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22 de janeiro de 2017

Um Mais Um - Jojo Moyes

(Título Original: The one plus one
Tradutora: Adalgisa Campos da Silva
Editora: Intrínseca
Edição de: 2015)


A mãe solteira de uma família caótica

As coisas andam ruins para Jess Thomas. Muito ruins. O marido se mandou. Ela tenta sustentar os dois filhos trabalhando em dois empregos. Sempre foi otimista. Sempre fez tudo certo. Como seria se, só uma vez, ela fizesse algo definitivamente errado, mas que poderia mudar a vida deles?

Um homem esquisito que ela acha repugnante

Ed Nicholls é um milionário do ramo da tecnologia cuja vida está desmoronando quando ele se depara com Jess e a família na beira da estrada. Em um ato de generosidade (talvez o primeiro de sua vida), ele concorda em lhes dar a carona que poderá mudar para sempre a história de Jess.

Um romance irresistível

Em Um mais um os opostos se atraem e duas pessoas ferozmente independentes aprendem que é possível encontrar o amor nos lugares mais improváveis. Jojo Moyes mostra seu melhor nessa história engraçadíssima e extremamente comovente. Quando virar a última página, você vai querer ler tudo de novo.




Palavras de uma leitora...



"Às vezes, dizia a si mesma, a vida era uma série de obstáculos que tinham de ser contornados possivelmente por um mero ato de vontade."

Jess aprendera desde cedo a sempre ver o lado bom das coisas, por mais difíceis que fossem. Desde que o marido saíra de casa, dois anos antes, ela assumira sozinha a responsabilidade por manter seus dois filhos vestidos e alimentados, se dividindo entre dois empregos que lhe consumiam e a impediam de estar perto deles e ainda tendo que lidar com as constantes idas para o hospital, pois os adolescentes da escola acreditavam que seu filho era saco de pancadas. Qualquer um em seu lugar teria motivos suficientes para desistir, se tornar uma pessoa amarga ou simplesmente sentar e chorar, acreditando que não havia solução para nada. Mas ela tentava. E sempre acreditou que tudo daria certo... Que se você é bom e faz a sua parte, em algum momento, isso vai retornar para você. Mas não era exatamente o que estava acontecendo...

Durante o dia ela trabalhava como faxineira, na casa de pessoas que muitas vezes sequer a enxergavam, e à noite era garçonete num pub onde alguns clientes acreditavam que tinham o direito de passar a mão nela, mas nada lhe roubava seu otimismo, nem mesmo saber que convivia com um adolescente que parecia ter desaprendido a falar e passava boa parte do tempo trancado no quarto, e uma filha que era um gênio da matemática e tinha sonhos que ela não tinha condições financeiras para realizar. Jess queria ter fé, acreditar que tudo era uma fase e logo sua família, até então desequilibrada, encontraria o caminho. E quando a chance de realizar o sonho de sua filha e tirar todos eles por um tempo daquela cidade aparece, Jess percebe que precisa agarrá-la. Com todas as suas forças. Ainda que, pela primeira vez na vida, tenha escolhido a maneira não politicamente correta de fazê-lo... Talvez os fins justificassem os meios. Tudo o que ela com certeza sabia é que não poderia desistir do sonho de Tanzie sem tentar. 

Ed Nicholls tinha a vida que muitos desejariam ter. Embora não ligasse muito para o dinheiro e os negócios, também não se privava dos privilégios que o dinheiro poderia comprar. Levava uma vida bastante confortável, com um trabalho que amava acima de tudo e tendo qualquer mulher que desejasse ter, ainda que tivesse saído recentemente de um casamento que lhe custara uma fortuna e fosse obrigado a lidar, quase diariamente, com a ex-mulher que parecia não entender o "ex" da palavra. Conseguia lidar perfeitamente com os desafios de seu dia a dia... até ela reaparecer. A garota da faculdade. Aquela que ele não conseguiu esquecer. Afinal de contas, não era qualquer mulher. Era a tal. Aquela que arruinaria sua vida em questão de pouquíssimo tempo. 

Ed e seu melhor amigo sempre tiveram uma quedinha pela jovem esnobe da faculdade, a que era muita areia para o caminhão deles e os fazia enxergar isso claramente. Quando se formaram e seguiram seu caminho, ambos acreditaram terem se livrado da paixonite que tinham por ela... até ela reaparecer, com uma repentina saudade do passado, querendo rever "velhos amigos". Ed sente de novo toda a atração e acreditava ser perfeitamente capaz de lidar com ela agora que adquirira confiança e deixara de ser um nerd. Só que ele não poderia sequer imaginar a metade dos problemas que a desequilibrada provocaria. Num dia, ele estava fazendo de tudo para se livrar do relacionamento que assumira com ela, por livre e espancada vontade, no outro... estava sendo processado por uso de informações privilegiadas e correndo o risco de perder tudo o que conquistara. E como se a maré de azar já não estivesse agradável o suficiente... uma mulher parada na estrada com duas crianças e um cachorro, tarde da noite, discutindo com a polícia, estava prestes a transformar o caos em algo que fosse além disso. Seria um carma? Isso só o tempo diria...rs

- Quando comecei a ler esta história o que eu mais esperava era me divertir. Eu queria rir, passar momentos bem leves ao lado dos personagens e, de quebra, ser completamente envolvida por eles. Afinal de contas, é um livro da autora de Como Eu era antes de Você! Preciso dizer mais alguma coisa?!rsrs Porém, nas primeiras páginas eu já percebi que o livro não era bem o que eu esperava. Na verdade, tudo é bem diferente do que eu tinha em mente. E isso não é necessariamente ruim.

- Apesar de ter momentos divertidos, eu nunca consideraria esta história como uma comédia romântica ou algo do gênero. Está mais para um romance com certo drama e um leve toque de comédia. Leve. Um toque bem leve mesmo. 

Jess, como a sinopse e o pequeno resumo que fiz já mostram, é uma jovem de vinte e poucos anos que cria sozinha os dois filhos. E o mais velho, de dezesseis anos, sequer é seu filho biológico. É um menino que foi deixado aos seus cuidados quando só tinha oito anos e era filho de seu marido com uma viciada que mal lembrava que ele existia. Enquanto muitas outras poderiam não querer assumir tal responsabilidade, Jess aceitou de braços abertos aquele menino, enxergando nele um pouco da criança que ela própria tinha sido e fazendo todo o possível para que ele se sentisse parte da família... para que se sentisse seu filho. E assim os anos se passam, até o dia em que seu marido adquire "depressão" e resolve que não aguenta mais nada e precisa ir para bem longe. Deixando Jess não apenas responsável por Tanzie, sua filha, mas também por Nicky, como se os filhos fossem apenas dela. Como se ele não tivesse nenhuma obrigação. Ela, então, é obrigada a passar ainda mais tempo trabalhando, tentando pagar as contas e fazer com que os filhos tenham o que comer, ainda que isso a desgaste e ela seja obrigada a aturar comportamentos como de alguém que bate a porta na sua cara e nem ao menos tem a capacidade de se sentir envergonhado. E esse alguém é nosso querido mocinho, claro!

A pressão sobre nossa mocinha é ainda maior, pois ela não tem ideia de como livrar Nicky do bullying que ele sofre na escola e que o faz se fechar ainda mais em si mesmo e no pequeno mundo que criou para ele. Como se não bastasse, sua filha também é uma menina diferente, tem uma paixão enorme pela matemática e corre sérios riscos de passar pelo mesmo que o irmão quando chegar ao ensino médio. É quando um professor percebe seu talento e consegue para ela uma bolsa de 90% numa das melhores escolas, uma bolsa jamais oferecida para outra criança. Só que os 10% restantes ainda eram uma pequena fortuna se fosse considerado que Jess mal tinha o suficiente para que eles comessem. Ainda assim, quando o prêmio de uma Olimpíada de matemática poderia ser capaz de fazê-la realizar o sonho de sua filha e impedi-la de sofrer o mesmo que Nicky, Jess não pensa em deixar a oportunidade escapar. E é quando é parada pela polícia... À caminho da Escócia, onde a olimpíada ocorreria. E é salva por nada menos que Ed... o cretino que batera a porta na sua cara e a tratara como se ela fosse nada além de uma faxineira. Por que, de todas as pessoas que existem no mundo, tinha que ser justamente ele? E é quando a história realmente inicia... Numa viagem de poucos dias de carro, que mudará para sempre a vida de todos eles... 

- Eu gostei muito da história e amei as duas crianças, que tocam nossos corações com seus jeitos de encarar o mundo e a força que ambas têm mesmo diante das coisas mais difíceis. Além, é claro, de admirar demais a nossa mocinha. Jess é uma personagem real, sabe. É como milhares, talvez milhões, de mães espalhadas pelo mundo, sobrecarregadas de serviços, suportando humilhações e salários que nem são dignos de ser chamados de salários para poder levar o que comer para casa, sustentar um teto e manter todas as contas pagas. Mães que esquecem de si mesmas para dar o que de melhor puderem aos filhos. Enquanto os merdas que contribuíram com o espermatozoide acham que elas fizeram os filhos sozinhas e ainda se sentem ofendidos quando são intimados para pagar pensão. Jess é muito real e isso é impossível de ignorar. Não tem como não admirar essa mulher guerreira e corajosa, que precisava tanto de apoio, que queria chorar nos ombros de alguém e saber que não estava sozinha, mas que ainda assim tentava ser forte para os filhos, pois sabia que eles precisavam de seu amor e dela como um alicerce para que eles não desabassem. E mesmo assim ainda tentava acreditar nos romances da ficção, que aproveitava qualquer segundo que a vida lhe desse para ler. Jess me conquistou totalmente. Queria que todas as mocinhas tivessem pelo menos a metade da força que ela tem.  

- E claro que achei bonito o romance que se inicia lentamente entre a Jess e o Ed. Porém, o problema está justamente aí. Achei apenas bonito. E queria muito ter achado arrebatador, belíssimo, inesquecível, entendem? A história deles não me provocou o impacto que eu desejava. Nem passou perto disso. 

Não é que eu não tenha gostado do mocinho. Na verdade, gostei bastante dele. Aprendi a gostar conforme fui conhecendo-o melhor e até o perdoei pela sua grosseria do início, quando ele se mostrou um verdadeiro idiota ao bater a porta na cara dela como se ela não fosse ninguém. E nem se dignar a pedir desculpas logo depois. Pouco me importa se ele estava com problemas, nada lhe dava o direito de agir daquela maneira. E quando ele ainda acha que ela tinha que aguardar alguns dias para receber o pagamento pelas faxinas que vinha fazendo em sua casa, senti vontade de bater nele. O miserável estava estressado diante da possibilidade de perder boa parte dos inúmeros recursos que possuía, mas achava que alguém que não estava limpando sua casa por droga de esporte nenhum tinha que esperar alguns dias ainda para receber seu pagamento! Se ele quisesse comer, era só fazer uma ligação e uma das melhores refeições logo surgiria em sua frente. E se ela e os filhos quisessem comer, droga?! Ele achava que eles deveriam se alimentar de vento?! Ele foi de uma idiotice tal no início que eu não simpatizei muito com ele. E nem senti pena pelo que ele estava passando. Até porque ele foi imbecil o suficiente para colocar a si mesmo naquela situação. Jess precisava muito mais da minha compaixão do que ele, sinceramente. 

Mas como eu estava dizendo...rsrsrs... Eu não desgostei do mocinho, mas no fundo fiquei com a sensação de que a Jess merecia alguém diferente. Uma pessoa que não demorasse tanto para valorizá-la e, sobretudo, um homem que depois de tê-la conhecido profundamente ao longo da quase uma semana que passou ao seu lado, não fosse canalha o suficiente para tratá-la daquela maneira quase no final e, consequentemente, não ter estado com ela quando nossa mocinha mais precisou. Eu posso ter perdoado a ignorância dele no início, mas a forma estúpida como ele se comportou ao descobrir uma coisa que a Jess fez num momento de desespero foi demais para mim. Se ele não a conhecesse, eu o entenderia. Mas aí é que está! Ele a conhecia. Bem de perto. Sabia tudo o que ela tinha passado. E o quanto ela era maravilhosa. Não pude perdoá-lo por tê-la feito chorar, por fazê-la se sentir culpada. Por roubar o otimismo que lhe restava e levá-la a se desfazer dos livros que tanto amava. Ele a lançou ao chão com sua reação imbecil, de retardado mental que não conseguiu absorver nada durante o tempo que passou com ela!!! Nem o ex-marido dela conseguiu deixá-la naquele estado. E aqueles que acham a Jess e o Ed um lindo casal, me perdoem por favor, pois não sou capaz de enxergar o mesmo. Na minha opinião, uma pessoa tão incrível como ela merecia um homem melhor. 

- As cenas que me tocaram foram sempre as das crianças e a linda relação que têm com a mãe. Quando o Nicky a chamou de mãe pela primeira vez meus olhos se encheram de lágrimas. Quando a Tanzie quis comprar um cartão escrito "eu te amo" para ela porque ninguém jamais tinha lhe dado isso eu me emocionei muito. E quando o Norman, o cachorro deles, salvou a vida da menina, numa das mais lindas demonstrações de amor, eu caí em prantos. Foram cenas assim que me atingiram. O romance entre a Jess e o Ed, não. Por isso, não pude dar 5 estrelas ao livro. Dei 4 estrelas. Pela Jess, os filhos e o cachorro.

- O Ed aprende a ser alguén menos centrado em si mesmo, gente. Não disse o contrário. Ele muda muito ao longo do livro. Só não o achei a pessoa certa para a Jess. Não achei que ele mudou o suficiente para ser digno dela. Mas é claro que torço muito pelos dois. Se ela o ama, é claro que quero que seja muito feliz com ele. Mas não vou mentir e dizer que não queria um mocinho diferente para ela.rsrs...

14 de outubro de 2016

Depois de Você - Jojo Moyes

(Título Original: After You
Tradutora: Adalgisa Campos da Silva
Editora: Intrínseca
Edição de: 2016)


Lou Clark tem muitas perguntas.

Por que acabou indo trabalhar no bar de um aeroporto, onde passa o expediente inteiro observando outras pessoas voarem para novos lugares? Por que o apartamento onde mora há um ano ainda não parece um lar? A família será capaz de perdoá-la pelo que ela fez dezoito meses antes? Algum dia ela vai superar ter perdido o amor de sua vida? Mas o que Lou sabe com certeza é que as coisas precisam mudar.


Até que, certa noite, uma pessoa desconhecida bate à sua porta. 

Será que ela tem as respostas que Lou procura... ou apenas mais perguntas? Se Lou fechar a porta, a vida vai continuar igual: simples, ordenada, segura.
Se abrir, estará arriscando tudo.

Lou prometeu que continuaria viva. 
E se vai cumprir isso, terá que convidar essa pessoa a entrar...



Palavras de uma leitora...



"Você não me deu uma vida, deu? De jeito nenhum. Só acabou com a minha antiga. Desfez em pedacinhos. O que eu faço com o que sobrou?"

- O livro Depois de Você é uma continuação daquela história que nos deixou em lágrimas. Sim. Como Eu era Antes de Você. Um livro que me deixou triste e ao mesmo tempo anestesiada quando terminei de ler. Que me fez pensar muito no quanto a vida é frágil e como tudo pode simplesmente mudar... No caso de Will, para pior. Até que...

Pois bem, como eu disse, este livro é a continuação da história de Will e Louisa. Portanto, quem não leu o livro anterior, pare imediatamente de ler esta resenha!rs Terá spoilers. Sem sombra de dúvidas. Ninguém pode dizer que não avisei. :)

"Dezoito meses. Dezoito meses inteiros. Até quando vai ser assim? - pergunto na escuridão. [...] - Porque isso não parece vida. Não parece nada."

- Quando conheci a história deles, eu já sabia como tudo iria acabar. Sou aquela que prefere saber com antecedência. Que implora às amigas por spoilers.rs Sendo assim, eu estava preparada para amá-los, viver cada momento com eles até o inevitável adeus. Até a morte de Will. Ou, pelo menos, eu acreditava estar preparada. Como se dizer adeus a ele fosse fácil. Não era. Não foi. Ele não fez em pedaços apenas o coração da Lou. Destruiu o meu também. Porque entender não tornava mais suportável a dor.

"Não pense muito em mim.
 Apenas viva bem.
 Apenas viva."

- Em Como Eu era Antes de Você, Louisa o conhece quando sua mãe a contrata como cuidadora. Embora não possuísse experiência alguma, existia em nossa mocinha algo que fez a mãe dele ter esperanças... No fundo, ela queria acreditar que aquela jovem pudesse devolver a Will a vontade de viver.

Porém... os momentos que eles passam juntos não é suficiente. Nem os esforços dela... nem todo seu amor. No fim, ele vai embora. E ela o deixa ir. Porque não havia mais qualquer opção. Não restava nada.

"O que você fez com a gente, Will?"

- Após a morte dele, Louisa tenta seguir em frente e, no início, chega realmente a acreditar que vai conseguir. Animada pela fé que ele depositara nela, decide viajar pela Europa, sempre levando consigo a carta que lhe foi entregue quando estava em Paris. As últimas palavras dele para ela. Que ela vivesse. 

Mas, pouco a pouco, as lembranças dos momentos que viveram e a forma como tudo terminou a fazem desistir. Sorrir se torna difícil. Já não era mais possível sentir o cheiro dele em suas roupas... só ficou o vazio. Um vazio que gritava que ela não tinha nada. Que jamais teve nada. Porque ele não a amou o suficiente para ficar. 

"Amei um homem que me mostrara o mundo, mas que não me amara o suficiente para permanecer nele."

Quase dois anos após a morte de Will, ela vivia num apartamento que não parecia seu, presa a um emprego que a fazia infeliz e buscando conforto no álcool e nas lembranças cada vez mais distantes. 

Até que um dia, bêbada e gritando para o céu (ou para Will) a sua dor, despenca do parapeito do telhado, sofrendo um grave acidente. E aquele que deveria ser o fim da sua história... se torna um recomeço. 

"Nunca se sabe o que vai acontecer quando se cai de uma grande altura."

Abalada pelo acidente e precisando recuperar-se, Louisa se vê diante da família com a qual sua relação ficara bastante complicada após sua decisão de estar com Will nos últimos momentos. Sua mãe jamais a perdoara por participar daquilo e mal lhe dirigira a palavra nos meses que seguiram... Mas, acreditando que a filha tentara colocar fim à própria vida se atirando do prédio, abre as portas para uma reconciliação. E é no meio de tudo isso que duas novas pessoas surgem na vida de Lou... 

... Uma, estava tão perdida quanto ela, revirando todo seu mundo e buscando uma ajuda que ela não podia lhe dar. A outra... lhe oferecia esperança e... amor. Mas, de diferentes maneiras, as duas se mostram essenciais para que ela possa reconstruir sua vida a partir das cinzas deixadas por Will. 

"Minha voz, quando saiu, estava falhando um pouco:
- Não estou apaixonada por um fantasma. [...]
- Então deixe ele ir, Lou."

- Quando Will tomou a decisão de seguir em frente com os seus planos mesmo após tudo o que a Louisa fez por ele... mesmo após tudo o que um significou para o outro, eu entendi. Aceitei sua escolha, porque eu imaginava como era grande o sofrimento dele... tão grande que ele já não via outra saída. Foram terríveis os momentos finais. Só de lembrar... Eu quis fazer algo. Mesmo aceitando, desejei com todas as minhas forças poder evitar. Implorei para que ele voltasse atrás. Para que olhasse nos olhos da Lou e percebesse que não poderia deixá-la. No entanto, ele se foi. E... Como ficamos nós? O sofrimento dele chegou ao fim. Mas o de sua família... daqueles que o conheceram e amaram... não. A vida depois de Will foi extremamente dolorosa para aqueles que ele deixou pra trás. 

"Olhei ao redor, como se de repente tivessem me entregado óculos limpos, e notei que quase todo mundo carregava a marca brutal do amor, fosse perdido, roubado ou simplesmente sepultado num túmulo."

- Não estava nos planos da autora escrever esta continuação. Foram os pedidos de fãs, que ansiavam por saber como ficou a vida da nossa mocinha após aquele final, que incentivaram a Jojo Moyes a escrevê-la. E agradeço muito a todas essas pessoas. Porque eu precisava deste livro, gente. Necessitava demais desta história. Existem aqueles que julgaram uma continuação desnecessária e decepcionante, mas para mim foi o desfecho que meu coração pedia. Porque a verdade é que não podia terminar como terminou. Não deveria ter sido assim. E quando iniciei a leitura de Depois de Você, cheia de medo de me decepcionar, pude perceber que nem a própria autora aceitara aquele final. Will e Lou ficaram na cabeça dela como ficaram na minha e na de vocês. Não nos deixariam seguir enquanto eles próprios não pudessem seguir. Queriam terminar aquela história. Tinham mais para contar. E então contaram. Me fazendo rir, chorar, me desesperar e ter esperanças com os personagens. E no final... ainda ficou a saudade. Mas também uma enorme sensação de consolo. 

"Eu não ia parar de chorar por Will, nem de amá-lo, nem de sentir falta dele, mas minha vida parecia ter aterrissado de volta no presente."

- Existe algo sobre este livro que não posso contar. Porque seria um spoiler e tanto. Só posso dizer que jamais passou pela minha cabeça algo assim. E que vocês não têm noção de como eu me senti quando soube... Eu ria e chorava ao mesmo tempo. Ah, Will! Quantas saudades você deixou. Nunca serei capaz de esquecê-lo. Ou superar tudo que lhe aconteceu. 

- Aqui temos de volta, através das palavras e lembranças da Lou, a cena dolorosa do labirinto, quando ela conta para Will o que sofreu quando era jovem e ingênua demais... cena que sempre foi uma das mais fortes e impactantes da história deles. E... as meia-calças de abelhinhas? Como esquecer? Aquele aniversário no qual o Will as deu de presente para a Lou. Incrível como ele a ensinou tanto em tão pouco tempo... Estava prestes a ir para a Dignitas e mesmo assim era quem mais a empurrava para a vida. Ele a amou muito. Mesmo sabendo que não estaria ao seu lado. Mesmo sabendo que um dia ela sorriria para outro homem... que construiria uma vida com outra pessoa. A amou tanto que quis que ela fizesse exatamente isso. Que vivesse. Que agarrasse a vida com as duas mãos. 

- No fim, mesmo sem entrar em detalhes, posso dizer que a Lou acaba fazendo exatamente o que ele sempre quis para ela. Começando por saltar de um prédio, claro.kkkkkkkkkk... Consigo visualizá-lo em minha mente, levantando uma sobrancelha e dizendo sem precisar utilizar palavras: "Só você mesmo para fazer algo tão estúpido." Mas, falando sério agora, ela consegue. Seguir em frente. Só que é um longo caminho. E todos sabemos que o Will estará para sempre em seu coração. Em seus pensamentos. Assim como está no nosso...

"Percebi que estava com medo de viver sem ele. Com que direito você destrói a minha vida - eu queria perguntar -, e eu não estou autorizada a dizer nada a você sobre isso? 
 Mas eu tinha prometido. E segurei-o, Will Traynor, ex-rapaz esperto da City de Londres, ex-mergulhador, ex-atleta, viajante, amante. Eu o mantive perto e não disse nada, durante todo o tempo repetindo, silenciosamente, que ele era amado." [Trecho do livro Como Eu era Antes de Você]


Adeus Will. É hora de me separar da sua história. Da história de vocês dois. Mas não vou esquecê-los. Nunca. 

26 de dezembro de 2015

Como Eu era Antes de Você - Jojo Moyes

(Título original: Me Before You
Tradutora: Beatriz Horta
Editora: Intrínseca
Edição de: 2013)

LOU CLARK SABE UMA PORÇÃO DE COISAS.

Ela sabe quantos passos separam sua casa do ponto de ônibus. Sabe que adora trabalhar como atendente em um café e sabe que provavelmente não ama seu namorado, Patrick.

O que Lou não sabe é que está prestes a perder o emprego, e que isso a obrigará a repensar toda sua vida.

Will Traynor, por sua vez, sabe que o acidente com a motocicleta tirou dele a vontade de viver. Ele sabe que o mundo agora parece pequeno e sem graça, e sabe exatamente como vai dar um fim a tudo isso.

O que Will não sabe é que a chegada de Lou vai trazer de volta a cor à sua vida. E nenhum deles desconfia de que esse encontro irá mudar para sempre a história dos dois.


Palavras de uma leitora... 


"Alcancei a mão de Will e a segurei entre as minhas. Pensei, por um instante, que nunca mais me sentiria tão intensamente conectada ao mundo, a outro ser humano, como naquele momento."

- Como a vida podia mudar assim, de um momento para o outro? Num dia, ela estava empregada, fazendo planos de viajar com o namorado... No outro, já não tinha emprego e nem rumo. Ela havia dedicado seis longos anos de sua vida àquele café. Amava trabalhar lá. Era seu porto seguro, um lugar no qual se sentia bem e útil. E, embora não pagasse o suficiente para que pudesse sair da casa dos pais, pelo menos permitia que pagassem as contas e tivessem o que comer. E agora... com o pai prestes a perder o trabalho, a irmã mais nova indo embora em busca dos próprios sonhos... Louisa sabe que por mais otimista que queira ser, seu mundo está desmoronando. E ela precisa de um novo emprego. Para ontem. Não. Para anteontem. 

"Existem horas normais e horas inúteis, nas quais o tempo para e escorre e a vida - a vida real - parece distante."

- Quando perdia-se em pensamentos... quando permitia que a mente viajasse para os lugares nos quais um dia estivera... Will conseguia recordar... Recordar que tivera uma vida. Uma vida muito boa, que muitos poderiam apenas sonhar em ter. Ainda que tudo tivesse durado poucos anos, ele sabia que havia aproveitado cada um dos momentos que agora não passavam de lembranças. Distantes... que o tempo tratava de levar com ele...

Um dia, ele fora um jovem alegre, extrovertido e que amava a vida. Que adorava praticar esportes, ser um gênio no mundo dos negócios e fazer sexo com belas mulheres. Não necessariamente nesta ordem. Mas após ser atropelado por um motoqueiro que dirigia em alta velocidade, ele era obrigado a suportar, dia após dia, a prisão que se tornou seu próprio corpo. Tetraplégico, consciente de que por mais avançada que a medicina pudesse estar, não havia cura para o seu estado, nenhuma possibilidade de melhora... ele dependia dos outros até para as mais básicas necessidades. Algo que ia matando-o lentamente e o fazia perguntar-se por que os outros consideravam tão errado e inaceitável o seu desejo de pôr um ponto final em toda aquela dor. Qual o sentido de seguir em frente quando se sabe que tudo o que lhe reserva o futuro é uma vida inteiramente dependente dos outros e à mercê de infecções e problemas respiratórios cada vez mais graves? Para que prolongar o sofrimento?

"Pela primeira vez na vida, tentei não pensar no futuro. Tentei apenas estar, simplesmente deixar as sensações passarem por mim."

- Contratada como cuidadora de Will, Louisa não sabia bem o que esperar, mas o que quer que fosse não era a antipatia e desprezo com que foi recebida por ele. Antes mesmo de conhecê-la, ele já a odiava e parecia empenhar-se para fazer de sua vida um inferno. Mas quando tudo o que ela mais queria era ver-se longe daqueles olhos frios, a convivência relutante acaba por mostrar aos dois o que realmente sentiam... quando olhares passam a dizer muito mais do que algum dia se permitiriam dizer. E a partir daí, surge um sentimento inesperado, mas que irá transformá-los para sempre... E os fará perceber que existe sim esperança... quando há amor. 

"- Não quero entrar agora. Quero ficar sentado aqui e pensar que... - Engoliu em seco.
  Mesmo no escuro, pareceu fazer esforço.
  - Quero... ser apenas um homem que foi a um concerto com uma garota de vestido vermelho. Só por mais alguns minutos."

- Não sei bem se era o momento certo para ler uma história tão impactante.... Porém, mesmo ainda caindo em prantos sempre que me lembro de certos momentos, certas cenas tão inesquecíveis... Mesmo que minha voz falhe e um nó doloroso se forme em minha garganta quando tento falar dela para os outros... não me arrependo de lê-la. Nem por um segundo. Sim, Louisa e Will acabaram comigo. Fizeram meu coração em pedaços várias vezes. Mas não conhecê-los? Ah, isso não era sequer uma opção!

"Eu não queria voltar para casa. Pensei que poderia nunca mais voltar."

- Por quase dois anos, eu fugi deste livro. Sabia exatamente o que ele faria comigo. Como bagunçaria minhas emoções e me faria encarar uma realidade na qual muitas vezes prefiro não pensar. A realidade de tantas pessoas... de tantas vidas... Enfim... Eu não queria sofrer com os personagens, ainda que soubesse que existiriam muitos momentos de risos. Eu não queria enfrentar a vida real. Por isso fugi, me refugiando em histórias mais leves e preferindo ignorar a existência do livro na minha estante.rs Nunca disse que era uma pessoa corajosa.kkkkkkkk...

"[...] de repente tive a sensação de ver o tempo passar e de perder grande parte dele nas pequenas idas e vindas pelo mesmo caminho."

- Sou completamente incapaz de falar desta história sem chorar. Comecei esta resenha várias vezes, ficando longos minutos perdida em pensamentos, desejando o impossível, querendo transmitir nem que fosse um pouquinho do que sinto. Porque há livros bons, ótimos, maravilhosos. Mas existem livros que vão bem além disso. Que nos marcam. Que nos dão mais do que esperamos receber e que, em troca, levam um pedaço de nosso coração. Como Eu era Antes de Você é exatamente este tipo de história. Marcou a minha vida. Para sempre. 

"Você só vive uma vez. É sua obrigação aproveitar a vida da melhor forma possível."

- Sempre que vejo a frustração da minha prima de doze anos quando lhe dou mais um livro de presente e ouço minha mãe repetir que não entende porque dou livros para ela se ela não os lê, eu não me importo. Sorrio, porque embora ela ainda seja muito nova para entender... Sei que estou lhe dando vida. A chance de realmente enxergar o mundo, de abrir a mente e viajar para lugares que ela jamais esquecerá. Sei que um dia ela tocará nesses livros e irá folhear suas páginas... começará a ler umas linhas por pura curiosidade... e então perceberá o que agora não consegue perceber. A magia que sinto toda vez que leio uma nova história. A marca que certas histórias deixam em nós.

"Ser atirada para dentro de uma vida totalmente diferente - ou, pelo menos, jogada com tanta força na vida de outra pessoa a ponto de parecer bater com a cara na janela dela - obriga a repensar sua ideia a respeito de quem você é. Ou sobre como os outros o veem."

- Não sei se vocês já sabem (provavelmente sim), mas a autora anunciou a continuação desta história, cujo lançamento no Brasil está previsto para 18/02/2016, segundo site da Saraiva. Sem falar no filme que estará nos cinemas em 2016! :D 

"Ali tinha nascido e morrido gente, corações tinham se enchido de paixão e se partido. Agora, no silêncio, você quase pode ouvir a voz deles, seus passos na trilha."
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