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5 de agosto de 2017

A Travessia - William P. Young

(Título Original: Cross Roads
Tradutor: Fabiano Morais
Editora: Arqueiro
Edição de: 2016)

Um derrame cerebral deixa Anthony Spencer, um multimilionário egocêntrico, em coma. Quando "acorda", ele se vê em um mundo surreal habitado por um estranho, que descobre ser Jesus, e por uma idosa que é o Espírito Santo.

À sua frente se descortina uma paisagem que lhe revela toda a mágoa e a tristeza de sua vida terrena. Jamais poderia ter imaginado tamanho horror. Debatendo-se contra um sofrimento emocional insuportável, ele implora por uma segunda chance.

Sua prece é ouvida e ele é enviado de volta à Terra, onde viverá uma experiência de profunda comunhão com uma série de pessoas e terá a oportunidade de reexaminar a própria vida. Nessa jornada, precisará "enxergar" através dos olhos dos outros e conhecer suas visões de mundo, suas esperanças, seus medos e seus desafios. 

Na busca por redenção, Tony deverá usar um poder que lhe foi concedido: o de curar uma pessoa. Será que ele terá coragem de fazer a escolha certa? 



Palavras de uma leitora...


- Será que chegará um dia que lerei algo deste autor sem chorar? Definitivamente, ele tem o poder de me emocionar e me fazer cair num pranto intenso. Ainda não me recuperei. Foi uma leitura que me atingiu em vários momentos, mas que me nocauteou com força na reta final. Porém, eu já esperava por algo assim. Afinal de contas, li A Cabana e Eva. Preciso dizer mais alguma coisa?!rs

"O que antes era um órgão vivo, um coração de carne, se transformou em pedra. Uma pequena rocha que vivia no casulo oco daquele corpo."

Anthony Spencer era um homem de negócios muito bem-sucedido, um milionário que amava o dinheiro e a si mesmo acima de todas as coisas. Para ele não existia um Deus e família era algo supervalorizado pelas pessoas, mas que na verdade era dispensável, insignificante. Batalhara muito para destruir a mulher que um dia disse amar e afastar de si a própria filha. Naquele momento, não existia ninguém na vida que considerasse digno de confiança ou que quisesse estar ao seu lado. Era um ser humano desprezível, egocêntrico e vingativo. Alguém que ninguém conseguiria amar. Não por muito tempo. Porque, por onde quer que passasse, ele deixava feridas profundas, capazes de acabar com o amor de qualquer ser humano. 

"Decidira havia tempos que a morte era um simples fim, o término de qualquer tipo de consciência, o pó voltando implacavelmente ao pó."

Naquele dia, ele estava ainda mais paranoico do que começara a estar ultimamente. Acreditava que todos tinham se unido num complô contra sua vida e tal estresse apenas contribuiu para o colapso que o deixaria em coma, num estado gravíssimo no hospital. Não poderia imaginar que algo assim fosse acontecer. Embora não viesse se sentindo bem nos últimos dias, não dera muita atenção aos sintomas. Estava cheio de trabalhos e compromissos e aquelas dores de cabeça só poderiam ser uma enxaqueca sem importância. Mas quando a dor veio mais forte que todas as outras, ele percebeu. Estava morrendo. E não existia ninguém a quem pudesse pedir ajuda. Estava sozinho. Completamente sozinho. 

"Será que aquele era o fim? Finalmente? Conseguia ouvir o vazio se aproximar, um nada voraz aparentemente determinado a extrair dele os últimos resquícios de calor."

Ao "acordar", ele percebe que não está na realidade que conhecia. Fosse qual fosse aquele lugar, sabia que estava morrendo, que aquilo não passava de uma travessia. De repente, sentiu medo. Porque se estava errado ao acreditar que com a morte tudo terminava, que não existia um algo além da vida... então, todos os seus erros teriam um preço. Não poderia escapar impune de todo mal que havia feito. 

"Eu esperava... que a morte fosse o fim. - Ele soluçava, mal conseguindo completar suas palavras. - De que outra forma poderia me safar do que fiz?"

Ainda profundamente confuso ao se ver num mundo paralelo, onde um estranho o recebe como se fossem grandes amigos, ele fica mais perplexo ao encontrar pela primeira vez Jesus, alguém que seu coração não pôde esquecer por mais que ele tenha se esforçado para arrancar tudo o que ainda existisse de bom em seu interior. Um dia sua mãe lhe falara daquele homem e embora ele não acreditasse ou confiasse em Deus, Jesus tinha um espaço... por menor que fosse. Porque enquanto o mantivesse em seu coração, mesmo que num lugar escuro e apertado, sua mãe ainda estaria com ele. 

Dividido entre acreditar que as visões daquele lugar à parte fossem fruto dos medicamentos utilizados para manter seu corpo vivo e a possibilidade cada vez mais forte de que já estivesse morto, ele não sabia bem no que acreditar. Era difícil aceitar que realmente estava vendo Jesus e mais estranho ainda era se ver diante de uma mulher idosa que queria ser chamada de Vovó e que o tratava como se o conhecesse. Ao descobrir que ela era o Espírito Santo, ele encara uma outra possibilidade: a de que, talvez, e era um talvez muito grande, tivesse enlouquecido. 

"Não é só de propósito que as pessoas magoam umas às outras. Na maioria das vezes, elas simplesmente não sabem agir de outra forma. Não sabem ser algo diferente, algo melhor."

- Quando iniciei a leitura desta história, eu tinha sim uma ideia do que iria encontrar. Como disse, já conheço as obras deste autor e estou bastante acostumada com elas. Além de amar sua maneira de escrever, de falar de Deus, de transmitir exatamente aquilo que nosso coração sente e muitas vezes gostaria de gritar sem ter forças ou palavras para isso. Sempre digo que me sinto ainda mais próxima de Deus quando leio os livros do William. Ele sabe como cutucar nossas feridas, como dizer o que a gente precisa "ouvir", como nos trazer uma visão muito mais humana de Deus, diferente daquela que, na maior parte das vezes (baseada em minhas próprias experiências), a Igreja e a religião nos mostram. Nas histórias dele, não conhecemos um Deus irado, capaz de castigar cruelmente seus filhos por eles serem pecadores e irem contra suas regras. Não. Nos livros deste autor, Deus é Amor. É perdão. É alguém que não ignora nossa dor e nos compreende melhor do que ninguém. É alguém que realmente podemos chamar de Pai e que não precisamos temer, mas tão somente amar. 

"Tony, nada jamais conseguirá separá-lo do meu amor, nem a morte, nem a vida, nem um mensageiro do Céu, nem um monarca da Terra, nem o que a acontece hoje, nem o que possa acontecer amanhã, nem nada em todo o Universo criado por Deus. Nada tem o poder de separá-lo do meu amor."

- Mas Deus não é o personagem central desta história. Embora Ele esteja em tudo, claro, não aparece muito como personagem, diferentemente de A Cabana e Eva. Aqui, Jesus Cristo e o Espírito Santo aparecem mais vezes e sim, eu sei que os três são um só. Mas o autor sempre mostra a divisão. E para entender tal coisa basta pensarmos assim: existe uma só pessoa de você. Por exemplo: eu sou Luna, mas dentro de mim existem outras divisões. Sou a amiga, sou a filha, sou a leitora, um dia talvez seja a mãe, a esposa... Conseguem entender? Embora saibamos que Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo são Um Só Deus, também sabemos que são três partes particulares de um só ser. Enfim... E por isso, o autor sempre os mostra divididos. Jesus é aquele mais próximo de nós, em quem sentimos mais confiança para desabafar, pois um dia ele se fez carne e sentiu tudo como nós. Compreende o que é ser um ser humano. Nós conseguimos vê-lo como um amigo querido, que deu a vida por nós, que abriu mão de tudo por nos amar mesmo sabendo que muitos de nós não iríamos valorizar isso e até mesmo duvidar. Ainda assim, Ele não hesitou. Porque seu amor jamais foi condicional. 

Nesta história, Tony desprezava Deus. Ele duvidava de sua existência e quando parava para pensar que Ele talvez existisse, tudo em que conseguia pensar é que se isso fosse verdade, então Deus era cruel. Alguém indigno de amor e confiança. Por isso, não existia qualquer espaço em seu coração para Ele. E desta forma, Deus não aparece muito na história, já que o livro nos leva para um mundo paralelo onde a alma e o espírito de Tony estavam enquanto seu corpo estava num hospital, num profundo estado de coma. Com o avançar da leitura, percebemos que aquele mundo "surreal" era o interior do protagonista, uma viagem por seu coração e que Deus estava do lado de fora dos muros que ele ergueu. E que Ele podia ver Jesus Cristo e a "Vovó" porque, por menor que fosse, em seu coração existia um espaço para eles. Mesmo que fosse um lugar caindo aos pedaços. 

"O amor jamais o condenará por estar perdido, mas tampouco deixará você ficar sozinho nas profundezas, embora também nunca vá forçá-lo a sair dos seus esconderijos."

- O livro pode sim ser confuso e bastante surreal se você não lê-lo com atenção e com a mente aberta. Fico muito feliz por ter chegado a um ponto em que consigo ler diversos livros diferentes entrando na realidade deles e estando aberta para entendê-los, para me dar a oportunidade de acreditar ou não no que o autor tenta passar. E os livros do William não podem ser lidos de modo algum com pré-julgamentos. É preciso afastarmos tudo aquilo em que acreditamos antes de viajarmos por suas páginas, antes de entrarmos no mundo que o autor nos apresenta. Por isso, existem pessoas que desprezam profundamente os livros dele e outras que leem as primeiras páginas e já julgam o livro por inteiro colocando-o na categoria de uma obra "herege", entre outras coisas. 

Neste livro, o protagonista está entre a vida e a morte num quarto de hospital e enquanto dorme um sono profundo do qual talvez jamais desperte, lhe é dada a oportunidade de iniciar um processo não de cura do seu corpo, mas de sua alma, de seu coração, daquilo que ele é em sua essência. E talvez seja bem difícil de acreditar na realidade paralela ao qual o personagem é levado. Ao longo da história, várias coisas difíceis de engolir acontecem, mas eu levei tudo numa boa.kkkkkk... Viajei juntinho com o personagem, me baseando numa coisa em que acredito: ninguém jamais morreu e voltou para dizer como é a vida após a morte e se ela de fato é como a Igreja nos mostra. E outra coisa: se, de certa forma, "viajamos" quando sonhamos, por que nossa alma não poderia fazer o mesmo se estivermos em coma? A vida é um mistério. Não sabemos tudo. Nossa mente é limitada demais para que conheçamos além do que nos é permitido como seres humanos. 

"Como não gostar de Jesus? Um homem másculo, mas doce com as crianças; bondoso com aqueles que a religião e a cultura julgavam inaceitáveis; cheio de uma compaixão contagiante; capaz de desafiar o sistema vigente e, ainda assim, amar os próprios inimigos."

- Este livro, para mim, é uma preciosidade. Apesar de ter terminado a leitura em prantos, sempre me sinto muito melhor ao ler algo deste autor. Ele me faz bem, me dá tranquilidade, paz. Uma sensação de que algo vai dar certo... de esperança, entende? Ao ler suas histórias posso chorar de tristeza, mas também de alegria. E muitas são as vezes em que choro aquele choro que lava a alma... aquilo que muitas vezes guardamos dentro de nós e quando colocamos para fora é com força, de uma vez só. Como um desabafo. 

A história, embora possa parecer triste, na verdade possui vários momentos divertidos. Ri muito com algumas cenas envolvendo uma personagem chamada Maggie.rsrs E existiram outras cenas bem humoradas, que me arrancavam gargalhadas. Mas claro que existiram momentos que me partiram o coração. Era inevitável. Porém nada, nada foi como o final. Ali chorei muito. Me surpreende que ainda tenham me restado lágrimas. 

"A realidade é aquilo em que você acredita, mesmo que aquilo em que acredita não exista. Deus lhe diz que a separação não é verdadeira, que nada pode 'realmente' separar você do amor dele, nenhum comportamento, nenhuma experiência, nem mesmo a morte e o inferno, seja qual for a forma como ele aparece em sua imaginação. Mas como você acredita que a separação é real, cria sua própria realidade baseada em uma mentira."

Esta foi minha oitava leitura para a Maratona Literária de Inverno 2017. Ele preenche o Desafio 9: ler um livro que é muito criticado ou que alguém não gostou. Como eu disse, o autor e seus livros não são exatamente bem aceitos por todos. Existem aqueles que desprezam profundamente as histórias do autor e basta uma pesquisa bem superficial para que vocês consigam encontrar alguns textos na internet criticando as obras dele. Já li tanto absurdo que não imaginam! Enfim... Por isso, escolhi este livro para o desafio 9. 

Bem... Agora falta apenas 1 livro para eu concluir a maratona!kkkkkkk.... O término seria no dia 30 de julho, mas como houve uma prorrogação de 6 dias, ela estará chegando ao seu final hoje, dia 05 de agosto. Então tenho até 23:59hrs do dia de hoje para ler o livro que resta.rsrs 

8 de abril de 2017

Especial: A Cabana - Wiiliam P. Young (livro e filme)

(Título Original: The Shack
Tradutor: Alves Calado
Editora: Sextante
Edição de: 2008)

Durante um viagem de fim de semana, a filha mais nova de Mack Allen Phillips é raptada e evidências de que ela foi brutalmente assassinada são encontradas numa cabana abandonada.

Após quatro anos vivendo numa tristeza profunda causada pela culpa e pela saudade da menina, Mack recebe um estranho bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o a voltar à cabana onde aconteceu a tragédia.

Apesar de desconfiado, ele vai ao local numa tarde de inverno e adentra passo a passo o cenário de seu mais terrível pesadelo. Mas o que ele encontra lá muda o seu destino para sempre.

Em um mundo cruel e injusto, A Cabana levanta um questionamento atemporal: se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar o nosso sofrimento?

As respostas que Mack encontra vão surpreender você e podem transformar sua vida de maneira tão profunda como aconteceu com ele. Você vai querer partilhar este livro com todas as pessoas que ama.




Palavras de uma leitora...



"Quase sem pensar e sem afastar os olhos da televisão, Mack estendeu a mão para a mesinha de canto, pegou um porta-retrato com a imagem de uma menininha e o apertou contra o peito."

- Faz oito anos que li esta história. Numa época em que nunca tinha ouvido sequer falar do livro. E no momento em que mais necessitava dele. Quando folheei suas páginas e iniciei a leitura... não tinha ideia de tudo o que encontraria, das lágrimas que insistiriam em rolar pelo meu rosto, das lições que levaria para sempre comigo. Me marcou de uma forma que... não dá para explicar. Este é um dos motivos para eu ter demorado tanto em escrever sobre ele. E mesmo agora... enquanto tento colocar em palavras o que sinto, penso em desistir. Como falar de uma história que transformou minha vida? Que mudou minha maneira de ver o mundo e me deu o conforto que eu tanto precisava? Como falar dele se o simples fato de recordar já me deixa em lágrimas? 

"Desesperado e derrotado, Mack se deixou cair no chão, perto da mancha de sangue. Tocou-a com cuidado. Era tudo o que restava de sua Missy. Deitado junto dela, os dedos acompanharam com ternura as bordas descoloridas e ele sussurrou baixinho:
- Missy, desculpe. Desculpe se não pude proteger você. Desculpe se não pude encontrar você."

- Quando penso na pior dor que existe neste mundo, não tenho dúvidas de qual é. Sei que não existe nada pior que perder um filho. É uma dor que apenas posso imaginar e só isso... o simples fato de imaginar... já me deixa destroçada. E pior que perder um filho... é perdê-lo porque alguém um dia acordou e decidiu que iria tirar-lhe a vida. Pior que enterrar um filho... é você não poder sequer fazê-lo. É jamais ter encontrado o corpo para chorar sobre ele. É não ter nem mesmo o direito de dar a esse filho um enterro adequado. É imaginar onde seu corpo poderia estar, a maneira como ele morreu... se ele pediu por socorro, se chamou por você. Mackenzie passou por tudo isso. Não só perdeu a sua menininha de apenas seis anos, como jamais teve a chance de enterrá-la. Porque o psicopata que a assassinou deixou apenas o vestido ensanguentado. Todas as buscas não foram suficientes para localizar o corpo. Tudo o que ficou de sua filha foram as manchas de sangue numa cabana abandonada. 

"Bom, estou aqui, Deus. E você? Não está em lugar nenhum! Nunca esteve quando precisei, nem quando eu era pequeno, nem quando perdi Missy. Nem agora!"

- Não sei o que conseguirei escrever sobre esta história. Nem sei se terminarei esta resenha. Minhas emoções estão de novo uma bagunça. Sinto-me levada de volta ao passado, ao dia em que recebi este livro de presente, ao dia em que o abri e iniciei a leitura. Sinto tudo aquilo de novo. E não faço ideia do que escrever. Mas aviso que, se você ainda não leu o livro ou assistiu o filme, o melhor é parar de ler este post imediatamente. As chances de spoilers são enormes. 

"Seria tão fácil, pensou. 'Chega de lágrimas, chega de dor...' Quase podia ver um abismo preto abrindo-se no chão atrás da arma para a qual estava olhando, uma escuridão que sugava os últimos vestígios de esperança do coração. Matar-se seria um modo de contra-atacar Deus, se Deus ao menos existisse."

Mackenzie era apenas um menino quando se viu sozinho, suplicando pela ajuda de um Deus que parecia não ouvi-lo. Já havia perdido a conta de quantas vezes ouvira os gritos da mãe, enquanto o pai a surrava embriagado como de costume. Sua infância há muito tinha se perdido e tudo o que ele desejava era que Deus pudesse livrar sua mãe daquela dor. Se existia um Deus, por que não o escutava? Por que não impedia tanta dor? Desesperado, Mackenzie buscou socorro na igreja e o resultado foi que seu pai quase o matou depois de amarrá-lo e surrá-lo até já não ter mais forças para isso. Após se recuperar, ele fugiu. Implorando o perdão da mãe e desejando não mais olhar para trás. Nunca mais. 

"Eu te amo, Missy. Sinto saudades demais."

- Marcado por um passado impossível de esquecer, Mackenzie não acreditou que um dia poderia encontrar alguém que o entendesse e completasse, que lhe desse a chance de viver a vida com a qual já não era capaz sequer de sonhar. Seu coração estava destruído. Não conseguia sonhar. Mas, então, ela apareceu. Uma mulher que poderia ter escolhido alguém melhor que ele, mas que o amou. De uma forma que ele não merecia. Mas da única maneira capaz de restaurá-lo. De curar as feridas ainda abertas. Nan acreditou nele, enxergou em seu interior algo que ele próprio não via e ao seu lado ele passou os melhores anos de sua vida. Anos de alegria, de risos, de esperança. Ela o ensinou a amar e este amor só foi crescendo conforme seus filhos nasciam. Ao lado dela e daqueles pequenos que o enchiam de um sentimento tão forte, ele soube o que realmente era viver. E reencontrou Deus. Nan foi a ponte para um relacionamento com aquele com quem Mackenzie já tinha rompido. Aquele que ignorou sua dor. Aquele em quem ele não queria acreditar. Mas mesmo após fazer as pazes com Deus, a distância permaneceu. Enquanto Nan tinha um relacionamento profundo com Papai, Mack temia confiar outra vez. 

"Quando ia se inclinar para lhes dar um beijo, uma vozinha com um tremor perceptível rompeu a quietude.
- Papai?
- Sim, querida?
- Algum dia eu vou ter de pular de um penhasco?
O coração de Mack doeu quando ele entendeu a verdadeira questão. Abraçou a menininha e a apertou. Com a voz um pouco mais rouca do que o usual, respondeu gentilmente:
- Não, querida. Nunca vou pedir para você pular de um penhasco, nunca, nunca, jamais."

Este foi um dos últimos momentos que Mackenzie passou ao lado de sua filha, de seu pequeno anjinho de seis anos. Se soubesse tudo o que aconteceria nas próximas horas, teria pego o seu bebê nos braços e retornado. Para casa. Para o lado de Nan e de seus outros filhos. Para longe de toda a maldade. Mas como poderia saber? Como imaginar que um monstro lhe tiraria a sua princesa? Que alguém olharia para sua filha e decidiria assassiná-la? 

"Ah, meu Deus, me ajude a achá-la... Ah, meu Deus, por favor, me ajude a achá-la."

- Eles estavam acampando. Era para ser um final de semana de diversão e risos, ao lado de três de seus filhos. Daquela vez, Nan não pôde ir com eles. Era só ele e as crianças e tudo estava correndo bem... até ouvir o grito de Kate. Ele estava perto de Missy, enquanto a filha pintava. Mas quando Kate gritou e ele percebeu que Josh estava se afogando, todos os seus instintos o empurraram na direção do filho, do menino que ele precisava salvar. Apavorado, ele correu para a água, sabendo que Missy estava segura. Mas quando retornou, sua filha não estava mais ali. E ele nunca mais a viu. 

"Santo Deus, por favor, por favor, por favor, cuide da minha Missy, proteja-a, não deixe que nada de mal lhe aconteça."

As buscas iniciaram. Todos fizeram o possível para encontrá-la e conforme o tempo passava, o desespero aumentava. E não demorou para que os investigadores conectassem aquele novo desaparecimento aos quatro anteriores. Ao desaparecimento de outras meninas com mais ou menos a mesma idade de Missy. Meninas que jamais tinham sido encontradas, mas que todos sabiam que tinham sido assassinadas pelo Matador de Meninas, um psicopata que a polícia ainda não tinha sido capaz de capturar. Missy era sua quinta vítima. 

"Mack viu imediatamente o que viera identificar. Virando-se, desmoronou nos braços dos dois amigos e começou a chorar incontrolavelmente. No chão, perto da lareira, estava o vestido de Missy, rasgado e encharcado de sangue."

- Naquele dia, a ponte se rompeu. Ele havia perdoado Deus pelo seu passado... Tinha recomeçado. Tinha construído uma nova vida. Tentava não olhar para trás e nunca deixou de agradecer por todos os presentes que recebeu, pela família que tanto amava, por cada dia. E então... Deus lhe tirou sua filha. 

Ao ver o vestido que a filha usava ao desaparecer, largado numa poça de sangue em uma cabana abandonada, Mackenzie sentiu algo se rasgar dentro dele. E virou as costas para Deus. 

Quatro anos depois, tomado pela depressão e pelas lembranças da filha que já não estava ao seu lado, tudo o que ele não fazia era viver. Sabia que estava respirando, que o mundo estava seguindo em frente, que sua esposa e seus outros filhos precisavam dele, mas... existia um torpor. Ele só queria que tudo chegasse ao fim. Como seguir em frente quando um pedaço do seu coração ficou para trás? Como voltar a viver... se sua filha estava morta, abandonada num canto qualquer? A verdade é que ele não queria se recuperar. Ele já não queria nada. 

Estava nevando quando o convite chegou. Um bilhete em sua caixa de correios. Nenhuma pegada na neve, nenhum rastro. Apenas um bilhete assinado por Papai. Aparentemente escrito por Deus, o convidando a retornar à cabana... onde tudo terminou. Onde ele ainda estava preso. Onde sua filha tinha morrido. 

Sem saber no que acreditar e duvidando que Deus tivesse realmente lhe escrito alguma coisa, Mackenzie toma a decisão de ir até aquele lugar... de voltar à cabana. Talvez, por menor que fosse a possibilidade, o assassino tivesse escrito. Talvez ele finalmente pudesse fazer algo contra aquele que matou a sua filha. 

"Podia sentir o calor das lágrimas em seus olhos, como se estivessem batendo à porta de seu coração."

E nada poderia prepará-lo para o que ele encontraria naquele lugar... Ao aceitar aquele convite, Mackenzie aceitou muito mais do que esperava. Após aquele final de semana, ele nunca mais seria o mesmo. Todo o seu passado, todas as suas lembranças, as dores que carregava em seu interior, as lágrimas que falavam mais que qualquer palavra... a raiva, o desespero, o sentimento de traição e vazio... Durante todo o final de semana, ele enfrentaria todas as questões que o atormentavam, ao lado de três pessoas que ele já nem sabia se acreditava que existiam. 

Quantas pessoas nesta vida podem dizer que tiveram um encontro com Deus? Mackenzie era uma delas. Ele não apenas tivera um encontro com Deus, com aquele que ele considerava um inimigo. Ele também, duvidando da própria sanidade, se via diante daquele de quem um dia ele ouviu falar... do Filho, que se sacrificou numa cruz, muitos e muitos anos antes dele existir. E ainda... do Espírito Santo, o consolador prometido. Naquela cabana, os três o esperavam. Deus, uma mulher negra enorme. Jesus Cristo, um jovem comum com quem Mackenzie sentiu-se imediatamente conectado. E o Espírito Santo, uma mulher pequena e asiática, colecionadora de lágrimas. Seria um sonho? Estaria ele louco? Estaria ele... morto?

"Não sou quem você acha, Mackenzie - As palavras dela não eram raivosas nem defensivas."

- Eu própria estava com a minha fé profundamente abalada quando este livro chegou às minhas mãos. Já nem lembrava o que era sorrir, o que era acreditar. Estava cansada de religião, cansada daquela visão que as igrejas me passavam. De um Deus que eu deveria temer, no sentido de realmente ter medo. De um Deus que parecia se preocupar apenas em punir as pessoas por suas falhas, por seus pecados. Eu me sentia sozinha e muito ferida. Meu mundo estava desabando e não parecia existir saída. Tudo o que eu tinha sonhado estava se desfazendo. Me sentia no fundo do poço, querendo implorar a Deus por ajuda, mas sem forças para isso. E sem acreditar que Ele fosse realmente me escutar. Sem acreditar que Ele se importasse. Meu relacionamento com Deus sempre tinha sido complexo, mas eu nunca tinha me sentido tão abandonada como naquela época. E então... A Cabana

"Você vê a dor e a morte como males definitivos, e Deus como o traidor definitivo, ou talvez, na melhor das hipóteses, como fundamentalmente indigno de confiança. Você dita os termos, julga meus atos e me declara culpado."

- A Cabana é um livro de ficção, sem nenhuma intenção de apoiar uma outra religião. É a história de um homem que perde aquilo que tinha de mais precioso e que é obrigado a não só lidar com a dor da perda, da saudade, mas também com a culpa que insiste em persegui-lo. A culpa por não ter estado ao lado da filha. Por ter sido incapaz de protegê-la do mundo e... protegê-la de Deus. É a história de um homem golpeado pela vida, traído por aqueles que deveriam cuidar dele quando ainda era criança... que teve sua infância arrancada brutalmente dele e teve que se virar sozinho num mundo mais do que disposto a destruí-lo. Alguém que tinha medo de confiar e mesmo assim se entregou ao amor. Alguém que se reaproximou de Deus apenas para sofrer o pior golpe possível. Alguém que, como muitos de nós, ao estar tão profundamente magoado, culpou a Deus por tudo de ruim que lhe aconteceu, culpou a Deus por não ter protegido a sua filha. Ele poderia ter impedido a morte de Missy, então por quê? Por que permitiu que uma garotinha inocente fosse assassinada? Por quê? Por que não fez nada? 

"- Não, eu amo Papai, quem quer que ela seja. Ela é incrível, mas não é nem um pouco como o Deus que eu conheço.
- Talvez sua ideia de Deus esteja errada.
- Talvez. Simplesmente não vejo como Deus pudesse amar Missy com perfeição."

- A Cabana é uma viagem para dentro de nós, para a parte mais necessitada do nosso coração. Ao lado de Mackenzie, Elousia, Jesus, Sarayu e, ainda, a Sophia, nós somos obrigados a enfrentar sentimentos que muitas vezes não temos coragem de deixar vir à tona. Dúvidas e mágoas, arrependimentos, lembranças... É uma história que nos toca a alma e faz com que muitas lágrimas rolem. Lágrimas pela Missy, lágrimas pelo Mackenzie, por aquela família em pedaços... lágrimas por nós mesmos e pelas diversas pessoas que são vítimas da crueldade de outros seres humanos. Choramos pelo que não podemos mudar. Choramos pela esperança, por mais remota que seja, de que algo um dia mude... que este mundo venha a ser melhor. E choramos... também pela linda visão de Deus que este livro nos passa. Uma imagem distante daquela pregada nas igrejas que eu conheci, limitada pela religião. Neste livro, as limitações se rompem. Vemos Deus de uma maneira linda e confortante. Da maneira que eu sempre quis ver. Da maneira que eu acredito que Ele seja. Um Deus que é puro amor. Um Pai que não abandona os seus filhos e não está interessado em sair punindo todo mundo, sendo sempre um juiz e julgando a todos por suas falhas. Um Deus que ama e jamais ignora a nossa dor. Que está sempre ao nosso lado, passando por tudo com a gente. 

"- Mack, ela jamais esteve sozinha. Eu nunca a deixei. Nós não a deixamos sequer por um instante. Eu não poderia abandoná-la, nem você, assim como não poderia abandonar a mim mesmo."

- É muito difícil falar desta história. Expressar tudo o que sinto... o quanto ela é importante para mim. Existem livros dos quais não conseguimos falar. Livros que se tornam tão especiais que nos roubam as palavras. Sempre falei desta história para as pessoas, sempre insisti para que a lessem, mas nunca consegui colocar em palavras tudo o que sinto, o tanto que ela mexeu comigo, com as minhas emoções, com as minhas crenças. O quanto ela me transformou e confortou. Chorei demais lendo este livro. Choro sempre que me lembro dos momentos que passei ao lado dos personagens, de tudo que aprendi com eles. 

Não concordo completamente com a frase que diz que somos aquilo que lemos. Leio muita coisa.kkkkkk... E não sou tudo que leio. Mas, não tenho dúvidas, que os livros são capazes de nos modificar. Não tenho dúvidas que existem histórias que nos atingem de tal modo que nunca mais somos os mesmos. A Cabana é um destes livros. 

"Você já notou que, em sua dor, presume sempre o pior a meu respeito? Estive falando com você durante longo tempo, mas hoje foi a primeira vez que você pôde ouvir."

- Este é um livro que jamais me cansarei de recomendar. É uma história que deve ser lida com o coração, de mente aberta e livre de religiões e pré-conceitos (sim, eu quis escrever exatamente assim). Quando indico a história para alguém sempre digo que, enquanto durar a leitura, ela deve manter afastado aquilo que aprendeu com a religião (seja qual for a religião) e apenas ler o livro. Mais nada. Só ler. Com o coração. Porque, como eu disse antes, ainda que defenda a Trindade e tenha ensinamentos que nos recordam os ensinamentos cristãos, esta história não é sobre religião. É sobre Deus. Amor. Perdão. Recomeço. 

"- Por favor, perdoe-me - disse finalmente.
- Já fiz isso há muito tempo, Mack. Se não acredita, pergunte a Jesus. Ele estava lá."

- Eu não quero contar tudo sobre a história. Não falei nem metade de toda a experiência que Mack tem em seu encontro com Deus. Nem se eu quisesse saberia colocar em palavras tudo aquilo. É forte. É lindo. E vocês só poderão ter uma ideia de como nos toca lendo o livro ou assistindo o filme. Sim. Agora irei falar do filme. :) 




Quando eu soube que este livro viraria filme mal pude conter a emoção. Foram gritos, pulos, danças e mais gritos. Quis dividir a notícia com todo mundo, ansiando para que o tempo passasse mais rápido para que eu pudesse assistir logo o filme.rsrs E então, o livro foi relançado. Com a capa do filme. Claro que corri para a livraria e com um imenso sorriso no rosto, adquiri o meu novo exemplar, que contém uma nota do autor sobre os dez anos da história e cenas do filme. E tudo o que mais queria era que o filme chegasse logo ao Brasil. Estava cheia de medo de terem estragado a história, confesso. Mas nada me tirava a esperança de que talvez, apenas talvez, tivessem conseguido captar a essência do livro.

O lançamento foi no dia 06 de abril. E no mesmíssimo dia eu estava lá, mal conseguindo me controlar. rsrsrs... A sessão era a do último horário e eu pensei comigo mesma: "Não vai ter quase ninguém na sala. Já está tarde e o filme nem foi muito divulgado." Entrei, escolhi meu lugar e tentei me concentrar em esperar o filme começar. Mas aí... as pessoas foram entrando. E quando olhei para os lugares... a sala estava lotada. Com um sorriso no rosto e um sentimento incrível, esperei. Assim que o filme começou eu soube: ele iria superar todas as minhas expectativas. 

Ainda que eu não tivesse lido o livro antes, teria me emocionado. Do início ao fim, a história nos envolve. As cenas mais importantes, mais delicadas e fortes do livro estão todas ali, interpretadas de maneira brilhante pelos atores que dão um show de sensibilidade e talento. Quanto mais eu via mais emocionada ficava. Chorava pelas cenas e também chorava de felicidade por terem tido todo o cuidado de passar a mensagem do livro. Por terem sentido a história, entrado nos personagens, por nos fazerem sentir tudo aquilo com eles, numa das experiências mais lindas da minha vida. 

Já vi muitos filmes maravilhosos. Filmes que recordarei para sempre com carinho. Mas poucos foram os que conseguiram me atingir como a adaptação de A Cabana. Cada cena é construída de maneira cuidadosa, cada diálogo, cada lembrança dos personagens... a construção do relacionamento do Mackenzie com Deus, seu amor pela filha, seu sofrimento, sua depressão. Tudo é construído de maneira perfeita, de forma a nos levar para dentro do filme, para dentro da vida do protagonista. E quando a cena mais impactante do livro e do filme é mostrada... Nossa! A sala foi às lágrimas! Eu me abracei em prantos e podia escutar outras pessoas chorando juntas. Todos fomos atingidos pela emoção daquele momento. Nem o livro conseguiu mostrar com tanta verdade a dor do protagonista como o filme mostrou naquela cena especial e dolorosa. 

Se recomendo o filme?! Para todos!!! Para quem leu o livro e amou, para quem leu o livro e odiou. Para quem pretende ler a história e até para quem já decidiu que jamais irá ler. Acredito que o filme merece uma chance. Mesmo se você não tiver lido o livro. Pense nele como um filme como vários outros. Um filme que você simplesmente decidiu ver, sem expectativas. Deixe que ele te surpreenda. :)

30 de agosto de 2016

Eva - William P. Young

(Título Original: Eve
Tradutor: Fabiano Morais
Editora: Arqueiro
Edição de: 2015)

O que realmente aconteceu no Jardim do Éden?

Num suspense emocionante, William P. Young, faz uma abordagem totalmente nova e inspiradora da história da Criação.

Fruto de mais de 40 anos de pesquisas, fiel aos textos bíblicos originais e com uma narrativa primorosa, Eva apresenta um ponto de vista humano e reconfortante de um dos episódios mais tristes das Escrituras: o momento em que o homem vira a face para Deus e é expulso do Paraíso.

Com sua capacidade única de emocionar e fazer refletir, o autor trata de temas como perda, culpa, perdão e redenção, e cria uma alegoria sobre a importância de nossas escolhas, a verdade de nossas origens e o poder transformador do amor de Deus.


Palavras de uma leitora...


"Durante alguns instantes, ficou olhando pela janela. O impulso de saltar no vazio era tentador. Será que Adonai apararia sua queda? Será que ele ao menos perceberia se ela caísse?"

- Faz sete anos que li A Cabana, primeiro livro escrito pelo autor e que marcou profundamente a minha vida. Eu estava passando por um momento de muita dor. Estava sofrendo demais e desesperada por uma esperança, por algo que me desse consolo... paz. Que me fizesse crer que eu não deveria parar. O livro não "apagou" minha tristeza. Não fez com que tudo ficasse bem de um instante para o outro, mas foi como uma ponte que me conduziu novamente na direção de Deus. Chorei demais com A Cabana. De soluçar. Mas no final... eu pude sentir a tranquilidade que há tempos não sentia. Ele nunca foi resenhado no blog, pois o li cerca de um ano antes do blog existir. Ainda não sei se farei a resenha baseada em minhas lembranças ou se lerei o livro de novo antes. Porém, este post não é sobre A Cabana, certo?rs É hora de falarmos sobre Eva, um suspense que nos leva aos Inícios... que nos faz acompanhar como tudo começou... Vamos ao Éden, aos dias da Criação... e a um encontro com Adão e Eva.

"Fico olhando para as ondas do mar... O ir e vir da maré é mais ou menos como a minha vontade de viver e morrer ao mesmo tempo."

- Lilly Fields, uma adolescente sem memórias do passado e profundamente ferida tanto física quanto emocionalmente, é encontrada por John, quase morta. No início, ele acreditou que havia encontrado mais um corpo, o último das doze meninas das fotos, que tinham sido brutalmente assassinadas e lançadas ao mar numa espécie de contêiner, indo parar numa ilha entre mundos, num lugar conhecido como Refúgio. Abalado pelas condições em que Lilly se encontrava, John não consegue perceber que ela ainda respirava e que ele havia, na verdade, salvo sua vida. 

Com a ajuda de especialistas, ele luta para trazer Lilly de volta. A recuperação é lenta e delicada e enquanto seu corpo é curado, deixando cicatrizes que seriam para sempre uma recordação da maldade pela qual ela tinha passado ao longo de anos, sua mente parecia cada vez mais distante de qualquer possibilidade de cura. Ela estava quebrada. Em vários pedacinhos. Completamente destruída. Como recomeçar? Como voltar a confiar em quem quer que fosse? 

"Talvez eu precise que o gelo debaixo dos meus pés quebre para que eu possa cair e desaparecer. Oh, Deus, ainda que eu esteja totalmente maluca, Você viria me encontrar? Acho que quero mesmo ser encontrada, mas por Você, não apenas pelos outros."

- Ainda sob o efeito de fortes medicações, lembranças confusas, e uma dor tanto física quanto emocional, Lilly percebe que não está na Terra e que os estranhos que cuidavam dela não eram "normais"... não pareciam exatamente humanos, mesmo que dissessem que eram. Desorientada, acreditando estar a um passo da loucura, ela os escuta afirmar que uma promessa estava se cumprindo. Que ela tinha sido escolhida para ser uma Testemunha. Do que, ninguém sabia exatamente. Mas toda vez que mergulhava no sono, Lilly era levada a um lugar que ela sempre acreditou ser um mito, uma fantasia como tantas outras. Ao Jardim do Éden. Ao encontro com um Deus no qual ela tinha aprendido a não acreditar. 

"O sofrimento é uma coisa estranha. Como a alegria, ele nos pega desprevenidos, totalmente de surpresa. Faz parte da vida, faz parte da natureza humana."

- Estaria realmente louca? Teriam os seus traumas destruído também a sua mente? Por mais que não fosse capaz de recordar quem era e sobretudo que tragédia a tinha levado até aquele lugar... sabia que as cenas que via não podiam ser outra coisa senão alucinações. Tudo era fantasia. Tinha que ser. 

Aos poucos, por mais que um lado seu ainda acreditasse que ela estava enlouquecendo e que possivelmente estava internada em algum hospício, Lilly começa a se deixar levar pelas coisas que testemunha... enxergando, pela primeira vez, um Deus do qual apenas tinha ouvido falar e que preferira acreditar que não existia. Porque, a outra opção... seria acreditar que Ele existia, mas que jamais se importara com o que acontecia com ela. 

"Quando voltou a falar, sua voz, que não passava de um sussurro, fraquejou ainda mais. - Por que... por que Deus não me protegeu?
 Eva deixou que a pergunta pairasse no ar. Aquela mesma pergunta era feita por um bilhão de outras vozes, em sepulturas, mesquitas, igrejas, escritórios, celas de prisão e becos escuros. Atrás dela, um rastro de fé abalada e corações destruídos. Aquela pergunta clamava por justiça e implorava por milagres que nunca vieram."

- O que estaria se passando com Lilly? Seria o Refúgio um lugar real? Seriam as medicações as responsáveis por aqueles sonhos tão estranhos e ao mesmo tempo reconfortantes? Fosse o que fosse...uma coisa era certa: a cura para sua alma só poderia vir de Deus. Só Ele seria capaz de cicatrizar seu coração e lhe devolver a vida. 

"Soluçava por perdas das quais nem se lembrava; por memórias e rostos que ela não conseguia identificar; por ser apenas uma menininha que não sabia onde era o seu lar e se sentia perdida; e porque tudo doía e ela não conseguia conter suas emoções."

- Acompanhar a história de Lilly não é uma tarefa fácil. É algo doloroso e que também mexe muito com as nossas crenças e a nossa noção de "realidade". Não é preciso apenas acreditar para poder seguir em frente com a leitura. É necessário também abrir a mente, ler sem pré-conceitos... Temos que mergulhar no livro, naquele mundo... por mais inacreditável que ele pareça ser. 

Confesso que eu fiquei bem perdida em vários momentos, tendo que ler algumas páginas mais de uma vez e franzindo a testa em certas cenas.rs Afinal, como uma música que eu adoro da Bruna Karla bem diz: "sou humano, não consigo ser perfeito". É muito complicado deixar de lado aquilo no que acredito e ver as coisas pelos olhos do autor e dos personagens do livro. Mas quando aprendemos a fazer isso, a leitura flui naturalmente e nos deixamos envolver completamente por aquele mundo. E não queremos que a história termine. 

"Ela olhou para os seus dedos, ainda entrelaçados aos de Eva, e sentiu uma vontade repentina de chorar. 
 - Não me abandone, por favor - pediu Lilly, a voz quase inaudível.
 - Nunca me afasto. - A expressão suave nos olhos de Eva tornou-se nublada de lágrimas. - Afinal, você é minha filha. Eu estou em você, assim como você está em mim."

- Para mim, este livro não é somente sobre a Criação, a queda de Adão e Eva e em como tudo poderia ter sido evitado. Quando terminei a leitura, pude entender que a história era muito mais sobre Lilly... sobre sua dor e sua morte. Assim como o protagonista de A Cabana, Lilly pedia aos gritos por socorro, suplicava por uma ajuda que ninguém no mundo seria capaz de lhe dar. Que ela só encontraria em Deus. Mas como? Como ser curada se não acreditava nessa cura? Se para ela, Deus não existia? 

"O livro certo, assim como a canção certa ou o amor certo, pode mudar todo o mundo de uma pessoa. E então iniciar uma reação em cadeia."

- Eu acredito muito no trecho acima. O livro certo pode até mesmo salvar uma vida. E quantas vezes você já escutou uma música que te fez chorar até você sentir como se tivesse sido lavado por dentro? Sem mencionar aquelas músicas que nos fazem sorrir e o dia ficar mais bonito. E o amor... está aí um sentimento capaz de fazer milagres. 

"Se essas coisas não fossem Deus em essência, tudo iria pelos ares. - Seus dedos rodopiaram no ar como um balão que tivesse escapado. - Tudo, até mesmo nós, desapareceria na não existência."

- Eu amei a história! E pude adivinhar o final.rs Como eu disse, li A Cabana. Já conheço o autor e não foi difícil perceber que o livro seguiria o mesmo caminho. Acho que nenhuma história dele conseguirá superar A Cabana em meu coração, mas com certeza Eva está entre os meus preferidos. :) Recomendo muito!!!! 

" - O Senhor me amaria... - começou a falar Adão depois de um longo silêncio -, mesmo que eu carregasse a escuridão dentro de mim?
  - Meu amor nunca será condicionado por nada, nem pela escuridão nem por qualquer coisa que possa haver em você - respondeu Adonai, apertando a mão do filho. - Eu sei quem você é de verdade.
  - Se eu lhe der as costas, o Senhor dará as costas a mim? 
  - Não, meu filho. Você nunca será abandonado ou renegado."

Eva - William P. Young (trechos que marcaram)



- Olá, gente!

Sei que ainda não fiz a resenha e a verdade é que nem sei se conseguirei fazer. Existem livros que significam tanto para nós que é muito difícil falar sobre eles. Quase impossível. 

Neste post pretendo partilhar todos os trechos que me marcaram em Eva. É claro que existe a possibilidade de conter spoilers, mas não creio que seria algo que revelaria muito sobre o livro. Porque não dá para conhecer esta história sem lê-la. 

" - O Senhor me amaria... - começou a falar Adão depois de um longo silêncio -, mesmo que eu carregasse a escuridão dentro de mim?
  - Meu amor nunca será condicionado por nada, nem pela escuridão nem por qualquer coisa que possa haver em você - respondeu Adonai, apertando a mão do filho. - Eu sei quem você é de verdade.
  - Se eu lhe der as costas, o Senhor dará as costas a mim? 
  - Não, meu filho. Você nunca será abandonado ou renegado."


"Ela conhecia a história, e não a conhecia."

"- Minha querida - retrucou Eva -, alguém por acaso é capaz de conhecer a si mesmo?"

"Era como se aquelas lágrimas fossem sua única linguagem, palavras líquidas e incoerentes."

"E pela primeira vez desde que sua limitada memória lhe permitia lembrar, Lilly sentiu esperança.
 Esperança pelo quê, não sabia dizer."

"O livro certo, assim como a canção certa ou o amor certo, pode mudar todo o mundo de uma pessoa. E então iniciar uma reação em cadeia."

" - Você disse que não se lembrava de ser uma grande leitora, mas eu acredito que toda pessoa é uma história e, portanto, uma contadora de histórias. O problema é que, como muitos temem fracassar, nem sequer tentam."

"Escrever é outra espécie de refúgio."

"Nossos medos mais profundos nos lembram de que perdemos algo fundamental e precioso."

"Quando o assunto é a mente, o coração e a alma, até mesmo o melhor bisturi tem suas limitações."

"Até mesmo uma pequena crise pode estilhaçar a alma humana."

"Soluçava por perdas das quais nem se lembrava por memórias e rostos que ela não conseguia identificar por ser apenas uma menininha que não sabia onde era o seu lar e se sentia perdida; e porque tudo doía e ela não conseguia conter suas emoções."

"- O que é a doença da sombra? - perguntou ela.
 - Você também pode chamá-la de "doença do coração" ou "doença da alma" - respondeu Anita. - Ela acontece quando alguém se afasta da confiança face a face e se deixa invadir pela escuridão da morte. Por causa de Adão, todos herdamos a doença da sombra em nossa mortalidade. Resistir a ela é uma guerra que todos travamos."

"Se essas coisas não fossem Deus em essência, tudo iria pelos ares. - Seus dedos rodopiaram no ar como um balão que tivesse escapado. - Tudo, até mesmo nós, desapareceria na não existência."

"Fico olhando para as ondas do mar... O ir e vir da maré é mais ou menos como a minha vontade de viver e morrer ao mesmo tempo."

"Durante alguns instantes, ficou olhando pela janela. O impulso de saltar no vazio era tentador. Será que Adonai apararia sua queda? Será que ele ao menos perceberia se ela caísse?"

"Em algum lugar no depósito da alma, todas as experiências são armazenadas. Embora o acesso às lembranças seja restrito, a história encontra maneiras de se fazer conhecer."


"Eu não passei por uma tragédia. Eu sou a tragédia!"

"Talvez eu precise que o gelo debaixo dos meus pés quebre para que eu possa cair e desaparecer. Oh, Deus, ainda que eu esteja totalmente maluca, Você viria me encontrar? Acho que quero mesmo ser encontrada, mas por Você, não apenas pelos outros."

"Quando voltou a falar, sua voz, que não passava de um sussurro, fraquejou ainda mais. - Por que... por que Deus não me protegeu?
 Eva deixou que a pergunta pairasse no ar. Aquela mesma pergunta era feita por um bilhão de outras vozes, em sepulturas, mesquitas, igrejas, escritórios, celas de prisão e becos escuros. Atrás dela, um rastro de fé abalada e corações destruídos. Aquela pergunta clamava por justiça e implorava por milagres que nunca vieram."

"Lilly é uma garotinha que morreu muito tempo atrás, uma menina fraca, quebrada e impotente que merece descansar em paz."

"O sofrimento é uma coisa estranha. Como a alegria, ele nos pega desprevenidos, totalmente de surpresa. Faz parte da vida, faz parte da natureza humana."

"Um dia, talvez, você também encontre uma maneira de me perdoar em seu coração."
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