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2 de julho de 2012

Até o Fim - Julia James


(Título Original: Baby Of Shame
Tradutora: Marie Olivier
Editora: Harlequin)


Uma noite inesquecível de prazer. Rhianna lutou contra todas as dificuldades possíveis para sobreviver desde aquele dia. Mas ela sabe que o segredo que carrega, em breve, causará sérios problemas, pois o magnata grego Alexis Petrakis descobriu que aquela noite deu origem a algo maravilhoso.



Palavras de uma leitora...



"— Você precisa saber de uma coisa. Você come­teu um erro — embora a voz fosse suave, era de uma suavidade aterrorizante. — Um enorme erro... — fez uma pausa. — Não faço negócios na cama. Nunca. Portanto, embora você tenha sido realmente muito boa, você me usou para nada. Exceto, é claro — e agora a olhava de cima a baixo — para demonstrar sua... habilidade. Excelente, por sinal. — Fechou os olhos e depois abriu, lançando o mesmo olhar vítreo que cortava feito bisturi.— Você tem muito talento, Rhianna, mas deveria ter se contentado com o pagamento. Ficaria muito fe­liz em pagá-la. Na verdade... — Enfiou a mão no bol­so e pegou uma carteira de couro. Abriu-a. Várias notas de cinqüenta libras voaram em cima da cama. — Fique com o troco — disse baixinho."



- Lendo esse livro pude me lembrar claramente do motivo para estar evitando gregos, italianos e cia, apesar de gostar muito deles. É porque eles são uns estúpidos, sem cérebro (até têm cérebro. Só que não funciona.), que acreditam no que todo o mundo fala, e consideram verdade somente aquilo que querem considerar. Se a pessoa fala algo que eles não querem aceitar, eles sequer ouvem! Fazem das mocinhas o que querem. As tratam pior do que tratariam o próprio lixo. Pisam, pisam e pisam. E quando ficam cansados, sentam em cima. Realmente não era à toa que eu estava evitando esses trastes. 


- Faz tempo que estou prometendo ler este livro. Foi indicação de uma amiga querida e já faz mais de um ano que ela o indicou. Naquela época, eu só vivia lendo livros assim. Da Michelle Reid, Lynne Graham, Helen Bianchin, Penny Jordan... Só que com o tempo, a vontade de matar essas pragas chamadas de mocinhos foi ficando cada vez maior e houve determinado momento no qual resolvi parar um pouco. Para o bem da minha saúde física e mental, sabe?rsrs... 


- Quando comecei a ler este livro, senti o que sempre sinto quando leio um livro da LG: vontade de matar o mocinho. De forma bem dolorosa, se possível. Quanto mais dolorosa, melhor. Fiquei aqui imaginando formas de acabar com a raça dele e jurei que não o perdoaria nem se a  Julia James o transformasse num completo santo no final da história. O xinguei de todos os nomes que achei conveniente. Principalmente, filho de chocadeira. Porque nem uma... prostituta, para não dizer um nome pior, faria uma coisa como essa (= mocinho da história). Eu senti meu sangue esquentar e para completar a situação, a mocinha da história também não tinha minha simpatia. Pelo contrário. Eu me perguntava como uma mulher podia ser tão estúpida assim. Cheguei a acreditar que ela era o tipo de mulher que fazia os homens acreditarem que mulher alguma conseguia ser profissional. Ter uma profissão. Achei ela uma vergonha para o sexo feminino. E pensei seriamente em abandonar a leitura.

- Porque não acreditei naquele amor à primeira vista. Não foi amor coisíssima nenhuma! Foi desejo à primeira vista. E mais nada! Ela foi até o Alexis para salvar a empresa do pai. Convencê-lo a fechar o negócio que a MML já pretendia fechar antes dele comprá-la. Ela estava lá como a contadora da empresa do pai, mas foi só ver o homem para se derreter toda e esquecer seu objetivo. Nunca o tinha visto antes. Começou a jantar com o grupo que estava reunido com ele e bebeu além da conta (isso porque ela estava lá  à negócios, é claro.). Depois, pediu para falar com ele em particular e não protestou quando ele resolveu levá-la para a suíte dele (por que protestaria? Era isso mesmo que ela queria. Só faltava se jogar em cima dele e implorar). Lá, o gato comeu a língua dela e ela esqueceu completamente da empresa do pai que estava prestes a falir. Esqueceu também que estava na suíte de um estranho, que mesmo sendo um grego podre de rico poderia também ser um psicopata. Bebeu o que ele ofereceu para ela beber e foi para a cama com ele. Sem sequer hesitar. 

- Bem... O que um homem poderia pensar desse tipo de mulher? Eles não conversaram! Nem sequer tentaram se conhecer antes de transarem. É claro que ele a consideraria uma transa apenas. Um caso de uma noite. Até mesmo uma prostituta, pois é o que mostra o trecho acima. O filho da pontualidade teve a cara de pau de pegar o dinheiro e jogar em cima da cama como se estivesse pagando pelos serviços de uma prostituta. Se fosse comigo, eu faria ele comer o dinheiro. Todo. Teria que engolir cada pedacinho. Isso se eu não atacasse algo na cara dele para quebrar todos os seus dentes. Foi esse começo que quase me fez largar o livro. 


"— Tenho uma reunião de negócios. Então, infelizmente, preciso deixá-la.
Ela ouviu as palavras, mas por um momento não compreendeu. Em seguida, o significado atingiu-a como um soco. Céus! Ele estava indo embora.
Rhianna foi considerada uma transa sem compro­misso.
Um prato rápido, conveniente, à mão, para livrá-lo da fome. Ele jogou charme, fez sexo, dormiu — e agora tchau!"


- Quando li o que ela pensou, lembro claramente do que eu disse: "Isso mesmo, minha filha. Foi exatamente o que você foi. Um prato à mão. Como você queria que ele te visse? Como a mulher com quem ele deveria se casar?"

- Não. Eu não condeno todas as mocinhas que vão para a cama com um estranho.rsrs... Só que eu não vi a relação inicial deles como algo além de desejo. De sexo por sexo. Simplesmente sexo, sabe? Eu teria que ver uma magia ali, algo mais forte... Sei lá. Só sei que aquilo, a forma como tudo começou e terminou ali, me fez perder completamente a paciência com os dois. Ele, era um cavalo e ela, uma tonta. 

- Bem... Pelo que eu já disse, vocês podem ter uma ideia de quantas estrelas o livro ganhou, não é? E qual é o meu sentimento pelo livro, não é verdade?rsrs... Será?!kkkkkk...


"A auto-preservação a ajudou a manter o passado es­quecido. Porque lembrar-se de Alexis a faria lem­brar-se de tudo que ele tinha feito com ela — e que ela permitiu que fizesse."


- Conforme fui lendo o livro, continuei desejando matar o Alexis. Como ele testava a minha paciência! Parecia implorar para eu odiá-lo. E eu já o odiava. O achava um insensível, frio que merecia os tormentos do inferno para deixar de ser tão canalha. Mas meus sentimentos pela mocinha da história começaram a mudar. Eu percebi o quanto fui estúpida. Quem sou eu para julgar alguém? Tudo bem que às vezes mando mocinhos e mocinhas para o inferno sem remorso. Porque eles merecem. Pediram com desespero para eu fazer isso. Mas eu senti a mudança acontecendo, sabe? Me senti culpada. Olhei para a Rhianna com reprovação e não pensei no que eu sentiria se estivesse no lugar dela. Se meu pai tivesse sofrido um infarto e estivesse correndo risco de vida. Se alguém que eu amasse estivesse correndo risco de vida e estivesse nas minhas mãos a responsabilidade pela vida daquela pessoa. Pois era essa a situação da Rhianna. A falência daquela empresa, que era a razão de viver do pai dela, significaria a morte dele. Ela tinha ido até lá para falar com o Alexis (e não transar com ele. Realmente, isso não estava nos planos dela. Aconteceu simplesmente). Ela estava abalada. Não é fácil ver alguém querido hospitalizado, correndo risco de vida. Ele podia não ser um exemplo de pai, mas ela o amava e estava aproveitando sua última oportunidade de fazer algo pela vida dele. Após me colocar no lugar dela, imaginar como eu estaria emocionalmente naquela situação, eu comecei a me sentir muito culpada. Porque beber demais também foi uma forma dela tentar escapar de sua agonia emocional. E quando o Alexis a levou para a suíte, a coitada sequer pensou que ele não tinha a intenção de conversar. Ela estava emocionalmente fragilizada e se deixou levar pela atração que sentia por ele. Nunca realmente tinha aproveitado alguma coisa em sua vida. E se sentiu atraída por aquele homem. Ela é humana. Tem direito de ser humana pelo menos por uma noite, não é verdade? Eu não sei se me deixaria levar tanto, mas fui injusta com a Rhianna e precisava admitir isso para ficar com minha consciência tranquila.rsrs... Agora com o Alexis, eu não fui injusta, não! Ele é um cachorro filho da pontualidade mesmo. Não o julguei precipitadamente, não. Estou com a minha consciência tranquila.kkk..


- A história começa cinco anos depois daquela noite que foi mágica para a Rihanna, mas que se transformou num terrível pesadelo na manhã seguinte. Como vocês viram pelo primeiro trecho que coloquei, o Alexis a dispensou na manhã seguinte como se ela fosse uma prostituta e deixou bem claro que se ela não saísse dali, o mais rápido possível, por bem...sairia por mal. Ele transou sem camisinha e como todo filho da pontualidade não pensou se aquela noite traria consequências para a tola que se deixou levar por ele. Ele simplesmente a expulsou de sua vida como se ela não significasse nada. Como se fosse apenas um corpo quente disponível para o seu prazer. E a esqueceu. Em nenhum momento pensou se ela estava arcando com as consequências do ato dos dois. Pois, por mais que ele não quisesse admitir, ela não tinha feito sexo sozinha. Aí, cinco anos depois, quando uma assistente social mandada pelo próprio diabo, aparece dizendo que ele é pai de uma criança, ele não acredita. E quando vê que o menino é a imagem física dele, resolve se sentir indignado e deseja crucificar a mocinha por ter escondido dele que tinha engravidado. Primeiro, qual mulher seria tola o bastante para procurar mais uma vez um cara que tinha jogado o dinheiro em cima dela, após uma noite de amor, como se ela fosse uma vadia? Teria que ter nenhum amor-próprio para fazer isso. E segundo, ele acreditaria? Não. A humilharia de novo. Dizendo que ela não poderia saber quem era o pai da criança já que pelo visto costumava transar com o primeiro que aparecia. E é mais ou menos isso que ele pensa quando fica sabendo da existência do menino. E ainda exigiria um teste de DNA, expondo ainda mais a mocinha à mais humilhações. Não. Eu não a condeno por não ter contado nada. Aquele canalha não merecia nenhuma consideração. 

Bem... Onde eu estava? Sim. Ele duvida e depois, vendo a criança, acredita que é pai do menino e fica furioso com a Rhianna. É aí que a história realmente começa. A Rhianna estava no hospital, pois tinha sido atropelada por um bêbado que dirigia em alta velocidade. A assistente social que "só estava pensando no que era melhor para a criança", aproveitou sua oportunidade de ouro para tirar o Nicky da Rhianna. Nossa mocinha vivia da ajuda do governo, pois depois daquela noite de amor com o Alexis, seu pai sofreu outro infarto e ficou ainda mais fraco desde então. Ela vivia pelo pai e pelo filho. Eles precisavam dela vinte e quatro horas por perto. O estresse, as vinte e quatro horas dedicadas ao pai e ao filho e depois a morte recente do pai, abalaram as defesas dela. Ela acabou ficando doente e tomando uma dosagem de remédio para a gripe que a deixou inconsciente na cama. Ela tinha ficado doente e acabou tomando remédio demais. O que não fez de propósito. Ela não imaginava que o remédio em vez de fazer bem faria mal. Acabou que ela ficou inconsciente na cama e a assistente social quando apareceu foi atendida pelo Nicky. A mulher nem sequer perguntou nada. Foi logo afirmando que a mocinha era viciada em drogas e que iria tirar o menino dela. Desesperada, temendo perder seu único motivo para viver, a mocinha saiu do apartamento com o filho para ir falar com seu médico, que poderia ajudá-la a provar que não era viciada em drogas. Só que antes de chegar lá foi atropelada pelo infeliz que estava dirigindo com a intenção de matar alguém. Esse fato, provoca o reencontro do casal e é aqui que eu paro de falar. 


- Não irei contar tudo que acontece depois do reencontro, mas posso dizer que foi aí que realmente comecei a gostar da história. Principalmente, quando o Alexis provou não ser filho do coisa ruim. Não estou dizendo que ele não era o canalha que eu tinha certeza que ele era graças às suas atitudes. Não. Não retiro nada que disse sobre ele.rsrs... Acontece, que acabei perdoando-o.kkkk... Ele me deu motivos para perdoá-lo. Ele, diferente de vários outros mocinhos canalhas que já perdoei, admitiu que errou e tentou mudar. Ele não foge da verdade quando ela bate em sua cara. Ele reconhece que errou e achei muito fofa uma coisa que ele fez. Naquele instante, eu soube que não acabaria a história odiando-o. Ele é difícil, cafajeste, saber ser bem cruel quando quer e esconde os sentimentos de si próprio, mas no fundo ele é humano. E como todo humano, é falho. Não acredito que ele amava a mocinha no início da história. Assim como também não acredito que ela o amava. Mas a convivência forçada faz com que ele aprenda a amá-la e eu gostei de como as coisas se desenvolveram. Não digo que terminei a história amando-o com todo o coração (isso seria impossível.rsrs...), mas acabei perdoando-o e cheguei a gostar dele. No fundo, ele merecia a mocinha. E a chance de ser pai do pequeno e fofíssimo Nicky. O Nicky foi o personagem mais cativante dessa história. Ele quase me fez chorar com o amor que sentia pela mãe. Existem coisas que ele diz , o modo como estava agindo no início da história, que nos emociona. Acho que ele não poderia ter pais melhores do que o Alexis e a Rhianna. Apesar de todas as falhas, eles amavam aquele garotinho. Disso eu não duvidei um só instante. 

- E aí? Terminei a história amando ou odiando o livro?rsrs... Não amei, mas também não odiei. Terminei a história com a certeza de que leria o livro novamente. Apesar de sempre brigar com esse tipo de livro (cujo mocinho é mais vilão do que qualquer outra coisa), eu gosto.kkkkkk... No fundo, sentia falta.rsrs... Eu estava precisando me estressar com um mocinho arrogante e sem cérebro em funcionamento. Para matar a saudade, sabe? Em breve pretendo até ler um livro da especialista em mocinhos-vilões: Lynne Graham. :D Sim. Eu sou masoquista. 

- Vou dar quatro estrelas ao livro, pois a história é muito boa e até considero o livro um dos melhores da série Paixão. O casal não passa a história inteira na cama como se não tivesse nada mais para fazer, sabe?  Tem história no livro. Valeu a pena lê-lo. Me estressei, sim, com o mocinho. Perdi a paciência com ele, mas já sabia o que me aguardava quando comecei a ler o livro. Mocinhos como o Alexis não são novidade para mim. Não sei o que eles tem que me atrai.rsrs...


- Esse livro foi indicado pela querida Moniquita! Gracias, amiga! Apesar de quase ter mandado o Alexis e o livro para o inferno, acabei gostando muito da leitura. Não fiquei apaixonada pelo Alexis, mas sei que lerei essa história novamente um dia. Quando o Alexis reconheceu o erro dele, eu percebi porque você gosta dessa história. Só depois da mudança de atitude dele consegui enxergar que ele não era um demônio.rsrs...


- Recomendo a história para quem está acostumada com os livros da Lynne Graham, Michelle Reid, Helen Bianchin, Sara Craven, Carole Mortimer... Quem gosta dos livros dessas autoras, provavelmente vai gostar desse livro da Julia James. Não perde para os livros dessas autoras, não. Dos livros da Julia James que já li, esse é com certeza o melhor. Um incentivo para eu ler mais livros da autora. 


Bjs!

30 de março de 2012

O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë (segunda resenha)


(Título Original: Wuthering Heights
Editora: Lua de Papel
Tradutora: Ana Maria Chaves)



"Se o amor dela morresse, eu arrancaria 
seu coração do peito e beberia seu sangue."

Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. "Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff", diz a apaixonada Cathy.

O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais surpreendentes de todos os tempos, O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas, incluindo os belos personagens de Stephenie Meyer.



Palavras de uma leitora...


- Antes de mais nada. Perceberam que coloquei entre parênteses algumas informações sobre o livro, como o título original? É porque, a partir de hoje, pretendo sempre deixar essas informações sobre cada livro que resenhar, só para poder ajudar um pouco mais na hora da busca pelo livro. Pode ter quem goste de ler o livro no idioma original e necessite dessa informação. Como estou mais habituada a só colocar o título do livro e o nome da autora, peço que me perdoem se em algum momento eu esquecer de acrescentar as novas informações.rsrs... 


- Há quase três anos, eu li pela primeira vez O Morro dos Ventos Uivantes e cheguei a fazer resenha sobre ele aqui. Como não gosto muito daquela resenha, cheguei a pensar em retirá-la do blog, mas, ao sentir vontade de reler a história, acabei optando por fazer uma nova resenha, baseada no que sinto hoje pelo livro. Não me importa o que eu sentia antes. É como se eu tivesse lido o livro pela primeira vez. 


- Faz algumas horas que terminei de reler o livro. Acho que nunca li um livro tão devagar na minha vida. Foram muitas as vezes que parei para copiar trechos do livro num caderno, reler páginas, ler mais de duas, três vezes, uma mesma frase. Enfim... Eu queria entender os personagens, não perder uma só frase, uma só expressão, um só sentimento. Sem mencionar os momentos nos quais fiquei com o livro nas mãos, enquanto meu pensamento voava. Eu pensava muito em vários personagens da história e no quanto tudo poderia ter sido diferente para todos eles. Ouvia a música inspirada na história e sentia uma espécie de tristeza por já saber como o livro terminaria e não poder fazer nada para mudar aquilo. Eu queria que tudo pudesse ter sido diferente. E ainda estou melancólica, meio deprimida, com aquela sensação de que foi tudo muito injusto, tirando o destino da pequena Cathy e do Hareton. O destino deles foi justo. Dos outros, não.


- Mas antes de continuar, vou deixar claro uma coisa: essa resenha terá spoiler. Ainda não sei o quanto irei revelar, mas para quem desconhece o final do livro e pretende ler o livro desconhecendo-o, é melhor não ler essa resenha. Nada do que eu venha a falar será suficiente, é claro. Nem poderá te fazer sentir metade do que você vai sentir ao ler o livro, mas é melhor avisar. Eu preciso desabafar um pouco, gente. Preciso colocar em palavras pelo menos um pouco do que sinto. Preciso falar sobre certas coisas. Acho que não conseguirei me libertar deste livro antes de falar sobre o que me incomoda, o que me angustiou durante a leitura e tudo que foi marcante para mim. Creio que essa resenha será longa.


- Foram muitos os momentos nos quais pensei neste livro ao longo dos anos. Vira e volta lembrava da Catherine e do Heathcliff. Existiam trechos que me perseguiam, me atormentavam e me faziam desejar jamais ter lido esse livro. Mas também existiam trechos que me faziam acreditar cada vez mais no amor verdadeiro e no poder que esse amor pode ter. Trechos que apesar de machucar também me faziam suspirar e sonhar acordada. Tinha vezes que eu lia livros maravilhosos, de me roubar o fôlego, mas, de repente, lembrava do livro. Quando decidi enviar trechos marcantes para uma amiga, foi nos trechos deste livro que pensei, antes de pensar em qualquer outro. E quando uma amiga me viu com este livro nas mãos (eu estava relendo trechos dele) e perguntou sobre a história, me pediu que contasse um pouco sobre ela, era como se eu estivesse viajando para um novo mundo. O local no qual conversávamos não existia mais. Eu estava no Morro dos Ventos Uivantes, assistindo cada parte da história de Heathcliff e Catherine. E quando "retornei", essa amiga me pediu o livro emprestado para ler. Foi com uma dorzinha no coração que eu me separei dele. Ela leu o livro e ficou apaixonada por ele. Ela diz que é o melhor livro que ela já leu na vida e ela já leu muitos.rsrs... Confesso que eu não esperava por isso. Acreditava que ela iria odiar a história ou, talvez, odiar o Heathcliff e a Catherine. Mas não. E a personagem favorita dela é a Catherine. Outra coisa que me surpreendeu, já que a maioria das pessoas não suporta a Catherine. 


- Eu entendo quem odeia este livro. Realmente entendo. É um livro que alguns costumam dizer que você ama com todo o seu coração ou odeia com todo o seu coração. Eu concordo com essa afirmação? Não. Pois sou a prova de que não se pode sentir somente um desses sentimentos por esta história. Tanto amo quanto odeio este livro. Sinto uma mistura dos dois sentimentos e ambos de forma intensa. Nunca poderia declarar que odeio este livro, sem dizer que também o amo. Explico meus motivos daqui a pouco. 




"Perturbá-la? Não! Ela é que me tem perturbado dia e noite ao longo destes dezoito anos... incessantemente... sem remorsos..." [Página 248]




"Tu sabes como a sua morte me deixou enlouquecido para todo o sempre, de uma madrugada a outra, implorando-lhe que voltasse para mim... invocando o seu espírito... tenho muita fé nas almas do outro mundo; estou convencido de que, não só podem andar, como de fato andam entre nós!" [Página 249]


"Quase podia sentir o seu sopro quente deslocando o ar gélido. Eu sabia que não estava ali nenhum ser vivo, no entanto, tal como nos apercebemos da proximidade de um corpo material na escuridão, mesmo sem podermos vê-lo, senti que a Cathy estava ali, não sob mim, mas acima da Terra." [Página 249]


"Mas o que não associo eu a ela? O que não a traz à minha memória? Se olho para estas lajes, vejo nelas gravadas as suas feições! Em cada nuvem, em cada árvore, na escuridão da noite, refletida de dia em cada objeto, por toda a parte eu vejo a sua imagem! Nos rostos mais vulgares de homens e de mulheres, até as minhas feições me enganam com a semelhança. O mundo inteiro é uma terrível coleção de testemunhas de que um dia ela realmente existiu e a perdi para sempre!" [Páginas 279 e 280]



Um pequeno resumo: 


Foi no ano de 1771 que Catherine Earnshaw conheceu o homem que alteraria para sempre o seu destino. O homem que teria um forte poder sobre ela, que dominaria seus sentimentos e também teria participação na sua morte. Aquele que seria o seu melhor amigo, seu consolo nas horas de sofrimento, seu porto seguro. Seu amor secreto. Sua destruição. Mas ele ainda não era um homem quando ela o conheceu. Não passava de um menino. Um menino perdido e morrendo de fome e frio, que tinha sido encontrado pelo seu pai e levado para casa para ser criado ao lado dela, como parte da família. Catherine ainda não tinha completado seis anos e sua primeira reação foi de desprezo. Afinal de contas, por ter encontrado aquele menino na rua e ter perdido seu tempo se preocupando com ele, o pai dela havia perdido o chicote que ela tinha pedido que ele lhe trouxesse quando retornasse da viagem que tinha feito. O irmão de Catherine também não reagiu muito bem. Apesar de ser um adolescente e se esperar dele que se comportasse como um rapaz maduro, a reação dele chegou a ser mais violenta do que a de Catherine e seu ódio não foi momentâneo. Pelo contrário. E com o tempo, cresceu ainda mais chegando ao ponto de fazê-lo cometer as maiores maldades possíveis contra o menino, que era pouco mais velho do que a irmã dele.

Sempre que tinha uma oportunidade, Hindley maltratava o menino. O espancava e humilhava sem dó nem piedade e Heathcliff aguentava tudo calado, alimentando dentro de si o desejo de vingança e acreditava que um dia, por mais que esse dia demorasse para chegar, iria se vingar daquele rapaz que tanto lhe maltratava. Mas Heathcliff tinha um consolo. Um motivo para suportar qualquer dor e humilhação. Tinha Catherine. A menina dos olhos de anjo e do sorriso mais lindo do mundo. Aquela que o entendia e não o desprezava. Que era sua companheira de travessuras, sua única e verdadeira amiga. Por ela, ele seria capaz de suportar os tormentos do inferno.

O tempo passou... Hindley acabou sendo mandado para um colégio interno e isso provocou um certo alívio em Heathcliff e Catherine, mas eles sequer poderiam imaginar o que o destino ainda lhes reservava.

Anos mais tarde, o protetor de Heathcliff e pai de Catherine acabou falecendo e Hindley voltou para assumir o seu lugar de direito, como dono do Morro dos Ventos Uivantes e tutor de Heathcliff e Catherine. Ele voltou casado com Frances, uma mulher de saúde fraca e personalidade mais fraca ainda. Apesar dos anos, seu ódio por Heathcliff não diminuiu e ele aproveitou sua oportunidade para transformar o menino num servo seu, quase um escravo e atormentá-lo sempre que sentisse vontade. Os anos foram difíceis tanto para Heathcliff quanto para Catherine. Era um tormento para a menina ver seu amigo sendo maltratado por seu irmão e assim, a amargura foi deixando marcas profundas no coração dos dois jovens, que tinham acabado de entrar na adolescência.

"Nunca imaginei que o Hindley me fizesse chorar tanto!", escreve ela. "Dói-me tanto a cabeça que mal consigo deitá-la na almofada. Apesar de tudo, não consigo deixar de chorar. Pobre Heathcliff! O Hindley chama-o de vagabundo e proibiu-o de conviver ou fazer as refeições conosco. Além disso, proibiu-nos de brincar, ameaçando expulsá-lo de casa, caso voltasse a desobedecer. 


Tem andado a culpar o nosso pai (como é possível) pelo tratamento generoso que concedeu a H. E promete que o há de colocar no seu devido lugar."


Naquele mesmo ano, 1777, a amizade entre Heathcliff e Catherine sofreu uma nova provação. Catherine, durante uma brincadeira com Heathcliff, acabou indo parar na Granja dos Tordos, propriedade de uma família muito importante da região, os Linton, e, após ser mordida pelo cachorro dos donos, foi levada para dentro, sendo muito bem-recebida por todos. Heathcliff não recebeu o mesmo tratamento. Enquanto eles quiseram manter Catherine com eles por várias semanas, Heathcliff foi expulso de lá, somente partindo por ver que a amiga estava feliz e fascinada pela atenção recebida. Foi a primeira longa separação que eles tiveram que suportar.

Cinco semanas mais tarde, Catherine retornou, mas não era mais a menina de antes. A garota traquinas, rebelde e selvagem, tinha dado lugar à uma belíssima dama, vestida com belas roupas e altiva como lhe ensinaram a ser. Ela nunca antes tinha se preocupado com roupas, mas os Linton lhe ensinaram "tudo que uma dama deveria saber e como deveria se comportar". Catherine tinha que ser como Isabella e desde o dia que foi mordida pelo cachorro deles, os dois adolescentes, Isabella e Edgar Linton, passaram a fazer parte da sua vida, mesmo sem terem sido convidados. Catherine acabou aceitando a amizade deles, mas não esqueceu seu amigo de infância. Ao retornar, procurou por ele, mas, por causa da sua nova aparência e modo de ser, não foi bem recebida. Ela o ofendeu, mesmo sem ter essa intenção e a amizade passou a correr sérios riscos de se acabar. Edgar estava cada vez mais presente na vida da menina e todos queriam uma união entre eles. Catherine ainda preferia Heathcliff. Ela amava o amigo, embora ainda não soubesse que não sentia por ele apenas um amor de amiga, mas estava confusa.

A vida de Heathcliff piorou ainda mais. Se já não bastasse sofrer nas mãos de Hindley, agora também tinha que dividir sua amiga com Edgar e Isabella e sentir, dentro de si, que eles a estavam roubando dele. Ele sabia que a estava perdendo e aquilo só aumentou o desejo de se vingar de Hindley, por tê-lo feito descer tão baixo e se tornar indigno do amor de Catherine. Também o fez sentir um ódio violento por Edgar, que não escondia o interesse que sentia pela jovem. Ver Catherine com Edgar fazia sangue escorrer do seu coração. Doía. Atormentava. E assim, mais anos se passaram. Até que Heathcliff completou 16 anos e recebeu um golpe que o fez deixar seu amor para trás e seguir um novo caminho.

Ao ouvir uma conversa entre Catherine e a governanta Nelly, na qual Catherine mencionava sua intenção de se casar com Edgar e dizia que seria degradante para ela se casar com o Heathcliff, ele decidiu ir embora. Não levou nada e nem avisou que estava partindo. Simplesmente foi embora, deixando Catherine destroçada e atormentada pela culpa que sentia pela fuga do homem que ela amava. Catherine adoeceu gravemente, sofrendo pela primeira vez a febre cerebral que a mataria poucos anos depois. Com o tempo, ela conseguiu se recuperar e três anos depois se casou com Edgar Linton, acreditando que seu único amor jamais voltaria. Porém, seis meses após seu casamento, Catherine acaba sendo surpreendida pelo retorno de Heathcliff que lhe traz tanto felicidade quanto angústia.

Heathcliff retorna quase irreconhecível. Tinha crescido e enriquecido, embora ninguém soubesse como. Era agora um cavalheiro. Seu retorno sela o destino de quase todos os personagens desta história, que de uma forma ou de outra, tinham lhe roubado sua Catherine. Heathcliff retorna disposto a não ter pena dos seus inimigos e destruir um por um. Seu ódio por seus inimigos era tão forte quanto seu amor por Catherine. E da mesma forma, destruidor. E assim, ele começa sua vingança. Porém, ele jamais poderia imaginar as sérias consequências que isso teria... Se soubesse que sua vingança levaria com ela a vida de Catherine jamais teria começado tudo aquilo. Mas era tarde demais para voltar atrás. Era tarde demais para se arrepender.

Heathcliff decide que, como parte da sua vingança, irá se casar com Isabella, irmã de Edgar, e fazer da vida dela um inferno. Por causa desta decisão, Catherine e ele acabam tendo uma violenta briga que faz Edgar proibir Heathcliff de voltar a pôr os pés em sua casa. Catherine, mesmo furiosa com o amor da sua vida e angustiada por causa da decisão dele, não aceita a ordem de Edgar e após ser acusada por ele de incentivar as atitudes de Heathcliff, acaba tendo uma séria briga com o marido também. O estresse, a angústia e o medo de perder novamente Heathcliff a faz ter uma crise, seguida por um desmaio. Ela passa dias sem se alimentar e se tranca num mundo próprio, onde não existia dor e somente Heathcliff e ela. Nos seus pensamentos, ela ainda é uma menina e Heathcliff é seu companheiro. Eles estão juntos e felizes. Ela não está casada e jamais se casaria com Edgar. Jamais sairia do Morro dos Ventos Uivantes. E assim, Catherine piora  cada vez mais.

Enquanto isso, Heathcliff e Isabella fogem para se casar e passam alguns meses longe. Nenhum dos dois sabia sobre a doença de Catherine. É somente quando retorna que Heathcliff descobre. Desesperado para voltar a ver sua amada e angustiado por causa da sua doença, ele decide pedir a ajuda de Nelly para voltar a vê-la. Após a governanta se recusar ele acaba ameaçando-a, fazendo-a assim atender seu pedido.

Heathcliff vê Catherine com vida pela última vez e aquele último encontro é o mais doloroso da sua vida. Catherine não era nem sombra do que tinha sido e só de olhar para ela, dava para perceber que ela não escaparia da morte. A dor toma conta dele e as últimas palavras de Catherine ficam para sempre cravadas no seu coração. Edgar o expulsa de lá, mas Heathcliff não se afasta muito, pedindo a Nelly que lhe dê notícias sobre Catherine, que passou mal quando Edgar chegou e Heathcliff teve que partir. Foi horrível para ele deixá-la naquele estado, mas ele não queria brigar com Edgar e assim, provocar uma piora. Prefere aguardar por perto, para saber se ela tinha melhorado.

Porém, por volta da meia-noite, Catherine dá à luz a filha que esperava. Filha dela e de Edgar. Não recupera os sentidos o suficiente para conhecer a filha e morre poucas horas depois. Catherine Linton nasce e sua mãe morre. Uma criança inocente marcada para sofrer, desde o seu nascimento.

No dia do enterro de Catherine, Isabella Heathcliff provoca o marido até fazê-lo reagir com violência. Ela odiava tanto o marido que seu sofrimento lhe dava enorme prazer. Ele tinha destruído toda sua vida e vê-lo no chão, destroçado pela morte da única pessoa que ele amava, a fazia querer chutá-lo até matá-lo. Sua provocação chega longe demais e após a reação dele, ela consegue escapar. Não retorna. Dá à luz, poucos meses depois, ao filho deles que ela mantém afastado do pai, protegendo-o até o dia de sua morte. Isabella morre treze anos depois, deixando o filho sob a proteção de Edgar e fazendo-o prometer que cuidaria dele.

Mas Heathcliff, usando seu direito como pai, retira o menino de Edgar, levando-o para viver em sua casa. Se os maus-tratos de Hindley e o ódio que ele sentia por Edgar ter roubado sua Catherine, o tornaram um jovem amargo e violento no passado... A morte de Catherine lhe tirou seu coração, sua alma, sua paz e capacidade de amar qualquer outra pessoa. Assim Heathcliff se torna uma pessoa cruel, incapaz de amar o próprio filho. Ele decide continuar sua vingança nos descendentes daqueles que tinham destruído sua vida: Linton Heathcliff (que era filho dele, mas também era filho de Isabella Linton), Hareton Earnshaw (filho de Hindley) e Catherine Linton (que era filha de Catherine, mas também de Edgar Linton, o homem que ele mais odiava).

Será que Heathcliff vai conseguir se vingar até o fim? Será que Linton, Hareton e Catherine, três jovens inocentes, vão ter suas vidas destruídas por um ódio que começou há mais de dezessete anos? Serão condenados por um crime que jamais cometeram? Até onde um homem destruído pela dor e por um amor doentio pode ir?


Um clássico da literatura inglesa. Único livro escrito por Emily Brontë. Um livro marcado por um amor violento, arrebatador, destruidor; um ódio sem limites, vinganças, traições, loucura, desespero, tragédias. Uma história inesquecível. Personagens que despertam tanto nosso amor quanto nosso ódio. O Morro dos Ventos Uivantes é um livro forte, cruel e macabro. Uma história marcante.


" - Ele... completamente sozinho! Nós dois... separados! - exclamou ela, indignada. - E quem vai nos separar, não me dirás? Quem tentar terá o destino de Milo! Não enquanto eu for viva, Ellen... nenhum mortal vai conseguir isso. Mais depressa sumiriam da face da Terra todos os Linton do que eu permitiria separar-me do Heathcliff" [Página 74]


- Este é apenas um dos trechos mais marcantes do livro para mim. Existem outros. Alguns vou colocar nesta resenha. Outros, vou colocar num post separado somente para os trechos mais marcantes do Morro dos Ventos Uivantes (ainda vou preparar o post. Devo publicá-lo no domingo, se Deus quiser). 


- O livro começa no ano de 1801. Dezessete anos após a morte de Catherine Earnshaw, a única mulher que o Heathcliff tinha amado e ainda amava com loucura. Um visitante, disposto a passar um tempo na Granja dos Tordos, propriedade que tinha pertencido ao Edgar Linton e agora pertencia ao Heathcliff, aparece e resolve visitar seu senhorio. Após passar por situações estranhas no Morro dos Ventos Uivantes, ele volta para a Granja dos Tordos, muito gripado e, durante sua recuperação, Nelly, atendendo a um pedido seu, lhe conta a história das duas famílias. Tanto da família Earnshaw quanto da família Linton. E assim, nós somos levados ao passado dos personagens e ficamos sabendo como tudo começou. Apesar do livro ser narrado pelo tal inquilino e pela Nelly, através das lembranças da própria Nelly, nós conseguimos sentir as emoções dos personagens. Isso poderia ser impossível em outros livros, pois a Nelly era apenas uma pessoa que viu e ouviu muitas coisas ao longo dos anos. Esteve presente durante muitos acontecimentos, mas não fazia parte daquela história. Como posso explicar? Ela não estava no meio de toda aquela confusão. Mesmo assim, as lembranças dela nos faz conhecer cada personagem. Fez com que eu amasse e odiasse a maior parte deles. Provocou uma completa confusão em mim, fazendo eu me achar uma louca por amar alguém como Heathcliff. Fazendo eu desejar matá-lo em vários momentos e ao mesmo tempo abraçá-lo forte até livrá-lo da sua dor. Livrá-lo daqueles sentimentos que tanto o destruíam. 



" - Não sei como explicar, mas certamente que tu e toda a gente têm a noção de que existe, ou deveria existir, um outro eu para além de nós próprios. Para que serviria eu ter sido criada se apenas me resumisse a isto? Os meus grandes desgostos neste mundo foram os desgostos do Heathcliff, e eu acompanhei e senti cada um deles desde o início; é ele que me mantém viva. Se tudo o mais perecesse e ele ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir; e se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria para mim uma vastidão desconhecida, a que eu não teria a sensação de pertencer. O meu amor pelo Linton é como a folhagem dos bosques: irá se transformar com o tempo, sei disso, como as árvores se transformam com o inverno. Mas o meu amor por Heathcliff é como as penedias que nos sustentam: podem não ser um deleite para os olhos, mas são imprescindíveis. Nelly, eu sou o Heathcliff. Ele está sempre, sempre no meu pensamento. Não por prazer, tal como eu não sou um prazer para mim própria, mas como parte de mim mesma, como eu própria" [Páginas 74 e 75]




"- Deves estar possuída pelo diabo - continuou ele, desvairado, - para falares comigo nesse tom, quando estás à beira da morte! Já pensaste bem que toda essas palavras vão ficar gravadas na minha memória, consumindo-me a alma eternamente depois de tu morreres? Sabes que mentes quando afirmas que fui em quem te levou a esse estado deplorável. E também sabes, Catherine, que, enquanto eu viver, jamais te esquecerei! Não será suficiente para o teu egoísmo atroz saberes que, enquanto descansas em paz, eu sofrerei os tormentos do inferno?" [Página 138]




- O que posso dizer sobre a Catherine? É muito triste o seu destino. Eu me apeguei a ela e foi difícil vê-la morrendo. Foi doloroso suportar seus momentos de delírio. Em vários momentos lembrei da criança inocente, rebelde e amorosa. Ela podia ser difícil, mas era só uma criança e só precisava ser aceita e amada. Lembrei do quanto ela não compreendia as atitudes do pai, que dizia que ela lhe provocava desgosto e não aceitava seu espírito livre. Lembrei da linda amizade que existia entre ela e o Heathcliff e que logo se transformou num amor forte demais para uma jovem de 19 anos suportar (através da tabela que a Ana, do blog Seis Milênios, encontrou para mim, pude conhecer os anos importantes da história e a idade dos personagens em cada momento. Assim, quando Catherine morreu, estava com 19 anos). Lembrei de seu sofrimento por ver o amigo sofrer. E de vários outros momentos. Ver aquela jovem se apagar não foi fácil. Ela não era uma santa. Nem chegava perto. Sabia ser terrivelmente cruel, agressiva e egoísta. Por mais que eu leia este livro mil vezes, jamais conseguirei entender completamente a Catherine. Ela era tão complicada quanto o Heathcliff. Poderia dizer que ela era apenas humana e como todo ser humano, possuía qualidades e defeitos. Mas nem esta afirmação é suficiente. Somente lendo o livro vocês irão entender por que não é suficiente. Sinto falta dela. Apesar dos momentos nos quais ela me irritou, e apesar de qualquer egoísmo por parte dela, ela faz falta. Era cheia de luz, vida... Era uma pessoa de espírito livre e gênio difícil. Não suportava frieza e amava demais o Heathcliff apesar de conhecer cada um dos seus defeitos. Ela não merecia a morte, gente. Ela merecia uma chance de corrigir o erro cometido e tentar uma vida ao lado do único homem que amava e vê-la morrer daquela forma é de partir o coração. É muito triste. É injusto. Me senti uma inútil por não poder fazer nada para impedir sua morte. E o sofrimento do Heathcliff teve um impacto muito forte em mim. Não dá sequer para colocar em palavras o que senti... 





" - Muitas vezes provocamos os fantasmas e nos desafiamos mutuamente a andar e chamar os mortos por entre as sepulturas. Mas tu, Heathcliff, se te desafiar agora, ainda terás coragem de fazê-lo? Se tiveres, ficarei contigo. Não quero jazer ali sozinha. Podem enterrar-me a sete palmos de profundidade e fazer desabar a igreja sobre mim, mas não descansarei enquanto não estivermos juntos. Jamais!" [Página 111]





"- Mostraste-me agora o quão cruel tens sido. Cruel e falsa! Por que me desprezaste, Cathy? Por que traíste o teu próprio coração? Não tenho sequer uma palavra de conforto para dar. Tu mereces tudo aquilo por que estás passando. Mataste a ti própria. Sim, podes beijar-me e chorar o quanto quiseres. Arrancar-me beijos e lágrimas. Mas eles vão te queimar e serás amaldiçoada. Se me amavas, por que me deixaste? Com que direito? Responde-me! Por causa da mera inclinação que sentias pelo Linton? Pois não foi a miséria, nem a degradação, nem a morte, nem algo que Deus ou satanás pudessem enviar, que nos separou. Foste tu, de livre vontade, que o fizeste. Não fui eu que despedacei teu coração, foste tu própria. E, ao despedaçares o teu, despedaçaste o meu também. Tanto pior para mim, que sou forte e saudável. Se eu desejo continuar a viver? Que vida levarei quando... Oh! Meu Deus! Gostaria tu de viver com a alma na sepultura?" [Página 140]





" - Beija-me e não me deixes ver os teus olhos! Perdoo-te o mal que me fizeste. Eu amo quem me mata. Mas... como poderei perdoar quem te mata?" [Página 140]


- Não canso de reler estes trechos. E sempre sinto as mesmas emoções. O que posso falar sobre meu Heathcliff? Se não sabia o que falar da Catherine, muito menos dele. Já disse. Não dá para colocar em palavras tudo que sinto por esta história. É impossível. São coisas que simplesmente sentimos durante a leitura. Odeio o Heathcliff? Sim. Odeio o homem cruel, que maltrata as pessoas sem piedade, maltrata animais indefesos, se comporta como um verdadeiro demônio, um monstro vindo do inferno. Mas... Também o amo. O quê?! Sim. Seria uma mentira descarada afirmar que odeio o Heathcliff porque ele não é humano e é a maldade em forma de pessoa. Eu realmente o odeio, mas é um ódio mesclado com amor. Sinceramente, eu sinto as duas coisas. O simples fato de chegar a odiar o Heathcliff me faz sofrer, pois esse sentimento entra em guerra com o amor que também sinto por ele. Por mais que o Heathcliff tenha sido cruel, por mais que ele tenha machucado pessoas inocentes, eu não consegui esquecer quem ele foi. Não consegui deixar de enxergar o menino ainda aprisionado dentro dele. O jovem apaixonado e sofrido, que idolatrava seu anjo, sua amada. Não pude deixar de imaginar o quanto ele sofria cada dia pela perda da Catherine. Por tê-la perdido daquela forma. O Heathcliff tentou. Ele realmente tentou acabar com todo o amor que eu sentia por ele, mas não conseguiu. Despertou meu ódio, mas não matou o meu amor. Me senti como uma mãe que mesmo sabendo que o filho é um criminoso, um monstro e que deve pagar por isso, não consegue condená-lo e o defende com unhas e dentes. Heathcliff é meu querido. Um bebê que eu não pude salvar. Um jovem destruído por dois sentimentos fortes demais. Mais fortes do que ele: o ódio e o amor. É incrível como um sentimento tão belo, como o amor, pode ser capaz de provocar tanto dano. Eu jamais concordaria com alguém que afirmasse que o Heathcliff não amava a Catherine. Nunca poderia concordar com algo assim. Ele a amava mais do que tudo. O amor que ele sentia por ela matava seu amor-próprio. Catherine era o ar que ele respirava, sua força e sua fraqueza. Era sua alma, seu coração. Ao perdê-la, ele perdeu tudo. 


" - Jaz com um doce sorriso nos lábios e, certamente, os seus últimos pensamentos foram para os dias felizes do passado. A sua vida acabou como um sonho sereno. Assim ela possa despertar no outro mundo!

- Pois que desperte em tormento! - bradou ele com assustadora veemência, batendo o pé e soltando um grito, paroxismo de cólera incontrolada. - Por que ela mentiu até o fim? Onde está ela? Não está aqui, nem no céu, nem morta! Onde está então? Oh! Disseste que não te importavas que eu sofresse! Pois o que eu te digo agora, vou repetir até que a minha língua paralise: Catherine Earnshaw, enquanto eu viver não descansarás em paz! Disseste que te matei. Pois então assombra-me a existência! Os assassinados costumam assombrar a vida dos seus assassinos, e eu tenho certeza de que os espíritos andam pela terra. Toma a forma que quiseres, mas vem para junto de mim e me enlouquece! Não me deixes só, neste abismo onde não te encontro! Oh! Meu Deus! É indescritível a dor que sinto! Como posso eu viver sem a minha vida?! Como posso eu viver sem a minha alma?!" [Página 146]




- Vocês conseguem "sentir" este trecho? Eu consigo ouvir o Heathcliff falando estas palavras. E ele não estava falando nada daquilo da boca para fora. Realmente estava sofrendo e desejava com desespero que a Catherine o perseguisse, que ela não se afastasse dele um só instante. Não importava que ela estivesse morta e que o correto fosse deixá-la descansar em paz. Ele precisava dela. Lembram-se que eu disse que ela era o ar dele, seu coração e alma? Como um ser humano pode viver sem isso? Não pode, verdade? Por isso, ele precisava que ela o atormentasse, que ficasse com ele, assombrando sua vida. Porque ele suportaria sofrer, suportaria a loucura, mas não suportaria ficar longe dela. É forte demais. É realmente um amor doentio. Um amor suicida. Mais destruidor do que a tempestade mais violenta. Mas é amor. Não importa se não é um amor saudável. É amor e eles não escolheram amar daquela forma. Não foi escolha deles. Eles não são culpados por se amarem tanto. Quem pode condenar dois jovens que se amam? Eu não posso. Condenei um dia, quando estava muito furiosa com o livro, por não me deixar em paz.rsrs... Por ficar me fazendo lembrar tanto dele. Mas me arrependi quase imediatamente. No fundo, eu não podia condená-los. 


- Enfim... Já falei muito, não é verdade? E nem disse metade do que gostaria de dizer. Faltaram-me as palavras adequadas. Creio que, talvez, por não existir palavras que pudessem fazer vocês sentirem o que sinto por esta história. Peço somente que vocês leiam a história. Não prometo que vocês vão amá-la. Existem pessoas que odeiam profundamente o livro e o casal principal. Existem aqueles não conseguiram sentir um pingo de ódio pela história, que a amam com todo o coração. E existem pessoas, como eu, que sentem tanto amor quanto ódio pelo livro. Ler este livro é um risco, mas talvez vocês devam arriscar. A escolha é de vocês. :)

- Eu poderia falar sobre outros personagens desta história. Outros personagens que também marcam o livro, embora não seja de forma tão intensa como Catherine e Heathcliff marcaram. Mas marcam. Entre eles: Edgar Linton, Isabella, Hareton e Cathy (filha da Catherine). Porém, como já falei demais, deixo que vocês conheçam esses personagens lendo o livro. Sobre eles, não digo nada. 


- Enfim... É isso. Espero que O Morro dos Ventos Uivantes possa me deixar tranquila agora. Sinceramente, não desejo ficar pensando tanto neste livro. Não faz bem. Nunca vou esquecer esta história, nem se lutasse com todas as minhas forças conseguiria, mas desejo deixá-la no cantinho dela e ler outros livros. Livros lindos e não tão fortes quanto este. Livros "tranquilos".rsrs...


Bjs e até breve!

8 de agosto de 2011

Whitney, Meu Amor - Judith McNaught



2º Livro da Série Westmoreland



Whitney, Meu Amor" é um livro que mistura amor, intrigas e aventura, mexendo com todos os nossos sentidos e, especialmente, com nosso coração...

 
Órfã de mãe e criada por um pai severo e frio, a adolescente Whitney Stone choca a sociedade inglesa do começo do século XIX com seus modos, sua espontaneidade e rebeldia. Desde menina, ela ama o belo e aristocrático Paul, perseguindo-o em todos os lugares e inventando as mais inusitadas formas de chamar-lhe a atenção.

 
Enviada a Paris, ela recebe um longo treinamento para transformar-se numa mulher fina, glamourosa, irresistível. Quando retorna a Londres, está mudada, mas ainda disposta a conquistar seu amor de infância. Mas o irrascível e poderoso duque Clayton Westmoreland é quem se interessa mais vivamente pela jovem mulher. E é ele quem, por meio de artimanhas, consegue ficar noivo da moça e levá-la ao altar. Mas Whitney recusa-se a aceitar imposições, então desafia seu poderoso 'dono', e embora ele a seduza com sua avassaladora paixão, envolvendo-a em uma tempestade de desejo e prazer, ela não desiste de ser feliz com seu primeiro amor.

A convivência, porém, traz surpresas, e dentro de pouco tempo o duque se revela muito mais charmoso e gentil do que ela desejaria admitir. Talvez Paul não passe de uma fantasia infantil; talvez Clayton tenha bons motivos para agir tão brutalmente; talvez o casamento não seja um erro tão grande assim…"





Palavras de uma leitora...



"Y hoy, tras la ilusión de tenerte,
Sé que no quiero perderte una vez más
Porque sin ti estoy viviendo en soledad

 

Por el deseo que nunca terminó
Por ese tiempo que fue para los dos
Vuelvo a ti,
Muriendo por tu amor

Por la ilusión que aún palpita entre tú y yo
Por la inocencia perdida en el rencor
Vuelvo a ti,
Muriendo por tu amor..."

(Música: Vuelvo a Ti/ Cantores: Chenoa e David Bisbal.)



- Bem... Essa música que coloquei logo acima me foi indicada pela Carla e eu a escutei (juntamente com outras duas músicas lindas!) enquanto lia esse livro. Esses trechos que coloquei acima me fazem lembrar muito a cena na qual o Clayton fez aquela coisa imperdoável. Apesar de tudo que o Clayton havia feito, do quanto ela estava ferida, humilhada, a Whitney foi atrás dele... Claro que não foi imediatamente. Mas ela voltou para ele... Ela tentou salvar aquela relação que só ela poderia salvar, pois o Clayton não se aproximaria dela por medo. Ele se sentia muito culpado e tinha medo até de estar no mesmo ambiente da mocinha. Enfim... Depois que escutei esses trechos por um tempo passei a associá-los à cena dela indo até a casa dele e fazendo o possível para enfurecê-lo...rsrs... Pois essa era a única maneira deles poderem conversar. Achei a cena muito linda e a Whitney só fez com que eu sentisse ainda mais orgulho dela.

CONTÉM SPOILER, ou seja, revelações importantes sobre a história! Se não quer conhecer segredos da história, se ainda NÃO LEU o livro, NÃO siga lendo esta resenha!



- Esse livro é um daqueles livrinhos complicados, para dizer o mínimo. Existem coisas nele que eu dificilmente perdoo. Já mandei vários livros para a categoria de romances que odiei só por terem estupro ou agressão. Não precisava nem ter os dois. Bastava ter um (por parte do mocinho) e a história já ganhava uma passagem só de ida. Mas tenho encontrado livros (ou melhor, tenho recebido indicações de livros...rsrs...) que possuem esses dois temas, porém tem algo neles que me faz perdoá-los e eu confesso que não me agrada muito ir contra os meus conceitos...rsrs... Mas fazer o quê?! Não sou eu que decido. É meu coração que sempre decide se pode ou não perdoar algo num livro. Não é minha culpa! rsrs... Enfim... E, em "Whitney, Meu Amor" existe tanto agressão quanto estupro". O Clayton é um infeliz em vários momentos. Eu cheguei a odiá-lo de verdade. E demorou bastante para ele ganhar o meu carinho... Eu não senti afeto nenhum por ele durante boa parte da história. O desprezava e cada vez mais. Ele controlava tanto a Whitney, ameaçava, maltratava, que eu jurei que não o perdoaria (a Carla fez questão de me lembrar das minhas palavras...rsrs...). Eu não conseguia enxergar seu amor... Via apenas o sentimento de posse de um homem que encontrou um objeto raro e fez o possível para mantê-lo para si, sem se importar se prejudicaria outras pessoas por causa da sua atitude. Sinceramente, eu detestei o modo como o relacionamento entre ele a Whitney começou. Achei tudo muito frio e injusto. Ele a viu, desejou e comprou. Simples assim. Não encontrei justificativa para essa atitude insensível nem mesmo depois que comecei a amá-lo...rsrs... (pois é! No final das contas acabei amando-o! Não. Não estou feliz por isso...rsrsrs...) O Clayton foi egoísta sim, no início. Tudo bem que ele resolveu pensar melhor depois... Mas antes pensou mais em si próprio do que na Whitney. Sabe aqueles mocinhos "insuportáveis" que costumamos ver em alguns livrinhos? Aqueles que acreditam que sempre tem razão e não aceitam conselhos e nem olhar o outro lado da moeda? O Clayton era assim. Como disse, era, pois a Whitney deu um jeito nisso...rsrsrs... E eu adorei como ela fez isso. Bem parecido com a atitude da Elizabeth no livro "Alguém Para Amar". Quem lembra do "desaparecimento" da Elizabeth? Aquele depois que o Ian a expulsa de sua vida? Lembram?! Lembram do sofrimento do Ian? Ai, estou falando demais, certo? Vou parar! rsrsrs... Enfim... Como estava dizendo, eu não gostei do Clayton logo de cara. O desprezei e desejei que ele terminasse o livro sozinho, abandonado por todos. E que a Whtiney ficasse com o Nicolas TDB (uma pena que ele tenha desaparecido da história...).



Imagine-se na situação da Whitney. Não vale dizer que adoraria estar no lugar dela, pois ser comprada por um homem como o Clayton é o sonho de toda mulher! rsrsrsrs... É sério. Se coloque no lugar dela, sentindo o que ela sentia... Ela havia crescido sendo rejeitada pelo pai e alimentando uma paixão obsessiva por seu amigo de infância, Paul sem-vergonha. Desde muito nova ela idolatrava aquele jovem e sonhava se casar com ele e viver feliz para sempre ao seu lado. Tinha um gênio difícil, algo que não era aceito e nem entendido pelas pessoas que viviam ao seu redor. Ela foi humilhada diversas vezes, inclusive, pelo próprio pai que chegou a derrubá-la do cavalo certa vez (sim! Derrubar! Puxá-la do cavalo e jogá-la no chão e isso na frente dos "amigos" dela) e ofendê-la na frente de todos. Paul, apesar de se fazer de aborrecido pelo interesse dela, gostava das loucuras que ela fazia para chamar sua atenção e lhe lançava sorrisos; alimentava de certa forma a ilusão dela. Imagine-se perdendo sua mãe quando não tinha nem cinco anos de idade e, no dia do enterro, não entender o que se passava e desejar que alguém trouxesse sua mãe de volta, a tirasse daquela caixa. Desejar a explicação que ninguém se dignou a lhe dá. E naquele mesmo dia, enquanto sofria sem entender os motivos para o próprio sofrimento, ver seu pai mergulhar na própria dor e te mandar para longe dele. Não suportar sequer continuar te vendo. Imaginou? Imaginou você passando por isso aos quatro anos e meio de idade? Uma criança, inocente e sozinha? Pois bem... Imagine agora o que é crescer ao lado de um pai que não suporta sequer ouvir sua voz, que simplesmente não te suporta. Que em nenhum momento tentou te compreender ou dar amor. Alguém que só sabia abrir a boca para te humilhar, para dizer o quanto você o envergonhava... Whitney fez o que pôde para agradá-lo, mas jamais conseguiu ser o que não era. Ela tentava, mas era difícil ser a filha que o pai desejava. Mas ela tentou agradá-lo até perceber que era em vão... Então, quando estava entrando na adolescência, Whitney voltou sua atenção para o rapaz que não costumava lhe maltratar. Tudo bem que Paul não era seu melhor amigo e muito menos dedicava todo seu tempo à ela, mas somente um sorriso bastou para fazê-la acreditar que estava apaixonada por ele. Paul não a tratava com gentileza. Não me entendam mal. Ele somente não a ignorava como os outros. Às vezes sorria para ela, falava com ela... O único homem que fazia isso. Estão pensando o mesmo que eu? Não? Vou explicar o que eu pensei... Que a Whitney quis dar ao Paul o amor que ela gostaria de dar ao pai e não podia. Ninguém a notava, mas Paul sorriu para ela. Assim, o coração carente daquela criança, a iludiu, achando que ele era o homem perfeito para ela. Sua outra metade por ser o único que chegou a notá-la. E com o passar do tempo, ele acabou virando sua obsessão. Ela precisava dele para viver. Ele a amava e somente não sabia disso ainda. O amor dela seria capaz de fazê-lo deixar de notar Elizabeth... Esses foram alguns dos pensamentos dela. Quando era apenas uma menina. Não tinha nem quinze anos quando se "apaixonou" pelo Paul. Há um momento, no qual a própria Whitney lembra de algumas frases que escreveu na Bíblia dela, creio. E eram tão infantis, na minha opinião. O desespero de uma criança querendo ser especial para alguém. Quem nunca quis isso? Ela queria se sentir querida. E já que o pai era um caso perdido, ela se voltou para o Paul... Enfim... Vamos continuar imaginando...rsrs... Agora imagine seu pai enviar uma mensagem para uns tios que você não vê há anos e pedir que eles te levem para longe para te transformarem numa dama. Em outras palavras: ele estava cansado dela e queria distância. Imagine ele sequer se dignar a lhe informar que está se desfazendo de você. Te mandando para longe. Imaginou? Agora vamos imaginar que você passou quatro anos longe, sem receber sequer uma carta do seu pai dizendo que sentia sua falta ou que te ama e você é importante para ele.... Depois disso, podemos prosseguir, imaginando que, de uma hora para outra, ele decide te chamar de volta... Você não entende os motivos, mas sente a esperança começar a nascer. Será que ele finalmente notou que você é filha dele? Será que agora tudo será diferente? Só para ver essa esperança ser destroçada pouco tempo depois, ao vê-lo contar, friamente, que estava tendo dificuldades financeiras e que te vendeu para um homem que você sequer conhecia... Sem levar em conta seus sentimentos, sem se importar para o que você sentia por seu amor de infância que para você era sua razão de viver. Saber que ele assinou o contrato de casamento e te entregou, por dinheiro, à um homem que ele próprio não conhecia. Imagine o que Whitney sentiu... principalmente depois que seu pai ainda ousou lhe dá um violento tapa no rosto, após você reagir diante do choque de saber que tinha sido vendida. E não só isso. Ele ousar te dar esse tapa na frente do homem que te comprou... Imaginou tudo? Se colocou no lugar da Whitney? O que você faria? Abaixaria a cabeça e aceitaria seu destino sem lutar contra isso? Aceitaria toda essa humilhação, a dor que estava te destroçando por dentro e ser propriedade de um estranho sem sequer dizer uma palavra? Ah, gente... Não sei se sou só eu, mas sei que eu não aceitaria.



- Bem... Eu planejava fazer o "um pequeno resumo" resumo dessa história separado, mas só nesses "imagine" que coloquei acima já disse boa parte do que colocaria no um pequeno resumo. Então, vou fazer tudo junto, ok? Vamos às explicações...



- Whitney perdeu a mãe quando tinha quase cinco anos de idade e naquele dia, confusa e sofrendo, ela acusou o pai de ter trancado a mãe dela naquela caixa para ela não fugir. O pai dela ficou furioso e em vez de compreender a confusão da garota (como que uma menina de cinco anos ia entender que a mãe estava morta e não voltaria?! Uma coisa é ela entender com alguém explicando isso... Outra bem diferente é quererem que ela simplesmente saiba. Sozinha. Sem ajuda.) a olhou com fúria e desprezo. Momentos depois, Whitney voltou a levantar acusações e quando passou a cena dessas lembranças, eu me emocionei muito pelas palavras dela no dia que a mãe morreu. Ela disse que se, não tirassem a mãe dela daquela caixa naquele instante, ela os denunciaria... a Deus. Ai, sei que talvez eu seja sensível demais (talvez?!), mas eu quase pude sentir a dor daquela criança... Enfim... O tempo passou, o pai dela continuou desprezando-a e quando ela fez quinze anos e o envergonhou mais uma vez (para ele foi vergonha... mas eu senti muito orgulho da Whitney quando ela fez aquilo. E acredito que a mãe dela também sentiria se estivesse viva. Ia levar um susto enorme, é claro. Mas iria sentir orgulho da filha.), ele a mandou para a França com os tios por tempo indeterminado. E foi lá que a nossa Whitney começou a crescer. Ela foi recebida bem pelos tios que a tratavam como se ela fosse filha deles. Foi recebida maravilhosamente bem pela sociedade francesa e foi sucesso em todas as temporadas das quais participou. Lá ela encontrou amigos de verdade e mudou muito... Não deixou de ser a garota linda e corajosa que era, mas aprendeu coisas essenciais para a época na qual vivia. Encontrou também o Nicolas Du Ville (ai, ele é um amor, gente!), que em um primeiro momento a rejeitou, mas que após descobrir a pessoa especial que ela era, a ajudou a fazer sucesso na França e ofereceu sua amizade e apoio... Se apaixonando por ela depois de alguns anos e planejando tê-la como esposa... Enfim... E foi enquanto estava na França que ela o viu pela primeira vez, num baile de máscaras...



- Nosso Clayton já a havia visto antes, mas eu não entrarei em detalhes, pois não é justo contar coisas que é melhor descobrir lendo...rsrs... Enfim... Ela não sabia na ocasião, mas Clayton já estava fascinado por ela e já estava providenciando tudo para torná-la sua esposa. Naquele baile de máscaras deu para perceber que existia algo entre o casal. O interesse do Clayton, é claro como água, mas o da Whitney, embora sutil, dá para perceber também. Ela própria não sabia o que estava sentindo. Não era amor, gente! Disso eu tenho certeza, mas estava começando a surgir "algo", entendem? Ela se interessou por ele. Aquele satã (ela o chamou assim...rsrsrs...) conseguiu invadir seus pensamentos... Enfim... Depois daquele dia, Clayton teve ainda mais certeza de que ela deveria ser sua. Ele a desejava, segundo ele, e só isso era motivo mais do que suficiente para tê-la. Não. Ele não pensou em conquistá-la e depois pedi-la em casamento. Ele é muito apressado. Não sabe esperar e por isso me fez desprezá-lo inicialmente e não compreendê-lo. Num primeiro momento, eu não o compreendi. 



- Quando acertou tudo com o pai da Whitney (sem sequer pensar em consultá-la), ele mandou que o miserável chamasse a Whitney de volta e se mudou para uma casa perto da casa dela. Com a intenção de cortejá-la. Mas aí vem seu próximo erro: usar uma identidade falsa. Ou seja, o relacionamento era uma farsa desde o início. Enfim... E, a partir daí muita coisa acontece. E eu não entrarei em muitos detalhes...rsrs... Posso dizer que esse casal sofre. E muito. Nada vai ser tão simples como o Clayton imaginava. Embora ele ainda não soubesse, o mundo não girava ao seu redor e ele não poderia agir como se todos tivessem que se dobrar à sua vontade. O Clayton comete vários erros que eu consideraria imperdoáveis, num outro livro, e por isso o casal acaba tendo sérios problemas. Mas são problemas sérios mesmos. E eu já considero a Whitney uma das minhas heroínas favoritas, pois ela passou a amar tanto esse homem, que foi capaz de suportar muita coisa que eu própria jamais suportaria. Não é qualquer uma, gente! Não é qualquer pessoa que seria agredida, estuprada, humilhada e maltratada pelo homem amado e lhe daria outras chances, tentando compreendê-lo e ensiná-lo que não era assim que se amava. A Whitney foi a mocinha ideal para o Clayton. Ela tem um gênio bem difícil e, inclusive, mesmo enquanto o entendia, virou a mão na sua cara. Mais de uma vez. Ela o agrediu, ofendeu e inclusive disse que gostaria que Deus jamais o perdoasse e o mandasse para o inferno. Mas foi ela que buscou a reconciliação. Foi ela que cedeu, que foi atrás da felicidade que só poderia ter ao lado do marido arrogante, cínico, possessivo, violento e apaixonado que o destino lhe deu. Eu achei o amor dela muito verdadeiro, muito natural e forte. Um amor lindo demais! E não desvalorizo o amor do Clayton, não. Com certeza, não! Mas sobre meus sentimentos bons por ele, eu falo depois...rsrs... Enfim... Eu comentei que há estupro e agressão nesse livro. Teve algumas meninas que disseram que a Whitney mereceu a surra, dada com um chicote que se bate em cavalo (isso mesmo que vocês entenderam!), mas eu não concordo nem um pouco. Não irei contar o que fez o Clayton bater nela, pois posso dizer que não era motivo suficiente. Nem chegava perto. Ela pode até ter agido como criança... Mas quem era o Clayton para reclamar? Quando estava frustrado, ele também não era teimoso e fazia as coisas como queria? Se estava furioso, também não descontava sua raiva e que se danasse as consequências até para si próprio? Ela não merecia aquela surra e eu fiquei muito furiosa quando li aquilo. Eu esperava que ela realmente merecesse, pois embora mesmo assim eu não aceitasse a cena, pelo menos, daria um desconto. Mas ela não mereceu. Com certeza, não! Sem mencionar que o erro dela foi um acidente. Ela pretendia acertar o Clayton. Uma pena que não tenha conseguido...rsrs... Pelo menos o fato de acertá-lo aliviaria um pouco o sofrimento dela depois... Realmente foi uma pena...



- Ainda não falei da cena de estupro e nem dos meus sentimentos bons pelo mocinho... É que meus sentimentos bons pelo mocinho surgem, com maior intensidade, depois dessa cena. O quê?! Vocês entenderam...rsrs... Vou explicar. Deixa só eu colocar alguns trechos:



"... Continuou deitado ao lado da única mulher que já amara, incapaz de consolá-la e de reconquistá-la.
 Olhando para o teto, lembrou-se de como a vira horas atrás, fingindo reger um grupo alegre de músicos de faz-de-conta. Como pudera magoá-la tanto, se apenas o que sempre quisera fora mimá-la e protegê-la? No entanto, tirara-lhe brutalmente a inocência. Mas perdera mais do que ela, porque acabara de perder a única coisa que realmente quisera possuir: o afeto da linda jovem ao seu lado. E ela, agora, o odiava.



Recordou todas as coisas vulgares e contundentes que lhe dissera no coche e ali mesmo, naquele quarto. As palavras degradantes, os toques que a feriram desfilaram implacáveis por sua mente, provocando dor profunda; então ele se puniu, pensando, tornando a pensar em tudo o que fizera e dissera para magoá-la.
 Quase ao amanhecer, Whitney virou-se, adormecida, deitando-se de costas. Inclinando-se sobre ela, Clayton afastou as mechas de cabelo castanho-avermelhado coladas nas faces macias. Então, ficou olhando-a dormir, porque sabia que seria a última vez que a teria a seu lado em uma cama."



"... As árvores curvaram-se, suspirando ao vento, como que fazendo uma reverência a Whitney, quando ela saiu para a claridade do dia triste e cinzento como a alma dele..."



"... Chegando ao último degrau, Whtiney parou, e Clayton, por um momento, pensou que ela fosse olhar para cima e vê-lo. Como se sentisse que estava sendo observada, ela ergueu o queixo com altivez, sacudiu os cabelos, desceu o último degrau e, andando majestosamente, foi até o coche e entrou, sem olhar para trás.



O copo de conhaque que Clayton segurava estilhaçou-se em sua mão, e ele olhou impassível para o sangue que começou a escorrer-lhe dos dedos. "



- Antes de comentar esses trechos, vou dizer uma coisa...rsrs... Eu mudei de opinião sobre algo que fiz. Sou humana. Tenho direito de mudar de ideia, certo? Enfim... Quem me acompanha no skoob deve ter visto que eu dei quatro estrelas ao livro e ia explicar meus motivos para isso aqui. Mas...rsrs... Enquanto relia esses trechos que acabei de colocar senti de novo a emoção intensa que senti durante essas cenas tão terríveis e tão dolorosas, mas também as mesmas cenas que me fizeram amar o mocinho. Que me fizeram passar a entendê-lo e sofrer por vê-lo sofrendo. Então, eu resolvi que vou dar as cinco estrelas ao livro. Estava tentando ser "lógica" quando tirei uma estrela, mas ela a está recebendo de volta somente por causa dessa cena. Da cena do estupro. E não a cena em si... Vou explicar...rsrs... Enfim... Ficou claro que o livro no final das contas vai receber as cinco estrelas?! :)



- Vamos falar da cena agora. O Clayton é um mocinho muito complexo. Não é fácil entendê-lo... Ele ama de forma intensa, possessiva e até doentia (assim como o Ráfaga e o Jason) e o pior de tudo: odeia da mesma forma. Pior ainda se esse ódio for uma mistura perigosa de ódio e amor. E ele tinha um defeito muito grave (tinha, pois a Whitney o fez mudar. Ou melhor, o forçou a mudar...rsrs...): não sabia ouvir o outro lado. A única verdade era aquela na qual ele acreditava e por causa disso, bastou algumas palavras de alguém, para fazê-lo sentir uma fúria tão intensa, que simplesmente o dominou. Ele se recusou, teimosamente, a dar ouvidos ao amor que sentia pela Whitney. Queria odiá-la, se sentia ferido, magoado, dolorosamente traído e não a deixou falar. Simplesmente fez "aquilo". É difícil até mencionar, gente! Foi horrível mesmo. Nossa mocinha tentou tanto fazê-lo parar de agir daquele jeito. Ela chegou a se submeter à vontade dele. Permitiu que ele a tocasse daquela forma que só machucava, tanto física quanto emocionalmente. Ela o amava e achava que era culpada pelo que estava acontecendo... Enfim... E como foi que eu passei a amar o mocinho depois disso? Vou explicar, mas posso dizer, com toda a certeza, que vocês só irão compreender totalmente depois que lerem a cena. Bem... Ele fez o que pretendia e aí descobriu que ela era virgem e que, com aquela atitude, ele estava arruinando a própria vida. Jogando fora todo o futuro que planejou para os dois. Pois ele próprio enxergou, depois que a raiva passou, que nenhuma mulher ficaria ao lado de um homem que agisse como ele agiu. Que se comportasse como um animal cruel e frio. Enfim... E essa cena foi muito dolorosa para mim, pois eu já estava tão envolvida pelo casal, que quase pude sentir toda a dor deles. Foi angustiante. Nossa Whitney reagiu de uma forma que eu não esperava... e que tornou tudo muito pior. Ela, depois que ele fez aquilo, começou a chorar e procurou abrigo, consolo... nos braços dele. Nossa! Foi uma cena muito forte. As emoções davam para ser claramente sentidas... Você consegue sentir a emoção da cena. Ela o abraçou e o puxou para cima dela, chorando, procurando seu consolo. O amava tanto que queria que ele próprio a consolasse. Aliviasse a dor física e emocional que ele próprio havia causado. É impossível não se emocionar... E eu vi o quanto o Clayton estava sofrendo. Quanta dor ele sentiu quando ela fez aquilo e depois, quando confessou seus motivos, e a feriu mais, pois ela não conseguiu entender como ele pôde fazer aquilo baseado somente "naquilo". (como disse, não revelarei o que causou a cena).



Mas eu passei a amá-lo somente por isso? Não. Eu vi o quanto o Clayton estava sofrendo e passei a sofrer também, pois não queria o sofrimento de nenhum dos dois. Depois que vi o Clayton sofrendo, um sofrimento que só alguém que ama muito pode sentir.... Eu enxerguei todo o livro de uma outra forma. Eu passei a entendê-lo, sabe? Mas foi a atitude dele depois que fez eu liberar o perdão e amá-lo muito. Gente, por várias vezes, durante a época do noivado, a Whitney implorou que ele a deixasse ir. E ele, mesmo sabendo que ela acreditava amar o Paul, mesmo sabendo que ela poderia sofrer inicialmente com aquele casamento indesejado... ele não a libertou. Sempre afirmou que jamais conseguiria deixá-la livre. Não podia deixá-la sair da sua vida. (antes eu via isso como egoísmo puro e sentimento de posse, mas depois vi de uma outra forma....rsrs...) Enfim... Mas depois do que fez, depois que sentiu a mulher amada chorando nos seus braços, logo após ele a ter magoado tanto... Ele soube que não podia mantê-la ao seu lado. E eu tive que lutar muito para segurar as lágrimas, pois o sofrimento dele é muito grande. Ainda não sei qual dos dois sofreu mais com a crueldade dele. Ele poderia tê-la obrigado a se casar... Que se danasse os sentimentos dela, ele poderia ter pensado somente em si próprio e a forçado a manter o noivado... Mas ele sabia que não tinha mais nenhum direito. Sabia que tinha ultrapassado todos os limites e não suportaria ver a mulher amada sofrendo por estar presa ao casamento com ele. Ele sofreu tanto, mas tanto... Porém, lutou contra a vontade de mantê-la ao seu lado, de aprisioná-la até receber o seu perdão e a deixou partir. Não só da casa. Ele a libertou do compromisso. Algo que eu jamais imaginaria que ele fizesse... Bem... Vocês devem estar pensando que eu contei tudo, certo? Sei que falei muito, mas a história é bem longa (e cada página vale a pena) e muita coisa acontece. O casal sofre muito, mas tem um final lindo... Final estendido!!! Capítulos extras!!! No livro original o final é frustrante. Mas existe o final estendido e esse sim é muito belo! :)



- Analisando meus próprios sentimentos agora, posso dizer que eu AMO esse livro! Amo o Clayton e desejei protegê-lo dos seus próprios erros. Impedi-lo de causar tanto mal à si próprio. Ele erra muito, gente, mas nem sequer merece nosso desprezo, pois ninguém seria capaz de desprezá-lo tanto quanto ele próprio se desprezou. E amo também a Whitney, pois ela é uma mocinha maravilhosa, que suportou os defeitos do marido, mas não sem fazê-lo mudar. Ela ficou ao seu lado, mas além de oferecer o seu amor incondicional, ela também lhe ofereceu a oportunidade de ser alguém melhor. De aprender a escutar. Ele não sabia. Verdadeiramente, não sabia fazer isso. Existem realmente pessoas assim. E algumas dessas pessoas, não todas, só precisam de alguém que seja muito forte (e paciente) para fazê-las mudar. A Whitney foi incrível! Foi lindo acompanhar o relacionamento desses dois. Foi sim angustiante em vários momentos... Intenso demais... O livro provoca emoções fortes na gente, mas vale a pena. É uma história de amor linda e que fico muito feliz por ter tido a oportunidade de ler. É um livro que com certeza lerei de novo um dia!



- E agradeço à duas pessoas pela indicação dessa série. A Gisele Melo, que num belo dia, durante uma conversa no skoob, me recomendou toda a série Westmoreland. E também a Carla, que apesar de só ter lido o primeiro livro da série, a indicou sabendo que eu a amaria, porque é quase impossível odiar um livro da Judith. Essa autora é sensacional! Muito obrigada, meninas! :D




E dessa vez não vou esquecer de dizer quais livros fazem parte da série! :)





Série Westmoreland:



2- Whitney, Meu Amor.
3- Até Você Chegar.
4- Milagres.


20 de julho de 2011

A Carícia do Vento - Janet Dailey




“De uma rica e glamorosa cidade do Texas ás mais altas e imponentes sierras mexicanas, esta é uma história sobre desejo e destino com a marca de Janet Dailey.” The New York Times


Livro que marcou a estreia de Janet Dailey na lista dos mais vendidos do The New York Times, A Carícia do Vento consagrou a autora como uma das maiores romancistas do gênero. A protagonista é a jovem milionária Sheila Rogers, bela, impulsiva e mimada que vivia em Austin, no Texas. Sheila contraria as expectativas de seus pais e foge para Juarez, no México, com Brad Townsend, um homem bonito e envolvente, mas que nada mais era senão um caça-dotes. A lua de mel do casal converte-se num verdadeiro inferno quando seu marido é brutalmente assassinado e ela é seqüestrada e levada por um bando de pistoleiros para um esconderijo nas montanhas. É ali que Sheila conhece Ráfaga, homem corajoso e idealista, e logo o ódio se transforma numa paixão arrebatadora.

 
 
 
Palavras de uma leitora...
 
 
 
- Antes de falar qualquer coisa, vou deixar alguns  fatos claros. Primeiro, a resenha com certeza terá spoiler, embora eu não saiba até onde irei revelar... Sei que o final não contarei, mas não prometo segurar algumas coisas... Então, quem não gosta de spoiler, pule essa resenha! Faça um passeio pelo blog, leia outras resenhas e aguarde a próxima!  rsrs.. :D E segundo, quem é fã da autora ou amou o Ráfaga, preste atenção numa coisa: Eu amo o Ráfaga com todo o meu coração, o entendi completamente, senti sua solidão, sua dor, mas... não deixarei de falar certas coisas sobre ele. O amo muito, mas nem por isso fingirei que ele não fez algo que partiu meu coração em mil pedaços. Não serei hipócrita e dizer que sequer cheguei a odiá-lo. Eu odiei. Odiei muito! Desejei inclusive que ele morresse, fosse assassinado depois do que fez... Eu senti um ódio violento por ele, que se ele estivesse na minha frente, eu mesma seria capaz de matá-lo. Então, não poderei ser falsa e deixar o sentimento negativo de fora da resenha. E a coisa que mais quero deixar clara: quem não gostar do que eu escrever ou discordar de mim, pode comentar deixando sua opinião, sua defesa, mas não permitirei ofensas, tá? Sei que esse livro é querido por muitas leitoras e como respeito a opinião de cada leitor ou leitora, espero que respeitem a minha também. Há algum tempo, por exemplo, eu li duas resenhas que não me agradaram. Uma sobre um livro da Sandra Brown e outra sobre um livro da minha querida autora Lynne Graham e ambas as resenhas foram feitas num blog que sigo e gosto muito. Numa das resenhas eu comentei deixando minha opinião, mas NÃO ofendi a blogueira, mesmo que ela tenha falado de uma autora querida por mim. E na outra eu sequer comentei, mas fui no skoob colocar minha resenha sobre o livro para que as pessoas pudessem saber que nem todos achavam o livro, digamos, sem graça e o mocinho um chorão. Eu respeitei a opinião da blogueira e espero o mesmo respeito. Ok???? rsrs... Estou dizendo tudo isso, pois sei que alguns fãs costumam "exagerar" quando querem defender o que gostam e não vou aceitar nenhum "exagero" aqui. Acho que agora já disse tudo que precisava antes de começar a resenha...rsrs... Vamos lá! :)
 
 
 
" - Não, não pode me condenar àquilo! - exclamou, tentando soltar-se dele.



Ele a sacudiu com força, uma vez.


- É a única lei que é sagrada para nós. Protege nossa liberdade e o risco da descoberta. Não posso mudá-la.


- Mas sou sua mulher. Sem dúvida... - tentou argumentar Sheila.


- Uma regra não pode existir para uma pessoa e não valer para outra. - Ráfaga interrompeu-a. - Ou é cumprida, ou é abolida.


Ele a abraçou, apertando-a contra si, apoiando a sua cabeça no peito dele. Ela tremia violentamente, consumida por um medo gelado."




"Enquanto ela tremia incontrolavelmente, ele a envolveu num abraço ainda mais apertado, como que tentando absorver um pouco do seu medo. Sheila fechou os olhos, sentindo o frio do pavor congelar o sangue nas veias.


- Quando? - sussurrou.

Ráfaga não precisou perguntar o que ela queria dizer.
 
- Esta manhã. Agora. - respondeu, com ar sombrio.
 
Sheila enterrou o rosto na camisa, os nervos contraídos.
 
- É melhor assim, não há tempo de remoer o assunto.
 
- Você sabia, não é? - As palavras revelavam uma amargura terrível. - Sabia ontem à noite. Laredo também. E Consuelo sabia, hoje cedo. Todos sabiam.
 
- É, sabíamos.
 
- E você só me contou agora. - acusou Sheila.
 
- Todos sabiam a penalidade pelo que você havia feito. Você não sabia. Não vi motivo para substituir a sua ignorância por medo."
 
 
"- Odeio-o por isso. - declarou Sheila, a voz trêmula.
 
- . E vai me odiar mais antes do fim do dia. - Bateram à porta. A cabeça de Sheila virou-se bruscamente na direção do som, o coração parando de bater por uma fração de segundo.
 
- Está na hora. - anunciou Ráfaga, friamente.
 
Um grito abafado escapou da garganta dela. Tentou soltar-se dele, debatendo-se para fugir, mas ele a segurou com facilidade."
 
 
- Bem... Preciso respirar fundo primeiro (Uma... duas... três... quatro vezes. Acho que é suficiente...rsrsrs...). É nessa cena que tudo começa, gente! É a partir daí que começa a cena mais forte, aterrorizante e torturante do livro. A cena que me fez desejar matar com minhas próprias mãos o mocinho-cretino chamado Ráfaga! Como eu o odiei... Eu não conseguia sequer pensar... Era uma raiva tão violenta que eu sentia realmente que poderia matá-lo se ele estivesse na minha frente. E eu li essa cena três vezes e em todas elas, eu senti ódio. Não pude perdoar a cena. Não pude entendê-la e aceitá-la... Suportar foi quase impossível...
 
 
- Esse livro me foi indicado por uma amiga querida que é completamente apaixonada pelo Ráfaga...rsrs... A Carla, que agora tem um espaço aqui no blog também. Ela falou com muito amor desse mocinho e eu, curiosa como sou, passei o livro na frente de vários porque queria conhecer esse mocinho tão especial e saber o que acontecia na tal cena "importante"...rsrs... E eu comecei a ler o livro... Mas a curiosidade e o medo da tal cena falaram mais alto e, eu, desejando enfrentar de uma vez por todas a cena, interrompi a leitura na página que estava e procurei a cena importante. Como eu já tinha começado a ler o livro e já conhecia um pouco a mocinha, inclusive a admirava bastante, o impacto da cena foi abalador... Eu ainda não conhecia o Ráfaga e creio que foi até bom... Quando li aquilo... Aquela crueldade toda, desejei matar o Ráfaga. Eu chorei muito com a mocinha, quase podia sentir sua dor e aquilo foi horrivel. Eu não podia acreditar no que meus olhos estavam lendo. Como ele pôde???!!!! Como pôde permitir algo como aquilo??? Como pôde fazer aquilo com alguém como a mocinha, uma mulher que o amava e esse amor estava escrito nos seus olhos???!!!! E eu enviei um email para a Carla falando do meu ódio pelo mocinho que ela ama. E eu estava quase certa de que mandaria esse livro direto para a lista de "romances que odiei". Recomecei a leitura, li o momento em que a mocinha sofre sua primeira grande decepção e finalmente comecei a conhecer o Ráfaga. Passei a amá-lo aos poucos, mesmo contra toda minha vontade. Eu não queria amá-lo. Ele machucou minha mocinha querida e eu não podia perdoá-lo por isso. Fui prosseguindo na leitura e cheguei na cena novamente. E embora amasse o mocinho, continuei vendo-a da mesma maneira. Como uma cena bárbara, nojenta e desnecessária. Ainda penso que ele merecia sofrer muito pelo que fez com minha mocinha querida. Pelo que fez com alguém que ele já amava. Não era uma estranha. Era sua mulher, como ele mesmo disse. A mulher com quem ele fazia amor. Aquela que se entregava à ele com amor, apesar de qualquer coisa. A única que foi capaz de chegar onde nenhuma outra chegou: no seu coração...  Aquela que fugiu dele apenas por medo de um sentimento que não conhecia e que ela não conseguia controlar. Um sentimento que não permitia mais que ela tivesse controle sobre si própria. Tinha medo dele enxergar o que ela sentia e foi por isso que fugiu. Mas mesmo enquanto cavalgava para longe, ela desejava louca e insensatamente que ele a impedisse, que fosse atrás dela e a levasse de volta...  Mas ele fez! Quer dizer, não exatamente. Ele permitiu que fizessem, entende? E eu cheguei a rir um riso debochado quando li essa cena de novo. Desejei mudar um pouquinho essa cena por pura raiva. Ela poderia existir ainda, pois eu queria o sofrimento dele. Só que queria um sofrimento pior. Mais intenso do que ele estava sentindo enquanto via o que havia permitido. Sabe como ficaria essa cena? Não? Eu só alteraria uma coisinha: a pessoa que ele permitiu que fizesse aquilo... Teria que ser ELE!!!! Eu queria que o Ráfaga, aquele cretino, fizesse o que permitiu que fizessem com a mulher que ele amava! A mulher que já havia decidido largar toda sua vida por amá-lo! Alguém que poderia ter um futuro muito diferente, mas que preferiu ficar ao lado dele. Mesmo quando fugiu, ela desejou que ele a encontrasse! Ela queria que ele a levasse de volta, mas não podia imaginar que ele poderia permitir que a punissem daquela forma. Então, como ele a amava e eu realmente acredito no amor dele, eu desejei com todas as minhas forças que o desgraçado fosse obrigado a aplicar o castigo. Não permitir e sim ser ele próprio, entendem? Eu quase posso sentir a dor que ele sentiria se fosse obrigado a fazer isso. Tinha que ter sido! Eu poderia ficar um pouco satisfeita ao saber que ele sentiria a mesma dor da mocinha. Ele sofreu por permitir aquilo, mas não sentiu a mesma dor, pois ele só poderia sentir se fosse ele que tivesse aplicado o castigo. E eu o chamei de covarde não só por permitir aquela barbaridade, mas também por ter recuado, por não ter aplicado o castigo pessoalmente. Por que não fez? Do que tinha medo??? De sofrer mais? Ele merecia o sofrimento! Merecia até sentir o que ela sentiu! Eu juro que sentiria prazer se ele também passasse pelo mesmo.. Como sentiria! E que fosse a mocinha que o punisse!!! Por que ele não aplicou o castigo com as próprias mãos? Será que tinha medo dela odiá-lo para sempre? Tinha medo dela nunca ser capaz de perdoá-lo? E ele não merecia isso? Sinceramente, gente, ele não merecia o amor dela, e ele próprio sempre soube disso. Ela merecia alguém que tivesse coragem suficiente para quebrar qualquer regra pela mulher que amava. Um homem que enfrentaria o castigo por ela. Isso sim seria uma grande prova de amor. O que ele fez me deu nojo, me fez desprezá-lo, odiá-lo de uma forma nauseante, que chegou a fazer com que eu me sentisse mal. Me fez desejar sua morte e que fosse uma morte muito cruel. E vocês devem estar se perguntando como eu consegui perdoá-lo depois de sentir tanto ódio. Vocês devem ter pensado que entenderam errado quando eu escrevi que o amo com todo o meu coração, certo???kkkkkkkkkk... Esperem! Vou chegar lá. Depois eu explico como passei a amar o mocinho...rsrsrs... Nem eu acredito ainda nisso. Enfim... Antes de fazer um resumo da história, de explicar certas coisas e colocar coisas lindas e que nos fazem refletir... ditas pelo próprio casal, eu quis desabafar meu ódio mais uma vez (já desabafei para a Carla por email...rsrs...). Eu o odiei e foi uma coisa inevitável. Acho que não tinha como ser diferente. Eu me envolvo demais com os livros que leio, com cada personagem e ler uma cena como aquela foi uma tortura. Realmente. Eu me senti mal... Senti como se meu coração estivesse sendo rasgado, despedaçado. E só imaginar o que a mocinha sentiu... A dor física e emocional... Mas eu ainda penso que a dor emocional foi muito pior do que a física. Um estranho pode nos machucar. É mentira dizer que não. Mas quando quem machuca é alguém que amamos... a dor é mil vezes pior. É mais do que torturante. É algo que pode, literalmente, acabar com uma pessoa. O amor tem duas faces. A face do prazer e a face da dor... Ele pode destruir. Meu coração se sente aliviado pela mocinha não ter ficado destruída depois do que passou. Vocês ainda não sabem, mas assim como a Tracy (livro Se Houver Amanhã - Sidney Sheldon), a Brigitte (livro Assim Fala o Coração - Johanna Lindsey) e a Tessa (livro Nunca Sem Meu Filho - Rebecca Winters) a Sheila ocupa o primeiro lugar da minha lista de mocinhas preferidas. Então, creio que vocês podem imaginar o quanto qualquer coisa que alguém faça contra ela, pode me afetar. Eu a tenho como filha, irmã, amiga... E aquela cena me abalou muito nas três vezes que a li e eu ainda não consigo tirar a cena da cabeça, mas preciso continuar a resenha...rsrs...
 
 
Que tal um pequeno resumo? Bem pequeno, tá? Vou tentar não falar demais...rsrsrs... :D
 
 
 
Um pequeno resumo:
 
 
Tudo que ela queria era ser feliz...
 
Sheila era uma menina de vinte anos que tinha tudo que pudesse desejar. Era filha de pais ricos, mimada desde o nascimento. Tinha orgulho de sua família, de seu dinheiro adquirido através de toda a luta dos seus pais, de sua beleza que era notada por onde ela passava... Tinha orgulho da admiração das outras pessoas, dos homens que caíam aos seus pés e desejavam ser o sortudo que conquistaria o coração dela. Ela se divertia com situações assim, se divertia com os olhares masculinos. Era mimada, mas aquilo nunca fez mal para ninguém e ela sequer desejou isso. Será que era algum crime aproveitar o que tinha? Desfrutar do que Deus e seus pais lhe deram? Não, não é verdade? Ela só queria a felicidade. Não estava cometendo crime algum, mas parece que o destino não pensou igual e planejou para ela um futuro totalmende diferente do que seu coração desejava...
 
Aos vinte anos, enquanto ainda estava na faculdade, Sheila conheceu um homem diferente de todos aqueles que viviam atrás dela. Ele era lindo, sensual e não a tratava como os outros. Não a bajulava, não a fazia pensar que o mundo girava ao seu redor... Mas a fazia sentir coisas que nenhum outro havia conseguido despertar dentro dela. E Sheila foi atraída por ele, assim como a vítima inocente de um vampiro fica presa e enfeitiçada pelo olhar do caçador... Ele a chamou e ela foi para os seus braços... Embora não tenha tomado o seu sangue, Brad roubou a vida que Sheila havia tido. Por causa dele, do seu feitiço, toda sua vida sofreu uma drástica e dolorosa mudança... Depois dele, nunca mais ela poderia ser a mesma. Sua vida passada era apenas isso... Passado... Ele não permaneceu por muito tempo em seu caminho, mas o suficiente para provocar um grande estrago...
 
A atração que Sheila sentiu por Brad foi tão grande que ela ficou cega. Completamente cega para os sinais que ele dava, por pequenos que fossem... Ela se deixou levar... E foi realmente levada... Influenciada por ele, pelo amor que ele dizia sentir por ela e as carícias que a alucinavam, ela largou sua vida de princesa e fugiu para se casar com ele. Foi seu erro. Um erro que ela jamais poderia corrigir...
 
Horas depois do casamento, Brad finalmente mostrou o monstro cruel e ambicioso que era... E Sheila abriu os olhos quando já era muito tarde. Sua noite de núpcias foi um pesadelo e a fez sentir nojo de si própria. Atormentada pela lembrança dolorosa do que Brad lhe havia feito, Sheila não conseguiu pensar numa saída e permitiu que aquele monstro continuasse conduzindo sua vida. Com ele, Sheila saiu de Juárez e seguiu para Acapulco, pensando, quando a raiva começou a dominá-la, numa maneira de acabar com aquele casamento insuportável... E mais uma vez o destino resolveu se meter... Ela queria o fim do casamento? Ele lhe daria isso... Mas não da forma que ela desejava...
 
Antes de chegar ao seu destino, o carro de Sheila, que estava sendo conduzido por Brad, teve alguns problemas e parou no meio do nada. De repente, a vida de Sheila foi mais uma vez alterada... Vários cavaleiros se aproximaram do carro e a estupidez de Brad o fez ser assassinado. Amedrontada e seguindo seu instinto de sobrevivência, Sheila usou os meios que pôde para convencer aqueles homens a não violentarem-na e depois matarem-na... E ela acreditou que havia conseguido garantir sua sobrevivência... Um resgate... Tudo que eles precisavam pedir era um resgate e teriam todo o dinheiro que pedissem... Eles aceitam, mas ela não sabia em que armadilha havia caído.
 
 
O que será que vai acontecer agora? Será que eles realmente a libertarão depois que o resgate for pedido? Será que Ráfaga, o líder do bando, irá libertá-la depois de tê-la em seu poder, em sua cama, em seu coração? Precisam mesmo de uma resposta?
 
 
Ao lado de Ráfaga, Sheila descobrirá o que é o verdadeiro amor... O que é se sentir amada... Mas também enfrentará momentos de dor terríveis... Sem jamais saber o que o amanhã lhe reservará. Ela não pode sair dessa prisão. E quanto mais tentar, mais irá sofrer...
 
Essa é uma história de amor quase doentio, selvagem, muito forte.... Nada é leve... As emoções, os sentimentos são intensos... E depois que começar a lê-la, você não conseguirá parar... Será levada para o mundo de Ráfaga e Sheila, conhecerá seus sentimentos, suas dores, suas angústias, seus medos, paixão, amor, cada segredo... Cada luta... Chorará com eles e também com eles irá sorrir, até mesmo gargalhar... E no final, quando a viagem chegar ao fim, você irá desejar recomeçá-la e jamais poderá esquecer essa história. Sheila e Ráfaga estarão para sempre em seu coração...
 
 
 
- Bem... Eu disse que o resumo seria pequeno, mas... Quase falei demais, certo? Como disse, a resenha terá spoiler, mas não contarei tudo.
 
- Vocês já conhecem meu motivo para odiar o Ráfaga e não preciso falar mais da tal cena torturante, por isso, agora vou tentar explicar a história, meu amor pela mocinha e pelo Laredo (quem é Laredo??? Alguém especial de quem falarei mais tarde... rsrsrs..) e meus outros sentimentos pelo mocinho, incluindo o amor que ele conseguiu despertar em mim. E sabe? Ele é mesmo impossível!!! Que direito tinha de me fazer amá-lo???? E como ele conseguiu isso, gente???!!! Tenho algumas explicações, mas eu mesma ainda estou chocada por tê-lo perdoado. Dessa vez (como sempre...rsrsrs...) meu coração não quis seguir minhas ordens. Eu disse que não o perdoaria, mas meu coração ignorou totalmente o meu desejo... Preciso ter uma conversa séria com ele... Ele precisa entender que tem que ser meu amigo e não ficar contra mim!kkkkkkkk... Ok, vamos continuar.
 
 
- Por que amo a mocinha e ela conseguiu ocupar o primeiro lugar da minha lista de preferidas? (tenho que passar essa lista para o papel e publicar no blog. Me lembrem disso depois.). Que tal um pequeno trecho? :D
 
 
" - Juro por Deus - resmungou -, se aquela vaca não parar de gritar comigo, vou enfiar um tamale pela sua garganta abaixo! É melhor dizer ao seu patrão que a mande calar a boca, antes que eu o faça!
 
- Mau gênio, mau gênio. - brincou Laredo.
 
- Daqui a uns dois minutos você vai ver direitinho como é meu gênio! - retrucou Sheila."
 
 
"Largando-os sobre a mesa, Sheila agarrou a faca pelo cabo.
 
- Não consigo resolver em quem usar isto. - murmurou.
 
- Não creio que Lena saiba que não pode confiar em você com uma faca - comentou Laredo, com um sorriso retorcido.
 
Sheila retribuiu o sorriso, com falsa doçura.
 
- Pensando melhor, sei exatamente em quem usá-la... no seu patrão implacável. Gostaria de arrancar-lhe fora o coração e tê-lo aqui no prato, ao invés desse pedaço de carne. - A lâmina brilhante pairava acima da carne fibrosa. - Aí, então, poderia cortá-lo em pedacinhos, ou quem sabe seria tão duro que só poderia parti-lo em pedaços."
 
 
" - Gracias - Lançou-lhe um sorriso adocicado. - Preferiria cortar o seu coração em fatias."
 
" - Estou certa de que ele já sabe que o acho um bastardo cruel e desprezível."
 
" - Não diga! - Sheila arregalou os olhos com falsa inocência e assombro. Fitou Ráfaga, disfarçando a antipatia do olhar com um movimento modesto dos cílios. - Então, não pretendia chamá-lo de bastardo. Estou certa de que seria muito mais exato chamá-lo de filho da puta."
 
 
- Bem...rsrsrs... Isso se passa apenas em uma cena. Tem muito mais...rsrs... Ela tem o sangue muito quente apesar de não ser mexicana e nem espanhola (é americana). Não é de guardar o que pensa para não machucar os outros. Ela xinga, morde, bate, grita, chuta.... rsrsrs... Ela agride o mocinho várias vezes e luta contra ele mesmo perdendo sempre... Mas ela não se intimida (mesmo quando está sentindo medo..rsrs...), não abaixa a cabeça, não deixa ninguém derrotá-la. Ela é muito ferida na vida por pessoas pelas quais ela sentia carinho e até amor (no caso do Ráfaga), mas é com a cabeça erguida. No começo do livro ela é enganada pelo Brad, mas não se deixa intimidar... E antes disso, quando os pais dela falam mal do Brad e ele fala mal dos pais dela, Sheila nos dá uma pequena amostra do seu caráter. Ela não se deixou influenciar pelo que ambos os lados pensava. Disse o que pensava e foi atrás do que queria para sua vida. Ela não se dobrou perante a vontade de ninguém. Não terminou com o Brad porque essa era a vontade dos pais e não virou as costas para os pais porque essa era a vontade do Brad. Ela foi com ele, mas não como se estivesse deixando os pais de lado. Ela queria simplesmente o que achava que era melhor para ela. Ela foi atrás do que acreditava. Acreditava no amor dele, acreditava num futuro para os dois e, falando sério, o Brad no início não agiu muito diferente dos mocinhos que conhecemos. Ele era arrogante, machista, possessivo e meio agressivo. Encontramos o mesmo em livros da Lynne Graham, Michelle Reid, Johanna Lindsey, Judith McNaught... Se formos sinceras, vamos admitir que a atitude dele, em livros dessas autoras, não significariam que o fulano não prestava. Ele só mostra mesmo quem é depois que eles se casam. Antes as atitudes dele não mostram muito quem ele é. Só depois... E ele, para mostrar o canalha completo que era, ainda violentou a mulher com quem ele casou por interesse. Sua morte foi fácil demais... Ah, Janet Dailey, você poderia ter pedido minha ajuda na hora de matá-lo. Pode apostar que seria uma morte muito mais dolorosa... ele imploraria para morrer logo...rsrs... Estou rindo, mas falo sério. Ele despertou meus instintos homicidas...rsrsrs... Enfim... E quando a mocinha enfrenta aquela punição, ela nos faz admirá-la muito mais. Mesmo chorando, mesmo sofrendo e tendo vontade de gritar, ela suporta tudo e não se humilha. Não. Ela levanta a cabeça e vai enfrentar o castigo com os próprios pés. Ninguém precisa arrastá-la. E isso me fez chorar ainda mais e desejar uma morte bem cruel para o mocinho! Sabe como ele poderia ter morrido? Querem saber como eu desejei que fosse sua morte depois da cena de tortura??? É melhor não saberem senão vão ligar para uma clínica psiquiátrica e pedir minha internação urgente!kkkkkkkk... Enfim... Ela levantou depois de cada queda e no final ainda mostrou que eu não estava errada por admirá-la. Ela não me decepcionou em nenhum momento. Errou ao casar com o Brad? Sim. Quebrou a cara, mas havia dado ela para bater. Não foi submissa à vontade de ninguém... Não ficou imaginando como algo poderia ter sido se ela tivesse agido. Ela não precisou disso, pois agiu, foi atrás do que queria para si... Sempre... Ela me faz lembrar muito a Brigitte e também minha querida Tracy. A Brigitte enfrentou punições terríveis, mas ela também não se deixou derrotar. Quem leu o livro Assim Fala o Coração sabe do que ela passou, inclusive nas mãos do Rowland que a estuprou e agrediu. Ela sofreu muito (embora não tanto quanto a Sheila), mas lutou o tempo todo. Ela fugia e o Rowland ia atrás dela, chegando a puni-la por sua fuga, mas ela não desistia...rsrs... E a Tracy do livro Se Houver Amanhã que foi violentada na prisão, teve sua mãe assassinada pelos poderosos da máfia, seus sonhos destruídos e seu bebê assassinado, mas não desistiu também. Caiu feio, mas não ficou no chão servindo de tapete para aqueles que queriam derrotá-la. Assim é a Sheila e por isso a admiro. Ela tem força, coragem, determinação e também tem amor e bondade do coração, é claro. Porque somente uma pessoa tão apaixonada, que amava loucamente, não mataria o Ráfaga enquanto ele estivesse dormindo...rsrs... Oportunidade ela teve, principalmente depois que ele passou a confiar nela... E o imbecil foi confiar logo depois da cena de tortura! rsrs... Se fosse eu...kkkkkkkkkkkk... Ele seria apenas lembrança... :D kkkkkkkkkkk.... Enfim... Essa mocinha eu jamais poderei esquecer... Espero ler outros livros com mocinhas tão fortes. São orgulho para nós mulheres! Tudo bem que eu não tenho nada contra mocinhas que só choram e sofrem, sofrem, sofrem (tenho não, é???) caladas, mas prefiro mocinhas que mostrem para esses imbecis qual é o lugar deles: ficar aos nossos pés, fazendo todas as nossas vontades!kkkkkkkkkk... Vamos continuar... Hora de falar bem do Ráfaga!kkkkkkkkkkkkkkkkkk.... Não pude resistir! Foi difícil não rir, pois estou achando essa resenha bem confusa e louca. Grito meu ódio por ele, quase falo como desejaria que ele morresse... e no final das contas, eu acabei apaixonada pelo cretino e vou falar bem dele... Isso não é muito louco? Eu acho... Vai entender... Culpem ele! Ele é o grande arrogante, imbecil que apronta, apronta, parte os nossos corações e depois dá um daqueles sorrisos irresistíveis e diz coisas lindas... E pronto! É perdoado por todos os seus pecados! Ele deveria era ir pro inferno por isso! (Brincadeira! Agora não desejo mais isso não. Ele levaria minha mocinha querida com ele....rsrsrsrs....).
 
 
"O vento forte que a vida soprou... Derrubou o ninho de amor. Hoje eu sou um cigano que foge da dor. Um oceano sem navegador... Hoje eu sou um fulano que a sorte marcou... Condenado a ser um sonhador. Hoje eu sou de... ninguém."

 
- Quem aqui reconheceu a música? Para quem não conhece, é a música Cigano do cantor Alexandre Pires. Por que a coloquei aqui? Simplesmente porque quando o Laredo falou um pouco de quem era o mocinho, eu comecei a prestar mais atenção no Ráfaga e tentei conhecê-lo (embora ele não facilite muito isso). Quem era o Ráfaga? Por que ele se tornou um criminoso, um mercenário que tirava bandidos da cadeia? E essa música me veio à memória... Eu pensei em cigano, em uma alma solitária, perdida, alguém precisando de socorro... Quanto mais eu conhecia o Ráfaga, mais eu conhecia sua solidão e sua dor e esse conhecimento não foi muito agradável. Não foi agradável porque eu me senti mal por ele... Não deveria ser fácil ser sozinho no mundo, não confiar em ninguém, não ter alguém que o abraçasse quando ele precisasse... Alguém que o amasse independente de qualquer coisa, que o aceitasse como ele era. Ele queria amar e ser amado. Ele já não suportava mais aquela vida... Escute essa música, cantada com a emoção do Alexandre Pires e leia o livro... tente conhecer o Ráfaga. Não importa que ele não queira nos revelar muita coisa... Você pode descobrir sozinha. Vai passar a amá-lo sem sequer perceber isso... Quando ver já estará apaixonada. "Um cigano que foge da dor". Acho que todos nós sabemos o que é sofrer e desejar fugir da dor, não é? E quando ele conheceu a mocinha... Viu o quanto ela era linda e corajosa, ele viu também sua única chance de fugir dessa dor que o estava devorando. A dor de ser sozinho e de não poder voltar para a vida que tinha tido... Pois ele teve uma vida, uma família que foi obrigado a deixar no passado... A fingir que esqueceu... A Sheila era sua salvação. Mas ele ainda tentou não tocá-la... Mas não conseguiu...rsrsrs... Alguém aqui já soube o que é não ser de ninguém? Não falo só de um companheiro... Falo de não ser absolutamente de ninguém. Não ter ninguém que se importe com você, que possa te consolar e sentir sua falta. Alguém que choraria por você caso a vida resolvesse te levar ou algo ruim acontecesse. Alguém com quem você pudesse dividir sua dor, quando estivesse sofrendo. Alguém aqui sabe o que é isso? Eu não sei, graças a Deus. E nem gostaria de saber. Mas o Ráfaga sabia. Ele não tinha ninguém. Claro que tinha amigos... Mas não era suficiente... Ele precisava de um amor realmente forte, de alguém para dividir a vida com ele... Pois, todos nós desejamos ter nossa "alma gêmea" ao nosso lado, certo? E além de não ter mais uma família... Ele também não tinha um amor, uma pessoa para amá-lo, abraçá-lo, fazê-lo feliz... Sua vida era tão triste que eu sinto uma dorzinha no coração só de imaginar o quanto ele estava sofrendo. Ele só queria fugir... Fugir daquela solidão, daquela vida vazia... E por isso ele foi egoísta. Quem aqui nunca foi? Sem mentiras! Eu já fui e olha que as pessoas me consideram uma pessoa muito boazinha. Mas uma pessoa boa também não pode ser egoísta? Claro que pode! As vezes queremos tanto algo, precisamos tanto de algo ou alguém, que mesmo sabendo que talvez estejamos querendo demais da pessoa e ela possa sofrer... nós mesmo assim queremos esse alguém do nosso lado. Algo ou alguém... Não faz diferença. Nós as vezes somos egoístas sim, pois somos humanos e ninguém gosta de sofrer. Nem os masoquistas, já que eles tiram prazer do sofrimento! rsrsrs... Enfim... E ele viu a mocinha, a teve sob o seu poder e eles se enfrentaram várias vezes...rsrs... Ele a ouviu xingá-lo várias vezes quando ela pensava que ele não entendia seu idioma...rsrs... Apanhou e a ouviu dizer que gostaria de fazer seu coração em pedacinhos e soube que aquela era a mulher da sua vida...rsrs... Sua salvação. E ele, fugindo de sua dor, possuiu a mocinha, buscou abrigo em seus braços. Ok. Começou como estupro, mas quando vocês lerem a cena verão que a mocinha não estava sofrendo nem um pouco (risos). Ele poderia até ser egoísta, mas não enquanto estava fazendo amor com ela. Carinhoso, apaixonado... Ele não queria só receber. Queria dar também. Seu coração, seu corpo, sua vida à ela. E ele não a tratava mal. Fez suas vontades tantas vezes... Ela era uma prisioneira, mas dava ordens e ele quase sempre as atendia. E depois que ele fez amor com ela pela primeira vez, fez questão de mostrar para todos do seu povoado que ela era dele, que era sua mulher. E eu senti um aperto no peito quando ele fez isso. Não. Eu não considerei arrogância, mas uma necessidade quase infantil de mostrar que não estava mais sozinho. Ai, gente! Ele atingiu meu coração. Me fez amá-lo, pois eu o entendi e já não queria mais sua morte, não...rsrs... Queria que ele vivesse e fosse feliz com a Sheila. Com sua mulher, sua outra metade... Quem ele esperou durante toda a vida. Aquela que poderia salvá-lo de uma vida sem sentido... Enfim... É maldade não desejar se separar de alguém que amamos??? Então ele foi mau. É egoísmo não querer mais sofrer? Não dar a liberdade que era direito da Sheila? Então ele foi egoísta, pois não desejava sofrer de novo... Não podia deixá-la partir, pois isso significaria a ruína dele. Ele precisava dela assim como precisava de ar para respirar. Pode ser uma comparação piegas, mas é verdadeira. Assim como precisava do ar, ele precisava dela. Ele até poderia "viver" sem ela, mas seria uma vida muito pior do que a anterior. Como posso condená-lo por isso? Eu não posso e não sou ninguém para condená-lo. Ele não a maltratava, lhe dava um pouco de liberdade, estava sempre atento às suas necessidades e em nenhum momento a quis ver infeliz. Sofria quando ela sofria e lhe alegrava vê-la sorrir, vê-la feliz... Na primeira vez que fizeram amor, a mocinha não queria e por isso cravou as unhas nas costas dele. De verdade. Causou feridas profundas, pois ela enfiou as unhas com raiva para machucar, mas ele aguentou a dor e não a machucou como uma forma de vingança. Simplesmente a fez limpar as feridas dele no dia seguinte...rsrs...


" - Não podemos voltar ao que já fomos. Um momento que passou não pode ser recuperado. Só um tolo o tentaria."


"- Se tivesse que fazer tudo de novo, ainda faria a mesma escolha?

 
- Quien sabe? A vida não permite que se volte atrás nos caminhos, nem que se mude de direção. O hoje pode mudar o amanhã, mas não o ontem."


- O livro não nos diz muito do Ráfaga. Creio que a autora gostou de torná-lo um mistério para nós, mas quase nos diz que o Ráfaga foi uma pessoa que acreditava que podia mudar o mundo... Fazer justiça, fazer a diferença, mas alguém não se agradou com a sua decisão... Não fica muito claro como ele foi parar na prisão, mas não acredito que tenha sido exatamente por um crime. E se foi??? Não me interessa, nem todos que cometem erros que levam para a prisão são realmente maus e nem todos que nunca foram para a cadeia são realmente bons, certo? Minha personagem querida, Tracy Whitney, foi presa e condenada por um crime que não cometeu. Depois que saiu da prisão ela passou a cometer crimes, mas é difícil enxergar em outras pessoas a beleza interior que vemos nela. Ela havia sido ferida, traída e condenada. Estava cansada. Que se danasse o mundo, ela só queria a felicidade! Não condeno o mocinho por ele fazer o que fazia. Não mesmo. Vai contra os conceitos "corretos", mas estou sendo sincera. Eu amo esse bandido cretino! rsrsrs... E ele não era mau, gente! Era sim cruel quando tinha que ser. Capaz de matar? Sim. Roubar? Não roubava, ele fazia alguns trabalhos ilegais...rsrs... Mas não roubava! rsrs... Só a mocinha, é claro! Ele a roubou do mundo que ela conhecia e não quis devolvê-la. Teriam que matá-lo primeiro, pois só assim ele a libertaria. E a tal cena? Desnecessária. Cruel. Bárbara. Torturante, como eu já disse. A mocinha havia fugido e quebrado a lei sagrada do povo dele. Tinha que ser punida. Não direi como, mas posso dizer que foi mais do que cruel. Ele fez a lei. Valia para todos. Quando foi atrás da mocinha, ele sabia que ela seria punida quando ele a encontrasse, mas ele não pôde deixá-la partir. Aquilo foi mais forte que ele... E ele atirou contra o cavalo dela, podendo atingi-la também, mas foi num impulso. Ela estava quase alcançando a liberdade e ele não podia suportar aquilo... Não podia viver sem ela, simples assim. E ele atirou.


"- Se houvesse algum outro meio de detê-la, acha que não o teria usado? - rosnou Ráfaga. - Acha que, quando tomei o rifle nas mãos, não tinha consciência de que estava me arriscando a matá-la, ou feri-la seriamente? Acha que não tive vontade de chamar a bala de volta, depois que saiu da arma? - A linha da boca estava severamente estreita. - Não tem importância para mim que o cavalo esteja morto.



Não concluiu dizendo que era importante que ela estivesse viva e incólume."


- Nesse momento eu entendi o que a Carla quis dizer quando falou que sentia compaixão por ele não conseguir deixá-la ir. Que além de amá-lo, sentia compaixão por ele.


Se olharmos para essa cena com lógica, veremos que ele poderia tê-la matado. Ele atirou. Ela estava longe e com o cavalo em movimento. Por pura sorte ele atingiu o cavalo... O que aconteceria se não fosse bem assim? Eu o mandaria pessoalmente para o inferno e eu acho que ele iria de boa vontade, pois desejaria o pior dos sofrimentos. Se a tivesse matado, ele também teria morrido. Se ela de repente morresse, ele conseguiria "sobreviver"... mesmo que sofresse a vida inteira. Mas se ele, com as próprias mãos, a tivesse matado, ele não viveria. Não precisaria que alguém o matasse. Ele se entregaria para a "Justiça" e morreria na prisão, enfrentando os tormentos do quais ele havia fugido num momento de desespero. Eu sei que ele faria isso. Ele se arriscou muito durante essa cena. Muito mesmo. Não arriscou só a vida da mocinha. Arriscou a própria vida e eu também sinto compaixão por ele. É um sentimento também de proteção... Sinto vontade de protegê-lo, até dele próprio. Dá para entender? rsrs.. Acho que não... E aí, ele a leva para casa sabendo que deveria puni-la porque ela desobedeceu a única lei sagrada do seu povo. Ele poderia quebrar essa regra, lei??? Sim. Mas não fez e isso me magoou muito. A Carla justificou o mocinho. Ela passou a amá-lo ainda mais depois dessa cena! É verdade! Ela própria me disse! rsrs... Mas eu não consegui aceitar. Não me importa que ele seja o chefe do bando e tenha que fazer "justiça", não abrir exceção para ninguém. Será que ele era masoquista? Pois dá para vermos que o imbecil, estúpido, tonto também sofreu!!! Ai, meu Deus! Ele viu a mulher que amava enfrentar aquele tormento e não fez nada... (respira fundo, Luna. Você precisa. Acho que precisa de calmantes também.) Como pôde suportar! Meu Deus! É uma cena tão forte, gente! Nunca poderei esquecê-la e nunca aceitarei também a decisão do mocinho de permitir aquilo. Houve um momento que ele não aguentou, sabiam? A tortura só foi interrompida porque ele não aguentou mais. A mocinha resistia e ela não poderia fazer aquilo. Mas continuou fazendo e ele deu um grito. Gritou "Não!". Toda sua dor estava nessas palavras. Tenho que admitir que ele sofreu, embora ache que ele merecia mais por dois motivos: a mocinha o amava e não cometeu nenhum crime de verdade. Fugiu dele por amá-lo e ter medo desse sentimento. E tinha direito a liberdade. O segundo motivo é que o estúpido causou o próprio sofrimento e merecia sofrer por isso...rsrs... É estranho que eu o tenha perdoado depois dessa cena, mas o amor não é muito lógico, certo? A mocinha mesmo disse isso:


"O coração se lembrou de quem ele era, o chefe de um bando de renegados. Mantinha-a presa, usava-a como sua mulher sem se importar com a sua vontade. Mas Sheila sabia de tudo isso. Sabia há bastante tempo, e não fazia diferença. O coração nunca é lógico ou sensato."


- Acho que já falei demais, certo? Só acho? Tenho certeza absoluta! Não sei como vocês tem paciência para ler minhas resenhas...rsrs... Mas vou colocar só alguns trechos, digamos, interessantes... e emocionantes, é claro.


" - Então, o que você quer? - indagou, com selvageria. - Quer que eu a deixe ir embora? É isso? Para voltar para junto dos seus pais e ter o bebê lá com eles? Quer fazer isso e ouvi-lo ser chamado de bastardo? - Ráfaga não deu a Sheila a oportunidade de dar uma única resposta. - Não a deixarei ir embora! Se era isso que esperava, pode tirar a ideia da cabeça. Jamais permitirei que você me deixe... nem a criança que foi concebida do nosso amor. O padre nos casará, e a criança, quando nascer, será batizada por um padre! Vai ser criada aqui nesta casa, neste desfiladeiro, com os irmãos e irmãs que possam nascer depois."


"- Não. - A mão cobriu-lhe os lábios. - Mesmo quando estiver pesada da gravidez, será bonita. - A voz era baixa e rouca, o veludo negro dos seus olhos fitando profundamente os dela. - Lembra-se daquela vez em que tentou fugir, em meio ao temporal, e depois sentou-se diante do fogo, para se aquecer? Fiquei olhando para você, ali, enrolada no cobertor com que a envolvi. A luz do fogo iluminava os seus cabelos, e imaginei-a sentada ali, a barriga quase distendida, esperando um nenê. Naquele momento senti um desejo como nunca sentira antes. Pensei em satisfazê-lo, possuindo-a. Mas possuí-la uma vez era como beber a água do mar. Descobri que tinha que ter mais do que o seu corpo. Queria o seu pensamento, coração e alma. Eu a amo, querida, como jamais amei outra mulher."


"Ráfaga inspirou fundo, um lampejo de dor nos olhos.


- Não tenho o direito de lhe pedir que compartilhe dessa vida comigo. Posso oferecer-lhe tão pouco, e você me dá tanto!

- Só o que quero é o seu amor. Já tive todo o resto. Não significaria coisa alguma sem você. Sei disso. Precisa me acreditar. 


- Só sei que não posso deixá-la partir - declarou ele, apertando-a rudemente contra si, enquanto baixava a boca para atender ao convite dos seus lábios."


- E o final da história? Segundo a Carla, é o que até algumas fãs loucas pela história criticam. Mas sabe de uma coisa? Adorei o final! rsrsrs... Eu amei como tudo terminou e olha que só gosto de finais assim nos livros do Sidney Sheldon. Mas tinha que ser como foi... Foi totalmente de acordo, embora inesperado. Não gostei nada de algo que aconteceu antes desse final, mas do final eu gostei muito. Adorei! :D

 
- E quem é Laredo? Meu futuro marido!kkkkk... Sim, quero me casar com ele! rsrs... Antes de gostar do mocinho eu queria que o Laredo ficasse com a Sheila... Ele é tão maravilhoso! Apesar de fazer tudo que o mocinho mandava, por lealdade, ele se tornou o melhor amigo da mocinha e se importava muito com ela. É alguém que cometeu um erro no passado, mas que não merecia também as torturas que eram aplicadas na prisão e fugiu... Não pôde recomeçar de maneira "legal", mas é muito melhor do que muita gente correta que eu conheço! Ele é um fofo, sem deixar de ser arrogante também...rsrs... E falar com ironia várias vezes... É um amigo leal e que sofre com quem ama. Sofreu com nossa mocinha e foi ferido por ela, para não abandoná-la. Sabe aquele amigo com quem você sempre pode contar? É ele! E tenho certeza que quando o livro dele for traduzido (existe a história dele, segundo a Carla! Mas não tem em português...) ele poderá até magoar a mulher amada, mas será um completo apaixonado, louco por ela... Tenho certeza de que a história dele é muito linda... É uma pena que ele não seja real. Poderia se casar comigo, certo? A vida não é justa...


- Enfim... Como já disse, esse livro foi uma indicação da Carla. Ela falou muito bem desse livro e do seu Ráfaga (que ela está dividindo comigo apesar de eu ainda achá-lo um cretino mesmo que seja um cretino louco de amor... Como posso não querer que ela o divida comigo???? Só se fosse louca! Não rejeito mocinhos apaixonados!). Ela sabe que minha leitura foi muito complicada e que eu odiei muito o mocinho-cretino, mas no fim das contas valeu muito a pena ler essa história. Agradeço muito amiga, pela sua indicação. Valeu sim a pena e eu amei e odiei ler esse livro...rsrs... Sim! As duas coisas, mas leria ele todo de novo (pulando somente a cena de tortura) agora mesmo. E vou fazer isso. Preciso reler algumas cenas engraçadas e outras interessantes... Como as que eles fazem amor (suspiros...).


- O livro recebeu quatro estrelas no skoob. Assim como no caso do livro "Assim Fala o Coração" ele perdeu uma estrela por causa da cena de tortura. Se aquela cena não existisse, o livro com toda certeza receberia as cinco estrelas. É apaixonante! Lindo, intenso e nos marca... Impossível de esquecer... E plagiando minhas próprias palavras:


 

"Essa é uma história de amor quase doentio, selvagem, muito forte.... Nada é leve... As emoções, os sentimentos são intensos... E depois que começar a lê-la, você não conseguirá parar... Será levada para o mundo de Ráfaga e Sheila, conhecerá seus sentimentos, suas dores, suas angústias, seus medos, paixão, amor, cada segredo... Cada luta... Chorará com eles e também com eles irá sorrir, até mesmo gargalhar... E no final, quando a viagem chegar ao fim, você irá desejar recomeçá-la e jamais poderá esquecer essa história. Sheila e Ráfaga estarão para sempre em seu coração..."


- Recomendo??? Sim! Mas somente se você tiver um coração forte e gostar de histórias bem fortes. Já leu livros da Johanna Lindsey? Sidney Sheldon??? Gostou??!! Então pode ler esse livro. Mas saiba que ele é pesado. Mas apaixonante...rsrs...


 
 

UM FELIZ DIA DO AMIGO À TODOS OS LEITORES DO EMOÇÕES À FLOR DA PELE!!!!




E também às amigas mais próximas que conheci através do blog!!! Adoro vocês e desejo que nossa amizade fique cada vez mais forte! :D



Bjs!
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