6 de janeiro de 2018

Dom Casmurro - Machado de Assis


Machado de Assis (1839-1908), escrevendo Dom Casmurro, produziu um dos maiores livros da literatura universal. Mas criando Capitu, a espantosa menina de "olhos oblíquos e dissimulados", de "olhos de ressaca", Machado nos legou um incrível mistério, um mistério até hoje indecifrado. Há quase cem anos os estudiosos e especialistas o esmiúçam, o analisam sob todos os aspectos. Em vão. Embora o autor se tenha dado ao trabalho de distribuir pelo caminho todas as pistas para quem quisesse decifrar o enigma, ninguém ainda o desvendou. A alma de Capitu é, na verdade, um labirinto sem saída, um labirinto que Machado também já explorara em personagens como Virgília (Memórias Póstumas de Brás Cubas) e Sofia (Quincas Borba), personagens construídas a partir da ambiguidade psicológica, como Jorge Luis Borges gostaria de ter inventado.




Palavras de uma leitora... 


- Há muitos anos ouço as pessoas falarem deste livro. Esbarrei nele ainda na escola, nas aulas de Literatura, embora, na época, não tenha me interessado nem um pouco em lê-lo. Temia Machado de Assis. O evitava. Todavia, fui obrigada a ler pequenos trechos que eram indicados pela professora para poder fazer as provas e trabalhos. 

Mas foi fora do colégio que vim a notar que existia uma grande empolgação em torno do livro. Um tal mistério que dividia opiniões. Capitu traiu ou não traiu o marido Bentinho? Muitos defendem fervorosamente que sim, mas existe aquela parcela significativa que tem certeza que não, que ela foi injustiçada. Depois de ler o livro.... de que lado estou?

Vou deixar bem claro antes de tudo que sequer sou capaz de entender tantas dúvidas por parte dos leitores e estudiosos desta obra! Como alguém pode dar ouvidos (ou olhos) às asneiras que o protagonista da história diz/escreve? Para mim, ele é um maldito desgraçado, que levou os ciúmes além de todos os limites e destruiu o próprio lar, as lembranças de um amigo e a relação com o próprio filho. Que ele não entendia de amor, percebi desde o início do livro. Ele me dá asco! Então, é óbvio que faço parte da parcela que tem certeza que a Capitu não o traiu. Seu único erro, o pior que poderia ter cometido, foi se apaixonar por este miserável inseguro e doente, que só fez desperdiçar a juventude dela e destruir sua vida. Capitu estava era muito cega quando se deixou apaixonar pelo Bento. Teria sido muito mais feliz com outro. Ele nunca a mereceu. 

 - É possível dar spoiler de um livro que é tão conhecido? Não sei. Mas antes que me acusem de spoiler, deixo logo o aviso: revelarei "segredos" do livro nesta resenha. Portanto, se ainda não leu o livro e não quer saber mais que o necessário, abandone a leitura da resenha neste instante! 

"Eia, comecemos a evocação por uma célebre tarde de novembro, que nunca me esqueceu. Tive outras muitas, melhores, e piores, mas aquela nunca se me apagou do espírito."

- O narrador da história é o próprio protagonista, o que por si só já nos deixa com um pé atrás. Qualquer leitor, experiente ou não, saberia que o texto é subjetivo, escrito apenas do ponto de vista do Bento, sem dar aos demais personagens oportunidade de defesa ou de mostrar um outro lado das situações narradas por ele. Algo que convém ao Bento, não é mesmo? 

No início da história, ele nos informa já que estava entediado e desejoso de passar o tempo escrevendo um livro. Que pensou em falar de política, filosofia ou algo do tipo, mas que acabou se decidindo por escrever suas próprias lembranças. E assim nos leva ao ano de 1857, quando ele então tinha 15 anos e Capitu, 14. 

Sua mãe, naqueles tempos, tinha na cabeça a certeza de que seu filho seria padre. Havia feito uma promessa antes dele nascer... Prometera a Deus que se o filho vingasse, se não morresse como o primeiro, o entregaria a Deus, faria que ele fosse padre. Como Bento cresceu com saúde, ela se viu obrigada a cumprir a promessa e alimentar no coração da criança a certeza do seu destino. 

Ocorre que o menino cresceu ao lado de sua grande amiga, Capitu. Menina travessa, alegre, extrovertida como ele não conseguia ser. Onde um estivesse o outro estaria também, e tão unidos eram que não necessitavam da amizade e companhia de mais ninguém. Se bastavam assim. Ela podia ter suas amiguinhas, mas era com Bento que sempre estava. Qualquer olho, até mesmo o menos atento, perceberia que da amizade de criança não demoraria a surgir o amor. 

E assim aconteceu. Um dia, Bento ouviu um hóspede de sua casa levantar pela primeira vez a questão. Até então ele próprio não tinha notado ou não quisera perceber que o que sentia por sua amiga de infância era mais que um simples afeto. Sabia que tinha que ser padre, portanto não poderia sustentar tais sentimentos. Todavia, após ouvir aquele homem falando à sua mãe, seus olhos se abriram e aí foi impossível esconder de seu coração o que sentia. Amava Capitu. Amava aquela menina mulher e a queria como esposa. 

"Capitu era Capitu, isto é, uma criatura mui particular, mais mulher do que eu era homem."

- Pausa no meu resumo para admitir uma coisa: concordo completamente com o que o Bento disse no trecho acima. Capitu era realmente uma grande mulher. O que ela tinha de especial ele tinha de baixo, de cretino. Até mesmo ela, de tão mulher, conseguiria ser mais homem que ele! 

Voltemos ao livro... Ao abrir os olhos naquela tarde, Bento também notou que seus sentimentos eram correspondidos e passou a temer o seminário, o momento em que seria enviado para estudar e ser padre. Não queria aquilo, mas não tinha coragem de contrariar sua mãe. 

Dona de uma personalidade e tanto, Capitu foi a primeira em pensar formas de evitar o destino de Bento. Não queria que ele a deixasse, mas sabia que faltava nele o necessário para tomar suas próprias decisões. Desta forma, ela perde-se em suas ideias, refletindo, tentando encontrar maneiras de convencer a mãe dele a desistir de sua promessa. 

No fim das contas, apesar de todos os desejos dos jovens no sentido contrário, Bento é enviado ao seminário e incia-se a preparação para que um dia ele viesse a ser padre. Apesar das tristezas da separação, o casal não desanima. Tinham jurado. Prometeram que se casariam. E isso bastava para fortalecê-los. De um lado, Bento estudava e fazia amizades, guardando no coração a certeza que, quando o momento chegasse, confessaria não ter a vocação necessária. Capitu, de outro, se fazia mais e mais amiga da mãe do seu amado, conseguindo conquistar seu coração e despertar nela os desejos de vê-la como sua nora. 

"[...] juremos que nos havemos de casar um com o outro, haja o que houver."

O tempo passa... Com a ajuda de terceiros, o casal consegue por fim convencer Dona Glória a permitir que o filho deixe o seminário. Mas o casamento não acontece imediatamente. Outra separação teve que ser suportada, pois Bento viajou para estudar as leis e retornou aos 22 anos de idade, formado em advogado. 

Escobar, o amigo que ele conheceu durante o tempo de seminário, e quem também tinha abandonado aquela vida para dedicar-se aos negócios, já naquela época estava casado com a melhor amiga de Capitu e foi, durante os estudos de Bento, aquele que entregava as cartas de um para o outro. 

Quando o casamento finalmente aconteceu, eles não cabiam de felicidade. A cidade inteira falava daquele grande acontecimento. Os amigos de infância, tão unidos desde sempre, agora eram um só pelos sagrado matrimônio. Ela deliciava-se em ser sua esposa. Ele se orgulhava de finalmente tê-la, mas os ciúmes... os mesmos que o dominavam ainda na adolescência... não o deixavam. Não o deixariam nunca. 

Tudo ia bem entre eles, mas dois anos se passaram e o tão desejado filho não chegava. Enquanto Escobar e sua esposa já tinham uma menininha, cabia a Capitu e Bento apenas sonhar com o seu bebê e esperar que um dia ele chegasse. Finalmente chegou. E esse foi o princípio do fim. Mas... um bom observador perceberia o erro de tal afirmação. Porque o fim iniciou-se muito tempo atrás. Anos antes, ainda na adolescência...

"Não, não, a minha memória não é boa. Ao contrário, é comparável a alguém que tivesse vivido por hospedarias, sem guardar delas nem caras, nem nomes, e somente raras circunstâncias."

- Não é de ânimo leve que defendo a Capitu. Não é sem argumentos, sem qualquer fundamento. O próprio protagonista, apesar de sua subjetividade, de sua péssima memória (como ele mesmo afirma diversas vezes), me dá base concreta para acreditar na inocência dela e para julgá-lo um doente mental que necessitava urgentemente de internação, pois era um perigo para si mesmo e para as demais pessoas. Até porque alguém que cogita assassinar o próprio filho ou é um psicopata ou é um doente mental (sim, eu sei que o psicopata também tem uma doença, um distúrbio mental, mas entenderam o quis dizer) e perigoso nas duas hipóteses. É spoiler? Eu disse que teria. 

"É que tudo se acha fora de um livro falho, leitor amigo. Assim preencho as lacunas alheias; assim podes também preencher as minhas."

- Com toda certeza! Estou mais do que disposta a preencher todas as lacunas desta história, pois me nego a aceitar que ele vença em suas palavras, em sua infundada e miserável acusação. Este desgraçado destruiu a vida de uma mulher que o único crime que cometeu foi amar a pessoa errada. O mínimo que ela merece é que alguém enxergue a verdade nas entrelinhas, nas palavras amargas dele, na injustiça, aquilo que ele se negou a aceitar até o fim. 

Quem leu o livro talvez se recorde que o Bento, este desprezível protagonista, era dono de uma mente muito criativa ainda bem jovem. Era capaz de imaginar toda uma situação... de tal maneira que parecia realmente verdade. Sabem onde estou tentando chegar, não é mesmo? Pois bem. As situações eram tão "reais" quando ele desejava vê-las assim! Uma imaginação brilhante, uma criatividade que muitos poderiam desejar ter, mas tais qualidades na mente errada... não pode dar certo. 

Outra coisa forte no protagonista era seu ciúme. Quando "descobriu" que amava Capitu, também descobriu o ciúme,  e o sentimento de posse. Que ela era dele, que não poderia olhar para outra pessoa. Que não poderia estar feliz longe dele. 

- Ainda no início do relacionamento dos dois... Troca das primeiras carícias, dos primeiros beijos, houve uma cena. Eles estavam juntos e um rapaz passou. Alguém que a Capitu sequer conhecia, mas que olhou para ela. Apenas olhou, como poderia olhar para qualquer moça. Isso bastou para vermos toda a imaginação e ciúmes do Bento em ação. Para ele aquela era prova suficiente de sua traição. Que ela esteve se divertindo com aquele rapaz e que provavelmente também namorara outros pelas costas dele. Querem uma mostra da reação dele? De como o amor que ele tanto jurou sentir por ela o fez ter... como digamos? "Belos desejos". Sim, porque são muito belos os pensamentos que lhes mostrarei no trecho a seguir:

"A vontade que me dava era cravar-lhe as unhas no pescoço, enterrá-las bem, até ver-lhe sair a vida como o sangue..."

- Parece uma mente saudável? Eu respondo que não. Desde o princípio, mesmo se eu nunca tivesse ouvido falar deste livro, saberia que a relação não tinha como dar certo. O Bento me lembrava esses tantos homens que enxergam as mulheres como posses e que muitas vezes por traições imaginárias chegam ao ponto de assassiná-las, cometendo os chamados "crimes passionais". Eu o via bem capaz de cometer um homicídio. De matar a própria mulher. E sabemos que ele esteve perto de fazê-lo... 

- O que também percebemos ao longo da leitura é que o Bento era pura insegurança e covardia. Capitu era cheia de vida, de risos, de alegria, de determinação. Ela sabia o que queria e lutava por isso, ainda menina, mesmo quando adolescente. Enquanto ele não tinha forças para nada, nem mesmo para decidir a própria vida. Ele invejava a Capitu. Isso esteve presente em todo o relacionamento. Ele a adorava, dizia amá-la, mas também a invejava. 

"Era mulher por dentro e por fora, mulher à direita e à esquerda, mulher por todos os lados, e desde os pés até à cabeça."

- Observando bem a história (eu li este livro com toda a atenção e cuidado), percebemos também que o Bento sempre soube que a Capitu era muito para ele. Que ela poderia ter mais e que ele poderia perdê-la. Temia a existência de outros rapazes, ficava se consumindo imaginando que ela estaria sorrindo para outros e incomodava-se inclusive com o que ela pudesse vestir. Porque seus braços não poderiam aparecer, sabiam? Isso despertaria o interesse dos outros e era inaceitável. Assim, Capitu conhecendo-o bem, deu um jeito de esconder os braços, para evitar crises de ciúmes. Agora eu lhes pergunto: como um homem que tinha ciúmes até do ar que a Capitu respirava, não teria ciúmes do melhor amigo e não imaginaria, tendo uma mente tão criativa, um relacionamento entre ele e Capitu? Só que sendo ele o narrador e estando em suas mãos o poder de escrever como bem queria, não dá todos os indícios abertamente. Mas sempre esteve lá: a desconfiança, a imaginação, a teia que ele estava tecendo para no momento devido acusar, julgar e condenar. E tal era sua loucura que foi maquinando pouco a pouco, dizendo uma coisinha aqui e outra ali, tentando convencer as pessoas inclusive de que sua própria mãe suspeitava de Capitu e os outros personagens chegaram a não entender de onde ele estava enxergando frieza no tratamento entre as duas. Ele foi construindo o ambiente adequado para o que sua mente queria. 

"Cheguei a ter ciúmes de tudo e de todos. Um vizinho, um par de valsa, qualquer homem, moço ou maduro, me enchia de terror ou desconfiança."

E então... ele passa a enxergar no próprio filho provas da traição de Capitu. Porque o menino não se parecia com ele, segundo sua opinião. A criança tinha o olhar de Escobar, suas mãos, seus gestos... estava ficando mais e mais parecido com ele. Conforme os anos se passavam e sua loucura aumentava, ele enxergava novas semelhanças. 

Claro que ele não acusaria o amigo abertamente. Era um covarde, como bem temos que lembrar. Assim, foi somente após a morte de Escobar num acidente, que ele se permitiu considerar como fato que os dois o tinham traído. Que Capitu fora amante de Escobar e que o filho era dos dois e não dele. O mais interessante é que enquanto ele não tinha reais provas de tal traição (apenas sua imaginação fértil e doentia), ele próprio traiu o amigo. Porque desejou a mulher de Escobar. E que era melhor amiga de Capitu. Ele sim foi desleal. Estava na casa do amigo e olhou sua mulher com desejo, imaginando ainda ser correspondido. Depois ele desfaz tudo. Diz que foi ilusão, que a outra não o quis, que ele tinha imaginado tudo e inocenta a outra em suas lembranças, deixando toda e qualquer culpa de traição para Capitu. 

"Senti ainda os dedos de Sancha entre os meus, apertando uns aos outros. Foi um instante de vertigem e de pecado."

- Quando Escobar morre e ele finalmente dá como certo que o filho é do outro, passa a nutrir um ódio grande de Capitu. Decide acabar com a própria vida, mas muda de ideia, entendendo que quem tinha que morrer era ela:

"O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer."

Ele cogita assassiná-la, fazê-la pagar por sua traição, mas volta a mudar de ideia e alimentar os desejos suicidas. Chega a preparar tudo e quando está prestes a executar-se... o filho o busca. Então... outros pensamentos. Por que não? Por que não matar a ele, quem não suportava sequer olhar? Ele chega a empurrar a xícara com veneno para a boca do menino, mas desiste no último instante. Talvez o sangue tivesse gritado o que ele não queria ver. 


"- Pois até os defuntos! Nem os mortos escapam aos seus ciúmes!"

- É horrível o que ele faz. Como a acusa, como não lhe dá oportunidade de se defender. A envia para outro país junto com o filho, para que a separação não fosse tão pública. E lá a Capitu morre, longe do seu país, das pessoas que a amavam. Longe do homem que ela amou até a morte e que a magoou como ninguém. Ele não foi atrás dela. Nunca pediu perdão. E nunca acreditou em sua inocência. Acreditava apenas no que queria. Lamento demais por essa menina. Pela criança que cresceu com ele, que o tornou todo seu mundo. Ela poderia ter tido qualquer outra pessoa. Poderia ter sido realmente feliz, mas esteve cega durante toda a vida. 

Ele sustentou o filho que dizia não ser seu. Não descumpriu suas obrigações materiais, embora desprezasse o rapaz. Embora tenha chegado a confessar que desejava a sua morte. Um verme de pai. Considerando que acredito na existência de um inferno e mesmo que o livro seja uma obra de ficção, eu desejo que o Bento esteja queimando no inferno! 

No fim, ele não deixa de nos confessar que viveu bem. Em suas próprias palavras: "Vivi o melhor que pude, sem me faltarem amigas que me consolassem da primeira." Ele nos confessa que comia bem, dormia bem, tinha amantes e levava a vida que desejava. 

- Eu odiei o Bento com todas as minhas forças. Para mim, ele é um lixo. Me dá nojo! Mas o livro recebeu cinco estrelas porque é impossível não enxergar a genialidade do autor, a maneira como ele conduziu a história, sua ambiguidade, a construção dos personagens, a própria criação de um protagonista com quem não simpatizamos. O autor foi brilhante! O livro é maravilhoso, por mais que nos desperte revolta. Se os contos dele já tinham feito eu me apaixonar por ele, ao ler o seu romance eu não poderia ser mais que sua fã incondicional. Amo o Machado de Assis, autor que um dia temi!rsrs Mas realmente odeio profundamente seu personagem. Não suporto nem recordar este maldito Bento. 

- A capa ridícula que coloquei no início da resenha, não é da edição que tenho. Minha edição é de 1982, publicada pela Editora Abril Cultural. Acontece que ela não possui sinopse, então resolvi colocar esta capa feia só porque ela tinha sinopse no Skoob.rs Eu amo muito a minha edição da história. A adquiri em 2012, sem ter que pagar nada. Foi numa troca de livros no meu curso. Saí ganhando, pois o livro parecia novo. Quem o possuía antes o conservou como poucos fariam. Não foi atingido pelo tempo. Sua capa é dura, as páginas não possuem aquelas manchas que os livros adquirem com o passar dos anos. Não. Parece que foi mantido em algum lugar que o conservou. É um dos livros que mais tenho ciúmes. :D 






Dom Casmurro foi o livro que escolhi para abrir o Desafio 12 Meses Literários. O tema deste mês era ler um livro de Literatura Nacional. Foi uma escolha acertada, por mais que tenha desejado matar o protagonista.rs

5 de janeiro de 2018

Jornada MLV - Maratona Literária de Verão 2018


Bem... Um dos meus momentos mais aguardados do ano era o do vídeo de divulgação da Jornada MLV no canal Geek Freak. Quem acompanha o blog provavelmente viu que eu participei, pela primeira vez na vida, de um desafio desse canal, que foi a Maratona Literária de Inverno 2017. Foi uma experiência tensa (tive que ler um monte de livros em curto tempo), mas maravilhosa! E como eu amei cada instante, estava mais que ansiosa para participar da maratona de verão. 

Em que consiste esta maratona? O objetivo principal, claro, é ler o máximo possível de livros em pouco tempo, mas livros que nós desejamos ler. É para ser algo prazeroso, divertido, sem pressão. Considerando que sou ansiosa por natureza, eu mesma coloco muita pressão em cima de mim.kkkkkkk

Neste ano, o Victor do canal Geek Freak, criou um reino imaginário em que viveremos a maratona. Este reino é dividido em outros dois reinos menores: Galtano e Arcania

Galtano é o reino governado por grandes guerreiros, vikings, pessoas fortes que lutam com seu corpo, escudo, espada, machado... com todas as armas disponíveis em sua época. Eles não possuem magia. É com sua força física e estratégias que eles vencem ou morrem tentando.rsrs 

Arcania é um reino governado por magos, feiticeiros, bruxas, qualquer tipo de ser mágico. Embora eles tenham ao seu favor os poderes, não deixam de ser grandes estrategistas, pois nem sempre o poder é suficiente para vencer uma batalha, verdade? 

Não há disputa, queridos. A divisão em reinos é apenas mais uma forma de diversão, de aumentar nosso interesse e disposição para nos desafiar. Os reinos de Galtano e Arcania não são inimigos, um não está tentando derrubar o outro. 

Mas... ao decidir participar da maratona, somos obrigados a escolher um lado. Isso porque cada um dos dois reinos possui quatro cidades. E cada cidade é responsável por um desafio. :D

Assim, como eu escolhi ser uma guerreira do reino de Galtano, segue abaixo os desafios que terei que cumprir: 



1- Baltivéria - Ler um livro de um autor popular: Simplesmente o Paraíso - Julia Quinn (Resenha aqui)

2- Tresâmia: Ler um livro comprado em uma promoção: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban - J. K. Rowling (Resenha aqui)

3- Sombra do Corvo - Ler um livro que aparentemente só você conhece: Coragem de Mãe - Marie-Laure Picat (Resenha aqui)

4- Montevano - Ler um livro que você sempre teve medo de ler: O Dia da Caça - James Patterson (Resenha aqui)


- É um desafio para cada cidade de Galtano e conforme vamos cumprindo avançamos pelas cidades, entende? Assim, se eu conseguir ler o livro da cidade de Baltivéria, minha próxima parada será em Tresâmia. 

Pensam que acabou? Claro que não! Todo reino necessita de um rei e uma rainha e no imaginário não é diferente.kkkkkk... Desta forma, o rei de Galtano é o Paulo do canal Livraria em Casa e a rainha é a Thereza do canal Thereza Reads. E para agradar os reis, temos dois desafios extras!!!




Favor do Rei - Ler um livro de um autor que não seja americano nem brasileiro: Sorrisos Quebrados - Sofia Silva (Resenha aqui)
Favor da Rainha: Ler um livro que foi indicado por um booktuber: Sorrisos Quebrados - Sofia Silva

- Sim, eu escolhi o mesmo livro para os dois favores. Porque ele se encaixa bem nos dois desafios. Sorrisos Quebrados é um livro que estou querendo muito ler, pois todo blogueiro/booktuber que fala da história, fala muito bem. Que é um livro que emociona, que envolve muito o leitor, que nos faz pensar nas situações de mulheres vítimas de violência. A Paola do canal Livros e Fuxicos indicou com todo seu coração este livro. A autora é portuguesa e muito querida aqui no Brasil. 

A Jornada MLV ocorrerá de 13 a 27 de janeiro. Quer participar? Acesse o vídeo de divulgação da maratona, clicando AQUI e veja as instruções do criador do desafio. 

Será que conseguirei cumprir todos os desafios???!!! Me desejem muita sorte!!! :D

Bjs! 

4 de janeiro de 2018

Não Fale com Estranhos - Harlan Coben

(Título Original: The Stranger
Tradutor: Marcelo Mendes
Editora: Arqueiro
Edição de: 2016)

O estranho aparece do nada e, com poucas palavras, destrói o mundo de Adam Price. Sua identidade é desconhecida. Suas motivações são obscuras. Mas suas revelações são dolorosamente incontestáveis.

Adam levava uma "vida dos sonhos" ao lado da esposa, Corinne, e dos dois filhos. Quando o estranho o aborda para contar um segredo estarrecedor sobre sua esposa, ele percebe a fragilidade do sonho que construiu: teria sido tudo uma grande mentira?

Assombrado pela dúvida, Adam decide confrontar Corinne, e a imagem de perfeição que criou em torno dela começa a ruir. Ao investigar a história por conta própria, acaba se envolvendo num universo sombrio repleto de mentiras, chantagens e assassinatos.

Intrigante e perturbador, Não Fale Com Estranhos é mais que um suspense de tirar o fôlego. É uma reflexão sobre o bem e o mal, o amor e o ódio, o certo e o errado, os segredos, as mentiras e suas consequências devastadoras.




Palavras de uma leitora... 



- Às vezes a gente simplesmente escolhe errado o momento de ler um livro... 

"[...] segredos eram tumores: eles infeccionavam. Iam corroendo as pessoas por dentro até deixar apenas uma frágil carcaça."

- Fosse o que fosse que eu esperava da história definitivamente não encontrei. É o primeiro livro do autor que não me causa empatia, que não mexe com as minhas emoções, que não faz com que eu me envolva com os personagens e sofra com eles. Ou estou num momento insensível ou a história é realmente inferior a todos os outros livros que já li do Harlan Coben. Levando em conta minha experiência com ele, fico com a segunda opção. 

A sinopse nos promete um suspense de tirar o fôlego e aí lembramos de livros como Não Conte a Ninguém, Confie em Mim, Desaparecido para Sempre, e nem hesitamos. Apostamos tudo na história, já preparando o coração para fortes emoções. Só que começamos a ler... e percebemos que as coisas não estão caminhando como o esperado. Que o suspense está demorando muito para "acontecer", que os diálogos parecem superficiais e os personagens não estão nos atingindo. Algo vai mal. Mas a nossa esperança é que melhore. Pelo menos, tive esperanças até a reta final do livro. Mesmo sabendo que já não existia a menor chance de amá-lo. 

- Tudo começa com a aproximação de um estranho no bar. Adam Price, nosso protagonista, é um advogado bem-sucedido, de classe média alta, que leva a vida dos sonhos ao lado de dois filhos adolescentes e uma mulher que qualquer homem desejaria como esposa. Sim, muitos o invejavam, até mesmo aqueles que se diziam seus amigos. Mas ele era feliz. E nada poderia ameaçar sua felicidade...

Mas ele percebe. Assim que o estranho abre a boca e solta uma frase aparentemente sem sentido, ele se dá conta que depois daquele dia nada voltaria a ser igual. Seu mundo estava desmoronando. Não sabia se seria possível salvar alguma coisa. 

"Nossas vidas são destroçadas, e ninguém sequer repara."

Confuso com as revelações do desconhecido, sua primeira tentativa é não acreditar nas palavras dele. Só poderia ser um louco ou alguém contratado para lhe dar um susto, fazer alguma brincadeira sem graça. Todavia, conforme os minutos passam, seguidos pelas horas, Adam começa a alimentar as dúvidas e decide descobrir por conta própria se ele mentira ou não. 

Após breves investigações nas compras realizadas pela esposa, dois anos antes, ele começa a se perguntar se realmente conhecia a mulher com a qual havia se casado. O que a levara a mentir? E a ocultar aquele segredo por tanto tempo? Como fora capaz de fazer algo assim com ele, após mais de dezesseis anos de casamento? 

Buscando respostas, ele confronta Corinne, revelando já saber de tudo e tentando entender o que a motivara. O que ele não poderia esperar era a reação estranha da esposa. E o que parecia a pior crise que já enfrentara em seu lar se transforma num verdadeiro inferno quando, menos de 24 horas após ser confrontada pelo marido, Corinne desaparece, deixando apenas uma breve mensagem no celular, pedindo que ele não a procure, que ela necessita de alguns dias. Um marido menos sensível talvez julgasse tal comportamento previsível. Ele havia descoberto seu mais profundo segredo e ela, acuada, fugira. Mas Adam sabia... Algo estava muito errado. Porque Corinne talvez pudesse ir embora, passar um tempo longe dele, mas jamais abandonaria os filhos. Eles eram toda a sua vida. Então, qual era a alternativa? O que acontecera com sua mulher? 

"Sabia que a sorte, a aleatoriedade e o caos tinham seus próprios planos e que cedo ou tarde a felicidade e a segurança se dissolveriam feito poeira no ar morno da primavera."

Tudo apenas se complica quando duas mulheres são encontradas mortas e a única ligação entre as duas é uma rede especializada em descobrir os segredos das pessoas e chantageá-las para conseguir o que deseja. Estariam eles por trás dessas mortas? E, o mais importante, o que eles teriam feito com Corinne? Onde ela estava? 

- Durante as 87 primeiras páginas do livro, eu senti que a história não estava acontecendo. Não entendia absolutamente nada. Tudo era uma grande confusão, um emaranhado de cenas sem sentido, segredos que não eram tão graves assim (não para fazer uma pessoa decidir desaparecer) e histórias paralelas que não pareciam ter realmente nenhuma relação, exceto o famoso estranho que se sentia um justiceiro que protegia a verdade acima de todas as coisas. Mas aí ocorre a primeira morte e as coisas mudam de figura. Mas a confusão não passa. 

Claro que eu suspeitei que algo não cheirava bem. Não tinha como a Corinne ter desaparecido e abandonado toda a família simplesmente porque o marido descobriu que ela mentiu dois anos antes. Ainda que ela preferisse que aquilo permanecesse um segredo, sendo a mulher decidida e forte que era, ela o enfrentaria de cabeça erguida e superaria qualquer crise que pudesse ter início. Fugir era ridículo e isso me fez levantar algumas hipóteses. Me fez descartar que o motivo fosse o segredo. Existia algo mais. Algo pior. Só que eu não fazia a menor ideia do que poderia ser. 

"Segredos revelados eram segredos destruídos."

- Não há realmente um grande suspense. Antes mesmo dos personagens descobrirem certas coisas, o autor já nos solta a informação e aí vamos juntando as peças. Claro que isso acontece muitas e muitas páginas após o início e a grande confusão que tudo era. Mas algo realmente nos surpreende: o final. Não que não pudéssemos pensar naquilo. Na verdade, o autor deixa mais do que claro que aquela era a grande verdade, mas não dá para acreditar. Nós ficamos chocados. Eu fiquei bastante. Mesmo sabendo que era a única explicação, não pude aceitar. Fala sério! Eu conheço o autor! Ele não faz esse tipo de escolha em suas histórias. Não com os personagens principais. Não Conte a Ninguém, Confie em Mim, Desaparecido para Sempre, Seis Anos Depois... Querem mais exemplos? Histórias que possuem um núcleo similar, que têm em comum a certeza de como terminarão as coisas para os protagonistas. E aí o autor pira e me vem com esse final! Foi o único momento em que fui atingida pelos personagens, em que senti não só empatia, mas uma grande revolta. E tristeza. Muita tristeza. 

- Sabe o que é mais irônico? O título do livro e a maneira como tudo é conduzido. O livro parece querer nos alertar, nos dizer: "Cuidado com estranhos! Não fale com eles, não deixe que se aproximem!", como nossos pais e avós nos ensinaram quando crianças. Todas as bombas da história explodem por causa da aproximação de um total desconhecido, que sabia algum podre sobre alguém e utilizou isso como motivo para chantagem. Todavia... se pararmos mesmo para pensar, o perigo não estava no estranho. Vinha de outra direção. O cuidado não era com estranhos, mas com os conhecidos, com aqueles com quem convivemos. Não foi um estranho que arruinou a vida do Adam. Não foi mesmo. 

- Quando conseguimos desatar os nós da história e superamos a enorme confusão que o autor criou, começamos a entender as coisas e o final nos faz refletir bastante. É incrível como uma única escolha pode mudar toda uma vida, alterar o rumo das coisas e até provocar a morte. Famílias destruídas por uma única escolha... E se... É impossível não pensar em como tudo poderia ter sido diferente se um determinado personagem tivesse fechado os olhos, fingido não ver. Fez o que era certo, moral, mas isso lhe custou tudo. Valeu a pena? A verdade é que não. De modo algum. 

- Não é o melhor livro do autor. Está bem longe disso, mas isso não significa que é uma história ruim. O livro está bem cotado no Skoob e é amado por muitos. Não funcionou para mim, infelizmente. Mas só o fato de ter me feito refletir com o final já valeu a leitura. 

2 de janeiro de 2018

Desafio 12 Meses Literários 2018



- Olá, queridos!

Ano passado eu cresci muito como leitora e me desafiei bastante participando do Desafio 12 Meses Literários. Embora alguns temas fossem "tranquilos" outros eram realmente complexos e que me tiraram da zona de conforto, me fazendo conhecer livros que não estava habituada a ler. E isso foi fantástico! Vocês podem conferir minha participação e todos os livros que li para o desafio clicando aqui

E agora é hora de falar dos temas deste novo ano que começou! :D Se achei os temas do ano passado difíceis em alguns meses, não sei nem o que dizer sobre os de 2018.kkkkkkk... Quebrei minha cabeça com alguns.rs Mas a lista já está prontinha e tudo o que necessito fazer é me desejar sorte!rsrs E comprar os livros que ainda não tenho, claro! 



JANEIRO: Dom Casmurro - Machado de Assis (Resenha aqui)
FEVEREIRO: Sidney Sheldon (Resenha aqui)
MARÇO: A Promessa da Rosa - Babi A. Sette (Resenha aqui)
ABRIL: O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini (Resenha aqui)
MAIO: A Filha - Jane Shemilt (Resenha aqui)
JUNHO: Segredos de Uma Noite de Verão - Lisa Kleypas (Resenha aqui)
JULHO: Do Amor e Outros Demônios - Gabriel García Márquez (Resenha aqui)
AGOSTO: Fortaleza Digital - Dan Brown (Resenha aqui)
SETEMBRO: Herdeiro Inesperado - Sharon Kendrick (Resenha aqui)
OUTUBRO: Ladrão de Almas - Alma Katsu (Resenha aqui)
NOVEMBRO: Harry Potter e o Cálice de Fogo - J. K. Rowling
DEZEMBRO: A Utopia - Thomas More (Resenha aqui)

- Pelo menos metade das minhas escolhas são arriscadas.kkkkk... Livros que estou apostando de olhos fechados, seja porque só encontrei aquele livro para o tema ou porque já o tinha como desafio para 2018, como tentativa de me tirar da zona de conforto outra vez, de me fazer ler outros tipos de histórias. Tentei repetir alguns livros já selecionados para o Desafio Mensal, mas, como vocês podem ver, 8 dos livros não faziam parte dele. Vou precisar de muita sorte!rsrs

Na hora de escolher o livro para fevereiro, tive enormes dificuldades. Não guardo datas de aniversário nem de parentes e amigos (eu tento, mas só sei pouquíssimas datas de memória), quanto mais de autores, por mais amados que eles sejam! Tinha uma suspeita de que o SS fazia aniversário em fevereiro (ele faleceu em 2007, mas isso não muda nada) e foi um alívio confirmar, pois assim sei que autor lerei. O problema é qual será o livro. Porque já li praticamente tudo que ele escreveu, exceto alguns infantojuvenis e sua autobiografia. Portanto, ainda não decidi o que lerei, só que será SS. 

- O Caçador de Pipas é apenas um dos tantos livros que tenho parados na estante. Quero muito ler o livro, mas tenho pânico dele. Não sei bem o motivo. E sem sombra de dúvidas o maior desafio de todos será ler Do Amor e Outros Demônios do autor Gabriel García Márquez. Eu não tinha nenhuma intenção de ler o autor este ano. Nem no próximo. Estava tentando escolher o momento certo, vez que um dia tive livro dele aqui em casa e me desfiz, porque julgava que não fazia o meu "estilo". O livro que eu tinha era... nada mais nada menos que.... Cem Anos de Solidão!!!kkkkkk... Não me matem por dar fim no livro!rsrs Na época, eu realmente acreditava que o livro estava apenas ocupando espaço e merecia ser passado para alguém que fosse lê-lo. Ao mesmo tempo também me desfiz de Lolita (é de outro autor), e esse sim não me arrependo de ter trocado. 

O autor de Cem Anos de Solidão só entrou no desafio porque não encontrei outro.kkkkkkk... Que livro foi publicado no ano em que nasci, pelo amor de Deus?! Não detesto o autor nem nada, gente! Longe disso! Só que existem autores que me dão medo, que sinto não estar preparada para ler e o Gabriel é um deles. 

Quanto ao livro A Utopia... Quem já assistiu Para Sempre Cinderela?! É um dos meus filmes preferidos de toda a vida e já assisti vezes sem conta. E me dava uma curiosidade grande conhecer o livro mais querido pela protagonista, nossa Danielle. Era o livro que o pai dela amava e tudo o que tinha restado dele. Numa cena cruel no filme, sua madrasta ataca o livro no fogo após uma discussão com a enteada. Nunca pude esquecer o livro e decidi que este ano é o momento de conhecê-lo. Quero entender por que a Danielle o ama tanto! 

- A escolha do livro de outubro não é uma trapaça!rs Vocês bem sabem que Luna é meu pseudônimo bem como um apelido que surgiu por conta de amigos. Já revelei isso aqui em algum dos meus posts anteriores. A inicial do meu nome não é "L", mas considerando que Luna já faz parte de mim há tantos e tantos anos, optei por escolher um livro que começasse com a letra "L". 

Então é isso. Que tal também participarem do desafio?! É uma experiência única, que realmente nos acrescenta muito como leitores, nos faz conhecer livros novos e incríveis e abre portas para que tenhamos a coragem de arriscar mais, de apostar em outros gêneros e autores. :)

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O post será atualizado ao longo do ano, conforme eu publique as resenhas dos livros lidos. 
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