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28 de setembro de 2018

A Fênix de Fabergé - Sue Hecker e Cassandra Gia

(Editora: Harlequin
Edição de: agosto/2018)

Desde que perdeu o pai em um incêndio no circo em que trabalhavam, Aleksei Ivanovich Markov ficou marcado para sempre, no corpo e na alma. Seu maior desejo é vingar-se do homem que devastou sua família. Quando o encontra, convicto de que nada nem ninguém o demoverá de seus planos, Aleksei conhece Kenya, uma bela jovem, também ligada ao seu passado trágico. Um romance intenso desenrola-se entre os dois, porém, amargurado pelo rancor, Aleksei tem sede de vingança. Muito mais do que ajudar Kenya a se libertar de um pai abusivo, ele terá que superar suas dores e, tal qual a fênix, renascer das próprias cinzas, a fim de evitar mais destruição. Como um ovo Fabergé, recheado de surpresas, talvez assim possam viver um amor que os levará — ou não — ao êxtase.



Palavras de uma leitora...



- Depois de ter apreciado muito a leitura de Pertinácia (mesmo com ressalvas) e do gênero erótico ser um dos que menos gosto resolvi apostar em mais uma história da autora. Desta vez ela escreveu em parceria com a Cassandra Gia, uma autora que eu conhecia só por nome, mas de quem ainda não tinha lido nada. 

Todavia, vou confessar desde o princípio da resenha: prefiro mil vezes Pertinácia. Porque A Fênix de Fabergé não conseguiu provocar em mim nem metade dos sentimentos que a outra história despertou. A premissa do livro é muito boa, as pesquisas das autoras foram incríveis, nos fazendo mergulhar nos espetáculos circenses, no trabalho dos funcionários dos circos, conhecer um pouco da cultura russa, algumas palavras, pratos típicos e tudo mais. Mas e os personagens? O desenvolvimento deles era o que mais me importava no livro e não achei, sinceramente, que foram bem desenvolvidos. Não senti conexão com eles. E tive um problema enorme com a estupidez da protagonista. 

Mas continuarei a falar da minha opinião daqui a pouco (risos). Vamos saber do que se trata a história! :)

- Dispostos a mudar de vida os pais de Aleksei saíram da Rússia para tentar a sorte em outros países. Enquanto sua mãe seguiu a trabalho para o Canadá, ele o pai vieram para o Brasil por ouvirem falar de Máximo Gorkov e das oportunidades que ele oferecia aos artistas imigrantes. Só que após chegarem descobriram que Máximo havia falecido e em seu lugar estava o filho Adrik, um homem perverso que via nos russos os sacos de pancadas perfeitos para sua desforra. 

Não demora para que o sonho de juntarem dinheiro suficiente para unirem a família novamente pareça quase uma utopia. O salário era escasso e as humilhações às quais eram submetidos pareciam não ter fim. Todos os funcionários eram maltratados e não tinham nenhuma motivação. Não havia alegria nas apresentações que continuavam a fazer por pura persistência. Não era uma vida boa, mas o pesadelo real teve início quando um curto-circuito incendiou o circo, causando feridas, traumas e morte. Levando de Aleksei o seu pai e marcando para sempre não só todo o seu corpo, mas também a sua alma. Porque embora o incêndio não tivesse sido criminoso, mas fruto da negligência, do descaso de Adrik, a morte de seu pai não foi puro acidente. 

Anos mais tarde, agora dono de seu próprio circo, Aleksei retorna ao Brasil para obter a vingança que durante tanto tempo alimentou. Não teria paz enquanto não fizesse Adrik pagar por todas as vidas que tinha destruído e por ter assassinado seu pai. Não importava se no meio dessa história existisse Kenya, a filha de seu inimigo, e alguém que ele precisaria usar para chegar onde desejava. 

Tudo era muito simples. Não existia possibilidade de erro. Ainda que usar Kenya parecesse errado, seus motivos eram justos e não tinha qualquer intenção de lhe fazer mal. Porém, quando os sentimentos entram nesse jogo o que era fácil se torna mais complicado do que ele poderia um dia imaginar. 

O amor não fazia parte dos seus planos e deixá-lo entrar em sua vida não era uma alternativa... certo? Só que o amor não tem o hábito de pedir qualquer permissão. Ele simplesmente acontece. E temos que lidar com as consequências. 

- Como eu disse no início da resenha, a história tinha muito potencial. A trama criada pelas autoras é diferente do que costumamos ler. Apesar do tema vingança já ser clichê (e nem por isso deixar de ser interessante) a ambientação é diferente de outras histórias. É a primeira vez que leio um romance que se passa no circo, que praticamente todos os personagens são artistas de circo. Gostei muito disso. Meu problema foi a construção dos personagens. E não só dos secundários (que mal tiveram suas personalidades definidas), mas sobretudo dos protagonistas. E principalmente a Kenya. Achei a criação deles, de suas personalidades muita rasa. Superficial. 

- A começar pelo Aleksei que tinha passado por um trauma tão grande. As cenas do incêndio me deixaram agoniada. Porque consegui visualizá-las, imaginar as pessoas gritando, os animais indefesos que poderiam morrer, as crianças que estavam presentes quando o fogo se espalhou. Fiquei realmente desesperada. E muito triste com a morte do pai do mocinho que, para vocês terem uma noção, trabalhava TRANCADO dentro da bilheteria. Isso mesmo. Como Adrik gostava de humilhar as pessoas e se aproveitar da necessidade que elas tinham de trabalhar trancava o pai do Aleksei dentro da bilheteria e só abria quando o circo fechava e o outro prestava contas do dinheiro do expediente. Então, quando o incêndio começa o outro está preso naquele lugar sem poder fazer nada. Mas isso não basta. Não contarei todas as circunstâncias da morte do personagem, porém digo que foi realmente um assassinato. E aí temos o protagonista, que ficou todo marcado ao tentar salvar o pai, que teve que passar por cirurgias e carregava cicatrizes que nunca o deixariam. Que não demorou a perder a mãe também num acidente no ambiente de trabalho, por ela ter ficado tão obcecada por ter condições financeiras melhores e poder se vingar de Adrik e assim ter ficado descuidada. Diante de tantas perdas e tanta dor que carregava dentro de si eu esperava sentir tudo isso no personagem. Mas ele não me despertou nada. E olha que eu tentei muito. Largava o livro para pegar em outro momento, para ver se o problema era eu. Lia novamente algumas páginas para tentar estabelecer uma conexão com os protagonistas. Mas não adiantava. Era a mesma coisa com todos os personagens da história. Eles não me envolviam. Não sei o que se passou. Porque não foi assim com Pertinácia. Com o outro livro eu me envolvi. Mas neste aqui... não deu. 

E aí temos a Kenya. Se o Aleksei não me provocou nada a Kenya ainda conseguiu me despertar uma vontade de sacudi-la para ver se conseguia ser menos estúpida. Entendo que as autoras quiseram mostrar que ela não enxergava, como centenas de vítimas, que sofria abuso familiar. Que seu pai era violento, que o que ele fazia era crime. Mas a personagem era tonta demais. Não tinha força para nada. Só tinha atitude durante suas apresentações como contorcionista e quando estava com o Aleksei. De resto qualquer um poderia levá-la. Era meio como "deixe a vida me levar" mesmo.rsrs Ainda assim nem mesmo minha revolta com o comportamento tão passivo dela foi intensa, pois não cheguei a me importar com a personagem, a sentir algo por ela. 

Eu ficava chocada com a maneira como os crimes do Adrik, as agressões físicas e verbais eram tratadas de forma tão normal pelos personagens. Não é que eles achassem que era certo, mas não pareciam ver como crime. Um exemplo é quando ele dá um soco na Kenya. Ninguém fala que ela deveria denunciá-lo, que aquilo era violência doméstica. E nem vou contar o que mais ele faz! Mas a Ivana, que estava com a Kenya na hora, nem pede ajuda (embora existissem outros trailers por perto e ela pudesse ter gritado por socorro) ou tenta convencer a Kenya a chamar a polícia. Não. Ela consola a mocinha e depois só fala com o Yuri, outro funcionário do circo, para proibir a entrada do Adrik até que a Kenya voltasse a sentir segura na presença dele. Que ela pudesse achar que a atitude deveria partir da mocinha, tudo bem, mas poderia pelo menos tentar orientá-la, certo? Sabemos que hoje em dia não tem mais isso de não se meter em brigas familiares. Quando presenciamos violência é nosso dever procurar ajuda. Se fizéssemos isso mais vezes talvez menos mulheres morressem todos os dias neste país. E é por isso que não vi uma incoerência no comportamento da Ivana. Não estou criticando isso no livro, pois as autoras mostraram sim o comportamento comum da sociedade diante de violências do tipo. Quando vemos e não fazemos nada. Mas que o tema do abuso poderia ter sido melhor trabalhado não nego. Todavia entendo que é um romance. O foco é o casal e não os acontecimentos paralelos. 

- Outro ponto a mencionar: o Adrik. Ele era o vilão da história. Um psicopata. Mas as autoras o construíram de forma tão caricata que ele chegava a ser realmente ridículo. Não me provocou nem ódio porque eu ficava parada pensando em como ele estava sendo mostrado e o achava simplesmente absurdo. Eu sabia que suas atitudes eram desprezíveis, que ele era um monstro, mas sua construção também não me envolveu nem mesmo para provocar o ódio que os vilões me provocam. Era caricato demais, não encontro outra palavra para descrevê-lo. 

- Como podem ver meu problema inteiro com o livro foi o desenvolvimento dos personagens. A história em si foi bem construída, mas os personagens eram o principal para mim e o fato de tê-los achado superficiais estragou a história. Sinto muito. Queria ter amado, mas não amei e não vou mentir. Quem me segue sabe que se não gosto de um livro não adianta que não vou falar o contrário. E os fãs que me perdoem. Mas tenho direito à minha opinião. E só para deixar claro: não, eu não gostei do livro. 

Hoje em dia as pessoas estão tão chatas que você não gostar de um livro nacional parece o maior dos pecados. E não estou exagerando porque esses dias mesmo vi no Facebook o absurdo de uma pessoa criticar um grupo em geral dizendo que havia intolerância com os livros nacionais só porque uma leitora não gostou de uma história nacional. O problema foi esse, entende? Que o livro era de uma escritora brasileira. Logo, a garota tinha obrigação de gostar. São comportamentos absurdos assim de fãs que decepcionam alguns leitores e blogueiros e fazem a pessoa preferir ler outra coisa. As pessoas têm que aprender a aceitar críticas e opiniões diferentes das suas. Cansei de ver gente odiando livros que amei com todo o meu coração, mas sou racional o suficiente para não desejar matar a pessoa por isso.rsrs E como os leitores do blog me conhecem sabem que não estou nem aí se é nacional ou internacional. Não discrimino livros. Portanto, do mesmo jeito que critico um livro estrangeiro que odiei farei o mesmo com um nacional. Só que no caso de A Fênix de Fabergé eu não odiei a história. Eu simplesmente não gostei. Não leria de novo. E não recomendo. Ponto. 

Esta é a opinião geral sobre o livro? Não mesmo. Ele está super bem cotado no Skoob, muitas pessoas o amaram. Portanto, o melhor é a pessoa ler e formar a própria opinião. A chance de ser diferente da minha opinião é grande, gente. 

- Este livro eu recebi em parceria com a editora Harlequin, que este ano me possibilitou conhecer várias histórias nacionais e atingir a minha meta de ler mais esses livros. Acho que o meu preferido até agora foi Bruto e Apaixonado, da Janice Diniz. E o que menos gostei foi A Fênix de Fabergé.rs

P.S.: Sobre a questão do livro ser erótico: quase não tem cenas explícitas. E ele nem tem palavras chulas, felizmente!!! De todos os eróticos que li este ano (foram poucos, mas li) este é o que menos cenas assim tem. O que seria algo positivo para mim se eu tivesse gostado do livro. 

20 de julho de 2018

Bruto e Apaixonado - Janice Diniz

(Editora: Harlequin
Edição de: julho/2018)


Irmãos Lancaster - Livro 1


O encontro entre um caubói ferido e uma mulher obstinada. 
E a explosão dos sentimentos!

Quando a empresa do pai compra uma fábrica de parafusos no interior do país, Natália Esteves é enviada a uma cidadezinha do Mato Grosso com a difícil missão de demitir alguns funcionários. Mas os nativos de Santo Cristo não estão dispostos a deixar que uma executiva da cidade grande mude a vida local e decidem se preparar para expulsá-la, custe o que custar.

É aí que entra Mário Lancaster, um sedutor caubói conhecido por sua fama de mulherengo. Depois de ser afastado dos rodeios e perder o pai em um acidente, Mário assumiu a fazenda da família, de grande influência na cidade, onde mora com a mãe. O povo de Santo Cristo acha que ele é a pessoa certa para seduzir Natália e convencê-la a deixar a fábrica em paz. Mas ninguém pensou na possibilidade de uma paixão à primeira vista...

Bruto e apaixonado é o primeiro volume da série Irmãos Lancaster, uma história irresistível de amor, superação, sedução e, claro, caubóis atraentes e possessivos. 



Palavras de uma leitora...



"E, agora, aos trinta e cinco anos, ele mal era a sombra do peão de rodeio que tinha sido um dia."

Mário Lancaster era um caubói. Um homem nascido e criado em Santo Cristo, que lidava com o duro trabalho em sua fazenda e fazia de tudo para não perdê-la. Um dia tinha sido peão de rodeio, profissão que lhe rendera muito dinheiro e as condições financeiras para comprar a fazenda do pai, homem simples que se contentava em ser advogado no interior e ajudar as pessoas que necessitavam de auxílio jurídico, mas muitas vezes não tinham condições de pagar. Assim, a propriedade estava caminhando para a falência e Mário resolveu assumi-la para garantir que a família teria um teto e fonte de subsistência no futuro. Naquela época não poderia imaginar o que aconteceria...

Ele vivia e respirava cada rodeio. Amava a adrenalina, o perigo iminente, todos os riscos que corria sempre que subia no touro. Cada ser humano tinha sua paixão. Aquela era a sua. Só necessitava de oito segundos para garantir a vitória. E ouvir os aplausos das pessoas. Saber que mais uma vez conseguira. Só que, num determinado dia, seis segundos bastaram para lhe tirar tudo. 

Ao cair do touro, teve o joelho, as costelas e o ombro atingidos pelo animal, o que resultou numa recuperação difícil e cara. Logo o dinheiro parou de chegar e as dívidas foram se acumulando. Agora, cinco anos depois, lutava para não perder a sua fazenda. Que era tudo o que lhe restara. 

Mas não foi apenas a queda que o marcou. Não. Porque quando acordou no hospital naquele período tão tempestuoso foi para receber a notícia de que seu pai já não estava. Um acidente tinha levado sua vida. 

"Então recebe a notícia de que os alicerces da sua vida ruíram. Acabou tudo. Anos depois, a sensação do sufoco e da falta de sentido volta e o lembra de que quem está aqui pode inesperadamente desaparecer."

Privado de sua paixão, sem o pai que amava ao seu lado, prestes a perder a propriedade e temendo que a mãe sucumbisse à depressão, ninguém poderia culpá-lo se tivesse feito amizade com a bebida e se afogado nela. Mas Mário não era homem que desistisse de algo. Não tinha sido criado para ficar no chão. Podia até chorar, pois homem que é homem chora sim, mas levanta a cabeça e segue em frente. 

Cinco anos depois de todas as tragédias que poderiam lhe acontecer, tomava conta da própria vida, transava com quantas mulheres o quisessem (pois estava vivo e tinha direito), trabalhava duro e ainda aturava as maluquices da mãe, uma apostadora de mão cheia que insistia em deixar seus bolsos vazios. Tomava uma gelada com o suor ainda escorrendo pelo corpo e tudo estava muito bom. Era para continuar assim. Deveria... se o povo de Santo Cristo não tivesse resolvido infernizá-lo. Porque um homem não pode ter faz nesta Terra!rs

A fábrica mais importante da pequena cidade, de apenas seis mil habitantes, tinha sido vendida para estranhos e corria pelo local os rumores de que logo todos os que dependiam de seus empregos na fábrica para sobreviver seriam demitidos. O pânico tomava conta das famílias e as endurecia. Outros pequenos negócios também se viam ameaçados por aquela venda e não estavam dispostos a perder o que tinham sem lutar. É aí que recorrem ao Mário, uma vez que a família Lancaster era a mais importante do local. E os habitantes acreditavam que bastaria ele estalar os dedos para resolver todos os seus problemas. Se o novo dono fosse mulher, então, aí mesmo que tudo poderia ser solucionado rapidamente. Era só ele mostrar para a forasteira o macho que era e logo, logo ela estaria comendo em sua mão. 

Embora ficasse um tanto enojado com o comportamento daquela gente, tentava não levar a tal reunião que tiveram a sério. Não queria se estressar. Mas quando tudo o que queria era estar sossegado uma ligação alterou todo o seu rumo. O seu destino

"Ele sabia que era atraente, de um jeito animalesco, mas ainda assim incrivelmente atraente, e fazia questão de exibir os seus atributos a ela, a forasteira recém-chegada de uma metrópole. O modo como a olhava dizia tudo sobre a sua personalidade: ele era um predador."

- O que eu tinha na cabeça para ter demorado tanto a dar uma chance a livros com cowboys, minha gente?! Sério! Sinto vontade de me esganar por causa disso! Eu perdi muito! Mesmo! Sobretudo se os mocinhos dos demais livros forem como o Mário! Suspiros... Isso que é homem de verdade! Do tipo que não necessita tratar mal uma mulher para se sentir bem. E olha que eu achava que ele era machista!kkkkkk... Quero é um caubói para mim! Um que seja igualzinho ao deste livro.rs

"A magia está no ar
vejo fogo na arena
O cavalo a selar
Isso é coisa de cinema

Uma beca invocada
Um pingente no chapéu
Ouço uma oração
Sinto um pedaço do céu
[Música: Clima de Rodeio - Dallas Country]

- Eu sei! :D Estou um tanto doida hoje, mas a culpa é do livro. Foi simplesmente delicioso lê-lo! Estava quase fazendo minhas malas e me mudando para o mundo da história... só que teve personagem que disse que lá (em Santo Cristo) não tem cinema nem livraria. Bem... do cinema eu até abriria mão, mas das livrarias, não. Nem mesmo pelo Mário, infelizmente.kkkkk 

"Foi então que, pela primeira vez em toda a sua pervertida e dramática vida de peão de rodeio, Mário Lancaster perdeu o chapéu, assim, sem vento algum. Antes de beijar. [...] Antes de falar a primeira palavra. Antes de ter tempo de se preparar para receber o golpe do destino, a porrada dolorida vinda dos punhos do amor à primeira vista."

- Quem disse que os brutos não podem amar? Mário é um mocinho bem diferente daqueles que estamos acostumadas a encontrar nos romances. Ele é um homem rústico, "selvagem" por assim dizer, que não vestia terno e gravata ou sabia falar como os executivos com os quais a mocinha trabalhava. Ele não falava "bonito", inventando elogios falsos para conquistar uma mulher. Com ele tudo era cru e sincero. Não era um homem polido. Mas no momento que viu a Natália, soube que ela era a mulher da sua vida. Aquela que o deixaria de joelhos. Que amarraria o laço no seu pescoço. E embora tenha evitado compromisso ao longo de todos os seus anos de casos passageiros, estava bastante disposto a permitir que aquela moça tão diferente dele, tão incompatível com a sua vida, o prendesse. Bem forte. Porque quando um caubói amava... era para sempre. 

"Tem algumas coisas que a moça precisa saber sobre os caubóis... - começou, piscando o olho para ela. - A nossa cultura é meio que restrita às coisas da terra, tomamos banho no rio, vivemos ao ar livre como se a natureza fosse a extensão do nosso corpo. Somos xucros no trato social e arredios no amor. Fugimos do laço como o diabo da cruz. [...] É que a gente sabe que todo vaqueiro tem a sua cara-metade, a sua bruta, a mulher que vai fazer ele passar pelo inferno antes de ganhar o céu."

- A forma como o relacionamento entre o Mário e a Natália acontece é muito natural e convincente. Ele fica apaixonado por ela logo que a conhece, desejando fazê-la entender que estavam destinados.rs Mas nada é forçado, sabe? Ele começa a preparar-se para a luta, para ganhar o coração daquela mulher, não chegando de mansinho, pois esse não era seu estilo. Ele chega firme e atencioso, oferecendo-se para protegê-la do povo que queria intimidá-la e colocá-la para fora, dizendo que sua casa estava de portas abertas para hospedá-la, querendo ganhá-la pelo estômago com a culinária local (risos) e o vinho que ela bebe para afogar as mágoas (e protagoniza uma cena que me divertiu bastante) e, é claro, fazendo-a provar seus beijos... que a faziam até considerar dar uma chance, uma pequena chance, a ele.rs 

Não pense que se trata de romance doce, daquele cheio de cenas românticas que nos fazem suspirar. Não. É mais carnal, uma vez que o gênero do livro é o romance erótico. Quando o casal resolve se dar uma chance, de apenas sete dias (pois era o período que ela ficaria no local para executar as demissões), as coisas pegam fogo. As cenas são explícitas, com palavreado muitas vezes bem bruto, chulo mesmo. O que não posso dizer que não me incomodou, pois vocês sabem que não curto muito o gênero erótico.rs Ainda assim, esses dois me encantaram tanto que eu fazia por onde ignorar as palavras nada românticas deles, por assim dizer, e simplesmente curtia a história, que era linda e envolvente. Não é um erótico vazio, daqueles que não têm absolutamente nenhum conteúdo. Não. Aqui tem profundidade, tem drama, tem sentimentos fortes que ultrapassam o desejo e fazem com que eles até protagonizem algumas cenas fofas. 

"Natália esperou que Mário saísse do veículo para lhe abrir a porta.
- Um cavalheiro à moda antiga - comentou, apreciando o gesto dele.
- Não, dona, apenas um caubói - rebateu, sorrindo com charme."

Santo Cristo, a cidade do mocinho, é extremamente machista. Do tipo que te dá asco. Até as mulheres do local são desagradáveis, auxiliando os homens na intimidação de uma mulher que estava lá a trabalho e não era culpada por um dos moradores locais ter decidido vender a fábrica e depois ir embora, pouco se importando com quem seria prejudicado pelo desemprego. Ela não era dona da empresa e não tomou a decisão de quem deveria ficar ou ser demitido. Mas a população tenta tirar onda com a cara da mocinha, ameaçá-la e agredi-la pelo simples fato de ela ser uma mulher. Porque, como o Mário mesmo disse, se fosse homem que tivesse ido executar as demissões eles não se sentiriam tão poderosos para cantar de galo. Detestei aquelas pessoas. A família Lancaster, e uns poucos cidadãos decentes, era o que tinha de positivo no local. 

No início, o Mário meio que se mostra como machista. Ele insinua que é, mas aí você observa o comportamento dele e percebe que o cretino atrevido estava bem longe disso.rsrs Era um homem que amava as mulheres, e não apenas no sentido de gostar de tê-las em sua cama. Ele as respeitava. Sabia que elas tinham direitos, que tinham sentimentos, que mereciam ser valorizadas. Afinal de contas, foi criado por uma mulher a quem amava muito e por quem faria qualquer coisa. A sua mãe. A mulher que ainda sabia lhe dar broncas.rs Achei simplesmente linda a maneira como ele entendia a Natália, como queria protegê-la dos outros, mas não tentava invadir seu espaço, impedi-la de ser quem era. Ela tinha a sua profissão, seus direitos, "suas modernidades", como ele dizia. E por mais que sua vontade fosse colocar um anel em seu dedo e tê-la debaixo do seu teto, sustentada por ele, sabia que não tinha se apaixonado por uma mulher que se contentaria em levar uma vida assim. Ela tinha sua independência. E não abriria mão disso. E não é difícil para ele aceitá-la dessa forma. É muito fácil, na verdade. Porque ele a amava. E só queria vê-la feliz. 

"Beijou-a na testa e depois na boca. Abraçou o corpo que se moldou ao seu, escancarando para Santo Cristo a verdadeira natureza de sua relação com a forasteira.
Ele a amava."

- Destaque especial para os cretinos irmãos do mocinho: Thomas e Santiago.rs Deus do céu! Que caras hiperativos!kkkkkkkk Sabem o que é sossego, não.rs E amam as mulheres de um jeito mais expressivo que o do Mário, claro. Querem sempre companhia, mas nada de laço amarrando seus pescoços. Querem a vida livre, leve e solta. Mas eu notei um lance entre o Santiago e a Carolina (acho que esse é o nome dela) e por mais que não aprove o comportamento dela (que tinha noivo, mas manteve um caso com o Mário antes de ele conhecer a Natália), achei interessante a troca de olhares e a conversa meio raivosa que teve entre os dois. Será que a história do Santiago será com ela? Eu estou curiosa para descobrir. Até desejaria isso, pois iria além do tipo de mocinha que geralmente vejo nos livros. Ela não é politicamente correta. O que não seria problema algum, uma vez que o Santiago também não é nenhum santo. 

- Gostei demais desta história! Não posso dizer que de tudo, pois o excesso de palavras chulas me incomodou e não vou negar. Mas nem isso me impediu de amar o livro. De torcer demais pelo casal e rir com eles, me emocionar com eles, suspirar aqui com os toques de romantismo que existiam no mocinho. Até cavalo branco, vou logo falando. Não explicarei! Mas digo que a cena é linda! :D 

Valeu muito a pena conhecer esta obra maravilhosa da autora! Eu ainda não tinha lido nada dela. Este livro recebi pela parceria com a editora Harlequin e tinha minhas reservas, confesso. Tanto que quase deixei a leitura para o final do mês, temendo que por ser erótico me decepcionasse. Mas foi todo o contrário! Não gosto do gênero erótico, mas este livro está entre os que me conquistaram independentemente disso. :) Recomendo muito! Já estou ansiosa pelos próximos livros da série. Muito mesmo!

31 de maio de 2018

Pertinácia - Sue Hecker

(Editora: Harlequin
Edição de: maio/2018)


Série Mosaico - Livro 5


A vida de Rafaela nunca foi fácil. Da infância passada em um orfanato à mudança para São Paulo, ela sempre teve que superar diversos obstáculos que surgiam em seu caminho. Quando tudo parecia entrar nos trilhos e a jovem enfermeira pensava ter encontrado o amor, um erro lhe tirou tudo, e ela não sabe como recomeçar.

É exatamente em seu momento mais frágil que Rafaela conhece Jonas, um advogado confiante, sexy e vaidoso, que parece determinado a seduzi-la. Mas, depois de uma grande desilusão, Rafaela não quer ceder à atração que sente por Jonas e correr o risco de se machucar de novo. Será que essa jovem inocente e pertinaz conseguirá resistir aos encantos de um homem experiente?

Pertinácia é uma história sobre conquista: de confiança, de objetivos e, especialmente, de amor. 




Palavras de uma leitora...



- E bota experiência nisso! Jonas tem experiência para dar, vender, trocar...rsrsrs Quanto mais o conhecia mais puritana me sentia.kkkkkkkkk... E olha que sou bem mente aberta e leio livros de diversos gêneros (o que não significa que aprecio todos eles). Ocorre que quando iniciei esta leitura estava com uma ideia diferente da história. Achava que era um romance que tinha cenas calientes, mas que tratava de temas fortes, de superação, recomeço e tudo mais. E realmente ele aborda tudo o que eu imaginava, porém vai mais para o gênero erótico, algo que eu não esperava por mais que a capa fosse um indício.rs 

Considerando que é um livro adulto, obviamente, não é recomendado para todos. É um livro para maiores de 18 anos, ok? Aviso dado, prossigamos!


Tendo crescido num orfanato, não sabendo quem eram seus pais ou por que a tinham abandonado, Rafaela teve que lutar muito para conseguir ter uma profissão. Desdobrando-se entre trabalhos temporários e as horas de estudo, mal dormia ou se alimentava, contando muitas vezes com a compaixão de seus colegas que dividiam lanches com ela. Assim, tinha todos os motivos do mundo para agarrar com as duas mãos a grande oportunidade que era trabalhar para o Dr. Marco, como enfermeira particular de sua filhinha, um anjo que nasceu com anencefalia e nenhuma esperança de sobrevivência. 

"A cada história que eu contava, sentia que ela apreciava ouvir minha voz.
A cada carinho que fazia, era como se ela pudesse retribuir."

Só que o que era para ser um primeiro passo na sua carreira acaba por se transformar na sua ruína quando, guiada por uma ilusão criada em sua cabeça, decide que está apaixonada pelo patrão e que deseja ser a mãe de sua filha. Tudo não seria tão grave se ele não fosse comprometido, estivesse noivo de outra mulher... E se Rafaela tivesse se limitado a sonhar com isso e não partir para a ação. 

Rejeitada por ele e dispensada logo em seguida, vez que a continuação da relação de trabalho era impossível, ela ficou sem chão. Não tinha mais emprego, o homem que julgava amar não a queria e com sua inconsequência ainda foi obrigada a se afastar da bebê que tanto amava... Seu mundo não poderia ficar mais bagunçado.

"O que foi que eu fiz?! Eu destruí tudo."

A luz no fim do túnel aparece quando ela é contatada pelo advogado de Marco, um homem arrogante e sexy que descobre-se encantado pela jovem enfermeira. Sensibilizado por sua dor e levado também pelas segundas intenções que um só olhar para seu corpo já despertou, após tratar da rescisão contratual dela, resolve indicá-la para trabalhar na casa de sua irmã, já que possuía um sobrinho com leucemia e a gravidez da irmã era de risco. Desta forma, além de ajudar a família com a qual realmente se importava ainda contaria com a vantagem de voltar a ver a mulher que tanto o enfeitiçou. E, quem sabe, ensiná-la a apreciar tudo o que seu mundo tinha a oferecer... Com ele talvez ela não vivesse o conto de fadas dos seus sonhos, mas teria algo melhor. Mais quente, mais cru e... mais apaixonante. Estaria ela preparada para se entregar sem reservas? Para ser sua musa, sua fonte de admiração e desejo? 

E seria o desejo que o consumia, que o fazia querer tê-la nua em seus braços e em sua cama... um primeiro passo para um sentimento mais forte e duradouro? Nunca tinha amado. E na verdade não estava disposto a render-se a tal sentimento.Todavia, se mandássemos em nosso coração a vida seria mais fácil... e chata

"A cota de dor em minha vida já foi o suficiente. Os sonhos românticos de encontrar minha outra metade não existem mais. Aprendi com os meus erros."

- Logo que conheci a Rafaela, no prólogo da história, quando descobri qual foi a grande merda que fez, não simpatizei muito com ela. E o Marco (que mal aparece na história) ganhou toda a minha admiração por tê-la dispensado, por não querer mais que trabalhasse para ele. Tinha sido contratada como enfermeira, o que não incluía ficar nua em sua frente e se oferecer como se não soubesse que ele estava noivo. Eu não sou tolerante com traição. E não existe maneira de alguém considerar a conduta dela correta ou profissional, certo? Fossem quais fossem os seus motivos, estava errada. E mereceu sim ser demitida.

Isso não significa que atirei pedras nela, claro. Condenei o que fez, mas também fiquei com os olhos cheios de lágrimas com a cena em que ela se despede da bebezinha que tinha aprendido a amar e que foi seu maior motivo para desejar mais do que uma relação profissional com seu chefe. Além de vê-lo como o homem que era tudo o que tinha sonhado ainda existia a pequena menina, que precisava dela e tinha ensinado tanto em pouco tempo. Não duvidei do amor da mocinha por aquele anjinho e foi realmente muito triste vê-la se separando dela. Partiu meu coração logo no início do livro. :(

E mesmo irritada por ela própria ter se colocado naquela situação (compreender seus motivos não me impediu de desaprovar totalmente sua estúpida conduta), torci para que conseguisse dar a volta por cima, se libertasse de um sentimento que só a fazia sofrer e se permitisse conhecer alguém que retribuísse o seu amor e que, evidentemente, não fosse comprometido.rsrs

Sendo assim, quando Jonas e Rafaela se conhecem, eu vibro com a eletricidade que corre entre os dois. Com a troca de olhares, as frases de duplo sentido, a química que faz a temperatura subir. Eram duas pessoas solteiras e não havia nada no mundo que impedisse os dois de se conhecerem e se entregarem ao que desejassem. Eu torcia muito por isso. 

"Jamais imaginei querer alguém tanto quanto eu a quero. Tudo o que preciso, sinto e sei é que, de alguma forma, ela deve ser minha."

Só que não demora nada para a autora nos revelar mais sobre o Jonas.rsrs Para nos fazer conhecer seus segredos... seus fetiches. Ela nos conta o seu passado... quando ele descobriu que era adepto de determinada coisa. Eu não fiquei apenas com um pé atrás, não. Foram os dois!kkkkkkk... Recuei por completo, levantando todas as defesas contra o mocinho. Afinal de contas, tudo o que sabia sobre esse fetiche não era muito agradável. E eu não estava disposta a aturar certas cenas. É por coisas assim que evito livros eróticos. Não são minha praia, confesso. 

Após o choque inicial e a minha mente imaginar todas as coisas que ele devia fazer (estou tentando não soltar spoiler), continuei dando uma chance ao livro, vez que a leitura estava fluindo bem e eu queria saber mais do que nunca como se desenvolveria a relação dos dois e o que ele estaria disposto a fazer com ela. E mais importante ainda: se ela aceitaria esse tipo de relacionamento. Porque tudo o que sabia era que eu não aceitaria.kkkkkkkk... Por mais lindo e irresistível que o mocinho fosse. 

E conforme a história foi acontecendo, a relação dos dois evoluiu, pude perceber que apesar de se permitir certas coisas (e curtir bastante cada momento) antes de envolver-se com a Rafaela, definitivamente não estava disposto a incluir isso em seu relacionamento com ela. Não abandonaria seu fetiche, pois fazia parte do que era, de sua personalidade, de sua essência. Mas isso não significava que faria tudo o que fazia antes. E isso eu pude aceitar. Porque não era esse desejo profundo e secreto que ele tinha o problema em si, na minha opinião. Mas sim o que isso geralmente incluía, entende? E já que ele se torna mais inflexível (era isso o que eu queria dizer mesmo) ao se apaixonar por ela pude voltar a olhar para o cretino com bons olhos.rsrs 

"[...] Porém, no fundo, Rafaela tem algo que me faz querer cuidar, proteger, algo que não sei distinguir."

Embora o foco do livro seja a relação quente e carnal dos dois, que cresce até tornar-se amor, a história também aborda o tema das crianças especiais, que nascem com má formação e acabam sendo tratadas de maneira discriminatória pelas pessoas, até mesmo rejeitadas pela família. No orfanato em que cresceu, Rafaela conviveu com crianças assim e foi o que a motivou a estudar enfermagem. Ela especializou-se para tratar dessas crianças e acabou por envolver-se mais profundamente com a pequena Vitória, uma bebê condenada desde antes de nascer, sem esperanças de vida, mas que foi muito amada por todos. O pai dela, Marco, não a rejeitou. A quis demais e daria tudo para que ela não sofresse. Achei muito positivo a autora abordar tal tema. É raro vermos coisas assim nos livros, costumo ver com mais frequência só nas histórias da Catherine Anderson ou da Deborah Smith. 

Além disso temos o Guilherme, sobrinho do Jonas, que sofre de leucemia e enfrenta dolorosas sessões de quimioterapia. É trabalhando como enfermeira dele que a Rafaela fica mais próxima do Jonas, mas acaba por fazer parte de toda a família em si. Guilherme é um menino forçado a amadurecer por causa da doença, que não se sente como as outras crianças e fica muito desanimado por conta dos efeitos colaterais do tratamento. Porque não era só perder os cabelos... tinha a falta de apetite, os enjoos e vômitos, a fraqueza... Não era nada fácil. E entrando no tema da leucemia, a autora fala da importância de ser um doador de medula óssea, como isso pode salvar vidas. A esperança de Eliana, Felipe e Jonas (pais e tio do Gui) era que o bebê que a Eliana esperava pudesse salvar o menino, pois ele estava na fila de espera há muito tempo e ainda não tinha aparecido ninguém compatível. :( 

"Sinto que ela precisa se sentir tocada, amada e idolatrada. Não canso de lê-la e me fascinar com cada emoção explícita e descrita por ela. Sei que precisa se conectar a mim da forma mais primitiva e rápida possível. Não me importo de trazê-la para a profundidade do meu desejo. É lá que ela necessita estar e é exatamente para lá que vou levá-la, a fim de esquecer quaisquer lembranças do passado."

- Em síntese, esta é uma história que provoca calor, não tenham dúvidas.rs Romances eróticos possuem tal capacidade e a autora criou as cenas certas para nos fazer sentir que a temperatura estava muito elevada, que era verão em pleno outono. Jonas e Rafaela realmente pegavam fogo quando estavam juntos. Apreciei todas as cenas? Não.rs Apesar de ter gostado de muitas delas, não foram de todas, pois eróticos não são minha praia, como já disse. E existiram algumas que iam além do que eu podia aceitar (como uma que envolvia certa janela num certo lugar). Mas considerando o livro todo, os temas reais e importantes, o fato dos personagens serem muito humanos, com qualidades e defeitos comuns a todos nós, dei 4 estrelas. E é um ótimo livro sobretudo para quem ama esse gênero. E sei que existe muita gente que é apaixonada por romances assim. :) Até porque é um erótico com conteúdo. Não é vazio, falando só de sexo e nada mais. Não. Ele tem bastante conteúdo e por isso merece as 4 estrelas do Skoob. 

"- Você é minha querida e apaixonante Rafaela."

- Algo que não poderia esquecer de dizer: claro que amei quando eles dançaram ao som de Despacito, não é? :D Quem não sabe que sou fã incondicional do Luis Fonsi certamente não me conhece. Eu amo esse cantor e compositor fantástico há anos. Me apaixonei por suas músicas mais de uma década antes de Despacito surgir e estourar no mundo todo. É uma realidade que ele tem dezenas de músicas mais lindas e envolventes que essa, mas amo Despacito também e me orgulha demais ver o sucesso que meu cantor tão querido está fazendo. E a música combinou bastante com a história do Jonas e da Rafaela. :)

*Este livro foi recebido em parceria com a editora Harlequin. E a Sue Hecker é uma autora nacional. Assim, mais uma vez a Harlequin me ajudou na minha meta de ler mais nacionais este ano. 

- Pesquisando pela internet, descobri que o Marco (que demitiu a Rafaela com toda a razão do mundo) é protagonista de outro livro da série Mosaico. Que é uma série que não precisa ser lida em ordem. Eu, por exemplo, só li Pertinácia

Série Mosaico

1- O Lado Bom de Ser Traída (Bárbara e Marco)
2- Tutor (Beatriz e Pedro)
3- Sr. G 
4- Eu, Ele e o Sr. G
5- Pertinácia

2 de abril de 2015

Me Llaman Artemio Furia - Florencia Bonelli


Buenos Aires, 1810

Artémio Fúria não é um homem comum. É um gaúcho cujo nome se pronuncia com respeito e temor em todas as esferas da sociedade. Entre 1806 e 1807, seus centauros e ele serviram nos exércitos de Juan José de Pueyrredón para expulsar os ingleses. Sua influência entre os paisanos é decisiva. Quando iniciam-se os preparativos para a Revolução de Maio de 1810, a facção patriota, que deseja a independência do Rio da Prata, o convoca para lutar pela liberdade. Contar com os homens do gaúcho Fúria pode significar a vitória. 

Em meio às intrigas políticas que podem acabar com sua vida, o passado sombrio e trágico de Artémio Fúria se faz presente. Ainda que desejasse esquecê-lo, a honra o obriga a buscar vingança. Nessa outra batalha, Artémio Fúria poderá perder algo mais que sua vida... 



Palavras de uma leitora... 


"- Quero arrancá-la dos meus pensamentos. Quero que seu nome não se repita em minha mente. Quero que desapareça. Quero esquecê-la. Está me enlouquecendo - sua voz rouca perdeu firmeza - Depois de tantos anos, ainda me enlouquece."


Um amor que nem a morte seria capaz de destruir. Muito menos o ódio e a vingança...

Junho de 1790. De pé, meio escondido, o menino observava enquanto seus pais eram assassinados e sua irmã era levada embora por seus assassinos. As lágrimas escorriam silenciosas por seu rosto, enquanto ele tentava compreender o que se passava. Por mais que soubesse que seus pais estavam mortos, seguia num estupor, querendo acreditar que tudo não passava de um pesadelo. Lhe doía não poder salvá-los. Lhe angustiada saber que a partir daquele momento estaria sozinho, que seus pais jamais voltariam a colocá-lo na cama e ensinar-lhe coisas novas. Sua mãe já não iria mais sorrir para ele... nunca mais sentiria o seu abraço ou poderia buscar refúgio neles. Estava só. Sua família havia partido para sempre. 

Ele estava junto aos corpos dos pais quando um padre o encontrou e salvou sua vida. Ao lado daquele homem, voltou a se sentir querido e através dele conheceu seu melhor amigo. Mas o passar dos anos e o lugar que encontrou junto à família de seu amigo não foram suficientes para preencher o vazio. E nem diminuir seu desejo por vingança. Um dia derramaria o sangue daqueles que destruíram a sua vida. E só então poderia encontrar a paz. Não antes. E nada no mundo poderia fazê-lo desistir de sua vingança... Absolutamente nada...

"[...] Porque você me livra do frio da morte. Porque se a olho, aquelas imagens aberrantes que me atormentaram dia a dia durante vinte anos se desvanecem. Porque se seus olhos verdes e bondosos me contemplam com amor, então, minha vida cobra sentido."

- Nada... nem sequer sua Rafaela das Flores? Nem mesmo ela seria capaz de fazê-lo abrir mão do ódio e da vingança que o mantiveram vivo durante todos aqueles anos? Na vida... Artemio terá que aprender que não se pode ter as duas coisas... Se quisesse ter ao seu lado a única mulher que conseguira invadir um coração que ele já nem sabia que possuía... teria que abrir mão de algo. Porque a vingança... pode ter um gosto muito amargo e... lhe roubar o que lhe é mais precioso...

Ela apareceu em sua vida suave e bruscamente. Era o sol e a tempestade. Aquela que o tranquilizava, mas também mexia com todas as suas emoções. Apesar dos anos, ele ainda era capaz de recordar a primeira vez que a viu e a ânsia que sentiu por saber mais dela... por segui-la, por entrar em sua vida e se tornar o dono do seu coração. Não pôde tirá-la da cabeça e quando a oportunidade de trabalhar em sua propriedade, ajudando-a pôr em ordem o caos que reinava no lugar, apareceu, ele nem sequer hesitou. Iria estar perto dela e ao menos isso lhe bastaria... por um tempo. 

" - Você, Rafaela, é a única que não me faz perder por completo a fé neste mundo. Por você seria capaz de viver outra vez tudo o que vivi. Por você, Rafaela. Só por você, minha Rafaela. 

- E eu, por você, senhor Fúria, daria minha vida. Te amo, senhor Fúria, como jamais amei ninguém. Como nunca amarei ninguém. Eu sei. Sei que você está gravado a fogo em meu coração e que já ninguém será capaz de arrancá-lo dali. 

- Que ninguém me arranque de seu coração - suplicou ele, com feroz ansiedade - Que ninguém se atreva a arrancar-me de seu coração."

- A história começa no ano de 1790, e nos leva a conhecer a infância traumática do nosso mocinho. A morte dos pais, o sofrimento e vazio que tomou conta dos seus dias, a dor e as cenas que ele jamais conseguiria esquecer. Que tempo algum seria capaz de apagar. E aí, a história dá um salto de 30 anos, nos levando à Irlanda de 1820 e nos fazendo conhecer um Artémio diferente, que convive com as lembranças de uma mulher que ele amou e com a qual viveu uma linda e trágica história de amor nove anos antes. 

"Que bem há em viver sem você?"

Prestes a anunciar seu noivado com Elisabetta, uma mulher maravilhosa, mas pela qual ele sentia apenas afeto e que sabia que jamais viria a amar... as imagens de Rafaela inundavam sua mente com ainda mais intensidade. Ela foi sua vida. E sem ela... ele não era mais nada. Por mais que respirasse, sabia que sua vida havia se perdido no dia em que Rafaela morreu, vítima de um ataque cruel. Durante muito tempo Artémio desejara morrer e era um desejo do qual ele ainda não se livrara... Que sentido tinha a vida se ela já não estava? Ela o salvou. De todas as formas possíveis. Cicatrizou um coração que doía a cada batida, um coração que sangrava pela dor que a vida lhe causara... por toda injustiça... pelas lembranças de sua família destruída. Ela o reconciliara com Deus e com o mundo... e então foi embora. Provocando uma ferida ainda mais profunda do que a anterior, fazendo com que o simples ato de respirar fosse um tormento. 

"Sua mente e seu coração se encontravam num solitário confinamento, que o protegia das perguntas - dos outros e dele -, que o protegia da sinceridade, que o resguardava de admitir que havia morrido nove anos atrás no Rio da Prata, porque ainda que conversasse com amigos e familiares, ainda que atendesse seus negócios, comesse e bebesse, tivesse sexo e ainda risse, tudo isso ele fazia com uma alma morta, fria e inerte."

- Sabia que tinha que seguir em frente... esquecê-la. Muitos anos tinham se passado e era hora de voltar a pensar em construir uma família, mas o simples fato de pensar nisso trazia de volta toda a dor. Como ele poderia viver sem seu coração? Como seguiria em frente com alguém que não fosse ela? 

"Não me esqueça, senhor Fúria. Por favor, não me esqueça."

- Em meio ao seu noivado e às lembranças ainda mais intensas de Rafaela, surge para Artémio a oportunidade de voltar a Buenos Aires... ir de encontro mais uma vez com os seus fantasmas, com tudo de bom e ruim que ele tinha vivido naquele lugar. Ela estava ali. Sua Rafaela. Suas lembranças... os lugares pelos quais eles tinham passado, cada local em que se amaram, em que prometeram que estariam sempre juntos. Ali também estava o seu corpo... e o seu assassino. Sim. Era hora de voltar... Por ela

"[...] Pensei que morria quando não a encontrei. Acreditei que você tinha ido embora. 

- Ir embora? Sem você, senhor Fúria? Eu já não poderia viver sem você."

- Elisabetta o amava... Tudo nele. Seu sorriso, seu corpo, seu caráter, o carinho com o qual ele tratava as crianças e os animais, a forma como ele se importava com aqueles aos quais todos ignoravam... mas se sentia impotente diante da distância que havia entre os dois. Era como se houvesse uma barreira, algo que o impedisse de se entregar por completo a ela. E Elisabetta queria saber... O que havia no passado do homem que em breve seria seu marido? Quem era Rafaela e por que ele sonhara com ela? É através de uma conversa entre Elisabetta e o melhor amigo do Artémio que somos levados mais uma vez ao passado... Ao ano de 1810. Para conhecermos uma história. Para conhecer a história de um amor que sobreviveu ao mais duro passado, à vingança, ao ódio, ao inferno no qual Artémio e Rafaela foram lançados. Um amor que reconstruiu não só a vida de Artémio, mas também a vida de sua Rafaela. Que os salvou, que os fez perceber que existia um sentido neste mundo... um motivo para existirem. Para terem sobrevivido quando tudo estava contra eles. Conheceremos a história de um amor que nos marcará por toda a vida. Que jamais sairá de nossa mente e... coração. 

"Esqueça-a. Deixe-a ir. 'Só mais uma vez', prometeu a si mesmo. 'Quero vê-la uma vez mais. Depois, a deixarei ir."

Será que tudo realmente se perdeu? Será que uma história de amor como a que eles viveram pode terminar como terminou? De uma maneira tão cruel, destruindo mais uma vez alguém que já tinha sido tão golpeado pela vida? Será que já não bastava ver a morte dos pais, observar enquanto eles gritavam e nada poder fazer? Será que não era suficiente ver sua irmã ser levada por aqueles homens e durante toda uma vida não saber o que acontecera com ela, sequer saber se ela estava viva ou morta? A vida realmente a tinha levado? Sua Rafaela estava realmente morta? Ou a esperança que ele escondia dentro de si fazia sentido? De volta a Buenos Aires... muita coisa pode acontecer... Às vezes o passado não pode ser enterrado. Muito menos se dentro dele está uma história de amor que terminou da maneira errada... 

"- Rafaela. Minha Rafaela. Não me deixe. Pelo amor de Deus, não me deixe."

- Bem... Por onde começar? Apenas pensar na Rafaela e no Artémio já me faz chorar. Não consigo. Simplesmente não consigo evitar a emoção. São tantas coisas que eu gostaria de dizer, de desabafar... tantos sentimentos... e me encontro sem palavras. Não sei como expressar o que sinto por eles. Creio que não exista sequer uma palavra que possa explicar como eles mexeram comigo, como invadiram minha vida e e construíram um espaço só deles em meu coração. Eu sabia que iria amá-los. Por mais que tenha fugido dessa história por anos, sempre soube que no dia em que me permitisse conhecê-la seria cativada de uma maneira inexplicável, incondicional. Mas nunca imaginei que seria tanto... nunca passou pela minha cabeça que esse casal conseguiria tocar meu coração de uma maneira tão linda e dolorosa ao mesmo tempo. Chorar não diminui a dor que ainda sinto. Sabe quando você ama tanto uma história que chega a doer? Sabe quando um livro mexe tanto com as suas emoções que te leva ao céu e ao inferno? Esta história faz exatamente isso com a gente. Não dá para ficar indiferente. Não dá para escapar. 

" - Te amo, senhorita Rafaela. Te amo com todo o meu coração, com toda alma. Para sempre, ouviu? Para sempre."

- Quem é Artémio Fúria para mim? Alguém que a vida não conseguiu destruir. Uma pessoa que passou por um inferno que eu sequer sou capaz de imaginar...  que sofreu o que ninguém merecia sofrer... Que mesmo tendo todos os motivos para desistir e para ser alguém cruel, amargo, incapaz de sentir compaixão por qualquer pessoa, escolheu ser alguém diferente. Não abriu mão de sua alma. Os homens que mataram seus pais e levaram sua irmã não puderam destruir sua essência. Artémio para mim é um homem que sabe ser implacável com seus inimigos, mas também sorrir e consolar uma criança. Alguém que mataria sem hesitar qualquer um que entrasse em seu caminho e testasse o seu temperamento (não era chamado de Artémio "Fúria" à toa), mas era também o homem que salvou um animal selvagem e fez dele o seu amigo. Alguém que deixava a máscara cair sempre que se via diante de uma criança ou animal. Que era capaz de ajudar, sem esperar nada em troca, aqueles que ninguém ajudava. Mas sobretudo é o homem que entregou seu coração, ainda que ferido, para a Rafaela e permitiu que ela o curasse, que derrubasse suas defesas e fizesse parte de sua vida. Era alguém que não se julgava capaz de amar, mas que amava a Rafaela de uma maneira intensa, possessiva, terna, apaixonante, incondicional... com toda a sua alma. Ele a tornou o centro da sua vida... a tornou, na verdade, sua própria vida. Vivia e respirava por ela. E cada vez que eles estavam juntos, mesmo trocando um simples olhar, eu sentia uma emoção muito forte. O que existiu entre eles foi verdadeiro, forte, inesquecível. E nunca poderia ser destruído. Nem mesmo pela morte. 

"- Shhh. Não chore, meu amor. Não chore. Estou aqui para você e jamais voltarei a sair do seu lado."

- Rafaela havia sido feita sob medida para o nosso mocinho. Não existiria no mundo alguém tão perfeito para ele como ela. Antes de se conhecerem estavam incompletos porque era o destino deles se conhecerem... se amarem. Eles tinham sido feitos um para o outro e nem mesmo um segredo terrível, com um grande poder de destruição seria capaz de separá-los. Nada. Nem o tempo ou qualquer outra coisa. Logo que conheci a Rafaela, percebi que iria gostar muito dela, que acabaria adotando-a e querendo protegê-la de tudo. Uma mocinha que me lembrou uma outra mocinha maravilhosa que tive a oportunidade de conhecer. Mas ao longo da história, ela me mostrou que deveria ser querida por si mesma, que era muito mais do que eu imaginava que ela fosse. Uma jovem guerreira, humana, que não enxergava a bondade, a força e a coragem que possuía dentro dela. Alguém que durante toda a vida viveu sob a autoridade do pai, temendo até mesmo abrir a boca para dizer o que realmente sentia ou pensava, com medo de decepcioná-lo. Mas que lutou com unhas e dentes pela vida de uma criança inocente, que fazia parte de sua família, mas que eles queriam abandonar para esconder seus pecados. E que rejeitaram por não ter nascido perfeita. Ao amar essa criança, ao lutar por ela, Rafaela nos mostrou qualidades que ela não era capaz de enxergar. E o mesmo se passa quando ela conhece o Artémio. Quando amava... ela se entregava por inteiro. E era capaz de qualquer coisa para defender esse amor. Era jamais desistiu dele, nem mesmo quando ele fez em pedaços seu coração. Ela sempre acreditou. Sempre confiou no seu Artémio Fúria, no único homem ao qual havia pertencido e sempre pertenceria. Artémio não era o único cujo amor era sem limites, sem regras e arrebatador como poucos... Rafaela amava do mesmo jeito. E é impossível não amá-la. Ela não era perfeita, assim como ele também nunca foi. Eram duas pessoas humanas, que descobriram juntas o amor. Duas pessoas que se amavam com loucura e que não eram capazes de viver sem o outro. Respirar... não significa viver. 

"- Promete-me que morreremos juntos.
- Eu prometo."

- Não consigo falar mais nada. Na verdade, chego a me surpreender por ter conseguido escrever o pouco que escrevi. Sei que não é suficiente. Sei que minhas palavras não são dignas desta história. Que o Artémio e a Rafaela merecem muito mais. Só que por mais que escrevesse, seguiria não sendo suficiente. O que sinto por eles não pode ser colocado em palavras. É impossível. Só posso dizer que amo esse casal. Com todo o meu coração, com toda minha alma. E que não importa quantos anos se passem e quantas histórias eu venha a conhecer, nunca, nunca mesmo, poderei esquecê-los. 

"Se quer saber a minha identidade, pensa em mim como o homem da Rafaela das Flores. Esse sou eu, porque sem você, Rafaela, não sou nada."

8 de fevereiro de 2015

Adorável Mentirosa - Celeste Bradley

(Título Original: Seducing the Spy
Tradutora: Silvia Lúcia Sardo
Editora: Nova Cultural)

4º Livro da Série Quarteto Real 
(Royal Four/Clube dos Espiões de Elite)

Inglaterra, 1813

Espiões de elite, os Royal Four são insuperáveis em coragem, honra e audácia... 

Conhecido por seus companheiros como Falcão, lorde Wyndham é o mais reservado e misterioso dos quatro. Mas ao conhecer a impetuosa lady Alicia, ele descobre uma alma gêmea à sua altura, uma mulher apaixonada que o fará reconsiderar seu conceito sobre o amor... 

Renegada pela sociedade por causa de um deslize inocente, Alicia Lawrence toma conhecimento dos detalhes de uma conspiração que poderá mudar o destino de seu país, e recorre à única pessoa que acreditará nela: Stanton Horne, lorde Wyndham. 

Fazendo-se passar por amante de Stanton, para surpreender o inimigo, Alicia se vê envolvida numa estranha e sedutora parceria...


Palavras de uma leitora...


- Eu sabia que tinha motivos para temer a história dele...

Foi algo que percebi ao ler o livro anterior, que conta a história de Marcus e Julia. Ao conhecer o famoso Falcão, quarto membro do Royal Four, eu soube que teria problemas com ele. E não estava enganada. Frieza parecia seu nome do meio.

- Pense em alguém intolerante, que não admite a mais insignificante mentira de ser humano algum, antiquado, amante de todos os bons costumes e convenções sociais. Que não aceita a imperfeição e nenhuma fraqueza humana. Alguém mais do que disposto a olhar para um pecador com seu olhar frio, impiedoso e superior e não apenas atirar a primeira, mas também todas as demais pedras. Pensou em alguém assim? Então já sabe quem é Stanton, o Falcão. Não. Eu não tive vontade de atacar algo na cabeça dele. Tive vontade de fazer coisa muito pior.

- Durante boa parte da leitura eu acreditei que estava tendo um pesadelo. Porque é claro que esse mocinho não podia ser da Celeste Bradley. Ela cria alguns mocinhos que sabem ser insuportáveis quando querem, que são intolerantes, arrogantes e tudo o mais, porém o Stanton vai além de tudo isso. Ele se considerava um ser acima dos demais. Alguém perfeito que os outros tinham que seguir como exemplo. Não é à toa que os membros do Royal Four eram seus únicos amigos. E seus empregados temiam até mesmo respirar perto dele. Quem iria querer ter por perto alguém como ele, tão disposto a julgar e condenar?

- Existem pessoas que pensam que Deus pediu a ajuda delas para nos julgar. E Stanton é uma dessas pessoas. Sei que todos nós já julgamos alguém nesta vida. Penso que é normal. Mas também somos capazes de reconhecer que também erramos, que não somos perfeitos. No caso do Stanton, ele se considerava alguém que estava acima de todos. E por causa disso, estava sozinho há mais de dez anos e provavelmente seguiria assim pelo resto da vida se não tivesse se apaixonado por uma mocinha que nunca desistia sem lutar. E que estava disposta a lutar por ele até o último dia de sua vida. Somente alguém como ela seria capaz de suportar um traste como esse.

- Que rumo pode tomar uma história que se passa entre um sr. Perfeição e uma mocinha vista como prostituta por toda a sociedade e tendo que viver isolada de todos por anos, mal indo à rua? Não sei o que a autora pretendia. Fazer o sr. Perfeição mudar seus conceitos, tornar-se mais humano e compreensivo ao se apaixonar por uma "mulher de reputação condenável"? Talvez. É bem provável que ela pretendesse fazer seu mocinho aprender algumas lições sobre a vida e os seres humanos, mas duvido que ele tenha aprendido todas.

- Alicia já havia sentido o gosto da traição. Não uma. Mas várias vezes. Aos 18 anos, ela descobriu que não podia confiar nem em seus próprios pais, pois eles foram os primeiros a arruiná-la e depois lhe virar as costas, como se ela já não fosse nada para eles. Como se estivesse morta. 

Foi um golpe muito difícil, pior do que a traição do homem que ela acreditava que a amava. Ela havia sido criada por aquelas pessoas, os chamara de mãe e pai e nunca seria capaz de esquecer o que eles lhe fizeram. E ela sabia que no dia em que a oportunidade surgisse, os faria pagar com juros todo o mal que lhe causaram... 

Durante cinco anos, ela suportara o ostracismo e vivera mergulhada numa vida de tristeza e miséria, mal tendo o que comer ou vestir. Pagando por ter se apaixonado. E por ter confiado em sua família. Mas, após ouvir uma conversa bastante suspeita e perigosa, sua vida sofre outra drástica mudança... lançando-a novamente no mundo dos nobres hipócritas, que a condenaram por pecados muito mais leves do que os deles. E lhe dando finalmente a oportunidade que ela tanto esperara: de ter a sua vingança. 

Stanton, conhecido como Falcão entre os Royal Four, era um homem que sabia quando uma pessoa estava mentindo. Após anos e mais anos de intensa observação, ele aprendera cada sinal ou expressão que denunciava as mentiras que eram contadas por todos que o cercavam. Um "dom" muito útil quando se é um espião tão importante a serviço de sua pátria. Mas que o fizera manter-se distante das pessoas desde criança. Ele não suportava mentiras, pois era uma pessoa que sempre contava a verdade. Reprovava qualquer comportamento imoral, qualquer falha de caráter... qualquer erro. Não que ele julgasse os outros abertamente, mas um simples olhar era suficiente para afastar qualquer um e fazer essa pessoa se sentir mal consigo mesma. E tudo que ele menos poderia querer em sua vida era ver-se cara a cara com a mulher mais escandalosa que já ousara pisar nos salões da alta sociedade. Durante muitas décadas as pessoas ainda se lembrariam de lady Alicia e sua imoralidade. E ele não queria ver-se associado a ela. Mas também não poderia ignorar suas palavras. Se fosse verdade tudo o que ela dissera, o Príncipe Regente e toda a Inglaterra, estariam em perigo. Somente se fosse verdade... algo que ele ainda não conseguira descobrir, pois com Alicia, ele experimentou uma grande frustração: a incapacidade de saber se ela dizia ou não a verdade...

Disposto a fazer o que fosse preciso para proteger a sua pátria, ele decide fingir que os dois são amantes e assim fazê-la circular por ambientes nos quais pudesse identificar o traidor... expondo-a ao perigo e aos olhares e palavras de desprezo... algo que Alicia poderia suportar. Porém, mais do que isso... Stanton expõe o seu coração, tornando-a vulnerável apenas para fazê-la experimentar uma dor muito pior do que qualquer coisa que ela tenha sentido na vida...

"Pela primeira vez, Stanton sentiu uma pontada de culpa por expor Alicia daquela maneira. Não seria fácil enfrentar a sociedade que a condenara. Ele apertou-lhe a mão. 

- Não tenha medo, Alicia...

Ela o fitou com um brilho beligerante no olhar.

- Eles devem ter medo de mim."

- Nunca direi que não valeu a pena conhecer esta história. Valeu sim. E muito. Porque tive a oportunidade de conhecer Alicia, uma mocinha cruelmente golpeada pela vida, mas que jamais aceitaria permanecer no chão. Era alguém que não importava quantas vezes caísse, sempre se levantaria, ergueria a cabeça e seguiria em frente. Alguém que enfrentava as acusações e o desprezo dos demais de frente e os colocava em seus devidos lugares. Ela me causou uma grande admiração. E respeito. Além de ternura, é claro. Porque por trás de toda essa coragem impressionante, essa garra, vontade de viver e recomeçar, existia uma jovem profundamente machucada, que já não era capaz de confiar em ninguém. Eu senti imensa vontade de protegê-la de todas aquelas víboras e sobretudo do Stanton. Porque ninguém tinha mais poder para feri-la do que ele. Nunca vou considerá-lo digno de alguém como ela. Ele não a merece. A autora pode ter acreditado que sim, mas eu não fui convencida. Amor? Sim. Talvez ele tenha se apaixonado por ela, talvez a tenha amado... mas esse amor jamais foi capaz de impedi-lo de julgá-la, condená-la e tratá-la como qualquer outro cretino trataria. Todas as vezes que ele a tocava, eu sentia uma fúria e um golpe no coração. Porque ele a tratava como se ela fosse a prostituta que a sociedade a considerava. E me doía imenso que a Alicia estivesse disposta a aceitar tal comportamento, por estar perdidamente apaixonada por ele. 

Alicia não era do tipo que se apaixonava com reservas. Ela se entregava por completo ao sentimento, ao que o seu coração desejava. Sabia que jamais poderia casar ou ter filhos, já que estava totalmente arruinada e homem algum iria querer uma mulher nestas condições. Por isso, aceitava cada momento que pudesse ter com o Stanton, não importando a forma desprezível como ele a tratava. Ela podia suportar isso. O que ela não poderia suportar seria não ter sequer essas lembranças para carregar durante os anos que se seguiriam... e isso partia meu coração. Ele pisava nela e ainda assim ela ia atrás dele. Ainda assim ela tentava compreendê-lo... Ela o amava tanto que seria tanto capaz de matar quanto morrer por ele. E nunca ele valorizou tal sentimento. Sua demonstração de amor, na minha opinião, é totalmente insignificante perto das coisas que ela fez por ele. Ele nunca vai merecê-la. 

- Enfim... Vou dar quatro estrelas ao livro por causa da Alicia. Por causa da sua coragem e do seu amor. Por ela nunca ter se rendido, por ser a grande guerreira que é. Se fosse pelo Stanton, eu sequer me daria ao trabalho de avaliar o livro. Que ele e sua perfeição vão para um planeta bem distante e permaneçam lá! O mais longe possível das minhas vistas! 


1ª parte - Liar`s Club:


2ª parte - Royal Four Club:

Adorável Mentirosa 

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