela viagem e faltar ao trabalho. 

"Agora, é como se Mamãe não estivesse realmente morta. O funeral irá me convencer melhor, colocando um selo oficial nisso, assim por dizer."

Para confusão e incômodo das pessoas presentes no velório, Meursault não demonstrou qualquer emoção. Era estranho que ele não chorasse, que não expressasse um pouco de dor. Ele fumou e bebeu café com leite, embora se perguntasse se poderia fazer aquilo diante do caixão no qual sua mãe estava. Não quis ver o corpo. Só queria que tudo aquilo acabasse. 

Um dia após o enterro de sua mãe, iniciou um relacionamento com uma antiga colega de trabalho. Marie. Juntos foram ao cinema e terminaram a noite em seu apartamento. Por mais que pensasse e até recordasse a mãe, tudo lhe parecia tão sem sentido....

Pouco tempo depois, começou uma estranha amizade com um cara conhecido por ser cafetão. Deixando "a vida levá-lo", se convenceu que não havia nada de errado naquela amizade e até ajudou o homem a se vingar de uma ex-amante, chegando inclusive a testemunhar a seu favor. A verdade é que nada lhe importava muito. Se pensasse bem, nada importava. Nada. Nem mesmo o fato de, ano após ano, ver um de seus vizinhos maltratar seu cachorro, com crueldade. Como já tinham lhe perguntando antes, aquilo não o incomodava. Nada incomodava. Nada importava. 

"[...] e eu gostaria de ter a chance de explicar a ele, de uma maneira bastante amigável e quase afetuosa, que nunca consegui realmente me arrepender de nada em toda a minha vida."

Acreditou que nada, de fato, mudaria com a morte de sua mãe. E realmente não mudou. Até que, durante uma viagem com sua namorada e seu amigo cafetão, ele se meteu numa briga com árabes (sendo um deles irmão da ex-amante do cafetão). Momentos mais tarde, quando tudo já parecia resolvido, ele retornou sozinho ao local e executou um dos árabes (o irmão da moça) com cinco tiros. 

"Mas todo mundo sabe que a vida não vale a pena ser vivida. No fundo eu sabia perfeitamente bem que não importa muito se você morre aos trinta ou aos setenta anos, já que em ambos os casos outros homens e mulheres continuarão naturalmente vivendo. Na verdade, nada poderia ser mais claro. Quer fosse agora ou daqui a vinte anos, eu ainda morreria."

Quando iniciei a leitura eu já sabia que haveria um assassinato e que o livro teria muito daquela coisa de "teoria do absurdo". Mesmo assim, a leitura é muito densa. Perturbadora. Ela nos incomoda e provoca certa angústia. O personagem principal nos confunde bastante e ao mesmo tempo nos assusta. Sua insensibilidade, que é tão citada durante o julgamento, realmente nos choca. Todavia, suas reflexões fazem sentido. É chocante que ele não sinta pela morte da mãe. É mais terrível ainda o fato de ele não se arrepender de ter matado um ser humano. Mas mesmo assim as coisas que ele pensa sobre a vida e a morte fazem bastante sentido. 

"Ainda assim, se você não morrer logo, você morrerá um dia. E então a mesma pergunta irá surgir. Como você vai encarar essa hora final e terrível?"

Mesmo sabendo que o personagem é culpado e que assassinou a sangue-frio o árabe (a história inteira não sabemos o nome dessa pessoa), não sentindo arrependimento, não podemos deixar de perceber o absurdo daquele julgamento. Tudo era conduzido da maneira mais estúpida possível e não parecia que ele estava sendo julgado pelo assassinato, mas sim por não ter demonstrado tristeza pela morte da mãe, o que, segundo o promotor do caso, mostrava que ele já tinha pensamento de criminoso. Dá para entender essa loucura?! Ninguém naquele tribunal se importava com o árabe assassinado. Era um mero detalhe, pelo que pude perceber. Quem era aquela vítima para o júri, o promotor, o juiz e até mesmo o advogado de defesa? Não era ninguém, para eles. Aquela morte era irrelevante. O fato mais chocante para aquelas pessoas era Meursault não se importar com a morte da mãe. Eu não sabia se ria ou chorava com tanta loucura. 

Primeiro, que ninguém sabia se ele de fato não se importava. Nem mesmo o próprio personagem, cujos pensamentos nós conhecemos (o livro é narrado por ele), pois ele não sabia explicar o que sentia, apenas que nada fazia sentido. E ele lembra muito da mãe ao longo da história. Lembra das coisas que ela dizia, que pensava, como encarava certos assuntos... Me parecia que ele estava mais em choque ou negação do que qualquer outra coisa. E tinha toda aquela questão existencial que ele tantas vezes levantou para nós leitores. É um livro muito desgastante, que exige muito de nós, apesar da narrativa em si ser fácil, da leitura fluir naturalmente. Mas tem aquela coisa filosófica, sabe? Que te faz pensar, refletir e você se sente cansado e perturbado com a profundidade da história. 

"Em sua opinião, todo homem na terra estava sob sentença de morte."

O segundo ponto, que não continuei no parágrafo anterior, pois acabei me perdendo...rsrs O segundo ponto é que, não importava se ele não sentia pela morte da mãe, isso não devia ser levado em conta no julgamento pelo assassinato do árabe, muito menos ser o ponto mais importante para aquelas pessoas! Era absurdo demais. Segundo o promotor, o Meursault não tinha alma, pois não ligava para a morte da mãe. Que a ausência de sentimentos dele diante daquela fatalidade era um crime tão grave quanto um parricídio. Enfim... O julgamento contém vários absurdos. E ressalto: não era o crime terrível que o protagonista cometeu contra o árabe que importava. Ninguém ali ligava para a morte do árabe. A questão toda foi outra. O que tornou o julgamento muito injusto. Uma verdadeira estupidez. 

Não tenho dúvidas de que o protagonista era perturbado. A história inteira ele demonstra isso. Mas, como eu disse, muitos dos seus pensamentos fazem sentido. E isso sim nos assusta de verdade.rsrs

"Era como se aquela grande onda de raiva tivesse me lavado, me esvaziado de esperança e, olhando para o céu escuro coberto com suas estrelas, pela primeira vez, eu coloquei meu coração aberto para a benigna indiferença do universo."

Recomendo o livro? Sim, mas deve ser lido no momento certo, pois realmente é uma história que nos angustia. 



Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers (não necessariamente nesta ordem). Mãe da gatinha Luana. Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

2 comentários:

  1. Oi Luna querida.
    Livro perturbador. Vamos um ponto, odeio leituras densas demais, me cansa e acabo perdendo o foco da história.
    Esse protagonista é um psicopata!!! Não demostrar nenhum afeto pela morte da mãe.
    Outro ponto curioso é que já sabemos o que acontece na história, tem um assassinato, fato. Gosto até quando os livros já nos dão algumas informações! hahahah pelo menos eu me preparo.
    Enfim, não sei se iria ler, talvez pela curiosidade

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  2. Olá, Luna.

    Mesmo sem ter lido o livro também acho que concordaria com alguns pensamentos do personagem.
    O protagonista parece ser. realmente perturbado, isso me deixa com certo receio em realizar a leitura, já que ele poderia acabar me irritando em alguns momentos com seu modo de agir.
    Eu não conhecia o livro, contudo fico feliz que tenha sido uma leitura agradável para você.

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