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8 de outubro de 2018

Persuasão - Jane Austen


Persuasão foi o último trabalho completo de Jane Austen. O livro conta a história de Anne Elliot, uma moça que "fora obrigada a ser prudente na juventude, e aprendera o romantismo à medida que envelhecia: a sequela natural de um começo antinatural". Anne é uma das heroínas mais tranquilas e reservadas de Austen, mas, ao mesmo tempo, é uma das mais fortes e abertas às mudanças. O livro enaltece a constância do amor numa época turbulenta na história da Inglaterra: as guerras napoleônicas. Escrito nesse período, o romance descreve como uma mulher pode permanecer fiel ao seu passado e, ainda assim, pensar em um futuro feliz. Austen expõe de maneira sutil como uma mulher pode passar por cima das convenções sociais e das restrições femininas em busca da felicidade.




Palavras de uma leitora...



- A capa acima não é da edição que li, mas sim da que desejo com todo o meu coração.rs Eu a namoro sempre que a vejo nas livrarias, mas sempre acabo tendo que comprar outros livros. :( Faço isso porque tenho vários livros na lista de prioridades e essa edição de Persuasão acaba não sendo por eu já ter o livro em outra edição (que é aquela rosa linda que vem com três histórias). A sinopse acima também não é da que li. 

De qualquer forma, a tradução é a mesma e ambas as edições são da Martin Claret. Amo todos os detalhes da minha rosa, é realmente linda. Ocorre que é pesada e um tanto desconfortável para a leitura (letras muito juntas, apertadas ao ponto de você misturar as linhas e ter que voltar a leitura). Tive que ler o livro só quando estava em casa, pois era impossível carregar por aí.rsrs Por isso que quando li Razão e Sensibilidade foi numa edição de bolso. Eu tenho a edição azul de luxo também, contendo outras três histórias da autora, mas não há a menor possibilidade de lê-las nela. Terei que comprar livrinhos de bolso ou ler em e-book. É uma edição que serve para colecionar, mas dificulta muito ler. Enfim...

- Vocês sabem que me apaixonei perdidamente por Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade. E que coloquei como meta ler todos os livros que a autora escreveu. Todavia, mesmo guardando com carinho essas duas histórias no coração, Persuasão conseguiu um canto exclusivo, especial. A construção dos personagens foi perfeita e a ambientação como sempre nos faz desejar estar nos lugares mencionados, sentimos até que estamos realmente lá, acompanhando o desenrolar dos acontecimentos. E das protagonistas que conheço a Anne consegue se destacar, mesmo com seu jeito reservado e tímido, mesmo tendo cometido o grave erro de se deixar persuadir pelos outros. De abrir mão do homem que amava porque seus familiares e sua amiga não o aceitavam, não o consideravam digno dela. O preço que pagou foi alto, sem dúvidas. E ter a noção disso tornava tudo pior. 

"Passaram-se poucos meses entre o começo e o fim daquele relacionamento; mas alguns meses não foram suficientes para pôr um fim nos sofrimentos que ele provocara em Anne."

Talvez jamais o revisse na vida. Ou, quem sabe, seus caminhos poderiam voltar a se cruzar quando ele já estivesse casado e pai dos filhos que deveriam ser deles. Nem sempre o destino nos permite consertar os erros do passado, as escolhas que tomamos podem alterar todo o nosso futuro, com consequências que nos marcam de uma forma ou de outra. E ao longo dos oito anos que se passaram desde que Frederick partiu, após o rompimento do relacionamento, Anne nunca conseguiu deixar de pensar nele. Mas tentava. Dia após dia levava a vida a qual se condenou, não aceitando nenhum outro homem, nenhuma outra proposta de casamento, porque sabia que não poderia ser feliz com alguém que não fosse ele. Vivendo numa casa com familiares que sabia que não faziam a menor questão de sua companhia ou se importavam se ela estava bem ou não. Foi a essas pessoas que ela deu ouvidos anos antes. E mesmo que sua amiga sim tivesse boas intenções, ao contrário de seu pai e irmã, a verdade é que nunca deveria ter rejeitado aquele que seu coração desejava. 

Agora aos vinte e sete anos e prestes a ter que abandonar o lar no qual crescera para ir viver em Bath com o pai e a irmã, Anne não sabia bem o que sentia. Sobretudo porque os inquilinos de seu pai, que passariam a viver em seu antigo lar, eram parentes dele, do homem que não esquecera. E não demora nada para que Frederick retorne à sua vida, mas não para reatar qualquer laço rompido. Não retorna por ela, mas para estar próximo de seus entes queridos e encontrar uma noiva adequada para finalmente estabelecer-se. Assim, obrigada a vê-lo por conta dos conhecidos em comum Anne acaba acompanhando dolorosamente de perto o progresso de sua relação com Louisa, a mocinha aparentemente perfeita e dona dos afetos dele. Alguém que não se deixaria persuadir, que não teria o defeito que para Frederick era o pior de todos. Que era imperdoável. 

"Ele a amara ardentemente e nunca amara outra mulher tanto quanto a ela; mas, a não ser por um natural sentimento de curiosidade, não tinha nenhum desejo de tornar a encontrá-la. O poder dela sobre ele acabara para sempre."

Mas teria o amor do passado morrido com a dor e a distância? Seria Frederick realmente indiferente à Anne do presente? Seria incapaz de perdoar os seus erros e recomeçar? O tempo... ele pode destruir muitas coisas, mas nunca um amor verdadeiro...

- Eu me emocionei muito com a história deste casal. É a primeira vez que os casais formados pela autora me causam tal impacto e olha que o Frederick durante o livro quase todo não recebe tanto destaque assim, sendo a história concentrada mais na Anne. Mesmo assim eu senti muito por eles. Por tantos anos perdidos, por tudo o que poderiam ter vivido. Não posso culpar o mocinho pelo fim do relacionamento. Sei que foi a Anne a errar, mas tenho que considerar que ela tinha apenas dezenove anos na época e nada conhecia do mundo, deixando que os "adultos" decidissem o que era adequado ou não e fortemente influenciada pela amizade com Lady Russell, cujos conselhos lhe eram tão importantes. Fez o que os outros queriam, mas enquanto sua família e sua amiga tão bem seguiram com suas próprias vidas foi ela a sofrer. Foi ela quem perdeu. E passou tantos anos sem realmente viver, estando à sombra da irmã, sendo praticamente invisível em sua casa. Ela era quem tinha ficado vazia. 

"Antes, eram tudo um para o outro! Agora, nada!"

- Não suportei nem por um instante a família da Anne. Que gente mais insuportável! Pessoas hipócritas, superficiais, que só se importavam com posição social e assuntos fúteis. Ao que parece a Anne tinha puxado à falecida mãe, mas acho que sua personalidade forte e sua inteligência eram muito próprias. Ela era uma mulher incrível, capaz de causar admiração em muitos dos personagens, mas insignificante para a própria família. A insensibilidade deles, o desprezo latente com o qual a tratavam me causou muita revolta. Eu sentia vontade de esganá-los, sobretudo por ver a maneira como a Anne estava acostumada com aquele tratamento, em sempre ser anulada, menosprezada pelas pessoas que deveriam amá-la, mas que só se lembravam de sua existência quando queriam usá-la. Eu só queria que ela acordasse e fosse embora. Que os mandasse para o inferno! 

- Outra questão é a tal da lady Russell. Mesmo sendo uma mulher boa e quase uma mãe para a Anne também era cheia de preconceitos e se acreditando no direito de se meter na vida da mocinha. Não consegui gostar dessa mulher. A verdade dela não tinha que ser a verdade da Anne e foram os seus preconceitos e malditas boas intenções que tanto influenciaram a mocinha, por causa dos laços de afetos que as uniam. Eu não consegui suportá-la. Gente intrometida assim só causa problemas para aqueles que julgam amar. E não posso perdoá-la por preferir a posição social que a felicidade daquela que tanto protegia. 

- Foi um livro que me provocou muitos sentimentos confusos. Revolta, amor, tristeza, alívio, medo... eu sentia muito medo do casal não ficar junto. Temia que tudo estivesse perdido, que não existisse retorno. Não vou dizer se o final é feliz ou não, mas posso afirmar que foi o livro da Jane Austen que mais me provocou angústia. Quando eu via o Frederick e a Louisa juntos eu é que sentia vontade de chorar. 

"Anne não desejava mais aqueles olhares e palavras. A fria polidez e a cerimoniosa graça demonstradas por ele eram piores do que tudo."

Enquanto a Anne estava lá forte e com aquela tranquilidade exterior que escondia seus sentimentos dos olhares das outras pessoas. Ela estava conformada. E eu querendo que ela fosse até ele e o obrigasse a escutá-la! Mas as coisas vão dar uma baita reviravolta, lhes garanto!rsrs E provocar sentimentos ainda mais intensos em nós leitores. É simplesmente a melhor história da autora para mim. E não sei se conseguirei amar mais algum outro livro dela do que esse. Se sentirei o mesmo, se eles conseguirão chegar aos pés deste livro. 

- Acredito que uma lição ensinada por esta história é não deixarmos que os outros tomem decisões por nós, não importa o quão bem intencionadas elas sejam. Temos o direito de fazermos nossas próprias escolhas e suportarmos as consequências delas. E nunca deixarmos de fazer algo, de seguir um sonho porque nossa família ou nossas amizades não acham que aquilo é bom para nós. Ouvir conselhos é importante, mas sermos incapazes de pensarmos e decidirmos por nós mesmos é muito grave. :( Anne aprendeu isso de maneira dolorosa e muitas eram as chances de nunca mais recuperar o que tinha perdido. A vida não é piedosa. Ela não vai ficar nos dando várias oportunidades de consertar nossos erros. E o tempo definitivamente não para. Ele passa... e como passa!

"[...] ele não conseguia vê-la sofrer sem desejar reconfortá-la."

- Este livro foi minha última leitura do mês de setembro e nem sabia se conseguiria fazer a resenha. Não encontrava as palavras, não sabia nem por onde começar. Só me pegava pensando... refletindo... e analisando minhas próprias escolhas.rs Sim, a história realmente mexeu muito comigo. Demais. 

21 de agosto de 2016

Tesouro Escondido - Sharon Kendrick

(Título Original: The Ruthless Greek's Return
Tradutora: Angela Monteverde
Editora: Harlequin
Edição de: 2016)


Chamas do passado

Loukas Sarantos já foi guarda-costas dos homens mais poderosos do mundo. Agora, esse grego implacável é um deles. Com sua mais nova aquisição, finalmente conseguirá vingar-se de Jessica Cartwright, a única mulher que ousou abandoná-lo. Como garota-propaganda da joalheria de Loukas, Jessica precisa acatar todas as suas ordens... e ele aproveitará cada segundo para tê-la sob controle. Mas quando a antiga paixão ressurge, Loukas percebe que ela é joia mais preciosa que já vira... e fará de tudo para possuí-la novamente.



Palavras de uma leitora... 


"A dor física não tinha problema, mas a emocional era insuportável. Aprendera que só havia uma maneira de permanecer imune. Não se envolver. Não deixar ninguém chegar perto demais."

- Excelente maneira de se proteger, certo? E também de destinar ao fracasso qualquer relacionamento... 

Após uma infância marcada pela separação dos pais, a morte da mãe e a ida para a casa do pai, que vivia ao lado da mulher que causou a separação e com quem tinha uma filha adorada, Jessica aprendera a esconder seus sentimentos. A jamais demonstrar o que sentia. E a permanecer o mais distante possível de outro ser humano. Não era à toa que passara a ser conhecida como Rainha do Gelo. Mas toda sua força de vontade e reservas não são suficientes para fazê-la resistir ao charme de Loukas e às suas tentativas de envolvê-la. Ela acaba completamente apaixonada por ele e, tempos mais tarde, é invadida por todos os sentimentos que tentara evitar. Pela dor que jamais imaginou voltar a sentir...

Jessica e Loukas iniciam um relacionamento proibido e ainda mais intenso justamente por isso. Ambos tinham seus próprios motivos para ocultar dos demais aquilo que viviam, aquilo que os unia e enlouquecia. Só que tudo termina rápido demais. Deixando um vazio na vida dos dois. E uma amargura que os acompanharia pelos próximos oito anos...

Após a morte do pai e da madrasta num terrível acidente, Jessica acaba responsável pela meio-irmã de 10 anos e a quem ela não acreditava amar. Mas as circunstâncias acabam por aproximá-las e uma na outra... encontram a cura para suas feridas. Jessica perdera tudo que tinha na vida. A mãe, o pai, o tênis que havia sido sua maior paixão durante tanto tempo e... Loukas... o homem para quem entregara não só sua inocência como também seu coração. Em Hannah, ela encontra forças para seguir em frente e recomeçar. Mas quando a irmã parte para seguir seu próprio caminho, Jessica se vê de novo sozinha... tendo que lidar com as lembranças do um dia tivera e da tristeza pelo que poderia ter tido...

"Que pessoa não ficava de vez em quando deitada na cama imaginando como sua vida teria sido se tivesse tomado outro rumo?"

- É quando Loukas reaparece em sua vida, trazendo de volta o passado, fazendo exigências e ameaçando mais que sua segurança... colocando em perigo um coração já destroçado. Seria forte o bastante para não se render à paixão que ainda a consumia? E como esconder que durante todos aqueles anos jamais deixara de amá-lo? Ainda que não tivesse toda a experiência que ele com certeza adquirira ao longo da vida, sabia que Loukas não a procurava para uma conversa amigável. Ele queria vingança. Queria dar o troco pelo que achava que ela havia feito. E ela sabia também que estava na hora de encerrar de uma vez por todas aquela história. Não passaria a vida inteira dependente daquele amor... dependente dele

- Faz muito tempo que li um livro da Sharon Kendrick. E creio que foi por ter sérios problemas com a história. rs Ou mais precisamente: com o mocinho do tal livro. Algo que não acontece com Tesouro Escondido. Embora não seja uma história que tenha me provocado fortes emoções, eu gostei bastante. E não me arrependo de ler. Apenas não leria de novo.kkkkkkk...

- A história entre Jessica e Loukas é complicada. Os dois tiveram uma infância de dor, que marcou profundamente suas vidas e desempenhou grande papel em suas escolhas. Eles tinham pavor de amar. Não queriam voltar a sofrer. Não desejavam que outro ser humano pudesse deixá-los vulneráveis como um dia estiveram. Sofriam justamente por medo de sofrer e eu compreendo muito isso. Posso entender exatamente o que se passava pela mente e o coração dos dois. E lamento que eles tenham causado uma grande bagunça e tanta mágoa um no outro por causa disso.

- Embora tenham se permitido um relacionamento, nunca baixaram por completo suas defesas. Nunca abriram o coração. Só falavam com seus corpos e qualquer conversa pessoal era proibida. Assim, ambos se viam inseguros, sem saber o que tinham e o que esperar. Mesmo assim, quando a relação é descoberta pelo pai de Jessica, que reage muito mal, Loukas a pede em casamento. Sendo imediatamente rejeitado. Então ele vai embora... prometendo a si mesmo que um dia a faria pagar por ter brincado com ele. Por tê-lo usado e descartado como se não significasse nada. Ou seja, ele a culpa por não enxergar que o que eles tinham era forte, que ele a amava. A culpava por ela não ver o que ele próprio jamais permitiu que ela enxergasse. Louco, não é?rsrs Do mesmo modo, a Jessica acreditava ter tomado a decisão correta já que sabia com toda a certeza que para ele não passara de uma aventura, que ele nunca sentiu por ela o amor que ela sentia por ele. Faltou conversa. Faltou confiança. Sobrou dor nessa relação. Mas a verdade é que a separação se fez necessária, pois naquela época nenhum dos dois estava realmente preparado para algo mais sério. Muito menos para um casamento. Não era o momento certo. Por mais dolorosa que a separação tenha sido, foi o melhor. 

- Eu gostei muito deste casal. Fiquei com vontade de bater nos dois? Claro!rs Quis sacudi-los, gritar em seus ouvidos que eles precisavam parar de presumir o que o outro sentia e em certas ocasiões senti ganas de simplesmente desistir dos dois. Já estava ficando sem paciência.rs Porém, embora de modo geral tenha gostado demais deles, a história não me provocou nem metade da emoção que eu imaginava sentir. Não tocou meu coração. Não me fez sorrir ou chorar. E por isso recebeu apenas 3 estrelas. 

31 de outubro de 2012

Chuvas de Verão - Sandra Brown [Maratona de Banca 2012 - Outubro]


Em Outubro: Reencontro


Durante doze anos, Rink não esqueceu aquela tarde de verão, quando sua boca provou a boca adolescente de Caroline. Agora, ardendo de saudade, quer sentir de novo o aroma do corpo amado, desejado há tanto tempo... Caroline respira com dificuldade, o coração aos saltos. Sente-se tomada pelo desejo de entregar-se por inteiro. Mas é impossível. Caroline tem um terrível segredo para revelar a Rink. Ela é esposa do pai dele! 




Palavras de uma leitora...





"Quando seu pai me pediu em casamento, aceitei. Ele podia me oferecer tudo o que eu sem­pre havia desejado. 

— Um novo sobrenome.

 — Sim.

 — Roupas finas, dinheiro.

— Sim.

— Uma linda casa...

 — A casa que eu sempre amei! 

— E por tudo isso você se vendeu a meu pai! 

— Num certo sentido, sim. — Ela se sentiu suja e precisava justificar-se. — Queria ser a amiga que Laura Jane necessitava. Queria ajudar seu pai.

 — Quer dizer que os seus motivos foram puramente altruístas? 

 — Não — confessou Caroline, baixando os olhos. — Queria morar  no "Retiro". Queria o respeito que, como esposa de Roscoe, todos me dariam."


- Por onde começo? Sinceramente, não sei. Preciso organizar meus pensamentos... Existem coisas que eu não consigo aceitar, gente. Existem coisas que não dá para aceitar. E a mocinha dessa história é uma dessas coisas. Até porque, para mim, ela não passa de uma "coisa" mesmo. E uma coisa que não vale nada. 

- Bem... Acho que essas palavras iniciais já mostram o que penso da mocinha, certo?rsrs... Para mim, ela não é a mocinha da história. Laura Jane, é. Steve é um mocinho. Rink é outro mocinho (maravilhoso, por sinal!rsrs...), mas a Caroline não é uma mocinha. Não a aceito como mocinha de história alguma! Ela sequer deveria existir. Não presta. Não vale absolutamente nada e ainda se acha no direito de se sentir ofendida quando seu passado e seu presente são jogados em sua cara, pela única pessoa que poderia ter o direito de falar alguma coisa. Realmente as pessoas daquela cidade não tinham nada a ver com sua vida. Eu não tenho nada a ver com o que ela tenha feito. Mas o Rink, sim. O Rink tinha todo o direito de desprezá-la por ela ser tão ambiciosa, tão mercenária e hipócrita. E como o Rink não merecia nada do que ela fez, estou muito mais do que disposta de chamá-la de quantas coisas ruins eu quiser. Serve para colocar a raiva para fora, sabe? Estou precisando. 


"Agora, por uma ironia do destino, estava casada com o pai dele! Quando fora pedida em casamento por Roscoe, acreditara que todos os seus sonhos seriam realizados. Teria respeitabilidade e dinheiro; as pessoas que faziam pouco caso dela passariam a tratá-la com deferência."


- Ironia do destino? Então, o destino, cruelmente, a obrigou a se casar com o pai do homem que ela supostamente amava? Claro. Estava escrito. Ela foi apenas uma marionete nas mãos do destino, que adora brincar com as pessoas. Ah, fala sério! Ironia do destino uma ova! Foi tudo escolha dela. Não foi nenhum destino irônico ou cruel que fez aquela escolha. A escolha foi dela. Uma escolha pura e simplesmente por dinheiro. E, claro, respeito. Se casando por dinheiro ela conseguiria todo o respeito do mundo, é óbvio. Não acham?! 

- E eu estou tão furiosa só por que a mocinha não é perfeita? Não. Só por que ela se casou por dinheiro? Também não. Isso poderia pesar contra ela, sim, mas não seria motivo suficiente para eu odiá-la (e sim. Eu a odeio.). O problema maior é que ela se casou por dinheiro, disposta a dar seu corpo em troca, com o pai do homem que ela amava. Isso para mim foi inaceitável. Nojento, é pouco. É... Nem sei que palavra usar, sinceramente. Só de imaginar até que ponto a ambição dela a levou, só de imaginar ela se deixando possuir pelo homem que contribuiu para trazer o homem que ela amava ao mundo, eu sinto nojo. 

- Mas vocês devem estar se sentindo perdidos, não?rsrs... Bem... Vou explicar as coisas e depois volto a explodir. 


- Doze anos antes, Caroline e Rink se conheceram e se apaixonaram. Eram dois jovens, ambos inocentes da maneira deles. Embora fosse maior de idade e já tivesse dormido com um grande número de meninas, Rink ainda conservava a inocência da infância, da adolescência. Os sonhos, sabe? A esperança. E Caroline era aquilo que o seu coração ansiava. Alguém que estava acima da maldade existente no mundo, nas pessoas. Alguém que o amava sem esperar nada em troca. Que só desejava a ele, que, embora não tivesse esperança de um futuro juntos, estava disposta a se entregar de corpo e alma e amá-lo naquele momento... num momento que ficaria na memória, que ela guardaria para sempre, mesmo que o futuro viesse a separá-los. Quanto mais a conhecia, mais a amava, mesmo sabendo que ela era a filha de um bêbado, mesmo sabendo que ela era muito pobre e que o mundo deles não era igual, que ela era menor de idade e aquele relacionamento era um crime. Que havia um abismo entre eles. Mesmo sabendo tudo isso, Rink não se importava. E ele não podia pensar num futuro sem ela. Estava disposto a lutar contra o que quer que fosse para ficar com ela. Queria que ela fosse sua mulher. Queria se casar com ela e realizar todos os seus sonhos. Como ele foi ingênuo, como foi inocente... 

- Aquele sonho maravilhoso, aquele conto de fadas, teve um fim. Um fim bastante amargo, que marcou profundamente a vida de Rink, fazendo-o viver anos de inferno. Fazendo-o ir embora e deixar a garota amada para trás. Mas ele não tinha opção. Bem... Na verdade tinha, mas se para ser feliz ele precisaria sacrificar a felicidade de outra pessoa, ele preferia abrir mão de seus sonhos. Não poderia pagar um preço tão alto pela própria felicidade. Simplesmente não poderia... E então, ele partiu. E enquanto esteve fora, recebeu a notícia de que a garota doce, pura e louca por ele, tinha se casado. Com ninguém mais do que o pai dele. 


- Quando Rink partiu, Caroline ficou arrasada. Se sentia ferida, enganada... Num momento ele jurava amá-la e no outro, estava indo embora, sem sequer tentar se explicar. Sem sequer se despedir dela. Embora se sentisse profundamente magoada, ela continuou com sua vida. Terminou seus estudos e graças à doação generosa de alguém misterioso, conseguiu realizar um dos seus grandes sonhos, que era cursar uma faculdade. 

- Ao voltar para sua cidade natal, depois de terminar os estudos na faculdade, Caroline arrumou um emprego num banco e tentou dar uma vida melhor à mãe, que tanto tinha batalhado para sustentá-la. Mas ter um diploma não era suficiente. Ter um emprego decente e um salário adequado, também não. Ela precisava de mais. Precisava de riqueza, roupas boas (já que a traumatizou usar roupas de segunda mão quando era jovem. Sim. Tudo por causa do trauma, é claro.), precisava da casa que era o castelo dos seus sonhos quando ela era mais nova. E se para ter tudo isso ela precisaria vender o próprio corpo, não seria problema algum. Ela seria respeitava pelo povo. Ela teria tudo que sempre quis. O preço a pagar não era nada especial, verdade? E, quando Roscoe, pai de Rink (deixemos bem claro que ele é pai biológico do Rink. Não é nenhum padrasto. É pai mesmo. De sangue. E ela sabia disso.), a pediu em casamento, ela só não pulou de satisfação porque achou que isso não seria apropriado. Mas é claro que por dentro ela se sentiu vitoriosa. Quem a olharia com desprezo agora? A cidade inteira teria que engoli-la e respeitá-la, certo? De quebra, ela ainda se vingaria do ex-namorado. 

- Se a Caroline tivesse 15 anos quando se casou com o pai do Rink, eu ainda seria mais tolerante. Era por algo assim que eu esperava. Que ela fosse uma menina perdida e magoada, quando se casou com o Roscoe. Mas não. Ela não era mais uma criança. Já era uma mulher. Já tinha entendimento suficiente. Sabia exatamente o que estava fazendo. Agiu como uma mulher da pior espécie, sabendo perfeitamente o que estava fazendo. E eu não posso aceitar. Nem sequer entender! Para mim, é inexplicável. 

- Gente, vamos ver as coisas da seguinte forma. Você tinha um namorado (a) e o seu relacionamento com essa pessoa não deu certo. Você iria se sentir bem se a pessoa resolvesse se casar com a sua mãe ou seu pai? Se sentiria bem ao imaginar os dois na cama? Transando? Fazendo centenas de coisas que vocês fizeram juntos ou que pensavam em fazer? Não posso nem imaginar algo assim que já me sinto nauseada. E se amasse a pessoa, então, aí é que as coisas seriam insuportáveis, certo? E Caroline supostamente amava o Rink. Se ela não deixasse claro que o amava, isso até seria um atenuante, mas ela amava, então, isso piorava a situação dela. Só tornava ela ainda mais ordinária aos meus olhos. 

- Caroline e Rink voltam a se encontrar somente doze anos depois da separação amarga e o motivo do reencontro é a morte iminente de Roscoe. Como seu pai estava morrendo e mandou chamá-lo para se despedir, Rink resolveu voltar. Mesmo sabendo que seria doloroso demais rever a mulher que ele ainda amava e que agora era sua madrasta. E é aí que a história realmente começa. Quando Rink retorna e o passado volta com ele. Muita coisa ficou sem explicação quando Rink partiu, muita coisa precisava ser colocada para fora e, agora que eram forçados a se ver, a viver na mesma casa, eles precisavam esclarecer tudo. Gritar tudo que sentiam. Se o sentimento do passado poderá se salvar ou se haverá alguma segunda chance, só depois de muitas brigas e muitas verdades ditas aos gritos é que eles poderão saber. 


"—  Você pensava em mim quando fazia amor com meu pai? 

Nada no mundo poderia tê-la ferido tanto. Era pior do que uma punhalada no peito! Caroline soltou um grito de dor e levantou-se.

—  Canalha! Nunca mais se atreva a me dizer uma coisa dessas!

Ele se levantou também e a encarou com ódio.

—  Quero saber! Não teve dor de consciência ao se casar com meu pai, depois que fomos praticamente amantes?

—  Eu queria ser sua, lembra? Foi você quem não quis. — Ela esboçou um sorriso de escárnio. — Não quis correr nenhum risco, não é?

— É verdade. Não queria magoá-la.

—  Mas eu queria que você me magoasse!

Rink rangeu os dentes e sua voz reduziu-se a um murmúrio.

—  Gostaria de tê-la magoado dessa maneira. Queria ser o primeiro homem da sua vida. — Ele deu um passo para a frente. —  Mas para mim você era algo à parte, diferente das outras moças com quem eu andava.

—  Houve muitas?

—  Sim.

—  Antes e depois?

—  Sim.

—  Então, por que censura o meu casamento com Roscoe?"


- Não. Vocês não estão imaginando coisas. Ela realmente fez essa pergunta. E achava que tinha todo o direito de se sentir ofendida por ele censurar seu casamento com o pai dele. Afinal de contas, ele teve muitas mulheres antes e depois dela, não é? Mas... Uma delas foi a mãe da Caroline????????!!! A resposta é óbvia: NÃO. Ela é a "coisa" nessa história. Não ele. É ela que faria qualquer coisa por dinheiro, inclusive trair os próprios sentimentos. Não ele. Pelo contrário. Ele abriu mão de tudo e lutou para conquistar tudo que tinha. Ela não quis fazer o mesmo. Capacidade ela tinha, mas optou pelo caminho mais fácil.


- O que eu penso da história? O que eu penso da vadia da Caroline, vocês já sabem. Mas o que penso da história? Não posso considerar bela a história que existe entre Rink e Caroline. O passado deles foi lindo, mágico, mas o que ela fez depois estragou tudo. Ele cometeu erros no passado? Na minha opinião não, pois como ele disse, ela não acreditaria nele. Sequer tenho dúvidas disso. Ela não acreditaria. Ele simplesmente perderia seu tempo falando. Ela sim cometeu erros gravíssimos e imperdoáveis, na minha opinião. Ela eu não perdoo. Se ela dependesse do meu perdão, estaria tramada (nem sei se essa palavra se encaixa, mas a outra opção não seria muito educada.rsrs...). Quanto ao Rink, não tenho nada para perdoar. Ele fez o que podia fazer, diante das circunstâncias. E foi muito nobre. Nunca fingiu, nunca sacrificou nada inutilmente. Por motivo fútil. Tudo que fez, teve motivos compreensíveis para fazer. E achei lindo o amor dele por uma pessoa que ele não tinha a menor obrigação de amar. Por ele, eu daria cinco estrelas ao livro. Ele merecia isso. Mas a história não é só sobre ele, gente. Infelizmente, a vaca da Caroline faz parte do livro e é uma das protagonistas. Se ela não fizesse parte da história, tudo seria maravilhoso. Até o vilão poderia ficar. Ela não poderia. Se desaparecesse da história misteriosamente, eu não me importaria nem um pouco. Pelo contrário! Faria até uma festa! Ela estragou tudo!!!!!!! Nunca perdoarei essa "coisa" por isso! Ela me dá nojo. 

- Como eu disse, a história seria ótima sem a ordinária. O Rink merecia alguém melhor do lado dele. Um homem tão maravilhoso, tão lindo (e não estou falando da beleza exterior, embora ele também seja belíssimo por fora.rsrs...), que ama desse modo tão incondicional, merecia alguém digna dele. Não aquela imitação mal feita. A mocinha do livro anterior que li da autora, também era complicada, mas valia mil vezes mais do que a escolhida para essa história. 


- As partes que mais gostei nessa história, eram aquelas nas quais Laura Jane e Steve apareciam. :) Fiquei encantada pela história deles e com eles sim eu suspirava e torcia muito pelos dois. Dois encantos, duas pessoas que se amavam além de tudo. É tão mágico o amor entre os dois. Tão puro... Por eles, eu também daria cinco estrelas ao livro, gente. Mas só se a Caroline não fizesse parte do livro, como já disse. :(

- Laura Jane é a irmã caçula do Rink. Uma jovem de vinte e dois anos, mas com a mente inocente de uma criança. Ela tem uma deficiência mental, mas é algo que não afeta sua capacidade de amar. A mente dela pode ter problemas, mas seu coração sabe o que quer e corre atrás disso. É muito lindo! Eu queria ler uma história só sobre os dois. Tenho certeza de que seria linda e entraria para a lista das minhas histórias preferidas! Só os poucos momentos que a autora nos dá sobre eles, já encanta e faz com que a gente os adote, queira protegê-los de tudo e de todos. São poucos que amam como eles se amam. Caroline deveria aprender algo com eles. Mas nem os anos que passou ao lado daquela menina a fizeram aprender lições valiosas. Não que a garota não estivesse disposta a ensiná-la, mas a ordinária não é o tipo de pessoa disposta a aprender coisas que realmente valem a pena. É realmente lamentável. 


- Só teve uma coisa que a "coisa" fez que eu gostei. Não direi o que é, mas acontece no final. Infelizmente, não foi suficiente para me fazer esquecer tudo que ela tinha feito e seus motivos para fazer o que fez. 


- Recomendo a história? Sim. Não deixo de recomendar, pois o problema pode ser eu.kkkkkk... Hoje não é exatamente o melhor dia da minha vida e os momentos podem afetar nossa leitura, como já sabemos. Talvez tenha sido isso, não sei. E além do mais, vale a pena conhecer o Rink e o casal adorável formado pela Laura Jane e o Steve. O único problema é a Caroline. Ignorem-a e amarão a história! :D Podem fingir que a mocinha é outra. Se eu estivesse com paciência hoje, poderia ter imaginado outra mocinha no lugar dela e isso poderia ter diminuído minha revolta. 


- Essa história foi uma indicação da minha querida amiga Carlita. Ela me avisou que eu poderia não gostar da mocinha.rsrsrs... Eu pensei que independente do que ela disse, eu pudesse gostar da mocinha, mas ela estava certa. Realmente não é meu tipo preferido de mocinha e não consegui engoli-la. Foi impossível. Flor, eu teria amado o livro se não tivesse odiado tanto a suposta mocinha da história. Não me arrependo de ter lido o livro, pois amei conhecer o Rink, a Laura Jane e o Steve. :) Por eles, eu dei três estrelas ao livro. Se não fosse a Caroline, o livro teria recebido cinco estrelas. Mas ela estragou tudo, amiga. Não pude suportá-la.kkkkkk... A vontade que eu tinha era de eu mesma arrancar a ordinária da história pelos cabelos! Em muitos momentos, senti vontade de bater nela.kkkkk... Ainda estou sentindo.rsrs... 


- Essa foi minha escolha para o tema desse mês da Maratona de Banca 2012. Para conhecer as resenhas dos outros participantes, clique AQUI.


Bjs e até breve!

18 de outubro de 2012

Renascer do Amor - Michelle Reid




A ilha de Aristos guarda lembranças doces e amargas para Louisa. 

Lá, muito jovem, ela conheceu o deslumbrante playboy Andreas Markonos, com quem se casou ao descobrir que estava grávida. Mas uma tragédia obrigou-a a partir... 

Agora, anos depois, Andreas mal pode acreditar que sua mulher está em sua ilha novamente... E não consegue controlar o intenso desejo que o domina quando a vê... Andreas decide que precisa de uma esposa ao seu lado, e Louisa pode ser a pessoa certa para isso... se conseguirem se manter unidos pelo único vinculo que ainda têm em comum: o desejo.




Palavras de uma leitora...




"— Louisa era...

— Minha mulher e mãe do meu filho — afirmou Andreas. — E você se engana se acredita que minha juventude ou a de Louisa tornou fácil para qualquer um de nós lidarmos com o que aconteceu há cinco anos."


- Eu fugia desse livro como o coisa ruim foge da cruz.rsrs... Embora desejasse muito conhecer essa história, eu já conhecia e bem as histórias da Michelle Reid. Ela é uma autora que sabe escrever histórias fúteis, com mocinhos insuportáveis e agressivos além do limite, mas quando quer... Quando ela quer... escreve histórias que tocam profundamente nossos corações. É dessas histórias que tenho medo. Amo demais histórias assim, mas não acho saudável lê-las com frequência.kkkkkkk... Me envolvo demais com livrinhos assim e ainda não sei como ainda tenho lágrimas.rsrs...


"Porque como seria possível divorciar-se da mulher que você teve nos braços noite após noite e que o amou em cada olhar, em cada toque, em cada doce suspiro que ela deixou escapar? Como seria possível divorciar-se da visão dela dando à luz um filho seu? E como seria possível divorciar-se da visão inconsolável que você teve dela no dia em que vocês sepultaram aquela criança? "Foi melhor assim" tornou-se um insulto de cortar a alma, assim como "hora de seguir em frente". Pois como seria possível divorciar-se de toda aquela dor e agonia e seguir em frente com a vida como se nada tivesse acontecido?"


- Através desse trecho vocês já têm uma ideia de como é o mocinho dessa história, não é? E é justamente ele que faz toda a diferença. Que torna essa história ainda mais sensível e cativante.

- Eu gosto muito dos mocinhos insuportáveis da autora.rsrs... Uns eu odeio, mas amo a maioria. Porém, prefiro mil vezes quando a autora decide criar mocinhos que são arrogantes, possessivos, convencidos, mas emotivos, sabe? Cheios de paixão, com os sentimentos todos à flor da pele. Quando ela cria mocinhos assim, as histórias são sempre lindas demais. Tocantes. Como eu gostaria que isso se tornasse frequente! 

- A história começa quando o casal já está separado há cinco anos. Cada um sofrendo num canto. Sofrendo pela separação, pela saudade e as coisas não ditas... e sofrendo pela morte do filho de três anos. 



"Ela tentou relaxar nesse abraço de luz, tentou não reparar em como seus dedos demoravam-se na borda branca do mármore por alguns segundos mais, antes que os retirasse e se recompusesse novamente. Mas sentiu a dor repentina nos olhos dele, como prenuncio de lágrimas, porque sabia que o toque demorado no carrinho de brinquedo significava para um homem grego, que não demonstrava suas emoções em público, o mesmo que o seu terno beijo de adeus na pedra fria."



- Tudo começou quando ambos foram passar as férias numa ilha na Grécia. Andreas estava voltando da faculdade e ia passar um tempo com os pais. Louisa e a família dela eram ingleses e resolveram passar as férias naquele lugar lindo. Foi amor à primeira vista. Ou quase.rsrs... Ao vê-la saindo daquela balsa ele a desejou. Ficou encantado pela adolescente linda e delicada de 17 anos e procurou saber onde ela estaria hospedada. Um romance louco se iniciou e as coisas não demoraram a ultrapassar os limites. Embora tanto a família dela quanto a dele fossem contra o namoro, o casal não se importou com nada. Se trancaram num mundo próprio, onde só existiam os dois e as precauções foram mandadas para o inferno. Tudo era lindo e perfeito... e teve consequências.

- Louisa descobriu que estava grávida e ficou apavorada. Era nova demais e não estava preparada para as responsabilidades que teria que assumir, mas queria ter o bebê e ficou profundamente ferida quando a mãe do seu namorado sugeriu que ela interrompesse a gravidez. Ela lembrava claramente de como chorou e do apoio que recebeu de Andreas, que se voltou contra a mãe e se casou com ela. Mesmo tendo o mundo contra eles, o futuro incerto e estarem apavorados, eles não desistiram. Sabiam que se amavam e que desejavam formar uma família juntos. 

- O casamento não começou bem. Embora se sentisse segura quando estava nos braços de Andreas, embora fosse esposa dele e estivesse esperando um filho seu, Louisa sofria. Sofria, pois Andreas precisava viajar para terminar os estudos e ela ficava com a família dele, suportando as indiretas e as ofensas que muitas vezes eram ditas abertamente. Foram muitas as vezes nas quais ela chorou, foram muitas as palavras negativas que ela teve que suportar. A incerteza, o medo de Andreas se interessar por outra mulher enquanto estivesse longe. Louisa foi atingindo o limite, mas Nikos nasceu e se transformou na alegria da vida deles. 

- Disposta a interferir mais uma vez no casamento do casal, a família do mocinho sugeriu que Louisa deixasse o filho sob os cuidados da avó paterna, para que voltasse a estudar e mais uma vez, sem saber o que fazer, Louisa entrou em desespero, buscando em Andreas ajuda. Não houve uma só vez, antes do filho deles nascer e enquanto o menino era vivo, que Louisa procurou a ajuda, o apoio do mocinho e não a recebeu. Andreas a amava e sempre estava lá para apoiá-la. Mas isso não foi suficiente. E a morte do filho do casal derrubou aquele casamento, que já estava abalado, e o deixou muito perto do fim. 



"— Você não pode falar assim! — ele gritou por entre os dentes.

Todo o corpo de Louisa tremeu, abalada.

— Assim como? — ela disse com voz trêmula. Ele deu as costas a ela, virando os calcanhares de seus sapatos de couro preto.

— Como se ele ainda estivesse vivo.

Tremendo agora, sem nenhum indício de suavidade, Louisa recolocou o carrinho no mesmo lugar. Uma tensão fez o silêncio pesar. Não disse nada. De maneira confusa, entendeu. Falou de Nikos como se ele ainda estivesse ali com ela. Algumas vezes a sensação era tão forte que ela poderia acreditar que estava..."


- O acidente fatal marcou profundamente o casal, fazendo cada um mergulhar na própria dor e na culpa que ameaçava devorá-los. Perder Nikos também os fez perder o único elo que eles tinham. A única coisa que ainda mantinha aquele casamento de pé. Louisa desmoronou e foi aí que ela mais precisou de Andreas. Foi nesse momento, mais do que em qualquer outro, que ela precisou do apoio dele. Que precisou de sua força para poder sobreviver, para poder suportar todo aquele pesadelo. Mas Andreas não estava disponível. Culpando-se pela morte do filho, sofrendo tanto quanto ela, ele preferiu se afastar e deixar que aqueles que tanto tinham lutado para destruir o casamento deles ficassem perto dela. Ele se escondeu. Fugiu para sofrer sozinho. E esse foi seu maior erro.As duas famílias se aproveitaram do momento mais vulnerável da vida do casal, para separá-los. Não é injustiça minha afirmar que tanto a família da mocinha quanto a do mocinho ficou feliz com a morte do menino de três anos. Creio que eles só não fizeram uma festa para comemorar a destruição daquele elo, porque não suportariam a opinião dos outros. E também porque precisavam fingir que se importavam para conseguir, sutilmente, acabar de destruir aquele casamento.

- Sem Andreas por perto, Louisa não teve forças para dizer "não" quando seus pais decidiram que o melhor seria ela voltar para a Inglaterra. Louisa chegou a esperar por Andreas. Acreditou que ele fosse voltar e apoiá-la, mas ele não apareceu. Pensando que ele a culpava pela morte do filho e desejando mergulhar fundo na depressão, Louisa foi com os pais. E se entregou à depressão, sendo enviada, pela família, para uma clínica de "repouso". Qualquer contato que pudesse haver entre ela e o marido foi cortado. Mentiras foram ditas, palavras venenosas foram disparadas a cada oportunidade e assim o tempo foi passando. Até eles desistirem de acreditar numa segunda chance.

"— Essa é a última vez que venho aqui.

— Não seja boba! — ele respondeu asperamente. — Como estou tentando lhe dizer, você não deve dar atenção às interferências da minha mãe.

— Entretanto ela está certa. É tempo de partir.

— Tempo — ele repetiu. — O que o tempo tem a ver com o que nós deixamos para trás aqui toda vez
que partimos?"


- Como eu disse, a história começa depois que cinco anos se passam. Era o quinto aniversário da morte de Nikos e, como em todo ano, Louisa sai da Inglaterra para visitar o túmulo do filho na Grécia. Só que dessa vez, para surpresa dos dois, o casal se reencontra e é como se o tempo nunca tivesse passado. Eles estavam mais maduros, mais tristes e todos os sonhos já tinham morrido, mas o sentimento ainda estava ali. Vivo e intenso. Mexendo com todos os nervos e emoções do casal. Fazendo-os, mais uma vez, mandarem a cautela para o inferno. Para o desespero da família deles e a alegria e suspiros de nós leitoras.rsrs...


"Foi maravilhoso acreditar, aos 22 anos, que o amor poderia ser eterno. Percebendo tarde demais o que deveria ter sido feito, ele agora podia afirmar com certeza que, se tivesse sido forçado a viver o que Louisa passou naquela época, teria abandonado o casamento deles muito antes do que ela."


- Não irei contar o que acontece depois que o casal se reencontra, pois já falei demais.rsrs... Acredito que será muito melhor se vocês descobrirem como se torna a relação deles, através dos seus próprios olhos. Mas posso afirmar que é tudo muito lindo e emocionante, gente. Não consigo imaginar alguém desprezando essa história.rsrs... Só pensar nela me emociona e não é qualquer livro que consegue isso. Sou exigente com as histórias das autoras que amo, mais do que com autoras desconhecidas, e já desprezei abertamente algumas histórias da Michelle Reid. Já xinguei mocinhos e mocinhas dela aqui e não faço diferente quando amo um livro. Não escondo o que sinto e tenho a necessidade de recomendar a história, de fazê-los desejar conhecer o livro, pois é uma emoção tão forte e tão boa que eu desejo que vocês sintam o mesmo, entendem? Estou cansada no momento, pois enfrentei um trânsito horrível hoje (quando o trânsito no RJ não é terrível?kkkkkkk...), e talvez isso esteja fazendo com que a resenha não seja suficiente, não transmita o que estou sentindo. Mas deixo claro aqui que amo essa história, que fiquei completamente louca por ela e que cinco estrelas é pouco demais. Histórias como essa merecem muito mais do que cinco estrelas e passagem para os preferidos. Merece ser conhecida pelas outras leitoras apaixonadas por belas histórias de amor. Merece ter um lugar próprio em nossos corações e se tornar inesquecível. A história pode ter algumas falhas, mas a autora conseguiu o que queria: nos fazer sofrer com o casal, nos fazer sentir o que eles sentiam, acreditar nos sentimentos deles. Eu vivi essa história com Louisa e Andreas, gente. Eu viajei para aquela ilha através dessa história e vivi cada momento. Pude ver claramente o primeiro encontro, o desenvolvimento da relação, as brigas, as reconciliações. Cada um sofrendo num canto. Pude sentir tudo isso. E a história se tornou perfeita por isso. Eu pude viver a história com o casal, eu senti tudo com eles e quando um livro consegue isso, não me importam as falhas. 


"— Porque a idéia de vê-la concebendo um filho de outro homem era tão inaceitável para mim que você teve sorte por estar com nosso filho quando fui procurá-la. Provavelmente a teria estrangulado na remota possibilidade de estar grávida de outro homem!

— Meu Deus! — Louisa respirou ofegante.

— Bem, tente pensar dessa forma. Pergunte-se, minha relutante esposa, o que acharia se eu semeasse um filho em outra mulher...

Foi um golpe que Louisa não esperava. Colocou-a contra a parede e a empalideceu.

— Como você ficou tão cruel? — ela sussurrou. Suas mãos cercaram o rosto de Louisa com dedos
compridos, incrivelmente macios ao alisar-lhe os cabelos para trás da orelha. Era um.gesto antigo e íntimo que ele fazia como forma de desculpas. — Posso ser primitivo e brutal, mas isso dói, não? — ele persistiu."


- Andreas é exatamente o tipo de mocinho que mais me encanta. Possessivo, protetor, completamente dedicado à mulher amada. Claro que ele sabe ser um idiota (é uma especialidade dos mocinhos arrogantes), mas é encantador. Todas as emoções dele sempre estavam à flor da pele e era muito difícil para ele manter o controle. E apesar de tudo, até das piores suspeitas e provas, ele nunca foi agressivo com a mocinha. Bem...rsrs... Jogar ela no ombro como se ela fosse um saco de batatas conta como agressão? Arrastá-la para dentro de algum lugar e prender seus pulsos também conta?rsrs... Se sim, não foi nada grave e no fundo a mocinha gostava.kkkkkk... Acho que era por isso que ela tentava ser difícil.rsrs... Apesar do tempo, das mágoas, das feridas que não tinham cicatrizado e de todas as suspeitas e situações não resolvidas, ele ainda acreditava no amor que sentiam um pelo outro. Ainda acreditava que aquele amor estava vivo e não aceitava a ideia de um divórcio. Como apagar o passado? Como simplesmente fingir que nada tinha existido? Jamais poderia considerar a Louisa e o filho que tiveram e perderam, como um erro. Eles eram parte da sua vida e ele não podia simplesmente seguir em frente. Sabia que jamais conseguiria seguir em frente sem a Louisa. Sabia que seus sentimentos por ela não eram coisa de adolescente. O tempo só serviu para fortalecer aqueles sentimentos e se ela não estava disposta a lutar por isso, ele lutaria pelos dois. Queria que outros mocinhos fossem como ele.rsrs... Não é com frequência que encontro mocinhos tão apaixonados, tão emotivos, tão dispostos a lutar pelo que querem e amam e capazes de pedir perdão como o Andreas. Ele me emocionou muito. Não tinha como ser diferente. Impossível não amar um mocinho como o Andreas. :)


- Recomendo muito a história, gente. Leiam!!! Deem uma chance ao livro! Tenho certeza de que minha resenha sequer chegou aos pés da história, mas isso não é culpa do livro e sim do quanto estou cansada. Mas eu não podia deixar de falar do livro. Então, arrisquei falar dele mesmo sabendo que não conseguiria fazer justiça à história. Espero ter passado pelo menos um pouquinho do que sinto pelo livro. Espero tê-los convencido a arriscar ler o livro. :D


Bjs e até breve!


5 de outubro de 2012

Um Gosto de Esperança - Susan Mallery


(Título Original: Sweet trouble
Tradutora: Ana Rodrigues
Editora: Harlequin)


3º Livro da Trilogia As Irmãs Keyes

Lar... doce lar?

Jesse Keyes finalmente cresceu de verdade… Com um emprego fixo e mãe de um garotinho superagitado, ela agora está em uma posição muito melhor do que 5 anos atrás, quando saiu de Seattle grávida e incompreendida por quase todas as pessoas que conhecia. 

Mas havia chegado a hora de voltar para casa e enfrentar seus medos e culpas. Só que suas irmãs, Claire e Nicole, não parecem muito confiantes em relação à nova Jesse, adulta e responsável. Ainda por cima Matt, o pai de Gabe, deixa claro que não tem a menor intenção de vê-la novamente, apesar do forte desejo que ainda sentem quando estão próximos. 

Jesse está confusa, não sabe se poderá consertar os erros cometidos. Por outro lado, percebe que ainda é possível reconquistar Matt. E esse é todo o incentivo de que precisa para se animar outra vez!



Palavras de uma leitora...



"- Estou indo embora - disse Jesse, antes que Nicole pudesse perguntar por que ela estava ali. Não posso mudar nada aqui. Não posso consertar nada. E não quero mais ser a vilã da história, por isso estou indo embora."

"- Vai ser problema meu quando você voltar, e nós duas sabemos que é isso o que vai acontecer.

Jesse encarou a irmã por um longo tempo.

- Você pensa que sabe tudo a meu respeito. Pensa que sabe quem eu sou, mas está errada. Não sabe de nada, e estou cansada de brigar com você, Nicole. Não consigo desapontá-la mais. Isso me magoa muito. Você não acredita em mim, mas é verdade. Nunca quis que as coisas fossem desse jeito. Por favor, não tente me encontrar.

E, dizendo isso, Jesse se virou e se foi."

Observe: ESSES TRECHOS FORAM RETIRADOS DO LIVRO UM GOSTO DE AMOR, SEGUNDO LIVRO DA TRILOGIA.

- E cinco anos se passaram... Tempo demais, não acham? Mas foi necessário. Jesse precisava desse tempo para amadurecer, para deixar surgir a pessoa que ela realmente era. Nicole, Claire, Matt... todos eles precisavam desse tempo, embora eu lamente pelo que perderam. E lamento principalmente por Nicole, Jesse e Matt. 

"- Não! Eu não vou embora até que você me escute. Até que você entenda.

- Entenda o quê? Que enquanto você ia para a cama comigo, fingia se importar comigo, também estava andando com Drew? E com quem mais, Jesse? Com quantos outros caras? Não estou pedindo um número total. Duvido que você consiga contar tão alto. Mas, vamos dizer, nos últimos dois meses. Menos de cem? Menos de vinte? Me dê apenas uma ideia aproximada.

Jesse chorou mais, odiando as palavras dele e a distância que via em seus olhos."

"- Eu não estou interessado - disse Matt. - Não há nada que você possa dizer que vá fazer com que eu me importe. Uma vez vagabunda, sempre vagabunda. Todo mundo estava certo a seu respeito."

- Palavras cruéis, não acham? Foram ditas para machucar e machucaram profundamente. Naquele instante Jesse viu seus sonhos, suas esperanças, serem destruídos. Por Matt ela tinha mudado. Por ele tinha conseguido dar uma chance a si mesma, parou de se destruir, e agora ele estava jogando seu passado em sua cara, usando tudo que ela tinha lhe confessado para machucá-la. Jesse sentiu como se algo tivesse morrido dentro dela e foi impossível continuar ali. Não só na casa dele, escutando suas palavras afiadas. Mas na cidade. Perto daqueles que tinham lhe julgado e lhe virado as costas. Ela precisava respirar. Sentia-se sufocada, apavorada e ferida. Fugir não era uma opção, mas a única coisa que poderia fazer. Não era masoquista. Não ficaria ali, sendo julgada e agredida só porque seus agressores acreditavam estar certos e no direito de atormentá-la. Ela não suportava mais. 

- Jesse não chegou a conhecer Claire. Quando ela nasceu, Claire já tinha ido embora e seus pais só pensavam na filha prodígio, que se tornaria famosa, mundialmente conhecida. Não se preocuparam com a bebê recém-nascida. Era como se ela não existisse. Mas uma pessoa notou e se preocupou com a bebê. E não demorou muito para se tornar a mãe que Jesse não teve. Não porque sua mãe biológica estivesse morta. Pelo contrário. Ela estava bem viva, mas preocupando-se unicamente com Claire e esquecendo a existência de Nicole e Jesse.

Nicole só tinha seis anos, mas amou a irmã caçula à primeira vista. Cuidava dela, dava-lhe o amor que ela necessitava receber e aos doze anos, quando sua mãe resolveu viajar para ficar com Claire, Nicole abandonou de vez o papel de irmã e assumiu o de mãe. Era jovem demais. Uma menina ainda, mas abandonou sua infância, seus sonhos e viveu por Jesse e a confeitaria da família. Ela fez o seu melhor. Se dedicou de corpo e alma à menina que tanto amava, deu-lhe tudo que podia, mas, como todos os pais, também cometeu erros. 

Embora amasse Nicole e soubesse que era amada por ela, existiam momentos nos quais Jesse não suportava sequer ficar perto de Nicole. Desejava ficar o mais longe possível. Dos seus olhares reprovadores, das suas palavras afiadas e da certeza de que tinha destruído a infância da irmã. Da certeza de que jamais conseguiria pagar pelo sacrifício que a irmã tinha feito. Embora não fosse sua intenção, Nicole deixou mais do que claro que tinha se sacrificado. Que tinha feito tudo por Jesse. Que tinha desistido da própria infância para que Jesse fosse criança. Eram palavras ditas de modo amargo, pois Nicole precisava desabafar. E desabafou com a pessoa errada, contribuindo muito para tornar Jesse uma adolescente rebelde que caminhava a passos largos para a própria destruição. 

Magoada com Nicole. Sentindo-se culpada por ter roubado a infância da irmã e ressentida por Nicole jogar isso tantas vezes na sua cara, Jesse cometeu inúmeros erros assim que entrou na fase mais perigosa e complicada da sua vida. Foi só entrar na adolescência para ela experimentar álcool e drogas. E não demorou muito para ela descobrir os garotos. Em pouco tempo (e vou usar as palavras dela) ela se tornou a vagabunda da escola. Trocava de ficante (porque eles não eram seus namorados) como a maioria das mulheres (usando mais uma vez as palavras dela) troca de calcinha. Ela queria ferir Nicole e usou o próprio corpo para isso. Ela própria não saberia dizer com quantos garotos transou. Quantos erros cometeu... Não saberia dizer quanta dor sentia. Não saberia explicar por que doía tanto se sentir tão vazia e suja... tão indigna do amor de qualquer homem. Não acreditava que alguém poderia amá-la. Ela tinha usado os garotos. Os tinha usado para ferir a irmã, mas também tinha sido usada. Ela só dava o que eles queriam, ouvia palavras de amor da parte deles somente porque eles achavam necessário dizer isso para levá-la para a cama. O sexo era escondido, rápido e sujo. Nenhum deles se importou com ela. Nenhum deles enxergou além da aparência. Só queriam seu corpo e só receberam isso dela. 

Mas Jesse queria mais. Estava cansada de querer machucar a irmã, estava cansada de se machucar. Nunca conseguia fazer algo dar certo em sua vida. Estava se destruindo e enxergava isso, mas não sabia o que fazer. Não sabia como consertar as coisas. Ninguém nunca tinha acreditado que ela fosse capaz de chegar a algum lugar. Ninguém nunca acreditou nela, apostou nela. E ela não tinha motivação para mudar. Porém, num determinado dia, ela encontrou. Encontrou justamente aquilo que seu coração, com tanto desespero, buscava. 

- Jesse já não sabia mais o que fazer. Não tinha rumo, nenhum plano para o futuro, nenhum objetivo. Estava com 22 anos e vivendo na casa da irmã, trabalhando sob o comando de Nicole e sendo impedida de desenvolver suas próprias ideias, mesmo que o negócio da família também fosse seu. Jesse queria fazer algo que lhe desse prazer, mas passou tanto tempo empenhada em se destruir, que não sabia sequer por onde começar. Mas um garoto tímido, mal vestido, com uns óculos horrorosos no rosto e a típica aparência de um nerd viciado em computadores, lhe deu aquilo que ela precisava. Um motivo para viver e acreditar em si mesma. 

Ele estava prestes a cometer o maior erro da sua vida e Jesse sentiu vergonha por ele. Ela assistiu tudo e quando ele saiu abatido daquela cafeteria, Jesse, num impulso, foi atrás dele e se ofereceu para mudar toda a sua vida. Para ajudá-lo a mostrar seu potencial. E ela cumpriu o prometido. Transformou o nerd desajeitado e tímido, num homem irresistível e confiante, o sonho de toda mulher. Mas ela perdeu seu coração no processo. O que começou como um projeto, uma chance de fazer algo certo pela primeira vez em sua vida, acabou se tornando muito mais. Ela passou a ter ciúmes das mulheres que entravam na vida dele, que desejavam conquistá-lo. Ela o queria. Ela estava se apaixonando por ele, mas sabia que seria impossível tê-lo. Ele não a merecia. Era lindo tanto por fora quanto por dentro, um cavalheiro, sempre gentil com as mulheres, sempre tratando-as com consideração. Ela não poderia querer que ele ficasse com ela, que não passava de uma qualquer. Matt estava completamente fora do seu alcance e ela teria que assistir enquanto ele conhecia outras mulheres, teria que suportar em silêncio quando ele falasse delas, dos momentos que passou com elas... e, o mais terrível, teria que assistir calada quando ele conhecesse a mulher certa. Quando se apaixonasse por ela, se casasse e construísse a própria família. Embora soubesse que ficaria feliz por ele, ela também sabia que seu coração ficaria em pedaços. 

"Jesse se virou e o pegou observando-a. Havia alguma coisa na expressão dele que ela nunca vira antes.

- Matt?

- Acho que não havia percebido até agora - falou ele lentamente.

- Percebido o quê?

- Que em algum momento, ao longo do caminho, me tornei mais do que um projeto para você. Quando isso mudou?

Jesse ficou gelada por dentro, incapaz de se mover, mal conseguia respirar. Ali estava, a única coisa que ela quisera evitar. Aquele momento de humilhação total. Porque Matt já não era mais um pobre nerd que precisava de ajuda. Era másculo e capaz. Era um homem por quem ela se sentia desesperadamente atraída. Emocionalmente, ele poderia esmagá-la como a um inseto."

- Bem... Como vocês sabem, o primeiro livro da série começa quando Jesse entra em contato com Claire, pedindo que a irmã, que ela mal conhecia, voltasse para Seattle, pois Nicole iria fazer uma cirurgia e precisaria de ajuda. A própria Jesse não poderia ajudar, pois tinha sido expulsa de casa após ter sido pega na cama com o marido de Nicole. Ninguém esperou que ela se explicasse, ninguém acreditou que poderia haver outra explicação para aquilo além da óbvia. Ao longo do primeiro livro, Jesse aparece poucas vezes. A ideia que a gente tem dela é de que ela é uma menina imatura, que não pensa muito nas consequências. Aliás, não pensa nada. Essa é a ideia que temos dela no primeiro livro. No segundo livro, Jesse volta a aparecer e mais uma vez percebemos que ela não é muito madura, embora também se dê para notar que ela não é má. Apenas... está perdida. Completamente perdida. Quando ela se encontra com o Matt, vai até a casa dele esperando que o homem que tinha dito que a amava a ouvisse e acreditasse nela, a gente sofre por ela, mesmo não a conhecendo direito ainda. O Matt é muito cruel com ela e joga o passado da Jesse em sua cara, se aproveitando daquilo que ela tinha lhe confessado, se aproveitando da confiança que ela tinha depositado nele. Achei isso muito cruel, mas também entendo o lado do Matt. Jesse tinha sido pega na cama com o marido da irmã. Ela estava completamente nua da cintura para cima e Drew estava com a mão em seu seio. Não havia dúvidas do que estava se passando, certo? Qualquer pessoa interpretaria a cena da mesma forma: ambos estavam tendo um caso. E iriam transar se Nicole não os tivesse interrompido. Nenhuma pessoa acharia que as coisas não eram bem assim. É claro que Nicole e Matt tinham todo o direito de se sentirem traídos e de expulsarem Jesse de suas vidas. 

No terceiro e último livro da trilogia, finalmente vemos o que realmente se passou. Desde o início. Desde quando Jesse conheceu Matt e conhecemos também o passado da Jesse através da própria Jesse. E tudo muda. Eu não consegui ver a Jesse desse terceiro livro da mesma forma que vi nos outros dois. Quando ela volta, cinco anos depois, ela é uma mulher madura, inteligente, responsável e disposta a consertar o passado. A fazer as pazes com ele. Mas a Jesse de cinco anos antes não era necessariamente uma jovem imatura, irresponsável ou coisa parecida, entendem? Tudo bem. Ela cometeu inúmeros erros. Errou mais do que a maioria dos jovens erra, mas era porque estava magoada. Estava ferida. A adolescente pode ter sido infantil, estúpida, mas a jovem de 22 anos, não era assim. A gente enxerga a alma da Jesse, coisa que não conseguimos fazer nos outros dois livros, e percebemos que ela tinha noção de cada coisa que fazia, que estava arrependida dos erros que tinha cometido e que só queria um motivo, uma ajuda, apoio para recomeçar. Através da visão da Claire e da Nicole nos outros livros, não conseguimos notar isso. A autora não nos permite perceber isso. Enfim...

- Depois de ser pega na cama com o marido da irmã, Jesse não perdeu só Nicole, a casa e o emprego na confeitaria. Ela também perdeu o homem por quem tinha se apaixonado, o homem que tinha lhe dado motivos para mudar, para ser uma pessoa melhor. O homem... que a tinha engravidado. 

- Sim. Jesse vai embora de sua cidade natal, esperando um filho de Matt. Ela não fugiu escondendo esse fato dele. Não. Ela deixou bem claro que estava esperando um filho dele antes de partir. Ela esperou que Matt se importasse com o bebê, que exigisse que ela ficasse por causa do bebê, mas as coisas não foram assim.

"Jesse agarrou o braço dele. 

- Matt, me escute. O filho é seu! Mesmo que me odeie, precisa tomar conta dele. Não estou mentindo. Posso provar. Assim que o bebê nascer faremos o teste de DNA.

Ele a encarou por um longo tempo, então se soltou das mãos dela e foi até a porta.

- Você não está entendendo, não é? Eu não me importo, Jesse. Você não é nada para mim além de um arrependimento. Não acredito que esse bebê seja meu e, mesmo se for, não quero ter um filho com você. Não quero ter nada a ver com você. Nunca. Quero que vá embora. Nunca mais quero vê-la de novo. Por motivo algum.

O que mais a assustou foi a calma com que Matt falou, o modo fácil como as palavras saíam da boca dele para rasgar a alma dela em pedaços.

Jesse abaixou os olhos, meio que esperando ver seu corpo rasgado e sangrando, mas toda a dor era por dentro.

- Matt, por favor - ela implorou.

Ele abriu a porta e ficou olhando para fora.

- Vá embora."


"Matt jurara que o passado dela não importava, que estaria com ela não importava o que acontecesse. E mentira, deixando-a em um vazio que a assombraria pelo resto da vida."


- Jesse foi embora grávida e sem dinheiro. Sem saber o que fazer da sua vida e como cuidar do filho que teria que criar sozinha. Ela estava ferida e apavorada. Já tinha chorado tudo que conseguiria chorar, mas as lágrimas não iriam solucionar seus problemas. Não faria o dinheiro aumentar, o combustível permanecer no seu carro, sua irmã e seu ex namorado perdoá-la. Não mudaria nada. Não consertaria coisa alguma. Mas talvez aliviasse um pouco a sua dor. 

- Quando toda sua família e o homem que roubou seu coração lhe viraram as costas, Jesse ficou sozinha, abandonada, mas a ajuda veio de quem ela menos poderia esperar. De um estranho. De um senhor que nunca a tinha visto na vida, mas que percebeu seu desespero e algo mais que as pessoas que ela amava jamais conseguiram perceber. Ou quiseram perceber. Aquele homem acolheu Jesse como uma filha, uma neta. Lhe deu um emprego, ouviu sobre seu passado sem condená-la, a ajudou a encontrar um lugar para morar e lhe deu apoio quando Gabe nasceu. Graças àquele homem que não tinha motivo algum para ajudá-la, Jesse conseguiu seguir em frente, conseguiu puxar de dentro de si a força que necessitava para criar o filho que era totalmente dependente dela. Estudou, trabalhou muito e conseguiu se virar. E fez um ótimo trabalho. Ela não fez o que Nicole esperava que ela fizesse. Não voltou rastejando, destruída para pedir abrigo a irmã. Não. Ela conseguiu vencer. Não ficou rica nem nada, mas conseguiu construir uma vida adequada para ela e o filho. Sem jamais pedir nada para aqueles que lhe viraram as costas. 

- Mas precisava voltar. Precisava de uma vez por todas fazer as pazes com seu passado. Precisava também dar a Gabe o que ele tanto lhe pedia: a chance de conhecer o pai. E assim... Jesse retorna. Cheia de medo e esperança. Desejando ser recebida de braços abertos por aqueles que ela ainda amava. 

- Bem... É triste ver a Jesse imaginando, desejando ser recebida com afeto, abraços e beijos. É triste, pois nós sabemos que isso não vai acontecer. O tempo não pode consertar tudo e não mudou a opinião que a Nicole e o Matt tinham dela. Se Jesse foi bem recebida por alguém, foi por Claire e Sid, um funcionário da confeitaria. Nicole não facilitou nem um pouco as coisas para ela, embora no fundo desejasse abraçar a irmã e impedi-la de partir novamente. Vocês sabem como a Nicole é.rsrs... Facilitar as coisas para quem ela ama não é sua especialidade. Isso porque ela também tinha medo de ser machucada novamente. Não tinha nada a ver com ódio. Foi por amar a Jesse que ela não a recebeu de braços abertos e fez questão de complicar bastante a sua vida.rsrsrs... Acho que a Nicole nunca vai mudar. Porém, eu a amo mesmo assim.kkkkk... É minha preferida! 

- Eu já contei demais sobre o passado da Jesse, embora tenha me controlado para não falar muito de como foi o namoro dela com o Matt. Quando lerem esse livro, vocês acompanharão essa relação linda e que acabou de modo tão amargo. Enfim... Não quero falar muito de como foram as coisas depois da volta da Jesse. Só posso dizer que esse livro, para mim, é o melhor da série. Aquele que mais me cativou e do qual sentirei mais falta. Além de mostrar a relação da Jesse com o filho e com Matt, a autora também fez questão de tornar a Claire e Nicole bem presentes no livro e foi uma delícia vê-las na história. Elas foram muito importantes no livro e quando a Nicole e a Jesse se reconciliaram foi um momento inesquecível. Que trouxe lágrimas aos meus olhos e uma vontade enorme de convencer a autora a fazer mais livros sobre as três.kkkkkk... Eu não me importaria se a série fosse mais longa. É uma série linda demais, entendem? Não consigo aceitar que acabou. Estou sentindo muita falta e já peguei os três livros e os abracei, como se assim pudesse manter a história comigo.rsrs... Continuo pensando nas três histórias, mas o livro mais marcante é o terceiro. Posso dizer que a autora fechou a trilogia com chave de ouro. O final é maravilhoso! Não. Maravilhoso é pouco!rsrs...

- Nesta história, nós também revemos o Hawk que continua bastante convencido.kkkkk... Me diverti nos momentos em que ele apareceu. Não canso de dizer que ele foi feito sob medida para a Nicole. Nenhum homem jamais a amaria e a faria tão feliz como o Hawk. Ele é perfeito para ela e lhe deu três bebês lindos para ocuparem seus dias e a fazerem ter aquilo que ela tanto ama: responsabilidade.rsrs... Ela reclama tanto do quanto sempre teve que ser responsável, mas adora isso.kkkk... E agora tem três filhos pelos quais é responsável. Ela não poderia ser mais feliz do que é.rsrs... Mas ainda acho que ela terá mais filhos.kkkkkkkkkk... 

- Odiei o Matt? Com toda a certeza. Não direi meus motivos, mas ele fez questão de despertar meu ódio em alguns momentos. E demorou. Demorou bastante para ele conquistar meu coração. Quase terminei o livro odiando-o. Eu o entendia, gente. Realmente entendia. Mas há um limite para tudo e o Matt o ultrapassou. Uma coisa é querer ferir a Jesse, outra coisa bem diferente é agir do modo como ele agiu. Ele se salvou por pouco.rsrs... Mas a Susan Mallery é especialista em nos fazer ver o lado de todos os seus protagonistas. Eu vi o lado do Matt e vi seu arrependimento sincero. E além do mais, ele não ficou só no arrependimento. Ele lutou para consertar as coisas e foi muito bom acompanhar isso. Como se não fosse suficiente para me fazer perdoá-lo, o amor que surgiu entre ele e o filho, arrebatou meu coração. Sim. Ele errou. Feio. Muito, muito feio. Mas se arrependeu e mudou. Na verdade, parou de usar máscaras e deixou vir à tona quem ele realmente era, conquistando meu coração. Precisei perdoá-lo.rsrsrs... Geralmente demoro mais do que as mocinhas para perdoar esses mocinhos estúpidos. Mas nesse caso, eu o perdoei primeiro.kkkkkkk... A Jesse demorou um pouco mais para perdoar o homem da vida dela. Ela é muito mais parecida com a Nicole do que gostaria de ser.rsrs... 

"- Hoje, com Gabe, no parque, ele tropeçou e caiu. Foi como se eu estivesse caindo, pior até porque não me importaria de me machucar, mas não queria que nada de mal acontecesse a ele. Eu o levantei do chão rapidamente, mas naquela fração de segundo morri mil vezes."

"Matt carregou-o de volta para o carro. Gabe o agarrava como se nunca mais fosse soltá-lo. Matt abraçou-o com força, jurando para si mesmo que protegeria aquela criança a qualquer preço. Tomaria conta dele. Emoções desconhecidas lutavam por espaço em seu coração [...]"


- A história é muito linda gente e eu a recomendo MUITO. Tenho certeza de que irão amá-la e pensar nela durante um bom tempo. Toda a trilogia é deliciosa, preciosa, mas o terceiro livro é o melhor. A ordem de preferência fica assim: Um Gosto de Esperança, Um Gosto de Amor, Um Gosto de Vida. Mas minha mocinha preferida é a Nicole, seguida de perto pela Jesse. Claire é um encanto e eu também a amo muito, mas não posso negar que Nicole se tornou minha querida. :) É a verdade. E por pura coincidência, meu mocinho preferido da série é o Hawk.kkkkkkk... A diferença é que ele não é seguido de perto pelo Matt.rsrs... Não. Em segundo lugar vem o Wyatt, marido da Claire. Matt fica em último lugar.rsrsrs... Não que eu não o ame, mas é que eu prefiro o convencido do Hawk.rsrs... 


Trilogia As Irmãs Keyes:

Um Gosto de Vida (Claire)
Um Gosto de Amor (Nicole)
Um Gosto de Esperança (Jesse)


Uma música para ouvir durante a leitura da história:


Tal como una hoja que se lleva el viento me dejé llevar
me encerraste en un beso
y no supe escapar
hoy que no te tengo
desde la distancia te puedo jurar

Que te extraño en mis sueños
que me dueles aun más
es tan difícil comprender
que nuestros mundos sean tan diferentes

Como duele, no verte cada madrugada
Sentir como te extraña el alma
Haber tenido tanto
y no tener nada

Como duele, sentir el corazón vacío
Saber cuanto te necesito
Y ver que sigue entre tu y yo
Una barrera de amor

Solo enloqueciendo, dejaría un momento de pensar en ti
le haces falta a mi cuerpo para sobrevivir
no es posible comprender
que nuestros mundos sean tan diferentes

Como duele, no verte cada madrugada
sentir como te extraña el alma
haber tenido tanto y no tener nada
y duele... sentir el corazón vacío

Sentir cuanto te necesito
y ver que sigue entre tu y yo una barrera de amor

Y duele cada vez más... que no estás...
que de mi vida te vas

Como duele, sentir el corazón vacío
saber cuanto te necesito
y ver que sigue entre tu y yo
una barrera de amor 

[Música: Barrera de Amor/Cantora: Noelia]

P.S.: Essa música me faz pensar muito na história de Jesse e Matt. O quanto eles eram diferentes, o quanto o mundo deles era diferente, a dor que ambos sentiram com a separação e a barreira que os separava. Tudo que estava entre os dois, separando-os. E apesar de tudo, eles ainda se amavam. Ainda precisavam estar juntos para serem felizes. O amor que existe entre eles é muito lindo, muito forte e eu não poderia duvidar dele. Eles se amam mais do que gostariam de se amar. 

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