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10 de abril de 2017

O Cavaleiro de Bronze (Parte 2) - Paullina Simons

(Título Original: The Bronze Horseman
Tradutor: Valter Lellis Siqueira
Editora: Novo Século
Edição de: 2014)

Trilogia O Cavaleiro de Bronze - Livro 1.2

Um amor que transcende tudo que ousaríamos imaginar conseguirá resistir a um futuro incerto?

No início da guerra, em 22 de junho de 1941, o dia em que Alexander e Tatiana se conheceram, havia três milhões de civis em Leningrado. Na primavera de 1942, apenas um milhão de pessoas permaneciam ali. E o cerco não havia terminado. 

Depois de deixar Tatiana e Dasha Metanova dentro de um caminhão que seguia pela Estrada da Vida com destino a Molotov, Alexander não tinha nada além de esperanças. Não havia uma única correspondência sequer de Dasha ou Tatiana, nada que indicasse que ambas haviam chegado em segurança a seu destino. 

Na segunda parte de uma das maiores sagas de amor de todos os tempos, será praticamente impossível conter a emoção ao acompanhar a busca obstinada do ilustre oficial do Exército Vermelho, Alexander Belov, por sua Tatia. E ainda mais arrebatador presenciar se eles conseguirão viver esse intenso amor diante de tantas ameaças, em meio ao cruel cenário da Segunda Guerra Mundial.



Palavras de uma leitora...


"Por favor, Deus, Alexander orava, não permitas que ela continue a me amar, mas permitas que ela viva."

Deveria ser proibido por lei que um livro terminasse desta maneira... Sinto-me tão destroçada que mal tenho forças para escrever. Paullina Simons sabe bem como acabar com o coração de seus leitores. E eu que achava que a Florencia Bonelli era a mais sádica de todas, seguida bem de perto pela Diana Gabaldon! Mas depois deste livro... cheguei à conclusão de que elas fazem parte do mesmo clube e provavelmente se reúnem e tomam chá (ou algo mais forte, quem sabe) enquanto pensam em formas de nos torturar. 

"Quando Alexander finalmente caminhou em direção a Lazarevo, sem saber se Tatiana estava viva ou morta, sentiu-se um homem caminhando para sua própria execução."

Antes de tudo... A resenha, sem sombra de dúvidas, terá spoilers. Tanto sobre a primeira parte da história quanto sobre a segunda. Não há maneira de eu conseguir me controlar, gente. Portanto, se não querem saber segredos do livro, parem de ler imediatamente esta resenha!

"- Ver você - disse Tatiana - traz tudo de volta, não é mesmo? As feridas ainda estão abertas.
 Então, ergueu os olhos e olhou para ele. E Alexander viu as feridas."

- Em minha estúpida ingenuidade, acreditei que tudo de pior que poderia acontecer nesta história já tinha acontecido na primeira parte. Foram tantos momentos de dor e lágrimas, tantas perdas insuportáveis que eu pensei: "Agora, o que quer que venha, será tolerável. Não doerá tanto." Que burra eu fui, não é? Tudo o que se passou na Parte 1 não passou de preliminares. A autora estava só se aquecendo. Porque esta segunda parte... depois de algumas páginas "tranquilas" (por assim dizer) veio com tudo, nos destruindo de novo. No lugar da Tatiana, eu já não teria forças para nada. Ela é uma das mais corajosas e guerreiras mocinhas que tive o privilégio de conhecer. 

"- Por favor, me perdoe, Tatiana - disse Alexander -, por ter machucado seu coração perfeito com o meu rosto frio e indiferente. Meu coração sempre esteve transbordante de você e nunca foi indiferente. Você não merecia nada do que recebeu, do que teve que suportar. Nada de nada. Nem de sua irmã nem de Leningrado e, com certeza, nem de mim."

- Quem leu minha resenha sobre a primeira parte sabe quais eram minhas críticas ao Alexander, o mocinho desta história. Conhece todos os problemas que tive com ele e quanto desejei que a Tatiana o mandasse para o inferno. Então, não irei repetir o que já disse na outra resenha. Mas, Luna, sua opinião sobre ele mudou? Não sobre o que ele fez com a Dasha, não sobre suas mentiras. Mas... algumas coisas mudaram. Algo dentro do meu coração mudou sem que eu desejasse, antes mesmo de chegar a perceber... Só soube que meus sentimentos pelo Alexander tinham se alterado quando doeu tanto o final do livro. Ali é que eu percebi que eu me importava com ele. Muito

"- Alexander, você estava me procurando?
 - Minha vida inteira."

- Durante o cerco feito pelos alemães à cidade de Leningrado, milhares e milhares de pessoas morreram não só vítimas dos bombardeios de uma guerra insana, mas, sobretudo, de fome. Entre essas pessoas, estava boa parte da família de Tatiana. No fim, só restava Dasha e ela. E Dasha estava morrendo. Enquanto seu estômago vazio já não tinha forças nem para suplicar por comida, a tuberculose começou a tomar conta de seu corpo, matando-a lentamente. Era o último parente que restava a nossa Tatiana. E ela lutou até o fim pela vida da irmã, chegando a colocar ar de seu próprio corpo na boca de Dasha, numa das cenas mais tristes que já li.

"Por intermináveis minutos, Tatiana respirou na boca de Dasha, para dentro dos pulmões de Dasha, o raso sussurro de vida." [O Cavaleiro de Bronze - Parte 1]

Mas nada foi suficiente... E, depois de uma luta perdida, Dasha partiu e com ela todas as coisas que as irmãs ainda poderiam ter partilhado se a guerra não tivesse feito dela mais uma vítima. Tudo o que restou foram as lembranças de um passado que já parecia bem distante. Lembranças de uma jovem alegre e apaixonada, alguém que amava viver e durante quase toda a vida protegeu a Tatiana, sendo a primeira a amá-la quando ela nasceu, enquanto todos rodeavam o filho menino. Sendo quem lhe ensinou boa parte das brincadeiras e a poupou das verdades da vida. Se a guerra a tornou egoísta, isso em nada apagava tudo o que viveram e construíram juntas, um laço que ia além do de sangue. 

"Naquela noite, Tatiana e Dasha deitaram abraçadas.
- Não me abandone, Tania. Não posso seguir adiante sem você."

- Elas tinham conseguido escapar de Leningrado quando Dasha se foi. Quando finalmente foi possível para Alexander conseguir tirá-las daquela cidade que parecia só cheirar a dor, medo e morte àquela altura, já era tarde demais para Dasha. E Tatiana também não estava em boas condições. A travessia foi extremamente difícil e a irmã dela já agonizava quando finalmente estavam em "segurança". E eu nunca, jamais mesmo, serei capaz de esquecer aquelas cenas. Sei que muitas pessoas preferiram se concentrar no romance entre Tatiana e Alexander ao longo de todo o livro, mas eu não fui uma delas. Eles não eram os únicos a sofrer, a sentir, a querer viver e ser feliz. Muitos outros personagens foram importantes para mim e a Dasha foi uma das principais. Aquela cuja lembrança vai estar sempre comigo. A morte dela foi um dos golpes mais duros deste livro. Ainda não superei. E creio que isso não vai acontecer um dia.

"Querido Deus, por favor, deixe a minha única irmã Dasha nadar em paz e nunca sentir frio outra vez, e por favor... deixe que ela tenha todo o pão diário que possa comer, lá em cima no céu..." [O Cavaleiro de Bronze - Parte 1]

- Apenas lembrar... já me deixa em lágrimas de novo. Me entristece demais que ela não tenha conseguido ser feliz. O que me conforta é saber que, apesar de qualquer coisa, ela desejava que a Tatiana tivesse a chance que ela não teve. Pois, independente de tudo e de todas as mentiras, ela amou a irmã até o fim. Que a prece de Tatiana tenha sido atendida. Que ela tenha conseguido descansar em paz...

"Eu sei quem sou, pensou ela [...] Eu sou Tatiana. E eu acredito, tenho esperança e vou amar Alexander por toda a vida."

- Não duvido, nem por um segundo, disto. São poucos os casais, mesmo nos livros, que se amaram com tanta intensidade e entrega como Alexander e Tatiana. Tudo o que suportaram juntos... Se uma coisa sempre foi verdade e conseguiu passar por cima de cada traição, mentira e segredo, foi o amor deles. Algo que nem a morte conseguiria destruir. 

A segunda parte desta história se inicia seis meses após a morte de Dasha. Seis meses de loucura para o Alexander que não fazia a menor ideia se sua amada tinha conseguido ou não sobreviver. Durante todo esse tempo, Tatiana não lhe escreveu uma só vez e enquanto lutava para sobreviver à guerra, no único intuito de voltar a vê-la... de estar novamente ao seu lado, o desespero era sua constante companhia... sem mencionar o medo terrível de que ela não tivesse suportado. Ele não seria capaz de viver num mundo em que ela não estivesse. Ela era sua luz. O seu milagre. A prova de que realmente existia um Deus. Sem ela, ele não conseguiria seguir respirando. De nada valeria a vida. 

"Ela o perdoaria? Por deixá-la, por morrer, por matá-la?"

- Já não suportando mais aquele silêncio, Alexander suplica por um período de licença para ir até Lazarevo, onde Tatiana planejava ir quando ele a tirou de Leningrado. E esta simples decisão... sela mais uma vez o destino dos dois. Porque se tinha um amor que parecia condenado, era o deles. Porque não importava o quanto eles buscassem apenas um ao outro e a felicidade que encontravam quando se abraçavam e se amavam, não só Dimitri, Hitler o fantasma de Dasha estava entre eles, mas a própria União Soviética... Naquela vida, eles não eram livres para se amar. 

"Vou flutuar na minha dor e no meu coração; vou flutuar e não sentir mais nada. É tudo o que eu quero. Não sentir mais."

- Quando chega a Lazerevo, Alexander encontra uma Tatiana diferente. Não só recuperada fisicamente, mas também bem mais madura do que a jovem menina por quem ele se apaixonou num ponto de ônibus em Leningrado, quando a guerra apenas começava. E em seus olhos... estavam todas as marcas de um passado recente. De cada pessoa amada que ela enterrou, de cada saudade, de todos os horrores que ela foi obrigada a testemunhar e que a perseguiriam para sempre. E embora naqueles olhos também existissem mágoas por tudo o que se passou entre eles, naquele triângulo amoroso no qual traíram sua própria irmã, ainda existia amor. Porque nem mesmo o mais insuportável sofrimento foi capaz de apagá-lo de seu coração. Ele era seu primeiro amor. E seria o último. 

"- Tania, quando eu encontrei você, eu senti intensamente aquelas uma ou duas horas que passamos juntos... antes de Dimitri, antes de Dasha... que eu estava encontrando a minha vida"

Da dor, eles constroem uma ponte de volta um para o outro. Porque só juntos seriam capazes de se curar. E com o passar do tempo, preenchem cada dia com toda a felicidade que conseguiam sentir. Com toques, carícias, amor... Se entregam como não puderam em Leningrado. Se amam como não foram capazes de demonstrar antes. Ali em Lazarevo, a guerra parecia distante... e os perigos que antes eram tão ameaçadores já não poderiam alcançá-los. Durante aquelas poucas semanas, eles disseram, mesmo sem palavras, que se amavam naqueles momentos e se amariam para sempre, não importava o quanto o futuro fosse incerto. Mas... quando tudo chega ao fim...

"- Tania... você e eu tivemos só um momento... - disse Alexander. - Um único momento no tempo, no seu tempo e no meu... um instante, quando uma outra vida ainda podia ser possível"

- Ainda na primeira parte, nós conhecemos o grande segredo que Alexander carregava. Um segredo capaz de condená-lo à morte, levando com ele aqueles que ele amava. Um segredo que condena nossa mocinha, quando o amor deles é forte demais para que consigam ficar separados. 

"Aonde quer que seja, eu vou com você. Mas se você ficar, eu também fico."

Muitos anos antes... quando nosso mocinho era apenas uma criança, seus pais, dois americanos com uma vida perfeita, decidiram que estavam cansados do capitalismo e da política de governo dos Estados Unidos. Eles tinham outras ideologias e a União Soviética parecia o único lugar capaz de permitir que eles fossem exatamente o que desejavam. Dariam adeus aos privilégios que tinham em seu país e renunciariam à sua cidadania americana. Começariam do zero. E foi o que fizeram... o que não conseguiram perceber, cegos pelo que acreditavam, é que, ao sair da segurança dos Estados Unidos para um país dominado por uma ditadura, estavam assinando a própria sentença de morte. 

Os primeiros anos até foram agradáveis. Todos pareciam recebê-los de braços abertos, como se ignorassem que eles eram americanos. Mas então... as dificuldades começaram. E conforme as coisas ficavam piores, os olhos dos pais de Alexander se abriam. Só que não existia mais volta. Era impossível fugir. E assim, acusados de traição e sem direito a um julgamento justo, seus pais foram fuzilados. Alexander, ainda bem novo, apenas um adolescente, também foi condenado. 

Ainda em luto pela morte dos pais, Alexander consegue escapar dos soldados de Stálin, o ditador que governava o país naquele momento, assumindo uma nova identidade. Mas ele escapa apenas da morte e não da União Soviética. E tudo poderia ser um recomeço... se ele não tivesse confiado seu maior segredo à pessoa errada: Dimitri. 

Ao descobrir que seu pai ainda estava vivo e querendo revê-lo pela última vez, Alexander se aproxima de Dimitri, com quem faz amizade. Isso porque Dimitri era filho de um dos homens que "guardava" o pai de Alexander na prisão. Confiando toda a verdade ao amigo, Alexander consegue se despedir do pai... mas o preço por esta despedida não demoraria a se tornar alto demais...

A partir daquele instante, Dimitri se tornou sua sombra. Não existia um só segundo em que ele pudesse ter paz. Dissimulado, fingia sentir por Alexander um carinho enorme, como se fossem irmãos, mas de seus olhos transbordava a inveja por cada conquista do Alexander com o passar dos anos. Tudo o que ele tivesse, o Dimitri cobiçava. E se ainda não tinha entregado o seu "grande amigo" às autoridades, para ter o privilégio de vê-lo ser torturado e fuzilado, era porque queria usá-lo para sair da União Soviética. Alexander, como americano, era seu passaporte para uma outra vida. 

Mas... quando Tatiana se mete em seu caminho... é só uma questão de tempo para a verdade explodir. E quantos seriam os atingidos? 

"Ele sabia qual era o preço por Tatiana."

- Eu realmente preciso contar tudo o que se passa no final deste livro? Qualquer um consegue adivinhar que uma hora aquele segredo tão ameaçador vem à tona... e as consequências... são insuportáveis, gente. 

Embora eu tenha sido capaz de imaginar (e até sabia de fato o que aconteceria, pois já conhecia alguns segredos da história), nada me preparou para o que aconteceu. Eu senti tanta raiva e uma sensação de impotência tão grande! Quis gritar para eles fugirem. Para largarem tudo e escaparem. Ou, pelo menos, tentarem. Juntos. Sempre juntos. Por que de que valeria tudo? Depois de tudo pelo que passaram, eles tinham que ficar juntos. Não seria aceitável nada diferente. E quanto mais eu lia... mais desesperada ficava. E não há dúvidas de que desejei matar o Dimitri com minhas próprias mãos. Lenta e dolorosamente

"Alexander sussurrou para ela: Tatiana! Não terás medo do terror da noite... nem da flecha que voa durante o dia... nem da peste que caminha na escuridão... nem da destruição que ataca ao meio-dia. Um dia, mil cairão ao teu lado, e dez mil à sua direita, mas nada se aproximará de ti."

- Sei que desprezei o Alexander durante boa parte desta história. Sei bem disso. Eu sentia uma antipatia muito forte por ele. E não sem razão. Tinha meus motivos e não mudei de opinião sobre eles. Mas mesmo enquanto o desprezava, nunca disse que ele não era uma boa pessoa. E ao longo desta segunda parte, pude conhecê-lo melhor... suas escolhas, seu caráter, a forma como ele se importava com os outros e abria mão de si mesmo por aqueles que precisassem. Mas, acima de tudo, o quanto o seu amor pela Tatiana era forte. Tudo o que ele seria capaz de fazer por ela. A vida que ele seria capaz de dar por sua pequena Tania. Aquela que era o seu coração. E ver os sacrifícios que ele faz para que ela tenha uma chance... é mais do que doloroso. Não estava preparada para as emoções que me invadiram, para o desespero que eu senti. Foi um final inaceitável. E não estou nada feliz com esta autora. As coisas não podiam terminar assim! Sei que vai existir uma continuação... mas irei ver algo semelhante ao que encontro em Outlander: dor, dor, dor, longas separações e mais dor. Uma luta constante contra uma vida que vai tentar mantê-los separados. Uma luta contra os fantasmas que os traumas deixam, um amor mais uma vez machucado. 

"Adeus, minha canção da lua, ar que eu respiro, minhas noites brancas e dias dourados, minha água doce e meu fogo. Adeus, que você tenha uma vida melhor, torne a encontrar consolo e o seu sorriso incansável. E, quando sua face adorada se iluminar mais uma vez ao nascer do sol do Ocidente, tenha a certeza de que o que senti por você não foi em vão. Adeus e tenha fé, minha Tatiana."

- Este final me deixou muito mal. Triste é pouco. Me sinto lançada no chão por esta autora e o que ela teve a coragem de fazer com os protagonistas. Será que já não bastava tudo o que eles tinham passado? Não foi suficiente para o desejo dela de fazê-los sofrer? E só de pensar que isso é só o início... 

Esta história mexeu comigo bem mais do que eu sabia que ela mexeria. Foram tantas coisas que vivi ao lado dos personagens... Não só dos protagonistas, mas de todos aqueles que ficaram pelo caminho, vítimas de uma guerra que, na vida real, também levou milhões de pessoas pelo mundo. Tantos sonhos destruídos em vão... Tantas vidas perdidas por nada...

"Uma lágrima escapou do olho de Tatiana, por mais que ela tentasse ser forte.
- Por favor, não morra - murmurou ela. - Eu não conseguiria enterrá-lo. Eu já enterrei todos os outros."

- Ah, Tatiana... Ninguém merece passar por toda a dor que esta mocinha passou. Todas as mágoas, todas as vezes em que seu coração foi feito em pedaços e cada familiar que ela teve que enterrar, cada pessoa querida que ficou para trás. E mesmo quando ela acreditava já não ter forças, sempre seguia em frente, levantando-se das cinzas. Porque um dia ela prometeu a ele que viveria... e mesmo quando desejava desistir e deixar que a morte a levasse... ela mantinha sua promessa. Respirava por ele. Vivia por ele

No fim, foi impossível não dar 5 estrelas a este livro. E ele já tem seu lugar entre os preferidos do ano e de toda a minha vida. E claro que o recomendo! Mas esteja ciente de que esta história vai provocar uma enorme bagunça dentro de você. E que você vai chorar muito. Muito mesmo. 

"O que foi que eu mostrei a você? [...]
 - Que existe um Deus - sussurrou Alexander."

22 de março de 2017

O Cavaleiro de Bronze (Parte 1) - Paullina Simons

(Título Original: The Bronze Horseman
Tradutor: Wladir Dupont 
Editora: Novo Século
Edição de: 2014)

Trilogia O Cavaleiro de Bronze - Livro 1.1

A história de dois amantes, em uma guerra que mudará para sempre o mundo e suas vidas.

A Segunda Guerra Mundial ainda não havia alcançado a cidade de Leningrado, onde as duas irmãs Tatiana e Dasha Metanova viviam, dividindo um pequeno cômodo com seu irmão, seus pais e avós.

Tudo muda quando as tropas de Hitler atacam a União Soviética e ameaçam invadir a grande e decadente cidade. Fome, desespero e medo tomam conta de Leningrado durante o terrível inverno no qual a cidade foi submetida ao cerco alemão.

No entanto, a luz do amor é sempre capaz de iluminar a mais profunda escuridão. Tatiana conhece Alexander, um jovem e corajoso oficial do Exército Vermelho. O rapaz forte e confiante guarda um passado misterioso e problemático. Ele sente-se atraído por Tatiana - e ela por ele.

O amor impossível de Tatiana e Alexander ameaça agora dividir a família Metanova. E que segredo é esse que se esconde no passado do soldado, tão devastador quanto a própria guerra?



Palavras de uma leitora...



"- Esta é a melhor hora, Tatiana. - Alexander disse. - Quer saber por quê?
 - Por favor, não me diga.
 - Não haverá outro momento como este. Tão simples, tão descomplicado."

E ele estava certo. Realmente não houve. Nada nunca mais foi igual. Era o ano de 1941. 22 de junho. Na União Soviética atacada por Hitler, após o descumprimento do pacto de não agressão. Era o início do fim para milhões de pessoas. 

Ainda estou tentando me recuperar. Faz poucas horas que terminei a leitura e embora as lágrimas já tenham secado, todos os sentimentos continuam aqui. Uma confusão deles. Não sei por onde começar, não sei o que escrever... só sei sentir. E me perguntar que espécie de mundo é este no qual vivemos. 

As chances de que esta resenha tenha spoiler são enormes. Por isso, se ainda não leu o livro e não quer saber nada de importante sobre ele antes da leitura, pare imediatamente de ler este post!

" - Tania, é meio-dia. Levante-se. Ou vai haver problema. Preciso de você vestida em dois minutos.
  - Fácil - Tatiana respondeu, pulando na cama e mostrando à família que ainda vestia a blusa e a saia do dia anterior."

Era para ser um dia como outro qualquer. Tatiana lutaria para não levantar da cama, Dasha compartilharia segredos e implicaria com ela como a irmã que sempre tinha sido e ela não ouviria uma palavra do que o pai lhe dissesse, o que, consequentemente, resultaria na compra de todos os produtos que ele não pedira e nenhum dos que de fato pedira. Mas, naquele dia, dois acontecimentos importantes mudariam para sempre a sua vida. 

Enquanto a família se preocupava com o ataque de Hitler ao país, Tatiana pensava apenas em seus livros e tentava recordar o que deveria trazer do mercado enquanto percorria as ruas da cidade. Mas ao parar para tomar um sorvete no ponto de ônibus, tudo começou a acontecer. Ela o conheceu. O homem que despertaria seu coração para o amor apenas para fazê-lo em pedaços em seguida. 

"Tatiana o teria olhado de relance ao longo da rua e continuado em frente, só que esse soldado estava do outro lado, olhando-a com uma expressão que ela nunca vira antes."

Era a primeira vez que ela sentia algo por alguém. Em seus 16 anos jamais tinha se apaixonado e não saberia explicar o que sentia naquele momento. O mundo parara. Tudo de repente ficou distante e ela só conseguia pensar nele, ouvir sua voz e desejar que aqueles minutos se prolongassem. Que ele não fosse embora. Mas tudo desmorona pouco tempo depois quando ela descobre que o Alexander, o seu Alexander, era o namorado de sua irmã. Que destino era aquele que colocava em seu caminho justamente a única pessoa que ela não poderia amar? Como conviver com o que sentia e vê-lo, dia após dias, sabendo que era outra quem o tocava, sabendo que seus próprios pensamentos eram uma traição àquela que sempre estivera ao seu lado, a irmã que ela amava mais que tudo...

Determinada a esquecê-lo, Tatiana tenta se manter distante, esquecer-se de sentir, apagar seu nome e seu rosto de seu coração, mas quanto mais longe tentava ficar mais ele se aproximava, tornando impossível para ela viver consigo mesma. 

"Às vezes as coisas não funcionam como esperamos, não é mesmo? Não importa o quanto planejamos, o quanto queremos. Não é verdade?"

- Se existia um céu, um inferno e um Deus, ela sabia que já estava condenada. Todos os dias em sua mente, traía a irmã. Todos os dias, quando o Alexander insistia em aparecer no seu trabalho e caminhar com ela antes de levá-la até perto de casa, ela traía a Dasha. E enquanto sua mente lhe dizia que aquilo tinha que parar, que ela precisava convencer o Alexander a esquecê-la e deixá-la em paz, seu coração batia mais forte quando ele aparecia. E ela se sentia viva como jamais se sentiu antes. 

"Ao olhar para Alexander, Tatiana condenava-se, mas não olhar, igualmente a traía, talvez até mais..."

- Dividida entre o amor que sente por Alexander e o forte laço que a une à irmã, mais forte até que qualquer laço de sangue, Tatiana escolhe deixar de lado seu próprio coração, sabendo que nunca conseguiria esquecê-lo, que enquanto vivesse recordaria os breves olhares que trocaram, as conversas, a caminhada lado a lado, os sorrisos que involuntariamente trocavam. Sabia que morreria a cada dia, vendo a irmã beijá-lo e estar em seus braços, enquanto seu coração gritava que era ela quem ali deveria estar. Sabia de tudo isso. Mas não suportaria destruir a felicidade da irmã. Seu coração era um preço pequeno a pagar. Era ela quem tinha aparecido depois. Era ela quem estava sobrando ali. Dasha merecia ser feliz ao lado do Alexander. E ao tentar fazê-lo entender isso, ele rompe com a Dasha, provocando em Tatiana uma mistura de culpa e alívio. Seria isso o que o amor fazia com as pessoas? Seria isso... amar?

"- Você e eu... - então interrompeu sacudindo a cabeça. - Não é a hora certa para nós.
Ela ficou de costas outra vez, colocando o braço sob o rosto.
A hora, o lugar, a vida."

- Ao tirá-lo de sua vida, Tatiana também o arrancara da vida da irmã, embora tivesse tentado justamente o contrário. Mas... as reviravoltas de um país em plena guerra farão com que seus caminhos se cruzem outra vez. 

O inverno estava cada vez mais próximo. A comida ficava mais e mais escassa nas lojas da cidade e a guerra que ela acreditava que não duraria já começara a destruir vidas por toda parte. Mães perdiam seus filhos, irmãs perdiam os seus irmãos... e a sua cidade estava prestes a ser bombardeada. Uma cidade da qual ela não conseguiria sair. 

Em meio a perdas, fome, frio e dor duas irmãs seguirão apaixonadas pelo mesmo homem, numa história de amor, guerra e traições. Até o inevitável final.

"É a perda mais triste de todas, ir em frente por algumas semanas, poucos dias, uma noite, um minuto, e achar que tudo está bem quando já ruiu a estrutura das nossas vidas."

- Faz anos que evito esta história. Que venho passando mais e mais livros na sua frente. Mas coloquei na cabeça que iria parar com isso, que finalmente pararia de adiar a leitura. E, nas últimas semanas, enquanto pensava no que iria ler, peguei o livro na estante. Foi o início de dias e mais dias de lágrimas, revolta, amor, risos, mais lágrimas, ódio, lágrimas de novo... e de novo... e de novo.

"[...] nem bombas, nem meu coração partido podem tirar da minha lembrança o caminhar ao seu lado, descalça, naquele junho perfumado de jasmin, através do Campo de Marte."

Recordo o tempo em que nada no mundo me fazia ler romances que se passavam em períodos de guerra. Eu fugia de históricos como o diabo foge da cruz. Era alguém que sempre tinha amado as aulas de História, mas que não suportaria ver personagens passando pelos períodos que eu conhecia, que eu estudara. Não queria guardar aquilo na minha mente. Mas aqui estou eu... lendo mais um livro que se passa num dos períodos mais tristes e terríveis da História do mundo. E é a 2ª Guerra, gente. Preciso falar mais alguma coisa? :( Quem tem a ilusão de que vai encontrar apenas um romance maravilhoso com a guerra como fundo, está bem enganado e vai se decepcionar bastante ao ler a história. Há romance? Claro. Embora... Não. Sobre isso eu falo depois. Mas como eu estava dizendo, tem sim romance, mas não é cor-de-rosa, a autora não coloriu nada. Pelo contrário, ela teve todo o cuidado de retratar da maneira mais crua e realista o que as pessoas que viveram naquela época enfrentaram. 

É preciso estômago para ler este livro. As imagens não vão sair da sua mente por um longo tempo. E você vai se revoltar. Vai passar por cenas de pessoas caindo pelas ruas, mortas. Não só por causa dos bombardeios, mas sobretudo pela fome. Chegará o momento no livro em que não haverá comida. Em que nenhum dinheiro conseguirá ser capaz de colocar comida na mesa das pessoas. Sabem o que é isso? Ler algo assim? Ver pessoas morrendo enquanto falavam, enquanto dormiam, enquanto sonhavam com o momento em que a guerra terminaria e tudo então poderia ser como antes? Sabem o que é ver os sonhos dessas pessoas se esvair com suas vidas? Vê-las definhando dia após dias, indo para o trabalho ansiando pelo momento em que poderiam tomar uma sopa que não passava de água quente sem nenhum nutriente. Pessoas se atacando nas ruas por um pouco de pão que não seria suficiente para salvar o corpo que estava matando-as, se destruindo por dentro. Pessoas morrendo na entrada dos Correios, subindo as escadas para casa, no sofá, no meio da rua, em camas de hospitais que nada podiam fazer por elas. Não é suportável. São cenas que vão me perseguir para sempre. 

"Alexander pegou a mão de Tatiana e disse suavemente, dando palmadas em seu próprio peito:
 - Vem aqui.
 Ela ficou ali um bom tempo, com o rosto pressionado contra o peito de Alexander, cujos braços estavam a seu redor, e chorou."

E no meio do terror que todos viviam naquela época, temos Alexander, Tatiana e... Dasha. Num triângulo de amor que machuca tanto quanto a guerra que presenciamos no livro. 

- Acredito que todos aqui sabem que não gosto de histórias sobre traição. Não é um tema fácil para mim. Não sou a pessoa mais tolerante do mundo com traições. Na verdade, considero algo imperdoável. Mas... também sou uma leitora que tem a mente muito aberta e quando inicia uma leitura prefere não condenar a história antes de lê-la e conhecer profundamente os personagens. Sou capaz de me colocar no lugar de cada um deles e compreender os dois lados. É por isso que Ráfaga (A Carícia do Vento), Clayton (Whitney, Meu Amor), Conn (A Conquistadora) e muitos outros escaparam à minha fúria.rs Bem... Eu até fiquei extremamente furiosa com eles, mas no fim encontrei motivos na história e no meu coração para perdoá-los. Então... Quando não perdoo um mocinho ou mocinha, não é porque sou radical com um determinado tema e não quero nem saber dos motivos dos personagens. Não. Quando não perdoo um personagem é porque ele não me deu motivos para fazê-lo. E, infelizmente, este é o caso do Alexander. 

Não houve um só momento em que ele tenha me provocado nem sequer o mais superficial amor. Durante quase todo o tempo eu o desprezei. E odiei. E desejei que ele desaparecesse da história e deixasse a Dasha e a Tatiana em paz. Por que quem ele pensava que era para se meter entre as duas irmãs daquele jeito? Brincar com as duas daquele jeito, por que era covarde demais para tomar uma decisão? Não. Não o culpo por ter se apaixonado pela Tatiana. Ninguém manda no coração. Não escolhemos quem vamos amar. E eu seria a última pessoa a condená-lo por simplesmente amar alguém com todo o seu coração. Não é isso que me revoltou e decepcionou demais no Alexander. Foi a sua covardia. Sua total incapacidade de lutar pelo que sentia pela Tatiana. Foi o fato dele não dar a mínima para o que a Dasha sentia por ele e enganá-la todos os dias, sabendo que quanto mais tempo passava com ela mais envolvida ela ficava. Foi o fato dele terminar com a Dasha apenas como uma vingança infantil quando a Tatiana o proibiu de continuar esperando-a na saída do trabalho, quando mandou ele deixá-la em paz de uma vez por todas. Foi o fato dele voltar com a Dasha, assim do nada, e em seguida tentar fazer amor com a Tatiana, sendo impedido por uma enfermeira. Foi o fato dele decidir se casar com a Dasha e assim ter mais acesso a Tatiana. Foi o fato de estando noivo da Dasha, ele querer que a Tatiana se encontrasse com ele para tocá-la às escondidas, enquanto na frente da família tocava a Dasha, dizia que amava a Dasha. Foram suas mentiras e mais mentiras. Suas traições seguidas de mais traições. Sua incapacidade de ser um homem de verdade. Ou, pelo menos, sua incapacidade de saber amar. Ele amava sim, mas não sabia como fazê-lo. Seu amor era egoísta. Seu amor apenas machucava. 

"No meio da noite, Dasha levantou-se para ir ao banheiro. Tatiana achou que Alexander dormia, mas ele se virou e encarou-a. No escuro, ela vislumbrou seus olhos líquidos. Debaixo do cobertor a perna dele mexeu de lado e tocou a dela; ela usava meias e um pijama de flanela. Quando ela ouviu Dasha no hall externo, fechou os olhos. Alexander tirou a perna."

- A cena acima se passa numa noite em que o Alexander dorme no apartamento comunitário em que elas viviam. Tatiana e Dasha dormiam na mesma cama, junto com uma prima. E a Dasha, ao implorar para que o Alexander pudesse passar a noite lá, não se importou que os três (ela, o Alexander e a Tatiana) dividissem a mesma cama. Estava completamente cega. Não conseguia ver que ele devorava a irmã dela com os olhos e que a Tatiana olhava para ele com o próprio coração no lugar dos olhos. Ela não via nada. E foi só ela levantar para ir ao banheiro para que o Alexander desse um jeito de tocar na Tatiana. Mesmo por cima das roupas. Na mesma cama em que sua noiva estava deitada instantes antes. 

"- Tania! - ela o ouviu gritar.
 Em questões de segundos, ele estava diante dela. Tatiana foi para trás e levantou os braços.
 - Me deixe em paz - ela disse numa voz fraca. - Só me deixe em paz."

- Talvez vocês estejam se perguntando por que desprezo apenas o Alexander. Por que é ele quem odeio e não a Tatiana ou os dois? É completamente impossível odiar esta mocinha. Não existiu sequer um momento em que eu tenha sentido raiva dela por amar o Alexander. Ao iniciar a leitura e conhecê-la vocês vão entender meus motivos. 

"A emoção fazia forte pressão em seu peito, dificultando a sua respiração. Eu não preciso respirar agora, ela pensou. Tenho respirado toda a minha vida."

Tatiana não passava de uma menina completamente inocente quando conheceu o Alexander. Mesmo aos 16 anos, ela mal tinha noção da existência do sexo oposto. Ela brincava com os garotos como uma pequena travessa, incapaz de notar os olhares que despertava, os sentimentos que despertava. Era muito menina e tratada como criança pela família, sobretudo a Dasha, que apesar de dividir com ela seus segredos, a protegia e seguia vendo-a como a irmãzinha pequena que nada conhecia do mundo. 

Quando ela encontra o Alexander naquele ponto de ônibus, ela está mais do que concentrada em apreciar o prazer de tomar seu sorvete preferido, como se seu mundo se resumisse ao sorvete.rs É quando ela nota o olhar dele. E ao encará-lo pela primeira vez.... o que acontece com ela é natural. Forte e inevitável. Não existia malícia, sedução, nada. Era uma menina se apaixonando pela primeira vez. Atravessando a porta que a separaria da infância. Ela o olhou com verdade. Foi sincera em cada troca de olhar, nos sentimentos que ficaram tão transparentes em seu rosto. E ela não fazia a menor ideia que ele era o namorado de sua irmã. Não existia maneira dela saber, pois nunca o tinha visto. 

E é ela quem luta para se livrar do que sente por ele. Seu coração fica despedaçado quando ela descobre que ele é o homem pelo qual sua irmã está tão interessada. Ela tenta ficar fora do caminho. E é ele... é o cretino egoísta que fica atrás dela em toda parte, fazendo ela sofrer, pois seu coração quer que ela fique ao seu lado, que se entregue por inteiro ao que sente... e esse mesmo coração lhe grita que ela não pode ferir dessa maneira sua própria irmã. Ele a coloca numa situação insuportável. E as coisas só pioram quando ele termina e volta com a Dasha de novo. Se antes ele ainda se continha um pouco, quando retorna com a Dasha e fica ainda mais próximo da Tatiana, a traição chega a um ponto sem volta. 

" - Por favor, por favor, vá embora.
  - Tania - Alexander disse quase inaudível. - Como posso não vir e ver você?"

Enquanto estava com a Dasha, ele frequentava mais e mais a casa delas apenas para ter mais acesso à Tatiana. E a cada oportunidade, esbarrava nela, a tocava e ainda achava que ela tinha que aceitar tudo numa boa. Que ele tocasse na irmã dela à vista de todos e a tocasse às escondidas, como se desempenhar o papel de amante do noivo da irmã fosse a coisa mais normal do mundo. E não. Eles não chegam a fazer amor. Por muito pouco. 

Lembro de cor o trecho em que ele diz: "Não fuja de mim quando eu toco você." Noivo da irmã dela!!! E seduzindo a Tatiana, perseguindo-a e achando que ela tem que aceitar ser a outra. Cada toque, cada carícia proibida. Por que ela é dele, certo? Porque ele a ama. Me pergunto que tipo de amor é esse...

Tatiana... Se eu fosse falar de todo o carinho que sinto por ela e de todos os motivos que tenho para protegê-la e desejar que ela encontre alguém que realmente seja digno de seu amor, passarei horas e horas escrevendo. Ela é alguém como poucos. Uma personagem que conquista nosso coração sem nem tentar, pois é incapaz de enxergar o próprio valor. Alguém que dividia até mesmo o nada que tinha. Que era capaz de tirar o pão da própria boca para alimentar alguém que passava fome como ela. Que se comovia com a dor dos outros e preferia sofrer a ver alguém que amasse sofrendo. Que mesmo com o coração todo ferido pelo Alexander ainda se importava com ele e queria sua felicidade. Queria que ele vivesse mesmo que não fosse com ela. Que o perdoou inúmeras vezes quando ele não merecia o seu perdão. Alguém que não merecia todas as dores e perdas que a vida lhe trouxe. 

"Precisava deitar-se e nunca mais ter um dia como este. Ou como o último. Ou como o anterior."

- Eu falei que o amor do Alexander é egoísta e talvez alguém que tenha lido o livro esteja desejando me esganar e gritar todas as coisas boas que ele fez pela Tatiana e pela família dela. Todas as vezes que ele a protegeu e impediu que sua própria família a agredisse. Todas as vezes que ele pegou a própria comida, que também não era muita, e dividiu com todos eles. E quando ele levou uma comida que já não se encontrava em parte alguma apenas para a Tatiana, vendo-a comer e mandando ela comer tudo quando ele próprio também sentia fome e desejava um pouco. Ele se importava com ela. Ele cuidava dela, você não enxerga, Luna?! Enxergo sim. Vi cada um desses momentos e chorei com eles. Me emocionei. Mas não o amei. Minha raiva por ele não diminuiu. Porque não era porque a alimentava e impedia que os outros a ferissem que ele tinha o direito de traí-la, trair a irmã dela e levá-la a também trair a própria irmã. Não era porque a protegia dos outros que ele tinha o direito de feri-la. 

O Alexander não é um homem ruim. E nunca disse que ele não amava a Tatiana. Mas seu amor era complicado e fazia mais mal ao seu coração do que bem. Ele fez todas as escolhas erradas desde o início e levou os dois ao inferno por isso. Com suas escolhas ele só os fez sofrer. E a Dasha também. Não é o fato dela ser uma personagem secundária que a torna alguém insignificante. Ninguém merece ser traído assim, gente. O que ele fazia com ela não tem desculpa. Nada justifica isso. 

- Acho que já falei demais.rsrs E não disse nem metade do que precisava ou queria dizer. Este livro mexeu demais com as minhas emoções, com o meu controle. Parece que há uma bagunça dentro de mim. Não sei bem o que sinto no momento. Mas uma coisa é certa: jamais serei capaz de esquecer esta história. Nem se tentasse. 

Sabe o que é mais incrível? Toda essa confusão de emoções e li apenas a primeira parte do livro até agora.rs Isso porque a "querida" Novo Século fez o favor de dividir o primeiro livro em duas partes. Assim, este livro que estou resenhando não é o primeiro livro da série, mas sim a primeira metade dele. Preciso preparar meu coração para o que lerei na segunda parte...

"- Me prometa - Alexander disse, pegando a mão de Tatiana e trazendo-a para perto dele - que você vai fazer todo o possível para sobreviver."

- Este livro foi uma indicação da minha querida amiga Carlita. E ela já sabe o que sinto pelo Alexander.kkkkkkk Ela acredita que ainda irei amá-lo, que ele conquistará meu coração ao longo da série. Não penso como ela. Mas... quem sabe? Tudo pode acontecer. Se ele me der motivos... posso amá-lo. Vai depender totalmente dele. :) 

Se alguém mais me indicou este livro, eu não consigo recordar, gente. Meu computador já deu inúmeros problemas ao longo dos anos e as listas que eu tinha de indicações se perderam há tempos. Estou refazendo a lista, mas nunca conseguirei recordar todas. :( 

"Ele queria só uma coisa.
 Queria que ela vivesse.
 Isso lhe trouxe um pouco de alívio.
 Um pouco de conforto.
 Isso teria que ser suficiente."

7 de novembro de 2012

Resenha da Carla: O Grande Amor da Minha Vida (O Cavaleiro de Bronze) - Paullina Simons

(Título Original: The Bronze Horseman
Editora: ASA)


1º Livro da Trilogia Tatiana & Alexander



Tatiana vive com a família em Leninegrado. A Rússia foi flagelada pela revolução, mas a cidade mais cosmopolita do país guarda ainda memórias do glamour do passado. Bela e vibrante, Tatiana não deixa que o dramatismo que a rodeia a impeça de sonhar com um futuro melhor. Mas este será o pior e o melhor dia da sua vida. O dia fatídico em que Hitler invade a Rússia. O dia assombroso em que conhece aquele que será o seu grande e único amor. 

Quando Tatiana e Alexander se cruzam na rua, a atração é imediata. Ambos sabem que as suas vidas nunca mais serão as mesmas. Ingénua e inexperiente, Tatiana aprende com o jovem soldado os prazeres da paixão e da sensualidade. Atormentado pela guerra e pela incerteza quanto ao futuro, Alexander descobre a doçura dos afetos. E, enquanto as bombas caem sobre Leninegrado, eles vivem um amor que sabem ser eterno mas impossível. É um amor que pode destruir a família de Tatiana. Um amor que pode significar a morte de todos os que os rodeiam. 

Ameaçados pela implacável máquina de guerra nazi e pelo desumano regime soviético, Tatiana e Alexander são arremessados para o vórtice da História, naquele que será o ponto de viragem do século XX e que moldará o mundo moderno.




Resenha:


"Por favor, meu Deus, suplicava. Que ela já não me ame, mas que esteja viva."


Há livros que uma vez lidos nunca mais se esquecem. Esse é um deles!
Será que tem como dar 100 estrelas?? Estou com uma tremenda DPL, os olhos inchados de tanto chorar e isso sequer merece ser chamado de resenha.

Essa é uma história de AMOR. Amor com maiúsculas! amor puro, amor verdadeiro, amor altruísta, amor imortal, amor que tudo supera… amor que tudo suporta. 

A autora traça um retrato muito fiel do cerco da Alemanha a Leninegrado durante a 2ª Guerra Mundial, e no plano principal, em meio a esse caos, surge Tatiana, uma autêntica flor. Uma menina doce e delicada, prestes a completar 17 anos que, no dia em que a Alemanha invade a Rússia, sai de casa a mando dos pais para comprar provisões mas não resiste a se deliciar com um sorvete. Naqueles 5 minutos em que ela saboreia o seu sorvete, o abandono é total, a guerra fica "lá fora". Do outro lado do terminal do ônibus, um soldado a observa na sua ingenuidade, alegria e inocência e se encanta para todo o sempre.

Desse dia em diante o destino de um se liga ao do outro. Mas há circunstâncias e segredos que atentam contra o seu amor e eles irão trilhar um caminho incerto, repleto de espinhos e dor para poderem ficar juntos. 

Tatiana é uma menina-mulher frágil mas só na aparência. Ao longo da história ela vai nos provar que é muito forte e corajosa. Uma heroína admirável que resiste às piores adversidades, sempre em nome do amor.

E Alexander.. o que dizer dele? É um homem imperfeito mas que nos conquista pela verdade dos seus sentimentos. Não existem limites para o seu amor por Tatiana. É por ela que ele vive. Encantador, sensual e viril, forte, lutador, íntegro, bem humorado, protetor... ele é simplesmente arrebatador!

É uma história marcante que nos faz questionar muitas coisas, que nos faz vivenciar sentimentos de revolta e agonia, mas que também encanta e emociona, que mexe com as nossas entranhas. A autora não enrola, a escrita é fluida, sensível, bela, dinâmica e as quase 700 páginas passam num sopro. É daquelas histórias que deixam saudades, a gente lê e relê, e guarda com devoção na estante e no coração. Não creio que alguma vez eu vá esquecer essa história.

Esse é apenas o 1º de uma trilogia que promete ser I-NES-QUE-CÍ-VEL. 
Recomendo 1000 por cento. Pecado será não ler!


Carla
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