29 de julho de 2019

Contos lidos - Julho/2019

Tempo de leitura:


Este mês não li muitos contos. Foram apenas cinco: dois do Machado de Assis, um do Monteiro Lobato e dois da Clarice Lispector. Foi um mês longo, mas apesar disso muito corrido, o que dificultou manter em dia algumas leituras. 

Em Miss Dollar, do Machado de Assis, conhecemos a cadelinha cujo nome dá título ao conto. Apesar de sua participação ser importante, ela não é a real protagonista, mas sim o Dr. Mendonça, um homem apaixonado por cachorros e que dá abrigo para a pequena Miss Dollar, até que descobre quem são seus verdadeiros donos. Então, se colocando no lugar daquelas pessoas que estavam infelizes sem a cadelinha amada, ele vai até a residência delas e lhes entrega a pequena. Acontece que isso o faz conhecer Margarida, uma jovem viúva pela qual ele se apaixona perdidamente. Aqui temos Machado de Assis no seu melhor (e raro) estilo romântico.rs

Marcha Fúnebre traz a história de um homem que recebe a notícia da morte de seu inimigo. Embora não gostasse do falecido, ele não deixa de sentir certa compaixão e fica pensando no fato do outro ter sofrido muito antes de morrer, vez que vinha definhando há tempos. Ele então fica com isso na cabeça, pensando que desejaria para si mesmo uma morte súbita, algo que mal sentisse. E o conto vai se desenvolver em torno das reflexões dele. 

Já do Monteiro Lobato li o conto A facada imortal que demorei bastante para entender e necessitei de uma segunda leitura para finalmente "decifrar" o texto. Isso porque não sabia o que era "fazer sangrar", "facada" e coisas assim, no contexto da história. Só depois de ler pela segunda vez é que compreendi que o personagem principal do conto, Indalício, era um jovem que tinha como "dom" utilizar sua lábia para arrancar dinheiro dos outros. Mas ele não o fazia como alguém que pede esmola. Não. Ele o fazia de modo astuto e elegante, fazia a pessoa lhe "emprestar" o dinheiro (sem que ele tivesse a intenção de devolver) atingindo de alguma forma o ponto fraco daquela pessoa, fosse bajulando, apelando para a vaidade do outro... Só que existia um amigo, Raul, que era um pão-duro, alguém que não emprestava nada para ninguém e a quem todos sabiam que Indalício nunca conseguiria enganar. Então, Indalício resolve que esse será seu desafio, fazer Raul ceder. 



Come, meu filho é um conto curtinho, de menos de duas páginas, que eu achei divertido. Nele temos um menino que para ludibriar a mãe que quer que ele coma (mas ele não quer comer), começa a falar sem parar sobre diversos assuntos. Como o fato de ensinarem que a Terra é redonda, sobre pepino parecer irreal e algumas coisas não terem gosto daquilo que são chamadas, e para ele definitivamente carne não tem gosto de carne.rs

Perdoando Deus é um conto mais complexo, que nos faz refletir bastante sobre o que conhecemos de nós mesmos. A protagonista está caminhando num dia bonito, em que se sente em paz consigo mesma, se sente livre, percebendo o mundo, o mar, os edifícios, tudo ao seu redor. E ela se sente tão em paz e conectada com a natureza e com o próprio Deus, que sente que pode amar tudo, de forma natural, um carinho tão puro quanto o de uma mãe. E ela vai pensando nisso até quase pisar num rato morto. E é quando se revolta. Porque de tudo que poderia cruzar seu caminho foi justamente um rato, um animal que lhe provocava pânico desde que se entendia por gente. E ali estava a prova de que não era possível amar "tudo e todas as coisas". 

"E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar?"

Depois que a raiva passa o episódio lhe provoca novas reflexões e é aí que o conto se torna mais profundo. Eu amo a forma como a Clarice Lispector nos faz olhar para dentro de nós, pensar em coisas sobre as quais não refletiríamos normalmente. Por que amamos Deus? Por que amamos alguém? O que algo ou alguém precisa ter para despertar nosso amor?

"É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é." 

Apesar de ter lido poucos contos este mês, os que li valeram a pena. :) 


Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers (não necessariamente nesta ordem). Mãe da gatinha Luana. Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

13 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Que bacana esses contos que tu leu! Eu já li um conto do Machado de Assis obrigada pela escola, e confesso que não foi lá uma experiência muito boa, haha. Adorei o post!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  2. Oie,
    outro dia me deparei com uma moça que odeia contos hahahaha, assim né? Eu amo, acho uma leitura válida e a maioria dos contos trás reflexão assim como esse Perdoando Deus,um bom exemplo.
    Nunca li nenhum conto de Machado de Assis, o livro que li recentemente dele ate cita algumas coisas, mas acabei nem indo atrás.
    Facada Mortal me deixou confusa e acredito que se eu ler irei ficar mais confusa ainda.
    No demais, excelentes leituras ♥

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  3. Amo Machado e Clarice e de ler suas descrições me deixou com vontade de reler alguma coisa deles e contos seria o ideal por ser mais curto que encarar um livro todo.
    Beijos

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  4. Oi Luna!

    Tudo bem? Confesso que sou uma pessoa pouco chegada em contos, em geral gosto de histórias mais longas e cheias de reviravoltas. Se muito li uns quatro ou cinco livros de conto e não gostei da maioria, mas acho um gênero interessante para quem curte porque permite sempre conseguir ler alguma coisa no intervalo entre duas atividades. Fico feliz que tenha sentido que, apesar de ter lido pouco, as leituras valeram a pena.

    Beijinhos
    www.equipenerd.com.br

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  5. Oi Luna,
    Não gosto de ler contos, mesmo sendo de grandes autores como Machado de Assis, Clarisse Lispector e Monteiro Lobato. Sei que é um tipo de preconceito literário e que estou perdendo grandes obras, mas não consigo me animar em ler contos. Já tentei ler alguns.
    Com amor, André
    Garotos Perdidos

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  6. Não sou de ler contos, na verdade não é um estilo de leitora que chama muito a minha atenção, mas parece que você curte bastante.
    Você acredita que tenho uma coletânea da Clarisse aqui e ate hoje não li?.

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  7. Oi, Luna! Tudo bem?
    Então, eu adoro a Clarice Lispector, para mim ela era genial. Sempre que posso releio o A Hora da Estrela, que para mim, é o melhor dela. Felicidade Clandestina também é muito bom, mas não ganhou meu coração.
    Adorei as resenhas!

    Beijos,

    Books and Movies
    www.booksandmovies.com.br/

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  8. Ola, tudo bem? Não sou muito de ler contos, comecei agora a ler os do Poe, mas adorei muito a proposta do Perdoando Deus, vou procurar mais do livro dele e quem sabe comprar para conhecer mais a Clarisse? Obrigada pela dica, bjus
    https://ninho-de-gato.blogspot.com/

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  9. Oi, Luna!
    Foram "poucos", mas ótimos contos, né? Desses que você leu, adoro A facada imortal justamente por termos que prestar atenção na leitura para decifrar o que o Monteiro Lobato estava pretendendo contar. Também gosto muito de Come, meu filho e sempre uso em sala de aula por é divertido e curtinho e os alunos adoram haha
    Beijos!

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  10. Oi Lu! Acabei de chegar a uma conclusão aqui lendo sua resenha! Eu não gosto de ler contos hoje em dia porque li todos esses livros de autores clássicos e refinados demais para minha cabecinha de criança e minha mente bloqueou. Hahahahahahaha sério, não sou chegada nos contos, mas confesso que sempre tenho uma coceirinha pra tentar ler um desses autores com a cabeça já mais preparada. Obrigada pelo post!

    Bjoxx ~ Aline ~ www.stalker-literaria.com ♥

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  11. Luna, eu fico chocada em como você lê MUITA coisa, muita mesmo, e são sempre leituras absurdamente produtivas, é muito interessante. Tenho tentado ler um pouquinho de Monteiro e apesar das dificuldades, até que tô indo bem.

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  12. Olá Luna!!!
    Eu não sou a maior fã de contos, mas eu sempre me encanto por alguns autores por já ter lido algo dos mesmos.
    Amo Clarice li alguns contos da mesma e acho ela muito incrível.

    lereliterario.blogspot.com

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  13. Olá Luna,
    sou apaixonada por contos, infelizmente não tenho conseguido ler com a frequência que gostaria. Além disso, tenho muita vontade de me aventurar pelos clássicos nacionais, mas morro de medo de não me adaptar a escrita rebuscada da maioria, então seu post acabou me dando a ideia de ler contos como estes, dessa forma posso ir me adaptando aos poucos a escrita e retomo a leitura dos meus tão queridos contos.

    Abraços!

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