27 de dezembro de 2012

Marcou setembro 2012:







Em setembro, li os seguintes livros:





- Desta vez não foi tão difícil escolher. :) Não que eu não tenha lido outros livros especiais em setembro (Um Gosto de Vida, A Montanha do Mackenzie e Marcados pela Paixão são ótimos), mas eu tenho um carinho especial por Um Gosto de Amor. Então, escolhê-lo foi fácil.rs...


"Os olhos dele estavam muito escuros, como se pudessem absorver a luz do salão. Nicole teve a estranha sensação de que poderia se perder naqueles olhos, o que demonstrava que ela já passara do estágio de estar faminta e começava a ter alucinações por causa da queda de açúcar no sangue.

- Você está segurando a minha mão.

Hawk deu um risinho torto.

- Isso é tudo o que eu posso fazer no meio de tanta gente, mas quando estivermos sozinhos as coisas vão esquentar."



- Só de lembrar do Hawk eu começo a suspirar aqui.kkkkk... Mas não é somente por ele que o livro é marcante (embora ele seja um pedaço de mau caminho que qualquer mulher gostaria de sequestrar e levar para uma ilha deserta. E eu não sou a exceção.rsrs...). Esta história se tornou especial pela Nicole, pelo adolescente que entra na confeitaria dela para roubar uns doces, pois era seu dia de levar doces para o treino e ele não tinha dinheiro e não queria passar vergonha na frente dos colegas, também é marcante por algumas cenas entre Nicole e Jesse (sim. A irmã que foi pega na cama com o marido da nossa mocinha) e por vários momentos lindos, engraçados e até emocionantes. Nicole é a mocinha durona, mandona e de palavras afiadas que faz parte da trilogia As Irmãs Keyes. Ela consegue ser muito cruel quando quer. E como! Tem coisas que ela diz que magoam até mesmo a mim, mas ela acabou por se tornar a irmã Keyes mais querida por mim. :) Eu acompanhei pensamentos e atitudes da Nicole desde o primeiro livro e sabia que ela não era a bruxa que tentava ser. Era apenas uma mulher ferida. Ferida pelas atitudes dos pais, que esqueceram que ela era apenas uma criança e jogaram nas suas costas responsabilidades que ela não deveria ter (cuidar da confeitaria, da casa e da irmã bebê). Ferida porque Claire, sua irmã gêmea e melhor amiga, foi arrancada de perto dela e levada para bem longe. Ferida porque nunca teve chances para viver realmente por si mesma, pois sempre tinha responsabilidades demais e sempre precisava pensar nos outros. Ferida pela traição do marido. Pela traição da irmã que ela criou. Ferida porque Claire estava grávida, tinha um marido que a amava, enquanto ela... Nicole... não tinha ninguém. Não que ela não desejasse a felicidade de Claire. Só que também queria ser feliz e achava que jamais seria. Nicole tocou meu coração e eu torci demais para ela ser feliz. E ela é. :D Ela encontra o Hawk e seu mundo muda de forma deliciosa... e quente.kkkk... Mas é claro que ela não deixa de ser uma chata.rsrs... Uma chata que nós amamos muito. :D


"O coração de Nicole saltava no peito.

- Então você concorda?

- Sim. Quando você vai passar a ser a minha... como você disse? Oh, sim. Quando vai se tornar minha gata sexy particular?

O alívio tinha um gosto doce. E foi imediatamente seguido por uma antecipação sexual e por um calor entre as pernas de Nicole.

- Quando você quiser.

- Posso estar em sua casa em vinte minutos - ele falou.

- Estarei esperando.

- Pode esperar nua?

- Se for importante para você...

- É."


- É uma história deliciosa, suave (embora tenha alguns momentos que me deram vontade de chorar) e muito fofa. E o Hawk torna esse livro o mais quente da trilogia.rsrs... Ele não tem um pingo de vergonha na cara. E a Nicole adora isso, é claro!rsrs... Ele foi feito especialmente para ela. :) Amo essa história e não poderia deixar de escolhê-la! 


Bjs e até breve!


P.S.: Nenhum livro que tenha marcado de modo negativo?! Desta vez, não.kkkkk... 

24 de dezembro de 2012

Pedido de Natal - Anne Gracie [Maratona de Banca 2012 - Dezembro]


(Título Original: Gifts of the Season
Editora: Nova Cultural)


Em Dezembro: Natal



O mundo de Ellie se resume à filha que tem. Viúva, pobre e vivendo em um chalé isolado, ela sabe que o futuro não pode ser muito diferente do que o presente. Porém quando o inverno chega, traz consigo um desconhecido que sofreu um grave acidente e perdeu a memória.

Ellie o recolhe em sua casa, e a cada dia que passa começa a achar a presença dele mais e mais reconfortante. E não é só: aquele estranho sem nome começa a entrar devagar em seu coração, fazendo-a ver que a lenha que queima na lareira pode aquecer bem menos do que um coração apaixonado!




Palavras de uma leitora...




— Minha vela do desejo ainda está queimando, mamãe?
Ellie beijou a filha pequena com ternura.
— Sim, querida. Ela ainda não chegou ao fim. Agora, deixe de preocupar-se tanto e tente dormir. A vela está lá embaixo, na janela, no lugar onde você a deixou.
— Brilhando na escuridão para que papai a veja e saiba onde nós estamos.
Ellie hesitou. Quando respondeu, sua voz era rouca.
— Sim, querida. Papai saberá que estamos aqui, seguras e protegidas do frio.
Amy encolheu-se sob os cobertores gastos e a desbotada colcha de retalho que as cobriam.
— E quando o novo dia chegar, ele estará aqui para o café da manhã.
Um nó se formou na garanta de Ellie.
— Não, querida. Papai não vai estar aqui. Você sabe disso.
— Mas amanhã é meu aniversário e você disse que papai viria.
Lágrimas queimavam os olhos de Ellie. Comovida, ela acariciou o rosto encantador e suave da filha.
— Não, querida, eu disse isso no ano passado, e você sabe por que papai não veio naquela ocasião.
Houve um longo período de silêncio.
— Porque no ano passado eu não coloquei uma vela na janela?
A reação de Ellie foi de verdadeiro horror.
— Oh, não! Não, minha querida, juro que você não tem nenhuma responsabilidade no que aconteceu.— Ela tomou a menina nos braços e abraçou-a por um longo momento, afagando seus caracóis sedosos, esperando até que o nó em sua garganta se desfizesse e ela fosse capaz de falar mais uma vez.— Meu bem, seu papai morreu, por isso ele nunca voltou para casa.
— Porque ele não conseguia encontrar o caminho, porque não acendi uma vela na janela para ajudá-lo.



- Esta história me prendeu desde a primeira página quando a pequena Amy, aquele anjinho de apenas quatro anos, falou para a mãe as coisas que coloquei acima. Eu senti um nó na minha garganta e uma vontade de proteger aquela menina de tamanha ilusão, mas no fundo eu já imaginava que o mocinho da história apareceria justamente no aniversário daquela menina, como um presente, como se aquela vela vermelha que Amy acendeu fosse realmente especial... pudesse fazer milagres. Não acredito que a vela tenha feito algo. Mas a fé daquele anjinho, sim. Quem se negaria a atender um pedido tão especial?! Tudo que ela queria era um pai. Não pedia mais nada. É impossível não se emocionar com isso. 


- Tarde daquela noite, quando Amy já estava na cama, um desconhecido bateu na porta da casa de Ellie, mãe da menina. Ele batia de forma desesperada e Ellie não sabia se deveria ou não atender a porta. Morava num lugar um tanto quanto perigoso e não era recomendável uma mulher sozinha, com uma criança pequena em casa, atender a porta uma hora daquelas. Mas o estranho pediu por socorro, deixando-a cada vez mais nervosa. Seria um truque? Uma forma de fazê-la atender a porta para depois fazer mal para ela e sua filha? Ou aquele desconhecido realmente precisava de ajuda? Antes que Ellie pudesse decidir se abria ou não a porta, um barulho se fez escutar do lado de fora... como se algo tivesse caído. E Ellie tomou sua decisão. Abriu a porta... encontrando um homem ferido e desacordado caído no chão. Sem pensar nas consequências ela o colocou para dentro de casa, sabendo que seria desumano deixar alguém ferido do lado de fora naquele tempo, para morrer de frio ou infecção. E essa simples atitude de amor pelo próximo, mudou toda sua vida. Para melhor, é claro. Muito melhor. Não eram só os sonhos de Amy que estavam prestes a se realizar... mas também os mais profundos desejos do coração de Ellie. Aquele aniversário seria diferente... e o Natal que se aproximava também. Porque milagres... definitivamente acontecem.


- Não é permitido falar muito desta história.rsrs... Ela é tão curtinha, gente, que é possível lê-la em pouquíssimas horas. Se você não estiver fazendo mais nada enquanto lê o livro, é possível até mesmo terminar a leitura em uma hora. É muito curtinha... porém, uma das histórias mais doces e fofas que já li. Aquele livro que acaba por nos lembrar dos contos de fadas que líamos em nossa infância. É um livrinho simples e mágico. Encantador. Me peguei várias vezes suspirando e dando gargalhadas aqui. Foram ótimos os momentos que passei com esse livro. 



— Cubra-se!—  Exigiu ultrajada.
Ouviu um ruído de tecido e virou-se para encará-lo e sentiu que o rosto era tingido por um novo rubor. Ele havia encontrado uma de suas meias e a colocara sobre a parte de seu corpo, justamente a parte que mais a chocara. O restante continuava exposto. Tentou não notar a beleza dos músculos bem definidos e das curvas firmes, mas era difícil ignorar tão perfeita beleza.
Os olhos azuis brilhavam maliciosos e provocantes.
— Assim está melhor, amor?



- Atrevido, verdade?!kkkkk... Um sedutor! Esse mocinho sem nome me divertiu muito aqui. Ele tinha perdido a memória ao ser tão cruelmente ferido na cabeça e quando acordou, acreditou que Ellie fosse sua esposa. Porque a menina, a Amy, não parava de chamá-lo de "papai" e a criança tinha os olhos da mesma cor que os dele. Ele acabou por acreditar que ela era realmente filha dele, embora estivesse um pouco nervoso por não conseguir se lembrar de nada. Quando acorda com a Ellie em seus braços (pois só tinha uma cama naquela casa para adultos e fazia muito frio. Ela não teve outra opção senão dormir na mesma cama que ele... e sabe como é quando dormimos... ela não foi parar nos braços dele de propósito.rsrs...) ele decide acariciá-la para minha completa diversão.kkkkkk... A Ellie aproveita bastante, antes de finalmente acordar, mas depois que percebe o que está acontecendo e que não está de modo algum sonhando, ela quase tem um ataque. Ela desperta pouco antes deles fazerem amor. É uma cena sensual e divertida. Eu adorei! :)


- Uma coisa que me fazia suspirar aqui era ver o mocinho sem nome chamá-la de "amor" (suspiros...). Mesmo depois dela explicar que eles não eram casados e como ele tinha aparecido em sua vida, ele continuou chamando-a de amor.rsrs... E era tão lindo vê-lo fazendo isso. Ele a adorou quase à primeira vista. Para falar a verdade, ele a adorou à primeira vista. Para ele, ela era um anjo, a mulher com quem ele se sentia bem, que parecia se importar com ele e o fazia desejar ter uma família. E ele estava disposto a fazê-la dele assim que recuperasse a memória. Porém... que segredos o retorno da memória dele poderia revelar? Será que depois que sua memória retornasse eles poderiam mesmo ficar juntos? Ou aquele conto de fadas chegaria ao fim?!


- Não posso falar mais, gente! Se fizer isso acabarei contando a história inteira.kkkkkk... Por isso, paro por aqui. Só o que ainda posso dizer é que esses três formam uma família linda, encantadora. Amy é um anjo e Ellie uma guerreira, uma mãe que fazia o possível para preservar a infância da filha e manter a menina segura e alimentada. Elas não tinham quase nada e ainda assim ela dividiu o pouco que tinha com um desconhecido. E o mocinho sem nome é simplesmente encantador. Não dá para não se apaixonar por ele. Impossível!rsrs... Ah! E também me encantava a forma como ele a via como sua Ellie, sua mulher... mesmo sabendo que não era marido dela. Ele simplesmente já a considerava dele. É lindo, gente!


- Esta história foi uma indicação da minha querida amiga, Carlita! Muito obrigada, flor! Eu simplesmente amei esta história! Ela é doce e muito linda. Uma ótima história para se ler perto do Natal. :)


- Pedido de Natal foi minha escolha para o tema de dezembro da Maratona de Banca 2012. Para conhecer as resenhas dos outros participantes, basta clicar AQUI.



Um Feliz Natal para todos os leitores apaixonados por livros! Seja de romance ou qualquer outra coisa. E para você que apenas está passando pelo blog e sequer gosta de ler, eu também desejo um lindo e Feliz Natal! Que o Natal de todos vocês seja melhor do que os dos anos anteriores. Que seja abençoado, cheio de amor, paz, saúde, felicidade, união e tudo de bom! Lembre-se sempre de agradecer ao aniversariante por seu amor e proteção. E lembre-se também que o mais importante nesta vida não são as coisas materiais e sim as pessoas que amamos e os momentos que passamos ao lado delas. Até quem não acredita no amor, sabe no fundo que é impossível viver sem ter alguém que o ame, sem ter alguém para amar. Seja um filho, um companheiro, mãe, pai, irmãos, gatinho, cachorros... o que seja. No fundo, isso é o mais importante. Amar e ser amado. Que não falte amor para ninguém neste Natal e no ano que em breve se iniciará! Que Deus esteja sempre com vocês! :)



Bjs e até breve!


22 de dezembro de 2012

Fogo Secreto - Johanna Lindsey


(Título Original: Secret Fire)



Na fúria do desejo... eles descobriram o glorioso êxtase do amor.

Ainda que só a tivesse visto rapidamente através da janela de sua carruagem, o jovem príncipe sabia que deveria fazê-la sua...

Poucos minutos depois, lady Katherine Saint John era sequestrada numa rua de Londres como uma prostituta e levada para uma luxuosa mansão... para o prazer de seu admirador.

Porém, o que o príncipe Dimitri encontrou em sua cama foi uma tigresa cativa... consumida por uma ira feroz  pelo "bárbaro" russo que a tinha sequestrado... porém a quem, ao mesmo tempo, desejava com uma ânsia alheia a sua compreensão.




Palavras de uma leitora....



"— É teimosa, porém isso não muda nada. Você ficará... - Levantou uma mão ao ver que ela abria a boca. — Não te recomendo gritar. Do outro lado da porta estão dois guardas que virão de imediato fazê-la calar. Isso seria muito incômodo para você, além de desnecessário. Te darei algumas horas para que volte a pensar no assunto."


- Ele é gentil, verdade? Um "amor"! E esse não é o Dimitri, não. É o pau mandado dele, aquele que faz sempre o que ele quer, independente do fato disso vir a prejudicar alguém. Se o Dimitri ordenasse que ele espancasse uma mulher até a morte, ele sequer pensaria duas vezes. Sem dúvidas, um querido. 

- Ainda não sei bem o que dizer sobre essa história. Ultimamente, a paciência tem estado longe de mim e não creio que a compreensão esteja por perto. Não me sinto nem um pouco compreensiva. E muito menos sinto necessidade de ser. Dimitri não merece.rsrs... Na verdade, ele merece algo bem diferente... 


"— Já disse. Vá e busca outra mulher. 

Vladimir contemplou sombrio seu copo vazio e voltou a enchê-lo. 

— Não posso. Não me disse: "Quero uma mulher esta noite. Traga-me." Apontou para ela e disse: "Essa. Consiga-a." E ela nem sequer é bela, Marusia, salvo por seus olhos. Poderia conseguir-lhe dez ou doze mulheres mais a seu gosto antes desta noite. Ele quer esta. Deve tê-la. 

— Deve estar apaixonada — disse Marusia, pensativa — Essa é a única razão pela qual uma mulher de classe baixa recusaria tal honra. Não existe camponesa na Rússia...

— Isto aqui é Inglaterra. — recordou-lhe  — Talvez aqui pensem de outra maneira.

— Já estivemos aqui antes, Vladimir. Nunca tiveste tal problema. Te digo que ela está apaixonada por alguém. Porém existem drogas que podem fazê-la esquecer, turvar sua memória, torná-la mais disposta...

— Ele acreditará que ela está bêbada — replicou severamente Vladimir. — Isso não lhe agradará de modo algum.

— Ao menos a terá."



- Vocês não entenderam errado. Realmente uma mulher sugeriu que outra mulher fosse drogada, para que um homem a usasse como quisesse e não necessitasse gastar energias desnecessárias, sabe? Imagina quanto tempo o Dimitri gastaria lutando contra a Katherine! Pois se não estivesse drogada, ela lutaria até o último instante e isso não era conveniente. Tudo que o Dimitri queria era uma noite de sexo com a mulher que ele escolheu, independente da vontade da mulher em questão. Por isso o melhor a fazer era drogá-la. E a sugestão veio de outra mulher. O mundo realmente está perdido. Por mim, Dimitri, Marusia, Vladimir, Sonia e mais alguns, podem queimar no quinto dos infernos. São um bando de filhos da pontualidade. Não. Nem isso! São filhos de uma chocadeira!!! Vocês não fazem ideia do quanto eu estou furiosa aqui. E acreditam que eu li resenhas nas quais as pessoas mencionavam que esse livro lembra um conto de fadas??????!!! Então eu nunca li um conto de fadas na minha vida, pois não achei nada parecido com um conto de fadas. Se isso é um conto de fadas... eu li outro tipo de coisa em minha infância.rsrs...



Um pequeno resumo:


Ano de 1844. Século XIX.

Lady Katherine Saint John estava fazendo o que fazia sempre: protegendo os seus. Ou ao menos acreditava que estava fazendo isso. Desde a morte da mãe que ela assumia o papel de senhora da casa e mãe dos irmãos e até mesmo do pai. Tudo estava sempre nas costas dela. E daquela vez não foi diferente. Ela bem que gostaria de fechar os olhos para o que sabia que iria acontecer... Mas não podia. Era sua irmã e era seu dever protegê-la, zelar por seu futuro. Não podia simplesmente deixá-la estragar toda sua vida por causa de um sentimento tão estúpido como o amor. E foi pensando nisso que Katherine pegou emprestada as roupas de sua criada e seguiu Elizabeth, sua irmã caçula, que pretendia fugir com o homem por quem estava apaixonada, jogando toda sua reputação e herança no lixo.

Katherine poderia simplesmente impedir a irmã de sair de casa, mas ela sabia que outras oportunidades surgiriam e Elizabeth acabaria por conseguir escapar. O que ela necessitava era seguir a irmã para ter provas do que ela pretendia fazer e assim, com a consciência tranquila, poder trancá-la numa casa no campo até que arranjasse um marido adequado para ela ou Elizabeth recuperasse o juízo. 


O príncipe Dimitri Petrovich Alexandrov estava furioso. Logo agora que ele finalmente tinha decidido se casar e estava cortejando sua escolhida, sua irmã resolveu provocar um escândalo terrível na Inglaterra, forçando-o a sair da Rússia e ir buscá-la, antes que ela envergonhasse ainda mais a avó materna de ambos. Será que Anastasia não podia ser mais discreta? Por que não agia como ele? Mas não. Teve que ser estúpida o suficiente para ser pega enquanto transava com o marido de uma lady inglesa. Foi um verdadeiro escândalo e agora ele tinha que adiar seus planos para resolver seus problemas.


Dimitri, graças às indiscrições de sua irmã, é obrigado a sair da Rússia para buscá-la e assim, seu caminho acaba cruzando com o de Katherine, que seguia a irmã vestida como uma criada. O desejo sexual é imediato e Dimitri sequer pensa nas consequências ao ordenar que seu criado de confiança consiga para ele exatamente aquela jovem. Independente do preço a ser pago por esse prazer. Ele a queria e não aceitava um não como resposta. E Vladimir, o criado de Dimitri, seguiu ao pé da letra a sua ordem. Conseguiu a jovem. Sequestrando-a. E drogando-a, quando ela se recusou a servir de objeto sexual para o príncipe. 

Aproveitando-se do efeito da droga, Dimitri usa Katherine até que ela, esgotada, adormece. E na manhã seguinte usando de desculpas estúpidas ele a leva para a Rússia, disposto a mantê-la ao seu lado até que seu desejo por ela acabe. 

Só que as coisas nem sempre podem ser como a gente quer. E Katherine não toma conta somente da mente  de Dimitri e o faz desejá-la cada vez mais. Ela também invade seu coração, fazendo-o amaldiçoar o dia em que a conheceu.

Pena que isso não tenha sido exatamente um castigo...


"Vladimir sentiu uma momentânea pitada de piedade. Ela tinha sido verdadeiramente usada. Na habitação fechada, o odor das atividades da noite anterior era nauseante. Por certo, isso era o primeiro a se fazer: deixar que entrasse um pouco de ar puro.

Empurrando, afastou da janela o pesado guarda-roupa, respirando com dificuldade por causa do esforço; logo recebeu com agrado a brisa do amanhecer que entrou pela janela. 

— Obrigada, Vladimir - disse o príncipe, às suas costas.

—Meu senhor! — exclamou Vladimir, voltando-se rapidamente. — Me desculpe. Eu só ia despertá-la e...

— Não faça isso.

— Mas...

— Deixe-a dormir. Ela precisa. E eu desejo ver como ela é quando está em seu perfeito juízo.

— Não... Não o recomendo. — respondeu Vladimir, vacilante. — Não é uma jovem muito agradável.

— Não é? Bem, isso me parece impressionante, considerando o quanto ela foi agradável durante toda a noite. Para dizer a verdade não consigo recordar a última vez que desfrutei tanto."



- Está aí mais um trecho que muito me emociona.rsrs... Dimitri é um mocinho tão cheio de dignidade, tão honrado, que mesmo sabendo que a menina está drogada e que NÃO queria transar com ele, se aproveita completamente da situação. E achando tudo maravilhoso ainda por cima! Ele não a usou uma só vez. Foram várias. E ainda se sentiu incomodado quando Katherine finalmente adormeceu. Na manhã seguinte, ainda achou um absurdo ela não aceitar o valor generoso que ele lhe oferecia pela noite maravilhosa que passou ao seu lado e a considerou uma jovem antipática por ela reclamar tanto e jurar que faria com que seu servo pagasse pelo que tinha lhe feito. O que eu faço com um mocinho desses? Mato, verdade? Mas nem isso seria suficiente. A morte seria um castigo piedoso demais. Ah, não! O Dimitri merecia algo um tanto mais... satisfatório para mim. 


"— Sabia que ela era virgem, Vladimir?

— Não, meu senhor. Teve importância?

— Acredito que para ela, sim. Quanto ia pagá-la? 

Tendo em quanta essa nova informação, Vladimir duplicou o valor que tinha em mente.

— Cem libras inglesas.

Dimitri o olhou de lado.

— Que seja mil... não, duas mil. Quero que ela possa gastar em algumas roupas elegantes."


- Claro... Com dinheiro sempre se resolve tudo, não é? Eu bem que poderia dizer o que ele deveria fazer com esse dinheiro...


- Quando Katherine acorda, na manhã seguinte, e se lembra do que aconteceu, fica furiosa, desejando que Dimitri desapareça de sua frente o mais rápido possível. Ela não está com nenhuma vontade de ser compreensiva e antes que ele a deixe só, jura que fará o servo dele pagar pelo que tinha feito. Como Dimitri estava buscando uma desculpa para mantê-la com ele por mais algum tempo, ao ouvi-la, não pode ficar mais feliz. Era a desculpa perfeita! Como o imperador da Rússia estava prestes a visitar a Inglaterra e um escândalo envolvendo russos não seria bem-vindo, ele precisava afastar a Katherine daquele lugar. Sendo assim, ele ordenou ao Vladimir que a levasse para o barco, pois ela viajaria com eles, evitando assim problemas desnecessários. E Vladimir quase mata a garota. Mais uma vez, seguindo as ordens de Dimitri.

Ele a coloca dentro de um baú e não faz furos na droga do baú, deixando a mocinha ali dentro por tempo quase suficiente para matá-la. Quando ele finalmente se lembra da garota, ela já está desmaiada e quase morta. E o que Dimitri faz com o servo por quase matar uma jovem que teve a infelicidade de ser vista e desejada pelo maravilhoso príncipe???!!! Nada!!!!!!!! Ele não faz absolutamente nada contra a peste do Vladimir. Afinal de contas, Katherine não passava de uma criada (segundo a opinião dele) e Vladimir não tinha feito de propósito. 


- Eu poderia colocar mais trechos aqui e contar toda a história, mas não estou com paciência para isso. Não me agrada falar dessa história e as coisas que eu gostaria de dizer, não seriam educadas, sabe? rsrs... Existem tantos nomes que eu gostaria de usar contra o Dimitri, tantas palavras interessantes... Mas não. Minha educação não permite que eu faça isso aqui.kkkkkk... Por isso, tenho que me contentar em falar somente algumas coisas.

- Para começar, o Dimitri não me agradou desde o primeiro instante. Ele é lindo, tem um sorriso de abalar corações e um charme capaz de deixar as mulheres de pernas bambas, mas também existia algo nele que não me agradava. Talvez fosse o fato de eu já saber que espécie de traste ele era, mas não aposto muito nisso, não. Simplesmente creio que deve ter sido o modo como ele viu as atitudes da Anastasia ou o fato dele pouco se importar pelo fato da Katherine ter sido drogada. Ele a usou de forma tão descarada, sabendo o que tinha sido feito com ela e somente incomodado por achar que não conseguiria dar conta e teria que chamar seus homens para continuar de onde ele tivesse parado, que eu senti muito nojo dele. Literalmente. Deus! Será que eu tenho algum problema por achar um absurdo o que tinham feito? Porque era impressionante que ninguém nessa merda de história enxergava o tamanho do crime que tinha sido cometido contra a Katherine. Eles achavam tudo normal e que ela não tinha sofrido nenhum dano. Como que não tinha sofrido dano? Eles sequer sabiam se ela era casada, se estava apaixonada por alguém e mesmo esse não sendo o caso, ela simplesmente não queria. Será que ninguém ali conhece o significado da palavra "não"?! São imbecis? Inferno, eles não levaram em conta que a droga do corpo era dela e que ninguém tinha o direito de possuí-lo contra a vontade dela!!!!!!!!! E eu achei uma piada o fato deles sequer considerar aquilo um estupro. E o que era se não fosse um estupro????!!! Ela não cedeu, droga! A droga é que a controlou, que a fez perder o controle e deixar de pensar. E foi exatamente por ela não ceder que eles a drogaram, pois o príncipe a queria e iria tê-la por bem... ou por mal. A Katherine não queria aquilo. Se não estivesse drogada, ela lutaria até cansar, então foi um estupro. Ninguém me convence do contrário.


- Foram tantas as coisas que o Dimitri fez contra a Katherine que eu já não sabia mais que nome usar contra ele. Peste, filho da p..., praga dos infernos, filho do cão, filho de chocadeira, maldito desgraçado, traste, lixo, canalha... entre alguns outros que não posso citar aqui... já não eram suficientes. Eu necessitava de mais palavras para ficar satisfeita e não encontrar mais palavras só me deixou mais irritada. Foram muitas as vezes nas quais o mandei para o inferno, de onde ele sequer deveria ter saído. E foram muitas as maneiras que eu imaginei de matá-lo.kkkk... Só que não seria algo rápido, sabe? Não. Não estou tão boazinha assim. Ele teria que sofrer os tormentos do inferno antes de finalmente voltar para lá. E acho que ainda assim eu não ficaria satisfeita.

- Essa praga achava que o mundo, o Sol e as pessoas tinham que girar ao seu redor. Que suas vontades tinham que ser sempre satisfeitas, senão ele se tornava intratável e todos tinham medo sequer de se aproximar dele. Parecia, como a Moniquita disse, uma criança mimada que faz birra quando os pais não fazem o que ele quer. Numa criança eu perdoo isso. Claro que incomoda, mas eu adoro crianças e acho que isso até faz parte. Mas o Dimitri já tinha deixado de ser criança fazia tempo e seus pensamentos não eram nada infantis, suas atitudes eram dignas de um psicopata, e seus ataques de mau gênio simplesmente me irritavam além da conta. Será que ele não enxergava o quanto era ridículo e insuportável? De belo, só tinha a cara e o corpo, no resto simplesmente deixava a desejar. Qualquer mulher que o quisesse, seria somente por sua beleza física e seu desempenho na cama. Ele não tinha verdadeiras qualidades. 


- Uma coisa que achei simplesmente absurda, foi a própria Katherine passar a ver as coisas de forma estúpida. Obra da autora, é claro! Afinal de contas, "isso" é um romance.kkkkkkk... A ideia é que nos apaixonemos pelo casal e que vejamos beleza em tudo, que vejamos tudo como algo muito romântico (sim. Uma piada.kkkkkk...) e que o Dimitri seja o príncipe com o qual qualquer mulher sonharia. Quando a Katherine passou a se achar uma tonta por continuar lutando contra a vontade do Dimitri e colocou na cabeça que qualquer mulher no lugar dela se sentiria honrada por ter aquele Adônis atraído por ela, e que cederia sem pensar duas vezes... eu não sabia se ria, chorava ou atacava minha cabeça contra a parede.kkkkkkkkkkk.... Eu não posso com algo assim, gente! Deus do céu! A questão toda era a beleza dele? Quer dizer que um homem belo e rico pode tudo e deve ser perdoado por atitudes como essa? Se ele fosse feio e pobre aí sim deveria ser condenado?! É o que eu acabo por pensar. Só seria crime se ele fosse feio, ele sendo belo, não é crime algum. Definitivamente... eu não posso com algo assim.rsrs...


- Katherine é uma mocinha complicada. Também não gostei dela no início. A achei muito intrometida e fria e tudo que eu desejava era que ela tomasse conta da sua maldita vida e deixasse a irmã em paz. Ela não acreditava no amor e por isso estava disposta a livrar a irmã de cometer um terrível erro, já que o cara por quem ela estava apaixonada não tinha dinheiro. Tinha perdido toda sua fortuna e estava endividado. O importante para a Katherine era que a irmã fizesse um casamento "adequado" independente do fato de amar ou não o marido. O amor era algo para idiotas e o importante era somente a posição social e fazer o que era adequado, esperado de uma dama. Para mim, uma coisa é uma pessoa não acreditar em algo, outra bem diferente é ela querer que os outros vejam como certo somente o que ela quer e é ainda pior, ela tentar estragar a felicidade da irmã. Eu sei que a intenção dela não era fazer a irmã infeliz, ela somente queria que a irmã fizesse a vontade dela. Ironicamente, a vontade do Dimitri também não era fazê-la infeliz... tudo que ele queria era que ela fizesse a vontade dele. Muito interessante isso.rsrs... Não estou dizendo que achei justo o que aconteceu com ela (se achasse o livro receberia cinco estrelas e entraria para a lista dos preferidos), mas a questão é que os dois são parecidos. Tudo tem que ser como eles querem, senão eles lutam por aquilo e dane-se a vontade dos outros. No fundo, eles formam um lindo par!kkkkk... Se merecem totalmente. 

Mas não vi somente coisas negativas na Katherine. Eu adorei seu orgulho e sua coragem. Ela passou por tantas coisas de cabeça erguida e foi tão forte que não pude deixar de admirá-la. Ela me lembrou a Sheila (de A Carícia do Vento) e a Gelina (de A Conquistadora) em alguns momentos. E isso só complicou a situação do Dimitri. O meu ódio por ele só aumentou depois que algumas atitudes da Katherine me fizeram lembrar dessas mocinhas que tanto amo. Se eu já desejava acabar com ele de forma lenta e dolorosa, depois disso esse desejo só aumentou. 

Katherine me fez admirá-la todas as vezes que lutou contra o Dimitri e manteve seu orgulho. Todas as vezes que ela suportou situações humilhantes sem se deixar abater. Ela era pura força, pura coragem e eu gostei muito disso nela. Infelizmente, ela não fez com que eu a amasse, mas sempre que me lembrar dela, lembrarei de sua coragem e seu orgulho. Quanto ao Dimitri... sempre que me lembrar dele, meu dia ficará péssimo.rsrs...


- Bem... Não desejo falar mais nada. E claro, não recomendo a história. Nem se estivesse louca faria isso!kkkkkk.... Para mim, não foi um prazer ler essa "coisa", essa porcaria. Continuo admirando a Johanna Lindsey por sua escrita que sempre me envolve, por seu jeito de escrever a história que simplesmente nos impede de abandonar o livro, por mais ódio que a gente sinta pelo mocinho e pelos romances belíssimos dela que já li, embora tenha passado raiva até mesmo com eles.rsrs... Não será por causa desse livro que deixarei de admirar a autora e que ela deixará de ser uma das minhas autoras queridas. Mas que eu quero distância dos livros dela por um tempo, isso eu quero!kkkkkk... 


- Ah! Uma coisa que não deixarei de dizer, é claro: o livro é digno de uma estrela no skoob = ruim. Se eu fosse levar em conta a escrita da autora, o livro receberia cinco estrelas. E vocês acham isso justo? Acham que o Dimitri merece que o livro dele receba cinco estrelas somente porque admiro o jeito de escrever da autora? É óbvio que não! Isso seria muito injusto, sendo assim eu jamais poderia dar mais de uma estrela para essa história. E ele só recebe uma estrela porque isso significa que a história é ruim!kkkk... Se não fosse por isso, nem uma estrela ele receberia. E... o livro ainda ganhou dois prêmios! :D Passagens só de ida para as listas de: romances que odiei e os piores romances que li. Um ótimo prêmio, verdade? Maravilhoso!kkkkkk...


- Essa história foi uma indicação da minha amiga Moniquita. Calma!!!!! Ela não me enganou!kkkkkk... Ela deixou bem claro que eu odiaria a história. Mas ela queria muito saber minha opinião pela história e depois de uma eternidade, eu finalmente criei coragem (não sei se esse deveria ser exatamente o nome. Acho que "finalmente perdi o juízo" ficaria melhor.rsrsrs...) para ler essa história. 


Gostariam de saber a opinião da Moniquita sobre o livro? Basta ler a resenha dela, clicando AQUI. :)



Querem uma ótima notícia?!kkkkk.... O livro faz parte de uma série! Realmente uma delícia de notícia!rsrs... Só que a série não é exatamente uma série. Apenas todas abordam o mesmo tema: mocinhos que sequestram mocinhas e a tornam suas escravas particulares. Existe um grupo que traduz os livros (já que nenhum deles foi até hoje publicado aqui no Brasil) e já existem cinco livros traduzidos pelos fãs. Para encontrá-los, basta que vocês procurem no Google. :) É fácil de encontrar.

O nome dos livros já traduzidos:

1- Assim Fala o Coração (já resenhado no blog)
2- A Noiva em Cativeiro (já resenhado no blog)
3- Escrava do Desejo
4- Fogo Secreto (link para a resenha da Moniquita)
5- O Amor do Pirata (já resenhado no blog)


Bjs!



14 de dezembro de 2012

Resenha da Carla: Palmeiras na Neve - Luz Gabás


(Título Original: Palmeras en la Nieve)


Estamos no ano de 1953 e Kilian abandona a neve da montanha para iniciar com o seu irmão Jacobo, uma viagem apenas de ida para uma terra desconhecida, longínqua e exótica. Nas entranhas deste exuberante e sedutor território, espera-os o seu Pai, um veterano que trabalha na fazenda de Sampaka, o lugar onde se cultiva e tosta um dos melhores cacaus do mundo.

Nessa terra eternamente verde, cálida e voluptuosa, os jovens irmãos descobrem os encantos de uma vida social na colónia em contraste à vida monótona e cinzenta que se vivia na Espanha dos anos cinquenta. Trabalham o cacau com afinco e esforço para conseguir as melhores colheitas, conhecem o significado da amizade, da paixão, do amor e do ódio. Mas um deles irá cruzar uma linha proibida e invisível ao apaixonar-se perdidamente por uma nativa. Esse amor pulsante e urgente, marcado pelas circunstâncias históricas, irá mudar para sempre o rumo das suas vidas e será a origem de um segredo que marcará as suas vidas até ao tempo presente.

No ano de 2003, Clarence, filha e sobrinha desses dois irmãos é levada pela curiosidade de conhecer a suas origens e fica envolvida num ruidoso passado de Kilian e Jacobo onde descobre a podridão desse segredo que finalmente será revelado.






Resenha:


Amor com aroma de cacau.

Uma esplêndida reconstrução da época colonial espanhola!


"(…) não sei como nem quando, e do resto de África nada sei, mas chegará um dia em que esta pequena ilha se vai apoderar de ti e não quererás abandoná-la. Talvez seja pela incrível capacidade de adaptação que os homens têm. Ou talvez haja algo de misterioso nesta terra. (…) não conheço ninguém que se tenha ido embora sem derramar lágrimas de desconsolo." 


Por volta de meados do século XX a Guiné viveu os seus momentos mais prósperos enquanto produtora de cacau, café e madeiras tropicais. Como consequência disso foram muitos os espanhóis que foram trabalhar lá em busca de uma melhor situação econômica. É o caso de 3 homens: Antón e os seus filhos Jacobo e Kilian, que deixam o frio e a neve de Pasolobino, nos Pirenéus espanhóis, e vão trabalhar como capatazes na quente e tão diferente fazenda de Sampaka, uma plantação de cacau, na ilha de Fernando Pó (atual Bioko). Dois irmãos não podiam ser mais diferentes. Kilian é sensível, humano e após algum tempo de adaptação se apaixona irremediavelmente pela África e pelo seu povo. Ali ele vai fazer amizades verdadeiras e vai conhecer pela primeira vez o amor: um amor proibido e sofrido que ficará tatuado nele para sempre, indiferente à cor da pele, às diferenças sociais, à distância e ao tempo. Jacobo é preconceituoso, racista até e promíscuo. Apesar de não me identificar em momento algum com as suas atitudes e postura de vida reconheci-lhe algumas qualidades: uma delas era o afeto genuíno pelo irmão. Mas gostar de Jacobo será um desafio para qualquer leitor e creio que isso dificilmente chegará a acontecer com alguém, embora eu tb não possa dizer que o odiei.

Muitos anos depois, em 2003, Clarence, filha de Jacobo, tenta desvendar um mistério do passado que envolve o pai, o tio… e uma mulher. Esse mistério leva-a ao lugar onde tudo aconteceu e tb nela a África deixará a sua marca.

A autora recria de uma forma esplêndida e crua as condições do processo de colonização, as relações humanas entre os colonos espanhóis e os nativos e toda a beleza envolvente, ao ponto de tb nós próprios sermos arrebatados pelos cheiros, a cor, as paisagens e as pessoas desse lugar que parece enfeitiçar todos quantos o pisam. Primeiro estranha-se, depois entranha-se e a África fica para sempre na pele e no sangue de quem por lá passou.

Oscilando entre o presente e o passado, a autora vai deixando tanto Clarence como nós, leitores, em constante suspense acerca do que terá acontecido em África e a reta final me manteve agarrada ao livro ansiando por saber como tudo iria terminar, qual seria o destino daquelas pessoas. A história é muito bem conduzida. A autora não deixou nada ao acaso, não há pontas soltas, tudo vai encaixando gradualmente até culminar num desfecho que eu tenho certeza conseguirá emocionar qualquer um.

Quem espera encontrar aqui uma leitura erótica ou sensual vai se sentir defraudado. Apesar de duas cenas que eu achei super sensuais o foco do livro não é o erotismo. E há várias histórias de amor, mas nem todas com final feliz. Feito o aviso, espero que isso não impeça ninguém de ler esse livro intenso, que me tocou imensamente e que foi em muitos momentos uma verdadeira aula de História. Ouso dizer que até a mim a África roubou um pedaço do coração.

Uma ótima notícia é que essa história vai virar filme (ou série, ainda não está confirmado)! Com certeza eu não vou deixar de assistir.


Recomendadíssimo.


Carla
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