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28 de setembro de 2018

A Fênix de Fabergé - Sue Hecker e Cassandra Gia

(Editora: Harlequin
Edição de: agosto/2018)

Desde que perdeu o pai em um incêndio no circo em que trabalhavam, Aleksei Ivanovich Markov ficou marcado para sempre, no corpo e na alma. Seu maior desejo é vingar-se do homem que devastou sua família. Quando o encontra, convicto de que nada nem ninguém o demoverá de seus planos, Aleksei conhece Kenya, uma bela jovem, também ligada ao seu passado trágico. Um romance intenso desenrola-se entre os dois, porém, amargurado pelo rancor, Aleksei tem sede de vingança. Muito mais do que ajudar Kenya a se libertar de um pai abusivo, ele terá que superar suas dores e, tal qual a fênix, renascer das próprias cinzas, a fim de evitar mais destruição. Como um ovo Fabergé, recheado de surpresas, talvez assim possam viver um amor que os levará — ou não — ao êxtase.



Palavras de uma leitora...



- Depois de ter apreciado muito a leitura de Pertinácia (mesmo com ressalvas) e do gênero erótico ser um dos que menos gosto resolvi apostar em mais uma história da autora. Desta vez ela escreveu em parceria com a Cassandra Gia, uma autora que eu conhecia só por nome, mas de quem ainda não tinha lido nada. 

Todavia, vou confessar desde o princípio da resenha: prefiro mil vezes Pertinácia. Porque A Fênix de Fabergé não conseguiu provocar em mim nem metade dos sentimentos que a outra história despertou. A premissa do livro é muito boa, as pesquisas das autoras foram incríveis, nos fazendo mergulhar nos espetáculos circenses, no trabalho dos funcionários dos circos, conhecer um pouco da cultura russa, algumas palavras, pratos típicos e tudo mais. Mas e os personagens? O desenvolvimento deles era o que mais me importava no livro e não achei, sinceramente, que foram bem desenvolvidos. Não senti conexão com eles. E tive um problema enorme com a estupidez da protagonista. 

Mas continuarei a falar da minha opinião daqui a pouco (risos). Vamos saber do que se trata a história! :)

- Dispostos a mudar de vida os pais de Aleksei saíram da Rússia para tentar a sorte em outros países. Enquanto sua mãe seguiu a trabalho para o Canadá, ele o pai vieram para o Brasil por ouvirem falar de Máximo Gorkov e das oportunidades que ele oferecia aos artistas imigrantes. Só que após chegarem descobriram que Máximo havia falecido e em seu lugar estava o filho Adrik, um homem perverso que via nos russos os sacos de pancadas perfeitos para sua desforra. 

Não demora para que o sonho de juntarem dinheiro suficiente para unirem a família novamente pareça quase uma utopia. O salário era escasso e as humilhações às quais eram submetidos pareciam não ter fim. Todos os funcionários eram maltratados e não tinham nenhuma motivação. Não havia alegria nas apresentações que continuavam a fazer por pura persistência. Não era uma vida boa, mas o pesadelo real teve início quando um curto-circuito incendiou o circo, causando feridas, traumas e morte. Levando de Aleksei o seu pai e marcando para sempre não só todo o seu corpo, mas também a sua alma. Porque embora o incêndio não tivesse sido criminoso, mas fruto da negligência, do descaso de Adrik, a morte de seu pai não foi puro acidente. 

Anos mais tarde, agora dono de seu próprio circo, Aleksei retorna ao Brasil para obter a vingança que durante tanto tempo alimentou. Não teria paz enquanto não fizesse Adrik pagar por todas as vidas que tinha destruído e por ter assassinado seu pai. Não importava se no meio dessa história existisse Kenya, a filha de seu inimigo, e alguém que ele precisaria usar para chegar onde desejava. 

Tudo era muito simples. Não existia possibilidade de erro. Ainda que usar Kenya parecesse errado, seus motivos eram justos e não tinha qualquer intenção de lhe fazer mal. Porém, quando os sentimentos entram nesse jogo o que era fácil se torna mais complicado do que ele poderia um dia imaginar. 

O amor não fazia parte dos seus planos e deixá-lo entrar em sua vida não era uma alternativa... certo? Só que o amor não tem o hábito de pedir qualquer permissão. Ele simplesmente acontece. E temos que lidar com as consequências. 

- Como eu disse no início da resenha, a história tinha muito potencial. A trama criada pelas autoras é diferente do que costumamos ler. Apesar do tema vingança já ser clichê (e nem por isso deixar de ser interessante) a ambientação é diferente de outras histórias. É a primeira vez que leio um romance que se passa no circo, que praticamente todos os personagens são artistas de circo. Gostei muito disso. Meu problema foi a construção dos personagens. E não só dos secundários (que mal tiveram suas personalidades definidas), mas sobretudo dos protagonistas. E principalmente a Kenya. Achei a criação deles, de suas personalidades muita rasa. Superficial. 

- A começar pelo Aleksei que tinha passado por um trauma tão grande. As cenas do incêndio me deixaram agoniada. Porque consegui visualizá-las, imaginar as pessoas gritando, os animais indefesos que poderiam morrer, as crianças que estavam presentes quando o fogo se espalhou. Fiquei realmente desesperada. E muito triste com a morte do pai do mocinho que, para vocês terem uma noção, trabalhava TRANCADO dentro da bilheteria. Isso mesmo. Como Adrik gostava de humilhar as pessoas e se aproveitar da necessidade que elas tinham de trabalhar trancava o pai do Aleksei dentro da bilheteria e só abria quando o circo fechava e o outro prestava contas do dinheiro do expediente. Então, quando o incêndio começa o outro está preso naquele lugar sem poder fazer nada. Mas isso não basta. Não contarei todas as circunstâncias da morte do personagem, porém digo que foi realmente um assassinato. E aí temos o protagonista, que ficou todo marcado ao tentar salvar o pai, que teve que passar por cirurgias e carregava cicatrizes que nunca o deixariam. Que não demorou a perder a mãe também num acidente no ambiente de trabalho, por ela ter ficado tão obcecada por ter condições financeiras melhores e poder se vingar de Adrik e assim ter ficado descuidada. Diante de tantas perdas e tanta dor que carregava dentro de si eu esperava sentir tudo isso no personagem. Mas ele não me despertou nada. E olha que eu tentei muito. Largava o livro para pegar em outro momento, para ver se o problema era eu. Lia novamente algumas páginas para tentar estabelecer uma conexão com os protagonistas. Mas não adiantava. Era a mesma coisa com todos os personagens da história. Eles não me envolviam. Não sei o que se passou. Porque não foi assim com Pertinácia. Com o outro livro eu me envolvi. Mas neste aqui... não deu. 

E aí temos a Kenya. Se o Aleksei não me provocou nada a Kenya ainda conseguiu me despertar uma vontade de sacudi-la para ver se conseguia ser menos estúpida. Entendo que as autoras quiseram mostrar que ela não enxergava, como centenas de vítimas, que sofria abuso familiar. Que seu pai era violento, que o que ele fazia era crime. Mas a personagem era tonta demais. Não tinha força para nada. Só tinha atitude durante suas apresentações como contorcionista e quando estava com o Aleksei. De resto qualquer um poderia levá-la. Era meio como "deixe a vida me levar" mesmo.rsrs Ainda assim nem mesmo minha revolta com o comportamento tão passivo dela foi intensa, pois não cheguei a me importar com a personagem, a sentir algo por ela. 

Eu ficava chocada com a maneira como os crimes do Adrik, as agressões físicas e verbais eram tratadas de forma tão normal pelos personagens. Não é que eles achassem que era certo, mas não pareciam ver como crime. Um exemplo é quando ele dá um soco na Kenya. Ninguém fala que ela deveria denunciá-lo, que aquilo era violência doméstica. E nem vou contar o que mais ele faz! Mas a Ivana, que estava com a Kenya na hora, nem pede ajuda (embora existissem outros trailers por perto e ela pudesse ter gritado por socorro) ou tenta convencer a Kenya a chamar a polícia. Não. Ela consola a mocinha e depois só fala com o Yuri, outro funcionário do circo, para proibir a entrada do Adrik até que a Kenya voltasse a sentir segura na presença dele. Que ela pudesse achar que a atitude deveria partir da mocinha, tudo bem, mas poderia pelo menos tentar orientá-la, certo? Sabemos que hoje em dia não tem mais isso de não se meter em brigas familiares. Quando presenciamos violência é nosso dever procurar ajuda. Se fizéssemos isso mais vezes talvez menos mulheres morressem todos os dias neste país. E é por isso que não vi uma incoerência no comportamento da Ivana. Não estou criticando isso no livro, pois as autoras mostraram sim o comportamento comum da sociedade diante de violências do tipo. Quando vemos e não fazemos nada. Mas que o tema do abuso poderia ter sido melhor trabalhado não nego. Todavia entendo que é um romance. O foco é o casal e não os acontecimentos paralelos. 

- Outro ponto a mencionar: o Adrik. Ele era o vilão da história. Um psicopata. Mas as autoras o construíram de forma tão caricata que ele chegava a ser realmente ridículo. Não me provocou nem ódio porque eu ficava parada pensando em como ele estava sendo mostrado e o achava simplesmente absurdo. Eu sabia que suas atitudes eram desprezíveis, que ele era um monstro, mas sua construção também não me envolveu nem mesmo para provocar o ódio que os vilões me provocam. Era caricato demais, não encontro outra palavra para descrevê-lo. 

- Como podem ver meu problema inteiro com o livro foi o desenvolvimento dos personagens. A história em si foi bem construída, mas os personagens eram o principal para mim e o fato de tê-los achado superficiais estragou a história. Sinto muito. Queria ter amado, mas não amei e não vou mentir. Quem me segue sabe que se não gosto de um livro não adianta que não vou falar o contrário. E os fãs que me perdoem. Mas tenho direito à minha opinião. E só para deixar claro: não, eu não gostei do livro. 

Hoje em dia as pessoas estão tão chatas que você não gostar de um livro nacional parece o maior dos pecados. E não estou exagerando porque esses dias mesmo vi no Facebook o absurdo de uma pessoa criticar um grupo em geral dizendo que havia intolerância com os livros nacionais só porque uma leitora não gostou de uma história nacional. O problema foi esse, entende? Que o livro era de uma escritora brasileira. Logo, a garota tinha obrigação de gostar. São comportamentos absurdos assim de fãs que decepcionam alguns leitores e blogueiros e fazem a pessoa preferir ler outra coisa. As pessoas têm que aprender a aceitar críticas e opiniões diferentes das suas. Cansei de ver gente odiando livros que amei com todo o meu coração, mas sou racional o suficiente para não desejar matar a pessoa por isso.rsrs E como os leitores do blog me conhecem sabem que não estou nem aí se é nacional ou internacional. Não discrimino livros. Portanto, do mesmo jeito que critico um livro estrangeiro que odiei farei o mesmo com um nacional. Só que no caso de A Fênix de Fabergé eu não odiei a história. Eu simplesmente não gostei. Não leria de novo. E não recomendo. Ponto. 

Esta é a opinião geral sobre o livro? Não mesmo. Ele está super bem cotado no Skoob, muitas pessoas o amaram. Portanto, o melhor é a pessoa ler e formar a própria opinião. A chance de ser diferente da minha opinião é grande, gente. 

- Este livro eu recebi em parceria com a editora Harlequin, que este ano me possibilitou conhecer várias histórias nacionais e atingir a minha meta de ler mais esses livros. Acho que o meu preferido até agora foi Bruto e Apaixonado, da Janice Diniz. E o que menos gostei foi A Fênix de Fabergé.rs

P.S.: Sobre a questão do livro ser erótico: quase não tem cenas explícitas. E ele nem tem palavras chulas, felizmente!!! De todos os eróticos que li este ano (foram poucos, mas li) este é o que menos cenas assim tem. O que seria algo positivo para mim se eu tivesse gostado do livro. 

31 de maio de 2018

Pertinácia - Sue Hecker

(Editora: Harlequin
Edição de: maio/2018)


Série Mosaico - Livro 5


A vida de Rafaela nunca foi fácil. Da infância passada em um orfanato à mudança para São Paulo, ela sempre teve que superar diversos obstáculos que surgiam em seu caminho. Quando tudo parecia entrar nos trilhos e a jovem enfermeira pensava ter encontrado o amor, um erro lhe tirou tudo, e ela não sabe como recomeçar.

É exatamente em seu momento mais frágil que Rafaela conhece Jonas, um advogado confiante, sexy e vaidoso, que parece determinado a seduzi-la. Mas, depois de uma grande desilusão, Rafaela não quer ceder à atração que sente por Jonas e correr o risco de se machucar de novo. Será que essa jovem inocente e pertinaz conseguirá resistir aos encantos de um homem experiente?

Pertinácia é uma história sobre conquista: de confiança, de objetivos e, especialmente, de amor. 




Palavras de uma leitora...



- E bota experiência nisso! Jonas tem experiência para dar, vender, trocar...rsrsrs Quanto mais o conhecia mais puritana me sentia.kkkkkkkkk... E olha que sou bem mente aberta e leio livros de diversos gêneros (o que não significa que aprecio todos eles). Ocorre que quando iniciei esta leitura estava com uma ideia diferente da história. Achava que era um romance que tinha cenas calientes, mas que tratava de temas fortes, de superação, recomeço e tudo mais. E realmente ele aborda tudo o que eu imaginava, porém vai mais para o gênero erótico, algo que eu não esperava por mais que a capa fosse um indício.rs 

Considerando que é um livro adulto, obviamente, não é recomendado para todos. É um livro para maiores de 18 anos, ok? Aviso dado, prossigamos!


Tendo crescido num orfanato, não sabendo quem eram seus pais ou por que a tinham abandonado, Rafaela teve que lutar muito para conseguir ter uma profissão. Desdobrando-se entre trabalhos temporários e as horas de estudo, mal dormia ou se alimentava, contando muitas vezes com a compaixão de seus colegas que dividiam lanches com ela. Assim, tinha todos os motivos do mundo para agarrar com as duas mãos a grande oportunidade que era trabalhar para o Dr. Marco, como enfermeira particular de sua filhinha, um anjo que nasceu com anencefalia e nenhuma esperança de sobrevivência. 

"A cada história que eu contava, sentia que ela apreciava ouvir minha voz.
A cada carinho que fazia, era como se ela pudesse retribuir."

Só que o que era para ser um primeiro passo na sua carreira acaba por se transformar na sua ruína quando, guiada por uma ilusão criada em sua cabeça, decide que está apaixonada pelo patrão e que deseja ser a mãe de sua filha. Tudo não seria tão grave se ele não fosse comprometido, estivesse noivo de outra mulher... E se Rafaela tivesse se limitado a sonhar com isso e não partir para a ação. 

Rejeitada por ele e dispensada logo em seguida, vez que a continuação da relação de trabalho era impossível, ela ficou sem chão. Não tinha mais emprego, o homem que julgava amar não a queria e com sua inconsequência ainda foi obrigada a se afastar da bebê que tanto amava... Seu mundo não poderia ficar mais bagunçado.

"O que foi que eu fiz?! Eu destruí tudo."

A luz no fim do túnel aparece quando ela é contatada pelo advogado de Marco, um homem arrogante e sexy que descobre-se encantado pela jovem enfermeira. Sensibilizado por sua dor e levado também pelas segundas intenções que um só olhar para seu corpo já despertou, após tratar da rescisão contratual dela, resolve indicá-la para trabalhar na casa de sua irmã, já que possuía um sobrinho com leucemia e a gravidez da irmã era de risco. Desta forma, além de ajudar a família com a qual realmente se importava ainda contaria com a vantagem de voltar a ver a mulher que tanto o enfeitiçou. E, quem sabe, ensiná-la a apreciar tudo o que seu mundo tinha a oferecer... Com ele talvez ela não vivesse o conto de fadas dos seus sonhos, mas teria algo melhor. Mais quente, mais cru e... mais apaixonante. Estaria ela preparada para se entregar sem reservas? Para ser sua musa, sua fonte de admiração e desejo? 

E seria o desejo que o consumia, que o fazia querer tê-la nua em seus braços e em sua cama... um primeiro passo para um sentimento mais forte e duradouro? Nunca tinha amado. E na verdade não estava disposto a render-se a tal sentimento.Todavia, se mandássemos em nosso coração a vida seria mais fácil... e chata

"A cota de dor em minha vida já foi o suficiente. Os sonhos românticos de encontrar minha outra metade não existem mais. Aprendi com os meus erros."

- Logo que conheci a Rafaela, no prólogo da história, quando descobri qual foi a grande merda que fez, não simpatizei muito com ela. E o Marco (que mal aparece na história) ganhou toda a minha admiração por tê-la dispensado, por não querer mais que trabalhasse para ele. Tinha sido contratada como enfermeira, o que não incluía ficar nua em sua frente e se oferecer como se não soubesse que ele estava noivo. Eu não sou tolerante com traição. E não existe maneira de alguém considerar a conduta dela correta ou profissional, certo? Fossem quais fossem os seus motivos, estava errada. E mereceu sim ser demitida.

Isso não significa que atirei pedras nela, claro. Condenei o que fez, mas também fiquei com os olhos cheios de lágrimas com a cena em que ela se despede da bebezinha que tinha aprendido a amar e que foi seu maior motivo para desejar mais do que uma relação profissional com seu chefe. Além de vê-lo como o homem que era tudo o que tinha sonhado ainda existia a pequena menina, que precisava dela e tinha ensinado tanto em pouco tempo. Não duvidei do amor da mocinha por aquele anjinho e foi realmente muito triste vê-la se separando dela. Partiu meu coração logo no início do livro. :(

E mesmo irritada por ela própria ter se colocado naquela situação (compreender seus motivos não me impediu de desaprovar totalmente sua estúpida conduta), torci para que conseguisse dar a volta por cima, se libertasse de um sentimento que só a fazia sofrer e se permitisse conhecer alguém que retribuísse o seu amor e que, evidentemente, não fosse comprometido.rsrs

Sendo assim, quando Jonas e Rafaela se conhecem, eu vibro com a eletricidade que corre entre os dois. Com a troca de olhares, as frases de duplo sentido, a química que faz a temperatura subir. Eram duas pessoas solteiras e não havia nada no mundo que impedisse os dois de se conhecerem e se entregarem ao que desejassem. Eu torcia muito por isso. 

"Jamais imaginei querer alguém tanto quanto eu a quero. Tudo o que preciso, sinto e sei é que, de alguma forma, ela deve ser minha."

Só que não demora nada para a autora nos revelar mais sobre o Jonas.rsrs Para nos fazer conhecer seus segredos... seus fetiches. Ela nos conta o seu passado... quando ele descobriu que era adepto de determinada coisa. Eu não fiquei apenas com um pé atrás, não. Foram os dois!kkkkkkk... Recuei por completo, levantando todas as defesas contra o mocinho. Afinal de contas, tudo o que sabia sobre esse fetiche não era muito agradável. E eu não estava disposta a aturar certas cenas. É por coisas assim que evito livros eróticos. Não são minha praia, confesso. 

Após o choque inicial e a minha mente imaginar todas as coisas que ele devia fazer (estou tentando não soltar spoiler), continuei dando uma chance ao livro, vez que a leitura estava fluindo bem e eu queria saber mais do que nunca como se desenvolveria a relação dos dois e o que ele estaria disposto a fazer com ela. E mais importante ainda: se ela aceitaria esse tipo de relacionamento. Porque tudo o que sabia era que eu não aceitaria.kkkkkkkk... Por mais lindo e irresistível que o mocinho fosse. 

E conforme a história foi acontecendo, a relação dos dois evoluiu, pude perceber que apesar de se permitir certas coisas (e curtir bastante cada momento) antes de envolver-se com a Rafaela, definitivamente não estava disposto a incluir isso em seu relacionamento com ela. Não abandonaria seu fetiche, pois fazia parte do que era, de sua personalidade, de sua essência. Mas isso não significava que faria tudo o que fazia antes. E isso eu pude aceitar. Porque não era esse desejo profundo e secreto que ele tinha o problema em si, na minha opinião. Mas sim o que isso geralmente incluía, entende? E já que ele se torna mais inflexível (era isso o que eu queria dizer mesmo) ao se apaixonar por ela pude voltar a olhar para o cretino com bons olhos.rsrs 

"[...] Porém, no fundo, Rafaela tem algo que me faz querer cuidar, proteger, algo que não sei distinguir."

Embora o foco do livro seja a relação quente e carnal dos dois, que cresce até tornar-se amor, a história também aborda o tema das crianças especiais, que nascem com má formação e acabam sendo tratadas de maneira discriminatória pelas pessoas, até mesmo rejeitadas pela família. No orfanato em que cresceu, Rafaela conviveu com crianças assim e foi o que a motivou a estudar enfermagem. Ela especializou-se para tratar dessas crianças e acabou por envolver-se mais profundamente com a pequena Vitória, uma bebê condenada desde antes de nascer, sem esperanças de vida, mas que foi muito amada por todos. O pai dela, Marco, não a rejeitou. A quis demais e daria tudo para que ela não sofresse. Achei muito positivo a autora abordar tal tema. É raro vermos coisas assim nos livros, costumo ver com mais frequência só nas histórias da Catherine Anderson ou da Deborah Smith. 

Além disso temos o Guilherme, sobrinho do Jonas, que sofre de leucemia e enfrenta dolorosas sessões de quimioterapia. É trabalhando como enfermeira dele que a Rafaela fica mais próxima do Jonas, mas acaba por fazer parte de toda a família em si. Guilherme é um menino forçado a amadurecer por causa da doença, que não se sente como as outras crianças e fica muito desanimado por conta dos efeitos colaterais do tratamento. Porque não era só perder os cabelos... tinha a falta de apetite, os enjoos e vômitos, a fraqueza... Não era nada fácil. E entrando no tema da leucemia, a autora fala da importância de ser um doador de medula óssea, como isso pode salvar vidas. A esperança de Eliana, Felipe e Jonas (pais e tio do Gui) era que o bebê que a Eliana esperava pudesse salvar o menino, pois ele estava na fila de espera há muito tempo e ainda não tinha aparecido ninguém compatível. :( 

"Sinto que ela precisa se sentir tocada, amada e idolatrada. Não canso de lê-la e me fascinar com cada emoção explícita e descrita por ela. Sei que precisa se conectar a mim da forma mais primitiva e rápida possível. Não me importo de trazê-la para a profundidade do meu desejo. É lá que ela necessita estar e é exatamente para lá que vou levá-la, a fim de esquecer quaisquer lembranças do passado."

- Em síntese, esta é uma história que provoca calor, não tenham dúvidas.rs Romances eróticos possuem tal capacidade e a autora criou as cenas certas para nos fazer sentir que a temperatura estava muito elevada, que era verão em pleno outono. Jonas e Rafaela realmente pegavam fogo quando estavam juntos. Apreciei todas as cenas? Não.rs Apesar de ter gostado de muitas delas, não foram de todas, pois eróticos não são minha praia, como já disse. E existiram algumas que iam além do que eu podia aceitar (como uma que envolvia certa janela num certo lugar). Mas considerando o livro todo, os temas reais e importantes, o fato dos personagens serem muito humanos, com qualidades e defeitos comuns a todos nós, dei 4 estrelas. E é um ótimo livro sobretudo para quem ama esse gênero. E sei que existe muita gente que é apaixonada por romances assim. :) Até porque é um erótico com conteúdo. Não é vazio, falando só de sexo e nada mais. Não. Ele tem bastante conteúdo e por isso merece as 4 estrelas do Skoob. 

"- Você é minha querida e apaixonante Rafaela."

- Algo que não poderia esquecer de dizer: claro que amei quando eles dançaram ao som de Despacito, não é? :D Quem não sabe que sou fã incondicional do Luis Fonsi certamente não me conhece. Eu amo esse cantor e compositor fantástico há anos. Me apaixonei por suas músicas mais de uma década antes de Despacito surgir e estourar no mundo todo. É uma realidade que ele tem dezenas de músicas mais lindas e envolventes que essa, mas amo Despacito também e me orgulha demais ver o sucesso que meu cantor tão querido está fazendo. E a música combinou bastante com a história do Jonas e da Rafaela. :)

*Este livro foi recebido em parceria com a editora Harlequin. E a Sue Hecker é uma autora nacional. Assim, mais uma vez a Harlequin me ajudou na minha meta de ler mais nacionais este ano. 

- Pesquisando pela internet, descobri que o Marco (que demitiu a Rafaela com toda a razão do mundo) é protagonista de outro livro da série Mosaico. Que é uma série que não precisa ser lida em ordem. Eu, por exemplo, só li Pertinácia

Série Mosaico

1- O Lado Bom de Ser Traída (Bárbara e Marco)
2- Tutor (Beatriz e Pedro)
3- Sr. G 
4- Eu, Ele e o Sr. G
5- Pertinácia
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