21 de maio de 2018

A Filha - Jane Shemilt

Tempo de leitura:
(Título Original: Daughter
Tradutora: Carolina Raquel Caires Coelho
Editora: HarperCollins
Edição de: 2015)


A NOITE DO DESAPARECIMENTO
Ela me contava tudo

A polícia, a foto dela. Isso vai ajudar.
Mas a foto não mostra como seu cabelo brilha como ouro sob o sol. 
Ela tem uma pintinha bem embaixo da sobrancelha esquerda.
Ela tem um leve perfume de limão.
Ela rói as unhas.
Ela nunca chora.
Ela ama o outono, eu quis contar aos policiais. 
Ela coleciona as folhas que caem, como uma criança. Ela é só uma criança. 
POR FAVOR, ENCONTREM MINHA FILHA.

UM ANO DEPOIS

Naomi permanece desaparecida. Jenny, sua mãe, está obcecada. A família se despedaçou. Será que descobrir a verdade sobre Naomi é a única forma de salvar essa família? Ou a verdade vai destruí-la de vez?




Palavras de uma leitora...



- Sabe aquele livro que você compra por impulso, sem nunca sequer ter ouvido falar? Foi bem o que aconteceu quando vi A Filha pela primeira vez. Não fazia ideia se era um livro querido ou não pelos leitores. Esbarrei nele. Sua capa me chamou a atenção ao indicar um suspense e aí li a sinopse. Confesso que a sinopse em si não me animou muito (achei confusa), mas comprei mesmo assim. Era um suspense sobre o desaparecimento de uma adolescente. A curiosidade e o meu fascínio por thrillers venceram.rs

Ainda estou um tanto em choque pelo final. A ficha está demorando para cair. Quando iniciei a leitura acreditei que descobriria o que tinha acontecido fácil, fácil. Ou que, pelo menos, chegaria bem próximo. Afinal de contas, já estou tão acostumada com esse gênero que ao prestar atenção aos detalhes e as pistas dadas pelos autores passo bem perto da verdade, isso quando não acerto. Pensei mesmo que seria igual. Ledo engano!kkkkkkkkk... E olha que a autora realmente dá pistas! Só que ela constrói a teia de tal maneira, intercalando passado e presente, em capítulos curtos, mostrando tudo do ponto de vista da protagonista... num emaranhado de segredos que vão sendo revelados lentamente... que acabamos não prestando atenção em tudo ou achamos que tal coisa não é importante. Que foi apenas algo jogado no livro para encher as páginas. Que nada! Eu fui muito ingênua e por isso fiquei de queixo caído quando as peças do quebra-cabeça foram se encaixando. Eu não pude prever aqui. E mesmo quando a verdade foi se desenrolando eu segui estando despreparada para a maneira como tudo terminaria. 

"As sextas-feiras ainda machucam."

Quando ela saiu pela porta naquele dia, uma quinta-feira, Jennifer não se preocupou. Era a penúltima noite de apresentação. Sua filha era a atriz principal da peça de teatro interpretada no colégio. Naquela quinta-feira seu pai não a buscaria, pois ela voltaria em grupo com amigos. Iriam jantar antes e ela estaria em casa às onze e meia da noite. Não havia motivos para preocupação. Só que Naomi não voltou. 

"E durante todo o tempo, eu ouvia seus passos; ela poderia chegar a qualquer momento, com uma desculpa pronta, surpresa com a comoção. E tudo isso desapareceria como um pesadelo."

Enquanto aguardava a filha, Jennifer acabou adormecendo. Estava esgotada após mais um dia difícil na clínica e embora tivesse toda a intenção de estar desperta quando Naomi chegasse o cansaço acabou por vencê-la. Acordou por volta das duas horas da madrugada de sexta-feira. E sua filha não estava em casa. 

Com o pânico acelerando seu coração e tentando bloquear as imagens ruins que começaram a se formar em sua mente, Jennifer tenta localizá-la através de amigos, o que não dá em nada. Sem outra alternativa senão acionar a polícia, ela vê sua vida até então perfeita transformar-se num verdadeiro inferno. Onde ela estaria? O que teria acontecido com sua menina? Ela só tinha 15 anos. Não podia estar perdida por aí, longe da segurança de sua casa. Alguém precisava encontrá-la! Ela precisava da sua filha! Queria sua menina de volta!

"Eu queria morrer, mas sabia, naquela época, como agora, que um dia eu poderia olhar para a frente e ela estaria ali, na porta."

As buscas começam. A polícia, a mídia, todos são envolvidos. Todos no colégio foram interrogados. Amigos, professores, vizinhos, a família... A investigação cobria todos os cantos, mas não avançava. Quanto mais o tempo passava pior era a possibilidade. E um ano mais tarde Naomi ainda não havia sido encontrada. 

"Seria possível que ela tivesse percebido no fim, se tivesse havido um fim, que seu coração estava desacelerando? Há sangue suficiente num cérebro agonizante para registrar que o coração parou?"

Tudo ruiu com ela, no momento do seu desaparecimento. Tudo o que Jennifer tinha e dava como certo desabou. Ao longo dos meses de investigação e procura ela percebeu que não conhecia de verdade as pessoas a sua volta. Nem mesmo sua própria família. Porque nunca notara os sinais... De que todos estavam mentindo. 

O que realmente acontecera com Naomi? Existia a chance de que alguém conhecido fosse o responsável? Por que sentia que Nkita, melhor amiga de sua filha, estava escondendo alguma coisa? E Ed, seu filho, por que seu comportamento se alterara tanto? Onde realmente Ted, seu marido, estava na noite em que a filha desapareceu? E Theo? Havia realmente inocência nas fotos que ele tirara de Naomi, sua irmã, para uma exposição artística? Eram muitas perguntas. Várias dúvidas. Em quem acreditar? O que não estava enxergando? 

"Fiquei na cozinha sozinha e ele veio. O medo forte, repentino e devastador."

A história começa no ano de 2010, doze meses após o desaparecimento de Naomi. A polícia parecia andar em círculos, não chegando a lugar algum. E o tempo era implacável, levando Jennifer, nossa protagonista, ao completo desespero. Porque quanto mais os meses se passavam maiores eram as chances de que sua filha estivesse morta. Não saber era o pior de tudo. Porque dava a sua mente a oportunidade de criar diversas imagens, umas mais assustadoras do que outras. Ela morria aos poucos imaginando as diferentes formas que sua menina poderia ter morrido... ou vendo imagens dela presa em algum lugar, assustada e sentindo dor. Precisava saber. Tinha que saber o que havia acontecido com ela ou enlouqueceria. 

"Quando a bile subiu pela garganta e pelo nariz, pensei de repente que aquele podia ser o momento em que ela estava morrendo, e por isso eu tinha a sensação de estar morrendo."

No intuito de aumentar o suspense e ir desvendando os segredos do livro camada por camada, além de nos levar à loucura, a autora vai intercalando, cuidadosamente, acontecimentos do passado e do presente. Os capítulos são curtos. Ora acompanhamos a vida da Jennifer atualmente, em 2010, ora voltamos ao ano de 2009. Caminhamos da noite do desaparecimento para trás, voltando, inclusive, dezessete dias antes. 

"No dia 2 de novembro, um ano atrás, eu não tinha como saber que tínhamos apenas mais dezessete dias."

Ingenuamente podemos pensar que essa volta no tempo não é tão importante assim para o livro. Dezessete dias antes? Mostrando cenas aparentemente normais, de dias quaisquer? Que importância isso poderia ter? Eu fui tão tonta!kkkkkk... Não notei. Passei longe de perceber o quanto cada instante era significativo para fazer e desfazer a trama... eu pensava que a intenção da autora era aumentar o número de páginas e ao mesmo tempo ir revelando segredos da família e das pessoas à volta. Não imaginava qual era a grande verdade escondida naquelas semanas que antecederam o desaparecimento de Naomi. 

"Em algum lugar, ela podia estar sussurrando meu nome."

Este livro é um thriller psicológico top de linha, gente! Eu até mesmo demorei um pouco a considerá-lo realmente um thriller psicológico, por ser de certa forma bem diferente daqueles que eu estava acostumada a ler. Todavia, por ter os elementos esseciais de tal gênero o considerei como tal.

Tudo é narrado em primeira pessoa pela Jennifer, mãe da menina desaparecida. E isso nos coloca em contato direto com seus pensamentos e sentimentos. O que abala nossas estruturas. Foi bem difícil acompanhar a dor dessa mãe, a sensação de culpa e impotência... a forma como ela deixa de viver, de sentir prazer em qualquer coisa, pois passa dia após dia esperando que sua filha volte, que esteja bem... mesmo sabendo, nos momentos de maior dor, que isso é praticamente impossível. Que as chances são mínimas. 

"O que eu tinha perdido? Quais pistas eu precisava entender antes que fosse tarde demais?"

A construção da história e dos personagens foi primorosa. Embora vejamos tudo do ponto de vista da Jennifer, os demais membros da família, bem como outros personagens, têm papéis significativos e personalidades próprias perfeitamente moldadas pela autora. Porque tudo precisava estar em seus devidos lugares para criar o que ela pretendia. E ela foi muito bem-sucedida. 

O suspense do livro quase me matou, claro.kkkkkkk... Os que mais me abalam são justamente os que se desenvolvem lentamente. Quando o livro é mais ágil, corrido, as cenas de ação me provocam um golpe atrás do outro, meu coração acelera e fico agitada, gelada, nervosa querendo saber e ao mesmo tempo temendo o que vem a seguir. Só que em livros em que os autores optam por uma narrativa mais lenta, desconstruindo tudo devagar, pouco a pouco mesmo... eu quase surto. Porque o suspense atinge um nível insuportável para mim.kkkkk... Eu fico mais tensa, temendo até o movimento mais inofensivo de cada personagem, como se a qualquer momento a bomba fosse explodir, entende? É angustiante isso.rs

"[...] o rosto dela está em todos os lugares. Às vezes, a necessidade de saber o que aconteceu é mais forte do que consigo aguentar."

Existem muitas coisas sobre as quais eu gostaria de comentar. Só que sinto que posso acabar revelando demais, uma vez que coisas aparentemente sem importância têm sim motivo para estarem no livro. Isso me limita na hora de escrever a resenha, pois em thrillers psicológicos o suspense é essencial e se eu falar demais estrago tudo. É aquele gênero em que spoiler realmente prejudica. 

- Não amei a protagonista em todos os momentos. Apesar de ter dado 5 estrelas ao livro (seria impossível não fazer isso, pois é maravilhoso!), existiram determinadas cenas em que tive vontade de esganar a Jennifer. Pela maneira como ela ficava apática, aceitando a culpa que lançavam sobre ela. Tudo tinha desmoronado, sua vida era um inferno, só Deus sabia o que tinha acontecido com sua menina, mas os outros estavam preocupados em culpá-la de uma forma ou de outra e ela aceitava isso! Não fazem ideia de quanta raiva eu sentia nesses momentos! Como todo ser humano e todas as mães, Jennifer não era perfeita. Cometia erros sim. E tinha todo o direito do mundo de ter uma carreira, trabalhar fora, ter o próprio hobby se quisesse. Ser mãe não a impedia de ser mulher e ser profissional. Mas todos queriam era jogar sobre seus ombros a culpa por tudo. Porque se ela estivesse em casa, se fosse presente teria evitado a tragédia. Pura hipocrisia isso! Nenhuma mãe é obrigada a abrir mão do trabalho só porque tem filhos. Eu não culpei a Jennifer em nenhum momento. Ela tinha suas falhas, não era uma máquina (sendo que até as máquinas falham), e não enxergava tudo, mas criara três filhos da melhor maneira que conseguiu. Cada qual tinha sua própria personalidade e ela não podia estar 24 horas do dia com eles, para saber tudo, para ver se alguém olhava para um deles de forma diferente, para adivinhar que alguém pretendia fazer algum mal. Como se não bastasse toda a dor que era obrigada a suportar ainda tinha que conviver com a culpa que jogavam sobre seus ombros e ela aceitava. Imaginem como não foram os dias dela! :(

Eu não sei se "amo" (bem entre aspas!) ou odeio com todas as minhas forças o final.kkkkkk... Como eu disse para vocês fiquei em choque. Não que eu não tivesse considerado aquilo. Quando lemos um livro de suspense aprendemos a suspeitar de tudo e todos e imaginar diversos finais. Claro que eu tinha pensado em algo do tipo, ainda assim foi um choque. Eu já tinha aprendido a odiar tal personagem... conforme o livro se desenvolvia, minhas desconfianças sobre o personagem aumentavam. Mesmo assim eu ainda duvidei, pensei que estava pegando implicância à toa. Mas não! Tinha realmente motivos para odiá-lo. Só que a autora solta as pistas tão lentamente e gira em torno de todos que é impossível não ficarmos horrorizados com a maneira como tudo termina, quando há o desfecho. Eu pensei naquela possibilidade, mas não podia prever que seria como foi. 

Já sabem que recomendo, certo? :) Quero ler outros livros da autora!



Com esta leitura cumpri o tema do mês de maio do Desafio 12 Meses Literários. E foi uma excelente escolha! :D

Leitora apaixonada por romances de época, clássicos e thrillers (não necessariamente nesta ordem). Mãe da gatinha Luana. Filha carinhosa. Irmã dedicada. Amiga para todas as horas. Acredita em Deus. E no poder do amor.

13 comentários:

  1. Oi Luna, tudo bem? Esse ano estou saindo da minha zona de conforto mais vezes e lendo alguns suspenses. Li alguns que me agradaram tanto que acho que poso ler outros sem problema rsrsrs Pela resenha a gente percebe sua empolgação e fiquei bem curiosa com o final.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Oi Luna!
    Eu não conhecia o livro, mas adoro histórias do gênero e fiquei interessadíssima depois de ler a sua resenha. Ela está ótima. Parabéns! Consegue deixar a gente curioso (e muito!) sem entregar muito do enredo.
    Já coloquei na minha lista e quero comprar o mais rápido possível.
    Obrigada pela indicação!
    Bjss

    https://umolhardeestrangeiro.blogspot.com.br/

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  3. Já comprei livros por impulso e confesso que pouquissimas vezes eu acertei. Esse livro me chama atenção, pois amo um bom suspense e fiquei me coçando para saber o que se deu com Naomi e nem preciso dizer que gostei muito do seu ponto de vista sobre a maternidade, sou mãe e sei como meus hobs e trabalho são importantes para mim. Só para saber esse final que te deixou tão dividida eu quero ler e descobrir se amo ou odeia essa trama.

    Abraços.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  4. A minha curiosidade está em um nível altíssimo porque agora preciso ler este livro e descobrir esse final tão surpreendente. Sua resenha conseguiu me deixar muito interessada no livor.
    beijos

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  5. É a primeira resenha que eu leio desse livro, eu sou apaixonada por thriller/suspense, e confesso que até então não tinha tentado descobrir sobre o que era essa obra. Fiquei animada de saber mais sobre, e com certeza vou colocar nos meus desejados.
    beijos

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  6. Menina, é sensacional quando um livro nos surpreende completamente, principalmente quando ele é desconhecido e ninguém pode opinar porque simplesmente nao conhece, e ai vem voce desbravar essa nova leitura hahaha eu amei, parabéns pela resenha!

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  7. Oi!

    To chocada com essa resenha, porque eu nunca tinha ouvido falar desse livro, mas a premissa dele é maravilhosa. Fiquei bem empolgada com suas considerações e te entendo, às vezes a obra é grandiosa, mas os protagonistas são um pouco complicados de se gostar o tempo todo. Obrigada pela dica!

    beijos

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  8. Oi, tudo bem?
    Adoro quando compro livros por impulso e a leitura acaba me surpreendendo. Que bom que esse livro acabou sendo uma boa surpresa para você.
    Não leio muito suspense, mas a premissa desse é realmente interessante e gostei de saber que o final foi tão chocante. É muito bom quando a trama é conduzida de uma maneira que o leitor pensa em várias possibilidades e ainda se surpreende com o desfecho.
    Adorei a resenha e já anotei a dica.
    Beijos!

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  9. Oi Luna! Gosto muito de suspense, e sempre gosto de reparar nas reações dos personagens envolvidos.
    Quando encontro livros como esse, que geralmente pensamos que ao decorrer da leitura vamos nós mesmos descobrir o segredo e no final quebramos acara, aaahh, adoro! Meu amor pelo suspense bem feito só faz crescer! Adorei a dica!

    Bjoxx ~ www.stalker-literaria.com

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  10. Realmente um livro de suspense deve se ter um maior cuidado pra revelar muito e você soube fazer isso. Fiquei curiosa pra saber que personagem é esse que te surpreende no final, alias, acho que esse final que voce amou odiar deve ser incrível e surpreendente. Amei a dica.


    Beijos
    http://ventoliterario.blogspot.com

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  11. Olá!
    Uau...que dica!
    Sou muito fã de livros com suspense. Fico louca querendo descobrir tudo e não consigo para enquanto não termino.
    Não conhecia esse livro, mas já vou procurar pra comprar, to ficando fã dos lançamentos da HarperCollins.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  12. Olá,

    Nunca ouvi falar nesse livro e sinceramente adorei a dica, pois adoro conhecer aquele seu livros mais esquecidinhos. Enfim, a premissa do livro me lembrou muito a série Safe que foi baseada no livro do Harlan, fiquei curiosa para conferir o desenrolar do mistério, espero fazê-lo em breve.

    Beijos,
    oculoselivrosblog.blogspot.com.br/

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  13. Oi Luna!
    Nossa que forte, não sei se terei coragem pra ler, mas me interessou bastante, como sempre sua resenha maravilhosa bjos.

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