5 de julho de 2019

O Amante da Princesa - Larissa Siriani

Tempo de leitura:
Literatura Nacional
Editora: Verus
Edição de: 2018
Páginas: 224
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Maria Amélia de Bragança é princesa do Brasil, prometida a Maximiliano Habsburgo, arquiduque da Áustria. Mas não há nada que ela deseje menos do que esse casamento: como alguém pode querer que ela se case com um homem que nem sequer conhece? O que Amélia não esperava é que seu noivo chegasse ao Palácio das Janelas Verdes, em Lisboa, acompanhado do amigo Klaus Brachmann, um homem charmoso e experiente que se sente compelido a seduzir a princesa apenas pelo prazer da conquista. Uma viagem inesperada que Maximiliano precisa fazer se mostra a oportunidade perfeita para que Klaus ensine uma coisinha ou outra a Amélia entre quatro paredes... E, conforme o jogo avança, a possibilidade de casamento se torna cada vez mais remota para a princesa, que agora precisa proteger seu coração a todo custo.

É madrugada do dia 03/07 e mesmo sabendo que só irei publicar esta resenha no dia 05, resolvi começá-la no papel mesmo, pois não estava com vontade de ligar o computador.rs

O Amante da Princesa foi minha última leitura do mês passado e eu estava decidindo ainda se faria esta resenha ou não. Originalmente, dei 2 estrelas ao livro. Todavia, isto não é definitivo. Como assim, Luna? Quem me conhece sabe que organizo meus sentimentos por uma história no momento em que faço a resenha. E já aconteceu de eu reavaliar um livro após concluir a resenha.kkkkk... Sim, sou doida a este ponto. 

No grupo Literatura de Época (no Facebook), bem como num grupo no WhatsApp, eu partilhei meus receios e falei da minha antipatia pelo livro (antes de ler). Tinha implicância sim, admito. Muita. Porque sou apaixonada por História e quando percebi que a autora teve a "ousadia" de pegar a trágica história de amor da princesa Maria Amélia e seu noivo Maximiliano, para transformar em algo bem diferente, eu senti muita raiva. Com tantos nobres por aí que realmente se casaram por conveniência e tiveram amantes, por que mexer justamente na história dessa menina que, contra os costumes da época, amava o homem com o qual iria se casar? Por que perturbar a história de amor deles quando a vida já tinha tratado de condená-los? Eu fiquei realmente muito aborrecida e mais do que disposta a detestar o livro. A história de Maria Amélia e Maximiliano era bonita e trágica e ninguém deveria pegá-la para desconstruir tudo como a autora se atrevera a fazer. 

Só muito depois de concluir a leitura é que percebi que a autora, na verdade, não desconstruiu nada. Apenas se aproveitou da licença literária para alterar o nome e a situação do homem que a princesa Maria Amélia amou. Desta forma, ela modificou as circunstâncias em que se desenvolveu aquele amor, mas manteve a essência do sentimento. Talvez esteja enganada, mas é o que penso que ela fez, pois se inspirou justamente no amor real entre Maria Amélia e Maximiliano para escrever O Amante da Princesa. Só que em vez do romance acontecer entre os dois, ela preferiu criar o fictício Klaus, transferindo o amor da princesa para ele, entende? Por que manter tudo da maneira original se transformar aquele amor em algo proibido ficaria melhor, mais instigante? 

Todo amor proibido é mais envolvente, não é mesmo? Nós leitores amamos encontros às escondidas, beijos roubados, bilhetes trocados e o mundo contra os personagens, na esperança de que eles serão capazes de vencer qualquer obstáculo ou destroçar nossos corações, nos deixando em prantos por um longo tempo...

"Há uma espécie de zumbido em meus ouvidos, um silvo alto e agudo que se sobrepõe aos outros sons. É o eco abafado dos gritos que não posso deixar sair."

Maria Amélia, princesa do Brasil, meio-irmã de Dom Pedro II, nunca colocou os pés em terras brasileiras. Nascida na França e criada em Portugal por sua mãe, tendo perdido o pai ainda muito pequena, passa seus dias cumprindo as obrigações de alguém de sua posição social, mas isso não a impede de escapar para a biblioteca e esquecer da vida durante o tempo que dedica aos seus livros. Se estava condenada a não viver uma história de amor poderia ao menos senti-la nas páginas dos livros, ao imaginar-se no lugar dos personagens. 

"Não importa em que parte do mundo você esteja, onde há livros há um lar."

Ela estava prometida ao arquiduque da Áustria, Maximiliano Habsburgo, um homem que vira apenas uma vez, vários anos antes. Sua mãe queria que ela estivesse feliz. Todos esperavam que ela vibrasse com aquela união. Mas como estar contente se tudo não passava de um arranjo de conveniência? Se o amor que ela sonhava viver provavelmente passaria longe daquela relação?

Quando seu noivo chega em Portugal para passar um período no Palácio das Janelas Verdes, antes do casamento, Maria Amélia está disposta a cumprir seu papel e manter em segredo a vontade que sente de fugir para bem longe de tudo aquilo. Todavia, as coisas tomam um novo rumo quando ela conhece Klaus, o melhor amigo de seu futuro marido. O que havia nos olhos daquele homem que a fazia sentir-se mais viva e ciente de seu próprio corpo? Por que seu sorriso mexia tanto com suas emoções? E por que desejava tanto estar a sós com ele quando sabia que isso seria uma completa loucura?

Queria os seus beijos. O seu toque. Queria as conversas sobre livros e as risadas partilhadas. Queria uma vida ao seu lado. Ainda que o destino tivesse outros planos...

"Não o amo. Não posso amá-lo. Pois amá-lo significaria jamais poder deixá-lo partir."

A leitura deste livro foi cheia de altos e baixos. Como eu disse, queria odiar a história. Esta era a minha intenção, pois eu sentia raiva da autora por mexer na história real da princesa Maria Amélia e criar um amante que nunca existiu. Então, quando comecei a ler não estava nada contente. Já tinha decidido que reprovaria tudo no livro, que faria uma resenha negativa. Que não perdoaria a autora por seu "desrespeito" pelas pessoas reais das quais ela tinha decidido falar. Enfim... Estou falando tudo isso porque posso até ser implicante com alguns livros, mas sempre sou sincera em minhas resenhas. E com esta não seria diferente. 

Eu quis odiar o livro, mas não odiei. Quis falar mal da história, mas é impossível. Porque a verdade que não evitarei é que amei a história de amor que a autora construiu entre Maria Amélia e Klaus. A verdade é que chorei muito com e por eles, que torci pelo amor que sentiam, que desejei que este amor fosse capaz de resistir a tudo. E que caí em prantos no final. 

Não foram todas as cenas que me agradaram, claro. Achei algumas cenas de amor muito rápidas e sem a carga emocional necessária. Outras, porém, me envolveram muito, como aquelas nas quais eles se encontravam escondidos na biblioteca, com os livros como únicas testemunhas de seu amor. Também amava quando eles, ao estarem separados, pensavam um no outro. Pouco a pouco, foram me conquistando contra a minha vontade.rs

No início, Klaus não me agradava com seu jeito cafajeste, sorriso sarcástico e intenção de apenas "desfrutar" da companhia da princesa antes do casamento dela com seu melhor amigo. O Maximiliano do livro não está apaixonado por sua noiva. Ele amava outra mulher e não se importava com o interesse de Klaus por sua prometida. Então, de cara eu já via motivos para fortalecer minha decisão de desprezar o livro. Porém, conforme a história foi se desenvolvendo, Klaus teve a chance de me mostrar seu verdadeiro caráter e seu coração. Seu amor por Maria Amélia é comovente, consegue nos convencer. Ele não queria se apaixonar. Mas estar com ela se tornou mais importante que tudo. Não era mais só paixão, desejo. Ele queria ser o homem que acordaria todos os dias ao seu lado, que seria o pai de seus filhos e aquele que a faria sorrir. Não queria o fugaz. Queria o "para sempre". 

"Ainda que me mandasse embora aos gritos, eu nunca a deixaria, Amélia. Um homem não pode viver sem seu coração, e o meu lhe pertence."

Ao lado de Klaus, Maria Amélia tem a oportunidade de viver seu próprio conto de fadas, mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde tudo teria que terminar. 

A história é muito bonita e tem a capacidade de nos envolver, mas são as últimas oitenta paginas que nos atingem com força e nos arrancam muitas lágrimas. Ainda sinto um nó doloroso na garganta. 

Recomendo? SIM! E reavaliei o livro no Skoob. Em vez das duas estrelas anteriores, modifiquei para 4 estrelas.kkkkkk... Sou uma leitora que precisa ser estudada, pois não sou normal.rs

Mas, queridos leitores, tenham em conta que este livro é ficção. Não é sequer um romance histórico, mas sim um romance de época, não tendo compromisso com a realidade da história da princesa Maria Amélia. A autora se utilizou de alguns elementos reais? Sim, mas foram poucos. A maior parte da história é pura ficção.

A única forma de ler este livro sem problemas é desvinculando a personagem da princesa verdadeira. Porque a Maria Amélia da vida real amava seu noivo Maximiliano e se o destino não tivesse sido tão cruel com os dois, teriam se casado e ficado juntos por um longo tempo, tido os filhos que a vida lhes negou. O futuro que lhes foi roubado. :(  






Mês da leitura: JUNHO. 
TEMA: De uma autora que escreva outros gêneros literários. 


Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers (não necessariamente nesta ordem). Mãe da gatinha Luana. Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

10 comentários:

  1. Ri alto do "Pouco a pouco foram me conquistando contra a minha vontade". Livro bom faz assim né... Gostei muito da sua resenha e principalmente da sinceridade. A Larissa Siriani é uma das minhas autoras nacionais favoritas.

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  2. Oi, Luna.
    Muito bacana ver uma autora nacional investindo em romances de época.
    Não sou lá muito fã da autora, mas acho super bacana ver que suas histórias cativam o público.
    Ah... E adorei o seu comentário sobre essa histórias ser ficcional. Gosto quando autores usam elementos reais para criar suas histórias, mas entendo que isso pode gerar alguma confusão nos leitores! Rs...
    Beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  3. Oi Luna!
    Lendo sua resenha me simpatizei com o começo de suas palavras. Eu tenho o livro só que ainda não li, porque?
    Pelo mesmo motivo que você, a sua resenha foi um tapa na minha cara (no bom sentido é claro kkk) pensei como você, mas agora vou ter que ler o livro e não julgar antes kkk, fiquei intrigada com o que foi colocado e com certeza vou ler, parabéns pela resenha e sua sinceridade sem ela não poderia afirmar que também tirei conclusões precipitadas. Bjs!

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  4. Oi Lu! Entendo quando você disse que ficou pistola antes mesmo de ler o livro, porque eu também sou encantada, de uma maneira triste, claro, sobre a história da princesa e de seu grande amor, e também ficaria com raiva antes mesmo de ler, mas vendo por esse outro lado, realmente chega a ser um pouco reconfortante o olhar que a autora conseguiu recriar, sem digamos, ofender a memória da história. Vou acrescentar a lista de leitura.

    Bjoxx ~ Aline ~ www.stalker-literaria.com ♥

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  5. Não conhecia essa obra e mesmo com as observações negativas que apontou, até que leria futuramente, sendo gosto de romance de época, mas não é meu estilo literário preferido, lendo - o esporadicamente. Mas é uma excelente dica, ainda mais pelo fato de ser uma escritora nacional.

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  6. Oi, tudo bem?
    Eu confesso que nunca ouvi falar sobre a história da princesa Maria Amélia e não faço ideia do que impediu a felicidade dela com seu noivo. Porém, já ouvi muitas pessoas falando bem sobre esse livro e até tinha curiosidade de ler. Só não pretendo fazer isso, por enquanto, porque ando evitando livros tristes como parece ser o caso desse. Mas que bom que você acabou se surpreendendo e gostando da leitura. Quem sabe dou uma chance em outro momento né?
    Beijos!

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  7. Olá,
    eu não conhecia a história dessa princesa e só depois de finalizar a leitura procurei saber o que de fato ocorreu. Inciei a leitura ciente de que o livro havia sido "inspirado" em uma história real, e certamente não esperava o relato fidedigno de tudo o que foi vivido por essas pessoas, afinal uma história fictícia inspirada, pode de deve trazer nuances que não condizem com a realidade. E lendo o desfecho da história, torci para que a autora tivesse sido ainda mais ousada e realizado mudanças ainda mais significativas - sei entende o que quero dizer. No final das contas, essa foi uma leitura que me arrebatou por completo, me surpreendeu e cativou de uma forma que eu não esperava, e por isso fico feliz que apesar de suas ressalvas, sua experiência também tenha sido positiva.

    Abraços!

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  8. Oi Luna é muito cativante ler sua resenha. E achei sensacional o fato de você ser conquistada pelo livro. Eu acabo fazendo coisas parecidas como essa, por exemplo tenho a trilogia dos cinquenta tons de cinza e não li até hoje por causa dos comentários negativos, apesar de ver muitas pessoas falando bem.

    Em relação a ser personagens reais e históricos não me preocupa. Até pq isso não me impediria de ler.

    Gosto muito da sua sinceridade na resenha. Achei bem legal você colocar os pontos positivos e negativos do livro. Parabens pela resenha, ficou ótima!. Beijos

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  9. Não li o livro e admito q apesar de gostar de romances de época esse não tinha chamado minha atenção, não sabia q a autora tinha usado uma história real como ponto de partida. Gostei de saber seus receios e experiência com o livro.
    Bjo

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  10. Oi Luna,
    Antes de ler a sua resenha, já tinha percebido que não ia me interessar em ler O Amante da Princesa, por ser de um gênero que não curto muito: Romances de Época.
    A sua sincera resenha me deixou intrigado com o romance da princesa Maria Amélia com Klaus Brashmann. Apesar da curiosidade, sei que esse é um livro que vai acabar sendo preterido por outros, por isso vou deixar a dica passar.
    Parabéns pela ótima resenha. Quem nunca alterou a classificação após um tempo que atire a primeira pedra... rsrs
    Beijos,
    André | Garotos Perdidos

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